quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Venezuela’s Dictator Can’t Even Lie Well - Anne Applebaum (Open Letters)

 Venezuela’s Dictator Can’t Even Lie Well

Nicolas Maduro stole the election - or wants to - but that's not the end of the story 

Por que regimes autoritários se dão ao trabalho de fazer eleições? - Carlos Gustavo Poggio

 Por que regimes autoritários se dão ao trabalho de fazer eleições? 

Carlos Gustavo Poggio 

Quando discuto eleições no meu curso de Introdução à Ciência Política, começo falando sobre o papel das eleições em regimes autoritários. 

Por que governos como a Coreia do Norte, por exemplo, se dão ao trabalho de fazer eleições? 

Destaco aqui 3 motivos

Em uma democracia as eleições desempenham várias funções, sendo a mais importante delas a seleção dos líderes pelo público. Em governos nāo-democráticos isso nāo acontece: os resultados sāo pré-determinados. 

Mas o ritual eleitoral cumpre alguns papéis importantes nesses regimes:

1) Legitimação do Poder: Eleições criam aparência de governança democrática, conferindo uma fachada de legitimidade ao regime. 

Demonstram a "popularidade" e apoio ao líder, funcionando como ferramenta de propaganda para retratar o regime como legítimo.

2) Inclusāo seletiva: Partidos de oposição oferecem a ilusão de pluralismo político, mas são limitados e controlados pelo regime. 

O regime decide quais candidatos ou partidos podem participar, garantindo resultados predeterminados e controle sobre o processo.

3) Vigilância e controle social: Esse é um fator central, muitas vezes ignorado. Registros de eleitores e votação são usados para vigilância, identificando e monitorando dissidentes ou simpatizantes da oposição, que normalmente terminam presos, exilados ou mortos.


Agonia e morte do Mercosul? - Paulo Roberto de Almeida

Agonia e morte do Mercosul?

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Nota sobre os impasses atuais do processo de integração.

 

O que era para ser um projeto de abertura econômica e de liberalização comercial, com vistas a lograr a integração regional, sob a égide de instrumentos como o Tratado bilateral de integração econômica Brasil-Argentina (1988), a Ata de Buenos Aires (1990) e o Tratado quadrilateral de Assunção (1991) para a criação de um mercado comum, Mercosul, entre os quatro do Cone Sul, acabou sendo desviado de seus objetivos originais, por considerações políticas regressivas, protecionistas e introspectivas, desde o início dos anos 2000, com a chegada ao poder de Lula no Brasil e de Kirchner na Argentina, em 2003.

A partir daí foi uma marcha ladeira abaixo, onde tudo o que importava eram gestos de mero efeito político, sem qualquer avanço real no terreno econômico-comercial. Já em 2006, o líder fascista-bolivariano Hugo Chávez batia às portas do Mercosul, mas a Venezuela nunca cumpriu qualquer requisito técnico para integrar de verdade esse bloco. Acabou sendo admitida ilegalmente e irregularmente pelas duas presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, e do Brasil, Dilma Rousseff, por ocasião da suspensão, também ilegal, do Paraguai, na cúpula a três de Mendoza, em 2012. Continuou não cumprindo os requisitos necessários para integrar a união aduaneira imperfeita do Mercosul, e por isso foi suspensa do bloco em 2017, não porque tenha infringido a débil “cláusula democrática” do bloco, como jornalistas mal informados equivocadamente repetem.

O bolsonarismo representou um golpe muito duro para os projetos brasileiros da área externa, não só para o Mercosul. O ministro da Economia do capitão incompetente também era um perfeito ignorante em matéria de políticas comerciais, e deixou avançar a deterioração do bloco comercial. Uma nova politização do Mercosul sob Lula 3, que sempre visou ilusões diferentes do lado das autocracias antiocidentais, assim como um ultraliberalismo ingênuo do lado argentino terminaram por inviabilizar completamente o projeto de mercado comum, ou sequer o mais modesto de uma união aduaneira parcial.

Para todos os efeitos políticos, o Mercosul já não é mais um bloco coeso, se alguma vez o foi. 

Argentina desandou bem antes de Milei, e o Brasil de Lula 3 optou decisivamente pelo Brics dominado pelas duas autocracias antiocidentais e seu tresloucado projeto de uma “nova ordem global multipolar”, supostamente mais “democrática” do que o bloco ocidental da UE e da Otan.

Sobraram de sensatos, no Mercosul, os dois menores. Que tenham sorte na política e no comércio mundial. 

