segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Academia.edu: os dez trabalhos mais vistos no último mês - PRAlmeida

Inserindo mais um ou dois artigos publicados, fui verificar o que os curiosos -- enfim, o Google, a CIA, o KGB, os chineses -- andavam bisbilhotando como trabalhos meus no Academia.edu.
Deu este resultado abaixo.
Os interessados em bisbilhotar tudo podem consultar este link, geral, dos últimos 30 dias:
 https://uniceub.academia.edu/PauloRobertodeAlmeida/Analytics#/documents
Tem como ver outras coisas também.
Paulo Roberto de Almeida



Title
30-Day Views
30-Day Downloads
All-Time Downloads
All-Time Views
191
67
86
433
62
13
13
62
55
13
15
62
20
6
6
20
17
3
3
17
15
2
9
85
13
3
18
80
12
5
17
74
8
0
1
30
8
0
0
9


Brazilian Studies in the U.S.: um texto meu traduzido para o ingles, no site da BRASA

Como eu conheço bastante bem a história, e sobretudo a produção intelectual dos Brasilianistas, sobretudo os americanos, eu nunca tinha visto um texto sobre sobre os próprios, no site da BRASA, a Brazilian Studies Association, da qual já fui membro do Comitê Executivo (durante a BRASA X, realizada em Brasília, em 2010, quando eu vim da China para estar ali, durante uma semana).
Hoje, por acaso, fui consultar o site, para ver o anúncio que fizeram da publicação do meu livro mais recente, Nunca Antes na Diplomacia, e acabei percorrendo algumas seções da página, e foi aí que acabei caindo no texto abaixo, que reproduzo tal qual.
Ele é, na verdade, a tradução para o inglês, de um trecho de um texto meu, a introdução que escrevi para a edição brasileira do livro que preparei, com meu amigo Marshall C. Eakin, e o apoio do Embaixador Rubens Barbosa (então em Washington), que saiu publicado pela Paz e Terra.
Existe uma versão em inglês desse mesmo texto, bem mais elaborada, que saiu na edição americana do livro. Ambos podem ser consultados neste link do meu site.
Paulo Roberto de Almeida

Brief History of Brazilian Studies



The foreign researcher of Brazilian themes, usually identified as Brasilianista, played an important role in the emergence of social sciences in Brazil during the second half of the twentieth century. It is likely that the founder and initiator of this movement was the English historian Robert Southey. This keen observer of the Portuguese colonial empire - which preceded the more comprehensive studies of Charles Boxer – wrote, during the independence period, a "History of Brazil" which was the only reference in this discipline until the emergence of the first truly Brazilian historian, the diplomat Francisco Adolfo de Varnhagen. In the nineteenth century, the "brasilianista species" had several other representatives, including the German researchers Von Humboldt and Von Martius - who produced the first guidelines on "how one should write the history of Brazil", and Handelmann, who, similar to Robert Southley, had never visited Brazil. Others include Louis Agassiz and Gobineau from Switzerland and Louis County from France.

Francisco Adolfo de Varnhagen Alexander von Humbolt
Francisco Adolfo de VarnhagenAlexander von Humbolt
Despite those illustrious ancestors, the brasilianista concept was created much later, in times of the Cold War and imperial worries about a possible destabilization of the largest country in South America. The term "brasilianista" seems to have been used for the first time in Brazil in 1969, under the quill of the academic Francisco de Assis Barbosa for qualifying a foreign expert in Brazilian subjects. The concept was applied to the American historian Thomas Elliot Skidmore in the preface of the Brazilian edition of his book Politics in Brazil (1967).
The interest in Brazil grew exponentially in the United States during the transition between the Eisenhower and Kennedy administrations, and manifested itself both by new candidates for a research-driven university specialization on Brazilian themes, and also by the search for new sources of information from Brazilian reality. An example of the first trend was Robert Levine’s compilation of the first research guide identifying the characteristics of Brazilian laboratory: Brazil: Field Research Guide in Social Sciences (1966). Second, there was a great increase in the translation and publication of Brazilian social science texts in the United States. Several works of the following Brazilian researchers were translated and published: Gilberto Freyre, Celso Furtado, Jose Honorio Rodrigues, Jose Maria Bello, Caio Prado Jr.

Between the late '60s and mid-'70s, when Brazil was facing one of the most dramatic phases of its political history, and several researchers were condemned to exile or were intimidated by the government repression, was one of the high points of American brasilianismo. Several authors devoted their research to the authoritarian regime and its modes of operation. Among them stand out Ronald Schneider, Alfred Stepan, and Philip Schmitter. Other thematic initiatives were focused on social or religious groups, as in the work of Skidmore and Ralph Della Cava.

Alfred Stepan
In the other direction, on the "exportation" of ideas and theories from Brazil to the United States, the most conspicuous example refers to "Dependency Theory" – specially represented on the work of Fernando Henrique Cardoso – which elaborates a critical review of American sociological thinking on the problems of developing countries, particularly in Latin America.

Fernando Henrique Cardoso
Since the 1980's a new generation of Brazilianists emerged, with either a sectorial thematic focus or a diversified spectrum of themes such as gender issues, environment, race, African diaspora, immigration, etc. Stand out on this group Steven Topik, Roderick Barman, Marshall Eakin, Joseph Smith, Sandra Graham, Thomas Holloway, Jeffrey Lesser, Barbara Weinstein, James Green among many others. Several Brasilianistas of this generation actively participated in the creation of BRASA.

The contemporary Brasilianista does not compose, as his "ancestor" from the '60s and '70s, a special space in the Brazilian social sciences scene, since it appears to have been emancipated from foreign tutelage and methodological imports, and the intellectual relationship between the United States and Brazil has become more equitable. In this latest phase, some of the thematic emphases became common among Brazilian and U.S. scholars, pointing a more than welcome bi-lateral intellectual osmosis. Some evidence of this fact is the high participation of Brazilian intellectuals in international congresses on Brazilian topics, and broad academic publication by Brazilians. Currently, over 40% of BRASA associated members comes from Brazil.

Some curious facts:


  • The year of 2014 is the 100th anniversary of Theodore Roosevelt and Cândido Rondon's expedition of the Amazon Basin
  • During the summer of 1970 in Rio de Janeiro, economist Werner Baer of the University of Illinois and the political scientist Riordan Roett from the School of International Studies John Hopkins were kidnapped by agents of the military regime. Notwithstanding both received in 2000 from the hands of Ambassador Rubens Antonio Barbosa, the Order of the Southern Cross
  • The researcher Charles Wagley would have been the inspiration for the character James Levenson in Jorge Amado’s Tent of Miracles

Source: Almeida, Paulo Roberto de. Eakin, Marshall C.. Barbosa, Rubens Antonio. O Brasil dos Brasilianistas: um guia dos estudos sobre o Brasil nos Estados Unidos, 1945-2000. São Paulo: Paz e Terra,

