quinta-feira, 17 de julho de 2025

Está na hora de o Brasil sair do BRICS?; Is it time for Brazil to leave the BRICS? - Frlipe Krause

Is it time for Brazil to leave the BRICS?

Felipe Krause (Oxford University)

https://lnkd.in/enrBjK8G

That’s the question I explore in my op-ed published today in O Globo. While my answer is essentially yes — the costs of remaining in the bloc increasingly outweigh the benefits — I believe this is a debate worth having, and one that goes to the heart of Brazil’s foreign policy priorities today.

BRICS was once a symbol of a new multipolar world, but it has become an incoherent and increasingly dysfunctional group, dominated by China’s geopolitical agenda and exploited by Russia to project its narrative on Ukraine and escape isolation. Brazil, in turn, has little to show for its continued participation, other than diplomatic friction with key Western partners.

This is not about ideology, but about pragmatism. Brazil can sustain strong economic ties with China and constructive relations with the Global South without being tethered to a bloc that has lost strategic coherence and meaning.

I would be very interested to hear different perspectives on this topic. The article (in Portuguese) is available here:

https://lnkd.in/enrBjK8

Está na hora de o Brasil sair do BRICS?

Frlipe Krause, Oxford University

Essa é a pergunta que exploro em artigo publicado hoje n’O Globo. Embora minha resposta seja, em essência, afirmativa — os custos de permanecer no bloco passaram a superar os benefícios — acredito que esse é um debate necessário e que toca no centro das prioridades da política externa brasileira hoje.

O BRICS foi, no início, um símbolo de um mundo multipolar emergente, mas se tornou um grupo incoerente e cada vez mais disfuncional, dominado pela agenda geopolítica da China e instrumentalizado pela Rússia para projetar sua narrativa sobre a guerra na Ucrânia e escapar do isolamento. O Brasil, por sua vez, pouco tem a ganhar com essa participação, além de gerar atrito diplomático com parceiros ocidentais centrais.

Não se trata de ideologia, mas de pragmatismo. O Brasil pode manter laços econômicos sólidos com a China e um diálogo produtivo com o Sul Global sem estar vinculado a um bloco que perdeu coerência e sentido estratégico.

Gostaria muito de ouvir diferentes pontos de vista sobre esse tema. O artigo está disponível aqui:

https://lnkd.in/enrBjK8G  

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Comments:

This discussion is not only timely, but necessary. Brazilian society is, perhaps belatedly, being directly confronted with the costs of a choice - whether unfairly, or not. And regardless of how we evaluate the results of those decisions, it is crucial to discuss if the method in this decision-making is still adequate, having passed a quarter of this century. We do need this academic engagement for an increasingly more evidence-based agenda.

Congrats for the article!

Essa discussão não é só oportuna, como necessária. A sociedade brasileira está, talvez com certo atraso, sendo diretamente confrontada com os custos (injustos ou não) de uma escolha. E independente de nossas avaliações sobre os resultados dessas decisões, é crucial discutirmos se o método que utilizamos para tomar essas decisões ainda é adequado, já passado 1/4 desse século. Precisamos desse engajamento acadêmico para uma agenda cada vez mais baseada em evidências.

Parabéns pelo artigo! (Rafa Paulino)

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Ulf Thoene:

Many thanks for sharing, Felipe. Now, with a bit of distance from the Rio summit, a clearer picture is starting to emerge of where individual BRICS member states stand. The Brazilian perspective is relevant and insightful for other states in Latin America as well. I did a quick write-up on the most recent BRICS Summit in Rio for The Conversation en español, published on July 7th. 

https://theconversation.com/cumbre-2025-los-brics-abrazan-el-multilateralismo-y-piden-reformas-en-las-organizaciones-globales-260573

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Sergio Silva:

"Gostemos ou não, a diferença do Brasil para todos os demais países do Brics é que somos a única nação Brics sob a área de influência geopolítica direta dos Estados Unidos. No mesmo continente....

Leia mais no texto original: (https://www.poder360.com.br/opiniao/os-eua-sempre-se-meteram-no-brasil-e-o-crucial-nunca-foi-a-soberania/)

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Paulo R Almeida:

 O atual assessor internacional da PR, quando chanceler, nunca perdoou-me por ter colocado em dúvida a criação do então BRIC tão cedo quanto 2006, e sabotou consistentemente minha carreira diplomática durante todo o reinado lulopetista: não tive nenhum cargo na Secretaria de Estado entre 2003 e 2016, permanecendo a maior parte do tempo na Biblioteca do Itamaraty. Nunca me dobrei à fantasia do Bric-Brics, agora Brcs+, como provam meus artigos reunidos no livro “A Grande Ilusão do Brics e o Universo Paralelo da Diplomacia Brasileira” (2022). Paulo Roberto de Almeida, diplomata aposentado.