É o fim de uma boa ideia!

RIP Mercosul

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 4714, 1 agosto 2024, 2 p.


quarta-feira, 31 de julho de 2024

Confederação do Equador: 200 anos - IHGB

 


Kotscho: Declaração do Lula sobre a Venezuela é pior que nota do PT - UOL

Kotscho: Declaração do Lula sobre a Venezuela é pior que nota do PT

Colaboração para o UOL, em São Paulo, 31/07/2024 05h30

O colunista do UOL Ricardo Kotscho afirmou no UOL News que a declaração do presidente Lula (PT) de que não houve "nada de grave" ou "de assustador" nas eleições da Venezuela é pior do que a nota divulgada por seu partido, o PT.

Essa declaração do Lula, que me desculpe o amigo, mas é pior que a nota do PT. Ele passa o pano como se a Venezuela vivesse em plena democracia. 'Não vai reclamar com o bispo, reclama com a Justiça'. A Justiça de lá está totalmente controlada pelo Maduro.

Ricardo Kotscho, comentarista do UOL News

Ele se a… - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2024/07/31/kotscho-declaracao-do-lula-sobre-a-venezuela-e-pior-que-nota-do-pt.htm?cmpid=copiaecola


Para os que não gostam de ler, e preferem se informar pelo YouTube - recomendações de Airton Dirceu Lemmertz

Para os que não gostam de ler, e preferem se informar pelo YouTube 

Grato a Airton Dirceu Lemmertz

Como a Venezuela foi do 4° país mais rico do mundo a um dos mais miseráveis? https://www.youtube.com/watch?v=urTdoCPYYhQ

A crise humanitária na Venezuela causa fuga em massa do país: https://www.youtube.com/watch?v=dZSn5LHZtKM

  Nenhuma ditadura saiu do poder por meio de eleições: https://www.youtube.com/watch?v=ezoxd-Y5Xl4 (WW)

  Lula perde com Maduro ganhando: https://www.youtube.com/watch?v=6aN_ZYQb2DA (WW)

  O governo brasileiro não pode tratar Maduro com gentileza: https://www.youtube.com/watch?v=fUQ_EapYf0U (Eduardo Oinegue)

  A destruição de uma democracia: https://www.youtube.com/watch?v=9sYn2kTrBzg (Fernando Mitre)


Líderes mundiais: alguns comemoram, outros questionam o resultado eleitoral na Venezuela. https://www.youtube.com/watch?v=GaPf7oQM7ak

Por que as leis não funcionam no Brasil? https://www.youtube.com/watch?v=6VOjYT2L3dI (Adriano Gianturco)

Qual o objetivo por trás do aparelhamento do Estadohttps://www.youtube.com/watch?v=-xFMFdC1eVI (Ricardo Gomes)

O imaginário ideológico e a intolerância no Brasil: https://www.youtube.com/watch?v=gryUYN0ZRy0 (Francisco Escorsim)

Por que uma minoria consegue dominar? https://www.youtube.com/watch?v=SQOi9lyHph0 (Flávio Gordon)

Como as ideias são censuradas no Brasil? https://www.youtube.com/watch?v=fzcYPtDX1uA (Carlos Andreazza)


terça-feira, 30 de julho de 2024

Farewell of a Scholar — SSRN’s Gregg Gordon

 


Dear SSRN community,

I wanted to write to you with some personal news. After thirty years as Managing Director of SSRN, the last eight within Elsevier, I've decided that it's now time, in the immortal words of John Cleese, for something completely different.

My career and life changed for the better back in 1994 when my KPMG tax client, Michael Jensen, asked me to help him launch a business to share "Tomorrow's Research Today." Three decades later, the Social Sciences Research Network has expanded across all sciences and evolved to include more than 70 disciplines. Today, the SSRN platform holds over 1,230,000 pre-print articles from over 1,700,000 researchers, which have been downloaded over 275,000,000 times.

Leading a team of pioneers that made sharing early-stage research online possible, well before online is what it is today, has brought tremendous joy to me and many of you. Together with the support and trust from academic researchers who shared our vision, we have helped transform an industry for the better. Elsevier has proved an incredible home for SSRN, fulfilling all we as a team and I as an individual hoped to achieve. I leave it feeling very pleased that the company Mike, I and countless others helped to build is in good hands.

I have had the distinct honor and pleasure to work with many wonderful colleagues at Elsevier and throughout the academic and scholarly publishing worlds. Many friendships were forged over the years at work, conferences, and dinners. I'll miss working and spending time with all of you.

