segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Encontros com Roberto Campos, em meus próprios escritos - Paulo Roberto de Almeida

Encontros com Roberto Campos, em meus próprios escritos

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Registrando meus escritos sobre o grande diplomata e economista.

  

Uma das primeiras atividades que empreendi, no final de 2016, depois que tinha sido oficialmente empossado como diretor do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais, da Fundação Alexandre de Gusmão, do Itamaraty, foi a de preparar diversos artigos sobre Roberto Campos, em previsão do centenário de seu nascimento, no Mato Grosso, por acaso no mesmo ano em que meu pai nasceu, em 1917. Ele tinha sido o meu “inimigo ideológico”, nos meus tempos de marxista precoce, logo após o golpe militar de abril de 1964, justamente porque encarnava o entreguismo pró-imperialismo americano e era um dos responsáveis pelo “arrocho salarial”. Ainda estudante secundarista, comecei a participar das manifestações estudantis contra a ditadura: no começo éramos reprimidos apenas pela Guarda Civil de São Paulo, com aqueles cassetetes de borracha de no máximo 30 centímetros. Depois, avançando a resistência, a repressão passou a receber ajuda da Polícia do Exército, cujos cassetetes eram de madeira, de pelo menos 70 cm.

Nessa altura, em meados de 1966, li num jornal que o ministro do “arrocho salarial” faria uma conferência na Faculdade Mackenzie, a dos direitistas amigos da ditadura, sobre o Plano de Ação Econômica do Governo, o PAEG. Eu era apenas um simples office boy, numa grande empresa multinacional do centro da cidade, e decidi não voltar para casa ao final do expediente, e seguir andando para a Faculdade, temendo não conseguir entrar. Entrei, sentei-me, esperando uma defesa das políticas econômicas da ditadura e o que ouvi foi um histórico da economia brasileira desde os anos 1950, as dificuldades e crises do início da década e uma exposição muito clara e sincera do tipo de política econômica que estava sendo implementada para combater a inflação, até contrária a certas recomendações do FMI, que chamávamos, seguindo Otto Maria Carpeaux, de Fome e Miséria Internacional. 

Desde aquele momento passei a estudar seriamente economia, inclusive por meio dos artigos semanais de Bob Fields nas páginas do Estadão, o velho jornal reacionário. Nunca mais parei, a despeito de ter me encaminhado, por deficiências em matemática, para as Ciências Sociais, em cujo curso, na Fefelech da USP comecei a estudar, na primeira turma dos “barracões” da Cidade Universitária, justamente logo depois da famosa batalha da Maria Antônia, contra os fascistas do Mackenzie. Fiquei pouco tempo no curso, abandonando para não ser preso na grande repressão dos anos 1969-70, preferindo ir estudar na Europa. Continuei lendo Roberto Campos durante toda a minha vida, a despeito de lê-lo com raiva, nos primeiros tempos, pois não conseguia rebater seus argumentos muito bem articulados e brilhantemente expostos.

Só fui conhecê-lo pessoalmente muitos anos depois, já como diplomata, servindo na Assessoria de Relações com o Congresso, ao ter levado uma correspondência que lhe chegara pela mala diplomática de Londres. Ele então autografou-me uma de suas coletâneas de artigos, que eu tinha comigo naquele momento. Deve ter sido em meados dos anos 1980. Dois anos depois de sua morte escrevi o seguinte artigo: “Roberto Campos: dois anos sem bons combates de ideias”, Washington, 2 outubro 2003, 3 p. Artigo em homenagem a Roberto Campos, por ocasião da passagem do segundo aniversário de sua morte, em 9/10/2001. Publicado no Jornal do Brasil (6/10/2003, Seção Opinião). Republicado em 6/01/2017 no Blog Diplomatizzando(http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/01/e-por-falar-em-roberto-campos-fazendo.html).

No seguinte, reincidi com um novo artigo: “O que Roberto Campos estaria pensando da política econômica?”, Brasília, 30 set. 2004, 4 p. Ensaio colocando RC em conversa com Keynes, Hayek e Marx, no limbo, a propósito do terceiro ano de sua morte. Preparada versão reduzida, sob o título de “O que Roberto Campos pensaria da política econômica”, publicada no O Estado de São Paulo (sábado, 9/10/2004, caderno Econômico, p. B2). Reproduzido in totum no blog Diplomatizzando (6/01/2017; link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/01/ainda-roberto-campos-com-marx-e-hayek.html). Dois anos depois, por ocasião da morte de Milton Friedman, imaginei um encontro dos dois em alguma parte da galáxia: “Milton Friedman meets Bob Fields: O reencontro de dois grandes economistas”, Brasília, 20 novembro 2006, 5 p. Diálogo imaginário entre os dois economistas. Publicado no site do Instituto Millenium (Rio de Janeiro, 26/11/06). Readaptado em 27/08/2009 e publicado sob o título de “Milton Friedman conversa com Roberto Campos no limbo econômico” em Via Política (30/08/2009); divulgado no blog Diplomatizzando (22/01/2024; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2024/01/milton-friedman-meets-bob-fields-o.html).

Pois, muitos anos depois, ao final de 2016, aproximando-se o seu centenário, recebi convite para colaborar com um dos livros em sua homenagem. Escrevi, então, um primeiro ensaio sobre sua vida e obra que permaneceu inédito, mas que foi aproveitado depois para o livro que coordenei sobre ele: “A importância da dimensão diplomática no pensamento econômico e na atividade pública de Roberto Campos”, Brasília, 19 novembro 2016, 6 p. Notas de caráter ensaístico sobre o grande estadista diplomático, elaboradas a pedido do embaixador Rubens Antônio Barbosa, para livro coletivo em homenagem ao centenário de nascimento do homem público brasileiro, sob a coordenação de Paulo Rabello de Castro e do jurista Ives Gandra Martins: A lanterna na proa: o Brasil que Roberto sonhou: ensaios sobre a vida e a obra de Roberto Campos (em publicação pela Editora Resistência Cultural). Aproveitado para compor o trabalho 3008/2017, como introdução ao livro que organizei sobre a trajetória intelectual de Roberto Campos. Divulgado no blog Diplomatizzando(15/08/2017: link: https://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/08/a-dimensao-diplomatica-no-pensamento.html).

O livro acima projetado saiu sob outro título e num outro estilo, com o qual pude colaborar com uma sequência de três artigos: 

1) “Roberto Campos: receita para desenvolver um país”, Brasília, 1 janeiro 2017, 3 p. Colaboração a obra coletiva sobre Roberto Campos, organizada por Paulo Rabello de Castro e Ives Gandra Martins. Publicado no livro organizado pela Resistência Cultural Editora e reproduzido no blog Diplomatizzando (05/01/2017; link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/01/roberto-campos-receita-para-desenvolver.html) Publicado in: Ives Gandra da Silva Martins e Paulo Rabello de Castro (orgs.), Lanterna na Proa: Roberto Campos ano 100(São Luís, MA: Resistência Cultural Editora, 2017, 344 p; ISBN: 978-85-66418-13-2), p. 245-248.

2) “Bretton Woods: o aprendizado da economia na prática”, Brasília, 7 fevereiro 2017, 4 p. Colaboração a obra coletiva sobre Roberto Campos. Publicado in: Ives Gandra da Silva Martins e Paulo Rabello de Castro (orgs.), Lanterna na Proa: Roberto Campos ano 100 (São Luís, MA: Resistência Cultural Editora, 2017, 344 p; ISBN: 978-85-66418-13-2), p. 52-56. Reproduzido no blog Diplomatizzando (05/08/2017; link: https://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/08/bretton-woods-o-nascimento-da-atual.html).

