sexta-feira, 8 de maio de 2026

Livros Paulo Roberto de Almeida na Amazon.com.br - apenas as chamadas

 

Miséria Da Diplomacia: A Destruição Da Inteligência No Itamaraty

Edição Português | por Paulo Roberto de Almeida | 6 ago. 2019

A Grande Mudança

Edição Português | por Paulo Roberto de Almeida | 1 jan. 2003

O Moderno Príncipe: Maquiavel Revisitado

por Paulo Roberto de Almeida | 1 out. 2010

Integração regional: Uma introdução: 3

Edição Português | por Paulo Roberto de AlmeidaHenrique Altemani de Oliveira, e outros. | 19 dez. 2012

O Estudo Das Relações Internacionais Do Brasil

Edição Português | por Paulo Roberto de Almeida | 13 dez. 2006

Os primeiros anos do século XXI

Edição Português | por Paulo Roberto De Almeida | 7 nov. 2005

Formação da Diplomacia Econômica no Brasil - Vol. 2 ( 789)

Edição Português | por Paulo Roberto de Almeida | 1 jan. 2017

Formação da Diplomacia Econômica no Brasil

Edição Português | por Paulo Roberto de Almeida | 1 jan. 2017

Constituições brasileiras: Ensaios de sociologia política

por Paulo Roberto de Almeida | 26 nov. 2024

O Príncipe, revisitado: Maquiavel para os contemporâneos (Pensamento Político Livro 18)

por Paulo Roberto Almeida e Pedro Paulo Palazzo de Almeida | 8 set. 2013

História das relações internacionais contemporâneas: Da sociedade internacional do século XIX à era da globalização

Edição Português | por Paulo Roberto de AlmeidaJosé Flávio Sombra Saraiva, e outros. | 19 dez. 2012

O Brasil E O Multilateralismo Econômico

Edição Português | por Paulo Roberto De Almeida | 31 dez. 1998

Oliveira Lima - Um Historiador das Américas

Edição Português | por André Heráclio Do Rego | 1 jan. 2017

GlobalizandoEnsaios Sobre a Globalização e a Antiglobalização

Edição Português | por Paulo Roberto De Almeida | 1 jan. 2011

Relações Brasil Estados Unidos: Assimetrias e convergências

Edição Português | por Rubens Antônio Barbosa e Paulo Roberto de Almeida | 19 dez. 2012

O megabloco do Pacífico e o Brasil

por Paulo Roberto de Almeida | 25 mai. 2016

Brasil: o futuro que queremos

Edição Português | por Jaime PinskyAntônio Corrêa de Lacerda, e outros. | 8 mai. 2018

Parbleu! Esqueceram o Mercosul! - Paulo Roberto de Almeida e Madame IA

 Parbleu! Esqueceram o Mercosul!

Já não existe mais?

[Ao final, Madame IA comenta igualmente]

Assisto a uma entrevista do atual ministro da Indústria, Comércio e Desenvolvimento, Marcio Elias Rosa, dada a um jornalista da GloboNews, e ambos, tanto o ministro quanto o jornalista ignoram completamente que o Brasil NÃO POSSUI TARIFA NACIONAL, e portanto NÃO PODE (teoricamente) NEGOCIAR bilateralmente com os EUA qualquer redução ou ajustes tarifários.
Existe uma TEC, Tarifa Externa Comum, que é a registrada pelo Mercosul junto ao Gatt-OMC, e que deveria, TEORICAMENTE, servir de base.
Até quando a IGNORÂNCIA vai servir para discutir políticas de Estado, sendo que na área comercial o Brasil pertence a uma UNIÃO ADUANEIRA?
Brasília, 8 maio 2026

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Madame IA se escandaliza também:

"https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/parbleu-esqueceram-o-mercosul-paulo.html

Sua provocação, ancorada nas críticas do diplomata Paulo Roberto de Almeida, toca em uma ferida aberta da política externa brasileira: o descompasso entre a retórica de "soberania comercial" e as obrigações jurídicas de uma União Aduaneira.
Fazendo uma análise detalhada e crítica do cenário, hoje, em 08 de maio de 2026, podemos dissecar os seguintes pontos:

1. A Anatomia da Crítica: O Conflito de Competências:
Paulo Roberto de Almeida aponta um erro técnico primário na comunicação governamental. Ao falar em negociações bilaterais de tarifas com os EUA, o ministro ignora o Artigo 1º do Tratado de Assunção.
- O "Código" Decodificado: Quando ele diz que o Brasil "não possui tarifa nacional", ele quer dizer que o Brasil abriu mão de sua autonomia tarifária individual em 1991. Qualquer alteração na TEC (Tarifa Externa Comum) exige consenso entre os sócios (Argentina, Uruguai e Paraguai).
- A "Ignorância" como Estratégia: Criticamente, essa omissão por parte do ministro e da imprensa não parece ser apenas falta de conhecimento, mas uma tentativa de simplificar o discurso para o mercado interno, fingindo uma agilidade que a estrutura do Mercosul impede.