Equador: como destruir um pais, solapando a sua moeda

Caro leitor: você está tendo o privilégio (algo duvidoso) de assistir a história em tempo real. No Equador, o presidente se prepara, pela "enésima" vez na história econômica do país, para destruir a sua moeda, que aliás não é mais a do país, e sim o dólar.
Eu estava nos EUA, em 2000, quando, assolado por uma hiperinflação, e por diversas crises políticas -- no curso das quais vários presidentes, inclusive um louco de pedra, foram caçados do poder -- e incapaz de pagar suas dívidas, o Equador foi obrigado a declarar moratória. O sistema monetário estava destruído, e como havia pouca credibilidade para instituir nova moeda, tomou-se simplesmente a decisão de abolir a moeda nacional, e passar a trabalhar com o dólar, como tinha feito alguns anos antes El Salvador. O Panamá também trabalha com o dólar, mas devido a razões históricas, a despeito de ter sua própria moeda nacional, o balboa (do nome do aventureiro espanhol que explorou o istmo).
Ter uma moeda internacional como sua pode ser um expediente de desespero, ante a recusa da sociedade em aceitar uma moeda nacional conspurcada pelo governo, que sempre é o responsável pelos processos inflacionários, ao gastar muito.
Não é a melhor solução, mas pode ser uma tábua de salvação, em face de problemas ainda maiores.
Na mesma época, a Argentina ameaçava desvalorizar de vez, em face da flutuação brasileira, o que era em parte uma bravata, mas em parte seria a consagração de uma situação de fato: a população argentina já tem o dólar como sua moeda de referência absoluta, o que nunca foi o caso no Brasil.
Pois bem, agora o Equador, que tem um presidente formado em economia nos EUA -- o que não deixa de ser uma ironia -- se prepara para lançar uma moeda virtual. Não dou dois anos para que essa moeda seja aceita igualmente para fechar determinadas operações reais do governo, o que é um pequeno passo para a hiperinflação.
A origem é sempre uma só: governos irresponsáveis gastam muito mais do que poderiam e deveriam.
Estamos assistindo ao começo do fim de mais uma etapa da alucinante história monetária do Equador.
Paulo Roberto de Almeida 

Equador deve criar moeda virtual para gasto público
Por Nathan Gill
Valor Econômico, 11/08/2014

Após penhorar a maior parte do petróleo e do ouro do Equador para financiar gastos, o presidente Rafael Correa está planejando criar um dinheiro virtual para pagar as contas do país.
No mês passado, o Congresso aprovou leis para a criação de uma moeda digital que será utilizada junto com o dólar americano, a moeda oficial no Equador. Assim que as leis forem sancionadas, já em outubro, o país começará a utilizar a moeda, que ainda não tem nome. Será estabelecida uma autoridade monetária para regulamentar o dinheiro, que será garantido por "ativos líquidos".
Menos de seis anos depois de o Equador se recusar a pagar US$ 3,2 bilhões da sua dívida denominada em dólares, as reservas de petróleo do país estão diminuindo, os déficits de conta corrente drenam dólares da economia e a necessidade de financiamento está em nível recorde. Embora usar dinheiro virtual para pagar funcionários públicos e empreiteiros do governo possa ajudar a poupar dinheiro vivo, a moeda pode estimular Correa a elevar ainda mais os gastos e solapar a capacidade do país de pagar títulos no longo prazo, diz a Landesbank Berlin Investments.
"Normalmente, este é o começo da inflação e da desvalorização", diz Lutz Röhmeyer, que ajuda a gerenciar cerca de US$ 1,1 bilhão em ativos de mercados emergentes no Landesbank Berlin e que investe no Equador há mais de 15 anos. Ele previu os dois últimos calotes do país e quer reduzir sua exposição à dívida equatoriana. O banco tem parte dos US$ 2 bilhões em títulos vendidos pelo Equador em junho.
O Ministério de Políticas Econômicas do Equador não quis fazer comentários sobre a nova moeda e indicou o Banco Central para o envio de perguntas. A assessoria de imprensa do BC também não quis se pronunciar e remeteu a uma resolução de junho assinada pelo diretor-geral da instituição, Mateo Villalba. A resolução diz que a moeda eletrônica será lastreada por ativos líquidos e não poderá ser trocada por títulos do governo.
O Equador está criando a sua própria moeda eletrônica porque moedas digitais, como o bitcoin, vêm ganhando aceitação como meios de pagamento, substituindo o dinheiro tradicional. Ao contrário dos planos do Equador, a maioria das moedas virtuais foi desenvolvida como alternativa às moedas garantidas por governos.
O Equador teve déficit de conta corrente nos últimos quatro anos, o que vem drenando dólares da economia, que em 2000 desistiu do sucre e adotou em seu lugar a moeda americana. O governo prevê um déficit público de US$ 4,5 bilhões neste ano, depois que o gasto público mais do que triplicou desde a posse de Correa, em 2007.
Em maio, para evitar que a escassez de dólares restringisse o gasto público, o governo usou mais da metade de suas reservas de ouro como garantia para obter um empréstimo de US$ 400 milhões do Goldman Sachs. No mesmo mês, fechou um acordo com a China para tomar emprestados US$ 2 bilhões em troca de produção futura de petróleo. Depois, em junho, o governo vendeu US$ 2 bilhões em dívida, oferecendo a segunda maior taxa de juros para títulos semelhantes em dólares vendidos neste ano, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Como Correa está ampliando o investimento em projetos de obras públicas e programas sociais para reduzir a pobreza, o Ministério das Finanças previu em novembro que o país teria de tomar emprestados cerca de US$ 35 bilhões até 2017.
A tentação de usar a nova moeda para pagar as contas aumentará à medida que o governo esgotar as suas atuais fontes de dólares, diz José Mieles, economista do centro de pesquisa Cordes, de Quito. Aliados de Correa no Congresso rejeitaram o pedido de associações empresariais de incluir na nova lei uma garantia que lastreasse a nova moeda com quantidade equivalente de dólares, dizendo que a medida era desnecessária.
"O problema vai ser se eles começarem a pagar credores locais" com a nova moeda, disse Mieles. "Eles poderiam utilizar esses recursos para obter liquidez imediata."
Analistas esperam para ver como o governo vai implementar o novo sistema, disse Juan Lorenzo Maldonado, economista do Credit Suisse Group. "Se eles acharem um modo de fazer uso eficiente da moeda eletrônica para certos tipos de pagamentos e tornarem alguns procedimentos mais fáceis e rápidos, e fizerem isso responsavelmente, pode ser uma coisa boa."
"Eu não gostaria ser convertido para uma nova moeda gerenciada por um banco central não testado", disse Steffen Reichold, economista da Stone Harbor Investment Partners, que gerencia US$ 65,3 bilhões em ativos de renda fixa. Criar uma moeda "não é simples, nem para um país com histórico impecável de gestão econômica bem-sucedida, e não acho que o Equador esteja nessa categoria".

Mafia da Wikipedia petista atua desde muito tempo

Nunca foi fortuito. Sempre foi um prática deliberada, constante, regular, ou seja profissional. Como a máfia, enfim. E se faz em qualquer lugar, a todo momento. Os chefes da associação, como sempre, "nunca sabem de nada". A máfia também atua assim.
Paulo Roberto de Almeida 

Políbio Braga, domingo, 10 de agosto de 2014


Merval Pereira também denuncia pirataria da "quadrilha do PT"

Um dia depois de Miriam Leitão denunciar uma "política de estado" contra a imprensa livre no País, seu colega Merval Pereira, no Globo, diz também ter sido atacado por "marginais" ligados ao PT

. Dados de sua página na Wikipédia foram alterados a partir de um vazamento no Wikileaks. Merval se refere a um telegrama do serviço diplomático dos Estados Unidos que vazou na internet, revelando seu encontro com o cônsul americano. Ele relatava que Merval agiria para garantir o apoio de Aécio Neves a José Serra nas eleições de 2010. No mesmo lote de telegramas, Diogo Mainardi também confidenciou que uma coluna em Veja, sobre uma chapa dos sonhos de Serra naquele ano, havia sido sugerida pelo candidato tucano. 

