sexta-feira, 1 de maio de 2026

Crônicas Históricas: a mulher que salvou dezenas de crianças da atrocidade nazista: Henia Lewin, da Lituania (via Henrique Rzezinski)

Nunca houve, em toda a história da Humanidade, uma tal soma de brutalidades, atrocidades, morticínios deliberados, como os praticados pela corja nazista, e também por boa parte da população alemã, fanatizados, dirigidos e guiados por uma besta humana como Hitler. Não consigo encontrar qualquer precedente para a mortandade dirigida a todo um povo por causa do ódio doentio de um monstro como ele, que conseguiu ser seguido por milhões de alemães, supostamente um dos povos mais educados do século XX.

Reproduzo aqui o relato copiado e dispobibilizado por meu amigo Henrique Rzezinski. PRA

》Em 1941, uma mãe sedou sua filha de três anos, colocou-a dentro de uma mala e levou-a além dos guardas nazis.
Depois voltou para o gueto e fez o mesmo de novo.
E de novo.
Durante a maior parte da sua vida, a menina acreditou que ela tinha sido salva uma vez. Só no funeral da sua mãe soube quantas vidas tinham sido resgatadas.
Henia Lewin nasceu em janeiro de 1940 em Kaunas (Kovno), Lituânia. Seus pais, Gita e Jonas Wisgardisky, eram judeus de classe média. Eles tinham uma casa, um emprego estável, uma ama e a crença , comum naquela época, de que a sua vida, embora imperfeita, era estável.
Essa crença desmoronou em menos de um ano
Em 1940, as forças soviéticas ocuparam a Lituânia. Negócios judeus foram confiscados. Famílias inteiras foram deportadas. O medo veio devagar e depois tornou-se permanente. Em junho de 1941, a Alemanha Nazi invadiu o país. Desta vez, a ameaça era inconfundível.
Os judeus de Kaunas foram forçados a entrar no gueto de Kovno. Cerca de quarenta mil pessoas foram comprimidas em uma área pensada para cerca de 6 mil. A fome foi imediata. A doença veio depois. As rusgas eram constantes.
Poucos dias depois do gueto ser selado, as autoridades alemãs exigiram voluntários do sexo masculino que falassem línguas estrangeiras. O tio de Henia estava entre as centenas de homens que se apresentaram. Nenhum deles voltou. Eles foram retirados do gueto e fuzilados.
No final desse primeiro período, milhares já tinham morrido. Avós, primos e grande parte da família prolongada de Henia desapareceram. Linhagens inteiras foram apagadas.
Gita Wisgardisky chegou a uma conclusão que muitos ainda não podiam aceitar: os nazis não estavam “reposicando” os judeus. Eles estavam a ser exterminados.
Quando ela o disse em voz alta, outros a chamaram de alarmista ou irracional. Negar era mais fácil do que ver claramente.
Gita escolheu a clareza.
Dentro do apartamento, o pai de Henia construiu um compartimento escondido atrás de uma parede falsa. Durante as rusgas, Henia e sua prima pequena estavam escondidas lá. Mas Gita sabia que esconder-se era uma solução temporária. Ouviu relatos de outros lugares. Eles estavam levando as crianças para “cuidados médicos”. Eles não voltaram.
As crianças seriam as próximas.
Gita trabalhava em um grupo de trabalho e, nesse contexto, conheceu Bronius Paukstys, um padre católico que ajudava secretamente a tirar crianças judeus e colocá-las com famílias cristãs. Disse que podia ajudar, mas só se conseguisse tirar as crianças do gueto.
O obstáculo não era o valor. Era a realidade.
Henia tinha cerca de três anos. Estava a falar. Ela podia chorar. Num posto de controle, isso significava morte.
Gita conseguiu sedativos. Ela administrou-lhe o suficiente para deixar Henia completamente inconsciente. Depois colocou sua filha em uma grande mala de couro.
Como parte de um grupo de trabalho feminino, carregou a mala e saiu do gueto.
No portão, um guarda parou-a. Interrogou-a. Olhou para a mala.
Gita ofereceu-lhe seu relógio de ouro e suas botas vermelhas de couro , o mais valioso que tinha.
Ele aceitou-os.
Ele não abriu a mala.
Do outro lado estava esperando Jonas Stankevicz, um lituano que tinha concordado em esconder a criança. Quando ele pegou a mala, um policial lituano prendeu-o e pediu-lhe os papéis.
Nesse momento, chegou uma carrinha militar com soldados nazis pedindo indicações para voltar ao gueto. O policial subiu para guiá-los e deixou o Stankevicz entrar.
Henia diria mais tarde que foi salva por uma carrinha cheia de nazis.
Nos dois anos seguintes, viveu numa quinta lituana sob um nome falso. Ensinaram-no a ir à igreja, a chamar de “mãe” e “pai” a estranhos e a nunca revelar quem era. Ela era uma criança , e guardou segredo.
Sua mãe tinha prometido que voltaria.
De volta ao gueto, Gita não parou.
Procurou outras crianças. Conseguiu mais sedativos. Usou mais malas. Aconteceu vezes sem conta perante os guardas, sabendo que, se fosse descoberta, a execução seria imediata.
Não contava quantas crianças salvava. Contar teria impedido.
Entre os resgatados estava a prima de Henia, cujos pais já tinham sido assassinados.
Com o tempo, Gita e Jonas também conseguiram escapar do gueto. Eles se escondem em celeiros, caves e igrejas. Contra probabilidades esmagadoras, eles sobreviveram.
Após a libertação em 1944, eles procuraram sua filha. A família que escondia Henia tinha se deslocado para o norte por medo de represálias soviéticas. Demorou meses, mas eles encontraram-na.
Dos cerca de quarenta mil judeus presos no gueto de Kovno, apenas cerca de dois mil sobreviveram.
Henia cresceu. Ela tornou-se educadora. Ensinou hebraico e yidis. Durante décadas falou com estudantes sobre o Holocausto: não só sobre criminosos e vítimas, mas sobre os espectadores e o custo do silêncio.
Durante a maior parte da sua vida, ela acreditou que a mãe a tinha salvo uma vez.
No funeral da Gita, outra pessoa sobrevivente lhe contou a verdade.
Foram dezenas.
Dezenas de crianças retiradas de um gueto dentro de malas. Dezenas de vidas prolongadas porque uma mulher se recusou a aceitar o inevitável.
Hoje, Henia Lewin continua falando em público. Diz aos alunos que a memória não é passiva. Que a história não sobrevive sozinha.
Só sobrevive quando alguém decide carregá-la — muitas vezes com enorme risco, muitas vezes no escuro, muitas vezes sem saber quantas vidas está realmente salvando.
Fonte: Daily Hampshire Gazette ("Uma sobrevivente infantil do Holocausto compartilha a história da sua família com alunos do Granby", 31 de janeiro de 2018)

