quinta-feira, 22 de maio de 2025

Muito além do 'Sul Global' - Maria Hermínia Tavares (FSP)

Muito além do 'Sul Global'

As relações entre Brasília e Pequim, importantes no plano comercial, não são um diálogo entre iguais

Maria Hermínia Tavares

Professora emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, é pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap)

Folha de S. Paulo, 22.mai.2025 à 0h03

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/maria-herminia-tavares/2025/05/muito-alem-do-sul-global.shtml

Manter o equilíbrio nas relações com os Estados Unidos, a China e a União Europeia talvez seja o principal desafio da política externa brasileira.

Há muito tempo, o país chegou à maturidade em suas relações com a grande potência do Norte e com as nações da zona do euro. Escapando do realinhamento político automático, o amadurecimento se expressa no baixo grau de conflito; na discussão pragmática das divergências; na cooperação onde possível; no distanciamento quando necessário; na autonomia sempre. O relacionamento oficial, gerido no dia-a-dia por diplomatas de carreira, independe em boa medida da linha dos governos de turno. (Exceção feita ao curto período em que o comando do Itamaraty foi assaltado pelo bolsonarismo delirante do ministro Ernesto de Araujo).

Na imagem, dois homens estão se cumprimentando com um aperto de mão. Ao fundo, há bandeiras do Brasil e da China. O ambiente parece ser uma sala de reuniões formal, com uma mesa à frente e flores decorativas. O homem à esquerda está vestindo um terno escuro e uma camisa clara, enquanto o homem à direita está usando um terno escuro. Ambos parecem sorrir durante o cumprimento.
Lula e Xi Jinping se cumprimentam durante visita do chefe de Estado brasileiro a Pequim - Tingshu Wang/AFP

Convém avaliar sob esse prisma a construção de relações maduras com a China, do que a recente visita do presidente Lula – e enorme comitiva – é um episódio.

Foi uma viagem mais do que oportuna. Quando Donald Trump desorganiza o comércio mundial com a ameaça de tarifas exorbitantes, o Brasil mostrou serem muitas as oportunidades a explorar com o gigante asiático, seu principal parceiro comercial. Dali saiu com promessas de investimentos de empresas locais da ordem de R$27 bilhões na produção automobilística, em energia renovável, transporte e delivery, insumos farmacêuticos e até bebidas. Como se pouco fosse, 0 Banco Central explora a possibilidade de empresas brasileiras captarem recursos por meio de lançamento de títulos em yuan, a moeda chinesa.
Mas convém lembrar que as relações entre Brasília e Beijing, embora tenham adquirido envergadura no plano comercial nestas últimas décadas, não configuram um diálogo entre iguais. Como observou o professor Maurício Santoro, da UFRJ, no livro "Brazil-China relations in the 21st century" publicado na Inglaterra, e a merecer tradução para o português, sob a retórica da cooperação Sul-Sul, o comércio entre os dois países se assemelha ao padrão da tradicional dependência Sul-Norte: vendemos commodities e importamos manufaturados.

Além do mais, a diferença de regimes políticos, inexistente no relacionamento com os Estados Unidos e a União Europeia, sugere cautela adicional no trato com a China autoritária.

A ideia do "Sul Global", se já teve serventia no passado, hoje mais atrapalha do que ajuda a definição de uma política externa realista do Brasil para com a China. Disso são prova certas declarações do presidente Lula e alguns vídeos oficiais sobre a viagem postados no seu Instagram oficial. O escorregão da primeira-dama no diálogo com Xi Jin Ping parece provir da mesma falta de clareza dos limites da cooperação sino-brasileira.

No já remoto ano de 1946, o deputado Octavio Mangabeira, da conservadora UDN (União Democratica Nacional) ajoelhou-se e beijou a mão do general Dwight Eisenhower, comandante das forças aliadas na Segunda Guerra Mundial e futuro titular da Casa Branca. Com o gesto, entrou para a História como exemplo da subserviência da oposição anti-getulista ao chamado "Grande Irmão do Norte". Quase 80 anos depois, pega mal um presidente de esquerda, por ingenuidade ou erro de cálculo, agir de forma assemelhada diante dos poderosos da vez.