3) “Fundando um banco de desenvolvimento: o BNDE”, Brasília, 8 fevereiro 2017, 3 p. Colaboração a obra coletiva sobre Roberto Campos. Publicado in: Ives Gandra da Silva Martins e Paulo Rabello de Castro (orgs.), Lanterna na Proa: Roberto Campos ano 100 (São Luís, MA: Resistência Cultural Editora, 2017, 344 p; ISBN: 978-85-66418-13-2), p. 71-74. Reproduzido no blog Diplomatizzando (05/08/2017; link: https://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/08/fundando-um-banco-de-desenvolvimento-o.html).

 

Paralelamente, organizei o “meu” próprio livro em homenagem a ele: O homem que pensou o Brasil: trajetória intelectual de Roberto Campos, Brasília, 28 fevereiro 2017, 279 p.; revisão: 360 p. em 20/03/2017. Livro composto a partir dos trabalhos setoriais, publicado pela Editora Appris (Curitiba). Meus capítulos foram os seguintes: “Roberto Campos: uma vida a serviço do progresso do Brasil”, Brasília, 28 fevereiro 2017, 7 p. Introdução ao livro sobre Roberto Campos; “Roberto Campos: uma trajetória intelectual no século XX”, Brasília, 28 fevereiro 2017, 140 p. Colaboração a livro organizado por mim em torno da vida, da obra e do pensamento do diplomata-economista que se tornou um dos maiores estadistas do Brasil. Revisão ampliada a 144 p. em 2/03/2017. Publicado in: Paulo Roberto de Almeida (org.), O Homem Que Pensou o Brasil: trajetória intelectual de Roberto Campos (Curitiba: Editora Appris, 2017, 373 p.; ISBN: 978-85-473-0485-0), p. 203-356.

Foi com base nessas duas publicações que organizei, quando diretor do IPRI-Funag, um seminário no Palácio do Itamaraty do Rio de Janeiro, no próprio dia do aniversário dos cem anos de Roberto Campos, ao qual convidei um número significativo de colaboradores, amigos e admiradores de Roberto Campos, entre eles seu editor, em especial de suas memórias, José Mário Pereira, que ofereceu uma tocante homenagem ao grande economista e diplomata, rememorando como se desenrolaram, passo a passo, a preparação e a publicação de Memórias na Popa.

Pouco depois da publicação do meu livro, escrevi um artigo de jornal apresentando-o, assim como o livro de artigos sobre Roberto Campos editado por Ives Gandra da Silva Martins e Paulo Rabello de Castro: “Roberto Campos, 100 anos: sempre atual”, Brasília, 9 abril 2017, 3 p. Artigo para a página de Opinião do Estado de S. Paulo, falando dos dois livros sendo lançados dia 17/04: O Homem que Pensou o Brasil, e Lanterna na Proa. Publicado no jornal O Estado de S. Paulo (ISSN: 1516-2931; 15/04/2016; link: http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,roberto-campos-100-anos-e-sempre-atual,70001738944); republicado no blog Diplomatizzando (22/01/2024; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2024/01/roberto-campos-100-anos-sempre-atual.html). Em seguida, fui convidado para uma sessão em homenagem a ele, tendo preparado um texto lido de forma entrecortada na ocasião, mas cujo teor figura no registro abaixo: 

“Sessão especial no Senado em homenagem a Roberto Campos”, Brasília, 10 abril 2017, 3 p. Texto lido na sessão especial do dia 17/04/2017. Divulgado antecipadamente no blog Diplomatizzando (16/04/2017; link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/04/roberto-campos-sessao-especial-no.html). Vídeo da sessão disponível no YouTube (26/04/2017; link: https://youtu.be/4z8Dz4Ul0nI; link de minha intervenção: (YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=XobuvjMuy7k&t=189s). Notas no Jornal do Senado (ano XXIII, n. 4680, 18/04/2017, p. 1, 6-7). Divulgado no blog Diplomatizzando (link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/04/roberto-campos-materia-no-jornal-do.html).

Novamente convidado para falar do ilustre “centenário”, preparei mais um texto: “Roberto Campos, 100 anos: atualidade de suas ideias”, Brasília, 21 abril 2017, 5 p. Texto para servir de apoio a palestra na FAAP, no quadro de Curso “Agenda Brasil”, para jornalistas. Resumo das propostas para o governo Castello Branco e apresentadas no discurso inaugural de Roberto Campos em junho de 1983 no Senado, retomadas em diversas outras ocasiões. Divulgado no Diplomatizzando (http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/04/roberto-campos-atualidade-de-suas.html).

Finalmente, encerrando as comemorações do centenário e novamente convidado para falar sobre ele, preparei ainda este trabalho: “Liberalismo e o Brasil de Hoje: Lições de Roberto Campos”, Brasília, 7 maio 2017, 7 p. Notas para palestra a convite do LIDE-Mato Grosso, em Cuiabá, em 9 maio 2017, acompanhado de slide com as obras de Roberto Campos. Divulgado no blog Diplomatizzando (10/05/2017, link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/05/o-homem-que-pensou-ao-brasil-de-volta.html).

Um ano depois, recebi convite para participar de uma outra obra coletiva, sobre a postura de Roberto Campos em relação à Constituinte de 1987-1988 e à Constituição de 1988, preparei este trabalho: Roberto Campos e a utopia constitucional brasileira”, Brasília, 23 julho 2018, 36 p. Ensaio sobre os temas constitucionais na obra de Roberto Campos, com destaque para suas antologias e o livro de memórias. Para publicação coletiva em volume compilando os artigos de Roberto Campos sobre o tema. Integrado em formato ampliado ao livro composto para essa finalidade: trabalho n. 3315. Formato original incorporado ao livro: Gilmar Ferreira Mendes e Ives Gandra da Silva Martins (coords.): Roberto Campos: diplomata, economista e político – o constituinte profeta (São Paulo: Almedina, 2021, 391 p.; ISBN: 978-65-5627-192-7; p. 81-122).

A partir dessa revisão de seus discursos e artigos, preparei este livro: A Constituição Contra o Brasil: ensaios de Roberto Campos sobre a Constituinte e a Constituição de 1988, Brasília, 3 agosto 2018, 370 p. Livro constante de dois trabalhos meus e de 65 artigos de Roberto Campos sobre temas da Constituinte e da Constituição de 1988, publicado pela LVM, em 2018. O texto introdutório, “Roberto Campos e a utopia constitucional brasileira”, foi disponibilizado em Academia.edu (link: http://www.academia.edu/38422710/3414RobertoCamposUtopiaConstitucional.pdf) e anunciado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2019/02/roberto-campos-e-utopia-constitucional.html).

Retomando meus muitos trabalhos sobre ele, preparei novo ensaio: Roberto Campos, um humanista da economia na diplomacia” (Brasília, 18 setembro 2018, 32 p.), que deveria servir para a 3a. edição do livro O Itamaraty na Cultura Brasileira (edição original: 2001), nunca publicado. Permitiu-me preservar esse texto para um livro ainda não publicado: Intelectuais na diplomacia brasileira, sob minha organização (oferecido à Funag, ainda não definida sua publicação. Paralelamente, elaborei um capítulo sobre ele no meu livro: Construtores da Nação: projetos para o Brasil, de Cairu a Merquior (São Paulo: LVM Editora, 2022, 304 p.; prefácio de Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy). Divulgado via blog Diplomatizzando (25/08/2022; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2022/08/construtores-da-nacao-projetos-para-o25.html).

