segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Venezuela no Mercosul (ou Mercosul na Venezuela?): back to the future? - Sergio Leo (Valor)

Curioso: ninguém parece lembrar -- salvo a representante da CNI -- que todo esse exercício já tinha sido conduzido (inutilmente, lembre-se) de 2006 até não se sabe quando (quando os diplomatas e funcionários técnicos se cansaram das tergiversações venezuelanas e simplesmente desistiram). e não deram rigorosamente em nada.
Vão tentar agora um "back to the future" para tentar corrigir o que não foi feito no passado?

Venezuela vacila ao entrar no Mercosul 

Sergio Leo

Valor Econômico, 13/08/2012
 
Enquanto as atenções se voltavam para um factoide criado em torno do presidente paraguaio, Federico Franco, que, em discurso na semana passada, explicitou a tradicional insatisfação do vizinho com os rendimentos de Itaipu, diplomatas e técnicos do governo cuidavam de problema mais relevante: a difícil adaptação da Venezuela para integrar, de fato, o Mercosul. Está em jogo a credibilidade do bloco e a seriedade do novo sócio, que emite sinais contraditórios.
 
Os venezuelanos mostram não ter pressa para conciliar as regras comerciais do país às do bloco do Cone Sul. E o presidente venezuelano, Hugo Chávez, informou à presidente Dilma Rousseff: em campanha eleitoral, evitará definições que possam ser exploradas pela oposição. A oposição, porém, não tem dado muita atenção ao tema, que é mencionado por empresários locais, temerosos da ameaça da competição com brasileiros e argentinos.
 
O Palácio do Planalto abrigou as reticências de Chávez, em troca da garantia de que, passadas as eleições, apressará o ritmo das conversas para a integração da Venezuela.
 
Seria erro de Dilma deixar negociação apenas aos técnicos
 
O governo brasileiro avalia que, se bem-sucedida, a entrada do país tende a favorecer produtos brasileiros em relação a fornecedores tradicionais dos venezuelanos, como a Colômbia. Mas Dilma também não pretende briga com o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, que considera aliado nos esforços para integração no continente. Ela fala em estreitar os laços comerciais com a Colômbia, embora não mostre ainda uma estratégia clara para isso.
 
Pelo menos dois grandes empresários ouviram, nos últimos dias, do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, que o governo quer "a Colômbia no Mercosul". Não é afirmação a ser tomada ao pé da letra: para ser integrante pleno do Mercosul, com quem já tem acordo como Estado associado, a Colômbia teria de adotar a Tarifa Externa Comum (TEC) do bloco e romper o recém-sancionado acordo de livre comércio com os Estados Unidos, algo inimaginável em Bogotá.
 
O que os assessores de Dilma defendem é um esforço para negociar, com os colombianos, maneiras de reforçar a presença do país no Mercosul, de maneira a reduzir os efeitos negativos, para o vizinho caribenho, da incorporação da Venezuela ao Mercosul - e claro, abrir mercado a produtos brasileiros na Colômbia. Negociações para um acordo automotivo com a Colômbia, paralisadas há anos, poderiam ser reanimadas, por exemplo.
 
Além do esforço com a Venezuela, neste ano, outros países sul-americanos merecerão, no máximo, declarações políticas no que se refere ao Mercosul As negociações para incorporar o novo sócio já darão trabalho suficiente aos técnicos. Entre os problemas de competitividade dos venezuelanos, está a moeda sobrevalorizada, que consultorias locais, como a Ecoanalítica, calculam precisar de desvalorização superior a 100% para compensar os aumentos de custos dos últimos anos.
 
Especula-se na Venezuela que o Mercosul poderá servir de pretexto para sancionar uma desvalorização do bolívar após as eleições, ainda que muito abaixo dos 100%. Com uma inflação de 8,6% de janeiro a julho deste ano (quase 20% no periodo de 12 meses), a esquálida indústria venezuelana faz as dificuldades do setor privado brasileiro parecerem cócegas.
 
Some-se o crônico déficit comercial do país e seria fácil prever que os negociadores venezuelanos mostrariam, como já mostraram, a disposição de adiar ao máximo definições necessárias para a integração comercial da Venezuela ao Mercosul.
 
O governo brasileiro gostaria de começar já a troca de informações para facilitar a convergência entre as tarifas de importação da Venezuela e as do Mercosul, mas os venezuelanos só admitem começar a falar em mudanças de tarifas após concluído o esforço para adaptar as regras de classificação venezuelanas à nomenclatura comum do Mercosul, a NCM, usada na administração e estatísticas do comércio do bloco.
 
Pelo ritmo desejado em Caracas, o Brasil chegaria ao fim de sua presidência temporária do Mercosul, neste semestre, sem grande avanço ou definições na integração venezuelana, a não ser a adoção do sistema de classificação de mercadorias do Mercosul.
 
Hoje, em Montevidéu, negociadores do Mercosul se reúnem para discutir um cronograma das negociações com a Venezuela. Segundo informaram diplomatas brasileiros aos técnicos da Confederação Nacional da Indústria (CNI), na semana passada, o Brasil quer realizar reuniões de cinco dias, mensais, até o fim do ano, para garantir avanços nas conversas para adoção da TEC e de outros compromissos do bloco pelos venezuelanos.
 
"Vamos acompanhar de perto o cumprimento do protocolo de adesão pela Venezuela", comentou a gerente-executiva de negociações internacionais da CNI, Soraya Rosar, que ainda lembra das reuniões de negociação com o país, em 2006, canceladas com frequência pela ausência dos venezuelanos. "A burocracia na Venezuela dificulta até conhecer as tarifas aplicadas", nota ela. A CNI vem atualizando os dados comerciais, para orientar as conversas com a equipe de Chávez e espera que não se repita um problema dos anos anteriores, quando, a cada reunião, eram diferentes os representantes do lado venezuelano.
 
Pela experiência passada, e as ainda existentes resistências venezuelanas, seria um erro de Dilma deixar para os técnicos as negociações com a Venezuela, a menos que ela esteja desinteressada dos resultados comerciais possíveis com o novo sócio do Mercosul.
 
Detalhe curioso: como se sabe, a entrada da Venezuela se deu sem a necessária aprovação do Paraguai, suspenso do bloco, acusado de descumprir os compromissos democráticos do Mercosul. Os parlamentares paraguaios ameaçaram votar - contra - o protocolo de adesão da Venezuela, criando um fato consumado, mas voltaram atrás, na semana passada. Adiaram a votação, num sinal de que não pretendem queimar tão cedo as pontes que conduzem o país de volta ao bloco sul-americano.

