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domingo, 18 de outubro de 2026

Levantamento dos trabalhos de Paulo Roberto de Almeida em Academia.edu Núcleo da informação: Airton Dirceu Lemmertz: apresentação: PRA

Levantamento dos trabalhos de Paulo Roberto de Almeida em Academia.edu
Núcleo da informação: Airton Dirceu Lemmertz: apresentação: PRA
Brasília, 18 de outubro de 2026, 14 p.

Introdução PRA: Meu amigo informático. Airton Dirceu Lemmertz – não técnico, mas pelo menos um experimentador desembaraçado das ferramentas de Inteligência Artificial – vem conduzindo, ao longo dos anos, um acompanhamento sistemático de minha produção intelectual apresentada no meu blog Diplomatizzando, que representa apenas uma aproximação parcial dos meus trabalhos mais importantes, sendo que a apresentação é sempre sintética, uma vez que eu antes depositava trabalhos mais extensos (inclusive livros) em meu antigo blog (pralmeida.org). Esse blog foi descontinuado, por problemas do servidor (situado nos EUA, mas que ficou interrompido durante mais de um mês), tendo eu o desativado, a despeito de conter centenas, talvez alguns milhares de textos (Word, pdf, formatos diversos). A partir daí, cerca de dez anos atrás, ou seja, em torno de 2016, eu passei a depositar meus trabalhos mais extensos na plataforma Academia.edu, o que me permitiu continuar garantido livre acesso a estudantes e outros interessados a textos que eu colocava livremente à disposição, nos temas que me são caros, pelo estudo e pelo trabalho: política externa e diplomacia brasileira, relações internacionais, mas também economia (em geral e do Brasil) e política brasileira.
(...)
Ler a íntegra:
https://www.academia.edu/179210045/5500_Levantamento_dos_trabalhos_de_Paulo_Roberto_de_Almeida_em_Academia_edu_2026_
Blog Diplomatizzando:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/levantamento-dos-trabalhos-de-paulo.html 


sábado, 17 de outubro de 2026

Relações Brasil-Estados Unidos: desalinhamentos desde o regime militar - Madame IA (via Airton Dirceu Lemmertz)

Introdução Paulo Roberto de Almeida 

 Trabalho excepcional de "arqueologia político-diplomática" sobre as relações entre o Brasil dos militares (e dos diplomatas) com o império americano, sobretudo no tocante aos "desalinhamentos" – um conceito não exatamente adequado para expressar posturas diferentes nas relações bilaterais e nos temas da agenda internacional – entre os dois países, numa época em que a historiografia de esquerda achava que o Brasil dos generais da ditadura, assim como os diplomatas do Itamaraty, eram convergentes com os interesses americanos, o que não foi absolutamente verdade.

Devo este documento primoroso, pela coleta do material factual ao amigo Airton  Dirceu Lemmertz, que mobilizou os serviços sempre atentos de Madame IA (Chat GPT)

Paulo Roberto de Almeida (17/10/2026)

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É notória a relação umbilical dos bolsonaristas com os trumpistas. Aliás, Flávio Bolsonaro já declarou, inúmeras vezes, que irá alinhar-se (ou seria submissão canina?) com o governo de Trump em variadas áreas. Jair Messias e outros são exaltadores do período da ditadura militar no Brasil. Porém, os governos militares brasileiros, em alguns casos, estavam desalinhados com os interesses do governo dos EUA àquela época. Então, apresente um texto discursivo sobre o assunto: "As decisões dos governos da ditadura militar do Brasil que eram desalinhadas com os interesses dos governos dos EUA à época.". Texto somente com frases e parágrafos; com, no mínimo, 5500 caracteres; usando linguagem acessível e didática. Informações amparadas apenas em fontes confiáveis. Se não souber ou ficar em dúvida, não invente (não tenha 'alucinações'). [ADL]

As decisões dos governos da ditadura militar do Brasil que eram desalinhadas com os interesses dos governos dos Estados Unidos à época:
 
A relação entre o Brasil e os Estados Unidos durante a ditadura militar brasileira, iniciada com o golpe de 1964 e encerrada com a transição para o governo civil em 1985, foi marcada por uma combinação de convergências políticas, interesses econômicos comuns e divergências estratégicas. Embora o regime militar brasileiro tenha chegado ao poder com o apoio do governo estadunidense e tenha compartilhado com Washington o anticomunismo característico da Guerra Fria, isso não significou que os dois países mantivessem interesses idênticos durante todo o período. Na realidade, principalmente a partir da década de 1970, os governantes brasileiros adotaram decisões que contrariavam interesses importantes dos Estados Unidos, demonstrando que a ditadura não se limitou a seguir automaticamente as orientações de seu poderoso aliado.
Essa distinção é fundamental para compreender o período histórico sem cair em simplificações. O apoio dos Estados Unidos ao golpe de 1964 e a convergência entre os dois governos em matéria de combate à esquerda não significavam que o Brasil tivesse renunciado a todos os seus próprios interesses nacionais. Ao mesmo tempo, a existência de divergências diplomáticas não transforma a ditadura em um regime democrático, soberano em todas as suas decisões ou comprometido necessariamente com os interesses da população brasileira. O governo militar perseguiu opositores, restringiu liberdades políticas, censurou a imprensa e praticou graves violações de direitos humanos. Sua política externa, por sua vez, procurou combinar a aproximação com as potências ocidentais com a busca de maior autonomia econômica, tecnológica e diplomática.
A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, em seu estudo sobre as relações entre os dois países durante a ditadura, observa justamente essa combinação: o anticomunismo aproximou Washington e Brasília, mas divergências sobre direitos humanos, descolonização, energia nuclear e relações com outros países contribuíram para o desgaste das relações bilaterais, sobretudo durante os anos 1970. Para compreender esse processo, é necessário examinar decisões concretas dos governos brasileiros e explicar por que elas entravam em conflito com as prioridades dos diferentes governos estadunidenses da época.

1. A busca por autonomia na política externa e o distanciamento em relação a Washington:
Uma das principais características da política externa brasileira durante a presidência do general Ernesto Geisel, entre 1974 e 1979, foi a tentativa de ampliar a margem de decisão do país nas relações internacionais. O governo adotou uma orientação frequentemente descrita como pragmatismo responsável e ecumênico. Em termos simples, isso significava procurar relações comerciais e diplomáticas com países de diferentes orientações políticas, sem aceitar que o anticomunismo determinasse automaticamente todas as decisões brasileiras.
Essa orientação não representava uma ruptura completa com o Ocidente, muito menos uma adesão do Brasil ao bloco soviético. O objetivo era aumentar as possibilidades de desenvolvimento econômico e tecnológico do país, diversificar parceiros comerciais e reduzir a dependência de uma única potência. Na prática, entretanto, essa estratégia produziu conflitos com os Estados Unidos, que procuravam limitar a disseminação de tecnologias consideradas sensíveis e preservar sua influência internacional.
É importante lembrar que a política externa brasileira não foi igualmente independente durante todos os governos militares. O marechal Humberto Castelo Branco, que governou entre 1964 e 1967, promoveu uma aproximação particularmente estreita com Washington, enquanto outros governos passaram a enfatizar mais intensamente a autonomia nacional. Portanto, seria incorreto afirmar que a ditadura militar brasileira sempre enfrentou os interesses estadunidenses. O que se observa é uma mudança de prioridades ao longo do tempo, condicionada pelas necessidades econômicas brasileiras e pelas transformações da política internacional.
 