. Era tudo mentira da quadrilha cibernética petista. 

Critica ao manifesto empresarial "Carta do Povo Brasileiro" - Paulo Roberto de Almeida


Carta do Povo Empresarial:
Uma leitura crítica

Paulo Roberto de Almeida

No decorrer do mês de agosto de 2014, um número indefinido de empresários, em evento promovido pelo Movimento Brasil Eficiente (MBE) em parceria com a LIDE (Liderança Empresarial brasileira), em data exata e local tampouco revelado, redigiu e apresentou um documento dirigido a um não menos indefinido “Governante” (Sr. ou Sra.), elaborado com base em uma pesquisa nacional encomendada pelo MBE ao Instituto Datafolha, em fevereiro. Segundo uma nota preliminar liberada na ocasião, o evento “debateu o tema ‘Simplificação Tributária e Gestão Pública Eficiente’ e contou com a presença de representantes dos candidatos a presidência Aécio Neves e Eduardo Campos. Dilma Roussef (sic) não mandou representante.”
Postei a íntegra desse documento, tão pronto o recebi, em meu blog (neste link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2014/08/empresarios-mandam-ao-governo-em-nome.html), fazendo-o preceder de algumas críticas ásperas de minha parte, que, hoje reconheço, podem ter sido injustas com os empresários e os economistas presentes, cujo objetivo, manifestamente, era o de iniciar um diálogo aberto e sincero (ainda que em tom não menos áspero do que o meu), com o “Governante” em questão – não se sabe se o atual ou o futuro, a ser eleito em outubro, e que pode ser o mesmo, ou a mesma), para tentar resolver um dos mais complicados problemas que afligem os empresários e todos os brasileiros, qual seja, o peso desproporcional do Estado sobre a vida e a renda de todos e cada um.
Consoante um hábito que cultivo desde muitos anos, farei uma avaliação geral desse documento, mas começando por analisar topicamente cada uma de suas afirmações que me parecem merecer reparos. Serei seletivo, retendo apenas os argumentos que me parecem pouco apropriados à presente conjuntura política, ou aquém das necessidades do Brasil, que requer – e nisso concordo inteiramente com os empresários – ajustes muito sérios em suas políticas econômicas e no próprio sistema político. Assim procedendo, creio estar cooperando com o espírito do encontro empresarial e com os objetivos a que eles aspiram, embora mantendo minha proverbial independência de pensamento quanto a métodos e finalidades. Vamos ao exercício.
  
1) “Carta do Povo Brasileiro
PRA: Não creio que os empresários tenham o direito, ainda que possam ter a pretensão, de fazer uma carta a um “governante” qualquer em nome do “povo brasileiro”. Eles não possuem mandato para isso, não extraíram nenhuma representação geral da população, nem a consultaram sobre os seus propósitos. Melhor seria se tivessem se atido à verdade: “carta de empresários aos políticos brasileiros”, assim, tão simples. O argumentado aqui vale para os primeiros parágrafos substantivos do documento, como transcrito abaixo.

2) “Quem aqui se manifesta é o coletivo que chamamos de Brasil. (...) Esse é o Brasil que fala agora ao Governante.”
PRA: Não, não é. No máximo é uma pequena parte do Brasil, talvez até uma parte substantiva, se medida pela renda ou pela contribuição à formação do PIB, mas ainda assim uma fração do povo e de sua comunidade produtiva, empresários e trabalhadores. Se e quando tais empresários obterem uma representação representativa, se ouso a redundância, talvez esse “povo” possa ser mais amplo. Até aqui se trata apenas e tão somente de uma “carta de líderes empresariais".
Não se especifica, tampouco, quem seria esse “Governante”. Existe, até o dia 31 de janeiro do corrente ano, um, ou uma, depois muda, ou começa um novo mandato para a mesma. Por que não dizer “à presidente e ao seu sucessor em 2015”?

3) “Dessa vez é o povo que manda o recado. Um recado mais do que necessário, porque o velho monólogo dos marqueteiros do governo, soprando crenças no ouvido do povo, não funciona mais. O povo que lê e escreve nas redes sociais não precisa de intérpretes de pensamento.
PRA: Não, não é o povo que manda o recado, e acho que os empresários diminuem sua mensagem ao pretender tal amplitude. Mas, na verdade, o povo precisa, sim, de intérpretes, uma vez que vivemos em democracia representativa (pelo menos enquanto o partido potencialmente totalitário que ocupa atualmente o poder não reduzir a amplitude e a funcionalidade desta, mediante um decreto bolivariano que pretende instalar êmulos de sovietes, por exemplo), e que o povo em questão possui uma mais do que rudimentar educação política, para não dizer uma precária educação tout court. O povo brasileiro tem o direito de mandar recados a seus dirigentes, e ele o faz a cada dois anos, nas eleições gerais e nas parciais, subnacionais ou locais. Esses recados são dados geralmente através de partidos e da sua representação no parlamento. A carta não pode, portanto, pretender ser mais do que ela é: uma simples manifestação do pensamento de um grupo de empresários. Seria melhor que isso ficasse claro, para que eles não sejam acusados de serem ridiculamente pretensiosos.

4) “O governante que queremos é aquele que vai governar com o povo. O governante moderno aprende porque escuta, em seguida planeja suas ações e as executa como combinado. Governo sem plano é desgoverno.”
PRA: Todo governante eleito pode arguir que, legitimamente, ele governa com o povo, uma vez que detém a maioria, direta, ou proporcional (no parlamento). Aliás, no sistema presidencial brasileiro persiste uma tensão – que está na base dos conflitos entre executivo e legislativo, e na chantagem recíproca que um exerce sobre o outro – que é a diferença (inexistente nos regimes puramente parlamentaristas) entre a maioria direta do “governante”, que se expressa na eleição do presidente, e a representação proporcional no parlamento, que podem não coincidir; no Brasil, elas dificilmente coincidem, tendo em vista a extrema fragmentação partidária, mas o mesmo pode ocorrer em outros sistemas presidencialistas, como o dos EUA, por exemplo. O ideal  seria que o regime político brasileiro fosse parlamentarista, que tem justamente o poder de evitar qualquer contradição desse tipo, uma vez que o governante é aquele que detém a maioria no congresso, isoladamente ou em coalizão, mas essa é uma questão que ultrapassa o escopo destes comentários e o próprio objetivo da carta dos empresários.
Quanto à referência ao planejamento, me parece um tanto elementar, pois todo governo, até por força das circunstâncias ou dos imperativos constitucionais, tende a governar guiado por algumas ideias, no mínimo, ou até por grandiosos planos de desenvolvimento multianuais e multissetoriais (é uma das nossas obsessões favoritas), mas não se pode concluir muita coisa a partir dessa frase genérica.