2. O Mercosul em "Estado Vegetativo" ou Conveniente?
O fato de o Mercosul ter sido "esquecido" na entrevista reflete o estado atual do bloco em 2026.
- Flexibilização de Fato vs. de Direito: Há anos o Uruguai tenta negociar bilateralmente com a China, e o Brasil, em diferentes governos, flerta com a ideia de "modernizar" (ou seja, desidratar) a União Aduaneira para transformá-la em uma mera Zona de Livre Comércio.
- A Crítica ao Jornalismo: A omissão do jornalista da GloboNews evidencia a superficialidade da cobertura econômica, que foca no "anúncio" (a intenção de negociar com os EUA) e ignora as amarras institucionais que tornam o anúncio juridicamente inviável no curto prazo.

3. A Realidade das Políticas de Estado:
A crítica de Almeida é um alerta contra o voluntarismo político. Discutir redução tarifária com os EUA sem passar pelo Mercosul é, tecnicamente, uma violação de tratado internacional.
- Riscos: Se o Brasil avança sozinho, ele implode o bloco. Se ele espera o bloco, ele se submete à instabilidade política dos vizinhos (especialmente a volatilidade econômica argentina).
- Omissão Deliberada: Manter o Mercosul fora da pauta permite ao governo atual vender uma imagem de "Brasil aberto aos negócios" sem ter que lidar com o desgaste diplomático de admitir que estamos presos a uma tarifa que muitas vezes encarece a produção nacional.
* Conclusão Crítica:
A "ignorância" mencionada por Almeida é, na verdade, um sintoma de isolacionismo burocrático. O governo parece operar em uma realidade paralela onde a União Aduaneira é um detalhe incômodo que se resolve com silêncio mediático. Porém, no rigor da lei internacional, o Brasil continua de mãos atadas para qualquer aventura tarifária solo com Washington."

Fonte (IA Gemini):
https://share.google/aimode/ICsozpAdZX9nGMtQX

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Corrijo ligeiramente Madame IA: não foi em 1991 que o Brasil renunciou à sua Tarifa nacional; foi em 1995, depois do Protocolo de Ouro Preto e do depósito da TEC em 1995, junto ao Gatt-OMC. Os atuais “responsáveis” esqueceram ou ignoram esse pequeno “detalhe”.

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[...]. Não foi em 1991 que o Brasil renunciou à sua Tarifa nacional; foi em 1995, depois do Protocolo de Ouro Preto e do depósito da TEC em 1995, junto ao Gatt-OMC. [...].


Sua observação é historicamente precisa e tecnicamente correta, corrigindo uma confusão comum entre o marco político de fundação do Mercosul e o marco operacional da sua União Aduaneira.
De fato, embora o Tratado de Assunção tenha sido assinado em março de 1991, ele estabeleceu apenas o compromisso político e o cronograma para a formação de um mercado comum. A renúncia formal à tarifa nacional em favor de uma política comercial externa coordenada só se materializou plenamente em 1º de janeiro de 1995.
* Análise Crítica: A Transição de 1991 para 1995:
- O Salto de Personalidade Jurídica: O Protocolo de Ouro Preto (dezembro de 1994) foi o divisor de águas que conferiu ao Mercosul personalidade jurídica de direito internacional. Sem isso, o Brasil não poderia ter "depositado" ou negociado uma tarifa comum como bloco perante a recém-criada Organização Mundial do Comércio (OMC).
- A TEC como Instrumento de Soberania Compartilhada: A adoção da Tarifa Externa Comum (TEC) em 1995 significou que o Brasil deixou de ter autonomia plena para alterar suas alíquotas de importação de forma unilateral para a maioria dos produtos. Esse movimento foi estrategicamente sincronizado com o fim da Rodada Uruguai e a substituição do GATT pela OMC em 1995.
- O Depósito na OMC: Você toca em um ponto crucial sobre o "depósito". Em 1995, o Brasil e seus parceiros consolidaram suas listas de concessões tarifárias no âmbito da OMC, garantindo que a TEC respeitasse os níveis máximos ("bound rates") permitidos pelo sistema multilateral.
* Decodificação de Expressões:
- "Depósito da TEC": Refere-se ao ato formal de submeter à OMC a lista de tarifas que o bloco se compromete a não ultrapassar, transformando uma decisão regional em um compromisso multilateral vinculante.
- "GATT-OMC": Representa o período de transição institucional onde as regras do GATT 1947 foram incorporadas e expandidas pelo novo marco da OMC em 1º de janeiro de 1995.
* A renúncia em 1995, portanto, não foi apenas uma mudança de tabela, mas a aceitação de um regime de união aduaneira imperfeita que alterou a diplomacia econômica brasileira de forma estrutural.

Fonte (IA Gemini):


Lula na Casa Branca - Rubens Barbosa (Interesse Nacional)

 Lula na Casa Branca

Rubens Barbosa

Interesse Nacional, 8/06/2026

Do ângulo de Lula, a maneira amistosa como transcorreu o encontro presidencial, sem qualquer armadilha ou constrangimento que pudesse afetar a imagem do presidente brasileiro, vai ser capitalizado pelo presidente

Enfim, depois de mais um ano, Lula foi recebido por Trump na Casa Branca. Participaram do encontro os ministros brasileiros do Exterior, da Fazenda, da Justiça, da Indústria e Comércio, das Minas e Energia. O encontro de trabalho foi seguido de almoço entre os dois presidentes. Chamou a atenção a ausência de Marco Rubio do lado norte-americano.