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quarta-feira, 16 de julho de 2025

O lado “bom” do tarifaço de Trump - José Fucs

 *O lado bom do tarifaço e das investigações de Trump contra o Brasil*

José Fucs, jornalista

16/07/2025

Pensei, pensei e cheguei à conclusão de que, apesar dos efeitos nocivos no curto prazo para o Brasil e os brasileiros, que serão pesados, o tarifaço e as investigações de Trump contra as práticas comerciais do País, têm um lado positivo. Entenda por quê:

- Trazem para o debate as tarifas escandalosas e as barreiras não tarifárias impostas sobre os produtos americanos (e de outros países);

- Podem levar a uma maior abertura econômica do País, um dos mais fechados do mundo, com a redução de tarifas alfandegárias e outras barreiras que encarecem a importação de bens e serviços e limitam a concorrência, em prejuízo do consumidor;

-  Escancaram a política antiamericana praticada por Lula e Amorim e defendida pelo PT e por seus aliados;

- Reforçam a discussão sobre o alinhamento geopolítico do Brasil com a China e o Eixo do Mal pelo atual governo e sua tentativa de impulsionar o famigerado bloco do Sul Global, em detrimento da ligação histórica do País com o Ocidente, em especial com os Estados Unidos;

- Revelam a estupidez da proposta de "desdolarização" feita por Lula no âmbito do Brics;

-  Jogam os holofotes sobre as práticas autoritárias e a censura promovidas pelo STF, que colocam em risco a democracia no País, com apoio nada discreto de Lula, do PT e de seus parceiros; 

- Dão dimensão global aos questionamentos sobre o tal "inquérito do fim do mundo" e a perseguição aos desafetos políticos do consórcio Lula/STF/PGR;

- Colocam em xeque a legitimidade dos processos contra Bolsonaro e os atos de 8/1, bem como a narrativa imposta pelo consórcio Lula/STF/PGR a respeito dos acontecimentos.

Podem me chamar de "bolsonarista", "traidor da pátria", "judeu apátrida" e "sionista". Podem colocar os influencers do PT no meu cangote e me ameaçar de degredo e de perda de cidadania. Mas, na minha visão, não dá para negar que tudo isso representa uma contribuição e tanto para o debate sobre os rumos do País e o Brasil que queremos construir. Não é pouca coisa.

terça-feira, 15 de julho de 2025

USTR Announces Initiation of Section 301 Investigation of Brazil’s Unfair Trading Practices

 Os EUA iniciam uma investigação contra práticas desleais de comércio por parte do Brasil ao abrigo da temida seção 301 da Lei de Comércio de 1974, fazendo uma assemblagem de reclamações de diferente natureza (tarifas, concorrência desleal, infrações à propriedade intelectual de empresas americanas, acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e várias outras), o que pode resuktar em novas medidas punitivas, com grande potencial de prejuizos comerciais e politicos ao Brasil. A investigação será unilateral, com base na legislação e medidas retorcivas americanas, sem a participação da OMC.


USTR Announces Initiation of Section 301 Investigation of Brazil’s Unfair Trading Practices

July 15, 2025


WASHINGTON — Today, the Office of the United States Trade Representative initiated an investigation of Brazil under Section 301 of the Trade Act of 1974. The investigation will seek to determine whether acts, policies, and practices of the Government of Brazil related to digital trade and electronic payment services; unfair, preferential tariffs; anti-corruption interference; intellectual property protection; ethanol market access; and illegal deforestation are unreasonable or discriminatory and burden or restrict U.S. commerce.


“At President Trump’s direction, I am launching a Section 301 investigation into Brazil’s attacks on American social media companies as well as other unfair trading practices that harm American companies, workers, farmers, and technology innovators,” said Ambassador Greer. “USTR has detailed Brazil’s unfair trade practices that restrict the ability of U.S. exporters to access its market for decades in the annual National Trade Estimate (NTE) Report. After consulting with other government agencies, cleared advisers, and Congress, I have determined that Brazil’s tariff and non-tariff barriers merit a thorough investigation, and potentially, responsive action."


Background


Section 301 of the Trade Act of 1974, as amended, (Trade Act) is designed to address unfair foreign practices affecting U.S. commerce. Section 301 may be used to respond to unjustifiable, unreasonable, or discriminatory foreign government practices that burden or restrict U.S. commerce. Under Section 302(b) of the Trade Act, the Trade Representative may self-initiate an investigation under Section 301.


A Section 301(b) investigation examines whether the acts, policies, or practices are unreasonable or discriminatory and burden or restrict U.S. commerce. Considering the specific direction of the President, and the advice of the inter-agency Section 301 Committee, the United States Trade Representative has initiated an investigation. The U.S. Trade Representative must seek consultations with the foreign government whose acts, policies, or practices are under investigation.  USTR has requested consultations with Brazil in connection with the investigation. USTR will hold a hearing in connection with this investigation on September 3, 2025. To be assured of consideration, interested persons should submit written comments, requests to appear at the hearing, along with a summary of the testimony, by August 18, 2025. USTR will hold a hearing in connection with this investigation on September 3, 2025.