2. O acordo nuclear com a Alemanha Ocidental em 1975:
Um dos exemplos mais expressivos de divergência entre Brasília e Washington foi o acordo de cooperação nuclear firmado entre o Brasil e a Alemanha Ocidental em 27 de junho de 1975, durante o governo Geisel. Naquele momento, o Brasil procurava ampliar sua capacidade de produzir energia, desenvolver tecnologia própria e diminuir sua dependência externa em um setor considerado estratégico.
A questão energética era especialmente importante porque o país dependia significativamente da importação de petróleo, cuja cotação havia aumentado fortemente após a crise internacional de 1973. A elevação dos preços do combustível pressionou as contas externas brasileiras e tornou mais urgente a procura por fontes alternativas de energia. Nesse contexto, a energia nuclear passou a ocupar posição importante nos planos de desenvolvimento do governo militar.
O acordo com os alemães previa uma ampla cooperação nuclear, incluindo a transferência de tecnologia, o fornecimento de equipamentos e a construção de instalações relacionadas ao ciclo do combustível nuclear. O ciclo do combustível compreende etapas como a transformação do urânio, seu enriquecimento e o tratamento do material utilizado nos reatores. O domínio dessas tecnologias poderia ampliar consideravelmente a capacidade científica e industrial brasileira.
O problema para os Estados Unidos era que determinadas etapas desse processo também poderiam facilitar, em circunstâncias específicas, a produção de materiais utilizáveis em armas nucleares. Washington defendia controles internacionais mais rigorosos sobre a transferência de tecnologias de enriquecimento de urânio e reprocessamento de combustível nuclear usado. Por isso, o governo estadunidense procurou impedir ou limitar aspectos do acordo entre brasileiros e alemães.
Os documentos diplomáticos publicados pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos registram que autoridades americanas estavam preocupadas com as implicações do acordo para a política de não proliferação nuclear. Um telegrama da embaixada estadunidense no Brasil, de junho de 1975, avaliava que a iniciativa refletia a ambição brasileira de conquistar maior projeção internacional e poderia afastar o país de Washington. Outro documento, de julho daquele ano, recomendava esclarecer às autoridades alemãs e brasileiras a oposição americana à transferência de tecnologias sensíveis. 
A divergência era relevante porque o Brasil não aceitou simplesmente abandonar seus planos diante da pressão dos Estados Unidos. O governo Geisel sustentou a validade do acordo e defendeu a possibilidade de desenvolver tecnologia nuclear para fins pacíficos. A posição brasileira estava associada tanto à busca por autonomia tecnológica quanto à percepção de que as potências mais desenvolvidas procuravam preservar vantagens industriais e científicas sobre países em desenvolvimento.
É necessário fazer uma ressalva importante: o acordo de 1975 não comprova, por si só, que o governo brasileiro tenha decidido fabricar uma bomba atômica. O desenvolvimento de tecnologia nuclear, a possibilidade técnica de produzir materiais utilizáveis em armas e a decisão política de construir armamentos são questões distintas. Os documentos históricos citados permitem afirmar que existiam preocupações estadunidenses com os riscos de proliferação e que o governo brasileiro resistiu às pressões para modificar sua estratégia. Não autorizam, porém, tratar como fato comprovado que o acordo tivesse como objetivo declarado a fabricação de armas nucleares.
O episódio demonstra que o governo militar brasileiro podia entrar em confronto com um importante aliado quando considerava que estavam em jogo seus interesses estratégicos. Também evidencia que a relação entre os dois países não era uma relação de obediência automática: Washington tinha capacidade de exercer pressão, mas Brasília procurava preservar sua liberdade de decisão em determinados assuntos. 
 
3. A recusa brasileira em aderir ao Tratado de Não Proliferação Nuclear:
A controvérsia nuclear não se limitou ao acordo com a Alemanha Ocidental. Outro ponto de divergência foi a posição brasileira diante do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, conhecido pela sigla TNP.
O tratado foi aberto para assinatura em 1968 e entrou em vigor em 1970. Seu objetivo era dificultar a disseminação de armas nucleares, estabelecer compromissos de desarmamento e promover a cooperação para usos pacíficos da energia nuclear. Entretanto, a estrutura do acordo reconhecia uma distinção entre os países considerados Estados com armas nucleares para os fins do tratado e aqueles que não possuíam esse status.
O Brasil militar questionava aspectos dessa estrutura porque a considerava desigual. Na perspectiva brasileira, o sistema internacional não deveria permitir que determinadas potências preservassem seus arsenais nucleares enquanto exigiam que outros países aceitassem restrições duradouras às próprias possibilidades tecnológicas. Assim, os governos militares procuraram manter aberta a possibilidade de desenvolver capacidades nucleares sem aderir ao tratado nas condições estabelecidas.
Essa postura contrariava uma prioridade importante dos Estados Unidos, que buscavam ampliar a adesão internacional ao regime de não proliferação. A divergência ficou particularmente evidente durante o governo Geisel, quando as autoridades brasileiras resistiram às pressões americanas tanto em relação ao TNP quanto ao acordo nuclear com os alemães.
Em conversas diplomáticas de junho de 1977, durante a presidência de Jimmy Carter, o governo brasileiro manteve sua posição contrária à adesão ao TNP e insistiu que o país não pretendia adquirir armas nucleares. O registro da conversa também mostra que a questão da soberania nacional ocupava lugar central nas justificativas brasileiras. 
Para entender a controvérsia, é importante não confundir a recusa em assinar um tratado com a comprovação de uma intenção de produzir armamentos proibidos. O governo brasileiro defendia a liberdade de desenvolver tecnologia nuclear, enquanto os Estados Unidos procuravam reduzir os riscos de que essa capacidade pudesse ser utilizada para fins militares. Havia, portanto, um conflito entre duas prioridades: de um lado, a autonomia tecnológica reivindicada pelo Brasil; de outro, a tentativa estadunidense de estabelecer limites internacionais mais rígidos à proliferação nuclear.
Essa divergência revela uma contradição interessante do período. O regime brasileiro era autoritário e reprimia a oposição política internamente, mas, na esfera internacional, reivindicava maior independência diante de uma potência ocidental. A defesa da autonomia externa, contudo, não significava que o governo militar respeitasse de maneira equivalente os direitos e as liberdades dos cidadãos brasileiros.
 
4. A denúncia do acordo de assistência militar com os Estados Unidos em 1977:
Um dos episódios mais claros de distanciamento entre os dois países ocorreu em 1977, quando o governo Geisel denunciou o acordo de assistência militar firmado entre Brasil e Estados Unidos em 15 de março de 1952. A decisão foi formalizada pelo Decreto sob número 79.376, de 11 de março de 1977, publicado no ordenamento jurídico brasileiro.
Esse acordo havia constituído um instrumento importante de cooperação militar entre os dois países. Sua denúncia representou, portanto, uma decisão política de peso, pois atingia um dos mecanismos institucionais que sustentavam a relação bilateral no campo da defesa.
A justificativa apresentada pelo governo brasileiro estava relacionada às mudanças introduzidas na legislação estadunidense sobre a prestação de assistência militar. Brasília considerou inaceitáveis as novas condições que vinculavam esse tipo de assistência à avaliação da situação interna dos países beneficiários. Em outras palavras, o governo brasileiro rejeitava que Washington condicionasse a cooperação militar a critérios que pudessem envolver o exame de suas práticas políticas e de direitos humanos.
O episódio ocorreu durante a presidência de Jimmy Carter, iniciada em janeiro de 1977. Carter procurava dar maior destaque aos direitos humanos na política externa dos Estados Unidos, inclusive nas relações com governos autoritários que anteriormente haviam recebido apoio americano. Essa orientação provocou reações negativas de diferentes regimes latino-americanos, entre eles o brasileiro.
A documentação oficial do Congresso brasileiro registra a denúncia do acordo e reproduz a justificativa diplomática apresentada pelo governo Geisel. Os documentos diplomáticos estadunidenses também registram o desconforto brasileiro com as condições associadas à assistência militar e a decisão de rejeitar determinadas formas de cooperação. 
A decisão é especialmente significativa porque demonstra que a divergência não se limitava a assuntos comerciais ou tecnológicos. Ela atingia diretamente a relação entre as forças armadas dos dois países. O governo brasileiro preferiu abrir mão de um instrumento tradicional de assistência a aceitar determinadas condições impostas por Washington.
Entretanto, não se deve interpretar essa decisão como prova de que os Estados Unidos haviam abandonado toda a relação com os militares brasileiros ou de que o Brasil havia rompido suas relações diplomáticas com o país. A medida dizia respeito a um acordo específico e se inseria em um processo mais amplo de revisão dos vínculos militares. As relações diplomáticas continuaram existindo, embora atravessassem um período de atrito.
O caso também expõe uma contradição importante do discurso oficial brasileiro. O governo Geisel invocava a soberania nacional para rejeitar avaliações estrangeiras sobre a situação interna do país, mas mantinha um regime que restringia direitos políticos, censurava a imprensa e perseguia opositores. A defesa da não intervenção servia, nesse contexto, tanto como princípio diplomático quanto como argumento para resistir a críticas internacionais sobre o autoritarismo doméstico.
 