Existem várias outras notas sobre e com referência a Roberto Campos em trabalhos esparsos ao longo de todos esses anos, mas eu teria de buscar em escritos sobre economia e diplomacia do Brasil. O que elaborei sobre ele e a partir dele oferece um testemunho sobre minha própria trajetória intelectual.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 4565, 22 janeiro 2024, 6 p.

Postado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2024/01/encontros-com-roberto-campos-em-meus.html).

Roberto Campos, 100 anos: sempre atual (resenhas de dois livros) - Paulo Roberto de Almeida (2017)

 Roberto Campos, 100 anos: sempre atual\ 

Paulo Roberto de Almeida

O Estado de S. Paulo (15/04/2016; link: http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,roberto-campos-100-anos-e-sempre-atual,70001738944).

 

Em 17 de abril, Roberto Campos estaria completando cem anos. Sua vida pública estende-se do início de 1939, quando toma posse como diplomata, na primeira turma em concurso organizado pelo DASP – Departamento Administrativo do Serviço Público –, até o final do século, quando ele se despede da Câmara dos Deputados, ao final de dois mandatos como representante de Mato Grosso e do Rio de Janeiro, e de um mandato inicial como senador pelo Mato Grosso, a partir de 1983. Campos foi um tecnocrata esclarecido, o mais iluminista de nossos intelectuais, um estadista exemplar, embora frustrado em suas inúmeras tentativas de reformar o Brasil, de retirá-lo de uma pobreza evitável para colocá-lo numa situação de prosperidade possível, como argumentou diversas vezes ao longo de meio século.

Minha interação com o grande brasileiro ocorreu apenas duas vezes, de forma direta, e intensamente, de forma indireta, ao longo de quase 50 anos, quando passei de um suposto opositor ideológico do então “serviçal da ditadura militar” – enquanto ministro do Planejamento do governo Castello Branco, ao defender ele o Programa de Ação Econômica do Governo, em uma faculdade de São Paulo – a um admirador de sua lógica impecável, na defesa de políticas econômicas racionais, quando o visitei na Câmara dos Deputados, em meados dos anos 1990, cinco anos antes de sua morte, em 2001. Nessa época, eu já tinha lido a maior parte de sua produção jornalística, os artigos semanais que ele publicou ao longo de mais de 50 anos nos grandes jornais do Rio e de São Paulo. Nos últimos meses, dediquei-me a ler seus ensaios mais eruditos, artigos de corte acadêmico e de análise econômica empiricamente embasada, a começar por sua tese de mestrado de 1947 – praticamente uma tese de doutorado, na opinião do grande economista austríaco Joseph Schumpeter – sobre flutuações e ciclos econômicos, defendida na George Washington University, quando ele servia na embaixada em Washington, em sua primeira remoção ao exterior pelo Itamaraty. 

Como resultado dessa revisão completa de toda a sua obra escrita – e de diversas entrevistas gravadas nos meios de comunicação – pude compor metade de um livro organizado por mim, O Homem que Pensou o Brasil: trajetória intelectual de Roberto Campos (Curitiba: Appris), que reúne ainda contribuições de dez outros colaboradores que se dedicaram a discorrer sobre as diversas facetas de um intelectual completo, provavelmente o maior do Brasil na segunda metade do século XX. Nele, o professor de história da UnB e assessor legislativo Antonio José Barbosa dedica-se por exemplo a examinar seu perfil parlamentar, a última etapa de uma vida inteiramente dedicada a tentar fazer do Brasil um país menos injusto, uma economia mais desenvolvida, uma nação mais integrada na grande interdependência global. O jovem historiador Rogério de Souza Farias examina a participação de Roberto Campos na comissão de reforma institucional do Itamaraty, na primeira metade dos anos 1950, quando ele tenta aplicar alguns dos procedimentos seguidos pelo diplomata americano George Kennan, então responsável pela área de planejamento político no Departamento de Estado. Ricardo Vélez-Rodríguez, outro colaborador, focaliza o patrimonialismo na visão de Roberto Campos, um dos cinco “ismos” negativos, junto com o protecionismo, o nacionalismo, o corporatismo e o estatismo, a comprometer o desenvolvimento sustentado do Brasil. 

Em todas as demais contribuições a essa obra – de Antonio Paim, de Ives Gandra Martins, de Reginaldo Teixeira Perez, de Carlos Henrique Cardim, de Roberto Castello Branco, Rubem Freitas Novaes e Paulo Kramer, que traça um paralelo entre Campos e Raymond Aron – transparece a profunda adequação dos diagnósticos e das prescrições do economista e diplomata à atualidade dos problemas brasileiros, de uma maneira até angustiante, ao constatarmos que tudo o que ele dizia, desde meados dos anos 1950 até seus últimos anos, aplica-se quase que de maneira perfeita aos desafios que enfrentam os dirigentes do governo Temer, depois da Grande Destruição produzida pelas irresponsáveis administrações lulopetistas. Campos, que teve sobre Raymond Aron a sorte de ver suas previsões sobre a inviabilidade do socialismo enquanto regime econômico e político confirmadas pelo veredito da história, teve a duvidosa “felicidade” de não assistir ao desmantelamento da frágil estabilidade criada pelo Plano Real sob os golpes combinados da inépcia e da corrupção dos governos lulopetistas. 

No dia do centenário de Roberto Campos, um outro livro, Lanterna na Proa, organizado por Paulo Rabello de Castro e Ives Gandra Martins (Editora Resistência Cultural), também será lançado, trazendo as contribuições de mais de sessenta autores sobre igual número de aspectos da vida e da obra do diplomata que assistiu à criação da ordem econômica contemporânea, em Bretton Woods, em 1944 (objeto de um dos meus textos), que participou do exercício pioneiro de planejamento econômico no âmbito da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos, que dirigiu e presidiu ao BNDE (outro dos meus capítulos no mesmo livro) e que exerceu, com Octávio Gouvêa de Bulhões, a liderança do maior esforço de reforma e de modernização da economia brasileira, em meados dos anos 1960. Os dois livros, diferentes em estilo mas animados do mesmo espírito de recuperação dos argumentos pertinentes de Campos em prol da superação das diversas crises econômicas a que assistiu desde a Segunda Guerra, trazem detalhes de como ele formulou suas recomendações de políticas públicas sem qualquer vezo ideológico, ou obsessão com a austeridade, apenas animado por sua postura eclética e abertura aos dados da realidade.

Aos cem anos, Roberto Campos ainda vive. Vale relê-lo...

 

[Brasília, 9 de abril de 2017]

O Estado de S. Paulo (15/04/2016; link: http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,roberto-campos-100-anos-e-sempre-atual,70001738944). Relação de Publicados n. 1252.