Livro: Celeste Ribeiro-de-Sousa, “Imagens do Brasil: Quantos Espelhos? (em obras de escritores estrangeiros) - Mauro Bellesa (Boletim IEA-USP)

 Livro analisa imagens do Brasil em obras de escritores estrangeiros

por Mauro Bellesa publicado 19/05/2025 15:40 última modificação 21/05/2025 13:59

Capa do livro "Imagens do Brasil"

Em maio, o IEA lançou o e-book “Imagens do Brasil: Quantos Espelhos?”, organizado por Celeste Ribeiro-de-Sousa. Disponível gratuitamente no Portal de Livros Abertos da USP, a obra é resultante de simpósio homônimo realizado em outubro de 2022 pelo Grupo de Pesquisa Tempo, Memória e Pertencimento.

Além de questões ligadas ao uso e alcance do termo imagologia, os ensaios apresentam visões do Brasil presentes em obras de autores que viveram no país ou que apenas leram sobre ele em livros de terceiros.

De acordo com Ribeiro-de-Sousa, professora sênior de literatura de língua alemã da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e integrante do grupo de pesquisa do IEA, o objetivo do livro é estimular o debate sobre imagens literárias que espelham o Brasil, colocando em discussão algumas delas em contexto mais amplo.

Ela cita como exemplos os casos da escritora austríaca Paula Ludwig, as pinturas e desenhos da família francesa Taunay, dos italianos Giuseppe Ungaretti e Contardo Calligaris e do japonês Tatsuzo Ishikawa, que tiveram conhecimento da realidade brasileira in loco. No entanto, as visões do russo Daniil Kharms e do luso-angolano Luandino Vieira, que não viveram no país, "são inteiramente atravessadas por visões de outros. Aqui medram os estereótipos. E até os casos das narrativas dos indígenas Itapuku, Pedro Poti e Felipe Camarão são 'traduções' de europeus", afirma a organizadora do livro.

Relacionado

Simpósio "Imagens do Brasil: Quantos Espelhos?"
IEA - 24-26/10/2022

Vídeo1 | Vídeo2 | Vídeo3

Ela acrescenta que os ensaios permitem traçar um perfil sobre como os estrangeiros captam e traduzem literariamente a imagem do Brasil. Isso dá margem a um debate: "Em que medida essas imagens refletem o país que configuram ou são projeções de realidades que habitam seus autores; em que medida o país se reconhece ou não se reconhece nessas imagens e que implicações isso acarreta". O texto de abertura do conjunto de ensaios, "Ainda a Imagologia?", de Ribeiro-de-Sousa, historia e contextualiza na atualidade o conceito de imagologia na literatura comparada.

Mariana Holms, doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Língua e Literatura Alemã da FFLCH-USP, participa do volume com "Um Espelho Austríaco - Paula Ludwig no Exílio: Imagens Literárias do seu Brasil". Segundo Holms, a forma como a poeta austríaca enxergou o Brasil subverteu, "pela via da identificação, o olhar de superioridade que geralmente se lança da Europa ao país tropical com sua sociedade supostamente degradada – quando comparada ao imaginário utópico construído pela tradição ocidental colonizadora".

Carlos Guilherme Mota, José Saramago e Luandino Vieira
As críticas do angolano Luandino Vieira à ''inocência entusiasmada'' brasileira são abordadas no ensaio de Tania Macedo; na foto, Vieira é o primeiro à direita, ao lado de José Saramago, quando os dois foram recebido pelo então diretor do IEA, Carlos Guilherme Mota, em 1987

"Um Espelho Francês: O Brasil do Século 19 pelas Lentes dos Taunay: Os Difíceis Trópicos na Perspectiva de uma Família de Artistas Francesas" é o título do ensaio de Priscila Célia Giacomassi, professora do Instituto Federal do Paraná e autora de tese de doutorado sobre a contribuição dos Taunay na construção da identidade nacional. É o único dos textos que não trata de escritores, mas sim de pintores e desenhistas. Na conclusão, Giacomassi afirma que "é inevitável dizer que os registros dos viajantes Taunay fazem parte da tessitura que forma a ideia de quem nós fomos e, portanto, somos". Acrescenta que "as penas e os pincéis dos Taunay viajaram para e pelo Brasil do Oitocentos, contribuindo com sua parcela para compor o grande mosaico – ainda hoje incompleto – daquilo que entendemos como a identidade brasileira".

Aurora Bernardini, professora sênior da FFLCH-USP, é a autora de "Espelhos Italianos - A Imagem do Brasil segundo Giuseppe Ungaretti e Contardo Calligaris". Ela explica, a partir das considerações de Haroldo de Campos no artigo "Ungaretti e a Estética do Fragmento", que tanto a poesia quanto muitos momentos da ensaística do escritor italiano são caracterizados pela "poesia do fragmento". Essa forma se manifesta, escreve Bernardini, "na essencialidade com que Ungaretti formula seu juízo sobre o Brasil e, respectivamente, sobre Murilo Mendes, Vinicius de Moraes e Oswald de Andrade". Psicanalista e dramaturgo, Calligaris também "contribuiu para uma imagem do Brasil reveladora, além de apresentar pontos de contato com as impressões ungarettianas, de acordo com a autora. A tese principal para entender o Brasil proposta por Calligaris é a relação colono-colonizador, afirma Bernardini.

