segunda-feira, 10 de junho de 2024

Morre Conceição Tavares, um ícone do desenvolvimentismo - Mauricio David

Morre Conceição Tavares, um ícone do desenvolvimentismo

Nascida em Portugal, e no Brasil desde 1954, lecionou na UFRJ e colaborou com a Cepal. Faleceu em Nova Friburgo (RJ), aos 94 anos

 

Talvez um dos maiores méritos da economista Maria da Conceição Tavares, que faleceu sábado (8) em Nova Friburgo, aos 94 anos, tenha sido sua inesgotável capacidade de provocar polêmica e conseguir levar adiante debates sobre política e economia que, de outra forma, poderiam ficar restritos a pequenos grupos ou mesmo passar desapercebidos, sem influenciar políticas públicas e decisões governamentais.

Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) durante muitos anos, inclusive depois de aposentada, autora de livros adotados em muitos cursos de economia e de artigos publicados durante 12 anos pelo jornal "Folha de S. Paulo", Conceição Tavares teve entre seus alunos alguns dos economistas que dirigiram as finanças do país desde a redemocratização do Brasil depois do regime militar. Com alguns desses ex-alunos e colegas, manteve polêmicas públicas e ferozes, sobretudo com economistas liberais.

Dona de uma personalidade marcante, com tom de voz e sotaque inconfundíveis, controversa, debatedora incansável, ao mesmo tempo em que ganhou adversários na economia e na política, ela também colecionou admiradores, economistas em sua maioria, que prezavam a agudeza das suas críticas e a fidelidade às suas convicções, desprezando modismos do pensamento econômico.

Conceição Tavares - chamada simplesmente de Maria por alguns dos amigos mais próximos - conviveu com a maior parte dos economistas de renome do país durante a segunda metade do século XX e os primeiros anos deste século e deixou sua marca não apenas como uma espécie de "agitadora" de ideias, mas também pelo seu pioneirismo em estudar temas como a industrialização no Brasil e a ênfase, que ela considerava exagerada, no mercado financeiro.

Maria da Conceição de Almeida Tavares nasceu na cidade de Anádia, em Portugal, no dia 24 de abril de 1930. Licenciou-se em matemática na Universidade de Lisboa. Um ano depois de formada, em 1954, mudou-se para o Brasil, tendo se naturalizado brasileira poucos anos depois, em 1957.

Em uma entrevista à revista "Praga", explicou sua decisão de migrar: "Quando saí de Portugal, em 1954, os problemas lã eram democracia, humanismo, terror. Já no Brasil, eram a injustiça social, o atraso e a presença do imperialismo. Quando entrei para o (então ) BNDE, aluna de economia ainda, deparei-me com as estatísticas: esse país é uma desigualdade só. Compreendi, então, as dificuldades das tentativas de construção de uma democracia nos trópicos."

No banco que é hoje o BNDES, ela trabalhou como analista, entre 1958 e 1960 
(na verdade, como estagiária e um curto período como analista, não como afirmou errônea e mentirosamente o Aloizio Mercadante como “ocupando altas funções no Banco” (MD) - ano em que terminou a Faculdade de Ciências Econômicas na então Universidade do Brasil. Imediatamente, passou a dar aulas ao mesmo tempo em que fazia seu curso de pós-graduação em desenvolvimento econômico na Comissão Econômica para América Latina (Cepal). (Na verdade, o curso era na Comissão Mista CEPAL/BNDES, aqui no Rio de Janeiro, então dirigida pelo grande economista chileno e cepalino Aníbal Pinto (MD)”.

Foi colaboradora da Cepal entre 1961 e 1974. Em 1973, foi uma das fundadoras do primeiro curso de pós-graduação em economia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Obteve doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1975, defendendo a tese "Acumulação de capital e industrialização no Brasil". Com a aposentadoria de Octavio Gouvêa de Bulhões, três anos depois, tornou-se professora titular na UFRJ.

Também foi uma das criadoras do Instituto de Economistas do Rio. Em 1980, formalizou sua participação política filiando-se ao PMDB. Na entrevista à revista "Praga", comentou da seguinte forma sua decisão de entrar no partido:

"Minha militância no PMDB durou de 1978 a 1988 e está indissoluvelmente ligada a duas personalidades públicas deste país: Ulysses Guimarães e Fernando Henrique Cardoso. O primeiro, Deus levou antes de testemunhar a ruína do seu partido e o apodrecimento da grande frente democrática que liderou durante tantos e tantos anos, nessa travessia infindável para a democracia. O segundo foi meu companheiro da luta político-intelectual por décadas. Quando saiu para fundar o PSDB não o acompanhei porque o grupo de economistas do PMDB permaneceu fiel a Ulysses, já que era sob sua serena condução que nos movíamos. Foi na sua ala, a Travessia, que nos reuníamos para discutir, organizar programas econômicos e debater com os quadros técnicos e cúpulas políticas do partido."

No governo de FHC - a quem Conceição Tavares continuava a tratar como Fernando, mesmo durante seu tempo na Presidência da República - ela foi dura crítica da política econômica, em especial no que se referia à decisão de manter as taxas de juros elevadas e o real, sobrevalorizado.

Na época em que o então presidente do Banco Central, Gustavo Franco, saiu do governo, Conceição Tavares, então deputada, fez em discurso no Congresso em que afirmou que o presidente Fernando Henrique deveria ter demitido Franco quando disse que não subiria os juros e acabou aumentando a taxa, em setembro, para 50%.

"Ali ele tinha que ter demitido esse menino", disse. Concluiu seu discurso de protesto no plenário afirmando que a "desvalorização cambial decretou a falência da política econômica do governo".


Na primeira metade dos anos 1980, Conceição Tavares ganhou maior notoriedade fora dos meios acadêmicos ao publicar uma série de trabalhos criticando a política econômica do governo. São dessa época seus livros "A economia política da crise: problemas e impasses da política econômica brasileira"* ( na verdade, de minha co-autoria junto com a Conceição. Nesta época, a Conceição resolveu assumir a Presidencia do Instituto de Economistas do Rio de Janeiro- IERJ ( o presidente anterior havia sido o economista Pedro Malan, odiado pelo Delfim porque crítico da política econômica do regime militar) e me convidou para colaborar com a sua gestão. Lá pelas tantas, resolvemos no Instituto organizar um Encontro de Economistas, primeira reunião aberta deste tipo, possível com a abertura política no Brasil) e "O grande salto para o caos: a economia política do regime autoritário", este com José Carlos de Assis.

Apoiou o Plano Cruzado e chorou em uma entrevista à televisão, ao comentar os efeitos que a estabilização monetária poderia trazer para os mais pobres.

Em 1994, ela se filiou ao Partido dos Trabalhadores (PT), elegendo-se deputada federal pelo Estado do Rio de Janeiro, onde sempre morou desde que chegou ao Brasil. Depois de cumprir um único mandato, desiludida com o pouco que conseguiu realizar como parlamentar, ela desistiu de concorrer a outros cargos públicos.

Mas voltou a participar do governo federal, assessorando o senador petista Aloizio Mercadante, de São Paulo, após a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujo governo ela influenciou também por meio da indicação do amigo Carlos Lessa, que ocupou a presidência do BNDES até 2004.

