sábado, 7 de março de 2026

Guerra no Irã é o momento mais imprevisível no Oriente Médio em 50 anos - Thomas Friedman (NYT, Estadão)

Guerra no Irã é o momento mais imprevisível no Oriente Médio em 50 anos

Ofensiva contra Teerã é chance de derrubar teocracia, mas carrega risco de colapso e fragmentação do país
Impacto econômico pode ditar ritmo, mas guerra não deve obscurecer pressões sobre democracia nos EUA e em Israel
Thomas Friedman
The New York Times, 3.mar.2026 às 15h34
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/thomas-l-friedman/2026/03/guerra-no-ira-e-o-momento-mais-imprevisivel-no-oriente-medio-em-50-anos.shtml

Para pensar com clareza sobre as guerras no Oriente Médio é preciso manter múltiplos pensamentos na cabeça ao mesmo tempo. É uma região complicada e caleidoscópica, onde religião, petróleo e política das grandes potências se entrelaçam em cada grande história. Se você está procurando uma narrativa preto no branco, talvez seja melhor jogar damas. Então, aqui estão meus quatro pensamentos sobre o Irã—pelo menos por hoje.
Primeiro: espero que esse esforço para derrubar o regime clerical em Teerã tenha sucesso. É um regime que assassina seu povo, desestabiliza seus vizinhos e destruiu uma grande civilização. Não há evento único que faria mais para colocar todo o Oriente Médio em uma trajetória mais decente e inclusiva do que a substituição do regime islâmico de Teerã por uma liderança focada exclusivamente em permitir que o povo iraniano realize seu pleno potencial com uma voz real em seu próprio futuro.
Segundo: isso não será fácil, porque esse regime está profundamente enraizado e dificilmente será derrubado apenas pelo ar. Israel não conseguiu eliminar o Hamas na Faixa de Gaza após mais de dois anos de uma guerra aérea e terrestre implacável
—e o Hamas está logo ali ao lado.
Dito isso, mesmo que esse ataque israelo-americano ao Irã não leve à revolta do povo iraniano que o presidente Donald Trump pediu, poderia ter outros efeitos benéficos não previstos, como produzir uma República Islâmica 2.0 muito menos ameaçadora para seu povo e vizinhos. Mas também poderia resultar em perigos não previstos, como a desintegração do Irã como uma única entidade geográfica.
Terceiro: devemos lembrar que o momento do fim desta guerra será determinado tanto pelos mercados de petróleo e pelos mercados financeiros quanto pela situação militar dentro do Irã.
O Irã está à beira do colapso econômico, com uma moeda que vale pouco mais que papel de parede. A Europa tornou-se muito mais dependente do gás natural liquefeito do golfo Pérsico para mover suas economias, desde que eliminou gradualmente as compras de gás natural da Rússia.
Uma explosão sustentada de inflação causada por preços mais altos de energia irritaria a base de Trump, muitos dos quais já não gostam de ser arrastados para outra guerra no Oriente Médio. Há muitas pessoas que vão querer que esta guerra seja curta, e isso impactará como e quando Trump e Teerã negociarão.
Quarto: não devemos deixar que esta guerra para trazer democracia e Estado de Direito ao Irã nos distraia das ameaças à democracia e ao Estado de Direito representadas por Trump nos EUA e pelo primeiro-ministro Binyamin Netanyahu em Israel.
Trump quer promover esses ideais em Teerã, mesmo enquanto seus agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) operaram por dois meses com pouca consideração por restrições legais no meu estado natal de Minnesota e enquanto ele lança ideias sobre restringir quem pode votar em nossa próxima eleição.
Se a guerra no Irã permitir que Netanyahu vença as eleições israelenses planejadas para este ano, será um grande propulsor para seus esforços de anexar a Cisjordânia, enfraquecer a Suprema Corte israelense e transformar Israel em um estado de apartheid, o que seria um grande golpe aos interesses americanos na região além do Irã.
A vida como colunista de opinião seria fácil se toda guerra sobre a qual você tivesse que se posicionar fosse a Guerra Civil Americana e se todo líder fosse Abraham Lincoln. Mas não são, então vamos nos aprofundar um pouco mais nesses quatro pensamentos sobre o Irã.
Embora você nunca saberia disso se ouvisse a esquerda universitária nos últimos anos, a República Islâmica do Irã tem sido a maior potência imperialista na região desde 1979, cultivando representantes para controlar quatro Estados árabes —Síria, Líbano, Iraque e Iêmen— e minando reformistas liberais em todos os quatro ao promover divisões sectárias.
Apenas o enfraquecimento do regime de Teerã, graças aos golpes de martelo israelenses e americanos nos últimos dois anos, levou à queda do regime de Assad apoiado pelo Irã na Síria e permitiu que o Líbano escapasse do aperto da milícia Hezbollah apoiada pelo Irã, o que por sua vez deu espaço para o governo mais decente do Líbano em décadas —liderado pelo primeiro-ministro Nawaf Salam e pelo presidente Joseph Aoun. É por isso que a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, está sendo celebrada silenciosa ou ruidosamente em toda a região.
Além disso, o povo iraniano está entre os mais naturalmente pró-Ocidente da região. Se esse impulso puder emergir e se espalhar, e substituir o veneno islamista radical e divisivo propagado pelo regime iraniano, temos a possibilidade de um Oriente Médio muito mais inclusivo.
Como o estrategista libanês-emiradense Nadim Koteich me disse: Não é por acaso que um dos gritos mais populares dos manifestantes antirregime no Irã tem sido: "Nem Gaza, nem Líbano. Minha vida pelo Irã".
Muitos iranianos ficaram enojados ao ver seus recursos desperdiçados em milícias lutando contra Israel. Também não é por acaso, observou Koteich, que o Irã acabou de lançar foguetes contra aeroportos, hotéis e portos dos Estados árabes do Golfo em modernização.
"Eles estão atacando a infraestrutura de abertura e integração e os Acordos de Abraão —foi o velho Oriente Médio atacando o novo Oriente Médio", acrescentou Koteich. A morte de Khamenei, esperançosamente, "é a morte da ideia de Khamenei de que o Oriente Médio deveria ser definido pela resistência e não pela inclusão e integração".
Esperançosamente, isso também acabará com o jogo duplo praticado por Khamenei e seus predecessores como Mahmoud Ahmadinejad —que serviu como presidente do Irã de 2005 até 2013 e também foi morto em um ataque aéreo israelo-americano— de que o Irã tem o direito de gritar abertamente "Morte à América" e "Morte a Israel" e depois alegar que também tem o direito de ser tratado como
a Dinamarca ou de enriquecer urânio para propósitos "pacíficos".
Trump e Netanyahu finalmente denunciaram esse jogo.
Quanto à ideia de que o povo iraniano agora se unirá e derrubará o regime, é difícil ver isso acontecendo tão cedo sem um líder claro e uma agenda comum.
Os analistas iranianos com quem converso dizem que o resultado mais provável é uma espécie de República Islâmica 2.0, onde reformistas proeminentes do regime—como Hassan Rouhani, que foi o sétimo presidente do Irã, de 2013 a 2021, e tem sido um crítico cada vez mais vocal da linha dura de Khamenei, ou o ex-ministro das Relações Exteriores e negociador nuclear Javad Zarif— pressionem a liderança sobrevivente a negociar um acordo com Trump.
Esse acordo poderia ser um que abandone o programa nuclear do Irã e aceite limites em suas guerras por procuração e mísseis balísticos —em outras palavras, o que Trump quiser— em troca do fim das sanções econômicas e da sobrevivência do regime.
Tal regime de República Islâmica 2.0 poderia então ser capaz de supervisionar uma transição para uma verdadeira democracia iraniana novamente. Mas Trump também poderia enfrentar acusações de jogar um salva-vidas para um regime moribundo que recentemente matou pelo menos 6.800 manifestantes, de acordo com a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos sediada nos EUA, e provavelmente muitos mais. Em outras palavras, começar esta guerra foi relativamente fácil. Terminá-la não será.
Tal acordo pode ser tentador para Trump, porém, para evitar uma guerra prolongada, uma recessão desencadeada por preços de petróleo disparados ou a desintegração do Irã. É por isso que não fiquei surpreso ao ouvir Trump dizer à The Atlantic: "Eles querem conversar, e eu concordei em conversar, então estarei conversando com eles".
No Oriente Médio o oposto da autocracia não é necessariamente a democracia. Frequentemente é a desordem. Porque quando ditaduras do Oriente Médio são decapitadas, uma de duas coisas acontece. Ou elas implodem, como a Líbia fez, ou explodem, como a Síria fez. Os persas são apenas cerca de 60% da população do Irã. Os outros 40% são um mosaico de minorias, principalmente azeris, curdos, lurs, árabes e balúchis. Cada um tem ligações com terras fora do Irã, especialmente azeris com o Azerbaijão e curdos com o Curdistão. O caos prolongado em Teerã poderia levar qualquer um deles a se separar e o Irã, na prática, explodir.
O Irã testemunhou o colapso de governos ou a queda de governantes ao longo de sua história. Em todas as vezes, "o Irã permaneceu intacto", disse Koteich.
"Pela primeira vez não tenho certeza de que permanecerá intacto."
Se você quiser ver petróleo a US$ 150 o barril, esse tipo de desintegração iraniana o levaria até lá. As exportações de petróleo do Irã de 1,6 milhão de barris por dia, que vão principalmente para a China, seriam completamente retiradas do mercado global de petróleo. Cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo passa pelo Estreito de Hormuz, que o Irã pode fechar. As taxas de seguro para transportadores de petróleo já estão disparando, e cerca de 150 navios-tanque no Golfo estão supostamente paralisados.
Espero que até quarta-feira haja pelo menos mais três pontos competindo na minha cabeça para fazer sentido de tudo isso, porque este é o momento mais plástico e imprevisível no Oriente Médio desde a Revolução Islâmica em 1979. Tudo —e seu oposto— é possível.

