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segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Mini-reflexão sobre a política externa brasileira atual - Paulo Roberto de Almeida


Mini-reflexão sobre a política externa brasileira atual

Paulo Roberto de Almeida
 [Objetivo: comentário; finalidade: salvaguardar a dignidade da diplomacia brasileira]


A mediocridade da atual diplomacia brasileira se reflete inteiramente nas falas destrambelhadas do titular presidencial, antagonizando gratuitamente países relevantes — França, Alemanha, por exemplo — para uma implementação bem-sucedida do acordo Mercosul-UE.
Eu até colocaria o sucesso preliminar da chapa liderada por Cristina Kirchner nas primárias argentinas como resultando parcialmente das desastradas intervenções de JB na política interna do país vizinho.
O que faz o chanceler que não consegue educar diplomaticamente um indivíduo que não tem a menor noção do que seja uma política externa compatível com padrões mínimos de relações internacionais?
A servidão voluntária a uma grande potência — os EUA de Trump —, que exibe igualmente uma postura diplomática absolutamente disfuncional em termos dos mesmos padrões, também diminui terrivelmente a dignidade de nossa diplomacia. O próximo envio de um aliado das mesmas causas como representante diplomático brasileiro junto à capital dessa grande potência nos confirmará como adesista voluntário, sem qualquer dignidade, de objetivos que não convergem com nossos interesses nacionais. Nunca antes nos tínhamos colocado numa posição de tamanha subordinação a uma outra potência, uma escolha pior que a de Portugal em 1807, isso porque é feita numa total inconsciência de quais sejam os interesses nacionais permanentes.

Lamento pelo Itamaraty e pelos diplomatas profissionais o fato de termos descido tão baixo na escala do reconhecimento internacional em relação à atual agenda de trabalho da diplomacia brasileira, relegando o Brasil a um quase “pária diplomático”, pelas falas e ações dos atuais responsáveis pela nossa política externa.
O Itamaraty sobreviverá a tempos tão sombrios, mas não sem a sua autoestima severamente diminuída por causas desses destemperos verbais de quem — no plural — não tem as condições mínimas para bem representar o país no plano externo.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 12 de agosto de 2019

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