5. A aproximação com a China comunista em 1974:
Outra decisão importante foi o estabelecimento de relações diplomáticas entre o Brasil e a República Popular da China, em 15 de agosto de 1974, também durante o governo Geisel.
Desde a vitória dos comunistas na guerra civil chinesa, em 1949, existiam duas autoridades rivais que reivindicavam representar a China. A República Popular da China, liderada pelo Partido Comunista, controlava a China continental, enquanto a República da China, sediada em Taiwan, mantinha relações diplomáticas com diversos países, inclusive com os Estados Unidos durante boa parte do período.
A aproximação brasileira com Pequim ocorreu em um momento de mudanças na política internacional. Embora a China fosse governada por um partido comunista, sua relação com os Estados Unidos e com a União Soviética era complexa. As divergências entre chineses e soviéticos haviam se aprofundado, e o governo de Richard Nixon iniciara um processo de aproximação com Pequim no começo da década de 1970.
Portanto, a decisão brasileira não deve ser apresentada como uma atitude tomada contra toda a política externa estadunidense. Os próprios Estados Unidos já haviam iniciado a reaproximação com a China, inclusive por meio da visita de Nixon em 1972 e da abertura de escritórios de ligação em 1973. A diferença é que, em 1974, Washington ainda não havia estabelecido relações diplomáticas formais com Pequim, o que só ocorreria em janeiro de 1979.
O Brasil, por sua vez, reconheceu o governo da República Popular da China como o único governo legal chinês e estabeleceu relações diplomáticas em nível de embaixadas. O comunicado conjunto assinado em Brasília em 15 de agosto de 1974 registrou formalmente essa decisão. 
A iniciativa contrariava a posição diplomática tradicional de Taiwan, que perdeu mais um parceiro internacional, e ampliava as relações brasileiras com um país comunista. Para os dirigentes militares brasileiros, porém, a ideologia não deveria impedir automaticamente o estabelecimento de relações comerciais e diplomáticas consideradas úteis ao desenvolvimento nacional.
A aproximação também se enquadrava na estratégia de diversificação de parceiros. Ao buscar relações com Pequim, o Brasil ampliava suas possibilidades diplomáticas e econômicas, em vez de limitar suas relações internacionais ao grupo de países tradicionalmente alinhados com Washington.
Esse exemplo exige cuidado para evitar uma conclusão equivocada. A aproximação com a China não significou que a ditadura brasileira tivesse abandonado o anticomunismo na política interna. O regime continuou perseguindo organizações de esquerda e reprimindo opositores. O que ocorreu foi uma separação pragmática entre a repressão ao comunismo dentro do país e a conveniência de manter relações com um governo comunista no exterior.
O episódio demonstra que a política externa dos militares podia ser menos rigidamente ideológica do que sua política doméstica. Ao reconhecer a China, o governo brasileiro colocou interesses diplomáticos e econômicos acima de uma interpretação absoluta do anticomunismo, embora isso não tenha alterado a natureza autoritária do regime.
 
6. O reconhecimento da independência de Angola e a relação com os movimentos de libertação africanos:
A política brasileira para a África também oferece um exemplo importante de decisões que nem sempre coincidiam com as preferências de Washington ou com as posições dos aliados ocidentais.
Durante o século XX, vários territórios africanos conquistaram sua independência após longas lutas contra as potências coloniais europeias. Portugal, entretanto, procurou manter seu domínio sobre Angola, Moçambique e outras colônias até a Revolução dos Cravos, em abril de 1974, que derrubou a ditadura portuguesa e abriu caminho para a descolonização.
O governo brasileiro precisava decidir como se posicionar diante desse processo. Portugal possuía vínculos históricos, culturais e diplomáticos com o Brasil, mas o país africano também representava uma oportunidade de ampliar as relações comerciais brasileiras com novos Estados independentes. Essa combinação de interesses levou Brasília a desenvolver uma política mais pragmática para o continente africano.
O caso de Angola foi particularmente expressivo. Quando a independência foi proclamada, em 11 de novembro de 1975, três movimentos disputavam o poder: o Movimento Popular de Libertação de Angola, conhecido como MPLA; a Frente Nacional de Libertação de Angola, ou FNLA; e a União Nacional para a Independência Total de Angola, a UNITA.
O MPLA tinha orientação marxista e recebia apoio da União Soviética e de Cuba. Os Estados Unidos, por sua vez, apoiaram adversários do movimento no contexto da Guerra Fria. A disputa angolana, portanto, tornou-se parte de uma competição internacional que envolvia interesses africanos, europeus, soviéticos, cubanos e estadunidenses.
Nesse cenário, o Brasil reconheceu o governo do MPLA como representante de Angola independente. Um telegrama do Departamento de Estado dos Estados Unidos, datado de 13 de novembro de 1975, registra o reconhecimento brasileiro entre as decisões tomadas por países que aceitaram o governo do movimento. 
A decisão brasileira foi significativa porque contrariou a preferência dos setores estadunidenses que se opunham ao MPLA. Também demonstrou que Brasília estava disposta a estabelecer relações com um governo de orientação marxista quando considerava que isso correspondia aos seus interesses diplomáticos.
Não se deve, contudo, afirmar que o Brasil se tornou aliado militar do MPLA ou que aderiu ao bloco soviético. O reconhecimento diplomático de um governo não equivale automaticamente à adoção de sua ideologia, à participação em suas operações militares ou à submissão a seus aliados internacionais. A política brasileira procurava, sobretudo, ampliar a presença do país na África, desenvolver relações com os Estados recém-independentes e criar oportunidades comerciais.
A escolha também estava ligada a interesses econômicos concretos. O acesso a mercados africanos, as possibilidades de exportação de produtos industrializados e a procura por fornecedores de matérias-primas e fontes de energia contribuíam para tornar a região relevante para a diplomacia brasileira. Pesquisas acadêmicas sobre o reconhecimento de Angola destacam justamente o pragmatismo do governo Geisel e a relação entre autonomia diplomática e interesses econômicos. 
Assim, o reconhecimento de Angola representa uma das demonstrações mais claras de que a política externa brasileira da década de 1970 não obedecia integralmente à divisão ideológica entre capitalismo e comunismo. Mesmo sob uma ditadura profundamente anticomunista no plano interno, o governo brasileiro reconheceu um governo revolucionário africano quando avaliou que essa decisão favoreceria sua posição internacional.
 
7. A reivindicação brasileira de soberania sobre o mar territorial de 200 milhas:
Outro episódio relevante envolveu a ampliação da área marítima reivindicada pelo Brasil. Em 1970, o governo brasileiro adotou a posição de que seu mar territorial se estendia até 200 milhas náuticas a partir da costa, buscando ampliar o controle sobre os recursos marítimos e as atividades pesqueiras nessa área.
Para compreender a importância dessa medida, é necessário lembrar que o direito do mar era objeto de intensas negociações internacionais. Muitos países costeiros procuravam ampliar sua autoridade sobre os recursos existentes nas águas próximas a seus territórios, enquanto potências marítimas defendiam regras que preservassem a liberdade de navegação e os direitos de pesca em determinadas áreas.
Os Estados Unidos estavam entre os países que rejeitavam reivindicações unilaterais de mar territorial superiores ao limite tradicional de três milhas náuticas e contestavam pretensões de jurisdição pesqueira além de doze milhas. A posição brasileira, portanto, entrava em conflito com interesses econômicos e estratégicos estadunidenses.
A documentação oficial do Departamento de Estado registra que Washington procurou persuadir o governo brasileiro a adiar a aplicação de medidas que afetariam embarcações estrangeiras de pesca em águas reivindicadas pelo Brasil. A resposta brasileira foi a de que as novas regras já constituíam uma decisão legal do governo e não poderiam ser simplesmente suspensas a pedido dos Estados Unidos. 
A controvérsia tinha consequências econômicas concretas. Embarcações estadunidenses, especialmente as envolvidas na pesca de camarão, utilizavam áreas próximas à costa brasileira. A ampliação da jurisdição pretendida por Brasília ameaçava limitar essas atividades, criando atritos entre os dois países.
Um acordo bilateral sobre a pesca de camarão, promulgado pelo Brasil em 1973, documentou expressamente a divergência: o governo brasileiro sustentava sua reivindicação de 200 milhas, enquanto os Estados Unidos mantinham sua posição contrária ao reconhecimento de reivindicações tão amplas. O texto estabeleceu uma solução provisória para a atividade pesqueira sem eliminar a discordância jurídica entre as partes. 
É importante observar que a reivindicação brasileira da época não deve ser confundida com o regime jurídico da zona econômica exclusiva atualmente previsto no direito internacional. Mar territorial e zona econômica exclusiva são conceitos diferentes, com alcances e direitos distintos. A posição brasileira de 1970 era uma reivindicação de soberania territorial marítima muito mais ampla do que o limite tradicional defendido pelos Estados Unidos.
O episódio mostra que a divergência entre os dois países não dependia exclusivamente da ideologia política. Mesmo governos que compartilhavam valores anticomunistas podiam entrar em conflito por causa de recursos naturais, direitos de exploração econômica e liberdade de navegação. O Brasil procurava aumentar seu controle sobre áreas marítimas e proteger interesses nacionais, enquanto Washington defendia uma interpretação do direito do mar mais favorável à mobilidade naval e às atividades de suas embarcações.
 
