O desenvolvimento, as regras do Consenso de Washington e o câmbio:
um comentário a artigo do economista Yoshiaki Nakano
Paulo Roberto de Almeida
Muito interessante o artigo de Yoshiaki Nakano, publicado no Valor Econômico (13.04.2010), “O que falta para sustentar o crescimento”, que arrola argumentos e evidências sobre as condições institucionais e “cambiais” para que o Brasil possa acelerar o crescimento, com base na experiência internacional e nos estudos feitos a esse respeito. Embora aprovando no geral sua linha de argumentação, tenho duas observações a fazer a seu artigo, abaixo transcrito, uma de detalhe, mas que corrige um erro comum entre os acadêmicos brasileiros, e outra de fundo, que se dirige ao “demônio” particular do economista Nakano, a taxa de câmbio e seu papel no crescimento. Incidentalmente, cabe registrar que ele mistura em diversas passagens questões ligadas ao crescimento econômico e outras atinentes ao processo de desenvolvimento, que como todos sabem apresentam aspectos mais amplos.
Quanto ao primeiro tema, Nakano começa seu artigo dizendo que “O estudo sobre desenvolvimento econômico teve importantes avanços após o fracasso do Consenso de Washington”. Existem aí pelo menos três erros, de forma e de substância, que me permito corrigir de imediato.
1) O consenso de Washington (CW) NUNCA se referiu, nem teórica, nem praticamente, à área do desenvolvimento econômico, que é um ramo bem mais amplo da teoria e da prática econômicas, bem mais amplo, em todo caso, do que o modesto guia elaborado em 1989 por John Williamson, com suas pequenas regras ditas consensuais para a retomada do crescimento em países com graves disfunções e desequilíbrios acumulados. O consenso de Washington se refere, basicamente, a programas de ajuste e de reforma, e deveria ser visto no contexto dos processos de estabilização macroeconômica na América Latina depois de uma década de reformas empreendidas no contexto da, e como resposta à, crise da dívida em 1982 e seus reflexos em termos de descontrole inflacionário e estagnação nos anos seguintes. As regras não se propunham formular uma receita de desenvolvimento, longe disso, pois pretendiam apenas e tão somente estabelecer parâmetros e práticas de política econômica que pudessem recolocar os países da região no caminho do crescimento novamente.
2) Dizer que esse ramo da ciência econômica, que é o estudo do desenvolvimento, teve IMPORTANTES avanços DEPOIS de um suposto FRACASSO do CW, sem situar onde se situa esse fracasso, quando ele ocorreu e quais foram, exatamente, esses avanços, é uma afirmação triplamente temerária. Talvez Nakano esteja pensando na recente crise econômica, e cabe relembrá-lo que a crise não tem absolutamente nada a ver com o CW ou sua suposta crise. O CW se referia, como já lembrado, a ajuste e reforma na América Latina, podendo suas recomendações se estender a outros países ainda distantes de suas regras. A crise recente ocorreu no coração do capitalismo desenvolvido, países que supostamente já cumpriam varias de suas regras ou que não eram justamente visados pelo CW. Quanto aos avanços, ele cita apenas três trabalhos de síntese sobre condições e requisitos do crescimento, como pressuposto do processo de desenvolvimento. Esses trabalhos podem até servir como balizas teóricas e empíricas para o estudo do desenvolvimento de maneira geral, e na África em particular, mas eles não foram elaborados como resposta ou no contexto de um suposto fracasso do CW.
3) Quanto ao próprio suposto fracasso do CW, caberia recordar essas regras e solicitar ao economista Nakano que explicite onde está o seu fracasso. Vou resumir a partir do artigo de John Williamson, intitulado “What Washington Means by Policy Reform?”, incluído no livro editado por ele mesmo, Latin American Adjustment: How Much Has Happened? (Washington: Institute for International Economics, 1990, pp. 7-20):
1) controle dos déficits fiscais;
2) prioridades nas despesas públicas;
3) reforma tributária;
4) taxa de juros próxima do equilíbrio de mercado, na fixada politicamente;
5) taxa de câmbio flexível;
6) política comercial de abertura;
7) receptividade ao investimento direto estrangeiro;
8) privatizações de setores não essencialmente estatais;
9) desregulamentação da vida econômica; e
10) respeito aos direitos de propriedade (mais no terreno dos contratos do que propriamente na área de propriedade intelectual).
Seria o caso de perguntar a Nakano onde, como e por que qualquer uma dessas regras simples de boa conduta econômica falhou e qual foi, exatamente, a razão de seu fracasso? Em que sentido essas regras se opõem a um processo de crescimento sustentado e como elas poderiam ser um obstáculo ao desenvolvimento de qualquer país, inclusive daqueles que já as observam informalmente desde muito tempo? Se ele pudesse indicar o que, exatamente, constitui uma receita para o fracasso nessas regras, caberia dizer. Do contrário, vamos considerar que sua afirmação ou é ingênua, ou é mal informada, como, aliás, são quase todas as afirmações do gênero que se lêem no Brasil.
Quanto ao câmbio, bem aqui se trata da obsessão particular do economista Nakano e seu amigo Bresser Pereira. Para ambos, o câmbio no Brasil sempre está defasado, e necessitando correção para baixo, ou seja, no sentido da desvalorização. Embora saibamos que uma taxa de câmbio realista, e se possível ligeiramente desvalorizada, representa um poderoso aporte para as indústrias exportadoras, não podemos tomar esse elemento como absoluto, pois muito depende da estrutura econômica e do perfil de insumos desse país. Se ele for um grande importador de matérias primas e processador para o mercado externo, um câmbio neutro pode até ajudar, pois barateia importações e não penaliza as exportações. A estratégia asiática é única e não necessariamente compatível com a estrutura economia brasileira, nação que possui grande mercado interno e tem o preço de suas mercadorias de exportação fixadas pelo mercado internacional, não determinadas pelos “fabricantes” nacionais.
De resto, desenvolvimento não é apenas crescimento, e vários países cresceram e se desenvolveram com uma economia baseada seja em matérias primas seja em agricultura (Dinamarca, Nova Zelândia, e outros).
Voltarei ao assunto.
Paulo Roberto de Almeida
(Shanghai, 13.04.2010)
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O que falta para sustentar o crescimento
Yoshiaki Nakano
Valor Econômico, 13.04.2010
O estudo sobre desenvolvimento econômico teve importantes avanços após o fracasso do Consenso de Washington. Os mais interessantes são aqueles direcionados ao estudo de casos de sucesso - países com crescimento acelerado durante décadas - buscando encontrar empiricamente as características comuns que expliquem esses casos que, assim, poderão servir de benchmarking (veja, por exemplo, Andy Berg, Jonathan D. Ostry and Jeromin Zettelmeyer, What Makes Growth Sustained ? Washington: IMF, November 2006; Simon Johnson, Jonathan D. Ostry and Arvind Subramanian, The Prospect for Sustained Growth in África: Benchmarking the Constraints, Washington: IMF Working Paper 52, March 2007; e o Relatório da Comissão de Crescimento Desenvolvimento, formado por experts de 18 países e presidido pelo Nobel de Economia Michael Spence). Seria interessante analisar o atual surto de crescimento da economia brasileira utilizando esse benchmarking e verificar o que falta para o Brasil entrar numa trajetória de crescimento sustentado por décadas. É o que faremos neste artigo, selecionando dois aspectos que parecem relevantes no momento: reformas institucionais, por ser um ano eleitoral, e taxa de câmbio pelo déficit em transações correntes, que está aumentando fortemente pré-anunciando uma nova crise.
O relatório de Michael Spence aponta 13 casos de sucesso, de 7% ou mais de crescimento anual por pelo menos 25 anos, no período pós-Guerra, que podem nos servir de benchmarking. O Brasil está nesse grupo, mas esse relatório aponta que somos caso único e a parte, pois preenche o critério, mas que depois de quatro décadas de rápido crescimento, interrompeu esse processo a partir de 1980. Mais recentemente, a economia brasileira iniciou, no segundo semestre de 2003, um processo de recuperação que revelou, nos anos subsequentes, um novo dinamismo, com a expansão baseada num novo crescimento do mercado doméstico. Esse movimento de aceleração já foi interrompido por duas vezes: no terceiro trimestre de 2004, pela política monetária do Banco Central e no último trimestre de 2008, pela crise financeira nos Estados Unidos. O que os estudos citados encontram é que surtos de aceleração do crescimento são muito comuns e podem ser causados por uma infinidade de fatores domésticos e por choques externo. Mas os surtos de crescimento podem se converter ou não num processo de crescimento acelerado e sustentado por longo prazo, e aqui está a relevância desses estudos que revelam as características comuns dos casos de sucesso.
O primeiro aspecto relevante é que esses estudos enfatizam as boas instituições como fundamentais para o crescimento de longo prazo, mas constataram empiricamente que elas são mais resultado do que causa original. Em outras palavras, uma vez iniciado o surto de crescimento, por alguma razão específica ou mesmo acidental, todos os casos de sucesso mostram que, num período de cinco anos, iniciam importantes reformas removendo os entraves institucionais e desbloqueando as forças produtivas do país. Nesse particular, a nossa situação é preocupante, pois as instituições definem as regras do jogo, particularmente controlando os detentores de poder, protegendo os agentes econômicos contra expropriação do estado (carga tributária excessiva) e leis e práticas referentes ao cumprimento dos contratos entre partes privadas. Lei, ordem e burocracia eficiente também são fundamentais. As pesquisas empíricas no Brasil revelam que essas instituições são anêmicas, nas quais o povo não confia e ao invés de lei e ordem, o povo vive permanentemente sob pressão e medo. No que se refere a instituições que definem o ambiente de negócios e estimulam o investimento, a situação não é diferente, pesquisas tipo doing business revelam o altíssimo custo de fazer transações no Brasil.
Ainda há esperança, pois reformas das instituições não são pré-condição do crescimento, mas surtos de crescimento podem criar ambiente mais favorável para as reformas institucionais e aumentar fortemente a sua demanda. Os estudos mencionados mostram que se as reformas não forem iniciadas num prazo máximo de cinco anos, a transição para crescimento acelerado terá sido abortada. O que há de positivo no Brasil é que a demanda por reformas institucionais e de redução do custo Brasil, inclusive redução da carga tributária, vem aumentando fortemente, particularmente, pela classe empresarial. Nesse sentido, as eleições presidenciais deste ano serão decisivas, pois depois de dois períodos sem reformas institucionais, se o próximo presidente não iniciar o seu mandado fazendo as reformas institucionais, particularmente do estado, o atual surto de crescimento será efêmero.
Dos outros 12 casos de sucesso, 10 são classificados como modelos baseados nas exportações de manufaturados. De fato, a velha teoria do desenvolvimento já apontava que setor de manufaturados, além de empregos mais qualificados e elevada produtividade, geram externalidades, com retornos crescentes de escala e geração de encadeamentos dinâmicos na cadeia produtiva. Tem sido o setor que tem comandado a aceleração do crescimento, aumentando o seu valor agregado e participação no PIB, pelo menos até alcançar uma renda per capita de cerca de US$ 15 mil. O papel notável da exportação de manufaturados não significa que ela puxa toda a economia, mas a sua expansão e a sua diversificação são fundamentais para sustentar as crescentes importações necessárias para construir uma estrutura produtiva competitiva e dinâmica.
Nos casos de sucesso, o crescimento acelerado foi acompanhado de maior abertura comercial, com aumento na participação das exportações que viabiliza a transferência da fronteira tecnológica para dentro do país graças à importação de bens de capital e de novas tecnologias. E aqui a política chave é a cambial como mostram esses estudos. O crescimento acelerado e sustentado por longo período foi acompanhado de políticas que evitam a sobrevalorização da taxa de câmbio. E aqui a evidência empírica apresentada nos estudos mencionados é notável pois no grupo de países com crescimento sustentado não se verifica apreciação excessiva da taxa de câmbio, enquanto que nos países que assistem a surtos curtos de crescimento, mas não conseguem crescimento acelerado e sustentado por longo prazo, a apreciação excessiva tem incidência muito maior.
Yoshiaki Nakano, ex-secretário da Fazenda do governo Mário Covas (SP), professor e diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas - FGV/EESP, escreve mensalmente às terças-feiras.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
terça-feira, 13 de abril de 2010
2087) Escola Austriaca de Economia: seminario no Brasil e pequeno manual
REcentemente, um leitor deste blog perguntou-me sobre a escola austríaca de economia. Não sou um especialista nessa corrente, sequer um economista, mas conheço algo, por leituras dispersas.