5) “Chegamos ao ponto-limite. Brasília virou uma fantasia bilionária, de fato trilionária, cercada de desperdícios e ineficiências. O poder que manipula trilhões de reais nos orçamentos públicos ainda tem a petulância de afirmar ao povo que “faltam recursos”. Não! Recursos abundam. Fizemos, nas ruas, essa denúncia, em junho de 2013. O recado deveria ter sido suficiente, mas caiu no vazio.”
PRA: Sem maiores comentários, pois tendo a concordar com a expressão de exasperação, mas trata-se apenas de uma manifestação de contrariedade. Quanto ao “Fizemos nas ruas...”, acredito que nenhum empresário participou, talvez os menores, os chamados PMEs, que já tem ministério próprio, ao que parece. Mas é certo que a classe média saiu por poucos nas dias nas ruas para expressar isso aí mesmo que os empresários escrevem. Mas logo depois os vândalos ocuparam os espaços e a classe média se retirou.
Minha única consideração aqui, baseada no que ouvi das ruas, seria esta: é verdade que a classe média protestou contra os altos impostos e os “baixos” serviços públicos – em saúde, transportes, educação, segurança, etc. – mas o que ela pedia, direta ou indiretamente, era “queremos mais Estado”. Não vi ninguém dizendo: “chega de Estado, queremos serviços públicos oferecidos por companhias privadas em regime de concorrência”. Claro, seria mais complicado ter essa clarividência quanto às relações entre impostos recolhidos e serviços estatais prestados, mas os empresários deveriam saber que a grande maioria da população quer duas coisas contraditórias: pagar menos impostos, e ter melhores serviços públicos. Seria preciso uma pequena revolução para ter um sem afetar o outro, mas os empresários precisariam explicar claramente ao povo como se poderia ter maior produtividade a partir dos recursos arrecadados. Afinal de contas eles trabalham no mercado, em regime de concorrência, não é mesmo?

6) “Nesta Carta, retomamos a luta de Tiradentes, nosso maior manifestante civil: não aceitamos mais carregar no lombo um governo que aplica uma tributação impiedosa sobre o bolso do contribuinte indefeso.
PRA: Existe muitos mitos em torno de Tiradentes, e os empresários podem estar aderindo a um deles: o herói anti-tributação, numa espécie de líder avant la lettre do cidadão consciente do desequilíbrio entre extração estatal e renda disponível. Mas eles têm o direito de fazer isso. Mitos servem exatamente a esses propósitos políticos.
Empresários mais precisos poderiam dizer: consumidores, produtores e trabalhadores vem sendo tributados numa escala que prejudica o esforço de criação de riqueza, e torna o Brasil um país caro e pouco competitivo no âmbito mundial, tendo em vista os níveis de produtividade e de renda per capita vigentes no país. Teria sido mais correto, ao apontar o desequilíbrio entre renda, poupança e investimento, em função da punção fiscal do governo, que debilita todos esses agregados econômicos.

7) “O empresário, que poderia estar gerando empregos, virou um proletário do governo. Este está sempre cobrando sua fatia na frente; não espera nem o lucro acontecer. E o povo continua carregando uma das cargas tributárias mais onerosas do planeta: trabalha até a metade do ano só para sustentar o governo e os governantes.”
PRA: Correto mais uma vez, mas ainda desta vez expressa mais um protesto do que um diagnóstico da situação. Afinal de contas, o pacto constitucional, com todas as benesses encomendadas para todos – sem qualquer cálculo de provisão de recursos – e o funcionamento do sistema político, perdulário e irresponsável, funcionaram da mesma forma no último quarto de século. Ou seja, a bola já vem rolando desde muito tempo: só agora os empresários resolveram protestar. De todo modo, não é fácil desarmar a bomba fiscal, pois ela foi encomendada por todos, o povo, e os políticos. Talvez os empresários devessem começar por explicar ao povo que o caminho adotado é inviável, e mandar um recado aos políticos: ou se inverte o caminho, ou não tem mais financiamento. Creio, sem estar seguro disso, que muitos dos empresários que subscreveram essa carta-manifesto, vão contribuir para as campanhas eleitorais. Por que o fazem, se pretendem protestar contra o sistema?

8) “O povo brasileiro quer treinamento e trabalho. Quer aposentadorias e pensões compatíveis com os aportes que faz ao longo da vida. O povo brasileiro não precisa de salvadores; precisa mesmo é de gestão séria e confiável, rotativa e verificável, em todos os níveis de governo.
PRA: Mais uma vez, os empresários perderam uma oportunidade de expressar claramente o seu pensamento. O que vai acima é uma demonstração de exasperação, não um programa para um governo responsável. Os empresários deveriam voltar a se encontrar para fazer um dever de casa mais conforme às necessidades, suas e do povo.

9) “Chega de burocracia e de roubar descaradamente o tempo e a saúde do povo nas filas do atendimento médico e nas paradas de ônibus; ou queimar o futuro dos jovens com classes sem bons professores, com a falta de um computador por aluno. Esta Carta marca um ponto de virada. O povo brasileiro só precisa de condições e ambiente adequado para trabalhar, para empreender seus negócios, para desenvolver sua pesquisa, se educar e cuidar do ambiente.”
PRA: Só a última frase se aproxima, muito pouco, do que seria útil e adequado na presente circunstância. Sim, o ambiente de negócios e de trabalho no Brasil é o pior possível, mas dito apenas assim, fica igual ao protesto vazio feito nas frases que a precedem. Nem diagnóstico, nem prescrição, só protesto vazio. E o que o computador por aluno tem a ver com a qualidade da educação? Deve ser lobby de algum fabricante de computadores, que acha que vai fazer um bom negócio se o governo comprar vários milhões de computadores (no Brasil, claro), um para cada aluno. Que lamentável! A referência final ao “ambiente” é para ser politicamente ou ambientalmente correto?
Os empresários se reuniram apenas para reclamar do governo e do ambiente de negócios? Mas ele já é ruim há décadas. E o governo atual só fez piorar o que já era ruim. E os empresários ainda não fizeram um diagnóstico correto do que seria preciso fazer para melhorar, governo e ambiente de negócios? Que tal se eles se reunirem novamente para fazer, desta vez direitinho, o dever de casa?

10) “Perdas são pedagógicas. Perdemos, um dia, a democracia, para aprendermos a não perdê-la nunca mais; com a inflação, perdemos o sentido e o valor do dinheiro para, hoje, darmos todo o valor à moeda estável.”
PRA: Concordo. Aprendemos mais com fracassos e derrotas do que com eventuais sucessos. Estes podem ter muitas mães, mas aqueles parecem ter pais desconhecidos. Mas existe aqui muita simplificação. A “perda da democracia” parece referir-se a 1964, mas o fato é que ela já estava ameaçada de todos os lados; o golpe preventivo dos militares, aliás a pedido de políticos (alguns preocupados, outros apenas querendo afastar adversários para tentar governar eles mesmos), foi uma tentativa de preservar a ordem numa república anárquica, como era o regime de Goulart. A deriva ditatorial ocorreu depois, e muito em função da esquerda armada ter passado ao ataque, com atentados e assassinatos. A mesma esquerda que hoje está no poder e tenta oficializar a sua versão deformada da história passada do país. Os empresários vão aderir, igualmente, a essa visão deformada da história política do país?
E se eles estão tão preocupados assim com a inflação, por que não protestam contra as metas muito altas que são mantidas desde 2005 pelo Conselho Monetário Nacional?; por que permitem que o governo roube todo ano, do povo, todos esses pontos de inflação permitida, que estão muito acima dos níveis mundiais? O fato é que os empresários, como todos aqueles que conseguem fixar os seus preços – o que não é o caso dos trabalhadores assalariados, salvo aqueles fortemente sindicalizados, podendo repassar a sua chantagem para o resto da sociedade –, sempre procuram estar à frente da inflação, quando podem, remarcando seus preços, ou diminuindo as quantidades...