Shield of Americas, Trump e o seu quintal latino-americano, com a ex-supervisora do ICE, como "guardiã"

 Vejam como Trump cuida do "quintal" latino-americano. A "encarregada" das relações do Império trumpista com os abnegados representantes que foram ao summit "Shield of Americas" - O Escudo das Américas –, para lutar contra os carteis de drogas será ninguém menos que Kristi Noem, que acaba de ser demitida do cargo de "homeland security secretary", onde cuidava do ICE (especialmente vigilante com respeito a latinos-ilegais (tendo até assassinado um ou outro), mas que foi selecionada por Trump para ser seu "special envoy for the regional coalition", da qual participa inclusive nosso vizinho Paraguai (o único país da América do Sul que reconhece Taiwan como "legítimo representante do povo chinês).

Estiveram presentes ao encontro, ou summit, os dirigentes seguintes (copio do The Guardian):
"Kamla Persad-Bissessa of Trinidad and Tobago, Santiago Peña of Paraguay, Luis Abinader of the Dominican Republic, Nayib Bukele of El Salvador, Mohamed Irfaan Ali of Guyana, Rodrigo Chaves Robles of Costa Rica, Daniel Noboa of Ecuador, Rodrigo Paz Pereira of Bolivia, Javier Milei of Argentina, José Raúl Mulino of Honduras and Jose Antonio Kast of Chile (que tomará posse em poucos dias).