Likes and dislikes - Paulo Roberto de Almeida

 Não sei bem por que, ou como, mas assistindo às cenas estrepitosas da realidade brasileira neste exato momento, resolvi colocar meus likes e dislikes, apenas para marcar certas posturas em face dessa mesma realidade:


Coisas de que mais gosto:
1) Conhecimento: que adquiro por meio de livros ou quaisquer outros suportes, como cultura, como lazer, como ferramenta, para minha profissão preferida, a de professor;
2) Solidariedade com os mais fracos, nem sempre diretamente, mas por meio de políticas públicas, que para mim significa crescimento com equidade e inclusão, o que obtive com esforço próprio, mas nem todo mundo tem essa chance.

Coisas que mais desprezo, detesto, abomino:
1) Racismo: sob qualquer forma, cor, feitio, disfarce.
2) Políticos corruptos: nem preciso explicar, não é?

Por enquanto basta...
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 1/05/2026


Post Scriptum: eu tinha finalizado pelos políticos corruptos, e disse que por enquanto bastava, mas não posso me conter ao ter lido uma pequena nota, que tem tudo para ser verdadeira conhecendo os despudorados representantes de certa aristocracia judiciária. Por isso vou corrigir meu ponto 2, das coisas que mais abomino nesta humilde terra de aproveitadores:
2) Políticos corruptos e magistrados assaltantes do dinheiro público: preciso explicar?

