quarta-feira, 27 de março de 2013

Economia brasileira: acabou a festa? - Financial Times

Brasil: um peso pesado que está aprendendo a ser humilde
Joe Leahy
Financial Times,  26/03/2013

Roberto Lima da Silva está sentado na velha motocicleta que usa para seu trabalho como motoboy, esperando pelo fim de um dos torrenciais temporais de São Paulo. "Tenho uma moto 2003, e queria trocá-la por um modelo mais novo", diz. Mas explica que dois terços de sua renda mensal é dedicada ao pagamento de velhas dívidas.
"O problema é que minhas dívidas não deixam", ele diz sobre o plano de trocar de veículo.
A indústria de motocicletas do Brasil reflete um mal de alcance mais amplo na maior economia da América Latina. As vendas dos veículos de duas rodas cresceram fortemente até 2011, com milhões de novos compradores de baixa renda aproveitando o crédito fácil para adquirir uma Honda ou Yamaha zero.
No ano passado, porém, a situação mudou, porque os financiamentos se tornaram mais difíceis; a produção das montadoras caiu em mais de 20%, e a tendência de queda vem se mantendo este ano.
Como muitos outros setores da indústria brasileira, o de motocicletas agora quer ajuda do governo federal, em Brasília, para resolver seus problemas. Os executivos sabem que o governo da presidente Dilma Rousseff está desesperado para reviver o milagre econômico que o país viveu no passado.
O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu em menos de 1% no ano passado, a menor alta entre os países do grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).
Os investidores estão rejeitando o Brasil e optando pelo México, algo que seria impensável dois anos atrás. Ainda que a presidente mantenha sua imensa popularidade, a economia é um possível problema para as perspectivas de reeleição de Rousseff, no ano que vem.
A resposta de seu governo foi interferir em setores que variam da energia às telecomunicações, com uma mistura de medidas de incentivo e repressão, de benefícios fiscais a cortes forçados de preços.
AJUDA
Mas o crescente envolvimento do governo nos negócios vem se provando controverso. De um lado, representantes dos bancos e do mercado financeiro argumentam que o Brasil está recuando às políticas intervencionistas que já se provaram fracassadas no passado. O setor industrial rebate alegando que a indústria afundaria devido ao custo elevado e a uma onda de importações, sem ajuda do governo.
O único ponto de consenso parece ser o de que os 10 anos de ventos favoráveis que o país viveu, com a ajuda de preços robustos para as commodities e um influxo generoso de capital estrangeiro devido à política monetária frouxa nos países desenvolvidos, ficaram no passado. O Brasil precisa abastecer seus propulsores internos de crescimento, acima de tudo o investimento.
"Estamos falando basicamente sobre qual seria o potencial de crescimento do Brasil, sobre quanto o Brasil poderia crescer nesse mundo em que as commodities não ajudam, os países desenvolvidos não crescem; e não temos resposta a essa pergunta, por enquanto", disse Roberto Setubal, presidente-executivo do Itaú Unibanco, o maior banco privado brasileiro. "É evidente que o Brasil precisa mudar de modelo".
A intervenção pode criar ou destruir fortunas para um investidor, no Brasil. Em março, as ações da Petrobras saltaram em 9% depois que o governo inesperadamente permitiu que a companhia estatal aumentasse os preços do diesel.
Embora o governo negue oficialmente que controla os preços ao consumidor dos combustíveis, a Petrobras é forçada a vender combustível de suas refinarias a preços inferiores aos internacionais, a fim de ajudar a controlar a inflação, o que esgota as reservas de caixa de que necessitaria para desenvolver as gigantescas bacias de petróleo offshore do Brasil.
"Foi uma surpresa positiva", diz Brunella Isper, da Aberdeen, uma administradora de investimentos de São Paulo. "Talvez o governo esteja sinalizando que não está mais disposto a usar a Petrobras como ferramenta de controle da inflação, o que, se verdade, seria excelente".
INTERVENÇÃO NO CÂMBIO E PROTECIONISMO
A onda de intervenções data de 2009, quando o Brasil iniciou o que definiu como "guerra cambial". O governo estava preocupado com o investimento de especuladores estrangeiros no Brasil para explorar a alta taxa de câmbio brasileira, o que resultava em alta no valor cambial do real diante do dólar e em problemas de competitividade para a indústria local. O episódio chegou a um clímax em 2011, quando o Brasil elevou as alíquotas do imposto sobre transações financeiras de toda espécie, dos títulos e swaps a empréstimos estrangeiros, a fim de conter a entrada de capital.
Por fim, o real terminou caindo. Ainda que o Fundo Monetário Internacional (FMI) tenha expressado cautelosa aprovação aos controles cambiais, diversos economistas questionaram o valor da guerra cambial. Tony Volpon, da Nomura, argumenta que os controles cambiais contiveram o ingresso de capitais e prejudicaram a confiança dos investidores no exato momento em que a economia começava a se desacelerar, na metade de 2011, devido à crise do euro. Isso explica, em parte, porque a economia brasileira parou de crescer muito mais rápido que as demais economias emergentes - o PIB cresceu 7,5% em 2010 e apenas 0,9% no ano passado. Pior, o câmbio em baixa não parece ter ajudado muito a reanimar a indústria, que sofre devido aos custos elevados e a aumentos salariais que superam os ganhos de produtividade.
Além do câmbio, o governo também voltou a impor medidas de protecionismo direto. As quatro grandes montadoras de automóveis do Brasil - Fiat, Ford, General Motors e Volkswagen - conseguiram proteção em 2011 contra os carros importados asiáticos de baixo preço. O IPI dos carros com menos que um dado nível de conteúdo nacional subiu em 30 pontos percentuais, o que deteve a ascensão de diversas montadoras sul-coreanas e chinesas.
