Um posicionamento importante do principal (e praticamente único) aliado da RPDC
Segundo primeiro-ministro chinês, país se posicionará no caso de forma justa
EFE, 28 de maio de 2010 | 8h 16
China 'não vai proteger responsáveis' por afundamento de navio sul-coreano
SEUL - O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, afirmou nesta sexta-feira, 28, em Seul, que Pequim "não protegerá os responsáveis" pelo afundamento da corveta sul-coreana "Cheonan", em março, pelo qual a Coreia do Sul acusa Pyongyang, informou um porta-voz oficial sul-coreano.
Wen, que manteve hoje um longo encontro com o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, disse, além disso, que a China, principal aliado de Pyongyang, decidirá sua posição sobre o caso "com justiça" e respeitando a investigação feita por diversos países que culpa o regime comunista norte-coreano, segundo a agência "Yonhap".
Até o momento, Pequim tinha pedido moderação, calma e diálogo na península coreana e tinha se limitado a considerar o assunto "altamente complicado".
Wen afirmou que o Governo chinês ainda deve decidir se considera boas as conclusões da investigação de especialistas de cinco países sobre o fato, que deixou 46 mortos, mas ressaltou que "respeita" seu relatório e as respostas de cada Estado ao incidente.
A China "decidirá sua posição julgando de forma objetiva e justa o que é correto" no caso do "Cheonan", disse Wen, segundo o porta-voz oficial.
As declarações de Wen foram feitas durante uma visita a Seul, antes da cúpula que manterá neste fim de semana com o presidente Lee e o primeiro-ministro do Japão, Yukio Hatoyama, na ilha sul-coreana de Jeju.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
sexta-feira, 28 de maio de 2010
China 'não vai proteger responsáveis' por afundamento de navio sul-coreano
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quinta-feira, 27 de maio de 2010
As dez maiores invencoes da humanidade...
Muito americano-cêntrica esta lista...
Está faltando, por exemplo, a caipirinha, o jeitinho, e o "nunca antes neste país".
Sans blague, eu colocaria também o clips, o hot-dog e o sorvete de caramelo (não vou especificar a marca).
Bem também tem o spaghetti (ai frutti di mare) e o expresso bem ristretto...
Ainda posso pensar no saxofone, nos óculos e no livro (não vivo sem um, ou mais...)
Bem, vamos conferir a lista dos americanos...
Curiosidades
TOP 10 maiores invenções da história
Veja a lista das dez maiores invenções da humanidade
26/05/2010
Ir de carro para o trabalho, acender a luz do escritório e ligar o computador podem parecer simples ações do cotidiano, mas fazem parte de importantes descobertas históricas. Um estudo da consultoria Tesco Mobile listou as cem maiores invenções da história da humanidade. Confira o Top 10:
1) Roda – Registros indicam que a roda nasceu há mais de 5 mil anos na Ásia. Pesquisadores apontam que a data mais antiga foi em 3.500 a.C, na Suméria, nas ruínas da cidade de Ur, onde foi achada uma placa de argila. Usado em transportes, máquinas e diversas outras ferramentas do dia-a-dia, o objeto diminui a fricção entre dois ou mais pontos em uma superfície, facilitando sua locomoção. Acredita-se que a primeira roda foi feita do tronco de uma árvore.
2) Avião – A história da aviação começou com os irmãos Wiilbur e Orville Wright em 1903, na Carolina do Norte, nos EUA. Em 1906, o brasileiro Santos Dumont realizou o primeiro voo com o 14 bis, em Paris.
3) Lâmpada – Thomas Edison inventou a lâmpada incandescente no dia 21 de outrubro de 1879. Como desafio, o cientista deveria fazer a combustão do oxigênio mais rápida e duradoura. Finalmente, usando uma haste de carbono aquecido, ele conseguiu a emissão da luz, que ficou ligada por mais de 40 horas seguidas.
4) Internet – A internet nasceu na década de 1969, quando a Arpanet ligou universidades como um experimento militar. Nos anos 1980, as redes locais e instituições científicas começaram a se conectar com a Arpanet. Em 1992, se estabeleceu a rede mundial, World Wide Web (www), e no ano seguinte o primeiro navegador fica disponível no mercado, o Mosaic.
5) Computador – O primeiro computador digital eletrônico do mundo foi criado em 1946, por John Presper Eckert e John W. Mauchlym, dois cientistas norte-americanos. O Electrical Numerical Integrator and Calculator (ENIAC) realizava 5 mil operações por segundo.
6) Telefone – Em 1875, o escocês Alexander Graham Bell inventou o telefone. Durante uma experiência com um telégrafo harmônico, com seu assistente Thomas Watson, foi emitido um som diferente, que foi ouvido por Bell do outro lado da linha. A primeira transmissão elétrica foi emitida no ano seguinte, quando a invenção foi patenteada.
7) Penicilina – Em 1928, o escocês Alexander Fleming descobriu a penicilina quando desenvolvia pesquisas sobre estafilococos. Ao sair de férias, esqueceu algumas placas com culturas de microrganismos no seu laboratório. Quando chegou, um novo fungo havia se formado, o Penicillium, de onde se extraiu a penicilina. A descoberta foi fundamental para a criação de antibióticos, o que diminui o número de mortes por doenças infecciosas.
8) iPhone - foi criado em 2007 pela Apple Inc. Com linha de internet e diversas ferramentas multimídia, o celular tem função touchscreen (sensível ao toque). O iPhone está na sua terceira geração.
9) Vaso Sanitário – O vaso sanitário surgiu no Egito, por volta de 2100 a.C, quando foram criadas as primeiras latrinas para se sentar. Em 1668, o Comissariado de Polícia de Paris emitiu um decreto que todas as casas deveriam ter um vaso sanitário dentro de suas casas.
10) Motor de combustão - O inventor do motor de combustão interna foi o alemão Nikolaus August Otto. A pesquisa começou em 1862, e cinco anos depois ele ganhou uma medalha de ouro por seu motor que comprimia a mistura do combustível e ar, antes de queimar. A máquina térmica transforma a energia proveniente de uma reação química em energia mecânica, que revolucionou os meios de transporte.
Está faltando, por exemplo, a caipirinha, o jeitinho, e o "nunca antes neste país".
Sans blague, eu colocaria também o clips, o hot-dog e o sorvete de caramelo (não vou especificar a marca).
Bem também tem o spaghetti (ai frutti di mare) e o expresso bem ristretto...
Ainda posso pensar no saxofone, nos óculos e no livro (não vivo sem um, ou mais...)
Bem, vamos conferir a lista dos americanos...
Curiosidades
TOP 10 maiores invenções da história
Veja a lista das dez maiores invenções da humanidade
26/05/2010
Ir de carro para o trabalho, acender a luz do escritório e ligar o computador podem parecer simples ações do cotidiano, mas fazem parte de importantes descobertas históricas. Um estudo da consultoria Tesco Mobile listou as cem maiores invenções da história da humanidade. Confira o Top 10:
1) Roda – Registros indicam que a roda nasceu há mais de 5 mil anos na Ásia. Pesquisadores apontam que a data mais antiga foi em 3.500 a.C, na Suméria, nas ruínas da cidade de Ur, onde foi achada uma placa de argila. Usado em transportes, máquinas e diversas outras ferramentas do dia-a-dia, o objeto diminui a fricção entre dois ou mais pontos em uma superfície, facilitando sua locomoção. Acredita-se que a primeira roda foi feita do tronco de uma árvore.
2) Avião – A história da aviação começou com os irmãos Wiilbur e Orville Wright em 1903, na Carolina do Norte, nos EUA. Em 1906, o brasileiro Santos Dumont realizou o primeiro voo com o 14 bis, em Paris.
3) Lâmpada – Thomas Edison inventou a lâmpada incandescente no dia 21 de outrubro de 1879. Como desafio, o cientista deveria fazer a combustão do oxigênio mais rápida e duradoura. Finalmente, usando uma haste de carbono aquecido, ele conseguiu a emissão da luz, que ficou ligada por mais de 40 horas seguidas.
4) Internet – A internet nasceu na década de 1969, quando a Arpanet ligou universidades como um experimento militar. Nos anos 1980, as redes locais e instituições científicas começaram a se conectar com a Arpanet. Em 1992, se estabeleceu a rede mundial, World Wide Web (www), e no ano seguinte o primeiro navegador fica disponível no mercado, o Mosaic.
5) Computador – O primeiro computador digital eletrônico do mundo foi criado em 1946, por John Presper Eckert e John W. Mauchlym, dois cientistas norte-americanos. O Electrical Numerical Integrator and Calculator (ENIAC) realizava 5 mil operações por segundo.
6) Telefone – Em 1875, o escocês Alexander Graham Bell inventou o telefone. Durante uma experiência com um telégrafo harmônico, com seu assistente Thomas Watson, foi emitido um som diferente, que foi ouvido por Bell do outro lado da linha. A primeira transmissão elétrica foi emitida no ano seguinte, quando a invenção foi patenteada.
7) Penicilina – Em 1928, o escocês Alexander Fleming descobriu a penicilina quando desenvolvia pesquisas sobre estafilococos. Ao sair de férias, esqueceu algumas placas com culturas de microrganismos no seu laboratório. Quando chegou, um novo fungo havia se formado, o Penicillium, de onde se extraiu a penicilina. A descoberta foi fundamental para a criação de antibióticos, o que diminui o número de mortes por doenças infecciosas.
8) iPhone - foi criado em 2007 pela Apple Inc. Com linha de internet e diversas ferramentas multimídia, o celular tem função touchscreen (sensível ao toque). O iPhone está na sua terceira geração.
9) Vaso Sanitário – O vaso sanitário surgiu no Egito, por volta de 2100 a.C, quando foram criadas as primeiras latrinas para se sentar. Em 1668, o Comissariado de Polícia de Paris emitiu um decreto que todas as casas deveriam ter um vaso sanitário dentro de suas casas.
10) Motor de combustão - O inventor do motor de combustão interna foi o alemão Nikolaus August Otto. A pesquisa começou em 1862, e cinco anos depois ele ganhou uma medalha de ouro por seu motor que comprimia a mistura do combustível e ar, antes de queimar. A máquina térmica transforma a energia proveniente de uma reação química em energia mecânica, que revolucionou os meios de transporte.
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Nunca antes naquele pais, o verbo executar foi tao bem empregado...
...é o caso de se dizer, dessas expropriações "executadas" por nosso professor preferido de economia política (bota política nisso).
Com esse número de "execuções", o coronel economista al revés acabará executando a própria economia venezuelana, que deve estar na UTI, com um aparelho respiratório ligado a uma bomba de petróleo.
Si le quitan el petroleo, o si este viene a disminuir su presión, el profesor militar tendrá pocas cosas para ajecutar, entonces...
Pues, pasará a ejecutar otras cosas, si posible...
Paulo Roberto de Almeida
Venezuela: Chávez ha ejecutado 762 expropiaciones entre 2005 y 2009
Infolatam
Caracas, 26 de mayo de 2010
Se espera que el Gobierno de Chávez radicalizará este año su política de nacionalizaciones.
El Gobierno venezolano ha ejecutado 762 expropiaciones desde 2005 al 2009 en zonas rurales y urbanas del país, con una tendencia ascendente especialmente en el último año cuando se registraron 374 casos, según un estudio privado divulgado por la prensa local.
El Observatorio del Derecho de Propiedad, promovido por la Asociación Civil Liderazgo y Visión, indicó que las tomas forzosas de terrenos y empresas crecieron un "1.026 por ciento" en los últimos cuatro años, al pasar de 23 en 2005 a 374 en 2009.
Según el coordinador del estudio, Felipe Benites, la mayoría de esas acciones gubernamentales han "incumplido las leyes y la Constitución de 1999", porque a su juicio se han realizado "por vía de hecho", con la "presencia activa o pasiva de la Fuerza Armada, en una actuación estatal violenta, sin base jurídica e injustificada".
La tendencia al alza de las expropiaciones en los últimos años "denotan lo vulnerable que está la situación de la propiedad privada en Venezuela", añadió Benites, según publicó este miércoles el diario El Nacional de Caracas.
"No existe ningún elemento que haga pensar que la situación mejorará", por el contrario se espera que el Gobierno del presidente venezolano, Hugo Chávez, radicalizará este año su política de nacionalizaciones especialmente en el comercio y la industria, dijo Benites.
En lo que va de 2010, Chávez ha decretado la expropiación de la cadena de hipermercados Éxito, controlada por el grupo francés Casino; de unos galpones de Polar, la principal empresa productora y procesadora de alimentos del país, y de la empresa de alimentos Monaca, participada mayoritariamente por el grupo mexicano Gruma.
Benites señaló que la plan de nacionalizaciones que desarrolla la "revolución" socialista de Chávez está guiado principalmente por el pulso político y electoral del país.
"Las violaciones a la propiedad" se han "acelerado" especialmente después de que el Gobierno ha obtenido triunfos electorales, y, por el contrario, se han reducido cuando ese resultado le ha sido adverso, afirmó Benites.
Las Claves:
* Las tomas forzosas de terrenos y empresas crecieron un "1.026 por ciento" en los últimos cuatro años, al pasar de 23 en 2005 a 374 en 2009.
* "Las violaciones a la propiedad" se han "acelerado" especialmente después de que el Gobierno ha obtenido triunfos electorales.
Com esse número de "execuções", o coronel economista al revés acabará executando a própria economia venezuelana, que deve estar na UTI, com um aparelho respiratório ligado a uma bomba de petróleo.
Si le quitan el petroleo, o si este viene a disminuir su presión, el profesor militar tendrá pocas cosas para ajecutar, entonces...
Pues, pasará a ejecutar otras cosas, si posible...
Paulo Roberto de Almeida
Venezuela: Chávez ha ejecutado 762 expropiaciones entre 2005 y 2009
Infolatam
Caracas, 26 de mayo de 2010
Se espera que el Gobierno de Chávez radicalizará este año su política de nacionalizaciones.
El Gobierno venezolano ha ejecutado 762 expropiaciones desde 2005 al 2009 en zonas rurales y urbanas del país, con una tendencia ascendente especialmente en el último año cuando se registraron 374 casos, según un estudio privado divulgado por la prensa local.
El Observatorio del Derecho de Propiedad, promovido por la Asociación Civil Liderazgo y Visión, indicó que las tomas forzosas de terrenos y empresas crecieron un "1.026 por ciento" en los últimos cuatro años, al pasar de 23 en 2005 a 374 en 2009.
Según el coordinador del estudio, Felipe Benites, la mayoría de esas acciones gubernamentales han "incumplido las leyes y la Constitución de 1999", porque a su juicio se han realizado "por vía de hecho", con la "presencia activa o pasiva de la Fuerza Armada, en una actuación estatal violenta, sin base jurídica e injustificada".