Recentemente ocorreu um seminário sobre o tema no Brasil, como informado neste post do professor Ubiratan Iório, o grande estudioso e propagador da economia austríaca no Brasil, e acaba de ser publicado um pequeno texto síntese no site do Instituto Von Mises, um grande nome da corrente, junto com Friedrich A. Hayek.
A apresentação de Porto Alegre, do Professor Ubiratan Iorio (um arquivo em PowerPoint) encontra-se disponível em http://www.ubirataniorio.org/material.html, no item 3 (powepoints: http://www.ubirataniorio.org/MktPro_POA.ppt).
Desfrutem...
(PRA)
O PRIMEIRO SEMINÁRIO DE ECONOMIA AUSTRÍACA NO BRASIL
Ubuaratan Iorio
13/04/2010
O Instituto Mises do Brasil (IMB) realizou, nos dias 11 e 12 deste mês, em Porto Alegre, um evento auspicioso e que fez brotar um fio de esperança em todos os que prezam a boa teoria econômica e, sobretudo, as liberdades individuais.
Foi o I Seminário de Economia Austríaca – ou seja, sobre a Escola Austríaca de Economia – realizado no Brasil. O evento contou com a participação de ilustres economistas do Mises Institute dos Estados Unidos, como Lew Rockwell, Joe Salerno, Thomas Woods Jr. e Mark Thornton, bem como de David e Patri Friedman, respectivamente filho e neto de Milton Friedman e dos três acadêmicos brasileiros (isso mesmo, somos apenas três!) que se especializaram no assunto, a saber, os Professores Antony Mueller, da Universidade Federal de Sergipe, Fábio Barbieri, da USP-Ribeirão Preto e o autor destas linhas. Entre os brasileiros não acadêmicos, destacamos Helio Beltrão, presidente do IMB e Rodrigo Constantino, ambos brilhantes e vibrantes defensores da causa das liberdades individuais.
Os temas discutidos foram, entre outros, as vidas de Mises, Hayek e Rothbard, a crise mundial sob a perspectiva “austríaca”, a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos, a questão do “homeschooling”, o debate sobre o cálculo econômico no socialismo, o processo de mercado, a desconhecida depressão de 1920-21 nos Estados Unidos e a atuação do Fed na crise imobiliária.
A programação completa pode ser encontrada na página do IMB, www.mises.org.br, que disponibilizará as palestras em breve para os interessados.
Faço questão de deixar registrada a enorme satisfação profissional e pessoal que o evento me proporcionou, depois de ter escrito o primeiro livro sobre o assunto publicado no Brasil (em 1995) e de tantos anos lutando para que os argumentos dos “austríacos” sejam levados a sério diante da arrogância da “mainstream economics”. Para mim – e, certamente, para os professores Mueller e Barbieri – foi motivo de imensa satisfação ser procurado por jovens estudantes de vários estados do Brasil, muitos vindos de distantes cidades do interior e que, cansados da cantilena socialista e keynesiana que campeia em nossos meios acadêmicos, desejam ardentemente abrir os seus espíritos e intelectos a ideias para eles novas e diferentes, como a da Escola Austríaca, que valorizam o indivíduo e mostram, com lógica irrepreensível, que o Estado, na melhor das hipóteses, é um mal necessário e, na pior, um déspota pretensamente esclarecido.
Parabéns à diretoria do IMB! Que venham outros seminários como o de Porto Alegre!
Ubiratan Iorio (http://www.ubirataniorio.org/)
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Hahn's Masterpiece of Macroeconomics
by Jonathan M. Finegold Catalan
Von Mises Institute, on April 13, 2010
Henry Hazlitt's Economics in One Lesson has long been considered by Austrians as the perfect introduction to economics. Hazlitt put a great deal of effort into dispelling the mercantilist and Keynesian myths that pervade contemporary economic thought. However, despite Hazlitt's valuable insights in Economics in One Lesson, his book does not really touch upon Austrian theory.
Students of Austrian economics oftentimes find it necessary to jump from Economics in One Lesson to a much more difficult textbook, such as Mises's Human Action or Rothbard's Man, Economy, and State, without any type of intermediate preparation. Although kudos must be given to any beginning student capable of finishing either treatise, the fact remains that, given the lack of an introduction to the topics put forth in these magna opera, the student, more often than not, walks away with an incomplete understanding.
The Ludwig von Mises Institute has finally filled the gap! It has done so by reintroducing into print Lucien Albert Hahn's long-lost classic, Common Sense Economics. This book represents the climax of Hahn's intellectual journey. It is not just an introduction to sound economics, but also an excellent refutation of Keynesian theory. Through Common Sense Economics, L. Albert Hahn provides the reader with the intermediary step between the basics (Economics in One Lesson) and more advanced material (Human Action).
Lucien Albert Hahn, born in Frankfurt am Main in 1889, was not always sympathetic to liberalism. Honor Croome wrote, "While most economists of his generation were painfully or joyfully making the pilgrimage from a classical to a Keynesian position, he made it in reverse."[1] What makes Hahn's intellectual journey so stunning is that he anticipated and agreed with many of the concepts John Maynard Keynes would later be famous for, only to later recant and simultaneously anticipate a number of the arguments that would be put forth during the neoclassical counterrevolution of the 1970s and 1980s.[2]
L. Albert Hahn was influenced early on by L. Lincoln Hausmann's The Gold Craze, which anticipated Keynesian inflationary theory; in 1920, Hahn published Volkswirtschaftliche Theorie des Bankkredits (Economic Theory of Bank Credit).[3] Although this book never became as popular as John Keynes's General Theory, probably due in large part to the difference in timing — Keynes's magnum opus was published in the midst of the Great Depression — L. Albert Hahn nevertheless developed many of the theories Keynes would later claim as his own. Hahn himself compared Economic Theory of Bank Credit with The General Theory while writing The Economics of Illusion. Ironically, as detailed below, The Economics of Illusion was his dedicated critique of Keynesian theory.[4]
Like Keynes, Hahn's original economic views rested on his rejection of Jean Baptiste Say's law, on the basis that capital accumulation could interrupt the payment of wages. As a result, Hahn put too much emphasis on the importance of consumption. His rejection of capital theory led him to adopt the position that the interest rate reflected only liquidity preference, and so a bank's interest rate acted independently of the volume of savings.
This same lack of a capital theory led Hahn to support monetary inflation as a means of pushing an economy's resources toward full employment. Although Hahn and Keynes differed on specific points, Hahn adopted credit as a panacea[5] 16 years before Keynes published The General Theory.[6] In fact, there is sufficient evidence to suggest that Keynes was influenced by Hahn's early work.[7]
Hahn did not flirt with what he came to call "pre-classical mercantilist" ideals for long. Persuaded by his critics,[8] and witnessing hyperinflation in Germany,[9] by the late 1930s he completely abandoned the theories put forth in Economic Theory of Bank Credit. Hahn publicly abandoned his original thesis by renouncing it in the third edition (1930) of Economic Theory of Bank Credit,[10] and he published a full refutation of Keynes's General Theory in 1949.
This anti-Keynesian treatise, The Economics of Illusion, was written as a series of articles throughout the 1940s. It was probably during this time that Hahn was directly introduced to Austrian capital theory.[11] Hahn was a vocal critic of the Bretton Woods agreement of 1944, and so was the Austrian economist and American columnist Henry Hazlitt.[12] The two cooperated to the point that Hazlitt wrote the introduction to The Economics of Illusion.
While The Economics of Illusion proved a powerful attack on Keynesian economic theory, Hahn had yet to publish a complete and proper treatise on economics. While Economic Theory of Bank Credit was meant to be such a treatise, his ideological shift led him to write Common Sense Economics. In many ways, Common Sense Economics was the revised and most accurate version of Economic Theory of Bank Credit. It was meant as a treatise to expound Hahn's views on the market system.[13] The result was a brilliant book that provides a clear and concise introduction to sound economic theory.
Common Sense Economics begins by explaining the mechanisms of the market within a "stationary economy" — an economy free of the dynamic changes caused by entrepreneurship and shifting preferences.[14] He introduces the reader to the concept of production, exchange, consumption, and wages. Soon enough he begins to explain the role of money in exchange, and finally the concept of time preference and roundabout methods of production.
In the second chapter, Hahn applies the same concepts to a changing economy. It is here that Hahn's Austrian influence, and his full ideological reversal, is best seen. Apart from explaining the economics of labor and employment, he elucidates the role of savings, consumption and investment, and finally sets to rest the belief that a rise in investment could negatively impact "aggregate demand." Hahn also touches upon the negative effects of government distortion of capital markets through taxation.
The book follows with a chapter on inflation and deflation. Correctly arguing against inflation, Hahn attacks central banking for advocating loose credit policies. He also deeply distrusted deflation, thanks in large part to witnessing the consequences of nonsecular deflation on the German economy during the opening years of the Great Depression.[15] Criticizing the Keynesian equating of secular (noncyclical) deflation with stagnation,[16] Hahn notes that in a changing economy it is impossible for there to be a deficiency in the amount of credit as compared to the demand for credit. While he commented very little on the effects of inflation on the capital structure, he treated that issue and business-cycle theory in the next chapter.
Chapter four, "The Business Cycle" is an exposition of Austrian capital and monetary theory. While Hahn allotts a number of pages to disproving alternative business-cycle theories, including underconsumption, overconsumption, and his own liquidity-preference theory, he also spends a great deal of time explaining the effect of credit and interest rates on the capital structure. While his analysis was imperfect, and perhaps not as meticulous as that of Mises or Hayek, he nevertheless accurately pinpointed monetary inflation as the source of the inflationary booms that lead to depression, and placed the blame on the central banks' easy-money policies.
He also correctly suggested that the moment at which the boom will turn to bust is the moment at which the supply of money stops increasing at an accelerating rate, leading to the beginning of a deflationary period, otherwise known as a depression. Much to the benefit of any student looking to move on to advanced Austrian capital theory, Hahn also explained the role of easy credit in elongating the structure of production and inducing entrepreneurs to invest in unprofitable lines of production.
Hahn concluded Common Sense Economics by looking at the role of the stock market in the economy and delving into price-formation theory. He ended the chapter and the book by defending the stock market against the "animal spirits" attacks of John Maynard Keynes and his ilk, disproving the fallacious idea that sudden changes in mass opinion or in investors' psychology could lead to instability in the market.
While the content of Common Sense Economics alone makes it one of the best general introductions to economics, its importance and relevance is heightened by its author's clear writing style, which makes reading his work highly enjoyable. Common Sense Economics proves to be the best bridge between the relatively simpler concepts expounded in books like Economics in One Lesson and the much more difficult theories put forth in such works as Prices & Production, Human Action, and Man, Economy, and State.
Even students who already have a strong understanding of more advanced Austrian concepts should consider reading Hahn's Common Sense Economics, for it will strengthen their foundations in economic theory. It goes without saying that for those looking to provide an educational gift to a friend or family member with the intention of introducing them to Austrian theory, Common Sense Economics is undoubtedly the best choice.
Notes
[1] Croome, Honor, "Common Sense Economics." The Economic Journal, Volume 67, Number 268: December 1957, p. 716.
[2] Boudreaux, Donald J. and Selgin, George A., "L. Albert Hahn: a precursor of Keynesianism and the monetarist counterrevolution." History of Political Economy, Volume 22, Issue 2: 1990, p. 261.
[3] Hahn, L. Albert, The Economics of Illusion. Squier Publishing Co. Inc., New York City, New York: 1949, p. 214.
[4] Ibid., pp. 214–227.
[5] Interestingly, the connection between Keynes and Hahn was established by Hayek in his 1931 essay "Reflections on the Pure Theory of Money of Mr. J.M. Keynes":
"Like so many others who hold a purely monetary theory of the trade cycle (as, for example, Mr. R.G. Hawtrey in this country and Dr. L.A. Hahn in Germany), he seems to believe that, if the existing monetary organization did not make it impossible, the boom could be perpetuated by indefinite inflation."
Hayek, Friedrich, Prices & Production and Other Works. Ludwig von Mises Institute, Auburn, Alabama: 2008, p. 476.
[6] Boudreaux (1990), pp. 262–267.
[7] Hahn (1949), p. 226.
[8] Ibid., p. 214.
[9] Boudreaux (1990), p. 269.