Em um esforço para salvar empregos, o governo reduziu as contribuições previdenciárias de 40 setores. As empresas aplaudiram a decisão. Mas a natureza improvisada das medidas resultou em mais incerteza quanto ao investimento, argumentam os economistas. Jin-Yong Cai, presidente da International Finance Corporation, a divisão do Banco Mundial que financia o setor privado, disse ao "Financial Times" que "empresas buscam estabilidade e transparência, e não é bom conferir tratamento especial a um ou outro setor, o que em minha opinião cria distorções".
No segundo semestre de 2011, o banco central deu início a um ciclo dramático de relaxamento da política monetária, que reduziu a taxa Selic a 7,25%, um recorde de baixa no Brasil. Mas Rousseff ficou irritada quando os bancos se recusaram a oferecer mais empréstimos. Disso surgiu uma desagradável disputa pública entre o governo e os bancos privados, que resistiam às exortações por mais empréstimos, argumentando que os brasileiros já estavam excessivamente endividados.
"Para o Brasil, a questão é que o consumo, por muitos anos o propulsor do crescimento, já não pode continuar crescendo em ritmo tão rápido", afirma a Capital Economics, uma empresa de pesquisa sediada em Londres.
ESTÍMULO AO DESENVOLVIMENTO
Depois do fracasso das intervenções anteriores no que tange a reanimar o crescimento, no ano passado o governo adotou uma visão mais estratégica. Rousseff começou a tomar por alvo os altos custos dos negócios no Brasil - que ocupa a 130ª posição entre os 185 países pesquisados pelo Banco Mundial para o ranking Doing Business, abaixo de Bangladesh e da Rússia mas acima da Índia. Ela também começou a tentar estimular o nível de investimento brasileiro, estimado em insuficientes 18% do PIB no ano passado e inferior aos 21,% da China e aos quase 24% do Chile.
Primeiro vieram gigantescos programas de infraestrutura. Uma medida mais controversa do governo foi renegociar os contratos de concessão de eletricidade, que estavam por vencer, dando às operadores a escolha de prorrogá-los imediatamente - em troca de corte profundo nas tarifas - ou enfrentar novas concorrências quando os contratos expirassem. Isso causou colapso nas ações do setor de eletricidade, irritando os investidores, mas foi elogiado pelas organizações setoriais da indústria.
Os críticos argumentam que o resultado final disso foi que, embora as companhias estrangeiras tenham mantido o otimismo no ano passado, realizando US$ 65 bilhões em investimento direto no Brasil, a ampla gama de mudanças gerou tamanha incerteza que os investidores nacionais e os administradores de fundos estrangeiros começaram a segurar suas aplicações.
"O intervencionismo excessivo tem um custo, e ele foi de provavelmente 0,2% no índice de crescimento brasileiro no ano passado", disse Marcelo Salomon, economista da Barclays Capital.
Mas há quem veja algumas das intervenções como esforços importantes para levar o Brasil adiante no caminho de desenvolvimento e enfrentar o notório "custo Brasil". Os juros cobrados pelos bancos sobre certos produtos, por exemplo, os cheques especiais, chegaram aos três dígitos. A campanha de Rousseff representava um esforço para combater esse problema.
O Brasil tem a maior participação mundial de hidrelétricas em sua geração de energia, 82% no ano passado. Mas as tarifas elétricas pagas pelos brasileiros estão entre as mais altas do mundo. A intervenção do governo na eletricidade reduziu os custos de energia em 14% este ano, de acordo com o Itaú-Unibanco.
O governo também está promovendo outras reformas, que os investidores mal percebem. Rousseff quer dobrar o investimento na educação, para 10% até 2020, e está promovendo um avanço no Estado de Direito ao demonstrar menos tolerância pela corrupção entre seus ministros e em seu partido.
"Ainda que os investidores sempre assumam a posição de que intervenções são ruins, o que os investidores querem nem sempre é o melhor para um país em longo prazo", diz Haroon Sheikh, da Cyrte Investments, da Holanda.
A história do rápido desenvolvimento no nordeste da Ásia, como o foco do governo sul-coreano na educação e o uso dos grandes conglomerados industriais, os chaebol, para desenvolver indústrias com valor adicionado, oferece exemplos de intervenções bem sucedidas.
Nem toda intervenção é boa, ele acrescenta. Subsídios, programas de conteúdo local compulsório e redução nos custos de crédito precisam ser acompanhados por diretrizes severas para garantir que as indústrias que não se tornarem competitivas mundialmente perderão o benefício. Uma parte crucial da bem sucedida política industrial leste asiática é "permitir que as coisas menos importantes morram e concentrar atenção nas demais", diz Sheikh.
REAÇÃO DA ECONOMIA
Existe uma crescente sensação de que a fase mais frenética de intervenções pode estar se esgotando. Um banco central mais ativo vem combatendo a inflação e ameaça uma alta de juros. A alta nos preços dos combustíveis e a promessa das autoridades de exigir maiores retornos nos projetos de infraestrutura foram interpretadas pelos investidores como sinal de que o governo ainda os ouve. A economia parece estar reagindo, e janeiro já viu crescimento melhor.
Os analistas políticos afirmam que, embora seja necessária uma abordagem mais metódica quanto à reforma econômica, Rousseff provavelmente continuará na corda bamba entre concessões a setores politicamente importantes e a promoção de mudanças mais abrangentes. Se a indústria começar a demitir trabalhadores, isso prejudicaria suas chances de reeleição e estimularia os candidatos rivais, como Eduardo Campos, o carismático governador do Estado de Pernambuco, cuja economia vem crescendo vigorosamente.
Talvez por isso, Marcos Zaven Fermanian, presidente da Abraciclo, a associação setorial dos fabricantes de motos e bicicletas brasileiros, continua confiante em que a indústria receberá ajuda. "Os bancos estatais elevaram o volume de financiamento aos nossos clientes, mas ainda existe espaço para crescimento", ele diz.

