quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Relacoes Internacionais na academia: no Brasil e nos EUA: pesquisas sobre ensino no Brasil e sobre as melhores nos EUA

Em 2014, participei de uma pesquisa sobre o ensino de RI no Brasil. A despeito de não estar exatamente nesse terreno, ou nesse tipo de Faculdade (uma vez que sou professor de Economia Política em cursos de mestrado e doutorado em Direito), fui convidado e aceitei responder às questões. Acabo de receber agora o agradecimento dos arquitetos da pesquisa, que me enviam a informação sobre a sua publicação:

2014 TRIP International Relations Survey Results
Dear Professor(a) Paulo Roberto de Almeida,
We are writing to let you know about the release of the 2014 Teaching, Research, and International Policy (TRIP) World Faculty Survey report. Today Foreign Policy released some of the highlights of our U.S. survey in their “View from the Ivory Tower” article available here: bit.ly/FPIRSurvey. In addition, we have made topline results for all countries available here: bit.ly/IRSurveyToplines
We would like to express our deep appreciation and gratitude to our respondents for their participation in our survey.
Please do not hesitate to contact us if you have any questions or concerns by sending an email to irsurvey@wm.edu. If you would like to join the discussion on Twitter, use #IRSurvey to let us know your thoughts.
Sincerely,
Susan Peterson, Michael Tierney, Daniel Maliniak, and Ryan Powers
College of William and Mary

Os resultados para o Brasil figuram neste link:
https://trip.wm.edu/reports/2014/rp_2014/index.php

Ao mesmo tempo a Foreign Policy apresenta os resultados da mesma pesquisa sobre os melhores cursos dessa área nos EUA, feitos pelos mesmos pesquisadores e organizados de outra forma pela revista. Como esperado, a revista considera que as universidades americanas selecionadas não são apenas as melhores do país, mas que elas são as melhores do mundo. Eles só fazem algumas modestas concessões para poucas universidades de outros países: para a Scieces-Po de Paris, para o Graduate Institute de Genebra, e para Oxford, Cambridge e a London School of Economics, da Grã-Bretanha:
http://foreignpolicy.com/2015/02/03/top-twenty-five-schools-international-relations/

The Best International Relations Schools in the World

U.S. scholars rank the top 25 IR programs for undergraduates, master's, and Ph.D.s.




The road to Washington is paved with elite educations. Indeed, for young people hoping to secure jobs in Foggy Bottom, on Pennsylvania Avenue, and elsewhere in the foreign-policy establishment, a key ingredient to success is often a diploma in international relations (IR) from one of America’s top universities. There are debates to be had about this model—how the pipeline can become more affordable, for instance, to ensure greater diversity among government hires. Scholars and policymakers alike rightly agree, however, that language skills, expertise about regions of the world, and other knowledge gleaned in the classroom make for a stronger, more effective corps of foreign-policy wonks. So which schools prepare students best?
The results of the 2014 Ivory Tower survey—a collaboration between Foreign Policy and the Teaching, Research, and International Policy (TRIP) project at the College of William & Mary—provide an insider’s guide. Responses from 1,615 IR scholars drawn from 1,375 U.S. colleges and universities determined rankings for the leading Ph.D., terminal master’s, and undergraduate programs in IR. (The scholars were asked to list the top five institutions in each category.) The survey also quizzed respondents about recent historical events and future policy challenges: Just how plausible is a U.S. war with China, for example, and who was the most effective secretary of state over the past 50 years? (Hint: Neither Condoleezza Rice nor John Kerry.)
All told, the Ivory Tower survey offers a window into how America’s top IR scholars see the world today—and which institutions are effectively nurturing future generations of thinkers and policymakers.

Top U.S. Undergraduate Institutions to Study International Relations

  • 1.Harvard University46.20%
  • 2.Princeton University39.14%
  • 3.Stanford University33.02%
  • 4.Georgetown University28.06%
  • 5.Columbia University24.37%
  • 6.University of Chicago19.62%
  • 7.Yale University18.67%
  • 8.George Washington University11.39%
  • 9.American University9.92%
  • 10.University of Michigan9.49%
  • 11.University of California—Berkeley8.54%
  • 12.Dartmouth College8.23%
  • 13.University of California—San Diego7.70%
  • 14.Tufts University7.07%
  • 15.Cornell University6.43%
  • 16.Johns Hopkins University6.12%
  • 17.Massachusetts Institute of Technology5.06%
  • 18.College of William & Mary4.54%
  • 19.Swarthmore College3.48%
  • 20.Williams College2.95%
  • 21.University of California—Los Angeles2.85%
  • 22.Brown University2.74%
  • 22.University of Virginia2.74%
  • 24.Ohio State University2.64%
  • 25.Duke University2.22%

