quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Trabalhos PRA mais citados no Google Scholar (lista limitada aos 100 mais citados) - Paulo Roberto de Almeida

 5168. “Trabalhos PRA mais citados no Google Scholar”, Brasília, 1 janeiro 2026, 10 p. Relação constante do Google Scholar relativamente limitada aos 100 primeiros livros ou artigos mais citados.

Postado na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/145715041/5168_Trabalhos_PRA_publicados_mais_citados_no_Google_Scholar_2026_

Trabalhos PRA publicados mais citados no Google Scholar

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Cópia da lista constante do Google Scholar, em 1/01/2026.

(Limitados aos 100 primeiros livros ou artigos mais citados)

Título – Citado por (número de citações) – Ano de Publicação

Uma política externa engajada: a diplomacia do governo Lula
Revista Brasileira de Política Internacional 47, 162-184 367 - 2004
Relações internacionais e política externa do Brasil: a diplomacia brasileira no contexto da globalização
Grupo Gen-LTC 234 - 2012

Formação da diplomacia econômica no Brasil: as relações econômicas internacionais no Império
Senac 200 - 2001

Mercosul: fundamentos e perspectivas
Grande Oriente do Brasil. 171 - 1998

A política internacional do Partido dos Trabalhadores: da fundação à diplomacia do governo Lula
Revista de Sociologia e Política, 87-102 – 106 - 2003

Os primeiros anos do século XXI: o Brasil e as relações internationais contemporâneas
Paz e Terra. 104 – 2002

O Brasil eo multilateralismo econômico
Livraria do Advogado Editora 99 - 1999

Uma nova'arquitetura'diplomática?-Interpretações divergentes sobre a política externa do governo Lula (2003-2006)
Revista brasileira de política internacional 49, 95-116 - 97 - 2006

O Brasil e os demais BRICs: comércio e política
R Araújo, J Ferreira, M Filgueiras, H Kume, JT Araújo Jr, KP Costa,
Ipea 95 - 2010

Never before seen in Brazil: Luis Inácio Lula da Silva's grand diplomacy
Revista Brasileira de Política Internacional 53, 160-177 - 83 - 2010

A economia internacional no século XX: um ensaio de síntese
Revista brasileira de política internacional 44, 112-136 83 - 2001

O Brasil como ator regional e global: estratégias de política externa na nova ordem internacional
Cena Internacional 9 (1), 7-36. - 62 - 2007

Relações internacionais e política externa do Brasil: história e sociologia da diplomacia brasileira
UFRGS Editora 58 - 2004

Integração Regional: uma introdução
São Paulo: Saraiva 55 - 2013

Lula’s foreign policy: regional and global strategies
Brazil under Lula: Economy, politics, and society under the worker-president … 55 - 2009

Complete list in this link: 

Entrevista com José Maihub - Paulo Roberto de Almeida (YouTube)

Uma entrevista concedida em meados de 2025, mas que não foi relacionada na lista de trabalhos publicados, o que foi efetivamente o caso, a despeito de não constar da lista nessa categoria. A despeito do caráter particular da entrevista e da ferramenta de "publicação", entendo que ela pode figurar nessa lista, uma vez que foi efetivamente divulgada e que se encontra disponível para visualização: 

 Entrevista com José Maihub

Entrevista conduzida em 2/07/2025, 14h30 - 17h30

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Abaixo as questões selecionadas para esta entrevista gravada e exibida online, a partir de 11/07/2025:
URL: https://www.youtube.com/watch?v=lonmB0ZTvr4

Questões pessoais:
1) Poderia compartilhar conosco o que despertou, em sua trajetória pessoal e intelectual, o interesse pelos estudos sobre comércio internacional e pelas relações exteriores do Brasil?

2) Quais são, em sua formação e atuação diplomática, as principais influências intelectuais no campo das relações internacionais e da economia política?