terça-feira, 26 de março de 2013

Albert O. Hirschman: um intelectual renascentista - Jeremy Adelman

Book review

Worldly Philosopher - The Odissey of Albert Hirschman

Jeremy Adelman. Editora: Princeton Univ. Press. 758 págs., US$ 39,95
 
Por John Lloyd
Financial Times, 26/03/2013
 
Albert Hirschman, morto em dezembro, aos 97 anos, foi um dos mais destacados cientistas sociais de sua época. Ele é mais conhecido por seu livro "Exit, Voice and Loyalty" (1970), que descreve as opções que os indivíduos têm em organizações decadentes, governos ou empresas, de se retirar ou incitar uma mudança e manter fidelidade.
O livro representou, em parte, um ataque ao liberalismo de Friedrich Hayek e Milton Friedman, que, segundo Hirschman, minimizavam o papel da política - em especial, no que se refere ao ator econômico que preferia ficar e lutar, a se retirar da organização por uma opção mais racional. Para seu biógrafo Jeremy Adelman, o livro também tem relação com o sentimento de culpa de Hirschman, por ter saído da Alemanha em 1933, no momento mesmo em que Hitler se tornava chanceler.
No entanto, Hirschman, filho de uma família judia de classe média-alta de Berlim, deixou mais coisas para trás para cumprir sua determinação, de toda a vida, de encontrar seu próprio caminho, do que para fugir.
Foi para Paris e adquiriu os primeiros rudimentos de uma formação em economia. Desde sempre antifascista, ofereceu-se para lutar como voluntário pela Espanha republicana numa milícia de orientação anarquista - perdendo, ao observar a deletéria influência da União Soviética naquela guerra, qualquer apego renitente que pudesse ter ao comunismo.
Quando a Wehrmacht invadiu a França, em 1940, Hirschman ingressou no Exército francês - apenas para logo ser rebaixado, com a ocupação, à condição de refugiado, ao se evadir para Lisboa. Na capital portuguesa, aliou-se ao igualmente arrojado jornalista americano Varian Fry para ajudar judeus e outros alvos dos alemães - entre os quais, Hannah Arendt, André Breton, Marc Chagall e Marcel Duchamp. Com a aproximação da polícia, partiu para os Estados Unidos, onde chegou em 1941.
O que se seguiu foi mais ação. Ingressou no Exército americano e foi destacado para o Departamento de Serviços Estratégicos, precursor da CIA, onde trabalhou, em grande medida, como intérprete. Há uma foto extraordinária, que chegou à capa do "New York Times", de Hirschman olhando atentamente para o general da Wehrmacht Anton Dostler, junto ao qual atuou como tradutor no primeiro dos julgamentos dos crimes de guerra promovidos pelos Aliados. Dostler foi julgado culpado de determinar a matança de prisioneiros e foi executado.
Nos Estados Unidos, Hirschman casou-se com Sarah Chapiro, concluiu sua formação em economia, integrou o conselho de diretores do Federal Reserve e trabalhou no Plano Marshall. Voltou-se para a economia do desenvolvimento, assessorando governos como o da Colômbia, onde viveu por alguns anos. Conquistou uma série de nomeações cada vez mais prestigiosas na Universidade, num momento em que os estudos sobre o desenvolvimento se deslocavam para o centro da economia acadêmica e do debate político num país consumido, na década de 1950, pelo fervor anticomunista.
Adelman segue de perto as guinadas e saltos de qualidade do pensamento de Hirschman. Muito influenciado pelos clássicos - principalmente por "O Príncipe" de Maquiavel, pelos "Ensaios" de Montaigne e por "A Riqueza das Nações" de Adam Smith -, Hirschman procurou expandir as fronteiras da economia e das ciências sociais. Onde o consenso dos economistas do desenvolvimento apontava para o crescimento equilibrado, Hirschman defendeu o "crescimento desequilibrado". Quando outros, como Friedman, encabeçavam o triunfo da economia neoliberal com base no direito dos indivíduos de "sair" da previdência coletivista e governamental, Hirschman, sem ser um anticapitalista, argumentou haver lugar também para o comunitário.
O ecletismo era sua marca registrada: exemplos práticos sempre eram um antídoto contra a hegemonia da teoria. Isso significa que seu pensamento se baseava, em boa medida, no que ele chamava de "petites pensées": "Exit, Voice e Loyalty" teve origem em suas reflexões sobre as ferrovias da Nigéria; uma obra posterior, sobre a decepção, num anúncio de BMW. Péssimo professor, segundo a opinião geral, foi um fértil homem de ideias, entre os melhores dessa geração de centro-europeus e europeus orientais, muitos deles judeus, que enriqueceram um Ocidente conflagrado em pleno primado do totalitarismo.
Adelman, historiador da América Latina e colega do biografado em Princeton, investiu muito esforço em "Worldly Philosopher". Estendendo-se por mais de 700 páginas, a obra é implacavelmente detalhada e pode até parecer repetitiva. Mas o que neutraliza esse defeito é a solidariedade e a habilidade com que um professor chega ao outro; o tempo que dedica às ideias ; o caráter significativo das ligações que faz entre vida e obra. Trata-se de um livro admirável, digno de um homem admirável.

Apagao logistico e a soja que fica no caminho - Marcos Jank

Apagão Logístico – Crônica de uma morte anunciada
Marcos Sawaya Jank (*)
O Estado de S.Paulo, 26/03/2013

Volto hoje à carga a respeito do caos na logística de produtos agrícolas que vamos viver este ano. A gravidade da situação está perfeitamente ilustrada na fila de 25 quilômetros de caminhões na Rodovia Cônego Domênico Rangoni, esperando 70 horas para descarregar no Porto de Santos e infernizando também a vida dos que vão para o Guarujá ou para o Litoral Norte.

Não dá para dizer que esse caos seja uma surpresa conjuntural imprevisível. Nos últimos 12 anos a safra brasileira de grãos dobrou de tamanho, enquanto a logística praticamente nada mudou. O que estamos assistindo é à "crônica de uma morte anunciada", após duas décadas de descaso, legislação anacrônica, instalações precárias, burocracia infernal, reserva de mercado e corporativismo endêmico. Enquanto no Brasil o principal modal é o caminhão rodando milhares de quilômetros em estradas esburacadas (55% da distribuição de grãos), nos EUA, nosso maior concorrente, hidrovias construídas há mais de 80 anos nos Rios Mississippi, Missouri e outros respondem por 60% do transporte de grãos.

Hoje nosso maior gargalo está nos portos. A logística portuária começou mal este ano, com 27 dias parados por causa de chuvas - o carregamento dos navios é feito a céu aberto e qualquer indício de chuva interrompe a operação. Além disso, em decorrência da quebra da safra americana, o Brasil tornou-se o maior exportador mundial de milho - com 25 milhões de toneladas exportadas, ante 8,5 milhões na safra passada. Esse imenso volume de milho está atrasando os embarques de soja, que, por sua vez, vão afetar os embarques de açúcar a partir de abril e de milho-safrinha a partir de julho. Na semana passada a fila para carregar soja nos portos brasileiros superou 200 navios, 80 mais do que no mesmo período do ano passado.

De março a julho vamos ter de escoar 7,2 milhões de toneladas por mês de soja e milho pelos portos, valor 25% superior ao do mesmo período do ano passado. Não é difícil prever que esses quatro meses serão um caos, principalmente se chover demais, já que estaremos operando muito próximos da capacidade máxima dos portos. Outra agravante é a nova lei dos caminhoneiros - que determina paradas obrigatórias dos caminhões a cada quatro horas, com jornada máxima diária de 11 horas -, além da falta de caminhoneiros, estimada em 50 mil a 100 mil profissionais. Isso sem contar a deficiência de armazéns, uma vez que só conseguimos estocar 65% dos grãos produzidos no País. Ao contrário do que ocorre nos nossos principais competidores, no Brasil o caminhão tornou-se um "armazém sobre rodas", porque não tem onde colocar o produto e no auge da safra a única solução é a carreta na fila de espera para o porto.