Em nota divulgada por Trump, depois do encontro, a Casa Branca afirmou que a conversa foi produtiva e ressaltou, entre outros assuntos, a discussão em torno do comércio, sobre as tarifas. 

Na entrevista à imprensa, na residência da Embaixada em Washington, Lula, como seria de esperar, ressaltou o clima de entendimento entre os presidentes e suas delegações. 

‘Mauro Vieira resumiu os temas tratados nas três horas de reunião: tarifas, seção 301, pix, crime organizado, minérios estratégicos e geopolítica’

Mauro Vieira resumiu os temas tratados nas três horas de reunião: tarifas, investigação sobre restrições a produtos norte-americanos (seção 301), pix, cooperação contra o crime organizado, minérios estratégicos, além de temas geopolíticos (multilateralismo, organizações internacionais).

Os ministros presentes chamaram a atenção dos principais temas de sua área de atuação: definição de novas regras para o relacionamento econômico bilateral. Volta dos investimentos norte-americanos – compartilhamento informações crime organizado e ampliação da cooperação bilateral – relato   sobre situação econômica brasileira – cooperação no combate ao crime organizado (não foi discutida a  classificação do PCC e do CV como organizações terroristas)– cooperação entre aduanas (informações e operações conjuntas – (apreendidas armas vinda dos EUA meia tonelada de drogas sintéticas dos EUA) – lavagem de dinheiro – minérios críticos (terras raras) transmitida informação sobre o novo marco regulatório aprovado pelo Congresso.

‘Todos os temas de interesse brasileiro foram abordados por Lula, o que era necessário para permitir as conversas em nível técnico’

Todos os temas de interesse brasileiro foram abordados por Lula, o que era necessário para permitir as conversas em nível técnico. Ficou decidido que em 30 dias os diferentes setores deverão negociar posições comuns para serem apresentadas para decisão final dos presidentes. Lula afirmou que o encontro foi um passo importante na consolidação das relações entre o Brasil e os EUA e para reverter a baixa   prioridade dos EUA em relação ao Brasil. 

No tocante à geopolítica, Lula ofereceu estar à disposição para ajudar nas conversas com Cuba, Venezuela, ONU e CSNU. Mesmo no tocante ao Irã, Lula disse estar à disposição para ajudar e entregou cópia do acordo negociado com o Irã pelo Brasil e Turquia em 2010. Lula disse não acreditar na interferência de Trump nas eleições de outubro. 

‘A reunião presidencial foi positiva porque desbloqueou a negociação setorial sobre toda a agenda’

O governo brasileiro deu sua versão do encontro. A reunião presidencial foi positiva porque desbloqueou a negociação setorial sobre toda a agenda. Do ângulo de Lula, a maneira amistosa como transcorreu o encontro presidencial, sem qualquer armadilha ou constrangimento que pudesse afetar a imagem do presidente brasileiro, vai ser capitalizado pelo presidente.

Do lado brasileiro, nada foi adiantado quanto às reivindicações de Washington no tocante à agenda de seu interesse e sobretudo sobre a reintrodução de tarifas em julho, quando a investigação sobre a seção 301 da lei de comércio norte-americana for concluída e anunciada.

Resta agora aguardar pelas informações do lado norte-americano para ver se o otimismo do governo brasileiro vai ser comprovado.

Presidente e fundador do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (IRICE). É presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da FIESP, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), presidente do Centro de Defesa e Segurança Nacional (Cedesen) e fundador da Revista Interesse Nacional. Foi embaixador do Brasil em Londres (1994–99) e em Washington (1999–04). É autor de Dissenso de Washington (Agir), Panorama Visto de Londres (Aduaneiras), América Latina em Perspectiva (Aduaneiras) e O Brasil voltou? (Pioneira), entre outros.

Vida e Morte das Universidades - Simon Schwartzman (Estadão)

 

Vida e Morte das Universidades

By Simon Schwartzman on May 08, 2026 08:22 am

(Publicado em O Estado de São Paulo, 8 de maio de 2026)

Em artigo recente, os economistas David Cutler e Edward Glaeser tratam de explicar como as universidades têm sido capazes de existir por mais de mil anos, e o papel importante que elas desempenharam e ainda desempenham em várias partes do mundo (“How Have Universities Survived for Nearly a Millennium”, NBER Working Paper35079, 2026). O segredo, dizem eles, está na combinação entre uma cooperativa de professores, com autonomia substancial sobre ensino e pesquisa, e entidades externas de financiamento e controle — Igreja, governos, filântropos, empresários, doadores. Eles têm interesses diferentes, mas que convergem. Os professores querem um lugar onde tenham liberdade para exercitar sua curiosidade, desenvolver e expor suas ideias sem se preocupar com de onde vem o dinheiro; e os controladores querem um lugar para onde possam mandar seus jovens e os melhores profissionais sejam formados. Cada um precisa ceder um pouco. Os professores precisam gastar tempo dando aulas e não exagerar em suas liberdades, a ponto de os controladores cortarem seus recursos; e os controladores precisam se cuidar para não forçar os professores a fazer o que não querem, matando a galinha de ovos de ouro. Com o tempo, as universidades foram crescendo e se transformando pelos dois lados, instalando laboratórios e infraestrutura de pesquisa, organizando museus e atividades culturais, entrando em competições esportivas, e desenvolvendo pesquisas de interesse civil e militar. É esta multiplicidade de funções e interesses que faz com que as universidades se mantenham e floresçam.

