quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Maquiavel: teje preso (ok, nao foi assim, mas quase...) - The Telegraph

Seria assim, se tivesse sido no Brasil. Por sorte de Maquiavel não foi; acho que ele não sobreviviria a uma cadeia brasileira, que segundo o ministro da Justiça (justiça?) são medievais.
O Maquiavel teve sorte de já viver no Renascimento (embora isso não tivesse a mínima importância) e de estar na Toscana, onde parece que ainda não existia o Primeiro Comando da Capital, só ratos, pulgas e percevejos.
Embora ele tenha sido torturado, parece que não arrancaram suas unhas, tanto é que terminou de escrever O Príncipe.
Tive a oportunidade de ajudá-lo a reescrever essa obra (vejam no meu site), adaptando aos nossos tempos, muito mais bárbaros (pelo menos politicamente) do que os dele.
Em todo caso, divirtam-se...
Paulo Roberto de Almeida

Briton finds 500-year-old arrest warrant for Machiavelli

A British academic has stumbled upon a 500-year-old "most wanted" notice for the arrest of Niccolo Machiavelli, the infamous Renaissance political operator who wrote The Prince.

Briton finds 500-year-old arrest warrant for Machiavelli
Drawing of the trumpet used by the town crier, left, was found together with the proclamation calling for the arrest of Machiavelli Photo: University of Manchester
Prof Stephen Milner from Manchester University discovered the historic document by accident while researching town criers and the proclamations they read out in archives in Florence.
The 1513 proclamation, which called for the arrest of Machiavelli, eventually led to his downfall and death.
"When I saw it I knew exactly what it was and it was pretty exciting," said Prof Milner.
"When you realise this document marked the fall from grace of one the world's most influential political writers, it's quite a feeling.
"The Prince is a seminal work, with a lasting influence on political thought and culture. The term 'Machiavellian' and the naming of the Devil as 'Old Nick' all derive from this single work, but the circumstances of its composition have often been overlooked."
When the Medici family returned to power in Florence in 1512, Machiavelli was removed from his post in the city's chancery because of his association with the head of a rival faction.
His name was then linked with a conspiracy to overthrow the Medici. They issued the proclamation found by Prof Milner for his arrest.
"On the same day, he was imprisoned, tortured and later released and placed under house arrest outside the city," said the historian, an authority on Renaissance Italy.
Machiavelli, known as the Prince of Darkness, then wrote The Prince in the hope of regaining the approval of the Medicis.
"But there's no evidence to suggest they even read it," said Prof Milner, who is Visiting Professor at the Harvard Centre for Italian Renaissance Studies at Villa I Tatti in Florence.
Machiavelli's fortunes spiralled downwards and he died in abject poverty 14 years later.
The academic found the document while studying hundreds of town crier proclamations issued between 1470 and 1530.
He also found documents relating to the payment of four horsemen who scoured the streets of the Tuscan city for Machiavelli.
Florence is this year celebrating the 500th anniversary of Machiavelli's writing of The Prince, a political treatise which argues that the pursuit of power can justify the use of immoral means.
The celebrations include, on February 19, a reconstruction of the events surrounding his arrest and imprisonment.

Burocratas da Franca e do Brasil: uni-vos! (e como!) - Ricardo Velez-Rodriguez

Um artigo de 2002, ou seja, ainda antes da inauguração da década dos companheiros, tão colbertistas (mesmo sem saber o que é isso, como Monsieur Jourdain) quanto os franceses, e que revela que os burocratas dos dois países ainda vão conseguir afundar as respectivas economias...
Vale a pena ler por inteiro...
Paulo Roberto de Almeida

O SOCIALISMO NA FRANÇA E NO BRASIL: UMA ANÁLISE FEITA EM 2002 

Ricrdo Vélez-Rodríguez

Blog Rocinante,  15/02/2013

Em Agosto de 2002 escrevi esta análise acerca das semelhanças entre os socialismos francês e brasileiro. Depois de ver o desempenho do governo Hollande, que não consegue fazer despegar o avião da economia francesa, e depois de ver, por outro lado, o tamanho do "pibinho" com que o terceiro governo petista nos brinda, acho que a minha análise tem plena atualidade.
O que é que a França tem de comum com o Brasil? Poderiamos dizer que, em primeiro lugar, a estrutura centralizada do Estado. Em segundo lugar, poder-se-ia afirmar, validamente, que os nossos marxistas são tão estatizantes e dogmáticos quanto os comunistas franceses. Estalinistas mesmo. Com uma diferença: na França, e talvez em Portugal e na Espanha, esses dinossauros ficaram confinados no PC. No Brasil, mimetizam-se em tudo quanto é partido de esquerda, do PT ao PC do B, ocupando sofregamente o segundo escalão dos Ministérios, quando não a direção das Universidades Federais e as Secretarias Estaduais ou Municipais, nos lugares onde há governantes favoráveis.
 (...)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Pesquisa em biblioteca universitaria americana (Uau!)

