Revisões de mitos sempre são bem-vindas. Eu, pelo menos, me considero um iconoclasta e um anarquista histórico, ainda que o revisionismo, para ser consistente, necessite estar embasado em sérias pesquisas e frutificar ao longo de uma reflexão bem argumentada. Esse é o caso do livro do historiador Luis Claudio Villafane, aqui resenhado por um jornalista.
Ele simplesmente começa a revisar um dos nossos maiores mitos, já que figura no Panteão virtual da pátria, junto com Tiradentes e alguns poucos mais.
Até 2012, quando comemoraremos os cem anos da morte do barão, no Carnaval justamente, teremos oportunidade de voltar ao assunto. Louve-se, em todo caso, o início deste debate na obra de Villafane, que poderia ser designado, desde já, como nosso "founding academic".
Cheers!
Paulo Roberto de Almeida
Como Rio Branco inventou o Brasil
MARCOS GUTERMAN
O Estado de S.Paulo, 19 de fevereiro de 2011
Em tempos de ufanismo revisitado, que a propaganda estatal reduz ao "orgulho de ser brasileiro" em relação ao resto do mundo, o livro recém-lançado O Dia em Que Adiaram o Carnaval (Unesp), do diplomata e historiador Luís Cláudio Villafañe Gomes Santos, revela-se um ensaio precioso, ao reconstituir a invenção da nacionalidade brasileira.
O título da obra diz respeito à curiosa ordem do governo republicano de adiar o carnaval em respeito à morte de José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, em 10 de fevereiro de 1912. Rio Branco tinha status de astro, porque lhe era atribuído o feito de ter desenhado as fronteiras do País - isto é, de ter dado um "corpo" à pátria que estava sendo criada.
Villafañe faz uma reflexão sobre o mito do Barão como construtor da nacionalidade e sua identificação com uma "certa ideia de Brasil" quase um século depois da independência. Trata-se de uma "paralisadora herança", como comentou o embaixador Rubens Ricupero a propósito da persistente imagem de um país que atua no exterior tendo como lastro o genoma da "tolerância natural do brasileiro", descrito por Stefan Zweig em Brasil, País do Futuro (1941).
O modo como o Brasil se enxerga no mundo, traduzido em sua política externa, é portanto o eixo em torno do qual Villafañe trabalha. A construção política dessa entidade, mostra o autor, começa como afirmação antilusitana e, ao mesmo tempo, como contraponto monárquico "ordeiro" ao "caos" republicano dos vizinhos latino-americanos. A "nação brasileira" que surge daí é formada por brancos europeus ricos. A escravidão criará o desconforto de uma imensa massa de pessoas que estão em toda parte, mas não integram a nação.
O sentido nacional só se completará no período republicano, mas a desigualdade social dificultou drasticamente a legitimidade do Estado. A "invenção" do Brasil, naquela oportunidade, dividia-se entre o passado português e a afirmação do mundo americano, sem lugar, contudo, para os brasileiros comuns.
Mesmo a república, porém, não ofereceu à massa, de imediato, um lugar na construção da identidade nacional brasileira. Foi preciso que houvesse a difusão das culturas ditas "subalternas", contaminando a atmosfera da elite com o carnaval e o futebol como elos da nacionalidade. Foi necessário ainda criar "heróis" para representar o evangelho republicano - e Tiradentes foi o primeiro deles, embora tenha sido representante de um movimento que nem de longe era nacionalista; mas o alferes (ou a imagem que foi criada para ele) era alguém construído para simbolizar a união dos cidadãos, a participação popular e a luta autêntica pela independência.
A identidade internacional do Brasil, diz o autor, tem como referência fundamental, desde seu início como país independente, a América - entendida primeiramente como os EUA e depois como as repúblicas latino-americanas. O Brasil foi o único país americano que, em sua independência, não desenvolveu proximidade com a ideia de ruptura com o modo de vida europeu. Com a república, o antiamericanismo monárquico foi substituído pela defesa do "espírito americano". É justamente com Rio Branco que a aliança com os EUA se consolida, sob a perspectiva de domínio geral estadunidense nas Américas e na hegemonia brasileira no nível sul-americano.
A partir de Getúlio Vargas, e desde então com esporádicos intervalos, a política externa brasileira se fundaria na dimensão do desenvolvimento econômico nacional em contraponto ao Hemisfério Norte, num apenas aparente afastamento do evangelho de Rio Branco. No início da Guerra Fria, o Brasil viu-se em condições de invocar o americanismo do Barão para cobrar tratamento preferencial dos EUA. A frustração com a resposta vaga de Washington a esse pleito - e também à promessa de um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, feita pelo presidente Franklin Roosevelt a Vargas - empurrou o Brasil para uma aproximação maior com os demais países latino-americanos e para a ideia de que havia um bloco regional de subdesenvolvidos, entre os quais os brasileiros passaram a se incluir, que precisavam ser ouvidos.
Esse bloco se considerava moralmente superior às potências globais, porque seria vítima da corrida armamentista e das guerras imperialistas. Tal movimento rompeu a bipolaridade Leste-Oeste da Guerra Fria e estabeleceu a complexidade do debate Norte-Sul, com a defesa de um modelo de desenvolvimento fortemente estatal, em contraponto à doutrina democrático-liberal que se consideraria vitoriosa na queda do Muro de Berlim e que se fazia representar pelos EUA, justamente o "outro" na relação com a América Latina ao longo do século 20.
A identificação latino-americana, de tão importante para a nova etapa da ideia de nação brasileira, foi inscrita na Constituição de 1988. O discurso do Brasil hoje, sobre seu lugar no mundo, é fincado essencialmente na afirmação da liderança continental, ainda tendo como referência os EUA, numa inequívoca demonstração da resistência, mesmo controversa, da herança do Barão do Rio Branco - o nosso "Founding Father".
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Aquecimento global (antropico): a visao cetica... (800 papers)
A coleção de artigos (centenas) referenciada (parcialmente) abaixo, pretende se oferecer como um contrapeso ao "pensamento único" atualmente dominante quanto aos efeitos catastróficos do aquecimento global antrópico (ou seja, criado pelo homem). Não que ele não possa ser catastrófico, mas é que se formou uma coalizão de ecologistas, cientistas e profetas do apocalipse que nos anunciam, todo santo dia (com perdão dos crentes) que "o fim está próximo" (vocês sabem: aqueles malucos barbudos, de túnicas brancas, carregando um cartaz: "The End is Near", ao que os milenaristas e salvacionistas agregariam "Repent Yourself!").
Transcrevo aqui apenas a parte introdutória e o link para o conjunto.
Paulo Roberto de Almeida
850 Peer-Reviewed Papers Supporting Skepticism of "Man-Made" Global Warming (AGW) Alarm
Popular Technology Net, FRIDAY, JANUARY 14, 2011
The following papers support skepticism of AGW or the negative environmental or socio-economic effects of AGW. Addendums, comments, corrections, erratum, replies, responses and submitted papers are not included in the peer-reviewed paper count. These are included as references in defense of various papers. There are many more listings than just the 850 counted papers. This list will be updated and corrected as necessary.
AGW Alarm: (Defined) negative environmental or socio-economic effect of AGW, usually exaggerated as catastrophic.
Criticisms: All criticisms of this list have been refuted or a change made to correct the issue. Please see the notes following the list for defenses of common criticisms. I make every attempt to defend the list where possible, in many cases my comments correcting the misinformation stated about the list are deleted and I am blocked from replying. Please email me if you have any questions or need me to address something, populartechnology (at) gmail (dot) com.
Disclaimer: The inclusion of a paper in this list does not imply a specific personal position to any of the authors. The reason for this is a small minority of authors on the list would not wish to be labeled skeptical yet their paper(s) or results from their paper(s) support skeptic's arguments against AGW alarm.
Formatting: All papers are cited as: "Paper Name, Journal Name, Volume, Issue or Number, Pages, Date and Authors". All "addendums, comments, corrections, erratum, replies, responses and submitted papers" are preceded by a " - " and italicized. Ordering of the papers is alphabetical by title except for the Hockey Stick, Cosmic Rays and Solar sections which are chronological.
Peer-Reviewed: (Defined) of or being scientific or scholarly writing or research that has undergone evaluation by other experts in the field to judge if it merits publication.
Purpose: To provide a resource for peer-reviewed papers that support skepticism of AGW or the negative environmental or socio-economic effects of AGW and to prove that these papers exist contrary to widely held beliefs.
Todos os papers neste link.
A 2000-year global temperature reconstruction based on non-treering proxies (PDF)
(Energy & Environment, Volume 18, Numbers 7-8, pp. 1049-1058, December 2007)
- Craig Loehle
- Correction to: A 2000-Year Global Temperature Reconstruction Based on Non-Tree Ring Proxies (PDF)
(Energy & Environment, Volume 19, Number 1, pp. 93-100, January 2008)
- Craig Loehle, J. Huston McCulloch
Transcrevo aqui apenas a parte introdutória e o link para o conjunto.
