terça-feira, 10 de maio de 2022

Queremos eleições livres e justas no Brasil, diz subsecretária de Estado dos EUA - Mariana Sanches (BBC Brasil, Washington)

 Tomar lições de democracia de um país que sempre se vangloriou de ser a maior democracia estável do mundo, há mais de dois séculos, mas que atualmente enfrenta problemas com o seu próprio sistema político-eleitoral, contestado por uma imensa maioria do GOP, o partido Republicano, pode ser instrutivo, mas também pode ser humilhante para o Brasil, que possui uma democracia de menor qualidade, mas um sistema eleitoral dos mais seguros e efetivos do mundo.

Os americanos estão dizendo para confiarmos em nossos sistema. Não precisariam, se não fosse um chefe de Estado e de governo que se esforça, todos os dias, para lançar dúvidas sobre esse sistema que o elegeu muitas vezes, assim como toda a sua família, para cargos que talvez não mereçam...

Paulo Roberto de Almeida

Queremos eleições livres e justas no Brasil, diz subsecretária de Estado dos EUA

  • Mariana Sanches - @mariana_sanches
  • Da BBC News Brasil em Washington, 10/05/2022

Homens seguram bandeira onde está escrito 'intervenção militar'

Crédito, EPA - Legenda da foto: Militantes de direita pedem golpe militar na Avenida Paulista durante manifestações do 7 de setembro

No momento em que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PL) volta a lançar dúvidas sobre o processo eleitoral, sugerindo que os militares deveriam supervisionar a contagem de votos do pleito presidencial de 2022, a subsecretária de Estado dos Estados Unidos, Victoria Nuland, afirmou em entrevista exclusiva à BBC News Brasil que, no Brasil, "o que precisa acontecer são eleições livres e justas, usando as estruturas institucionais que já serviram bem a vocês (brasileiros) no passado".

Nuland, responsável por assuntos políticos na diplomacia americana comandada por Antony Blinken, esteve há poucas semanas no Brasil, junto a uma delegação americana de alto nível. Os diplomatas dos dois países trataram, entre outros temas, de cooperação na área de defesa e de agricultura. 

Na ocasião, os americanos voltaram a expressar "confiança na democracia brasileira". Segundo Nuland, no entanto, ela alertou o governo e a oposição sobre o risco de interferência russa nas eleições deste ano.

Na semana passada, a agência de notícias Reuters noticiou que, em julho de 2021, o diretor da agência de inteligência americana, a CIA, William Burns, teria advertido assessores diretos de Bolsonaro de que o presidente, que àquela altura já levantava dúvidas sobre a lisura do processo eleitoral, deveria deixar de questionar a integridade das eleições no país. 

Tanto Bolsonaro como o general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que teria estado presente na conversa, negam que ela tenha acontecido. 

Victoria Nuland, subsecretária de Estado dos EUA

Crédito, Divulgação/Departamento de Estado; Legenda da foto: Victoria Nuland, subsecretária de Estado dos EUA

Questionada sobre o que os EUA fariam em caso de uma tentativa de golpe no país, Nuland afirmou: "Queremos eleições livres e justas em países ao redor do mundo e, particularmente, nas democracias. Julgamos a legitimidade daqueles que se dizem eleitos com base em se a eleição foi livre e justa e se os observadores, internos e externos, concordam com isso. Então, queremos ver, para o povo brasileiro, eleições livres e justas no Brasil". 

Ao citar observadores externos, Nuland toca indiretamente em mais um ponto sensível no atual debate político brasileiro. Depois que o TSE remeteu dezenas de convites para instituições estrangeiras acompanharem o pleito, em outubro, o Itamaraty reclamou do convite à União Europeia, e o TSE teve de recuar. Bolsonaro também disparou críticas públicas à presença dos observadores, que acompanham eleições brasileiras ao menos desde 1994. 

Brasil e EUA vivem uma "recalibragem" de suas relações, depois do mal-estar causado nos americanos pela visita do presidente brasileiro a Moscou em fevereiro, dias antes de o líder russo Vladimir Putin ordenar a invasão da vizinha Ucrânia. Entre diplomatas brasileiros existe a expectativa de que Bolsonaro e Biden se falem pela primeira vez pessoalmente em Los Angeles (EUA), em junho, durante a Cúpula das Américas. 

Leia a seguir os principais trechos da entrevista, editada por concisão e clareza. 

BBC News Brasil - Os EUA mudaram recentemente de tom em relação à Rússia: falam em 'enfraquecer' o país, enviam altos funcionários e parlamentares (como a presidente da Câmara, Nancy Pelosi) a Kiev, estão treinando soldados ucranianos. Não existe o risco de que essa nova postura contribua para o discurso de Putin de que esta é uma guerra do Ocidente contra a Rússia e aumente as chances de uma guerra nuclear? O que há para os EUA ganharem com essa nova abordagem?

Victoria Nuland - Eu diria que nosso tom em relação à Rússia é uma resposta direta ao fato de que Putin e seus militares invadiram a Ucrânia e à agressão cruel que estão perpetrando no país, incluindo os tipos de crimes de guerra que temos visto em Bucha e Kramatorsk etc. E os Estados Unidos, junto com o Brasil e muitos outros países, 141 países, foram ao Conselho de Segurança da ONU e à Assembleia Geral da ONU e disseram 'não' à agressão da Rússia. 

Portanto, temos que chamar as coisas pelos seus nomes, e isso não é apenas uma guerra cruel contra a Ucrânia, mas uma violação de todos os princípios da carta da ONU e da soberania e integridade territorial dos países. Estamos defendendo o Estado de Direito, as regras globais que levaram à paz e à segurança por tantos anos e que a Rússia está violando flagrantemente agora.

Putin e Biden se cumprimentam

Crédito, Reuters Legenda da foto: Biden e Putin se reuniram em Genebra em meados de 2021, em uma que reunião durou menos do que era previsto e não impediu o início da guerra na Ucrânia em fevereiro de 2022

BBC News Brasil - O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, favorito para vencer as eleições de 2022 segundo pesquisas eleitorais, deu uma entrevista recente à revista Time em que critica o presidente dos EUA Joe Biden por não ter embarcado em um avião para Moscou para tentar dissuadir o líder russo Vladimir Putin da guerra. Como os EUA recebem essa crítica?

Nuland - Bem, em primeiro lugar, o presidente Biden falou com o presidente Putin duas, três, quatro vezes antes desta guerra, argumentando com ele. Como você deve se lembrar, os EUA descobriram esses planos de guerra no final de outubro e começaram a alertar o mundo em novembro, dezembro, janeiro, fevereiro que Putin tinha esses planos. 

E durante esse período, o presidente Biden trabalhou muito para tentar convencer o presidente Putin a não ir à guerra, e em vez disso, seguir um caminho diplomático, trabalhar conosco, trabalhar com aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), trabalhar com a Ucrânia, negociar quaisquer preocupações que ele tinha sobre as visões de segurança russas na Ucrânia. E nos oferecemos para ajudar. Tivemos uma rodada de conversas. 

Enviamos uma proposta de dez páginas analisando todos os tipos de coisas, como preocupações (russas) com armas ocidentais, etc. Mas, em vez de vir à mesa diplomática, o presidente Putin optou por invadir e invadir de uma maneira muito, muito sangrenta. Portanto, não acreditamos que ele esteja ouvindo alguém. 

BBC News Brasil - O presidente brasileiro Bolsonaro sugeriu ao governo turco recentemente uma missão conjunta a Moscou para participar das negociações para o fim da guerra. Os EUA diriam que essa tentativa é bem-vinda?

Nuland - Não temos dificuldade com nenhum líder global tentando convencer Putin a acabar com esta guerra. E vários já tentaram. O presidente Putin não está ouvindo. Esse é o problema. Então, torna-se uma questão de, se ao ir a Moscou você não for muito cuidadoso, parece estar dando apoio à guerra de Putin, especialmente visto que ele não mostrou nenhuma evidência de mudança de rumo com telefonemas e visitas recentes.

