segunda-feira, 27 de maio de 2024

O governo quer ser governo e oposição ao mesmo tempo: taxar e isentar pequenas compras na internet - Rodolfo Borges (O Antagonista)

 

O dilema das bugigangas da filha de Lira

O recuo de um governo gastador sobre a taxação de importações de menos de US$ 50 atesta que a maré virou totalmente contra Lula. Petista recalibrou o discurso, mas seguirá como o maior prejudicado por uma possível aprovação (afinal, a ideia foi de sua equipe).

O presidente Lula recalibrou na quinta-feira, 23, seu discurso sobre a taxação de importações de menos de 50 dólares. A ideia foi proposta por seu próprio governo no ano passado, entre os esforços do Ministério da Fazenda para aumentar a arrecadação federal e fazer frente às promessas de responsabilidade fiscal de um governo gastador.


Depois de a primeira-dama Janja entrar na história para confundir ainda mais um assunto que já é complexo o bastante, o governo abandonou a ideia, que voltou à baila agora por meio de um jabuti patrocinado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL, à direita na foto).


fim da isenção para remessas internacionais de até 50 dólares foi incluído em um projeto sobre outro assunto, o Programa Mover, que trata de descarbonização do setor automotivo e precisa ser votado nesta semana pelo Congresso Nacional para a medida provisória que o instituiu não caducar.

Lira defendeu publicamente o fim das isenções. Sacou uma pesquisa para dizer que são brasileiros de renda A e B os que mais compram de lojas como Shein e Shopee, e já avisou que não pretende abrir mão de votá-lo. Lula foi por outro lado. Disse que pode até vetar o projeto, que seu governo defendia abertamente até outro dia, caso ele venha a ser aprovado.


“A filha do Lira compra”.


“Como você vai proibir as pessoas pobres que querem comprar uma bugiganga? Quando discuti, eu falei pro [vice-presidente Geraldo] Alckmin: ‘tua mulher compra, minha mulher compra, tua filha compra’. Todo mundo compra. A filha do Lira compra”, comentou Lula ao ser questionado sobre o assunto por jornalistas.


O governo segue precisando de dinheiro para manter suas promessas, apesar de ninguém mais acreditar em déficit zero, principalmente porque não demonstra qualquer intenção de gastar menos. Mas a popularidade de Lula despencou, e elevar impostos — ainda que no caso se trate de derrubar uma isenção — no país de pior posição no índice de retorno de bem-estar não vai ajudar em nada a melhorar sua aprovação.


“Não pode o governo querer ser governo e querer ser oposição. O governo quer usufruir da receita e, ao mesmo tempo, dizer que é contra a taxação”, reclamou o deputado Danilo Forte (União-CE), relator do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2024 em entrevista ao Estadão. O deputado completou:


“Setores da área econômica apoiaram a taxação. Aí vem a orientação da liderança do governo para votar contra porque quer ficar bem com a opinião pública. O governo não pode ser o beneficiário disso e algoz do plenário. Se não quer que o Parlamento faça bomba fiscal, não pode ele próprio criar essa bomba. E justiça seja feita: eu vejo no ministro Haddad espírito público, mas ele não pode ficar com a bola nas costas.”


Sem tolerância para impostos


Pesquisa do Instituto Paraná encomendada pelo PL e divulgada na sexta-feira, 24, apontou que o aumento ou reajuste de impostos foi o item apontado espontaneamente por mais eleitores quando questionados sobre “falhas ou erros que o governo do presidente Lula cometeu ou está cometendo até o momento”.


Foram 6,2% os consultados que disseram isso — o segundo item mais mencionado, por 4,4%, foi “não está controlando a inflação”. São números baixos, mas relevantes por se tratarem do resultado de questionamentos feitos sem apresentar opções. Para se ter uma ideia, o aumento de impostos aparece como falha de lula à frente do item “Está envolvido em boatos de corrupção/ não está combatendo a corrupção”, um tema bem mais popular, destacado por 4,3% dos ouvidos.


O Instituto Paraná aponta também um aumento na proporção de eleitores que apontaram falhas do governo: eram 41,1% em janeiro; agora, são 46,6%.