Greves do funcionalismo: que tal tornar os funcionarios do BC responsaveis? - Rodrigo Constantino

Uma boa proposta...
Paulo Roberto de Almeida

Uma boa ideia no combate à inflação

Estudio fotografico
A inflação, como dizia Milton Friedman, é sempre e em todo lugar um fenômeno monetário. O que isso quer dizer, basicamente, é que a alta generalizada de preços é causada pelo aumento da oferta monetária e creditícia, fazendo com que mais moeda procure a mesma quantidade de bens e serviços. Portanto, a inflação será sempre resultado de uma política deliberada de quem controla a emissão de moeda e o crédito dos bancos.
Ora, esta é justamente a função dos bancos centrais. No site do Banco Central do Brasil, por exemplo, consta em destaque sua missão: “Assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda e um sistema financeiro sólido e eficiente”. Para tanto, o BCB goza de orçamento bilionário que mantém uma estrutura com mais de 4,5 mil servidores. Todos unidos em torno desta importante missão.
E eis que estes servidores resolvem fazer greve em busca de reposição salarial de 23%! A notícia chegou a ser veiculada no Financial Times. Um dos líderes sindicais disse que não quer aumento de salário, apenas o resgate do seu poder de compra. Mas essa não é exatamente a missão do BCB? Ou seja, ao demandar reposição do poder de compra salarial, não estariam estes servidores confessando que falharam em sua única missão? E ainda querem recompensa por isso?
É algo análogo a um vigia, cuja única missão é proteger uma propriedade, demandar restituição dos objetos que lhe roubaram enquanto a propriedade que ele vigiava era assaltada. A incompetência é premiada. A inflação produzida pelo próprio BCB é problema dos outros; seus funcionários querem indexação!
Muitas foram as tentativas de se criar mecanismos de pesos e contrapesos para evitar os abusos políticos dos bancos centrais, uma vez que o imposto inflacionário é um dos mais tentadores para as autoridades, pois disfarçado. A independência legal do banco central foi uma conquista nesta direção, assim como o regime de metas de inflação. Tudo para criar um meio de responsabilizar a autarquia e blindá-la da captura política.
Mas os resultados não são dos mais animadores. O dólar, desde que o Federal Reserve foi criado em 1913, já perdeu mais de 95% de seu poder de compra frente ao ouro, cuja oferta não pode ser manipulada por banqueiros centrais. Várias bolhas creditícias foram criadas desde então. O fracasso é tão evidente que muitos economistas chegaram a defender o fim dos bancos centrais, com argumentos bastante razoáveis.
Como politicamente esta é uma meta muito distante, quiçá inalcançável, venho defender uma alternativa que parece interessante para alinhar os interesses. Trata-se de uma medida radical, mas necessária para lidar com males radicais. Além de garantir a independência do Banco Central (que ainda é apenas sonho no Brasil) e determinar uma meta de inflação bem reduzida (também é sonho no Brasil, cuja meta é 4,5% com banda que tolera até 6,5% ao ano), que tal congelar o salário de todos os seus servidores?
Se cada funcionário do BCB tiver seu salário fixado em termos nominais por lei, então o staff do banco será o maior interessado em realmente lutar pela preservação do poder de compra da moeda. Em outras palavras, ao transformar o próprio funcionário do banco em um cidadão comum desprotegido do imposto inflacionário, esta lei iria criar automaticamente forte resistência às práticas inflacionárias dentro do banco, que, como já vimos, é aquele que tem o poder de criar inflação.
Fica aqui, então, a minha sugestão para melhorar o combate a esta praga inflacionária, que atualmente corrói mais de 5% do poder de compra da moeda por ano (sem falar do risco de bolha creditícia no país atualmente): tornar o Banco Central independente por lei, com mandato intercalado com a Presidência da República; adotar meta de inflação reduzida, dentro do padrão internacional (em torno de 2% ao ano); e congelar o salário de seus funcionários em termos nominais, para alinhar seus interesses aos nossos, simples mortais.
Não é uma “solução” definitiva, como talvez fosse o caso de um sistema de free banking (há controvérsias, mesmo entre grandes liberais). Mas sem dúvida é um passo a mais na direção correta. Os servidores do Banco Central não têm o direito de se proteger contra a inflação que ajudam a criar, penalizando o restante da população enquanto desfrutam da blindagem da indexação salarial. Eles precisam ficar no mesmo barco que os demais, que todos aqueles que pagam o pato da política inflacionária. Afinal, inflação no bolso dos outros é refresco, né?

Sobre o Autor

avatar Rodrigo Constantino é economista pela PUC-Rio, com MBA de Finanças pelo IBMEC e trabalha no mercado financeiro desde 1997. É articulista e autor de diversos livros, dentre os quais o novo Liberal com orgulho

Os efeitos da seca - Marcos Fava Neves

Os impactos da seca
Marcos Fava Neves
Especial para Brasil Econômico, 13/08/2012, p.3