BBC News Brasil - Cerca de uma semana antes do início da guerra na Ucrânia, dois grandes líderes da América Latina, os presidentes da Angentina e do Brasil, foram a Moscou para se encontrar com Putin. O que isso diz sobre as relações dos EUA com esses países da região?

Nuland - Sabíamos que essas visitas iriam acontecer. Exortamos tanto o Brasil quanto a Argentina a darem a Putin a mesma mensagem que o presidente Biden estava enviando a ele e aos funcionários russos em todos os níveis, pública e privadamente, de que esta guerra seria um desastre, não apenas para a Ucrânia, mas para a Rússia, para a liderança de Putin e para sua economia e sua posição militar. E nosso entendimento é que em ambas as visitas, ambos os líderes, tentaram argumentar com Putin, mas ele não estava ouvindo. Então este é o problema, Putin não está ouvindo ninguém.

BBC News Brasil - Teremos eleições presidenciais este ano no Brasil. Os EUA têm alguma preocupação ou motivo para acreditar que os russos tentarão interferir ou se intrometer no processo?

Nuland - Obviamente, temos preocupações. Vimos a Rússia se intrometer em eleições em todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos e na América Latina. Por isso, em minha recente visita ao Brasil, exortei o governo a ser extremamente vigilante, e a oposição também, para garantir que forças externas não estejam manipulando seu ambiente eleitoral de forma alguma. Isso precisa ser uma eleição de brasileiros para brasileiros, sobre seu próprio futuro.

Bolsonaro e Trump

Crédito, Reuters Legenda da foto: Assim como aconteceu com Trump 2020 nos EUA, o presidente Bolsonaro está lançando dúvidas sobre o processo eleitoral no Brasil antes do pleito

BBC News Brasil - Assim como aconteceu em 2020 nos EUA, Bolsonaro está lançando dúvidas sobre o processo eleitoral no Brasil de antemão, exigindo a participação do Exército na apuração dos votos e dizendo que pode não reconhecer os resultados. Como os EUA veem esse tipo de declaração?

Nuland - Acreditamos que o Brasil tem um dos sistemas eleitorais mais fortes da América Latina. Vocês têm instituições fortes, salvaguardas fortes, uma base legal forte. Então, o que precisa acontecer são eleições livres e justas, usando suas estruturas institucionais que já serviram bem a vocês no passado. Temos confiança no seu sistema eleitoral. Os brasileiros também precisam ter confiança.

BBC News Brasil - O que os EUA fariam caso alguma tentativa de subversão dos resultados eleitorais acontecesse no país?

Nuland - Queremos eleições livres e justas em países ao redor do mundo e particularmente nas democracias. Julgamos a legitimidade daqueles que se dizem eleitos com base em se a eleição foi livre e justa e se os observadores, internos e externos, concordam com isso. Então, queremos ver, para o povo brasileiro, eleições livres e justas no Brasil. Vocês têm uma longa tradição nisso. E isso é o mais importante para manter a força do Brasil daqui para frente.

BBC News Brasil - Os fertilizantes são um suprimento crítico para a produção de alimentos e o Brasil enfrenta a falta do produto, importado principalmente da Rússia. Os EUA apoiariam a criação de algum corredor seguro ou um salvo-conduto para navios russos carregados de fertilizantes para o Brasil, como o presidente brasileiro solicitou recentemente à diretora da Organização Mundial do Comércio?

Nuland - O fato de haver uma escassez global de fertilizantes - e uma escassez no Brasil - é resultado direto da decisão de Putin de lançar essa guerra. No meu entendimento, a única coisa que impede o fertilizante russo de chegar ao mercado é a guerra que Putin lançou. 

Então, o que os Estados Unidos estão tentando fazer é trabalhar com países como o Brasil. E o secretário Blinken terá uma reunião, para a qual o Brasil está convidado, em algumas semanas sobre alimentação, segurança e fertilizantes etc., para ajudar países como o Brasil que precisam de fertilizantes. E então, com fertilizantes, podemos ajudar a alimentar o mundo, porque também temos muitos países com insegurança alimentar que dependem de grãos vindos da Ucrânia. 

Quando eu estive no Brasil, nós trabalhamos em um projeto do Departamento de Agricultura dos EUA, para ver como vocês usam os fertilizantes nas lavouras (brasileiras). Estamos tentando aumentar a produção de fertilizantes nos EUA. 

Estamos trabalhando com o Canadá e outros países que podem ajudar, para acelerar isso, para que vocês tenham uma safra muito forte, para poder alimentar a si mesmos e seus parceiros de exportação habituais, mas também possa ajudar a alimentar o mundo, (para o Brasil) ser generoso com alimentos, como já foi com o petróleo, com o aumento da produção brasileira de petróleo neste momento de necessidade para o mundo.


Henry Kissinger ‘We are now living in a totally new era’ - Interview by Edward Luce (Financial Times)

Henry Kissinger ‘We are now living in a totally new era’

Henry Kissinger Cold war strategist discusses Russia, the Ukraine war and China at the FTWeekend Festival in Washington Henry Kissinger says there is insufficient discussion about the risk of nuclear weapons 

 


Interview conducted by Edward Luce in Washington 

This is the edited transcript of a discussion between Henry Kissinger, former US secretary of state and national security adviser, and Edward Luce, Financial Times US national editor, which took place on May 7 in Washington. 

Financial Times, May 10, 2022

https://www.ft.com/content/cd88912d-506a-41d4-b38f-0c37cb7f0e2f?desktop=true&segmentId=7c8f09b9-9b61-4fbb-9430-9208a9e233c8#myft:notification:daily-email:content

 

Financial Times: Earlier this year, we commemorated the 50th anniversary of the Nixon visit to China, the Shanghai communique. You, of course, were the organiser, the orchestrator of this Sino-US agreement. And it was a major shift in the cold war: you split China from Russia. It feels like we’ve gone 180 degrees. And now Russia and China are back in a very tight relationship. My opening question to you is: are we in a new cold war with China? 

Henry Kissinger: At the time we opened to China, Russia was the principal enemy — but our relations with China were about as bad as they could be. Our view in opening to China was that it was unwise, when you have two enemies, to treat them exactly alike. What produced the opening were tensions that developed autonomously between Russia and China. [Former Soviet Union head of state Leonid] Brezhnev could not conceive that China and the United States could get together. But Mao, despite all his ideological hostility, was ready to begin conversations. In principle, the [Sino-Russian] alliance is against vested interests, it’s now established. But it does not look to me as if it is an intrinsically permanent relationship. 

 

FT: I take it that it would be in America’s geopolitical interest to encourage more distance between Russia and China. Is this wrong? 

 

HK: The geopolitical situation globally will undergo significant changes after the Ukraine war is over. And it is not natural for China and Russia to have identical interests on all foreseeable problems. I don’t think we can generate possible disagreements but I think circumstances will. After the Ukraine war, Russia will have to reassess its relationship to Europe at a minimum and its general attitude towards Nato. I think it is unwise to take an adversarial position to two adversaries in a way that drives them together, and once we take aboard this principle in our relationships with Europe and in our internal discussions, I think history will provide opportunities in which we can apply the differential approach. That doesn’t mean that either of them will become intimate friends of the west, it only means that on specific issues as they arise we leave open the option of having a different approach. In the period ahead of us, we should not lump Russia and China together as an integral element. 

 

FT: The Biden administration is framing its grand geopolitical challenge as being democracy versus autocracy. I’m picking up an implicit hint that it's the wrong framing? 

 

HK: We have to be conscious of the differences of ideology and of interpretation that exists. We should use this consciousness to apply it in our own analysis of the importance of issues as they arise, rather than make it the principal issue of confrontation, unless we are prepared to make regime change the principal goal of our policy. I think given the evolution of technology, and the enormous destructiveness of weapons that now exist, [seeking regime change] may be imposed on us by the hostility of others, but we should avoid generating it with our own attitudes. 