Paulo Roberto de Almeida
850 Peer-Reviewed Papers Supporting Skepticism of "Man-Made" Global Warming (AGW) Alarm
Popular Technology Net, FRIDAY, JANUARY 14, 2011
The following papers support skepticism of AGW or the negative environmental or socio-economic effects of AGW. Addendums, comments, corrections, erratum, replies, responses and submitted papers are not included in the peer-reviewed paper count. These are included as references in defense of various papers. There are many more listings than just the 850 counted papers. This list will be updated and corrected as necessary.
AGW Alarm: (Defined) negative environmental or socio-economic effect of AGW, usually exaggerated as catastrophic.
Criticisms: All criticisms of this list have been refuted or a change made to correct the issue. Please see the notes following the list for defenses of common criticisms. I make every attempt to defend the list where possible, in many cases my comments correcting the misinformation stated about the list are deleted and I am blocked from replying. Please email me if you have any questions or need me to address something, populartechnology (at) gmail (dot) com.
Disclaimer: The inclusion of a paper in this list does not imply a specific personal position to any of the authors. The reason for this is a small minority of authors on the list would not wish to be labeled skeptical yet their paper(s) or results from their paper(s) support skeptic's arguments against AGW alarm.
Formatting: All papers are cited as: "Paper Name, Journal Name, Volume, Issue or Number, Pages, Date and Authors". All "addendums, comments, corrections, erratum, replies, responses and submitted papers" are preceded by a " - " and italicized. Ordering of the papers is alphabetical by title except for the Hockey Stick, Cosmic Rays and Solar sections which are chronological.
Peer-Reviewed: (Defined) of or being scientific or scholarly writing or research that has undergone evaluation by other experts in the field to judge if it merits publication.
Purpose: To provide a resource for peer-reviewed papers that support skepticism of AGW or the negative environmental or socio-economic effects of AGW and to prove that these papers exist contrary to widely held beliefs.
Todos os papers neste link.
A 2000-year global temperature reconstruction based on non-treering proxies (PDF)
(Energy & Environment, Volume 18, Numbers 7-8, pp. 1049-1058, December 2007)
- Craig Loehle
- Correction to: A 2000-Year Global Temperature Reconstruction Based on Non-Tree Ring Proxies (PDF)
(Energy & Environment, Volume 19, Number 1, pp. 93-100, January 2008)
- Craig Loehle, J. Huston McCulloch
Serviço de internet é cortado na Líbia: ja vimos esse filme...
Todas as ditaduras se parecem?
Talvez sim: no ridículo...
Serviço de internet é cortado na Líbia
19 Feb 2011 09:04 AM
O serviço de internet na Líbia foi cortado neste sábado (19), informam as agências internacionais de notícias. A rede vinha sendo utilizada por manifestantes para convocar a população às ruas e protestar contra o governo
Talvez sim: no ridículo...
Serviço de internet é cortado na Líbia
19 Feb 2011 09:04 AM
O serviço de internet na Líbia foi cortado neste sábado (19), informam as agências internacionais de notícias. A rede vinha sendo utilizada por manifestantes para convocar a população às ruas e protestar contra o governo
Pausa para... piadas cubanas (absolutamente deprimentes)
Essas "piadas" cubanas não merecem, de nenhuma forma, o termo, pois são horríveis, deprimentes, totalmente sem graça.
Algum amigo de Fidel poderia dizer: "Claro!: são piadas contrarrevolucionárias, feitas pelos "gusanos" de Miami, inimigos do socialismo e aliados do império".
Pode até ser.
Mas elas não deixam de revelar o tipo de "brincadeira" que os cubanos inventam para "hacer broma" com sua situação alimentar pavorosa, e sua condição material simplesmente delirante.
Paulo Roberto de Almeida
Piadas Cubanas
Em Cuba, um menino chega da escola faminto e pergunta à sua mãe :
— Mamãe, o que vamos comer ?
— Nada, filhinho.
O menino vê o papagaio da casa e diz :
— Nem papagaio com arroz ?
— Não temos arroz, filhinho.
— E papagaio assado ?
— Não temos gás.
— Assa na churrasqueira elétrica !
— Não temos eletricidade, filho.
— Que tal papagaio frito ?
— Não temos óleo, querido.
Grita o papagaio :
— VIVA FIDEL !!! VIVA FIDEL !!!
***
Professora cubana mostra aos alunos um retrato do presidente Bush, e pergunta à classe:
— De quem é este retrato ?
Silêncio absoluto.
— Eu vou ajudar vocês um pouquinho. É por culpa deste senhor que nós estamos passando fome.
— Ah, professora ! É que sem a barba e o uniforme não dava para reconhecer!
***
Fidel está fazendo um de seus famosos discursos:
— E a partir de agora teremos de fazer mais sacrifícios!
Diz alguém na multidão :
— Trabalharemos o dobro!
— ... E temos de entender que haverá menos alimentos!
Diz a mesma voz:
— Trabalharemos o triplo!
— ... E as dificuldades vão aumentar!
Completa a mesma voz:
— Trabalharemos o quádruplo!
Aí o Fidel pergunta ao chefe de segurança:
— Quem é esse sujeito que vai trabalhar tanto?
— O coveiro, mi comandante.
***
O governo revolucionário vai tomar todas as providências para que
nenhum cubano vá para a cama sem comer :
Claro - vai recolher todas as camas.
***
O pai cubano pergunta ao filho pequeno :
— O que você quer ser quando crescer ?
— Estrangeiro.
***
Putin foi a Cuba e ficou impressionado com o número de pessoas usando sapatos com solas furadas, rasgados em cima, etc...
Estranhou que, depois de passados 40 anos de “melhoras”, as pessoas ainda estavam com sapatos rasgados e maltratados.
Perguntou a Fidel a razão disso. Fidel, indignado, respondeu com uma pergunta :
— E na Rússia, não é a mesma coisa ? Vai me dizer que lá todo mundo tem sapato novo ?
Putin disse a Fidel que fosse à Rússia para conferir. E se ele encontrasse um cidadão qualquer com sapatos furados,
tinha a permissão para matar essa pessoa. Fidel tomou um avião e se mandou para Moscou. Quando desembarcou,
a primeira pessoa que viu estava com sapatos rasgados e furados, que pareciam ter pertencido ao avô. Não titubeou.
Tirou a pistola e matou o sujeito. Afinal, tinha permissão de seu colega Putin para fazer isso.
No dia seguinte os jornais anunciaram :
“”PRESIDENTE de CUBA MATA SEU EMBAIXADOR no AEROPORTO””.
***
Fidel Castro morre e chega no céu, mas não estava na lista. Assim, São Pedro o manda ao inferno.
Quando chega lá, o diabo em pessoa o recebe e diz :
— Olá, Fidel, seja bem-vindo. Eu estava à sua espera. Aqui você vai se sentir em casa.
— Obrigado, Satanás, mas estive primeiro no céu e esqueci minhas malas lá em cima, na portaria.
— Não se preocupe. Vou enviar dois diabinhos para pegar suas coisas.
Os dois diabinhos chegam às portas do céu, mas as encontram fechadas, porque São Pedro tinha saído para almoçar.
Um dos diabinhos diz ao outro:
— Olha, é melhor pularmos o muro. Aí pegamos as malas sem perturbar ninguém.
Os dois diabinhos começam a escalar o muro. Dois anjinhos passavam por ali, e ao verem os diabinhos, um comenta com o outro:
— Não faz nem dez minutos que Fidel está no inferno, e já temos refugiados.
Algum amigo de Fidel poderia dizer: "Claro!: são piadas contrarrevolucionárias, feitas pelos "gusanos" de Miami, inimigos do socialismo e aliados do império".
Pode até ser.
Mas elas não deixam de revelar o tipo de "brincadeira" que os cubanos inventam para "hacer broma" com sua situação alimentar pavorosa, e sua condição material simplesmente delirante.
Paulo Roberto de Almeida
Piadas Cubanas
Em Cuba, um menino chega da escola faminto e pergunta à sua mãe :
— Mamãe, o que vamos comer ?
— Nada, filhinho.
O menino vê o papagaio da casa e diz :
— Nem papagaio com arroz ?
— Não temos arroz, filhinho.
— E papagaio assado ?
— Não temos gás.
— Assa na churrasqueira elétrica !
— Não temos eletricidade, filho.
— Que tal papagaio frito ?
— Não temos óleo, querido.
Grita o papagaio :
— VIVA FIDEL !!! VIVA FIDEL !!!
***
Professora cubana mostra aos alunos um retrato do presidente Bush, e pergunta à classe:
— De quem é este retrato ?
Silêncio absoluto.
— Eu vou ajudar vocês um pouquinho. É por culpa deste senhor que nós estamos passando fome.
— Ah, professora ! É que sem a barba e o uniforme não dava para reconhecer!
***
Fidel está fazendo um de seus famosos discursos:
— E a partir de agora teremos de fazer mais sacrifícios!
Diz alguém na multidão :
— Trabalharemos o dobro!
— ... E temos de entender que haverá menos alimentos!
Diz a mesma voz:
— Trabalharemos o triplo!
— ... E as dificuldades vão aumentar!
Completa a mesma voz:
— Trabalharemos o quádruplo!