Top Master's Programs for Policy Career in International Relations

  • 1.Georgetown University58.61%
  • 2.Johns Hopkins University47.76%
  • 3.Harvard University46.31%
  • 4.Princeton University33.33%
  • 5.Columbia University31.21%
  • 6.Tufts University29.08%
  • 7.George Washington University26.06%
  • 8.American University17.11%
  • 9.London School of Economics13.42%
  • 10.Stanford University5.37%
  • 11.University of Denver5.15%
  • 12.University of Chicago5.03%
  • 13.University of California—San Diego4.70%
  • 14.University of Oxford4.47%
  • 15.Yale University3.91%
  • 16.Syracuse University3.13%
  • 17.University of California—Berkeley2.57%
  • 18.University of Cambridge2.35%
  • 19.University of Pittsburgh1.79%
  • 20.Massachusetts Institute of Technology1.68%
  • 21.Monterey Institute of Int’l Studies1.45%
  • 21.Sciences Po—Paris1.45%
  • 21.University of Michigan1.45%
  • 24.Graduate Inst. of Int’l and Dev. Studies1.12%
  • 24.New York University1.12%
  • 24.Texas A&M University1.12%

Top Ph.D. Programs for Academic Career in International Relations

  • 1.Harvard University62.51%
  • 2.Princeton University53.17%
  • 3.Stanford University48.76%
  • 4.Columbia University32.44%
  • 5.Yale University21.80%
  • 6.University of Chicago21.37%
  • 7.University of California—San Diego16.00%
  • 8.University of Michigan15.68%
  • 9.Massachusetts Institute of Technology13.43%
  • 10.University of California—Berkeley12.03%
  • 11.University of Oxford8.59%
  • 12.Cornell University7.30%
  • 13.London School of Economics6.66%
  • 14.Ohio State University5.48%
  • 15.Georgetown University5.37%
  • 16.University of Cambridge4.51%
  • 17.Johns Hopkins University4.08%
  • 18.George Washington University3.22%
  • 19.New York University2.69%
  • 19.University of Wisconsin—Madison2.69%
  • 21.University of Minnesota2.26%
  • 22.American University2.15%
  • 22.Duke University2.15%
  • 22.University of Rochester2.15%
  • 25.University of California—Los Angeles2.04%

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Petrobras: uma candida nota sobre o seu rebaixamento pela Fitch

A companhia do Petrolão, outrora conhecida como Petrobras, orgulho dos companheiros (que a espoliaram sem dó), emitiu uma cândida nota em que fala do "potencial impacto das denúncias de corrupção". Como potencial impacto?
O rebaixamento já se deve exatamente ao imenso estrago que causaram os mafiosos do partido totalitário a essa companhia, que vai demorar muitos anos para voltar a ser o que era, antes das ratazanas petistas, e ainda pretendem falar em "potencial impacto"? Salafrários!
E a plataforma que ilustra esta nota? Foi superfaturada em quantos mil por cento?
Paulo Roberto de Almeida

Petrobraswww.petrobras.com.br/ri
Petrobras
Fitch revê classificação de risco da Petrobras
Rio de Janeiro, 04 de fevereiro de 2015 – Petróleo Brasileiro S.A. – A Petrobras comunica que a agência de classificação de risco Fitch anunciou a revisão do nível de risco (rating) da Petrobras de BBB para BBB-, mantendo a classificação em observação negativa. Com esta nota a Petrobras mantém sua classificação como Grau de Investimento.
Segundo a Fitch, essa revisão reflete o aumento da incerteza em relação à capacidade da Companhia de fazer os ajustes contábeis em seus ativos imobilizados a tempo, aumentando o risco de aceleração da dívida pelos credores.
Essa revisão também está relacionada ao potencial impacto das denúncias de corrupção no crescimento da produção, uma vez que o envolvimento de fornecedores pode afetar as negociações e a disponibilidade de equipamentos, atrasando a entrega das unidades de produção.
A Fitch afirma ainda que a classificação de risco da Petrobras continua a refletir o suporte do Governo Federal, seu acionista controlador, e sua importância estratégica para o Brasil. 

 

Argentina-China: eles so quelem complar aloz e petloleo? Humor pouco englacado da plesidente algentina...