 

FT: You have probably more experience than any person alive of how to manage a stand-off between two nuclear-armed superpowers. But today’s nuclear language, which is coming thick and fast from [Russian president Vladimir] Putin, from people around him, where do you put that in terms of the threat we are facing today? 

 

HK: We are now [faced with] with technologies where the rapidity of exchange, the subtlety of the inventions, can produce levels of catastrophe that were not even imaginable. And the strange aspect of the present situation is that the weapons are multiplying on both sides and their sophistication is increasing every year. But there’s almost no discussion internationally about what would happen if the weapons actually became used. My appeal in general, on whatever side you are, is to understand that we are now living in a totally new era, and we have gotten away with neglecting that aspect. But as technology spreads around the world, as it does inherently, diplomacy and war will need a different content and that will be a challenge. 

 

FT: You’ve met Putin 20 to 25 times. The Russian military nuclear doctrine is they will respond with nuclear weapons if they feel that the regime is under existential threat. Where do you think Putin’s red line is in this situation? 

 

HK: I have met Putin as a student of international affairs about once a year for a period of maybe 15 years for purely academic strategic discussions. I thought his basic convictions were a kind of mystic faith in Russian history . . . and that he felt offended, in that sense, not by anything we did particularly at first, but by this huge gap that opened up with Europe and the east. He was offended and threatened because Russia was threatened by the absorption of this whole area into Nato. This does not excuse and I would not have predicted an attack of the magnitude of taking over a recognised country. I think he miscalculated the situation he faced internationally and he obviously miscalculated Russia’s capabilities to sustain such a major enterprise — and when the time for settlement comes all need to take that into consideration, that we are not going back to the previous relationship but to a position for Russia that will be different because of this — and not because we demand it but because they produced it. 

 

FT: Do you think Putin’s getting good information and if he isn’t what further miscalculations should we be preparing for? 

 

HK: In all these crises, one has to try to understand what the inner red line is for the opposite number . . . The obvious question is how long will this escalation continue and how much scope is there for further escalation? Or has he reached the limit of his capability, and he has to decide at what point escalating the war will strain his society to a point that will limit its fitness to conduct international policy as a great power in the future. I have no judgment when he comes to that point. When that point is reached will he escalate by moving into a category of weapons that in 70 years of their existence have never been used? If that line is crossed, that will be an extraordinarily significant event. Because we have not gone through globally what the next dividing lines would be. One thing we could not do in my opinion is just accept it. 

 

FT: You’ve met [Chinese president] Xi Jinping many times and his predecessors — you know China well. What lessons is China drawing from this? 

 

HK: I would suspect that any Chinese leader now would be reflecting on how to avoid getting into the situation in which Putin got himself into, and how to be in a position where in any crisis that might arise, they would not have a major part of the world turned against them. 

 

Transcribed by James Politi in Washington

 

Call for Papers: Rethinking International Communism: History and Legacies - Two-day conference in Liverpool, September 2022

Uma oportunidade para os que estudam o comunismo brasileiro no contexto mundial: 

CFP Deadline Extended: Rethinking International Communism: History and Legacies 

by Thomas Beaumont 

Your network editor has reposted this from H-Announce. The byline reflects the original authorship.

Type: 
Call for Papers
Date: 
May 20, 2022

Rethinking International Communism Conference: History and Legacies

Friday 2 - Saturday 3 September 2022

Liverpool John Moores University, Liverpool, UK

The AHRC-funded research network Rethinking International Communism aims to bring together scholars from a variety of disciplinary backgrounds who are engaged in the study of international communism and the Communist International (Comintern) between the world wars. Taking stock of recent trends in the literature, and examining new research agendas, the network provides a forum to reflect upon the past, the present and the future of Comintern studies.

This two-day conference in Liverpool invites participants to contribute to this reassessment of the history and legacies of the Comintern. We welcome papers of 20 minute duration which explore any aspect of Comintern history, and/or which address the legacies of the Communist International in the post-1945 era.

The conference keynote address will be delivered by Professor Brigitte Studer, Institute of History, University of Bern.

While for many years the history of the Comintern tended to trace a familiar path, with discussion dominated by the ‘centre-periphery’ debate, in more recent times scholarly attention has been increasingly drawn to new problems, informed by new approaches and methodologies. Pathbreaking work has been undertaken in the fields of anti-colonialism and anti-racism, and into the efforts of various Comintern organisations, and individuals, to construct a new international proletarian culture as a necessary step towards global revolution. Researchers too have continued to transform our understanding of the language, symbolism and practices of internationalism within national communist movements and parties. Increasingly, the old paradigms for making sense of the Comintern are proving inadequate. Bringing together a range of scholars across disciplinary boundaries, this conference aims to provide a step toward a new global reassessment of international communism.

Despite the dissolution of the Comintern in 1943, communist internationalism did not, of course, cease. Yet, the Comintern’s disciplined organisational model, and its ‘script for revolution’, appear to have been rapidly jettisoned by those seeking to effect radical political and social change. However, in this field too, scholars have increasingly emphasised important continuities. In contrast to the historical curiosity to which it has long been relegated, researchers have in recent years opened up new paths for understanding both the short and longer term legacies of the Communist International. This has notably been the case in the study of various specific political, social, cultural and aesthetic campaigns and movements in the post-1945 era which, at least in part, owed their existence to Comintern organisations and activists.

300 word abstracts, together with a brief 1 page CV, should be submitted to Comintern2022@ljmu.ac.uk by the extended deadline of Friday 20 May 2022. Successful applicants will be informed soon thereafter.

Contact Info: 

Dr Thomas Beaumont, Liverpool John Moores University

Dr Tim Rees, University of Exeter

Contact Email: 

The Four Russias and Ukraine - Mikhail Pirogovsky (The Moscow Times)

The Four Russias and Ukraine

Observations on Russia's stratified population and their attitude to war.

Mikhail Pirogovsky

 The Moscow Times – 23.4.2022

 

As I watch the war in Ukraine, two images have stuck in mind. One is the Russian looters surprised at the sight of Nutella in Ukrainian houses, which they apparently perceived as a sign of outrageously high living. The other is the last day of IKEA in Moscow, stormed by desperate Russian customers. Both can tell a lot, if we recall the existence of four Russias.

“Four Russias” was created by the geographer Natalya Zubarevich in 2011. She posited the existence four distinct socio-economic blocks: the Westernized urban conglomerates; the mid-sized cities and towns, where most of the population works for the state or a big industrial corporation; the villages, so removed from everything that Vladimir Putin is about as real for them as those guys on Mt. Olympus were for Hellenic shepherds; and the “ethnic republics,” which, for the purposes of this exercise, can be rolled into the two last categories.

If you are a Russian passport holder reading this, you’re one of the Westernized urbanites; if you don’t have a Russian passport and are reading this, they are probably 90% of the Russians you know.

They knew the disaster for what it was right on Feb. 24, and ever since they’ve been protesting, emigrating, or, silenced by dependents and war censorship, sitting at home glassy-eyed, watching their world crumble.

The bottom 20% can be described through dry economic data: hand-to-mouth living, no savings at all; still using the outhouse and relying on firewood to keep warm — both 20-25% of the Russian population — really. They are often employed, the “working poor,” living below the poverty line despite having a job. $150 is considered a decent monthly salary in the low places. Life expectancy and pension age are about the same for Russian males, so it’s a close race between death and a couple years’ retirement.

This is Russia beyond the big cities, in localities like Biysk or Porkhov. It’s all those townlets with a grey-on-grey color scheme and roads like they’ve just been bombed. Born there? Your alcoholic father has quite possibly been beating up your granny for her $150 pension, and junkies were doing salt in the back of your class in the eighth grade. Collection of scrap metal was an honorable alternative to petty theft, though the metal had to be stolen anyway. Your social circle was all sporting Adidas tracksuits, a third had done jail time. Chances are, you knew someone who killed someone. You sure knew someone who drank themselves to death (maybe it was your dad). And in lieu of the older generation to look up to, you got dames with permed hair, bloated from their cheap macaroni diet, hunched and dead-eyed before they turn 40. Somewhere, people were driving Ferraris, but you stood as much chance of becoming them as hitching a ride on the SpaceX Dragon. Not that you know what it is.