Questões introdutórias as releituras dos clássicos do Embaixador Paulo Roberto de Almeida:
3) Qual é, a seu ver, a relevância hermenêutica de revisitarmos os clássicos do pensamento para iluminar os desafios contemporâneos, sem, contudo, incorrer no risco metodológico do anacronismo?

4) Quais seriam, em sua perspectiva, as diferenças mais substanciais entre a sua releitura e a obra clássica Capitalismo e Liberdade, de Milton Friedman?

5) Em Capitalismo e Liberdade, Friedman concebe a liberdade para além da sua dimensão meramente política. Poderia elucidar como se estrutura essa concepção dual de liberdade no pensamento de Friedman e como ela se articula com a realidade institucional e econômica brasileira?

6) Quais são, a seu ver, os principais benefícios e as limitações na relação entre liberdade econômica e instituições governamentais, conforme delineadas por Friedman? Em que medida esse modelo é aplicável — ou não — ao contexto brasileiro?

7) Na sua visão, quais seriam as principais incongruências das interpretações clássicas de liberalismo no cenário brasileiro, em especial no contexto do regime monárquico unitário do século XIX?

8) O senhor considera que a forte presença do estatismo na vida econômica e social brasileira tem raízes estruturais ligadas à herança ibérica? Se sim, de que modo isso se manifesta historicamente?

9) Poderia citar episódios emblemáticos de insucesso da intervenção estatal no Brasil que evidenciam a importância da separação entre competência técnica e decisão política no processo de formulação de políticas públicas?

10) Qual é, em sua opinião, o papel histórico e intelectual de Roberto Campos na consolidação do pensamento liberal no Brasil, especialmente no que se refere às relações entre economia e leis para o desenvolvimento nacional?

11) Em A miséria da diplomacia brasileira, o senhor critica o enfraquecimento técnico e o predomínio de um cunho ideológico na condução da política externa nacional. Em sua visão, essa “miséria” ainda persiste nos dias de hoje? Quais seriam os principais sinais desse problema no cenário atual?

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 11 de julho 2025.
Postado no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=lonmB0ZTvr4

Brasileiro é atraído para trabalhar como motorista e acaba obrigado a servir Exército na Rússia, diz família - Nalu Cardoso (g1)

Rússia faz qualquer manobra para atrair carne de canhão: 

Brasileiro é atraído para trabalhar como motorista e acaba obrigado a servir Exército na Rússia, diz família

Família do roraimense Marcelo Alexandre da Silva Pereira, de 29 anos, afirma que ele foi enganado por amigo brasileiro. Itamaraty informou que acompanha o caso.

Por Nalu Cardoso, g1 RR

Boa Vista, 31/12/2025 11h00

A família do brasileiro Marcelo Alexandre da Silva Pereira, de 29 anos, afirma que ele foi atraído por uma proposta para trabalhar como motorista na Rússia, mas ao chegar ao país foi obrigado a servir no Exército russo. Agora, os parentes buscam apoio do governo para trazê-lo de volta a Roraima, onde ele vivia com a mulher grávida e os três filhos pequenos.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), informou que a Embaixada do Brasil em Moscou tem conhecimento do caso e "presta a assistência consular cabível ao cidadão brasileiro."


A mulher de Marcelo, Gisele Pereira, de 24 anos, suspeita que ele tenha sido vítima de tráfico humano porque ele saiu de Boa Vista com uma proposta de trabalho, mas a situação mudou ao chegar à Rússia. Ao perceber que na verdade teria de atuar no serviço militar, ele pediu ajuda para retornar ao Brasil.

"Ele falou assim: 'amor, tô com saudade. Tenta acionar o consulado daqui, pois não tô conseguindo entrar em acordo com o pessoal, pois eles não me entendem e eu nem entendo eles. Já pedi para o subcomandante me tirar daqui e expliquei que vim por uma falsa promessa de emprego civil. Mas eles não tão me dando ouvido'", explicou Gisele.