A "Latin American Library" de Tulane University, o segundo maior acervo latino-americano do sistema universitário dos EUA, está oferecendo bolsas (passagem, hospedagem, estipêndio) para pesquisas em seu acervo, num período que vai de um a três meses. 
São duas bolsas, a serem concedidas com base nas qualificações do candidato, no mérito do projeto e na adequação da pesquisa ao nosso acervo. 
O prazo é 30 de abril. 
Detalhes do anúncio, com o formulário de inscrição,
em inglês: http://bit.ly/WRaJbX 
em espanhol: http://bit.ly/WRaKMY 
em português: http://bit.ly/WRaNbI

Meu proximo livro: Integracao Regional - Paulo Roberto de Almeida

Meu próximo livro:

Eis o Índice...

1. O regionalismo: um fenômeno complexo da economia mundial
2. O conceito de regionalismo e os processos de integração
3. Por que acordos regionais? Para quê integração econômica? 
4. Como são os acordos regionais? Que tipos de integração econômica existem?
5. Por que não integrar: razões antigas e modernas, boas e más 
6. Como se processa a integração no plano internacional?
7. O futuro do regionalismo comercial: mais do mesmo?
8. Conclusões
--> Cronologia da integração no contexto internacional
Glossário
Fontes e referências 

e o Prefácio...

