sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O Brasil num ovo de avestruz,... de 1500 (The Portolan)

Descoberto em ovos de avestruz o mais antigo globo com mapa do Brasil
Zero Hora, 23/08/2013

Mapa foi desenhado nas metades inferiores de dois ovos e data do início da década de 1500

A descoberta do globo mais antigo com uma representação gráfica do "Novo Mundo" foi anunciada nesta segunda-feira em Washington, capital dos Estados Unidos, pela revista científica de cartografia The Portolan. O mapa foi desenhado nas metades inferiores de dois ovos de avestruz e data do início da década de 1500, ano em que Pedro Álvares Cabral encontrou o Brasil. Segundo a pesquisa, o objeto inclui a representação mais antiga em globo de países como o Brasil e o Japão.

O nome do nosso país, aliás, está entre os poucos (apenas sete) inscritos no hemisfério ocidental: a América do Sul é apresentada como "Mundus Novus", "Terra de Brazil" e "Terra Sanctae Crucis". A América do Norte aparece como um conjunto de ilhas, que não são nominadas.

O mapa inclui navios de diversos tipos, monstros, choques de ondas, um náufrago, 71 nomes de lugares e a frase "HIC SVNT DRACONES" ("Aqui estão os Dragões").

 Até aqui, se pensava que a representação esférica mais antiga a mostrar o Novo Mundo era o Globo de Lenox, que se encontra na Biblioteca Pública de Nova York, mas foram apresentadas evidências de que o mapa gravado nos ovos de avestruz foi usado como referência para a confecção do Globo de Lenox.

Segundo os pesquisadores, o globo recém-descoberto reflete o conhecimento reunido por Cristóvão Colombo e outros exploradores europeus daquela época, incluindo Américo Vespúcio, cujo nome serviu de batismo para o novo continente. A pesquisa, que se desenrolou por mais de um ano, indica que o globo foi confeccionado em Florença, na Itália, e sugere que o artista responsável foi influenciado ou trabalhou na oficina de Leonardo da Vinci.

- Quando soube deste globo, inicialmente fiquei cético em relação a sua data, origem, geografia e proveniência, mas tive que descobrir por mim mesmo, já que ninguém havia ouvido falar dele, e descobertas desse tipo são extremamente raras - disse o autor do estudo, o belga Stefaan Missinne.

O globo foi comprado de um negociador em 2012 na Feira de Mapas de Londres. O dono atual disponibilizou o objeto para a pesquisa, que incluiu testes como tomografia, datação por carbono e análise da tinta usada para colorir a superfície. Mais de 100 estudiosos e experts do mundo todo foram consultados e citados no artigo de Missinne, que agradeceu à Biblioteca Pública de Nova York pelo apoio recebido.


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Earliest Globe, America

(Click HERE for press updates)
MAJOR DISCOVERY:
OLDEST KNOWN GLOBE TO DEPICT THE NEW WORLD;
POSSIBLE LINKS TO WORKSHOP OF LEONARDO DA VINCI;
ANNOUNCEMENT MADE IN THE PORTOLAN--JOURNAL OF THE WASHINGTON MAP SOCIETY

(WASHINGTON, DC. August 19, 2013] The discovery of the oldest surviving engraved globe to show the New World was announced today in Washington in The Portolan, a prestigious journal of cartography published by the Washington Map Society, in its Fall 2013 issue (#87). Copies have been posted to all active members of the Society and to all institutions who are active subscribers to the journal.  [Members who have not yet received their copies should allow for occasional USPS delivery delays.]  Copies of Issue 87, with this article and more, may be ordered via http://www.washmapsociety.org/Purchase-of-Back-Issues.htm
The previously-unknown globe, which is about the size of a grapefruit, was made from the lower halves of two ostrich eggs, and dates from the very early 1500s.   Until now, it was thought that the oldest globe to show the New World was the “Lenox Globe” at the New York Public Library, but the author presents evidence that this Renaissance ostrich egg globe was actually used to cast the copper Lenox globe, putting its date c. 1504. The globe reflects the knowledge gleaned by Christopher Columbus and other very early European explorers including Amerigo Vespucci after whom America was named.     The author points to Florence Italy as where the globe was made, and offers evidence that the engraver was influenced by or worked in the workshop of Leonardo da Vinci. 