Este texto tem o objetivo de discutir os prováveis impactos primários e secundários nas integradas cadeias produtivas de alimentos, bioenergia, fibras e outras advindos do fato das secas que atingem a produção norte-americana, principalmente, mas também as produções de Índia, Rússia, Ucrânia e Cazaquistão. Os EUA, principal produtor mundial de grãos enfrentam a maior seca dos últimos 50 anos, que já afetou 37% das propriedades e 43% da área agrícola.
 Continuando a seca, os efeitos podem ser desastrosos em algumas cadeias produtivas, trazendo reflexos para mais de uma safra e inclusive mudanças de planejamento de plantio, de políticas públicas e estratégias privadas nas organizações. São 20 impactos aqui lembrados.
 1 – Num primeiro momento houve grande aumento dos preços da soja e milho, e a partir destes aumentos, as cotações de outros grãos também subiram.
2 – Dependendo do volume de estoques que serão utilizados, seus níveis podem cair a volumes preocupantes, o que pode fazer esta situação de preços perdurar por mais de uma safra.
3 – Os efeitos nos países pobres importadores de comida podem ser devastadores, uma vez que preços de alimentos são diretamente ligados a estabilidade política e os orçamentos para programas assistenciais e os próprios orçamentos das famílias passam a ser insuficientes.
4 – Impacto também nos países de grandes populações de classe média, como China, cada vez maiores importadores de alimentos, que alocarão mais  recursos para importações.
5 – Com maiores preços dos grãos, os impactos nos custos da alimentação animal são grandes, reduzindo as margens das empresas de carnes e lácteos, uma vez que a transferência de preços aos supermercados muitas vezes não é imediata.
6 – O mesmo efeito ocorre com as empresas produtoras de biocombustíveis a partir de grãos, pois com preços de insumos mais altos, as margens são menores.
7 – Se os biocombustíveis aumentarem de preços, há reflexos em seu consumo, migrando para o consumo de petróleo, aumentando as pressões também para que este aumente de preços.
8 – Petróleo aumentando de preços aumentam os custos de produção e de transporte de alimentos, trazendo outro impacto negativo das secas.
9 – O aumento de preços de alimentos nos supermercados vai forçar as empresas de alimentos a cortarem custos, podendo refletir em seus orçamentos para propaganda, embalagem e até inovação, postergando projetos.
10 – Da mesma forma, como o alimento é o último item a ser cortado do orçamento de uma família, devem migrar recursos a serem utilizados em outros mercados, como entretenimento, eletrodomésticos e outros, para o consumo de alimentos.
11 – Produtores não afetados pela seca terão margens significativamente maiores, o que pode trazer valorização de terras e até dar mais velocidade ao processo de concentração existente na agricultura.
12 – Há o risco de se reduzir os mandatos de mistura de biocombustíveis na gasolina em diversos países, mais notadamente nos EUA, onde a pressão de grupos contrários ao etanol é forte para liberar milho para alimentação, o que traria grave impacto as indústrias de etanol, mas seria também uma ameaça ao Brasil, provavelmente a maior.
13 – O uso de mais petróleo e menos biocombustíveis também vai agravar as emissões de carbono, trazendo mais poluição.
14 – Aumento de preços de alimentos traz mudança de hábito de local de consumo, aumentando a venda em supermercados e diminuindo os gastos na alimentação fora do lar (restaurantes)
15 – O hemisfério sul vai ser estimulado a plantar mais soja e milho, interferindo nas áreas de algodão, trigo, cana, girassol, entre outras, o que pode refletir preços maiores em virtude de menores áreas plantadas e consequentemente, menor produção.
16 – Por outro lado, bons preços trarão maiores investimentos em insumos e tecnologia, o que aumentará a produtividade nestas propriedades, contribuindo para repor estoques mundiais mais rapidamente que em condições normais.
17 -  Seguradoras, principalmente nos EUA, terão grande impacto, bem como o orçamento dos Governos. Impacto também em pequenos municípios dependentes da agricultura, que com a seca, perdem importante renda.
18 – A menor produção de cana na Índia pode fazer este país voltar ao mercado comprador de açúcar, ou exportar menos, contribuindo para uma retomada dos preços do açúcar no mercado mundial, beneficiando o Brasil.
19 – Maiores preços de alimentos incentivarão o fortalecimento de programas para reduzir o alto desperdício nas cadeias agroalimentares. Haverá também mais pressão nas empresas de insumos para produção de plantas mais tolerantes às secas.
20 – Os efeitos econômicos nas balanças comerciais, taxas de câmbio e crescimento em diversos países tendem a ser grandes, o que motivará políticas regulatórias de cotas, taxas e outras a disposição de Governos, causando mais distúrbios nas cadeias produtivas integradas.
Aqui estão listados alguns dos possíveis impactos nas intrincadas cadeias produtivas mundiais de alimentos. Alguns pesquisadores têm alertado que estas secas tendem a ser mais frequentes, principalmente nos EUA, o que deve estimular o plantio no hemisfério sul, beneficiando o Brasil. Isto tudo vem junto com o grande crescimento do consumo mundial de alimentos, portanto está armado um quadro preocupante. Definitivamente o assunto da crise alimentar volta às mesas das famílias e das discussões privadas e públicas.

Marcos Fava Neves, PhD.
Professor Titular FEA/USP
Professor of Planning and Strategy
FEARP Business School
University of Sao Paulo - Brazil
www.favaneves.org
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Addendum:
Programa GloboNews Painel sobre o mesmo tema:

Crise internacional de alimentos pode favorecer o Brasil nas exportações

 
 

Muro de Berlim: neste dia, em 1961 - New York Times

Da seção de história do New York Times. In fine, o que eu já publiquei neste blog sobre o muro de Berlim, inclusive um artigo meu sobre sua queda.

On This Day: August 13

Updated August 12, 2012, 2:28 pm
On Aug. 13, 1961, Berlin was divided as East Germany sealed off the border between the city's eastern and western sectors in order to halt the flight of refugees.

East German Troops Seal Border With West Berlin to Block Refugee Escape



Commuting Ended
Warsaw Pact States Say Allies' Routes Remain Open
By REUTERS
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Population Soars Past 31 Million in East Coast City-Suburb Belt
Berlin, Sunday, Aug. 13- East Germany closed the border early today between East and West Berlin.
East German troops stood guard at the Brandenburg Gate, main crossing point between the Eastern and Western sectors.
The East Berlin City Government banned its citizens from holding jobs in the Western part of the divided city. This will affect tomorrow the thousands of East Berliners who daily commute to work in the Western sector.
The Communists' orders do not affect the Western Allies' access routes to Berlin along the 110-mile passage from West Germany. Especially they do not affect Allied military trains, which are under Soviet jurisdiction.
Action Comes in Night
The quietness of East Berlin's deserted streets was shattered in the early hours of the morning by the screaming of police sirens as police cars, motorcycles and truckloads of police sped through the city.
The action came shortly after publication of a declaration by the Communist Warsaw Pact states that effective controls must be put into force on the borders of West Berlin because of a "perfidious agitation campaign" by the West.
The declaration made it clear these measures were directed at stopping the flow of refugees from East to West through West Berlin. The flow of refugees has recently been reaching 1,700 daily. From 4 P.M. Friday, to 6 P.M. yesterday, 2,662 new arrivals registered in West Berlin's reception camp.
Subways Are Closed
The East Berlin order barring commuters from reaching their jobs in West Berlin said that no East German could cross into the western sector of the city unless he had "a special certificate."
The orders would stand "as long as West Berlin is not changed into a neutral demilitarized free city," the East Germans said.
Elevated trains and subways between the two halves of the divided city were closed; a railroad policeman said he did not know how long the shutdown was for.
The Warsaw Pact declaration was published by the East German press agency A.D.N., but the East German radio, which was broadcasting a late-night jazz program, did not immediately mention it.
The declaration admitted that the proposed measure would "create certain discomforts for the population," but said the blame for this rested squarely on the West.
"Naturally these measures will not affect the valid conditions for traffic and control on the connection routes between West Berlin and West Germany," it added.
The necessity for these "protective measures" would cease to exist as soon as a peace treaty with Germany was signed and "question of strike resolved on this basis," the statement added.
The Warsaw Pact states are the Soviet Union, East Germany, Poland, Czechoslovakia, Rumania, Bulgaria, Hungary and Albania. A week ago, ending a meeting in Moscow they issued a call for a German peace treaty soon. Shortly after 3 A.M., a Reuters reporter who tried to drive through the Brandenburg Gate from East Berlin was told by a policeman: "You are not allowed to go through- we received instructions to this effect about an hour ago."
The closing of the border came after East Berliners had waited nervously yesterday for the Iron Curtain to ring down on refugees escape routes to the West.
Warsaw Pact Statement
The Warsaw Pact powers declaration accused the Western Powers and West Germany of "missing the present traffic position on the West Berlin border to disrupt the economy of the (East) German Democratic Republic."
"In view of the aggressive efforts of the reactionary force of the (West German) Federal Republic and its NATO allies, the declaration said, "the Warsaw Pact states cannot avoid taking the necessary measures themselves to guarantee their safety and above all the safety of the German Democratic Republic.
"The Governments of the Warsaw Pact states the appeal to the People's Chamber (Legislature) and Government of the German Democratic Republic to all workers of the G.D.R. with the proposal to introduce such an order on the West Berlin border that the way is stopped for the agitation campaign against the G.D.R. and a trustworthy guard and effective control be guaranteed around the whole territory of Western Berlin, including its borders with the G.D.R.
"Naturally these measures will not affect the valid conditions for traffic and control on the connection routes between West Berlin and West Germany.
"The Government of the Warsaw Pact states naturally understand that the taking of protective measures on the borders of West Berlin will create certain discomforts for the population. But in view of the existing position the blame for this must be taken exclusively by the Western powers and above all by the Government of the (West German) Federal Republic."