[10] Leeson, Robert, "Influence (Or the Lack of It) In the Economics Profession: The Case of Lucien Albert Hahn." Business Papers and Journal Articles, University of Notre Dame, Australia: 1997, p. 1.
[11] However, Lucien Hahn was probably already well aware of the theories expounded by Ludwig von Mises and Friedrich Hayek.
[12] Henry Hazlitt wrote for the New York Times during the Great Depression and for some years after the Second World War. It was his criticism of the Bretton Woods agreement which caused him to lose his job with the New York Times in 1946; Rockwell Jr., Llewellyn H., "Henry Hazlitt (1894–1993)." Ludwig von Mises Institute. The content of Hazlitt's criticism published in the New York Times was republished by the Ludwig von Mises Institute as From Bretton Woods to World Inflation: A Study of Causes and Consequences.
[13] Hahn, L. Albert, Common Sense Economics. Ludwig von Mises Institute, Auburn, Alabama: 2010, p. viii.
[14] Ibid., pp. 33–34.
[15] Hahn (1949), p. 4.
[16] L. Albert Hahn refers to inflation and deflation as increases and decreases, respectively, in the supply of money. He does not refer to "secular deflation" in the sense of rising productivity and falling prices. George Reisman makes the same point in "The Anatomy of Deflation," Mises Daily, August 18, 2003.
Jonathan M. Finegold Catalán writes from San Diego and studies political science and economics. He blogs at economic thought.net. Send him mail. See Jonathan M. Finegold Catalan's article archives.
Recentemente ocorreu um seminário sobre o tema no Brasil, como informado neste post do professor Ubiratan Iório, o grande estudioso e propagador da economia austríaca no Brasil, e acaba de ser publicado um pequeno texto síntese no site do Instituto Von Mises, um grande nome da corrente, junto com Friedrich A. Hayek.
A apresentação de Porto Alegre, do Professor Ubiratan Iorio (um arquivo em PowerPoint) encontra-se disponível em http://www.ubirataniorio.org/material.html, no item 3 (powepoints: http://www.ubirataniorio.org/MktPro_POA.ppt).
Desfrutem...
(PRA)
O PRIMEIRO SEMINÁRIO DE ECONOMIA AUSTRÍACA NO BRASIL
Ubuaratan Iorio
13/04/2010
O Instituto Mises do Brasil (IMB) realizou, nos dias 11 e 12 deste mês, em Porto Alegre, um evento auspicioso e que fez brotar um fio de esperança em todos os que prezam a boa teoria econômica e, sobretudo, as liberdades individuais.
Foi o I Seminário de Economia Austríaca – ou seja, sobre a Escola Austríaca de Economia – realizado no Brasil. O evento contou com a participação de ilustres economistas do Mises Institute dos Estados Unidos, como Lew Rockwell, Joe Salerno, Thomas Woods Jr. e Mark Thornton, bem como de David e Patri Friedman, respectivamente filho e neto de Milton Friedman e dos três acadêmicos brasileiros (isso mesmo, somos apenas três!) que se especializaram no assunto, a saber, os Professores Antony Mueller, da Universidade Federal de Sergipe, Fábio Barbieri, da USP-Ribeirão Preto e o autor destas linhas. Entre os brasileiros não acadêmicos, destacamos Helio Beltrão, presidente do IMB e Rodrigo Constantino, ambos brilhantes e vibrantes defensores da causa das liberdades individuais.
Os temas discutidos foram, entre outros, as vidas de Mises, Hayek e Rothbard, a crise mundial sob a perspectiva “austríaca”, a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos, a questão do “homeschooling”, o debate sobre o cálculo econômico no socialismo, o processo de mercado, a desconhecida depressão de 1920-21 nos Estados Unidos e a atuação do Fed na crise imobiliária.
A programação completa pode ser encontrada na página do IMB, www.mises.org.br, que disponibilizará as palestras em breve para os interessados.
Faço questão de deixar registrada a enorme satisfação profissional e pessoal que o evento me proporcionou, depois de ter escrito o primeiro livro sobre o assunto publicado no Brasil (em 1995) e de tantos anos lutando para que os argumentos dos “austríacos” sejam levados a sério diante da arrogância da “mainstream economics”. Para mim – e, certamente, para os professores Mueller e Barbieri – foi motivo de imensa satisfação ser procurado por jovens estudantes de vários estados do Brasil, muitos vindos de distantes cidades do interior e que, cansados da cantilena socialista e keynesiana que campeia em nossos meios acadêmicos, desejam ardentemente abrir os seus espíritos e intelectos a ideias para eles novas e diferentes, como a da Escola Austríaca, que valorizam o indivíduo e mostram, com lógica irrepreensível, que o Estado, na melhor das hipóteses, é um mal necessário e, na pior, um déspota pretensamente esclarecido.
Parabéns à diretoria do IMB! Que venham outros seminários como o de Porto Alegre!
Ubiratan Iorio (http://www.ubirataniorio.org/)
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Hahn's Masterpiece of Macroeconomics
by Jonathan M. Finegold Catalan
Von Mises Institute, on April 13, 2010
Henry Hazlitt's Economics in One Lesson has long been considered by Austrians as the perfect introduction to economics. Hazlitt put a great deal of effort into dispelling the mercantilist and Keynesian myths that pervade contemporary economic thought. However, despite Hazlitt's valuable insights in Economics in One Lesson, his book does not really touch upon Austrian theory.
Students of Austrian economics oftentimes find it necessary to jump from Economics in One Lesson to a much more difficult textbook, such as Mises's Human Action or Rothbard's Man, Economy, and State, without any type of intermediate preparation. Although kudos must be given to any beginning student capable of finishing either treatise, the fact remains that, given the lack of an introduction to the topics put forth in these magna opera, the student, more often than not, walks away with an incomplete understanding.
The Ludwig von Mises Institute has finally filled the gap! It has done so by reintroducing into print Lucien Albert Hahn's long-lost classic, Common Sense Economics. This book represents the climax of Hahn's intellectual journey. It is not just an introduction to sound economics, but also an excellent refutation of Keynesian theory. Through Common Sense Economics, L. Albert Hahn provides the reader with the intermediary step between the basics (Economics in One Lesson) and more advanced material (Human Action).
Lucien Albert Hahn, born in Frankfurt am Main in 1889, was not always sympathetic to liberalism. Honor Croome wrote, "While most economists of his generation were painfully or joyfully making the pilgrimage from a classical to a Keynesian position, he made it in reverse."[1] What makes Hahn's intellectual journey so stunning is that he anticipated and agreed with many of the concepts John Maynard Keynes would later be famous for, only to later recant and simultaneously anticipate a number of the arguments that would be put forth during the neoclassical counterrevolution of the 1970s and 1980s.[2]
L. Albert Hahn was influenced early on by L. Lincoln Hausmann's The Gold Craze, which anticipated Keynesian inflationary theory; in 1920, Hahn published Volkswirtschaftliche Theorie des Bankkredits (Economic Theory of Bank Credit).[3] Although this book never became as popular as John Keynes's General Theory, probably due in large part to the difference in timing — Keynes's magnum opus was published in the midst of the Great Depression — L. Albert Hahn nevertheless developed many of the theories Keynes would later claim as his own. Hahn himself compared Economic Theory of Bank Credit with The General Theory while writing The Economics of Illusion. Ironically, as detailed below, The Economics of Illusion was his dedicated critique of Keynesian theory.[4]
Like Keynes, Hahn's original economic views rested on his rejection of Jean Baptiste Say's law, on the basis that capital accumulation could interrupt the payment of wages. As a result, Hahn put too much emphasis on the importance of consumption. His rejection of capital theory led him to adopt the position that the interest rate reflected only liquidity preference, and so a bank's interest rate acted independently of the volume of savings.
This same lack of a capital theory led Hahn to support monetary inflation as a means of pushing an economy's resources toward full employment. Although Hahn and Keynes differed on specific points, Hahn adopted credit as a panacea[5] 16 years before Keynes published The General Theory.[6] In fact, there is sufficient evidence to suggest that Keynes was influenced by Hahn's early work.[7]
Hahn did not flirt with what he came to call "pre-classical mercantilist" ideals for long. Persuaded by his critics,[8] and witnessing hyperinflation in Germany,[9] by the late 1930s he completely abandoned the theories put forth in Economic Theory of Bank Credit. Hahn publicly abandoned his original thesis by renouncing it in the third edition (1930) of Economic Theory of Bank Credit,[10] and he published a full refutation of Keynes's General Theory in 1949.
This anti-Keynesian treatise, The Economics of Illusion, was written as a series of articles throughout the 1940s. It was probably during this time that Hahn was directly introduced to Austrian capital theory.[11] Hahn was a vocal critic of the Bretton Woods agreement of 1944, and so was the Austrian economist and American columnist Henry Hazlitt.[12] The two cooperated to the point that Hazlitt wrote the introduction to The Economics of Illusion.
While The Economics of Illusion proved a powerful attack on Keynesian economic theory, Hahn had yet to publish a complete and proper treatise on economics. While Economic Theory of Bank Credit was meant to be such a treatise, his ideological shift led him to write Common Sense Economics. In many ways, Common Sense Economics was the revised and most accurate version of Economic Theory of Bank Credit. It was meant as a treatise to expound Hahn's views on the market system.[13] The result was a brilliant book that provides a clear and concise introduction to sound economic theory.
Common Sense Economics begins by explaining the mechanisms of the market within a "stationary economy" — an economy free of the dynamic changes caused by entrepreneurship and shifting preferences.[14] He introduces the reader to the concept of production, exchange, consumption, and wages. Soon enough he begins to explain the role of money in exchange, and finally the concept of time preference and roundabout methods of production.
In the second chapter, Hahn applies the same concepts to a changing economy. It is here that Hahn's Austrian influence, and his full ideological reversal, is best seen. Apart from explaining the economics of labor and employment, he elucidates the role of savings, consumption and investment, and finally sets to rest the belief that a rise in investment could negatively impact "aggregate demand." Hahn also touches upon the negative effects of government distortion of capital markets through taxation.
The book follows with a chapter on inflation and deflation. Correctly arguing against inflation, Hahn attacks central banking for advocating loose credit policies. He also deeply distrusted deflation, thanks in large part to witnessing the consequences of nonsecular deflation on the German economy during the opening years of the Great Depression.[15] Criticizing the Keynesian equating of secular (noncyclical) deflation with stagnation,[16] Hahn notes that in a changing economy it is impossible for there to be a deficiency in the amount of credit as compared to the demand for credit. While he commented very little on the effects of inflation on the capital structure, he treated that issue and business-cycle theory in the next chapter.
Chapter four, "The Business Cycle" is an exposition of Austrian capital and monetary theory. While Hahn allotts a number of pages to disproving alternative business-cycle theories, including underconsumption, overconsumption, and his own liquidity-preference theory, he also spends a great deal of time explaining the effect of credit and interest rates on the capital structure. While his analysis was imperfect, and perhaps not as meticulous as that of Mises or Hayek, he nevertheless accurately pinpointed monetary inflation as the source of the inflationary booms that lead to depression, and placed the blame on the central banks' easy-money policies.
He also correctly suggested that the moment at which the boom will turn to bust is the moment at which the supply of money stops increasing at an accelerating rate, leading to the beginning of a deflationary period, otherwise known as a depression. Much to the benefit of any student looking to move on to advanced Austrian capital theory, Hahn also explained the role of easy credit in elongating the structure of production and inducing entrepreneurs to invest in unprofitable lines of production.
Hahn concluded Common Sense Economics by looking at the role of the stock market in the economy and delving into price-formation theory. He ended the chapter and the book by defending the stock market against the "animal spirits" attacks of John Maynard Keynes and his ilk, disproving the fallacious idea that sudden changes in mass opinion or in investors' psychology could lead to instability in the market.
While the content of Common Sense Economics alone makes it one of the best general introductions to economics, its importance and relevance is heightened by its author's clear writing style, which makes reading his work highly enjoyable. Common Sense Economics proves to be the best bridge between the relatively simpler concepts expounded in books like Economics in One Lesson and the much more difficult theories put forth in such works as Prices & Production, Human Action, and Man, Economy, and State.
Even students who already have a strong understanding of more advanced Austrian concepts should consider reading Hahn's Common Sense Economics, for it will strengthen their foundations in economic theory. It goes without saying that for those looking to provide an educational gift to a friend or family member with the intention of introducing them to Austrian theory, Common Sense Economics is undoubtedly the best choice.