Este livro, ainda que modesto em suas dimensões, e deliberadamente sintético em seus argumentos substantivos – como, aliás, requerido pela coleção –, consolida um itinerário bastante longo de estudos, pesquisas dirigidas, atividades práticas e de escritos publicados sobre os processos de integração regional, em suas diferentes variantes institucionais e em suas múltiplas manifestações geográficas e políticas. Trata-se, como o subtítulo indica, de uma introdução, daí ter o autor resumido muitos outros trabalhos – seus ou de pesquisadores mais reputados, inclusive estrangeiros – em um texto que se atém ao essencial do que constitui um dos mais importantes processos dinâmicos da globalização contemporânea e do sistema multilateral de comércio, administrado, desde 1995, pela Organização Mundial do Comércio.
O fenômeno da regionalização, em si, é obviamente bem mais antigo do que isso, sendo propriamente secular, ainda que sob outros formatos e roupagens; assim como são mais antigas – mesmo se de apenas duas ou três décadas – as preocupações deste autor com suas manifestações concretas, aliás despertadas desde o nascimento do Mercosul, que constituiu, justamente, o tema de seu primeiro livro: O Mercosul no contexto regional e internacional (São Paulo: Aduaneiras, 1993), obra hoje esgotada. Seguiu-se outro livro, mais sistemático, sobre esse importante bloco de comércio do hemisfério meridional – Mercosul: fundamentos e perspectivas (São Paulo: LTr, 1998) – e, dois anos depois, uma sua versão atualizada, em perspectiva comparada com a União Europeia, publicada na França: Le Mercosud: un marché commun pour l’Amérique du Sud (Paris: L’Harmattan, 2000). Entre os dois, uma obra didática, fazia uma análise, de amplo escopo histórico, das experiências existentes nessa modalidade de liberalização comercial no âmbito do sistema multilateral de comércio: O Brasil e o multilateralismo econômico (Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1999).
Seguiram-se artigos, conferências e palestras sobre a integração regional, em especial sobre o Mercosul e a Alca, inclusive vários capítulos preparados para integrar livros coletivos. Todos esses escritos tinham a preocupação primordial de situar historicamente esse fenômeno e de contextualizá-lo no quadro dos experimentos em curso na América Latina; exibiam, também, o cuidado com o lado didático, traço sempre presente neste autor, constantemente dividido entre a atividade profissional na diplomacia brasileira e o empenho voluntário na docência universitária.
Muitas dessas reflexões, inclusive sobre o chamado “minilateralismo”, foram mais recentemente objeto de uma grande síntese multidisciplinar, em livro que reuniu diferentes estudos meus sobre a integração, no contexto mais vasto da ordem mundial contemporânea: Relações Internacionais e Política Externa do Brasil: a diplomacia brasileira no contexto da globalização (Rio de Janeiro: LTC, 2012). Essas análises abrangentes, elaboradas no momento mesmo da implementação desses processos – ou no próprio ato de sua criação, como, por exemplo, no caso do Mercosul – estavam marcadas, em todos os escritos referidos, por uma tripla combinação metodológica: a de uma abordagem propriamente histórica, inserida numa explanação basicamente econômica desses fenômenos, mas com a visão política indispensável que costuma guiar um analista acadêmico doublé de negociador prático, como este que escreve.
Com efeito, os trabalhos publicados sobre a integração e o Mercosul – cuja lista completa pode ser conferida no site pessoal deste autor: www.pralmeida.org – se beneficiaram, certamente, da pesquisa bibliográfica e da reflexão de tipo acadêmico, mas foram, sobretudo, o fruto do envolvimento do autor com processos concretos de negociações comerciais regionais e multilaterais ao longo de uma carreira diplomática basicamente articulada em torno das relações econômicas internacionais do Brasil: primeiro, no contexto da Rodada Uruguai do Gatt, em Genebra; depois, no foro negociador da Aladi, em Montevidéu; em seguida, na própria unidade encarregada dessas áreas na Secretaria de Estado das Relações Exteriores, no Itamaraty, em Brasília; na sequência, em muitas reuniões de trabalho do processo negociador da Alca, em Miami; ocorreu, também, uma abordagem paralela, não necessariamente única ou exclusiva, desses fenômenos durante minhas estadas em Paris – inclusive acompanhando os trabalhos da OCDE nessa área – e em Washington, sede dos mais importantes organismos multilaterais econômicos – entre eles o Banco Interamericano de Desenvolvimento e a OEA, que promovem e estimulam importantes estudos sobre a integração regional nas Américas – e de alguns think tanks e fundações que também estudam intensamente essas modalidades de liberalização comercial, com destaque, nessa capital, para o Nafta e, então, para o frustrado processo negociador da Alca.
Estas referências pessoais – aparentemente exageradas – visam unicamente demonstrar que este pequeno livro não é apenas o reflexo, ou o resultado, de mera pesquisa conduzida em livros ou mediante uma rápida síntese de leituras variadas; ele é, essencialmente, o resultado de um longo envolvimento prático com negociações concretas de experimentos de integração regional, bem como de um conhecimento direto do funcionamento interno do Mercosul, da Aladi e, ainda que de modo indireto, da União Europeia e do Nafta (para não mencionar a natimorta Alca). Foi a constante convivência com todos esses mecanismos, instituições e negociações, bem como com seus eventuais percalços ou retrocessos, que permitiu ao autor discorrer, linearmente, em sucessivos capítulos desta obra, sobre os mais diferentes exemplos de integração regional, praticamente sem recorrer a extensas pesquisas preliminares, dispensando até os livros de história, uma vez que ele assistiu, foi protagonista, ou contemporâneo, de muitos dos processos que vão aqui descritos em seus traços essenciais.
Sem qualquer falsa modéstia, o livro consolida, por assim dizer, a trajetória pessoal, tanto intelectual quanto diplomática deste autor, motivo pelo qual possui, legitimamente, uma credibilidade que poucas obras puramente acadêmicas podem exibir. Ele certamente não está isento de limitações e de insuficiências – várias motivadas pelo formato voluntariamente sintético e didático que assumiu por opção – em função das quais deve, como ocorre em todos os casos, submeter-se às críticas dos especialistas, sejam eles economistas acadêmicos ou negociadores profissionais.
Em qualquer hipótese, uma característica provavelmente distingue o autor dos escritores de gabinete e, certamente, de muitos dos diplomatas da área: ele elaborou esta obra com pleno conhecimento de causa e com toda a honestidade intelectual de que é capaz um autor que, ainda que pertencendo a uma carreira de Estado, estabelece como sendo as principais tarefas do analista, sua missão primordial, a fidelidade aos fatos e o indispensável rigor analítico. Aos leitores, agora, a missão de avaliar se este esforço atende às suas expectativas.

Paulo Roberto de Almeida 

Livros: incomodos necessarios, pesos indispensaveis - Francisco Seixas da Costa

Dixit...

Problemas de espaço
Francisco Seixas da Costa
Blog Duas ou Três Coisas..., 19/02/2013

Conversa no sábado, com um colega já reformado, numa loja do Chiado.

- Como é que você resolveu o problema dos livros a mais, no seu regresso definitivo a Lisboa?

- Nem me fale! Foi um inferno! Não houve espaço para todos eles. Tive de fazer uma seleção.

- É que eu estou num sufoco. Tenho milhares de livros em caixotes, num armazém. Ainda não sei bem como vou proceder.