A conclusão é que no curto prazo a única variável de ajuste possível serão novos aumentos de fretes, destruindo a rentabilidade dos produtores e dos traders. Dez anos atrás, o custo de frete no Brasil era duas vezes superior ao da Argentina e dos EUA. Este ano, numa visão otimista, será, no mínimo, quatro vezes superior (mais de US$ 100/t, ante cerca de US$ 25/t nos nossos concorrentes), chegando a ser cinco a sete vezes maior para as regiões mais distantes do Cerrado.

Não é de espantar, portanto, que um grande importador chinês tenha cancelado o carregamento de 33 navios de soja, trocando o suprimento brasileiro pelo da Argentina. Os chineses são extremamente oportunistas nessa hora e, obviamente, utilizam esse recurso para renegociar os seus contratos em melhores termos. Mas a culpa não é deles, é nossa!

A única solução para o caos logístico encontra-se no médio e longo prazos e se chama investimento maciço. Precisaríamos investir pelo menos R$ 40 bilhões no sistema portuário, montante quase três vezes maior que a soma prevista nos programas PAC-1 e PAC-2. Um dos caminhos mais importantes para isso seria a aprovação da Medida Provisória 595, a "Lei dos Portos", ora em tramitação no Congresso Nacional. No entanto, diversos itens do projeto ainda mostram fortes controvérsias entre os vários grupos de interesse envolvidos.

São eles: 1) A distinção entre os terminais dentro da área do "porto organizado" e os terminais de uso privado fora dela, incluindo a redefinição dos limites geográficos de cada porto, chamados de “poligonal”, um tema extremamente polêmico; 2) a redefinição das licitações para concessões ou arrendamentos, agora com base no critério de modicidade tarifária (maior movimentação com a menor tarifa); 3) o tratamento a ser dado aos terminais de uso privativo hoje existentes dentro de portos organizados, principalmente o dilema do encerramento versus prorrogação dos atuais contratos de arrendamento; 4) o fim da distinção entre movimentação de "carga própria" e "carga de terceiros" como elemento essencial para a exploração das instalações portuárias autorizadas; 5) a nova organização institucional dos portos e a redefinição do poder concedente nas concessões; 6) o compartilhamento de infraestruturas; e 7) o tratamento diferenciado para trabalhadores portuários.

O fato é que, no campo, fizemos muito bem a nossa lição de casa. A produtividade total dos fatores (terra, trabalho e capital) da agricultura brasileira é a que mais vem crescendo no mundo: 3,6% ao ano desde 2000. Mas a logística está destruindo tudo o que foi conquistado dentro das fazendas, não apenas no exemplo dos grãos, mas também do açúcar, das carnes e de outras commodities, hoje igualmente "engargaladas".

Infelizmente, temos de nos conformar com o fato de que o "apagão" da logística chegou. Neste momento, além de rezar para que ele não seja total, deveríamos concentrar-nos na aprovação urgente dos marcos regulatórios e dos investimentos necessários para escapar dessa calamidade. E isso ainda vai demorar alguns anos.

* Marcos Sawaya Jank é especialista em Agronegócio e Bioenergia. Foi presidente da UNICA e do ICONE. E-mail: marcos@jank.com.br

Secretaria de Assuntos Estrategicos: o rebento rejeitado

'Jilozinho da Esplanada'

26 de março de 2013 | 2h 10
Editorial O Estado de S.Paulo
 
Com a transferência do seu titular, o veterano político Wellington Moreira Franco, para a Secretaria da Aviação Civil, na semana passada, a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) ficou a cargo, interinamente, do economista Marcelo Neri. Até então ele conduzia o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o reputado Ipea. Isso porque a presidente Dilma Rousseff não conseguiu despertar o interesse dos caciques partidários pelo cargo, um dos 15 equiparados na administração federal aos atuais 24 ministros de Estado. Pelo menos duas legendas procuradas, o PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab e o PMDB do vice Michel Temer, à qual Moreira Franco é filiado, declinaram da oferta.
No país onde os partidos "fazem o diabo", como diria Dilma, para alojar os seus no primeiro escalão do governo e onde ela trincha o Gabinete em generosas porções para comprometer as agremiações beneficiadas com o mais estratégico de seus projetos - a reeleição -, o desdém dos interlocutores do Planalto pela SAE é perfeitamente compreensível, dado o que dele esperam. Para começar, o orçamento do "Ministério do Futuro", como o órgão foi batizado quando Lula lhe deu a forma atual em 2008, nomeando para sua direção o trêfego Roberto Mangabeira Unger, dublê de acadêmico bem-sucedido e político frustrado, é uma quirera da ordem de R$ 15 milhões.
Para ter ideia, o do Ipea, vinculado à própria Secretaria, é quatro vezes maior, ou R$ 63 milhões - o que faz sentido. Além disso, como observam os parlamentares, "a pasta não tem recursos, não executa obras nem o secretário é recebido pela presidente", enumera o deputado Lúcio Vieira Lima, do PMDB baiano, decerto ecoando os argumentos dos seus pares, sem distinção de siglas. "O partido que assumir não terá nada para mostrar", resume. É disso que vivem os mandatários - poder e prestígio, os quais variam na razão direta dos recursos públicos sob o seu controle ou influência e do número de cargos comissionados ao alcance de suas canetas. Na SAE, limitam-se a 145.
Perto das mais de 22 mil vagas chamadas de livre provimento no Executivo, isso e nada é a mesma coisa. Daí o "Ministério do Futuro" ter outro apelido entre os chamados a compartilhar da mesa de refeições do governo: "Jilozinho da Esplanada". O deboche dos comensais, diga-se desde logo, não deve ser tomado como prova da desimportância da SAE. Não há Estado que valha o nome que não disponha de um think-tank, ou mais de um, voltado para formular os cenários de longo prazo com que o País terá de se haver, e até mesmo para oferecer sugestões fundamentadas em relação a diretrizes governamentais do agora e aqui. Militares fazem isso o tempo todo, nas áreas de sua competência - não só em matéria de defesa nacional, como ainda de inovação tecnológica, por exemplo. Diplomatas, evidentemente, também.
Assentada a necessidade de um organismo público que "pense grande", trata-se de saber se deve competir pelos holofotes que aquecem as elites do poder. O subsecretário de Ações Estratégicas da SAE, economista Ricardo Paes de Barros, acha que a imagem da Secretaria seria outra se a presidente lhe desse crédito pela sua contribuição para a criação de programas de apelo popular. "A Casa Civil também não executa nada", compara, "mas tem visibilidade porque influencia o pensamento da presidente." Essa, no entanto, é uma questão relativamente secundária. Os problemas da SAE decorrem, antes, da proliferação, nos últimos 10 anos, de entidades oficiais cujos dirigentes têm status ministerial.
Sabe-se lá quantas delas foram criadas apenas porque era preciso aumentar o número de assentos na primeira classe do governo para acomodar, como acham que merecem, figuras politicamente valiosas para o Planalto. Quanto maior a quantidade de Secretarias, mais oportunidades haverá para oferecer prêmios de consolação a políticos desempregados, em razão principalmente da lealdade política que demonstrem do que da familiaridade que tenham com os assuntos que lhes tocarão administrar. De resto, o status de ministro de qualquer dos quatro titulares da SAE desde o seu surgimento em nada contribuiu para o progresso do País. Ultimamente, ela só foi notícia quando o mais recente deles, Moreira Franco, disse que o órgão não elege nem vereador.