O Blog World View do Washington Post comenta as tentativas canhestras de humor da presidente Cristina Kirchner, ou feitas em seu nome....
Paulo Roberto de Almeida

Argentina’s president sent out this strange, offensive, and frankly racist, tweet

The Washington Post, February 4 at 1:46 PM
The only thing worse than mocking an accent heard in another country is doing it publicly, via Twitter, when you're the president of Argentina, while you're in that other country on a high-stakes diplomatic visit.
Argentine President Cristina Fernandez de Kirchner made a strange attempt at humor Wednesday morning when she took to Twitter during a meeting with Chinese President Xi Jinping. Rather than chronicle the discussions, which were centered around the South American economy's need for foreign investment, Kirchner instead made light of the situation by poking fun at the Chinese accent.
"Vinieron solo por el aloz y petroleo," Kirchner wrote, replacing rs with ls in both instances. The English equivalent would look something like this: "Did they only come for lice and petloleum.Here's the full tweet, which, as you can see, has been eagerly retweeted and as of 12:30 p.m. still hadn't been deleted:
Kirchner, to be fair, did follow up with a half-apology, which blamed "ridiculousness" and "absurdity" for the need for humor. "If not, it's very, very toxic," it said.
But what Kirchner seems to misunderstand is that her sense of humor is questionable at best. It was in poor taste for her to mock an Asian accent, especially while sitting with the Chinese president, negotiating with him, no less, for money.
Argentina has been working with China to secure a currency swap, which will help Argentina boost its dwindling reserves. And that's on top of the billions Argentina already receives from China each year. Why make fun of the hand that feeds you? Who knows.
Kirchner's tasteless tweet comes on the heels of a separate and much more serious public relations problem. A leading prosecutor investigating the bombing of a Jewish Center in Argentina in 1994 turned up dead shortly after accusing the Argentine government of working to cover up the inquiry. Kirchner originally called the prosecutor's death a suicide before backtracking on her suggestion and saying instead that the death was part of a plot to undermine her government.
Kirchner's approval rating has fallen by seven points since November and now stands below 40 percent, according to a poll conducting Wednesday morning by Carlos Fara and Associates. It's hard to imagine this latest gaffe will help reverse that trend.
China welcomes Argentine president(1:13)
Argentine President Cristina Fernandez de Kirchner, who is in Beijing to bolster ties, attends a welcome ceremony hosted by her Chinese counterpart, Xi Jinping. (Reuters)
Roberto A. Ferdman is a reporter for Wonkblog covering food, economics, immigration and other things. He was previously a staff writer at Quartz.

Prata da Casa: os livros dos diplomatas (ultimo trimestre de 2014) - Paulo Roberto de Almeida

Já havia colocado aqui as mini-resenhas do último trimestre de 2014 que fiz na seção Prata da Casa do Boletim ADB. Mas agora acabo de receber este boletim, cuja capa vai abaixo, e posso reproduzir novamente o material, na ordem correta.


Prata da Casa - Boletim ADB: 4ro. trimestre 2014
[Notas sobre os seguintes livros: 
(1) Mesquita, Paulo Estivallet de: A Organização Mundial do Comércio (Brasília: Funag, 2013, 105 p.; ISBN 978-85-7631-472-1; Coleção Em Poucas Palavras)
(2) Goertzel, Ted; Almeida, Paulo Roberto de (eds.): The Drama of Brazilian Politics: From Dom João to Marina Silva (Amazon; Kindle Book, 2014, 278 p.; ISBN: 978-1-4951-2981-0); 
 (3) Florencio, Sergio: Os Mexicanos (São Paulo: Contexto, 2014, 240 p.; ISBN 978-85-7244-827-7); 
(4) Mariz, Vasco: Nos bastidores da diplomacia: memórias diplomáticas (Brasília: Funag, 2013, 296 p.; ISBN 978-85-7631-471-4; Coleção Memória Diplomática);  
(5) Almino, João: Free City (Londres: Dalkey Archive Press, 2013, 206 p.; ISBN 978-1-56478-900-6; trad. De Rhett McNeil, de Cidade Livre; Rio de Janeiro: Record, 2010); (6) Escorel, Lauro: Introdução ao Pensamento Político de Maquiavel (3a. ed.; Rio de Janeiro: Ouro Sobre Azul, FGV, 2014, 344 p.; ISBN: 978-85-88777-59-0)] 
Boletim da Associação dos Diplomatas Brasileiros – ADB (ano 21, n. 87, outubro-novembro-dezembro 2014, p. 30-32; ISSN: 0104-8503). Relação de Originais n. 2682; Publicados n. 1157.