 

Milton Friedman meets Bob Fields: O reencontro de dois grandes economistas - Paulo Roberto de Almeida (2006)

Milton Friedman meets Bob Fields

O reencontro de dois grandes economistas

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 20 de novembro de 2006

 

Não se sabe, exatamente, para onde vão os economistas quando morrem. Existem muitas controvérsias a respeito, tantas quantas são as doutrinas e escolas de pensamento que os dividem. Muitos devem seguir direto para o limbo, antes de serem eventualmente recuperados por algum doutorando em busca de novas ideias. Vários outros padecem anos no purgatório das posições controversas, antes de ascender ou descer na escala de preferências dos contemporâneos, passando então a desfrutar da justa recompensa pelos bons serviços prestados à sociedade ou da inevitável punição pelos desastres incorridos em função da aplicação de recomendações incorretas. Se Marx e Keynes estavam certos, nossa sina incontornável é a de continuar, durante longos anos, prisioneiros das ideias de economistas defuntos. Alguns deles, aliás, são bons carcereiros, como veremos a seguir.

Com uma diferença de cinco anos e alguns dias, Milton Friedman foi ao encontro de Roberto Campos em algum lugar desse espaço indefinido. Trata-se de um amplo salão com paredes forradas de livros, vários sofás de couro, nos quais descansam, sem harpas nem camisolas, alguns desses economistas dignos do registro histórico; num canto, uma mesa com whiskey e gelo, sobre a qual repousa uma foto de Keynes, numa outra, um computador ligado nas principais bolsas mundiais, sobre um fundo de tela com a efígie de Adam Smith. Tudo muito sóbrio, comme il faut...

 

Welcome to a new world, Doctor Friedman”, acolheu-o Roberto Campos, “nós temos todo o tempo do mundo para repousar, discutir teorias econômicas, ou não fazer nada simplesmente, just sitting by with a glass of good scotch. Please, serve yourself”. 

Thank you Bob, but I don’t drink. Just call me Milton. Estou gostando do lugar: uma biblioteca aconchegante, um pouco de informação e companhia agradável. Vou me dar bem por aqui, mas a Rose vai fazer falta.”

Certainly, Milton”, retrucou Campos. “Mas você também estava muito bem de onde veio, com as suas ideias sendo finalmente acatadas por todos, programas de TV defendendo a liberdade dos mercados e a redução do papel do Estado, algo impensável em minha própria terra”. 

Oh, it’s a long battle, you know”, lamentou o americano. “A gente passa a maior parte da nossa vida pregando no deserto, tentando convencer os homens a defender a sua prosperidade através da liberdade de mercados e da competição. Seduzidos pelos falsos profetas, que são os políticos, eles têm essa tendência inexplicável a preferir mais e mais leis, regulação e despesas públicas, como se esperassem que o Estado lhes fosse trazer a felicidade eterna. Como você bem sabe, Bob, essas boas intenções sempre produzem resultados deploráveis. Só depois que a gente se vai é que eles começam a se convencer do acertado de algumas ideias simples”.

Do not blame yourself, Milton. Você foi tremendamente bem sucedido, muito mais do que eu, em todo caso. Veja o exemplo do Brasil: nós seguimos um dos seus conselhos, o da correção monetária das dívidas e da poupança, para preservar o valor dos ativos, e conseguimos criar um processo infernal que se arrastou durante décadas no limite da hiperinflação e que muito fez para agravar a já péssima distribuição de renda.”

“Eu sei disso, Bob, mas a minha recomendação era apenas voltada para preservar o sistema financeiro, protegendo poupadores contra os ganhos indevidos dos tomadores de crédito. Eu não esperava que no Brasil vocês fossem generalizar esse mecanismo em todas as vertentes do sistema. Vocês simplesmente criaram uma máquina realimentadora da inflação, o que nunca foi a minha intenção.”

“Bem, isso agora acabou, felizmente. Alguns poucos malucos ainda insistem em pedir um pouco mais de inflação, para garantir mais crescimento e emprego, mas eles não são tão ouvidos como antes. Em contrapartida, eles continuam se posicionando contra o liberalismo, sob o pretexto de que você o colocou a serviço de ditadores, como no Chile, onde as conquistas populares foram esmagadas em benefício do capital estrangeiro”. 

That’s untrue, Bob”, irritou-se Friedman. “Pinochet era um perfeito bárbaro, não apenas na repressão política. Ele pretendia dar ordens aos preços, da mesma forma como comandava seus soldados e nunca entendeu a economia. Eu apenas atendi a um chamado de ex-alunos que trabalhavam no ministério das Finanças, para dar conselhos sobre como domar a inflação, que teimava em persistir mesmo depois da abolição das medidas socialistas de Allende. Eu simplesmente fiz a recomendação óbvia para que deixassem os preços e os mercados livres e parassem de imprimir dinheiro, controlando na outra ponta as despesas públicas, inclusive as militares. Bastou isso para trazer a superinflação chilena a patamares razoáveis. Também insisti para que dessem autonomia às autoridades monetárias e liberdade aos empresários. Surpreende-me que in Latin America todos gritam contra o neoliberalismo, quando o Chile é o único país da região que cresce continuamente há quase duas décadas.”

“Isto é porque gostamos de encontrar bodes expiatórios para os nossos próprios problemas. Um dos maiores sucessos dos últimos tempos é o Fórum Social Mundial, criado no Brasil: milhares de jovens idealistas e alguns velhos esquerdistas que graças à globalização se mobilizam rapidamente para protestar contra a globalização. It’s insane Milton. Recentemente, ainda, eles voltaram a protestar contra as privatizações, usando o tempo todo moderníssimos celulares que eles nunca teriam se as velhas estatais do setor continuassem limitando a oferta de linhas e aparelhos. Just crazy...”

Yes, that’s amazing. But tell me Bob, como vai o seu leftist president?”

Oh, don’t worry Milton, ele é tão socialista quanto eu sou keynesiano, ou seja, quase nada, apenas uma tênue superfície para impressionar os últimos true believers, que infelizmente no Brasil ainda são em grande número.”

“Também pudera, Bob, você mesmo, com todo o seu credo liberal e privatista, fez mais para impulsionar o poder do Estado do que todos esses universitários marxistas que se reúnem regularmente para pedir mais controle de capitais e do câmbio, mais gastos públicos, menos abertura econômica, não aos acordos comerciais. Tell me frankly, Bob, você não se arrepende hoje desse stalinismo para os ricos que vocês criaram no Brasil?”

Yes, that sad, Milton, I confess my error. Eu estava apenas tentando impulsionar a economia, na ausência de capitalistas schumpeterianos e de um verdadeiro mercado financeiro, funcionando à base de poupança privada. Reconheço que fomos longe demais, mas isso também porque os nossos militares alimentavam sonhos grandiosos de dominar ciclos industriais inteiros, construir processos produtivos totalmente nacionalizados e enveredar pelo caminho da grande potência econômica cuidando mais da superestrutura de ciência e tecnologia do que do ensino básico. Na crise do petróleo, insistiram ainda nos grandes projetos, fazendo dívida em lugar de reajustar a economia. Quando eu quis protestar, me mandaram como embaixador para Saint James’ Court, junto da rainha.”

“Ultimamente, o seu leftist president andou prometendo crescimento econômico a 5% ao ano. Is that possible, Bob?”

Certainly not, Milton, as long as the State continuar como despoupador líquido dos recursos criados pelo setor privado. O Estado brasileiro arrecada mais de 38% do PIB em impostos e gasta 41%, considerando o pagamento da enorme dívida pública. Não há a menor hipótese de obtermos esse crescimento, pois investimos apenas 20% do PIB, sendo que o próprio Estado é responsável por menos de 2% do volume total. Sinto contradizer o meu presidente, mas ele divaga ou foi mal informado por assessores que não sabem do que estão falando.”