A frase de uma vida inteira, de uma nacao...

Se teus projetos forem para um ano, semeia o grão. Se forem para dez anos, planta uma árvore. Se forem para cem anos, educa o povo.

Instituto Ling, Porto Alegre, RS

Família Ling

Sheun Ming Ling e sua esposa, Lydia Wong Ling, imigraram para o Brasil no início da década de 50, estabelecendo-se em Santa Rosa - RS. Em 1955, deram início às atividades no ramo de beneficiamento de cereais, empreendimento que viria a se tornar um dos maiores produtores e exportadores de derivados de soja no país. Hoje, a família Ling é controladora da Petropar S.A., que opera através de companhias subsidiárias e coligadas nos setores de embalagens, nãotecidos e reflorestamento. A Família Ling acredita que a atividade empresarial é a principal alavanca de geração de riqueza e bem-estar para uma sociedade. A liberdade de iniciativa, o acesso ao conhecimento e a existência de um arcabouço institucional que proteja os direitos fundamentais dos indivíduos são os pilares para que milhões de pessoas possam dar vazão à sua criatividade e energia empreendedora.

 

E por falar em empregos, veja como a Franca cria os seus...

... tenho a impressão de que não se trata da melhor forma de criar emprego, no próprio setor público (que tem de ser pago com recursos extraídos do setor privado), mas parece que é a melhor maneira que os companheiros franceses tem para dar a impressão de que estão fazendo alguma coisa.

Estão, de fato, criando mais problemas para sua própria economia, mas é o que eles sabem fazer...

Paulo Roberto de Almeida

France to create 2,000 new jobs at its employment agency by September, taking the total new jobs created to 6,000 and demonstrating government determination to show that tackling unemployment is the number one priority.

A Suica virou maior do que a UE...

De repente, o setor financeiro suiço, frequentemente desprezado e acusado de todo tipo de malversação, virou atrativo novamente.
Será que o setor bancário suiço vai ter capacidade de absorver todos os capitais que vão começar a fugir da zona do euro?
Os chineses podem ganhar, no longo prazo, via Hong Kong e Cingapura...
Paulo Roberto de Almeida

Europe's Disturbing Precedent in the Cyprus Bailout

March 26, 2013 | 0900 GMT



Stratfor
By George Friedman
Founder and Chairman
The European economic crisis has taken different forms in different places, and Cyprus is the latest country to face the prospect of financial ruin. Overextended banks in Cyprus are teetering on the brink of failure for issuing loans they cannot repay, which has prompted the tiny Mediterranean country, a member of the European Union, to turn to Brussels for help. Late Sunday, the European Union and Cypriot president announced new terms for a bailout that would provide the infusion of cash necessary to prevent bankruptcies in Cyprus' banking sector and, more important, prevent a banking panic from spreading to the rest of Europe.
What makes this crisis different from the previous bailouts for Greece, Ireland or elsewhere are the conditions Brussels has attached for its assistance. Due to circumstances unique to Cyprus, namely the questionable origin of a large chunk of the deposits in its now-stricken banking sector and that sector's small size relative to the overall European economy, the European Union, led by Germany, has taken a harder line with the country. Cyprus has few sources of capital besides its capacity as a banking shelter, so Brussels required that the country raise part of the necessary funds from its own banking sector -- possibly by seizing money from certain bank deposits and putting it toward the bailout fund. The proposal has not yet been approved, but if enacted it would undermine a formerly sacred principle of banking in most industrial nations -- the security of deposits -- setting a new and possibly destabilizing precedent in Europe.

Cyprus' Dilemma

For years before the crisis, Cyprus promoted itself as an offshore financial center by creating a tax structure and banking rules that made depositing money in the country attractive to foreigners. As a result, Cyprus' financial sector grew to dwarf the rest of the Cypriot economy, accounting for about eight times the country's annual gross domestic product and employing a substantial portion of the nation's work force. A side effect of this strategy, however, was that if the financial sector experienced problems, the rest of the domestic economy would not be big enough to stabilize the banks without outside help.
Europe's economic crisis spawned precisely those sorts of problems for the Cypriot banking sector. This was not just a concern for Cyprus, though. Even though Cyprus' banking sector is tiny relative to the rest of Europe's, one Cypriot bank defaulting on what it owed other banks could put the whole European banking system in question, and the last thing the European Union needs now is a crisis of confidence in its banks.
The Cypriots were facing chaos if their banks failed because the insurance system was insufficient to cover the claims of depositors. For its part, the European Union could not risk the financial contagion. But Brussels could not simply bail out the entire banking system, both because of the precedent it would set and because the political support for a total bailout wasn't there. This was particularly the case for Germany, which would carry much of the financial burden and is preparing for elections in September 2013 before an electorate that is increasingly hostile to bailouts.
Even though the German public may oppose the bailouts, it benefits immensely from what those bailouts preserve. As I have pointed out many times, Germany is heavily dependent on exports and the European Union is critical to those exports as a free trade zone. Although Germany also imports a great deal from the rest of the bloc, a break in the free trade zone would be catastrophic for the German economy. If all imports were cut along with exports, Germany would still be devastated because what it produces and exports and what it imports are very different things. Germany could not absorb all its production and would experience massive unemployment.
Currently, Germany's unemployment rate is below 6 percent while Spain's is above 25 percent. An exploding financial crisis would cut into consumption, which would particularly hurt an export-dependent country like Germany. Berlin's posture through much of the European economic crisis has been to pretend it is about to stop providing assistance to other countries, but the fact is that doing so would inflict pain on Germany, too. Germany will make its threats and its voters will be upset, but in the end, the country would not be enjoying high employment if the crisis got out of hand. So the German game is to constantly threaten to let someone sink, while in the end doing whatever has to be done.
Cyprus was a place where Germany could show its willingness to get tough but didn't carry any of the risks that would arise in pushing a country such as Spain too hard, for example. Cyprus' economy was small enough and its problems unique enough that the rest of Europe could dismiss any measures taken against the country as a one-off. Here was a case where the German position appears enormously more powerful than usual. And in isolation, this is true -- if we ignore the question of what conclusion the rest of Europe, and the world, draws from the treatment of Cyprus.