Crítica também da política econômica adotada pelo governo Lula, Conceição Tavares resolveu parar de escrever em jornais em setembro de 2004. Em sua última contribuição à "Folha de S. Paulo", ela deixou explícita a determinação do seu caráter: "Depois de mais de 40 anos de luta intelectual no campo da heterodoxia e de militância nas lutas democráticas populares e nacionais, ainda não desisti das lutas maiores." Por isso mesmo, decidira parar de escrever - o que a obrigava a ler "centenas de matérias econômicas" - para "poupar as energias que me sobram para as únicas tarefas a que nunca me neguei".

Legado da economista

Obras de Maria da Conceição

Da substituição de importações ao capitalismo financeiro. Zaliar, 1972
Acumulação de capital e industrialização no Brasil. Tese de livre-docência (UFRJ), 1975, Ed. Unicamp, 1986.
Ciclo e crise. O movimento recente da economia brasileira. Tese de professora titular (UFRJ), 1979.
A economia política da crise (Org). Ed. Vozes/ Achiamé, 1982.
O grande salto para o caos: a economia política do regime autoritário (Coautoria com José Carlos de Assis). Zaliar, 1985.
Aquarela do Brasil: ensaios políticos e econômicos sobre o governo Collor (Org. e introdução). Ed. Rio Fundo, 1991
Japão: um caso exemplar de capitalismo organizado. (Coautoria com Emani Torres Filho e Leonardo Buriamaqui). Ipea/Cepal, 1991
Ajuste global e modernização conservadora. (Coautoria com José Luis Fiori). Ed. Paz e Terra, 1993.
Celso Furtado e o Brasil. (Org.) Fundação Perseu Abramo, 2000.

 

Economistas, ex-alunos e políticos ressaltam legado da professora

Paula Martini e Ricardo Bomfim

 

Economistas, ex-alunos e políticos lamentaram a morte de Maria da Conceição Tavares, no sábado.

Em uma rede social, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou Conceição Tavares de "uma das maiores da nossa história". "Foi uma economista que nunca esqueceu a política e a defesa de um desenvolvimento econômico com justiça social", escreveu.

Mercadante, atual presidente do BNDES, onde Conceição Tavares trabalhou, escreveu, em nota, que a economista tinha "densa formação intelectual e profunda coragem". "Não poderia deixar de mencionar a imprescindível contribuição de Conceição para a construção do BNDES, instituição na qual ela entrou concursada em 1958", afirmou.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, escreveu em rede social que a economista "deixa um rico legado" com "seu pensamento, crítica e defesa inegociável da justiça social". "Será sempre uma estrela guia para o pensamento econômico brasileiro", afirmou.

O economista Marcio Pochmann, presidente do IBGE, disse que Conceição Tavares deixa "uma trajetória exemplar de educadora engajada no que de melhor o pensamento crítico gerou no Brasil".

O diretor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Carlos Frederico Leão Rocha, ex-aluno de Conceição Tavares, atribui a ela o desenvolvimento de um pensamento econômico de esquerda no país. "Pegou o legado do Celso Furtado e criou duas escolas de economia. Ela tem artigos fantásticos", disse.

Para a economista Laura Carvalho, diretora global da Open Society Foundations, Conceição Tavares, que também foi sua professora, esteve à frente de seu tempo como mulher e acadêmica.

"Sempre foi muito aguerrida, mas nunca teve medo de enfrentar as conversas. E com isso chamava atenção, ainda mais sendo mulher num ambiente tão dominado por homens", afirmou. "Ela oferece esse exemplo que inspira e mostra a possibilidade que nós mulheres temos de fazer análises originais e ocupar espaço no debate."

Luiz Gonzaga Beluzzo, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), lembrou que a economista "discutia de maneira muito intensa". "Às vezes, não entendiam que ela não estava brigando com as pessoas, mas com as ideias. Isso faz parte da construção do conhecimento. Ela tinha grande capacidade de compreensão e, inclusive, de abandonar as próprias idéias", afirmou

Beluzzo atribui à energia e ao didatismo particular de Conceição Tavares a capacidade para atrair os alunos, que lotavam disciplinas lecionadas por ela na Unicamp e na UFRJ. Esse vigor, diz, fez com que ela se tornasse conhecida também pelas novas gerações através de trechos de aulas e entrevistas que viralizaram nas redes sociais. "Ela provocava as pessoas e suscitava nelas uma vontade de entender sobre o que ela estava falando."

Um dos criadores do Plano Real, o economista Edmar Bacha disse que a morte de Conceição Tavares é uma "grande perda para o país". "Amiga dileta, professora inspirada, com contribuições fundamentais para a compreensão da economia brasileira", afirmou. "Correntes pouco importam, o que importa é a qualidade da análise. E a da Conceição era excepcional".

O economista Cláudio Considera, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), recordou a convivência com Conceição Tavares no início dos anos 1970, quando foi estagiário dela no escritório da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) no Rio de Janeiro. "Irascível e ácida no debate, era afável no convívio", disse.

Ele sublinhou a atuação da colega contra a desigualdade na ditadura. "Corajosa no combate à política econômica da ditadura que provocou enormes desigualdades sociais, chegou a ser presa por alguns dias. Segundo consta, foi solta graças à intervenção do Simonsen, à época ministro [da Fazenda] de Geisel, que a respeitava."

 

