sábado, 21 de agosto de 2010

Poetas e diplomatas... (tudo a ver?)

Não, não vou falar da "promoção" de Vinicius de Moraes a "embaixador", embora ele seja citado nesta bela poesia que transcrevo abaixo.
Alertado por meu colega blogueiro e diplomata -- acho que na ordem inversa -- Francisco Seixas da Costa, que sempre traz coisas muito boas no seu "Duas ou Três Coisas...", descobri, em um seu post sobre Diplomacia e Poesia, essa junção de duas coisas que sempre caminharam juntas: a diplomacia e a poesia, tanto porque os diplomatas são algo como os poetas da Realpolitik, ou os realistas da Idealpolitik, quanto porque eles não se cansam de encontrar palavras bonitas para feias realidades...
Enfim, sou de opinião que, independentemente de suas qualidades enquanto grande poeta, grande letrista, incomparável bebum, Vinicius nunca poderia ter sido promovido a embaixador, razão pela qual coloquei essas expressões entre aspas, no começo deste post. Tratou-se de uma promoção política, administrativa e técnicamente irregular, que poderia ser desmantelada por qualquer órgão de controle da legalidade dos atos (mas que, no Brasil atual, se preocupa com a legalidade dos atos do governo?), feita mais para dar uma gorda pensão -- e provavelmente uma grande "indenização" retroativa -- a suas duas filhas, do que para reparar uma grande injustiça.
Mas deixemos essa questão de lado para apreciar esta crítica dos costumes poético-diplomáticos em forma de poesia, justamente, embora vagamente depreciativa, talvez comme il faut...
Paulo Roberto de Almeida

Divertimento
Blog Tim Tim no Tibete
Thursday, August 19, 2010

Um diplomata só já é risível;
poeta e diplomata, isso é demais!

Fica bem nas fronteiras do incrível:
Vinícius e Cabral não quero mais!

Foi você que pediu Octavio Paz?
Não sei o que ele fez nem o que faz.

Poetas são patetas com plumas
e diplomatas são coisas nenhumas.

Claudel que vá rezar avé marias
e o Perse consertar as avarias

que fez à Resistência no exílio.
Não pensem que esquecemos o Abílio

Guerra Junqueiro, toda uma ameaça:
o Rei a cair morto numa praça!

Poetas diplomatas, vão pastar!
Poetas presidentes?! Nem pensar...

E não julguem que sou qualquer reaça!
Eu sou da nobre estirpe de um talassa...

Posted by Alcipe at 9:06 AM

Nunca antes naquele pais, a censura foi tao escabrosa...

...ou talvez sim: na época do ditador Perez Jimenez, como lembra o Estadão nesta matéria que também já foi objeto de um post neste blog, poucos dias atrás. O foco: a censura exercida por um juiz a serviço do caudilho sobre os jornais, que estão apenas estampando a realidade.
Em todas as ditaduras, é proibido refletir a realidade.
Todos tem de viver a ilusão pautada pela propaganda oficial.
Mais um pouco essa tendência vai se espalhar pelo continente. Na Bolívia, no Equador, na Argentina já se constata a disseminação desse virus.
Tem gente que gosta...
Paulo Roberto de Almeida

O arrocho de Chávez
Editorial - O Estado de S.Paulo
21 de agosto de 2010

A publicação, pelo jornal El Nacional de Caracas, de uma foto de 12 cadáveres empilhados no necrotério da capital - para denunciar a omissão do governo de Hugo Chávez diante da escalada da violência criminal na Venezuela - resultou esta semana na imposição explícita da censura a toda a imprensa do país, depois limitada a dois jornais de Caracas. É o mais grave ato repressivo do gênero desde os tempos do ditador Marcos Pérez Jiménez, nos anos 1950. Com uma peculiaridade: a mordaça valerá de início por um mês. Isso porque haverá eleições parlamentares na Venezuela em 26 de setembro, e a questão da segurança aflige como nenhuma outra o eleitorado da nação vizinha.