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  O que eu já publiquei a respeito, neste blog:
 
30 Jun 2012
Este estava comemorando os 50 anos da construção do muro de Berlim, em agosto de 2011. Vai pelo significado histórico, inclusive porque estive recentemente na Alemanha, visitei Berlim e ainda vi pedaços do muro aqui e ...
08 Abr 2012
A queda do muro de Berlim: livro da Unisul. Um livro do qual participei, tanto na fase de colóquio, quanto de sua feitura editorial. Recomendo, especialmente. Paulo Roberto de Almeida. Vinte anos após a queda do muro de ...
12 Jun 2012
Reagan em Berlim: "Derrube este muro, Mr Gorbachev". Um dia realmente histórico este 12 de Junho de 1987. Dois anos depois, não Gorbachev, mas o povo de Berlim oriental começou a derrubada do muro. Mas é verdade ...
27 Nov 2009
Bem, não tivemos um John Reed na derrubada do muro de Berlim, para relatar, em tom épico, aqueles dias, ou horas, que abalaram o mundo e derrubaram o comunismo (sim, começou ali a derrocada do socialismo real). Mas temos o filho ...
 Elaborei um artigo sobre a questão:
Um outro mundo possível: alternativas históricas da Alemanha, antes e depois do muro de Berlim, neste link.
Paulo Roberto de Almeida

(tem mais: basta colocar Muro de Berlim no instrumento de busca do blog)

A teoria, na pratica, e' outra... - Ludwig Von Mises

Mind the Theory
by Thorsten Polleit
Mises Daily, August 13, 2012

I.

The saying that things may work nicely in theory, but do not necessarily work in practice is well known.[1] It is typically meant to disparage the importance of theory, suggesting it would be too far removed from practical matters to help in solving the issue at hand.
The Prussian philosopher Immanuel Kant (1724–1804), in his 1793 essay "On the Popular Judgment: 'This May Be True in Theory, But It Does Not Apply in Practice,'" responded to such criticism; in fact, he responded with his essay to criticism leveled against his ethical theory by the philosopher Christian Garve (1742–1798).
Therein, Kant made the point that theory provides "principles of a fairly general nature," or general rules. However, theory does not tell man how to apply it, says Kant. For this, the act of judgment is required:
For a concept of the understanding, which contains the general rule, must be supplemented by an act of judgment whereby the practitioner distinguishes instances where the rule applies from those where it does not.[2]
The Prussian philosopher effectively called for respecting the role theory has for acting man:
No one can pretend to be practically versed in a branch of knowledge and yet treat theory with scorn, without exposing the fact that he is an ignoramus in his subject.[3]
In this methodological work Ludwig von Mises (1881–1973) emphasized the importance of theory for acting man at the most fundamental level, noting that theory and human action are in fact inseparable. Mises writes,
Action is preceded by thinking. Thinking is to deliberate beforehand over future action and to reflect afterwards upon past action. Thinking and acting are inseparable. Every action is always based on a definite idea about causal relations. He who thinks a causal relation thinks a theorem. Action without thinking, practice without theory are unimaginable. The reasoning may be faulty and the theory incorrect; but thinking and theorizing are not lacking in any action. On the other hand thinking is always thinking of a potential action. Even he who thinks of a pure theory assumes that the theory is correct, i.e., that action complying with its content would result in an effect to be expected from its teachings. It is of no relevance for logic whether such action is feasible or not.
With theory being inseparable from human action, the crucial question is this: What is the correct theory? For obvious reason, acting man will be interested in correct theory: "No matter how one looks at it, there is no way in which a false theory can serve a man or a class or the whole of mankind better than a correct theory."[4]

II.