As set out in the Federal Register notice, the investigation relates to a number of trading practices, including:


Digital trade and electronic payment services: Brazil may undermine the competitiveness of U.S. companies engaged in these sectors, for example, by retaliating against them for failing to censor political speech or restricting their ability to provide services in the country;

Unfair, preferential tariffs: Brazil accords lower, preferential tariff rates to the exports of certain globally competitive trade partners, thereby disadvantaging U.S. exports;

Anti-corruption enforcement: Brazil’s failure to enforce anti-corruption and transparency measures raises concerns in relation to norms relating to fighting bribery and corruption;

Intellectual property protection: Brazil apparently denies adequate and effective protection and enforcement of intellectual property rights, harming American workers whose livelihoods are tied to America’s innovation- and creativity-driven sectors;

Ethanol: Brazil has walked away from its willingness to provide virtually duty-free treatment for U.S. ethanol and instead now applies a substantially higher tariff on U.S. ethanol exports; and

Illegal deforestation: Brazil appears to be failing to effectively enforce laws and regulations designed to stop illegal deforestation, thereby undermining the competitiveness of U.S. producers of timber and agricultural products.

A copy of the Federal Register Notice is available here.


A docket for comments regarding the investigation will be available here.


A docket for requests to appear at the public hearing to be held in connection with this investigation will be available here.

Notas sobre a Ucrânia no âmbito do Itamaraty (2006-2025) - Levantamente na Base de Dados do Itamaraty

 Notas sobre a Ucrânia no âmbito do Itamaraty (2006-2025)

Levantamento efetuado em 15/07/2025 por Paulo Roberto de Almeida
Base de Dados de Notas de Informação à Imprensa no Itamaraty

Ucrânia (de 2006 a 2025)
1208 Resultados em todo o GOV.BR Ministério das Relações Exteriores
Notícias (499) Todos (1208) Filtrar


1) Escalada do conflito na Ucrânia15/07/2025
2) Declaração à imprensa do presidente Lula por ocasião da visita do presidente da Indonésia, Prabowo Subianto09/07/2025 - Declaração à imprensa lida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ocasião da visita do presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, a Brasília, em 9 de julho de 2025
3) Declaração conjunta por ocasião da visita de Estado do Primeiro-Ministro da Índia ao Brasil08/07/2025
4) Entrevista coletiva do presidente Lula no encerramento da cúpula do BRICS, no Rio de Janeiro07/07/2025 - Transcrição da entrevista coletiva com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no encerramento da cúpula do BRICS, no Rio de Janeiro, em 7 de julho de 2025
5) Declaração de Líderes do BRICS — Rio de Janeiro, 06 de julho de 202506/07/2025
6) Discurso do presidente Lula na sessão Paz e Segurança, Reforma da Governança Global do BRICS06/07/2025 - Discurso lido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a sessão Paz e Segurança, Reforma da Governança Global, no Rio de Janeiro, em 6 de julho de 2025
7) Discurso do presidente Lula na Sessão Ampliada da Cúpula do G7, no Canadá - 17/6/202517/06/2025 - Discurso lido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a primeira intervenção na Sessão Ampliada da Cúpula do G7, sobre segurança energética e minerais críticos, em Kananaskis, no Canadá, em 17 de junho de 2025.

(...)

495) Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, por ocasião de encontro com a primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Tymoshenko – Kiev, 2 de dezembro de 200902/12/2009
496) Declaração seguida de entrevista coletiva concedida pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em conjunto com o Presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko - Kiev, 02/12/200902/12/2009
497) Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, por ocasião de Fórum Empresarial com a participação dos Presidentes do Brasil e da Ucrânia – Kiev, 2 de dezembro de 200902/12/2009
498) Entrevista coletiva concedida pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, após encontro com o Presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko - Kiev, 02/12/200902/12/2009
499) Entrevista coletiva concedida pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na saída do Hotel Villa Itália, em Cascais, antes do embarque para a Ucrânia - Cascais, 01/12/200901/12/2009
500) Transcrição da Audiência Pública com o Ministro Celso Amorim na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal sobre as relações Brasil - Bolívia – Brasília, 9 de maio de 200609/05/2006

Íntegra da relação disponível na plataforma Academia.edu
Link: https://www.academia.edu/142908159/Notas_sobre_a_Ucr%C3%A2nia_no_ambito_do_Itamaraty_2006_2025_

Vou deixar algumas coisas bem claras quanto ao que eu penso da atualidade - Paulo Roberto de Almeida