Empresários


O fim da isenção para as compras de empresas estrangeiras é uma pauta dos empresários brasileiros, que enfrentam dificuldades para competir com mercados menos regulados, como o chinês. Lira mostra disposição para encampar a batalha, mas está claro que Lula já sentiu que a elevação no preço das blusinhas vai cair nas suas costas.


A Câmara promete enfrentar a questão nesta semana. Lira convocou sessão presencial para a segunda-feira, 27, para não perder a semana para o feriado de Corpus Christi, celebrado na quinta-feira, 30. O governo Lula precisa da aprovação do Programa Mover pelo Congresso até sexta-feira, quando vence o prazo da Medida Provisória que o criou — e ele ainda precisa passar pelo Senado.


E Lira já deixou claro que não pretende tirar o jabuti que derruba a isenção de dentro do projeto apoiado pelo Palácio do Planalto, mesmo contra a indicação de petistas e até de deputados da oposição, que não pretendem encampar uma batalha que o próprio governo não está disposto a travar. A semana de feriado será curta em Brasília, mas animada.


Rodolfo Borges - colunista

O Antagonista - Jornalismo vigilante

Lista dos trabalhos mais acessados em Academia.edu no mês de maio - Paulo Roberto de Almeida

 Lista dos trabalhos mais acessados em Academia.edu no mês de maio - Paulo Roberto de Almeida

 

4592) A Rússia de Putin, a guerra contra a Ucrânia e o Direito Internacional (2024)

Jose Guilherme Merquior: um Intelectual Brasileiro (2021)

4656) A revolução que o PT nunca fez: sua modernização como partido socialdemocrata (2005-2024)

4652) 200 anos de constituições e regimes políticos no Brasil, 1824-2024

4655) Lista de trabalhos sobre Mercosul, integracao e processos correlatos (2024)

4567) Esquerda e direita na politica e na economia: ainda faz algum sentido (2024)

4647) Relacao de trabalhos vinculados a tematica do Direito Internacional e do Direito Constitucional Brasileiro (2024)

1844) Integracao regional e insercao internacional dos paises da America do Sul: evolucao historica, dilemas atuais e perspectivas futuras (2008)

1455) A ordem internacional assimétrica e a reforma da ONU: uma perspectiva histórica (2005)

Paulo R. Almeida: O Mercosul no Contexto Regional e Internacional (1993)

1326) A economia (in)constitucional brasileira: resenha do livro de Jorge Vianna Monteiro (2004)

1326) George Minois, História do porvir: uma aposta contra o passado, Book Review (2004)

O Itamaraty na Cultura Brasileira (2001)

1786) Tendencias do regionalismo comercial evolução histórica e perspectivas atuais (2007)

2116) A coruja de Tocqueville: fatos e opinioes sobre o desmantelamento institucional do Brasil contemporaneo (2010)

A Constituicao Contra o Brasil: Ensaios de Roberto Campos

16) O Moderno Príncipe: Maquiavel revisitado (2010)

2258) O desenvolvimento do Mercosul: progressos e limitações (2011)

4668) O lento processo do desenvolvimento latino-americano: avanços e retrocessos na democracia e na economia de mercado (2024)

14) O Estudo das Relações Internacionais do Brasil (2006)

4100) Brasil, um pais de ponta-cabeca? Uma reflexao a partir das propostas constitucionais de Modesto Carvalhosa (2022)

3948) O Brasil e a pandemia da covid-19: aspectos internacionais (2021)

19) Integração Regional: uma introdução (2013)

2247) Seria o Mercosul reversível?: Especulações teóricas sobre trajetórias alternativas concretas (2011)

039) Enciclopédia de Guerras e Revoluções do Século XX (2004)

A arte da diplomacia e da negociacao como fundamentos das relacoes internacionais (2020)

3358) O direito comercial: um percurso a caminho de novas turbulências (2018)

4597) O Brasil e o G20 (2024)

Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI) Fundação Alexandre de Gusmão, Ministério das Relações Exteriores Relatório de Atividades no ano de 2017 sob a responsabilidade de seu Diretor: Paulo Roberto de Almeida

043) A globalização e seus benefícios: um contraponto ao pessimismo (2004)

 

The Global Economy Is More Vulnerable Than It Seems Bertrand Badré and Yves Tiberghien Project Syndicate

The Global Economy Is More Vulnerable Than It Seems

World leaders are so preoccupied with wars, power struggles, social tensions, and political polarization that they appear largely unwilling to invest in preserving global economic integration. History, economic theory, and current empirical trends indicate that this is a mistake.