In today's mainstream economics the truth value of a theory is typically tested along the lines of an "if-then hypothesis." For instance, economists test whether a rise in the money supply leads to higher prices, or whether a rise in the money supply causes rising prices — or whether the reverse holds true.
Such a procedure is typical of positivism-empiricism-falsificationism — a methodological approach in economics that must not only be rejected as intellectual confusion;[5] it can also be criticized as being prone to demagogic abuse.
For if one holds the view that nothing can be known (for sure) without testing it (which, by the way, is a contradiction in itself, but this finding shall not be of no further concern here), one must try it to find out.
Once a theory sounds good, or benevolent, enough — such as the theory that a rise in the money supply brings prosperity for all, or the theory that government deficit spending creates new jobs — people will love to see it put into practice.
What is more, under the reign of positivism-empiricism-falsification there is even an economic incentive for spreading theories just for the sake of their political efficacy — even if these theories are false: those who provide credible scientific legitimization to actions pursued by government can typically expect high rewards.
To provide a metaphorical illustration, to make robbery socially accepted, the robber will be willing to share some of his loot with those helping to make his crime acceptable from the viewpoint of his victims.
When it comes to benevolent-sounding economic theories, consider the following examples:
  • The state is indispensable for peace and prosperity; without the state, social chaos, relentless aggression, and misery would result.[6]
  • Money production must be monopolized by the state, for there is no other way to obtain reliable money.
  • Commodity money (gold and silver) is better replaced by fiat money, as only fiat money allows for an adequate increase in the money supply — which, in turn, is necessary for output and employment growth.
  • Capitalism exploits the working class and leads to widespread poverty, war, and imperialism; socialism will maintain peace and raise the standards of living for all.
  • Democracy (majority voting) is the form of political organization respecting individual freedom and property rights, necessary for peaceful cooperation and prosperity.
These examples may suffice to make the point: once theories are considered to be benevolent theories, they can be expected to be put into action; the more benevolent the theory is, the more likely social experimentation gets under way.
However, engaging in social experimentation for alleged truth-finding purposes comes at a high price — at times at a prohibitively high price, as the experimentation with socialism in many countries has made all too clear.

III.

In the field of economics, however, it is possible to decide whether or not theories are correct without having to take recourse to experimenting and testing.
Mises reconstructed the science of economics as the logic of human action, which he termed praxeology. As a priori theory, praxeology allows deducing irrefutable — or apodictic — truths from the irrefutably true axiom of human action.
In Mises's words,
Praxeology is a theoretical and systematic, not a historical, science. Its scope is human action as such, irrespective of all environmental, accidental, and individual circumstances of the concrete acts. Its cognition is purely formal and general without reference to the material content and the particular features of the actual case. It aims at knowledge valid for all instances in which the conditions exactly correspond to those implied in its assumptions and inferences. Its statements and propositions are not derived from experience. They are, like those of logic and mathematics, a priori. They are not subject to verification or falsification on the ground of experience and facts.
Praxeology provides a methodology that allows separating correct economic theories from false economic theories on a priori grounds — that is, without having to engage in social experimentation.
In view of the illustrations given above (without developing the argument at length), we know for sure that the state is not the solution but the root cause of the most severe social conflicts.
From praxeology we also know with certainty that money is a free-market phenomenon; that commodity money, the logical choice of free market action, is sound money; and that the state monopolization of money production brings unsound money.
We also know for sure that an increase in the money supply doesn't make an economy richer; it merely benefits the early receivers of the new money (who are those issuing it) at the expense of those receiving the new money late or not at all.
It can also be deduced from praxeology that socialism leads to great misery, as it is a form of social organization that cannot work; it is bound to fail, and capitalism is the only economically viable form of societal organization.
Finally, it can be shown on the basis of praxeology that democracy is actually — and this may be surprising to the many — incompatible with preserving individual freedom and property rights and thus peaceful cooperation and prosperity.
The power of unmasking and demystifying false economic theories on a priori grounds, that is without having to engage in social experimentation, is certainly one of the most fascinating aspects of the Misesian-oriented Austrian School of economics.
In his introduction to Critique of Pure Reason (1787), Kant title chapter 3, "Philosophy stands in need of a Science which shall Determine the Possibility, Principles, and Extent of Human Knowledge 'a priori.'" For the science of economics, Mises has done just that.
Thorsten Polleit is chief economist of the precious-metals firm Degussa Goldhandel GmbH. He is also an honorary professor at the Frankfurt School of Finance & Management. He is an adjunct scholar of the Ludwig von Mises Institute and was awarded the 2012 O.P. Alford III Prize in Libertarian Scholarship. His website is www.Thorsten-Polleit.com. Send him mail. See Thorsten Polleit's article archives.
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Capitalismo de Estado - Jorge Arbache


Crise e o capitalismo de Estado
Jorge Arbache
Valor Econômico, 2 de agosto de 2012

A The Economist publicou um provocativo relatório especial sobre capitalismo de Estado, modelo que, segundo a revista, "combina as forças do Estado com as forças do capitalismo". Desde então, o assunto ganhou atenção mundo afora e tem contribuído para os debates sobre a crise econômica e sobre modelos de desenvolvimento. A crescente influência das economias emergentes na economia mundial e a sua resiliência à crise financeira estariam por detrás do grande interesse pelo assunto. Contrariamente ao dirigismo muitas vezes observado até recentemente em muitos países em desenvolvimento, o capitalismo de Estado se utilizaria, segundo a revista, de instrumentos e métodos de gestão de mercado para atingir seus objetivos. O relatório justifica o foco nas experiências recentes dos países emergentes, notadamente a da China, porque elas "parecem ser cada vez mais a tendência futura".