Tom Sander, Editor of The Portolan, who has personally inspected the globe, noted that   “This is a major discovery, and we are pleased to be the vehicle for its announcement.  We undertook a very extensive peer review process to vet the article, which itself was based on more than a year of scientific and documentary research.”
The author, S. Missinne, PhD. is an independent Belgian research scholar who has published on the subject of ancient globes made from different materials such as ivory.  He said, “When I heard of this globe, I was initially skeptical about its date, origin, geography and provenance, but I had to find out for myself.  After all no one had known of it, and discoveries of this type are extremely rare.  I was excited to look into it further, and the more I did so, and the more research that we did, the clearer it became that we had a major find.”  The globe was purchased in 2012 at the London Map Fair from a dealer who said it had been in an “important European collection” for many decades. The current owner made it available to the author for his research, which included scientific testing of the globe itself, computer tomography testing, and carbon dating, assessment of the ink used to color its engraved surface, and close geographical, cartographic, and historical analysis. More than 100 leading scholars and experts were consulted worldwide and are cited in the article’s acknowledgements, and gratitude was expressed to the New York Public Library for its helpful assistance.
The globe contains ships of different types, monsters, intertwining waves, a shipwrecked sailor, and  71 place names, and one sentence , “HIC SVNT DRACONES” (Here are the Dragons).  Only 7 of the names are in the Western Hemisphere.  No names are shown for North America, which is represented as a group of scattered islands; three names are shown in South America   (Mundus Novus or “New World”, Terra de Brazil, and Terra Sanctae Crucis, or”Land of the Holy Cross”).  For many countries and territories in the world, (e.g. Japan, Brazil, Arabia) this is the oldest known engraved depiction on a globe. A full list of place names on the globe is included in the article, along with several illustrations.

Equador: chantagem economica com o mundo nao funcionou...

POLÍTICA AMBIENTAL NO EQUADOR

Raphael Correa e o ambientalismo de guerrilha

Presidente Rafael Correa quebra promessa de não explorar reservas de petróleo em parque nacional e culpa Ocidente

fonte | A A A
“Impecável”. Foi assim que o presidente do Equador, Rafael Correa, descreveu a lógica por trás de um plano para deixar cerca de 920 milhões de barris de petróleo cru intocados no campo Ishpingo-Tambococha-Tiputini (ITT) em troca de US$ 3,6 bilhões. Ao pagar tal quantia, países ricos evitariam a liberação de 470 milhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera, preservariam a intocada floresta tropical do parque nacional de Yasuní e protegeriam tribos indígenas “não contatadas”. A proposta caiu por terra, no entanto, e em 15 de agosto, após esperar por três anos, Correa ficou farto. “O mundo nos deixou na mão”, ele afirmou em um discurso feito em horário nobre em estações de rádio e TV.
De modo igualmente absurdo, o Equador dedica a subsídios à gasolina e ao diesel um valor semelhante ao que o programa geraria. E, dada a reputação de “caloteiro serial” do país, os doadores poderiam muito bem se perguntar se o governo não voltaria atrás em sua promessa de nunca explorar o ITT. Com efeito, ao mesmo tempo em que fazia uma campanha intensa para que o programa fosse adiante, o presidente rascunhava um plano para acessar as reservas do campo de petróleo.
Este plano agora será posto em prática. O Equador, insistiu Correa, precisa desesperadamente dos US$ 18,3 bilhões que se prevê que o ITT gerará para acabar com a pobreza. Levará anos até que o petróleo cru do ITT comece a jorrar, mas grupos indígenas e ambientalistas, já experientes devido a uma tentativa do presidente no início do ano de conceder o direito de exploração de uma área igualmente intocada no sul do país para empresas petrolíferas estrangeiras, convocaram protestos.