A Rússia está em guerra contra a Ucrânia desde fevereiro de 2022, quando o presidente russo Vladimir Putin autorizou uma ofensiva militar contra o território ucraniano. Desde então, a guerra provocou milhares de mortes, milhões de refugiados e intensos combates, especialmente no leste e sul do país.


Em novembro, a embaixada do Brasil em Moscou publicou um alerta contra o alistamento voluntário de brasileiros em forças armadas estrangeiras, devido ao aumento do número de brasileiros mortos ou que tiveram dificuldade para interromper a participação no Exército.

Marcelo chegou na Rússia por Moscou no dia 3 de dezembro. No dia 9, disse ter sido obrigado a assinar o contrato com o Ministério da Defesa da Rússia. Segundo a família, ele não tem experiência militar, não fala russo, inglês e outra língua estrangeira.


Amigo brasileiro fez proposta

Gisele afirmou que a proposta para que Marcelo fosse à Rússia partiu de um amigo brasileiro que também mora em Boa Vista.

Em seguida, o passaporte de Marcelo foi emitido com a ajuda de um homem ligado a uma empresa com número de São Paulo. Essa empresa se apresenta nas redes sociais como assessoria para ingresso no Exército russo.

Marcelo recebeu o passaporte no dia 28 de novembro. No mesmo dia, a passagem foi comprada pela empresa de assessoria. No dia 30, embarcou com destino final a Moscou. "O amigo fez uma proposta de emprego, mas nada relacionado a serviço militar", afirmou Gisele.

A mulher acredita que o amigo recebe algum valor para atrair pessoas para este serviço. "Ele convence qualquer pessoa que acha viável, porque ganha dinheiro em cima disso. Acho que recebe por cada pessoa que leva", destacou.

Como Marcelo e Gisele não são casados no papel, a documentação dele foi enviada ao Itamaraty com os dados da mãe, Alessandra da Silva, de 47 anos. Ela disse que só soube que o filho faria a viagem quando ele já estava em São Paulo, em uma conexão com Moscou.

"Ele estava muito perturbado aqui. Desempregado, devendo coisas, sendo cobrado por pensão. Aí apareceu esse conhecido, que eu nem sei quem é direito, inventando esse emprego, dizendo que ele ia ganhar bem e que em 20 dias mandaria dinheiro para a esposa", disse a mãe. O último contato que eles tiveram foi no dia 5 de dezembro.


No contrato em russo que Marcelo assinou sem compreender, mas do qual conseguiu tirar fotos e enviar à companheira, consta que ele deve atuar como atirador, utilizando um fuzil AK-74. A família afirma que não sabe quanto ele ganharia, Gisele nunca recebeu nenhum valor e que o cartão bancário de Marcelo ficou com a empresa que ajudou ele com o passaporte.

Atualmente, a família acredita que Marcelo esteja em uma cidade chamada Luhansk, na Ucrânia, onde passa por treinamento militar. Ele chegou a procurar o consulado do Brasil na Rússia, mas foi informado que "esses casos acontecem" e ele "não é o primeiro".


Gisele afirma que tem conseguido falar com o marido esporadicamente via Telegram. Nesses contatos, ele sempre reforça que quer voltar para casa.

"A gente não conversa todos os dias. Não sei se ele está bem, não sei se está se alimentando. Hoje, graças a Deus, ele deu um sinal de vida e disse que a situação não está boa, que não quer mais estar lá e quer voltar para casa. Ele disse que estão impedindo ele de sair", disse Gisele.

Gisele procurou o Ministério das Relações Exteriores pela primeira vez no sábado (27). Nessa terça-feira (30), recebeu uma resposta de que seria enviado um pedido de extradição, para que Marcelo retorne ao Brasil.

"O meu foco é apenas tirar ele de lá. Não quero brigar com ninguém, não quero brigar com esse pessoal, não quero brigar com ninguém. O que eu quero é que o Brasil me ajude, que as autoridades competentes intervenham em casos como esse envolvendo brasileiros, porque, como a moça me disse, não foi o primeiro caso".