8. A reação à política de direitos humanos do governo Jimmy Carter:
A chegada de Jimmy Carter à presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 1977, introduziu um elemento adicional de tensão nas relações bilaterais. Carter defendia que os direitos humanos recebessem maior importância na política externa americana. Essa orientação afetava as relações com governos autoritários que, durante a Guerra Fria, haviam sido considerados parceiros estratégicos na luta contra o comunismo.
O Brasil estava entre esses países. A ditadura militar brasileira havia restringido direitos políticos, mantido a censura, perseguido adversários e utilizado a repressão estatal contra opositores. Por isso, a preocupação estadunidense com os direitos humanos passou a criar dificuldades diplomáticas para o governo Geisel.
A reação brasileira foi de resistência à possibilidade de que Washington condicionasse a assistência militar ou outros instrumentos de cooperação à avaliação da situação interna do país. O governo brasileiro interpretava essas exigências como uma forma de interferência externa em assuntos que considerava de sua competência exclusiva.
Documentos do Departamento de Estado publicados em 1977 mostram que diversos governos latino-americanos rejeitaram, total ou parcialmente, programas de assistência militar vinculados às novas exigências americanas sobre direitos humanos. O Brasil foi um dos países envolvidos nessa reação. 
Essa divergência ajuda a explicar a denúncia do acordo de assistência militar de 1952 e o posterior cancelamento de outros instrumentos de cooperação militar entre os dois países. A ruptura de determinados acordos, portanto, não pode ser entendida isoladamente, como se tivesse ocorrido apenas por uma questão técnica. Ela estava inserida em uma disputa sobre soberania, assistência externa e legitimidade internacional do regime brasileiro.
Entretanto, seria incorreto apresentar a política de direitos humanos de Carter como uma defesa perfeita ou universalmente coerente das liberdades democráticas. A política externa estadunidense continuava condicionada por interesses estratégicos, econômicos e geopolíticos. Além disso, as relações entre os Estados Unidos e regimes autoritários não desapareceram simplesmente porque Carter conferiu maior destaque aos direitos humanos.
Do mesmo modo, a resistência brasileira às pressões americanas não deve ser confundida com uma defesa dos direitos humanos. O governo militar utilizava o argumento da soberania nacional para rejeitar avaliações estrangeiras, mas isso não eliminava a responsabilidade do Estado brasileiro pelas violações cometidas contra seus próprios cidadãos.
O episódio revela, portanto, uma divergência real, mas de natureza específica. Washington passou a pressionar o governo brasileiro em nome de uma política externa que atribuía maior relevância aos direitos humanos, enquanto Brasília rejeitava a vinculação entre assistência militar e avaliação internacional de sua situação política. Essa disputa contribuiu para o enfraquecimento de mecanismos tradicionais de cooperação entre os dois países.
 
9. O significado dessas divergências para a compreensão da ditadura brasileira:
Os exemplos examinados permitem compreender que a política externa da ditadura militar brasileira não pode ser resumida à ideia de submissão permanente aos Estados Unidos. Houve momentos de forte alinhamento, sobretudo nos primeiros anos após o golpe de 1964, mas também existiram decisões que contrariaram interesses importantes de Washington.
O acordo nuclear com a Alemanha Ocidental demonstrou que o governo Geisel estava disposto a enfrentar pressões americanas para ampliar a capacidade tecnológica brasileira. A resistência à adesão ao Tratado de Não Proliferação Nuclear expressou a contestação brasileira a uma ordem internacional considerada desigual. A denúncia do acordo de assistência militar de 1952 evidenciou o grau de desgaste alcançado pelas relações bilaterais. O reconhecimento da China e de Angola demonstrou que a diplomacia brasileira podia privilegiar interesses econômicos e estratégicos em detrimento de critérios ideológicos rígidos. Por fim, a reivindicação de 200 milhas marítimas mostrou que disputas por recursos naturais e jurisdição também podiam colocar os dois países em lados opostos.
Essas decisões não ocorreram todas pelo mesmo motivo, nem tiveram o mesmo peso. Algumas foram motivadas pela busca de autonomia tecnológica, outras pela diversificação comercial, pela defesa de interesses marítimos ou pela reação a pressões diplomáticas. Em conjunto, contudo, revelam uma característica importante da política externa brasileira durante parte da ditadura: a tentativa de aumentar o poder de negociação do país diante das grandes potências.
Isso não significa que o Brasil tenha se tornado independente de todas as pressões externas. A economia brasileira continuava vinculada aos mercados internacionais, dependia de tecnologia estrangeira em diversos setores e enfrentava limitações financeiras e industriais. A capacidade de contrariar Washington era real, mas tinha limites. Além disso, os governos militares continuaram mantendo relações próximas com os Estados Unidos em diversos campos.
Também é essencial distinguir autonomia internacional de legitimidade política interna. Um governo pode tomar decisões independentes no cenário internacional e, ao mesmo tempo, ser autoritário dentro de suas fronteiras. A defesa dos interesses nacionais no exterior não justifica a supressão de direitos políticos, a censura, a perseguição de opositores ou a violência estatal. No caso brasileiro, a existência de divergências com Washington não apaga o caráter ditatorial do regime nem transforma suas decisões diplomáticas em prova de compromisso com a democracia.
Essa distinção é particularmente importante quando o período é lembrado em debates políticos contemporâneos. A relação entre a direita brasileira e movimentos políticos estrangeiros, assim como a aproximação entre governos de países diferentes, deve ser analisada a partir de decisões concretas, interesses materiais e contextos históricos. Não basta identificar afinidades ideológicas para concluir que dois governos necessariamente compartilham todas as suas prioridades.
A experiência da ditadura brasileira mostra justamente que a política externa pode combinar afinidade ideológica, cooperação estratégica e divergências importantes. Os militares brasileiros compartilhavam com os Estados Unidos o anticomunismo e mantiveram relações próximas com Washington, mas, quando consideraram que determinados interesses nacionais estavam em jogo, adotaram decisões contrárias às preferências americanas.
 
Em conclusão, as divergências entre o Brasil militar e os Estados Unidos demonstram que a relação bilateral foi mais complexa do que uma simples relação de obediência. O Brasil procurou, em determinados momentos, ampliar sua autonomia diplomática, tecnológica e econômica, mesmo sob um regime autoritário e fortemente anticomunista. Essa constatação histórica não deve servir para idealizar a ditadura, mas para compreendê-la de maneira rigorosa, reconhecendo simultaneamente suas contradições internas, seus vínculos internacionais e os limites de sua política de independência. A lição central é que alinhamento ideológico não equivale necessariamente a identidade de interesses, assim como autonomia diplomática não equivale a democracia ou respeito aos direitos humanos. 


**Resposta da IA foi gerada em 16/10/2026 às 13h23min. 

 

Carta de Zelensky para Trump: do inglês ao português, por Madame IA, via Airton Dirceu Lemmertz

 Carta de Zelensky para Trump:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/carta-de-zelensky-trump.html
00h30, 16 de outubro de 2026.

Carta do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky ao presidente dos EUA Donald Trump:
(Tradução de Madame IA, sob injunção de Airton Dirceu Lemmertz, o maior e mais prestativo interlocutor, instrutor e praticamente mestre de Madame IA, para 1001 utilidades):

Prezado Senhor Presidente, 

A guerra no Oriente Médio está causando enorme sofrimento à população de todos os países da região. Vidas estão sendo perdidas, cidades estão sendo destruídas e civis inocentes estão sofrendo. 

Mas as consequências desta guerra estão sendo sentidas em todo o mundo, inclusive na Ucrânia. Devido à guerra com o Irã, os preços do petróleo e do diesel subiram drasticamente. Isso significa custos mais altos para transporte, alimentos e produção industrial. Na prática, todas as famílias ucranianas estão sendo obrigadas a pagar por uma guerra na qual não temos absolutamente nenhum envolvimento. 

Por isso, hoje dirijo-me ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com um apelo direto: Senhor Trump, ponha fim a esta guerra imediatamente! Você não pode vencer. Além disso, na minha opinião, você já perdeu. 

Certa vez, na Casa Branca, você me disse algumas palavras muito sábias. Lembro-me bem delas. E hoje, gostaria de lhe relembrar essas palavras: Senhor Trump, o senhor não tem cartas na manga! Continuar os combates só aumentará o número de vítimas e o sofrimento de civis inocentes. A Ucrânia sempre defendeu a paz. E não podemos ficar de braços cruzados enquanto nossos parceiros americanos continuam uma guerra sem perspectiva de vitória. 

Por isso, devo alertá-los: se os Estados Unidos não cessarem as hostilidades contra o Irã, a Ucrânia será forçada a reconsiderar a extensão de sua cooperação técnico-militar e de inteligência com os Estados Unidos. Em particular, deixaremos de compartilhar informações confidenciais com o lado americano a respeito dos mais recentes mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro, drones de ataque, sistemas de orientação e métodos para neutralizá-los da Rússia. 

Seremos também obrigados a suspender a transferência dos nossos mais recentes desenvolvimentos em tecnologia de drones e da experiência de combate única adquirida pelas forças ucranianas. Não podemos permitir que a tecnologia e a inteligência ucranianas sejam usadas para prolongar uma guerra que deve terminar imediatamente. 

Senhor Trump! 

Tenho imenso respeito pelo povo americano. É uma grande nação, merecedora de paz, estabilidade e prosperidade. Infelizmente, você não conseguiu trazer essa paz. O povo americano não deveria ter que sofrer por causa das ambições de um único político. E o povo do Irã também não deveria. "Conversei com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian. Ele me garantiu que realmente deseja a paz, mas não conseguiu chegar a um acordo com o senhor, Sr. Trump, devido à sua recusa categórica em fechar todas as bases militares americanas no Oriente Médio. 

E acredito que, em nome da paz, o senhor deve estar disposto a fazer esse compromisso." Estou confiante de que o novo Congresso dos Estados Unidos será capaz de alcançar a paz por meio de negociações e dos compromissos necessários. Talvez até mesmo dentro de 24 horas. 