A explicação está aqui:

"Em reação à decisão do Supremo Tribunal Federal que restringiu o pagamento de supersalários à magistratura, o Tribunal de Justiça do Paraná criou um novo “penduricalho” transformando todos os magistrados do Estado em professores. O benefício pode render até R$ 14 mil por mês para cada um fora do teto remuneratório imposto pela Constituição.
A resolução da Corte burla a decisão do Supremo ao descaracterizar o exercício de magistério. (Estadão, 1/05/2026)"

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Relatório sobre a Liberdade de Imprensa, da Repórteres Sem Fronteira

Relatório sobre a Liberdade de Imprensa, da Repórteres Sem Fronteira

Liberdade de Imprensa: em queda no mundo, em melhoria no Brasil, mas ainda num indicador muito abaixo do necessário e PELA PRIMEIRA VEZ, à frente dos EUA (mas isso também não vale, pois com DJT qualquer republiqueta fica com melhor nota).

A liberdade de imprensa no Brasil melhorou, segundo levantamento da organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras. Entre os 180 países avaliados, o Brasil ficou na 52ª posição e ultrapassou os Estados Unidos pela primeira vez. No mundo, a liberdade de imprensa caiu para os níveis mais baixos em 25 anos, desde que o ranking começou a ser publicado. A organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras mede a liberdade de imprensa com base no contexto político, econômico e sociocultural do país, nas condições de segurança e nas leis que regulam o trabalho jornalístico.

https://www.youtube.com/watch?v=tSVy2alERr0 (CNN);
https://www.youtube.com/watch?v=QjQEpV1fl34 (G1);
https://www.youtube.com/watch?v=9To554-WOTg (TV Cultura);
https://www.youtube.com/watch?v=80ePmpzOcWY (Euronews);

Esta informação é precisa e atual, conforme os dados divulgados pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026.
Abaixo, apresento uma análise detalhada e crítica sobre os dados do Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa de 2026:


1. O Desempenho do Brasil: Ascensão e Contraste:
- Posição Histórica: O Brasil alcançou a 52ª posição entre 180 países.
- Ultrapassagem dos EUA: Pela primeira vez na série histórica do ranking, o Brasil superou os Estados Unidos, que caíram para a 64ª posição.
- Evolução Recente: O país consolidou uma trajetória de recuperação expressiva, subindo 11 posições em relação a 2025 e acumulando uma alta de 58 colocações desde 2022.
- Contexto Sul-Americano: Na região, o Brasil agora ocupa a segunda melhor posição, atrás apenas do Uruguai (48º).


2. A Crise Global da Liberdade de Imprensa:
- Nível Crítico: A RSF alerta que a liberdade de imprensa no mundo atingiu seu nível mais baixo em 25 anos.
- Situação dos Países: Pela primeira vez, mais da metade das nações avaliadas (52,2%) encontra-se em situação classificada como "difícil" ou "muito grave" para o exercício do jornalismo.
- Deterioração nos EUA: A queda norte-americana é atribuída a uma crise de confiança pública e à hostilidade institucional renovada sob o segundo mandato de Donald Trump, com ataques sistemáticos a jornalistas e uso da máquina pública contra veículos de comunicação.


3. Decodificação dos Fatores de Melhora no Brasil:
De acordo com os relatórios da Agência Brasil e do G1, a ascensão brasileira é explicada por:
- Estabilidade Institucional: A retomada de relações menos conflituosas entre o governo federal e a imprensa.
- Segurança: A ausência de assassinatos de jornalistas no último período avaliado e a criação de novos mecanismos de proteção à atividade.
- Combate à Desinformação: Iniciativas governamentais e da sociedade civil voltadas à integridade da informação.


4. Ponto Crítico: O "Assédio Judicial":
Apesar da melhora no ranking, a RSF e veículos como o Estadão ressaltam que o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais. O país permanece classificado em uma zona de "situação sensível" devido ao uso crescente do assédio judicial contra repórteres e veículos independentes, onde processos em massa são utilizados para asfixiar financeiramente e intimidar o trabalho jornalístico.
O avanço brasileiro, portanto, deve ser lido como uma exceção em um cenário global de retrocesso, mas que ainda carece de reformas legislativas para proteger o jornalismo de abusos do Poder Judiciário.