La tendencia al alza de las expropiaciones en los últimos años "denotan lo vulnerable que está la situación de la propiedad privada en Venezuela", añadió Benites, según publicó este miércoles el diario El Nacional de Caracas.
"No existe ningún elemento que haga pensar que la situación mejorará", por el contrario se espera que el Gobierno del presidente venezolano, Hugo Chávez, radicalizará este año su política de nacionalizaciones especialmente en el comercio y la industria, dijo Benites.
En lo que va de 2010, Chávez ha decretado la expropiación de la cadena de hipermercados Éxito, controlada por el grupo francés Casino; de unos galpones de Polar, la principal empresa productora y procesadora de alimentos del país, y de la empresa de alimentos Monaca, participada mayoritariamente por el grupo mexicano Gruma.
Benites señaló que la plan de nacionalizaciones que desarrolla la "revolución" socialista de Chávez está guiado principalmente por el pulso político y electoral del país.
"Las violaciones a la propiedad" se han "acelerado" especialmente después de que el Gobierno ha obtenido triunfos electorales, y, por el contrario, se han reducido cuando ese resultado le ha sido adverso, afirmó Benites.
Las Claves:
* Las tomas forzosas de terrenos y empresas crecieron un "1.026 por ciento" en los últimos cuatro años, al pasar de 23 en 2005 a 374 en 2009.
* "Las violaciones a la propiedad" se han "acelerado" especialmente después de que el Gobierno ha obtenido triunfos electorales.
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Brasil: rumo ao desenvolvimento?
Uma visão talvez otimista demais sobre o futuro do Brasil, compativel, provavelmente, com o cenário conjuntural quando a matéria foi elaborada, três meses atras. Desde então, o cenário macroeconômico se deteriorou um bocado em todo o mundo...
Paulo Roberto de Almeida
A década de ouro
Milton Gamez, Hugo Cilo e Denize Bacoccina
Istoé Dinheiro, 26.02.2010
Como e por que a economia brasileira irá crescer a um ritmo de 5% ao ano até 2020, num cenário inédito de desenvolvimento que somará US$ 1 trilhão à riqueza do País e mudará definitivamente a vida de consumidores e empresas
Oito anos atrás, o executivo brasileiro Fernando Lewis, diretor da gigante de computadores HP, fez as malas e mudou-se com a família para Miami, nos Estados Unidos. A missão: comandar os negócios da companhia na América Latina e representar o continente nas salas de reunião da empresa. "Era muito difícil vender o Brasil lá fora. Só abríamos portas a fórceps", diz Lewis. O cenário se inverteu. Hoje, ele está de volta a São Paulo por determinação da matriz e comanda um dos mercados prioritários para a HP no mundo. Não por acaso: nos últimos seis anos, o Brasil liderou absoluto o ranking de crescimento de vendas de computadores e acessórios de informática da companhia em mais de 150 países. "O Brasil surpreendeu a direção da HP até mais do que a China. A recuperação do mercado chinês não é surpresa. A nossa, sim", completa Lewis, sorrindo.
"Antes, quando reivindicávamos uma fatia maior dos investimentos globais, parecia até que eu fazia uma piada", relembra o executivo.
A HP de Lewis está começando a surfar naquela que pode ser a década de ouro da economia brasileira. Sustentado por uma inédita estabilidade política e econômica e uma feliz coincidência de eventos, o País deverá crescer anualmente, segundo cálculos do economista Octavio de Barros, cerca de 5% nos próximos dez anos. Esse salto espetacular significará um acréscimo de US$ 1 trilhão à riqueza nacional. É esse cenário que transforma a piada citada por Lewis em coisa do passado, embora não fosse injusta anos atrás. A imprevisibilidade era tanta que o "milagre econômico" nos anos 70 deu lugar à "década perdida" nos 80. Nos anos 90, veio a conquista da estabilidade econômica e tudo mudou. Pela primeira vez na história, o Brasil vive ao mesmo tempo um ambiente de democracia, crescimento econômico e inflação baixa. A força de trabalho irá superar, em número, a população que não gera renda. Se a última década foi marcada pela crise global e pela consolidação do Brasil como um porto seguro para investimentos, o que será da próxima? Não é exagero dizer que, até 2020, o País viverá uma década de ouro, rumo ao tão sonhado status de país desenvolvido. Esse cenário já está no radar de empresas como HP, Intel, Petrobras, Cyrela, JBS, BMW, Anhanguera Educacional, Bradesco e Itaú Unibanco - só para citar algumas - e certamente terá grande impacto na vida de todos os brasileiros e estrangeiros que vivem aqui.
Analistas de mercado, economistas e empresários ouvidos pela DINHEIRO são unânimes na tese de que o País tem tudo para trilhar um inédito caminho de crescimento estável e pujante nos próximos dez anos. As portas estão abertas para o País se tornar a quinta maior economia do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, da China, do Japão e da Índia. A viagem pode sofrer solavancos vindos do Exterior, como aconteceu nos últimos dois anos, mas a passagem para o futuro G5 está comprada.
Fatores como as descobertas do petróleo na camada pré-sal, a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 aumentam a visibilidade do Brasil e reforçam perspectivas otimistas de fortalecimento do mercado interno, aumento da renda per capita e progressiva diminuição das desigualdades sociais. Com isso, a taxa de crescimento do PIB na década de ouro pode chegar perto de 5% ao ano, em média, acentuando a revolução na vida dos brasileiros em proporções semelhantes à vivida nas décadas de 50 e 60, nos anos JK. Os maiores bancos privados do País já fizeram as contas e preparam- se para surfar essa nova onda de crescimento sustentado, oferecendo crédito e serviços financeiros.
Nas previsões do Itaú Unibanco, o PIB deve aumentar 4,97% em média até 2020, começando em 6% em 2010 e chegando a 4,7% no final da década (veja quadro). Se a taxa ficar em 4,8%, como prevê o Bradesco, será a maior expansão desde os anos 1970, quando a economia rodava a 8,8%. Previsões econômicas podem dar errado (e dão), mas há motivos de sobra para otimismo. "Temos um ambiente global favorável, que não precisa ser equivalente ao dos anos dourados da economia mundial, entre 2004 e 2007, quando o mundo cresceu 5% ao ano. Agora teremos uma excelente taxa de crescimento com democracia e amadurecimento institucional", disse à DINHEIRO o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros.
Se as expectativas das instituições financeiras se confirmarem, o PIB brasileiro passará de US$ 1,5 trilhão para US$ 2,5 trilhões até o final da década, em números atuais. Essa geração de riqueza adicional aproximará o Brasil dos padrões internacionais de desenvolvimento. No cenário traçado por Octavio de Barros, coautor do livro Brasil pós-crise - Agenda para a próxima década (Ed. Campus), isso implica melhor infraestrutura, juros reais menores, autonomia formal do Banco Central, sistema tributário mais simplificado e controle rigoroso do aumento dos gastos públicos. A década de ouro irá aumentar ainda mais a classe média, aprofundando a migração social de 32 milhões de pessoas nos últimos anos e fornecerá ao mundo parte do consumo antes concentrado nos Estados Unidos.
O Brasil, maior exportador mundial de café, açúcar, frango, carne e suco de laranja e um dos maiores vendedores de soja e minérios, pode virar também um gigante do petróleo, mas o que as empresas globais estão cobiçando é o provável mercado de 200 milhões de habitantes com alto poder de consumo. "Nos próximos anos teremos um bônus demográfico com a chegada à idade adulta de 100 milhões de novos consumidores. Com isso, o Brasil vai dar um salto", prevê o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi. A migração social aprofunda os impactos desse fenômeno. Agora, mais da metade da população é de classe média e a miséria deixará de existir em 2016, segundo as previsões do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgadas na terça-feira 12. A taxa de pobreza cairá de 28,8% da população, em 2008, para um percentual de 4%, semelhante ao de países como Itália e Espanha. "A emersão das classes historicamente menos favorecidas mudará completamente a fisionomia econômica do Brasil", destaca Marcio Pochmann, presidente do Ipea.
O brasileiro não somente vai comer mais e melhor como também entrará nas lojas com dinheiro no bolso e fome de consumo. Impulsionado pela equação emprego e crédito, terá a chance de comprar uma roupa nova, planejar a aquisição de um automóvel, fazer uma viagem de férias ou adquirir um computador. O Brasil se tornará nos próximos meses o terceiro maior mercado mundial de computadores e a Intel, gigante que detém 80% do mercado local de semicondutores, quer aproveitar essa onda. "Desenvolvimento econômico demanda tecnologia. O País se tornou a menina bonita do baile e tem um ambiente que seduz investimentos", disse à DINHEIRO o presidente da Intel, Oscar Clarke. Quem sabe agora surgirá a primeira fábrica local de semicondutores. "No passado, não havia qualquer possibilidade de construirmos uma fábrica aqui. Essa questão tem sido considerada frequentemente pela companhia para os próximos anos", garante Clarke.
Mais acesso a computadores se traduz em mais informação, educação e conhecimento. É nessa fórmula que as universidades brasileiras se ancoram para planejar o futuro. O Grupo Anhanguera Educacional pretende dobrar de tamanho em cinco anos. Em número de unidades, saltará de 56 para 115 e, em quantidade de alunos, passará dos atuais 250 mil para pouco mais de 1 milhão.
Para Ricardo Scavazza, vice-presidente de Operações e Relações com Investidores da empresa, a expectativa é ousada, porém realista. No final da década de 90, apenas 11% da população brasileira cursava ensino superior. Nos dias de hoje, embora esteja acima de 20%, ainda está longe do razoável. "Tinha de ser 30%, no mínimo", garante Scavazza. "Nenhum país do continente está abaixo de 30%. Na Argentina e no Chile, são mais de 40%. Por isso, estamos eufóricos com o potencial de crescimento", acrescenta.
A euforia procede. Aumentar a qualificação profissional da mão de obra é um dos maiores desafios ao crescimento do Brasil nesta década. Em algumas atividades já há pleno emprego: sobram vagas, faltam profissionais. É a realidade de profissões das áreas de contabilidade, tecnologia e química. O País tem apenas seis engenheiros para cada mil habitantes. Na China e na Índia, essa proporção é de 22 para cada mil. "É o que explica o salto da remuneração dos engenheiros. Em cinco anos, multiplicou por quatro", completa Scavazza. A educação executiva já virou um negócio milionário por aqui. "As empresas brasileiras precisam ter competitividade global", afirmou à DINHEIRO o professor de negócios internacionais da Suffolk University, Richard Torrisi, dos Estados Unidos, que veio ao País na semana passada para falar aos alunos da Business School São Paulo.
Se as perspectivas são boas para a indústria do conhecimento, melhor ainda é para o setor de consumo e alimentos. Não foi à toa que o Pão de Açúcar comprou as redes Ponto Frio e Casas Bahia no ano passado e o grupo Global Emerging Markets investirá R$ 120 mlhões na Parmalat, conforme anúncio na sexta 15. A Walmart definiu um agressivo plano de investimentos para os próximos anos. "O Brasil será um dos locais mais interessantes do mundo para viver e fazer negócios", diz o cubano Héctor Nuñes, presidente do Walmart Brasil. Neste ano, a rede varejista investirá R$ 2,2 bilhões no País, o maior aporte desde a chegada da empresa, há 14 anos.
A opinião de Nuñes é compartilhada pelo diretor da marca Mini - pertencente ao grupo BMW ?, Martin Fritsches. "O Brasil está prestes a viver uma fase de estabilidade e de inserção internacional que favorecem a divulgação da "marca Brasil", aposta o executivo. O selo product of Brazil está cada vez mais valioso e precisa ser melhor divulgado, opina Marcus Vinícius Pratini de Moraes, presidente do comitê de estratégia do frigorífico JBS, o maior do mundo, com operações em 25 países. "Temos que aproveitar a Copa e a Olimpíada para vender melhor o Brasil", defende ele.
Para consolidar o crescimento sustentado e convencer o mundo de que mudou para melhor, o Brasil precisará vencer velhos obstáculos. Novos avanços terão de ser conquistados em diversas áreas, como infraestrutura e educação (veja quadro Dez passos para o desenvolvimento).
Se vencer seus fantasmas, parte dessa vitória passará pelo setor da construção civil. O segmento tem sido uma locomotiva da economia e desponta como peça-chave no futuro. A Construtora Cyrela sabe disso. Nos próximos 24 meses, investirá R$ 1 bilhão para dobrar de tamanho. "Temos convicção no crescimento do País", diz o diretor Luis Largman.
As empresas estatais também se preparam para essa arrancada. A Petrobras se programou para dobrar a produção nos próximos dez anos, dos atuais 2,5 milhões de barris equivalentes/ dia para 5,7 milhões ao dia em 2020. O consumo deve passar de 2 milhões de barris por dia para 2,8 milhões de barris. "Estamos preparados para atender se o Brasil crescer a 5%", disse à DINHEIRO o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa. Nos próximos cinco anos, serão inauguradas cinco novas refinarias. São passos como esses que farão o Brasil viver a década de ouro. O futuro já começou.
Dez passos para o desenvolvimento
Onde o Brasil precisa avançar para garantir o crescimento sustentado na próxima década
1 - Infraestrutura de transportes
Investimentos em estradas, ferrovias, portos e aeroportos são necessários. A Abdib prevê investimentos de R$ 160 bilhões até 2015, dos quais R$ 24 bilhões em transportes. O Programa de Aceleração do Crescimento prevê gastos de R$ 502,2 bilhões depois de 2010. O orçamento, desde 2007, é de R$ 1,14 trilhão.
2 - Energia
O País precisa garantir a energia suficiente para suprir o crescimento. O consumo de energia elétrica subirá 50% até 2020. A Petrobras estima que o consumo de gás vai triplicar e o de petróleo vai subir 40% até 2020. Para o pré-sal estão previstos US$ 111,4 bilhões.
3 - Educação
Melhorar a educação é essencial para formar a mão de obra qualificada de que as empresas precisam e preencher os novos empregos que serão criados. A proporção da população com curso superior é de apenas 10%, segundo pesquisa da OCDE, o pior índice em 36 países. O analfabetismo atinge 9,2%.
4 - Gastos públicos
Aumentar a qualidade e reduzir os gastos públicos é essencial. A reforma da Previdência é um dos desafios. Recursos devem ser usados na melhora da infraestrutura. O governo gasta 20% do PIB no custeio da máquina. Quanto mais economizar, mais os juros podem cair.
5 - Exportação
Reduzir os custos de produção e promover os produtos brasileiros são essenciais para a competitividade. O Brasil representa 1,3% do comércio mundial: US$ 152,9 bilhões. A China, que em 2009 passou a Alemanha e tornouse o maior exportador do mundo, vendeu R$ 1,2 trilhão ao exterior, mais de 9% do total.