Prata da Casa - Boletim ADB: 4ro. trimestre 2014

Paulo Roberto de Almeida
Boletim da Associação dos Diplomatas Brasileiros
(ano 21, n. 87, outubro-novembro-dezembro 2014, p. 30-32; ISSN: 0104-8503)

(1) Mesquita, Paulo Estivallet de:
A Organização Mundial do Comércio
(Brasília: Funag, 2013, 105 p.; ISBN 978-85-7631-472-1; Coleção Em Poucas Palavras)


            Parece difícil resumir em menos de 100 pequenas páginas a teoria do comércio internacional, a evolução prática do próprio, o estabelecimento do sistema multilateral de comércio, desde o Gatt e seus caminhos tortuosos, até chegar na OMC e todos os seus acordos e funcionamento. Uma proeza realizada por este engenheiro agrônomo que se fez diplomata, e que aplica o rigor da sua ciência de origem à análise dos problemas das relações econômicas internacionais, com ênfase no comércio e nos seus conflitos. O sistema parece uma bicicleta: é preciso avançar, pois qualquer parada pode significar retrocesso, não estabilidade. A interrupção da Rodada Doha, o recuo no protecionismo em alguns grandes países (alguns até próximos) são desafios graves, mas os acordos de livre comércio não são a resposta ideal. Só faltou a bibliografia para uma obra perfeita.

(2) Goertzel, Ted; Almeida, Paulo Roberto de (eds.):
The Drama of Brazilian Politics: From Dom João to Marina Silva
(Amazon; Kindle Book, 2014, 278 p.; ISBN: 978-1-4951-2981-0)


         O ebook, editado por um brasilianista, já autor de biografias dos presidentes FHC e Lula, e por um diplomata conhecido por seus muitos outros livros, parece aproveitar a conjuntura para reunir artigos sobre a política brasileira. Não é bem assim; a despeito da maioria dos capítulos tratar da situação presente, desde as manifestações de 2013, o capítulo inaugural por Goertzel cobre o que o subtítulo promete: o drama político brasileiro desde o Império até as eleições atuais. O segundo capítulo, pelo diplomata Almeida, segue as mudanças de regime econômico em função das políticas econômicas adotadas desde a abertura dos portos até o atual baixo crescimento. De certa forma, constitui uma continuidade de seus outros trabalhos de pesquisa histórica sobre as relações econômicas internacionais do Brasil, aliás, um país muito introvertido.


(3) Mariz, Vasco:
Nos bastidores da diplomacia: memórias diplomáticas
(Brasília: Funag, 2013, 296 p.; ISBN 978-85-7631-471-4; Coleção Memória Diplomática)

           Livro saborosíssimo, sem ser memórias, estrito senso, mas causos de uma vida rica em episódios, encontros e desencontros com grandes e pequenos atores da cena internacional e da vida diplomática brasileira: nada menos do que oito páginas de índice onomástico, com referências à crème de la crème da política mundial e à “feijoada” brasileira de quem já esteve nas colunas sociais. Ele também assinou ou organizou 66 livros, certamente o diplomata mais prolífico de todos os tempos e, provavelmente, o mais longevo: 93 anos e ainda ativo. Serviu na segunda metade do século 20, mas também estaria bem na belle époque, no Renascimento, ou em qualquer época, pela sua cultura universal e pelos dotes de musicólogo e historiador. Deve ter histórias ainda mais picantes e sensíveis do que as reveladas aqui: oxalá deixe escritos pós-publicáveis.


(4) Florencio, Sergio:
Os Mexicanos
(São Paulo: Contexto, 2014, 240 p.; ISBN 978-85-7244-827-7)
  

            Você sabia que os mexicanos têm uma lista dos mais amados (Benito Juarez e Pancho Villa, entre eles), mas também dos mais odiados (Cortez, obviamente, e também Porfírio Díaz) personagens da sua história? Sabia que somos parecidos com eles? Este livro, por quem foi embaixador no México, apresenta uma história diferente do país que é apresentado como competidor do Brasil; de fato é, mas não como esperado: buscam os dois a prosperidade, a partir de bases sociais e comportamentos econômicos similares. Uma análise exemplar, feita do ponto de vista de um brasileiro que é fino observador das qualidades e idiossincrasias de um povo dotado de uma rica história de realizações, mas também de frustrações. Os desafios parecem semelhantes; serão também as soluções? Descubra um México diferente num livro em que o Brasil está presente.