It's the young men from these low places who comprise a disproportionate percentage of the Russian invading force in Ukraine. Coupled with the simple fact that war breeds atrocity, especially a retro war like this one, is there any wonder that so many Russian soldiers, especially rank-and-file — but also some commanders from the same world — have turned to unspeakable crimes? Unspeakable to you and me, maybe; to them, it was just another Thursday — even in peacetime. The few who somehow picked up the importance of morals in spite of everything bailed out and never looked back. Or are dead. Morals are not conducive to survival in Biysk and Porkhov.

This is, of course, an explanation, not an excuse. Nothing excuses Bucha. But the why is important, especially if we don’t believe that ethnicity or passport makes you sinful by default.

And then there’s the IKEA crowd — the core of the nation, about 60% by my crude reckoning. This is an important group. The people in the red brick towers are terrified of popular uprising, and everything they do always factors in broad public support, albeit through lies and coercion.

What do they believe? It’s like that joke that the regime in Russia is really “mortgage realism”: Everyone understands everything, but they’ve all got loans to pay.

Russia is a stranger to prosperity. Always has been. Even without going back to the times of Tsar Alexis, it’s been an undeniably rough ride since 1914. The living generation still has collective trauma from the early 1990s.

And then, in the last two decades, a mortgage and a cheap car became a possibility.

We simply don’t appreciate how much this means to middle Russia. The squalor of the bottom 20% remains the default quality of life that the majority of the nation expects. But instead, there came an accumulation of all the small things that, together, spell — or at least promise — a qualitative shift. A smartphone; Lego and a party at a McDonald’s for your kid’s birthday; a car to drive to your own place. This was, in fact, that feeling of stability that Putin keeps talking about.

Now Middle Russia just wants to be left alone. It clawed out a small corner of peace and comfort for itself, which took Herculean effort. Now it can’t muster the mental strength to do or care for anything else.

That’s why the Russians rushed to IKEA to grab one last bit of prosperity before the economic storm hit. That’s why the mantra “it’ll all blow over in a couple months and be back to how it was on Feb. 23” is — to me — what the core of the Russian population really thinks.

They’re not anti-war, because they don’t have the energy for a political position, much less action — even before they were the object of the Kremlin’s hard work to stamp out any grassroots disagreement.

They’re not aggressive either. Besides, you side with what you fear — the authorities — so it doesn’t go after you. And you deny the horrors of war because accepting them would disrupt the small cozy world that took so much work to build.

This is why the popular theory that Russia is on the brink of neo-fascism is not convincing. Atomized people are easier to whip up into a totalitarian mob, but the call to arms would have to resonate with some underlying, possibly unarticulated aspirations within the population. Russians just want their IKEA back, and tickets to the latest in the Avengers movie.

Putin’s miscalculated, bloody blunder is still in an early stage. Nationwide food supplies will run out by May-June — not coincidentally when the Kremlin hopes to score a victory.

And then what? Even if there is a ceasefire — declare victory and go home — that would only be the beginning of troubles in Russia. As Lego vanishes, IKEA shows no sign of returning, and school exams are canceled for want of A4 paper…no, it won’t foment revolution. Yet. But once the war hysteria subsides, Putin’s approval ratings heading to Lukashenko-level lows.

That’s still ways off from a new president, much less a democracy, to say nothing of at least the beginning the atonement for what was — is still being — done in Ukraine. But the path back to IKEA leads through political action and a clear conscience, and the lure of Skubb and Kleppstad is strong.

La guerre de Poutine n'est ni sainte ni juste - Dominique Moïsi (Institut Montaigne)

La guerre de Poutine n'est ni sainte ni juste

Dominique Moïsi

 Institut Montaigne, Paris – 26/04/2022

 

"Dénazifier" l'Ukraine, défendre les valeurs traditionnelles de la grande Russie : Vladimir Poutine multiplie les prétextes pour justifier son invasion de l'Ukraine et faire passer cette agression pour une guerre "sainte". Une rhétorique qui l'éloigne encore un peu plus de la sphère démocratique internationale, explique Dominique Moïsi.

Guerre sainte ou guerre juste. Les deux concepts se confondent parfois. Cicéron présentait comme une "guerre juste" le combat de la civilisation romaine contre les barbares. Au Moyen-Âge, la volonté du christianisme occidental d'établir avec les Croisades son contrôle sur la Terre sainte donne naissance à l'expression de "guerre sainte". La guerre sainte est pour ses acteurs nécessairement juste. La guerre juste n'est que rarement sainte. Ces concepts issus de l'Antiquité et du Moyen-Âge s'imposent à nous presque comme des évidences au moment où le Moyen-Âge revient au cœur de l'Europe, au moment où des soldats violent des femmes de manière systématique, affament des populations civiles. Pourtant la Russie de Poutine entend présenter ses "opérations spéciales" contre l'Ukraine comme non seulement justes, mais de plus en plus avec la dérive idéologique du pouvoir comme sainte.

Dans la ville de Marioupol qui mérite - comme c'était le cas de Saint-Lô pendant la Seconde Guerre mondiale - le triste surnom de "Capitale des ruines", les troupes russes ont fait flotter, au côté de leur drapeau national, celui rouge orné de la faucille et le marteau jaune, de l'URSS. L'étendard d'un Empire qui a disparu il y a plus de trente ans, sur une ville qui vient d'être détruite à plus de 90 %… Le symbole est fort, terrifiant même. Il s'agit pour Moscou d'évoquer un temps où ce drapeau soviétique flottant fièrement au-dessus des ruines encore fumantes de la chancellerie à Berlin, traduisait la victoire de l'URSS sur l'Allemagne nazie. Nostalgie d'une période où l'empire soviétique était non seulement puissant mais pouvait se présenter comme l'une des incarnations du bien, face au mal, plus grand encore que lui, qu'était l'Allemagne d’Hitler. Face à un présent trouble et incertain, Poutine fait appel aux symboles du passé pour donner du sens à ses rêves de grandeur. Il peut ainsi proclamer à la face du monde que, tout comme en 1945, Moscou est en lutte contre les nazis : simplement ils étaient allemands hier, ils sont ukrainiens aujourd'hui.

 

L'église orthodoxe russe, pilier du régime

 

Mais la référence historique, aussi importante qu'elle puisse être pour un homme qui, dès son accession au pouvoir, a tenu à affirmer que "la plus grande tragédie du XXème était la disparition de l'URSS", n'est pas suffisante. En fait, pour comprendre ce qui se passe dans la tête de Poutine, il convient d'ajouter à la réécriture de l'histoire la dimension religieuse et d'évoquer le concept de guerre sainte. Une référence surprenante, ironique même lorsqu'elle est utilisée par un ancien officier du KGB soviétique. Et pourtant, c'est bien de cela dont il s'agit. Et le clergé orthodoxe russe, au service du nouveau tsar, est partie prenante de ce projet.

On pensait qu'à notre époque le concept de guerre sainte était réservé à l'islam et qu'il ne s'incarnait dans sa version musulmane qu'à travers le djihad. Le temps des Croisades était révolu depuis des siècles. L'Europe, lors de son expansion territoriale au Moyen-Orient, en Afrique et en Asie, s'était contentée de faire référence à sa mission civilisatrice. Et ce, même si l'impérialisme colonial européen mettait l'élargissement de la foi chrétienne aux côtés de ses ambitions de puissance et de richesse.En 2022 en Russie, c'est Kirill, le patriarche de Moscou, qui décrit l'invasion de l'Ukraine comme une mission sacrée d'autodéfense des valeurs traditionnelles face à des ennemis extérieurs incarnant le péché de la modernité corrompue et décadente.