Economia: deterioracao das transacoes correntes maior do que o previsto pelos analistas de mercado

Acabo de receber de um banco de investimento que segue a economia brasileira: o déficit de transações correntes foi muito maior em julho do que o previsto por seus economistas e do que a média de mercado.
Parece que a deterioração se aprofunda em ritmo mais rápido...
Isso não contando a igualmente preocupante deterioração das contas públicas.
Ou seja, o Brasil se aproxima de uma crise de transações correntes e uma crise fiscal.
Paulo Roberto de Almeida


Brazil Macro Flash: Worse Current Account Deficit in July

  • In July, the current account amounted -US$9.0 billion, significantly worse than our estimate and market consensus. Over the last 12 months, the current account deficit reached US$77.7 billion (from US$72.6 billion in June), or 3.4% of GDP. Looking forward, despite expecting that current account deficit will continue approaching US$80 billion in coming months, our call of growth deceleration ahead and the more depreciated level of BRL suggests a better figure next year compared to this year. Finally, FDI inflows amounted US$5.2 billion in July and US$62.3 billion in the last 12 months, financing by around 80% of the current account deficit during this period.
  • In July, the trade balance amounted -US$1.9 billion, services and income balance posted a deficit of US$7.4 billion, while current transfers reached US$0.3 billion.
  • Focusing on services and income accounts, the profits and dividends balance reached -US$1.2 billion, while international travel deficit amounted to US$1.7 billion. The main error in our estimate was in net interest payments which posted deficit of US$2.1 billion in July, representing the worst monthly figure since December/12.
  • FDI inflows came in at US$5.2 billion in July, in line with our and market expectation. In the last 12 months, FDI inflows amounted US$62.3 billion, therefore lower than the current account deficit in the same period.
  • Overall, we expect current account deficit to increase to close to US$80 billion (3.5% of GDP) this year, reducing to around US$71 billion next year (3.1% of GDP), reflecting the adjustments triggered by a more depreciated real exchange rate and lower GDP growth. 

Gulag: nao apenas escravidao humana, mas tambem um empreendimento economico - Anne Applebaum

Extrato da introdução do livro de

Anne Applebaum
Gulag: a History
New York: Doubleday, 2003

Contrary to popular assumption, the Gulag did not cease growing in the 1930s, but rather continued to expand throughout the Second World War and the 1940s, reaching its apex in the early 1950s. By that time the camps had come to play a central role in the Soviet economy. They produced a third of the country’s gold, much of its coal and timber, and a great deal of almost everything else. In the course of the Soviet Union’s existence, at least 476 distinct camp complexes came into being, comprising thousands of individual camps, each of which contained anywhere from a few hundred to many thousands of people. The prisoners worked in almost every industry imaginable–logging, mining, construction, factory work, farming, the designing of airplanes and artillery–and lived, in effect, in a country within a country, almost a separate civilization.

Efetuei uma resenha da edição brasileira, como transcrito abaixo:

Gulag: anatomia da tragédia

Resenha de:
Anne Applebaum:
Gulag: uma história dos campos de prisioneiros soviéticos
(Rio de Janeiro: Ediouro, 2004, 744 p.; tradução de Mário Vilela e Ibraíma Dafonte; ISBN: 8500015403)