Vou deixar algumas coisas bem claras quanto ao que eu penso da atualidade

1) O governo Netanyahu promove Genocídio na Faixa de Gaza, e  como tal deve ser punido, ele e seus auxiliares diretos;

2) Trump é um presidente desequilibrado; deveria ser deposto pelo Senado e levado ao Sanatório numa camisa de força, pois prejudica seriamente o seu país e o resto do mundo;

3) Putin é um psicopata militarista, à altura de um Hitler, e como não pode ser deposto pelo povo russo, como Hitler não o foi pelo povo alemão, tem de ser contido militarmente pelas potências democráticas, como Hitler não o foi em 1938, e aí tiveram de amargar 5 anos de guerra global e dezenas de milhões de mortos para derrotar um tirano que poderia ter sido obstado no momento crucial; esse momento já chegou no caso de Putin e as nações democráticas ainda não se decidiram a respeito, por covardia, como em 1938;

4) O Brasil não deve e não pode ceder à chantagem de Trump, no caso das tarifas vs anulação do processo contra os golpistas, e deve aguentar as duras consequências que podem vir em seguida. Não se pode transigir com princípios, mesmo ao custo de perdas imensas (que sempre são reparáveis). Não deveria, do seu lado, fazer bravatas, apenas seguir a Constituição e o Direito Internacional;

5) Bolsonaro, seus familiares e os sequazes na chantagem mafiosa de Trump são até indignos de serem chamados apenas de “traidores da pátria”; são seres abjetos ao convívio nacional, e suas ações devem ser enquadradas nos delitos pertinentes e serem condenados por golpismo e grave atentado à nação, com vários anos de prisão fechada;

6) Os idiotas que apoiam todos esses psicopatas políticos — Netanyahu, Putin, Trump, Bolsonaro — e mafiosos associados poderiam ser convidados a um curso de reeducação política, eventualmente sancionados, se insistirem em quebrar a legalidade democrática, como medida corretiva similar a uma condenação afeta aos pequenos crimes não intencionais.

Defensores das liberdades democráticas devem sempre atuar com base no Direito e na Moral, o que se aplica exatamente à postura de Lula com respeito aos casos similares da Palestina e da Ucrânia, frente aos quais ele adota posições opostas.

Como diria Popper, não se pode ser tomerante com os intolerantes, sob risco de sucumbir ao desastre e à desonra.

Paulo Roberto de Almeida

São Paulo, 15/07/2025


O Brasil em face da bifurcação, ou de várias bifurcações Paulo Roberto de Almeida

O Brasil em face da bifurcação, ou de várias bifurcações

Paulo Roberto de Almeida

        Existem momentos, na vida de uma nação, em que importantes escolhas da vida nacional passam a ser determinadas não por decisões puramente internas, soberanas, mas por fatores externos, independentemente da vontade própria, nacional, determinada pelos detentores do poder, ou influências poderosas na vida nacional (partidos no governo, lideranças econômica e políticas, a própria pressão da opinião pública, que é geralmente provinda da classe média). Isso distingue grandes potências (que podem impor um custo a desafiadores externos) de médias ou pequenas potências, que sofrem pressão externa (até mesmo guerras ou retaliações econômicas) e que devem, portanto, fazer escolhas de menor custo relativo.
        Esta é a posição do Brasil, atualmente: entre as preferências políticas dos dirigentes nacionais e as pressões externas, estas podem se revelar mais poderosas, o que obriga o poder nacional a adotar posturas que não seriam as suas normalmente, mas que eles precisam provisoriamente, ou a contragosto, acatar. Isso muda o próprio perfil econômico, político, social, cultural, que uma nação passa a aceitar, e incorporar nos seus "costumes".
        O Brasil, no quadro conflitivo atual do mundo, terá de fazer escolhas, e não é propriamente o Brasil inteiro, mas as forças que determinam a sua direção atual.
Não se trata apenas de Lula ou Bolsonaro, Trump ou Putin, de Rússia ou Ucrânia, de Mercosul ou sozinho, de direita ou esquerda, de liberal ou protecionista, mas TUDO ISSO JUNTO, que é o que se coloca ao Brasil atualmente, e imediatamente (ou pelo menos no futuro de breve prazo).
        Se não fizer nada, o Brasil sofrerá as consequências, o mesmo ocorrendo se fizer uma escolha, ela terá inevitavelmente custos.
        Quais são eles? Diversos, variados, alguns imprevisíveis, talvez dolorosos, mas eles serão impostos pela realidade, não pela vontade exclusiva dos dirigentes atuais ou de seus opositores.
        Num momento destes, afloram os estadistas, ou NÃO, se eles simplesmente não existem: seremos carregados pelo caudal de eventos, muitos dos quais eu retirei da leitura da imprensa corrente sobre nossas interfaces externas, como abaixo.