A Firmer Line

Under German guidance, the European Union made an extraordinary demand on the Cypriots. It demanded that a tax be placed on deposits in the country's two largest banks. The tax would be about 10 percent and would, under the initial terms, be applied to all accounts, regardless of their size. This was an unprecedented solution. Since the global financial crisis of the 1920s, all advanced industrial countries -- and many others -- had been operating on a fundamental principle that deposits in banks were utterly secure. They were not regarded as bonds paying certain interest, whose value would disappear if the bank failed. Deposits were regarded as riskless placements of money, with the risk covered by deposit insurance for smaller deposits, but in practical terms, guaranteed by the national wealth.
This guarantee meant that individual savings would be safe and that working capital parked by corporations in a bank was safe as well. The alternative was not only uncertainty, but also people hoarding cash and preventing it from entering the financial system. It was necessary to have a secure place to put money so that it was available for lending. The runs on banks in the 1920s and 1930s drove home the need for total security for deposits.
Brussels demanded that the bailout for Cypriot banks be partly paid for by depositors in those banks. That demand essentially violated the social contract on the sanctity of bank deposits and did so in a country that was a member of the European Union -- one of the world's major economic blocs. Proponents of the measure pointed out that many of the depositors were not Cypriot nationals but rather foreigners, many of whom were Russian. Moreover, it was suggested that the only reason for a Russian to be putting money in a Cypriot bank was to get it out of Russia, and the only motive for that had to be nefarious. It followed that the confiscation was not targeted against ordinary people but against shady Russians.
There is no question that there are shady Russians putting money into Cyprus. But ordinary Cypriots had their money in the same banks and so did many Cypriot and foreign companies, including European companies, who were doing business in Cyprus and need money for payroll and so on. The proposal might look like an attempt to seize Russian money, but it would pinch the bank accounts of all Cypriots as well as a sizable amount of legitimate Russian money. Confiscating 10 percent of all deposits could devastate individuals and the overall economy and likely would prompt companies operating in Cyprus to move their cash elsewhere. The measure would have been devastating and the Cypriot parliament rejected it.
Another deal, the one currently up for approval, tried to mitigate the problem but still broke the social contract. Accounts smaller than 100,000 euros (about $128,000) would not be touched. However, accounts larger than 100,000 euros would be taxed at an uncertain rate, currently estimated at 20 percent, while bondholders would lose up to 40 percent. These numbers will likely shift again, but assuming they are close to the final figures, depositors putting money into banks beyond this amount are at risk depending on the financial condition of the bank.
The impact on Cyprus is more than Russian mafia money being taxed. All corporations doing business in Cyprus could have 20 percent of their operating cash seized. Regardless of precisely how the Cypriot banking system is restructured, the fact is that the European Union demanded that Cyprus seize portions of bank accounts from large depositors. From a business' perspective, 100,000 euros is not all that much when you are running a supermarket or a car dealership or a construction company, but this arbitrary level could easily be raised in the future and the mere existence of the measure will make attracting investment more difficult.

A New Precedent

The more significant development was the fact that the European Union has now made it official policy, under certain circumstances, to encourage member states to seize depositors' assets to pay for the stabilization of financial institutions. To put it simply, if you are a business, the safety of your money in a bank depends on the bank's financial condition and the political considerations of the European Union. What had been a haven -- no risk and minimal returns -- now has minimal returns and unknown risks. Brussels' emphasis that this was mostly Russian money is not assuring, either. More than just Russian money stands to be taken for the bailout fund if the new policy is approved. Moreover, the point of the global banking system is that money is safe wherever it is deposited. Europe has other money centers, like Luxembourg, where the financial system outstrips gross domestic product. There are no problems there right now, but as we have learned, the European Union is an uncertain place. If Russian deposits can be seized in Nicosia, why not American deposits in Luxembourg?
This was why it was so important to emphasize the potentially criminal nature of the Russian deposits and to downplay the effect on ordinary law-abiding Cypriots. Brussels has worked very hard to make the Cyprus case seem unique and non-replicable: Cyprus is small and its banking system attracted criminals, so the principle that deposits in banks are secure doesn't necessarily apply there. Another way to look at it is that an EU member, like some other members of the bloc, could not guarantee the solvency of its banks so Brussels forced the country to seize deposits in order to receive help stabilizing the system. Viewed that way, the European Union has established a new option for itself in dealing with depositors in troubled banks, and that principle now applies to all of Europe, particularly to those countries with financial institutions potentially facing similar problems.
The question, of course, is whether foreign depositors in European banks will accept that Cyprus was one of a kind. If they decide that it isn't obvious, then foreign corporations -- and even European corporations -- could start pulling at least part of their cash out of European banks and putting it elsewhere. They can minimize the amount of cash on hand in Europe by shifting to non-European banks and transferring as needed. Those withdrawals, if they occur, could create a massive liquidity crisis in Europe. At the very least, every reasonable CFO will now assume that the risk in Europe has risen and that an eye needs to be kept on the financial health of institutions where they have deposits. In Europe, depositing money in a bank is no longer a no-brainer.
Now we must ask ourselves why the Germans would have created this risk. One answer is that they were confident they could convince depositors that Cyprus was one of a kind and not to be repeated. The other answer was that they had no choice. The first explanation was undermined March 25, when Eurogroup President Jeroen Dijsselbloem said that the model used in Cyprus could be used in future bank bailouts. Locked in by an electorate that does not fully understand Germany's vulnerability, the German government decided it had to take a hard line on Cyprus regardless of risk. Or Germany may be preparing a new strategy for the management of the European financial crisis. The banking system in Europe is too big to salvage if it comes to a serious crisis. Any solution will involve the loss of depositors' money. Contemplating that concept could lead to a run on banks that would trigger the crisis Europe fears. Solving a crisis and guaranteeing depositors may be seen as having impossible consequences. Setting the precedent in Cyprus has the advantage of not appearing to be a precedent.
It's not clear what the Germans or the EU negotiators are thinking, and all these theories are speculative. What is certain is that an EU country, facing a crisis in its financial system, is now weighing whether to pay for that crisis by seizing depositors' money. And with that, the Europeans have broken a barrier that has been in place since the 1930s. They didn't do that casually and they didn't do that because they wanted to. But they did it.