PARIS/VANCOUVER – Today’s economic outlook is strangely contradictory. While global markets, led by technology and energy, have been ebullient over high short-term profits, the mood at the Spring Meetings of the World Bank and the International Monetary Fund last month was decidedly somber. Two global institutions that normally speak in banalities issued strong warnings about the growing risks of economic fragmentation.  

The idea that an interdependent global economy can work within a geopolitical system based on the national sovereignty of nearly 200 states has always reflected a certain amount of idealism. Or perhaps it was more like hubris. This strange marriage did, after all, collapse in the 1930s, with the division lasting through the end of World War II.

But idealism was not dead, and the global system was subsequently rebuilt on a foundation of agreed rules, shared international institutions, a degree of mutual forbearance, and crisis management. From the start, security considerations were kept as separate as possible from the economy, but this became especially important in the 1990s, when countries with radically different regimes began integrating into the global economy. Today, however, the foundations of this system are eroding fast, and global economic integration has seemingly gone into reverse. As Gita Gopinath, the IMF’s first deputy managing director, recently explained, economic fragmentation could have far-reaching implications for trade, such as reduced efficiency gains, and increase the risk of macro-financial volatility. Fragmentation could also reduce capital flows to the Global South and undermine the provision of global public goods, including climate action.

Five key factors are driving this trend toward fragmentation. First, rising geopolitical risks have fueled mistrust and reduced systemically important countries’ will to cooperate. Though policymakers rarely acknowledge it, a crisis over Taiwan – a flashpoint in the Sino-American rivalry – could well bring down the global economic system. 

Second, key countries are increasingly allowing security considerations to shape economic policy, with some taking expansive action to secure access to inputs, infrastructure, and technologies. While this is understandable, countries must exercise restraint. Whereas globalization happened gradually, a deglobalization process driven by security-motivated measures (which are almost guaranteed to trigger escalation by rivals and partners) would probably be fast and unwieldy, posing severe systemic risks.

The third factor underlying economic fragmentation is a deepening rift between the Global North and Global South. Public and private support for developing economies has collapsed at a time when many are wrestling with the legacy of the COVID-19 pandemic and confronting climate change. The decades-long trend toward convergence with developed economies has seemingly been interrupted, and resentment is building in the Global South. Net financial flows to developing countries have turned negative in 2023, and the trend is worsening in 2024. 

This partly explains the reluctance or refusal of many Global South countries to back the West on key geopolitical issues, such as sanctions against Russia in response to its war of aggression in Ukraine. Fragmentation also reflects the rapid escalation of climate risks and disasters. With “once-a-lifetime” floods, mega-fires, and droughts proliferating, many countries are at risk of destabilization within the next few years, and there is no global “safety net” in place. Meanwhile, as Harvard’s Dani Rodrik has pointed out, countries are competing for dominance in green technologies, rather than working together to accelerate progress. 

Lastly, the exponential growth of artificial intelligence is fueling national competition, rather than the global cooperation that is required. As MIT’s Daron Acemoglu and Simon Johnson have noted, regulations, policies, and institutions will be essential to ensure that AI creates jobs, rather than only destroying them. Global South countries need a voice in AI regulatory efforts. 

To be sure, the global economic system still has many sources of resilience. As the recent Indonesian, Indian, and Brazilian G20 presidencies have shown, most of the Global South remains committed to both interdependence and global governance. Furthermore, the private sector is still characterized by interdependence. We still have dedicated international organizations, global education networks, and a global civil society. 

But we must not underestimate the dangers ahead. There is good reason to think that the coming months and years will bring a series of shocks and crises. If leaders respond with tit-for-tat policies aimed at securing advantages over rivals, the integrated global economy could unravel. The speed of that process could overwhelm policymakers, and the path from economic pain to social upheaval to the abandonment of shared global rules may well prove to be short. 