Nós defendemos a paz, Sr. Trump! 

E espero sinceramente que você finalmente ouça a voz da razão. 

Glória à Ucrânia!

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Vídeos gravados em torno de palestras e debates com Paulo Roberto de Almeida, disponíveis no YouTube - Airton Dirceu Lemmertz

   Vídeos com Paulo Roberto de Almeida no YouTube

Meu amigo informático, Airton Dirceu Lemmertz, muito mais competente do que eu nessas tecnicalidades informáticas – muito é uma expressão errada, pois eu não tenho competência nenhuma – fez, manualmente, laboriosamente, uma relação de vídeos gravados e disponíveis no YouTube, em torno de minhas aparições, algumas agendadas, outras fugazes ou inesperadas (pois em alguns casos eu nem sabia que estava sendo gravado).

 Em todo caso, tenho de agradecer o esforço do ADL, e registrar (provavelmente visualizar novamente, ou pela primeira vez) todas essas gravações, organizá-las cronologicamente e talvez tematicamente, embora muitas sejam sobre política externa do Brasil e a sua diplomacia. Obs.: a relação se refere apenas a 2025. PRA

 

ADL: Uma lista de alguns vídeos no YouTube publicados em 2025 [em ordem cronológica] com o diplomata brasileiro aposentado, professor universitário, escritor e blogueiro Paulo Roberto de Almeida. Parte dos vídeos foi gravada anteriormente [de 2025], mas todos publicados em 2025 [em relação ao respectivo canal no YT]. Em cada vídeo, há:

 a) título, 

b) link, 

c) data, 

d) resumo.

 

Para a presente lista, o levantamento desses quatro dados e a edição desse texto foram feitos "no braço" (ou seja, manualmente) por ADL (ou seja, não foi uma IA; obs.: eu não sou uma IA... até porque, se eu fosse, seria uma IA muito limitada, tendenciosa e sem muita paciência para muitos assuntos...). Faço esse favor modesto (de criar a lista) ao PRA por basicamente dois motivos: i) a visão [e defesa] liberal dele para muitos assuntos, ii) a sinceridade na manifestação para assuntos muitas vezes não tão populares no Brasil. Enfim, aproveitem. 

 

Conversas de Ateliê - Política Internacional, com Paulo Roberto de Almeida #43.
https://www.youtube.com/watch?v=wze6Rw3rPyE
27/01/2025.
A discussão aborda o cenário da política internacional recente, com ênfase na posição estratégica do Brasil entre a China e os Estados Unidos em meio a crises globais como os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia. O retorno de Donald Trump à presidência norte-americana e suas diretrizes iniciais impõem novos desafios de polarização e equilíbrio à diplomacia brasileira.

Entrevistado: Embaixador Paulo Roberto de Almeida.
https://www.youtube.com/watch?v=TkswpzXCYGw
02/04/2025.
Paulo Roberto de Almeida é doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Bruxelas (1984), mestre em Planejamento Econômico e Economia Internacional pelo Colégio dos Países em Desenvolvimento da Universidade de Estado de Antuérpia (1976), formou-se em Ciências Sociais pela Universidade de Bruxelas (1974). O embaixador exerceu vários cargos diplomáticos no exterior e é autor de uma dezena de livros individuais, organizou diversas outras obras, participou de dezenas de livros coletivos e assinou centenas de artigos em revistas especializadas (ver trabalhos em: www.pralmeida.org; blog: diplomatizzando.blogspot.com).

Entrevista com o Embaixador Paulo Roberto de Almeida.
https://www.youtube.com/watch?v=09vLtrsA3UU
16/05/2025.
Entrevista com o Embaixador Paulo Roberto de Almeida no antigo programa Relações Internacionais em Pauta, do IPRI (Instituto de Pesquisa em Relações Internacionais). A gravação foi realizada em 2016.

[AO VIVO] O ESPÍRITO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS
https://www.youtube.com/watch?v=yMHys69hJRw
30/06/2025.
Carlos Domínguez recebe Tânia Manzur (UnB), Gunther Richter Mros (UFSM), Paulo Roberto de Almeida (MRE), Carlos Eduardo Vidigal (UnB), Raúl Bernal-Meza (UNICEN-Argentina). Nidi Bueno (Instituto Diplomacia). O espírito das relações internacionais.

[AO VIVO] O ESPÍRITO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS
https://www.youtube.com/watch?v=0hu8jefVRL8
30/06/2025.
Carlos Domínguez recebe Tânia Manzur (UnB), Gunther Richter Mros (UFSM), Paulo Roberto de Almeida (MRE), Carlos Eduardo Vidigal (UnB), Raúl Bernal-Meza (UNICEN-Argentina). Nidi Bueno (Instituto Diplomacia). O espírito das relações internacionais.

Conversas diplomáticas ep01: A Jornada de Paulo Roberto de Almeida ao Itamaraty - ‪@paulomre‬.
https://www.youtube.com/watch?v=lonmB0ZTvr4
11/07/2025.
Estreia da série Conversas Diplomáticas Com Paulo Roberto de Almeida — ex-diplomata e intelectual com uma longa trajetória no serviço exterior brasileiro. Nesta entrevista, ele compartilha aspectos marcantes de sua vida pessoal e profissional: de uma juventude de origem humilde e influenciada por ideias socialistas às transformações em sua visão de mundo após décadas de atuação em embaixadas e consulados pelo mundo.

AO VIVO: EUA mandam navios de guerra à Venezuela e Maduro convoca novo alistamento.
https://www.youtube.com/watch?v=dH0UI7A9MfE
28/08/2025.
A partir de 31:46 no vídeo. Os Estados Unidos divulgaram um vídeo nas redes sociais de navios de guerra rumo à Venezuela. Os americanos afirmam oficialmente que a operação é para combater o narcotráfico, mas rumores dão conta de que os EUA preparam um cerco contra o ditador venezuelano Nicolás Maduro. Os Estados Unidos aumentaram para 50 milhões de dólares a recompensa por informações que levem à prisão de Maduro. O ditador convocou um novo alistamento militar e recorreu a ONU contra “a escalada de ações hostis”. Diego Gimenes entrevista Paulo Roberto de Almeida, diplomata e ex-embaixador do Brasil.

Capitalismo e Liberdade com Paulo Roberto de Almeida | Clube do Livro.
https://www.youtube.com/watch?v=bBtb1R4QzGA
16/10/2025.
Neste encontro, discutimos "Sobre a Liberdade", clássico de John Stuart Mill que defende os princípios da autonomia individual, da livre expressão e dos limites legítimos da ação do Estado. Paulo Roberto de Almeida, diplomata e conselheiro acadêmico do Livres, analisa as ideias centrais da obra e sua influência duradoura na consolidação das democracias liberais modernas.

#024 Diálogos com M. A. Nogueira. O mundo gira, com Trump e além de Trump – Paulo Roberto de Almeida.
https://www.youtube.com/watch?v=pm5PlN1mZGw
21/10/2025.
O programa Diálogos recebe o diplomata e professor Paulo Roberto de Almeida, autor de "Vidas paralelas: Rubens Ricupero e Celso Lafer nas relações internacionais do Brasil" (Ateliê de Humanidades Editorial, 2025). Teremos uma conversa sobre os desafios do mundo contemporâneo, marcado por guerras, conflitos e tensões políticas. Em 2025, Donald Trump voltou a dominar o cenário global com medidas polêmicas e acordos controversos, enquanto a extrema direita avança, a China se expande e a guerra na Ucrânia persiste. No meio desse turbilhão, diplomatas seguem essenciais como construtores de consensos. Uma reflexão necessária sobre o papel do Brasil e da diplomacia em tempos de incerteza. O Programa “Diálogos com Marco Aurélio Nogueira” é uma promoção conjunta do IEPfD e do Ateliê de Humanidades.

"Lula é mais experiente que Trump", diz diplomata do 1º governo Lula.
https://www.youtube.com/watch?v=70wAjkWX-Lo
24/10/2025.
O diplomata ex Ministro-Conselheiro da Embaixada do Brasil em Washington, entre 1999 e 2003, Paulo Roberto de Almeida comenta sobre o encontro de Lula e Trump. O Acorda, Metrópoles traz as principais notícias do Brasil e do mundo logo no começo na manhã. De segunda a sexta-feira, das 7h às 9h, a apresentadora Natália André recebe Fabio Serapião, Marília Ribeiro e Gabriel Buss.

[AO VIVO] HOMENAGEM AO PROFESSOR AMADO LUIZ CERVO: IN MEMORIAM (21/11/2025).
https://www.youtube.com/watch?v=JYKBcLA9DBQ
21/11/2025.
Carlos Domínguez recebe Tereza Cristina Nascimento França (UFS), Albene Miriam Menezes Klemi (UnB), Günther Richter Mros (UFSM), Paulo Roberto de Almeida (MRE), Carlos Eduardo Vidigal (UnB), Raúl Bernal-Meza (UNICEN-Argentina), Lídia de Oliveira Xavier (Unieuro), Delmo Arguelhes (UFF). Homenagem ao professor Amado Luiz Cervo: in memoriam.