Aí o Fidel pergunta ao chefe de segurança:
— Quem é esse sujeito que vai trabalhar tanto?
— O coveiro, mi comandante.
***
O governo revolucionário vai tomar todas as providências para que
nenhum cubano vá para a cama sem comer :
Claro - vai recolher todas as camas.
***
O pai cubano pergunta ao filho pequeno :
— O que você quer ser quando crescer ?
— Estrangeiro.
***
Putin foi a Cuba e ficou impressionado com o número de pessoas usando sapatos com solas furadas, rasgados em cima, etc...
Estranhou que, depois de passados 40 anos de “melhoras”, as pessoas ainda estavam com sapatos rasgados e maltratados.
Perguntou a Fidel a razão disso. Fidel, indignado, respondeu com uma pergunta :
— E na Rússia, não é a mesma coisa ? Vai me dizer que lá todo mundo tem sapato novo ?
Putin disse a Fidel que fosse à Rússia para conferir. E se ele encontrasse um cidadão qualquer com sapatos furados,
tinha a permissão para matar essa pessoa. Fidel tomou um avião e se mandou para Moscou. Quando desembarcou,
a primeira pessoa que viu estava com sapatos rasgados e furados, que pareciam ter pertencido ao avô. Não titubeou.
Tirou a pistola e matou o sujeito. Afinal, tinha permissão de seu colega Putin para fazer isso.
No dia seguinte os jornais anunciaram :
“”PRESIDENTE de CUBA MATA SEU EMBAIXADOR no AEROPORTO””.
***
Fidel Castro morre e chega no céu, mas não estava na lista. Assim, São Pedro o manda ao inferno.
Quando chega lá, o diabo em pessoa o recebe e diz :
— Olá, Fidel, seja bem-vindo. Eu estava à sua espera. Aqui você vai se sentir em casa.
— Obrigado, Satanás, mas estive primeiro no céu e esqueci minhas malas lá em cima, na portaria.
— Não se preocupe. Vou enviar dois diabinhos para pegar suas coisas.
Os dois diabinhos chegam às portas do céu, mas as encontram fechadas, porque São Pedro tinha saído para almoçar.
Um dos diabinhos diz ao outro:
— Olha, é melhor pularmos o muro. Aí pegamos as malas sem perturbar ninguém.
Os dois diabinhos começam a escalar o muro. Dois anjinhos passavam por ali, e ao verem os diabinhos, um comenta com o outro:
— Não faz nem dez minutos que Fidel está no inferno, e já temos refugiados.
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piada da semana
"Progressos" da educacao brasileira (e como...)
Sem comentários (e precisa?)...
O professor que levou o narcotráfico, a cocaína e o tráfico de armas para dentro da escola!
Reinaldo Azevedo, 19/02/11
Um professor de matemática da escola João Octávio dos Santos, que fica no Morro do São Bento, em Santos, resolveu aplicar uma estranha prova, conforme vocês verão abaixo. Leiam com atenção. Volto em seguida:
Por Talita Bedinelli, na Folha:
“Zaroio tem um fuzil AK-47 com um carregador de 80 balas. Em cada rajada ele gasta 13 balas. Quantas rajadas ele poderá disparar?”
A questão acima fazia parte de uma avaliação diagnóstica voltada para alunos de 14 anos de uma escola estadual de Santos (litoral de São Paulo), segundo pais e estudantes ouvidos pela Folha. O professor queria testar os conhecimentos em matemática dos alunos do ensino médio no primeiro dia de aula, na última segunda-feira.
Além da questão, eles deveriam responder a outros cinco problemas que versavam sobre a fabricação de cocaína e o lucro com a sua venda, o consumo de crack, a venda de heroína “batizada” e o dinheiro recebido por um assassinato encomendado. A prova, que teria conteúdo quase idêntico ao de mensagem que circula pela internet satirizando o crime organizado no Rio, teria sido aplicada em ao menos duas salas (uma de 3º ano e outra de 1º), com cerca de 80 alunos.
A Secretaria Estadual de Educação diz que o professor de matemática foi afastado e o caso será investigado. A prova deveria ser respondida e entregue ao professor, mas uma das alunas, de 14 anos, sem entender os enunciados, levou para a casa e pediu ajuda aos pais. “Fiquei chocada. Nas questões o crime só dá lucro”, diz a mãe da menina que procurou a direção da escola e registrou um boletim de ocorrência na polícia.
Segundo os estudantes, o professor dá aulas na escola há pelo menos cinco anos e já foi vice-diretor. Os estudantes dizem considerá-lo bom. “A gente viu as questões e deu risada. Se fosse algo mais suave ninguém teria prestado atenção”, diz Renato dos Santos Menezes, 18, estudante da sala do 3º ano que também fez a prova.
Uma aluna diz que em 2010 ele aplicou um exercício com conteúdo parecido. A questão, vista pela Folha, pedia para os estudantes calcularem quantas rotas de fuga teria uma quadrilha que vai assaltar uma joalheria em um shopping center.
A escola João Octávio dos Santos fica no Morro do São Bento, região com problemas de criminalidade. A Folha não localizou o professor, que pode ser indiciado por apologia ao crime.
Voltei [Reinaldo Azevedo]
E aí? Uma das cascatas mais vigaristas e influentes da educação reza que o “educador” deve respeitar o “universo do educando”, usando elementos do seu cotidiano para, a partir daí, fazer uma reflexão política. É coisa de esquerdopata, é óbvio. Seu maior teórico foi Paulo Freire, secretário da educação de Luíza Erundina na prefeitura de São Paulo e homem que introduziu em São Paulo o que ficou conhecido como “progressão continuada” — sim, é obra do PT!
Eis aí… Se o professor não é só um vapor barato do narcotráfico ou maluco, então tem na cabeça um monte dessas titicas paulo-freirianas. Ainda voltarei a esse assunto em outros posts: o dito-cujo é apenas a expressão mais pontualmente escandalosa de mal mais geral.
O professor que levou o narcotráfico, a cocaína e o tráfico de armas para dentro da escola!
Reinaldo Azevedo, 19/02/11
Um professor de matemática da escola João Octávio dos Santos, que fica no Morro do São Bento, em Santos, resolveu aplicar uma estranha prova, conforme vocês verão abaixo. Leiam com atenção. Volto em seguida:
Por Talita Bedinelli, na Folha:
“Zaroio tem um fuzil AK-47 com um carregador de 80 balas. Em cada rajada ele gasta 13 balas. Quantas rajadas ele poderá disparar?”
A questão acima fazia parte de uma avaliação diagnóstica voltada para alunos de 14 anos de uma escola estadual de Santos (litoral de São Paulo), segundo pais e estudantes ouvidos pela Folha. O professor queria testar os conhecimentos em matemática dos alunos do ensino médio no primeiro dia de aula, na última segunda-feira.
Além da questão, eles deveriam responder a outros cinco problemas que versavam sobre a fabricação de cocaína e o lucro com a sua venda, o consumo de crack, a venda de heroína “batizada” e o dinheiro recebido por um assassinato encomendado. A prova, que teria conteúdo quase idêntico ao de mensagem que circula pela internet satirizando o crime organizado no Rio, teria sido aplicada em ao menos duas salas (uma de 3º ano e outra de 1º), com cerca de 80 alunos.
A Secretaria Estadual de Educação diz que o professor de matemática foi afastado e o caso será investigado. A prova deveria ser respondida e entregue ao professor, mas uma das alunas, de 14 anos, sem entender os enunciados, levou para a casa e pediu ajuda aos pais. “Fiquei chocada. Nas questões o crime só dá lucro”, diz a mãe da menina que procurou a direção da escola e registrou um boletim de ocorrência na polícia.
Segundo os estudantes, o professor dá aulas na escola há pelo menos cinco anos e já foi vice-diretor. Os estudantes dizem considerá-lo bom. “A gente viu as questões e deu risada. Se fosse algo mais suave ninguém teria prestado atenção”, diz Renato dos Santos Menezes, 18, estudante da sala do 3º ano que também fez a prova.
Uma aluna diz que em 2010 ele aplicou um exercício com conteúdo parecido. A questão, vista pela Folha, pedia para os estudantes calcularem quantas rotas de fuga teria uma quadrilha que vai assaltar uma joalheria em um shopping center.
A escola João Octávio dos Santos fica no Morro do São Bento, região com problemas de criminalidade. A Folha não localizou o professor, que pode ser indiciado por apologia ao crime.
Voltei [Reinaldo Azevedo]
E aí? Uma das cascatas mais vigaristas e influentes da educação reza que o “educador” deve respeitar o “universo do educando”, usando elementos do seu cotidiano para, a partir daí, fazer uma reflexão política. É coisa de esquerdopata, é óbvio. Seu maior teórico foi Paulo Freire, secretário da educação de Luíza Erundina na prefeitura de São Paulo e homem que introduziu em São Paulo o que ficou conhecido como “progressão continuada” — sim, é obra do PT!