As it stands, leaders are so preoccupied with wars, power struggles, social tensions, and political polarization that they appear largely unwilling to invest in saving the integrated global economy, let alone strengthening its capacity to deal with the existential risks we face. But history, economic theory, and current empirical trends indicate that this is a mistake. Even a partial collapse of our interdependent global economic and financial systems would be catastrophic, not least because it would undermine investment in global public goods. 

For politicians worried about migration’s effect on their countries, it is worth noting that, without massive investments in combating climate change, reversing desertification, and reducing poverty, millions could be attempting to cross the Mediterranean by 2050. National security must be a priority for policymakers. But measures to “secure” the economy must be combined with efforts to improve communication with rivals and invest in global public goods. 

To this end, world leaders should use the G20 and other plurilateral bodies to elevate working groups and institutions that support collective governance, with a focus on managing AI risks, addressing climate change, and averting the collapse of the global economic system on which we depend. 

Bertrand Badré

Writing for PS since 2014 
31 Commentaries

Bertrand Badré, a former managing director of the World Bank, is CEO and Founder of Blue like an Orange Sustainable Capital and the author of Can Finance Save the World? (Berrett-Koehler, 2018).

Yves Tiberghien

Yves Tiberghien

Writing for PS since 2019 
4 Commentaries

Yves Tiberghien, Professor of Political Science and Director Emeritus of the Institute of Asian Research at the University of British Columbia, is a visiting scholar at the Taipei School of Economics and Political Science.


Sendo claro: Lula é um grande amigo de Putin - Paulo Roberto de Almeida

Sendo claro: Lula é um grande amigo de Putin

Paulo Roberto de Almeida

Para muitos países, a Rússia é um Estado pária por seu ataque criminoso contra a Ucrânia, em violação flagrante da Carta da ONU, mas não para o Brasil e a China. Ambos acabam de ajudar Putin a sabotar a conferência pela paz organizada pela Suíça, um país neutro, como deveria ser o Brasil. 

Lula é ativamente pró-Putin! E quer muito trazê-lo para o G20 em novembro. Não vai conseguir, mas fica a imagem de conivente com o agressor aos olhos do mundo. 

Diplomacia personalista da pior espécie! Ela se sobrepõe à diplomacia partidária, que já é muito prejudicial ao país. Somos governados por um partido anacrônico que mantém a mesma visão econômica e diplomática dos anos 1950 e 60, aquela coisa antiamericana ranheta e ridícula que acaba unindo o país a qualquer ditadura execrável, de direita ou de esquerda, desde que seja antiocidental.

Imagino que muitos diplomatas profissionais devam se sentir constrangidos por essa amizade vergonhosa do chefe de Estado por ditadores pouco ou nada frequentáveis. Mas só imagino. Não sei, na verdade, o que pensam e sentem os jovens diplomatas, que sonhavam em servir uma política externa alinhada com diretrizes beneficiando democracias, direitos humanos e amplas liberdades, e acabam contemplando esses gestos de alinhamento com regimes deploráveis como os da Rússia, da Venezuela e do Irã.

É essa a “altiva e ativa”?

Para mim é ativamente pró-ditaduras que só se distinguem pela repressão interna — inclusive contra gays e mulheres — e pelas ameaças à paz e à segurança internacionais. 

Deve ser duro trabalhar para uma diplomacia partidária e personalista!

Paulo Roberto de Almeida 

Brasília, 27/05/2024


Crises climáticas cada vez mais frequentes e prováveis: o Brasil já tem milhares de "refugiados climáticos"

 

PERGUNTE A UM PESQUISADOR

Maria Carmen Lemos: conhecimento científico acionável e a crise climática

Brazil LAB-Princeton

Neste vídeo, a professora de recursos naturais e meio ambiente na Universidade de Michigan, Maria Carmen Lemos explica o que é conhecimento científico acionável e como ele pode ajudar o enfrentamento da crise climática. “O conhecimento acionável é na verdade um conhecimento usável. E para ele ser usável, ele precisa passar por alguns processos que são, às vezes, complicados para acadêmicos. Ele tem que ser bem comunicado, tem que estar disponível na hora e no lugar onde os potenciais usuários usariam esse conhecimento; e na confecção ou na criação, na produção desse conhecimento, existem algumas estratégias que têm um nível de evidência científica que ajudam o conhecimento ficar mais usável. Entre essas estratégias está a mais importante que é entender o contexto da decisão do potencial usuário para chegar o mais próximo possível de um conhecimento que se encaixe naquele processo decisório” disse. >>