Paulo Roberto de Almeida
São Paulo, 15/07/2025


Algumas notícias glanadas nos boletins disponíveis:

Política Externa Brasileira
Atualização diária ⋅ 15 de julho de 2025
NOTÍCIAS

Brasil e potências médias têm o desafio de manter o não-alinhamento para reconstruir o ... - The Conversation
No caso específico do Brasil, há ainda um objetivo adicional e inequívoco: aumentar os custos de uma política externa orientada por uma estratégia de ...

Tarifar é intervenção externa? Não, mas pode ser o começo - Gazeta do Povo
Os chineses têm uma influência inédita na história do Brasil. Antes, apenas uma fração de influência comercial e política; a partir do último governo ...

Defenda o Brasil do PT ou de Trump: guerra de comunicação influenciará eleições de 2026 - Gazeta do Povo
... brasileira. “Lula retoma a iniciativa política com um discurso ... política externa do governo brasileiro. Em seu terceiro mandato, Lula ...

Líder do PT pede suspensão de passaporte diplomático de Eduardo e inclusão de ... - O Globo
... exterior, obstrução da justiça e articulação internacional contra o Estado de Direito". ... política externa brasileira e exigiu, em nota pública, que ...

"Brasil se tornou o maior adversário dos EUA", afirma ex-juiz federal em análise sobre crise ... - Folha BV
... política externa brasileira. O ex-juiz foi categórico ao apontar que “nenhum outro país do mundo é tão adversário aos Estados Unidos quanto o Brasil ...

Entenda o que é a Lei da Reciprocidade e como pode ser aplicada aos EUA | CNN Brasil

Brasil decide apoiar ação da África do Sul contra Israel na Corte de Haia, diz jornal InfoMoney

Chanceler orienta embaixadora após repreensão a representante dos EUA - Portal Tela
O governo brasileiro, sob a liderança do chanceler Mauro Vieira, tem intensificado sua postura em relação à política externa dos Estados Unidos, ...

Camila Camargo Dantas | Quando a diplomacia assume o leme
Poder360
O Brasil tem peso político, mas precisa adotar uma postura estratégica diante do novo realismo comercial.

Brics entre a ambiguidade e a consolidação - Outras Palavras
Uma das causas parece ser a ambiguidade crescente da política externa brasileira e a percepção geral de que a prioridade do país está no G20. A ...

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Livro: Vidas Paralelas: Rubens Ricupero e Celso Lafer nas relações internacionais do Brasil - Paulo Roberto de Almeida (Ateliê de Humanidades)

Um livro quase pronto, sendo ultimado para publicação:


Vidas Paralelas: Rubens Ricupero e Celso Lafer nas relações internacionais do Brasil
Paulo Roberto de Almeida

(Ateliê de Humanidades)

Índice

1. Prefácio

2. Uma história intelectual: paralelas que se cruzam
1. Uma nota pessoal sobre minhas afinidades eletivas
2. Por que uma história intelectual paralela?
3. Por que vidas paralelas numa história intelectual?
4. Quão “paralelos” são Rubens Ricupero e Celso Lafer?
5. A importância de Ricupero e de Lafer nas relações internacionais do Brasil
6. O sentido ético de uma vida dedicada à construção do Brasil

3. Rubens Ricupero: um projeto para o Brasil no mundo
1. Do Brás italiano para o Rio de Janeiro cosmopolita
2. Um começo desconcertante na vida diplomática
3. Uma carreira progressivamente ascendente, pela via amazônica
4. Afinidades eletivas com base no estudo do Brasil e no conhecimento do mundo
5. Professor de diplomatas e de universitários, no Instituto Rio Branco e na UnB
6. O assessor internacional e o Diário de Bordo da viagem de Tancredo Neves
7. O Brasil no sistema multilateral de comércio
8. O mais importante plano de estabilização da história econômica brasileira
9. Unctad: a batalha pela redução das desigualdades globais
10. Um pensador internacionalista, o George Kennan brasileiro
11. A figura incontornável de Rio Branco, o paradigma da ação diplomática
12. Brasil: um futuro pior que o passado?
13. O Brasil foi construído pela sua diplomacia? De certo modo, sim
14. Quais as grandes leituras de Rubens Ricupero?