Rumo a nova ordem global? - O Mundo é um Moinho (27/11/25).
https://www.youtube.com/watch?v=idcC0wvi0pg
27/11/2025.
O cientista político Pedro Costa Jr recebe o diplomata Paulo Roberto de Almeida e o Pesquisador no Núcleo de Pesquisas em Relações Internacionais da USP, Daniel Afonso da Silva, para debater a nova ordem global.

Como Ernesto Araújo virou chanceler? Diplomata conta tudo sobre o delírio diplomático bolsonarista.
https://www.youtube.com/watch?v=BAVH632x5DI
04/12/2025.
Paulo Roberto de Almeida, diplomata e intelectual brasileiro, revela os bastidores da ascensão de Ernesto Araújo no Itamaraty e explica como o pensamento antiglobalista ganhou espaço durante o governo Bolsonaro. No relato, ele narra episódios inéditos do impacto dos artigos de Araújo dentro do corpo diplomático e o momento em que percebeu o rumo ideológico da política externa brasileira.

Diplomata expõe impressões ao debater com Paulo Guedes e Olavo de Carvalho.
https://www.youtube.com/watch?v=SPsazArarBo
05/12/2025.
O diplomata Paulo Roberto de Almeida contou como foram seus encontros com Paulo Guedes e Olavo de Carvalho. Ele relembra um debate com Guedes no início do governo Bolsonaro, dizendo que ficou “extremamente decepcionado” com sua visão sobre globalização, Mercosul e integração econômica. Sobre Olavo de Carvalho, o diplomata foi direto: o considerou “um louco completo” e narra seu choque ao participar de um debate organizado pelo grupo Brasil Paralelo, que também envolveu ataques pessoais de Olavo.

A trajetória de Paulo Roberto de Almeida: resistência à ditadura, exílio político e Itamaraty.
https://www.youtube.com/watch?v=s_9k_Q9xExg
10/12/2025.
O diplomata Paulo Roberto de Almeida contou sua notável trajetória: da resistência à ditadura militar até sua consagração no Itamaraty. Ele relembra a juventude política, o exílio na Europa, o retorno ao Brasil durante a abertura e como foi rotulado como “diplomata subversivo” pelo SNI.

A importância do Brasil na construção do multilateralismo - Paulo Roberto de Almeida.
https://www.youtube.com/watch?v=K2DFrCXTxxs
11/12/2025.
O professor e diplomata Paulo Roberto de Almeida explica como o Brasil teve papel essencial mas invisibilizado na criação da ONU e na fundação do sistema multilateral contemporâneo. 

 

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Assédio, ‘capangas’ e ameaças: bolsonaristas fazem ofensiva contra diplomatas - Jamil Chade (ICL)

 Colunistas ICL

Assédio, ‘capangas’ e ameaças: bolsonaristas fazem ofensiva contra diplomatas

Fontes nos bastidores do Itamaraty revelam a truculência da extrema direita e operação de intimidação por parte dos aliados de Flávio Bolsonaro

ICL, 15/10/2026 | 11h00 Atualizado há 1 hora

Jamil Chade 

https://iclnoticias.com.br/assedio-capangas-e-ameacas-bolsonaristas-fazem-ofensiva-contra-diplomatas/?fbclid=PAdGRzdgU9z9RleHRuA2FlbQIxMQBwZG9mAnNydGMGYXBwX2lkDzU2NzA2NzM0MzM1MjQyNwABpzza_-Sk3zqUm1rXq2FieEqVeQ6i-D_AW7FHuqDvKsQM77aplzVZRN_2efOc_aem_gqU-hbizFaaFhOOW12AYqw  

 

Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.

Assédio, ‘capangas’ e ameaças: bolsonaristas fazem ofensiva contra diplomatas

Agentes do bolsonarismo lançam uma ofensiva contra a diplomacia brasileira, antecipando uma suposta vitória da extrema direita nas eleições presidenciais em 25 de outubro. Com o monitoramento das redes sociais de embaixadores e servidores, recados enviados a adversários e ameaças abertas, aliados do senador Flávio Bolsonaro sinalizam uma operação de caça à bruxas dentro de uma instituição de estado.

O ICL Notícias coletou mais de uma dezena de episódios que revela a truculência da base de Flávio dentro da chancelaria brasileira.

Um dos embaixadores de maior prestígio dentro do Itamaraty relatou, na condição de anonimato, a exigência de uma milícia digital que está fiscalizando quais diplomatas brasileiros contam com qualquer tipo de símbolo do PT, do MST ou de grupos progressistas em suas redes sociais.

A ideia é a de coletar dados para a elaboração de uma “lista suja” e que, num eventual governo de Flávio Bolsonaro, poderia ser usada para punir diplomatas. Dentro do Itamaraty, eles passaram a ser chamados de “capangas” do Flávio.

Outra marca do grupo de extrema direita tem sido o de enviar mensagens por intermediários para embaixadores e negociadores. O recado é de que, por seus históricos na ala progressista, esses funcionários deveriam se preparar para serem deslocados para cargos periféricos ou até deixados sem função.

No governo de Jair Bolsonaro, o exílio de diplomatas foi uma realidade, com alguns deles proibidos de ter acesso a qualquer tipo de informação considerada como sensível dentro do Itamaraty.

Naquele momento, não faltaram sindicâncias para apurar supostos vazamentos de informações diplomáticas para jornalistas. Num dos episódios, funcionários do Itamaraty foram questionados se conheciam este colunista. O formulário ainda perguntava se o diplomata em questão conhecia algum colega que poderia ter mantido contato com o jornalista, uma espécie de sistema de delação.

Durante os quatro anos de Jair Bolsonaro, porém, grande parte do Itamaraty resistiu e montou uma verdadeira trincheira secreta para sabotar a destruição da diplomacia nacional que o governo pretendia realizar.

Agora, o que vem ocorrendo nos bastidores do Itamaraty é ainda um resultado do que aparenta ser uma ordem dada por Eduardo Bolsonaro. Há duas semanas, numa live, ele prometeu caçar diplomatas que possam ter agido contra o governo de seu pai.

O filho do ex-presidente e que se considera como um nome “natural” para ser o próximo chanceler anunciou no dia 30 de setembro que estava “mapeado” os embaixadores que entraram e saíram de postos durante o governo Lula.

As ameaças também foram tecidas por Paulo Figueiredo, o neto do último ditador do Brasil e residente nos EUA.

No começo da semana, ele sugeriu que, num governo bolsonarista, haveria uma retaliação contra o embaixador do Brasil na Itália, Renato Mosca de Souza. Figueiredo indicou que o diplomata seria transferido de Roma para Burkina Faso.

Além da ilegalidade da caça às bruxas, o ato de Figueiredo foi considerado dentro do Itamaraty como uma deselegância contra o governo de Burkina Faso, ao sinalizar que o destino seria uma “punição”.

Eduardo Bolsonaro já havia feito um gesto similar ao sugerir que uma diplomata fosse sancionada por seu apoio ao presidente Lula e enviada para o Zimbábue.

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Os impropérios de PRA contra o bolsonarismo e os bolsonaristas - Madame IA mimentizando PRA

 Os impropérios de PRA (no blog Diplomatizzando ou em outras postagens) contra o bolsonarismo e os bolsonaristas, sobrando mais algunas outros para permiar todos julgados confusos:

Quais as palavras e expressões mais 'ácidas' usadas pelo diplomata PRA para se referir aos lulopetistas? E aos olavobolsonaristas? Apresente uma lista extensa para ambos os grupos citados. 

O embaixador e cientista político Paulo Roberto de Almeida (PRA) construiu uma das retóricas mais mordazes da diplomacia brasileira. Por se posicionar como um "contrarianista" independente, ele ataca com igual vigor os dois extremos do espectro político que governaram o Brasil no século XXI.
Sua acidez não se baseia em insultos vulgares, mas sim em um repertório cirúrgico de ironias, termos acadêmicos subvertidos e metáforas biológicas e históricas. Abaixo, está uma lista extensa das palavras e expressões mais contundentes utilizadas por PRA em seus livros e no blog Diplomatizzando para caracterizar cada grupo:

1. Contra os Lulopetistas e a "Diplomacia Companheira":

PRA enxerga a política externa da era lulopetista como um desvio ideológico que submeteu o tradicional pragmatismo do Itamaraty aos interesses partidários do PT e do Foro de São Paulo. Suas expressões mais ácidas focam no corporativismo, no esquerdismo anacrônico e na megalomania:
• "Lulopetismo diplomático": Expressão central para descrever a fusão da máquina do Estado com a agenda do partido.
• "Diplomacia partidária" ou "Diplomacia de partido": Usada para denunciar que as relações exteriores deixaram de responder ao Estado e passaram a responder a uma facção política.
• "Terceiro-mundismo militante" (ou "anacrônico"): Crítica à insistência em alinhar o Brasil a países subdesenvolvidos ou regimes autocráticos sob uma ótica anti-imperialista ultrapassada.
• "Megalomânia diplomática": Expressão ácida para satirizar a busca incessante do governo Lula por um protagonismo global desmedido (como o assento no Conselho de Segurança da ONU ou a mediação do acordo nuclear no Irã), sem lastro real de poder econômico ou militar.
• "Gauchismo diplomático": Termo adaptado do jargão político europeu (gauchisme) para ironizar o esquerdismo militante e acadêmico que influenciou os formuladores de política externa da época.
• "Alinhamento ideológico com o Foro de São Paulo": Denúncia direta da proximidade com forças e partidos comunistas e de esquerda da América Latina.
• "Sindicato diplomático": Crítica ao loteamento de cargos e à blindagem corporativista de diplomatas alinhados à cartilha do partido.
• "Aprendizes de feiticeiro da diplomacia": Expressão para definir os assessores presidenciais e formuladores que tentaram criar uma "nova diplomacia" à revelia dos manuais técnicos clássicos.
• "Universo paralelo" ou "Grande Ilusão": Ironia frequente sobre as promessas utópicas em torno dos BRICS ou de alianças sul-americanas que, na visão de PRA, ignoravam a realidade dos mercados internacionais.