 

PERGUNTAS QUE A CIÊNCIA JÁ RESPONDEU

Os impactos da mudança do clima no sistema energético brasileiro, em 7 pontos

CENERGIA/COPPE/UFRJ

À medida que a mudança do clima progride, a alteração dos padrões de variáveis como precipitação e temperatura não apenas afeta diretamente o bem-estar humano, como também redesenha parte das condições de operação e planejamento do sistema energético. De relevância global, essa questão se torna ainda mais importante no caso brasileiro, repleto de especificidades. >>

 

TÓPICO

Eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes e perigosos

Mudanças Climáticas FAPESP

O aumento da frequência e da intensidade de eventos extremos já estava previsto pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima) desde o seu primeiro relatório de avaliação, publicado em 1990. O Relatório do Painel Brasileiro de Mudanças do Clima, publicado em 2015, já mostrava a possibilidade de chuvas muito intensas no Rio Grande do Sul.

Livro Integração Regional: uma introdução - Paulo Roberto de Almeida


Recebo um comunicado da Editora Saraiva Educação – com a qual tenho um livro sobre a Integração Regional: uma introdução (2013), editado alguns anos atrás, e que parece ter apresentado uma demanda constante – sobre sua união com o Grupo GEN, com o qual tenho um outro livro: Relações internacionais e política externa do Brasil: a diplomacia brasileira no contexto da globalização (Rio de Janeiro: Editora LTC, 2012, xx+307 p.).

Eis o comunicado, em função do qual recebi direitos autorais antecipados, para os livros vendidos até abril de 2024: 

"Conforme comunicado anteriormente, a Saraiva Educação, com seus selos Érica, Benvirá, Mundo Benvirá, SaraivaUni e SaraivaJur, uniu forças com o GEN | Grupo Editorial Nacional, o maior grupo editorial do país no segmento de publicações CTP."  (não tenho a menor ideia do que seja essa sigla, mas que deve referir-se a um tipo ou gênero de livros).

O demonstrativo enviado é bastante preciso quanto aos livros vendidos entre janeiro de 2023 e abril de 2024, no total de 57, sendo 32 impressos e 25 digitais.

Aproveito a oportunidade para postar abaixo o índice desse livro sobre a integração regional, assim como uma resenha feita na época por um estudante de relações internacionais da UnB, a quem tenho de agradecer o cuidado e a honestidade intelectual nessa apresentação feita de um livro feito por encomenda do responsável pela coleção, o professor Antonio Carlos Lessa, do IRel-UnB (do qual sou pesquisador sênior associado).

Paulo Roberto De Almeida

Integração Regional: uma introdução

São Paulo: Saraiva, 2013, 192 p.;

ISBN: 978-85-02-19963-7

Índice  

Prefácio                      xi

Sumário                      xv

 

Capítulo 1. Introdução: Regionalismo,

um fenômeno complexo da economia mundial    1

     1.1 O regionalismo e a economia mundial           3

     1.2 Acordos regionais preferenciais         6

     1.3 Como surgiram, como funcionam e quais são os tipos?        10

            Questões para discussão        10

            Para saber mais          11

 

Capítulo 2. O conceito de regionalismo e os processos de integração   13

     2.1 Parceiros voluntários   15

     2.2 O novo regionalismo   16

     2.3 O papel dos mercados nos processos de integração   18

            Questões para discussão        21

            Para saber mais          22

 

Capítulo 3. Por que acordos regionais? Para quê integração econômica?       23

     3.1 Os motivos da integração econômica 25

     3.2 Os efeitos negativos da adesão a um bloco comercial           26

     3.3 Benefícios da integração         27

     3.4 A globalização            31

     3.5 A “imitação” dos modelos bem sucedidos     35

     3.6 Esquemas de integração, um processo dinâmico       37

            Questões para discussão        38

            Para saber mais          39

 

Capítulo 4. Como são os acordos regionais? 