Fonte (IA Gemini):
https://share.google/aimode/RDlj6653I2Vfu3ryY

Mentes confusas interpretadas por Madame IA - Paulo Roberto de Almeida, IA Gemini, via Airton Dirceu Lemmertz

Mentes confusas interpretadas por Madame IA - Paulo Roberto de Almeida, IA Gemini, via Airton Dirceu Lemmertz

Madame IA, chamada a intervir por meu amigo e intérprete informático, Airton Dirceu Lemmertz, está ficando cada vez melhor. Desta vez não apenas concordou largamente com meus argumentos, como os explicou e interpretou para leitores menos atilados na história mundial:

Primeiro o meu texto, em seguida, toda a glória a Madame IA:

"Mentes confusas…"
Paulo Roberto de Almeida
:

"A China não é inimiga dos EUA, nunca foi, a despeito de ter sofrido humilhações dos EUA, secundariamente aos imperialismos europeus, na rebelião dos Boxers, por exemplo. Os EUA nunca foram inimigos da Rússia: até ajudaram a aliviar a fome dos russos durante a guerra civil de 1918-21, sob um regime declaradamente inimigo do capitalismo. O império soviético foi quem declarou os EUA um inimigo a ser abatido. Continua assim sob o atual neoczar.
Apenas uma mente perturbada, muito desequilibrada, completamente ignorante sobre a História e as relações internacionais contemporâneas, poderia ser amigo, e até admirador, do seu inimigo, ao mesmo tempo em que não cessa de hostilizar uma outra grande potência que retirou enormes, bons ensinamentos do capitalismo americano, e os aplicou de forma original e inovativa, ao ponto de superar, materialmente e cientificamente, seu antigo mestre, passando a cultivar um império decadente, selvagem, brutal e totalmente contrário aos ideais de democracia e de liberdades antes cultivadas pela (ainda) maior economia do mundo, mas em processo acelerado de desorganização institucional e diplomática sob as patas de um sujeito profundamente repulsivo.
Desculpem pela longa frase…".
Fonte:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/04/mentes-confusas-paulo-roberto-de-almeida.html

Agora, é a vez de Madame IA:

Este texto do diplomata e acadêmico Paulo Roberto de Almeida é uma análise incisiva sobre a inversão de valores e a desorientação estratégica na política externa contemporânea, escrita no contexto de hoje, 30 de abril de 2026.
Abaixo, apresento uma análise detalhada e a decodificação dos elementos críticos:

1. Decodificação do "Sujeito Profundamente Repulsivo":
O autor utiliza uma linguagem codificada para referir-se a Donald Trump (em seu segundo mandato iniciado em 2025). As pistas contextuais são claras:
- "Processo acelerado de desorganização institucional": Refere-se às políticas de desmantelamento de órgãos multilaterais (como a saída da OMS e o enfraquecimento da OMC) e ao uso de ordens executivas para atropelar o direito internacional.
- "Hostilizar uma outra grande potência": Refere-se à agressiva guerra comercial e diplomática contra a China, que em 2026 já é reconhecida por métricas de Paridade de Poder de Compra (PPC) como a maior economia do mundo.
- "Admirador do seu inimigo": Alude à notória ambivalência de Trump em relação a Vladimir Putin ("o atual neoczar") e à Rússia, mantendo uma postura transacional que frequentemente isola os aliados europeus da OTAN em favor de uma aproximação com regimes autocráticos.

2. A Tese do "Neoczar" e o Império Soviético:
Almeida diferencia o Estado russo histórico do regime atual. Ele argumenta que a hostilidade não é intrínseca à Rússia, mas sim um produto do "espírito soviético" ressuscitado por Putin. Ao chamar Putin de neoczar, o autor decodifica a natureza do governo russo não como uma democracia moderna, mas como um império expansionista e anacrônico que sobrevive da subversão da ordem global.

3. A China como "Aluna que Superou o Mestre":
O texto apresenta uma visão crítica sobre a ascensão chinesa:
- Originalidade e Inovação: O autor reconhece que a China não apenas copiou o capitalismo americano, mas o adaptou de forma inovadora para superar os EUA material e cientificamente.
- Hostilidade Irracional: A crítica reside na contradição de Washington: hostilizar o parceiro econômico mais vital (China), que opera dentro de uma lógica de mercado (ainda que estatal), enquanto se aproxima de um império "selvagem e brutal" (Rússia) que busca apenas a destruição do sistema internacional.