2. Contra os Olavobolsonaristas e o "Bolsolavismo":

A reação de PRA à ala ideológica do governo de Jair Bolsonaro — que resultou em sua própria demissão da chefia do IPRI em 2019 — produziu seus textos mais devastadores. Suas expressões focam no anti-intelectualismo, no fanatismo e no ridículo internacional gerado pelo grupo:
• "Bolsolavismo diplomático": Termo cunhado por ele para sintetizar a mistura do nacionalismo populista de Bolsonaro com as teorias de conspiração de Olavo de Carvalho.
• "Chanceler acidental": Epíteto irônico e constante direcionado a Ernesto Araújo, sugerindo que ele jamais teria capacidade ou mérito para o cargo em condições normais.
• "Experimento alucinante e alucinado": Descrição de PRA sobre o período em que a política externa foi guiada por pautas ideológicas extremas.
• "Bizarrices diplomáticas": Termo usado para qualificar os discursos oficiais que misturavam misticismo, antiglobalismo e cruzadas civilizatórias.
• "Sequestro do Itamaraty": Metáfora drástica (que virou título de livro) para afirmar que a instituição foi tomada como refém por uma seita ideológica.
• "Demolição da política externa": Denúncia do desmonte sistemático de princípios históricos da diplomacia brasileira, como o multilateralismo, a neutralidade e o pragmatismo.
• "Miséria da diplomacia" ou "Destruição da inteligência": Expressões utilizadas para atacar o desprezo do grupo pelo conhecimento científico, pela história e pelos dados econômicos reais.
• "Paranoia antiglobalista": Diagnóstico ácido sobre a obsessão do grupo com conspirações internacionais, "climatismo" ou o chamado "marxismo cultural".
• "Seita olavete" ou "Fanáticos do claustro": Alusão ao caráter dogmático e subserviente dos seguidores da ala ideológica, que rejeitavam qualquer debate racional.
• "Servilismo voluntário": Crítica contundente ao alinhamento cego e automático do Brasil à política externa de Donald Trump nos EUA, sem contrapartidas ou vantagens estratégicas para o país.

O Denominador Comum: A "Tribo" Politicamente Cega:

Em suas análises comparativas, Paulo Roberto de Almeida frequentemente unifica os dois grupos em uma mesma categoria psicológica e institucional. Ele os chama de "tribos arrogantes" que compartilham do mesmo pecado capital: a crença de que tudo o que foi feito antes deles na história do Brasil estava errado. Ao operar dessa forma, PRA demonstra que, para um diplomata de Estado, o populismo — seja de esquerda ou de direita — produz o mesmo resultado final: o isolamento internacional e o enfraquecimento das instituições nacionais.

 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Economia e democracia podem sobreviver; mas e a soberania nacional? - Paulo Roberto de Almeida (Interesse Nacional)

 Mais recente artigo publicado sobre a ameaça à soberania nacional - https://interessenacional.com.br/portal/economia-e-democracia-podem-sobreviver-mas-e-a-soberania/ PRA


Economia e democracia podem sobreviver; mas e a soberania?

Em meio à polarização eleitoral, a soberania brasileira enfrenta riscos que podem superar os desafios econômicos e democráticos. Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro e a adesão ao “Escudo das Américas”, promovido por Donald Trump, poderiam comprometer a autonomia diplomática do país e aprofundar sua subordinação aos interesses dos Estados Unidos, em um cenário de crescente tensão geopolítica.

Flávio Bolsonaro e Donald Trump durante encontro na Casa Branca (Foto: Divulgação)

O Brasil assistiu a um recrudescimento da polarização política no período recente, até se defrontar, no primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, com um resultado preliminar que surpreendeu, nos dois lados, os militantes engajados e os observadores interessados (como são os jornalistas). 

O eleitorado caminha agora para a encruzilhada do segundo turno das eleições presidenciais, em 25 de outubro, quando, aparentemente, estaremos em face de dois projetos de governo nas antípodas das principais políticas públicas e setoriais em 2027-2030. Dúvidas persistem a esse respeito, mas vou me deter em um aspecto que me interessa pessoalmente, como diplomata, além e acima da questão democrática e a da economia.

Analisando de maneira objetiva, o cenário que pode se abrir em 2027 cabe, contudo, constatar que nem a economia, nem a política parecem perto de sofrer mudanças radicais. A economia porque, a despeito da inquietação de economistas e empresários com a questão fiscal e a do endividamento, e a ainda mais natural preocupação dos eleitores comuns com problemas econômicos mais prosaicos, os do dia-a-dia em feiras e supermercados, apresenta constrangimentos suficientes, nos terrenos macro e setoriais, para que um presidente, de esquerda ou de direita, tenha forçosamente de encontrar respostas credíveis aos desafios já colocados no plano da dívida pública em expansão, da persistência de uma inflação acima dos indicadores de referência, de um endividamento excessivo de núcleos familiares.

 

‘No terreno político, por sua vez, não parece existir nenhum risco maior à democracia – como se temeu no decurso do mandato anterior, sob Jair Bolsonaro’

 

No terreno político, por sua vez, não parece existir nenhum risco maior à democracia – como se temeu no decurso do mandato anterior, sob Jair Bolsonaro –, mas o aumento da representação da direita e da extrema-direita no âmbito legislativo vai provavelmente levar à possível cassação de um ou outro ministro da Suprema Corte, dado seu envolvimento direto na política partidária e em acusações de corrupção nas altas esferas do Judiciário. 

Também no terreno da política, torna-se altamente provável o reforço de medidas vinculadas à segurança pública, o aumento de medidas punitivas dada a expansão disseminada da criminalidade organizada, assim como, no campo das políticas sociais, uma propensão mais para negativa à continuidade de políticas assistencialistas implementadas desde o início do milênio. 

Existem, porém, preocupações latentes com uma mudança radical, dependendo da escolha em 25 de outubro, num campo extremamente relevante para a nação, mais exatamente para a sua reputação internacional e para a credibilidade externa de sua diplomacia. Essa mudança tem a ver com a postura do Brasil na definição de algumas definições básicas no tocante à política externa e à manutenção da plena soberania na escolha de alianças externas, tanto no campo do multilateralismo, das interações regionais e no tocante a certas relações bilaterais num contexto de fragmentação crescente do sistema internacional.

‘Soberania nacional é um termo um pouco difuso e quase abstrato para a maioria da população, mas o seu exercício e efetivação implicam pleno controle, pelo Estado e pelo seu governo, de todos os processos decisórios atinentes à determinação das principais políticas públicas’

Soberania nacional é um termo um pouco difuso e quase abstrato para a maioria da população, mas o seu exercício e efetivação implicam pleno controle, pelo Estado e pelo seu governo, de todos os processos decisórios atinentes à determinação das principais políticas públicas, ou de todas elas, sejam as domésticas, sejam aquelas voltadas para posicionamentos externos, em todos os planos: relacionamentos bilaterais, interação em nível regional, e no âmbito multilateral, ou internacional (nos organismos internacionais de que o Brasil é membro, ou de outros órgãos dos quais ele faça parte).

Sinteticamente, é a capacidade que o Estado possui de decidir de forma autônoma, pelos seus poderes constituídos, pelas suas instituições governativas, sobre todas as políticas, escolhas orientações na condução interna e externa dos seus negócios, sem ter de prestar contas ou de responder a quaisquer pressões externas, legítimas ou ilegítimas, sobre suas decisões próprias. 

‘A soberania não precisa sequer ser proclamada ou anunciada, ela se exerce, simplesmente, com base na força do Direito’

A soberania não precisa sequer ser proclamada ou anunciada, ela se exerce, simplesmente, com base na força do Direito – a Constituição e os tratados internacionais dos quais o país é parte ou signatário – ou com base no direito da força, ou seja, a defesa nacional, em todas as suas formas.