(5) Almino, João:
Free City
(Londres: Dalkey Archive Press, 2013, 206 p.; ISBN 978-1-56478-900-6; trad. De Rhett McNeil, de Cidade Livre; Rio de Janeiro: Record, 2010)


            Depois de ter iniciado uma carreira de “escritor” de ciência política, João Almino enveredou pela arte da novela (As Cinco Estações do Amor) e pelo ensaísmo literário – Escrita em contraponto: ensaios literários, por exemplo – mas é nos romances semi-biográficos que ele se expressa melhor, como nesta tradução de seu aclamado relato em torno da construção de Brasília. Trata-se, na verdade, de uma ampla obra, enfeixada sob o rótulo comum de Quarteto de Brasília, talvez para aproximá-lo do autor do Quarteto de Alexandria. Free City é o terceiro do ciclo, um romance vibrante, no qual coexistem tanto os modestos construtores da cidade quanto personagens da política mundial ou do universo literário (vinculadas de alguma forma a Brasília), em idas e vindas entre o passado e o presente. Um dos melhores novelistas diplomatas...

(6) Escorel, Lauro:
Introdução ao Pensamento Político de Maquiavel
(3a. ed.; Rio de Janeiro: Ouro Sobre Azul, FGV, 2014, 344 p.; ISBN: 978-85-88777-59-0)


            Escrito em 1956, publicado pela primeira vez em 1958, novamente em 1979, este clássico da maquiavelística brasileira é agora apresentado por um acadêmico e complementado por uma conferência de 1980 do autor, que se tornou “maquiavélico” ao servir na capital italiana em meados dos anos 1950. Para Escorel, “as observações de Maquiavel sobre a política externa dos Estados continuam a apresentar... uma extraordinária atualidade” (329-30). O florentino foi o primeiro grande teórico da política do poder.  Mas no plano interno também, Escorel segue Maquiavel em que a política é um “regime de precário equilíbrio entre as forças do bem e as forças do mal, em que estas muitas vezes superam aquelas...” (34). Os dois colocam o “problema cruciante das relações da política com a moral”, que está no centro da obra do italiano.

Paulo Roberto de Almeida
Hartford, 1 Outubro 2014

Petrobras: retirando o sofa da sala - The Economist

Não precisava uma revista estrangeira nos dizer, ou seja, dizer ao governo, e aos próprios jornalistas brasileiros, o óbvio. E qual é o óbvio?
Bem, o simples fato de qualquer pau mandado à frente da Petrobras não significa nada se os chefes maiores, que não são sempre os que aparecem, não são responsabilizados pelo roubo declarado, organizado, deliberado, que montaram contra a vaca petrolífera, with purpose, ou seja, com intenção de fazer aquilo mesmo.
Desde o inicio, desde o primeiro dia que os companheiros colocaram as quatro patas e a sua grande boca faminta sobre a vaca petrolífera, eles se prepararam para ordenhá-la sistematicamente. Não só para distribuir pequenas e grandes benesses entre companheiros e aliados, como sindicatos e amigos do poder, inclusive os políticos comprados. Não, isso não bastava. A Petrobrás era uma espécie de caverna de Ali-Babá, que precisava -- e ainda precisa -- ser explorada sistematicamente, para compor não apenas a caixa do partido totalitário, mas as contas dos mafiosos igualmente. E assim foi feito, independentemente de quem estivesse na direção e no Conselho de Administração, mas com a contribuição servil, domesticada desses mesmos, sem os quais seria impossível montar o processo de extorsão (que tinha vários condutos e canais, mas que era cuidadosamente controlado pelos chefes, chefetes e tesoureiros dos totalitários).
Ou seja, se não fosse ativo no processo de extorsão, precisava pelo menos ser complacente e conivente. Daí eu ter dito, desde o começo, que certos "maus negócios" tinham sido extremamente bem sucedidos, pois tinham sido montados exatamente com aquele objetivo.
Bem, tudo isso é lógico, tudo isso é evidente. Não precisava uma revista estrangeira lembrar certas verdades elementares.
Paulo Roberto de Almeida