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* "A economia política da crise: problemas e impasses da política econômica brasileira" ( na verdade, de minha co-autoria junto com a Conceição. Nesta época, a Conceição resolver assumir a Presidencia do Instituto de Economistas do Rio de Janeiro e me convidou para colaborar com a sua gestão. Lá pelas tantas, resolvemos no Instituto organizar um Encontro de Economistas, primeira reunião aberta deste tipo, possível com a abertura política no Brasil. Como professor e pesquisador da PUC/RJ, através do seu Instituto de Relações Internacionais-IRI, do qual fui um dos fundadores junto à liderança do pensador ligado “aos padres” da PUC Luiz Gonzaga de Souza Lima, e do Departamento de Economia (hoje célebre após o Plano Real), fiquei encarregado de organizar a reunião e de conseguir que a PUC cedesse seus auditórios e salas para a reunião. Consegui, depois de muitos sacrifícios e lutas, pois os padres ainda estavam receosos de enfrentamentos com os militares, que a PUC cedesse auditório e salas para o evento. Foi aí que tive o primeiro e talvez único encontrão com a Conceição. Explico : durante o evento, que reuniu dezenas de mesas de debate e grandes reuniões plenárias de abertura e encerramento, eu havia tomado a iniciativa de convidar Leonel Brizola e Darcy Ribeiro para participarem do evento. Ambos compareceram e, como é natural, “roubaram” boa parte do evento... A Conceição, apaixonada como sempre e nesta época vivendo um idílio com o PMDB, embora fosse uma democrata radical, perdeu as estribeiras e me desancou com virulência por ter convidado o Brizola e o Darcy (para ela, naquele período, o debate democrático só valia para seus amigos do PMDB...). Engoli em seco e passei uma borracha nas diatribes da Ceiça. Tudo voltou às boas, como solia acontecer nas “brigas” da Conceição... Neste meio termo, propus que aproveitássemos o evento a realizar-se na PUC para publicarmos um livro (não com os resultados do Encontro, porque é sabido que os intelectuais brasileiros são meio “preguiçosos” e difíceis de escrever. Era uma primeira iniciativa deste tipo que se realizava no Brasil pós-abertura. Houve muitas dúvidas sobre a sua viabilidade (a organização e publicação do livro). Como todos aplaudiram a minha idéia e proposição, mas ninguém queria assumir o encargo, por descrença total na sua viabilidade, acabei, como autor da idéia e proposição, encarregado de organizar o livro. Que batalha então ! Primeiro, procurar possíveis autores e incentivá-los a escrever os ensaios. Segundo, encontrar uma editora para publicá-los. Foi uma luta dura, mas afinal os originais foram recebidos (fiquei quase louco, pois ninguém cumpria prazos, a começar pela própria Conceição). Lá pelas tantas, consegui até uma editora (que depois deu um “golpe” no IERJ, editando e reeditando várias vezes o livro sem nunca pagar os direitos autorais ao IERJ). Eu havia sugerido que, para melhor divulgação do livro e como arma de combate, a Conceição aparecesse como autora e organizadora do livro. Idéia aceita, lá pelas tantas o Eduardo Augusto (professor do Instituto de Economia da UFRJ e a quem a Conceição havia convidado para ser a sua Vice no Instituto) disse em uma reunião : “Mas que absurdo, minha gente, a idéia do livro, a sua organização e a batalha por sua edição foi toda feita pelo Mauricio, não é justo que o seu nome não apareça na capa junto do da Conceição”... O Eduardo Agusto era muito respeitado e estava na Vice por indicação da Conceição. A aceitação foi unânime e assim passei a figurar como um dos organizadores do livro. Por modéstia talvez excessiva, eu organizai o livro mas fiquei constrangido em dele participar como um  dos ensaístas... Como a Conceição foi useira e vezeira em dar “carona” em toda a sua vida intelectual a moluscos que colavam a sua pele para aparecerem – e a generosa e bondosa Ceiça sempre dava guarida a estes oportunistas – há gente que até hoje há de pensar que fui um destes caronas...( Serra, José Carlos de Assis, Aluizio Mercadante, José Luiz Fiori, simples moluscos que se agregavam ao casco da brilhante intelectual que era a Conceição para aparecerem colados ao seu nome ( faço excessão ao nome da Hildete, sempre amiga da Ceiça para tudo e sempre, e ao Belluzzo, seu grande parceiro intelectual na Unicamp). Mas a verdade é que, desta vez, quem pegou carona foi a Conceição ! Ela apareceu no livro como Pilatos no Credo... Mas que o meu nome tenha aparecido como co-organizador/autor junto ao do dela, muito me honra e me alegra. Obrigado, Ceiça !, por me dar esta honra... E obrigado, Eduardo Augusto, pela sua dignidade intelectual de sempre...

MD    

 

domingo, 9 de junho de 2024

Arquitetura da Destruição - 1989; a "estética" do nazismo

Um documentário importante sobre a "estética" nazista, toda ela construída em função do conceito de raça. Eliminação de raças inferiores e de pessoas deficientes.

Arquitetura da Destruição - 1989

Legendado (PT-BR)

O Documentário a arquitetura da destruição descreve a trajetória de Hitler e seus aliados durante a ascensão do partido nazista na Alemanha, bem como da eclosão da 2º guerra mundial. Mostrando que Hitler sempre sonhou em ser um grande artista, que após sua ascensão irá utilizar seus projetos arquitetônicos bem como suas teorias, negando consideravelmente a arte modernista. Dessa forma esse documentário relata como se dava a relação dos nazistas, com as obras artísticas existentes na Alemanha e nos países dominados. Destacando, entretanto o nacionalismo e a moral ideológica Alemã em uma época de grandes crises, em que o mundo se recuperava da 1º Guerra Mundial. Onde teóricos e representantes do nazismo, passaram a questionar a arte moderna, relacionando essa arte a grupos revoltosos, sublevadores como os judeus e os bolchevismo da Rússia. Nesta atmosfera o documentário descreve a posição da Alemanha nazista em relação às obras modernistas. Pois nesse período florescia na Europa diversas teorias raciais influenciariam Hitler, fazendo com que ele desenvolvesse uma política de não aceitação da grande maioria das obras modernistas, que segundo ele representavam deformações genéticas existentes na sociedade. O que despertou no regime nazista, um projeto de arte em que se desenvolveria uma nova perspectiva dentro dos projetos, urbanísticos e arquitetônicos das cidades. Assim este documentário trás importantes características da arte do governo Hitler. A qual dá grande enfoque na teatralização, e na grandiosidade, promovendo um nacionalismo coletivo a cada idéia defendida por Hitler e seus comandados.

Ficha técnica: 

Título Original: Undergångens arkitektur 

Gênero: Documentário | Guerra | Histórico 

Ano de Lançamento: 1989 

Duração: 119 min 

País de Produção: Suécia 

Diretor: Peter Cohen 

Elenco: Rolf Arsenius ... Narrator Bruno Ganz ... Narrator Sam Gray ... Narrator Martin Bormann ... Ele mesmo Karl Brandt ... Ele mesmo Arno Breker ... Ele mesmo Hermann Giesler ... Ele mesmo Josef Goebbels ... Ele mesmo Heinrich Himmler ... Ele mesmo Adolf Hitler ... Ele mesmo Wilhelm Keitel ... Ele mesmo Viktor Lutze ... Ele mesmo Jeanne Moreau ... Narrator (French version) Alfred Rosenberg ... Ele mesmo Hans Schmidt-Isserstedt ... Ele mesmo Albert Speer ... Ele mesmo Josef Thorak ... Ele mesmo P.L. Troost ... Ele mesmo


sábado, 8 de junho de 2024

There is NO alternative to the defeat of Putin - Immanuel Niven

There is no alternative to a clear VICTORY FOR UKRAINE.

Immanuel Niven, June 7, 2024

❗️ALBERT EINSTEIN once said "If you can't explain it simply, you don't understand it well enough". He was right. So here is the reality (including political conclusions), simply explained:

1) There is NO WAR without supply routes.

➡️ So of course Ukraine must receive weapons to hit and destroy supply routes.

2) There is NO WAR without an economy which makes this war financeable.

➡️ So of course Ukraine must strike targets which are related to the Russian oil and gas industry.

3) There is NO POSSIBLE APPEASEMENT with Putin (his megalomaniac expansion plans into Eastern Europe are stipulated in his doctrine "Russkiy Mir"), just as there was no possible appeasement with Hitler (his megalomaniac expansion plans into Eastern Europe were stipulated in "Mein Kampf").

➡️ So of course REAL PEACE is only possible through a victory for Ukraine.

4) There is NO REASON FOR BEING NAIVE. Dictators only understand the language of strength.

➡️ So of course, Putin violated the “Budapest Memorandum”, ignored the “Minsk agreements”, invaded Ukraine and started the most brutal massacre on European soil since World War II, because he interpreted the completely naive “friendly behavior” of Western politicians until 2022 as weakness, as an invitation to start his military aggression.

➡️ Conclusion: don't be naive again. Putin cannot be appeased. He cannot be trusted. He can only be defeated. 