6 - Reforma tributária
Redução da carga tributária e racionalização do sistema de impostos é essencial para estimular as empresas. Em 2009, a carga tributária ficou em 36% do PIB, com redução de um ponto percentual em relação ao ano anterior por causa das desonerações, mas ainda é superior a outros países.
7 - Inclusão social
Para criar novos consumidores e investidores, é preciso reduzir ainda mais as desigualdades de renda, investir em saneamento e infraestrutura. Nos últimos anos, 20 milhões de brasileiros ascenderam à classe média, mas 16,2% ainda estão abaixo da linha da pobreza.
8 - Ciência e tecnologia
Desenvolver tecnologias e aumentar a utilização das tecnologias conhecidas é fundamental para garantir o crescimento. Formar engenheiros e ampliar o ensino pode resultar em mais pesquisa. País teve só 4 mil de 946 mil patentes na ONU em 2006.
9 - Bancarização
Garantir o acesso de novas pessoas ao sistema financeiro é importante para crescer os mercados de crédito e consumo. O Bradesco estima que 100 milhões de brasileiros abrirão conta bancária nos próximos 15 anos. O crédito imobiliário deve triplicar, para 11,7% do PIB em 2020.
10 - Reforma política
Reformar as instituições democráticas e reduzir a corrupção é vital para diminuir o custo-Brasil. Modificar o sistema de votação, com a introdução do voto distrital, pode aproximar o político do eleitor e facilitar a cobrança. Partidos precisam ser fortalecidos.
Paulo Roberto de Almeida
A década de ouro
Milton Gamez, Hugo Cilo e Denize Bacoccina
Istoé Dinheiro, 26.02.2010
Como e por que a economia brasileira irá crescer a um ritmo de 5% ao ano até 2020, num cenário inédito de desenvolvimento que somará US$ 1 trilhão à riqueza do País e mudará definitivamente a vida de consumidores e empresas
Oito anos atrás, o executivo brasileiro Fernando Lewis, diretor da gigante de computadores HP, fez as malas e mudou-se com a família para Miami, nos Estados Unidos. A missão: comandar os negócios da companhia na América Latina e representar o continente nas salas de reunião da empresa. "Era muito difícil vender o Brasil lá fora. Só abríamos portas a fórceps", diz Lewis. O cenário se inverteu. Hoje, ele está de volta a São Paulo por determinação da matriz e comanda um dos mercados prioritários para a HP no mundo. Não por acaso: nos últimos seis anos, o Brasil liderou absoluto o ranking de crescimento de vendas de computadores e acessórios de informática da companhia em mais de 150 países. "O Brasil surpreendeu a direção da HP até mais do que a China. A recuperação do mercado chinês não é surpresa. A nossa, sim", completa Lewis, sorrindo.
"Antes, quando reivindicávamos uma fatia maior dos investimentos globais, parecia até que eu fazia uma piada", relembra o executivo.
A HP de Lewis está começando a surfar naquela que pode ser a década de ouro da economia brasileira. Sustentado por uma inédita estabilidade política e econômica e uma feliz coincidência de eventos, o País deverá crescer anualmente, segundo cálculos do economista Octavio de Barros, cerca de 5% nos próximos dez anos. Esse salto espetacular significará um acréscimo de US$ 1 trilhão à riqueza nacional. É esse cenário que transforma a piada citada por Lewis em coisa do passado, embora não fosse injusta anos atrás. A imprevisibilidade era tanta que o "milagre econômico" nos anos 70 deu lugar à "década perdida" nos 80. Nos anos 90, veio a conquista da estabilidade econômica e tudo mudou. Pela primeira vez na história, o Brasil vive ao mesmo tempo um ambiente de democracia, crescimento econômico e inflação baixa. A força de trabalho irá superar, em número, a população que não gera renda. Se a última década foi marcada pela crise global e pela consolidação do Brasil como um porto seguro para investimentos, o que será da próxima? Não é exagero dizer que, até 2020, o País viverá uma década de ouro, rumo ao tão sonhado status de país desenvolvido. Esse cenário já está no radar de empresas como HP, Intel, Petrobras, Cyrela, JBS, BMW, Anhanguera Educacional, Bradesco e Itaú Unibanco - só para citar algumas - e certamente terá grande impacto na vida de todos os brasileiros e estrangeiros que vivem aqui.
Analistas de mercado, economistas e empresários ouvidos pela DINHEIRO são unânimes na tese de que o País tem tudo para trilhar um inédito caminho de crescimento estável e pujante nos próximos dez anos. As portas estão abertas para o País se tornar a quinta maior economia do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, da China, do Japão e da Índia. A viagem pode sofrer solavancos vindos do Exterior, como aconteceu nos últimos dois anos, mas a passagem para o futuro G5 está comprada.
Fatores como as descobertas do petróleo na camada pré-sal, a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 aumentam a visibilidade do Brasil e reforçam perspectivas otimistas de fortalecimento do mercado interno, aumento da renda per capita e progressiva diminuição das desigualdades sociais. Com isso, a taxa de crescimento do PIB na década de ouro pode chegar perto de 5% ao ano, em média, acentuando a revolução na vida dos brasileiros em proporções semelhantes à vivida nas décadas de 50 e 60, nos anos JK. Os maiores bancos privados do País já fizeram as contas e preparam- se para surfar essa nova onda de crescimento sustentado, oferecendo crédito e serviços financeiros.
Nas previsões do Itaú Unibanco, o PIB deve aumentar 4,97% em média até 2020, começando em 6% em 2010 e chegando a 4,7% no final da década (veja quadro). Se a taxa ficar em 4,8%, como prevê o Bradesco, será a maior expansão desde os anos 1970, quando a economia rodava a 8,8%. Previsões econômicas podem dar errado (e dão), mas há motivos de sobra para otimismo. "Temos um ambiente global favorável, que não precisa ser equivalente ao dos anos dourados da economia mundial, entre 2004 e 2007, quando o mundo cresceu 5% ao ano. Agora teremos uma excelente taxa de crescimento com democracia e amadurecimento institucional", disse à DINHEIRO o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros.
Se as expectativas das instituições financeiras se confirmarem, o PIB brasileiro passará de US$ 1,5 trilhão para US$ 2,5 trilhões até o final da década, em números atuais. Essa geração de riqueza adicional aproximará o Brasil dos padrões internacionais de desenvolvimento. No cenário traçado por Octavio de Barros, coautor do livro Brasil pós-crise - Agenda para a próxima década (Ed. Campus), isso implica melhor infraestrutura, juros reais menores, autonomia formal do Banco Central, sistema tributário mais simplificado e controle rigoroso do aumento dos gastos públicos. A década de ouro irá aumentar ainda mais a classe média, aprofundando a migração social de 32 milhões de pessoas nos últimos anos e fornecerá ao mundo parte do consumo antes concentrado nos Estados Unidos.
O Brasil, maior exportador mundial de café, açúcar, frango, carne e suco de laranja e um dos maiores vendedores de soja e minérios, pode virar também um gigante do petróleo, mas o que as empresas globais estão cobiçando é o provável mercado de 200 milhões de habitantes com alto poder de consumo. "Nos próximos anos teremos um bônus demográfico com a chegada à idade adulta de 100 milhões de novos consumidores. Com isso, o Brasil vai dar um salto", prevê o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi. A migração social aprofunda os impactos desse fenômeno. Agora, mais da metade da população é de classe média e a miséria deixará de existir em 2016, segundo as previsões do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgadas na terça-feira 12. A taxa de pobreza cairá de 28,8% da população, em 2008, para um percentual de 4%, semelhante ao de países como Itália e Espanha. "A emersão das classes historicamente menos favorecidas mudará completamente a fisionomia econômica do Brasil", destaca Marcio Pochmann, presidente do Ipea.
O brasileiro não somente vai comer mais e melhor como também entrará nas lojas com dinheiro no bolso e fome de consumo. Impulsionado pela equação emprego e crédito, terá a chance de comprar uma roupa nova, planejar a aquisição de um automóvel, fazer uma viagem de férias ou adquirir um computador. O Brasil se tornará nos próximos meses o terceiro maior mercado mundial de computadores e a Intel, gigante que detém 80% do mercado local de semicondutores, quer aproveitar essa onda. "Desenvolvimento econômico demanda tecnologia. O País se tornou a menina bonita do baile e tem um ambiente que seduz investimentos", disse à DINHEIRO o presidente da Intel, Oscar Clarke. Quem sabe agora surgirá a primeira fábrica local de semicondutores. "No passado, não havia qualquer possibilidade de construirmos uma fábrica aqui. Essa questão tem sido considerada frequentemente pela companhia para os próximos anos", garante Clarke.
Mais acesso a computadores se traduz em mais informação, educação e conhecimento. É nessa fórmula que as universidades brasileiras se ancoram para planejar o futuro. O Grupo Anhanguera Educacional pretende dobrar de tamanho em cinco anos. Em número de unidades, saltará de 56 para 115 e, em quantidade de alunos, passará dos atuais 250 mil para pouco mais de 1 milhão.
Para Ricardo Scavazza, vice-presidente de Operações e Relações com Investidores da empresa, a expectativa é ousada, porém realista. No final da década de 90, apenas 11% da população brasileira cursava ensino superior. Nos dias de hoje, embora esteja acima de 20%, ainda está longe do razoável. "Tinha de ser 30%, no mínimo", garante Scavazza. "Nenhum país do continente está abaixo de 30%. Na Argentina e no Chile, são mais de 40%. Por isso, estamos eufóricos com o potencial de crescimento", acrescenta.
A euforia procede. Aumentar a qualificação profissional da mão de obra é um dos maiores desafios ao crescimento do Brasil nesta década. Em algumas atividades já há pleno emprego: sobram vagas, faltam profissionais. É a realidade de profissões das áreas de contabilidade, tecnologia e química. O País tem apenas seis engenheiros para cada mil habitantes. Na China e na Índia, essa proporção é de 22 para cada mil. "É o que explica o salto da remuneração dos engenheiros. Em cinco anos, multiplicou por quatro", completa Scavazza. A educação executiva já virou um negócio milionário por aqui. "As empresas brasileiras precisam ter competitividade global", afirmou à DINHEIRO o professor de negócios internacionais da Suffolk University, Richard Torrisi, dos Estados Unidos, que veio ao País na semana passada para falar aos alunos da Business School São Paulo.
Se as perspectivas são boas para a indústria do conhecimento, melhor ainda é para o setor de consumo e alimentos. Não foi à toa que o Pão de Açúcar comprou as redes Ponto Frio e Casas Bahia no ano passado e o grupo Global Emerging Markets investirá R$ 120 mlhões na Parmalat, conforme anúncio na sexta 15. A Walmart definiu um agressivo plano de investimentos para os próximos anos. "O Brasil será um dos locais mais interessantes do mundo para viver e fazer negócios", diz o cubano Héctor Nuñes, presidente do Walmart Brasil. Neste ano, a rede varejista investirá R$ 2,2 bilhões no País, o maior aporte desde a chegada da empresa, há 14 anos.
A opinião de Nuñes é compartilhada pelo diretor da marca Mini - pertencente ao grupo BMW ?, Martin Fritsches. "O Brasil está prestes a viver uma fase de estabilidade e de inserção internacional que favorecem a divulgação da "marca Brasil", aposta o executivo. O selo product of Brazil está cada vez mais valioso e precisa ser melhor divulgado, opina Marcus Vinícius Pratini de Moraes, presidente do comitê de estratégia do frigorífico JBS, o maior do mundo, com operações em 25 países. "Temos que aproveitar a Copa e a Olimpíada para vender melhor o Brasil", defende ele.
Para consolidar o crescimento sustentado e convencer o mundo de que mudou para melhor, o Brasil precisará vencer velhos obstáculos. Novos avanços terão de ser conquistados em diversas áreas, como infraestrutura e educação (veja quadro Dez passos para o desenvolvimento).
Se vencer seus fantasmas, parte dessa vitória passará pelo setor da construção civil. O segmento tem sido uma locomotiva da economia e desponta como peça-chave no futuro. A Construtora Cyrela sabe disso. Nos próximos 24 meses, investirá R$ 1 bilhão para dobrar de tamanho. "Temos convicção no crescimento do País", diz o diretor Luis Largman.
As empresas estatais também se preparam para essa arrancada. A Petrobras se programou para dobrar a produção nos próximos dez anos, dos atuais 2,5 milhões de barris equivalentes/ dia para 5,7 milhões ao dia em 2020. O consumo deve passar de 2 milhões de barris por dia para 2,8 milhões de barris. "Estamos preparados para atender se o Brasil crescer a 5%", disse à DINHEIRO o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa. Nos próximos cinco anos, serão inauguradas cinco novas refinarias. São passos como esses que farão o Brasil viver a década de ouro. O futuro já começou.
Dez passos para o desenvolvimento
Onde o Brasil precisa avançar para garantir o crescimento sustentado na próxima década
1 - Infraestrutura de transportes
Investimentos em estradas, ferrovias, portos e aeroportos são necessários. A Abdib prevê investimentos de R$ 160 bilhões até 2015, dos quais R$ 24 bilhões em transportes. O Programa de Aceleração do Crescimento prevê gastos de R$ 502,2 bilhões depois de 2010. O orçamento, desde 2007, é de R$ 1,14 trilhão.
2 - Energia
O País precisa garantir a energia suficiente para suprir o crescimento. O consumo de energia elétrica subirá 50% até 2020. A Petrobras estima que o consumo de gás vai triplicar e o de petróleo vai subir 40% até 2020. Para o pré-sal estão previstos US$ 111,4 bilhões.
3 - Educação
Melhorar a educação é essencial para formar a mão de obra qualificada de que as empresas precisam e preencher os novos empregos que serão criados. A proporção da população com curso superior é de apenas 10%, segundo pesquisa da OCDE, o pior índice em 36 países. O analfabetismo atinge 9,2%.
4 - Gastos públicos
Aumentar a qualidade e reduzir os gastos públicos é essencial. A reforma da Previdência é um dos desafios. Recursos devem ser usados na melhora da infraestrutura. O governo gasta 20% do PIB no custeio da máquina. Quanto mais economizar, mais os juros podem cair.
5 - Exportação
Reduzir os custos de produção e promover os produtos brasileiros são essenciais para a competitividade. O Brasil representa 1,3% do comércio mundial: US$ 152,9 bilhões. A China, que em 2009 passou a Alemanha e tornouse o maior exportador do mundo, vendeu R$ 1,2 trilhão ao exterior, mais de 9% do total.
6 - Reforma tributária
Redução da carga tributária e racionalização do sistema de impostos é essencial para estimular as empresas. Em 2009, a carga tributária ficou em 36% do PIB, com redução de um ponto percentual em relação ao ano anterior por causa das desonerações, mas ainda é superior a outros países.