Quem souber detalhes interessantes, relevantes, picantes sobre essa summit (o contrário do que pretendia a Unasul de Lula), pode postar neste espaço e me chamar a atenção.

Grato,
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 7/03/2026

A diplomacia de Trump: destrói para depois negociar - Editorial da revista digital Será?

 Editorial da revista digital Será?:


A diplomacia de Trump: destrói para depois negociar
Editorial Revista Será?, mar 6, 2026

O pretensioso e arrogante candidato ao Prêmio Nobel da Paz, Donald Trump é, na verdade, o senhor da guerra e o aspirante a gendarme do planeta, utilizando o poderoso arsenal militar dos Estados Unidos para intervir, onde e quando decidir, ignorando, pisoteando e esmagando os acordos e as regras constituídas de direito internacional. E sempre a partir da sua exclusiva consideração e segundo os interesses estadunidenses e seus próprios benefícios empresariais. Aliado ao governo de Israel, o imperialista Trump está bombardeando o Irã em larga escala e sem qualquer aprovação das organizações internacionais e nem mesmo do Congresso dos Estados Unidos, como exige a sua Constituição. Com argumentos e discursos mentirosos e contraditórios, Trump suspendeu unilateralmente as negociações que vinha avançando com o governo do Irã para assinatura de um novo acordo nuclear, no qual Teerã se comprometeria a não desenvolver uma bomba atômica. E partiu direto para o ataque, a destruição das bases militares e a eliminação da liderança política do país, começando pelo assassinato do líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Vale lembrar que, no seu primeiro governo, Trump tinha revogado um acordo assinado pelos Estados Unidos com o Irã (com o presidente Barak Obama) no qual o governo iraniano assumia o compromisso de limitar o seu programa nuclear a fins pacíficos. Esta é a essência da diplomacia de Trump: acordos só depois que destrói e humilha o inimigo com seu poderoso arsenal militar.

Certo, não dá para defender o governo do Irã, uma teocracia fundamentalista e altamente repressiva, tendo assassinado, recentemente, milhares de manifestantes que protestavam nas ruas contra a violência do sistema autoritário e a atuação perversa da Guarda Revolucionária e da Polícia da Moralidade, que impõe com força as regras medievais do islamismo. Não há dúvida, tampouco, que a ditadura iraniana constitui uma ameaça à estabilidade e à paz no Oriente Médio com o seu próprio poderio militar e o apoio ao Hamas e ao Hezbollah em confronto com Israel. Mas o Irã é um país soberano e cabe exclusivamente aos iranianos lutar por um novo sistema político, por democracia e pelo respeito aos direitos humanos, de preferência por um Estado laico. Aliado ao criminoso de guerra Benjamin Netanyahu, o gendarme do planeta quer derrubar o governo iraniano com a pretensão mentirosa de implantação de uma democracia no Irã e proteger os direitos humanos atacados pela teocracia. Logo Trump que vem minando, sistematicamente, a democracia nos Estados Unidos e desrespeitando os direitos civis e dos imigrantes. E Netanyahu que vem massacrando continuamente o povo palestino sem qualquer respeito pela dignidade humana.

Aos países democráticos cabe apenas a condenação dos crimes da teocracia xiita e o apoio político e diplomático aos movimentos da sociedade iraniana. Nunca a intervenção direta nos assuntos internos para impor, de fora, a democracia no Irã. Nem mesmo atacar militarmente, sem qualquer validação das organizações internacionais, para destruir o arsenal militar iraniano pelo potencial de risco à estabilidade e paz na região. Para manter a paz na região é necessário, ao contrário, um esforço de negociação, acompanhada de pressões diplomáticas, sem destruir o inimigo, construir acordos que garantam a estabilidade. Por outro lado, sob o pretexto de impedir as ameaças do Irã à paz e à segurança mundiais, a guerra desencadeada pela dupla Trump-Netanyahu está provocando, na realidade, uma grande instabilidade , que pode a levar a uma grave crise econômica mundial por conta do fechamento das rotas dos petroleiros. Além disso, demonstra para o mundo que não existem mais regras internacionais de convivência entre as nações e nenhum instrumento que assegure a soberania das nações, legitima a invasão da Ucrânia pela Rússia e oferece à China um bom argumento para anexar Taiwan.
https://revistasera.info/2026/03/a-diplomacia-de-trump-destroi-para-depois-negociar-editorial/

OS BRICS E AS GUERRAS - Renato Baumann (Linkedin)

OS BRICS E AS GUERRAS

Renato Baumann

Linkedin, 7/03/2026

 

O grupo BRICS foi criado a partir da percepção de quatro economias emergentes quanto à importância de maior aproximação. O grupo tem como objetivo principal influenciar a governança global: seu peso econômico deve ser reconhecido através de participação mais expressiva no processo decisório global. 

As quatro economias correspondiam a continentes distintos. Não havia, contudo, representante africano. Essa carência foi contornada, pouco depois, pela inclusão da África do Sul. 

Em 2022 houve decisão que surpreendeu a maior parte dos analistas, ao se convidar um conjunto de seis países para se tornarem membros adicionais do grupo.

As dúvidas compreendem desde a falta de critérios objetivos para a ampliação do grupo até o fato de aí estarem países com conflitos bilaterais de longa data. Mas ninguém duvida de que a soma do potencial econômico desse conjunto de países é nada desprezível.