L'Église orthodoxe russe, par ses déclarations, ne fait que confirmer ce qui a toujours été historiquement le cas (sauf pendant une courte période). Elle est l'un des piliers du régime autocratique en place. Avec le soutien de l'église orthodoxe russe, Poutine a créé une forme de syncrétisme idéologique qui fusionne dans un mélange détonant, respect pour la Russie tsariste et son passé orthodoxe, et célébration de la victoire des soviets sur le nazisme.

 

Une guerre des mots

 

C'est précisément parce que la guerre de Poutine est tout sauf "sainte" que le monde démocratique doit faire preuve de la plus grande prudence dans le choix de son langage. Les mots sont des armes qui peuvent se retourner contre ceux qui les utilisent avec trop de légèreté. Il appartiendra à la justice internationale de décider si l'armée russe a commis des crimes de guerre en Ukraine et si leur commandant en chef est bien - ce qui semble très probable - un criminel de guerre. L'expression de génocide se réfère à l'intention de détruire tout ou partie d'un peuple. Il est vrai qu'au fil du temps, le discours de certains propagandistes du Kremlin est devenu toujours plus ambigu, passant de la volonté de dénazification des hommes au pouvoir, à celle d'une partie du peuple ukrainien.

Pour autant, l'expression de génocide est forte et devrait être utilisée avec plus de prudence. Ce n'est pas aider l'Ukraine que de s'engager dans une guerre des mots avec Moscou : appel à la guerre sainte d'un côté, dénonciation du génocide de l'autre. L'Ukraine a besoin d'armes à longue portée et pas de mots excessifs.

Cela est d'autant plus vrai que la guerre menée par l'Ukraine est une guerre juste, au sens où l'entend le philosophe politique américain Michael Walzer. Alors même que la guerre entreprise par la Russie contre l'Ukraine n'entre clairement pas dans cette catégorie. Au moment où l'Ukraine se bat avec héroïsme et efficacité pour son indépendance, la Russie encercle et affame des populations civiles et réduit en cendres des villes ukrainiennes. Kyiv ne représentait pas une menace militaire ni à court, ni à moyen, ni à long terme pour la Russie et ne conduisait pas des actions génocidaires contre ses citoyens russes à l'est du pays. Enfin, l'Ukraine est tout sauf un acteur politique illégitime. En l'absence d'une cause juste, les moyens utilisés par la Russie apparaissent encore plus disproportionnés.

En s'appuyant sur le concept de guerre sainte, Poutine s'isole toujours davantage à l'international et il n'est pas sûr que son peuple le suive dans cette direction improbable. À l'inverse, la guerre menée par l'Ukraine s'impose chaque jour davantage comme étant ce qu'elle est, une guerre juste, une guerre de défense face à un despote revanchard et têtu.

 


Dominique Moïsi est un politologue et géopoliticien français. Il rejoint l'Institut en septembre 2016 comme conseiller spécial, notamment afin d'accompagner le développement de sa stratégie internationale.Membre fondateur de l’Institut français des relations internationales (Ifri) en 1979, il en a été le directeur adjoint puis conseiller spécial. Actuellement professeur au King’s College à Londres, il a enseigné à l'université d’Harvard, au Collège d'Europe, à l'École nationale d'administration, à l'École des hautes études en sciences sociales ainsi qu’à l'Institut d'études politiques de Paris. Chroniqueur aux Echos et à Ouest France, il publie également des articles dans le Financial Times, le New York Times, Die Welt et d'autres quotidiens. Il est membre de la Commission Trilatérale.Il est diplômé de Sciences Po Paris et d'Harvard, il obtient un doctorat en Sorbonne sous la direction de Raymond Aron, dont il a été l’assistant.

Pode-se isolar totalmente a Rússia? Seria inteligente fazê-lo? Funciona? - Ivan Krastev (Financial Times)

 To isolate Russia is not in the west’s power or interest

Treating the entire country as a geopolitical Chernobyl would be a strategic blunder

Ivan Krastev

Financial Times, Londres – 25.4.2022

 

As the world reeled from the shock of Russia’s invasion of Ukraine, one question was left unanswered. On whose behalf was the war declared? Are the majority of Russians hostage to Vladimir Putin’s imperial ambitions, or is Russian society the equivalent of Putin writ large? 

During the invasion’s first days, most Europeans leaned towards the hostage theory and expected ordinary Russians to voice their opposition. It took the revelation of the unfathomable atrocities in Bucha for public opinion to shift, reconceiving of Putin’s war as Russia’s war. 

The Kremlin’s total media control and growing repression were seemingly no longer sufficient to explain, let alone justify, the silence of Russian society. Did Russians not know the truth about Bucha or did they do not want to know it? Many Europeans were outraged by the way the country’s citizens swallowed hard and shut their eyes to their army’s barbarism. 

After the Chernobyl nuclear disaster in 1986, an exclusion zone was created around the reactor that exploded. For Europeans and for the western political mind generally, Russia has become a geopolitical Chernobyl: a site of moral disaster, a place of danger to be sealed off. And so many Europeans today are dreaming about a world without Russia. 

In their imagination the west no longer consumes Russia’s energy resourcesCultural contacts are severed and Europe’s borders are fortified. It would be as if Russia had disappeared. Even pathologically optimistic business leaders see little opportunity of reinvesting in Russian markets in the coming years. And while Putin remains in power, a significant easing of western sanctions appears a remote prospect. 

Many western policymakers have already given up on the hope of change in Russia. Instead they focus on measures aimed at limiting the country’s ability to achieve its foreign policy objectives. 

But any attempt to seal off Russia would be very different from the west’s cold war policy of containment of the Soviet Union. As George Kennan conceived it, containment was predicated on an assumption that over time the Soviet regime was destined to collapse because of its internal contradictions. A Chernobyl-style isolation would assume that Russia can never change. 

The cold war was rooted in a discourse in which the regime was to be blamed but the people declared innocent. The Soviet Union was depicted as a prison-house, and Soviet leaders were never recognised as legitimate representatives of their society. 

In contrast to this idea of an evil regime and a repressed people in which change is still imaginable, a policy that seeks to create an “isolated Russian zone” unconsciously adopts a discourse in which Russia as a civilisation is immutable. 

There are myriad moral reasons why Russia should be ghettoised as a geopolitical Chernobyl. But treating Russia as a collective Putin will be a strategic blunder. Here is why. 

First, this notion will primarily benefit the Russian leader. It unwittingly gives him the legitimacy to speak on behalf of the Russian people. Worse, it justifies his twisted narrative that the only Russia the west can tolerate is a weak or defeated one. If Russia is a geopolitical Chernobyl, the only reasonable strategy for any freedom-loving Russian is to bolt for the exits.

Second, an isolation strategy is probably self-defeating because it closes off interest in what is happening in Russia. It predicts that Russians’ failure to speak against the war means that the country will never change its attitude towards it. It will miss the fact that more than a few Russians support the war not because they support the regime but because they irrationally hope that the war will change the regime. 

Opposition-minded people hope that a defeat for the Russian army in Ukraine will bring Putin down. Many of his supporters relish the destruction of the despised, Putin-enabled offshore elite. In the words of a famous rock singer, after the west seized the property of the oligarchs, Russians finally became “equal like in 1917”. 

Third, to bet on a world without Russia is ultimately futile because the non-western world, which may not favour the Kremlin’s war, is hardly eager to isolate Russia. Many see the current barbarism as disgusting but not exceptional. They practice value-free realism. Many of the states that US president Joe Biden invited to his Summit for Democracy have not placed sanctions on Russia. 

Russia’s military offensive in the Donbas only intensifies the clash between those who view the country as morally irreparable and those who see it as an unavoidable reality in global politics. The offensive will force European public opinion to choose between “the peace party” (those who insist that the west’s priority should be to stop hostilities as soon as possible, even at the cost of major concessions from Ukraine) and “the justice party” (those who insist the priority should be to expel Russian troops from Ukrainian territory even at the cost of prolonged war). 

Peace and justice do not rhyme in European history. Whether you call the invasion of Ukraine Putin’s war or Russians’ war is not a matter of taste but a strategic choice. It signals the west’s expectations about its relations with post-Putin Russia, whenever that arrives.