11) “Temos perdido tempo e energia demais com governos que governam mal e nos custam cada vez mais caro. Nossa paciência não tem o tamanho da vida inteira. O povo brasileiro exige ser senhor do seu tempo.”
PRA: Apenas choradeira e demagogia popularesca. Os empresários não teriam nada de mais inteligente para dizer. Os governos foram colocados lá por quem? Pelo povo! Com o dinheiro de quem? Dos empresários! Do que é que eles estão reclamando agora? Não gostaram do que apoiaram? Por que é que legiões de empresários – OK, estou exagerando, eu sei – já foram, continuam indo e ainda vão visitar o guia genial dos povos, o homem que deformou ainda mais o que já era deformado, e que pretende continuar exercendo o monopólio do poder com o seu partido neobolchevique? Os empresários são cegos, ingênuos, néscios, irresponsáveis? Tudo isso junto? Não só empresários, ficaram muito contentes, em 2002, em eleger alguém que eles sabiam que dialogava com eles, desde os tempos de sindicato dos metalúrgicos, que tomava uísque com vários deles nos encontros da federação ou da FIESP, mas se apressaram em apoiá-lo novamente, mesmo quando as patifarias do Mensalão, antes das eleições de 2006. E voltaram a reincidir no crime, ao eleger, ou pelo menos a sustentar, o poste designado, que concorria contra o mesmo candidato que em 2002 foi julgado autoritário e talvez muito arrogante no diálogo com os empresários, e também “estatizante”, o que talvez seja verdade. Mas, antes, durante, depois, e talvez ainda agora, os empresários parecem ser cegos, néscios, ingênuos, desinformados, ou até mesmo estúpidos, pois continuam a dar dinheiro para o partido que quer mantê-los no cabresto. Parabéns...

12) “Para o Brasil se projetar como líder em sua região e como um exemplo de nação próspera, moderna e justa, perante o mundo. Queremos de volta a ordem no governo, para termos de volta o progresso, que perdemos.”
PRA: Essas duas frases finais do manifesto dos empresários não fazem nenhum sentido. Como redação, eles não passam da nota 4. Reprovados, portanto. Como lógica, zero, total e confirmado. Incrível como pessoas adultas, responsáveis, bem educadas, conseguem ser ruins na hora de redigir alguma coisa com um mínimo de sentido.

Termino, infelizmente, este meu exame tópico do manifesto dos empresários, com a mesma avaliação cáustica que eu tinha feito na introdução da transcrição desse texto, na postagem do meu blog. Transcrevo aqui novamente o meu julgamento severo, feito a partir de uma primeira, e rápida leitura: “A carta é parcial, mal escrita, enganosa, deformada, carente de sentido e apenas reclamatória. Lamento constatar que nossos empresários também são medíocres e pouco preparados para liderar uma mudança real nos destinos do país. Falta substância analítica, falta consistência prescritiva, falta coerência nas propostas, falta unidade de conjunto, falta sequência lógica, ou seja, esse manifesto, chamado de Carta, não tem nenhuma solidez intelectual.”
Mas eu acrescentava, logo em seguida: “Mas já é um começo. Seria melhor se esses mesmos líderes empresariais não alimentassem a fantasia trilionária de Brasília, deixando de dar dinheiro a partidos e políticos que manifestamente estão atuando contra a nação, em seu próprio benefício.” Acho que a recomendação permanece válida.
Ao prometer voltar ao assunto, o que acabo de fazer agora, eu terminava assim minha introdução ao manifestos dos empresários: “Sou muito crítico, e provavelmente muito cáustico, como visto acima. Tenho razões para isso.”
Acho que as minhas razões ficaram claramente expressas nos parágrafos acima.
E volto à minha proposta de uma “fronda empresarial”, já objeto de alguns artigos meus no Estadão (ver aqui: http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,fronda-empresarial-o-brasil-precisa-de-uma-imp-,1541582; aqui: http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,os-800-anos-da-magna-carta-imp-,1528314; aqui: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,verdades-que-nao-podem-ser-definitivas,1131507,0.htm; e aqui: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,verdades--nao-convencionais-,1116065,0.htm). Enquanto os empresários não se convencerem disto, eles vão continuar pagando, e continuarão sendo esmagados por um governo maluco, um Estado opressor, e continuarão a ser explorados por uma classe política autista, prebendalista, rentista e irresponsável. Mas não sou eu que precisa dizer isso a eles...
Paulo Roberto de Almeida
Hartford, 11/08/2014

domingo, 10 de agosto de 2014

Corrupcao companheira: de vez em quando um acidente perturba as operacoes...

Aí é preciso recomeçar a reconstruir as bases e os novos mecanismos da ordenha contínua de fundos públicos para benefícios privados (e coletivos, mas só os da máfia...).
Como sempre acontece no Brasil, o barulho feito em torno desses casos, é inversamente proporcional ao tamanho das punições (quando as há).
Parte do dinheiro roubado, vai parar nas contas de adevogados caríssimos, que conseguem arrastar o caso durante anos, até a impunidade sorrir novamente...
Gostaria de ser desmentido por evidências de que não é assim: os mensaleiros logos estarão soltos, leves, livres e sorridentes, para recomecar suas atividades de quadrilheiros partidários.
A máfia é realmente uma coisa difícil de se vencer...
Paulo Roberto de Almeida

Youssef estuda delação premiada para reduzir pena
Folha de São Paulo, 10/08/2014

Dezesseis quilos mais magro, resultado dos quase cinco meses preso, réu em 12 processos, nos quais deve ser condenado a mais de cem anos de prisão, e com um pedido de divórcio da mulher, o doleiro Alberto Youssef enviou sinais ao Ministério Público e à Justiça de que quer fazer um acordo de delação premiada para se livrar da cadeia o quanto antes.

A lei brasileira prevê redução de pena para colaboradores. Se o que revelar à Justiça ajudar a esclarecer crimes mais graves, Youssef pode até ficar livre da prisão. Foi o que aconteceu em 2007, quando o doleiro foi detido pela primeira vez e escapou entregando uma parte da sua clientela.

A conclusão do doleiro, e da maioria dos advogados que atua na Operação Lava Jato, é que não há defesa técnica possível contra as provas que a Polícia Federal e os procuradores juntaram contra ele, Paulo Roberto Costa (ex-diretor de abastecimento da Petrobras) e cerca de 15 empreiteiras.

Restam duas alternativas para a defesa, segundo cinco advogados que atuam no caso ouvidos pela Folha sob condição de anonimato: tentar tirar o juiz Sergio Moro do julgamento ou tirar os processos do Paraná, onde a Lava Jato foi deflagrada. Moro é considerado um juiz duríssimo, mas com um preparo técnico praticamente imbatível em questões de crime financeiro e lavagem de dinheiro. As duas hipóteses são remotas, pois o STF já decidiu que o caso deve ficar na Justiça do Paraná.