As possibilidades de sucesso na atuação conjunta de um grupo de países depende da homogeneidade de propósitos e da clara identificação de objetivos comuns. 

Um primeiro teste dessa homogeneidade surgiu quando a Rússia invadiu a Ucrânia. Quando o tema foi a consideração da Assembleia Geral da ONU os demais BRICS se abstiveram.

Agora há um segundo teste, envolvendo o ataque ao Irã, país membro recente do grupo. Uma dimensão aparentemente esquecida pela imprensa. 

Em prol da homogeneidade se esperaria manifestação de apoio por parte dos sócios do Irã no grupo. Até o momento não se tem conhecimento disso.

As razões alegadas são de que o BRICS é um grupo econômico, não geopolítico. E trata-se de um arranjo informal, não uma instituição. Assim, não faz sentido esperar manifestação formal de parte do grupo. Seria mesmo difícil obter uma declaração, dados os ataques iranianos aos territórios de outros membros do grupo.

Esse silêncio confirma a dimensão estritamente econômica do grupo. De ser assim, no entanto, não fica fácil entender por que as Declarações que se seguem às reuniões de cúpula tenham tantos artigos de caráter geopolítico, condenando reiteradamente situações sensíveis em várias regiões. 

A sinalização do grupo nesse sentido não tem sido muito clara, e dá margem a dúvidas sobre como conseguir o requerido grau de homogeneidade.

Trump convenes ‘Shield of Americas’ summit with 12 Latin American leaders - Edward Helmore (The Guardian)

 Trump convenes ‘Shield of Americas’ summit with 12 Latin American leaders

In Miami, president calls for regional cooperation to counter Chinese economic and political interests
Edward Helmore
The Guardian, Sat 7 Mar 2026 18.01 GMT
https://www.theguardian.com/us-news/2026/mar/07/trump-shield-of-americas-summit

Donald Trump changed the channel from Iran to the western hemisphere on Saturday, convening a gathering of Latin American leaders at his Miami-area golf club to discuss regional interests and establishing what he called a “counter-cartel coalition”.

“Just as we formed a coalition to eradicate Isis, we now need a coalition to eradicate the cartels,” he told 12 regional leaders gathered at what the White House called the “Shield of the Americas” summit.

“We must recognize that the epicenter of cartel violence is Mexico,” where “the cartels are fueling and orchestrating much of the bloodshed and chaos in this hemisphere.”

Trump gathered the summit of leaders from Argentina, Bolivia, Chile, Costa Rica, the Dominican Republic, Ecuador, El Salvador, Guyana, Honduras, Panama, Paraguay, and Trinidad and Tobago, just two months after a US military operation to capture Venezuela’s then president Nicolás Maduro, who is awaiting trial on drugs and weapons conspiracy charges in the US.

Also among those in attendance was the outgoing homeland security secretary, Kristi Noem, who had been selected as a special envoy to the regional coalition, which Trump announced alongside news of her ouster on Thursday.

Less that two weeks ago, US law enforcement provided intelligence assistance in a raid in Jalisco, Mexico, to capture Nemesio Oseguera Cervantes, known as “El Mencho”, the leader of the Jalisco New Generation cartel (CJNG) and one of the world’s most wanted drug traffickers. El Mencho was wounded in the shootout and died while being transported to Mexico City.

Trump complimented Mexico’s president, Claudia Sheinbaum, who was not present at the meeting, but still maintained that the cartels “are getting worse and taking over the country. The cartels are running Mexico. We can’t have that. Too close to us, too close to you.”

He also complimented Delcy Rodríguez, Venezuela’s interim president, who has offered “to collaborate” with the Trump administration. “She’s doing a great job working with us,” he said. Last week, the US legally recognized the Venezuelan government.

Trump repeated his prediction that Cuba, which had been dependent on Venezuelan oil, is now facing collapse. “We’re looking forward to the great change that will soon be coming to Cuba,” Trump said, asserting that the Caribbean nation was “at the end of the line”.

“They have no money, they have no oil, they have a bad philosophy and bad regime,” the US president said, but also said the regime wanted to negotiate with the US. “Cuba is in its last moments of life as it was but it will have a great new life”.

Trump offered what may be the political through-line in US policy toward its neighbors, otherwise known as the “Donroe doctrine”, toward regional cooperation and to counter Chinese economic and political interests. “We will not allow hostile foreign influence to gain a foothold in this hemisphere that includes the Panama canal,” he said.

The US secretary of state, Marco Rubio, thanked Trump for making the western hemisphere a priority and complimented the regional leaders as not only allies but friends. In what came as a dig at the UK for its weak response in supporting the US strikes in Iran, Rubio said:

“At a time when we have learned that an ally, when you need them, may not be there for you, these are countries that have been there for us,” he said, adding: “We want you to see that when you are a friend and ally to the United States it is a good thing and it is reciprocated back the other way.”

The US defense secretary, Pete Hegseth, said that the US had for too long been focused on borders in far-flung places “and not our own borders, our own western hemisphere”.

Reflexões de Thomas Friedman sobre a destruição do Irã (O Estado de S. Paulo)

 A ponderacão de Thomas Friedman no New York Times, traduzida no Estadão de hoje, merece ser lida, mesmo que não se concorde necessariamente com seus comentários.

Wylmar Buzzatto

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A guerra em quatro pensamentos

Thomas Friedman

O Estado de S. Paulo, 03 de mar. de 2026

Queda do regime melhoraria o Oriente Médio, mas não será fácil derrubá-lo.