            O terror moderno, isto é, o recurso à intimidação aberta e indiscriminada para alcançar fins especificamente políticos, não está ligado apenas aos exemplos cruéis do fundamentalismo de base islâmica. Ele nasceu na Revolução francesa e seu mais conhecido "teórico", Robespierre, o defendeu sem hesitação: "O atributo do governo popular na revolução é ao mesmo tempo virtude e terror, virtude sem a qual o terror é fatal, terror sem o qual a virtude é impotente. O terror nada mais é do que justiça imediata, severa, inflexível...".
            Lênin, o inventor do terror moderno, apreciava Robespierre e sua "justiça expedita": desde os primeiros dias da revolução de 1917 ele ordenou à Cheka, a polícia política imediatamente criada para esmagar a ameaça "contra-revolucionária", que fuzilasse sem hesitação não só os opositores declarados do novo regime, mas também representantes da classe proprietária em geral, capitalistas, grandes comerciantes e latifundiários, religiosos, enfim, os potenciais "inimigos de classe".
            "A Cheka não é uma comissão de investigação nem um tribunal. É um órgão de luta atuando na frente de batalha de uma guerra civil. Não julga o inimigo: abate-o... Nós não estamos lutando contra indivíduos. Estamos exterminando a burguesia como uma classe. A nossa primeira pergunta é: a que classe o indivíduo pertence, quais são suas origens, criação, educação ou profissão? Estas perguntas definem o destino do acusado. Esta é a essência do Terror Vermelho" (citado por Paul Johnson em Tempos Modernos).
            Stalin se encarregou de aplicar sistematicamente as recomendações de Lênin, e o fez de uma forma completa, terminando por incorporar como "clientes" da máquina de terror administrada por ele os seus próprios colegas de partido. A amplitude do Gulag, ampliado e desenvolvido no seu mais alto grau por Stalin, justifica que apliquemos a ele a categoria de genocídio, noção que costuma estar associada apenas aos terríveis experimentos raciais nazistas, antes e durante a Segunda Guerra Mundial.
            O livro de Anne Applebaum não é, apenas, como seu subtítulo indica, "uma história" dos campos soviéticos, mas a mais completa e sinistra história de um fenômeno único na história da humanidade: uma instituição oficial (ainda que em muitos aspectos "clandestina"), montada e sustentada pelo poder central do Estado, para administrar pelo terror, por um tempo indefinido, uma população inteira de um dos países mais importantes do planeta. A historiadora americana, editorialista do Washington Post e colaboradora do Wall Street Journal, realizou uma pesquisa monumental, indo muito além dos primeiros levantamentos de Alexander Solzenitsyn em torno dos depoimentos dos sobreviventes do nefando sistema de escravização em massa criado pelo totalitarismo soviético.
            Organizado em três partes, o livro documenta amplamente o que até aqui tinha sido divulgado de maneira dispersa em trabalhos de pesquisa histórica que não tinham ainda tido acesso aos principais arquivos soviéticos liberados no período recente. A primeira parte, "As origens do Gulag, 1917-1939", faz a reconstituição histórica dessa instituição singular, que unia a mais transparente crueldade no trato dos prisioneiros ao burocratismo metódico de uma moderna administração voltada para a exploração sistemática do trabalho escravo. Sim, não devemos esquecer que, independentemente de suas funções "didáticas", de intimidação direta e aberta contra a própria população da União Soviética, o Gulag teve um importante papel econômico na história do socialismo naquele país, chegando a representar, a produção de um terço do seu ouro, muito do carvão e da madeira e grandes quantidades de outras matérias-primas. Os prisioneiros passaram a trabalhar em todo e qualquer tipo de indústria, vivendo num país dentro de um outro país.
            A segunda parte, "Vida e trabalho nos campos", mostra também como o sistema do Gulag, que chegou a reunir 476 campos no mais diferentes cantos da URSS, constituía um Estado dentro do Estado, regulando os mais diferentes aspectos de um universo concentracionário que não teve precedentes, teve poucos imitadores efetivos (a despeito da terrível eficácia mortífera dos campos de concentração nazistas) e um número ainda mais reduzido de seguidores (sendo os mais efetivos os sistemas "correcionais" da Coréia do Norte e de Cuba, já que o exemplo do Camboja foi o de uma simples máquina de matar, como de certo modo tinha sido o caso dos experimentos nazistas).
            A terceira parte, "Ascensão e queda do complexo industrial dos campos, 1940-1986", segue o sistema no seu ápice, durante e imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, até o seu desmantelamento gradual após a morte de Stalin (1953) e a disseminação do fenômeno dos "dissidentes": ele foi sendo erodido progressivamente em seu papel político (ainda que não o econômico), mas só teve seu final decretado depois do próprio fim do socialismo.
            Um apêndice tenta quantificar a extensão do terror: de acordo com os próprios dados do sistema (estatísticas da NKVD, sucessora da Cheka e antecessora do KGB), o número de prisioneiros passou de cerca de 200 mil no início dos anos 1930 para 2,5 milhões no momento da morte de Stalin. O "turnover", obviamente, foi muito maior: muitos prisioneiros morreram, alguns escaparam (poucos), vários eram incorporados ao Exército Vermelho ou à própria administração dos campos (cruel ironia). As "taxas de desaparecimentos" refletiram também as terríveis condições de vida na URSS: passou-se de 4,8% de mortos em 1932 para 15,3% no ano seguinte, o que indica o impacto da epidemia de fome induzida pela coletivização stalinista da agricultura, que matou 6 ou 7 milhões de cidadãos "livres" igualmente. A "taxa" de mortos sobe para seu máximo de 25% em 1942, para declinar para menos de 1% nos anos 1950, quando o sistema "industrial" já tinha sido instalado em sua plenitude. No total, 2,7 milhões de cidadãos soviéticos podem ter morrido no sistema do Gulag, o que de todo modo representa apenas uma pequena parte dos desaparecidos durante  todo o regime stalinista e uma parte ainda menor dos sacrificados pelo sistema soviético. Os autores franceses do Livre Noir du Communisme, por exemplo, estimam em 20 milhões as vítimas do regime soviético, o que pode ser uma indicação plausível (outros colocam entre 12 e 15 milhões de mortos). Vários historiadores se aproximam da cifra de 28 milhões de cidadãos soviéticos para o número total de “clientes” de todo o sistema concentracionário soviético em sua história de “terror vermelho”.
            O Gulag foi a face mais visível da tragédia soviética, mas certamente não a única ou exclusiva. Este livro conta a história desse terrível legado do socialismo do século XX: esperemos que a história não se repita, sequer como farsa.
           
Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 12 de dezembro de 2004


O ogro famelico ataca outra vez: tributos em cascata - Editorial Estadao

Mostrengo tributário
Editorial O Estado de S.Paulo, 22/08/2013

Um novo tributo incidirá sobre a produção, por insistência da presidente Dilma Rousseff, se for mantida a multa especial de 10% sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em caso de demissão sem justa causa. Essa cobrança foi instituída em 2001 com a finalidade explícita de compensar as perdas de trabalhadores com os Planos Verão e Collor 1. Essa função se esgotou no ano passado, como informou oficialmente o Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.
A extinção da multa poderia ocorrer a partir de julho de 2012. Mas só um ano mais tarde o Congresso Nacional aprovou um projeto de eliminação da cobrança. Esse projeto foi vetado há cerca de um mês pela presidente Dilma Rousseff. Segundo a justificativa, o governo precisa desse dinheiro, cerca de R$ 3 bilhões, para financiar o programa Minha Casa, Minha Vida.
Desvinculada de sua função original, prevista em lei e já esgotada, a multa obviamente perde a legitimidade juntamente com sua razão de ser. Mantida a cobrança para outro objetivo - a sustentação de um programa habitacional -, essa receita passará a ter um novo significado. Será convertida de fato em um tributo disfarçado com denominação imprópria. A base de incidência poderá ser a mesma da multa. O nome, também. Mas será uma criatura inteiramente diversa, um monstrengo tributário semelhante à criatura produzida em laboratório, na história de Mary Shelley, pelo doutor Victor Frankenstein.
Para produzir essa aberração a presidente Dilma Rousseff precisa da colaboração de parlamentares. Já conseguiu, com a cooperação do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), adiar o exame do veto no Legislativo. Ganhou, com isso, algum tempo para negociação com os congressistas da base aliada e - por que não? - com oposicionistas. Mas a própria ideia de negociação é injustificável. Não há matéria para ser negociada de forma legítima. Deixou de existir a motivação da multa. O governo só tentará a prorrogação porque passou a contemplar essa receita como parte normal da arrecadação tributária, sem o menor vínculo com o esqueleto fiscal gerado pelos Planos Verão e Collor 1.
Do ponto de vista do governo, nada mais natural que manter um fluxo de recursos já incorporado - impropriamente, é claro - na rotina orçamentária. Defender a extinção dessa receita só pode ser, portanto, uma forma de atender a interesses contrários aos do Tesouro e opostos, portanto, aos bem-intencionados planos do Executivo.
Daí a insinuação do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho: por trás da intenção de derrubar o veto presidencial deve estar a pressão de empresários financiadores de campanha. O líder do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira, classificou a insinuação como insultuosa. Mais preocupante que o insulto, no entanto, é a incapacidade, revelada pela cúpula do governo, de entender como normal o mero cumprimento da lei.
Pelo critério legal, simplesmente desapareceu a justificativa da multa. A oportunidade de extingui-la é também uma ocasião para eliminar um componente de custo suportado há mais de dez anos pelas empresas. Esse componente ainda foi mantido por um ano depois de completada sua função.
Se o governo pretende continuar subsidiando o programa habitacional, deve preparar-se para isso por meio de um planejamento muito mais sério que o habitual. Deve, por exemplo, reavaliar todas as formas de uso do dinheiro do FGTS e estabelecer com clareza as prioridades. Não deve incluir receitas extraordinárias ou com prazo de validade (como a multa do FGTS) entre os recursos destinados ao financiamento de despesas permanentes ou de programas de longo prazo.
Deve reexaminar, também, as discutíveis políticas de crédito do BNDES e de investimento do BNDESPar, além de repensar as transferências do Tesouro para os bancos federais.
Não falta dinheiro ao governo. Se quiser criar ou aumentar impostos, terá de encontrar outra justificativa. Mas antes deverá exibir uma gestão mais competente dos recursos disponíveis.

