quinta-feira, 5 de setembro de 2024

O grande projeto africano da China, o maior, desde o Plano Marshall - Paulo Roberto de Almeida

O grande projeto africano da China, o maior, desde o Plano Marshall

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Nota sobre a conferência China-África, realizada em sua 10ª edição, revelando a ambição chinesa de construir uma relação sólida com países africanos, alcançando uma dimensão talvez similar à do Plano Marshall, de 1947-1952. 

 

Xi Jinping celebra mais um encontro com líderes africanos, no quadro de um grandioso e importante projeto africano da China, que antecede Xi Jinping, e já é um estupendo esforço da China desde os anos 2000.

Se trata do mais importante evento da história econômica mundial, no terreno da cooperação, depois do Plano Marshall, com a diferença que este era puro desprendimento humanitário, ao passo que o projeto africano chinês é totalmente focado nos interesses de grande potência econômica da China. 

O Plano Marshall, ao início da primeira Guerra Fria geopolítica - agora já estamos na segunda - mudou a história da Europa ocidental e do mundo, algo que o projeto africano da China talvez não consiga fazer, pois que significa, mal comparando, uma mera reprodução do que os europeus fizeram na África desde o final do século XIX e início do XX, sem os horrores da escravidão e da exploração mais brutal. O projeto africano da China é totalmente auto-interesse, ao passo que o Plano Marshall foi o ato “menos sórdido da história da humanidade”, como disse Churchill (talvez a propósito do Lend Lease agreements, me confundo agora).

Em todo caso, o que a China faz na África tem um impacto mais relevante na geopolítica mundial do que todas as guerras de agressão e de conquista empreendidas por Putin desde 2008, uma mera repetição do que fez Hitler e os demais fascismos expansionistas nos anos 1930-40, inclusive o militarismo nipônico.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 4726, 4 setembro 2024, 1 p.


Recomendações de livros por Charlie Munger

Retirado do Threads, por wisdom_switch:

Tirando os livros para fazer dinheiro, um legítimo objetivo americano, mas que não faz parte de minhas preocupações de vida, já li e recomendo os livros de Jared Diamond, Arms, Germs and Steel, e o de David Landes, The Wealthy and Poverty of Nations (ainda que o capítulo sobre a AL seja fraco e o sobre o Brasil seja totalmente decepcionante pela mania americana da “teoria da dependência”, a única coisa da sociologia de FHC que acho fraquérrima. Mas preciso ler os livros sobre Andrew Carnegie, de Herbert Simon e o Selfish Gene, de Charles Dawkins (cujo argumento conheço e parte, por resenhas e comentários lidos na New York Review of Books). PRA

Charlie Munger once said…

“In my whole life, I have known no wise people who didn't read all the time"

11 book recommendations from Charlie Munger that'll make you Smarter:

1. Faraday, Maxwell, and the Electromagnetic Field: How Two Men Revolutionized Physics

It’s a combination of scientific biography and physics explanation, relating to electricity.

And neither of the writers is a physicist.

2. Deep Simplicity: Bringing Order to Chaos and Complexity

It is hard to understand everything, but you can always give it to a more intelligent friend if you can't understand it.

3. Models of My Life

An autobiography of Nobel laureate Herbert A. Simon, a remarkable man who more people should know about.

He won Nobel prize for his theory of “bounded rationality,” and is best known for his quote,

“A wealth of information creates a poverty of attention.”

4. Andrew Carnegie

The definitive biography of an industrial genius, philanthropist, and enigma.

At a business meeting, Munger also mentioned the Mellon Brothers as people to study.

5. Guns, Germs, and Steel: The Fates of Human Societies

A book recommended by Bill Gates and Charlie Munger.

Gates said– "the book had a profound effect on the way I think about history and why certain societies advance faster than others.”

6. Influence: The Psychology of Persuasion

A frequent recommendation from Munger.