Para pensar com clareza sobre guerras no Oriente Médio, é preciso raciocinar com vários cenários em mente. Falamos de uma região complexa e caleidoscópica, onde religião, petróleo, políticas tribais e políticas de grandes potências se entrelaçam. Se você busca uma narrativa maniqueísta, talvez seja melhor consultar outras fontes. Eis meus quatro pensamentos sobre Irã – ao menos até hoje.

1. Primeiro, espero que esse esforço para derrubar o regime clerical de Teerã seja bem-sucedido. Trata-se de um regime que assassina seu povo, desestabiliza vizinhos e destruiu uma grande civilização. Nenhum evento isolado contribuiria mais para colocar o Oriente Médio em uma trajetória mais decente e inclusiva do que a substituição do regime islâmico de Teerã por uma liderança com foco exclusivo em capacitar o povo iraniano para realizar seu pleno potencial, com uma voz real, em seu próprio futuro.

2. Segundo, isso não será fácil, porque o regime está profundamente enraizado e dificilmente será derrubado por meio apenas de uma ofensiva aérea. Israel não conseguiu eliminar o Hamas em Gaza após mais de dois anos de uma guerra implacável por terra e ar – eo Hamas está bem ao lado. Dito isto, mesmo que não ocasione a revolta do povo iraniano que o presidente Trump tanto incentiva, este ataque contra o Irã poderá surtir outros efeitos benéficos e imprevistos, como a criação de uma república islâmica 2.0 muito menos ameaçadora para seu povo e seus vizinhos. Mas também pode resultar em perigos imprevistos, como a desintegração do Irã enquanto ente geográfico único.

3. Em terceiro lugar, devemos lembrar que o momento do fim desta guerra será determinado tanto pelos mercados de petróleo e financeiros quanto pela situação militar interna do Irã. O Irã está à beira do colapso econômico, com uma moeda que não vale quase nada. A Europa tornouse muito mais dependente do gás natural liquefeito do Golfo Pérsico para sustentar suas economias, desde que reduziu as compras da Rússia. Uma onda inflacionária prolongada, causada pelo aumento dos preços da energia, irritaria a base de Trump, onde muitos já não gostam de ser arrastados para mais uma guerra no Oriente Médio. Há muita gente desejando que esta guerra seja curta, e isso influenciará como e quando Trump e Teerã negociarão.

4. Em quarto lugar, não devemos permitir que esta guerra – para levar democracia e estado de direito ao Irã – nos distraia da ameaça à democracia e ao estado de direito representada por Trump nos EUA e pelo primeiro-ministro Binyamin Netanyahu em Israel. Trump quer promover esses ideais em Teerã mesmo enquanto seus agentes do ICE atuaram por dois meses com pouco respeito às leis em meu estado natal, Minnesota, e enquanto ele cogita restringir eleitores em nossa próxima eleição. A guerra no Irã permitir que Netanyahu vença as eleições israelenses planejadas para este ano será um grande impulso para seus esforços de anexar a Cisjordânia, enfraquecer a Suprema Corte israelense e transformar Israel em um Estado de apartheid – um grande golpe para os interesses americanos na região além do Irã.

A vida de colunista seria fácil se todo conflito fosse a Guerra Civil Americana e todo líder fosse Abraham Lincoln. Mas não são, então analisemos um pouco mais a fundo essas quatro reflexões sobre o Irã.

Embora você jamais soubesse se desse ouvidos à esquerda universitária, a república islâmica do Irã é a maior potência imperialista da região desde 1979, cultivando aliados para controlar Síria, Líbano, Iraque e Iêmen – minando reformistas progressistas e promovendo divisões sectárias nos quatro.

O enfraquecimento de Teerã, graças aos golpes contundentes de Israel e EUA nos dois anos recentes, levou à queda do regime de Bashar Assad na Síria e permitiu ao Líbano escapar do domínio do Hezbollah, o que, por sua vez, abriu espaço para o governo mais decente do país em décadas – liderado pelo primeiro-ministro Nawaf Salam e pelo presidente Joseph Aoun. É por isso que a morte do aiatolá Ali Khamenei está sendo celebrada, discretamente ou ruidosamente, em toda a região.

Além disso, o povo iraniano está entre os mais pró-Ocidente da região. Se esse impulso for capaz de emergir e se espalhar, substituindo o veneno sectário e radical islâmico propagado pelo regime iraniano, haverá possibilidade de um Oriente Médio muito mais inclusivo.

INDIGNAÇÃO. Como me disse o estrategista Nadim Koteich, não é por acaso que um dos cânticos mais populares dos manifestantes antirregime no Irã seja: “Nada de Gaza, nada de Líbano. Minha vida pelo Irã”. Muitos iranianos estão revoltados ao ver seus recursos desperdiçados em milícias que lutam contra Israel. Também não é por acaso, observou Koteich, que o Irã acaba de lançar foguetes contra aeroportos, hotéis e portos dos Estados árabes do Golfo em processo de modernização.

“Eles estão atacando a infraestrutura de abertura e integração e os Acordos de Abraão. O velho Oriente Médio atacando o novo Oriente Médio”, acrescentou Koteich. A morte de Khamenei,

tomara, “representa a morte da ideia de Khamenei de que o Oriente Médio deveria se definir pela resistência e não por inclusão e integração”.

Tomara também que isso acabe com o jogo duplo praticado por Khamenei e seus antecessores, como Mahmoud Ahmadinejad – que foi presidente do Irã de 2005 a 2013 e também foi morto em um ataque aéreo israeloamericano – de que o Irã tem o direito de gritar abertamente “Morte aos EUA” e “Morte a Israel” e, ao mesmo tempo, alegar que também tem o direito de ser tratado como a Dinamarca, ou enriquecer urânio para fins “pacíficos”.