A soberania se exerce em primeiro lugar em todo o território nacional, e sabemos que o Estado nacional e os governos estaduais não detêm o controle efetivo sobre certas partes dos territórios em causa, o que pode criar alguma alegação de necessidade de intervenção externa ou internacional, o que de fato existe para alguns Estados falidos, vários na África, por exemplo, no caso da Jihad islâmica, ou aqui no hemisfério americano, no Haiti, com gangues criminosas detendo o controle de partes do território dessa ilha dividida com a República Dominicana. 

Recentemente, o governo expansionista e interventor dos Estados Unidos sob Trump, sob pressão de influenciadores brasileiros expatriados, julgarem dever decretar que dois grupos criminosos atuando no Brasil são, de fato, organizações terroristas, o que lhes daria o direito, unilateralmente, de intervir nos assuntos internos do Brasil, mediante a aplicação extraterritorial de sua legislação interna, aliás já exercida de forma ilegal no caso de supostos traficantes de drogas no mar do Caribe ou no Oceano Pacífico.

Se trata, nesse caso, de mais um sintoma da desagregação da ordem internacional por um dos Estados construtores dessa ordem, nos estertores da Segunda Guerra Mundial, o mais destruidor de todos os conflitos globais, de uma violação do Direito Internacional e da Carta da ONU, aliás precedida por violações ainda mais contundentes por parte de um verdadeiro êmulo dos czares absolutos e dos autocratas soviéticos, na tentativa de reconstruir o império que tinha existido por alguns séculos até quase o final do século XX. Movimentos e grupos nacionalistas costumam ser conservadores, ou de extrema direita, mas regimes autocráticos se distribuem pelos dois extremos do leque político-ideológico conhecido desde o século XIX. ‘

‘A soberania de potências médias, ou de Estados menores, pode ser ameaçada pela ação de grandes potências’

A soberania de potências médias, ou de Estados menores, pode ser ameaçada pela ação de grandes potências, de forma direta ou indireta, por ações agressivas ou por ameaças veladas, quando não pela sabotagem e pela intervenção armada direta, como golpes de Estado, invasões armadas, pressão econômica e uma combinação de todas essas ações. 

O Brasil só conheceu uma ameaça direta à sua soberania, no caso da guerra dita do Paraguai, um século e meio atrás. Depois teve embarcações afundadas no primeiro e no segundo conflitos europeus, o que motivou a cessação de nossa neutralidade, o rompimento de relações com as potências agressoras – nos dois casos a Alemanha, o Império e o Reich e nossa entrada nessas guerras que já tinham se tornado mundiais. 

As intervenções não explícitas em nossa soberania foram mais numerosas, como sempre por iniciativa de grandes impérios expansionistas, no entre guerras, por parte da Alemanha e da Itália fascistas, e antes e depois desse período, por parte dos Estados Unidos, já convertidos em grande potência mundial, neste caso de forma mais sutil. Uma intervenção direta em nossos processos eleitorais ocorreu pela primeira vez, de forma documentada, nas eleições estaduais de 1962, quando dinheiro americano e material da CIA, a agência de inteligência americana foram repassados a candidatos e partidos de oposição ao governo parlamentarista de João Goulart. O golpe de 1964 contou, obviamente, com todo o apoio do governo americano, de forma mais preventiva do que por alguma ação direta. 

Durante o regime militar, alguma coordenação existiu, quando não coordenação e troca de informações ou treinamento, entre a ditadura brasileira e órgãos de inteligência e de sabotagem dos EUA, contra governos “esquerdistas” latino-americanos, mais concretamente no caso da Bolívia, do Uruguai e, de forma ainda mais direta, contra o governo socialista de Salvador Allende, no Chile, em 1973. As ditaduras militares cooperaram amplamente entre si, com respaldo americano, na repressão aos movimentos esquerdistas e guerrilheiros. Tudo isso constituiu formas de intervenção nos assuntos internos de diferentes países, entre eles o próprio Brasil. 

Mais recentemente, o governo americano de Joe Biden pode ter atuado de forma menos direta, pelo envio de altos representantes – secretário da Defesa, conselheiro de segurança nacional e chefe da CIA – entre 2021 e 2022, para eventualmente dissuadir os comandantes das Forças Armadas, e o próprio presidente Jair Bolsonaro, de empreenderem qualquer aventura golpista antes, durante ou após as eleições, o que finalmente acabou se concretizando, nos moldes do ataque ao Capitólio de janeiro de 2021 contra o próprio Biden.

‘O ataque mais dramático contra a soberania do Brasil ocorreria num eventual governo de próprio Flávio Bolsonaro, se em janeiro de 2027 se concretizasse, como já anunciado formalmente pelo próprio, a adesão do Brasil ao chamado “Escudo das Américas”’

O ataque mais dramático – talvez consentido –, ainda que apenas hipotético pelo momento, contra a soberania do Brasil, ocorreria num eventual governo de direita, no caso, o do próprio Flávio Bolsonaro, se em janeiro de 2027 se concretizasse, como já anunciado formalmente pelo próprio, a adesão do Brasil ao chamado “Escudo das Américas”, o plano de subordinação imperial e de tutelagem direta de governos latino-americanos modelado pela nova doutrina de segurança nacional instituída pela administração Trump em 2025.

Exemplos desse tipo de submissão ao imperador hemisférico já tinham ocorrido durante dois anos de simultaneidade nos governos de Trump 1 (2017-2020) e de Jair Bolsonaro (2019-2022), quando logo ao início do governo deste último, ou ainda antes da inauguração, o dirigente brasileiro prestou toda a vassalagem vergonhosa à pessoa e às políticas do parceiro dos EUA, inclusive mediante um desonroso “I love you Trump”, durante a AGNU de 2019 em NY.

Caso alguma similaridade com 2018 se produza novamente no Brasil, estaríamos em face de um dos mais graves atentados à soberania do Brasil jamais vistos em toda a nossa história, uma vez que “nunca antes” – como aliás se tentou entre 2019 e 2020 – ocorreu essa possibilidade de uma submissão voluntária e gratuita. 

Cabe, com efeito, não esquecer que, no próprio dia da posse de Jair Bolsonaro, em 1º de janeiro de 2019, o chanceler acidental escolhido pela tropa bolsonarista, um inexpressivo júnior da carreira diplomática, concordou imediatamente com a instalação de bases militares americanas em território brasileiro, tendo sido imediatamente desmentido de forma humilhante pelos generais do governo Bolsonaro. Mas, outros gestos de adesão gratuita do governo brasileiro a ações do governo Trump foram por diversas vezes evidenciados em votações em órgãos da ONU ou por meio de canhestras notas emitidas pelo Itamaraty (ou pelo governo, em nome da chancelaria). 

‘O Itamaraty possui diversos registros desse tipo de vassalagem que representam quebra da soberania brasileira durante o governo de Jair Bolsonaro, e que podem voltar a ocorrer no caso de um possível governo do filho 01’

O Itamaraty, oficialmente ou não, possui diversos registros desse tipo de vassalagem que representam, de fato, quebra da soberania brasileira durante o governo de Jair Bolsonaro, e que podem voltar a ocorrer no caso de um possível governo do filho 01, como antecipado, aliás, pelo próprio com respeito a adesão do Brasil ao “Escudo das Américas”, um programa teoricamente elaborado para contrarrestar a influência chinesa na região, mas que redunda, de forma objetiva, na tutela direta e indireta de governos participantes pelos interesses políticos, econômicos e militares da grande potência hemisférica e mundial, sob a ordens, no momento, de um dirigente arrogante, unilateral e demencial. 

Pressões geopolíticas já vêm sendo exercidas desde Trump 1, renovadas sob Trump 2, com o recrudescimento por vezes violento de ações diretas e o uso de toda sorte de pressões indiretas para obter a aquiescência de governos da região (e até fora dela, como são inúmeros os exemplos). 

Concluindo, venho à questão de como defender a soberania brasileira? Talvez se deva agora afirmar, de maneira explícita, que a comunidade nacional, todos os brasileiros, as suas elites políticas e econômicas, os seus servidores do Estado, em especial os militares e os diplomatas, repudiam de maneira clara e peremptória, toda e qualquer adesão às prescrições políticas e diplomáticas de qualquer governo estrangeiro, e que pretendem preservar com todas as forças nossa autonomia decisória sobre todas e quaisquer políticas de Estado e de governo, e que já denunciam preventivamente qualquer intenção de vincular nossa política externa e as demais políticas domésticas a qualquer potência estrangeira eventualmente atraída por nosso atual processo eleitor. Soberania não se proclama; se exerce, simplesmente, mas, no contexto atual, cabe e se deve fazer uma declaração clara e explícita nesse sentido. 

É diplomata e professor, doutor em Ciências Sociais (Universidade de Bruxelas) e mestre em Economia Internacional (Universidade de Antuérpia). Dedica-se a atividades acadêmicas e é autor de livros sobre relações internacionais, diplomacia econômica e história diplomática do Brasil

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