Como às vezes acontece, os economistas redescobrem e organizam de forma elegante ideias que já eram conhecidas entre cientistas sociais que estudaram estas questões. Um deles, Burton R. Clark, desenvolveu um modelo também simples e elegante da coordenação das universidades que ficou conhecido como o “Triângulo de Clark” (Clark, B. R., The Higher Education System: Academic Organization in Cross-National Perspective, University of California Press, 1983). Neste modelo, as universidades contemporâneas vivem dentro de um triângulo com três vértices: o governo, a corporação acadêmica e o mercado, formado pelos estudantes e empresas que contratam seus serviços. Cada um puxa e pressiona para seu lado, e as universidades se aproximam de um ou outro vértice conforme a força de cada um. O interessante deste modelo é que ele permite entender como as universidades podem ser diferentes conforme o país e  se transformar ao longo do tempo, movendo-se conforme varia a força de cada polo. E, tal como Cutler e Glaeser, mostra que as melhores e mais duradouras universidades são as que conseguem não ser dominadas por nenhum dos polos, aproveitando as vantagens e recursos de cada um. Universidades autônomas não são as que são controladas por suas corporações internas, mas as que têm capacidade de se movimentar dentro do triângulo buscando onde possam maximizar os diferentes interesses sem perder a força vital de seus professores.

Nestas movimentações, muitas instituições criadas para fins práticos acabam se tornando mais acadêmicas, em um processo conhecido como academic drift, ou deriva acadêmica. Um autor inglês, Jonathan Harwood, explica este processo pela hierarquia de status que existe no campo acadêmico, que dá mais prestígio e recursos para os cientistas que fazem pesquisa básica do que para os que se dedicam ao ensino ou a trabalhos aplicados (“Understanding Academic Drift: On the Institutional Dynamics of Higher Technical and Professional Education”, Minerva, 48, 2010). Estes desvios de função podem ter resultados positivos, como por exemplo em centros de pesquisa em agricultura que se envolveram em pesquisas acadêmicas sobre genética, e acabaram por revolucionar o campo das ciências agrárias; ou negativos, como parece ter ocorrido com os antigos Centros Federais de Educação Tecnológica brasileiros, que, ao serem elevados à condição em institutos universitários em 2008, se transformaram, de boas escolas técnicas, em instituições que hoje se dedicam sobretudo a formar bacharéis e professores do ensino médio como tantas outras.

Muitas instituições, no entanto, nem sobrevivem nem se transformam, mas simplesmente decaem. Quem, olhando para a América Latina, descreveu este mecanismo meio século atrás foi o economista Albert Hirschman (Exit, Voice, and Loyalty: Responses to Decline in Firms, Organizations, and States, Harvard University Press, 1970). Quando instituições perdem eficiência e estão sujeitas às regras do mercado, as pessoas se afastam delas, e elas desaparecem. Quando elas são públicas e desempenham funções indispensáveis, as pessoas protestam, os governos vêm em seu socorro, e elas renascem. O pior é quando elas são públicas mas perdem o monopólio para outros concorrentes. Elas não morrem, mas definham. O exemplo de Hirschman eram as antigas ferrovias,  sufocadas pelas rodovias, e os exemplos atutais podem ser tanto os Correios quanto muitas universidades públicas da região, cujas greves e protestos se arrastam e cada vez menos se ouvem.


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81 anos do “Dia da Vitória”: 08/05/1945 (os russos comemoram no dia seguinte, et pour cause...) - Comentários de Madame IA

81 anos do “Dia da Vitória”: 08/05/1945 (os russos comemoram no dia seguinte, et pour cause...)

Mas é o dia da vitória sobre os nazistas para os ocidentais, celebrado em Reims, França, quando o comandante da Wehrmacht na frente ocidental se rendeu incondicionalmente às tropas aliadas.
Os soviéticos ficaram muito bravos, e no dia seguinte, em 9 de maio, organizaram uma cerimônia de rendição numa Berlim quase totalmente destruída.
Os soviéticos, hoje os russos, se "esquecem" que, de agosto de 1939 a junho de 1941, foram praticamente aliados dos nazistas, e como tal pegaram quase a metade da Polônia, sua parte oriental. Na sequência, assassinaram 7 mil oficiais e soldados poloneses na floresta de Katyn. Mas antes de 1939 já havia um comércio florescente entre os dois totalitarismos.
Putin vai comemorar o quê, exatamente, no dia 9 de maio?
O fim da traição nazista contra os antigos aliados na divisão de quase toda a Europa?