Não é para menos. Sob Chávez, a criminalidade alcançou níveis atualmente sem paralelo na América do Sul. Embora o governo tenha cessado de divulgar estatísticas sobre o assunto - na fútil tentativa de ocultar da população o que ela sabe por experiência própria na sua vida cotidiana -, cálculos extraoficiais revelam que em 2009 o número de homicídios no país superou 16 mil, com 50 mil feridos. Em julho último, 465 pessoas (ou 15 a cada dia) foram assassinadas, apenas em Caracas. Estima-se que o arsenal em poder da bandidagem soma 6 milhões de armas. Na Venezuela, o crime compensa: 91% dos atos de violência armada permanecem impunes.

Na República Bolivariana, o regime controla de tal modo o Judiciário que pode contar com a instituição para dar um verniz de legitimidade aos seus movimentos liberticidas. Assim foi no caso do oposicionista El Nacional. (Ou no caso do Tal Cual, outro jornal que se opõe ao caudilho, que reproduziu a foto do necrotério repleto.) Tão logo Chávez investiu contra o matutino, acusando-o de ter divulgado uma imagem "pornográfica", numa "manipulação politiqueira do tema da violência", o Tribunal para a Proteção da Criança e do Adolescente vedou a publicação de textos e fotos relativos, entre outras coisas, a "incidentes sangrentos e grotescos, armas, mensagens de terror, atos de agressão física e batalhas".

A reação do El Nacional foi vigorosa. Sob a manchete Proíbem publicar imagens e notícias sobre a violência, o diário carimbou a palavra "censurado" nos espaços em branco reservados para duas fotos. Uma legenda resumia a tragédia venezuelana: Se aqui houvesse uma foto, vocês veriam um pai chorando por um filho que morreu. O proprietário e editor-chefe do jornal considerou a censura uma arbitrariedade que viola a Constituição. "Foi uma decisão política", disse ainda, aludindo à campanha eleitoral em curso no país e ao problema que mais afeta a popularidade de Chávez. "A decisão judicial peca por amplitude e imprecisão", comentou a organização de defesa da imprensa Repórteres sem Fronteiras.

As incursões do autocrata contra a liberdade de informar nada têm de novo. Em 2007, o governo se recusou a renovar a concessão da rede RCTV, que acabou fechada. Tiveram o mesmo destino 40 emissoras de rádio. O caso talvez mais escabroso é a perseguição movida à TV Globovisión, cujo dono, Guillermo Zuloaga, fugiu do país depois de ter sido preso em março. Chávez anunciou que pretende adquirir o controle acionário da emissora. "Mas nunca vimos uma atitude como esta", ressalta o professor Marcelino Bisbal, da Universidade Católica Andrés Bello, de Caracas. Provavelmente porque parece haver um elo entre a indiferença do governo à violência urbana e os subterrâneos do poder chavista.

Há pouco, a CNN levou ao ar o documentário espanhol Los Guardianes de Chávez sobre os grupos paramilitares como Los Colectivos, La Piedrita e Los Carapaicas, que formam uma espécie de força pretoriana do caudilho que intimida, quando não aterroriza, a oposição ao chefe. Um número indeterminado, porém não desprezível, de seus integrantes mantém relações com organizações criminosas ou fazem parte eles mesmos das quadrilhas. Outra tropa de choque são as milícias camponesas apoiadas e armadas pelo autocrata. Como era de prever, ele atribuiu as denúncias a uma tentativa golpista. "Este tema da violência, do crime", investiu, "converteu-se num fator antirrevolucionário de peso." Na realidade, é um pretexto para o arrocho. Mais um.