Notes
[1] Croome, Honor, "Common Sense Economics." The Economic Journal, Volume 67, Number 268: December 1957, p. 716.
[2] Boudreaux, Donald J. and Selgin, George A., "L. Albert Hahn: a precursor of Keynesianism and the monetarist counterrevolution." History of Political Economy, Volume 22, Issue 2: 1990, p. 261.
[3] Hahn, L. Albert, The Economics of Illusion. Squier Publishing Co. Inc., New York City, New York: 1949, p. 214.
[4] Ibid., pp. 214–227.
[5] Interestingly, the connection between Keynes and Hahn was established by Hayek in his 1931 essay "Reflections on the Pure Theory of Money of Mr. J.M. Keynes":
"Like so many others who hold a purely monetary theory of the trade cycle (as, for example, Mr. R.G. Hawtrey in this country and Dr. L.A. Hahn in Germany), he seems to believe that, if the existing monetary organization did not make it impossible, the boom could be perpetuated by indefinite inflation."
Hayek, Friedrich, Prices & Production and Other Works. Ludwig von Mises Institute, Auburn, Alabama: 2008, p. 476.
[6] Boudreaux (1990), pp. 262–267.
[7] Hahn (1949), p. 226.
[8] Ibid., p. 214.
[9] Boudreaux (1990), p. 269.
[10] Leeson, Robert, "Influence (Or the Lack of It) In the Economics Profession: The Case of Lucien Albert Hahn." Business Papers and Journal Articles, University of Notre Dame, Australia: 1997, p. 1.
[11] However, Lucien Hahn was probably already well aware of the theories expounded by Ludwig von Mises and Friedrich Hayek.
[12] Henry Hazlitt wrote for the New York Times during the Great Depression and for some years after the Second World War. It was his criticism of the Bretton Woods agreement which caused him to lose his job with the New York Times in 1946; Rockwell Jr., Llewellyn H., "Henry Hazlitt (1894–1993)." Ludwig von Mises Institute. The content of Hazlitt's criticism published in the New York Times was republished by the Ludwig von Mises Institute as From Bretton Woods to World Inflation: A Study of Causes and Consequences.
[13] Hahn, L. Albert, Common Sense Economics. Ludwig von Mises Institute, Auburn, Alabama: 2010, p. viii.
[14] Ibid., pp. 33–34.
[15] Hahn (1949), p. 4.
[16] L. Albert Hahn refers to inflation and deflation as increases and decreases, respectively, in the supply of money. He does not refer to "secular deflation" in the sense of rising productivity and falling prices. George Reisman makes the same point in "The Anatomy of Deflation," Mises Daily, August 18, 2003.
Jonathan M. Finegold Catalán writes from San Diego and studies political science and economics. He blogs at economic thought.net. Send him mail. See Jonathan M. Finegold Catalan's article archives.
2086) Dom Total - Artigos Paulo R Almeida
Venho colaborando com este órgão digital de uma faculdade de salesianos em BH, com a seleção de meus artigos feitos pelos próprios jornalistas da equipe.
Abaixo a relação de artigos (suponho que completa)
Dom Total (neste link)
Artigos de Paulo Roberto de Almeida (sempre às quintas-feiras)
Últimos artigos publicados:
* 08/04/2010 | Manual de diplomacia prática, 10: atores sociais
* 25/03/2010 | Manual de diplomacia prática, 9: segurança
* 18/03/2010 | Manual de diplomacia prática, 8: blocos de integração
* 11/03/2010 | Manual de diplomacia prática, 7: parcerias estratégicas
* 04/03/2010 | Manual de diplomacia prática, 6: prioridades
* 25/02/2010 | Manual de diplomacia prática, 5: interesse nacional
* 18/02/2010 | Fórum Social Mundial 2010, uma década de embromação
* 11/02/2010 | Manual de diplomacia prática 4: caráter inovador
* 04/02/2010 | Manual de diplomacia prática 3: avaliação dos meios
* 28/01/2010 | Manual de diplomacia prática, 2: interação com a economia
* 21/01/2010 | Manual de diplomacia prática, 1: clareza de intenções
* 17/12/2009 | Todas as leis da estupidez humana, suite et fin...
* 10/12/2009 | As Leis Fundamentais da Estupidez Humana
* 19/11/2009 | A nova Alemanha
* 12/11/2009 | O que poderia ter ocorrido com Berlim e com a Alemanha, e que não ocorreu?
* 05/11/2009 | Berlim de volta ao centro da história contemporânea
* 29/10/2009 | Muro de Berlim, vinte anos depois
* 22/10/2009 | A liberdade de destruir a liberdade: um aviso preventivo vindo do passado
* 08/10/2009 | Declaração de Princípios
* 24/09/2009 | A crise econômica internacional e seu impacto no Brasil
* 03/09/2009 | Milton Friedman conversa com Roberto Campos no limbo econômico
* 27/08/2009 | O problema da universidade no Brasil
* 20/08/2009 | Carta aberta a Raul Castro sobre Cuba e o socialismo
* 13/08/2009 | Frases de um perfeito idiota latino-americano (dos grandes)
* 06/08/2009 | Os dez mandamentos da política - em certos governos
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* 23/07/2009 | A cooperação euro-brasileira no âmbito internacional
* 16/07/2009 | Sobre políticas de governo e políticas de Estado
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* 02/07/2009 | O Brasil amarrado por sua própria vontade
* 25/06/2009 | Diplomacia brasileira: consensos e dissensos
* 18/06/2009 | Sobre a morte do G8 e a ascensão dos Brics:
* 04/06/2009 | Falácias acadêmicas: os mitos da utopia marxista
* 28/05/2009 | O anão e o dragão
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* 14/05/2009 | O mito do marco teórico
* 07/05/2009 | Economia política do intelectual
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* 23/04/2009 | A questão racial com os EUA
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* 02/04/2009 | Sobre a intolerância
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* 18/12/2008 | O que Portugal nos legou?
* 11/12/2008 | A crise de governança no Brasil
* 04/12/2008 | Reconstruindo o paradigma tocquevilleano
* 27/11/2008 | Fazendo justiça com as próprias mãos
* 20/11/2008 | Economistas voláteis e juízes malucos
* 13/11/2008 | Desde aquele 11 de setembro
* 06/11/2008 | A indiscutível leveza do neoliberalismo no Brasil
* 30/10/2008 | Dez coisas que eu faria se tivesse poder
* 23/10/2008 | Camaradas, agora é oficial: acabou o socialismo
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* 25/09/2008 | A OTAN e o fim da Guerra Fria
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* 11/09/2008 | Fidel Castro: a História não o absolverá
* 04/09/2008 | Falácias acadêmicas: o mito do neoliberalismo
* 28/08/2008 | Miséria da academia: uma crítica à academia da miséria
* 21/08/2008 | Pequeno manual prático da decadência
* 14/08/2008 | O Brasil amarrado por sua própria vontade
* 07/08/2008 | O afundamento da educação no Brasil
* 24/07/2008 | Petismo universitário
* 17/07/2008 | Está aumentando o número de idiotas no mundo?
* 10/07/2008 | O fetiche do Capital
* 03/07/2008 | Para libertar a nação dos bárbaros
* 26/06/2008 | As roupas novas do império
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2085) Os dez (novos) mandamentos da política
Escrevi este texto faz algum tempo; como alguns vinhos, talvez ele fique melhor com o passar do tempo...
Os dez mandamentos da política – em certos governos
(Com alguns agradecimentos a Moisés e seus escribas)
Por Paulo Roberto de Almeida
www.pralmeida.org
1. Não reconhecerás nenhum deus, personagem inexistente em nossa república laica, salvo o comandante em chefe, também chamado de Nosso Guia, ou genial condutor dos povos.
2. Não farás publicidade indevida, salvo a do próprio chefe e guia infalível.
3. Apenas o nosso guia tem o direito de aparecer nos meios de comunicação de massa sem qualquer restrição, assim como requisitar esses meios para aparição pública, sempre e quando ele determinar que existe um interesse nacional envolvido.
4. Guardarás todos os dias santificados, que são também os dias de recolhimentos de impostos, diretos e indiretos, assim como taxas e contribuições.
5. Honrarás pai e mãe, e darás a eles o direito de serem atendidos no serviço público de saúde.
6. É proibido matar, a não ser que seja pela boa causa. A boa causa é determinada pelo Nosso Guia.
7. Não cometerás adultério, pelo menos não nas horas de trabalho. Se tiver de ser, que não seja no local de trabalho. Se tiver de ser, que seja pela boa causa, assim determinada pelo Nosso Guia.
8. Não roubarás, até que sejas eleito para algum cargo público. A partir de então, o roubo não é mais enquadrado como roubo, mas apenas como prestação de serviço público, para o qual deve necessariamente existir alguma compensação pecuniária pelos esforços incorridos.
9. Não discriminarás contra os estrangeiros, a não ser que sejam brancos de olhos azuis. Nossos aliados naturais são os morenos oprimidos.
10. Não corromperás o próximo, nem o perseguirás por qualquer motivo fútil, pois eles são nossos aliados naturais, sobretudo se forem sindicalistas. Aos que não são próximos, nem nossos aliados, apenas aplicarás a lei.
(Pela transcrição: Paulo Roberto de Almeida)
1/8/2009
Os dez mandamentos da política – em certos governos
(Com alguns agradecimentos a Moisés e seus escribas)
Por Paulo Roberto de Almeida
www.pralmeida.org
1. Não reconhecerás nenhum deus, personagem inexistente em nossa república laica, salvo o comandante em chefe, também chamado de Nosso Guia, ou genial condutor dos povos.
2. Não farás publicidade indevida, salvo a do próprio chefe e guia infalível.
3. Apenas o nosso guia tem o direito de aparecer nos meios de comunicação de massa sem qualquer restrição, assim como requisitar esses meios para aparição pública, sempre e quando ele determinar que existe um interesse nacional envolvido.
4. Guardarás todos os dias santificados, que são também os dias de recolhimentos de impostos, diretos e indiretos, assim como taxas e contribuições.
5. Honrarás pai e mãe, e darás a eles o direito de serem atendidos no serviço público de saúde.
6. É proibido matar, a não ser que seja pela boa causa. A boa causa é determinada pelo Nosso Guia.
7. Não cometerás adultério, pelo menos não nas horas de trabalho. Se tiver de ser, que não seja no local de trabalho. Se tiver de ser, que seja pela boa causa, assim determinada pelo Nosso Guia.
8. Não roubarás, até que sejas eleito para algum cargo público. A partir de então, o roubo não é mais enquadrado como roubo, mas apenas como prestação de serviço público, para o qual deve necessariamente existir alguma compensação pecuniária pelos esforços incorridos.
9. Não discriminarás contra os estrangeiros, a não ser que sejam brancos de olhos azuis. Nossos aliados naturais são os morenos oprimidos.
10. Não corromperás o próximo, nem o perseguirás por qualquer motivo fútil, pois eles são nossos aliados naturais, sobretudo se forem sindicalistas. Aos que não são próximos, nem nossos aliados, apenas aplicarás a lei.
(Pela transcrição: Paulo Roberto de Almeida)
1/8/2009
2084) Via Política - Artigos Paulo R Almeida
Tenho publicado regularmente nesta newsletter editada em Porto Alegre, por dois jornalistas conhecidos: Omar Luiz de Barros Filho e Sylvia Bojunga.
Abaixo uma relação dos artigos mais recentes, com sua disponilização na seção Diplomatizando, neste link.
Artigos na ordem mais recente de publicação:
Por Paulo Roberto de Almeida
Elogio da burguesia (com uma deixa para a aristocracia também)
12.04.2010
Manual de diplomacia prática, 11: instrumentos
05.04.2010
Manual de diplomacia prática, 10: atores sociais
29.03.2010
Manual de diplomacia prática, 9: segurança
21.03.2010
Manual de diplomacia prática, 8: blocos de integração
14.03.2010
Manual de diplomacia prática, 7: parcerias estratégicas
07.03.2010
Manual de diplomacia prática, 6: prioridades
28.02.2010
Manual de diplomacia prática, 5: interesse nacional
22.02.2010
Manual de diplomacia prática 4: caráter inovador
08.02.2010
Fórum Social Mundial 2010, uma década de embromação: antecipando as conclusões e desvendando os equívocos
25.01.2010
Manual de diplomacia prática 3: avaliação dos meios
18.01.2010
Manual de diplomacia prática, 2: interação com a economia
11.01.2010
Manual de diplomacia prática, 1: clareza de intenções
27.12.2009
Todas as leis da estupidez humana (2), suite et fin...