7 - Inclusão social
Para criar novos consumidores e investidores, é preciso reduzir ainda mais as desigualdades de renda, investir em saneamento e infraestrutura. Nos últimos anos, 20 milhões de brasileiros ascenderam à classe média, mas 16,2% ainda estão abaixo da linha da pobreza.
8 - Ciência e tecnologia
Desenvolver tecnologias e aumentar a utilização das tecnologias conhecidas é fundamental para garantir o crescimento. Formar engenheiros e ampliar o ensino pode resultar em mais pesquisa. País teve só 4 mil de 946 mil patentes na ONU em 2006.
9 - Bancarização
Garantir o acesso de novas pessoas ao sistema financeiro é importante para crescer os mercados de crédito e consumo. O Bradesco estima que 100 milhões de brasileiros abrirão conta bancária nos próximos 15 anos. O crédito imobiliário deve triplicar, para 11,7% do PIB em 2020.
10 - Reforma política
Reformar as instituições democráticas e reduzir a corrupção é vital para diminuir o custo-Brasil. Modificar o sistema de votação, com a introdução do voto distrital, pode aproximar o político do eleitor e facilitar a cobrança. Partidos precisam ser fortalecidos.
Turistas acidentais (na Buenos Aires do bicentenario)
Vítima do cerimonial da Casa Rosada, chanceler Amorim vaga pelo centro portenho (junto, tour arquitetônico)
por Ariel Palacios
Blog Os Hermanos
Seção: Política; Turismo
26.maio.2010 16:35:09
Mapa do périplo do chanceler Amorim no centro de Buenos Aires

Em vermelho, o trajeto feito por Amorim
Em verde, o trajeto que teria que ter feito, se não fosse o descalabro da organização do evento
0 – Amorim sai da Casa Rosada
1 – Amorim é barrado na Praça de Mayo
2 – Depara-se com a banda dos Granaderos e volta para a Casa Rosada
3 – Na Casa Rosada é também barrado
4 – Passa ao lado do prédio do Banco de La Nación, obra de Alejandro Bustillo
5 – Esquina da 25 de Mayo e Bartolomé Mitre. Grupo decide caminhar pela Mitre
6 – Casal brasileiro depara-se atônito com ministro Amorim, ao vê-lo como pedestre normal
7 – Passa ao lado do prédio do Banco de La Província, um marco art-déco
8 – Esquina da Diagonal e Florida. Multidão impede passagem para ver Lula e o desfile. Monumento que retrata o presidente Sáenz Peña.
9 – Pela calle Florida, Amorim passa ao lado do prédio da Gath e Chávez
10 – É resgatado por veículo da embaixada
O chanceler Celso Amorim foi vitima ontem (terça-feira) à noite da desorganização do governo da presidente Cristina Kirchner. O ministro do país que absorve 30% das exportações argentinas teve que vagar pelo centro portenho, no meio da multidão, que festejava a data nacional e não conseguiu assistir a segunda parte das celebrações do bicentenário da Revolução de Maio de 1810.
O imbroglio começou quando Amorim, acompanhado pelo assessor de relações internacionais do presidente Lula, Marco Aurelio Garcia, e o embaixador brasileiro na Argentina, Enio Cordeiro (e três correspondentes brasileiros) saiu da Casa Rosada – o palácio presidencial – onde havia participado da cerimônia de inauguração da “sala de heróis latino-americanos” (uma sala que reúne quadros de heróis dos países da região) e foi barrado ao tentar atravessar a Praça de Maio.
O governo argentino havia indicado que os convidados especiais passariam por um corredor VIP. O corredor levava os convidados ao lugar da segunda fase das celebrações na avenida Diagonal Norte (onde os presidentes de países sul-americanos, entre eles o presidente Lula, assistiriam um espetacular desfile artístico-histórico).
Mas, Amorim, abandonado pelo cerimonial argentino, deparou-se com a extinção do corredor VIP, e foi barrado por uma policial e um operário, que impediam a passagem de qualquer pessoa.
O policial afirmava categoricamente que pessoa alguma podia passar por ali (embora dezenas de pessoas tivessem passado por ali cinco minutos antes), enquanto que o robusto operário, na grade do lado, sustentava que havia uma obra, e que ninguém passaria por esse lado.
As autoridades argentinas encarregadas da organização, nesse intervalo, haviam desaparecido dali. Ministros do próprio gabinete da presidente Cristina Kirchner também foram barrados.
O resto da praça estava ocupado por uma imensa multidão que se acotovelava para os festejos (calcula-se que 2 milhões de pessoas estavam nesse instante nas ruas do centro de Buenos Aires).
Sem alternativa, Amorim – acompanhado dos jornalistas (entre eles, vosso blogueiro) – deu meia-volta e começou a contornar a Casa Rosada, caminhando apressado pela avenida Rivadavia em direção a Puerto Madero.
Mas, quando chegou na esquina da avenida Rivadavia e da rua 25 de Mayo, na esquina do Banco de La Nación e da Side (o serviço secreto argentino), a banda dos Granaderos (guarda presidencial), subindo a avenida em formação cerrada, obrigou o chanceler a retroceder.
Amorim, estupefato, voltou em direção à Casa Rosada. Mas, nos portões do palácio presidencial, foi barrado pela segurança. Ali, permaneceu uns minutos, enquanto assessores atarefavam-se nos celulares, tentando encontrar uma saída para o insólito imbroglio. Vinte minutos já haviam transcorrido desde o início da confusão. E o resto do imbroglio levaria muito mais tempo.
Enquanto isso transcorria, o presidente Lula, sem saber do destino de seu chanceler, acomodava-se a três quarteirões dali, no palanque de honra, para assistir o desfile artístico de encerramento das celebrações do bicentenário.
Sem soluções à vista, e visivelmente exasperado, Amorim empreendeu novamente o caminho da rua 25 de Mayo, acompanhado por Garcia e o embaixador Cordeiro (e o trio de jornalistas).
- Chanceler, já que estamos aqui, o que o senhor achou das declarações de Hillary Clinton sobre o Irã? (perguntou um colega).
- Não, não vou falar de Irã agora (disse Amorim, enquanto caminhava).
Outro jornalista aproveitou a deixa e perguntou: “chanceler, e sobre as barreiras argentinas para os importados…?”
- Não vou falar de conflitos comerciais hoje, pois este é um dia de festa, é o bicentenário..
Seguiram uns minutos de silêncio enquanto o grupo de diplomatas e jornalistas barrados caminhava sem destino definido.
Para quebrar o gelo, enquanto passávamos ao lado do prédio do Banco de La Nación, comentei:
- Chanceler, esse prédio é interessante…foi construído por Alejandro Bustillo, um dos mais famosos arquitetos do país…quando tentaram dar um golpe contra Perón em 1955, ele quase veio esconder-se aqui, pois o subsolo do banco é blindado…
- Ah, aqui? Em 1955? Edifício impressionante… (pausa) …como é bonita a arquitetura do centro desta cidade (disse Amorim).
Ao chegar na esquina da Bartolomé Mitre, o grupo parou novamente.
“Vamos por esta rua, rumo à Maipú”, disse um integrante do grupo.
Amorim rempreendeu a caminhada, no meio da multidão, que abarrotava a rua e festejava a data nacional. “Estou me divertindo”, disse sorrindo em tom resignado aos jornalistas, enquanto alguns jovens passavam ao lado segurando garrafas plásticas com conteúdo que em uma rápida apreciação me parecia que era de elevada capacidade inebriante, além de exalar o característico cheiro da cannabis sativa.
Além deles, também passavam famílias com suas crianças, aposentados e turistas estrangeiros.
“Pense bem, chanceler, quando poderia caminhar assim, tranquilamente, pelo centro de Buenos Aires?”, disse um colega.
“Pois é”, respondeu Amorim.
“Já passaram por coisas similares?”, inquiriu outro colega.
“Por cada coisa… já passamos por cada coisa em outros lugares!”, disse Marco Aurélio, para minimizar o descalabro da organização do governo Kirchner.
Um casal de turistas brasileiros, nesse instante, passou ao lado e surpreendeu-se ao ver o chanceler do Brasil caminhando prosaicamente no meio da multidão.
“Está perdido, ministro?”, perguntaram.
“Eh…”, disse Amorim, amável, mas de forma enigmática.
O casal, ao ver que o ministro estava constrangido e aparentemente perdido, tentou animá-lo: “eh…bom… eh… um prazer conhecer o senhor!..ehhh…A gente gosta muito do senhor, viu?”
Amorim, sem parar de caminhar, acenou em sinal de agradecimento.
Nesse instante, passamos ao lado do edifício do Banco de la Província de Buenos Aires, uma joia da arquitetura art-déco portenha. Amorim estava nervoso e caminha apressado.
- Ministro, este é um marco da arquitetura da cidade (disse um dos colegas, para ver se o animava com outra coisa)
- Há uns prédios muito bonitos por aqui… É uma cidade impressionante (disse ele)
- É mesmo (completou Marco Aurélio Garcia, o integrante do governo Lula que melhor conhece a capital argentina).
No entanto, ao chegar na esquina da rua Florida e a Diagonal Norte, ao lado do edifício do Bank Boston, um exemplo sui generis (de 1928) de arquitetura plateresca espanhola com arquitetura de bancos americanos dos anos 20.
Ali, o chanceler viu milhares de pessoas que se acotovelavam e gritavam hurras (e outras frases de conteúdo indefinido). Um grupo de jovens havia ‘escalado’ o monumento do presidente Sáenz Peña (em estilo art déco), de autoria do escultor José Fioravanti, e agitava bandeiras dali de cima.
Militantes peronistas tocavam seus tradicionais bumbos com frenesi.
- Ehhh…. teríamos que passar por aqui (disse alguém do grupo)
- Por aqui eu não passo, não! (exclamou Amorim).
Marco Aurelio Garcia levantou as sobrancelhas (as duas juntas, não como o sr. Spock) e concordou com a decisão do chanceler.
O grupo vacilou uns segundos, enquanto avaliava o cenário.
Amorim fez uma pausa e afirmou categórico: “Ah, não! Eu vou pegar um táxi”.
Eu disse: “se for isso, temos que ir para lá (apontando na direção da avenida Córdoba)”
- Essa aqui é a rua Florida? (perguntou um integrante do grupo)
- Sim (disse um dos colegas jornalistas)
- Aqui tem batedor de carteira…vários batedores de carteira (disse outro colega jornalista, alertando sobre um dos problemas que ficaram frequentes na calle Florida)
- Vamos, quero pegar um táxi (disse Amorim, a ponto de transformar-se talvez no primeiro chanceler em visita à Argentina que pegaria um táxi)
Na sequência, como dezenas de milhares de brasileiros que trafegam todos os meses pela outrora rua elegante de Buenos Aires, Amorim, MAG e o embaixador Cordeiro empreenderam a caminhada por essa ‘calle’ de pedestres. Nenhum táxi passava pela área, já que as ruas estavam fechadas para o trânsito.
No meio do caminho, pelo celular, o embaixador conseguiu um veículo da embaixada do Brasil que – furando o bloqueio de guardas – pode entrar no centro da cidade.
- Que prédio é este? (disse Amorim, ao ver um monumental edifício do início do século XX)
- Foi a principal loja de departamentos, um luxo inspirado nas galerias de Paris e Londres. Era o prédio da Gath & Chávez (disse eu ao passar pela esquina da Floria e a calle Perón, antiga calle Cangallo, enquanto driblávamos um batalhão de camelôs que vendiam objetos esverdeados Made in China com psicodélicas luzinhas vermelhas).
- Muito bonito (disse Amorim sobre o prédio)
Na esquina da Florida e Sarmiento, o chanceler Amorim foi finalmente resgatado e levado rumo à embaixada do Brasil.
por Ariel Palacios
Blog Os Hermanos
Seção: Política; Turismo
26.maio.2010 16:35:09
Mapa do périplo do chanceler Amorim no centro de Buenos Aires

Em vermelho, o trajeto feito por Amorim
Em verde, o trajeto que teria que ter feito, se não fosse o descalabro da organização do evento
0 – Amorim sai da Casa Rosada
1 – Amorim é barrado na Praça de Mayo
2 – Depara-se com a banda dos Granaderos e volta para a Casa Rosada
3 – Na Casa Rosada é também barrado
4 – Passa ao lado do prédio do Banco de La Nación, obra de Alejandro Bustillo
5 – Esquina da 25 de Mayo e Bartolomé Mitre. Grupo decide caminhar pela Mitre
6 – Casal brasileiro depara-se atônito com ministro Amorim, ao vê-lo como pedestre normal
7 – Passa ao lado do prédio do Banco de La Província, um marco art-déco
8 – Esquina da Diagonal e Florida. Multidão impede passagem para ver Lula e o desfile. Monumento que retrata o presidente Sáenz Peña.
9 – Pela calle Florida, Amorim passa ao lado do prédio da Gath e Chávez
10 – É resgatado por veículo da embaixada
O chanceler Celso Amorim foi vitima ontem (terça-feira) à noite da desorganização do governo da presidente Cristina Kirchner. O ministro do país que absorve 30% das exportações argentinas teve que vagar pelo centro portenho, no meio da multidão, que festejava a data nacional e não conseguiu assistir a segunda parte das celebrações do bicentenário da Revolução de Maio de 1810.
O imbroglio começou quando Amorim, acompanhado pelo assessor de relações internacionais do presidente Lula, Marco Aurelio Garcia, e o embaixador brasileiro na Argentina, Enio Cordeiro (e três correspondentes brasileiros) saiu da Casa Rosada – o palácio presidencial – onde havia participado da cerimônia de inauguração da “sala de heróis latino-americanos” (uma sala que reúne quadros de heróis dos países da região) e foi barrado ao tentar atravessar a Praça de Maio.
O governo argentino havia indicado que os convidados especiais passariam por um corredor VIP. O corredor levava os convidados ao lugar da segunda fase das celebrações na avenida Diagonal Norte (onde os presidentes de países sul-americanos, entre eles o presidente Lula, assistiriam um espetacular desfile artístico-histórico).
Mas, Amorim, abandonado pelo cerimonial argentino, deparou-se com a extinção do corredor VIP, e foi barrado por uma policial e um operário, que impediam a passagem de qualquer pessoa.
O policial afirmava categoricamente que pessoa alguma podia passar por ali (embora dezenas de pessoas tivessem passado por ali cinco minutos antes), enquanto que o robusto operário, na grade do lado, sustentava que havia uma obra, e que ninguém passaria por esse lado.
As autoridades argentinas encarregadas da organização, nesse intervalo, haviam desaparecido dali. Ministros do próprio gabinete da presidente Cristina Kirchner também foram barrados.
O resto da praça estava ocupado por uma imensa multidão que se acotovelava para os festejos (calcula-se que 2 milhões de pessoas estavam nesse instante nas ruas do centro de Buenos Aires).