24 pecados da vida política brasileira examinados por Madame IA - Paulo Roberto de Almeida e Airton Dirceu Lemmertz

 Madame IA (que ainda é uma Lady, mas deve logo logo virar uma Dame) analisou minha provocação gratuita e desabusada contra a casta política, a pedido de meu amigo Airton Dirceu Lemmertz, um exercício sempre bem-vindo, dada a natureza de minhas acusações certamente exageradas e infundadas. Agradeço mais uma vez.

Os 24 pecados da vida política brasileira: (uma pura invenção minha, de 2006, reciclada no final de 2025):

1) corrupção; 

2) hipocrisia; 

3) fraude; 

4) desfaçatez; 

5) volubilidade; 

6) inconstância; 

7) mentira; 

8 ) mediocridade; 

9) transferência de encargos para terceiros; 

10) ignorância deliberada de fatos de sua competência; 

11) irresponsabilidade quanto ao desempenho de funções; 

12) pretensão; 

13) eleitoralismo desenfreado; 

14) propaganda indireta, com meios públicos; 

15) uso da máquina estatal para fins particulares; 

16) populismo (velho e novo);

17) demagogia (aparentemente, uma segunda natureza); 

18) arrogância; 

19) clientelismo; 

20) fisiologia; 

21) nepotismo; 

22) fuga da realidade (autismo político); 

23) esquizofrenia (defesa de objetivos conflitantes na vida política); 

24) ofensa à inteligência alheia (“eu não sei”, “eu não vi”, “não estou sabendo”...). 


Pedido à Madame (por ADL):


ESCREVA UM TEXTO DE MODO DETALHADO E CRÍTICO AO TEXTO ANTERIOR, SOBRE "OS 24 PECADOS POLÍTICOS RECORRENTES NO BRASIL".

Fonte:  https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/12/e-por-falar-em-sete-pecados-capitais-eu.html#:~:text=novos%20pecados%20da%20vida%20pol%C3%ADtica%20brasileira 


O texto que elenca os "24 pecados da vida política brasileira" funciona como um catálogo fenomenológico das patologias do poder no país. Mais do que uma simples lista, ele descreve um ecossistema onde a ética é subjugada pela conveniência. A seguir, apresento uma análise detalhada e crítica sobre esses pontos, agrupando-os por sua natureza funcional:


1. A Estruturalidade do Patrimonialismo (Pecados 1, 3, 15, 19, 20, 21):

Os itens que tratam de corrupção, fraude, uso da máquina pública, clientelismo, fisiologia e nepotismo não são falhas acidentais, mas sim resquícios do patrimonialismo brasileiro. A dificuldade histórica em separar o "público" do "privado" faz com que o Estado seja visto como um espólio a ser dividido entre aliados. O fisiologismo (troca de apoio por cargos) e o clientelismo transformam direitos em favores, perpetuando uma relação de dependência que fere a autonomia do cidadão.


2. A Retórica da Enganação e o Populismo (Pecados 2, 7, 13, 14, 16, 17):

A política brasileira é marcada por uma "estética da aparência". A hipocrisia, a mentira e a demagogia são ferramentas de sobrevivência. O eleitoralismo desenfreado e o populismo revelam uma visão de curto prazo: o governante não busca a construção de um projeto de Estado, mas a manutenção do poder através de narrativas sedutoras, porém vazias. A propaganda com meios públicos (pecado 14) é o braço financeiro dessa distorção comunicacional.


3. A Crise de Competência e Alteridade (Pecados 8, 9, 10, 11, 12, 18):

A mediocridade e a pretensão/arrogância formam um par perigoso. O texto aponta para uma tecnocracia muitas vezes ineficiente que, ao falhar, utiliza a transferência de encargos para terceiros. A ignorância deliberada (pecado 10) e a irresponsabilidade funcional sugerem uma casta política que se sente imune às consequências de sua própria inépcia, protegida por uma burocracia opaca.