O racismo oficial dos governos e a realidade da "economia negra" -Walter E. Williams

Conjuntamente com Thomas Sowell, Walter E. Williams, economista, académico e comentador, é uma personalidade vincadamente incómoda para o pensamento politicamente correcto nomeadamente por advogar o fim das políticas "positivas" de discriminação, nomeadamente no domínio racial tema em que escreveu (e escreve) extensamente. Nascido, tal como Sowell, em meio bem pouco favorável (família pobre em ausência do pai), chegou a ser motorista de táxi (ver vídeo de entrevista a Williams legendado em português do Brasil).


Endereçando, sem rebuço, as questões raciais, e a sua radical oposição às políticas de "acção afirmativa" que, recorde-se, começaram com Richard Nixon, pareceu-me útil proporcionar a mais leitores o conteúdo do seu artigo, publicado ontem - Progressives and Blacks -, traduzindo-o.
Walter E.Williams
(...) Os progressistas lidam com os negros como se fossem vítimas que têm que ser tratadas com luvas de pelica e benefícios especiais, como quotas raciais e condições de preferência. Esta abordagem tem vindo a ser experimentada há décadas na educação e revelou-se um fracasso. Eu mantenho que é hora de explorar outras abordagens. Uma abordagem é a sugerida pelo desporto. Os negros distinguem-se - talvez dominem seja uma palavra melhor - em desportos como o basquetebol, o futebol [americano] e o boxe, a tal ponto que os negros constituem 80% dos jogadores profissionais de basquetebol, representam 66% dos jogadores profissionais de futebol e, há décadas, vêm dominando a maioria das categorias do boxe  profissional.

Estes resultados deveriam fazer surgir várias questões. No desporto, alguma vez se ouviu falar de um treinador que tenha explicado ou desculpado o mau desempenho de um jogador negro culpando o "legado da escravidão" ou o facto de o jogador ter sido criado numa família monoparental? Quando é que se ouviu falar de os padrões desportivos serem apelidados de racistas ou culturalmente enviesados? Eu ainda estou para ouvir um jogador, muito menos um treinador, dizer semelhante disparate. Na verdade, os padrões de desempenho no desporto são, justamente, dos mais implacáveis onde quer que seja. As desculpas não são toleradas. Pense-se nisto. O que acontece a um jogador, negro ou branco, que numa universidade não atinja os padrões dos treinadores de basquetebol ou futebol? Ele ficará fora da equipa. Os jogadores sabem disso, e fazem todos os esforços para se excederem. E tanto mais assim será quanto mais aspirações tiverem a tornar-se jogadores profissionais. A propósito, os negros também se destacam na indústria do entretenimento - um outro sector em que existe uma competição implacável em que vale tudo.

Observando como os negros demonstram uma capacidade para prosperar num ambiente de competição impiedosa e com exigentes desempenhos, talvez pudesse haver algo a ganhar com um ambiente escolar similar. Talvez devêssemos ter algumas escolas em que os jovens são assoberbados com trabalhos de casa, testes frequentes e exigentes, professores de alto nível. Em tais escolas, não haveria desculpas para nada. Os jovens atingem o que deles se espera, ou são expulsos e colocados numa outra escola. Eu aposto que um número significativo de jovens negros iria prosperar num tal ambiente, da mesma forma que prosperam nos desportos altamente competitivos e nos ambientes de entretenimento.


A agenda dos "progressistas" apela não apenas às desculpas como também à dependência. Em nenhum domínio isso é mais evidente do que nos seus esforços para conseguir que o maior número possível de americanos esteja dependente dos vales-alimentação; todavia, nesta parte da sua agenda, eles oferecem uma igualdade racial de oportunidades. Durante os anos que o presidente Barack Obama leva no cargo, o número de pessoas que recebem vales-alimentação disparou 39%. O professor Edward Lazear, que dirigiu o Conselho Económico do presidente de 2006 a 2009, escreveu num artigo do Wall Street Journalintitulado "O desastre escondido dos sem emprego" (de 5 de Junho de 2013) [link] que a pesquisa levada a cabo por Casey Mulligan, da Universidade de Chicago, sugere "que devido ao facto de perderem os benefícios estatais quando o rendimento aumenta, algumas pessoas renunciam a empregos humildes em vez dos benefícios estatais - seguro de desemprego, vales-alimentação e benefícios por incapacidade entre os mais óbvios". As ajudas estatais, provavelmente, contribuem em boa medida para explicar o número sem precedentes de americanos, cerca de 90 milhões, que já não estão à procura de trabalho.