“E esse programa de ajuda aos pobres, Bob, o que você acha? Eles pretendem que eu recomendaria o mesmo, com o meu negative-income-tax. Is that correct?”

“Não é nada disso, Milton, o seu esquema se dirige aos working poors, ao passo que o nosso programa praticamente não tem contrapartidas e não constitui a remuneração por qualquer tipo de atividade. É muito diferente. Mas ele é obviamente muito apreciado pelos políticos, que constituem com isso um imenso curral eleitoral.”

It’s a pity, Bob. Mas eu também tenho um motivo de remorso, no meu próprio país, ao ter sugerido, durante a Segunda-Guerra, a retenção do imposto de renda na fonte, como forma de alimentar as caixas do Estado, então necessitado de recursos. Nunca mais foi possível reter a sanha arrecadadora desse monstro burocrático e meus conselhos para a diminuição do tamanho do Estado sempre caíram no vazio”. 

“Não lamente muito, pois suas recomendações eram justificadas em função do momento. A despeito disso, a carga fiscal no seu país tem se mantido rigorosamente em torno de 30% do PIB, com pequenas variações ao longo das últimas três décadas. No Brasil, saímos de menos de 20% nos anos 1970 para quase 40% hoje em dia, com tendência ao crescimento. Estamos no mato sem cachorro agora: o gênio saiu da garrafa e não conseguimos engarrafá-lo outra vez”. 

I recognize that you do have a great challenge on this: é praticamente impossível fazer o Estado retroceder uma vez que você alimentou o monstro. Mas, não percam as esperanças. Vejam o caso da Irlanda, certamente o melhor exemplo atual de mudanças estruturais, elevação dos padrões de vida e inserção internacional com base num modelo tributário de baixa imposição sobre os lucros e o trabalho e grande apoio à educação”. 

“Sim, eu conheço o sucesso irlandês: quando eu era embaixador em Londres, eles tinham justo entrado na então Comunidade Européia, com uma renda per capita que era menos da metade da renda comunitária e muitos analfabetos na população ativa. Hoje eles ultrapassaram a renda da UE e estão começando a sentir o ‘desconforto da riqueza’. É um exemplo ainda melhor do que a China, que só é mais conhecido porque ela é grande e incomoda muita gente. Mas a Irlanda é certamente o exemplo a ser seguido”. 

That’s it, Bob, nem tudo está perdido. Vocês só precisam convencer as pessoas, o common people, de que este é o caminho a ser seguido. Aliás, basta olhar ali ao lado, e ver o exemplo do Chile. Como é que você não percebem isso, no Brasil?”

“Well, Milton, os melhores economistas dizem que o Chile não é exemplo para o Brasil: uma economia muito pequena e pouco diversificada, com uma inserção limitada às suas vantagens ricardianas, que estão nos produtos primários e recursos naturais.” 

My God, Bob, quando é que os seus economistas vão se dar conta de que não é o tamanho da economia que conta e sim a qualidade das políticas macroeconômicas? Não posso acreditar que continuem repetindo bobagens como essa, inaceitáveis em qualquer primeiranista de economia! Não importa o tamanho do país ou suas vantagens relativas e sim a forma como ele organiza o seu sistema produtivo para tirar o melhor proveito possível das capacidades dadas e das adquiridas, com base em políticas corretas, que estimulem a competição e a inovação.”

“Eu sei disso, Milton, mas essas verdades simples não entram na cabeça dos meus conterrâneos, mesmo na de alguns economistas respeitados...”  

“Repita comigo, Bob, algumas verdades simples, que funcionam em qualquer tipo de economia. O segredo para o crescimento sustentado e o desenvolvimento social é uma boa combinação de quatro elementos essenciais: macroeconomia estável, microeconomia competitiva, alta qualidade dos recursos humanos e inserção nos fluxos dinâmicos de comércio e investimentos. Isso não tem nada a ver com economia keynesiana, austríaca, liberal ou neoliberal. É uma diferença entre boa e má economia. As simple as that!”

You are right, Milton. Só podemos esperar que nossos cidadãos se convençam dessas constatações tão óbvias. Let’s keep trying, now from above...”

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 20 de novembro de 2006

domingo, 21 de janeiro de 2024

Guerra na Ucrânia: análises e perspectivas, livro de Rodolfo Queiroz Laterza e Ricardo Pereira Cabral, Pedro Silva Drummond (Editor)

 Guerra na Ucrânia: Análises e Perspectivas. O Conflito Militar que Está Mudando a Geopolítica Mundial 

Iniciada muito antes do dia 24 de fevereiro de 2022, a guerra na Ucrânia está a mudar o mundo e nossas vidas - se para melhor ou para pior somente o tempo dirá, mas conhecê-la em toda sua complexidade é fundamental para entender e assimilar essas inevitáveis transformações. Essa tarefa não é fácil, pois diante dos enormes interesses econômicos e geopoliticos envolvidos no conflito, tornou-se muito difícil encontrar informações desenviesadas nos grandes meios de comunicação. Com denso conhecimento do assunto não apenas no campo militar mas também no tocante aos meandros da complicada e violenta reviravolta política ucraniana que se inicia na revolução de 2013, ambos os autores desvendam a guerra com uma clareza, rigor factual e simplicidade que tornam muito agradável (e apaixonante) a leitura deste livro. Poucas pessoas conseguiriam explicar esse cenário caótico com tanta maestria e altivez. Trata-se, portanto de um trabalho sério, técnico e, sobretudo, elaborado com dois atributos raros nos dias de hoje: dignidade e respeito aos acontecimentos, sem paixões ou polarizações. Que o leitor extraia lições para os sérios e negligenciados perigos que o mundo atual expõe para a sobrevivência da humanidade.

Do prefácio de Robinson Farinazzo

  • Editora ‏ : ‎ Editora D'Plácido; 1ª edição (28 agosto 2023)
  • Idioma ‏ : ‎ Português
  • Capa comum ‏ : ‎ 494 páginas
  • ISBN-10 ‏ : ‎ 6555898186
  • ISBN-13 ‏ : ‎ 978-6555898187
Adquiri este livro e fiquei muito bem impressionado pelo conteúdo, pois os autores são especialistas em conflitos militares, segurança e estratégias militares. Animam o site História Militar em Debate: https://historiamilitaremdebate.com.br/