 

The writer is chair of the Centre for Liberal Strategies, Sofia, and permanent fellow at IWM Vienna.

segunda-feira, 9 de maio de 2022

Brics: o asset que virou uma liability - Paulo Roberto de Almeida

Brics: o asset que virou uma liability

Paulo Roberto de Almeida 

 Vivendo e não aprendendo: o singular caso de um exercício apelativo para o mercado de investimento que acabou virando uma caixa de surpresas diplomática, e que acabou atraindo muita transpiração de acadêmicos e outros incautos.

Considero o Bric-Brics, não apenas um grande erro diplomático, mas também um golpe oportunista do Amorim com o Lavrov, esses dois espertalhões a serviço de causas obscuras; China e Índia foram trazidos de arrasto, mas a China sempre soube manipular mais um grupo (como a organização de Xangai e alguns bancos) para os seus próprios interesses, começando pela África do Sul. 

Surpreendente é como a corporação diplomática, supostamente tão sabida e integrada por barões experientes, se deixa arrastar por uma nova miragem de pote de ouro no final do arco-íris. Na verdade, se tratou apenas de submissão à palavra do chefete e de aceitação não refletida da megalomania do Grande Chefe. O que impede pessoas supostamente preparadas de refletir mais um pouco e de pensar em todos os efeitos de jogadas incertas? Faltaram exercícios de análise de custo-benefício nas aulinhas da corporação? Ou foi o tal besteirol da hierarquia-disciplina para soldadinhos de pelotão?

Sem dúvida, foi um dos grandes passos em falso de nossa diplomacia supostamente esclarecida. Teremos novas aventuras desse tipo com o retorno do Jedi. Afinal, todo mundo adora castelos no ar, incluindo alguns terrenos na lua.

Agora é a tal de moeda latina e a grande missão de “abrasileirar” os preços de combustíveis, retirando a grande vaca petrolífera da destruição a que ela estaria sendo submetida atualmente.

Até quando vamos continuar sendo seduzidos e enganados por novos flautistas de Hamelin? Até quando vamos aceitar gororoba como novidade gastronômica? A ilusão nunca termina?

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 9/05/2022

A sociedade russa e a guerra na Ucrânia: entre silêncios e dúvidas - Vera Ageeva (em Francês) - Diploweb

 

La société russe et la guerre en Ukraine : entre silence et doutes 

Par Vera AGEEVA, le 7 mai 2022  Imprimer l'article  lecture optimisée  Télécharger l'article au format PDF

Doctorante à Sciences Po Paris. Professeur associée de la Haute école des études économiques (HSE) en Russie depuis 2017.

33 tipeurs

Après avoir présenté les données officielles russes quant au soutien de l’opinion russe à « l’opération spéciale » (I), l’auteure démontre pourquoi les données officielles ne nous disent rien en vérité sur la société russe (II). L’étude présente ensuite ceux qui, en Russie, s’opposent à la guerre en Ukraine (III). Enfin, le propos s’ouvre sur une réflexion prospective en présentant deux tendances possibles pour l’avenir de la Russie.

I. Les données officielles

DEPUIS le 24 février 2022, avec la relance de la guerre de Moscou contre l’Ukraine, la communauté internationale s’est interrogée sur l’opinion publique russe et a cherché à savoir ce que les Russes pensent à propos de la guerre menée dans un pays voisin, et s’ils soutiennent vraiment leur gouvernement dans cette guerre qui ne dit pas son nom. La statistique officielle publiée par les agences d’étude de l’opinion publique en Russie a répondu à ces questions par l’affirmative. Plus encore, elle montrait qu’à mesure de l’avancement de l’armée russe en Ukraine le soutien de cette invasion de la part de la population russe augmentait.

La société russe et la guerre en Ukraine : entre silence et doutes
Vera Ageeva

Par exemple, les données de VTsIOM, le Centre Panrusse d’étude de l’opinion publique, semblait démontrer qu’après le 24 février 2022 les Russes faisaient encore davantage confiance au président Vladimir Poutine qu’auparavant. Ainsi le niveau de soutien est monté de 67,2% le 20 février 2022 à 81,6% le 3 mars 2022. A l’inverse, le niveau de méfiance a diminué (presque divisé par deux) de 27,9% à 15% vers le 3 mars.

Dans les conditions de censure particulièrement sévères concernant « l’opération militaire spéciale » russe en Ukraine (l’emploi du mot « guerre » au sujet à cette invasion étant interdit en Russie), les enquêteurs ne peuvent pas poser des questions directes et claires aux sondés. Néanmoins les questions sur la politique étrangère peuvent révéler l’attitude des Russes par rapport à ce qui se passe en Ukraine maintenant. Le sondage de VTsIOM sur le soutien à la politique extérieure menée par le Kremlin confirme les résultats des enquêtes sur le niveau de confiance au président : depuis fin février 2022 le soutien de la part des Russes ne cesse d’augmenter. Si fin janvier 2022 « seulement » 52% des sondés approuvaient la politique extérieure russe, vers fin mars 2022 cette part atteignait 64%.

VTsIOM étant le centre d’étude d’état, contrôlé par le Kremlin, il est nécessaire d’essayer de consulter les données des agences non directement affiliées au gouvernement russe. Mais même les données de centres d’étude d’opinion publique qui se présentent comme indépendants, par exemple « Levada-centre », enregistrent la même tendance : si en janvier 2022 le soutien au gouvernement était au niveau de 69%, vers fin mars 2022 il a augmenté à 82% [1]. Les sondages de la Fondation de l’opinion publique (FOM [2]), troisième agence dans ce domaine en Russie, montrent les mêmes résultats.

En réalité, les sondages effectués par les instituts d’opinion publique situés en Russie ne peuvent pas nous donner l’image réelle de la société russe.

Le soutien à la guerre de la part de la population russe parait indéniable selon les données des centres d’étude de l’opinion publique en Russie. Mais comment les Russes comprennent-ils les raisons et les objectifs de cette « opération militaire spéciale » ? Les réponses plébiscitées sont qu’il importe d’assurer la sécurité de la Russie, de démilitariser l’Ukraine et d’empêcher l’établissement de bases militaires de l’OTAN en Ukraine (71%), de protéger la population des républiques (non reconnues par le droit international) de Donetsk et Lugansk (52%), de changer la direction politique et renverser les nationalistes en Ukraine (21%), et d’abolir l’état ukrainien et de rattacher les territoires ukrainiens à la Russie (10%) [3].

La statistique officielle nous dresse une image de cohésion de la population russe autour du président Vladimir Poutine qui s’est encore affirmée avec la guerre que le gouvernement russe a déclenchée en Ukraine.

Néanmoins, une analyse profonde utilisant des sources alternatives remet en question cette image(rie) et nous conduit à nous demander ce que l’on sait véritablement de la société russe d’aujourd’hui.

II. Pourquoi les données officielles ne nous disent rien en vérité sur la société russe ?

En réalité, les sondages effectués par les instituts d’opinion publique situés en Russie ne peuvent pas nous donner l’image réelle de la société russe contemporaine pour les raisons suivantes :

1. Régime autoritaire établi en Russie. Selon Vladimir Gelman, politologue russe numéro un par sa réputation académique [4], le régime instauré par V. Poutine en Russie doit être qualifié d’autocratie électorale. Ce type de régime est pleinement conforme au schéma classique d’une autocratie avec la spécificité qu’il passe régulièrement par des cycles électoraux qui l’obligent à confirmer sa légitimité dans la société. Comme dans tous les régimes autocratiques, le pouvoir russe vise à contrôler toutes les instances publiques capables d’influencer la population russe : les partis politiques, les médias, les universités et les instituts d’opinion. L’administration du président russe a réussi à mettre la main sur les deux instituts principaux d’opinion publique russe - VTsIOM et FOM : leurs projets de sondages ainsi que les résultats de leurs enquêtes ont été étudiés et approuvés (ou rejetés) par le Kremlin. C’est pourquoi les données de ces deux agences représentent plus ce que le gouvernement russe veut voir en Russie que ce que la population russe pense vraiment.