As manifestações do capitalismo de Estado são variadas e podem ser complexas e sofisticadas, como as políticas públicas de apoio aos conglomerados privados sul-coreanos, ou a montagem de fundos soberanos com crescente influência nos fluxos de capitais e investimentos. Mas as experiências de capitalismo de Estado de países emergentes coexistem com manifestações de forte intervencionismo estatal na economia também nos países desenvolvidos, como no caso da empresa de petróleo estatal norueguesa, Statoil, e das políticas americana e europeia de subsídios ao setor agrícola. As experiências das diferentes vertentes de capitalismo de Estado sugerem haver em comum entre elas uma tensão, em maior ou menor grau, entre pragmatismo e ideologia.
Mais recentemente, as inéditas e massivas intervenções na economia pelos governos dos países no epicentro da crise financeira por meio de "quantitative easing" e "bailouts", por exemplo, têm provocado profundas repercussões na alocação de recursos e formação de preços não apenas no plano doméstico, mas, também, internacional. Essas intervenções, muitas delas oportunistas, são especialmente intrusivas devido ao tamanho dessas economias e ao fato de suas moedas serem reserva de valor internacional, criando e agravando desequilíbrios macroeconômicos internacionais e acentuando as condições já assimétricas de competição.
O emprego de políticas de capitalismo de Estado parece estar se popularizando mundo afora à medida que a crise econômica e as incertezas se agravam. O capitalismo de Estado da China e o fracasso de políticas econômicas ultra-liberais, como algumas perseguidas pelos Estados Unidos até antes da crise, nos ajudam a entender porque um dos prováveis legados dessa crise para os políticos é a lição de que governos não devem limitar os seus papéis na economia.
Embora seja compreensível a atratividade do capitalismo de Estado num contexto de crise econômica, a sua multiplicação em escala global tem implicações deletérias. De fato, parece ser pouco plausível que muitos países possam se beneficiar, simultaneamente, de políticas de capitalismo de Estado devido à falácia da composição e devido às externalidades negativas por elas provocadas, que tendem a desorganizar o sistema econômico, fomentar reações mercantilistas e alimentar tensões políticas entre países. Por isso, é muito provável que a popularização dessas políticas dificulte a recuperação da economia mundial. O emprego de políticas de capitalismo de Estado também suscita questões associadas às escolhas entre interesses nacionais e compromissos internacionais, como os do G-20, com reflexos para a credibilidade do sistema multilateral.
Para que se mitiguem a proliferação do capitalismo de Estado e seus potenciais riscos para o crescimento econômico mundial, será preciso que os países, notadamente Estados Unidos, União Europeia e China, reconheçam a interdependência das políticas micro e macroeconômicas nacionais e seus impactos nos países em desenvolvimento. Será preciso, assim, redobrar os esforços de coordenação de políticas e de gestão de interesses conflitantes. No entanto, experiências como o colapso do Acordo de Doha, crise do Euro e as dificuldades de avanço nos acordos do clima ilustram os desafios de coordenação e de solução de controvérsias em períodos de crise.
Como as políticas de capitalismo de Estado têm significativos impactos adversos na economia brasileira, incluindo valorização cambial, especulação com preços de ativos e barreiras ao comércio e ao investimento, torna-se necessário o emprego de estratégias de desenvolvimento e de inserção internacional que busquem mitigar esses impactos. Tais estratégias deveriam levar em conta a combinação dos benefícios do comércio com os das políticas públicas de promoção da indústria conciliada com o desenvolvimento e a exploração das vantagens produtivas e competitivas nacionais. Deveriam, também, reconhecer as relações entre comércio e variáveis macroeconômicas como câmbio, juros e política fiscal e seus impactos na indústria e no comércio, buscar o reconhecimento internacional dos impactos dos grandes desequilíbrios macroeconômicos e das políticas de outros países na economia brasileira, e intensificar esforços indutores do aumento da competitividade através da redução dos custos de produção e aumento da produtividade e dos investimentos em capital humano e inovação.

O Brasil recua (6): mas a corrupcao avanca - o Mensalao existiu?


Em quem você pretende acreditar: num advogado mentiroso ou num presidente mentiroso?
Um dos protagonistas principais acusou o chefe da quadrilha de comprar partidos inteiros; o chefe do chefe reconheceu, e disse que se sentia traído. Hoje, diz que tudo foi invenção da imprensa.
Em quem você quer acreditar?
Nos mentirosos de ontem, nos mentirosos de hoje, ou nos mentirosos de sempre?
Sempre existem mentirosos, isso é certo.
Duas matérias: escolha na qual quer acreditar: no jornal do chefe da quadrilha, ou num colunista consagrado?
Paulo Roberto de Almeida 


Mensalão foi mentira de Roberto Jefferson para derrubar José Dirceu, admite advogado

Correio do Brasil, 12/8/2012 13:16,  Por Redação - de São Paulo
Jefferson
Roberto Jefferson teria inventado a história para se vingar de Dirceu
O julgamento da Ação Penal 470, apelidado de ‘mensalão’ pela mídia conservadora, sofrerá nesta segunda-feira a sua maior reviravolta. Advogado do deputado cassado RobertoJefferson, autor da denúncia de compra de votos por parte de um esquema audacioso, montado para que o Partido dos Trabalhadores (PT) permanecesse indefinidamente no poder, segundo a tese do ‘mensalão’, Luiz Francisco Corrêa Barbosa dirá à Superma Corte que tudo não passou de uma mentira, de uma invencionice de seu cliente. Os recursos entregues pelo PT ao PTB, no total de R$ 4 milhões, eram, na verdade, o cumprimento de um acordo para financiamento de campanhas municipais em 2004.
Corrêa Barbosa adiantou a sua linha de defesa do cliente em uma entrevista publicada neste domingo em um portal da internet. O advogado confessa que a tal mesada, supostamente paga a parlamentares, foi “objeto de coação”. Jefferson, que se dizia pressionado pelo partido, criou a palavra como figura retórica para se vingar de seus algozes. O segundo conceito é o caixa 2, como já admitido por réus, como Delúbio Soares. Com essa confissão pública, Jefferson derruba a tese central da peça de acusação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, estruturada em mais de cinco horas de leitura, no início do julgamento, sobre as mentiras do ex-parlamentar petebista.
Barbosa criticou, ainda, as falhas na denúncia de Gurgel. Segundo ele, a defesa do operador do ‘mensalão’, Marcos Valério, feita pelo advogado Marcelo Leonardo conseguiu desconstruir a tese do procurador-geral.
– A casa caiu! – exclamou, em entrevista ao portal iG.
Jefferson
Corrêa Barbosa, advogado de jefferson, seguirá a mesma linha da defesa de Delúbio Soares, de que o esquema não passava de caixa 2
Segundo o advogado, “ele (Leonardo) indicou provas em juízo, ao crivo do contraditório, que não são aquelas que indicou o procurador-geral (da fase pré-processual e em tese sem validade, conforme a defesa dos réus no processo). Essa ação penal vai terminar com um festival de absolvições porque não tem provas contra quase ninguém”. Barbosa também ratificou que Roberto Jefferson de fato recebeu R$ 4 milhões do PT. Na época, o PTB negociou com o PT a concessão de R$ 20 milhões. Segundo a defesa do petebista, esse dinheiro serviu para o custeio das campanhas municipais de 2004. A defesa de Jefferson nega que o depósito de R$ 4 milhões foi utilizado para a compra de apoio político do partido visando a aprovação da reforma da previdência.
– Não há um elemento de prova no processo a não ser a palavra dele (Roberto Jefferson) de que ele recebeu esses R$ 4 milhões – revela.
Na entrevista em vídeo concedida ao iG, Barbosa confirma que também vai defender, em favor de Jefferson, a mesma tese apresentada pela defesa do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, entre outros, segundo a qual o pagamento de congressistas denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR) não passou de um mero esquema de Caixa 2 (pagamento de despesas de campanha não declaradas à Justiça Eleitoral).
Na semana passada, o presidente do PTB já fez essa revelação ao dizer “José Dirceu me derrubou, mas livrei o Brasil dele”. Essa “vingança” mobiliza o debate político no Brasil há sete anos e boa parte da acusação de compra de votos está ancorada no testemunho de um personagem que, agora, desdiz tudo o que havia dito.
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MEMÓRIAS DO MENSALÃO