Tudo isto é parte da agenda progressista para "agarrar" os americanos, particularmente os americanos negros, às ajudas do estado. Em futuras eleições, eles serão capazes de alegar que qualquer pessoa que faça campanha pela diminuição dos impostos e da despesa é um racista. Isso foi o que afirmou o Representante Charles Rangel, democrata por Nova Iorque, ao denunciar o manifesto Republicano de 1994 a favor de diminuição nos impostos. Disse ele: "Já não dizem 'spic' [os de origem sul e centro-americana, espanhola ou portuguesa] ou 'n****r' [nigger]. (Em vez disso), dizem: 'Vamos reduzir os impostos".

Quando os negros americanos finalmente reconhecerem os danos provocados pela agenda progressista, aposto que elas serão as pessoas mais conservadoras do país, pois quem mais foi tão prejudicado pelo progressismo?

Importacao de medicos cubanos e a situacao do atendimento no Brasil

Algumas informações: 
O acordo foi formalizado por meio de um termo de cooperação com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), que receberá R$ 10 mil por médico e repassará esse valor ao Ministério da Saúde cubano. (...) Na América Latina, Venezuela e Bolívia já tiveram convênios semelhantes. Nesses países, 75% do salário do médico era repassado a Cuba, segundo entidades ligadas ao setor de saúde. (...) Diferentemente dos demais inscritos no Mais Médicos, os cubanos não poderão escolher os municípios nos quais vão atuar... Esses profissionais não poderão trazer a família, como os outros estrangeiros do programa. “O acordo só prevê os médicos”...
Até o fim do ano, grupos de médicos de Cuba chegarão mensalmente. Em outubro, 2 mil virão ao país para a segunda fase do programa, aberta nesta semana. De acordo com Padilha, esses médicos preencherão as vagas remanescentes dos profissionais que estudaram no Brasil, dos brasileiros formados no exterior e de outros estrangeiros com inscrições individuais. “Eles vêm para vagas não preenchidas pelos brasileiros. Vêm profissionais bastante experientes. Todos têm residência em medicina da família”, disse Padilha. Os cubanos também não revalidarão os diplomas e receberão uma autorização especial para trabalhar no país.
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Da coluna diária do jornalista Políbio Braga, 22/08/2013

Entrevista, Osmar Terra - Importaremos também enfermeiros, hospitais, laboratórios, dentistas, macas, remédios, gestores e equipamentos ?

ENTREVISTA: Osmar Terra, deputado PMDB do RS, ex-secretário da Saúde
Importaremos também enfermeiros, laboratórios, dentistas, macas, remédios, gestores e equipamentos ?

Importar médicos cubanos resolverá o problema da saúde pública no Brasil ?
O governo federal não fez o que devia ter feito em relação aos profissionais da saúde. Em 2006, o governo Lula concluiu um projeto para criar carreiras para médicos, enfermeiros, dentistas, e engavetou tudo para não gastar dinheiro. Agora vem com esta solução imediatista, eleitoreira, irresponsável, importando 4 mil médicos cubanos generalistas por três anos.
Que jogo é este, então ?
Só jogou a população contra os médicos. O governo nada faz para evitar o sucateamento dos hospitais, contratar e qualificar mais enfermeiros, laboratórios, médicos, equipamentos, macas, remédios, gestores – ou vai trazer tudo isto de Cuba também ?

Como convencer o médico brasileiro a trabalhar no interior e em regiões mais carentes ?
Com carreira federal, é claro, para deslocar o servidor para qualquer local do País.

Isto é possível ?
Eu fiz isto como prefeito de Santa Rosa, há 20 anos. Pagamos 30 salários mínimos para médicos, 22 para enfermeiras, 28 para dentistas. Todos ficaram conosco. Muitos estão até se aposentando.

Esses médicos cubanos possuem alguma qualificação ? 
São bons clínicos gerais, sim, mas é só. O dinheiro nem irá para eles, mas para o governo de Cuba. Eles ficarão com menos de 10% do valor.