Que tipos de integração econômica existem?       41

     4.1 Os processos de integração econômica          42

     4.2 Cooperação intergovernamental e cooperação supranacional – 

           exemplos históricos     43

     4.3 Tipos de integração econômica          45

         4.3.1 Acordos de integração superficial          46

                  4.3.1.1 Área de preferencia tarifária (APT)       46

                  4.3.1.2 Zona de Livre Comércio (ZLC) 46

         4.3.2 Acordos de integração profunda 47

                  4.3.2.1 União Aduaneira (UA)   47

                  4.3.2.2 Mercado Comum (MC)  48

                  4.3.2.3 União Econômica e Monetária (UEM)  49

     4.4 Perspectivas da regionalização e da globalização      50

            Questões para discussão        52

            Para saber mais          52

 

Capítulo 5. Por que não integrar: razões antigas e modernas, boas e más      53

     5.1 Examinando os efeitos adversos dos esquemas de integração          55

     5.2 A influência das teorias econômicas nas políticas de comércio internacional 57

     5.3 O pensamento latino-americano         60

     5.4 A integração na América Latina         61

     5.5 Uma avaliação complexa        63

            Questões para discussão        64

            Para saber mais          65

 

Capítulo 6. Como se processa a integração no plano internacional?    67

     6.1 O itinerário contemporâneo dos blocos econômicos 69

     6.2 O mercado comum      72

     6.3 Globalização com regionalização      74

            Questões para discussão        82

            Para saber mais          83

 

Capítulo 7. O futuro do regionalismo comercial: mais do mesmo?       85

     7.1 Diferentes visões do livre comércio   87

     7.2 As alternativas parciais de liberalização        88

     7.3 Os infratores do sistema         90

     7.4 O protecionismo, fator prejudicial à saúde do sistema          91

     7.5 Os pontos positivos das tendências atuais      92

     7.6  A marcha da insensatez         94

            Questões para discussão        96

            Para saber mais          96

 

Conclusão Do Zero ao Infinito?     97

     As bondades do livre comércio, em perspectiva teórica e prática           99

     As maldades da discriminação contra terceiros: uma ameaça sempre presente 101

     O grande salto para a frente do regionalismo comercial 103

 

Cronologia da integração no contexto internacional      107

     Experimentos de integração no sentido lato anteriores ao GATT           108

     O sistema multilateral de comércio: integração em marcha lenta           111

     A integração na América Latina: muitas declarações, pouca integração 118

     Fim do socialismo, impulsos na globalização e na regionalização         123

     Desenvolvimentos da integração nas Américas   127

     Multiplicação, expansão e dispersão dos experimentos integracionistas            130

 

Glossário                   143

Bibliografia comentada       169



quinta-feira, 20 de junho de 2013

Resenha de "Integracao Regional", Paulo Roberto de Almeida (eu mesmo) - Cairo Junqueira

Resenha do livro: “Integração Regional: uma introdução.”, de Paulo Roberto de Almeida, por Cairo Junqueira

 
 
 
 
 
 
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ALMEIDA, Paulo Roberto de (2013). Integração Regional: uma introdução. São Paulo: Saraiva, 192 p. (Coleção Temas Essenciais em R.I.). ISBN 978-85-02-19963-7