Crime é crime, e ponto. Mentira é mentira

(Comentário aqui publicado em 5.9.2005)
De Lula, hoje, em São Paulo:
- Se aguém achou que poderia fazer conflito político, criar conflito político, exagerar mais ou menos, achando que ia afetar a economia e o país sair do trilho, caiu do cavalo.
Pirou. Ou não: quer de forma indireta acusar adversários de atiçarem a crise política para derrubar a economia.
Tudo o que adversários de Lula fizeram até agora foi evitar que a crise, criada pelo governo e o PT, contaminasse a economia. Estão sendo condescendentes com o ministro da Fazenda, por exemplo, enrolado em histórias suspeitas. E com o próprio Lula.
Representantes de fundos de pensão foram ouvidos em sessão reservada da CPI dos Correios - justamente para evitar que a economia corresse o risco de ser afetada pelo que dissessem.
Deus e o mundo fizeram de conta de que Lula nada tinha a ver com a crise - até o dia em que ele pôs a crise no próprio colo. Assim procedeu quando disse o que disse na sua famosa entrevista em Paris.
Ali, Lula tentou induzir os brasileiros a pensarem que a dinheirama da dupla Delúbio-Valério era caixa 2 de campanha, e tão somente isso. Como se a admissão de um crime praticado por todos os partidos fosse capaz de atenuar o crime.
O fato de a mistificação e a mentira serem instrumentos correntes entre os políticos (mas não só entre eles) está longe de amenizar o fato de que Lula mistifica e mente.


domingo, 12 de agosto de 2012

O Brasil recua (5): cotas, em lugar do mérito, nas universidades

Os companheiros estão contribuindo, indiscutivelmente, para fazer recuar, mediocrizar, inferiorizar, piorar a educação nacional, em todos os níveis, do pré-primário ao pós-doutorado, começando pelas matérias obrigatórias no primário (estudos afrobrasileiros e espanhol) e no secundário (sociologia e filosofia, cabide de emprego para marxistas desempregados), com destaque para as cotas raciais e sociais, agora consagradas em lei, depois que o Supremo cometeu a bobagem de julgá-las constitucionais.
Obviamente, não só os companheiros: políticos demagogos, mafiosos sindicais, militantes do Apartheid e outros promotores de causas particularistas, corporativas, bizarras (para ficar num conceito "neutro").
As matérias abaixo apenas transmitem o alto grau de irracionalismo nas recentes medidas relativas a cotas sociais.
Eu me pergunto onde estão os reitores que deveriam defender a famosa autonomia universitária, e que agora são obrigados a se dobrar a uma medida claramente contrária à manutenção da qualidade do ensino. Vão coonestar a demagogia?
Paulo Roberto de Almeida 


Reinaldo Azevedo, sexta-feira 10 de agosto de 2012

Publiquei na noite de quinta um primeiro texto sobre o absurda lei que institui cotas sociais e raciais de 50% nas instituições federais de ensino. Para quem não leu, o link está aqui. Mantenho no alto da home os dois outros posts que escrevi a respeito na noite de ontem. O absurdo, afinal, é ainda maior do que parecia inicialmente. 
*
Ai, ai…
O Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o famoso ITA, é uma das escolas mais seletivas do país. Não por acaso. O Brasil avançou bastante nessa área, e muito se deve, sim, ao ITA, que valoriza de modo obsessivo o mérito. Trata-se de uma instituição federal. Como tal, deveria, então, reservar 50% de suas vagas a alunos das escolas públicas — segundo a lei que Dilma quer sancionar —, metade das quais para alunos que pertençam a famílias cuja renda per capita é de até 1,5 salário mínimo. Tanto esses 25% de vagas quanto os outros têm de ser preenchidos segundo a cor da pele do estado em que a escola se encontra. O ITA fica em São José dos Campos, São Paulo. Segundo o Censo de 2010, o estado tem 41.262.199 habitantes. Do total, 63,9% se autodeclaram brancos, 29% se dizem pardos e 5,5 se dizem negros.
Durante a tramitação da lei, o Ministério da Defesa, ao qual o ITA (que é da Aeronáutica) é administrativamente ligado, deu um jeitinho de negociar o texto (íntegra aqui). Estarão sujeitas às cotas apenas as instituições de ensino “vinculadas ao Ministério da Educação”. Ocorre que o ITA, lamento, é vinculado, sim, ao MEC — ou não é esse ministério que dá fé aos diplomas lá expedidos?
É agora? O ITA conta, sim, com alunos oriundos do ensino público: 30% estudaram em escolas estaduais, e 7,3%, em federais. Mas passaram no concorridíssimo vestibular da instituição — QUE TAMBÉM NÃO USA O ENEM PARA ADMITIR ALUNOS, A EXEMPLO DO QUE FAZEM AS UNIVERSIDADES FEDERAIS.
Se faltasse alguma coisa para evidenciar a má-fé, a pilantragem intelectual e a demagogia da lei, já não falta mais nada. O próprio governo Dilma Rousseff, que quer instituir esse aloprado regime de cotas sociais e raciais nas universidades federais, na proporção estratosférica de 50% das vagas — ignorando até mesmo a nota do Enem (serão usadas as médias obtidas no segundo grau) —, está a dizer: “Ah, gente, no curso que consideramos realmente sério e importante, o do ITA, não vamos mexer; continuará com o seu vestibular de sempre. Afinal, engenharia aeronáutica é coisa muito complicada!”.
É inacreditável! Essa estupidez passou pela Câmara. Essa estupidez passou pelo Senado! Parlamentares hoje se borram de medo dos ditos “movimentos sociais” e mesmo de setores engajados da imprensa. Elio Gaspari deveria, agora, oferecer uma resposta no caso do ITA. E aí?
Porque recebe alguns dos alunos mais preparados do país — e, infelizmente, há mais candidatos do que vagas —, o ITA pode ministrar um curso de alta performance. A coisa por lá é tensa no que respeita ao desempenho intelectual. E assim é nos centros tecnológicos mais avançados do mundo. Ao ITA, recebendo, por óbvio, alunos muitos menos preparados, restaria, caso aderisse ao modelo, uma de duas alternativas:
a) rebaixar o seu padrão de exigência, o que significaria, por óbvio, queda da qualidade num tempo muito curto e migração das melhores cabeças, então, para cursos privados de alta performance — existem;
b) manter o seu padrão de exigência e excluir, na prática, logo no primeiro ano, os menos preparados. A escola manteria a excelência, mas formaria menos engenheiros aeronáuticos.
Escolha, Gaspari: formar o atual número de bons engenheiros, formar o mesmo número de engenheiros mais ou menos; formar menos engenheiros preparados. Qual a melhor alternativa, visto o mundo à luz daquela sua teoria da luta de classes, relida à luz dos Elevadores Atlas (andar de cima, andar de baixo…)? 
E tudo para atender a esse aloprado critério de “justiça social e racial”, que delegou às universidades públicas o papel de acabar com as desigualdades. Ainda que Dilma venha a sancionar aquela porcaria, o ITA deve ficar de fora, o que denuncia a desfaçatez da proposta.
Por que há de valer para os demais cursos do país o que não vai valer para o ITA? Só porque, administrativamente, ele está subordinado à Defesa? É medo da farda? Dona Dilma Rousseff tem certeza de que 25% das vagas do curso de Medicina da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), um dos mais concorridos do país, devem ser ocupadas por estudantes oriundos do ensino público e de famílias com renda per capita de até 1,5 mínimo? Mas atenção: nesse grupo, 29% têm de ser pardos, e 5,5% negros. Na hipótese de haver mais gente do que vagas, aí se recorre à nota (não ao Enem, reitero!) que eles tiveram no ensino médio. Quem pegou a escola mais chulé, que exigia menos, sai na frente.  É o milagre da seleção dos menos aptos. Pergunta óbvia: um aluno com esse perfil, fazendo um curso em tempo integral, vai se sustentar como? Tem de morar, comer, se vestir, tomar um Chicabon de vez em quando…
“Ah, Reinaldo quer perpetuar a desigualdade!”, diz o idiota. O idiota, por alguma razão, se considera mais humanista do que eu! Não! Reinaldo acha — e eu sei que demora! — que é preciso qualificar a escola pública para dar aos mais pobres condições de competir. E acha, adicionalmente, que mesmo as universidades públicas precisam cobrar mensalidade de quem pode pagar, ora essa! Não! Eu não quero me conformar com o quadro atual e pronto! E qual é ele? Na média, os ricos estão em cursos gratuitos de alta performance, e os pobres estão pagando (ou o ProUni paga por eles) para estudar em faculdades de terceira ou quarta linha — lá onde só se usam cuspe e giz — e olhem lá.
É claro que é preciso pensar políticas públicas que mudem essa situação. Para tanto, não é necessário destruir o ensino público federal com a vigarice política, a má-fé intelectual e a demagogia arreganhada!
Ou o ITA participa dessa patuscada — e aí quero ver o resultado —, ou a pilantragem está consumada, senhora Dilma Rousseff, senhor ministro Aloizio Mercadante!
Vocês estão onde estão também para contrariar a militância organizada quando suas reivindicações atentam contra os interesses do povo brasileiro. E é o caso. Deixem de ser covardes!
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Reinaldo Azevedo, sexta-feira 10 de agosto de 2012