4. O Descolamento da Realidade: O "Autismo" e a "Esquizofrenia" (Pecados 22, 23, 24):

Talvez o ponto mais crítico seja o divórcio entre a classe política e a vida real do povo. A fuga da realidade e a esquizofrenia política (defender o teto de gastos enquanto se criam auxílios extrateto, por exemplo) mostram um sistema que opera em lógica própria. A ofensa à inteligência alheia (o famoso "eu não sabia") é o ápice do cinismo, onde o político subestima a capacidade de julgamento da população para evitar a responsabilização jurídica e moral.


* Análise Crítica:

Embora a lista seja precisa em identificar os sintomas, é necessário um olhar crítico sobre a terminologia e a solução:

Uso de termos médicos: O uso de palavras como "autismo" e "esquizofrenia" para descrever comportamentos políticos (pecados 22 e 23) é problemático e datado, pois estigmatiza condições de saúde para descrever desvios de caráter ou estratégia. Do ponto de vista da ciência política, o que se chama de "autismo" é, na verdade, um encastelamento das elites.

O risco do antipoliticismo: Uma lista de "pecados" pode induzir o leitor a crer que toda política é inerentemente suja. Isso alimenta discursos de "salvadores da pátria" que prometem limpar o sistema, mas que frequentemente acabam cometendo os mesmos pecados com novas roupagens.

A Falta de Solução Institucional: O texto foca na moralidade individual do político. No entanto, esses pecados proliferam porque o sistema de incentivos (sistema eleitoral, financiamento de campanha e impunidade) os favorece. Sem reformas estruturais (reforma política e do judiciário), a moralização individual é uma tarefa de Sísifo.


* Conclusão:

Os 24 pecados formam um retrato fiel do "Brasil profundo" institucional. Eles revelam que a democracia brasileira ainda é jovem e luta contra vícios coloniais e oligárquicos. Superar esses pecados exige menos indignação moralista e mais vigilância cívica e reforma das instituições, para que o custo de cometer esses "pecados" seja maior do que o benefício de praticá-los.


Fonte (Gemini, a IA do Google):

Meus prognósticos para 2026 - Paulo Roberto de Almeida

Meus prognósticos para 2026

Paulo Roberto de Almeida 

        Os grandes dramas nos últimos anos, ainda não resolvidos inteiramente, foram e são as guerras paralelas em Gaza (larvar, persistente) e na Ucrânia (interminável, indefinida). O grande tema em 2026, podendo se arrastar em 2027, deve ser o da “unificação forçada” de Taiwan ao novo Império do Meio, sendo que a ilha de Formosa jamais pertenceu à jurisdição da RPC. 

        Taiwan pertenceu ao Império do Meio até 1895, quando foi colonizada pelo Japão; passou à esfera da República da China em 1945, e em 1949 começou a representar todo o povo chinês na ONU, até 1971, perdendo então essa condição para a RPC, que a considera apenas uma “província rebelde”, não obstante sua evolução política e econômica desde 1949, sobretudo depois que o Kuomintang foi substituído na governança.

        O atual imperador, Xi Jinping, quer reconquistar a última “fronteira” do novo Império do Meio, pela absorção diplomática ou pela conquista militar. Esta será a grande questão geopolítica do futuro imediato, ainda sem um formato definido. A outra grande questão, altamente duvidosa, pode ser um desastre econômico na Rússia, da qual podem resultar enormes turbulências na Eurásia, ou uma difícil democratização desse império disfuncional.

        E o Brasil? Entramos num ano eleitoral com enormes dúvidas sobre o resultado da eleição presidencial em outubro, sendo que o Parlamento será provavelmente conservador, como sempre foi, em todas as épocas. Nosso principal desafio “geopolítico” é simplesmente a educação de qualidade para os estratos mais pobres de uma sociedade profundamente desigual. Quando vamos resolver essa questão magna?