13.12.2009
As Leis Fundamentais da Estupidez Humana (1)
06.12.2009
Muro de Berlim, vinte anos depois (4) O que poderá ocorrer com a nova Alemanha, e que ainda não ocorreu?
30.11.2009
Muro de Berlim, vinte anos depois (3) O que poderia ter ocorrido com Berlim e com a Alemanha, e que não ocorreu?
22.11.2009
Nova carta a Raul Castro: seja um pouco mais Gorby e menos Ceausescu
16.11.2009
Muro de Berlim, vinte anos depois (2) Guerra Fria: Berlim de volta ao centro da história contemporânea
11.11.2009
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04.10.2009
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Manual de diplomacia prática, 8: blocos de integração
14.03.2010
Manual de diplomacia prática, 7: parcerias estratégicas
07.03.2010
Manual de diplomacia prática, 6: prioridades
28.02.2010
Manual de diplomacia prática, 5: interesse nacional
22.02.2010
Manual de diplomacia prática 4: caráter inovador
08.02.2010
Fórum Social Mundial 2010, uma década de embromação: antecipando as conclusões e desvendando os equívocos
25.01.2010
Manual de diplomacia prática 3: avaliação dos meios
18.01.2010
Manual de diplomacia prática, 2: interação com a economia
11.01.2010
Manual de diplomacia prática, 1: clareza de intenções
27.12.2009
Todas as leis da estupidez humana (2), suite et fin...
13.12.2009
As Leis Fundamentais da Estupidez Humana (1)
06.12.2009
Muro de Berlim, vinte anos depois (4) O que poderá ocorrer com a nova Alemanha, e que ainda não ocorreu?
30.11.2009
Muro de Berlim, vinte anos depois (3) O que poderia ter ocorrido com Berlim e com a Alemanha, e que não ocorreu?
22.11.2009
Nova carta a Raul Castro: seja um pouco mais Gorby e menos Ceausescu
16.11.2009
Muro de Berlim, vinte anos depois (2) Guerra Fria: Berlim de volta ao centro da história contemporânea
11.11.2009
Muro de Berlim, 20 anos depois (1) Berlim e Alemanha no centro da história contemporânea
03.11.2009
De sapatos e da soberania
26.10.2009
A liberdade de destruir a liberdade: um aviso preventivo vindo do passado
18.10.2009
Declaração de Princípios (apenas relembrando certas coisas que são permanentes)
04.10.2009
A crise econômica internacional e seu impacto no Brasil
21.09.2009
Milton Friedman conversa com Roberto Campos no limbo econômico
31.08.2009
Carta aberta a Raul Castro sobre Cuba e o socialismo
17.08.2009
Frases de um perfeito idiota latino-americano (dos grandes)
10.08.2009
Os dez mandamentos da política – em certos governos (Com alguns agradecimentos a Moisés e seus escribas)
02.08.2009
Crônica de um desastre anunciado: o socialismo do século 21 na Venezuela
26.07.2009
A cooperação euro-brasileira no âmbito internacional Uma proposta maximalista para resultados minimalistas
19.07.2009
2083) Revista Espaco da Sophia - Colaboracoes Paulo R Almeida
Relaciono abaixo minhas colaborações à revista acadêmica digital
Espaço da Sophia
Primeiro a data de publicação, depois o nome do artigo e, finalmente, o número de visualizações em ordem decrescente
A relação cronológica serial pode ser vista neste link.
Data da Publicação – Nome do Artigo – Número de visualizações (até 12.04.10)
2008-10-01 A Economia Mundial do Petróleo 1537
2008-02-01 Políticas econômicas nacionais no contexto da globalização: a questão do desenvolvimento 923
2007-12-01 História virtual do Brasil: um exercício intelectual 663
2009-02-01 A INTEGRAÇÃO NA AMÉRICA DO SUL EM PERSPECTIVA HISTÓRICA: UM BALANÇO 390
2008-03-01 A herança portuguesa e a obra brasileira: um balanço e uma avaliação de dois séculos 292
2009-04-01 Os mitos da Revolução Cubana 234
2009-09-01 Falácias acadêmicas, 12: o mito da exploração capitalista 210
2009-01-10 Fórum Surreal Mundial Pequena visita aos desvarios dos antiglobalizadores 197
2009-07-01 Falácias acadêmicas, 10: mitos sobre o sistema monetário internacional 192
2008-12-01 Uma reorganização da ordem econômica mundial? Rumores a esse respeito são altamente exagerados... 187
2007-09-01 Teses para uma revolução partidária: sugestões (não solicitadas) para o congresso de um grande parti 183
2008-06-01 Governança democrática: trajetória nacional e dimensão internacional 180
2009-05-01 Falácias acadêmicas, 7: os mitos em torno do movimento militar de 1964 178
2008-11-01 Sobre a proposta de uma nova autoridade financeira mundial 176
2008-08-01 Uma paz não-kantiana? Sobre a paz e a guerra no contexto da globalização 172
2009-06-01 Falácias acadêmicas, 9: o mito do socialismo do século 21 172
2009-10-02 01:29:06 Falácias acadêmicas, 13: o mito do socialismo de mercado na China 167
2009-03-01 A questão racial nas relações Brasil-EUA 155
2010-01-01 A Primeira Década do Século 21: um retrospecto e algumas previsões imprevisíveis 148
2009-08-01 Falácias acadêmicas, 11: o mito da transição do capitalismo ao socialismo 145
2008-07-01 SOBRE MUDAR DE IDÉIAS 140
2007-06-01 Estaria a Imbecilidade Humana Aumentando 139
2008-01-01 Uma proposta modesta: a reforma do Brasil 136
2009-11-01 Um outro mundo possível: Alternativas históricas da Alemanha, antes e depois do muro de Berlim 135
2008-04-01 O fetiche do Capital 129
2007-07-01 Prometeu Acorrentado: o Brasil Amarrado por sua Própria Vontade 127
2007-11-01 Expansão Econômica Mundial: 100 anos de uma obra pioneira 117
2007-08-01 Já não se fazem mais marxistas como antigamente 107
2007-10-01 Crônica do petismo universitário: dissolução de uma redundância? 106
2009-12-01 De la Démocratie au Brésil: Tocqueville de novo em missão 72
2010-03-01 TRISTE FIM DE POLICARPO SOCIAL MUNDIAL 54
2010-02-01 Sobre a responsabilidade dos intelectuais 53
Espaço da Sophia
Primeiro a data de publicação, depois o nome do artigo e, finalmente, o número de visualizações em ordem decrescente
A relação cronológica serial pode ser vista neste link.
Data da Publicação – Nome do Artigo – Número de visualizações (até 12.04.10)
2008-10-01 A Economia Mundial do Petróleo 1537
2008-02-01 Políticas econômicas nacionais no contexto da globalização: a questão do desenvolvimento 923
2007-12-01 História virtual do Brasil: um exercício intelectual 663
2009-02-01 A INTEGRAÇÃO NA AMÉRICA DO SUL EM PERSPECTIVA HISTÓRICA: UM BALANÇO 390
2008-03-01 A herança portuguesa e a obra brasileira: um balanço e uma avaliação de dois séculos 292
2009-04-01 Os mitos da Revolução Cubana 234
2009-09-01 Falácias acadêmicas, 12: o mito da exploração capitalista 210
2009-01-10 Fórum Surreal Mundial Pequena visita aos desvarios dos antiglobalizadores 197
2009-07-01 Falácias acadêmicas, 10: mitos sobre o sistema monetário internacional 192
2008-12-01 Uma reorganização da ordem econômica mundial? Rumores a esse respeito são altamente exagerados... 187
2007-09-01 Teses para uma revolução partidária: sugestões (não solicitadas) para o congresso de um grande parti 183
2008-06-01 Governança democrática: trajetória nacional e dimensão internacional 180
2009-05-01 Falácias acadêmicas, 7: os mitos em torno do movimento militar de 1964 178
2008-11-01 Sobre a proposta de uma nova autoridade financeira mundial 176
2008-08-01 Uma paz não-kantiana? Sobre a paz e a guerra no contexto da globalização 172
2009-06-01 Falácias acadêmicas, 9: o mito do socialismo do século 21 172
2009-10-02 01:29:06 Falácias acadêmicas, 13: o mito do socialismo de mercado na China 167
2009-03-01 A questão racial nas relações Brasil-EUA 155
2010-01-01 A Primeira Década do Século 21: um retrospecto e algumas previsões imprevisíveis 148
2009-08-01 Falácias acadêmicas, 11: o mito da transição do capitalismo ao socialismo 145
2008-07-01 SOBRE MUDAR DE IDÉIAS 140
2007-06-01 Estaria a Imbecilidade Humana Aumentando 139
2008-01-01 Uma proposta modesta: a reforma do Brasil 136
2009-11-01 Um outro mundo possível: Alternativas históricas da Alemanha, antes e depois do muro de Berlim 135
2008-04-01 O fetiche do Capital 129
2007-07-01 Prometeu Acorrentado: o Brasil Amarrado por sua Própria Vontade 127
2007-11-01 Expansão Econômica Mundial: 100 anos de uma obra pioneira 117
2007-08-01 Já não se fazem mais marxistas como antigamente 107
2007-10-01 Crônica do petismo universitário: dissolução de uma redundância? 106
2009-12-01 De la Démocratie au Brésil: Tocqueville de novo em missão 72
2010-03-01 TRISTE FIM DE POLICARPO SOCIAL MUNDIAL 54
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segunda-feira, 12 de abril de 2010
2082) Protocolo adicional ao TNP: duas visoes contrastantes
Escolha a sua: uma determina a defesa da soberania nacional e recusa o Protocolo adicional (de inspeções reforçadas), a outra aceita isso, como parte de nossa inserção internacional.
Folha de São Paulo (10.04.2010):
Instrumento desnecessário e humilhante
Samuel Pinheiro Guimarães
"As ultracentrífugas de tecnologia brasileira são as mais eficientes do mundo e há grande interesse em ter acesso a suas características, uma das consequências da assinatura do Protocolo Adicional, que, no caso do Brasil, seria um instrumento desnecessário, intrusivo, prejudicial e humilhante"
Samuel Pinheiro Guimarães é ministro de Assuntos Estratégicos. Artigo publicado na "Folha de SP":
O centro da questão é o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), cujo objetivo é evitar uma guerra nuclear. A possibilidade de tal conflito não está nos países que não detêm armas nucleares, mas, sim, naqueles que as detêm. Portanto, o principal objetivo do TNP deve ser a eliminação das armas dos países nuclearmente armados: Estados Unidos, Rússia, China, França e Inglaterra.
Há 42 anos esses países se comprometeram a eliminar suas armas, e há 42 anos não cumprem esse compromisso. Ao contrário, aumentaram a eficiência de suas armas nucleares.
Apesar de não terem se desarmado, esses países insistem em forçar os países não nucleares a aceitar obrigações crescentes, criando crescentes restrições à difusão de tecnologia, inclusive para fins pacíficos, a pretexto de evitar a proliferação.
Os países nucleares, ao continuarem a desenvolver suas armas e, portanto, a intimidar os países não nucleares, estimulam a proliferação, pois os países que se sentem mais ameaçados procuram se capacitar. Isso ocorreu com a então União Soviética (1949), com a França (1960) e com a China (1964).
Hoje, diante da inexistência de ameaça de conflito nuclear, o argumento dos países nucleares é a possibilidade de terroristas adquirirem a tecnologia ou as armas.
Essa tecnologia está disponível. A questão é a capacidade de desenvolver industrialmente as armas e os vetores para atingir os alvos.
Nenhum grupo terrorista detém os vetores (mísseis e aviões), nem a estrutura industrial para produzir o urânio enriquecido, nem a técnica para fabricar detonadores. Por outro lado, os terroristas poderiam obter essas armas justamente onde existem, nos países nucleares.
Nesse contexto se insere o Protocolo Adicional. O TNP prevê que todos os países-membros assinem acordos de salvaguardas com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), pelos quais os Estados não nucleares submetem a inspeção todas as suas instalações nucleares. O objetivo do acordo é verificar se há, para fins militares, desvio de material nuclear da instalação (reatores, usinas de enriquecimento etc.).