Comentário irónico da mulher desse meu colega:

- Vocês nem se dão conta do lugar onde estamos a ter esta conversa. Depois queixem-se...

Estávamos a comprar livros na Bertrand.

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E muitos dos meus ficaram em caixotes, ao sair do Brasil, pois já não havia lugar nas estantes nas quais os acomodei às, pressas, nas vésperas da partida...
Estou tratando de adquirir mais alguns, nesta minha estada nos EUA, onde as ofertas são irresistíveis, em qualidade e preço...
Onde vou parar?
Numa biblioteca...
Paulo Roberto de Almeida

A blogueira e os mercenarios, 2: o ovo da serpente...

Esses rapazes aliciados, talvez pagos (mas não creio, certamente crentes na sua verdade), estão mostrando um face cubana, venezuelana, talvez argentina, que ainda não conhecíamos no Brasil: o ódio político, a intolerância com quem não pensa como eles, a sabujice a uma causa totalitária, o que é, como escrito, acima, o ovo da serpente totalitária.
Ampliando um pouco, se trata do totalitarismo soviético, que os companheiros cubanos conhecem bem, infelizmente. Eu vi isso, quando visitava os socialismos reais (e surreais), nos anos 1970 e início dos 1980, antes de Gorbachev. Depois acabou, pelos menos na maior parte deles. Sobraram algumas ex-satrapias soviéticas onde o mesmo esquema de intimidação permanece, e certamente dois lugares miséraveis nas antípodas, Cuba e Coreia do Norte, onde o totalitarismo bolchevista viceja plenamente.
O que leva rapazes de classe média no Brasil a se tornarem serviçais de uma causa totalitária?
O que os leva a servir de bucha de canhão de ditaduras miseráveis?
Apenas eles podem responder.
Reproduzo apenas duas frases do post dessa blogueira hostilizada pelos novos bárbaros:
Ellos querían lincharme, yo conversar. Ellos respondían a órdenes, yo soy un alma libre.
É isso, os novos bárbaros ofendem a sua própria inteligência, se é que possuem alguma. Se converteram em autômatos de uma causa deplorável.
Mas, pelo menos, no Brasil, são livres para fazê-lo, assim como adotar uma atitude absolutamente contrária: homenagear o conservadorismo, a religião, o liberalismo, enfim, coisas de direita, tudo o que eles quiserem fazer, podem fazer, por enquanto.
Se e quando os companheiros totalitários assumissem o poder, só poderíamos atuar numa única direção.
Esses rapazes, apesar de idiotas, são livres. Pelo menos isso. Em Cuba não seriam...
Paulo Roberto de Almeida

El viejo acto de repudio

 
Quizás ustedes no lo saben –porque no todo se cuenta en un blog- pero el primer acto de repudio que vi en mi vida fue cuando sólo tenía cinco años. El revuelo en el solar llamó la atención de las dos niñas que éramos mi hermana y yo. Nos asomamos a la reja del estrecho pasillo para mirar hacia el piso de abajo. La gente gritaba y levantaba el puño alrededor de la puerta de una vecina. Con tan poca edad no tenía la menor idea de qué pasaba. Es más, ahora cuando rememoro lo ocurrido apenas tengo el recuerdo del frío de la baranda entre mis dedos y un destello muy breve de los que vociferaban. Años después pude armar aquel calidoscopio de evocaciones infantiles y supe que había sido testigo de la violencia desatada contra quienes querían emigrar por el puerto del Mariel.
Pues bien, desde aquel entonces he vivido de cerca varios actos de repudio. Ya sea como víctima, observadora o periodista… nunca –vale la pena aclararlo- como victimaria. Recuerdo uno especialmente violento que experimenté junto a las Damas de Blanco, donde las hordas de la intolerancia nos escupieron, empujaron y hasta halaron los pelos. Pero lo de anoche, fue inédito para mi. El piquete de extremistas que impidió la proyección del filme de Dado Galvao en Feria de Santana, era algo más que una suma de adeptos incondicionales al gobierno cubano. Todos tenían, por ejemplo, el mismo documento -impreso en colores- con una sarta de mentiras sobre mi persona, tan maniqueas como fáciles de rebatir en una simple conversación. Repetían un guión idéntico y manido, sin tener la menor intención de escuchar la réplica que yo pudiera darles. Gritaban, interrumpían, en un momento se pusieron violentos y de vez en cuando lanzaban un coro de consignas de esas que ya no se dicen ni en Cuba.
Sin embargo, con la ayuda del Senador Eduardo Suplicy y la calma ante las adversidades que me caracteriza, logramos comenzar a hablar. Resumen: sólo sabían chillar y repetir las mismas frases, como autómatas programados. ¡Así que la reunión fue de lo más interesante! Ellos tenían las venas del cuello hinchadas, yo esbozaba una sonrisa. Ellos me hacían ataques personales, yo llevaba la discusión al plano de Cuba que siempre será más importante que esta humilde servidora. Ellos querían lincharme, yo conversar. Ellos respondían a órdenes, yo soy un alma libre. Al final de la noche me sentía como después de una batalla contra los demonios del mismo extremismo que atizó los actos de repudio de aquel año ochenta en Cuba. La diferencia es que esta vez yo conocía el mecanismo que fomenta estas actitudes, yo podía ver el largo brazo que los mueve desde la Plaza de la Revolución en La Habana.