Eis aí… Se o professor não é só um vapor barato do narcotráfico ou maluco, então tem na cabeça um monte dessas titicas paulo-freirianas. Ainda voltarei a esse assunto em outros posts: o dito-cujo é apenas a expressão mais pontualmente escandalosa de mal mais geral.
Relacoes Brasil-EUA: a caminho da normalidade?
Parece um pouco ridículo, mas o Brasil ainda tem gente -- jornalistas, acadêmicos, "populares", em geral -- que ainda mantêm uma visão maniqueísta em torno das relações bilaterais, alguns vendo os perigos de sempre (dominação "imperial", "dependência", essas bobagens), outros achando que disso depende nossa afirmação no mundo, nosso crescimento, etc. Nem uma coisa, nem outra, obviamente.
Teve até um falador contumaz (não preciso dizer quem era) que queria "libertar" o Brasil da "dependência" do comércio com os EUA, como se isso fosse positivo. O chanceler seguiu o falastrão nessa bobagem imensa, e saiu a proclamar a tal de "nova geografia comercial", uma coisa tão ridícula que nem precisa comentar mais.
Acho que a entrevista com o Embaixador americano recoloca a questão das relações bilaterais no plano certo, isto é, normal. A despeito do tom burocrático, quase enfadonho em ressaltar em diplomatês as convergências, fica num plano correto, normal, enfim.
Paulo Roberto de Almeida
Thomas Shannon: "Manipular a moeda está errado"
Helio Gurovitz
Revista Época, 19/02/2011
QUEM É
Diplomata de carreira, é embaixador dos Estados Unidos no Brasil desde fevereiro de 2010. É casado e tem dois filhos
O QUE FEZ
Doutorou-se em ciência política pela Universidade de Oxford (Reino Unido). Foi assessor especial da Embaixada em Brasília (1989-1992) e secretário de Estado adjunto para o Hemisfério Ocidental (2005-2009)
O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, deixou escapar uma palavra em português durante a entrevista que concedeu a ÉPOCA na embaixada, em Brasília: inédito. Foi assim que ele definiu o pacote oferecido pela Boeing ao governo brasileiro para tentar vencer a concorrência na renovação da frota de caças da Força Aérea. É claro que o presidente americano, Barack Obama, não vem ao Brasil em março falar apenas de caças. Depois de divergências significativas entre Brasil e Estados Unidos durante o governo Lula, Shannon considera a visita um marco nas relações entre os dois países e um sinal do “respeito americano pela presidenta Dilma Rousseff”. A seguir, os principais trechos da entrevista.
ÉPOCA - Por que Obama vem ao Brasil?
Thomas Shannon – Será sua primeira viagem à América do Sul. E a primeira parada será o Brasil. É um claro sinal do interesse e respeito americano pelo Brasil, pela presidenta (Dilma) Rousseff. E o desejo de reforçar uma emergente parceria global cada vez mais importante, à medida que o Brasil consolide sua posição de líder mundial. É um claro reconhecimento de que o Brasil não é só um ator regional, mas mundial. Há ainda o desejo de aprofundar e expandir a parceria que os dois países já têm, com um olho no futuro. O terceiro motivo seria o desejo de melhorar nossas relações comerciais e de investimento. Embora os países estejam negociando mais do que nunca em números absolutos, em números relativos tem havido uma queda.
ÉPOCA - A China ultrapassou os EUA como maior parceiro comercial do Brasil.
Shannon – Temos de abordar isso. Acreditamos que nossas relações comerciais com o Brasil são importantes. Nossa economia e nossas empresas estão se tornando cada vez mais interdependentes. Há outro fenômeno interessante: o crescimento conjunto de nossas sociedades e o modo como estão conectadas. Podemos vê-las por meio do comércio e dos investimentos, pelo nível das universidades ou da pesquisa científica. E até entre as igrejas, em especial igrejas evangélicas, um movimento social e religioso forte no Brasil e nos EUA. Mas também vemos isso no turismo. O Brasil é o país que mais manda turistas para a Flórida. E não apenas a Flórida. Os brasileiros vão a Nova York, Las Vegas, Los Angeles e, à medida que conhecerem mais os Estados Unidos, irão a mais lugares. E, por causa da Copa e das Olimpíadas, mais americanos virão ao Brasil.
ÉPOCA - E a relação com a China?
Shannon – A China é um ator muito importante no mundo e na América do Sul, além de um parceiro dos EUA e do Brasil. Ambos têm o interesse comum de construir relações positivas com a China, que lhe permitam inserir-se na economia mundial e no ambiente político de uma forma positiva. Esse é um desafio significativo, dado o tamanho da economia chinesa e a quantidade de suas reservas cambiais.
ÉPOCA - E, claro, a taxa de câmbio que mantém essas reservas altas...
Shannon – O secretário (do Tesouro, Timothy) Geithner teve boas conversas com o ministro (Guido) Mantega (da Fazenda), com o presidente (Alexandre) Tombini, do Banco Central, e, claro, com a presidenta Rousseff. Concordamos que a manipulação da moeda para fins comerciais é errada e distorce mercados. E aqueles que arcam com o ônus disso são economias emergentes como a brasileira. Por causa da boa gestão econômica, das fortes políticas anti-inflação e do controle de capital em outros lugares do mundo, elas se tornam um ímã para dólares. Isso tem impacto econômico, com a apreciação do real, sentido aqui e lá fora.
ÉPOCA - Dilma é diferente de Lula?
Shannon – A relação Brasil-EUA está num rumo positivo, como no governo Lula. Mas o desafio não está apenas entre Brasil e EUA. Está no resto do mundo. O que definirá nossa relação com a presidenta Rousseff não é tanto uma questão de boas intenções, porque elas existem e sempre existiram, mas sim os desafios que ambos enfrentaremos. Porque está havendo mudanças. Vemos isso agora no Egito e no Oriente Médio.
ÉPOCA - A presidenta Dilma mudou a posição brasileira em relação ao Irã?
Shannon – Há aspectos de continuidade e de mudança. Houve mudança na forma como o Brasil lida com os direitos humanos, seja em relação ao apedrejamento de Sakineh (Ashtiani, condenada no Irã por adultério), seja, de uma forma mais ampla, quanto à repressão de atividades políticas. A posição da presidenta Rousseff tem sido marcante. Mas ainda temos diferenças em relação ao Irã. O ponto positivo é que ambos temos uma melhor compreensão da questão agora. No caso do Egito, a posição brasileira foi cautelosa, prudente.
ÉPOCA - Há alguma chance de os EUA derrubarem as barreiras a nosso etanol?
Shannon – Espera-se que sim. Mas é uma questão complicada. Uma das áreas de interesse de cooperação e inovação é a busca de meios para ir além das tradicionais matérias-primas para fabricar biocombustíveis, milho e cana. Em alguns aspectos, essa é uma solução para a questão das tarifas. Em última instância, se os biocombustíveis se tornarem parte da matriz energética, eles precisam ser feitos a partir de outras matérias-primas.
ÉPOCA - O senhor ainda tem esperança de que o Brasil compre os caças F-18, da Boeing, para renovar sua frota?
Shannon – A competição ainda está em andamento e a Boeing está nela. Acreditamos que fez a melhor oferta. Primeiro, porque é o melhor avião. Segundo, a transferência de tecnologia é melhor que a das outras empresas. Por causa da natureza extensiva de nossa oferta, e das garantias políticas. Há um ponto interessante que permite que alguns componentes críticos da aeronave sejam produzidos aqui. Isso cria uma parceria para a produção do F-18 tal que a Boeing vai precisar do Brasil tanto quanto o Brasil precisará da Boeing. É algo inédito (Shannon usa a palavra em português). Se a Boeing entrar nesse mercado, vai construir uma parceria duradoura com o Brasil. No debate sobre os caças, há algumas questões falsas. Dizem que o Brasil tem de escolher um avião inferior para obter o melhor acordo de transferência de tecnologia. Em outras palavras, usar uma decisão de política de defesa para fazer política industrial. Mas vocês podem escolher o melhor avião e trazer um pacote de transferência de tecnologia muito interessante. É o que a Boeing oferece. Um país grande como é o Brasil, com o tipo de espaço aéreo que tem de controlar, tanto na terra quanto no mar, precisa de uma aeronave capaz de sobrevoar todo o país, que possa ser lançada de porta-aviões, usada em múltiplas missões e tenha a capacidade de lutar contra qualquer outra aeronave. É obviamente o que o F-18 oferece. Um país como o Brasil não pode se contentar com o segundo melhor.
ÉPOCA - O Brasil tem a oportunidade de exportar urânio. Isso lhe parece um risco?
Shannon – Vejo como um produto natural do sucesso do compromisso brasileiro em relação ao uso pacífico de energia nuclear civil. O Brasil é um parceiro muito confiável em termos nucleares. À medida que desenvolve sua indústria nuclear, ela se tornará atraente para outros países.
ÉPOCA - E o programa do foguete brasileiro, de lançamento de satélites?
Shannon – Para um país com a capacidade e o tamanho do Brasil, desenvolver uma tecnologia dessas é natural.