O Brasil tem atividades nucleares exclusivamente para fins pacíficos, como determina a Constituição, e tem um acordo de salvaguardas com a AIEA, que permite à agência inspecionar instalações brasileiras. Tudo com respeito à soberania nacional e a nossos interesses econômicos.
A AIEA, por proposta americana e a pretexto do programa do Iraque, elaborou um modelo de protocolo adicional aos acordos de salvaguardas, permitindo a visita de inspetores, sem aviso prévio, a qualquer local do território dos países não nucleares para verificar suspeitas sobre qualquer atividade nuclear, desde pesquisa acadêmica e usinas nucleares até a produção de equipamentos, como ultracentrífugas e reatores.
O Protocolo Adicional constituiria uma violação inaceitável da soberania diante da natureza pacífica das atividades nucleares no Brasil, uma suspeita injustificada sobre nossos compromissos constitucionais e internacionais e uma intromissão em atividades brasileiras na área nuclear.
Essa intromissão causaria graves danos econômicos, quando se consideram as perspectivas brasileiras na produção de combustível nuclear, que terá forte demanda com a necessidade de enfrentar a crise ambiental.
A solução ambiental exige a reforma da matriz energética, tanto nos emissores tradicionais, como os EUA, quanto nos de rápido desenvolvimento, como a China e a Índia.
Uma das mais importantes fontes de energia não geradora de gases de efeito estufa é a nuclear. O Brasil tem grandes reservas de urânio, tem o conhecimento do ciclo de enriquecimento do urânio e a capacidade para produzir reatores, ultracentrífugas, pastilhas etc. e, assim, pode vir a atender uma crescente demanda externa.
A preservação do conhecimento tecnológico é, assim, aspecto essencial na área nuclear. Ora, as ultracentrífugas de tecnologia brasileira são as mais eficientes do mundo. Há grande interesse de certos países em ter acesso a suas características, uma das consequências da assinatura do Protocolo Adicional, que, no caso do Brasil, seria um instrumento desnecessário, intrusivo, prejudicial e humilhante.
(Folha de SP, 10/4)
=======================
Adesão não contraria interesse nacional
Rubens Ricupero
"O Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) é desigual e injusto, mas superior às alternativas existentes"
Rubens Ricupero é diretor da Faculdade de Economia da Faap e do Instituto Fernand Braudel de São Paulo. Foi secretário-geral da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) e ministro da Fazenda (governo Itamar Franco). Artigo publicado na "Folha de SP":
Da mesma forma que a democracia, segundo Churchill, é a pior forma de governo, exceto todas as demais, o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) é desigual e injusto, mas superior às alternativas existentes. Durante os 40 anos de sua vigência, renunciaram à arma atômica 11 países que já a possuíam ou desejavam adquiri-la (entre eles Brasil, Argentina e África do Sul).
Dos 4 que se tornaram nucleares, 3 (Índia, Paquistão e Israel) jamais assinaram o TNP, e a Coreia do Norte teve que deixá-lo antes de construir a bomba. O controle das armas de destruição de massa não é impossível, pois desde Hiroshima e Nagasaki o mundo viveu 65 anos sem que a tragédia se repetisse.
Brasil e Argentina tomaram juntos a decisão de abandonar seus programas nucleares rivais, desarmando perigosa corrida armamentista na América Latina e abrindo caminho à integração do Mercosul.
O processo culminou, em 1991, com a assinatura do acordo entre o Brasil, a Argentina, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e a Agência Argentino-Brasileira de Controle, pelo qual os dois países aceitaram as inspeções da agência da ONU.
A adesão ao TNP constituiu a consequência natural, pois a proibição da arma nuclear já constava da Constituição de 1988 e o acordo de 1991 havia criado para o país todas as obrigações que decorreriam do tratado.
Quando a adesão se deu, em 1997-1998, os únicos que não haviam assinado eram Índia, Paquistão e Israel, que tinham para isso uma razão: queriam adquirir a bomba (o quarto era Cuba, que aderiu logo depois). Que sentido teria tido para o Brasil ficar de fora, em companhia dos três belicistas, se já havíamos assumido na prática as obrigações do TNP?
O mesmo argumento se aplica ao Protocolo Adicional, que não é mais que a aceitação de fiscalização reforçada. O Brasil é dos raros países que permitem à agência acesso até a suas instalações militares. O que teríamos a temer se nada temos a esconder?
Alega-se que deveríamos proteger a originalidade de nossa tecnologia. O objetivo é legítimo, mas, segundo especialistas, pode ser perfeitamente assegurado pela negociação com a agência de modalidades que preservem os segredos tecnológicos.
Até agora, a recusa era justificada pelo desinteresse do governo americano de cumprir a obrigação de desarmamento constante do TNP.
A situação mudou totalmente com o advento do governo Obama, o acordo com a Rússia para redução de ogivas nucleares e a nova estratégia dos EUA, que restringe o papel das armas nucleares. Ainda se está longe do desarmamento, mas é mudança construtiva que deve ser encorajada.
Neste momento, a persistência da recusa será vista como obstrução à evolução positiva em curso. A infeliz coincidência com a visita do presidente Lula a Teerã avivará suspeitas sobre nossas intenções.
Cedo ou tarde, o processo de reforço do TNP conduzirá à proibição da exportação ou importação de urânio enriquecido e restrições de acesso tecnológico para os que rejeitam o protocolo. É risco gratuito quando nossa tecnologia pode ser preservada por negociação cautelosa.
Se o real motivo for armamentista, equivale a golpe gravíssimo contra a Constituição. O argumento da soberania não procede, pois a adesão não contraria o interesse nacional.
Que interesse haveria em adquirir a bomba para país que não está sob ameaça ou em zona de conflito, tendo completado 140 anos de paz ininterrupta com seus dez vizinhos?
Na hora lancinante da catástrofe do Rio de Janeiro, só o delírio de grandeza e a perda de contato com a realidade explicam desviar recursos escassos para prioridades erradas e desnecessárias como os desvarios atômicos. A realidade que chega pela tela da TV nos revela aonde estão nossos inimigos: não no exterior, mas aqui dentro.
A corrupção e a incompetência diante da urbanização selvagem, a patética incapacidade de salvar vidas, a falta de dinheiro para dar casa decente aos trabalhadores -são essas as ameaças a enfrentar. E não será com submarinos nucleares e urânio enriquecido que vamos diminuir um só desses perigos reais e imediatos.
(Folha de SP, 10/4)
Folha de São Paulo (10.04.2010):
Instrumento desnecessário e humilhante
Samuel Pinheiro Guimarães
"As ultracentrífugas de tecnologia brasileira são as mais eficientes do mundo e há grande interesse em ter acesso a suas características, uma das consequências da assinatura do Protocolo Adicional, que, no caso do Brasil, seria um instrumento desnecessário, intrusivo, prejudicial e humilhante"
Samuel Pinheiro Guimarães é ministro de Assuntos Estratégicos. Artigo publicado na "Folha de SP":
O centro da questão é o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), cujo objetivo é evitar uma guerra nuclear. A possibilidade de tal conflito não está nos países que não detêm armas nucleares, mas, sim, naqueles que as detêm. Portanto, o principal objetivo do TNP deve ser a eliminação das armas dos países nuclearmente armados: Estados Unidos, Rússia, China, França e Inglaterra.
Há 42 anos esses países se comprometeram a eliminar suas armas, e há 42 anos não cumprem esse compromisso. Ao contrário, aumentaram a eficiência de suas armas nucleares.
Apesar de não terem se desarmado, esses países insistem em forçar os países não nucleares a aceitar obrigações crescentes, criando crescentes restrições à difusão de tecnologia, inclusive para fins pacíficos, a pretexto de evitar a proliferação.
Os países nucleares, ao continuarem a desenvolver suas armas e, portanto, a intimidar os países não nucleares, estimulam a proliferação, pois os países que se sentem mais ameaçados procuram se capacitar. Isso ocorreu com a então União Soviética (1949), com a França (1960) e com a China (1964).
Hoje, diante da inexistência de ameaça de conflito nuclear, o argumento dos países nucleares é a possibilidade de terroristas adquirirem a tecnologia ou as armas.
Essa tecnologia está disponível. A questão é a capacidade de desenvolver industrialmente as armas e os vetores para atingir os alvos.
Nenhum grupo terrorista detém os vetores (mísseis e aviões), nem a estrutura industrial para produzir o urânio enriquecido, nem a técnica para fabricar detonadores. Por outro lado, os terroristas poderiam obter essas armas justamente onde existem, nos países nucleares.
Nesse contexto se insere o Protocolo Adicional. O TNP prevê que todos os países-membros assinem acordos de salvaguardas com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), pelos quais os Estados não nucleares submetem a inspeção todas as suas instalações nucleares. O objetivo do acordo é verificar se há, para fins militares, desvio de material nuclear da instalação (reatores, usinas de enriquecimento etc.).
O Brasil tem atividades nucleares exclusivamente para fins pacíficos, como determina a Constituição, e tem um acordo de salvaguardas com a AIEA, que permite à agência inspecionar instalações brasileiras. Tudo com respeito à soberania nacional e a nossos interesses econômicos.
A AIEA, por proposta americana e a pretexto do programa do Iraque, elaborou um modelo de protocolo adicional aos acordos de salvaguardas, permitindo a visita de inspetores, sem aviso prévio, a qualquer local do território dos países não nucleares para verificar suspeitas sobre qualquer atividade nuclear, desde pesquisa acadêmica e usinas nucleares até a produção de equipamentos, como ultracentrífugas e reatores.
O Protocolo Adicional constituiria uma violação inaceitável da soberania diante da natureza pacífica das atividades nucleares no Brasil, uma suspeita injustificada sobre nossos compromissos constitucionais e internacionais e uma intromissão em atividades brasileiras na área nuclear.
Essa intromissão causaria graves danos econômicos, quando se consideram as perspectivas brasileiras na produção de combustível nuclear, que terá forte demanda com a necessidade de enfrentar a crise ambiental.
A solução ambiental exige a reforma da matriz energética, tanto nos emissores tradicionais, como os EUA, quanto nos de rápido desenvolvimento, como a China e a Índia.
Uma das mais importantes fontes de energia não geradora de gases de efeito estufa é a nuclear. O Brasil tem grandes reservas de urânio, tem o conhecimento do ciclo de enriquecimento do urânio e a capacidade para produzir reatores, ultracentrífugas, pastilhas etc. e, assim, pode vir a atender uma crescente demanda externa.
A preservação do conhecimento tecnológico é, assim, aspecto essencial na área nuclear. Ora, as ultracentrífugas de tecnologia brasileira são as mais eficientes do mundo. Há grande interesse de certos países em ter acesso a suas características, uma das consequências da assinatura do Protocolo Adicional, que, no caso do Brasil, seria um instrumento desnecessário, intrusivo, prejudicial e humilhante.
(Folha de SP, 10/4)
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Adesão não contraria interesse nacional
Rubens Ricupero
"O Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) é desigual e injusto, mas superior às alternativas existentes"
Rubens Ricupero é diretor da Faculdade de Economia da Faap e do Instituto Fernand Braudel de São Paulo. Foi secretário-geral da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) e ministro da Fazenda (governo Itamar Franco). Artigo publicado na "Folha de SP":
Da mesma forma que a democracia, segundo Churchill, é a pior forma de governo, exceto todas as demais, o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) é desigual e injusto, mas superior às alternativas existentes. Durante os 40 anos de sua vigência, renunciaram à arma atômica 11 países que já a possuíam ou desejavam adquiri-la (entre eles Brasil, Argentina e África do Sul).
Dos 4 que se tornaram nucleares, 3 (Índia, Paquistão e Israel) jamais assinaram o TNP, e a Coreia do Norte teve que deixá-lo antes de construir a bomba. O controle das armas de destruição de massa não é impossível, pois desde Hiroshima e Nagasaki o mundo viveu 65 anos sem que a tragédia se repetisse.
Brasil e Argentina tomaram juntos a decisão de abandonar seus programas nucleares rivais, desarmando perigosa corrida armamentista na América Latina e abrindo caminho à integração do Mercosul.
O processo culminou, em 1991, com a assinatura do acordo entre o Brasil, a Argentina, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e a Agência Argentino-Brasileira de Controle, pelo qual os dois países aceitaram as inspeções da agência da ONU.
A adesão ao TNP constituiu a consequência natural, pois a proibição da arma nuclear já constava da Constituição de 1988 e o acordo de 1991 havia criado para o país todas as obrigações que decorreriam do tratado.