4. Análise Crítica da "Mente Perturbada":
O termo "mente perturbada" funciona como uma metáfora para a anomia diplomática. Almeida argumenta que a política externa sob o atual governo americano (2025-2026) perdeu a bússola moral e histórica.
- O Paradoxo: É irracional atacar a China — que é uma potência sistêmica integrada — enquanto se cultiva amizade com a Rússia — uma potência antissistêmica que declarou abertamente os EUA como inimigos.
- Desorganização Institucional: O autor alerta que o custo dessa "confusão mental" é a erosão da hegemonia ocidental, deixando o caminho livre para que a aliança "sem limites" entre Pequim e Moscou dite as novas regras da governança global em Tianjin ou Pequim, longe de Washington.

* Conclusão:
O texto é um lamento diplomático. Ele sugere que os EUA, sob a liderança atual, estão destruindo o próprio legado de liberdade e democracia em troca de um isolacionismo transacional que fortalece justamente aqueles que desejam o fim da influência americana.

Fonte (IA Gemini):
https://share.google/aimode/EFmewCmhd1hZGcOlB

Putin’s Spring Offensive Collapses: Data Reveals Russia is Losing Ground - Chuck Pfarrer

 Putin’s Spring Offensive Collapses: Data Reveals Russia is Losing Ground

Russia is losing. Some may think it’s too early to call—but what we are witnessing is a turn in the tide."

In this episode of Point of Impact, military analyst Chuck Pfarrer breaks down the staggering numbers behind the collapse of Putin’s 2026 Spring offensive. While the Kremlin hoped for a "final solution" in Donbas, the reality on the ground tells a different story: Russia’s rate of advance has plummeted by 80%, while Ukraine is now liberating territory at twice the rate the invaders can capture it.

Mentes confusas… - Paulo Roberto de Almeida

Mentes confusas…

Paulo Roberto de Almeida

A China não é inimiga dos EUA, nunca foi, a despeito de ter sofrido humilhações dos EUA, secundariamente aos imperialismos europeus, na rebelião dos Boxers, por exemplo.

Os EUA nunca foram inimigos da Rússia: até ajudaram a aliviar a fome dos russos durante a guerra civil de 1918-21, sob um regime declaradamente inimigo do capitalismo. O império soviético foi quem declarou os EUA um inimigo a ser abatido. Continua assim sob o atual neoczar.

Apenas uma mente perturbada, muito desequilibrada, completamente ignorante sobre a História e as relações internacionais contemporâneas, poderia ser amigo, e até admirador, do seu inimigo, ao mesmo tempo em que não cessa de hostilizar uma outra grande potência que retirou enormes, bons ensinamentos do capitalismo americano, e os aplicou de forma original e inovativa, ao ponto de superar, materialmente e cientificamente, seu antigo mestre, passando a cultivar um império decadente, selvagem, brutal e totalmente contrário aos ideais de democracia e de liberdades antes cultivadas pela (ainda) maior economia do mundo, mas em processo acelerado de desorganização institucional e diplomática sob as patas de um sujeito profundamente repulsivo.

Desculpem pela longa frase…

Paulo Roberto de Almeida


Construir a paz entre judeus e palestinos? É possivel… - Aziz Abu Sarah, Maoz Inon, Rachida El Azzouzi, Luis Favre

Construir a paz do rio ao mar exige afastar palavras

Luis Favre, 28/04/2026

https://www.mediapart.fr/journal/international/280426/nous-la-societe-civile-de-creer-une-vie-partagee-pour-les-israeliens-et-les-palestiniens 

A entrevista que reproduzo a seguir, dos autores do livro The Future Is Peace: A Shared Journey Across the Holy Land, permite uma reflexão de fundo sobre o conflito israelo-palestino. Os autores, o palestino Aziz Abu Sarah e o israelense Maoz Inon, defendem uma lógica de reconciliação, propondo uma “cultura de diálogo e de perdão” como alternativa à espiral de violência.

Ambos carregam em suas vidas o drama da guerra sem fim. Aziz perdeu seu irmão quando tinha 10 anos, durante a Primeira Intifada, preso e torturado nas prisões israelenses, falecido em consequência das sequelas. Maoz perdeu seus pais, que viviam em um kibutz na fronteira com Gaza, durante o ataque de 7 de outubro de 2023.