Teve até um falador contumaz (não preciso dizer quem era) que queria "libertar" o Brasil da "dependência" do comércio com os EUA, como se isso fosse positivo. O chanceler seguiu o falastrão nessa bobagem imensa, e saiu a proclamar a tal de "nova geografia comercial", uma coisa tão ridícula que nem precisa comentar mais.
Acho que a entrevista com o Embaixador americano recoloca a questão das relações bilaterais no plano certo, isto é, normal. A despeito do tom burocrático, quase enfadonho em ressaltar em diplomatês as convergências, fica num plano correto, normal, enfim.
Paulo Roberto de Almeida
Thomas Shannon: "Manipular a moeda está errado"
Helio Gurovitz
Revista Época, 19/02/2011
QUEM É
Diplomata de carreira, é embaixador dos Estados Unidos no Brasil desde fevereiro de 2010. É casado e tem dois filhos
O QUE FEZ
Doutorou-se em ciência política pela Universidade de Oxford (Reino Unido). Foi assessor especial da Embaixada em Brasília (1989-1992) e secretário de Estado adjunto para o Hemisfério Ocidental (2005-2009)
O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, deixou escapar uma palavra em português durante a entrevista que concedeu a ÉPOCA na embaixada, em Brasília: inédito. Foi assim que ele definiu o pacote oferecido pela Boeing ao governo brasileiro para tentar vencer a concorrência na renovação da frota de caças da Força Aérea. É claro que o presidente americano, Barack Obama, não vem ao Brasil em março falar apenas de caças. Depois de divergências significativas entre Brasil e Estados Unidos durante o governo Lula, Shannon considera a visita um marco nas relações entre os dois países e um sinal do “respeito americano pela presidenta Dilma Rousseff”. A seguir, os principais trechos da entrevista.
ÉPOCA - Por que Obama vem ao Brasil?
Thomas Shannon – Será sua primeira viagem à América do Sul. E a primeira parada será o Brasil. É um claro sinal do interesse e respeito americano pelo Brasil, pela presidenta (Dilma) Rousseff. E o desejo de reforçar uma emergente parceria global cada vez mais importante, à medida que o Brasil consolide sua posição de líder mundial. É um claro reconhecimento de que o Brasil não é só um ator regional, mas mundial. Há ainda o desejo de aprofundar e expandir a parceria que os dois países já têm, com um olho no futuro. O terceiro motivo seria o desejo de melhorar nossas relações comerciais e de investimento. Embora os países estejam negociando mais do que nunca em números absolutos, em números relativos tem havido uma queda.
ÉPOCA - A China ultrapassou os EUA como maior parceiro comercial do Brasil.
Shannon – Temos de abordar isso. Acreditamos que nossas relações comerciais com o Brasil são importantes. Nossa economia e nossas empresas estão se tornando cada vez mais interdependentes. Há outro fenômeno interessante: o crescimento conjunto de nossas sociedades e o modo como estão conectadas. Podemos vê-las por meio do comércio e dos investimentos, pelo nível das universidades ou da pesquisa científica. E até entre as igrejas, em especial igrejas evangélicas, um movimento social e religioso forte no Brasil e nos EUA. Mas também vemos isso no turismo. O Brasil é o país que mais manda turistas para a Flórida. E não apenas a Flórida. Os brasileiros vão a Nova York, Las Vegas, Los Angeles e, à medida que conhecerem mais os Estados Unidos, irão a mais lugares. E, por causa da Copa e das Olimpíadas, mais americanos virão ao Brasil.
ÉPOCA - E a relação com a China?
Shannon – A China é um ator muito importante no mundo e na América do Sul, além de um parceiro dos EUA e do Brasil. Ambos têm o interesse comum de construir relações positivas com a China, que lhe permitam inserir-se na economia mundial e no ambiente político de uma forma positiva. Esse é um desafio significativo, dado o tamanho da economia chinesa e a quantidade de suas reservas cambiais.
ÉPOCA - E, claro, a taxa de câmbio que mantém essas reservas altas...
Shannon – O secretário (do Tesouro, Timothy) Geithner teve boas conversas com o ministro (Guido) Mantega (da Fazenda), com o presidente (Alexandre) Tombini, do Banco Central, e, claro, com a presidenta Rousseff. Concordamos que a manipulação da moeda para fins comerciais é errada e distorce mercados. E aqueles que arcam com o ônus disso são economias emergentes como a brasileira. Por causa da boa gestão econômica, das fortes políticas anti-inflação e do controle de capital em outros lugares do mundo, elas se tornam um ímã para dólares. Isso tem impacto econômico, com a apreciação do real, sentido aqui e lá fora.
ÉPOCA - Dilma é diferente de Lula?
Shannon – A relação Brasil-EUA está num rumo positivo, como no governo Lula. Mas o desafio não está apenas entre Brasil e EUA. Está no resto do mundo. O que definirá nossa relação com a presidenta Rousseff não é tanto uma questão de boas intenções, porque elas existem e sempre existiram, mas sim os desafios que ambos enfrentaremos. Porque está havendo mudanças. Vemos isso agora no Egito e no Oriente Médio.
ÉPOCA - A presidenta Dilma mudou a posição brasileira em relação ao Irã?
Shannon – Há aspectos de continuidade e de mudança. Houve mudança na forma como o Brasil lida com os direitos humanos, seja em relação ao apedrejamento de Sakineh (Ashtiani, condenada no Irã por adultério), seja, de uma forma mais ampla, quanto à repressão de atividades políticas. A posição da presidenta Rousseff tem sido marcante. Mas ainda temos diferenças em relação ao Irã. O ponto positivo é que ambos temos uma melhor compreensão da questão agora. No caso do Egito, a posição brasileira foi cautelosa, prudente.
ÉPOCA - Há alguma chance de os EUA derrubarem as barreiras a nosso etanol?
Shannon – Espera-se que sim. Mas é uma questão complicada. Uma das áreas de interesse de cooperação e inovação é a busca de meios para ir além das tradicionais matérias-primas para fabricar biocombustíveis, milho e cana. Em alguns aspectos, essa é uma solução para a questão das tarifas. Em última instância, se os biocombustíveis se tornarem parte da matriz energética, eles precisam ser feitos a partir de outras matérias-primas.
ÉPOCA - O senhor ainda tem esperança de que o Brasil compre os caças F-18, da Boeing, para renovar sua frota?
Shannon – A competição ainda está em andamento e a Boeing está nela. Acreditamos que fez a melhor oferta. Primeiro, porque é o melhor avião. Segundo, a transferência de tecnologia é melhor que a das outras empresas. Por causa da natureza extensiva de nossa oferta, e das garantias políticas. Há um ponto interessante que permite que alguns componentes críticos da aeronave sejam produzidos aqui. Isso cria uma parceria para a produção do F-18 tal que a Boeing vai precisar do Brasil tanto quanto o Brasil precisará da Boeing. É algo inédito (Shannon usa a palavra em português). Se a Boeing entrar nesse mercado, vai construir uma parceria duradoura com o Brasil. No debate sobre os caças, há algumas questões falsas. Dizem que o Brasil tem de escolher um avião inferior para obter o melhor acordo de transferência de tecnologia. Em outras palavras, usar uma decisão de política de defesa para fazer política industrial. Mas vocês podem escolher o melhor avião e trazer um pacote de transferência de tecnologia muito interessante. É o que a Boeing oferece. Um país grande como é o Brasil, com o tipo de espaço aéreo que tem de controlar, tanto na terra quanto no mar, precisa de uma aeronave capaz de sobrevoar todo o país, que possa ser lançada de porta-aviões, usada em múltiplas missões e tenha a capacidade de lutar contra qualquer outra aeronave. É obviamente o que o F-18 oferece. Um país como o Brasil não pode se contentar com o segundo melhor.
ÉPOCA - O Brasil tem a oportunidade de exportar urânio. Isso lhe parece um risco?
Shannon – Vejo como um produto natural do sucesso do compromisso brasileiro em relação ao uso pacífico de energia nuclear civil. O Brasil é um parceiro muito confiável em termos nucleares. À medida que desenvolve sua indústria nuclear, ela se tornará atraente para outros países.
ÉPOCA - E o programa do foguete brasileiro, de lançamento de satélites?
Shannon – Para um país com a capacidade e o tamanho do Brasil, desenvolver uma tecnologia dessas é natural.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Democracias ma non troppo: os casos de Brasil e India
Recomendo a leitura deste trabalho:
Rising powers and the future of democracy promotion: the case of Brazil and India
Oliver Stuenkel, Visiting Professor, Institute of International Relations, University of São Paulo (USP), Brazil
Jabin T. Jacob, Senior Research Fellow, Institute of Peace and Conflict Studies, New Delhi, India
Portuguese Journal of International Affairs, AUTUMN/WINTER 2010, n. 4, p. 23-30.