Read more: Europe's Disturbing Precedent in the Cyprus Bailout | Stratfor

O emprego de UM MILHAO de dolares: interessado?

Não, não é o que você está pensando?
Eu não estou oferecendo -- nem poderia, sendo um modesto assalariado desse nosso modestíssimo governo, num país nem tão modesto assim, já que os companheiros são sempre hiperbólicos, aliás, os maiores, desde Cabral -- nenhum emprego nessa faixa de rendimento.
Isso é o que está custando (talvez até mais) cada emprego penosamente criado pelas poderosas injeções fiscais do governo americano, que tenta tirar leite de pedra, ou seja, fazer a economia reviver à custa de bilhões, centenas de bilhões de dólares de "estímulos keynesianos".
O Fed (através do Mint americano) está despejando dinheiro como nunca na economia, e a despeito de não terem iniciado um terceiro QE (ou quantitative easing, ou seja, despejar dinheiro na economia, de helicóptero sobre Wall Street e nas velhas indústrias decadentes), estão trabalhando como nunca trabalharam, desde a grande depressão, para ver se a economia deslancha.
Quem a Coreia do Norte não resolve o problema, assim como o fizeram nazistas e fascistas em face de um New Deal moribundo?
Isso deixaria os marxistas muito contentes, pois eles nunca deixaram de achar que o capitalismo, quando tem uma dessas crises de "superprodução" -- eu nunca deixarei de me surpreender em face das contradições marxistas -- arranja logo uma guerra para fazer a sua destruição criativa e assim continuar acumulando capital. Vá lá entender...
Em todo caso, o artigo abaixo, desse jornal desavergonhadamente capitalista que é o WSJ, trata do assunto. Sim, se trata de empregos a um milhão de dólares, mas é isso que vai custar ao contribuinte americano criar alguns milhares de novos empregos, quando o setor privado poderia estar fazendo isso, se o governo não se metesse muito no seu caminho.
Paulo Roberto de Almeida 

Mortimer Zuckerman: The Great Recession Has Been Followed by the Grand Illusion

Don't be fooled by the latest jobs numbers. The unemployment situation in the U.S. is still dire.

The Great Recession is an apt name for America's current stagnation, but the present phase might also be called the Grand Illusion—because the happy talk and statistics that go with it, especially regarding jobs, give a rosier picture than the facts justify.
The country isn't really advancing. By comparison with earlier recessions, it is going backward. Despite the most stimulative fiscal policy in American history and a trillion-dollar expansion to the money supply, the economy over the last three years has been declining. After 2.4% annual growth rates in gross domestic product in 2010 and 2011, the economy slowed to 1.5% growth in 2012. Cumulative growth for the past 12 quarters was just 6.3%, the slowest of all 11 recessions since World War II.
And last year's anemic growth looks likely to continue. Sequestration will take $600 billion of government expenditures out of the economy over the next 10 years, including $85 billion this year alone. The 2% increase in payroll taxes will hit about 160 million workers and drain $110 billion from their disposable incomes. The Obama health-care tax will be a drag of more than $30 billion. The recent 50-cent surge in gasoline prices represents another $65 billion drag on consumer cash flow.
February's headline unemployment rate was portrayed as 7.7%, down from 7.9% in January. The dip was accompanied by huzzahs in the news media claiming the improvement to be "outstanding" and "amazing." But if you account for the people who are excluded from that number—such as "discouraged workers" no longer looking for a job, involuntary part-time workers and others who are "marginally attached" to the labor force—then the real unemployment rate is somewhere between 14% and 15%.
Other numbers reported by the Bureau of Labor Statistics have deteriorated. The 236,000 net new jobs added to the economy in February is misleading—the gross number of new jobs included 340,000 in the part-time, low wage category. Many of the so-called net new jobs are second or third jobs going to people who are already working, rather than going to those who are unemployed.
The number of Americans unemployed for six months or longer went up by 89,000 in February to a total of 4.8 million. The average duration of unemployment rose to 36.9 weeks, up from 35.3 weeks in January. The labor-force participation rate, which measures the percentage of working-age people in the workforce, also dropped to 63.5%, the lowest in 30 years. The average workweek is a low 34.5 hours thanks to employers shortening workers' hours or asking employees to take unpaid leave.
Since World War II, it has typically taken 24 months to reach a new peak in employment after the onset of a recession. Yet the country is more than 60 months away from its previous high in 2007, and the economy is still down 3.2 million jobs from that year.
Just to absorb the workforce's new entrants, the U.S. economy needs to add 1.8 million to three million new jobs every year. At the current rate, it will be seven years before the jobs lost in the Great Recession are restored. Employers will need to make at least 300,000 hires every month to recover the ground that has been lost.
The job-training programs announced by the Obama administration in his State of the Union address are sensible, but they won't soon bridge the gap for workers with skills in science, technology, engineering and mathematics. Nor is there yet any reform of the patent system, which imposes long delays on innovators, inventors and entrepreneurs seeking approvals. It often takes two years to obtain the environmental health and safety permits to build a modern electronic plant, a lifetime in the tech world.
When employers can't expand or develop new lines because of the shortage of certain skills, the employment opportunities for the less skilled are also restricted. To help with this shortage, the administration's proposals for job-training programs do deserve support. The stress should be on vocational training, postsecondary education and every program that will broaden access to computer science and strengthen science, technology, engineering and math in high schools and at the university level.
But the payoffs from these programs are in the future, and it is vital today to increase the number of annual visas and grants of permanent residency status for foreigners skilled in science and technology. The current situation is preposterous: The brightest and best brains from all over the globe are attracted to American universities, but once they get their degrees America sends them packing. Keeping these foreigners out means they will compete against us in the industries that are growing here and around the world.
What the administration gives us is politics. What the country needs are constructive strategies free of ideology. But the risks of future economic shocks will multiply so long as we remain locked in a rancorous political culture with a leadership more inclined to public relations than hardheaded pragmatic recognition of what must be done to restore America's vitality.

Mr. Zuckerman is chairman and editor in chief of U.S. News & World Report.
A version of this article appeared March 26, 2013, on page A13 in the U.S. edition of The Wall Street Journal, with the headline: The Great Recession Has Been Followed by the Grand Illusion.

Nem tudo esta' perdido: ainda e' possivel encontrar grandes valoreschez les jeunes...