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 1/01/2026


quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

As Russia approaches a grim milestone, Putin projects confidence - Nathan Hodge (CNN)

As Russia approaches a grim milestone, Putin projects confidence

Nathan Hodge

CNN, 31/12/2025

https://edition.cnn.com/2025/12/31/europe/russia-ukraine-putin-confident-zelensky-intl?cid=ios_app

Russia is approaching a grim milestone: by mid-January, President Vladimir Putin’s “special military operation” in Ukraine will have dragged on longer than the war on the Eastern Front that began with the German invasion of the Soviet Union in June 1941 and ended with the fall of Berlin in May 1945.

Putin is famously obsessed with World War II and official veneration of the Soviet victory over Nazi Germany is part of the ideological glue that holds together the Russian state. Putin’s Russia has even seen the rehabilitation of Josef Stalin, the Communist dictator who presided over a ruthless purge in the 1930s before leading his country in what is known in Russia as the Great Patriotic War.

But nearly four years after the full-scale invasion of Ukraine, a decisive victory over Kyiv eludes the Kremlin leader: Russia controls about 20% of Ukrainian territory, the war is estimated to have cost Moscow more than a million casualties, and in perhaps the biggest affront to Putin’s war aims, Ukrainian President Volodymyr Zelensky remains in power.

But as the year comes to an end, Putin is projecting confidence that time is on his side and that winning is inevitable. Ahead of a summit with Indian Prime Minister Narendra Modi in December, Putin gave an interview with India Today where he said Russia would “liberate Donbas and Novorossiya in any case – by military or other means,” doubling down on his demand to acquire all the regions of Ukraine that Russia claims, including those that his troops have not managed to take by force.

And that bloody-mindedness seems to be a bargaining strategy. Putin is surely aware that US President Donald Trump is determined to reach a deal on Ukraine and the Russian leader has done everything in his power to extract the maximum gain from Washington’s eagerness to end the conflict.

In his year-end press conference, the Russian president said his country was ready and willing “to finish the conflict by peaceful means” — but not without boasting that his forces were “advancing across the whole of the front line.”

And a few days later, in his traditional televised New Year’s Eve address, Putin urged Russians to “support our heroes” fighting in Ukraine, adding, “We believe in you and in our victory!”

utin’s reasons for projecting swagger are clear. For starters, the Kremlin leader has been able to watch as a once-unified Western front supporting Kyiv showed serious fractures after Trump took office in January.

In February, US Vice President JD Vance stunned European leaders at the Munich Security Conference with a speech excoriating Washington’s transatlantic allies. That spectacle was followed by a very public dressing-down of Zelensky by Trump and Vance in the Oval Office.

A few months later, another public-relations coup for the Kremlin followed with the summit meeting in Anchorage, Alaska, between Putin and Trump. While the summit fell short of yielding a thaw in US-Russian relations, it was more than a photo opportunity for Putin: The Russian president was able to play for more time in his relentless war of attrition against Ukraine.

But Putin’s apparent reluctance to engage more seriously in peace efforts after Anchorage did eventually test Trump’s patience. An invitation to a second US-Russian bilateral summit in Budapest fell through and the Trump administration slapped sanctions on Russia’s two largest oil companies. The US president, who often has words of praise for Putin, expressed frustration with his Russian counterpart.

Still, enough ice appears to have been broken between Washington and Moscow to allow an unconventional US diplomatic effort led by Trump’s former business associate Steve Witkoff and his son-in-law Jared Kushner to advance.

Following Witkoff and Kushner’s visit to the Kremlin in early December, a flurry of high-level diplomacy involving Zelensky and European leaders ensued, with much talk about hammering out the finer points of a potential agreement.

By mid-December, Trump’s prognosis was optimistic, with the US president telling reporters that “we’re closer now than we have been, ever” to a peace deal.

But at year’s end, Putin still appears to occupy the role of potential dealbreaker: While Zelensky gained an audience with Trump at Mar-a-Lago last weekend to talk through a revised peace deal, the Kremlin leader bookended that meeting with his own phone calls to the American president.