Nunca antes "nestepaiz", a Petrobras foi tao manipulada (erraticamente)

Parece incrivel a capacidade de certos aprendizes de feiticeiro de atrapalhar negócios que deveriam ser conduzidos como... negócios.
Uma empresa que deve cumprir objetivos políticos, para um governo errático, deixa de ser uma empresa, para ser um braço de aventuras ideológicas para neófitos e ideólogos equivocados.
Poucos dias atrás já postei aqui uma matéria sobre os sonhadores da ANP, que pretendem estipular preços políticos, a partir de um achismo verdadeiramente irresponsável.
Paulo Roberto de Almeida

A imagem da Petrobrás
Editorial - O Estado de S.Paulo
21 de agosto de 2010

Nenhum crítico ou inimigo da Petrobrás conseguiu, em mais de meio século, prejudicar tanto a imagem da empresa quanto o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com suas trapalhadas em torno da exploração do pré-sal. Em busca de recursos para o mais ambicioso de seus projetos, a maior estatal brasileira perde espaço no mercado de capitais, em vez de mobilizar investidores para um empreendimento de proporções extraordinárias. Cerca de um quarto do valor de suas ações se evaporou desde o começo do ano. A perda chega a 30%, aproximadamente, se for contada a partir do último pico, em 1.º de dezembro do ano passado. O Fundo Soros, seu maior acionista privado até há pouco tempo, vendeu todos os papéis da estatal. Já não tinha nenhum em 30 de junho, segundo informou nesta semana à Security Exchange Comission, reguladora do mercado de ações dos Estados Unidos. A explicação da venda é óbvia: quem pode estar seguro, diante da imensa confusão criada pelas autoridades brasileiras em torno da capitalização da empresa? O megainvestidor George Soros não está sozinho. Na semana passada, o Banco UBS recomendou a seus clientes a venda de papéis da Petrobrás.

A União, controladora da empresa, deve participar de sua capitalização fornecendo-lhe 5 bilhões de barris de petróleo do pré-sal, um ativo ainda escondido no Atlântico, a milhares de metros de profundidade. Esse foi o caminho definido há meses pelo governo, mas ainda não há acordo sobre o preço de cada barril. Avaliações encomendadas pela Petrobrás e pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicaram valores muito diferentes - entre US$ 5 e US$ 6, num caso, e entre US$ 10 e US$ 12, no outro. Se prevalecer um preço considerado alto pelo mercado, os acionistas particulares poderão ser desestimulados, porque será difícil manter sua participação no capital ou, pelo menos, evitar uma redução muito grande.

Mais que um impasse entre a empresa e a ANP, a disputa sobre o valor daqueles barris é um fator de insegurança para os investidores. Além de tornar o quadro muito confuso, o desentendimento reforça o temor do viés político nas decisões sobre o pré-sal e sobre o papel da Petrobrás. Esse viés tem sido perceptível desde o início das discussões, em Brasília, sobre a exploração dos enormes depósitos de petróleo e gás descobertos em águas brasileiras.

Uma assembleia de acionistas aprovou a emissão de papéis para captação de até US$ 150 bilhões. A operação foi adiada de julho para setembro e já há dúvidas sobre o cumprimento do novo prazo. O presidente Lula, segundo fontes próximas da Presidência da República, poderá optar pelo adiamento de qualquer decisão, para evitar um debate complicado às vésperas das eleições. Ele teme, segundo as fontes, criar problemas para a candidata Dilma Rousseff. Esse risco seria menor, se o governo houvesse tratado a questão do pré-sal com mais objetividade e menos ideologia.

A questão ideológica jogou para segundo plano a questão essencial: a exploração eficiente, segura e lucrativa da riqueza do pré-sal. Ao ressuscitar bandeiras dos anos 50, o governo simplesmente desviou o foco do planejamento e dificultou a mobilização de capitais.

Mas a confusão de objetivos se tornou mais perigosa quando o governo resolveu converter a Petrobrás num instrumento de política industrial. Ao forçar a nacionalização de uma porcentagem dos bens e equipamentos destinados à pesquisa e produção no pré-sal, Brasília acrescentou um peso econômico e um problema tecnológico a um empreendimento já muito caro e complicado. A Petrobrás até defendeu essa política, mas em pouco tempo anunciou a impossibilidade de cumpri-la integralmente.