Ah, sim: também o IME (Instituto Militar de Engenharia), que pertence ao Exército, está fora do regime de cotas, segundo os mesmos critérios que vai excluir o ITA (ver post anterior).
A propósito, o IME também não recorre ao Enem e a outros facilitários, não, tá? Quem quiser se candidatar tem mesmo é de fazer vestibular. Os interessados devem clicar aqui. As inscrições foram abertas no dia 16 de julho e vão até 3 de setembro. A primeira fase será realizada no dia 15 de outubro. O IME chama a seleção de “Exame Intelectual”. Daqui a pouco, alguém no governo vai pedir para mudar o nome porque cheira a preconceito, né?
No post anterior, esqueci de publicar o link para quem quiser concorrer ao vestibular do ITA. Está aqui. A propósito: as inscrições foram abertas nesta sexta e se estendem até o dia 15. As provas já estão com datas marcadas: 11/12 (física); 12/12 (português e inglês); 13/12 (matemática); 14/12 (química). O ITA informa que a nota final é definida mesmo pela média aritmética das várias provas. Nada daquelas charadas gregas do Enem. Uma parte é teste, a outra é dissertativa.
O IME e o ITA, em suma, assumiram um estranho critério para selecionar seus alunos. São tão esquisitos, mas tão esquisitos, que, por lá, eles consideram que sabe quem sabe e não sabe quem não sabe!!! Na hora de escolher entre os que sabem, são ainda mais estranhos: ficam com os que sabem… mais!!! A nota de corte no ITA, no vestibular passado, numa escala de zero a 10, foi de 7,05! É muita injustiça çoçial, né, governanta?
Pô, o ITA e o IME ficam formando engenheiros competentes em vez de produzir igualdade? Isso precisa acabar! Eles deveriam é formar prosélitos da justiça social, ainda que os aviões despencassem, as pontes caíssem, o país afundasse.
O ITA e o IME não podem continuar a ser esses redutos de competência “de direita”, dona Dilma! É preciso levar pra lá a metafísica da incompetência de esquerda, mas com um graaande coração! Afinal, quem a matemática pensa que é para desafiar as boas intenções, governanta?

Os EUA recuam: investimentos sao superados pelas transferencias sociais


Os EUA aperfeiçoaram os instrumentos de sua própria decadência: conseguiram trocar investimentos por subsídios sociais. Não vão conseguir avançar desse jeito.
Paulo Roberto de Almeida 

via Marginal Revolution de Alex Tabarrok em 03/08/12

In Launching the Innovation Renaissance and my Atlantic article The Innovation Nation vs. the Warfare-Welfare State I showed that the Warfare-Welfare state has crowded out federal investment in research in development.
In a short report titled Collision Course: Why Democrats Must Back Entitlement Reform, Jessica Perez, Gabe Horwitz, and David Kendall cut the data in a slightly different way but come to the same conclusion:

Entitlements are squeezing out public investments. In 1962, spending on investments was two and a half times that of entitlements. But today, as a result of this Great Inversion, entitlement spending is three times that of investments. And this trend will only accelerate in time as the Baby Boomers retire and their benefits grow faster than inflation and wages.
…The fact that entitlement spending is crushing investments is bad news for U.S. growth.
Hat tip: Arnold Kling.

Postagem em destaque

Lançamento do livro Intelectuais na Diplomacia Brasileira: a cultura a serviço da nação, na Biblioteca Mario de Andrade

Lançamento do livro Intelectuais na Diplomacia Brasileira: a cultura a serviço da nação , na Biblioteca Mario de Andrade em SP, 12/05, 19hs,...