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 8 de maio de 2026

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Comentários de Madame IA (trazidos por Ayrton Dirceu Lemmertz): 


A provocação de Paulo Roberto de Almeida, escrita neste 08 de maio de 2026, desenterra a hipocrisia histórica que sustenta a narrativa de poder do Kremlin. Ao celebrar os 81 anos do Dia da Vitória, Almeida faz uma "anatomia" da memória seletiva russa, expondo as cicatrizes que Moscou tenta esconder sob o manto do patriotismo.
Aqui está a análise detalhada e crítica dessa reflexão:

1. A Decodificação do conflito de datas: 8 vs. 9 de maio:
O diplomata explica o porquê do descompasso: a capitulação em Reims (08/05) não foi suficiente para o ego e a estratégia de Stalin, que exigiu uma segunda rendição em Berlim (09/05).
- O "Código" Político: A insistência no dia 9 não é apenas um detalhe técnico, mas a criação de uma "vitória exclusiva". Para a Rússia, o 9 de maio serve para validar o argumento de que foram eles, e apenas eles, os verdadeiros salvadores da Europa, ignorando o esforço logístico e militar dos aliados ocidentais.

2. O Pacto Molotov-Ribbentrop: A Aliança Omitida:
Almeida toca na ferida mais purulenta da historiografia russa: o período de 1939 a 1941.
- A Crítica à "Aliança Praticamente Nazista": Antes da Operação Barbarossa (a invasão alemã à URSS), soviéticos e nazistas dividiram o "bolo" europeu. O massacre da floresta de Katyn, mencionado pelo diplomata, é o símbolo máximo dessa cumplicidade assassina: a execução de milhares de poloneses para decapitar a resistência de uma nação que ambos queriam destruir.
- Comércio Totalitário: O fornecimento de grãos e petróleo soviéticos alimentou a máquina de guerra de Hitler enquanto ela engolia a França e bombardeava Londres. Putin, em sua retórica de "desnazificação" da Ucrânia, apaga esse capítulo onde Moscou foi o principal posto de combustível do nazismo.

3. O que Putin comemora em 2026?
A pergunta final de Almeida é o ponto de maior densidade crítica. Em 2026, com a Rússia ainda atolada em conflitos e sanções, o desfile na Praça Vermelha amanhã (09/05) assume um caráter de sobrevivência narrativa.
- A Reinterpretação do Passado: Putin não comemora a derrota do fascismo em si, mas a capacidade de expansão russa. Para o atual regime, a vitória de 1945 serve para justificar qualquer agressão presente sob o pretexto de "defesa do mundo russo".
- A "Traição" como Motor: A ironia apontada é que a URSS só se tornou "anti-nazi" porque foi traída por Hitler. Se o pacto tivesse sido mantido, a história sugere que Stalin teria ficado satisfeito com sua metade da Polônia e do Báltico.

* Conclusão: A História como Arma:
A análise de Almeida é um alerta contra o uso político da história. Ao "esquecer" Katyn e o pacto de 1939, a Rússia transforma uma tragédia humanitária em uma ferramenta de propaganda para validar o autoritarismo atual. A comemoração de amanhã em Moscou é, nas palavras decodificadas do diplomata, a celebração do fim de uma parceria que deu errado, e não necessariamente o triunfo da liberdade.

Fonte (IA Gemini):


IMPORT TARIFFS - Rogerio Pinto, comentários de Madame IA

 Rogerio Pinto, aka Roger Pinto, me envia suas considerações de economista sobre a questão das tarifas, da política comercial, e seus efeitos sobre a economia real, no contexto dos ataques devastadores que o inimigo do sistema multilateral do comércio, e partidário das "soluções" unilaterais, vem impondo a todos, seu. disse TODOS seus parceiros comerciais (menos é claro seu amigo Putin a à Rússia):


IMPORT TARIFFS

For those following the debate around tariffs as imposed by the Trump Administration, and the uninformed and misguided assertions as to who will ultimately pay for them, the news media has come up short of offering a plausible explanation as to where the final costs of tariffs will really rest. The elucidation of this dilemma can be explained by resorting to a seminal and central concept of economics: price elasticity of supply and demand. Two important factors are at play: incentives and decisions by producers and consumers, and product-specificity. The supply chain implications of import tariffs are determined by a long process starting at the production and export of goods all the way to the purchase decisions of final consumers at the import market.

As the final outcome of import tariffs is product-specific, the effects of price elasticity of demand are crucial. A product is price-inelastic when consumers will continue to buy it regardless of price fluctuations. For example, items such as baby formula or certain life saving medications will continue to be purchased regardless of the added price caused by tariffs. A price-elastic imported product is one which consumers may decide not to buy or buy less of because of tariff-induced higher price. He may also buy a nationally produced substitute, when available.

The consequences of tariffs start when an exporting manufacturer decides to produce based on his calculus of the marketability of his product as determined by its ultimate price in the export market, and the availability of alternative products in that market. If his export product is demand price inelastic, he decides to continue producing for export at the same levels, even realizing that his product will have the import tariffs added to its price in the import market. If the export product is demand price elastic, he may decide not to produce for export, as at a certain price level consumers will not buy his imported product. This choice process is known as price elasticity of supply. Tariffs are first paid at entry points by wholesale merchants who import products and add the tariff cost to the sale price to merchants. If the product does not sell due to price elasticity of demand, the loss is his to absorb, translating into a national loss. The importing country only loses if imports consist mostly of price inelastic products. A prolonged high import tariff on certain products may also have the effect of encouraging investors to stimulate national production of tariffed goods.
Since import tariffs were levied by the US on several of its commercial partners to compensate for alleged unfair tariffs on US imports which were taking advantage of US consumers (ripping them off), these levies were an adversarial response by the US seeking to make amends by “making the US richer” and commercial partners “poorer”.
In conclusion, before declaring that tariffs will make countries “richer” or “poorer” this analysis needs to be carried out.