Trump e Netanyahu finalmente denunciaram esse jogo.

Quanto à união do povo iraniano para derrubar o regime, é difícil imaginar que isso aconteça em breve sem um líder claro e uma agenda comum.

TEOCRACIA 2.0. Analistas iranianos dizem que o resultado mais provável é uma espécie de república islâmica 2.0, na qual os principais reformistas – como Hassan Rohani, o sétimo presidente do Irã, de 2013 a 2021, um crítico cada vez mais ferrenho da linha-dura de Khamenei, ou o ex-chanceler e negociador nuclear Javad Zarif – pressionem a liderança remanescente a negociar um acordo com Trump. Esse pacto poderia incluir o fim do programa nuclear iraniano e limites às suas guerras por procuração e mísseis balísticos – em outras palavras, tudo o que Trump quiser – em troca do fim das sanções econômicas e da sobrevivência do regime.

Essa república islâmica 2.0 poderia então ser capaz de organizar uma transição para uma democracia verdadeira. Mas Trump também poderia enfrentar acusações de dar uma tábua de salvação a um regime moribundo que recentemente matou pelo menos 6,8 mil manifestantes, segundo a agência de notícias Human Rights Activists, sediada nos EUA, provavelmente muito mais. Em outras palavras, iniciar esta guerr foi relativamente fácil; encerrá-la será difícil.

NEGOCIAÇÃO. Mas um acordo desse tipo pode ser tentador para Trump, por evitar uma guerra prolongada, uma recessão desencadeada pela disparada dos preços do petróleo ou a desintegração do Irã. Por isso, não me surpreendeu ouvir Trump dizer à revista The Atlantic: “Eles querem conversar, e eu concordei, então vou conversar com eles”.

Como já observei nesta coluna, no Oriente Médio, o oposto de autocracia não é necessariamente democracia. Com frequência é desordem. Porque quando ditaduras do Oriente Médio são decapitadas, uma de duas coisas acontece: ou elas implodem, como a Líbia, ou explodem, como a Síria.

Os persas representam apenas cerca de 60% da população do Irã. Os outros 40% são um mosaico de minorias, principalmente azerbaijanos, curdos, luros, árabes e balúchis. Cada uma delas tem ligações com terras fora do Irã, especialmente os azerbaijanos com o Azerbaijão e os curdos com o Curdistão. O caos prolongado em Teerã poderia levar qualquer um a se separar e, na prática, explodir o Irã.

DESMEMBRAMENTO. O Irã testemunhou o colapso de governos e quedas de governantes ao longo de sua história. Em todas as ocasiões, “o país permaneceu intacto”, disse Koteich. “Pela primeira vez, não tenho certeza se o Irã permanecerá intacto.”

Se você quer o barril do petróleo a US$ 150, esse tipo de desintegração ocasionaria isso. As exportações de petróleo do Irã – de 1,6 milhão de barris diários, destinados principalmente à China – seriam completamente retiradas do mercado global. Cerca de 20% de todo o comércio de petróleo passa pelo Estreito de Ormuz, que o Irã tem capacidade de fechar. Os preços dos seguros para navios petroleiros já estão disparando, e cerca de 150 petroleiros no Golfo Pérsico estariam parados.

Enquanto isso, em Pequim, o presidente Xi Jinping deve estar se perguntando como seus sistemas de armas se comparariam aos fornecidos pelos EUA a Taiwan, depois de ver caças e mísseis inteligentes de fabricação americana burlar facilmente ou destruir os sistemas antiaéreos iranianos, de origem russa, e matar grande parte da elite de segurança nacional do Irã dentro de suas casas e escritórios. Talvez não seja esta a semana para invadir Taiwan – nem a próxima.

Mas esta pode ser uma boa semana para Pequim ver todo o povo iraniano dançando espontaneamente nas ruas para celebrar a morte de Khamenei e se perguntar se a República Popular da China deveria ter sustentado seu regime com compras de petróleo durante todos esses anos. Talvez devesse ter estado do lado do povo iraniano.

URNAS. É muito cedo para prever como esta guerra influenciará duas eleições cruciais este ano – em Israel e nos EUA. Para Trump, a coisa é simples. Ele não quer ver seu nome associado com a palavra “atoleiro” em nenhuma manchete antes das eleições de meio de mandato, em novembro. Quanto a Netanyahu, posso imaginá-lo convocando eleições antecipadas para usar a queda do regime iraniano para se manter no poder. Mas uma vitória sobre o Irã também poderia complicar sua política.

Netanyahu derrotou militarmente a curto prazo o Hamas, a Jihad Islâmica, o Hezbollah e o Irã, mas não transformou nenhuma dessas vitórias em ganhos diplomáticos ou políticos de longo prazo. Para isso, ele precisaria concordar em negociar novamente com os palestinos com base na estrutura de dois Estados para dois povos.

A oportunidade para Israel pode ser enorme: se a república islâmica do Irã for derrubada ou enfraquecida, não tenho dúvidas de que Arábia Saudita, Líbano, Síria, Omã, Catar, Kuwait e talvez até o Iraque se sentiriam muito mais confortáveis em normalizar as relações com Israel – sob a condição de que Netanyahu não anexe Gaza nem a Cisjordânia, mas concorde com um plano de separação e uma solução de dois Estados. Netanyahu aproveitará essa oportunidade? Os eleitores israelenses o puniriam se ele não o fizer?