Apesar de a primeira leva de imigrantes japoneses ter chegado ao Brasil em 1908, só na década de 1930 os registros de imagens do país apareceram numa obra literária no Japão. Trata-se de "Sōbō", de Tatsuzo Ishikawa, ganhador do 1º Prêmio Akutagawa, criado em 1935. As impressões para o romance foram colhidas pelo escritor ao acompanhar cerca de mil imigrantes em viagem para o Brasil em 1930. Elas são o tema do texto "Espelho Japonês - Imagens do Brasil na Literatura de Tatsuzo Ishikawa Premiada em 1935", de Neide Hissae Nagae, professora sênior da FFLCH-USP.

Daniela Mountian, professora de língua e cultura russa do Instituto de Letras da UFRGS, retrata a presença do Brasil na literatura infantil do russo Daniil Kharms, precursor do absurdismo russo. O país é retratado como "não urbano e fora do seu tempo - não há referências a cidades ou a indústrias, elementos já presentes em testemunhos sobre o país naquele momento", comenta Mountian. Ela também tratou da presença brasileira em obras de outros dois russos, Ostáp Bénder e Samuil Marchk, e em tradução deste de um poema do britânico Rudyard Kipling.

"Espelhos Africanos - Da Admiração à Crítica: Imagens do Brasil na Literatura Angolana", de Tania Macedo, professora sênior do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFLCH, aborda em seu ensaio a visão dos escritores angolanos sobre o Brasil desde o século 19, quando José da Silva Maia Ferreira publica o primeiro livro de poemas na África de língua portuguesa, escrito em parte no Brasil. Outros escritores angolanos comentados no texto são José Eduardo Agualusa e Luandino Vieira. Macedo ressalta que "a lúcida crítica à inocência entusiasmada" que os textos de Vieira realizam, inauguram uma nova perspectiva e forjam novas imagens do Brasil na literatura angolana".

O ensaio final do livro é "Espelhos Indígenas - Itapuku, Pedro Poti e Felipe Camarão", de autoria de Eduardo de Almeida Navarro, professor titular do Departamento de Línguas Orientais da FFLCH-USP. Nas conclusões, Navarro afirma que o discurso indígena sobre a terra, sobre os europeus que passaram a dominá-la e sobre a cultura que se lhes impunha estava repleto de ambiguidades e de contradições: "Ao mesmo tempo em que vemos o índio católico Felipe Camarão atacar seu primo Pedro Poti por se ter aliado a protestantes, vemo-lo nutrir esperança de uma vida tradicional, como a de seus antepassados". Ele acrescenta que ao observar as críticas contundentes dos indígenas ao mundo civilizado e aos povos colonizadores da Europa pode-se perceber que nos séculos 16 e 17 já estavam em gestão concepções que encontrariam sua plena formulação com o Iluminismo.

Foto: USP Imagens


Os processos contra os golpistas (STF, BBC)

 Os processos contra os golpistas

(grato a Airton Dirceu Lemmertz pela compilação):

Quanto à denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) na Petição 12100 - contra integrantes do chamado coloquialmente "atos de 8 de janeiro" -, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) analisou a aceitação de quatro dos cinco Núcleos. Conforme postagem [do STF] em seu portal de notícias, a ordem cronológica do resultado das primeiras quatro análises:
- núcleo 1 ("Núcleo crucial"):
- núcleo 2 (gerenciamento de ações):
- núcleo 4 ("Núcleo da desinformação"):
- núcleo 3 (ações táticas - "Núcleo militar"):
Quanto ao núcleo 5 (desdobramento da desinformação), ainda não há data de julgamento, conforme BBC (https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgeggq2rrx5o...).
* Observação: a nomenclatura de cada núcleo é retirada da notícia no link a seguir: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgeggq2rrx5o... (portal BBC).

Convite: palestra sobre Política Externa e Diplomacia Brasileira - Paulo Roberto de Almeida (Academia de Letras de Brasília)


 

Convite da Academia de Letras de Brasília:

Política Externa e Diplomacia do Brasil: visão histórica por um ativo estudioso e um modesto praticante
Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Palestra na Academia de Letras de Brasília, em 4 de junho de 2025.