4. Celso Lafer: um dos pais fundadores das relações internacionais no Brasil
1. A abertura de asas de um intelectual promissor
2. A tese de Cornell sobre o Plano de Metas de JK
3. Irredutível liberal: ensaios e desafios
4. As relações econômicas internacionais: reciprocidade de interesses
5. A trajetória de Celso Lafer nas relações internacionais do Brasil
6. Direitos humanos: a dimensão moral do trabalho intelectual
7. Um diálogo permanente com Hannah Arendt
8. Norberto Bobbio: afinidades eletivas com o sábio italiano
9. A aventura da revista Política Externa e seu papel no cenário editorial
10. A diplomacia na prática: a primeira experiência na chancelaria, 1992
11. A diplomacia na prática: a segunda experiência na chancelaria, 2001-2002
12. No templo dos imortais: um “intelectual militante” e um “observador participante”
13. O judaísmo laico de Lafer e a unidade espiritual do mundo de Zweig
14. Uma coletânea dos mais importantes artigos num amplo espectro intelectual

5. Paralelas convergentes: considerações finais

Produção relevante dos personagens, bibliografia geral e nota sobre o autor, e seus livros principais.

JK: Meu caminho para Brasília: os três volumes da autobiografia de Juscelino Kubitschek disponíveis na Editora do Senado

JK: Meu caminho para Brasília
Kubitschek, Juscelino, 1902-1976
Publicador : Brasília : Senado Federal, Conselho Editorial
Data de publicação : 2020
Descrição física : 3 v. : il., fotos.
Série : Edições do Senado Federal ; v. 201A-201-C
Conteúdo : v. I. A experiência da humildade -- v. II. A escalada política -- v. III. 50 anos em 5.
Assuntos : Kubitschek, Juscelino, 1902-1976, biografia | Chefe de Estado, Brasil | Política e governo, Brasil, 1945-1963 | Quarta República (1945-1964), Brasil
Cobertura geográfica : Brasília (DF), construção | Brasília (DF), história
Responsabilidade : Juscelino Kubitschek
ISBN : 9788570185433 (v.I) | 9788570185440 (v.II) | 9788570185457 (v.III)

Endereço para citar este documento : https://www2.senado.gov.br/bdsf/handle/id/576817
Direitos autorais : Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Brazil
Referência sobre direitos autorais : http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/3.0/br/
Notas:
Possui índice onomástico.
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Três impérios, três destinos - Paulo Roberto de Almeida

Três impérios, três destinos

Existem hoje, temporariamente, três impérios e meio no mundo.

O império chinês é guiado pela racionalidade instrumental dos mandarins tecnocráticos do PCC. 

O império russo é dominado pela obsessão expansionista de Putin. 

O império americano está sendo diminuído pela ignorância avassaladora de Trump.

Isso explica as trajetórias diferentes de cada um deles: sucesso sustentável no primeiro caso; impasses e disfunções no segundo caso, podendo levar a uma profunda crise estrutural da Rússia; aceleração do declinio no terceiro caso, mas que atinge não só os EUA, mas o mundo todo, dada a magnitude do ainda hegemônico império americano. 

De certa forma, o mundo econômico é uma vitima da extrema ignorância de um déspota eleito democraticamente.

O mundo político e geopolítico está sendo abalado pelo expansionismo obsessivo de um ditador totalitário.

O fabuloso Império do Meio do passado, que atraía comerciantes e aventureiros europeus da primeira globalização, a dos “descobrimentos”, está sendo pacientemente reconstruído pelos novos mandarins do PCC.

Em volta desses três impérios, e do meio império da UE, que não possui comando unificado no plano econômico ou militar, gira o destino de potências médias, como Índia e Brasil, assim como o de todos os demais países com alguma importância econômica ou política no mundo atual. 

Alguns destes são guiados por estadistas inteligentes e racionais; outros, infelizmente, o são por lideres impulsivos ou mal assessorados, que reagem de forma tão irracional quanto o atual candidato a déspota dos EUA; de certa forma, este último está facilitando o itinerário bem sucedido do primeiro império.

CQD!

Paulo Roberto de Almeida

São Paulo, 14/07/2025


JOSE DE SOUZA MARTINS: Um sociólogo em busca de contradições - Pablo Nogueira (Jornal da Unesp)

 

JOSE DE SOUZA MARTINS:

Um sociólogo em busca de contradições

Agraciado como Personalidade Acadêmica no próximo prêmio Jabuti Acadêmico, José de Souza Martins discute, em entrevista ao Jornal da Unesp, as linhas que orientam sua extensa produção no campo da Sociologia e a persistência da escravidão na sociedade brasileira

Jornal da Unesp, 12/072025


No último dia 23 de junho, a Câmara Brasileira do Livro (CBL) anunciou o sociólogo José de Souza Martins como Personalidade Acadêmica da segunda edição do Prêmio Jabuti Acadêmico. Professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Martins é autor de uma vasta e diversificada obra que compreende mais de 40 livros e capítulos publicados no Brasil e no exterior.

Três desses livros foram vencedores do prêmio Jabuti na categoria Ciências Humanas: Subúrbio (Editora Unesp), A Chegada do estranho (Hucitec Editora) e A aparição do demônio na fábrica (Editora 34). Curador do prêmio Jabuti Acadêmico e ex-reitor da Unicamp, Marcelo Knobel afirmou que a indicação é “um reconhecimento justo para quem tanto se dedicou e contribuiu para estudar a sociedade contemporânea brasileira”. 