Sem alternativa, Amorim – acompanhado dos jornalistas (entre eles, vosso blogueiro) – deu meia-volta e começou a contornar a Casa Rosada, caminhando apressado pela avenida Rivadavia em direção a Puerto Madero.
Mas, quando chegou na esquina da avenida Rivadavia e da rua 25 de Mayo, na esquina do Banco de La Nación e da Side (o serviço secreto argentino), a banda dos Granaderos (guarda presidencial), subindo a avenida em formação cerrada, obrigou o chanceler a retroceder.
Amorim, estupefato, voltou em direção à Casa Rosada. Mas, nos portões do palácio presidencial, foi barrado pela segurança. Ali, permaneceu uns minutos, enquanto assessores atarefavam-se nos celulares, tentando encontrar uma saída para o insólito imbroglio. Vinte minutos já haviam transcorrido desde o início da confusão. E o resto do imbroglio levaria muito mais tempo.
Enquanto isso transcorria, o presidente Lula, sem saber do destino de seu chanceler, acomodava-se a três quarteirões dali, no palanque de honra, para assistir o desfile artístico de encerramento das celebrações do bicentenário.
Sem soluções à vista, e visivelmente exasperado, Amorim empreendeu novamente o caminho da rua 25 de Mayo, acompanhado por Garcia e o embaixador Cordeiro (e o trio de jornalistas).
- Chanceler, já que estamos aqui, o que o senhor achou das declarações de Hillary Clinton sobre o Irã? (perguntou um colega).
- Não, não vou falar de Irã agora (disse Amorim, enquanto caminhava).
Outro jornalista aproveitou a deixa e perguntou: “chanceler, e sobre as barreiras argentinas para os importados…?”
- Não vou falar de conflitos comerciais hoje, pois este é um dia de festa, é o bicentenário..
Seguiram uns minutos de silêncio enquanto o grupo de diplomatas e jornalistas barrados caminhava sem destino definido.
Para quebrar o gelo, enquanto passávamos ao lado do prédio do Banco de La Nación, comentei:
- Chanceler, esse prédio é interessante…foi construído por Alejandro Bustillo, um dos mais famosos arquitetos do país…quando tentaram dar um golpe contra Perón em 1955, ele quase veio esconder-se aqui, pois o subsolo do banco é blindado…
- Ah, aqui? Em 1955? Edifício impressionante… (pausa) …como é bonita a arquitetura do centro desta cidade (disse Amorim).
Ao chegar na esquina da Bartolomé Mitre, o grupo parou novamente.
“Vamos por esta rua, rumo à Maipú”, disse um integrante do grupo.
Amorim rempreendeu a caminhada, no meio da multidão, que abarrotava a rua e festejava a data nacional. “Estou me divertindo”, disse sorrindo em tom resignado aos jornalistas, enquanto alguns jovens passavam ao lado segurando garrafas plásticas com conteúdo que em uma rápida apreciação me parecia que era de elevada capacidade inebriante, além de exalar o característico cheiro da cannabis sativa.
Além deles, também passavam famílias com suas crianças, aposentados e turistas estrangeiros.
“Pense bem, chanceler, quando poderia caminhar assim, tranquilamente, pelo centro de Buenos Aires?”, disse um colega.
“Pois é”, respondeu Amorim.
“Já passaram por coisas similares?”, inquiriu outro colega.
“Por cada coisa… já passamos por cada coisa em outros lugares!”, disse Marco Aurélio, para minimizar o descalabro da organização do governo Kirchner.
Um casal de turistas brasileiros, nesse instante, passou ao lado e surpreendeu-se ao ver o chanceler do Brasil caminhando prosaicamente no meio da multidão.
“Está perdido, ministro?”, perguntaram.
“Eh…”, disse Amorim, amável, mas de forma enigmática.
O casal, ao ver que o ministro estava constrangido e aparentemente perdido, tentou animá-lo: “eh…bom… eh… um prazer conhecer o senhor!..ehhh…A gente gosta muito do senhor, viu?”
Amorim, sem parar de caminhar, acenou em sinal de agradecimento.
Nesse instante, passamos ao lado do edifício do Banco de la Província de Buenos Aires, uma joia da arquitetura art-déco portenha. Amorim estava nervoso e caminha apressado.
- Ministro, este é um marco da arquitetura da cidade (disse um dos colegas, para ver se o animava com outra coisa)
- Há uns prédios muito bonitos por aqui… É uma cidade impressionante (disse ele)
- É mesmo (completou Marco Aurélio Garcia, o integrante do governo Lula que melhor conhece a capital argentina).
No entanto, ao chegar na esquina da rua Florida e a Diagonal Norte, ao lado do edifício do Bank Boston, um exemplo sui generis (de 1928) de arquitetura plateresca espanhola com arquitetura de bancos americanos dos anos 20.
Ali, o chanceler viu milhares de pessoas que se acotovelavam e gritavam hurras (e outras frases de conteúdo indefinido). Um grupo de jovens havia ‘escalado’ o monumento do presidente Sáenz Peña (em estilo art déco), de autoria do escultor José Fioravanti, e agitava bandeiras dali de cima.
Militantes peronistas tocavam seus tradicionais bumbos com frenesi.
- Ehhh…. teríamos que passar por aqui (disse alguém do grupo)
- Por aqui eu não passo, não! (exclamou Amorim).
Marco Aurelio Garcia levantou as sobrancelhas (as duas juntas, não como o sr. Spock) e concordou com a decisão do chanceler.
O grupo vacilou uns segundos, enquanto avaliava o cenário.
Amorim fez uma pausa e afirmou categórico: “Ah, não! Eu vou pegar um táxi”.
Eu disse: “se for isso, temos que ir para lá (apontando na direção da avenida Córdoba)”
- Essa aqui é a rua Florida? (perguntou um integrante do grupo)
- Sim (disse um dos colegas jornalistas)
- Aqui tem batedor de carteira…vários batedores de carteira (disse outro colega jornalista, alertando sobre um dos problemas que ficaram frequentes na calle Florida)
- Vamos, quero pegar um táxi (disse Amorim, a ponto de transformar-se talvez no primeiro chanceler em visita à Argentina que pegaria um táxi)
Na sequência, como dezenas de milhares de brasileiros que trafegam todos os meses pela outrora rua elegante de Buenos Aires, Amorim, MAG e o embaixador Cordeiro empreenderam a caminhada por essa ‘calle’ de pedestres. Nenhum táxi passava pela área, já que as ruas estavam fechadas para o trânsito.
No meio do caminho, pelo celular, o embaixador conseguiu um veículo da embaixada do Brasil que – furando o bloqueio de guardas – pode entrar no centro da cidade.
- Que prédio é este? (disse Amorim, ao ver um monumental edifício do início do século XX)
- Foi a principal loja de departamentos, um luxo inspirado nas galerias de Paris e Londres. Era o prédio da Gath & Chávez (disse eu ao passar pela esquina da Floria e a calle Perón, antiga calle Cangallo, enquanto driblávamos um batalhão de camelôs que vendiam objetos esverdeados Made in China com psicodélicas luzinhas vermelhas).
- Muito bonito (disse Amorim sobre o prédio)
Na esquina da Florida e Sarmiento, o chanceler Amorim foi finalmente resgatado e levado rumo à embaixada do Brasil.
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Culpar os outros pelos nossos fracassos não é a solucao
Fi-lo porque qui-lo
João Luiz Mauad
19 Outubro 2004
Algumas pessoas conservam o péssimo hábito de jogar a culpa pelos seus fracassos nas costas de terceiros. Essa fuga da responsabilidade é bastante acentuada na maioria da população brasileira, habituada a sentir pena de si própria. O fato de responsabilizarmos alguém pelos nossos insucessos aplaca as nossas consciências e, ao mesmo tempo, nos induz a um permanente estado letárgico, sem qualquer poder de reação.
Essa tendência à auto condescendência explica, em parte, aquela famosa máxima, oriunda das hostes esquerdistas, segundo a qual a nossa miséria estaria associada, primeiramente à expropriação colonialista e, posteriormente, a um pseudo imperialismo, exercido principalmente pelos americanos do norte. De acordo com esse despautério, a nossa pobreza seria diretamente proporcional à riqueza do primeiro mundo.
O raciocínio tortuoso de que o nossa penúria é parte do legado colonial não resiste às evidências histórias, uma vez que países hoje desenvolvidos como Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Hong-Kong e até mesmo os riquíssimos Estados Unidos foram, outrora, colônias européias, enquanto nações miseráveis como Etiópia, Libéria e Butão jamais foram colonizadas. Por outro lado, Espanha e Portugal, poderosos colonizadores do passado, não estão entre os países mais prósperos, enquanto a Alemanha, cujas aventuras colonialistas do século XX redundaram sempre em magníficos e onerosos fracassos, é hoje a nação mais opulenta da Europa.
Já a teoria imperialista, que pretende explicar as causas do nosso subdesenvolvimento através de um contínuo saque das nossas riquezas pelos ogros americanos, é de morrer de rir, pois parte do pressuposto que a riqueza do mundo é algo estático, pré-existente, que trocaria de mãos ao sabor da força ou da coação. Chega a ser patético que alguém possa defender tais teses mesmo sabendo que perto de 70% do PIB norte-americano são provenientes do setor de serviços. Além disso, se a economia deles equivale hoje a quase 20 vezes a nossa, basta um mínimo de bom senso e alguma isenção de raciocínio para verificar que não foi através da pilhagem das nossas vastíssimas reservas naturais que os ianques enriqueceram e progrediram. Desculpem a franqueza, mas parece piada achar que os caras construíram aquele PIB de trilhões de dólares à custa da exploração alheia. Ademais, é de uma presunção sem limites.
Enquanto continuarmos insistindo na confortável estratégia de jogar a culpa dos nossos reveses nos ombros alheios, definitivamente não chegaremos a parte alguma, pois permaneceremos incapazes de aprender com nossos próprios erros. É preciso entender, de uma vez por todas, que se o país é pobre, faminto e ineficiente, isto é resultado das nossas decisões e escolhas e não porque o imperialismo nos colocou nessa situação. Que eu saiba, ninguém apontou armas para a cabeça dos nossos mandatários e os obrigou a contrair dívidas imensas para pôr em prática projetos faraônicos e absolutamente sem sentido, como trans-amazônicas e outras beldades tupiniquins. Também não estou informado de qualquer algoz externo que nos tenha impelido a passar décadas emitindo moeda de forma irresponsável, gerando a hiperinflação mais duradoura de que se tem notícia, cujas conseqüências estamos colhendo até hoje. Não foi, tampouco, nenhuma mente alienígena quem produziu todos aqueles planos econômicos desenvolvimentistas mirabolantes, que marcaram o nosso passado recente de forma tão cruel.
Pelo contrário, tudo o que se fez neste país, certo ou errado, desde a sua independência, foi por moto próprio dos seus governantes e cidadãos. Culpar os outros pelo nosso fracasso é fugir das responsabilidades. Que culpa têm os ianques se conservamos o cadáver insepulto de Getúlio até hoje, mantendo inalterada uma legislação trabalhista retrógrada, cuja profusão de direitos e benefícios onera de tal maneira as contratações que acaba por desestimulá-las, no lugar de incentivá-las, como seria desejável? Por acaso foram eles que nos impuseram um sistema político e econômico caracterizado pelo gigantismo de um Estado paternalista, assistencialista, ineficiente, perdulário e insaciável, que através da sua sanha tributária inviabiliza a formação de poupança interna e, por conseqüência, os investimentos do setor produtivo?
Se, ao invés de perdermos tempo criando teorias malucas, salpicadas de despeito e inveja para explicar as nossas mazelas, focássemos a atenção no essencial, não seria difícil deduzir onde está a diferença. Comparem a nossa Constituição com a deles, por exemplo. Enquanto os malvados norte-americanos construíram a sua sociedade calcada no poder do indivíduo sobre o Estado, no mérito pessoal e no livre arbítrio, nós fizemos a opção pelo engodo demagógico do coletivismo, onde o Estado se sobrepõe ao indivíduo de forma latente e cada dia mais perversa.
João Luiz Mauad
19 Outubro 2004
Algumas pessoas conservam o péssimo hábito de jogar a culpa pelos seus fracassos nas costas de terceiros. Essa fuga da responsabilidade é bastante acentuada na maioria da população brasileira, habituada a sentir pena de si própria. O fato de responsabilizarmos alguém pelos nossos insucessos aplaca as nossas consciências e, ao mesmo tempo, nos induz a um permanente estado letárgico, sem qualquer poder de reação.
Essa tendência à auto condescendência explica, em parte, aquela famosa máxima, oriunda das hostes esquerdistas, segundo a qual a nossa miséria estaria associada, primeiramente à expropriação colonialista e, posteriormente, a um pseudo imperialismo, exercido principalmente pelos americanos do norte. De acordo com esse despautério, a nossa pobreza seria diretamente proporcional à riqueza do primeiro mundo.
O raciocínio tortuoso de que o nossa penúria é parte do legado colonial não resiste às evidências histórias, uma vez que países hoje desenvolvidos como Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Hong-Kong e até mesmo os riquíssimos Estados Unidos foram, outrora, colônias européias, enquanto nações miseráveis como Etiópia, Libéria e Butão jamais foram colonizadas. Por outro lado, Espanha e Portugal, poderosos colonizadores do passado, não estão entre os países mais prósperos, enquanto a Alemanha, cujas aventuras colonialistas do século XX redundaram sempre em magníficos e onerosos fracassos, é hoje a nação mais opulenta da Europa.
Já a teoria imperialista, que pretende explicar as causas do nosso subdesenvolvimento através de um contínuo saque das nossas riquezas pelos ogros americanos, é de morrer de rir, pois parte do pressuposto que a riqueza do mundo é algo estático, pré-existente, que trocaria de mãos ao sabor da força ou da coação. Chega a ser patético que alguém possa defender tais teses mesmo sabendo que perto de 70% do PIB norte-americano são provenientes do setor de serviços. Além disso, se a economia deles equivale hoje a quase 20 vezes a nossa, basta um mínimo de bom senso e alguma isenção de raciocínio para verificar que não foi através da pilhagem das nossas vastíssimas reservas naturais que os ianques enriqueceram e progrediram. Desculpem a franqueza, mas parece piada achar que os caras construíram aquele PIB de trilhões de dólares à custa da exploração alheia. Ademais, é de uma presunção sem limites.