Como é financiada a saúde pública no Brasil ?
Em 2002, o governo federal entrava com 60% dos recursos para a área da saúde no Brasil, mas hoje a fatia caiu para 40%. A carga mais severa ficou com os municípios, que deviam aplicar constitucionalmente algo como 15% e, hoje, na média, já respondem por 25%, o que os sufoca de modo selvagem. 
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Opinião do leitor - Brasil não pode tolerar trabalho escravo de médicos apenas para ajudar a balança comercial de Cuba

Opinião do leitor

4.000 médicos  a  R$ 10.000 por mês, significa para Cuba uma renda de US$ 200 milhões por ano. Colocaram outra instituição de intermediária, a Organização Panamericana de Saúde, só para enganar os mais bobos. É porque Cuba necessita de caixa, e de subsídios de governos que comungam a sua ideologia, que este negócio está saindo. Cuba está falida desde a década de 80, quase morreu de fome quando os russos cortaram os subsídios. Sobrevive por esmolas de cubano-americanos, com o turismo e com os subsídios dos que comungam a sua ideologia, como Venezuela, e empréstimos do governo brasileiro, sempre perdoados. O incrível é que os médicos estão sujeitos ao confisco do valor de seu trabalho, ou em outras palavras, o governo do Brasil e de Cuba estão se apropriando do fruto do trabalho humano, ou da "mais valia" como pregava Karl Marx. Trabalho escravo mereceria um editorial da imprensa livre, e com a coragem de arriscar perder as verbas de publicidade oficiais e das estatais. 

Artur Zelain Martins, Porto Alegre.
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Onyx apresenta projeto proibindo exercício da medicina para médico estrangeiro que não revalidar diploma no Brasil

Tendo em vista a confirmação da vinda dos médicos-escravos de Cuba para atuar no Brasil, o deputado Onyx informou esta manhã ao editor que protocolou o Projeto de Lei 6102/2013, que veda, em todo o território nacional, nas redes pública e privada de saúde, o exercício da medicina por médicos formados no exterior que não tenham seus diplomas de graduação ou pós-graduação, expedidos por universidade estrangeira

. A revalidação precisa ser feita por  órgão responsável pelo registro profissional e normatização da prática profissional da medicina. 

CLIQUE AQUI para examinar o inteiro teor do projeto.

Professores em greve: mafia sindical garante ferias extras, remuneradas pelo poder publico

Justiça impede cortar ponto dos professores em greve

Correio do Brasil, 22/08/2013
Os professores da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro conseguiram na Justiça uma decisão que impede a Secretaria de Educação de efetuar qualquer desconto dos dias parados dos grevistas. Na liminar, da 6ª Câmara Cível, a desembargadora Claudia Pires dos Santos Ferreira proíbe o corte do ponto dos grevistas dos dias de paralisação e greve, assim como a demissão de qualquer dos profissionais sob multa de R$ 10 mil por dia de descumprimento, até que a Justiça do Trabalho dê uma decisão final sobre o movimento.
O Sindicato dos Professores (Sepe) marcou para a próxima segunda-feira assembleia regionais e uma nova assembleia geral para a terça-feira, dia 27 de agosto, às 14h na Cinelândia, no centro do Rio, de onde vão sair em passeata até a Assembleia Legislativa do Estado para pedir, entre outras coisas, melhoras no reajuste de 8% que já foi aprovado e pago pelo Estado.
Uma nova rodada de negociações entre o Sepe, o secretário de educação Wilson Risolia e o Tribunal de Justiça está marcado para a próxima quarta-feira. Além do reajuste de 28% a categoria quer melhores condições de trabalho, 30 horas semanais para os funcionários das escolas, democracia nas eleições para diretor de escolas, fim do plano de metas e do projeto de certificação do governo, alegando que cada escola tem uma realidade distinta, além da derrubada do veto do governador Sergio Cabral à lei 2.200, que garante a cada professor que cumpra sua carga horária integral em apenas um escola.
O governo alega que o reajuste é maior que a inflação do ano passado, que o plano de metas está correto e que o veto do governador tem razão por não haver a possibilidade de acomodar a grande curricular de modo a garantir que cada professor trabalhe com uma matrícula em apenas uma escola e dizem que 95% da categoria já se encaixam nesta situação.

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