Seu último livro, publicado pela Editora Unesp, Capitalismo e Escravidão na Sociedade Pós-Escravista, analisa o fenômeno da servidão contemporânea e sua importância dentro do sistema de produção capitalista, um tema ao qual o pesquisador dedicou boa parte de sua trajetória profissional. Durante 12 anos (1996 a 2007), Martins atuou como representante das Américas na Junta de Curadores do Fundo Voluntário da ONU contra as Formas Contemporâneas de Escravidão. Em 2002 coordenou voluntariamente uma comissão da Secretaria de Direitos Humanos do Ministério da Justiça que elaborou o Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil e Escravo.

Nesta entrevista para o Jornal da Unesp, Martins discute as linhas de pesquisa que têm orientado sua extensa produção acadêmica, que ele descreve como “conjunto complexo de linhas conexas de investigação sociológica”, além de analisar algumas das causas da persistência da escravidão na sociedade brasileira.

***

O senhor recebeu o prêmio Personalidade Acadêmica no Prêmio Jabuti Acadêmico 2025 pelo conjunto da sua obra. Seus livros abordam uma diversidade grande de temas, como questões agrárias, imigração italiana, linchamentos no Brasil, escravidão moderna, história de São Paulo, entre outros. Existe um eixo principal que orientou esse seu percurso intelectual? 

José de Souza Martins: Existe um eixo, mas não apenas um eixo. Um eixo principal que vai do meu livro A Imigração e a Crise do Brasil Agrário, que é sobre a imigração italiana, mas que na verdade discute a formação do capitalismo no Brasil. 

O capitalismo no Brasil não é uma cópia do capitalismo de outros países. Fernando Henrique Cardoso, que foi meu professor, já havia chamado a atenção para isso na tese de doutorado dele Capitalismo e Escravidão no Brasil Meridional, e eu continuei investigando o tema. Contudo, à medida que a pesquisa andava, eu notei que haviam temas correlacionados mais abertos, que pediam uma investigação adicional. Então eu fui ampliando a pesquisa até esse livro mais recente, que é o Capitalismo e escravidão na sociedade pós-escravista, publicado pela Editora Unesp, em que praticamente eu fecho essa linha de análise da realidade brasileira. 

Durante esses meus estudos sempre surgem temas paralelos. Por exemplo, eu estava no campo durante pesquisa na região amazônica e começaram a surgir informações paralelas à pesquisa sobre linchamentos na região. Houve um episódio famoso em Matupá (MT), nos anos 90, quando dois ladrões assaltaram um banco numa pequena localidade do estado e foram bestialmente linchados e queimados vivos pela população local, tudo isso transmitido pela televisão. Então eu comecei uma linha adicional de pesquisa sobre linchamentos que durou 20 anos e resultou no meu livro Linchamentos: A justiça popular no Brasil

Ou seja, são temas correlatos, eles não estão separados. Ao mesmo tempo, eu desenvolvi uma linha de trabalho, também paralela, sobre Francisca Julia da Silva, uma grande poetisa paulista, que se matou em 1920. Apesar de ser uma poetisa conservadora, ela era uma romântica, e ainda assim acabou se tornando uma espécie de musa dos modernistas. Este é o tipo de contradição que me interessa. Minhas pesquisas todas estão baseadas nessas contradições, seja em que plano for. Essa é minha tese: o Brasil é uma sociedade do avesso. Isso aparece em alguns autores, como Guimarães Rosa e Walnice Galvão, e aparece também nos movimentos sociais. Minha obra é um conjunto complexo de linhas conexas de investigação sociológica e de explicação do que é o Brasil.

O que você quer dizer com o Brasil, um país do avesso?

José de Souza Martins: A dinâmica do Brasil é uma dinâmica oculta. Não é o que sai no jornal. Não é o que sai nas análises políticas. Nós estamos de cabeça para baixo. Tudo funciona do avesso. Nessa dinâmica, existe um protagonismo histórico das populações simples, dos desvalidos, dos marginalizados, dos excluídos. Eles fazem história indiretamente. Um dos meus livros, A sociabilidade do Homem Simples, é sobre isso. A Guerra de Canudos foi marcada por esse protagonismo do homem simples e a Guerra do Contestado também. Esse inclusive é o tema do meu próximo livro, que está quase pronto, pela Editora Unesp.

Nós não nos explicamos pelo modelo europeu de história. Nós somos a anti-história. Nós somos a margem do mundo. Então nós nunca temos uma consciência política verdadeira, nunca sabemos exatamente o que está acontecendo, mas achamos que sabemos. Somos um país anômalo e anômico, ou seja, aquilo que funciona com regras invertidas. Essa realidade que nós estamos vivendo hoje no Brasil atualmente é escandalosamente isso. O avesso marginalizado não protagoniza as decisões da história do país. É claro que para poder entender isso que eu estou tentando dizer tem que ler os livros. 