5) Putin is a poker player who can only bluff. He can only utter threats, he can be loud and, like a bully in the schoolyard, he can try to intimidate the little ones. But he cannot carry out his threats, because Russia is far too inferior to NATO (besides, herein lies a reason why he must be defeated NOW, because assuming he is not defeated in Ukraine, he can spend the next 2-5 years rearming himself, and when he feels ready for the next war, God help us all).

➡️ So of course there is no reason to pursue a policy which is not aimed at a victory for Ukraine. No reason to believe in a bluff. No reason to be intimidated by the bully.

❗️Russia is big, but Putin is not strong. 

You just have to compare his goals (which he tried to reach within a few weeks) with reality. These are the facts regarding Putin's real "strength":

▪️Does he have air superiority over Ukraine?

No. On the contrary, the extent of his superiority is diminishing.

▪️Is Ukraine "demilitarized"?

No. On the contrary.

▪️ Has he prevented the expansion of NATO?

No. On the contrary.

▪️Has he restored Russia's imperial greatness?

No. On the contrary, he is now just "the little partner of big China".

So in short:

Only a clear victory for Ukraine can

▪️minimize the duration of the war,

▪️prevent a future war on NATO territory,

▪️weaken the China-Iran-Russia axis, and

▪️lead to real peace.

These are the facts, simply explained, just as Einstein's quote encourages us to deal with complex issues. Once we can explain these issues simply, we can draw the right conclusions.

The conclusion of this post is quite clear:

❗️In the best interest of humanity, there is no alternative to a CLEAR VICTORY FOR UKRAINE.


#Russia #Putin

#Ukraine

#UkraineNeverSurrenders  

#ArmUkraineToWin 

#ArmUkraineToWinNOW

O Ocidente ainda está do lado da Ucrânia, mas não contem com o Brasil - Foreign Policy

 ‘We’re Still In’

Foreign Policy

U.S. President Joe Biden talks with Ukrainian President Volodymyr Zelensky at D-Day anniversary events in France.

U.S. President Joe Biden (center) talks with Ukrainian President Volodymyr Zelensky (left) as French President Emmanuel Macron (right) looks on at the start of commemoration events for D-Day in Normandy, France, on June 6.Ludovic Marin/AFP via Getty Images

U.S. President Joe Biden apologized to Ukrainian President Volodymyr Zelensky in Paris on Friday for the monthslong congressional delay in approving the latest U.S. aid package. The meeting, on the sidelines of D-Day commemoration events, was their first face-to-face encounter since Zelensky visited Washington last December to request greater military support.

U.S. Republicans—some who directly opposed sending additional aid to Ukraine and others who wanted the funding package, which also earmarked billions of dollars in aid for Israel, to include additional money for security at the U.S. southern border—had stalled the nearly $61 billion aid deal for months before passing the package in April. “I apologize for those weeks of not knowing what’s going to happen in terms of funding,” Biden told Zelensky, adding that “we’re still in. Completely. Thoroughly.”

Biden also announced a new $225 million tranche to help Kyiv reconstruct its electric grid, which has been decimated by Russian attacks in recent months. The package also includes air defense interceptors, artillery ammunition, and other critical capabilities to strengthen Ukraine’s war effort. Zelensky, in turn, likened U.S. support to Washington’s efforts in Europe during World War II. On Thursday, amid events marking the 80th anniversary of the Normandy landings, Biden gave an interview to ABC World News in which he called Russian President Vladimir Putin “a dictator” and drew parallels between Moscow’s invasion of Ukraine and the actions of Nazi Germany.

“The struggle between a dictatorship and freedom is unending,” Biden said. “To surrender to bullies, to bow down to dictators is simply unthinkable. Were we to do that, it means we would be forgetting what happened here on these hallowed beaches.”

Zelensky and Biden will meet again next week at the G-7 summit in Italy, where they will discuss using frozen Russian assets to provide Kyiv with $50 billion in aid. The United States is by far Ukraine’s biggest military supplier. Last week, Biden granted Kyiv permission to use U.S.-supplied weapons to target military sites inside Russian territory near Ukraine’s Kharkiv region so long as the operations are in self-defense. The decision, which Germany quickly copied, comes as Moscow has renewed attacks on Kharkiv, Ukraine’s second-largest city, in recent weeks. Kharkiv is located around 25 miles from the Russian border.

In response, Putin warned Washington and its allies on Wednesday that he could deploy weapons to countries within striking distance of the West and that the United States should not assume that Russia will always rule out using nuclear weapons. While at the St. Petersburg International Economic Forum on Friday, though, Putin said there was no need for nuclear warfareright now.


Russia can be defeated. And Russia MUST be defeated. - Immanuel Niven

Russia can be defeated. And Russia MUST be defeated. 

Immanuel Niven

Here are FIVE logical considerations for an imperative policy of the West.

1) To say that one is against the Russian war of aggression, but one refuses to provide Ukraine with the weapons needed to destroy the supply routes of this war, would be illogical. Because THERE IS NO WAR WITHOUT SUPPLY ROUTES.

2) The capabilities of the Russian defense industry are directly related to the capabilities of the Russian macroeconomy. In case of Russia, this macroeconomy is disproportionately dependent on a functioning oil and gas industry. The more of this industry is destroyed by Ukraine, the more unfinanceable the Russian arms industry becomes, since the constantly INCREASING military expenditure is then offset by a constantly DECREASEING revenue side of the state budget. This negative relationship becomes increasingly dangerous for the Russian macroeconomy... until military spending can no longer be financed and the system collapses.

By the way, as I have been pointing out repeatedly, WITH EXACTLY THIS APPROACH of a "toxic negative relation" President Ronald REAGAN brought the USSR (the "invincible nuclear power USSR") to implosion: Reagan forced the USSR into an extreme arms race until the "Russian" state budget could no longer afford military spending... and the system collapsed.

It would be ILLOGICAL to be against a war of aggression, but to leave the macroeconomics - which makes this war financeable - fully functional.

3) The Russian threats of "escalation and nuclear war" are a classic bluff. The fact is that the Russian Air Force does not even have full air sovereignty over Ukraine. The Russians wanted to storm the Ukrainian capital within two weeks, and now, after more than two years, they are busy laboriously maintaining air defense in occupied Crimea. And all this despite the fact that the Russian Air Force is far superior to the Ukrainian one. The NATO Air Force, in turn, is FAR superior to the Russian one, so Putin knows that in the event of a nuclear emergency he does NOT have the means to keep NATO bombers and their tactical nuclear weapons away from Moscow and St. Petersburg (or from any other city, or from missile silos). Since Putin knows this, he himself knows that he can only threaten and bluff - but nothing more. Falling for a bluff, despite of knowing better, would be ILLOGICAL.

4) In the so-called "Budapest Memorandum" of 1994, Russia recognized the territorial integrity of Ukraine and renounced the use of force, citing the UN Charter. Putin's predecessor Yeltsin signed the memorandum, but Putin did not comply with it. He also does not comply with the UN Charter, as his military operations in Syria and Chechnya, for example, prove. Furthermore, Putin was seemingly open to deepen the "Minsk Agreements"... while his troops were already deployed along the border with Ukraine, of course "only for a maneuver," as he promised. This "harmless maneuver" has since been called a "special military operation" and is the most brutal slaughter in Europe since World War II. Conclusion: it is ILLOGICAL to trust in negotiations with Putin.