Esquema da palestra:
1. Introdução: da ordem mundial do segundo pós-guerra à desordem atual
2. O Brasil, presente na criação da ordem mundial contemporânea
3. Uma trajetória voltada para o estudo e a análise das relações internacionais
4. Prioridades a Guerra Fria: o desenvolvimento, no lugar da geopolítica imperial
5. Multilateralismo e relações regionais na Nova República
6. Rupturas na diplomacia: o lulopetismo e o bolsonarismo na política externa
7. O Brasil em face da fragmentação do multilateralismo e da segunda Guerra Fria
Referências bibliográficas pessoais
ANEXO: Sérgio Abreu e Lima Florêncio, “Paulo Roberto, o Embaixador Ombudsman”

A Academia de Letras de Brasília (ACLEB) convida Vossa Senhoria para a conferência “Política Externa e Diplomacia do Brasil: visão histórica por um ativo estudioso e um modesto praticante”.
Palestrante – Diplomata e Professor Paulo Roberto de Almeida.
Debatedor – Embaixador Sergio Couri
Moderador – Jornalista e escritor Hugo Studart
Organizador – Embaixador Sergio Florencio
Data – 4 de junho de 2025 (4ª feira)
Horário – 19 horas
Local – Escritório de Advocacia do Presidente da ACLEB -Raul Canal. Hotel Bonaparte. Setor Hoteleiro Sul. SHS Quadra 2 Bloco J. Sala 101.

Textos de referência: 

4920. “Política Externa e Diplomacia do Brasil: visão histórica por um ativo estudioso e um modesto praticante”, Brasília, 9 maio 2025, 15 p. Disponível na plataforma Academia.edu, link: https://www.academia.edu/129468123/4920_Politica_Externa_e_Diplomacia_do_Brasil_visao_historica_por_um_ativo_estudioso_e_um_modesto_praticante_2025_


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quinta-feira, 22 de maio de 2025

Sergio Florêncio: um livro como não há igual na diplomacia brasileira - resenha de Paulo Roberto de Almeida



Sergio Florêncio: um livro como não há igual na diplomacia brasileira - resenha de Paulo Roberto de Almeida

Reprodução de postagem de 2022, resenha de livro: 

terça-feira, 26 de abril de 2022

Sergio Florêncio: um livro como não há igual na diplomacia brasileira - resenha de Paulo Roberto de Almeida

 Sergio Florêncio: um livro como não há igual na diplomacia brasileira


 
 

Paulo Roberto de Almeida

Diplomata, professor

(www.pralmeida.org; diplomatizzando.blogspot.com)

Resenha do livro: Sergio Abreu e Lima Florêncio, Diplomacia, Revolução e Afetos: de Vila Isabel a Teerã (Curitiba: Appris, 2022; ISBN: 978-65-250-2114-0)


  

Diplomatas costumam ser funcionários discretos, afáveis, mas reservados; são muito cordiais, mas algo distantes; também são bem-informados, mas geralmente calados; quando escrevem memórias, elas são invariavelmente politicamente corretas, contando largos trechos do itinerário pessoal, mas evitando de ofender quaisquer parceiros diplomáticos, amigos ou “inimigos” do Brasil. Não é o caso deste livro de memórias pessoais e diplomáticas, de um grande e velho amigo de décadas na carreira e que teve uma das trajetórias mais fascinantes, tanto no plano pessoal e familiar, quanto no campo da diplomacia. 

O embaixador Sergio Florência compôs um relato inédito nos anais da diplomacia brasileira, talvez até mundial, o que transparece, aliás, no subtítulo da obra, “de Vila Isabel a Teerã”, antes e depois da revolução dos aiatolás. O título já chama a atenção, não só pelos termos, mas sobretudo pela proporção, inversa, de seus componentes: as “memórias” começam por sete capítulos dedicados à “revolução”, mais exatamente pelo “filho da revolução”, o do próprio Sérgio e de Sonia, nascido na capital iraniana na turbulência dos anos em que ele se desempenhou como “encarregado de negócios” na embaixada do Brasil, depois que o embaixador, muito ligado à família do xá, foi retirado pelo Itamaraty. 