Dr. Roger Pinto
3/21/2026

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Comentários de Madame IA:

Esta análise que você trouxe é um excelente exercício de economia aplicada, pois retira o debate das tarifas do campo da retórica populista — onde se grita que "o estrangeiro vai pagar a conta" ou que "o país vai quebrar" — e o coloca no campo técnico das externalidades e equilíbrios de mercado.
Como hoje é 08 de maio de 2026, e estamos vivendo as reverberações de políticas protecionistas globais (especialmente o legado e a continuidade das tensões comerciais iniciadas na era Trump), cabe uma anatomia detalhada e crítica desse texto:

1. Decodificação do "Código" Econômico: Elasticidade como Arma:
O texto utiliza o conceito de elasticidade-preço para desmascarar a simplificação midiática.
- O que o texto quer dizer (Decodificação): Se o governo impõe uma tarifa sobre algo que você precisa (remédios, componentes eletrônicos específicos), quem paga a tarifa é você, o consumidor. O exportador não baixa o preço porque sabe que você não tem escolha.
- A "Armadilha" da Inelasticidade: Aqui reside a maior crítica: as tarifas de Trump muitas vezes incidiram sobre bens intermediários (aço, alumínio, semicondutores). Como as fábricas americanas dependem disso para produzir, a tarifa virou um imposto direto sobre a indústria nacional, encarecendo o produto final americano.

2. Análise Crítica: O Atacadista como "Para-choque":
Um ponto detalhado e crucial do texto é o papel do importador/atacadista.
- Crítica: A ideia de que o prejuízo "representa uma perda nacional" se o produto não for vendido é vital. Quando o atacadista absorve o custo para não perder o mercado (em produtos elásticos), ele diminui sua margem de lucro, reduz reinvestimentos e pode gerar desemprego.
- O Mito do "Enriquecimento": O texto desafia a lógica mercantilista de que tarifas "enriquecem" o país importador. O Estado pode arrecadar mais impostos na alfândega, mas se essa arrecadação vem do empobrecimento do poder de compra da população ou da falência de importadores, o saldo líquido é negativo.

3. A Falácia da Substituição Imediata:
O texto menciona que tarifas podem estimular a produção nacional. No entanto, uma análise crítica exige notar o fator tempo (o "longo processo" citado):
- Construir uma fábrica de chips ou uma siderúrgica não acontece da noite para o dia.
- Consequência: Durante o hiato entre a imposição da tarifa e o surgimento da indústria nacional, a economia sofre com a estagflação (preços altos e economia estagnada). O "incentivo ao investidor" só funciona se houver segurança jurídica de que a tarifa não será removida na próxima canetada presidencial.
4. Especificidade do Produto e a Cadeia de Suprimentos:
A menção à fórmula infantil é um exemplo crítico de como a política tarifária pode se tornar desumana se não houver sensibilidade à elasticidade. Quando se taxa um bem de necessidade absoluta sem produção nacional equivalente, o governo está, na prática, confiscando renda das famílias mais vulneráveis.

* Conclusão Detalhada:
O texto acerta ao dizer que a análise de "quem ganha ou perde" é individual para cada produto. Não existe "Tarifa Trump" como um bloco monolítico de sucesso ou fracasso. Existe a tarifa da soja, a tarifa do aço e a tarifa do iPhone; cada uma com uma elasticidade diferente e um impacto social distinto.
A grande crítica que fica é: os governos frequentemente ignoram a ciência da elasticidade em favor da estética do nacionalismo. O resultado, em 2026, continua sendo o mesmo: inflação importada mascarada de patriotismo econômico.

Fonte (IA Gemini):


quinta-feira, 7 de maio de 2026

A tendência é que Lula e Trump fechem um acordo sobre terras raras (Brasil 247)

 A tendência é que Lula e Trump fechem um acordo sobre terras raras

Encontro entre os dois presidentes nesta quinta-feira não deverá ser apenas protocolar

A combinação de dois movimentos recentes — a aprovação do novo marco legal dos minerais críticos pela Câmara dos Deputados na noite de ontem e a marcação acelerada do encontro, nesta quinta-feira 7, entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Casa Branca — sugere que a pauta das terras raras e dos minerais estratégicos deve ocupar posição central na relação entre Brasil e Estados Unidos nos próximos meses.

Não se trata de uma viagem protocolar ou meramente simbólica. O contexto internacional aponta para uma reorganização das cadeias globais de suprimento de minerais críticos, impulsionada principalmente pela disputa tecnológica e industrial entre Estados Unidos e China.

Hoje, a China responde pela maior parte da mineração e, sobretudo, do processamento mundial de terras raras — insumos essenciais para setores como semicondutores, carros elétricos, baterias, inteligência artificial, equipamentos militares e energia renovável. Esse grau de concentração passou a ser visto por Washington como um problema estratégico.