This month will be my last at SSRN. When recently I was asked if I was leaving the industry, I laughed and said I work at the second greatest scholarly publisher of all time and helped found the first – so where would I go? I'm not moving, as my family and I love Rochester, New York, and I will soon share our next adventure on LinkedIn. You can also look forward to an announcement soon about the evolution of the SSRN leadership team.

In the meantime, I can't thank enough all the people who have worked with and around me at SSRN for enriching my life. You have been truly spectacular, and I look forward to seeing many of you again in the next phase.

Thank you again,
Gregg

O Brasil precisa denunciar farsa eleitoral de Maduro - Editorial O Globo

 Opinião / Editorial 

A opinião do GLOBO

Brasil precisa denunciar farsa eleitoral de Maduro

Em nenhum momento o processo na Venezuela inspirou confiança. As irregularidades foram constantes

Editorial, 29/07/2024 

O Brasil e as demais democracias latino-americanas não podem ser coniventes com a farsa montada por Nicolás Maduro para permanecer no poder na Venezuela, usando eleições nada transparentes, cujos resultados são contestados pela oposição. Na madrugada desta segunda-feira, quando 80% dos votos tinham sido contados, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), órgão controlado por Maduro, anunciou que o atual presidente foi o vencedor do pleito realizado no domingo, com 51,2% dos votos, contra 44,2% obtidos pelo candidato da oposição, o ex-embaixador Edmundo González Urrutia. Os Estados Unidos e a União Europeia mostraram preocupação com as suspeitas de irregularidades. Em pronunciamento, o presidente chileno, Gabriel Boric, expressou a opinião da comunidade internacional ao declarar que os resultados oficiais “são difíceis de acreditar”. 

Durante a votação, zonas eleitorais em redutos da oposição não abriram no horário previsto. Para o regime, as filas longas no calor serviriam como desestímulo ao voto. Após o encerramento do pleito, os oposicionistas não tiveram acesso às atas das seções eleitorais em vários locais. Sem elas, não há como saber o que foi transmitido ao centro de contagem. A medida é empregada para dificultar ou impossibilitar a checagem da tabulação oficial. Seguindo um modus operandi conhecido, o Ministério Público acusou a oposição de um ataque hacker que teria tentado atrapalhar a transmissão de votos. 

Em nota, o governo brasileiro não reconheceu o resultado e disse aguardar a publicação dos dados desagregados por mesa de votação. De Caracas, o assessor internacional da Presidência, Celso Amorim, criticou a divulgação do vencedor, “sem ter a transparência, a disponibilidade das atas”. Diplomatas de sete países latino-americanos que questionaram o resultado foram expulsos da Venezuela por ordem expressa de Maduro. 

A missão brasileira a Caracas afirma confiar no trabalho do Centro Carter, instituição fundada pelo ex-presidente americano Jimmy Carter e convidada pelo CNE para acompanhar o pleito. Porém isso deve ser feito com cuidado. Como declarou o centro antes da eleição, “dado o tamanho e o alcance limitado, a missão não realizará uma avaliação integral dos processos de votação, contagem e tabulação”. Maduro tomou todas as medidas para evitar uma análise independente. Observadores da União Europeia (UE) cancelaram viagem depois de seu convite de acompanhamento ser revogado. Tentar culpar a UE pela falta de acordo, como sugeriu Amorim, é ecoar o chavismo. 

Como em eleições passadas, as irregularidades ocorreram antes, durante e depois do pleito. A principal candidata da oposição, a ex-deputada María Corina Machado, foi inabilitada para exercer cargos públicos por 15 anos pela Justiça. A única alternativa passou a ser confiar numa estratégia de transferência de votos. Apesar de obstáculos em série, a oposição se articulou em torno de González. Mesmo desprovido de qualquer carisma e sendo um desconhecido, ele despontou em pesquisas de opinião independentes. 

A comunidade internacional está certa ao pedir a transparência dos números da votação. Será um dado numa longa lista. Independentemente da avaliação, não mudará o quadro geral. Levando em conta todo o processo eleitoral, não há como reconhecer a declaração de vitória de Maduro.


O PT Não Tem Conserto; Lula, de vez em quando se dobra à realidade - Nota de apoio à ditadura venezuelana

Mais do que previsível que o PT ficaria do lado de Maduro. Vamos reconhecer: o PT é MUITO PIOR do que Lula, que de vez em quando acerta uma ou outra. O PT não tem conserto… ( PRA)

Do Augusto De Franco:

NOTA DO PT APOIANDO MADURO

O PT saudou o processo eleitoral fraudado pela ditadura venezuelana. Leiam a íntegra da nota e confiram no link abaixo.