5) Putin's doctrine "Russkiy Mir" is well known (or at least it should be well known, just as the contents of "Mein Kampf" should have been known to Chamberlain). This doctrine "Russkiy Mir" demands Russian expansion beyond Ukraine. It is ILLOGICAL to know the implications of "Russkiy Mir" but still IGNORE what this doctrine means - namely further Russian expansion. Such ignorant behavior is just as stupid as believing that you can appease Hitler with the Sudetenland, even though you know exactly what expansion plans are written in Hitlers "Mein Kampf".

The LOGICAL conclusion:

❗️There is only one path to real peace, namely victory for Ukraine.

#ArmUkraineToWin

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From Tendar:

The Russian incursion in northern Kharkiv is now one month ongoing and it is time to summarize the intermediate results.

When the Russian offensive started, the Russian advance was initially - at least when compared to the creeping in the east - relatively fast. Vovchans'k was obviously their primary target in that sector. Russians were superior in numbers, shells and had absolute freedom to strike Ukrainians from Russian territory, since Western weapons were restricted from being used there. 

But the Russian incursion was eventually bogged down. On May 18, Ukrainian missiles hammered several Russian positions in the northern quarters of Vovchans'k. This was also the day when the last Russian advance was recorded in that sector. The development at the western Kharkiv advance was quite similar. 

From a tactical point of view, Russians didn't make any noteworthy gains. Vovchans'k continues to be primarily under Ukrainian control, and in fact Ukrainians have already regained some previously lost parts. The Russian dream to come any closer to Kharkiv City itself in order to position tubed artillery in range of Ukraine's second largest city, is but only a fever dream. So, even this tactical objective of the Russian army is nowhere near to materialize. 

Much more important, however, is the strategic situation. Again, Russians couldn't break the Ukrainian lines and are now even compelled to defend this area. Far worse are the political implications of that adventure. The biggest Russian miscalculation has been that the West authorized the usage of Western weapons against Russian targets in Russia, not only exposing countless Russian targets but also Russian bluffs when it comes to red lines. I have mentioned this several times, before. It showed the Russian emperor's new clothes in such an obvious fashion.

There was also the assumption that the Kharkiv incursion was a diversion for operations in the east and, indeed, Russians tried multiple times to advance near Chasiv Yar. But the results there were even smaller than before Kharkiv incursion. The attempted Russian crossing of the Siversky-Donets Canal failed multiple times and the Russian armored spearheads along their manpower were swiftly eliminated. Russians haven't spent all their cannon fodder there yet, but if Kharkiv was a diversion then this intention failed as well.

All in all, the last 4 weeks, but even more the last 8 months have shown us that even under best fighting conditions Russians perform abysmally low. They have the numbers, the shells, the air planes, their industry completely set for war and, most of all, the Ukrainian shell drought. Yet, despite this huge advantage, the results regarding territorial gains are extremely meager, at best. When nothing changes and when comparing those meager results with the huge resources Russians have allocated and eventually squandered, then we can easily call this a strategic Russian defeat. Seriously, Russians cannot even take Vovchans'k, a city merely 3 miles behind their own border. Just keep this in mind and try not to laugh.

Ukrainians severely degraded Russian manpower and resources. They performed exceptionally well, despite the harsh conditions and in the process exposed Russia's weakness over and over, again. It is latest episode for the fact that Russia can be defeated.


China-Taiwan, a teoria de um Estado, a prática de dois Estados, um não reconhecido, mas que se mantém, e o que deveria fazer o Brasil? Paulo Antonio Pereira Pinto e Paulo Roberto de Almeida

 Primeiro recomendo que leiam este denso e informativo artigo do embaixador Paulo Antonio Pereira Pinto, por meio deste link, a seguir, mas que transcrevo mais abaixo em sua íntegra.

https://medium.com/mundorama/china-taiwan-quando-as-pessoas-sentem-que-a-primavera-est%C3%A1-chegando-esquecem-os-rigores-do-7fb7dbed05a8 

Segundo, vejam os comentários que fiz a ele numa mensagem direta, depois de ler o artigo, que me suscitou diferentes questões, que abordei rapidamente aqui (de forma incompleta): 

PRA: Paulo Antonio meu caro, gostei muito do seu artigo, verdadeiramente denso, esclarecedor sobre as posições das “duas” partes, mas eu gostaria de lhe colocar algumas questões que você talvez queira desenvolver em outro artigo, com base na história e no Direito Internacional. 

Primeiro: o território do Essequibo, parece-me, nunca pertenceu, de fato, à jurisdição da República da Venezuela, independente desde 1812 ou alguma outra data posterior, quando a Grã-Bretanha já tinha, de fato, se apossado do território (ou se o fez depois, tudo era uma selva inabitável para ingleses e venezuelanos e o conceito de suserania não era muito aplicável, pois nem na Capitania General de Venezuela da época colonial havia um efetivo controle do território, assim como não houve um controle efetivo sobre a ilha de Formosa por parte da RC). 

Pois bem, Taiwan NUNCA pertenceu, de fato, à suserania da RPC (1949), a rigor, nem da RC (1912), pois desde 1870 se tornou uma colônia do Japão (até 1945), sendo que antes era apenas uma ilha mal administrada, talvez até desprezada. pelo Império do Meio, até o século XIX. Só aconteceu de se tornar importante para a RC quando o seu governo nela teve de se refugiar, ao ser derrotado no continente pelo EPL. E assim ficou, até ficticiamente, como sendo o governo de TODA a China até 1972, embora outros países, desde os anos 1950, passassem a estabelecer relações diplomáticas com a RPC (não sei se já com a condicionalidade de UM Estado, ou se essa veio depois). 

Agora, temos na história exemplos de guerras civis, com divisão do país em duas “soberanias”, sendo que terceiros Estados reconhecem um ou outro, em capitais distintas. Foi assim, por exemplo, na Guerra Civil Espanhola, quando mesmo o governo do nosso Estado Novo continuou reconhecendo a República, em Madri, em Valência, em Barcelona, até a derrocada, mesmo tendo simpatias por Franco. Nosso embaixador seguiu esse governo republicano em três capitais. Quando Hitler invadiu a Polônia, o ministro em Varsóvia recebeu instruções de seguir o governo no exílio. Depois não sei o que ocorreu. Mas no caso da invasão dos três Bálticos, nunca reconhecemos a incorporação forçada na URSS em 1940, e continuamos mantendo relações com seus governos no exílio, até Jânio Quadros reatar com a URSS. 

Pense em tudo isso para refletir sobre a “teoria” dos “dois Estados”, seus efeitos práticos e suas implicações para o Direito Internacional e para a fundamentação jurídica de nossa posição, pois tínhamos relações diplomáticas com o Império, continuamos tendo com a RC (mas não sei se algum representante diplomático seguiu para Chonking durante a invasão japonesa), e seguimos tendo até 1974, quando passamos a aceitar a imposição do “Um Estado”. 