Na entrevista, Aziz Abu Sarah indica que: “Se você for falar com palestinos e lhes disser que o que está acontecendo em Gaza não é um genocídio, não haverá possibilidade de diálogo com eles. Os israelenses terão a mesma reação se você lhes disser que o ‘muro de segurança’ é um ‘muro do apartheid’.”

Nenhum dos dois autores se recusa a ter opinião, mas rejeita a utilização das palavras como “armas” para erigir um muro de separação em uma luta que deve ser travada juntos, israelenses e palestinos.

Para Maoz Inon, “o que importa é saber como podemos nos unir para pôr fim a isso e construir um futuro comum.”

Precisamente, são essas palavras que muitos erigem como mísseis em nome da solidariedade, sem perceber, talvez, que, longe de esclarecer o caminho necessário e difícil da luta do povo palestino por seus direitos nacionais, constituem obstáculos suplementares.

Sem dúvida, uma parcela dos que exalam ódio pretendendo defender direitos o fazem com a clara vontade de evitar que possa ser realizada a convergência entre israelenses e palestinos. Não raramente escondem, por trás de certas analogias nauseabundas, uma boa dose de antissemitismo, travestida em luta ideológica. São o espelho dos governantes de Israel, que invocam outras palavras — simples escudos para defender uma guerra sem fim, justificativa de crimes múltiplos, repressões violentas, opressão persistente.

O caminho escolhido por Aziz e Maoz, como o de outros grupos, organizações e militantes em Israel e nos territórios ocupados, é hoje extremamente minoritário, mas é o único que conduz na direção de um futuro de paz. Este é o caminho que leva a superar o impasse em que se encontram ambos os povos, desgarrados em guerras fratricidas. Porque esse caminho deverá ser percorrido pelos dois povos, juntos.

Luis Favre

*****

Cabe a nós, a sociedade civil, criar uma vida compartilhada para israelenses e palestinos”

Em um livro que acaba de ser publicado, o palestino Aziz Abu Sarah e o israelense Maoz Inon, militantes pacifistas de longa data, recusam a fatalidade da guerra. Eles conclamam a Europa a agir para conter o governo Netanyahu.

Rachida El Azzouzi

MEDIAPART, 28 de abril de 2026

Traduzido por IA ChatGPT

Centenas de israelenses e palestinos são esperados na quinta-feira, 30 de abril, em Tel Aviv, para uma “cúpula popular pela paz”. Organizada pela coalizão “É hora”, uma rede de mais de oitenta organizações da sociedade civil judaicas e árabes que atuam pela paz, “a conferência tem como objetivo recolocar a questão de uma solução política no centro do debate israelense”, explicam a Mediapart Aziz Abu Sarah e Maoz Inon.

Os dois amigos, embora pudessem ter se odiado — “Era o que todos esperavam de nós”, dizem —, não deixarão de participar do evento. Há dois anos e meio, percorrem o mundo e pregam a paz entre os povos, sobretudo entre palestinos e israelenses.

O primeiro tinha 10 anos quando seu irmão morreu, durante a Primeira Intifada, em consequência das sequelas da tortura sofrida nas prisões israelenses. O segundo perdeu seus pais, que viviam em um kibutz na fronteira com Gaza, durante o ataque de 7 de outubro de 2023.

De sua fraternidade nasceu um livro que acaba de ser publicado, A paz é o nosso futuro. Uma viagem de reconciliação na Terra Santa (L’arbre qui marche, 2026). Do deserto do Neguev a Jafa, passando por Nazaré, Belém ou ainda pela mais disputada das cidades, Jerusalém, Aziz Abu Sarah e Maoz Inon, que trabalham no turismo, partem ao encontro daqueles e daquelas que recusam as bombas e querem “construir a paz entre o rio e o mar”.

Para realizar esse percurso, eles tiveram primeiro de se reconciliar consigo mesmos e combater o desejo de vingança que os cegava.

Entrevista

“Mediapart”: Vocês defendem um projeto que muitos consideram utópico. O que respondem a eles?