And the Russian position on peace talks now appears to be hardening. In his conversation with Trump on Monday, Putin informed his American counterpart about an alleged Ukrainian drone attack on his Valdai residence in Novgorod region, according to a readout given to Russian state radio by Kremlin aide Yuri Ushakov.

Russian Foreign Minister Sergey Lavrov also telegraphed outrage over the claimed attack – which Zelensky dismissed as “a complete fabrication” – by saying that “Russia’s negotiating position will be revised” amid the ongoing peace process.

Some Kremlin-watchers are skeptical about Putin accepting a deal that would cross any of his red lines. The contours of such a deal are still emerging, but the Russian side has long been clear about the main sticking points.

Most recently, Russian Deputy Prime Minister Sergey Ryabkov reiterated them in an interview with ABC News: No surrender of any Ukrainian territory that Moscow lays claim to, and no NATO boots on the ground in Ukraine after the war ends.

“Lavrov, Ushakov, (Kremlin spokesman Dmitry) Peskov, and Putin himself (who has visibly ramped up engagements with the military while doubling down on ‘we will achieve our goals’) have made it clear that the revised plan is entirely unacceptable. Yet Washington continues engaging Kyiv, touting ‘progress’ that Moscow views as illusory,” Russian political observer Tatiana Stanovaya wrote on X after the latest talks in Mar-a-Lago.

“This is precisely what the Russian story about a drone attack on Putin’s residence is about: a forceful ‘pound on the table’ to make the West finally hear that the current peace negotiations are heading in a completely unacceptable direction for Moscow and to derail the emerging US-Ukrainian framework,” she said.

Putin has Trump’s ear but he has not succeeded yet in drowning out those competing voices. How much of the Kremlin’s confidence is smoke and mirrors is the big question.

In November, Putin donned camouflage to pay a visit to a military command post in an undisclosed location, where the commander-in-chief of Russia’s military, Gen. Valery Gerasimov, claimed Russian troops were in control of the eastern town of Kupiansk.

Just a few weeks later, Putin was upstaged by Zelensky, who posted a video of a visit to Kupiansk, wearing body armor and standing in front of a pockmarked – and very geolocatable – sign. Asked later about the video during his year-end press conference, Putin was dismissive, mocking the Ukrainian president as “a talented artist” engaged in theatrics.

The mood in Russia is hard to gauge – criticizing the military can land a person in jail – and the economy keeps lumbering along, despite slowing growth and a Ukrainian campaign of strikes on Russian energy infrastructure, the cornerstone of Moscow’s economic power.

Yet Putin’s unchallenged grip on power gives him leverage in any peace process. The graveyards in provincial Russia may continue to grow with war dead, but no parliament can pressure him, no political opposition seems to threaten him and an apparently passive population means he can continue his war on Ukraine.


A mitificação da democracia americana - Augusto de Franco (Revista ID)

A mitificação da democracia americana

Os Artigos Federalistas: Guia de Discussão Nos. 1 – 8 (24 de agosto – 30 de  agosto de 2025) : r/greatbooksclub

Diz-se, com certa maledicência, que se a democracia americana fosse tão sólida como se costumava apregoar, não teria colocado, duas vezes, um charlatão para presidir a República. Essa vulnerabilidade revelaria uma fraqueza e isso teria a ver com a progressiva dilapidação do capital social acumulado pela sociedade americana. Faz sentido. Trump não é a causa da atual transição autocratizante do regime político americano: é apenas uma das consequências. 

Por quê?

Isso tem a ver com a conversão tardia do regime americano à democracia: os EUA foram o quarto grande regime eleitoral que surgiu na história (em 1796, logo depois de Inglaterra e Irlanda em 1790 e da França em 1792), mas só viraram uma democracia eleitoral em 1921 (atrás de outros quatorze países, começando com a Suíça em 1849 e terminando com o Uruguai em 1920) (1).