Será que tudo isso se mantém, como doutrina e como postura em DI? Na prática, Taiwan é um porco espinho: vc já viu algum felino superior conseguir dominar e comer um porco espinho? 

O abraço do PRA e mais uma vez parabéns pelo artigo.

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PAPP

China-Taiwan: “Quando as pessoas sentem que a primavera está chegando, esquecem os rigores do inverno”. A condicionante cultural chinesa.

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Mundorama


Paulo Antônio Pereira Pinto

Photo by Liam Read on Unsplash

Rio de Janeiro, 3 de junho de 2024

I

“Quando as pessoas sentem que a primavera está chegando, esquecem os rigores do inverno”, declarou poeticamente, no “estilo chinês”, o representante taiwanês Wang Daohan, ao chegar à China, para encontros em Pequim e Xangai, em outubro de 1998. Sua visita representava um “ice breaking”, mesmo sem ser uma ruptura completa com cinquenta anos de hostilidades gélidas entre os dirigentes do Partido Comunista Chinês e as autoridades do Kuomintang, que fugiram para Taipé, em 1949, após a fundação da República Popular da China (RPC).

Tratava-se do segundo encontro entre o Sr. Wang, representante da “Strait Exchange Foundation” (SEF), organização não oficial taiwanesa e o Sr. Koo Chen-fu, da “Association for Relations Across de Taiwan Strait” (ARAF), não oficial chinesa, cinco anos após sua primeira reunião, em Singapura.

Verifica-se, a propósito, que já houve diálogo bem mais construtivo, sempre com condicionantes culturais chinesas, entre as duas margens do estreito de Taiwan. Atualmente, se assiste a esperada “coreografia bélica” da RPC, após a posse de Willian Lai, líder do partido “independentista” como a maior autoridade em Taipé, conforme antecipado por texto publicado em 14 de março passado.

Desnecessário lembrar que, no momento, a hostilidade da RPC contra a liderança taiwanesa é explicada pela reiterada declaração do Ministro das Relações Exteriores da RPC, no sentido de que “ a independência de Taiwan é uma rua sem saída”. Sua manifestação se deveu ao discurso de posse de Willian Lai.

Em seu pronunciamento, Lai “exortou a China a parar com a intimidação verbal e militar” e a “dividir responsabilidades na manutenção da paz e da estabilidade no estreito” que separa a ilha do continente. Ele ainda prometeu “não ceder nem provocar”, manter o status quo e ser “o timoneiro da paz”. Lai afirmou esperar que Pequim “possa tomar passos concretos na direção da reconciliação com Taiwan, inclusive retomando trocas bilaterais, como intercâmbio turístico e de estudantes, trabalhando no caminho para uma coexistência pacífica”.

Como reação, a RPC classificou o novo dirigente taiwanês como “perigoso separatista”, que busca a “independência da ilha”. Seguiram-se exercícios militares, destinados a “testar a habilidade da RPC de tomar o poder em Taiwan pela força”.

Tal coreografia bélica foi a de maior intensidade realizada pelas forças armadas da RPC, com vistas a eventual reintegração de Taiwan, por “meios não pacíficos” — conforme Pequim define eventual disputa militar com a ilha, sem usar o termo “guerra”, que, segundo a concepção da RPC, seria reservado a “estados independentes”. Reitera-se que, para Pequim, a mesma identidade cultural uniria os dois lados do Estreito de Taiwan, na condição de “uma China”.

Nessa perspectiva, pretende-se, a seguir resgatar, de forma sumária e simplificada, o passado recente que colocaria em questão a existência de identidade cultural distinta da chinesa, na margem formosina do Estreito de Taiwan¹.

II

A título de exercício de reflexão, cabe lembrar que, em meados da década de 1950, a República Popular da China — fundada em 1949 por Mao Zedong — começou a endereçar iniciativas de conversações ao Kuomintang (KMT, denominado Partido Nacionalista) que, derrotado pelo Partido Comunista Chinês (PCC), havia se refugiado em Taipé.

Em abril de 1955, portanto, o Premier Shou Enlai propôs, via delegação dos EUA, em Genebra, negociações com as “autoridades locais responsáveis” em Taiwan. No ano seguinte, o Primeiro-Ministro reiterou a oferta, ao expressar publicamente o desejo de discutir passos concretos, no sentido da resolução pacífica do problema formosino com o KMT. Em abril de 1957, coube ao próprio Mao manifestar a vontade do PCC de cooperar com o Partido Nacionalista para o início de negociações com vistas à resolução pacífica do problema através do estreito.

Taiwan dispensou, publicamente, todas estas iniciativas. Historiadores taiwaneses registram, no entanto, que, nas décadas de 1950 e 60, Chiang Kai-shek teria mantido contatos secretos com Pequim, tendo, inclusive, enviado emissários para discutir, em sigilo, a reunificação com os dirigentes chineses.

Entre os pontos então discutidos, especula-se que teria sido considerado, por exemplo, o retorno de Chiang Kai-shek, com seus seguidores, à China, podendo se estabelecer, na condição de Presidente do Partido Kuomintang, em qualquer província do continente, exceto na de Zheijiang (mais próxima da ilha de Formosa). Chiang Chin-kuo (filho de Chiang Kai-shek) seria o Governador da Província de Taiwan. A ilha conservaria as prerrogativas desfrutadas nos vinte anos anteriores, á exceção da autonomia em política externa e assuntos militares.

A Marinha e a Força Aérea taiwanesas seriam reorganizadas sob o controle chinês. O Exército também seria reestruturado, reduzindo-se a quatro divisões, uma a ser baseada nas regiões de Jinmen e Xiamen e outras três em Taiwan. Xiamen e Jinmem seriam transformadas em cidades livres, situadas como entrepostos entre Pequim e Taipé. O comandante da divisão regional teria a patente de Tenente-General e seria, também, o Prefeito da cidade. Sua nomeação deveria ser aprovada por Pequim. Cargos e salários de todos os funcionários civis e militares seriam preservados e as condições de vida da população da ilha ficariam mantidas no nível alcançado naquele momento.

Com base nessas condições, consta que Chiang Kai-shek teria concordado em conduzir negociações secretas. Após o início da Revolução Cultural, na China durante a década de 1960, contudo, contatos sigilosos ou ostensivos cessaram com autoridades taiwanesas.

Durante a Era Deng Xiaoping, no final da década de 1970, Pequim abandonou sua política de anexação de Taiwan pela força e formulou nova orientação de “reunificação pacífica”. Desencadeou, em seguida, uma série de iniciativas de aproximação dos taiwaneses. Em janeiro de 1979, o Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo, enviou “uma mensagem aos compatriotas em Taiwan”.

III

De sua parte, em 30 de abril de 1991, Taiwan anunciou o término do “Período de Mobilização para a Supressão da Rebelião Comunista”. De forma resumida, tratava-se, para o Kuomintang, de deixar de considerar o Partido Comunista Chinês como uma “organização rebelde”. Na prática, significou a renúncia ao delírio de que, um dia o KMT viria a reconquistar a China, pela força militar, e retornar ao poder em Pequim.