O doleiro foi preso em 17 de março pela PF na Operação Lava Jato, sob a acusação de comandar um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 10 bilhões em quatro anos e tinha ramificações na Petrobras, no Ministério da Saúde e em partidos como PT, PP e SDD.

É UM LUXO SÓ
Youssef levava uma vida de milionário antes de ser preso. Morava num apartamento comprado por R$ 3,5 milhões na Vila Nova Conceição --um dos bairros mais caros de São Paulo--, tinha três hotéis, uma rede de agência de viagens e helicóptero, e convivia com altos executivos de empreiteiras. Com um deles costumava beber o vinho Vega Sicilia, que, em algumas safras, custa R$ 2.000.

Uma cifra apurada pelos procuradores que atuam na Operação Lava Jato traduz, em parte, o porte que Alberto Youssef atingira. Ele remeteu US$ 444,7 milhões (o equivalente a pouco mais de R$ 1 bilhão) para fora do país entre junho de 2011 e março deste ano --uma média de US$ 150 milhões ao ano. É um volume equivalente a um banco de médio porte. É um salto e tanto para alguém que nasceu numa família de classe média baixa em Londrina, no norte do Paraná, e vendia pastel no aeroporto da cidade quando era criança.

BAIXA CREDIBILIDADE
A maior dificuldade para que a colaboração de Youssef seja aceita é que sua credibilidade tende a zero. As razões da baixa credibilidade é que ele não contou tudo o que sabia na delação premiada que fez em 2007 e não cumpriu a promessa de que não voltaria a atuar no mercado de dólar. A avaliação da PF e dos procuradores é que Youssef usou a primeira delação premiada como alavanca para elevar sua participação no mercado.

A estratégia que usou foi entregar os clientes menos importantes, como políticos e servidores públicos do Paraná, e preservar os grandes, como o deputado José Janene (PP-PR) --que até morrer, em 2010, era o cicerone do doleiro em Brasília e em empresas como Petrobras. O plano deu certo. Youssef deixou de ser um doleiro do Paraná e passou a ter atuação em São Paulo, Rio e Brasília, segundo a PF. Continuou atuando com o PP, mas conquistou aliados no PT, como o deputado federal André Vargas (sem partido-PR).

O advogado de Youssef, Antonio Augusto Figueiredo Basto, diz que a decisão de colaborar é do seu cliente, mas ele não recomenda o expediente: "O Alberto é mero bode expiatório num esquema muito maior, sobre o qual não há nenhum interesse em investigar. Você acha que ele teria feito tudo de que é acusado sem um parlamentar?". Ele diz que sai do caso se seu cliente virar colaborador.

Nossos aliados preferenciais: Evo Stroessner Morales (poderia ser Somoza, tambem)

Ou Trujillo, ou Pérez Jimenez, ou vários outros, nem todos de Macondo...
Depois que o Paraguay teve um primeiro, e longevo presidente, Don José Gaspar Rodriguez de Francia y Velasco, apropriadamente registrado na literatura universal como Yo, El Supremo (de Augusto Roa Bastos), parece que outros pequenos caudilhos querem se eternizar no poder, como fez Chávez, como fez Ortega, como está fazendo Correa, todos, aliás, muy amigos do nosso guia genial dos povos, que também gostaria de poder fazer como eles, ou pelo menos como Getúlio: um breve período de 15 anos (e o que mais der).
Esta é a nova democracia do Foro de São Paulo: se é de clube, melhor ficar mais um pouco...
Paulo Roberto de Almeida 

Lido de soslaio numa dessas colunas de jornalistas bem informados (Leandro Mazzini, do Opinião e Notícia):

Aconteceu na Bolívia. 
 Duas magistradas do Tribunal Constitucional Plurinacional, o STF de lá, foram suspensas por uma votação da.. Câmara dos Deputados. 
Porque Zoraida Chánez e Ligia Velásquez denunciaram a manobra do presidente Evo Morales em mexer na Constituição para disputar o terceiro mandato.

Os LGBTs constituem uma raca? O STF seria capaz de decidir?

Ainda não li a matéria, mas só o título já me deixou surpreendido:

Gays vão ao STF contra o Congresso Nacional
Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais requer à Corte que considere a homofobia e transfobia crime de racismo (leia mais)


Se eles são uma raça, e previsivelmente se veem também como uma minoria oprimida, vão certamente precisar de cotas, como os tais de afrodescendentes. Os augustos e preclaros ministros do nosso supreminho (deve ter aliados por lá...) vão aceitar o princípio do racismo, e já vão, na mesma encomenda (sempre é melhor decidir de uma vez) aprovar a questão das cotas?
Mas essas cotas seriam para o quê? Emprego público, ingresso na universidade, shows da parada gay, camisinhas gratuítas, o que, exatamente?
Por acaso, segundo a última pesquisa PNAD-IBGE, os afrodescendentes já constituem 53% da população brasileira. Previsivelmente vão aumentar na próxima pesquisa.
Como é que ficamos então?
Eu que sou totalmente branco -- mas desconfio que meu pai tinha uma pele, digamos assim, um tantinho morena -- estou portanto em minoria. Vou precisar de cotas eu também.  E todos os meus infelizes colegas da minoria branca opressora.
Mas eu dispenso essas pelas quais os afrodescedentes e os LGBs estão lutando.

A minha cota é simples:
Quero receber todas as publicações inteligentes produzidas pelas grandes editoras brasileiras. Mas só as inteligentes. Não deve ser muito. Dispenso auto-ajuda, soluções empresariais, conforto espiritual e recomendações para uma dieta saudável. Minha cota é só de livros inteligentes. Os editores sabem quais são...

Paulo Roberto de Almeida

Fronda empresarial: o Brasil precisa de uma - Paulo Roberto de Almeida (Estadao)

O jornal O Estado de S.Paulo, em sua página de artigos de Opinião, traz hoje (10/08/2014), meu artigo mais recente, em que trato, mais uma vez, da necessidade de uma fronda empresarial no Brasil. Nem todos compreendem o significado do conceito de fronda, em sua expressão própria ou em sua analogia histórica, como um dos leitores de quem transcrevo o comentário mais abaixo, juntamente com minha resposta a ele.
Quem desejar ler no site do jornal, eis aqui o link:
http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,fronda-empresarial-o-brasil-precisa-de-uma-imp-,1541582
Transcrevo meu artigo original:


Fronda empresarial: o Brasil precisa de uma

Paulo Roberto de Almeida

Fernand Braudel, o historiador conhecido por seus estudos sobre a evolução das economias de mercado e sobre a expansão do capitalismo – não confundir as duas coisas: este último é apenas uma, ainda que a mais importante, das formas assumidas pelas primeiras – alertava para uma situação bastante frequente nas interações entre os capitalistas e os donos do poder, representados pelos soberanos, em suas diversas modalidades: reis, príncipes, duques, arrivistas armados, condottieri. Se tratava da colusão entre o dinheiro e o poder, para o mútuo benefício de ambos, em detrimento dos cidadãos, dos súditos, de todos os pagadores de impostos. Na época por ele estudada, os capitalistas eram geralmente mercadores e banqueiros, não aqueles industriais de cartola e charuto que só surgiriam depois de bem implantada a revolução industrial; mas a realidade permanece a mesma, em todas as épocas e lugares.
Os criadores primários de renda e riqueza compram a simpatia dos fazedores de leis e de regras, para que estes “fechem” os mercados de maneira a elevar a taxa de retorno das atividades nas quais os primeiros se encontram engajados, seja no setor produtivo de manufaturas, seja nas intermediações comerciais e financeiras. Ocorre também do príncipe querer consolidar o seu poder, para afastar eventuais concorrentes, passando a adiantar esses favores aos agentes econômicos, em troca do financiamento adequado para justamente reforçar o seu monopólio sobre o poder político. Alguma semelhança ou coincidência com o que ocorre hoje no Brasil? Provavelmente, mas o cenário não é exclusivo do nosso país ou da nossa época. Ele é sustentável, aceitável, moralmente justificado, defensável do ponto de vista dos interesses da comunidade?
No limite, esse tipo de relação espúria entre detentores do poder político e criadores da riqueza primária pode levar a uma exacerbação da exação fiscal e a uma deterioração geral das instituições de comando na sociedade, alimentando corrupção, irracionalidades econômicas, inércia gerencial, falta de inovação e descrédito geral dos cidadãos (de preferência a súditos) quanto ao funcionamento da administração pública. Não parece difícil prever a perda de dinamismo na economia e uma descrença geral na legitimidade da representação cidadã, podendo redundar em acirramento dos conflitos políticos. Estaria ocorrendo isso no Brasil atual? Alguma surpresa quanto ao cenário?
Imagino que todos aqueles capitalistas – já sem cartola ou charutos – e todos os banqueiros, e seus lobistas profissionais, que circulam na capital da república de modo contínuo, já estejam cansados de todas essas petições que são obrigados a fazer, regularmente, para tentar melhorar, um pouco que seja, o seu ambiente de negócios, e para tentar preservar, uma parte que seja, dos resultados de suas respectivas atividades produtivas da sanha dos fiscais da Receita e da selva de novos regulamentos que legiões de burocratas setoriais despejam todos os dias sobre eles. Todos os mandarins da nossa república estão empenhadíssimos em construir um Brasil melhor para todos, e por isso precisam retirar os recursos de alguma parte, onde eles estão: nos caixas das empresas e nos bolsos dos cidadãos de classe média, simples trabalhadores indefesos.
Por que será que os nossos capitalistas – industriais, agrícolas e de serviços –, aparentemente tão robustos e tão conscientes da riqueza que geram em benefício da sociedade, resolvem se dobrar a partidos políticos, entregar a eles uma parte dessa riqueza criada com o suor do seu rosto (enfim, a maioria, uma parte se encosta nos empréstimos do BNDES), decidem se submeter a políticos notoriamente incompetentes e aceitam, além disso, fazer a via crucis a Brasília para pedir favores aos governantes? Para mim é um mistério, mas provavelmente tem a ver com a constituição do próprio capitalismo no Brasil, sempre embalado nos braços do Estado, alimentado no leite generoso dos subsídios e da proteção oficial, enquadrado por burocratas eficientes na regulação setorial e na captura de benefícios associados e continuamente mantido sob rédeas curtas por esse mesmo Estado, onipotente, nem sempre onipresente, mas certamente perseguindo como uma sombra o itinerário das riquezas criadas pelos capitalistas em seus afazeres cotidianos.
Se esses capitalistas lessem os livros de história saberiam que os países que alcançaram patamares significativos de prosperidade material e de bem estar coletivo foram aqueles que mais souberam defender as riquezas privadas da cobiça de aventureiros improvisados e de soberanos instalados. Para isso, os barões e os burgueses de outros séculos tiveram de decapitar, guilhotinar, ou exilar alguns dos que tentavam se assenhorear de uma parte desproporcional da sua riqueza. A condição essencial dos progressos materiais está justamente na defesa da propriedade, e é essa defesa que garantiu a pujança das economias de mercado que puderam dispor, paralelamente, de Estados contidos pela sociedade em face de soberanos tendencialmente autocráticos. A despeito de outras evidências históricas, e do que possa ter dito Fernand Braudel, esses fatos também fazem parte da história.
Foram essas frondas que permitiram a acumulação de riqueza e o bem estar de capitalistas e trabalhadores. Malgrado tentativas de “pikettyzação” do debate – uma transpiração estatística para provar que a acumulação se dá em detrimento da maioria e em favor de uma minoria – o fato é que as sociedades ficaram mais ricas lá onde a liberdade econômica foi a mais ampla; a emergência de um punhado de superbilionários jamais impediu a formação de novas fontes de riqueza; ao contrário, até estimulou outros que também buscavam essa condição. Que tal uma fronda no Brasil?

[Hartford, 28 de julho de 2014

==========

Um leitor não entendeu muito bem o que eu queria dizer, e escreveu o seguinte comentário a este meu artigo:

On Aug 10, 2014, at 9:21, ARIOVALDO BATISTA <ariobaxx@xxxxx.com> wrote:

Para começar foi difícil entender o linguajar do professor provavelmente de história e diplomata sr. Paulo R. de Almeida. Fronda que não encontrei em dicionários que tenho, parece que se refere ao termo ' La Fronde' de uma revolução social na "França das luzes" de Luiz XIV, na realidade um "ensaio" para a Revolução Francesa ocorrida no final do séc. XVIII, junto com a independência americana. Discordando um pouco do professor sobre a Revolução Francesa, não se tratou de uma revolução social propriamente dita, MAS DA PRIMEIRA INTENTONA COMUNISTA MAL SUCEDIDA, a segunda foi a Soviética depois da I Guerra. Ambas, incluindo a independência americana, a "história dos bastidores" até mais confiável, diz que foram financiadas pelos grandes banqueiros Rotschild, Rockfeller e Morgan, PORTANTO, NADA DE SOCIAL, mas negociatas de banqueiros mesmo.
Pelo que se depreende do texto, o autor parece dizer que a administração pública em particular no Brasil, ESTÁ TÃO EM DESCRÉDITO pela imoralidade, burrices, incompetências etc etc., que respinga para os assuntos econômicos. E daí estaria propondo uma "revolução empresarial" nos moldes da revolução social iniciada na tal "La Fronde", e ainda inacabada pela cambada comunista que ainda deita e rola nas ideologias políticas e até econômicas?
Parece que é isso que se pode concluir do texto complicado do sr. Almeida, que o Estadão apresenta no sua parte editorial.

Ariovaldo Batista
s.b.do campo sp

=======
Ao que eu respondi isto:



    Sr Ariovaldo,
    Sinto muito não ter sabido me fazer entender por todos os que leram o meu artigo, mas creio que ele cumpriu pelo menos uma missão: a de fazer alguns leitores, no caso o Sr mesmo, buscar nos dicionarios ou na internet, o significado da palavra fronda, que poderia ser entendida, genericamente, como uma revolta das elites contra um soberano arbitrário e extrator de recursos.
    Basicamente é isso, e fora disso o que temos são revoluções. Estas não são planejadas, encomendadas ou organizadas, simplesmente acontecem em situações extremas de crises sociais profundas, e acabam sendo precipitadas pela ação de forças incontroláveis. Então, partindo da premissa de que o Brasil está em crise, não profunda, mas numa situação de baixo crescimento, inflação em alta, contas públicas em déficit e contas externas também, podemos concluir que seria preciso fazer alguma coisa.
    Imagino que o Sr. concorde também que a indústria perde cada vez mais competitividade, o que vai gerar desemprego e novo aprofundamento da crise econômica.
    Em face disso, o que recomendei foi uma revolta empresarial, pois imagino que o Sr. também concorde comigo que o Estado extrai recursos em montantes exagerados do nosso empresariado.
    Foi isso basicamente. Grato pela mensagem.
-----------------------------------
Paulo Roberto de Almeida

Raoul Wallenberg, salvador de judeus: em tempos obscuros, surgem homens dignos...