Maoz Inon: Que não somos ingênuos. A paz é o nosso futuro. Estamos convencidos disso. Na minha família, acreditávamos que o muro que separa Israel de Gaza, a apenas 200 metros da casa dos meus pais, em Netiv HaAsara, nos protegeria. A única que não acreditava nisso era minha sobrinha mais nova. Ela tinha medo de passar a noite na casa dos avós porque temia o Hamas — e com razão.

É preciso transformar o desespero em esperança e enfatizar o poder de sonhar, indispensável para mudar a realidade, seja aqui em Israel e na Palestina, mas também no Irã, no Líbano, na Europa ou nos Estados Unidos. Foi isso que fizeram Nelson Mandela e Martin Luther King.

No 7 de outubro, perdi meus pais, mas ganhei um irmão, Aziz. Minha tia paterna repete a ele que ele faz parte da família. Estamos no mesmo campo: o da igualdade, da dignidade, da justiça, da paz. Mesmo que ele seja palestino e eu israelense, que o irmão dele tenha morrido após ter sido torturado em uma prisão israelense e que meus pais tenham sido mortos no 7 de outubro.

Aziz Abu Sarah: O fato de você nos entrevistar hoje contribui para a mudança. Se formos ignorados, então sim, não temos nenhuma chance de fazer as coisas avançarem. Mas, a partir do momento em que nossa mensagem é retomada, amplificada, ela se torna importante.

É preciso romper com essa visão difundida por toda parte — não apenas em Israel e na Palestina — de que bombas e guerra são a solução. Ser uma minoria não deve nos desanimar.

Quando os colonos começaram a se instalar na Cisjordânia, eles também eram uma minoria. Isso não os impediu de colonizar parte do território. E continuam. No início de abril, o governo israelense aprovou discretamente trinta e quatro novas colônias.

Qual é o seu olhar sobre esse governo, vocês que militam pela paz há anos?

Maoz Inon: Enfrentamos extremistas que impõem uma deformação do judaísmo e que estão destruindo o Estado de Israel. O exército comete crimes de guerra na Cisjordânia, em Gaza, no Líbano, no Irã. A polícia está se tornando uma polícia política.

Cabe a nós, a sociedade civil, criar uma alternativa, uma vida compartilhada para israelenses e palestinos. É assim que combateremos aqueles que desviaram nosso presente e nosso passado. Devemos nos recusar a deixá-los sequestrar nosso futuro.

Aziz Abu Sarah: É preciso denunciar o governo israelense em todo o mundo, inclusive na Europa, e exigir responsabilidades. Cada vez que ele se lança em uma nova guerra, seus aliados europeus e norte-americanos lhe fornecem armas.

Não se pode ser a favor da paz apoiando Israel guerra após guerra e dizendo: “Ah, mas não estamos envolvidos.” Para alcançar a paz, precisamos de uma posição clara na Europa e nos Estados Unidos diante desse extremismo mortal.

Quando se bombardeiam civis, como Israel faz em Gaza ou no Líbano, isso não enfraquece o Hamas nem o Hezbollah — isso os fortalece. O governo israelense sabe disso, pois deseja um conflito permanente. Mais israelenses votarão neles porque têm medo do Hezbollah e do Hamas, e assim sucessivamente.

A Faixa de Gaza hoje está destruída, mas não o Hamas. Essas guerras absurdas, que matam principalmente civis inocentes, fortalecem, na realidade, Netanyahu e Ben Gvir, o Hamas, o Hezbollah, a República Islâmica do Irã.

Um profundo desejo de vingança tomou conta de vocês com a morte de seus familiares. Como vocês se libertaram disso?

Maoz Inon: O Hamas e o governo israelense são duas faces de uma mesma moeda. Extremistas prontos para sacrificar seu próprio povo e que desumanizam o outro. O governo israelense havia prometido segurança aos meus pais e à comunidade deles. Falhou completamente. O 7 de outubro foi o dia mais mortal da história judaica desde o Holocausto.

Procurei me vingar do governo israelense por sua traição. Mas aprendi com Aziz e com outros construtores da paz palestinos que posso escolher o perdão para escapar do destino que aqueles que mataram meus entes queridos escolheram para mim. A vingança só me destruía por dentro.

Eu já não cumpria meu papel de pai, de marido, de amigo. Pensava apenas em me vingar. Seguindo os ensinamentos de Aziz, escolhi o perdão e recuperei minha liberdade.