Sumário 
Prefácio por Robinson Farinazzo 13 
Introdução 17 
1. As causas históricas da Guerra Russo-Ucraniana 21
     Rodolfo Queiroz Laterza e Ricardo Cabral 
2. O Conflito no Leste Europeu: Um balanço de um mês de operações militares 33 
    Ricardo Pereira Cabral 
3. O Realinhamento Estratégico-Operacional Militar da Rússia diante do Fracasso da Operação de Demonstração de Força 43 
    Rodolfo Queiroz Laterza 
4. A Marcha da Insensatez 55 
    Ricardo Pereira Cabral 
5. O Grupo Wagner 59 
    Ricardo Pereira Cabral 
6. 45 dias de conflito no Leste Europeu 63
7. As transformações geopolíticas na Europa e o conflito no Leste Europeu 71 
    Ricardo Pereira Cabral 
8. 63º dia da Guerra da Ucrânia 77 
    Ricardo Cabral 
9. Uma abordagem geopolítica sobre Rússia e a Finlândia 81 
    Ricardo Pereira Cabral 
10. O 80º Dia de Operações Russas na Ucrânia 85 
    Ricardo Pereira Cabral 
11. Uma abordagem geopolítica sobre Rússia e a Suécia 93 
    Ricardo Pereira Cabral 
12. As Batalhas em Cidades-Fortificações em Donbass 101 
    Rodolfo Queiroz Laterza 
13. 90º Dia do Conflito no Leste Europeu 107 
    Ricardo Pereira Cabral 
14. 100º Dias de Conflito no Leste Europeu 113 
    Ricardo Pereira Cabral 
15. 124 Dias de Guerra no Leste Europeu: Contexto Atual e Perspectivas Próximas 121 
    Rodolfo Queiroz Laterza 
16. A importância estratégica da Batalha da Ilha da Serpente no Conflito do Leste Europeu 135 
    Rodolfo Queiroz Laterza
17. Análise Tático-Operacional dos Fronts de Kharkiv, Kherson e Vuhledar 143 
    Rodolfo Queiroz Laterza e Ricardo Cabral 
18. 160 Dias de Conflito Militar na Ucrânia 151 
    Rodolfo Queiroz Laterza e Ricardo Pereira Cabral 
19. O futuro da Ucrânia, segundo Dmitry Medvedev 161 
    Rodolfo Queiroz Laterza e Ricardo Cabral 
20. “Grupo Brave” e o Batalhão “Somália” na Guerra do Leste Europeu 167 
    Rodolfo Queiroz Laterza 
21. A situação pré-guerra e as perspectivas da Força de Blindados da Ucrânia 171 
    Rodolfo Queiroz Laterza 
22. Operações de Sabotagem do Serviço de Segurança Ucraniano na Guerra do Leste Europeu 181
    Rodolfo Queiroz Laterza 
23. Algumas considerações estratégicas sobre a ofensiva ucraniana em Kharkhi-Izium 197 
    Rodolfo Queiroz Laterza e Ricardo Cabral 
24. Uma análise sobre o baixo efetivo das unidades de combate russas na Guerra da Ucrânia 205 
    Rodolfo Queiroz Laterza 
25. 7 meses da Guerra no Leste Europeu 215 
    Rodolfo Queiroz Laterza e Ricardo Cabral 
26. A Ofensiva Ucraniana em Kherson 223 
    Rodolfo Queiroz Laterza e Ricardo Cabral 
27. A VKS e a Defesa Aérea Ucraniana 229 
    Rodolfo Queiroz Laterza e Ricardo Cabral 
28. As operações ucranianas em Kherson 241 
    Rodolfo Queiroz Laterza e Ricardo Cabral 
29. O emprego de UAV pelas Forças Armadas Ucranianas 247 
    Rodolfo Queiroz Laterza e Ricardo Cabral 
30. Os principais drones russos empregados na Guerra da Ucrânia 255 
    Rodolfo Queiroz Laterza e Ricardo Cabral
31. As variáveis tático-operacionais na Guerra da Ucrânia e seus desdobramentos políticos e estratégicos 265 
    Rodolfo Queiroz Laterza e Ricardo Cabral 
32. A importância dos sistemas C4ISR na Guerra da Ucrânia 271 
    Rodolfo Queiroz Laterza e Ricardo Cabral 
33. Um balanço das últimas semanas da Guerra na Ucrânia (Dezembro 2022) 283 
    Rodolfo Queiroz Laterza e Ricardo Cabral 
34. As modificações táticas e na estratégia militar russa introduzidas pelo General Segei Surovikin no Teatro de Operações da Ucrânia 289 
    Rodolfo Queiroz Laterza e Ricardo Cabral 
35. Breve análise sobre os ataques de mísseis de cruzeiro e drones kamikaze ao sistema energético ucraniano 295 
    Rodolfo Queiroz Laterza e Ricardo Cabral 
36. As diversas perspectivas das ofensivas da Ucrânia 303 
    Rodolfo Queiroz Laterza 
37. A Batalha de Soledar 311 
    Rodolfo Queiroz Laterza e Ricardo Cabral 
38. Unidades DRG na Guerra da Ucrânia: Como são usados e o que são? 321 
    Rodolfo Queiroz Laterza 
39. O que são Companhias Militares Privadas? 329 
    Ricardo Cabral 
40. A PMC Wagner Group: O que realmente são, Características, Perfil, Operacional 333 
    Rodolfo Queiroz Laterza 
41. Breves considerações sobre a Modernização do MBT T-62M para a Guerra da Ucrânia 345 
    Rodolfo Queiroz Laterza 
42. Sobre a formação de novas tropas nas Forças Armadas da Ucrânia 353 
    Rodolfo Queiroz Laterza 
43. Estudo sobre a Batalha de Vuhledar no curso da Guerra da Ucrânia 359 
    Rodolfo Queiroz Laterza 44. Um ano de Guerra na Ucrânia 367 
    Ricardo Cabral e Rodolfo Queiroz Laterza 
45. A Guerra de Drones da Ucrânia contra a Rússia 383 
    Ricardo Pereira Cabral 46. Possíveis Cenários sobre a Ofensiva de Primavera Ucraniana 389 
    Rodolfo Queiroz Laterza 
47. O Desenvolvimento da Batalha de Avdeevka 397 
    Rodolfo Queiroz Laterza 
48. Uma análise crítica dos Grupos Táticos de Batalhão do Exército Russo 403 
    Rodolfo Queiroz Laterza e Ricardo Cabral 
49. A Eficácia dos Drones Kamikaze Lancet-3 na Guerra da Ucrânia 415 
    Rodolfo Queiroz Laterza 
50. A primavera europeia: a ofensiva russa e o contra-ataque ucraniano 421 
    Ricardo Cabral 
51. Análise das Fortificações Russas no Perímetro Operacional da Guerra na Ucrânia 429 
    Rodolfo Queiroz Laterza 
52. Breve Análise do Ataque de Mísseis à Base de Khmelnytsky e suas possíveis consequências para a Ofensiva Ucraniana 437 
    Rodolfo Queiroz Laterza 
53. Um primeiro balanço das lições apreendidas da Guerra da Ucrânia 441 
    Ricardo Pereira Cabral 
54. A Batalha de Bakhmut 449 
    Rodolfo Queiroz Laterza 
55. Análise da Ofensiva de Verão Ucraniana em 2023 465 
    Rodolfo Queiroz Laterza e Ricardo Cabral 
56. Cenários sobre o fim do conflito militar na Ucrânia 479 
    Rodolfo Queiroz Laterza 
Agradecimentos e apresentação dos autores e organizador da obra 491

sábado, 20 de janeiro de 2024

De uma franja lunática a outra - Paulo Roberto de Almeida

De uma franja lunática a outra

Paulo Roberto de Almeida

Nos quatro anos do Bozo, convivemos com as teorias conspiratórias importadas da extrema-direita americana, várias da chamada “franja lunática”, representada no Brasil pelo chanceler acidental. 

Agora parece que começamos a conviver com as teorias conspiratórias da Rússia de Putin, representada no Brasil pela “franja lunática” lulopetista: tudo é culpa dos EUA e das manobras da CIA contra a Petrobras e o desenvolvimento do Brasil. 

Tem também a Rede Globo e a “grande mídia golpista”, que vale para as duas franjas lunáticas.