Quando a adesão se deu, em 1997-1998, os únicos que não haviam assinado eram Índia, Paquistão e Israel, que tinham para isso uma razão: queriam adquirir a bomba (o quarto era Cuba, que aderiu logo depois). Que sentido teria tido para o Brasil ficar de fora, em companhia dos três belicistas, se já havíamos assumido na prática as obrigações do TNP?
O mesmo argumento se aplica ao Protocolo Adicional, que não é mais que a aceitação de fiscalização reforçada. O Brasil é dos raros países que permitem à agência acesso até a suas instalações militares. O que teríamos a temer se nada temos a esconder?
Alega-se que deveríamos proteger a originalidade de nossa tecnologia. O objetivo é legítimo, mas, segundo especialistas, pode ser perfeitamente assegurado pela negociação com a agência de modalidades que preservem os segredos tecnológicos.
Até agora, a recusa era justificada pelo desinteresse do governo americano de cumprir a obrigação de desarmamento constante do TNP.
A situação mudou totalmente com o advento do governo Obama, o acordo com a Rússia para redução de ogivas nucleares e a nova estratégia dos EUA, que restringe o papel das armas nucleares. Ainda se está longe do desarmamento, mas é mudança construtiva que deve ser encorajada.
Neste momento, a persistência da recusa será vista como obstrução à evolução positiva em curso. A infeliz coincidência com a visita do presidente Lula a Teerã avivará suspeitas sobre nossas intenções.
Cedo ou tarde, o processo de reforço do TNP conduzirá à proibição da exportação ou importação de urânio enriquecido e restrições de acesso tecnológico para os que rejeitam o protocolo. É risco gratuito quando nossa tecnologia pode ser preservada por negociação cautelosa.
Se o real motivo for armamentista, equivale a golpe gravíssimo contra a Constituição. O argumento da soberania não procede, pois a adesão não contraria o interesse nacional.
Que interesse haveria em adquirir a bomba para país que não está sob ameaça ou em zona de conflito, tendo completado 140 anos de paz ininterrupta com seus dez vizinhos?
Na hora lancinante da catástrofe do Rio de Janeiro, só o delírio de grandeza e a perda de contato com a realidade explicam desviar recursos escassos para prioridades erradas e desnecessárias como os desvarios atômicos. A realidade que chega pela tela da TV nos revela aonde estão nossos inimigos: não no exterior, mas aqui dentro.
A corrupção e a incompetência diante da urbanização selvagem, a patética incapacidade de salvar vidas, a falta de dinheiro para dar casa decente aos trabalhadores -são essas as ameaças a enfrentar. E não será com submarinos nucleares e urânio enriquecido que vamos diminuir um só desses perigos reais e imediatos.
(Folha de SP, 10/4)
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protocolo adicional,
TNP
2081) Brasil: potencia economica de semiletrados
Há muito tempo, com base unicamente em minha experiência pessoal, venho insistindo no tema educacional, sem ser especialista no setor, e sem sequer fazer pesquisas nessa área. Trata-se de simples percepção pessoal: para mim, o Brasil é um gigante de pés de barro, e mais ainda, se trata de um gigante bobão, com uma classe política e supostas elites sumamente ignorantes, alguns ostentando mesmo o que se poderia chamar de "ignorância enciclopédica" (isto é, espalhando sua estupidez por vários campos do saber e das atividades humanas, e nem preciso lembrar quem é).
Pois bem, creio que este texto de um conhecido especialista no setor ajuda a explicar um pouco as raízes do problema e a agravar o alerta que venho sempre fazendo:
Em matéria de educação, estamos muito pior, mas muuuuiiiito piiiiior do que jamais ousaríamos imaginar, e a situação tende a se agravar, graças ao sindicalismo professoral, às pedagogas freirenas do MEC, às políticas absolutamente erradas do governo (de todos os governos, ou quase).
Acho que o Brasil tem um futuro muito ruim pela frente a persistir essa situação, que aliás não se corrige facilmente, mas exigiria pelos menos uma geração inteira de paciente reconstrução do sistema educacional.
A tragédia, contudo, é que sequer tomamos consciência da situação e ainda não começamos a corrigir o problema...
Paulo Roberto de Almeida
(Shanghai, 13.04.2010)
Brasil: a primeira potência de semiletrados?
Gustavo Ioschpe
Revista Veja, 14.04.2010
"Apesar do oba-oba, o Brasil está próximo de ser um colosso econômico e esquecer a formação de sua gente"
Quando voltei ao Brasil, depois de anos no exterior, queria montar meu escritório rapidamente. Contratei, então, um desses serviços de secretariado virtual para me ajudar enquanto iniciava o processo de busca por uma equipe permanente. Notei que a secretária virtual não era um gênio, mas achei que quebraria o galho. Certo dia, mandei um e-mail a ela pedindo que me conseguisse a informação de contato do cônsul brasileiro em Houston (EUA). Informação encontrável na internet em poucos minutos. Passaram-se cinco minutos, cinco horas, e nada.
Três dias depois, recebi um e-mail da fulana: "Sr. Gustavo, procurei na Cônsul e até na Brastemp, mas ninguém conhece esse tal de Houston". Pensei que fosse piada. Reli. Não era. Para quem havia ficado alguns anos construindo teses acadêmicas sobre a importância da educação para o desenvolvimento das nações, através do seu impacto na produtividade de uma população, estava ali o exemplo pronto e acabado de como é difícil produzir algo quando a ignorância campeia à volta. É assim para uma pessoa, uma empresa e um país.
Os economistas Gustav Ranis, Frances Stewart e Alejandro Ramirez ilustraram essa relação de forma clara. Analisaram 76 países durante um período de 32 anos. Dividiram-nos de acordo com dois critérios: crescimento econômico e desenvolvimento humano (nesse caso, medido através de uma combinação de indicadores de educação e saúde). Usando essas duas dimensões, você pode ter duas situações de equilíbrio (quando o lado humano e o econômico são igualmente altos ou baixos) e duas de desequilíbrio (quando o humano é alto e o econômico baixo, e vice-versa). Surgem algumas conclusões interessantes desse estudo.
A primeira é que as situações de desequilíbrio duram pouco. Se um país tem muito crescimento econômico e pouco capital humano (CH), ele tende a parar de crescer (caso, sim, do Brasil nas décadas de 60 e 70) ou a aumentar seu lado humano.
A segunda: é muito difícil sair de uma situação de equilíbrio negativo: mais da metade dos países que tinham baixo crescimento e baixo CH em 1960 permanecia empacada na mesma posição na década de 90.
A terceira é que o crescimento econômico, quando desacompanhado de evolução do lado humano, dura pouco: de todos os países que tinham alto crescimento econômico e baixo CH no início do período, nenhum conseguiu chegar ao equilíbrio em alto nível. Todos, sem exceção, terminaram o período com baixo crescimento e baixo CH.
A quarta, e mais importante, é que a estratégia de privilegiar o lado humano dá frutos muito melhores do que aquela que enfatiza só o lado econômico: dos países que começaram o período com alto CH e baixo crescimento econômico, um terço chegou ao nirvana da alta renda e alto nível humano; um terço continuou com um lado mais desenvolvido que o outro, e apenas um terço regrediu para o fim trágico do baixo crescimento e baixo CH.
O resumo da ópera é o seguinte: é muito difícil passar de uma situação de subdesenvolvimento e chegar ao chamado Primeiro Mundo. Mas, se o período 1960-92 servir de guia, das duas estratégias possíveis – privilegiar o crescimento econômico versus privilegiar o crescimento humano –, a primeira se mostrou um fracasso total, e só através da segunda é que um terço dos países chegou ao objetivo desejado.
Esse aprendizado é, hoje, especialmente importante para o Brasil. Apesar de todo o oba-oba com o país nas capas de revistas e jornais estrangeiros, o Brasil está, na verdade, perigosamente próximo de repetir a trajetória do fim da década de 60: ser um colosso em termos de crescimento econômico e esquecer a formação de sua gente. Essa estratégia tem destino certo: a falta de pessoas qualificadas faz com que o processo emperre e o crescimento acabe. Temo, inclusive, que seja tarde demais para evitar parte desse enredo: várias indústrias, especialmente as ligadas à engenharia, já têm seu crescimento cerceado pela impossibilidade de encontrar gente qualificada. O problema será muito pior nos próximos vinte anos, à medida que a demanda por pessoas qualificadas for aumentando e as escolas continuarem formando incompetentes.
Há três diferenças importantes entre o momento atual do Brasil e aquele da época do milagre econômico.
A primeira é que o atraso educacional brasileiro em relação aos países desenvolvidos aumentou consideravelmente. Há trinta anos, o ensino superior era um nível para poucos, mesmo nos países mais ricos. Levantamento feito em 2000 mostrou que a porcentagem de adultos com diploma universitário no Brasil era bastante parecida com a de outros países – 1 ou 2 pontos porcentuais abaixo de Chile e Argentina e 3 a 4 pontos abaixo de Itália e França, por exemplo. Quando se olha para a taxa de matrícula atual do ensino universitário, porém, nota-se que o Brasil tem uma diferença de 20 pontos porcentuais para nossos vizinhos latino-americanos e de 40 ou mais pontos para os países desenvolvidos. A maioria dos brasileiros não se dá conta de quão ruim é a educação nacional. Uma pesquisa de 2009 sobre alfabetização, feita pelo Instituto Paulo Montenegro, mostrou que apenas 25% da população adulta brasileira é plenamente alfabetizada. Deixe-me repetir: só um quarto dos brasileiros conseguiria ler e entender um texto como este. Nenhum país jamais se tornou potência com uma população de semianalfabetos. É improvável que o Brasil seja o primeiro, mesmo com todos os recursos naturais de que dispomos.
Segunda diferença: nos anos 60/70, pouquíssimo se falava sobre educação. Hoje, a questão está em pauta. O diacho é que a maior parte do discurso ainda é pré-científica (ou anticientífica) e continua insistindo em teses furadas e demagógicas: que o Brasil investe pouco e que o principal problema é o salário do professor.
A terceira e última é que naquela época éramos uma ditadura inserida no polo pró-americano em um contexto de Guerra Fria, e hoje somos uma democracia altiva em um mundo multipolar. Se então nossos males nos eram impostos por um regime autocrático, hoje temos liberdade e responsabilidade por nossos destinos. Os problemas e os erros são todos nossos, e as soluções também terão de ser.
Pois bem, creio que este texto de um conhecido especialista no setor ajuda a explicar um pouco as raízes do problema e a agravar o alerta que venho sempre fazendo:
Em matéria de educação, estamos muito pior, mas muuuuiiiito piiiiior do que jamais ousaríamos imaginar, e a situação tende a se agravar, graças ao sindicalismo professoral, às pedagogas freirenas do MEC, às políticas absolutamente erradas do governo (de todos os governos, ou quase).
Acho que o Brasil tem um futuro muito ruim pela frente a persistir essa situação, que aliás não se corrige facilmente, mas exigiria pelos menos uma geração inteira de paciente reconstrução do sistema educacional.
A tragédia, contudo, é que sequer tomamos consciência da situação e ainda não começamos a corrigir o problema...
Paulo Roberto de Almeida
(Shanghai, 13.04.2010)
Brasil: a primeira potência de semiletrados?
Gustavo Ioschpe
Revista Veja, 14.04.2010
"Apesar do oba-oba, o Brasil está próximo de ser um colosso econômico e esquecer a formação de sua gente"
Quando voltei ao Brasil, depois de anos no exterior, queria montar meu escritório rapidamente. Contratei, então, um desses serviços de secretariado virtual para me ajudar enquanto iniciava o processo de busca por uma equipe permanente. Notei que a secretária virtual não era um gênio, mas achei que quebraria o galho. Certo dia, mandei um e-mail a ela pedindo que me conseguisse a informação de contato do cônsul brasileiro em Houston (EUA). Informação encontrável na internet em poucos minutos. Passaram-se cinco minutos, cinco horas, e nada.
Três dias depois, recebi um e-mail da fulana: "Sr. Gustavo, procurei na Cônsul e até na Brastemp, mas ninguém conhece esse tal de Houston". Pensei que fosse piada. Reli. Não era. Para quem havia ficado alguns anos construindo teses acadêmicas sobre a importância da educação para o desenvolvimento das nações, através do seu impacto na produtividade de uma população, estava ali o exemplo pronto e acabado de como é difícil produzir algo quando a ignorância campeia à volta. É assim para uma pessoa, uma empresa e um país.