Mas estou me adiantando. Imagino que até amanhã haverá pelo menos mais três pontos em competição na minha cabeça tentando dar sentido a isso tudo, porque este é o momento mais imprevisível no Oriente Médio desde a revolução iraniana de 1979. Tudo – e o contrário disso – é possível. •

84 anos sem Stefan Zweig - Casa Stefan Zweig (Petrópolis)

 84 anos sem Stefan Zweig

Nota da Casa Stefan Zweig de Petrópolis


Em 22 de fevereiro de 1942, o escritor austríaco se despediu do mundo por meio da carta acima. Ao lado de sua esposa Lotte Zweig, foi encontrado sem vida em sua residência em Petrópolis. Esse mesmo espaço abriga, desde 2012, a Casa Stefan Zweig.

Neste aniversário de sua morte, reafirmamos a importância de manter viva sua mensagem de empatia, compreensão entre os povos e a defesa incansável da paz, sempre contra guerras e genocídios.

Tradução da carta:

“Antes de deixar a vida por vontade própria e livre, com minha mente lúcida, imponho-me última obrigação; dar um carinhoso agradecimento a este maravilhoso país que é o Brasil, que me propiciou, a mim e a meu trabalho, tão gentil e hospitaleira guarida. A cada dia aprendi a amar este país mais e mais e em parte alguma poderia eu reconstruir minha vida, agora que o mundo de minha língua está perdido e o meu lar espiritual, a Europa, autodestruído. Depois de 60 anos são necessárias forças incomuns para começar tudo de novo. Aquelas que possuo foram exauridas nestes longos anos de desamparadas peregrinações. Assim, em boa hora e conduta ereta, achei melhor concluir uma vida na qual o labor intelectual foi a mais pura alegria e a liberdade pessoal o mais precioso bem sobre a Terra. Saúdo todos os meus amigos. Que lhes seja dado ver a aurora desta longa noite.

Eu, demasiadamente impaciente, vou-me antes.”

O Imperador do mundo e seu “secretário da Guerra” são os novos piratas

 Fundo do poço! 

Damir Nikšić (enviado por Anita Franulovic)

"Pete Hegseth torpedeou o navio DESARMADO “Iris Dena”, que retornava de um exercício naval amistoso, matando 87 marinheiros e deixando o restante à deriva no Oceano Índico sem prestar qualquer auxílio.

Em 4 de março, um submarino americano disparou um torpedo contra o casco de uma fragata iraniana que retornava de exercícios navais multinacionais organizados pela Índia. Havia aproximadamente 180 pessoas a bordo. Pelo menos 87 morreram e 61 ainda estão desaparecidas. A Marinha do Sri Lanka teve que intervir e resgatar os 32 sobreviventes.

O que torna isso ainda mais chocante é que tanto os Estados Unidos quanto o Irã participavam do mesmo exercício organizado pela Índia, que exigia que os navios operassem sem munição real.

Os EUA enviaram um porta-aviões de patrulha que, poucos dias antes do ataque, realizava exercícios em conjunto com o navio mencionado, antes de ser destruído pelo submarino.

O ex-ministro das Relações Exteriores da Índia, Kanwal Sibal, classificou o ataque como premeditado, ressaltando que os EUA sabiam exatamente onde o navio estava, pois haviam sido convidados para o mesmo exercício.

Especialista em assuntos estratégicos" Brahma Chellaney foi direto ao ponto: se Dena estava mal armado ou desarmado, o ataque pareceu mais uma execução premeditada do que uma ação de combate.

E Pete Hegseth? Ele se gabou disso. Em uma coletiva de imprensa no Pentágono, chamou o ataque de "morte silenciosa", sorrindo como um homem que acabara de ganhar um prêmio em uma feira rural. Trump declarou abertamente que a destruição da marinha iraniana é um dos principais objetivos da guerra.

A Segunda Convenção de Genebra exige que os beligerantes tomem todas as medidas possíveis para buscar e resgatar náufragos após um conflito no mar.

Especialistas em direito internacional, ex-funcionários do Pentágono e membros do Congresso estão agora debatendo abertamente se este ataque foi legal e se os EUA violaram suas obrigações ao abandonar os sobreviventes à deriva.

"Afundar um navio que era hóspede de alguém, que respeitava os protocolos de tempos de paz e que não podia se defender — e depois deixar os marinheiros se afogarem a milhares de quilômetros de casa — isso não é força, isso é um crime de guerra."

Leite sobe o tom contra Bolsonaro e destoa de Ratinho e Caiado - Samuel lima (O Globo)

Por 
Samuel Lima
 — São Paulo

 

https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/03/06/leite-sobe-o-tom-contra-bolsonaro-e-destoa-de-ratinho-e-caiado-em-evento-de-presidenciaveis-do-psd.ghtml

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, endureceu o discurso contra o ex-presidente Jair Bolsonaro em um painel com os outros dois presidenciáveis do PSD, na noite desta sexta-feira, 6. O político disputa a preferência do presidente do partido, Gilberto Kassab, para se viabilizar no pleito contra Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), em outubro. 

— Eu não acredito em mitos e salvadores da pátria — disse Leite, que acrescentou: — O grande legado do Bolsonaro foi trazer o Lula de volta. 

Ronaldo Caiado, governador de Goiás que promete oficializar a entrada no partido no próximo dia 14 de março, e Ratinho Júnior, governador do Paraná, seus colegas de PSD, demonstram afinidade pública com Flávio. Participam regularmente, por exemplo, de atos bolsonaristas na Avenida Paulista, em São Paulo, e antecipam apoio ao rival num eventual segundo turno contra o PT. 

