Venezuela’s Dictator Can’t Even Lie Well
Nicolas Maduro stole the election - or wants to - but that's not the end of the story
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Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
Venezuela’s Dictator Can’t Even Lie Well
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Por que regimes autoritários se dão ao trabalho de fazer eleições?
Carlos Gustavo Poggio
Quando discuto eleições no meu curso de Introdução à Ciência Política, começo falando sobre o papel das eleições em regimes autoritários.
Por que governos como a Coreia do Norte, por exemplo, se dão ao trabalho de fazer eleições?
Destaco aqui 3 motivos
Em uma democracia as eleições desempenham várias funções, sendo a mais importante delas a seleção dos líderes pelo público. Em governos nāo-democráticos isso nāo acontece: os resultados sāo pré-determinados.
Mas o ritual eleitoral cumpre alguns papéis importantes nesses regimes:
1) Legitimação do Poder: Eleições criam aparência de governança democrática, conferindo uma fachada de legitimidade ao regime.
Demonstram a "popularidade" e apoio ao líder, funcionando como ferramenta de propaganda para retratar o regime como legítimo.
2) Inclusāo seletiva: Partidos de oposição oferecem a ilusão de pluralismo político, mas são limitados e controlados pelo regime.
O regime decide quais candidatos ou partidos podem participar, garantindo resultados predeterminados e controle sobre o processo.
3) Vigilância e controle social: Esse é um fator central, muitas vezes ignorado. Registros de eleitores e votação são usados para vigilância, identificando e monitorando dissidentes ou simpatizantes da oposição, que normalmente terminam presos, exilados ou mortos.
Agonia e morte do Mercosul?
Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Nota sobre os impasses atuais do processo de integração.
O que era para ser um projeto de abertura econômica e de liberalização comercial, com vistas a lograr a integração regional, sob a égide de instrumentos como o Tratado bilateral de integração econômica Brasil-Argentina (1988), a Ata de Buenos Aires (1990) e o Tratado quadrilateral de Assunção (1991) para a criação de um mercado comum, Mercosul, entre os quatro do Cone Sul, acabou sendo desviado de seus objetivos originais, por considerações políticas regressivas, protecionistas e introspectivas, desde o início dos anos 2000, com a chegada ao poder de Lula no Brasil e de Kirchner na Argentina, em 2003.
A partir daí foi uma marcha ladeira abaixo, onde tudo o que importava eram gestos de mero efeito político, sem qualquer avanço real no terreno econômico-comercial. Já em 2006, o líder fascista-bolivariano Hugo Chávez batia às portas do Mercosul, mas a Venezuela nunca cumpriu qualquer requisito técnico para integrar de verdade esse bloco. Acabou sendo admitida ilegalmente e irregularmente pelas duas presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, e do Brasil, Dilma Rousseff, por ocasião da suspensão, também ilegal, do Paraguai, na cúpula a três de Mendoza, em 2012. Continuou não cumprindo os requisitos necessários para integrar a união aduaneira imperfeita do Mercosul, e por isso foi suspensa do bloco em 2017, não porque tenha infringido a débil “cláusula democrática” do bloco, como jornalistas mal informados equivocadamente repetem.
O bolsonarismo representou um golpe muito duro para os projetos brasileiros da área externa, não só para o Mercosul. O ministro da Economia do capitão incompetente também era um perfeito ignorante em matéria de políticas comerciais, e deixou avançar a deterioração do bloco comercial. Uma nova politização do Mercosul sob Lula 3, que sempre visou ilusões diferentes do lado das autocracias antiocidentais, assim como um ultraliberalismo ingênuo do lado argentino terminaram por inviabilizar completamente o projeto de mercado comum, ou sequer o mais modesto de uma união aduaneira parcial.
Para todos os efeitos políticos, o Mercosul já não é mais um bloco coeso, se alguma vez o foi.
Argentina desandou bem antes de Milei, e o Brasil de Lula 3 optou decisivamente pelo Brics dominado pelas duas autocracias antiocidentais e seu tresloucado projeto de uma “nova ordem global multipolar”, supostamente mais “democrática” do que o bloco ocidental da UE e da Otan.
Sobraram de sensatos, no Mercosul, os dois menores. Que tenham sorte na política e no comércio mundial.
É o fim de uma boa ideia!
RIP Mercosul
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 4714, 1 agosto 2024, 2 p.