I believe he’s given away more copies of this book than any other.

7. The Selfish Gene

Dawkins explains how the selfish gene can also be a subtle gene. The world of the selfish gene revolves around savage competition, ruthless exploitation, and deceit.

Yet, acts of apparent altruism do exist in nature.

8. The Wealth and Poverty of Nations: Why Some Are So Rich and Some So Poor

A best-selling exploration of why some nations achieve economic success while others don’t. As you can imagine, it’s complicated.

9. Getting to Yes: Negotiating Agreement Without Giving In

The book is one of the primary business texts in North America.

So it shouldn’t surprise you that I was first introduced to this as part of my MBA program– Says Munger.

10. Three Scientists and Their Gods: Looking for Meaning in an Age of Information

What is the meaning of life? This book looks at the work and beliefs of three leading American scientists: Edward Fredkin, Edward O. Wilson, and Kenneth Boulding.

11. The Warren Buffett Portfolio: Mastering the Power of the Focus Investment Strategy

This book has been recommended by both Buffett and Munger on a few occasions.






A covardia do Brasil na Venezuela: a diplomacia petista em ação e inação - Opinião Estadão

 Opinião do Estadão, 3/09/2024

A covardia do Brasil na Venezuela

Mesmo ante ordem de prisão do líder da oposição venezuelana, Lula segue incapaz de condenar a ditadura do companheiro Maduro, ofendendo os que bravamente lutam pela democracia

A repressão na Venezuela recrudesce a níveis pavorosos mesmo para os padrões de truculência do chavismo. O regime está em vias de aprovar uma “Lei contra o Fascismo” que na prática lhe dará carta branca para prender quem bem entender. Desde as eleições presidenciais, cujos resultados foram escandalosamente fraudados para dar a vitória ao ditador Nicolás Maduro, quase 30 manifestantes foram mortos e cerca de 2 mil foram detidos, entre eles dezenas de menores de idade. As milícias informais conhecidas como “Coletivos”, a Gestapo chavista, intimidam famílias em suas casas e jornalistas nas redações. O advogado da oposição foi sequestrado.

Agora, o regime ordenou a prisão do candidato da oposição, Edmundo González. Como se sabe, o único “crime” da oposição foi divulgar, graças à insubordinação cívica de funcionários dos colégios eleitorais, fotogramas das atas eleitorais que confirmam, segundo a apuração de vários observadores independentes, sua vitória nas urnas com dois terços dos votos.

Chancelarias de diversos países latino-americanos emitiram notas veementes de repúdio. Já o governo brasileiro continua a fazer cara de paisagem. Em tom prazenteiro, o chanceler paralelo do presidente Lula da Silva, Celso Amorim, disse que “eu sou do tempo da bossa nova – a gente nunca sobe o tom”. Nunca, desde que se trate de tiranos companheiros.

Se o governo, sob a retórica malandra do “pragmatismo”, se desfaz de suas obrigações de denunciar a fraude contra a vontade do povo venezuelano e as violações de seus direitos fundamentais, não é por falta de saliva. Mesmo em questões em que tem pouca influência, como a guerra na Ucrânia ou em Gaza, Lula fala e fala muito, com frequência superlativamente, como quando equiparou as operações militares de Israel ao Holocausto. O Brasil, por sinal, segue sem um embaixador em Israel.

Em 2012, quando o Parlamento do Paraguai destituiu o presidente esquerdista Fernando Lugo, a então presidente Dilma Rousseff vociferou contra uma suposta “ruptura da ordem democrática”, engendrando com os governos esquerdistas da Argentina e do Uruguai o afastamento do Paraguai do Mercosul. Pouco importa que missões internacionais tenham constatado a higidez constitucional do impeachment de Lugo: como se tratava de um companheiro progressista, Dilma deixou de lado a diplomacia “bossa-nova” de Amorim. Para confirmar que a manobra era puramente ideológica, o consórcio esquerdista do Mercosul, sem o inconveniente voto contrário do Paraguai, aprovou a entrada no bloco da – ora vejam – Venezuela chavista.