No mesmo ano, com o propósito de estabelecer diálogo com a RPC, os formosinos criaram a “organização não-governamental” “Strait Exchange Foundation” (SEF). Em contrapartida, os chineses fundaram a “Association for Relations across the Strait” (ARATS). Da parte taiwanesa, esperava-se que as duas instituições poderiam estabelecer um “regulamento para as relações entre a população da área de Taiwan e a do continente”

A SEF e a ARATS realizaram uma série de conversações em 1992. Em outubro daquele ano, Jian Zemin, na capacidade de Secretário-Geral do PCC, afirmou que, “sob a égide do Princípio de “uma China”, seria possível às duas partes discutir qualquer tema”. No ano seguinte, em abril, aconteceu, em Singapura, o primeiro e mais importante encontro, entre os Presidentes da fundação taiwanesa, Koo Chen-fu, e o da chinesa, Wang Daohan.

Em outubro de 1998, o representante taiwanês Wang Daohan — conforme mencionado no início deste texto — manteve encontros de alto nível, em Xangai e Pequim, inclusive com Jiang Zemin, na capacidade de Secretário-Geral do PCC. Durante sua permanência de seis dias, no entanto, foram mantidas as posições conhecidas das duas margens do estreito. Os chineses continuaram a insistir em que as conversações, com vistas à reunificação, deveriam ser conduzidas sob a égide de “uma China”. Questões políticas deveriam ser, portanto, tratadas antes de temas econômicas e técnicos.

De sua parte, o enviado taiwanês reiterou a posição de que, para melhorar as relações entre a ilha e o continente, caberia, inicialmente, fortalecer os vínculos entre as duas associações semioficiais. Este passo seria fundamental, divulgava-se em Taipé, para a consolidação da confiança necessária a discussões posteriores sobre temas políticos.

De forma a ressaltar este ponto — sempre apelando para a cultura chinesa comum aos dois lados do Estreito — Koo escolhera, para seu programa noturno em Xangai, assistir à opera “Fortaleza Vazia”, que narra disputa — durante o período histórico chinês dos “Três Reinos” (220–280) — entre dois adversários que compartilhavam desconfianças mútuas.

Tais suspeitas foram confirmadas — junto aos chineses — em 9 de julho de 1999, quando Lee Teng-hui, então “maior autoridade local” fez pronunciamento em que definiu as relações através do estreito como “entre dois países” (vide texto publicado em primeiro de maio passado). Afirmou também que não havia necessidade de Taiwan declarar independência, visto que a “República da China” já era um país independente desde 1912.

Segundo era possível antecipar, os chineses reagiram de forma categórica. Wang Saohan, Presidente da ARATS, afirmou que a teoria de “dois estados” tornaria inútil qualquer possibilidade de continuação de diálogo com a SEF.

Ao exigir o retorno de Taiwan à política de “uma China”, Pequim declarava então que Lee tinha dado um “passo extremamente perigoso” em direção à divisão da China e o avisou de que “estava brincando com o fogo”.

Os chineses reiteraram, também, que não haviam renunciado ao emprego da força militar, caso a ilha seguisse o caminho independentista. Houve amplas especulações sobre a possibilidade de uma pronta reação armada. Exercícios militares chineses – aparentemente já programados – foram noticiados como preparativos para uma invasão. Editoriais de jornais na RPC criticavam a teoria dos “dois Estados”. Afirmava-se que a China não hesitaria em atacar, mesmo diante da resistência dos EUA.

Digna de registro, também, foi a reação norte-americana que através do porta-voz do Departamento de Estado, apenas reiterou a conhecida posição de Washington, com respeito aos “três nãos”: à independência de Taiwan; a “duas Chinas”; e à participação formosina de organizações internacionais reservadas a Estados. Nessa perspectiva, os EUA e a RPC pareciam, naquele momento, ter posições idênticas quanto à provocação de Lee.

Da mesma forma, o Japão comprometeu-se a manter a política de adesão ao princípio de “uma China”. Outros países asiáticos manifestaram-se contrários à iniciativa de Lee, de proclamar a existência de “duas Chinas”.

IV

A RPC, como se sabe, continua a considerar que Taiwan faz parte da China. Evoca com frequência, nesse sentido, o “século de humilhações” a que foi submetida, com a ocupação de territórios seus por potências exteriores. Esta — segundo seu ponto de vista — seria o caso da ilha formosina. É questionável, contudo, que a segunda potência econômica do mundo atual e um dos três países mais poderosos militarmente possa, ainda, recorrer a tal argumentação. Custa acreditar que mantenha o argumento de vitimização histórica, pelo ocorrido nos dois séculos passados, diante do sucesso presente.

É questionável, no entanto, se a população de Taiwan desejaria, hoje, viver sob uma administração da RPC. As últimas eleições na ilha, também é sabido, contou com a participação de apenas 70% dos eleitores, dos quais 40% votaram a favor do “independentista” William Lai. Não se trata, assim, de mandato absoluto.

Tendo servido, entre 1998 e 2006, como Diretor do Escritório Comercial do Brasil em Taipé, permito-me refletir, no que diz respeito ao “suposto repúdio taiwanês à identidade chinesa” sobre os pontos seguintes:

- A conservação em Taiwan do Museu Imperial Nacional que, conforme trecho de catálogo abaixo², preserva tesouro cultural chinês trazido por Chiang Kai-sheck, em 1949, quando fugiu de Pequim. Porque não devolver à capital da RPC relíquias que seriam apenas de sua história?

- A calorosa celebração do Ano Novo Chinês, com a exibição do “animal homenageado”, em diferentes formas e manifestações variadas, em todos os centros urbanos da ilha;

- O fato sabido de que (não disponho de comprovação de registro oficial), para que seus filhos estudem melhor a civilização chinesa, muitas famílias ricas na RPC enviam seus filhos a escolas taiwanesas;

- Da mesma forma, novos atores para a “Ópera de Pequim” são, cada vez mais, recrutados em Taiwan; e

- Principalmente, a constituição em vigor na ilha declara a “existência de uma China”, com sede em Taipé.

Em conclusão, na expectativa para a solução da questão através do Estreito de Taiwan, tendo em conta as condicionantes de uma identidade cultural compartilhada, mesmo “quando as pessoas sentirem que a primavera está chegando”, haverá ainda demora para “esquecerem os rigores do inverno”.

Notas

¹ A respeito da “questão de Taiwan”, vide artigos publicados em meu livro “O Tecer de Relações Internacionais Contemporâneas”, Editora AGE, 2024.

² National Palace Museum, Taipei

The exhibition shows that porcelains with painted enamels of the three reigns of the Qing dynasty, Kangxi, Yongzheng and Qianlong (1662–1795), are the most iconic porcelain wares in the 18th century. Also, it elaborates these three stages of styles were established with the invention and development of the pigments as well as the different requests for the official wares from the Emperors.

This exhibition is divided into three sections in chronological order. “Novelty from the Emperor’s Experimental Workshop” compares the testing pieces and final works to present that the Kangxi Emperor (r. 1662–1722) invited Western missionaries and local masters to produce the Kangxi-reign-style painted enamels. “Imperial Exclusive Style” shows that the Yongzheng Emperor (r. 1723–1735) promoted painted enamels as court-limited works based on his request of an imperial exclusive style. “Imperial Design & Craftsman’s Skill” presents that the Qianlong Emperor (1736–1795) reinitiated the dialogue between the Imperial workshops of the Forbidden City (or the Old Summer Palace) in Beijing and Imperial kilns in Jingdezhen to embody the concept of one “official ware” so that they could share the same decorative style, and therefore create yangcai and falangcai, two styles of painted enamels.