Alguns destaques:
"Democracy promotion is, for obvious reasons, not an issue in Russia and China. The case is however, more surprising with respect to Brazil and India, two vibrant democracies whose leaders have often been personally involved in the fight for democratic rights. (...) There is in fact, little discernible difference between Brazilian and Indian ties to democratic countries such as South Africa and to non-democratic ones such as Russia, with which both Brasília and New Delhi have cordial relations. Brazil is on good terms with leaders such as Cuba’s Raúl Castro, Iran’s Mahmoud Ahmadinejad, and Venezuela’s Hugo Chávez, and it has been notoriously reluctant to endorse measures to prevent genocides in Rwanda, Sudan and
former Yugoslavia." (p. 25)
"Democracy promotion,... plays virtually no role in their efforts. In this respect, the activities of Brazil, India and China are more or less indistinguishable from each other." (p. 27)
"While India and Brazil believe liberal and human rights abiding democracies are the best regime type, they have almost no missionary zeal to promote democracy abroad, in contrast to the United States, whose national security strategy prominently features democracy promotion. As Venezuela’s Hugo Chávez turns his country into an autocracy, Brazil has at no point voiced any concerns about the problems in that country, including jailed opposition figures, lack of freedom of the press, large-scale arms purchases or ties to the FA RC guerrilla that seeks to undermine the Colombian state." (p. 27-28)
"In the short-run, it does seem likely that the rise of emerging powers will contribute to the decreasing importance of democracy promotion in the international political discourse. African dictators will show little inclination to accept loans laden with conditions if they can opt for Chinese, Indian or Brazilian loans without any strings attached, and Central Asian despots will seek to take advantage of instability in their neighborhood or the fear of possible chaos in their own country to play one power against the other." (p. 29)
Ou seja, a pergunta fica: o Brasil vai continuar apoiando ditaduras e ditadores, e continuar desprezando direitos humanos?
Tudo leva a crer que não, mas seria preciso ver na prática como a transição vai se dar...
Leiam a íntegra do paper neste link:
PJIA 4: Democracy Promotion: the case of Brazil and India
Oliver Stuenkel and Jabin T. Jacob, "Rising powers and the future of democracy promotion: the case of Brazil and India" (Portuguese Journal of International Affairs, No. 4, Autumn/Winter 2010): 23-30.
Rising powers and the future of democracy promotion: the case of Brazil and India
Oliver Stuenkel, Visiting Professor, Institute of International Relations, University of São Paulo (USP), Brazil
Jabin T. Jacob, Senior Research Fellow, Institute of Peace and Conflict Studies, New Delhi, India
Portuguese Journal of International Affairs, AUTUMN/WINTER 2010, n. 4, p. 23-30.
Alguns destaques:
"Democracy promotion is, for obvious reasons, not an issue in Russia and China. The case is however, more surprising with respect to Brazil and India, two vibrant democracies whose leaders have often been personally involved in the fight for democratic rights. (...) There is in fact, little discernible difference between Brazilian and Indian ties to democratic countries such as South Africa and to non-democratic ones such as Russia, with which both Brasília and New Delhi have cordial relations. Brazil is on good terms with leaders such as Cuba’s Raúl Castro, Iran’s Mahmoud Ahmadinejad, and Venezuela’s Hugo Chávez, and it has been notoriously reluctant to endorse measures to prevent genocides in Rwanda, Sudan and
former Yugoslavia." (p. 25)
"Democracy promotion,... plays virtually no role in their efforts. In this respect, the activities of Brazil, India and China are more or less indistinguishable from each other." (p. 27)
"While India and Brazil believe liberal and human rights abiding democracies are the best regime type, they have almost no missionary zeal to promote democracy abroad, in contrast to the United States, whose national security strategy prominently features democracy promotion. As Venezuela’s Hugo Chávez turns his country into an autocracy, Brazil has at no point voiced any concerns about the problems in that country, including jailed opposition figures, lack of freedom of the press, large-scale arms purchases or ties to the FA RC guerrilla that seeks to undermine the Colombian state." (p. 27-28)
"In the short-run, it does seem likely that the rise of emerging powers will contribute to the decreasing importance of democracy promotion in the international political discourse. African dictators will show little inclination to accept loans laden with conditions if they can opt for Chinese, Indian or Brazilian loans without any strings attached, and Central Asian despots will seek to take advantage of instability in their neighborhood or the fear of possible chaos in their own country to play one power against the other." (p. 29)
Ou seja, a pergunta fica: o Brasil vai continuar apoiando ditaduras e ditadores, e continuar desprezando direitos humanos?
Tudo leva a crer que não, mas seria preciso ver na prática como a transição vai se dar...
Leiam a íntegra do paper neste link:
PJIA 4: Democracy Promotion: the case of Brazil and India
Oliver Stuenkel and Jabin T. Jacob, "Rising powers and the future of democracy promotion: the case of Brazil and India" (Portuguese Journal of International Affairs, No. 4, Autumn/Winter 2010): 23-30.
Wikileaks: Brasil-EUA e o resto da regiao: ciumes e subterfugios...
A informação relativa à Colômbia já tinha sido postada aqui. Os demais países é novidade, mas não surpresa, nem novidade. Qualquer observador mais atento já teria percebido que o ativismo lulista, ou brasileiro, despertaria preocupações na região.
O que não se sabia era da atuação do ex-chanceler em favor do Sudão...
Paulo Roberto de Almeida
Diplomacia de Lula irritou sul-americanos
Jamil Chade, correspondente
O Estado de S.Paulo, 8 de fevereiro de 2011
EUA escutaram de Colômbia, Paraguai e Chile pedidos para ‘conter’ o Brasil, revela WikiLeaks
GENEBRA - Telegramas secretos da diplomacia americana revelam que, sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, países sul-americanos se incomodaram com a liderança brasileira e chegaram a pedir a Washington que "contivesse" as ambições do Brasil na região. Os despachos foram divulgados pelo grupo WikiLeaks. Entre os que solicitaram à diplomacia americana que atuasse contra o aumento da influência do Brasil estão Colômbia, Chile e Paraguai.
Em 11 de fevereiro de 2004, numa conversa entre o então presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, e uma delegação do alto escalão da diplomacia dos EUA, o incômodo com as ambições de Lula ficou claro. "Uribe disse que sua relação com Lula é complicada", relata o telegrama. O ex-líder de Bogotá e forte aliado de Washington alertou na ocasião para a agenda externa de seu colega brasileiro: "Lula se esforça para construir uma aliança antiamericana na América Latina", teria dito Uribe.
"Lula é mais pragmático e mais inteligente do que (Hugo) Chávez, mas é conduzido por seu histórico de esquerda e pelo ‘espírito imperial’ do Brasil para se opor aos EUA", acusou o ex-presidente colombiano. Em outro trecho, Uribe ainda acusa o presidente brasileiro de não ter cumprido sua promessa de lutar contra o narcotráfico.
Quatro anos mais tarde, as desconfianças em relação a Lula continuariam na Colômbia. Em um telegrama de 2008, o governo americano afirma que foi informado por militares de Bogotá sobre o projeto de criação de um Conselho de Defesa da América do Sul pelo Brasil. "A desconfiança é que seja um projeto, no fundo, de Chávez", teriam alertado os militares.
Em telegrama de 19 de maio de 2005, a então chanceler do Paraguai, Leila Rachid, queixou-se ao embaixador americano em Assunção, Dan Johnson, sobre o comportamento de seu colega brasileiro, Celso Amorim, e sua ideia de convocar uma cúpula entre países árabes e sul-americanos. Johnson, por sua vez, disse que o evento promoveria "gratuitamente tensões entre a comunidade árabe e judaica no Brasil". Ele pediu ainda que, na declaração final, elogios ao Sudão fossem evitados.
"Rachid afirmou que o Brasil teve uma ‘grande disputa’ com vários chanceleres (da América do Sul), incluindo a ministra colombiana (Carolina) Barco e o chileno (Ignacio) Walker, quando Amorim pediu que eles reduzissem as objeções que tinham sobre o Sudão e o processo de paz no Oriente Médio", descreve o embaixador americano.
Rachid diz que gostaria de falar com a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, sobre "preocupações em relação à política externa e comercial do Brasil". "Ela (Rachid) estava preocupada com as ambições do Brasil de se tornar uma voz de liderança na região e pediu que os EUA se posicionassem para conter o Brasil."
O que não se sabia era da atuação do ex-chanceler em favor do Sudão...
Paulo Roberto de Almeida
Diplomacia de Lula irritou sul-americanos
Jamil Chade, correspondente
O Estado de S.Paulo, 8 de fevereiro de 2011
EUA escutaram de Colômbia, Paraguai e Chile pedidos para ‘conter’ o Brasil, revela WikiLeaks
GENEBRA - Telegramas secretos da diplomacia americana revelam que, sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, países sul-americanos se incomodaram com a liderança brasileira e chegaram a pedir a Washington que "contivesse" as ambições do Brasil na região. Os despachos foram divulgados pelo grupo WikiLeaks. Entre os que solicitaram à diplomacia americana que atuasse contra o aumento da influência do Brasil estão Colômbia, Chile e Paraguai.
Em 11 de fevereiro de 2004, numa conversa entre o então presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, e uma delegação do alto escalão da diplomacia dos EUA, o incômodo com as ambições de Lula ficou claro. "Uribe disse que sua relação com Lula é complicada", relata o telegrama. O ex-líder de Bogotá e forte aliado de Washington alertou na ocasião para a agenda externa de seu colega brasileiro: "Lula se esforça para construir uma aliança antiamericana na América Latina", teria dito Uribe.