— Não adianta simplesmente querer tirar o PT. Porque, se for para colocar um mau gestor, sem capacidade, sem habilidade política, sem empatia, sem disposição de fazer transformações profundas, o PT volta depois. Ficou claro isso com Bolsonaro. Não houve entregas para a sociedade — completou o gaúcho.

Guerra dá lucro - André Gustavo Stumpf (Correio Braziliense)

Opinião

Guerra dá lucro

Os Estados Unidos são um país que vive em guerra. Seu dispositivo militar determina a política externa e provoca conflitos que, para eles, são rentáveis.

Verbas para gastos militares dos EUA deverão alcançar US$ 1,5 trilhão em 2027.

ANDRÉ GUSTAVO STUMPF — jornalista

Correio Braziliense, 7/03/2026

https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2026/03/7370012-guerra-da-lucro.html


As duas bombas atômicas que os Estados Unidos jogaram sobre Hiroxima e Nagazaki, no Japão, em 1945, acabaram com a Segunda Guerra Mundial, na sua fase asiática. Mas também serviram para avisar à União Soviética do poder devastador de suas forças armadas. Os russos explodiram sua bomba em 1949 e devolveram o aviso. Agora, a inesperada ação militar combinada de Estados Unidos e Israel contra o Irã tem por objetivo defender a nação judia e avisar a China que o país está cercado por eficientes equipamentos de ataque. É a advertência de que a guerra continua e o Império do Meio enfrenta concorrentes poderosos.

Os Estados Unidos detêm a liderança da economia mundial segundo a medição do Produto Interno Bruto. São US$ 33 trilhões contra US$ 22 trilhões da China. Os dois maiores são seguidos, nesta ordem, por Japão, Alemanha e Índia, que, nos próximos anos, deverá chegar ao terceiro lugar entre as maiores economias do mundo. O desempenho do Brasil é decepcionante. Cresceu 2,3% no último ano e desceu para o décimo primeiro entre as maiores economias do planeta. Já foi o sexto maior. Agora, está atrás de Canadá, Rússia e até da Itália. Desempenho muito fraco para quem pretende ter diplomacia influente.

O desenvolvimento econômico espetacular da China assustou o mundo e, particularmente, os norte-americanos. Eles já foram vencidos em várias áreas da alta tecnologia. No campo da inteligência artificial (IA), os chineses estão longe. A China transformou-se numa fábrica do mundo. Há produto chinês em quase tudo que o consumidor utiliza aqui, nos Estados Unidos e nos países europeus. O governo de Washington assiste a tudo isso com muita preocupação. Sua liderança está ameaçada. Enquanto as forças armadas norte-americanas massacravam o povo no Iraque durante nove anos, os chineses avançavam sobre os mercados de todo o mundo. 

Mas há um detalhe que explica a liderança dos Estados Unidos. É seu formidável poder bélico, sem paralelo no mundo. É um país que vive em guerra. Seu dispositivo militar determina a política externa e provoca conflitos que, para eles, são rentáveis. Seja pela venda contínua de novos equipamentos, seja pela obrigação de persistir nas pesquisas para aprimorar as máquinas de matar e de dominar áreas rentáveis, como são os campos de petróleo na Venezuela, no Iraque e no Irã. 

Não há objetivo estratégico na guerra contra a antiga Pérsia. Existe a preocupação de defender Israel e tomar os apetitosos campos de petróleo daquele país. Foi o que os ingleses fizeram em 1953, quando o primeiro-ministro Mohammad Mossadegh nacionalizou a empresa de petróleo Anglo-Iranian Oil Company. Um golpe militar derrubou o regime e colocou no poder o Xá da Pérsia, Reza Pahlevi, que entregou o ouro negro aos ocidentais e deu início, com apoio de Washington, ao programa de enriquecimento de urânio, agora contestado pelos próprios norte-americanos.

O governo dos Estados Unidos mantém 750 bases militares fora do seu território continental, com presença em 80 países e territórios. Algumas instalações são pequenas (estações de radar, depósitos, centros logísticos), outras são temporárias ou secretas. Eles possuem bases militares no Japão, com 50 mil militares, baseados em Okinawa. Na Alemanha, onde funciona importante centro de logística com 35 mil militares. Na defesa da Coreia do Sul, contra o inimigo do norte, com 28 mil militares. Em Itália, Reino Unido, Espanha, Portugal (base de Lajes nos Açores). No Oriente Médio, em Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Turquia. Além dessas, nas Filipinas e na Austrália.

O governo dos Estados Unidos mantém cerca de 1,3 milhão de militares na atividade. A reserva e a Guarda Nacional adicionam outros 800 mil militares. O total combinado indica 2,1 milhões de homens e mulheres preparados para a guerra. No exterior ficam, de maneira permanente, 177 mil militares. A comparação entre quantidades de militares das grandes potências resulta no seguinte: Estados Unidos, 2,1 milhões (total mobilizável); China, 2 milhões; Índia, 1,4 milhão; e Rússia, 1 milhão na ativa. O Orçamento de Defesa aprovado para 2026 é de US$ 901 bilhões. O planejamento indica que, em 2027, as verbas para gastos militares dos Estados Unidos deverão alcançar US$ 1,5 trilhão.

Há dinheiro suficiente para manter a máquina de matar funcionando. A morte de militares e civis é evento colateral desimportante diante do gigantismo dessa operação. O que importa é o lucro final. É ilusão imaginar que o presidente brasileiro poderá ter algum ganho na sua relação com o bronzeado chefe de governo em Washington. Sorte do Brasil que, além de pobre, é apenas um razoável produtor de petróleo.

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