Sobre o Autor

Paulo Antônio Pereira Pinto: Embaixador aposentado.


quinta-feira, 6 de junho de 2024

Rússia não tem ambição imperial, nem planos contra Otan, diz Putin Folha de S. Paulo

Alguém acredita no Putin? 

Rússia não tem ambição imperial, nem planos contra Otan, diz Putin
Folha de S. Paulo | Mundo
06 de junho de 2024

GUERRA DA UCRÂNIA

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quarta (5) que o Kremlin não tem planos para atacar a Otan, a aliança militar ocidental, a despeito do apoio que a organização tem fornecido à Ucrânia.

Em entrevista a jornalistas estrangeiros, porém, o líder manteve o roteiro adotado desde o começo do conflito com o vizinho e distribuiu ataques retóricos aos Estados Unidos e a outras potências do Ocidente.

Numa aparente estratégia morde eassopra, Putin afirmou que Moscou não tem "ambições imperiais" e que tampouco planeja expandir a guerra iniciada em fevereiro de 2022. Mas voltou a dizer que a Otan está envolvida de forma direta na Guerra da Ucrânia e reiterou que o envio de armas a Kiev representa um movimento "muito perigoso".

"Entregar armas numa zona de guerra é sempre ruim. Ainda mais se aqueles que o lázem não só entregam, mas também as controlam", disse Putin na entrevista de mais de três ho ras no principal fórum eco nômico anual da Rússia, em São Petersburgo.

"Se alguém acha que é possível enviar tais armas a uma zona de guerra para atacar o nosso território, então por que não temos o direito de fornecer armas do mesmo tipo para regiões do mundo onde possam ser usadas em ataques contra instalações sensíveis dos países que fazem isso com a Rússia?" acrescentou, em tom de ameaça.

A declaração foi direcionada à Alemanha, país integrante da Otan e que, na semana passada, decidiu junto com os EUA desafiar as ameaças nucleares de Putin e permitir o emprego de armas doadas a Kiev contra alvos na Rússia.

Os impactos da medida já são reglstradosnos campos de batalha. No domingo (2), as orças ucranianas destruíram pela primeira vez um sistema antiaéreo dentro do território vizinho usando um foguete americano.

Putin chamou de estúpidos os comentários que sugerem um ataque da Rússia à Otan como resposta. Mas, de forma ambígua, voltou a afirmar que Moscou pode acionar a sua doutrina nuclear se a segurança do país for ameaçada.

Carta do Atlântico, agosto de 1941: o início da trajetória para o desembarque do Dia D

 Declaração Conjunta da Carta do Atlântico

O texto completo da Carta do Atlântico e a análise de cada ponto são apresentados a seguir.

O Presidente dos Estados Unidos da América e o Primeiro-Ministro representante do Governo de Sua Majestade no Reino Unido, tendo-se reunido no Oceano, consideram oportuno dar a conhecer alguns princípios nos quais baseiam as suas esperanças num futuro melhor para o mundo e que são comuns à política nacional dos seus respectivos países:

  1. Os vossos países não procuram qualquer engrandecimento territorial ou outro.

Roosevelt e Churchill não procuravam ganhos territoriais. Isto contrastava fortemente não apenas com os conflitos passados, mas também com o que os seus inimigos e o seu principal aliado procuravam. Afinal, o Terceiro Reich, o Japão Imperial, o Reino da Itália e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) possuíam território desde o início da guerra.

  1. Não desejam ver nenhuma mudança territorial que não esteja de acordo com os votos livremente expressos dos povos envolvidos.
  2. Respeitam o direito de todos os povos de escolher a forma de governo sob a qual desejam viver e desejam que os direitos soberanos e o livre exercício do governo sejam restaurados àqueles de quem foram tirados à força.

Também se comprometeram a não realizar mudanças territoriais que sejam inconsistentes com os desejos livremente expressos pelos povos envolvidos e apoiaram o direito de todos os povos de escolherem a forma de governo sob a qual viverão. Isto foi um eco da promessa de autodeterminação feita por Woodrow Wilson uma geração antes.

  1. Esforçar-se-ão, respeitando plenamente as suas obrigações existentes, por alargar a todos os Estados, pequenos ou grandes, vitoriosos ou derrotados, a possibilidade de acesso igualitário ao comércio mundial e às matérias-primas necessárias à sua prosperidade económica.
  2. Desejam realizar a mais completa colaboração entre todas as nações, no domínio da economia, a fim de garantir a melhoria das condições de trabalho, o progresso económico e a protecção social para todos.

Recordando os fracassos de Versalhes, os líderes garantiram que a paz do pós-guerra moldada pela Carta do Atlântico quebraria as barreiras ao comércio, ao desenvolvimento e à actividade económica. Se o isolamento, o nacionalismo económico e os mercados fechados ajudassem a lançar as sementes da guerra, raciocinaram eles, então o comércio livre, o acesso às matérias-primas, os mares livres e um sistema económico mais liberal caracterizariam o mundo da cultura. Uma das pré-condições para qualquer paz duradoura terá de ser o maior comércio livre possível, disse FDR a Churchill durante a Conferência do Atlântico.

  1. Após a destruição total da tirania nazi, eles esperam ver estabelecida uma paz que permitirá a todas as nações viver em segurança dentro das suas próprias fronteiras e que garantirá a todos os homens em todos os países uma existência livre, sem medo ou pobreza.

Da mesma forma, se a derrota militar da Alemanha foi incompleta em 1918, a Carta do Atlântico apelou inequivocamente à destruição final da tirania nazi e ao desarmamento das nações agressivas. Por outras palavras, os agressores seriam tratados de tal forma que os erros do pós-Primeira Guerra Mundial não se repetiriam.

  1. Tal paz permitirá a todos os homens navegar sem obstáculos pelos mares e oceanos.
  2. Estão convencidos de que todas as nações do mundo, tanto por razões práticas como espirituais, devem renunciar totalmente ao uso da força. Dado que nenhuma paz futura poderá ser mantida se as armas terrestres, marítimas ou aéreas continuarem a ser utilizadas pelas nações que a ameaçam, ou que são susceptíveis de a ameaçar com agressões fora das suas fronteiras, consideram que, enquanto se aguarda o estabelecimento de um sistema de segurança geral , abrangente e permanente, o desarmamento dessas nações é essencial. Da mesma forma, ajudarão e promoverão todo o tipo de medidas práticas que aliviem o pesado fardo dos armamentos que sobrecarrega os povos pacíficos.

Finalmente, a Carta previa o estabelecimento de um sistema mais amplo e permanente de segurança geral e uma redução nos gastos militares. Duas guerras globais no período de 20 anos convenceram FDR e Churchill de que tinham a obrigação de tentar controlar os impulsos destrutivos da humanidade que, no final da guerra, poderiam destruir a própria humanidade.

Franklin D. Roosevelt-Winston Churchill 14 de agosto de 1941

Fonte: https://cemeri.org/pt/enciclopedia/e-carta-del-atlantico-av

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