O governo e a ANP insistem, no entanto, em misturar o projeto do pré-sal com sua nova e improvisada política industrial. A participação dos produtos nacionais poderá ser mais modesta na fase de exploração, mas não na etapa de produção. A meta de conteúdo local deverá constar, informa-se em Brasília, do contrato de capitalização. Essa mistura seria mais uma prova de incompetência gerencial e de absoluta desorientação na fixação de objetivos estratégicos.

G20 na Coreia do Sul: uma agenda cheia de deja-vus e platitudes

O site Korea.net acaba de publicar os grandes temas para a agenda do encontro de cúpula do G20 a ser realizado na Coréia do Sul.
Acho que tem para todos os gostos, dentro do politicamente correto. A destacar o penúltimo item, abordando energia e anti-corrupção. Não sei se é intencional, ou seja, buscar uma corrupção mais energética, ou colocar mais energia na luta contra a corrupção. Vai lá saber...
Em todo caso, já sabemos o que esperar: aquelas declarações mornas, cheias de boas intenções, para que cada país continue a fazer exatamente o que estava fazendo antes...
Paulo Roberto de Almeida

Key phrases for the G20 Summit revealed
Korea.net, Aug. 17, 2010

The key phrases for the G20 Financial Summit meeting have been disclosed. The Presidential Committee for the G20 Seoul Summit explained that the new phrase “Shared Growth Beyond Crisis” reflects the main theme of the G20 Summit, which aims to establish a framework for strong, sustainable balanced growth worldwide.

The agenda for the G20 Summit was classified into eight categories: ▲ global economy ▲cooperative framework for balanced growth ▲reform of the international financial regulatory system ▲modernization of international financial institutions and the global financial safety net ▲development ▲trade and investment ▲energy and anti-corruption ▲ business summit.

The government has already held a high level working group meeting in Seoul on July 19 and 20, followed by the Sherpa meeting from July 20 to22. The high-level meeting, attended by some 100 representatives from member nations and global institutions, discussed specifying the existing agendas and decided on the future directions for talks.

The Sherpa meeting, which is a closed-door event, was attended by another 100 deputy representatives and aides from member nations and relevant institutions to review the general direction for the G20 agenda. The name of the meeting is derived from the Sherpas of the Himalayas, guides and porters for those who seek to scale the mountains.

The Presidential Committee will continue to hold preparatory meetings related to finance, budget, energy, and development, and seek the advice of other countries to coordinate before the official meeting.