Um dos temas mais amplos e, talvez, mais recentes na área de Relações Internacionais seja a integração regional. Os processos de criação de instituições e a formação de blocos regionais, embora datados de longa data, podem ser considerados como traços característicos da Política Internacional Contemporânea. Do mesmo modo, tal atualidade torna-se visível no ambiente acadêmico, haja vista que a integração regional é base disciplinar de diversos cursos, abrangendo até mesmo a Economia, o Direito, a Ciência Política e a Sociologia.
Como maneira de consolidar e resumir a importância desses estudos, a recente lançada “Coleção Temas Essenciais em Relações Internacionais”, organizada pelos professores doutores Antônio Carlos Lessa e Henrique Altemani de Oliveira, além de tratar de questões envolvendo estudos introdutórios e teóricos das Relações Internacionais, dedica o terceiro volume em sua totalidade à integração regional. O desafio, bem como a responsabilidade, de escrever essa obra ficou a cargo de Paulo Roberto de Almeida, diplomata de carreira, doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Bruxelas, professor de Economia Política do Centro Universitário de Brasília (Uniceub) e exímio pesquisador sobre relações econômicas internacionais e política externa brasileira.
Em “Integração Regional: uma introdução”, Almeida sintetiza um extenso rol de estudos teóricos, sobretudo a respeito do Mercado Comum do Sul (Mercosul), da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e das negociações multilaterais presentes no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), com sua vivência prática de negociações internacionais e do funcionamento interno dos processos de integração regional.
Ao todo, a obra é dividida em sete capítulos, além do prefácio, da conclusão e de dois complementos, sejam eles uma breve cronologia da integração no contexto internacional e um glossário com os principais termos utilizados ao longo do livro com o intuito de dirimir possíveis dúvidas do leitor. Vale ressaltar que, ao final de cada seção e do livro, Almeida disponibiliza uma série de “questões para discussão” e algumas indicações bibliográficas, respectivamente, para facilitar o aprendizado em sala de aula. Afinal, conforme apontado pelo próprio autor, trata-se da sistematização introdutória sobre termos, conceitos e blocos regionais.
No primeiro capítulo intitulado “Introdução: Regionalismo, um fenômeno complexo da Economia Mundial”, o autor dá início à temática predominante no livro: muito mais do que dissertar sobre integração regional, Almeida foca-se nos processos de integração econômica regional e, porque não dizer, internacional. Aqui, além de enumerar e apresentar os acordos regionais de integração (regionalismo) tendo como base dados do Banco Mundial, o autor abre caminho para expor seu objetivo principal, ou seja, “[...] explicar como surgiram, como funcionam e quais são os tipos atuais de acordos regionais, qual seu papel no quadro do sistema multilateral de comércio e quais seus impactos, atuais e futuros, na economia mundial” (p. 10).
De tal sorte, em “O conceito de regionalismo e os processos de integração” discorre-se a respeito do histórico de integração regional exemplificados pela Liga Hanseática (séculos XIII ao XVIII) e pelo Zollverein (1834). Posteriormente, fala-se sobre o novo regionalismo e o papel apresentado pelo mercado nesse processo marcado pelo acordo geral de comércio do GATT/OMC desde 1947, em Genebra, até os dias atuais com o impasse da Rodada Doha, acompanhada por 155 países na cidade supracitada.
Continuando com o raciocínio, Almeida nomeia o capítulo três com duas perguntas: “Por que acordos regionais? Para que integração econômica?”. Aqui são conceitualizados termos como integração e integração econômica. Além disso, apresentam-se os efeitos negativos e os benefícios de tais processos, com destaque para eficiência na produção, aumento de barganha no plano internacional, coordenação de políticas fiscais e monetárias e pleno emprego. Por fim, aglutina-se um fenômeno mais amplo e mundial, a globalização, a qual é caracterizada pela intensificação de vínculos comerciais e pelos níveis crescentes de fluxos de capitais entre empresas, como fator de propulsão ao dinamismo integracionista.
Na quarta seção, “Como são os acordos regionais? Que tipos de integração econômica existem?”, são apresentadas breves distinções entre os tipos de cooperação intergovernamental e supranacional, sendo a primeira caracterizada pela ausência de renúncia das soberanias estatais em prol do avanço integracionista, a qual é bastante característica do Mercosul. Logo após, Almeida cita, distingue e caracteriza os principais tipos de integração econômica, sejam eles: Área de Preferência Tarifária (APT), Zona de Livre-Comércio (ZLC), União Aduaneira (UA), Mercado Comum (MC) e União Econômica e Monetária (UEM). Ressalta-se, ainda, o apontamento do autor sobre a UEM, dizendo que não existe nenhum exemplo histórico para tal tipologia, até porque a União Europeia (UE) não tem total adesão ao Euro por parte dos Estados-membros.