Un exemple récent illustre bien les divergences entre les sondages de VTsIOM et l’opinion publique russe. En avril 2022 VTsIOM a publié les résultats d’un sondage sur l’attitude des Russes envers l’Europe communautaire. Les données de VTsIOM montraient qu’en 2022 l’attitude des russes envers l’Union européenne s’était considérablement dégradée : en comparaison avec 2021 quand 54% percevaient l’UE positivement, en 2022 ce chiffre était tombé à 18% et la part de ceux qui la voient négativement atteignait 55%.

Au niveau régional le média de Saint-Pétersbourg « Fontanka » a décidé de vérifier les résultats de sondages effectué par VTsIOM. Le sondage alternatif par « Fontanka » a montré un résultat inverse : 79% des sondés ont exprimé une attitude positive envers l’Europe communautaire et seulement 16% négative.

« Fontanka » fait partie du top-10 des médias d’internet les plus cités en Russie [5] et compte des lecteurs dans plusieurs villes russes [6].

Pourtant, les sondages du centre « Levada », qui se présente comme indépendant et non contrôlé par le Kremlin, confirment les données de VTsIOM et de FOM sur le soutien de la guerre par la population russe. Les facteurs suivants peuvent l’expliquer.

2. La machine de propagande d’État. Depuis 20 ans - dès ses premiers mois au pouvoir – V. Poutine a cherché à établir un contrôle sur les médias et à construire un système de propagande qui soit capable d’opprimer toute dissidence et d’endoctriner le peuple russe. En l’absence de vrais contrepoids au pouvoir, en agissant sur le parlement, sur l’indépendance du système judiciaire, sur une variété de médias avec des lignes éditoriales différentes accessibles au grand public, V. Poutine a instauré une machine de la propagande qui fonctionnait par la télévision, les médias sur internet et les trolls. Au sein de l’administration du président ont été créés des départements et ont été nommés des curateurs responsables du contrôle sur les médias en Russie. Cette machine de propagande s’est attachée pendant des années à convaincre les Russes que l’Ukraine était « un État nazi » et que l’Occident était un « ennemi de la Russie qui cherchait à la détruire par tous les moyens ». Les réponses des sondés reprenant mot à mot cette propagande montrent à quel point la propagande peut être puissante sous les régimes autoritaires, même au XXIème siècle.

3. Le phénomène des réponses « acceptables » sous les régimes autoritaires. Les sociologues attirent l’attention sur les spécificités des sondages dans les états non-démocratiques et notamment au phénomène des réponses dites « socialement acceptables » [7] que les sondés ont tendances à donner quand ils sont confrontés aux enquêteurs. Les sondages en Russie sont menés soit dans la rue soit par téléphone : ces deux moyens laissent la possibilité d’identifier une personne sondée. Ce risque force évidemment les sondés à être plus prudents dans leurs réponses et parfois même à donner les réponses qui seront mieux acceptées dans un régime autoritaire où la critique ouverte du gouvernement est sévèrement réprimée.

4. Les nouvelles lois russes introduisant la censure militaire. La peur que les Russes ressentaient dans les débats politiques avant février 2022 a été fortement renforcée avec les nouvelles lois que le gouvernement russe a adopté avec le déclenchement de la guerre avec l’Ukraine. Suite aux nombreuses manifestations contre la guerre, le président russe Vladimir Poutine a signé le 5 mars 2022 une loi prévoyant jusqu’à quinze ans de prison pour toute personne publiant des "informations mensongères" sur la guerre en Ukraine et des données « discréditant les forces armées russes ». Depuis, chaque personne qui oserait appeler une guerre « l’opération spéciale » en Ukraine, qui discuterait les frappes sur les quartiers résidentiels ukrainiens et les massacres de civils dans les villages occupées par l’armée russe (tous ces faits étant rejetés par le Kremlin comme provocations et mensonges) risque d’être jugée et emprisonnée en Russie. Même l’information envoyée par messagerie instantanée peut être considérée par les autorités russes comme ayant un impact public (des précédents ont déjà eu lieu en mars 2022 en Russie). Il n’est donc pas étonnant que les russes aient peur d’exprimer leur position dans des sondages et même dans des conversations entre collègues, parfois même avec les amis et les proches. La pratique des rapports politiques anonymes à la police est aussi revenue dans la société russe.

5. L’abstention massive et l’effet de loupe dans les sondages officiels. Les enquêtes initiées par les activistes indépendants ont pu révéler une caractéristique importante des sondages menées en Russie. En mars 2022 une tentative de sondage par la compagnie Russian Field a démontré une abstention massive des russes de toute conversation sur la guerre avec les enquêteurs : parmi 31 000 personnes que l’agence a pu joindre par téléphone, presque 29 000 ont raccroché dès qu’ils ont entendu une question sur « l’opération spéciale » en Ukraine [8]. Ce résultat a montré que les données reçues lors des autres sondages représentaient plutôt un effet de loupe sur une partie - non majoritaire - de la société russe qui n’a pas peur de parler car son opinion ne diverge pas de la position du gouvernement russe. Tandis que l’opinion de la majorité de la population reste floue pour les chercheurs.

Compte tenu de toutes les difficultés de l’analyse de l’opinion publique sous les régimes autoritaires, il peut être intéressant d’observer les réactions des lecteurs sur les actualités russes dans un fil sur Telegram. Les réactions similaires aux likes et dislikes sur Facebook peuvent être un marqueur important pour l’analyse de la société russe pour deux raisons : A. la loi russe pour le moment ne persécute pas encore pour des likes et dislikes sur Telegram, donc les lecteurs ont moins de craintes de les exprimer ;  B. les trolls que le gouvernement russe utilise massivement sont payés pour les commentaires (leur rémunération est calculée en fonction du nombre de commentaires pour les posts sélectionnés par leurs chefs), c’est pourquoi les trolls n’utilisent pas les likes et dislikes sur Telegram. La sélection des actualités mentionnant personnellement V. Poutine montre que la majorité - 2/3 à 3/4 des lecteurs - réagit à ces posts avec des « likes » négatifs et ainsi démentit les données de la statistique officielle en Russie.

Voici quelques exemples :

JPEG - 320.4 ko
Cliquer sur la vignette pour voir le graphique

Ces données de « microsociologie » peuvent nous apporter certains éléments utiles à une analyse de la société russe en l’absence de la possibilité de mener une recherche sociologique approfondie.

III. Ceux qui s’opposent à la guerre

Si l’opinion de la majorité de la population russe reste difficile à évaluer, le portrait sociologique des opposants ouverts à la guerre avec l’Ukraine et au régime de Poutine en général apparait plus clair et intelligible. Il n’existe pas pour le moment un chiffre fiable qui peut nous dire combien de Russes n’acceptent pas l’invasion russe en Ukraine depuis le 24 février 2022. La pétition russe « Non à la guerre » sur le site change.org en langue russe a reçu plus de 1 250 000 de signatures, ce qui est devenu un record parmi toutes les pétitions russes. Le portait sociologique de ce groupe au sein de la société russe peut être formé à partir des données suivantes :

1. La solidarité professionnelle entre les professions hautement qualifiées. Fin février-début mars 2022 plusieurs lettres ouvertes contre la guerre ont été signés par des centaines de personnes et publiées sur l’internet. Il s’agit des lettres des médecins, des artistes, des réalisateurs, des journalistes, des professeurs d’universités, des politologues, des économistes, des spécialistes informatiques, des entrepreneurs, des anciens élèves et étudiants d’universités (par exemple HSE) etc. Chaque lettre fut signée par des centaines de personnes. Ce phénomène particulier de la solidarité horizontale a émergé en opposition à la répression verticale qui descendait du Kremlin jusqu’aux dirigeants des médias, des entreprises, des théâtres et des universités.