Nota da Executiva Nacional do PT sobre eleições na Venezuela

O PT saúda o povo venezuelano pelo processo eleitoral ocorrido no domingo, dia 28 de julho de 2024, em uma jornada pacífica, democrática e soberana. Temos a certeza de que o Conselho Nacional Eleitoral, que apontou a vitória do presidente Nicolas Maduro, dará tratamento respeitoso para todos os recursos que receba, nos prazos e nos termos previstos na Constituição da República Bolivariana da Venezuela. Importante que o presidente Nicolas Maduro, agora reeleito, continue o diálogo com a oposição, no sentido de superar os graves problemas da Venezuela, em grande medida causados por sanções ilegais. O PT seguirá vigilante para contribuir, na medida de suas forças, para que os problemas da América Latina e Caribe sejam tratados pelos povos da nossa região, sem nenhum tipo de violência e ingerência externa.

Executiva Nacional do PT (29/07/2024)


segunda-feira, 29 de julho de 2024

A ditadura chavista declarou vitória na base da fraude e da intimidação (Canal Meio)

 A fraude é acintosa. O Brasil deve se preparar para mais uma onda de emigrados venezuelanos. (PRA)

Maduro declara vitória e esconde boletins de urna


Canal do Meio, 29/07/2024

O governo de Nicolás Maduro declarou vitórianum pleito em que todas as pesquisas apontavam uma derrota em grande escala. A pesquisa de boca de urna do Edison Research, feita a pedido do Wall Street Journal, sugeria que o ex-embaixador Edmundo González Urrutia venceria com 64% dos votos contra 31% de Maduro. O resultado é contestado pela oposição por falta de transparência e suspeita de fraude. Na madrugada desta segunda-feira, o chefe do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Elvis Amoroso, um aliado próximo de Maduro, anunciou a vitória do presidente quando, afirmou, 80% dos votos já estavam apurados. Segundo ele, Maduro tinha 51,2% dos votos, contra 44,2% de seu principal rival. A frente de oposição venezuelana alega fraude generalizada na contagem e prometeu contestar o resultado. Ela se uniu em torno de González para destituir Maduro após 11 anos no poder. “Estamos orgulhosos do que fizemos. Vamos lutar pela verdade para que prevaleça o respeito à soberania do povo venezuelano”, disseem entrevista coletiva a líder da oposição, María Corina Machado, impedida de disputar o pleito. (BBC)

Com 21 milhões de eleitores aguardados nas 30 mil mesas de votação, as eleições tiveram grande comparecimento, com extensão de até três horas do horário em várias zonas eleitorais devido às longas filas. A oposição denunciou que o CNE paralisou a transmissão de dados de diversos centros de votação e que testemunhas foram impedidas de obter os boletins de urna que certificam os votos em cada centro. Enquanto opositores faziam vigília na porta dos colégios eleitorais, esperando os boletins, forças de segurança do governo e os temidos coletivos chavistas percorreram as ruas de Caracas e do interior tentando afastá-los. O chamado para que as pessoas permanecessem na porta dos centros de votação foi motivado pelo temor de fraude eleitoral. (NTN24)

Vídeos nas redes sociais mostram episódios de violência após o fim da votação na cidade de San Antonio del Táchira e também em Guásimos. Há suspeita de que um jovem tenha sido assassinado por disparos de um coletivo chavista. Na mesma cidade, onde vivem 50 mil habitantes, houve confronto quando uma equipe de militares parecia recolher os dados de uma zona eleitoral. Antes do resultado ser anunciado, González chegou a cantar vitória em seu perfil no X: “Os resultados são inocultáveis. O país escolheu uma mudança em paz”. Em quase todos os levantamentos, a vantagem de González sobre Maduro era de 20 a 35 pontos percentuais. Nenhuma dessas pesquisas pôde ser divulgada dentro da Venezuela. (Meio)

Daniel Lozano: “Mesmo em redutos chavistas como o bairro 23 de Janeiro, território dos grupos paramilitares onde Hugo Chávez votava, Edmundo González venceu Nicolás Maduro. Porém mais uma vez o chavismo construiu a sua própria realidade a sangue e fogo, determinado a desconsiderar a vontade do povo. Antes mesmo de as autoridades eleitorais o anunciarem, diversos porta-vozes chavistas garantiram sem corar que Maduro tinha confirmado o seu terceiro mandato.” (La Nación)

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