Em “Por que não integrar: razões antigas e modernas, boas e más”, Almeida discorre sobre dois temas principais: os efeitos adversos da integração aliados às explicações das teorias econômicas nas políticas de comércio internacional e a integração regional na América Latina. Passando por Alexander Hamilton até Raul Prebisch, Bertil Ohlin e Paul Krugman, o autor evidencia seu conhecimento e preocupação com a Economia Internacional. Acerca da América Latina, traça o histórico de integração desde a Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL) até os desdobramentos do Mercosul, afirmando que neste último bloco ainda há “[...] aplicação de salvaguardas de maneira arbitrária ou mesmo ilegal” (p. 63), fato que fomenta as dificuldades intrínsecas ao seu esquema de integração.
Ademais, no sexto capítulo nomeado “Como se processa a integração no plano internacional?”, colocam-se em contraponto os acordos regionais com a teoria do comércio internacional. Indaga-se até que ponto a formação de blocos econômicos regionais vai ao encontro da tão evidenciada liberalização econômica mundial. Além de fazer um breve apanhado histórico da integração europeia desde os tempos da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), Almeida pontua sobre o “regionalismo aberto” caracterizado por compreender inúmeros países, abranger porção significativa dos trâmites de capitais internacionais e estar sob o guarda-chuva das regras da OMC. Vale destacar, finalmente, o apontamento do autor sobre os novos rumos da integração regional: antes dita como essencialmente comercial, vem adquirindo uma nuance cada vez mais política.
No sétimo capítulo, “O futuro do regionalismo comercial: mais do mesmo?”, reflete-se sobre o que se deve esperar dessas novas configurações regionais nos próximos anos. Novamente, Almeida mostra sua preocupação com o multilateralismo econômico vigente e construído nas últimas décadas, enfatizando, com conhecimento de causa, que há uma crise no sistema de comércio internacional. Atores importantes, dentre eles os Estados Unidos, e grande parcela dos países não respeitam as regras por eles mesmos criadas no âmbito da OMC. E complementa afirmando: “É certamente um paradoxo, e provavelmente uma ironia da história, que o país que mais lutou por uma ordem econômica multilateral, os Estados Unidos, esteja, hoje, na origem dos mais sérios ataque a essa ordem [...]” (p. 90).
Mesmo assim, Almeida passa uma visão otimista ao final da obra. Além da inovação institucional e da possibilidade de avançar no diálogo para solucionar barganhas econômicas, a integração regional e sua liberalização interna mobilizam fatores de produção e diminuem custos entre as partes envolvidas. Todavia, ao mesmo tempo em que o processo de formação de blocos regionais é benéfico para a consolidação de acordos preferenciais, ele freia as forças da globalização com um modus operandi particularista e protecionista.
Na “Conclusão: do zero ao infinito?”, o autor trata da atualidade da possível assinatura de um acordo de livre-comércio entre dois gigantes, a UE e os Estados Unidos. Mas, por que, afinal, tomar esse exemplo para concluir e resumir o livro? Porque ele retoma os ensinamentos passados ao longo da obra e ainda serve como guia para estudos futuros. De mais importante, cita-se o fato dessa possível aliança, se concretizada, ser a maior zona de livre-comércio recíproca do mundo, trazendo uma possível solução para os impasses da Rodada Doha em aberto desde 2001. Protecionismo comercial, desvalorização de capitais, controles econômicos, aumento do desemprego, dentre outros, continuarão a ser temas centrais da integração regional e do bem-estar de milhões de pessoas.
Como apontado pelo próprio autor, “Integração Regional: uma introdução”, é uma tentativa de refletir sobre méritos econômicos e virtudes políticas sob o manto em que se organizam as sociedades contemporâneas. É uma obra imprescindível para graduandos que querem compreender um pouco do debate desde integração econômica até integração regional, protecionismo até liberalização comercial, regionalismo mercosulino até integração europeia. Por trazer questões ao debate, indicar e comentar bibliografias, além de esboçar um glossário, o livro pode servir como manual para disciplinas e estudantes de Relações Internacionais e, principalmente, Economia Política Internacional. Mesclando conhecimento empírico e teórico, o diplomata e professor Almeida soube colocar em poucas páginas um vasto histórico da integração regional tanto como processo de formação de blocos por parte de Estados quanto como tema acadêmico a ser abordado nas salas de aula. Em comunhão com os outros dois volumes da “Coleção Temas Essenciais em Relações Internacionais”, cumpre dizer que são de extrema importância para a construção das Relações Internacionais aqui no Brasil.
Referência
ALMEIDA, Paulo Roberto de (2013). Integração Regional: uma introdução. São Paulo: Saraiva, 192 p. (Coleção Temas Essenciais em R.I.). ISBN 978-85-02-19963-7
Cairo Gabriel Borges Junqueira é Mestrando em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília – UnB e Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES.

 

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