Petrobras

Trouble at the top

Sacking the boss will not fix the problems at Brazil’s oil giant


PETROBRAS used to wow the oil world with its expertise at tapping the black stuff thousands of metres beneath the ocean floor. Now Brazil’s oil behemoth is better known for plumbing an altogether different kind of depth: mired in a multi-billion-dollar bribery scandal, indebted to the hilt and worth a third of the 405 billion reais ($244 billion at the time) it was valued at shortly after its inital public offering in 2010. On February 3rd, Brazil’s president, Dilma Rousseff, whose government holds a controlling stake in the company, at last succumbed to pressure and decided to replace its beleaguered boss, Maria das Graças Foster.
Investors rejoiced: Petrobras’s shares, which sank by 20% last week, rebounded by 10% almost striaght away. Yet most of Petrobras’s woes are not Ms Foster’s fault. The government makes most of the strategic decisions at the firm. These included requiring the company to hire and buy parts from the inefficient local oil-services sector, which has led to delays and mammoth cost overruns; building expensive refineries in the poor north-east in the name of regional development; and being the only principal operator in vast, ultra-deep pré-sal (beneath the salt) fields discovered in 2006 off Brazil’s coast.
Worst of all, since 2006 the government has capped petrol prices to curb inflation. Unable to meet rising domestic demand with what it produces, Petrobras has had to import petrol and diesel, selling it at a loss. In 2011-13 this cost it an estimated 48 billion reais ($21 billion). Ms Rousseff’s finance minister is reportedly busy seeking a replacement for Ms Foster. Her succesor will face a sea of challenges. With oil prices now around $50 a barrel, much of the pré-sal oil barely makes money. Despite debt-fuelled investment of $40 billion a year, production has flatlined at around 2m barrels a day (b/d) for the past four years and is set to nudge up by just 4.5% in 2015. Last year’s stated goal of doubling production to 4.2m b/d by 2020 looks fanciful, especially with the otherwise sensible decison to cut investment by between $7 billion and $9 billion, announced last week.
Then there is the kraken of corruption. It first reared its head last March, when the federal police arrested Paulo Roberto Costa, who ran the company’s refining arm from 2004 to 2012, on charges of money-laundering. In plea-bargain testimony Mr Costa confessed to funnelling 3% of the value of contracts signed with his division to slush funds for politicians. The public prosecutor’s office has identified at least 2.1 billion reais in suspicious payments. Aggrieved foreign investors have filed several lawsuits against the company in New York, where some of its shares are traded.
Petrobras too has been trying to work out the cost of inflated contracts. It was expected to take a bribery-related write-down in its third-quarter earnings—originally due in November but postponed twice to give it time to come up with a figure. Instead, it came up with two, neither of which Ms Foster was happy with. Applying Mr Costa’s 3% cut to the dodgy deals gives 4 billion reais. Marking the iffy assets to market suggests they are now worth a whopping 89 billion reais less than their book value. Some others look undervalued by 26 billion reais but Brazilian law only allows assets to be written down, and not marked up.
The lower estimate probably understates the problem, which may extend beyond Mr Costa’s former fief; the higher sum, equivalent to 15% of Petrobras’s assets, almost certainly exaggerates it, since valuing each facility independently of others fails to account for economies of scale. And part of the impairment will have been down to mismanagement, not graft.
Without a credible write-down, the company’s auditor, PwC, refused to sign off on the report (how it missed the overvalued assets in previous years is a puzzle). Last week Petrobras published it anyway, as it had to do before March to avoid triggering a technical default. Should it fail to release an audited full-year statement by July, however, creditors may demand immediate repayment of up to $54 billion. Given how tricky pinning the number down has proved, this cannot be ruled out. With just $25 billion in the kitty, $16 billion-18 billion in debt and divident payments due this year and limited access to new financing for lack of audited books, meeting those obligations might require a government bail-out.
Tackling these troubles will require extreme talent. Yet the most important task for Petrobras’s new boss is to resist interference from the state. Government interference has made it the least profitable big oil firm in the world, according to a report published last year by Credit Suisse. But the bank also found that where meddling is minimal, such as in finding oil and getting it out of the ground, Petrobras is almost the best. Hopefully, Ms Rousseff has finally cottoned on to this, too.

Costumes: o carater (ou falta de) dos mandatarios - Guilherme Macalossi (IL)