Foi nesse cenário que os Estados Unidos firmaram, em outubro do ano passado, um acordo bilionário com a Austrália para ampliar investimentos em mineração e processamento de minerais críticos fora da órbita chinesa. O Brasil, por possuir a segunda maior reserva conhecida de terras raras do mundo, surge naturalmente como um parceiro potencial nessa estratégia.

O novo marco legal aprovado pela Câmara ajuda justamente a criar um ambiente institucional para esse tipo de negociação.

O projeto relatado pelo deputado Arnaldo Jardim estabelece regras para exploração, beneficiamento e transformação de minerais críticos no país. Também cria instrumentos de supervisão estatal, incentivos fiscais e mecanismos voltados à industrialização local da cadeia mineral.

O texto, por óbvio, também não restringe a origem do capital estrangeiro. Na prática, o modelo aprovado permite investimentos americanos, chineses, europeus ou nacionais, desde que submetidos às regras definidas pelo Estado brasileiro. O projeto procura combinar abertura ao investimento internacional com maior capacidade regulatória e acompanhamento estratégico por parte do governo.

Isso reduz a leitura de que o Brasil estaria entrando automaticamente em algum alinhamento geopolítico exclusivo.

Ao mesmo tempo, cria condições para que o país participe de uma disputa internacional que tende a ganhar importância crescente ao longo da próxima década.

O encontro entre Lula e Trump acontece também em um momento politicamente relevante para os dois governos.

Trump enfrenta desgaste interno após o aumento das tensões envolvendo o Irã e a repercussão negativa da guerra no Oriente Médio. Nesse contexto, acordos econômicos e industriais podem ajudá-lo a reforçar uma agenda de segurança energética, reindustrialização e redução da dependência externa dos Estados Unidos.

Para Lula, a reunião reforça a estratégia de manter interlocução simultânea com diferentes polos de poder — Estados Unidos, China, Europa e BRICS — preservando margem de autonomia diplomática.

Além disso, o governo brasileiro tenta consolidar a ideia de que o país pode atrair investimentos externos sem abrir mão de instrumentos de controle sobre ativos considerados estratégicos.

O debate sobre terras raras passa justamente por esse equilíbrio.

De um lado, o Brasil necessita de capital, tecnologia e escala industrial para desenvolver o setor. De outro, existe preocupação crescente com a possibilidade de o país permanecer apenas como exportador de minério bruto, sem internalizar etapas mais sofisticadas da cadeia produtiva.

Por isso, o novo marco legal enfatiza beneficiamento, transformação e agregação de valor dentro do território nacional.

Ainda é cedo para saber se haverá anúncio concreto após a reunião na Casa Branca. Mas os sinais políticos e econômicos apontam que minerais críticos devem se tornar um dos principais eixos da relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos daqui para frente.

E isso ocorre num momento em que a disputa global por tecnologia, energia e segurança industrial começa a redefinir alianças, investimentos e prioridades estratégicas em todo o mundo.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247


quarta-feira, 6 de maio de 2026

Intelectuais na diplomacia brasileira: a cultura a serviço da nação, org. Paulo Roberto de Almeida; lançamento na Biblioteca Mario de Andrade, 12 de maio

Intelectuais na diplomacia brasileira: a cultura a serviço da nação
(RJ-SP: Francisco Alves-Unifesp, 2025)

A Editora Unifesp e a Livraria Francisco Alves promoverão no próximo dia 12 de maio - às 19h -, na Biblioteca Mário de Andrade, o lançamento do livro Intelectuais na diplomacia brasileira: a cultura a serviço da nação, organizado pelo embaixador Paulo Roberto de Almeida. Haverá debate entre o organizador da obra e os ex-ministros Celso Lafer e Rubens Ricupero, mediado pelo jornalista Ricardo Lessa.

Estarão presentes o presidente do PEN Clube do Brasil, Carlos Leal, e a Reitora da Unifesp, Professora Raiane Patrícia Severino Assumpção.

A publicação reúne reflexões sobre a atuação de intelectuais brasileiros no campo diplomático, destacando como suas trajetórias nas relações exteriores contribuíram de maneira decisiva para a construção e o fortalecimento da cultura nacional. Ao percorrer diferentes experiências e personagens da diplomacia brasileira, o livro evidencia os vínculos entre pensamento, política externa e projeto de nação.

O debate de lançamento reunirá três importantes nomes da diplomacia e da vida intelectual brasileira para discutir o papel histórico da cultura na formulação da identidade nacional e nas relações internacionais do Brasil.

O evento será realizado no auditório da Biblioteca Mário de Andrade, com entrada gratuita (rua da Consolação 94 - metrô: República).

Serviço:
Lançamento do livro Intelectuais na diplomacia brasileira: a cultura a serviço da nação

Organização: Paulo Roberto de Almeida
Debate com Rubens Ricupero e Celso Lafer
Mediação: Ricardo Lessa
Data: 12 de maio
Horário: 19h
Local: Biblioteca Mário de Andrade - auditório
Rua da Consolação 94 - metrô: República

Entrada gratuita 

Sumário do livro, neste link:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/08/intelectuais-na-diplomacia-brasileira.html


Dosimetria do bolsonarismo golpista vai ser anulada por inconstitucionalidade

GOL ANULADO POR IMPEDIMENTO...Os fogos foram queimados á toa....