Em outras palavras, em nome da “defesa da democracia”, o lulopetismo e seus sócios sul-americanos patrocinaram um atentado às instituições do Mercosul, alijando um país em condições de normalidade democrática para favorecer um regime cujo autoritarismo é a principal marca.

A oposição venezuelana tem dado ao mundo um exemplo de heroísmo. Em outras ocasiões ela se fracionou e oscilou entre modos diversos de resistência, de boicote às eleições a tentativas de rebelião armada. Agora, mesmo diante de uma ditadura militar que mantém na coleira o Legislativo, o Judiciário e a mídia, optou pelo enfrentamento nas urnas – e venceu. Mas o governo brasileiro continua a promover a farsa da “neutralidade”, cobrando as atas eleitorais que o chavismo trancou a sete chaves e a oposição mostrou ao mundo.

Já ficou claro que o Brasil tem pouca capacidade de influência num regime manietado por China, Rússia e Cuba. Mas longe de isentá-lo, essa seria mais uma razão para que o seu chefe de Estado denunciasse com todas as letras o atentado contra a democracia e os direitos humanos em curso. Não é só um dever moral, mas constitucional. A Carta Magna brasileira preconiza que as relações exteriores do Brasil se regem, entre outros princípios, pela prevalência dos direitos humanos e o repúdio ao terrorismo.

Ditaduras dependem de duas coisas para subsistir: o apoio das Forças Armadas e da população. Maduro, aparentemente, mantém o primeiro, mas o rechaço do povo venezuelano é inequívoco. Democracias genuínas deveriam celebrar e apoiar a resistência desse povo. O Brasil, em nome das amizades de seu presidente, prefere ofendê-lo.

quarta-feira, 4 de setembro de 2024

A humanidade desumanizou-se? - Paulo Roberto de Almeida

A humanidade desumanizou-se?

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Nota sobre a total indiferença que o morticínio na Ucrânia vem sendo recebido no chamado Sul Global, entre esses países o Brasil, incapaz de se manifestar sobre o massacre que vem sendo conduzido pela Rússia contra civis inocentes e a infraestrutura material do país.

  

Um dos fatos mais chocantes na atualidade internacional é constatar que a maior parte da comunidade dos Estados membros da ONU, especialmente do chamado Sul Global, permanecer completamente indiferente ao cenário de morticínio e de destruição bárbara perpetrados pela Rússia na Ucrânia. 

Como é possível aos dirigentes, à população, não se indignar em face de um espetáculo de pura barbárie, terrorismo deliberado, crimes de guerra e contra a humanidade?

As pessoas, em geral, no Sul Global em especial, consideram que não há nada que possa ser feito e que os bombardeios contra alvos civis podem continuar a ser feitos porque um membro permanente do CSNU dispõe de um poder exclusivo, o de violar a Carta da ONE e todos os princípios do Direito Internacional impunemente?

Quando esse tipo de comportamento inadmissível passou justamente a ser considerado como admissível, normal e inquestionável? Quando foi que a MAIOR PARTE da humanidade se convenceu de que nada poderia ser feito, ou, coisa pior, que era possível continuar a comerciar e até a intensificar esse comércio e outras relações com a parte agressora, como se o lado perversamente amoral do seu comportamento pudesse passar a ser admitido como coisa menor?

O que foi que ocorreu com os países que aderiram e que ratificaram a Carta da ONU para ignorar por completo suas OBRIGAÇÕES inscritas na Carta de boicotar o agressor, de submeterem-no a sanções e de vir em socorro da parte agredida unilateralmente?

Por acaso, mais da metade da humanidade, seus dirigentes políticos, se julgam desprovidos de qualquer responsabilidade política, moral, simplesmente humanitária, em face da barbárie sendo cometida contra o povo iraniano?