Enquanto continuarmos insistindo na confortável estratégia de jogar a culpa dos nossos reveses nos ombros alheios, definitivamente não chegaremos a parte alguma, pois permaneceremos incapazes de aprender com nossos próprios erros. É preciso entender, de uma vez por todas, que se o país é pobre, faminto e ineficiente, isto é resultado das nossas decisões e escolhas e não porque o imperialismo nos colocou nessa situação. Que eu saiba, ninguém apontou armas para a cabeça dos nossos mandatários e os obrigou a contrair dívidas imensas para pôr em prática projetos faraônicos e absolutamente sem sentido, como trans-amazônicas e outras beldades tupiniquins. Também não estou informado de qualquer algoz externo que nos tenha impelido a passar décadas emitindo moeda de forma irresponsável, gerando a hiperinflação mais duradoura de que se tem notícia, cujas conseqüências estamos colhendo até hoje. Não foi, tampouco, nenhuma mente alienígena quem produziu todos aqueles planos econômicos desenvolvimentistas mirabolantes, que marcaram o nosso passado recente de forma tão cruel.
Pelo contrário, tudo o que se fez neste país, certo ou errado, desde a sua independência, foi por moto próprio dos seus governantes e cidadãos. Culpar os outros pelo nosso fracasso é fugir das responsabilidades. Que culpa têm os ianques se conservamos o cadáver insepulto de Getúlio até hoje, mantendo inalterada uma legislação trabalhista retrógrada, cuja profusão de direitos e benefícios onera de tal maneira as contratações que acaba por desestimulá-las, no lugar de incentivá-las, como seria desejável? Por acaso foram eles que nos impuseram um sistema político e econômico caracterizado pelo gigantismo de um Estado paternalista, assistencialista, ineficiente, perdulário e insaciável, que através da sua sanha tributária inviabiliza a formação de poupança interna e, por conseqüência, os investimentos do setor produtivo?
Se, ao invés de perdermos tempo criando teorias malucas, salpicadas de despeito e inveja para explicar as nossas mazelas, focássemos a atenção no essencial, não seria difícil deduzir onde está a diferença. Comparem a nossa Constituição com a deles, por exemplo. Enquanto os malvados norte-americanos construíram a sua sociedade calcada no poder do indivíduo sobre o Estado, no mérito pessoal e no livre arbítrio, nós fizemos a opção pelo engodo demagógico do coletivismo, onde o Estado se sobrepõe ao indivíduo de forma latente e cada dia mais perversa.
Politica Nuclear do Iran (11): Tom Friedman fala de "coisa feia"...
OPINIÃO
NADA É MAIS FEIO QUE DEMOCRATAS TRAINDO OUTROS DEMOCRATAS EM PROL DE QUEM NEGA HOLOCAUSTO
THOMAS L. FRIEDMAN - DO "NEW YORK TIMES"
Folha de S.Paulo, 27 de maio de 2010
Ao dar legitimidade a Ahmadinejad, Lula envergonha o Brasil
Quem fortalece regime tirânico do Irã e acoberta sua pretensão nuclear terá de responder ao povo iraniano
Quando vi a foto de 17 de maio do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, de braços erguidos com seu colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan -depois de assinarem um acordo para neutralizar a crise em torno do programa nuclear iraniano-, tudo em que consegui pensar foi: Será que existe algo mais feio que ver democratas traindo outros democratas em benefício de um bandido iraniano que nega o Holocausto e roubou votos, simplesmente para desafiar os EUA e mostrar que também eles são capazes de jogar na mesa dos poderosos? Não, mais feio que isso é impossível.
Tanto a Turquia quanto o Brasil são democracias nascentes que superaram seus próprios históricos de governo militar. É vergonhoso que seus líderes abracem e fortaleçam um presidente que usa sua polícia para esmagar e matar democratas iranianos. "Lula é um gigante político, mas moralmente ele tem sido uma decepção profunda", disse Moisés Naím, ex-editor-chefe da revista "Foreign Policy".
CHÁVEZ E FIDEL
Lula, observou Naím, "vem apoiando a frustração da democracia na América Latina". Ele regularmente elogia Hugo Chávez e Fidel Castro -e, agora, Ahmadinejad-, ao mesmo tempo em que critica a Colômbia, uma das grandes histórias de sucesso democrático.
"Lula vem sendo ótimo para o Brasil, mas terrível para seus vizinhos democráticos", disse Naím. É claro que, se Brasil e Turquia tivessem de fato persuadido os iranianos a encerrar todo o seu suspeito programa nuclear, os EUA o teriam endossado. Mas não foi isso o que aconteceu.
Hoje o Irã possui cerca de 2.200 quilos de urânio de baixo grau de enriquecimento. Sob o acordo fechado em 17 de maio, o país concordou em enviar à Turquia cerca de 1.200 quilos de seu estoque. Mas isso ainda deixará o
Irã com um estoque de aproximadamente mil quilos de urânio, que o país ainda se recusa a submeter à inspeção internacional e está livre para aumentar e continuar a reprocessar para os níveis necessários para uma bomba.
"REVOLUÇÃO VERDE"
Portanto, o que esse acordo realmente faz é o que o Irã queria que fizesse: enfraquece a pressão global sobre o Irã para abrir suas instalações nucleares aos inspetores da ONU e legitima Ahmadinejad no aniversário de seu esmagamento do movimento democrático iraniano que exigia a recontagem dos votos das eleições iranianas maculadas de junho de 2009.
A meu ver, a "Revolução Verde" do Irã é o movimento democrático autóctone mais importante a ter surgido no Oriente Médio em décadas.
Ela foi reprimida, mas não vai desaparecer. Gastamos tempo e energia de menos alimentando essa tendência democrática e muito tempo tentando um pacto nuclear.
Como me disse Abbas Milani, especialista no Irã na Universidade Stanford: "A única solução de longo prazo ao impasse é a chegada de um regime mais democrático, responsável e transparente em Teerã". Eu preferiria que o Irã nunca conseguisse uma bomba. O mundo seria muito mais seguro sem mais armas nucleares no Oriente Médio.
Mas, se o Irã de fato se nuclearizar, fará uma diferença enorme se um regime iraniano democrático ou a atual ditadura teocrática assassina tiver o dedo no gatilho. Qualquer pessoa que trabalha para adiar isso e para fomentar a democracia real no Irã está do lado dos anjos.
Qualquer pessoa que legitima esse regime tirânico e acoberta suas pretensões nucleares terá que responder ao povo iraniano um dia.
Questão de direitos humanos no Irã é tão urgente quanto a nuclear, diz Anistia Internacional
NADA É MAIS FEIO QUE DEMOCRATAS TRAINDO OUTROS DEMOCRATAS EM PROL DE QUEM NEGA HOLOCAUSTO
THOMAS L. FRIEDMAN - DO "NEW YORK TIMES"
Folha de S.Paulo, 27 de maio de 2010
Ao dar legitimidade a Ahmadinejad, Lula envergonha o Brasil
Quem fortalece regime tirânico do Irã e acoberta sua pretensão nuclear terá de responder ao povo iraniano
Quando vi a foto de 17 de maio do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, de braços erguidos com seu colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan -depois de assinarem um acordo para neutralizar a crise em torno do programa nuclear iraniano-, tudo em que consegui pensar foi: Será que existe algo mais feio que ver democratas traindo outros democratas em benefício de um bandido iraniano que nega o Holocausto e roubou votos, simplesmente para desafiar os EUA e mostrar que também eles são capazes de jogar na mesa dos poderosos? Não, mais feio que isso é impossível.
Tanto a Turquia quanto o Brasil são democracias nascentes que superaram seus próprios históricos de governo militar. É vergonhoso que seus líderes abracem e fortaleçam um presidente que usa sua polícia para esmagar e matar democratas iranianos. "Lula é um gigante político, mas moralmente ele tem sido uma decepção profunda", disse Moisés Naím, ex-editor-chefe da revista "Foreign Policy".
CHÁVEZ E FIDEL
Lula, observou Naím, "vem apoiando a frustração da democracia na América Latina". Ele regularmente elogia Hugo Chávez e Fidel Castro -e, agora, Ahmadinejad-, ao mesmo tempo em que critica a Colômbia, uma das grandes histórias de sucesso democrático.
"Lula vem sendo ótimo para o Brasil, mas terrível para seus vizinhos democráticos", disse Naím. É claro que, se Brasil e Turquia tivessem de fato persuadido os iranianos a encerrar todo o seu suspeito programa nuclear, os EUA o teriam endossado. Mas não foi isso o que aconteceu.
Hoje o Irã possui cerca de 2.200 quilos de urânio de baixo grau de enriquecimento. Sob o acordo fechado em 17 de maio, o país concordou em enviar à Turquia cerca de 1.200 quilos de seu estoque. Mas isso ainda deixará o
Irã com um estoque de aproximadamente mil quilos de urânio, que o país ainda se recusa a submeter à inspeção internacional e está livre para aumentar e continuar a reprocessar para os níveis necessários para uma bomba.
"REVOLUÇÃO VERDE"
Portanto, o que esse acordo realmente faz é o que o Irã queria que fizesse: enfraquece a pressão global sobre o Irã para abrir suas instalações nucleares aos inspetores da ONU e legitima Ahmadinejad no aniversário de seu esmagamento do movimento democrático iraniano que exigia a recontagem dos votos das eleições iranianas maculadas de junho de 2009.
A meu ver, a "Revolução Verde" do Irã é o movimento democrático autóctone mais importante a ter surgido no Oriente Médio em décadas.
Ela foi reprimida, mas não vai desaparecer. Gastamos tempo e energia de menos alimentando essa tendência democrática e muito tempo tentando um pacto nuclear.
Como me disse Abbas Milani, especialista no Irã na Universidade Stanford: "A única solução de longo prazo ao impasse é a chegada de um regime mais democrático, responsável e transparente em Teerã". Eu preferiria que o Irã nunca conseguisse uma bomba. O mundo seria muito mais seguro sem mais armas nucleares no Oriente Médio.
Mas, se o Irã de fato se nuclearizar, fará uma diferença enorme se um regime iraniano democrático ou a atual ditadura teocrática assassina tiver o dedo no gatilho. Qualquer pessoa que trabalha para adiar isso e para fomentar a democracia real no Irã está do lado dos anjos.
Qualquer pessoa que legitima esse regime tirânico e acoberta suas pretensões nucleares terá que responder ao povo iraniano um dia.
Questão de direitos humanos no Irã é tão urgente quanto a nuclear, diz Anistia Internacional
Melhorias na linguagem diplomatica (depende do estilo adotado, claro)...
Depois de uma definição genial de um assessor presidencial, quanto à postura que o Brasil não deveria ter na cena internacional -- "ficar de cócoras" -- temos aqui mais uma contribuição do Governo brasileiro para o enriquecimento da linguagem diplomática.
----------------
Paulo Roberto de Almeida
Lula critica política do 'ou dá ou desce' ao falar de possíveis sanções ao Irã
Nathalia Passarinho Do G1, em Brasília
O Globo, 26/05/2010
Referência foi a países que rejeitam acordo intermediado por Brasil e Turquia.
'Comigo ninguém dá e todo mundo desce. Esse é meu lema', afirmou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira (26) o que chamou de política do “ou dá ou desce” em relação ao programa nuclear iraniano. Segundo Lula, alguns países se recusam a aceitar o acordo com o Irã, intermediado pelo Brasil e pela Turquia, porque, em vez de negociar, querem fazer uma demonstração de “força”. O presidente discursou durante a 4ª Conferencia Nacional de Ciencia e Tecnologia, em Brasília.
“Vocês estão acompanhando pela imprensa. Nas vésperas que eu estava lá, tinha gente dizendo ‘Ah, o Lula é inocente, o Lula não sabe nada’. Porque tem gente que ao invés de sentar na mesa para negociar prefere mostrar ‘Eu tenho força, ou dá ou desce!’. Eu não sou assim. Comigo ninguém dá e todo mundo desce. Esse é o meu lema”, disse o presidente.
Vocês estão acompanhando pela imprensa. Nas vésperas que eu estava lá, tinha gente dizendo ‘Ah, o Lula é inocente, o Lula não sabe nada’. Porque tem gente que ao invés de sentar na mesa para negociar prefere mostrar ‘Eu tenho força, ou dá ou desce!’. Eu não sou assim. Comigo ninguém dá e todo mundo desce. Esse é o meu lema"
Na semana passada, Lula, o primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, e o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, anunciaram um acordo que prevê a entrega em território turco de urânio levemente enriquecido. Em troca o Irã receberia em até um ano combustível nuclear. O governo brasileiro classificou as negociações como uma “vitória da diplomacia”. No entanto, potências internacionais anunciaram que continuarão a discutir sanções ao país de Ahmadinejad.
O acordo foi visto com reservas pelos Estados Unidos e países europeus desde seu anúncio. Os pedidos de sanções são liderados pelos Estados Unidos e devem ser debatidos nas Nações Unidas. A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, já se manifestou várias vezes com ceticismo sobre o acordo intermediado pelo Brasil e a Turquia.
Segundo Lula, o que faltava para conquistar um acordo com o governo iraniano era estabelecer “uma política de confiança”. No entanto, algumas potências internacionais se recusam a aceitar a proposta porque, segundo o presidente, “não sabem fazer política sem um inimigo”.
“Fomos lá humildemente, estabelecemos uma política de confiança, e quando fizemos o acordo, que eu achava que os países que queriam levar o Irã pra mesa iam ficar felizes, eis que eles não queriam. Porque no mundo tem gente que não sabe fazer política sem ter um inimigo. Primeiro é preciso criar inimigo, e o inimigo tem que ser ruim, a cara tem que ser feia e temos então que demonizá-lo”, criticou.
===============
Comentário do jornalista Políbio Braga (Porto Alegre), sobre a substância das tratativas diplomáticas das últimas semanas:
O traiçoeiro Pacto de Teerã encurralou Lula
Vale a pena prestar atenção a estes dois movimentos que ocorreram nas relações Brasil x EUA por conta da trapalhada de Lula no Irã:
1) Lula desembarcou caladíssimo no Brasil e não foi festejado como novo emissário da paz sequer por seu Partido, o PT.
2) O pito que Lula levou quando ainda estava no exterior (a crítica pública de Obama ao Acordo de Teerã), seguiu-se esta semana de dois outros magnos eventos:
a) Obama anunciou publicamente que não aceitou o convite de Lula para visitar o Brasil.
b) Na China, Hillary Clinton repeliu a entrega da cópia do Acordo de Teerã à AIEA, da ONU. Os EUA falam em seu próprio nome e no nome da China, Rússia, Alemanha, França, Inglaterra e Japão.
. Não é pouco. Lula e Ahmadinejad podem até ter pensado que ninguém perceberia que o Acordo de Teerã visou apenas dar tempo ao Irã para produzir sua bomba atômica e com ela destruir Israel e ameaçar os EUA. Embora sem as mesmas dimensões, o Acordo de Teerã lembra muito os Acordos (Pactos) de Munique e Ribentrop-Molotov. As características traiçoeiras de todos eles, são comuns. Lula faz bem em se calar e em recuar. A esta altura do campeonato, Lula faria melhor caso se calasse, colocando-se na posição de um presidente em fim de mandato. Ao recrudescer em suas bravatas, Lula apenas compromete as condições de governabilidade do próximo presidente e os interesses do Brasil.