Kotscho: Declaração do Lula sobre a Venezuela é pior que nota do PT
Colaboração para o UOL, em São Paulo, 31/07/2024 05h30
O colunista do UOL Ricardo Kotscho afirmou no UOL News que a declaração do presidente Lula (PT) de que não houve "nada de grave" ou "de assustador" nas eleições da Venezuela é pior do que a nota divulgada por seu partido, o PT.
Essa declaração do Lula, que me desculpe o amigo, mas é pior que a nota do PT. Ele passa o pano como se a Venezuela vivesse em plena democracia. 'Não vai reclamar com o bispo, reclama com a Justiça'. A Justiça de lá está totalmente controlada pelo Maduro.
Ricardo Kotscho, comentarista do UOL News
Ele se a… - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2024/07/31/kotscho-declaracao-do-lula-sobre-a-venezuela-e-pior-que-nota-do-pt.htm?cmpid=copiaecola
Para os que não gostam de ler, e preferem se informar pelo YouTube
Grato a Airton Dirceu Lemmertz
Opinião / Editorial
A opinião do GLOBO
Brasil precisa denunciar farsa eleitoral de Maduro
Em nenhum momento o processo na Venezuela inspirou confiança. As irregularidades foram constantes
Editorial, 29/07/2024
O Brasil e as demais democracias latino-americanas não podem ser coniventes com a farsa montada por Nicolás Maduro para permanecer no poder na Venezuela, usando eleições nada transparentes, cujos resultados são contestados pela oposição. Na madrugada desta segunda-feira, quando 80% dos votos tinham sido contados, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), órgão controlado por Maduro, anunciou que o atual presidente foi o vencedor do pleito realizado no domingo, com 51,2% dos votos, contra 44,2% obtidos pelo candidato da oposição, o ex-embaixador Edmundo González Urrutia. Os Estados Unidos e a União Europeia mostraram preocupação com as suspeitas de irregularidades. Em pronunciamento, o presidente chileno, Gabriel Boric, expressou a opinião da comunidade internacional ao declarar que os resultados oficiais “são difíceis de acreditar”.
Durante a votação, zonas eleitorais em redutos da oposição não abriram no horário previsto. Para o regime, as filas longas no calor serviriam como desestímulo ao voto. Após o encerramento do pleito, os oposicionistas não tiveram acesso às atas das seções eleitorais em vários locais. Sem elas, não há como saber o que foi transmitido ao centro de contagem. A medida é empregada para dificultar ou impossibilitar a checagem da tabulação oficial. Seguindo um modus operandi conhecido, o Ministério Público acusou a oposição de um ataque hacker que teria tentado atrapalhar a transmissão de votos.
Em nota, o governo brasileiro não reconheceu o resultado e disse aguardar a publicação dos dados desagregados por mesa de votação. De Caracas, o assessor internacional da Presidência, Celso Amorim, criticou a divulgação do vencedor, “sem ter a transparência, a disponibilidade das atas”. Diplomatas de sete países latino-americanos que questionaram o resultado foram expulsos da Venezuela por ordem expressa de Maduro.
A missão brasileira a Caracas afirma confiar no trabalho do Centro Carter, instituição fundada pelo ex-presidente americano Jimmy Carter e convidada pelo CNE para acompanhar o pleito. Porém isso deve ser feito com cuidado. Como declarou o centro antes da eleição, “dado o tamanho e o alcance limitado, a missão não realizará uma avaliação integral dos processos de votação, contagem e tabulação”. Maduro tomou todas as medidas para evitar uma análise independente. Observadores da União Europeia (UE) cancelaram viagem depois de seu convite de acompanhamento ser revogado. Tentar culpar a UE pela falta de acordo, como sugeriu Amorim, é ecoar o chavismo.
Como em eleições passadas, as irregularidades ocorreram antes, durante e depois do pleito. A principal candidata da oposição, a ex-deputada María Corina Machado, foi inabilitada para exercer cargos públicos por 15 anos pela Justiça. A única alternativa passou a ser confiar numa estratégia de transferência de votos. Apesar de obstáculos em série, a oposição se articulou em torno de González. Mesmo desprovido de qualquer carisma e sendo um desconhecido, ele despontou em pesquisas de opinião independentes.
A comunidade internacional está certa ao pedir a transparência dos números da votação. Será um dado numa longa lista. Independentemente da avaliação, não mudará o quadro geral. Levando em conta todo o processo eleitoral, não há como reconhecer a declaração de vitória de Maduro.