Almas cândidas poderão argumentar com as matanças já em curso na África e em outros lugares, a maior parte resultado de guerras civis, conflitos políticos, étnicos ou religiosos, mas estamos falando, no caso da Ucrânia, nada disso estava dm curso, e sim foi uma agressão deliberada, unilateral, não provocada, das mais cruéis já vistas desde as guerras de expansão das potências nazifascistas dos anos 1930.

Estamos de volta aos momentos mais sombrios da história da humanidade, um tempo de desumanização inédita para os padrões do multilateralismo contemporâneo?

Tudo indica que sim…

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 4725, 4 setembro 2024, 2 p.


 

 

Edital de publicação da Editora Unifesp

Nota sobre primeiro edital de publicação da Editora Unifesp, voltado para a formação de estudantes de Graduação e Pós-Graduação em todas as áreas do conhecimento.

Podem participar docentes ativos ou aposentados de universidades brasileiras, sejam públicas ou privadas, de todas as áreas.

Para mais informações, caso queira conhecer, segue o link abaixo:

https://www.unifesp.br/noticias-anteriores/item/7085-editora-unifesp-lanca-1-edital-para-selecao-de-propostas-de-publicacao-de-livros-originais


A força de uma nação - Paulo Roberto de Almeida

A força de uma nação 

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Nota sobre a falta de um Roosevelt para ajudar o Churchill ucraniano, Zelensky.

 

Nenhuma pessoa é, ou deveria ser, indispensável. Algumas assim se tornam em momentos decisivos na vida de uma nação, pela força de uma vontade inquebrantável, como foi o caso de Churchill em 1940. Talvez seja o caso atual de Zelensky, por força das circunstâncias. Ele encarna a nação ucraniana. Mas pode perder, como Churchill perdeu, até 1943. Persistiu, venceu, foi derrotado em 1945.

Seria o caso de Zelensky? Não sei.

Churchill talvez não tivesse conseguido resistir em 1940-41 sem o apoio decisivo de Roosevelt, até a maré mudar.

Zelensky ainda não tem o seu Roosevelt. Talvez nunca tenha. 

A nação ucraniana pode perder, como está perdendo. 

Esperando a maré mudar. Esperando…

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 4724, 4 setembro 2024, 1 p.


 


terça-feira, 3 de setembro de 2024

O Brasil no admirável mundo dos BRICS - Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense

Análise: 

O Brasil no admirável mundo dos BRICS

"Essa mudança geopolítica está por trás da crise da Venezuela, que rompeu com o Ocidente. Essa não pode ser a nossa, defendemos a democracia e nossos interesses", observa o jornalista

Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense, 27/08/2024

https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2024/08/6928465-analise-o-brasil-no-admiravel-mundo-dos-brics.html#google_vignette

O economista Paulo Gala, professor da economia da EESP/FGV, é um dos maiores especialistas em política industrial e comércio exterior do Brasil. Muito ativo nas redes sociais, vem chamando a atenção do grande público para a importância dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), em particular, para o Brasil. Estabelecido em 2006, o grupo pesa cada vez mais nas relações internacionais, com destaque para a China e a Índia.

Segunda maior economia do mundo, depois dos Estados Unidos, segundo Gala a China se estabeleceu como um líder global em inovação e tecnologia, com empresas como a Huawei, Tencent e Alibaba, que atuam em setores como telecomunicações, comércio eletrônico e inteligência artificial. E passou por um grande avanço na infraestrutura, com a construção de sua rede de ferrovias de alta velocidade e projetos ambiciosos de logística, como a iniciativa do Cinturão Econômico da Rota da Seda.

A Índia também emergiu como líder global em serviços de tecnologia da informação e terceirização de processos de negócios. Cidades como Bangalore são centros tecnológicos, com empresas de TI de renome.