"Lula é mais pragmático e mais inteligente do que (Hugo) Chávez, mas é conduzido por seu histórico de esquerda e pelo ‘espírito imperial’ do Brasil para se opor aos EUA", acusou o ex-presidente colombiano. Em outro trecho, Uribe ainda acusa o presidente brasileiro de não ter cumprido sua promessa de lutar contra o narcotráfico.
Quatro anos mais tarde, as desconfianças em relação a Lula continuariam na Colômbia. Em um telegrama de 2008, o governo americano afirma que foi informado por militares de Bogotá sobre o projeto de criação de um Conselho de Defesa da América do Sul pelo Brasil. "A desconfiança é que seja um projeto, no fundo, de Chávez", teriam alertado os militares.
Em telegrama de 19 de maio de 2005, a então chanceler do Paraguai, Leila Rachid, queixou-se ao embaixador americano em Assunção, Dan Johnson, sobre o comportamento de seu colega brasileiro, Celso Amorim, e sua ideia de convocar uma cúpula entre países árabes e sul-americanos. Johnson, por sua vez, disse que o evento promoveria "gratuitamente tensões entre a comunidade árabe e judaica no Brasil". Ele pediu ainda que, na declaração final, elogios ao Sudão fossem evitados.
"Rachid afirmou que o Brasil teve uma ‘grande disputa’ com vários chanceleres (da América do Sul), incluindo a ministra colombiana (Carolina) Barco e o chileno (Ignacio) Walker, quando Amorim pediu que eles reduzissem as objeções que tinham sobre o Sudão e o processo de paz no Oriente Médio", descreve o embaixador americano.
Rachid diz que gostaria de falar com a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, sobre "preocupações em relação à política externa e comercial do Brasil". "Ela (Rachid) estava preocupada com as ambições do Brasil de se tornar uma voz de liderança na região e pediu que os EUA se posicionassem para conter o Brasil."
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Good-bye to all those jobs? Uma tendencia que veio para ficar...
Uma visão preocupante para aqueles que gostariam de ter empregos garantidos para o resto da vida (enfim, isso só em setores protegidos como no serviço público brasileiro).
OPINION
Is Your Job an Endangered Species?
By ANDY KESSLER
The Wall Street Journal, FEBRUARY 17, 2011
Technology is eating jobs—and not just obvious ones like toll takers and phone operators. Lawyers and doctors are at risk as well.
So where the heck are all the jobs? Eight-hundred billion in stimulus and $2 trillion in dollar-printing and all we got were a lousy 36,000 jobs last month. That's not even enough to absorb population growth.
You can't blame the fact that 26 million Americans are unemployed or underemployed on lost housing jobs or globalization—those excuses are played out. To understand what's going on, you have to look behind the headlines. That 36,000 is a net number. The Bureau of Labor Statistics shows that in December some 4,184,000 workers (seasonally adjusted) were hired, and 4,162,000 were "separated" (i.e., laid off or quit). This turnover tells the story of our economy—especially if you focus on jobs lost as a clue to future job growth.
With a heavy regulatory burden, payroll taxes and health-care costs, employing people is very expensive. In January, the Golden Gate Bridge announced that it will have zero toll takers next year: They've been replaced by wireless FastTrak payments and license-plate snapshots.
Technology is eating jobs—and not just toll takers.
Tellers, phone operators, stock brokers, stock traders: These jobs are nearly extinct. Since 2007, the New York Stock Exchange has eliminated 1,000 jobs. And when was the last time you spoke to a travel agent? Nearly all of them have been displaced by technology and the Web. Librarians can't find 36,000 results in 0.14 seconds, as Google can. And a snappily dressed postal worker can't instantly deliver a 140-character tweet from a plane at 36,000 feet.
So which jobs will be destroyed next? Figure that out and you'll solve the puzzle of where new jobs will appear.
Forget blue-collar and white- collar. There are two types of workers in our economy: creators and servers. Creators are the ones driving productivity—writing code, designing chips, creating drugs, running search engines. Servers, on the other hand, service these creators (and other servers) by building homes, providing food, offering legal advice, and working at the Department of Motor Vehicles. Many servers will be replaced by machines, by computers and by changes in how business operates. It's no coincidence that Google announced it plans to hire 6,000 workers in 2011.
But even the label "servers" is too vague. So I've broken down the service economy further, as a guide to figure out the next set of unproductive jobs that will disappear. (Don't blame me if your job is listed here; technology spares no one, not even writers.)
• Sloppers are those that move things—from one side of a store or factory to another. Amazon is displacing thousands of retail workers. DMV employees and so many other government workers move information from one side of a counter to another without adding any value. Such sloppers are easy to purge with clever code.
• Sponges are those who earned their jobs by passing a test meant to limit supply. According to this newspaper, 23% of U.S. workers now need a state license. The Series 7 exam is required for stock brokers. Cosmetologists, real estate brokers, doctors and lawyers all need government certification. All this does is legally bar others from doing the same job, so existing workers can charge more and sponge off the rest of us.
But eDiscovery is the hottest thing right now in corporate legal departments. The software scans documents and looks for important keywords and phrases, displacing lawyers and paralegals who charge hundreds of dollars per hour to read the often millions of litigation documents. Lawyers, understandably, hate eDiscovery.
Doctors are under fire as well, from computer imaging that looks inside of us and from Computer Aided Diagnosis, which looks for patterns in X-rays to identify breast cancer and other diseases more cheaply and effectively than radiologists do. Other than barbers, no sponges are safe.
• Supersloppers mark up prices based on some marketing or branding gimmick, not true economic value. That Rolex Oyster Perpetual Submariner Two-Tone Date for $9,200 doesn't tell time as well as the free clock on my iPhone, but supersloppers will convince you to buy it. Markups don't generate wealth, except for those marking up. These products and services provide a huge price umbrella for something better to sell under.
• Slimers are those that work in finance and on Wall Street. They provide the grease that lubricates the gears of the economy. Financial firms provide access to capital, shielding companies from the volatility of the stock and bond and derivative markets. For that, they charge hefty fees. But electronic trading has cut into their profits, and corporations are negotiating lower fees for mergers and financings. Wall Street will always exist, but with many fewer workers.
• Thieves have a government mandate to make good money and a franchise that could disappear with the stroke of a pen. You know many of them: phone companies, cable operators and cellular companies are the obvious ones. But there are more annoying ones—asbestos testing and removal, plus all the regulatory inspectors who don't add value beyond making sure everyone pays them. Technologies like Skype have picked off phone companies by lowering international rates. And consumers are cutting expensive cable TV services in favor of Web-streamed video.
Like it or not, we are at the beginning of a decades-long trend. Beyond the demise of toll takers and stock traders, watch enrollment dwindle in law schools and medical schools. Watch the divergence in stock performance between companies that actually create and those that are in transition—just look at Apple, Netflix and Google over the last five years as compared to retailers and media.
But be warned that this economy is incredibly dynamic, and there is no quick fix for job creation when so much technology-driven job destruction is taking place. Fortunately, history shows that labor-saving machines haven't decreased overall employment even when they have made certain jobs obsolete. Ultimately the economic growth created by new jobs always overwhelms the drag from jobs destroyed—if policy makers let it happen.
Mr. Kessler, a former hedge fund manager, is the author most recently of "Eat People And Other Unapologetic Rules for Game-Changing Entrepreneurs," just out from Portfolio.
OPINION
Is Your Job an Endangered Species?
By ANDY KESSLER
The Wall Street Journal, FEBRUARY 17, 2011
Technology is eating jobs—and not just obvious ones like toll takers and phone operators. Lawyers and doctors are at risk as well.
So where the heck are all the jobs? Eight-hundred billion in stimulus and $2 trillion in dollar-printing and all we got were a lousy 36,000 jobs last month. That's not even enough to absorb population growth.
You can't blame the fact that 26 million Americans are unemployed or underemployed on lost housing jobs or globalization—those excuses are played out. To understand what's going on, you have to look behind the headlines. That 36,000 is a net number. The Bureau of Labor Statistics shows that in December some 4,184,000 workers (seasonally adjusted) were hired, and 4,162,000 were "separated" (i.e., laid off or quit). This turnover tells the story of our economy—especially if you focus on jobs lost as a clue to future job growth.
With a heavy regulatory burden, payroll taxes and health-care costs, employing people is very expensive. In January, the Golden Gate Bridge announced that it will have zero toll takers next year: They've been replaced by wireless FastTrak payments and license-plate snapshots.
Technology is eating jobs—and not just toll takers.
Tellers, phone operators, stock brokers, stock traders: These jobs are nearly extinct. Since 2007, the New York Stock Exchange has eliminated 1,000 jobs. And when was the last time you spoke to a travel agent? Nearly all of them have been displaced by technology and the Web. Librarians can't find 36,000 results in 0.14 seconds, as Google can. And a snappily dressed postal worker can't instantly deliver a 140-character tweet from a plane at 36,000 feet.