Mais do que previsível que o PT ficaria do lado de Maduro. Vamos reconhecer: o PT é MUITO PIOR do que Lula, que de vez em quando acerta uma ou outra. O PT não tem conserto… ( PRA)
Do Augusto De Franco:
NOTA DO PT APOIANDO MADURO
O PT saudou o processo eleitoral fraudado pela ditadura venezuelana. Leiam a íntegra da nota e confiram no link abaixo.
Nota da Executiva Nacional do PT sobre eleições na Venezuela
O PT saúda o povo venezuelano pelo processo eleitoral ocorrido no domingo, dia 28 de julho de 2024, em uma jornada pacífica, democrática e soberana. Temos a certeza de que o Conselho Nacional Eleitoral, que apontou a vitória do presidente Nicolas Maduro, dará tratamento respeitoso para todos os recursos que receba, nos prazos e nos termos previstos na Constituição da República Bolivariana da Venezuela. Importante que o presidente Nicolas Maduro, agora reeleito, continue o diálogo com a oposição, no sentido de superar os graves problemas da Venezuela, em grande medida causados por sanções ilegais. O PT seguirá vigilante para contribuir, na medida de suas forças, para que os problemas da América Latina e Caribe sejam tratados pelos povos da nossa região, sem nenhum tipo de violência e ingerência externa.
Executiva Nacional do PT (29/07/2024)
A fraude é acintosa. O Brasil deve se preparar para mais uma onda de emigrados venezuelanos. (PRA)
Canal do Meio, 29/07/2024
O governo de Nicolás Maduro declarou vitórianum pleito em que todas as pesquisas apontavam uma derrota em grande escala. A pesquisa de boca de urna do Edison Research, feita a pedido do Wall Street Journal, sugeria que o ex-embaixador Edmundo González Urrutia venceria com 64% dos votos contra 31% de Maduro. O resultado é contestado pela oposição por falta de transparência e suspeita de fraude. Na madrugada desta segunda-feira, o chefe do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Elvis Amoroso, um aliado próximo de Maduro, anunciou a vitória do presidente quando, afirmou, 80% dos votos já estavam apurados. Segundo ele, Maduro tinha 51,2% dos votos, contra 44,2% de seu principal rival. A frente de oposição venezuelana alega fraude generalizada na contagem e prometeu contestar o resultado. Ela se uniu em torno de González para destituir Maduro após 11 anos no poder. “Estamos orgulhosos do que fizemos. Vamos lutar pela verdade para que prevaleça o respeito à soberania do povo venezuelano”, disseem entrevista coletiva a líder da oposição, María Corina Machado, impedida de disputar o pleito. (BBC)
Com 21 milhões de eleitores aguardados nas 30 mil mesas de votação, as eleições tiveram grande comparecimento, com extensão de até três horas do horário em várias zonas eleitorais devido às longas filas. A oposição denunciou que o CNE paralisou a transmissão de dados de diversos centros de votação e que testemunhas foram impedidas de obter os boletins de urna que certificam os votos em cada centro. Enquanto opositores faziam vigília na porta dos colégios eleitorais, esperando os boletins, forças de segurança do governo e os temidos coletivos chavistas percorreram as ruas de Caracas e do interior tentando afastá-los. O chamado para que as pessoas permanecessem na porta dos centros de votação foi motivado pelo temor de fraude eleitoral. (NTN24)
Vídeos nas redes sociais mostram episódios de violência após o fim da votação na cidade de San Antonio del Táchira e também em Guásimos. Há suspeita de que um jovem tenha sido assassinado por disparos de um coletivo chavista. Na mesma cidade, onde vivem 50 mil habitantes, houve confronto quando uma equipe de militares parecia recolher os dados de uma zona eleitoral. Antes do resultado ser anunciado, González chegou a cantar vitória em seu perfil no X: “Os resultados são inocultáveis. O país escolheu uma mudança em paz”. Em quase todos os levantamentos, a vantagem de González sobre Maduro era de 20 a 35 pontos percentuais. Nenhuma dessas pesquisas pôde ser divulgada dentro da Venezuela. (Meio)
Daniel Lozano: “Mesmo em redutos chavistas como o bairro 23 de Janeiro, território dos grupos paramilitares onde Hugo Chávez votava, Edmundo González venceu Nicolás Maduro. Porém mais uma vez o chavismo construiu a sua própria realidade a sangue e fogo, determinado a desconsiderar a vontade do povo. Antes mesmo de as autoridades eleitorais o anunciarem, diversos porta-vozes chavistas garantiram sem corar que Maduro tinha confirmado o seu terceiro mandato.” (La Nación)
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