O país é um dos maiores produtores de medicamentos genéricos do mundo. Destaca-se, também, na pesquisa espacial, com realizações notáveis, incluindo a Missão Marte Orbiter (Mangalyaan) e o lançamento de inúmeros satélites para diversos fins.

Em postagem recente no X (antigo Twitter), Gala elencou diversas razões para que o G-7 (Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão), o grupo de países mais desenvolvidos e industrializados do mundo, passe a levar mais a sério a existência dos BRICS, que somarão, em breve, 3,7 trilhões de habitantes — ou seja, 46% da população mundial. Vamos a elas.

China, Índia e Brasil estão entre as 10 maiores economias do mundo. Os indianos também pousaram na Lua, e os BRICS (Rússia, oito; China, três; e Índia, um) estão quase igualando o número de missões lunares dos EUA (15).

Os BRICS representam 32,1% do PIB global contra os 29,9% do G-7. Em 2024, cinco países se associaram: Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Etiópia, Egito e Irã.

Em 2023, a Índia tornou-se a maior população do mundo, com o maior número de usuários do Facebook, Instagram, You- Tube e WhatsApp, e exportou mais em software (US$ 133 bilhões) do que a Arábia Saudita em petróleo (US$113 bilhões). Em 2022, a China comprou 97% de todo o lítio da Australia, o maior produtor mundial, e responde por 57% dos carros elétricos do planeta.

A maioria das pessoas no Ocidente não conhece a Saudi Aramco, a petroleira da Arábia Saudita, que, agora, faz parte dos BRICS e fatura U$ 48 bilhões/ano, mais do que a Tesla, Meta, Apple e Microsoft juntas, que somam US$ 45 bilhões/ano. As duras sanções do Ocidente contra a Rússia são quase inúteis, porque os russos estão inundando a Ásia com petróleo — e os chineses inundando a Rússia com produtos industrializados.

Pragmatismo

Os chineses lideram a distribuição de supercomputadores. A indiana Tata Motors comprou a Jaguar e a Land Rover. A chinesa Geely comprou a Volvo, e a vietnamita Vinfast abriu capital na Bolsa de Nova York e já vale mais do que a General Motors.

O leste da Ásia (China, Índia, Coréia do Sul, Taiwan e Japão) formam o bloco econômico mais importante do mundo, maior do que os EUA ou a Zona do Euro, pois 70% do crescimento do mundo este ano vem da Ásia — a China, sozinha, responde por 1/3 do crescimento mundial.

Mais de 20 países querem entrar nos BRICS. Bangladesh, por influência da Índia; Egito, Etiópia e Marrocos, da Rússia; Belarus e Cazaquistão, antigas repúblicas soviéticas, também fizeram a solicitação.

Tailândia e Vietnã pediram para ingressar no bloco, e Argélia busca aproximação. Países ligados aos Emirados Árabes Unidos — como a Palestina, Nigéria e Bahreim — já manifestaram interesse. O Irã não fica atrás.

Na América Latina, países como Cuba, Honduras e Venezuela querem ingressar no bloco. O próximo encontro do BRICS será em Moscou e caminha nessa direção.

É uma grande mudança geopolítica. Entretanto, há contradições políticas relevantes entre esses países. Exemplo: a Rússia é aliada da China, porém, a Índia é aliada dos Estados Unidos. É um erro avaliar que esses países formam um bloco monolítico, tanto quanto é insensato, no caso do Brasil, um alinhamento que não leve em consideração as relações históricas com os EUA e a União Europeia.

Nosso principal parceiro comercial é a China, que compra nossas commodities minerais e de alimentos, e nos vende a maior parte dos produtos industrializados que consumimos. Isso está matando a nossa indústria e nos toma mercado. Essa mudança geopolítica está por trás da crise da Venezuela, que rompeu com o Ocidente democrático e se tornou aliada incondicional da China.