So which jobs will be destroyed next? Figure that out and you'll solve the puzzle of where new jobs will appear.
Forget blue-collar and white- collar. There are two types of workers in our economy: creators and servers. Creators are the ones driving productivity—writing code, designing chips, creating drugs, running search engines. Servers, on the other hand, service these creators (and other servers) by building homes, providing food, offering legal advice, and working at the Department of Motor Vehicles. Many servers will be replaced by machines, by computers and by changes in how business operates. It's no coincidence that Google announced it plans to hire 6,000 workers in 2011.
But even the label "servers" is too vague. So I've broken down the service economy further, as a guide to figure out the next set of unproductive jobs that will disappear. (Don't blame me if your job is listed here; technology spares no one, not even writers.)
• Sloppers are those that move things—from one side of a store or factory to another. Amazon is displacing thousands of retail workers. DMV employees and so many other government workers move information from one side of a counter to another without adding any value. Such sloppers are easy to purge with clever code.
• Sponges are those who earned their jobs by passing a test meant to limit supply. According to this newspaper, 23% of U.S. workers now need a state license. The Series 7 exam is required for stock brokers. Cosmetologists, real estate brokers, doctors and lawyers all need government certification. All this does is legally bar others from doing the same job, so existing workers can charge more and sponge off the rest of us.
But eDiscovery is the hottest thing right now in corporate legal departments. The software scans documents and looks for important keywords and phrases, displacing lawyers and paralegals who charge hundreds of dollars per hour to read the often millions of litigation documents. Lawyers, understandably, hate eDiscovery.
Doctors are under fire as well, from computer imaging that looks inside of us and from Computer Aided Diagnosis, which looks for patterns in X-rays to identify breast cancer and other diseases more cheaply and effectively than radiologists do. Other than barbers, no sponges are safe.
• Supersloppers mark up prices based on some marketing or branding gimmick, not true economic value. That Rolex Oyster Perpetual Submariner Two-Tone Date for $9,200 doesn't tell time as well as the free clock on my iPhone, but supersloppers will convince you to buy it. Markups don't generate wealth, except for those marking up. These products and services provide a huge price umbrella for something better to sell under.
• Slimers are those that work in finance and on Wall Street. They provide the grease that lubricates the gears of the economy. Financial firms provide access to capital, shielding companies from the volatility of the stock and bond and derivative markets. For that, they charge hefty fees. But electronic trading has cut into their profits, and corporations are negotiating lower fees for mergers and financings. Wall Street will always exist, but with many fewer workers.
• Thieves have a government mandate to make good money and a franchise that could disappear with the stroke of a pen. You know many of them: phone companies, cable operators and cellular companies are the obvious ones. But there are more annoying ones—asbestos testing and removal, plus all the regulatory inspectors who don't add value beyond making sure everyone pays them. Technologies like Skype have picked off phone companies by lowering international rates. And consumers are cutting expensive cable TV services in favor of Web-streamed video.
Like it or not, we are at the beginning of a decades-long trend. Beyond the demise of toll takers and stock traders, watch enrollment dwindle in law schools and medical schools. Watch the divergence in stock performance between companies that actually create and those that are in transition—just look at Apple, Netflix and Google over the last five years as compared to retailers and media.
But be warned that this economy is incredibly dynamic, and there is no quick fix for job creation when so much technology-driven job destruction is taking place. Fortunately, history shows that labor-saving machines haven't decreased overall employment even when they have made certain jobs obsolete. Ultimately the economic growth created by new jobs always overwhelms the drag from jobs destroyed—if policy makers let it happen.
Mr. Kessler, a former hedge fund manager, is the author most recently of "Eat People And Other Unapologetic Rules for Game-Changing Entrepreneurs," just out from Portfolio.
Afro-euro-descendentes? Acho que nao vai "colar"...
Segundo esse estudo genético, ou seja, dotado de todas as garantias que a ciência pode fornecer atualmente, os supostos (como diriam os jornalistas) afrodescendentes brasileiros têm tanta herança genética europeia quanto africana. Ou seja, somos mais iguais do que parece.
Isso destrói, quase completamente, uma das bases legitimadoras da campanha viciosa e viciada de militantes da causa racialista (e racista) negra em favor de políticas de ação afirmativa com base unicamente num corte "racial", ou fenotípico, em favor da comunidade em causa.
Acho que não vai detê-los, pois vão continuar argumentando sobre a dívida histórica, a injustiça da discriminação social, etc.
Mas pelo menos acaba com essa coisa de afrodescendente...
Paulo Roberto de Almeida
DNA de negros e pardos do Brasil é muito europeu
Reinaldo José Lopes
Folha de S.Paulo, 18/02/2011
No Brasil, faz cada vez menos sentido considerar que brancos têm origem europeia e negros são “africanos”. Segundo um novo estudo, mesmo quem se diz “preto” ou “pardo” nos censos nacionais traz forte contribuição da Europa em seu DNA. O trabalho, coordenado por Sérgio Danilo Pena, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), indica ainda que, apesar das diferenças regionais, a ancestralidade dos brasileiros acaba sendo relativamente uniforme. “A grande mensagem do trabalho é que [geneticamente] o Brasil é bem mais homogêneo do que se esperava”, disse Pena à Folha.
De Belém (PA) a Porto Alegre, a ascendência europeia nunca é inferior, em média, a 60%, nem ultrapassa os 80%. Há doses mais ou menos generosas de sangue africano, enquanto a menor contribuição é a indígena, só ultrapassando os 10% na região Norte do Brasil.
QUASE MIL
Além de moradores das capitais paraense e gaúcha, foram estudadas também populações de Ilhéus (BA) e Fortaleza (compondo a amostra nordestina), Rio de Janeiro (correspondendo ao Sudeste) e Joinville (segunda amostra da região Sul). Ao todo, foram 934 pessoas. A comparação completa entre brancos, pardos e pretos (categorias de autoidentificação consagradas nos censos do IBGE) só não foi possível no Ceará, onde não havia pretos na amostra, e em Santa Catarina, onde só havia pretos, frequentadores de um centro comunitário ligado ao movimento negro.
Para analisar o genoma, os geneticistas se valeram de um conjunto de 40 variantes de DNA, os chamados indels (sigla de “inserção e deleção”). São exatamente o que o nome sugere: pequenos trechos de “letras” químicas do genoma que às vezes sobram ou faltam no DNA. Cada região do planeta tem seu próprio conjunto de indels na população -alguns são típicos da África, outros da Europa. Dependendo da combinação deles no genoma de um indivíduo, é possível estimar a proporção de seus ancestrais que vieram de cada continente.
Isso destrói, quase completamente, uma das bases legitimadoras da campanha viciosa e viciada de militantes da causa racialista (e racista) negra em favor de políticas de ação afirmativa com base unicamente num corte "racial", ou fenotípico, em favor da comunidade em causa.
Acho que não vai detê-los, pois vão continuar argumentando sobre a dívida histórica, a injustiça da discriminação social, etc.
Mas pelo menos acaba com essa coisa de afrodescendente...
Paulo Roberto de Almeida
DNA de negros e pardos do Brasil é muito europeu
Reinaldo José Lopes
Folha de S.Paulo, 18/02/2011
No Brasil, faz cada vez menos sentido considerar que brancos têm origem europeia e negros são “africanos”. Segundo um novo estudo, mesmo quem se diz “preto” ou “pardo” nos censos nacionais traz forte contribuição da Europa em seu DNA. O trabalho, coordenado por Sérgio Danilo Pena, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), indica ainda que, apesar das diferenças regionais, a ancestralidade dos brasileiros acaba sendo relativamente uniforme. “A grande mensagem do trabalho é que [geneticamente] o Brasil é bem mais homogêneo do que se esperava”, disse Pena à Folha.
De Belém (PA) a Porto Alegre, a ascendência europeia nunca é inferior, em média, a 60%, nem ultrapassa os 80%. Há doses mais ou menos generosas de sangue africano, enquanto a menor contribuição é a indígena, só ultrapassando os 10% na região Norte do Brasil.
QUASE MIL
Além de moradores das capitais paraense e gaúcha, foram estudadas também populações de Ilhéus (BA) e Fortaleza (compondo a amostra nordestina), Rio de Janeiro (correspondendo ao Sudeste) e Joinville (segunda amostra da região Sul). Ao todo, foram 934 pessoas. A comparação completa entre brancos, pardos e pretos (categorias de autoidentificação consagradas nos censos do IBGE) só não foi possível no Ceará, onde não havia pretos na amostra, e em Santa Catarina, onde só havia pretos, frequentadores de um centro comunitário ligado ao movimento negro.
Para analisar o genoma, os geneticistas se valeram de um conjunto de 40 variantes de DNA, os chamados indels (sigla de “inserção e deleção”). São exatamente o que o nome sugere: pequenos trechos de “letras” químicas do genoma que às vezes sobram ou faltam no DNA. Cada região do planeta tem seu próprio conjunto de indels na população -alguns são típicos da África, outros da Europa. Dependendo da combinação deles no genoma de um indivíduo, é possível estimar a proporção de seus ancestrais que vieram de cada continente.
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