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Paulo Roberto de Almeida
Lula critica política do 'ou dá ou desce' ao falar de possíveis sanções ao Irã
Nathalia Passarinho Do G1, em Brasília
O Globo, 26/05/2010
Referência foi a países que rejeitam acordo intermediado por Brasil e Turquia.
'Comigo ninguém dá e todo mundo desce. Esse é meu lema', afirmou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira (26) o que chamou de política do “ou dá ou desce” em relação ao programa nuclear iraniano. Segundo Lula, alguns países se recusam a aceitar o acordo com o Irã, intermediado pelo Brasil e pela Turquia, porque, em vez de negociar, querem fazer uma demonstração de “força”. O presidente discursou durante a 4ª Conferencia Nacional de Ciencia e Tecnologia, em Brasília.
“Vocês estão acompanhando pela imprensa. Nas vésperas que eu estava lá, tinha gente dizendo ‘Ah, o Lula é inocente, o Lula não sabe nada’. Porque tem gente que ao invés de sentar na mesa para negociar prefere mostrar ‘Eu tenho força, ou dá ou desce!’. Eu não sou assim. Comigo ninguém dá e todo mundo desce. Esse é o meu lema”, disse o presidente.
Vocês estão acompanhando pela imprensa. Nas vésperas que eu estava lá, tinha gente dizendo ‘Ah, o Lula é inocente, o Lula não sabe nada’. Porque tem gente que ao invés de sentar na mesa para negociar prefere mostrar ‘Eu tenho força, ou dá ou desce!’. Eu não sou assim. Comigo ninguém dá e todo mundo desce. Esse é o meu lema"
Na semana passada, Lula, o primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, e o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, anunciaram um acordo que prevê a entrega em território turco de urânio levemente enriquecido. Em troca o Irã receberia em até um ano combustível nuclear. O governo brasileiro classificou as negociações como uma “vitória da diplomacia”. No entanto, potências internacionais anunciaram que continuarão a discutir sanções ao país de Ahmadinejad.
O acordo foi visto com reservas pelos Estados Unidos e países europeus desde seu anúncio. Os pedidos de sanções são liderados pelos Estados Unidos e devem ser debatidos nas Nações Unidas. A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, já se manifestou várias vezes com ceticismo sobre o acordo intermediado pelo Brasil e a Turquia.
Segundo Lula, o que faltava para conquistar um acordo com o governo iraniano era estabelecer “uma política de confiança”. No entanto, algumas potências internacionais se recusam a aceitar a proposta porque, segundo o presidente, “não sabem fazer política sem um inimigo”.
“Fomos lá humildemente, estabelecemos uma política de confiança, e quando fizemos o acordo, que eu achava que os países que queriam levar o Irã pra mesa iam ficar felizes, eis que eles não queriam. Porque no mundo tem gente que não sabe fazer política sem ter um inimigo. Primeiro é preciso criar inimigo, e o inimigo tem que ser ruim, a cara tem que ser feia e temos então que demonizá-lo”, criticou.
===============
Comentário do jornalista Políbio Braga (Porto Alegre), sobre a substância das tratativas diplomáticas das últimas semanas:
O traiçoeiro Pacto de Teerã encurralou Lula
Vale a pena prestar atenção a estes dois movimentos que ocorreram nas relações Brasil x EUA por conta da trapalhada de Lula no Irã:
1) Lula desembarcou caladíssimo no Brasil e não foi festejado como novo emissário da paz sequer por seu Partido, o PT.
2) O pito que Lula levou quando ainda estava no exterior (a crítica pública de Obama ao Acordo de Teerã), seguiu-se esta semana de dois outros magnos eventos:
a) Obama anunciou publicamente que não aceitou o convite de Lula para visitar o Brasil.
b) Na China, Hillary Clinton repeliu a entrega da cópia do Acordo de Teerã à AIEA, da ONU. Os EUA falam em seu próprio nome e no nome da China, Rússia, Alemanha, França, Inglaterra e Japão.
. Não é pouco. Lula e Ahmadinejad podem até ter pensado que ninguém perceberia que o Acordo de Teerã visou apenas dar tempo ao Irã para produzir sua bomba atômica e com ela destruir Israel e ameaçar os EUA. Embora sem as mesmas dimensões, o Acordo de Teerã lembra muito os Acordos (Pactos) de Munique e Ribentrop-Molotov. As características traiçoeiras de todos eles, são comuns. Lula faz bem em se calar e em recuar. A esta altura do campeonato, Lula faria melhor caso se calasse, colocando-se na posição de um presidente em fim de mandato. Ao recrudescer em suas bravatas, Lula apenas compromete as condições de governabilidade do próximo presidente e os interesses do Brasil.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Apple Surpasses Microsoft as Most Valuable Technology Company
Não sou acionista e não pretendo ser; não ganho nada com isso. Sou apenas um usuário, durante toda a minha vida informática, dos produtos da Apple. Estou escrevendo num MacBookPro e uso um iPhone, apenas isso. Acho que a companhia merece o título concedido agora.
Mas atenção: a estratégia perseguida pela Apple é muito arriscada: ao manter sua tecnologia proprietária, fechada à clonagem e ao licensiamento ostensivo, ela pode perder mercado para concorrentes baseados em tecnologias abertas.
Quase ocorreu isso, 14 anos atrás, na concorrência entre o sistema operacional da Apple e o Windows, que estava sendo lançado pela Microsoft. Pode ocorrer o mesmo entre o iPhone (e seus derivados) e o telephone da Google, baseado em outra plataforma, aberta a inovações de terceiros. Ver o artigo mais abaixo.
Paulo R Almeida
Apple Surpasses Microsoft as Most Valuable Technology Company
Apple, the maker of iPods, iPhones and iPads, overtook Microsoft, the computer software giant, on Wednesday to become the world's most valuable technology company.
In intraday trading in the afternoon session, Apple shares rose 1.8 percent, which gave the company a value of $227.1 billion. Shares of Microsoft declined about 1 percent, giving the company a market capitalization of $226.3 billion.
This changing of the guard caps one of the most stunning turnarounds in business history, as Apple had been given up for dead only a decade earlier. But the rapidly rising value attached to Apple by investors also heralds a cultural shift: Consumer tastes have overtaken the needs of business as the leading force shaping technology.
Read More:
http://www.nytimes.com/2010/05/27/technology/27apple.html?emc=na
Apple's Second Date with History
By HOLMAN W. JENKINS, JR.
The Wall Street Journal, Opinion, May 26, 2010
Whose phone strategy is smarter in the long run—Apple's or Google's?
Apple almost went out of business 14 years ago, and many would have blamed what seemed one of the seminal business blunders in history.
Bill Gates was chatting with students at Stanford at the time and recalled letters he'd written to Steve Jobs begging him to allow cloning of Apple hardware. Had Mr. Jobs complied, Apple's operating system might have become the de facto universal standard, the one everybody wrote software for—a role that fell to Windows instead.
If you think missing out on the riches that Microsoft created for its shareholders was an error, Mr. Jobs erred. Then again, the Web came along to take the deathly sting out of the battle of the operating systems, and Apple resurrected itself as a maker of tasty computing devices for a segment of the public that valued tastiness.
Historical analogies are one of the cheapest in the columnist's bag of tricks, and a temptation usually to be resisted. But here goes: Isn't Steve Jobs replaying the gamble that almost broke Apple?
Google may not be Microsoft, exactly: For one thing, Google is giving away its smartphone operating system, known as Android, for free. Nor will the battle yield a similar winner-take-all outcome. But otherwise the effects are likely to be the same.
Because Mr. Jobs insists on keeping software and hardware under tight control, Google's platform is the one that will benefit from competition among multiple handset makers, producing lower prices and faster innovation, including a flurry of soon-to-arrive tablets and a variety of new devices aimed at niches (say, with a focus on navigation or texting).
Likewise, because Mr. Jobs insists on vetting all applications that run on his phones via the iTunes App Store, you'll need an Android phone to capture the full benefit of openness to the Web. Soon, Android users can expect their available services and apps permanently to outstrip those available to iPhone users through the App store.
Now, as then, the full stakes are only dimly perceived even by the participants. Then, it turned out to be the PC's world-wide adoption as the indispensable productivity tool. Today the term "smartphone" is scarcely adequate to describe a future in which individuals, wherever they go, whatever they do, will always have constant, instant access to the resources of the global "cloud."
Here, another Google advantage is likely to manifest itself over time. It makes its money from advertising (and from collecting data it can sell to advertisers) and its customers reciprocate by wanting services for free, which means advertising-supported.
In contrast, Apple makes its money from hardware sales, and by strong-arming its way to a share of users' telecom subscriber fees and infotainment purchases—all of which could be ripe to be competed away in a dynamic cloudphone marketplace.
The dangers of Google's approach? With so many different Android phones floating around and with so much openness to the Web, the search giant risks delivering a crummy, fragmented, even disastrous user experience, with security leaks, viruses and customer service that fails when needed most.
For Apple, the immediate danger is overreach, undermining its ability to deliver an ineffably superior user experience that just pleases. Apple has decided it needs an advertising strategy. It will need a TV strategy, especially after Google last week announced a version of Android to bring the cloud cornucopia to the biggest, best screen yet. Apple may also find it needs a strategy to compete in search. It certainly will need a strategy to make sure its infotainment offerings through iTunes don't fall behind in price and variety what Android users can get through their browsers.
That's a plateful for a company that, until recently, could focus almost entirely on perfecting the interface between its customer and the underlying electronics. But history has dealt Apple one break the second time around. Its earlier battle with Microsoft was winner-take-all thanks to an historical accident—the failure of the Web to introduce itself a bit earlier and blow up what a Microsoft judge called the "applications barrier to entry."
Apple this time understands (we hope) that it isn't playing for all the marbles, but can build a very nice business on just those customers who crave a premium service tightly controlled by the wonderful Mr. Jobs, even if it means paying a bit more and forgoing access to a lot of Web goodies that might not work so well in favor of a smaller number that work really well.
Still, we'd rather be Google. Why? Because Google can fail at everything but as long as it keeps its search box at the center of our digital lives, the ad gusher will continue to flow.
Mas atenção: a estratégia perseguida pela Apple é muito arriscada: ao manter sua tecnologia proprietária, fechada à clonagem e ao licensiamento ostensivo, ela pode perder mercado para concorrentes baseados em tecnologias abertas.
Quase ocorreu isso, 14 anos atrás, na concorrência entre o sistema operacional da Apple e o Windows, que estava sendo lançado pela Microsoft. Pode ocorrer o mesmo entre o iPhone (e seus derivados) e o telephone da Google, baseado em outra plataforma, aberta a inovações de terceiros. Ver o artigo mais abaixo.
Paulo R Almeida
Apple Surpasses Microsoft as Most Valuable Technology Company
Apple, the maker of iPods, iPhones and iPads, overtook Microsoft, the computer software giant, on Wednesday to become the world's most valuable technology company.
In intraday trading in the afternoon session, Apple shares rose 1.8 percent, which gave the company a value of $227.1 billion. Shares of Microsoft declined about 1 percent, giving the company a market capitalization of $226.3 billion.
This changing of the guard caps one of the most stunning turnarounds in business history, as Apple had been given up for dead only a decade earlier. But the rapidly rising value attached to Apple by investors also heralds a cultural shift: Consumer tastes have overtaken the needs of business as the leading force shaping technology.
Read More:
http://www.nytimes.com/2010/05/27/technology/27apple.html?emc=na
Apple's Second Date with History
By HOLMAN W. JENKINS, JR.
The Wall Street Journal, Opinion, May 26, 2010
Whose phone strategy is smarter in the long run—Apple's or Google's?
Apple almost went out of business 14 years ago, and many would have blamed what seemed one of the seminal business blunders in history.
Bill Gates was chatting with students at Stanford at the time and recalled letters he'd written to Steve Jobs begging him to allow cloning of Apple hardware. Had Mr. Jobs complied, Apple's operating system might have become the de facto universal standard, the one everybody wrote software for—a role that fell to Windows instead.
If you think missing out on the riches that Microsoft created for its shareholders was an error, Mr. Jobs erred. Then again, the Web came along to take the deathly sting out of the battle of the operating systems, and Apple resurrected itself as a maker of tasty computing devices for a segment of the public that valued tastiness.
Historical analogies are one of the cheapest in the columnist's bag of tricks, and a temptation usually to be resisted. But here goes: Isn't Steve Jobs replaying the gamble that almost broke Apple?
Google may not be Microsoft, exactly: For one thing, Google is giving away its smartphone operating system, known as Android, for free. Nor will the battle yield a similar winner-take-all outcome. But otherwise the effects are likely to be the same.
Because Mr. Jobs insists on keeping software and hardware under tight control, Google's platform is the one that will benefit from competition among multiple handset makers, producing lower prices and faster innovation, including a flurry of soon-to-arrive tablets and a variety of new devices aimed at niches (say, with a focus on navigation or texting).
Likewise, because Mr. Jobs insists on vetting all applications that run on his phones via the iTunes App Store, you'll need an Android phone to capture the full benefit of openness to the Web. Soon, Android users can expect their available services and apps permanently to outstrip those available to iPhone users through the App store.
Now, as then, the full stakes are only dimly perceived even by the participants. Then, it turned out to be the PC's world-wide adoption as the indispensable productivity tool. Today the term "smartphone" is scarcely adequate to describe a future in which individuals, wherever they go, whatever they do, will always have constant, instant access to the resources of the global "cloud."
Here, another Google advantage is likely to manifest itself over time. It makes its money from advertising (and from collecting data it can sell to advertisers) and its customers reciprocate by wanting services for free, which means advertising-supported.
In contrast, Apple makes its money from hardware sales, and by strong-arming its way to a share of users' telecom subscriber fees and infotainment purchases—all of which could be ripe to be competed away in a dynamic cloudphone marketplace.
The dangers of Google's approach? With so many different Android phones floating around and with so much openness to the Web, the search giant risks delivering a crummy, fragmented, even disastrous user experience, with security leaks, viruses and customer service that fails when needed most.
For Apple, the immediate danger is overreach, undermining its ability to deliver an ineffably superior user experience that just pleases. Apple has decided it needs an advertising strategy. It will need a TV strategy, especially after Google last week announced a version of Android to bring the cloud cornucopia to the biggest, best screen yet. Apple may also find it needs a strategy to compete in search. It certainly will need a strategy to make sure its infotainment offerings through iTunes don't fall behind in price and variety what Android users can get through their browsers.
That's a plateful for a company that, until recently, could focus almost entirely on perfecting the interface between its customer and the underlying electronics. But history has dealt Apple one break the second time around. Its earlier battle with Microsoft was winner-take-all thanks to an historical accident—the failure of the Web to introduce itself a bit earlier and blow up what a Microsoft judge called the "applications barrier to entry."