Miseria da educacao no Brasil: a industria da aprovacao

Comentários recebidos de um leitor deste blog, a partir de material de imprensa:


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Ensino - Atualizando post
Gilrikardo disse: em maio de 2012 comentei os números do ensino, o comparativo entre os desempenho do RS frente à SC, transcrito abaixo. Hoje, fevereiro 2013, volto para acrescentar que descobri mais uma forma de manipular os índices de desempenho dos alunos. "É para chorar!". Numa sala, quando a professora "PRECISA" mostrar desempenho da turma cujos estudantes mesclam-se entre péssimos, ruins, sofríveis, suficientes, bons, ótimos, apela para a "fórmula mágica" de aplicar as PROVAS para duplas de alunos determinados por ela. Assim pega o pior ao lado do melhor, devem resolver a prova juntos e obterão a mesma nota... e o índice de desempenho e aprovação será "desonestamente" alterado para mais. Esse é o ensino do nosso Brasil. Argh! (Cá com meus botões, isso é invenção de algum político, quem mais teria estômago para tal)

Os números do ensino médio
18 de maio de 2012 | 3h 06
O Estado de S.Paulo
Os últimos números do Ministério da Educação (MEC) revelam que, em 2011, o índice de reprovação na rede pública e privada de ensino médio foi de 13,1% - o maior dos últimos 13 anos. Em 2010, foi de 12,5%. Os alunos reprovados não conseguem ler, escrever e calcular com o mínimo de aptidão, tendo ingressado no ensino médio com nível de conhecimento equivalente ao da 5.ª série do ensino fundamental.
O Estado com o maior índice de reprovados foi o Rio Grande do Sul - 20,7% dos alunos. Em segundo lugar aparecem, empatados, Rio de Janeiro e Distrito Federal, com índice de 18,%, seguidos pelo Espírito Santo (18,4%) e Mato Grosso (18,2%). A rede municipal de ensino médio na região urbana de Belém, no Estado do Pará, foi a que apresentou o maior índice de reprovação do País (62,5%), seguida pela rede federal na zona rural de Mato Grosso do Sul (40,3%). No Estado de São Paulo, o índice pulou de 11% para 15,4%, entre 2010 e 2011.
Os Estados com os menores índices de reprovação foram Amazonas (6%), Ceará (6,7%), Santa Catarina (7,5%), Paraíba (7,7%) e Rio Grande do Norte (8%). Os indicadores também mostram que 9,6% dos estudantes da rede pública e privada de ensino médio abandonaram a escola - em 2010, a taxa foi de 10,3%; em 2009, ela foi de 11,5%; e em 2008, de 12,8%.


Gilrikardo disse: Vou me ater somente a dois índices em virtude de estar "familiarmente" ligado a eles e assim, com um certo conhecimento de causa, ser capaz de construir uma opinião. O Rio Grande do Sul obteve o maior índice de reprovação (20,7%), estado onde tive minha formação até o segundo grau, considero tal índice uma vitória da ética e da honestidade, pois deve ser verdade, para mim uma prova de que os professores não se renderam às "pressões" políticas para alterarem o quadro. Fato oposto ao que ocorre com o índice de Santa Catarina (7,5%) entre os menores do Brasil. OUSO apostar que tal número é uma MENTIRA deslavada, pois aqui, pessoas que acompanham de perto o ensino já pecerceberam que aluno algum reprova,,, existe uma verdadeira "INDÚSTRIA" de aprovação escolar com intuitos politiqueiros e eleitoreiros. Esses índices só servem para comprovar a facilidade que existe em se manipular estatísticas. Minha vida pertence a estes dois estados irmãos, RS e SC, e a realidade por aqui não justifica um disparate tão significativo entre 7,5 e 20,7 pontos percentuais apresentado em tal estudo. É... realmente, educação não é o nosso forte.