By Kim Hee-sung
Korea.net Staff Writer

A cultura das "facilidades" academicas: uma praga universal

Volta e meio eu recebo uma oferta de algum serviço qualquer para me "ajudar" a escrever minha monografia de graduação, ou talvez até a dissertação de mestrado. Também são proverbiais esses pequenos anúncios em murais de faculdades no Brasil que prometem salvar alguns alunos do desespero da redação da monografia final.
Já condenei um aluno por cópia "criativa" de materiais da internet em trabalho de mestrado, e não costumo hesitar em casos de plagiarismo deliberado: reprovação e exclusão, o que é o mínimo que um copiador contumaz merece como punição.
Mas esse tipo de serviço de redação não é exclusivo do Brasil, ou dos países com regras "flexíveis", digamos assim, de propriedade intelectual e de "produtividade" universitária.
Os Estados Unidos estão bem à frente do Brasil na promoção de serviços desse tipo, como constatei ao cair, por acaso, neste site.
Não pretendo fazer publicidade, mas me pareceu bem organizado e bastante profissional; ou seja: o candidato a ter seu trabalho redigido sem esforço pode recorrer a esse tipo de serviço sem temor de violação do direito autoral de algum autor, segundo se anuncia.
Provavelmente são estudantes universitários de final de curso, ou de pós-graduação que encontraram uma maneira intelectual de ganhar um dinheiro extra, escrevendo ensaios originais sob encomenda.
No serviço público, especialmente na diplomacia, é o que mais ocorre, aliás: todo embaixador, barão da diplomacia, possui seu exército de ghost-writers, ou de nègres, como dizem os franceses, para redigir discursos, artigos de imprensa, por vezes até livros.
Em minhas encarnações prévias como secretário, talvez até como conselheiro de carreira, já fiz muito texto para outros colegas graduados, tudo devidamente registrado (mas nåo divulgado). Era, digamos assim, uma obrigação, tanto que um dos motes do Itamaraty nesse setor de serviços especializados reza mais ou menos assim: "você só assina artigos quando não mais os escreve".
Creio que é uma prática mais comum do que aparente, e os praticantes geralmente usam aquela linguagem melosa, o diplomatês, que diz muito e não explica absolutamente nada: cooperação ampliada, aumento das relações bilaterais, amizade entre nossos dois povos, sólida história de interesses partilhados, progresso conjunto, coordenação em foros multilaterais, construção de novas vias para o desenvolvimento recíproco, garantias de paz e de estabilidade, defesa do regime democrático, respeito aos direitos humanos, promoção de laços culturais, reforço das instituições multilaterais, construção de um mundo de prosperidade, enfim, o bullshit habitual nesse tipo de "negócio".
Confesso que nunca fui capaz de escrever nessa linguagem empolada e jamais me pediram para "enriquecer" o texto com aqueles adjetivos supérfluos, tanto porque eu não o faria, assim como seria incapaz de mentir descaradamente a respeito de algum ditador, por exemplo. Quando me pediram para escrever algo de que eu discordava, por razões de princípio, simplesmente nunca o fiz, e nunca me arrependi de ter recusado.
Um dia vou fazer a minha listagem em claro de "trabalhos para terceiros", mas vou esperar os clientes sairem de cena, pelo menos.
É o que se pode chamar de trabalho não remunerado, inevitável em certas circunstâncias...
Paulo Roberto de Almeida
(Zhengzhou, 21 de agosto de 2010)

Brazil on the Rise - Larry Rohter

Brazil: The view from Rio
The Economist, August 18, 2010

Brazil on the Rise: The Story of a Country Transformed
By Larry Rohter
Palgrave Macmillan; 304 pages; $27 and £18.99.

Political strategists sometimes say that voters can hold only three things in their minds about a candidate. So candidates spend quite a bit of time determining what those three will be; once they have become known as a technophobe, an arugula muncher or a flip-flopper, the perception is hard to shift. The same might be true of countries. For Brazil, the three are forests, sex and football.

That the world's fifth-largest country (by population) and eighth-largest economy (in real terms) is often perceived by foreigners as a giant Club Med resort is partly thanks to foreign correspondents reporting on Brazil, who often feel they have to start with what readers back home know about the place and go from there. Larry Rohter, the New York Times correspondent from 1999 to 2007, used to be an exponent of this approach. The only trouble with it is that it explains only part of the country, part of the time.

"Brazil on the Rise" is an attempt to go deeper, putting the country as it is now in the context of Brazil's recent history, with anecdotes from Mr Rohter's notebooks sprinkled on top. These are the best thing in the book. "I have found soccer fields even in the poorest and most remote places, including tribal reservations in the Xingu where Indians wear nothing but a penis sheath and a T-shirt with the colours of a popular team, such as Flamengo or Palmeiras," writes Mr Rohter. This is worth far more than the surrounding passages of cod sociology on why football is like sex.

The book begins by posing three questions about Brazil that interest both foreigners and Brazilians. Why is the place so tolerant? Why is there so much inequality? And is there racism in Brazil?

To answer the first two it is necessary to peel away layers accumulated over 510 years since a band of Portuguese explorers landed in what is now Bahia state. But "Brazil on the Rise" is not a history book. Mr Rohter does, however, make a determined attempt to answer the third, arguing that Brazil has the same sort of racism that America suffered from. People who say otherwise, he suggests, are making the problem worse by burying it.