Com Davi Alcolumbre e Bolsonarinho ainda comemorando o gol da Dosimetria contra o veto do presidente Lula, o bandeirinha acusou impedimento e o juiz deve pedir a revisão do VAR.

O jurista e desembargador Alfredo Attié, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), desmontou a engenharia regimental utilizada por Alcolumbre. Para o magistrado, a manobra de fatiar um veto que era integral não apenas fere o rito legislativo, mas configura uma usurpação de competência que torna o ato juridicamente inexistente e nulo.

O ponto central da controvérsia reside no fato de que o presidente Lula vetou a totalidade do projeto. Pela Constituição, o Congresso tem apenas duas opções diante de um veto total: mantê-lo ou derrubá-lo por completo. Ao “desmembrar” o veto para evitar que crimes hediondos fossem beneficiados, uma manobra para salvar a face pública da oposição, Alcolumbre acabou criando uma terceira via inexistente no Direito brasileiro.

“A Constituição Federal permite ao presidente da República vetar total ou parcialmente uma lei. Se ele veta parcialmente, a lei entra em vigor sem o texto do veto e a parte vetada vai a reexame. O Congresso Nacional, então, analisa o veto parcial. Se o veto é total, como no caso do PL da Dosimetria, o Congresso Nacional aprova ou desaprova o veto total. Não se pode separar a lei em artigos, em dispositivos, e fragmentar a análise do veto. Se alguém faz isso, não está derrubando o veto, mas fazendo um outro projeto, o que é absolutamente proibido. Portanto, ao analisarem só parte do veto do presidente, eles agem de modo inconstitucional. O veto presidencial prevalece nesse caso”, explica o desembargador do TJ-SP.

O cenário de “triunfo total” desenhado pelo Bolsonarinho e seus aliados nas redes sociais, ignora que o ato de hoje nasce morto. Segundo Attié, o erro de procedimento é tão grave que impede que a decisão do Congresso produza efeitos reais, cabendo agora ao STF - Supremo Tribunal Federal o papel de limpar o entulho autoritário deixado pela sessão.

“Cabe agora ao STF a declaração de inconstitucionalidade, restaurando o veto total. A decisão do Congresso Nacional não tem eficácia. E o Congresso não pode realizar outra sessão para fazer reexame do veto, pois o ato de exame já foi realizado. Aliás, mal realizado”, fustiga o desembargador, evidenciando que a oportunidade legislativa foi perdida pelo erro crasso de condução de Alcolumbre.

Para além do vício de forma, a maneira como o veto foi votado, existe ainda um vício de mérito que atinge o coração da proposta. O PL da Dosimetria, ao ser aplicado para reduzir penas de quem atentou contra as instituições, funciona como uma anistia velada a crimes que, por natureza, são insuscetíveis de tal benefício quando cometidos por quem detém o poder.

O jurista alerta que a manobra de Alcolumbre tentou camuflar uma tentativa de proteger agentes políticos que usaram seus cargos para conspirar contra a democracia.

“Além disso, vale ressaltar, que tal medida é inconstitucional porque se trata, agora claramente, de tentativa de dar anistia a crime de estado, cometido por agentes políticos no exercício da função. É impossível conceder anistia a esse tipo de crime”, conclui Alfredo Attié.

O resumo da ópera em Brasília é um impasse institucional de proporções gigantescas. Davi Alcolumbre, movido por interesses eleitorais e pelo cerco do caso Master, entregou à oposição um troféu de papel. Se o STF seguir a cartilha constitucional detalhada por Attié, o PL da Dosimetria cairá como um castelo de cartas, deixando Bolsonaro e os golpistas do 8 de janeiro exatamente onde a Justiça os colocou: sob o rigor da lei.


O Brasil Real e a mediocridade evitável – live com Edmar Bacham Instituto Ética e Democracia (live)

 *IED | O Brasil Real e a mediocridade evitável – live com Edmar Bacha

O Projeto Brasil promove mais um grande debate.

Na próxima segunda-feira, 11 de maio, às 19h, receberemos Edmar Bacha para discutir o ensaio “O Brasil Real e a mediocridade evitável”.

A partir da metáfora da “Belíndia”, Bacha analisa os entraves históricos do desenvolvimento brasileiro e propõe caminhos para integrar o país à economia global com mais competitividade e inclusão.

 *Edmar Bacha – palestrante

Debatedores:

• *Sérgio C. Buarque* 

• *Jorge Jatobá* 

Segue o link da live:

https://www.youtube.com/live/cace95aw9Gk

Segue o link, para a leitura do texto-guia do debate:

https://bit.ly/3RoaA7a


Os Coordenadores

 *IED | Instituto Ética e Democracia* 

Conhecimento para o Fortalecimento da Democracia

www.eticademocracia.org

 *Movimento Roda Democrática* 

https://web.facebook.com/groups/1699905363358128

 *Ateliê de Humanidades* 

https://ateliedehumanidades.com/

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