Uma politica externa covarde, antinacional, submissa, acanhada, enfim, perversa...

Calma, calma, não estou falando da política externa altiva, soberana, autônoma, não submissa, focada inteiramente nos altos interesses nacionais, que existe, felizmente, graças aos que estão aí, desde 2003. Ufa!, fomos salvos.
Pois saibam todos os diplomatas ainda ativos, mas que tiveram a infelicidade de trabalhar antes da era gloriosa, redentora, soberana, etc., etc., etc., que eles antes não tinham condições de ser altivos, soberanos, nacionalistas, etc., etc., etc., pois serviam a interesses poderosos, interessados em mante-los submissos aos interesses estrangeiros, ao FMI, ao imperialismo, servindo apenas aos objetivos de lucro de grandes grupos não comprometidos com a nossa felicidade.
Não sei se eles se sentem ofendidos pelas palavras do ex-SG, que implica justamente isto, por definição contrária. Se tudo isso que é sintetizado pelo ex-SG como tendo acontecido a partir de 2003, então é porque antes se fazia tudo ao contrário, entenderam?
Eu não me sinto ofendido, pois sei que tudo isso é conversa mole, para comemorar os dez anos do poder glorioso, e não me sinto atingido por esse tipo de discurso maniqueista, deformado, distorcido, enviesado, ou simplesmente mentiroso.
Apenas exerço o meu direito de velar pela honestidade do discurso político em face dos fatos, o que não parece ser uma característica do entrevistado. Quando uma versão histórica ofende os fatos, é preciso que todos aqueles que tem um pouco de dignidade intelectual, venham apontar os erros e as distorções, e defender um patrimônio de trabalho que não pertence apenas a uma tribo de sectários e mentirosos profissionais.
Independentemente de matizes na política externa conduzida no Brasil nas últimas décadas, já tivemos épocas em que esse tipo de deformação não era recebida com o silêncio que hoje parece se abater sobre o debate público. A passividade com esse tipo de distorção pode significar ou inação e conformismo, mas no limite pode representar cumplicidade, talvez até por oportunismo e submissão.
Paulo Roberto de Almeida 


Site do PT, 18/02/13 - 16h18
“A reação da oposição conservadora, de direita, existe porque interesses poderosos estão sendo contrariados", afirma o embaixador.