Os economistas Gustav Ranis, Frances Stewart e Alejandro Ramirez ilustraram essa relação de forma clara. Analisaram 76 países durante um período de 32 anos. Dividiram-nos de acordo com dois critérios: crescimento econômico e desenvolvimento humano (nesse caso, medido através de uma combinação de indicadores de educação e saúde). Usando essas duas dimensões, você pode ter duas situações de equilíbrio (quando o lado humano e o econômico são igualmente altos ou baixos) e duas de desequilíbrio (quando o humano é alto e o econômico baixo, e vice-versa). Surgem algumas conclusões interessantes desse estudo.
A primeira é que as situações de desequilíbrio duram pouco. Se um país tem muito crescimento econômico e pouco capital humano (CH), ele tende a parar de crescer (caso, sim, do Brasil nas décadas de 60 e 70) ou a aumentar seu lado humano.
A segunda: é muito difícil sair de uma situação de equilíbrio negativo: mais da metade dos países que tinham baixo crescimento e baixo CH em 1960 permanecia empacada na mesma posição na década de 90.
A terceira é que o crescimento econômico, quando desacompanhado de evolução do lado humano, dura pouco: de todos os países que tinham alto crescimento econômico e baixo CH no início do período, nenhum conseguiu chegar ao equilíbrio em alto nível. Todos, sem exceção, terminaram o período com baixo crescimento e baixo CH.
A quarta, e mais importante, é que a estratégia de privilegiar o lado humano dá frutos muito melhores do que aquela que enfatiza só o lado econômico: dos países que começaram o período com alto CH e baixo crescimento econômico, um terço chegou ao nirvana da alta renda e alto nível humano; um terço continuou com um lado mais desenvolvido que o outro, e apenas um terço regrediu para o fim trágico do baixo crescimento e baixo CH.
O resumo da ópera é o seguinte: é muito difícil passar de uma situação de subdesenvolvimento e chegar ao chamado Primeiro Mundo. Mas, se o período 1960-92 servir de guia, das duas estratégias possíveis – privilegiar o crescimento econômico versus privilegiar o crescimento humano –, a primeira se mostrou um fracasso total, e só através da segunda é que um terço dos países chegou ao objetivo desejado.
Esse aprendizado é, hoje, especialmente importante para o Brasil. Apesar de todo o oba-oba com o país nas capas de revistas e jornais estrangeiros, o Brasil está, na verdade, perigosamente próximo de repetir a trajetória do fim da década de 60: ser um colosso em termos de crescimento econômico e esquecer a formação de sua gente. Essa estratégia tem destino certo: a falta de pessoas qualificadas faz com que o processo emperre e o crescimento acabe. Temo, inclusive, que seja tarde demais para evitar parte desse enredo: várias indústrias, especialmente as ligadas à engenharia, já têm seu crescimento cerceado pela impossibilidade de encontrar gente qualificada. O problema será muito pior nos próximos vinte anos, à medida que a demanda por pessoas qualificadas for aumentando e as escolas continuarem formando incompetentes.
Há três diferenças importantes entre o momento atual do Brasil e aquele da época do milagre econômico.
A primeira é que o atraso educacional brasileiro em relação aos países desenvolvidos aumentou consideravelmente. Há trinta anos, o ensino superior era um nível para poucos, mesmo nos países mais ricos. Levantamento feito em 2000 mostrou que a porcentagem de adultos com diploma universitário no Brasil era bastante parecida com a de outros países – 1 ou 2 pontos porcentuais abaixo de Chile e Argentina e 3 a 4 pontos abaixo de Itália e França, por exemplo. Quando se olha para a taxa de matrícula atual do ensino universitário, porém, nota-se que o Brasil tem uma diferença de 20 pontos porcentuais para nossos vizinhos latino-americanos e de 40 ou mais pontos para os países desenvolvidos. A maioria dos brasileiros não se dá conta de quão ruim é a educação nacional. Uma pesquisa de 2009 sobre alfabetização, feita pelo Instituto Paulo Montenegro, mostrou que apenas 25% da população adulta brasileira é plenamente alfabetizada. Deixe-me repetir: só um quarto dos brasileiros conseguiria ler e entender um texto como este. Nenhum país jamais se tornou potência com uma população de semianalfabetos. É improvável que o Brasil seja o primeiro, mesmo com todos os recursos naturais de que dispomos.
Segunda diferença: nos anos 60/70, pouquíssimo se falava sobre educação. Hoje, a questão está em pauta. O diacho é que a maior parte do discurso ainda é pré-científica (ou anticientífica) e continua insistindo em teses furadas e demagógicas: que o Brasil investe pouco e que o principal problema é o salário do professor.
A terceira e última é que naquela época éramos uma ditadura inserida no polo pró-americano em um contexto de Guerra Fria, e hoje somos uma democracia altiva em um mundo multipolar. Se então nossos males nos eram impostos por um regime autocrático, hoje temos liberdade e responsabilidade por nossos destinos. Os problemas e os erros são todos nossos, e as soluções também terão de ser.
2080) Editorial do Globo sobre o Iran e o problema nuclear
Nunca é tarde para transcrever certas manifestações de princípio, que tem a ver com o núcleo mesmo da política externa brasileira, num momento de definições relevantes.
Veremos como se dá a evolução deste processo.
Brasil à deriva no apoio ao Irã
EDITORIAL
O Globo, 09/04/2010
O presidente Barack Obama recepcionará líderes de 47 países na próxima semana, em Washington, para uma reunião sobre segurança nuclear, com três trunfos na mão: a revisão da política nuclear americana, há pouco anunciada, pela qual os Estados Unidos se comprometem a não usar armas atômicas contra países que não as possuam, exceto estados sem lei, como Irã e Coreia do Norte; a assinatura com a Rússia ontem, em Praga, de um pacto para redução em um terço dos arsenais nucleares, apontando para uma nova era de cooperação entre os grandes ex-inimigos da Guerra Fria (a Rússia é a sucessora legal da União Soviética); e, finalmente, a concordância da China em conversar sobre as novas sanções que os EUA e o Ocidente desejam aplicar ao Irã, pela falta de transparência de seu programa nuclear, considerado uma ameaça em escala mundial.
A revisão da política americana feita pelo governo Obama reflete preocupação, não com outras potências nucleares, como Rússia e China, mas com a proliferação: se estados sem lei, no sentido de não confiáveis, como Irã e Coreia do Norte, obtiverem armas atômicas, ainda que rudimentares, muito mais provável se torna a hipótese de que elas caiam em poder de redes terroristas, como a al-Qaeda. Estaria criado o pesadelo do terror nuclear.
Daí a busca de consenso para a imposição de sanções destinadas a interromper o desenvolvimento do programa nuclear iraniano, uma vez que Teerã rejeita submetê-lo à Agência Internacional de Energia Atômica (em relação à Coreia do Norte, há um trabalho permanente que envolve os EUA, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha).
Nesse contexto, quanto mais cresce a compreensão de que é preciso evitar que o Irã - governado por uma ditadura militar e teocrática com objetivos expansionistas - desenvolva armas nucleares, mais delicada se torna a posição do Brasil. O governo Lula adota uma política externa de protagonismo terceiro-mundista que, para seus artífices, o "Itamaraty do B", é a melhor forma de defender os interesses do país. Ela se pauta, estranhamente, pelo apoio a ditaduras - como as de Cuba, Venezuela e Irã - colocando o Brasil em rota de colisão com os EUA e o mundo. O argumento do presidente Lula é que "o Brasil conversa com todos". O do chanceler Celso Amorim é que não se deve pressionar o Irã porque isso poderá levar a maior radicalização de sua liderança. Imagine-se este argumento aplicado a Hitler.
Os EUA aceleram as gestões para que o Conselho de Segurança da ONU aprove o quanto antes novas sanções ao Irã. A China, o maior aliado iraniano, aceita conversar sobre a hipótese, embora não se possa dizer que vá concordar com ela. Sobra o Brasil, que, claro, também aceita conversar, mas insiste em dar o benefício da dúvida ao Irã. Se não houver uma evolução da posição brasileira, o presidente Lula chegará a Teerã em maio, retribuindo visita de Ahmadinejad a Brasília, em novembro, num um dilema infernal: se o Brasil votar na ONU a favor das sanções, desembarcará como persona non grata. Se recorrer à abstenção, desagradará tanto a Ahmadinejad quanto ao Primeiro Mundo. E se, num ato delirante, votar contra as sanções, a diplomacia brasileira terá ficado refém de Teerã.
Veremos como se dá a evolução deste processo.
Brasil à deriva no apoio ao Irã
EDITORIAL
O Globo, 09/04/2010
O presidente Barack Obama recepcionará líderes de 47 países na próxima semana, em Washington, para uma reunião sobre segurança nuclear, com três trunfos na mão: a revisão da política nuclear americana, há pouco anunciada, pela qual os Estados Unidos se comprometem a não usar armas atômicas contra países que não as possuam, exceto estados sem lei, como Irã e Coreia do Norte; a assinatura com a Rússia ontem, em Praga, de um pacto para redução em um terço dos arsenais nucleares, apontando para uma nova era de cooperação entre os grandes ex-inimigos da Guerra Fria (a Rússia é a sucessora legal da União Soviética); e, finalmente, a concordância da China em conversar sobre as novas sanções que os EUA e o Ocidente desejam aplicar ao Irã, pela falta de transparência de seu programa nuclear, considerado uma ameaça em escala mundial.
A revisão da política americana feita pelo governo Obama reflete preocupação, não com outras potências nucleares, como Rússia e China, mas com a proliferação: se estados sem lei, no sentido de não confiáveis, como Irã e Coreia do Norte, obtiverem armas atômicas, ainda que rudimentares, muito mais provável se torna a hipótese de que elas caiam em poder de redes terroristas, como a al-Qaeda. Estaria criado o pesadelo do terror nuclear.
Daí a busca de consenso para a imposição de sanções destinadas a interromper o desenvolvimento do programa nuclear iraniano, uma vez que Teerã rejeita submetê-lo à Agência Internacional de Energia Atômica (em relação à Coreia do Norte, há um trabalho permanente que envolve os EUA, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha).
Nesse contexto, quanto mais cresce a compreensão de que é preciso evitar que o Irã - governado por uma ditadura militar e teocrática com objetivos expansionistas - desenvolva armas nucleares, mais delicada se torna a posição do Brasil. O governo Lula adota uma política externa de protagonismo terceiro-mundista que, para seus artífices, o "Itamaraty do B", é a melhor forma de defender os interesses do país. Ela se pauta, estranhamente, pelo apoio a ditaduras - como as de Cuba, Venezuela e Irã - colocando o Brasil em rota de colisão com os EUA e o mundo. O argumento do presidente Lula é que "o Brasil conversa com todos". O do chanceler Celso Amorim é que não se deve pressionar o Irã porque isso poderá levar a maior radicalização de sua liderança. Imagine-se este argumento aplicado a Hitler.
Os EUA aceleram as gestões para que o Conselho de Segurança da ONU aprove o quanto antes novas sanções ao Irã. A China, o maior aliado iraniano, aceita conversar sobre a hipótese, embora não se possa dizer que vá concordar com ela. Sobra o Brasil, que, claro, também aceita conversar, mas insiste em dar o benefício da dúvida ao Irã. Se não houver uma evolução da posição brasileira, o presidente Lula chegará a Teerã em maio, retribuindo visita de Ahmadinejad a Brasília, em novembro, num um dilema infernal: se o Brasil votar na ONU a favor das sanções, desembarcará como persona non grata. Se recorrer à abstenção, desagradará tanto a Ahmadinejad quanto ao Primeiro Mundo. E se, num ato delirante, votar contra as sanções, a diplomacia brasileira terá ficado refém de Teerã.
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2079) Elogio da Burguesia - Paulo R. Almeida
Meu mais recente trabalho publicado (sim, um elogio à burguesia, da qual, por sinal, eu não me considero membro):
959. “Elogio da burguesia (com uma deixa para a aristocracia também)”
Via Política (10.04.2010); Relação de Originais n. 2127.
Link: http://www.viapolitica.com.br/diplomatizando_view.php?id_diplomatizando=131.
959. “Elogio da burguesia (com uma deixa para a aristocracia também)”
Via Política (10.04.2010); Relação de Originais n. 2127.
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