Essa não pode ser a nossa. Defendemos a democracia e uma política externa independente e pragmática, cujo eixo são nossos interesses. Devemos nos relacionar igualmente com os países dos BRICS e o Ocidente democrático, ao qual pertencemos.


CEPAL: El desarrollo político es fundamental para abordar las tres trampas en las que está sumida América Latina y el Caribe

 CEPAL: El desarrollo político es fundamental para abordar las tres trampas en las que está sumida América Latina y el Caribe

Desarrollo productivo y empresarial

23 de agosto de 2024

Secretario Ejecutivo Adjunto Javier Medina Vásquez encabezó seminario organizado por la Escuela Latinoamericana de Estudios del Desarrollo (ELADES) de la CEPAL, en colaboración con la Asociación Latinoamericana de Ciencia Política (ALACIP).


Qué significa “desarrollo político”, cuál es el estado de las democracias en tiempos de incertidumbre y cómo el fortalecimiento de las capacidades institucionales y de la gobernanza puede ayudar a superar las trampas de desarrollo en las que está sumida América Latina y el Caribe fueron algunos de los temas abordados en el seminario El desarrollo político en América Latina y el Caribe en la última década, que tuvo lugar el viernes 23 de agosto de 2024 en la sede de la CEPAL en Santiago, Chile.

El encuentro, en el que participaron especialistas de la región, fue inaugurado por el Secretario Ejecutivo Adjunto de la Comisión Económica para América Latina y el Caribe (CEPAL), Javier Medina Vásquez, en representación del Secretario Ejecutivo José Manuel Salazar-Xirinachs, y por Daniel Buquet, Secretario General de la Asociación Latinoamericana de Ciencia Política (ALACIP) y académico de la Universidad de la República del Uruguay.

Javier Medina Vásquez saludó la realización del seminario como parte de las actividades de la Escuela Latinoamericana de Estudios del Desarrollo (ELADES) de la CEPAL y de su Programa de Estudios sobre Políticas del Desarrollo (Ex Escuela de verano) que cursa su vigésima quinta edición. “El desarrollo político es uno de los cinco pilares de la ELADES junto al desarrollo económico, social, ambiental y de las personas”, explicó.

Durante su presentación, el alto funcionario analizó las tres “trampas del desarrollo” identificadas por la CEPAL y que son parte central de los debates que propondrá la institución durante su Cuadragésimo período de sesiones que tendrá lugar en Lima, Perú, del 9 al 11 de octubre de 2024.

“Estamos en un momento de cambio de época, en un punto de inflexión, en el cual la región de América Latina y el Caribe está sumida en tres grandes trampas del desarrollo: Una incapacidad de largo plazo para crecer, una elevada desigualdad, y una baja capacidad institucional y de gobernanza”, indicó Javier Medina.

Por eso, dijo, “en la CEPAL hemos buscado que los retos del desarrollo se puedan organizar alrededor de un decálogo de brechas que constituyen áreas prioritarias de acción para la política pública y los esfuerzos colectivos de transformación”.

Medina centró su intervención en los desafíos de gobernanza, diálogo social y capacidades técnicas, operativas, prospectivas y políticas (TOPP) de la región -tema que se profundiza en la Revista CEPAL no. 141. Edición Especial 75 años: hacia un modelo de desarrollo más productivo, inclusivo y sostenible-, para luego terminar con una reflexión sobre la gestión de las transformaciones necesarias en América Latina y el Caribe.

“Los efectos de las políticas públicas, tanto a corto como largo plazo, están profundamente influenciados por los procesos mediante los cuales se diseñan e implementan”, indicó el Secretario Ejecutivo Adjunto, por lo que “analizar y comprender el proceso de formulación, adopción e implementación de una política es tan relevante como el contenido de la política misma”, recalcó.