A política externa brasileira sofreu uma guinada a partir do governo do PT. Desde 2003 o Brasil passou a implementar uma política altiva e soberana, com foco nos interesses nacionais, abandonando a postura subalterna aos interesses externos, em especial dos Estados Unidos, como ocorria no governo do PSDB (1995-2002). Essas mudanças foram abordadas pelo embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, secretário-geral do Itamaraty durante o governo Lula, em entrevista ao PT na Câmara. “A reação da oposição conservadora, de direita, existe porque interesses poderosos estão sendo contrariados.”, disse. Ele falou também sobre temas como China, reação da oposição conservadora, “crise” capitalista etc. Veja um resumo da entrevista.
Oposição conservadora
Ao tomar posse, o presidente Lula afirmou que daria prioridade às relações do Brasil com os países da América do Sul, bem como daria ênfase também às relações com os países africanos.
A política externa anterior privilegiava as relações com os Estados Unidos de forma muito intensa e subalterna. O presidente FHC praticamente não visitou os países africanos.
No início do governo Lula os EUA prepararam a invasão do Iraque – uma invasão que procuravam justificar com documentos falsos, apresentados na tribuna da ONU pelo Secretário de Defesa norte-americano– e o Brasil se opôs a essa invasão, inclusive buscando se articular com França e Alemanha para que isso não ocorresse.
No caso da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), o governo anterior dizia, retoricamente, “vamos negociar e, no final, se não for bom, nós não aceitamos”. Isso não existe. Nas negociações internacionais, se você negocia é porque está chegando ao entendimento.
Outro exemplo foi a reunião dos países árabes com os países da América do Sul, que gerou uma irritação enorme na direita brasileira porque isso irritava o governo norte-americano.
E esses são apenas alguns poucos exemplos de ações contrárias à orientação da política externa anterior. A reação da oposição conservadora, de direita, existe porque interesses poderosos estão sendo contrariados.
Relação com “fortes” e “fracos”
O centro da política externa brasileira é a América do Sul. Há uma enorme assimetria entre esses países – de território, de recursos naturais, de população e de capacidade produtiva – e isso torna muito delicadas as relações com os vizinhos. O presidente Lula sempre fez questão de dizer que o Brasil tinha relações de parceria com os países vizinhos, não de liderança. São relações caracterizadas pela generosidade, pelo reconhecimento de que o Brasil tem uma responsabilidade maior no processo de desenvolvimento da América do Sul, que nos interessa econômica e politicamente.
Durante todo o governo do presidente Lula houve grande reação dos partidos de direita, conservadores, reacionários, tradicionais, como se o Brasil devesse ter atitudes agressivas com os países vizinhos. No entanto, o que ocorreu foi justamente o contrário. Acertamos todas as questões relativas à Bolívia e a mesma coisa ocorreu com o Paraguai.
No governo Lula o Brasil decidiu realizar uma contribuição voluntária de 500 milhões de dólares ao Focem [Fundo para a Convergência Estrutural e Fortalecimento Institucional do Mercosul], que tem a ver com a redução das assimetrias, para a construção da linha de transmissão entre Itaipu e Assunção. Isso permitirá o desenvolvimento industrial do Paraguai e terá um impacto positivo para nós, mas foi criticado pela direita brasileira.
Outro indicador da mudança da política exterior é o fato de que os presidentes da América do Sul, quando eleitos, em vez de visitar os EUA , vêm visitar o Brasil. Isso não é à toa, significa o interesse nas relações políticas e econômicas com o Brasil, coisa que antes não ocorria.
Economia
A política externa do Brasil no governo do presidente Lula sofreu uma inflexão muito grande. Isso ocorreu nos mais diferentes campos de atuação do Brasil no exterior e se refletiu, por exemplo, na extraordinária ampliação do comércio com os países da América do Sul e, sobretudo, do Mercosul. E isso tem a ver com a produção industrial brasileira. As nossas exportações para esses países são, principalmente, de produtos industriais.
A ampliação e diversificação dessas relações comerciais, junto com o esforço para construir a infraestrutura dos países vizinhos, como a estrada bioceânica no Peru, a construção da linha de transmissão entre Itaipu e Assunção, o financiamento de gasodutos na Argentina, de estradas na Bolívia, tudo isso é importante e resulta em contratos com empresas brasileiras, o que significa empregos para as pessoas no Brasil.
Mercosul social
Pouco se fala disso, mas um trabalhador que trabalha em qualquer país do Mercosul pode acumular o tempo de serviço dele para fins de previdência social. E qualquer cidadão do Mercosul que venha morar fora do seu país de origem, após dois anos pode pedir a residência permanente. Com isso ele passa a ter todos os benefícios civis. Esses e outros são acordos importantes que beneficiam toda a população do Mercosul.
Defesa
O Conselho de Defesa Sul-Americano é um órgão muito importante no qual militares e civis dos países da América do Sul podem cooperar e aumentar o intercâmbio para treinamento de oficiais, e cria a possibilidade, no longo e médio prazo, de criarmos uma indústria de defesa dos países sul-americanos, para que as forças armadas desses países se abasteçam dentro da própria região. Isso, obviamente, contraria interesses muito fortes.
China X Brasil
Na China está se processando desde 1979 para cá um fenômeno extraordinário, com uma enorme migração de capital e de tecnologia proveniente dos países ocidentais. Isso transformou a estrutura da economia chinesa, que já havia, aliás, passado por transformações com governos anteriores, que criaram uma infraestrutura física, elevaram os níveis de educação da população e assim por diante.
Então esse processo – com taxas de crescimento em média de 10% ao ano – torna a China a segunda maior potência econômica, o principal país exportador e segundo maior importador do mundo. Isso tem um impacto grande nas economias americana, brasileira, na asiática e européia.
Esse novo pólo de crescimento capitalista tem uma característica: a China não tem os recursos naturais suficientes para este ritmo de crescimento. Mesmo com esse ritmo de crescimento médio de 10% ao ano, cerca de 900 milhões de chineses ainda estão fora da economia moderna. Então é um país que tem escassez de minérios e se torna um grande importador de todos os produtos necessários à indústria. Ao mesmo tempo, boa parte do seu território é desértico e montanhoso, o que gera uma concentração populacional muito grande na costa e na região leste. Além disso, eles têm problemas de água e de poluição, inclusive nos lençóis freáticos.
Em relação ao Brasil, são grandes importadores de minério de ferro e de soja, que vai, principalmente, para a alimentação do gado chinês, especialmente suíno. Então a China se tornou o principal parceiro comercial do Brasil em poucos anos, com superávit para nós. As exportações da China, vale destacar, não prejudicam apenas a indústria brasileira, mas também a dos Estados Unidos e a da Europa. Mas, ao mesmo tempo em que prejudicam a indústria, atraem capital para o setor primário, porque os investidores brasileiros e estrangeiros sabem que, se forem investir na indústria no Brasil, enfrentarão uma concorrência externa muito forte, principalmente da China, então a perspectiva de lucro é menor. Enquanto que, se forem investir na mineração ou na agricultura, sabem que têm, inclusive, o mercado chinês.
Também há o efeito no setor cambial, que também afeta o setor industrial, há o efeito de concentração de renda, por uma razão óbvia, pois tanto a mineração quanto a agricultura de exportação empregam pouca mão de obra, então esses enormes lucros que decorrem da exportação de produtos primários são altamente concentrados.
“Crise” capitalista
O sistema capitalista em geral não está em crise. O que está em crise são os centros tradicionais do capitalismo. A China é um sistema capitalista, assim como a Índia e o Brasil.
Os centros tradicionais sofrem com a competição e também porque os seus capitalistas foram investir na China, em vez de gerarem emprego nos Estados Unidos e na Europa, porque na China a margem de lucro é maior.
Do ponto de vista de uma empresa multinacional, é mais barato produzir na China – e depois exportar para os seus países de origem e para outros países.
E como também no Brasil a perspectiva de lucro é muito grande, isso tem atraído massas de investimento enormes e tem causado uma enorme penetração do capital estrangeiro, especialmente no setor de serviços, como na saúde, no comércio varejista, na educação e noutros, o que tem causado uma transformação na estrutura da propriedade da economia no Brasil.