Yahoo! rachète l'application Summly à Nick D'Aloisio, un adolescent britannique
Le Monde.fr avec AFP et Reuters, 26.03.2013

Yahoo! a annoncé, lundi 25 mars, le rachat de la start-up Summly, dont la technologie d'agrégation d'informations devrait permettre au groupe de muscler son offre en applications pour mobile, à un adolescent britannique pour un montant de 30 millions de dollars, selon le journal londonien Evening Standard.

L'application Summly a été créée il y a deux ans par Nick D'Aloisio, âgé de 17 ans. La société travaille étroitement avec News Corp et compte parmi ses investisseurs l'acteur Ashton Kutcher et Yoko Ono. "A 15 ans, Nick D'Aloisio a créé l'application Summly chez lui, à Londres", écrit le groupe américain sur son blog officiel dans un message annonçant l'acquisition. Yahoo! n'y dévoile pas le montant de la transaction, mais selon l'Evening Standard, Nick D'Aloisio serait payé entre 20 et 40 millions de livres (30 à 60 millions d'euros).

RECRUTER DES TALENTS
L'adolescent rejoindra Yahoo! "dans les prochaines semaines", précise le groupe qui, comme pour d'autres acquisitions de ce type, dit vouloir fermer l'application et en réutiliser la technologie dans ses propres produits. Le jeune entrepreneur a déclaré que Yahoo! utiliserait ses technologies d'agrégation des flux d'actualités pour réinventer la diffusion d'informations, comme la météo et les informations boursières et financières, sur les appareils mobiles.

Selon les termes de l'accord, trois salariés de Summly, qui devrait fermer au deuxième trimestre, rejoindront Yahoo!. Nick D'Aloisio, qui étudie au King's College, restera à Londres et deviendra le plus jeune employé du géant américain, selon Adam Cahan, l'un des vice-présidents de Yahoo!, notamment chargé des produits mobiles.

La directrice générale du groupe, Marisa Mayer, a fait des services pour les smartphones et les tablettes sa priorité, multipliant les acquisitions de start-up, destinées à recruter des "talents" afin d'améliorer les produits offerts par le groupe et de relancer sa croissance.

Maravilhas da diplomacia comercial companheira - Suely Caldas


O comércio do Brasil acorrentado
SUELY CALDAS
O Estado de S.Paulo, 24/03/2013

Não foi só o truque de deixar para janeiro o lançamento de importações de petróleo feitas em 2012 o único causador do enorme déficit de US$ 5.5 bilhões da balança comercial registrado até agora. O governo parece não se dar conta, mas o fato é que as exportações têm caído fortemente em quantidade, sinalizando tratar-se de um problema estrutural, a exigir tratamento também estrutural para tentar virar o jogo do nosso comércio com o mundo.
A Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) constatou que em fevereiro a quantidade de produtos exportados caiu 13,2% em relação a fevereiro de 2012. E uma queda expressiva que precisa ser levada a sério, não menosprezada. Por mais que o ministro Guido Mantega insista na ladainha de culpar a crise internacional, a verdade é que o Brasil vem perdendo mercados em países onde a crise passa ao largo e que em 2012 registraram crescimento muito acima do nosso pibinho de 0,9%.
Em política comercial, o Brasil tem seguido na contramão do mundo. Isola- se, em vez de se integrar. E quando sai do isolamento busca parceiros errados. País que mais cresce na América Latina, o Chile escolheu caminho inverso ao do Brasil: abriu sua economia; reduziu tarifas de importação; ao expor sua indústria à concorrência com importados, melhorou seu produto em qualidade e preço; e adotou uma pragmática política comercial de fechar acordos com países e blocos econômicos isoladamente, o que lhe tem rendido bons resultados. Assinado em 2004, o acordo com os EUA expandiu as exportações chilenas em 31% já no ano seguinte. Nessa mesma época o Brasil rejeitava dar prosseguimento à Área de Livre Comércio das Américas (Alca) por puro preconceito ideológico e complexo de inferioridade: alegara que a Alca daria ganhos aos poderosos e ricos EUA e perdas aos países pobres da América. O PT falava o mesmo da globalização, e hoje a crise econômica abala os ricos, não os pobres.
Números de 2012 comparados com 2011 mostram que a crise pode explicar as perdas com os países europeus (que poderiam ser menores ou até nulas, se o comércio fosse amparado por um tratado de comércio com a União Europeia), mas não explicam com a China, a Rússia e a Argentina. De 2011 a 2012 nossas exportações para esses três países caíram nada menos que US$ 8,7 bilhões (US$ 3,1 bilhões com a China, US$ 4,7 bilhões com a Argentina e US$S 900 milhões com a Rússia). A economia chinesa desacelerou, desculpa-se o governo. Nada, cresceu 7,8% em 2012. As razões são outras, e os velhos e não resolvidos gargalos em estradas e portos são uma delas. A outra é o prometido acordo de comércio entre os Brics (Brasil, China, índia, Rússia e África do Sul), que não anda.
Foto de capa deste jornal na sexta-feira mostrou uma fila interminável de caminhões parados que levam horas, dias paia descarregar soja no Porto de Santos. Com isso, o embarque nos navios caiu 40% no 1.° bimestre. Esse enorme atraso nos embarques produz estragos: a importadora chinesa Sunrise acaba de cancelar a compra de 2 milhões de toneladas de soja do Brasil, transferindo-a para a Argentina. "Não adianta nada ter um preço bom se a soja não é entregue", disse ao Estado Shao Guorui, gerente comercial da Sunrise. Com isso o Brasil perdeu um negócio de US$ 1 bilhão.
Com seu protecionismo, a Argentina tem sistematicamente violado regras do Mercosul e forçado a queda de vendas do Brasil. Aliás, por vezes o Mercosul mais prejudica do que ajuda o Brasil. O caso da União Europeia é emblemático: desde 1999 o bloco do Mercosul discute um ambicioso acordo de zona de livre comércio com a Europa. As negociações paralisaram e o governo brasileiro se sente preso, impedido de negociar sozinho um pacto que abriria as portas de 27 países para o Brasil.
A tendência do mundo inteiro é a integração, não o isolamento, não a exclusão. Nos últimos anos a União Europeia concluiu acordos com Canadá, Cingapura e Coréia do Sul e está nos detalhes finais com Japão, Vietnã e Tailândia. O mundo avança por esse caminho. Por que o Brasil deve ficar preso aos briguentos vizinhos do Mercosul?

Postagem em destaque

Quando comecei a seguir metodicamente as eleições presidenciais? Em 2006, mas já o fazia antes... - Paulo Roberto de Almeida

 Por acaso, apareceu das "catacumbas" um texto escrito em 2006 sobre as campanhas eleitorais no Brasil e as eleições presidenciais...