Sem comentários.
Ou melhor: sem palavras.
Paulo Roberto de Almeida

A falta de postura da impostura

Libertatum, 30/01/2015
Dilma participa de cerimônia no Porto de Suape
Não faz muito tempo que cheguei aqui no Instituto Liberal, mas já mostrei serviço. Semana passada, quando comparei Dilma ao personagem Wally, afirmei que ela estava sumida, provavelmente escondida em algum porão de algum palácio do governo. Repito-me. Repito-me demoradamente:
”Dilma virou o nosso Wally. Aécio Neves quer saber onde ela está. Eu também quero. Os pagadores de impostos idem. Certamente se escondeu em algum lugar do Palácio do Planalto, cercada de assessores em quem ela pode descarregar aquela sua educação costumeira sem ser contestada.”
Acertei na mosca. O ressurgimento de Dilma se deu no Palácio do Planalto, dando uma descompostura em um assessor qualquer em meio a Reunião Ministerial. Foi o que captou o meu amigo Leandro Ferreira, editor do excelente blog Teleguiado. Na ocasião, Dilma dizia uma patacoada nacionalista qualquer quando, talvez apressada pela vontade inescapável de sumir novamente, se adiantou à velocidade do Teleprompter. Culpou o técnico responsável pelo funcionamento do aparelho, instando-o a fazer a coisa funcionar com uma velocidade compatível a capacidade dela de mentir.
O trogloditismo de Dilma é notório. Tão notório quanto o trogloditismo de seu ventríloquo. A grossura de Lula já foi narrada em livro, pelas penas dos jornalistas Leonêncio Nossa e Eduardo Scolese, no revelador “Viagens com o Presidente”. As de Dilma são contadas nas colunas que tratam dos bastidores da política. Em um de seus arroubos, ela fez até José Sergio Gabrielli chorar. Segundo matéria do jornal O Globo, publicada em 2009, “Dilma não poupa adjetivos quando o trabalho realizado não lhe satisfaz. Imbecil é uma das palavras mais usadas por ela ao ver ordens não cumpridas”. Duvido que o técnico do teleprompter presidencial seja mais imbecil do que muitos dos ministros presentes na reunião.
A severidade com que Dilma trata os pequenos serviçais é inversamente proporcional à complacência que ela dispensa aos grandes oligarcas que se servem do governo. É mais fácil exigir rapidez no texto que aparece no telempropter do que nas obras do PAC que aparecem atrasadas no calendário. O técnico, afinal, é um mero proletário que pode ser chutado de modo a não envergonhar a mandatária da administração popular.  Já os oligarcas e os grandes barões do capitalismo de Estado, esses são por demais importantes para que lhes seja dirigida uma cara feia, uma carranca, um olhar intolerante de poucos amigos, ainda que quando flagrados com a boca na cumbuca pública.
Ser chefe de governo é serviço para quem se talhou não só com preparo administrativo e político, mas também com postura no trato. A postura de Dilma foi ornada enquanto se embrenhava nos matagais companheiros dos idos de VAR-Palmares. A postura de Lula, por sua vez, o foi nos grotões, às custas de cabritas e outros prováveis quadrúpedes. Um país não pode ir para frente com quem tem tanto desapreço e faz tão pouco da faixa que recebeu dos eleitores. Dilma trata mal os seus subalternos, mas ainda pior a instituição da Presidência.
Adendos Importantes:
Confiram o vídeo em que Dilma faz carrancas para o técnico do Teleprompter: https://www.youtube.com/watch?v=Rka3OUTXQk4
Confiram o vídeo em que Dilma destrata a jornalista que a socorreu depois de uma alegada “queda de pressão” ao fim de um debate com Aécio Neves: https://www.youtube.com/watch?v=hbzTE8Pu284
Confiram o vídeo em Lula, na companhia do indefectível Sérgio Cabral, é grosseiro com um favelado carioca: https://www.youtube.com/watch?v=L-7_J_Oh8sY
Trecho da página 249 do livro “Viagens com Presidente”, onde é narrada uma ocasião onde Lula se recusa a ler um discurso. Leiam o trecho do livro tentando imitar Lula em sua fala:
Na suíte do hotel, recebe das mãos de assessores discurso sobre combate mundial à fome. Diante do ministro Celso Amorim e dos auxiliares do Planalto e do Itamaraty, folheia rapidamente a papelada e arremessa a metros de distância:
— Enfiem no cu esse discurso, caralho. Não é isso que eu quero, porra. Eu não vou ler essa merda. Vai todo mundo tomar no cu. Mudem isso, rápido.
 Matéria extraída no website do Instituto Liberal

O lado dark de Winston Churchill, um velhaco imperialista, que salvou a Europa do nazismo...

O lado dark do grande (talvez cinzento) imperialista Wiston Churchill, que não apenas refletia os preconceitos de sua época, mas tinha um zelo especial pelas glórias do império britânico. O fato dele ter sido decisivo na resistência a Hitler, quando vários líderes britânicos queriam entrar em algum tipo de compromisso ou entendimento com o mostro nazista, oferece uma espécie de contraponto a todos os seus erros, seu racismo e seu imperialismo teimoso. Não compensa, talvez, mas no que nos concerne, foi um nobre gesto, tremendamente custoso para o seu povo. A resistência contra tiranos é, em si, um dever moral.
Paulo Roberto de Almeida 