Tem a ver também com o medo da democracia por parte dos chamados pais fundadores, sobretudo Hamilton e Madison, que preferiam uma república governável top down como a romana mais do que uma democracia auto-governável bottom up como a ateniense dos séculos 5 e 4 a.C. 

Tem a ver com as disputas políticas que envolveram os Federalistas e John Adams contra Thomas Jefferson, o único democrata radical do pedaço. 

Tem a ver com a mentalidade autoritária, isolacionista e imperialista, de importantes presidentes americanos do início do século 19, como James Monroe e o celerado Andrew Jackson. 

Tem a ver com a morte no embrião do "governo civil" percebido por Alexis de Tocqueville na Nova Inglaterra na década de 30 do século 19. 

Tem a ver com a centralização em Washington, a recorrência sistemática aos tribunais para resolver qualquer dilema banal da vida coletiva e com o complexo científico-industrial-militar que se erigiu em meados do século 20. 

Cabe notar que a democracia eleitoral americana, já em si tardia, só adquire o status de democracia liberal em 1969, 120 anos depois da Suíça ter alcançado tal condição.

Então é bom baixar a bola nessa mitificação da democracia americana como a mais antiga, a mais perfeita e a mais consolidada do mundo.


Cada um dos pontos levantados acima precisaria ser analisado em profundidade: 

  • O medo (e o desconhecimento) da democracia por parte dos pais fundadores. 

  • A luta contra as concepções e práticas democráticas radicais de Thomas Jefferson, a recusa à sua reforma distrital baseada na instação das chamadas wards ou hundreds (repúblicas nos bairros) e a não compreensão do seu conceito de “common government” (2).

  • Os primeiros presidentes isolacionistas e imperialistas dos EUA (e a tentação de se comportarem como monarcas presidencialistas). 

  • A morte no embrião do “governo civil” percebido por Tocqueville na Nova Inglaterra ou o início da dilapidação do capital social acumulado pela sociedade americana, com a centralização em Washington, a recorrência sistemática aos tribunais e a ereção do complexo científico-industrial-militar.


Notas

(1) No quadro abaixo podemos ver claramente as datas mencionadas de conversão dos regimes eleitorais à democracia.

(2) Jefferson mereceria uma consideração adicional. Os principais adversários de Thomas Jefferson foram os membros do Partido Federalista, liderados por figuras proeminentes como Alexander Hamilton e John Adams. Jefferson via esses oponentes não apenas como rivais políticos, mas como ameaças à própria natureza da república, descrevendo o conflito entre eles como uma luta fundamental entre diferentes visões do governo.

Alexander Hamilton foi o seu rival intelectual e político mais constante. Hamilton defendia um governo central forte, o que Jefferson considerava uma “depravação” e uma ameaça à independência dos cidadãos. John Adams, embora tenham retomado a amizade na velhice, foi um adversário feroz de Jefferson durante a década de 1790. Jefferson criticava a administração de Adams, especialmente por medidas como as Leis dos Estrangeiros e do Tumulto (Alien and Sedition Acts), que ele via como tentativas de reprimir a liberdade de expressão e fortalecer o poder executivo de forma autoritária.

Jefferson se opunha ao que chamava de “elite monárquica” e classificava muitos de seus oponentes como homens que admiravam excessivamente a constituição britânica e desejavam estabelecer um governo “forte” através de métodos de corrupção ou influência para ganhar o apoio popular, em vez de confiar no senso comum do povo.

Em razão de sua rejeição à autoridade das igrejas, Jefferson foi frequentemente atacado por líderes religiosos que o denunciavam como um “ateu gálico” ou um “infiel”. Enquanto os federalistas acusavam Jefferson de ser um agente da Revolução Francesa e de promover a anarquia, ele os acusava de serem “Tories” que queriam restaurar o privilégio hereditário. 

Revista Inteligência Democrática não tem publicidade nem financiamento. É uma publicação apoiada pelos leitores. 

Postagem em destaque

Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...