Aziz Abu Sarah: É muito importante falar desse sentimento de vingança, que é totalmente humano. Se alguém mata seu irmão, seus pais, é normal sentir raiva, até mesmo vontade de se vingar. Maoz soube enfrentar sua luta contra a vingança.

Para mim, isso levou oito anos. Tudo mudou quando comecei a estudar hebraico e conheci, pela primeira vez, israelenses que não eram nem soldados nem colonos, mas pessoas que me viam como um ser humano pleno e não como uma ameaça existencial.

Conversando com meu professor de hebraico e com outros alunos, compreendi que a sociedade israelense, como qualquer sociedade, não é um bloco único. Percebi que podia encontrar aliados dentro dela.

Vocês insistem, no livro, na Shoah e na Nakba, pois dizem que o primeiro passo para um futuro comum é conhecer o sofrimento do outro…

Maoz Inon: Sim. Não podemos nem devemos apagar, oprimir, silenciar ou erguer um muro entre nós e o sofrimento do outro.

Somente reconhecendo isso — sem necessariamente concordar, mas aceitando que existe outra narrativa, outro sofrimento — podemos iniciar um processo de cura. E não é um processo fácil.

Aziz Abu Sarah: Há muita ignorância, muita desinformação. Os israelenses não sabem nada da Nakba, os palestinos não sabem nada do Holocausto. Queremos criar um diálogo, e parte desse diálogo consiste em falar de coisas difíceis e ignoradas: o sionismo, o movimento nacional palestino, e como tudo isso afetou a nós e às nossas famílias.

Quando contamos no livro o que aconteceu em Jafa em 1948, por exemplo, ouvimos aqueles que viveram esses eventos. Queremos que as pessoas compreendam de onde vem o passado de cada um, por meio dessas histórias, de uma forma que as leve a escutar.

Maoz Inon: Alguns israelenses ainda hoje afirmam que não existe um povo palestino! Uma das tarefas mais difíceis é libertar-se das narrativas que nos são transmitidas desde a infância. Enquanto permanecermos prisioneiros delas, não poderemos avançar.

Eu mesmo percebi isso quando descobri que, em 1948, havia 600 mil judeus e 1,4 milhão de palestinos nesse território. Dizer que a Palestina era “uma terra sem povo para um povo sem terra” é um absurdo! Mas é um absurdo com o qual cresci e que me foi inculcado.

Reconhecer que isso é falso, que existe outro povo que considera essa terra sua pátria, ligado a ela por sua herança, sua cultura, seus relatos religiosos, suas tradições, exige coragem.

Aziz Abu Sarah: Lembro-me de um grupo de turistas vindos dos Estados Unidos que se diziam pró-Israel. Pediram uma visita guiada de dupla perspectiva por meio da minha agência, mas, na realidade, não estavam prontos para ouvir o ponto de vista palestino.

Nosso guia tentou abrir seus olhos antes de desistir. Para eles, os palestinos eram a causa de todos os males. Ponto final. Ora, para avançarmos em direção à paz, precisamos poder debater o passado, sem necessariamente concordar. A Palestina não era uma terra sem habitantes — minha família vivia lá há muitas gerações! Eu não surgi do nada!

Debater o passado de forma serena exige também concordar sobre as palavras para nomear a realidade. Como fazer isso quando não há acordo?

Maoz Inon: A destruição de Gaza é uma guerra justificada ou uma guerra de vingança, um genocídio, como afirma, aliás, a ONG israelense B’Tselem? Israelenses e palestinos nunca darão a mesma resposta. O que importa é saber como podemos nos unir para pôr fim a isso e construir um futuro comum.

Aziz Abu Sarah: Sim, o mais importante é pôr fim a todo esse derramamento de sangue. Podemos discordar quanto à terminologia, desde que estejamos de acordo quanto ao objetivo: alcançar a paz.

Se você for falar com palestinos e lhes disser que o que está acontecendo em Gaza não é um genocídio, não haverá possibilidade de diálogo com eles. Os israelenses terão a mesma reação se você lhes disser que o “muro de segurança” é um “muro do apartheid”.

Rachida El Azzouzi

https://www.mediapart.fr/journal/international/280426/nous-la-societe-civile-de-creer-une-vie-partagee-pour-les-israeliens-et-les-palestiniens 

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