La Russie a même connu un véritable exode des spécialiste du secteur informatique en mars 2022 (et cet exode continue aujourd’hui). Par exemple, la compagnie Yandex a perdu plusieurs top-managers importants qui se sont exilés avec le début de l’opération spéciale en Ukraine et a même dû ouvrir une filiale à Erevan (Arménie) où presque 2000 de ses spécialistes ont fui en mars (au total près de 5000 employés de Yandex sont partis à l’étranger ce qui fait 1/4 de leur effectif).

2. La position de l’intelligentsia russe. Début mai 2022, on constate qu’une majorité écrasante de l’intelligentsia russe s’oppose radicalement à la guerre que Poutine a déclenchée le 24 février 2022. Ainsi en est-il notamment de l’écrivain Boris Akounine, du réalisateur Andreï Zviaguintsev, de l’écrivaine Ludmila Ulitskaya, de l’actrice Chulpan Khamatova, de l’écrivain Dmitry Glukhovsky ainsi que des idoles de la jeunesse russes comme les chanteurs Oxxymoron, Monetotchka, Face et le blogger le plus populaire russe, Yuri Dud. L’intelligentsia russe en exil a créé le Comité contre la guerre et le projet d’entraide ‘L’Arche russe’. Les artistes russes donnent des concerts dans les pays de l’UE pour soutenir les réfugiés ukrainiens. Certains représentants de l’intelligentsia russe ont pris un risque à ne pas quitter la Russie tout en continuant à publiquement dénoncer la guerre.

3. La fracture générationnelle dans la société russe. Plusieurs sources indiquent qu’entre les jeunes de 18-25 ans et les plus de 55 ans il y a un fossé des valeurs et des différences considérables dans leurs évaluations de la politique en Russie. Les jeunes russes (NDLR : en âge d’être soldats) s’opposent massivement à cette guerre, ils sortent dans les rues, ce sont eux qui sont le plus souvent aujourd’hui arrêtés par la police lors des manifestations [9]. Les étudiants racontent aux professeurs dans les universités que le plus dur pour eux aujourd’hui est de parler avec leurs propres parents qui sont soit endoctrinés par la télévision soit paralysés par la peur des répressions, et par conséquent font pression sur leurs enfants pour les faire taire. La jeunesse russe moderne est mondialisée, ouverte à un dialogue avec les autres cultures, elle vit comme la jeunesse occidentale : elle écoute la même musique, regarde les mêmes séries, adore les mêmes marques et parle la même langue (lol, crush, chill etc.). C’est pourquoi elle rejette le narratif imposé par la propagande russe sur la confrontation existentielle entre la Russie et l’Occident.

Le sondage de « Levada-centre » révèle également comment les jeunes et les personnes plus âgées perçoivent la guerre que la Russie mène en Ukraine. Il montre que les jeunes Russes ressentent plus d’émotions troublantes par rapport à la guerre (honte, choc, dépression, peur) et beaucoup moins d’enthousiasme et de fierté pour la Russie.

JPEG - 161.6 ko
Quelles émotions vous ressentez par rapport à "l’opération spéciale" russe en Ukraine ?
Cliquer sur la vignette pour agrandir le graphique

Pour résumer, on peut constater que la partie de la société russe qui s’oppose ouvertement à la guerre en Ukraine et au régime de Poutine se caractérise en moyenne par un plus haut niveau intellectuel et professionnel et qu’elle est plus jeune que le camp des « supporters » du régime actuel : ces caractéristiques peuvent nous donner des éléments clés sur les évolutions de la société russe à l’avenir.

*

Et demain ? Deux tendances possibles pour l’avenir de la Russie

Même si la situation à la veille du 9 mai 2022 ne nous permet pas de mener une analyse complète et exhaustive de la société russe, il est possible grâce à certains facteurs de définir les tendances qui peuvent prévaloir à court et long terme.

Première tendance : absence de résistance au régime de Poutine et soutien de la politique agressive envers ses voisins et l’Occident. Cette tendance sera influente à court terme.

Pour le moment il n’y a pas suffisamment d’indicateurs qui permettent d’envisager une résistance massive ni à la guerre en Ukraine, ni au régime de Poutine. Une partie de la société endoctrinée par la propagande et soutenue par la machine oppressive d’État arrive à faire taire une autre partie qui ne soutient pas l’invasion. Il ne faut pas sous-estimer l’influence profonde sur la société russe, au minimum à court terme, de la propagande mise en place par le régime de V. Poutine. Le narratif avec lequel elle a réussi à endoctriner les Russes est fondé sur des idées autarciques, illibérales, obscurantistes ainsi que sur le culte de la guerre et la haine de l’Occident. Cette quasi-idéologie servira à court terme de contrat social de la société russe avec le régime de Poutine, qui ressemblera de plus en plus à un kleptofascisme complètement conforme aux 14 éléments constitutifs de tous les régimes fascistes :

1. Le culte de la tradition.
2. Le rejet du modernisme. 
3. Le culte de l’action pour l’action.
4. Le rejet systématique de la critique analytique.
5. Le racisme et la xénophobie. 
6. La frustration individuelle ou sociale.
7. L’obsession du complot, potentiellement international.
8. La représentation de l’ennemi comme puissant et faible en même temps.
9. Pas de lutte pour la vie mais plutôt une vie vouée à la lutte. Rejet du pacifisme.
10. L’idéologie d’un élitisme populaire : chaque citoyen appartient au meilleur peuple du monde.
11. Chaque citoyen est invité à devenir un héros. La glorification de la mort héroïque.
12. Le machisme, l’obsession homophobe, la misogynie.
13. Le populisme sélectif.
14. La Novlangue : un vocabulaire pauvre et une syntaxe rudimentaire de façon à limiter les instruments d’une raison critique. (Umberto Eco, Reconnaître le fascisme, éd. Grasset, 2017).

Les élites politiques russes (composées de trois groupes principaux - les oligarques, les apparatchiks et les siloviki, ou représentants des structures étatiques de force) se rallieront plutôt autour du président. Déjà aujourd’hui elles considèrent que la Russie doit gagner cette bataille avec l’Occident et qu’il faut consolider la société pour surmonter toutes les difficultés. Il faut tenir compte du fait que ce groupe n’est pas homogène : une certaine partie des oligarques s’est déjà dissociée de V. Poutine tandis que les siloviki continuent à obtenir plus de pouvoir dans le système étatique russe. Ce qui nous permet de dire qu’à l’avenir les siloviki pourraient accumuler un maximum de pouvoir dans l’état russe et établir un régime complètement totalitaire. En ce sens, la probabilité d’apparition d’une junte des siloviki en Russie est plus forte à court terme qu’une révolte populaire et des changements démocratiques.

Deuxième tendance : la montée des forces opposées au régime (qui sont à l’origine des opposants d’aujourd’hui). Cette tendance a plus de chances de devenir plus influente sur le long terme.

Même si les chances que les siloviki prennent le pouvoir dans leurs mains sont assez élevées, leurs capacités de maintenir la performance économique dans le pays sont limitées. Étant très corrompus, les siloviki pourront profiter des revenus pétroliers un certain temps mais ils ne pourront pas proposer un plan de développement social et politique pour la Russie. Leur incompétence patente en ces domaines pourra engendrer le mécontentement du peuple qui alors s’appauvrirait encore plus qu’il ne l’est maintenant (en dehors de Moscou et St. Pétersbourg). C’est ainsi que la couche de la société qui depuis longtemps propose des changements démocratiques pourrait apparaitre sur la scène politique russe et proposer une alternative à un régime en banqueroute.

Copyright 7 Mai 2022-Ageeva/Diploweb 


Relações Internacionais e Política Externa do Brasil - Paulo Roberto de Almeida (2012): sempre disponível em formato e-book

 Para os que não sabem, este meu livro continua disponível, mas agora apenas em formato e-book. Impresso só nos sebos.





Postagem em destaque

Como grandes impérios entram em crise, depois desaparecem... - Paulo Roberto de Almeida

  Como grandes impérios entram em crise, depois desaparecem... Se compulsarmos alguns dos volumes da grande obra, desde os anos 1930 até o p...