In support of his view, he cites the horrible case of Luciano Ribeiro, a cyclist who was run over and killed by a white driver in 1996. The motorist later told witnesses that he had run over "a black guy on a stolen bicycle". This might be evidence of racism, or it might be evidence of a sneering attitude made more common by extreme income inequality. Without recourse to some data it is hard to know. Some Brazilian employers may discriminate against people with darker skin. But the kind of hard racism that blighted America is foreign to Brazil.

Mr Rohter's other judgments on the causes of Brazil's current good fortune are hard to argue with. He rightly castigates President Luiz Inácio Lula da Silva for the shortcomings of his foreign policy (which include a bizarre wish to acquire a nuclear-powered submarine to defend the country's oil rigs), while praising him for keeping in place the reforms of his predecessor, Fernando Henrique Cardoso.

One topic where Mr Rohter leaves the consensus behind (and rightly so) is in his assessment of Fernando Collor, president from 1990 until he was impeached in 1992. Mr Collor tends to be remembered for his good looks, loopy economic policies and the giant scams run by his bagman, Paulo César Farias, that brought him down. Yet in his brief time in office Mr Collor began the opening up of Brazil's economy, ran an enlightened environmental policy and thwarted the army's plans to develop a nuclear weapon.

For some time there has been a gap in the market for a good English book on Brazil. "Brazil on the Rise" tells the reader a lot while managing to reinforce many clichés. The author is great on popular culture and beaches, less inspired on the nuts and bolts of economics and politics. The best bits are where he dusts off his old notebooks and finds stories that bring Brazil alive. But his book does not quite plug that gap.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Nas origens do Estado de Israel: a declaracao Balfour

‘View With Favor’
By TOM SEGEV
The New York Times Book Review, August 20, 2010

THE BALFOUR DECLARATION
The Origins of the Arab-Israeli Conflict

By Jonathan Schneer
Illustrated. 432 pp. Random House. $30

Sotheby’s, via Associated Press
The only known surviving handwritten draft of the Balfour declaration.

On November 2, 1917, the British government expressed its sympathy with Jewish Zionist aspirations and announced that it would use its “best endeavors” to facilitate “the establishment in Palestine of a national home for the Jewish people.” The announcement came in a letter from Foreign Secretary Arthur James Balfour to Lord Rothschild, the unofficial leader of the British Jewish community. The Balfour declaration became the diplomatic foundation stone of the state of Israel; it is considered the original sin by Israel’s opponents.

In this comprehensive study, richly documented by diplomatic correspondence, Jonathan Schneer concludes that the famous declaration seems to have just missed the sidetrack of history: in contrast to a common myth, Britain’s support for Zionism was not the result of an inevitable process. In fact, as Schneer reveals, shortly after Balfour’s promise to the Jews, the British government offered the Ottoman Empire the opportunity to keep Palestine and to continue to fly the Turkish flag over it.

Schneer, a professor at Georgia Tech’s School of History, Technology and Society, is a talented writer. Describing the British Empire’s haughtiness, he takes his readers inside the Foreign Office in Whitehall, walks them along the marble floors and among the columns, pointing out the “grand red-carpeted staircase outlined by polished gleaming banisters, arched windows, glowing chandeliers and elaborately patterned ceilings and walls.” Schneer says about the men who worked there that “when it came to measuring themselves against visitors, no matter how distinguished and no matter where from, they suffered few insecurities.”

Chaim Weizmann, the leading spokesman for Zionism in Britain, must have felt ill at ease when he entered those awesome corridors of power. A Russian-born chemist, he began to solicit support among the British soon after he settled in Manchester in 1904. He could hardly speak English in those days: his first contacts with British officials were conducted in French. But if he was taken aback by the snobbery and coolness that awaited him at Whitehall, he made sure to conceal his uneasiness, acting as if he commanded an almost omnipotent power: world Jewry. The British believed he did.

Obviously there was no “Jewish power” controlling world affairs, but Weizmann successfully pretended that the Jews were in fact turning the wheels of history. For once, the anti-Semitic image of the Jews proved useful — they were believed to be so maliciously dangerous that one would do best to acquire them as allies rather than as enemies.