Según Medina, “en un momento de crecientes demandas ciudadanas hacia los gobiernos e instituciones, necesitamos desarrollar capacidades para liderar las transformaciones en los modelos de desarrollo. Estas transformaciones requieren no solamente una mejora continua, sino el abordaje de las disrupciones en la capacidad institucional para diseñar, implementar, evaluar y ajustar las políticas públicas en circunstancias cambiantes”.

“La falta de estas capacidades se refleja en respuestas institucionales insuficientes a situaciones complejas e inciertas, como, por ejemplo, el retraso en el cumplimiento de los Objetivos de Desarrollo Sostenible (ODS), el incremento de la polarización y los conflictos, las dificultades de gobernabilidad en muchos países y el deterioro en los índices globales de gobernanza y transparencia”, enfatizó.

A su vez, Daniel Buquet, Secretario General de la ALACIP y académico de la Universidad de la República del Uruguay, presentó los fundamentos teóricos de una propuesta de medición del desarrollo político en América Latina y cómo se complementa con los estudios sobre la democracia en la región.

“El desarrollo político se debería conceptualizar como algo que tiene que ver con la democracia, que está vinculado a la democracia, a la democratización, a la calidad de la democracia, pero que no es lo mismo”, concluyó, agregando que se trata de “un proceso acumulativo, que refleja más el potencial que la situación”.

El seminario también contó con intervenciones de Flavio Gaitán, Coordinador del Grupo de Estado, Instituciones y Desarrollo de ALACIP y académico de la Universidad Federal de Integración Latinoamericana; David Altman, Director del Centro Regional del V-Dem Project para América Latina, y académico de la Pontificia Universidad Católica de Chile; y Marcela Ríos, Directora para América Latina y el Caribe del Instituto Internacional para la Democracia y Asistencia Electoral (IDEA Internacional).

 



segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Trocando as bolas - Paulo Roberto de Almeida

Trocando as bolas

Paulo Roberto de Almeida 


Os grandes desastres começam pela inversão completa do sentido normal das coisas.

“Russia to change its nuclear doctrine in response to West's "escalation course".”

A culpa pelas tensões internacionais e pelos sofrimentos causados a civis inocentes é sempre dos outros.

Os governos do PT e de Lula sempre acreditaram que a miséria e a pobreza no Brasil foram causadas por capitalistas gananciosos e pela cupidez do imperialismo. 

Os problemas do mundo foram causados pela arrogância dos ocidentais, e um mundo multipolar pode ser construído por poderes alternativos aos ocidentais a partir de outras formas que não a ordem dos poderosos de outrora.

Essa é a “nova ordem global”.

Temos um futuro grandioso pela frente…

Paulo Roberto de Almeida 

Apenas uma expressão de horror - Paulo Roberto de Almeida

Apenas uma expressão de horror

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Nota sobre o morticínio sendo conduzido por Putin na Ucrânia, na indiferença dos demais Estados membros da ONU.

  

Estou tão horrorizado quanto qualquer pessoa bem-informada pelo tremendo recuo civilizatório experimentado pela Rússia de Putin desde o início de seu neoczarismo retardatário e pelo sofrimentos que ele vem causando desde 2008 aos seus vizinhos, renovados em 2014 e com maior amplitude a partir de 2022, em escala praticamente mundial.

Estou horrorizado pela incapacidade da maior parte das lideranças dos Estados membros da ONU, da própria ONU, de respeitarem os preceitos da Carta quanto ao Direito Internacional.

Estou horrorizado quanto à postura dos governos brasileiros, desde 2014, novamente em 2022, e continuando ainda em 2024, numa demonstração cabal de indiferença aos horrores perpetrados pelo Estado russo sob Putin na manutenção de contínuas violações do Direito humanitário, das leis da guerra, na prática constante de crimes contra a Paz e contra a humanidade.

Não disponho de nenhum outro recurso contra as desumanidades correntes a não ser a expressão impotente de meu horror em face do mal absoluto. Apenas um registro para a História.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 4723, 2 setembro 2024, 1 p.


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