O seu livro mais recente tem como título Capitalismo e Escravidão na Sociedade Pós-Escravista. O que é essa sociedade pós-escravista, exatamente, e por que a gente vê a perseverança da escravidão no Brasil ainda nos dias de hoje?

José de Souza Martins: Porque nós não somos um país civilizado. Nós não somos um país capitalista. A gente acha que é, mas na verdade não somos. Nós temos um capitalismo que nunca chegou lá, nunca concluiu, nunca se fechou. É um capitalismo periférico, subdesenvolvido, que usa recursos pré-capitalistas para fazer acumulação de capital. É um capitalismo que depende, por exemplo, de grilagem de terra e de especulação imobiliária.

Nós nunca chegamos a ser aquilo que foi o capitalismo inglês, o capitalismo alemão, o capitalismo francês, o capitalismo norte-americano. Nós somos sempre um aquém. Nós não chegamos lá.

Nós temos escravidão até hoje no Brasil. Há uns três ou quatro anos tinha um sujeito vendendo dois escravos na feira do Pari, aqui na cidade de São Paulo. Isso é algo atual. Isso não é uma aberração. É uma contradição. Nós estamos vivendo um período pós-escravista legal aqui no Brasil. Estamos longe de 1888 e no entanto a escravidão ainda se reproduz. 

E por que o Brasil não se percebe do avesso? O Brasil se percebe uma grande economia capitalista, tanto que esses episódios que o senhor citou costumam causar reações de espanto na sociedade.

José de Souza Martins: Porque as sociedades contemporâneas dependem de alienação para existirem. Você tem que acreditar que a sociedade é uma coisa que de fato ela não é. Isso ocorre também nos Estados Unidos, na Inglaterra ou na França. É a chamada alienação. E nós temos a nossa alienação. Nós achamos que somos o país mais interessante do mundo, ou o “país do futuro”, como disse o escritor Stefan Zweig. Nós não somos o Brasil do futuro, infelizmente. Nós não somos sequer o país do presente. Nós estamos sempre por chegar lá, mas a gente nunca chega. 

O pós-escravismo é isso: um capitalismo que não depende de criatividade empresarial e industrial. Ele depende de especulação financeira, da renda da terra, da especulação imobiliária, depende de grilagem de terra. Atualmente, nós temos no Brasil quase 30 milhões de hectares de grandes empreendimentos agrários em terras griladas. Terras que foram obtidas de forma criminosa. No fim das contas, o crime é que governa o Brasil. 

Nós vimos nos últimos dez ou vinte anos a sociedade brasileira dar uma forte guinada para a direita, se tornando mais conservadora. Isso foi visto por muitas pessoas como uma surpresa e surgiram várias tentativas para explicar essa guinada. Uma dessas explicações é internacionalista, e entende essa mudança como algo que ocorre em outros lugares do mundo e relacionado às novas tecnologias. Existe uma forma de entender esse movimento com base na própria história do país?

José de Souza Martins: Sim. Nós nunca fomos um país de esquerda e a nossa esquerda sempre foi fragmentada, de classe média. Esse é um grande problema. Nós não temos uma esquerda operária clássica no Brasil. Existe o movimento de São Bernardo do Campo, mas não temos uma esquerda consolidada como você tem na Itália ou na França, por exemplo. Então, quando as contradições se agudizam, como se agudizaram nos últimos vinte ou trinta anos, é claro que vem para fora esse lado oculto. A ditadura militar nunca terminou no Brasil, esse é o primeiro detalhe. Essa gente que está aí, estava conspirando já antes da ditadura militar acabar. Bolsonaro é filho da ditadura e foi criado para cumprir o papel dele: desmantelar o sistema democrático no Brasil.

Nós temos uma ilusão que somos de esquerda. Na verdade, nós queremos ser de esquerda, mas não sabemos ser de esquerda. Somos um país que temos marxistas que nunca leram a obra de Karl Marx, que é complicadíssima. O pensamento de Marx é um pensamento científico. O capitalismo não é para ser contra, é para ser superado. Você constroi alternativas ao capitalismo em cima da práxis política. A práxis é a contradição de repetição e inovação. 

Os movimentos populares que poderiam ser a expressão de uma inovação na práxis política são subestimados e combatidos, ao invés de serem devidamente interpretados. A universidade tem uma responsabilidade nisso. Ela tem que se ajustar e interpretar a realidade como ela é. Isso depende de método científico. Isso não depende de ideologia política. 

Na imagem acima: sociólogo José de Souza Martins (Crédito: Marcos Santos/USP Imagens)

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