Beginning in 1916, the British hoped that in exchange for their support of Zionism “the Jews” would help to finance the growing expenses of the Great War, which at that time was not going very well for Britain. More important, policy makers in the Foreign Office believed that Jews could persuade the United States to join the war. In this sense, as Schneer points out, the decision to issue the Balfour declaration “was based upon a misconception.”

But fear of the Jews was only one part of the story. The other part, which Schneer neglects to explore, was the genuine admiration many of Britain’s leaders, including Prime Minister David Lloyd George and Balfour himself, felt for the Jews and their history. These men were deeply religious Christian Zionists. They had grown up on the Bible; the Holy Land was their spiritual home. Modern Zionism, they believed, would fulfill a divine promise and resettle the Jews in the land of their ancient fathers.

As part of this context, Schneer expertly analyzes the passionate and fascinating controversy between non-Zionist and Zionist Jews that preceded the Balfour declaration. The Zionists spoke in the name of Jewish nationhood; their Jewish opponents denied that Jews even constituted a separate nation.

The Balfour declaration used deliberately vague language. The term “national home” was chosen in order to minimize the Zionist dream, that is, to make Palestine an actual Jewish state. The Arabs, whose “civil and religious” (not national and political) rights were not to be prejudiced, as the declaration put it, were referred to only as “existing non-Jewish communities.”

According to Schneer, the Arabs were as invisible to the early Zionists as Africans had been to Boers in South Africa, or Indians to the French and English colonists in North America. But in fact, some of the first Zionists were well aware of the Arabs’ vehement objection to their national aspirations. As early as 1899, Theodore Herzl himself, the father of political Zionism, corresponded with the Arab mayor of Jerusalem, Yusuf Dia al-Khalidi, who urged him to find a national home for the Jews somewhere else in the world. The Israeli-Palestinian conflict seems to have had its origins at the very beginning of Zionism.

Many of the British diplomatic papers Schneer examines were brilliantly written. At times it seems that these dispatches and reports, rather than analyses of foreign policy, were the exercises of frustrated poets and writers, educated at Eton and Oxford, who hoped for posterity in the Public Record Office. Much of what they wrote led nowhere, though Schneer elaborates on their maneuvers at great length.

He details, for instance, the correspondence between British officials and the Arabs, as well as a secret diplomatic scheme of 1916 known as the “Sykes-­Picot Agreement,” which would have partitioned much of the Ottoman Empire, including Palestine, between Britain and France. These initiatives have little significance today, except perhaps with regard to the Arab contention that the British had promised Palestine to the Arabs before they promised it to the Jews. Schneer suggests that the promises given to the Arabs were too vague and contradictory to evaluate. Still, the way he reveals the characters behind the diplomatic papers, bringing them to life, makes his book particularly enjoyable.

Take Britain’s magnificent, if abortive, effort to detach the Ottoman Empire from the Central Powers. The idea was to orchestrate what would today be called regime change in Turkey. The new rulers would then make a separate peace with Britain, retain Palestine and get a handsome bribe for themselves — millions of American dollars. The central figure in this drama was a man named Basil Zaharoff, later Sir Basil, an Ottoman-born arms dealer and self-made diplomat whose corruption, pomposity and eccentricity British policy makers could not resist.

The Balfour declaration thus finds its place among a multitude of fruitless schemes and indulgent fantasies, except, of course, that in this case, surprisingly, the British by and large kept their word. For at least two decades they allowed the Zionist movement to bring hundreds of thousands of Jewish immigrants into Palestine, and these new arrivals set up hundreds of settlements including several towns, as well as the political, economic, military and cultural infrastructure of the future state of Israel. But if Israel’s existence originated with the British, so did the Palestinians’ tragedy. The Balfour declaration was only the opening chapter of a still unfinished story.

Tom Segev’s new book, “Simon Wiesen­thal: The Life and Legends,” will be published next month.

Postagem em destaque

Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...