Até a chegada de alguns malucos ao poder, um dos meus textos mais acessados, livremente disponíveis na Internet – plataforma Academia.edu – era este aqui, já bem antigo, mas de "sucesso" mais recente:
1297) Contra a antiglobalização: Contradições, insuficiências e impasses do movimento antiglobalizador (2004)
https://itamaraty.academia.edu/PauloRobertodeAlmeida/Analytics/activity/documents/5873102
Em Academia.edu, ele totalizou 5.890 visualizações, o primeiro de todos, campeão absoluto, pois o segundo, meu livro de 2014, Prata da Casa, só tem 4.896 visualizações, e alcançou 1.198 downloads, também campeão absoluto nesse quesito (o segundo vem numa distante posição, com 540 downloads, o livro Prata da Casa, justamente.
O texto é antigo, do tempo em que existiam antiglobalizadores, quando a tribo ainda organizava ruidosos convescotes anuais sob o signo do "Foro Social Mundial" – estou falando dos primeiros quinze anos do século atual, portanto –, mas algum professor do Instituto Legislativo Brasileiro parece ter gostado dele e proposto a leitura para seus alunos de curso não presencial sobre relações internacionais. Foi portanto um dos mais acessados em toda a minha longa história de interações desse tipo. Mas de sucesso efêmero, pois quase já não existem mais representantes da tribo.
Hoje, fui verificar uma a uma as dezenas, centenas de mensagens que os garimpeiros desse curso deixavam para mim, ao descarregar o arquivo. A maioria simpaticamente, falando dos estudos ou apenas agradecendo.
Mas também tive um aluno que foi absolutamente sincero ao dizer que não gostou do meu texto.
Reproduzo aqui o que ele escreveu:
"Bom dia P. de Almeida. Gostaria de falar um pouco do artigo Contra a antiglobalização. Primeiro queria deixar claro que o artigo não é tão interessante como o título e mais decepcionante ainda quando o lê, e vê que você não é neutro na contradição dos anti, o artigo se tornou chato antes mesmo de começar, por que sua opinião a respeito ficou se repetindo continuamente a cada parágrafo. Não terminei de ler por que é chato de lê alguém que não argumenta apenas expõe a opinião repetidamente de forma que você engula e aceite.
Ass: Rxxxxx Cxxxx
Dispenso os [sic] de certas expressões, e ainda corrigi alguns acentos, mas gostaria de agradecer a esse leitor a sinceridade da crítica, ainda que ele não tenha me corrigido em nada, apenas disse que não gostou da minha abordagem contra os antiglobalizadores.
É direito dele. Mas eu também acho que essa fauna curiosa já nem existe mais, eles devem ter se cansado de protestar contra a globalização usando os mais modernos materiais, ferramentas, técnicas e métodos de comunicação e publicação fornecidos quase a preço de custo, ou gratuitamente, pelo objeto mesmo do seu protesto: a globalização.
Acho que eles se aborreceram com os velhacos que queriam fazê-los acreditar que a globalização produzia pobreza e miséria no mundo, quando o contrário é o que acontece.
Acho que agora estamos sendo assediados por uma outra tribo, os antiglobalistas, ainda não muito ruidosa, talvez porque ele são basicamente ridículos, ao lutar contra um tal de globalismo que parece estar ameaçando a soberania dos povos.
São os ludditas da globalização.
Olá, antiglobalistas, vocês são absolutamente entediantes, com essa conversa mole, paranóica, do globalismo.
Estou aguardando mais sérias evidências das ameaças globalistas para poder me pronunciar, mas já escrevi alguns textos a respeito. Um dos mais recentes é este aqui:
O globalismo e seus descontentes: notas de um contrarianista
https://itamaraty.academia.edu/PauloRobertodeAlmeida/Analytics/activity/documents/39206570
Tem também um dossiê, feito de forma absolutamente involuntária, ao deparar-me com um maluco que fica pregando essa paranoia:
Dossiê Globalismo: Brasil Paralelo e seu seguimento
Enfim, não se pode contentar todo mundo, e a internet é livre: abriga pesquisadores sérios, aprendizes, simples estudantes e um bando de malucos...
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 4 de agosto de 2019
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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