Apple this time understands (we hope) that it isn't playing for all the marbles, but can build a very nice business on just those customers who crave a premium service tightly controlled by the wonderful Mr. Jobs, even if it means paying a bit more and forgoing access to a lot of Web goodies that might not work so well in favor of a smaller number that work really well.
Still, we'd rather be Google. Why? Because Google can fail at everything but as long as it keeps its search box at the center of our digital lives, the ad gusher will continue to flow.
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ABC Color: um jornal paraguaio contra a democracia prostituida
O ABC Color é o mais jornal importante do Paraguay e mantem uma decidida atitude antibrasileira, em defesa de um estrito nacionalismo paraguaio. Em um editorial de 7 de outubro de 2007, publicado em sua primeira página, com o título em amarelo, o jornal condena as experiências polulistas, autocráticas (leia-se Venezuela) e antidemocráticas em curso em vários países da região.
Seu ponto básico aqui é a oposição ao ingresso da Venezuela no Mercosul, que o editorialista considera unicamente do ponto de vista da cláusula democrática (esquecendo-se completamente das demais condições econômicas e regulatórias que a Venezuela tampouco cumpre), mas parece desconhecer que o Congresso brasileiro já aprovou esse ingresso
PS.: Agradeço ao leitor anônimo que corrigiu a data da publicação original desse editorial, primeiramente considerada como sendo contemporâneo do recebimento do material de fonte confiável, quando ele vem de três anos atrás.
Paulo Roberto de Almeida
Democracia puta
ABC Color, Paraguay, 07.10.2007
En estos días actuales las democracias latinoamericanas pasan por una dura prueba, pues con los mismos mecanismos de competencia electoral libre y plural algunos líderes izquierdistas que ganan elecciones se hacen del poder legítimo y desde el día siguiente de su triunfo comienzan a ejecutar sus proyectos de acabar con el sistema político mediante los cuales accedieron su mando. La eliminación de las normas que limitan el período presidencial es su primera meta a conquistar.
Tienen la intención de eternizarse en el poder y, con ello, reventar la democracia entendida como la rotación permanente de proyectos políticos y de personas. Pretenden excluir para siempre a todo el que no esté adherido a su partido.. Construyen dictaduras con fórmulas 'democráticas' y, cuando se sienten fuertes y disponen de los medios, inician el segundo plan: la exportación de su 'revolución'.
Internamente, su primera víctima son las Fuerzas Armadas, de la cual se excluye a todo militar q ue no merezca la completa confianza del nuevo único líder.. Una purga general despoja a las Fuerzas Armadas de los jefes y oficiales institucionalistas, dejándola a cargo de 'los leales'. Después arremete contra el Poder Judicial, realizando las mismas tareas depuratorias para luego, ya con los principales resortes controlados, iniciar el proceso de desmantelamiento de la prensa no alineada y la supresión progresiva de la libertad de expresión.
El resultado final de este procedimiento es la anulación completa, si no la supresión definitiva de toda idea, doctrina, orientación partidaria o movimiento contrario a la ideología oficial de la nueva dictadura. Sucumbe la libertad en todas sus formas tradicionales y lo que resta es un pueblo indefenso sometido a sus nuevas cadenas. Se confía en que el transcurso del tiempo borrará pronto el recuerdo de la democracia anterior y el beneficio del goce de sus libertades y, entonces, un pueblo atontado, obligado a trabajar para sobrevivir y para alimentar al Partido, a reprimir sus dudas, inquietudes y oposiciones, acabará convertido en un dócil rebaño de borregos, como bien recordamos los paraguayos que vivimos la era stronista.
Este es el proceso en marcha que vemos actualmente en el panorama político de Venezuela, Bolivia y Ecuador. En particular y más claramente en la primera, donde Hugo Chávez, con ya una década de gobierno, se apresta a dar el golpe final haciéndose coronar gobernante vitalicio imponiendo en el país una nefasta dictadura de corte marxista al estilo del que triunfara y se impusiera en Rusia en 1917, desconociendo el triste final que esos sangrientos regímenes tuvieron después de seis décadas de explotar y oprimir a sus pueblos, asesinar a sus adversarios y poner en grave riesgo la paz mundial.
Hugo Chávez, un dinosaurio que surgió de las cavernas más oscuras de la historia, está a punto de convertirse en amo y señor definitivo de la suerte de su pueblo y de los cuantiosos recursos económicos de su país, excluyéndose de toda competencia real y suprimiendo todo obstáculo que pueda interponerse entre él y su proyecto de vitaliciado. Tiene, además, el dinero necesario para comprar voluntades y pagar el precio de 'lealtades', dentro y fuera de su país.
Chávez es un dictador, pero UN DICTADOR MUY RICO; dispone hoy del poder absoluto de hacer con el dinero producido por el petróleo lo que se le antoje; ya no tiene encima ninguna contraloría, nadie a quien deba rendir cuentas. Con su gruesa petrobilletera recorre ahora América Latina y financia partidos, movimientos, organizaciones sociales y campañas electorales. Lo que no puede comprar, lo alquila o neutraliza. Al gobierno argentino le compra bonos del tesoro de Kirchner que nadie quiere y así puede exhibir sus sonrisas de complicidad, aplausos y abrazos, pasear libremente por ese país pronunciando encendidos discursos llamando a la 'revolución popular' y haciendo otros teatros para exportar su dictadura. Entre los cuales figura en lugar prioritario su desesperada intención de introducirse en el Mercosur para, una vez dentro de él, agilizar su intervencionismo en la política interna de los países miembros, con los cuales ya no tiene ninguna afinidad, porque mal que bien, en Argentina, Brasil, Paraguay y Uruguay continúan rigiendo principios básicos del estado de derecho, del régimen democrático y de libertades públicas. Chávez va a pagar en efectivo por su ingreso y tiene billetes a patadas. Quiere comprarles a Brasil y Argentina lo más barato posible la legitimidad internacional que su pertenencia del Mercosur cree le va a proporcionar. La pregunta que continuaremos formulando una y otra vez es ¿para qué sirve el Protocolo deUshuaia que pretendió establecer un compromiso para todos sus estados miembros de conservar intactas las instituciones democráticas? En este documento Argentina, Bolivia, Brasil, Chile, Paraguay y Uruguay declaran que 'La plena vigen cia de las instituciones democ ráticas es esencial para el desarrollo de los procesos de integración entre los Estados Partes del presente Protocolo' (Art. 1) y se comprometen formalmente a que 'toda ruptura del orden democrático en uno de los Estados Partes del presente Protocolo dará lugar a la aplicación de los procedimientos previstos en los artículos siguientes' (Art. 3).
¿Van a admitir a Venezuela, cuyo dictador por anticipado ya se excluyó de dichas cláusulas? ¿O lo van a admitir primero para luego aplicarle la 'Cláusula Democrática'? El absurdo y el ridículo rodean a esta intención de prostituir al Mercosur, pero está en marcha y solamente los parlamentarios brasileños y paraguayos tienen en sus manos la posibilidad de impedir esta vergonzosa deserción de los principios fundamentales declarados en nuestras cartas fundamentales y tratados de integración.
A los gobernantes actuales de nuestros países, que tanto cacarean su apego a la democracia y a las libertades fundamentales, y que ciertamente gracias a ellas alcanzaron el poder, ahora les tiemblan las rodillas y se les afilan los dientes a la vista de la deslumbrante petrobilletera abierta de un rústico dictador inescrupuloso, dispuesto a todo, incluyendo el soborno de los 'demócratas'.
Si nuestros presidentes del Mercosur, aun sabiendo cuál es su obligación histórica con la defensa de los principios y valores políticos que iluminan nuestros pueblos, son capaces de venderse o de liarse en una relación adúltera con un dictador megalómano surgido de las catacumbas de un pasado siniestro, tendremos que convenir que nuestras democracias se venden como auténticas putas. No cabe ya una calificación más dura para describirlas.
Seu ponto básico aqui é a oposição ao ingresso da Venezuela no Mercosul, que o editorialista considera unicamente do ponto de vista da cláusula democrática (esquecendo-se completamente das demais condições econômicas e regulatórias que a Venezuela tampouco cumpre), mas parece desconhecer que o Congresso brasileiro já aprovou esse ingresso
PS.: Agradeço ao leitor anônimo que corrigiu a data da publicação original desse editorial, primeiramente considerada como sendo contemporâneo do recebimento do material de fonte confiável, quando ele vem de três anos atrás.
Paulo Roberto de Almeida
Democracia puta
ABC Color, Paraguay, 07.10.2007
En estos días actuales las democracias latinoamericanas pasan por una dura prueba, pues con los mismos mecanismos de competencia electoral libre y plural algunos líderes izquierdistas que ganan elecciones se hacen del poder legítimo y desde el día siguiente de su triunfo comienzan a ejecutar sus proyectos de acabar con el sistema político mediante los cuales accedieron su mando. La eliminación de las normas que limitan el período presidencial es su primera meta a conquistar.
Tienen la intención de eternizarse en el poder y, con ello, reventar la democracia entendida como la rotación permanente de proyectos políticos y de personas. Pretenden excluir para siempre a todo el que no esté adherido a su partido.. Construyen dictaduras con fórmulas 'democráticas' y, cuando se sienten fuertes y disponen de los medios, inician el segundo plan: la exportación de su 'revolución'.
Internamente, su primera víctima son las Fuerzas Armadas, de la cual se excluye a todo militar q ue no merezca la completa confianza del nuevo único líder.. Una purga general despoja a las Fuerzas Armadas de los jefes y oficiales institucionalistas, dejándola a cargo de 'los leales'. Después arremete contra el Poder Judicial, realizando las mismas tareas depuratorias para luego, ya con los principales resortes controlados, iniciar el proceso de desmantelamiento de la prensa no alineada y la supresión progresiva de la libertad de expresión.
El resultado final de este procedimiento es la anulación completa, si no la supresión definitiva de toda idea, doctrina, orientación partidaria o movimiento contrario a la ideología oficial de la nueva dictadura. Sucumbe la libertad en todas sus formas tradicionales y lo que resta es un pueblo indefenso sometido a sus nuevas cadenas. Se confía en que el transcurso del tiempo borrará pronto el recuerdo de la democracia anterior y el beneficio del goce de sus libertades y, entonces, un pueblo atontado, obligado a trabajar para sobrevivir y para alimentar al Partido, a reprimir sus dudas, inquietudes y oposiciones, acabará convertido en un dócil rebaño de borregos, como bien recordamos los paraguayos que vivimos la era stronista.
Este es el proceso en marcha que vemos actualmente en el panorama político de Venezuela, Bolivia y Ecuador. En particular y más claramente en la primera, donde Hugo Chávez, con ya una década de gobierno, se apresta a dar el golpe final haciéndose coronar gobernante vitalicio imponiendo en el país una nefasta dictadura de corte marxista al estilo del que triunfara y se impusiera en Rusia en 1917, desconociendo el triste final que esos sangrientos regímenes tuvieron después de seis décadas de explotar y oprimir a sus pueblos, asesinar a sus adversarios y poner en grave riesgo la paz mundial.
Hugo Chávez, un dinosaurio que surgió de las cavernas más oscuras de la historia, está a punto de convertirse en amo y señor definitivo de la suerte de su pueblo y de los cuantiosos recursos económicos de su país, excluyéndose de toda competencia real y suprimiendo todo obstáculo que pueda interponerse entre él y su proyecto de vitaliciado. Tiene, además, el dinero necesario para comprar voluntades y pagar el precio de 'lealtades', dentro y fuera de su país.
Chávez es un dictador, pero UN DICTADOR MUY RICO; dispone hoy del poder absoluto de hacer con el dinero producido por el petróleo lo que se le antoje; ya no tiene encima ninguna contraloría, nadie a quien deba rendir cuentas. Con su gruesa petrobilletera recorre ahora América Latina y financia partidos, movimientos, organizaciones sociales y campañas electorales. Lo que no puede comprar, lo alquila o neutraliza. Al gobierno argentino le compra bonos del tesoro de Kirchner que nadie quiere y así puede exhibir sus sonrisas de complicidad, aplausos y abrazos, pasear libremente por ese país pronunciando encendidos discursos llamando a la 'revolución popular' y haciendo otros teatros para exportar su dictadura. Entre los cuales figura en lugar prioritario su desesperada intención de introducirse en el Mercosur para, una vez dentro de él, agilizar su intervencionismo en la política interna de los países miembros, con los cuales ya no tiene ninguna afinidad, porque mal que bien, en Argentina, Brasil, Paraguay y Uruguay continúan rigiendo principios básicos del estado de derecho, del régimen democrático y de libertades públicas. Chávez va a pagar en efectivo por su ingreso y tiene billetes a patadas. Quiere comprarles a Brasil y Argentina lo más barato posible la legitimidad internacional que su pertenencia del Mercosur cree le va a proporcionar. La pregunta que continuaremos formulando una y otra vez es ¿para qué sirve el Protocolo deUshuaia que pretendió establecer un compromiso para todos sus estados miembros de conservar intactas las instituciones democráticas? En este documento Argentina, Bolivia, Brasil, Chile, Paraguay y Uruguay declaran que 'La plena vigen cia de las instituciones democ ráticas es esencial para el desarrollo de los procesos de integración entre los Estados Partes del presente Protocolo' (Art. 1) y se comprometen formalmente a que 'toda ruptura del orden democrático en uno de los Estados Partes del presente Protocolo dará lugar a la aplicación de los procedimientos previstos en los artículos siguientes' (Art. 3).
¿Van a admitir a Venezuela, cuyo dictador por anticipado ya se excluyó de dichas cláusulas? ¿O lo van a admitir primero para luego aplicarle la 'Cláusula Democrática'? El absurdo y el ridículo rodean a esta intención de prostituir al Mercosur, pero está en marcha y solamente los parlamentarios brasileños y paraguayos tienen en sus manos la posibilidad de impedir esta vergonzosa deserción de los principios fundamentales declarados en nuestras cartas fundamentales y tratados de integración.
A los gobernantes actuales de nuestros países, que tanto cacarean su apego a la democracia y a las libertades fundamentales, y que ciertamente gracias a ellas alcanzaron el poder, ahora les tiemblan las rodillas y se les afilan los dientes a la vista de la deslumbrante petrobilletera abierta de un rústico dictador inescrupuloso, dispuesto a todo, incluyendo el soborno de los 'demócratas'.
Si nuestros presidentes del Mercosur, aun sabiendo cuál es su obligación histórica con la defensa de los principios y valores políticos que iluminan nuestros pueblos, son capaces de venderse o de liarse en una relación adúltera con un dictador megalómano surgido de las catacumbas de un pasado siniestro, tendremos que convenir que nuestras democracias se venden como auténticas putas. No cabe ya una calificación más dura para describirlas.
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