A blogueira e os mercenarios

Leio a seguinte materia num dos jornais brasileiros: 


A blogueira e ativista política cubana Yoani Sánchez foi recebida com protesto por um grupo de cerca de 20 pessoas no aeroporto internacional de Recife, na madrugada desta segunda-feira.


Não, não vou falar sobre a blogueira, pois não tenho competência para tanto, não tenho vontade, e meu blog não se destina a este tipo de comentário.
Apenas observo o seguinte: 
Cuba já não desperta as paixões de antigamente.
Vinte mercenários? Isso foi tudo o que os simpatizantes de Cuba conseguiram arregimentar para protestar contra essa blogueira?
A ditadura cubana já teve maiores apoios no Brasil...

Agora imaginemos o seguinte:
Suponhamos que um jornalista de direita, como um desses que escreve para o Partido da Imprensa Golpista, tenha desembarcado em Cuba, a convite de grupos de direitos humanos, que o foram acolher no aeroporto, com saudações efusivas, e gritos de apoio, enfim, um pouco como fizeram os mercenários do Recife, apenas que num sentido contrário, entenderam?
Os mercenários puderam agir livremente, neste país que ainda dispõe de liberdade para tanto, o que não é o caso de Cuba,
Imaginemos, pois, que o governo cubano, para preservar a paz social e a boa ordem em Cuba, resolvesse reprimir a manifestação, e deter o jornalista em questão, acusando-o de fomentar protestos ilegais, o que não é muito distante da realidade que acontece em Cuba.
As autoridades cubanas, sob pretexto de preservar a paz social, detém o jornalista em questão e depois o reenvia de volta ao Brasil no primeiro voo disponível.
O que faria o governo brasileiro?
Elevaria um protesto diplomático contra o governo cubano?
Convocaria o seu embaixador em Brasília para dar explicações quanto ao gesto prepotente, inamistoso e arbitrário?
Ou não faria nada, diferente do que fez no caso da blogueira, quando participou de reunião na embaixada de Cuba para preparar uma "boa" recepção para a referida blogueira?
Perguntas, perguntas, perguntas...
Paulo Roberto de Almeida 

Hackers de kepi verde e coturno preto: esperado...

Nada mais natural: exércitos atrasados procuram piratear quem está na frente:


SPECIAL REPORT 
New York Times, Monday, February 18, 2013 10:02 PM EST

A growing body of digital forensic evidence — confirmed by American intelligence officials who say they have tapped into the activity of a unit of cyberwarriors in China’s army — leaves little doubt that an overwhelming percentage of the attacks on American corporations, organizations and government agencies originate in and around a 12-story building on the outskirts of Shanghai.
An unusually detailed 60-page study, to be released Tuesday by Mandiant, an American computer security firm, tracks for the first time individual members of the most sophisticated of the Chinese hacking groups — known to many of its victims in the United States as “Comment Crew” or “Shanghai Group” — to the doorstep of the headquarters of a People’s Liberation Army unit.
While Comment Crew has drained terabytes of data from companies like Coca-Cola, increasingly its focus is on companies involved in the critical infrastructure of the United States — its electrical power grid, gas lines and waterworks.
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