The dark side of Winston Churchill’s legacy no one should forget

The Washington Post, February 3, 2015, at 3:30 AM
There's no Western statesmen — at least in the English-speaking world — more routinely lionized than Winston Churchill. Last Friday marked a half century since his funeral, an occasion that itself led to numerous commemorations and paeans to the British Bulldog, whose moral courage and patriotism helped steer his nation through World War II.
Churchill, after all, has been posthumously voted by his countrymen as the greatest Briton. The presence (and absence) of his bust in the White House was enough to create political scandal on both sides of the pond. The allure of his name is so strong that it launches a thousand quotations, many of which are apocryphal. At its core, Churchill's myth serves as a ready-made metaphor for boldness and leadership, no matter how vacuous the context in which said metaphor is deployed.
For example, former British Prime Minister Tony Blair earned comparisons to Churchill after dragging his country into the much-maligned 2003 Iraq war. So too Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu, whose tough stance on Iran's nuclear ambitions has been cast by some in Churchill's heroic mold — the Israeli premier's uncompromising resolve a foil to the supposed "appeasement" tendencies of President Obama.
In the West, Churchill is a freedom fighter, the man who grimly withstood Nazism and helped save Western liberal democracy. It's a civilizational legacy that has been polished and placed on a mantle for decades. Churchill "launched the lifeboats," declared Time magazine, on the cover of its Jan. 2, 1950 issue that hailed the British leader as the "man of the half century."
But there's another side to Churchill's politics and career that should not be forgotten amid the endless parade of eulogies.  To many outside the West, he remains a grotesque racist and a stubborn imperialist, forever on the wrong side of history.
Churchill's detractors point to his well-documented bigotry, articulated often with shocking callousness and contempt. "I hate Indians," he once trumpeted. "They are a beastly people with a beastly religion."
He referred to Palestinians as "barbaric hordes who ate little but camel dung." When quashing insurgents in Sudan in the earlier days of his imperial career, Churchill boasted of killing three "savages." Contemplating restive populations in northwest Asia, he infamously lamented the "squeamishness" of his colleagues, who were not in "favor of using poisoned gas against uncivilized tribes."
Remembering British wartime PM Winston Churchill(1:45)
Britain marked 50 years since Prime Minister’s Winston Churchill's funeral was held in 1965. His funeral was the world's largest at the time, attended by leaders from more than 100 countries. (Reuters)
At this point, you may say, so what? Churchill's attitudes were hardly unique for the age in which he expounded them. All great men have flaws and contradictions — some of America's founding fathers, those paragons of liberty, were slave owners. One of Churchill's biographers, cited by my colleague Karla Adam, insists that his failings were ultimately "unimportant, all of them, compared to the centrality of the point of Winston Churchill, which is that he saved [Britain] from being invaded by the Nazis."
But that should not obscure the dangers of his worldview. Churchill's racism was wrapped up in his Tory zeal for empire, one which irked his wartime ally, U.S. President Franklin D. Roosevelt. As a junior member of parliament, Churchill had cheered on Britain's plan for more conquests, insisting that its "Aryan stock is bound to triumph." It's strange to celebrate his bravado in the face of Hitler's war machine and not consider his wider thinking on other parts of the world. After all, these are places that, just like Europe and the West, still live with the legacy of Churchill's and Britain's actions at the time.
India, Britain's most important colonial possession, most animated Churchill. He despised the Indian independence movement and its spiritual leader, Mahatma Gandhi, whom he described as "half-naked" and labeled a "seditious fakir," or holy man. Most notoriously, Churchill presided over the hideous 1943 famine in Bengal, where some 3 million Indians perished, largely as a result of British imperial mismanagement. Churchill was both indifferent to the Indian plight and even mocked the millions suffering, chuckling over the culling of a population that bred "like rabbits."
Leopold Amery, Churchill's own Secretary of State for India, likened his boss's understanding of India's problems to King George III's apathy for the Americas. Amery vented in his private diaries, writing "on the subject of India, Winston is not quite sane" and that he didn't "see much difference between [Churchill's] outlook and Hitler's."
When Churchill did apply his attention to the subcontinent, it had other dire effects. As the Indian writer Pankaj Mishra explains in the New Yorker, Churchill was one of a coterie of imperial rulers who worked to create sectarian fissures within India's independence movement between Indian Hindus and Muslims, which led to the brutal partition of India when the former colony finally did win its freedom in 1947. Millions died or were displaced in an orgy of bloodshed that still echoes in the region's tense politics to this day. (India, it should be noted, was far from the only corner of the British empire victim to such divide-and-rule tactics.)
"The rival nationalisms and politicized religions the British Empire brought into being now clash in an enlarged geopolitical arena," writes Mishra, gesturing to the spread and growth of political Islam in parts of South Asia and the Middle East. "And the human costs of imperial overreaching seem unlikely to attain a final tally for many more decades."
When measuring up Churchill's legacy, that tally must be taken into account.
Ishaan Tharoor writes about foreign affairs for The Washington Post. He previously was a senior editor at TIME, based first in Hong Kong and later in New York.

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