Schindler sueco' desafiou nazistas e salvou judeus da morte há 70 anos
SILVIO CIOFFI
OLIVIA FREITAS
DE SÃO PAULO
09/08/2014  Folha.Mundo.

Em julho de 1944, o sueco Raoul Wallenberg tinha 31 anos e uma missão na cabeça: salvar da deportação nazista estimados 100 mil judeus-húngaros que ainda viviam em Budapeste.
Naquele mês, ele chegava à Embaixada da Suécia na capital da Hungria.
Até essa data, o alemão Adolf Eichmann (1906-1962), oficial nazista em Budapeste, já havia enviado cerca de 400 mil pessoas ao campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau, na Polônia.
Formado em arquitetura pela Universidade de Michigan (EUA) e vindo de uma família conhecida como "os Rockefellers da Suécia", Wallenberg contou com mais do que um clã influente para adquirir imunidade diplomática sueca e, com ela, agir numa Budapeste convulsionada pela ocupação alemã.
A ajuda extra veio do presidente americano Franklin Roosevelt, que nos derradeiros seis meses da guerra criou a organização "War Refugee Board", à qual o governo sueco aderiu.
A Suécia era neutra na Segunda Guerra Mundial; assim, na condição de diplomata (embora não de carreira), Wallenberg pôde emitir passaportes provisórios ("shutz-passes") e alugar prédios que, pintados de amarelo, serviriam de moradia e de "território seguro", garantindo a sobrevivência para milhares de perseguidos.
Por sua atitude, Wallenberg passou a ser chamado de "Schindler sueco", uma referência ao industrial alemão Oskar Schindler (1908-1974), famoso mundialmente por ter salvado cerca de 1.200 judeus do Holocausto, a maioria empregados de suas fábricas.
No último dia 9 de julho, em memória aos 70 anos da chegada de Wallenberg a Budapeste, o Congresso americano lhe concedeu postumamente a Medalha de Ouro. A honraria foi recebida por sua irmã, Nina Lagergren.
DISCUSSÃO ÁSPERA
Inimigos nada cordiais, Wallenberg e Eichmann possivelmente discutiram as deportações de judeus num jantar na casa do diplomata sueco Lars Berg, no fim de 1944.
Berg relembrou o diálogo áspero que ambos teriam tido em entrevista publicada pela "The New York Times Magazine" em 1980. "Foi um jantar especialmente civilizado para uma época brutal. Tomamos brandy, ninguém falou alto, mas era possível ver o fogo da artilharia russa através da janela [o Exército Vermelho começava o cerco a Budapeste para expulsar os nazistas]."
Nesse encontro, Wallenberg teria afrontado Eichmann e dito: "Veja, você tem que enfrentar isso. Perdeu a guerra. Por que não desistir agora?"
Eichmann teria respondido que o fim até poderia estar próximo, mas continuaria a fazer seu trabalho, mesmo que fosse morto.
Então, sempre de acordo com o relato de Berg, Eichmann e Wallenberg se encararam. "Não pense que você é imune só porque é um 'diplomata neutro'", teria dito o alemão.
Coincidência ou não, alguns dias depois, o carro diplomático de Wallenberg, sem a sua presença, foi esmagado por um caminhão.
Presidente do instituto que leva o nome de Raoul Wallenberg, o empresário argentino de origem armênia Eduardo Eurnekian, 81, que administra 52 aeroportos e é dono de bancos e vinícolas, diz não ter dúvidas de que Eichmann tinha conhecimento das atividades de Wallenberg.
Eurnekian o define como "brilhante, charmoso, falante e cheio de imaginação", além de ter sido "um dos principais salvadores que a humanidade já teve".
SUMIÇO E MISTÉRIO
Seis meses após a chegada de Wallenberg a Budapeste, o Exército Vermelho concluiu a ocupação da cidade, em 17 de janeiro de 1945.
Como os soviéticos eram aliados dos americanos, ele foi ao encontro do general russo Malinovsky.
Quando essa reunião ocorreu, a diplomacia soviética enviou telegrama aos suecos dizendo que Wallenberg estava a salvo, mas ele nunca mais foi visto.
A mãe de Wallenberg procurou a embaixada soviética em Estocolmo, capital sueca, em 1945, com um pedido de esclarecimentos sobre seu paradeiro. Como resposta, ouviu que ele "estava bem de saúde, num local seguro, em Moscou".
A diplomacia sueca não fez muito empenho em afrontar a União Soviética, pois Wallenberg não era, de fato, um diplomata de carreira. E, à época, ninguém queria confusão com os soviéticos.
Em 1947, um informe da chancelaria em Moscou disse que Wallenberg tinha morrido depois de sofrer um ataque cardíaco.
Logo depois, no mesmo ano, um encarregado de negócios estrangeiros soviético respondeu à questão do paradeiro de Wallenberg de modo diferente: "Ele não é uma pessoa conhecida na União Soviética".
Surgiram, então, rumores de que ele tinha morrido numa escaramuça de rua durante a tomada de Budapeste.
Em 1957, vários prisioneiros foram libertados e, entre eles, houve quem confirmasse ter visto Wallenberg num 'gulag' (campo de trabalhos forçados) soviético, afirmando que se referiam a ele como "o prisioneiro número 7".
ESPIÃO?
Presidente do instituto, Eurnekian acredita na possibilidade de o ditador soviético Josef Stálin (1878-1953) ter inferido que a operação de resgate dos judeus-húngaros poderia ser apenas um disfarce para Wallenberg, pois havia a suspeita de ele ser um espião a serviço dos EUA.
Hoje é sabido que Wallenberg tinha contato com agentes do Escritório de Serviços Estraégicos (OSS, na sigla em inglês), o serviço de segurança americano durante a Segunda Guerra, que foi o predecessor da CIA.
Especula-se que ele tenha sido cooptado ainda bem jovem, quando estudava na Universidade de Michigan.
"O sumiço de Wallenberg é um capítulo da história que permanece em aberto, e a verdade ainda pode emergir com a abertura de arquivos da burocracia moscovita", afirma Eurnekian.
O instituto que ele dirige oferece recompensa de € 500 mil (aproximadamente R$ 1,53 milhão) para quem der informações que ajudem a esclarecer o paradeiro de Wallenberg. 

Postagem em destaque

Lançamento do livro Intelectuais na Diplomacia Brasileira: a cultura a serviço da nação, na Biblioteca Mario de Andrade

Lançamento do livro Intelectuais na Diplomacia Brasileira: a cultura a serviço da nação , na Biblioteca Mario de Andrade em SP, 12/05, 19hs,...