Cada um tem a teoria conspiratória a que tem direito; a dos bolsonaristas era muito ridícula; a dos lulopetistas é mais tradicional, de acordo ao que já estamos acostumados.

Progredimos em matéria de teorias conspiratórias?

Em busca da alternativa democrática, contra os populismos lulista e bolsonarista - Roberto Freire e Paulo Roberto de Almeida

Um chamamento à alternativa democrática antipopulista, de Roberto Freire

“AVISO AOS NAVEGANTES

Existem homens e mulheres brasileiros, de esquerda como eu, liberais, de centro esquerda, centro e centro direita, democratas todos , que continuam lutando pela construção de uma ALTERNATIVA, tal como foi tentado nas eleições de 2022, aos dois polos que hoje dominam a política no pais.

O AVISO AOS NAVEGANTES é para dizer que o voto pela continuidade democrática em Lula e contra Bolsonaro, foi tático ( há arrependidos, mas lá foi o correto ) já cumpriu o seu papel. Cabe reafirmarmos e o AVISO é chamamento também, para dizer que a ALTERNATIVA DEMOCRÁTICA é uma oposição aos populismos - Lulista e Bolsonarista - que esta viva na política da nação brasileira e sua perspectiva é o futuro”

20/01/2024

Uma nota de Paulo Roberto de Almeida 

Não se constroi uma alternativa democrática aos populismos que continuam dividindo o Brasil e os brasileiros e inviabilizando um processo vigoroso de crescimento e de desenvolvimento social apenas com base num chamamento lançado aleatoriamente ao publico em geral. 

Alternativa a governos existentes, atuando com base em determinadas políticas, deve ser feita com base no oferecimento de politicas alternativas às que estão sendo implementadas, a partir de um grupo unido numa plataforma integrada e formada por propositores dessas outras politicas, o que significa ter um governo alternativo, chamado — na experiência britânica de alternância entre Tories e Labourites — de Shadow Cabinet.

Seja lá o nome que se quiser dar, e pode ser Alternativa Democrática, é preciso sair do domínio das invectivas para o terreno das propostas concretas de melhores politicas. Ou seja: é preciso começar reunindo os alternativos e passar a discutir politicas diferentes às que estão na mesa, a partir dos melhores estudos e propostas de especialistas, sobretudo em politicas econômicas (macro e setoriais), políticas sociais, ambiental, educacional, de ciência e tecnologia, política externa, militar, etc.

Paulo Roberto de Almeida 

Brasilia, 21/01/2024


Benjamin Franklin’s rules for a virtuous life (not always for him)

  At age 20, while contemplating what he needed to do to develop a good character, Benjamin Franklin created a list of 13 virtues and thereafter sought to practice them in his daily life. Almost 300 years later, they are still commendable.


1. Temperance. Eat not to dullness; drink not to elevation.

2. Silence. Speak not but what may benefit others or yourself; avoid trifling conversation.

3. Order. Let all your things have their places; let each part of your business have its time.

4. Resolution. Resolve to perform what you ought; perform without fail what you resolve.

5. Frugality. Make no expense but to do good to others or yourself; i.e., waste nothing.

6. Industry. Lose no time; be always employed in something useful; cut off all unnecessary actions.

7. Sincerity. Use no hurtful deceit; think innocently and justly, and, if you speak, speak accordingly.

8. Justice. Wrong none by doing injuries, or omitting the benefits that are your duty.

9. Moderation. Avoid extremes; forbear resenting injuries so much as you think they deserve.

10. Cleanliness. Tolerate no uncleanliness in body, clothes, or habitation.

11. Tranquility. Be not disturbed at trifles, or at accidents common or unavoidable.

12. Chastity. Rarely use venery but for health or offspring, never to dullness, weakness, or the injury of your own or another's peace or reputation.

13. Humility. Imitate Jesus and Socrates.


Benjamin Franklin was born on January 17, 1706, three hundred eighteen years ago today.


Of course Franklin is not remembered for his chastity. With regard to the 12th virtue on his list, we might wonder how he interpreted "rarely" and "but for health."


The portrait of Franklin is by the French painter Joseph-Siffred Duplessis and is in the North Carolina Museum of Art in Raleigh.

Um militar americano, casado com uma russa, fala sobre a Ucrânia - Fred Hoffman

Cynical Publius writes:

OK, let's talk some facts about Ukraine:

1. Ukraine is not a liberal democracy.  It is a fascist oligarchy with strong neo-Nazi elements and the mere trappings of liberalism and democracy.  (This is true even if the weak-minded sheep with Ukrainian flags in their profiles think otherwise.)

2.  NATO and the US  promised Russia that NATO would not expand into Ukraine, and by posturing that such expansion may take place, NATO provoked Russia.

3. Zelensky is literally an actor with an outsized presence in American politics and is leveraging Democrats and RINOs to his own ends.

4. The national interest of the US is connected to the Ukraine/Russian war tangentially at best.

5. The US is pouring billions of dollars into Ukraine with little if any accountability.

6. Joe Biden is implicated in a pay-to-play bribery scheme with Ukrainian oligarchs, which Biden bragged about publicly.

One need not be Inspector Clouseau to realize that #5 is not a function of #1 through #4, but is instead a function of #6.  What does Zelensky have on Biden, exactly?

Yes, this is deductive reasoning, but some things are so plainly obvious that deductive reasoning is all that is needed to achieve truth.

Fred Hoffman responds: 

 I agree with a lot of what you post, but I don’t agree with what you presented as “facts” about #Ukraine. I’m a former military intelligence officer and lifelong Republican who firmly believes that we need to enable Ukraine to defeat Putin’s invading army. Here’s my response to what you wrote. I mean no disrespect, but this is how the situation seems to me:

1. Since 1991, Ukraine has come a long way toward becoming a liberal democracy along the lines of Western Europe and the United States. No, they’re not perfect, but they’re also not mired in the Soviet era level of mind-numbing corruption that afflicts most of the 15 former Soviet Republics. (Since we’re on the topic, some could credibly argue that the U.S. isn’t quite the liberal democracy we claim to be, either.)

2. Neither NATO nor the U.S. ever promised that NATO would not expand westward. Even Mikhail Gorbachev acknowledged that. Like Estonia, Lithuania, and Latvia (also former Soviet Republics), Ukraine came to realize that it needed to align with the West, rather than with Moscow. For Ukraine, NATO is an insurance policy (as it is for the Baltic states). If Russia did not threaten Western Europe, there would not BE a NATO.

3. True: Zelensky was an actor; so too was Ronald Reagan (for whom I voted twice). Okay, Reagan was also the former governor of California. But he was still a professional actor. But I seem to recall that he was a pretty good president, too. Since February 2022, Zelensky has done a pretty credible job as the leader of a country fighting an existential struggle against an enemy that wants to wipe Ukraine off the map.

4. Vladimir Putin is Hitler 2.0. I say this as someone who has professionally observed what Putin has done since becoming president in 2000. I have been to #Russia. I speak Russian. I have a Russian wife. Vladimir #Putin hates the West in general and the U.S. in particular. Putin does not plan to stop with Ukraine; he also has designs on other NATO countries. (Don't take my word for it; listen to what he says, and read what he has written.) So we can either fight Putin now, indirectly, by, providing Ukraine with the tools it needs to defeat him, or we can fight him later when he finally attacks a NATO country. Which do you prefer? I know how I would answer this question. How we support Ukraine also has implications for how other authoritarian regimes (China, Iran, North Korea, Venezuela) behave elsewhere.

5. Not true. Most U.S. aid to Ukraine has come in the form of U.S.-provided military equipment that is tracked by specially trained Security Assistance Officers both here and working in Ukraine. I say this as a former military attaché who has worked extensively with Security Assistance Officers in the Balkans and elsewhere.

6. I honestly don’t know how the Biden family financially benefits from Ukraine. Yes, I know the seedy tale of Hunter Biden and his “job” at Burisma, and about Biden himself boasting about holding up funds until the Ukrainians sacked a prosecutor that Biden wanted gone. But whatever tawdry goings-on may be happening in this respect, that doesn’t change the fact that Ukraine was a peaceful country that posed no threat to Russia, or the fact that Ukrainians are now engaged in a life-and-death struggle with an autocratic regime that seeks to eradicate Ukraine as an independent nation. 

Ukraine is not tangential to our security interests; it is at the core of them.


O Brasil que não deveria ter voltado - Editorial Estadão

 O Estadão é implacável com a imbecilidade ruinosa de Lula ecdis petistas: querem refazer o desastre: (PRA)

O Brasil que não deveria ter voltado

Editorial, O Estado de S. Paulo (19/01/2024)

No momento em que nenhuma petroleira no mundo ousa investir em novas refinarias, Lula pretende apostar suas fichas na retomada das obras de Abreu e Lima para reescrever o passado

O presidente Lula da Silva decidiu retomar as viagens pelo interior do País. O roteiro passou por Ipojuca (PE), para celebrar as obras de ampliação da Refinaria Abreu e Lima. Para Lula da Silva, não há melhor local para anunciar aos quatro ventos que “o Brasil voltou”. O problema é que o Brasil que está de volta é o Brasil que jamais deveria ter voltado.

Na ânsia de ampliar investimentos e gerar empregos, Lula, em seus dois primeiros mandatos, decidiu que faria da Petrobras um braço a serviço do governo para a execução de grandiloquentes (e caríssimos) planos para supostamente impulsionar o desenvolvimento nacional. Vários projetos ambiciosos foram anunciados, como o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), as Refinarias Premium I e II, no Maranhão e no Ceará, e a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

A ideia era obter a autossuficiência na produção de combustíveis e reduzir seus preços, aproveitando-se da posição dominante da companhia nesse mercado. O que o governo deliberadamente desconsiderava é que os derivados de petróleo flutuam conforme a cotação do barril no exterior e o comportamento do câmbio, fatores fundamentais para definir a viabilidade econômica de cada projeto.

Como uma empresa de capital misto, a Petrobras submeteu as propostas ao Conselho de Administração, que teria condições de avaliar seus custos e benefícios e o enquadramento na estratégia de atuação da empresa. O governo, no entanto, abusou de sua participação majoritária na companhia para impor suas vontades aos acionistas privados.

Lembrar esse contexto é extremamente relevante no momento em que o governo tenta reescrever a história recente. Na versão petista, não fosse a operação liderada pelo juiz Sérgio Moro, todas as obras da Petrobras teriam sido concluídas e o País estaria em outro patamar de desenvolvimento econômico.

Na delirante versão petista, Moro teria usado a Lava Jato para minar o crescimento do País e da petroleira para atender a interesses norte-americanos. Dado que a investigação caiu em total descrédito, nada mais justo que retomar os planos originais. A fábula de Lula ignora o fato de que a Petrobras já estava em maus lençóis antes mesmo da criação da malfadada força-tarefa de Curitiba.

A desaceleração da economia chinesa a partir de 2009 derrubou os preços das commodities, inclusive do petróleo, e corroeu boa parte do retorno dos projetos da Petrobras. Como se não bastasse, a companhia passou a ser usada como instrumento para controle da inflação, vendendo combustíveis a preços inferiores aos cobrados no exterior. A desvalorização do câmbio agravou os prejuízos e levou seu endividamento a níveis insustentáveis. Sem condições de se financiar, as faraônicas obras começaram a atrasar, e algumas nunca foram iniciadas.

Não havia como a Petrobras conciliar as duas funções que o governo esperava dela – ser um braço dos investimentos e um instrumento da política monetária – sem perder muito dinheiro. Nessa toada, entre 2011 e 2014, a Petrobras acumulou prejuízos da ordem de R$ 100 bilhões, muito mais que as perdas reconhecidas em balanço em razão das descobertas da Lava Jato, de cerca de R$ 6 bilhões.

No caso de Abreu e Lima, houve outras agravantes. A parceria com a venezuelana PDVSA, anunciada em 2005 por Lula e o caudilho Hugo Chávez, nunca foi formalizada, e o ônus da refinaria ficou todo com a Petrobras. O custo de construção explodiu, as obras se arrastaram por nove anos e os executivos das construtoras relataram superfaturamentos e propinas a diversos partidos no esquema do petrolão.

Por fim, a capacidade instalada foi reduzida à metade do projeto original, o que fez de Abreu e Lima uma das refinarias mais caras e menos produtivas do mundo – tanto que a Petrobras, quando quis se livrar do ativo, não conseguiu vendê-lo a ninguém.

Agora, quando nenhuma empresa no mundo ousa investir em novas refinarias, é nesta obra que o governo pretende apostar suas fichas. Seja porque pretende se vingar da turma da Lava Jato, seja porque quer reescrever a história, Lula retoma um projeto que deveria custar US$ 2,5 bilhões, consumiu quase US$ 18,5 bilhões, deveria ficar pronto em 2011 e permanece inacabado, tornando-se símbolo da húbris lulopetista que arruinou o País.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

TPI: comentários ao Estatuto de Roma sobre o tratado fundador: livro organizado por Sylvia Helena Steiner e por Leonardo Nemer Caldeira Brant

 Este livro sobre o TPI – que o Lula fingiu desconhecer, para tentar proteger, e ACOLHER, seu amigo Putin – pode ajudar os aspones do Palácio do Planalto a informar ao presidente quais são as obrigações, não suas, mas do Brasil, ao abrigo do tratado constitutivo do Tribunal. São apenas 1783 páginas, com tudo muito bem explicadinho, antecedentes, funcionamento, consequências.

Esta obra magnífica foi organizada pela juíza designada pelo próprio Lula para o TPI, Sylvia Helena Steiner, e pelo atual juiz brasileiro na CIJ, Leonardo Nemer Caldeira Brant.

Dois diplomatas dele participaram: o embaixador Gilberto Vergne Saboia, que tem extensa carreira no Direito Internacional e Humanitário, e que participou da conferência que finalizou o projeto de acordo internacional; e o embaixador Marcel Biato, que participou dos trabalhos de aprovação dos dispositivos do Estatuto de Roma; ele escreve justamente sobre a OBRIGAÇÃO de cooperação, não de Lula, mas do Brasil, para com o TPI, um progresso extraordinário no Direito Internacional Humanitário, escapando das manobras políticas do CSNU e se tornando autônomo inclusive da própria ONU.





Postagem em destaque

Após Lula em Washington, Trump visita a China, e encontro reforça papel do Brasil com potências - Giovana Cardoso (R7); subsídios Paulo Roberto de Almeida

  Matéria para a qual ofereci alguns subsídios: Após Lula em Washington, Trump visita a China, e encontro reforça papel do Brasil com potênc...