A “diplomacia” aparece na segunda parte, dez densos capítulos, menos dedicados a temas de política internacional e bem mais a “personagens” da convivência profissional do autor, inclusive este que aqui escreve, homenageado duplamente, numa recepção em sua casa, quando de minha tardia promoção, e no segundo capítulo deste bloco, onde sou tratado como “o embaixador ombudsman”. Finalmente, a terceira parte, a mais emotiva e sensível, trata dos afetos, aparentemente apenas 26 deles, mas muito mais do que isso, como transparece em cada uma das linhas dedicadas a filhos, netos, à sua mulher, familiares, conhecidos, interações inesperadas, até animais. Finalmente, dois apêndices voltam a tratar da revolução iraniana e um final relata o refúgio na embaixada do Brasil em Quito, onde Sérgio era embaixador, do presidente do Equador, escapando de um golpe de Estado.

Quando digo que este livro de “memórias” não se parece em nada com outras memórias diplomáticas, fica transparente logo no primeiro capítulo da terceira parte, a dos afetos, quando Sérgio discorre de forma amorosa sobre o seu “meio século de flor amorosa” ao lado de Sonia, primeiro cercando aquela moça “muito linda, sabida e irreverente”, depois inventando uma desculpa qualquer para visitar a jovem revisora do Jornal do Brasil, para culminar no pedido de casamento, em 1971, e o que veio depois, como ele mesmo descreve numa mensagem ao filho, em 2021, sobre a lua de mel improvisada:

Cinquenta anos atrás eu partia com sua mãe, um Fusquinha branco, uma barraca, para uma aventura que gerou quatro filhos, oito netos, 27 mudanças de casa, sete países, uma Revolução Islâmica, um golpe de estado latino-americano e muitas coisas que as estatísticas não sabem contar. (p. 80)

 

A crônica seguinte, “A menina do Sacré-Coeur e o sertanejo do Seridó” vai no memo tom, relatando a miscigenação cultural entre uma estudante que falava francês e o migrante do sertão para a aventura no Rio de Janeiro dos anos 1930, que se encontraram alguns anos depois nos corredores do Ministério da Justiça e dos Negócios Interiores do Estado Novo: 

Nesse ministério..., a Menina do Sacré-Coeur, que falava francês e tocava piano, apaixonou-se pelo Sertanejo do Seridó, que gostava de trovadores, repentistas e de baião. Em certo sentido era a elite que se encontrava com o povo. (p. 83)

 

Mas não só a parte dos “afetos” tem esse tipo de tratamento coloquial, uma narrativa sobretudo intimista, um Proust de Vila Isabel, onde o casal se instalou, mas as duas outras partes também tratam de assuntos “sérios” num linguajar coloquial, quase um Balzac do subúrbio do Rio. Impagável é o relato da “avó monarquista”, a atalhar os netos que pretendiam que a República era mais democrática: “E a Inglaterra? Você quer dizer que o Brasil, essa republicazinha, é mais é mais democrática que a Inglaterra? Ora bolas, vocês são uns bobos.” (p. 96). Impressionante também é o relato, bem mais dramático, sobre a retirada da família de Teerã durante a revolução e a guerra contra o Iraque, quando Sérgio contrariou as instruções de Brasilia e fez pessoalmente a viagem de carro até a fronteira da União Soviética, quanto o Itamaraty queria que os familiares saíssem pela Turquia, o que revela o espírito decidido do então jovem diplomata encarregado de negócios: 

Considerava uma irresponsabilidade colocar os brasileiros diante de graves riscos apenas para cumprir uma ordem que desconhecia a realidade. Tive um bate-boca com um diplomata que minha memória seletiva apagou do mapa. Só me lembro esbravejando um grito de independência: ‘Vocês têm poder para fazer o que quiserem. Mas fiquem sabendo de uma coisa: minha mulher e nossos três filhos não vão pela Turquia de jeito nenhum. Vão pela União Soviética. Nem com ordem do Presidente da República.” O bate-boca chegou aos ouvidos do então Chefe da Divisão de Comunicações, que depois vim a descobrir ser uma pessoa encantadora – Claudio Sotero Caio – e foi aprovada a rota via União Soviética. (p. 35)

 

O resto desse relato é eletrizante, como se fosse um roteiro de filme de Hollywood, com lances sempre inesperados, inclusive trafegar a toda velocidade, com faróis apagados, numa Teerã em pleno toque de recolher. Mas não só os capítulos “revolucionários” são absolutamente fascinantes, todo o livro transparece a maneira otimista, e divertida, de relatar casos os mais bizarros e inusitados num estilo próprios dos grandes mestres da escrita, como aliás confirma o prefaciador, sob a pena do embaixador Rubens Ricupero: 

Se o livro de Sergio Florêncio fosse uma composição musical, não seria uma sinfonia, mas sim um ciclo de canções ou de peças de piano como as de Robert Schumann, ligadas por um fio comum. Isto é, em lugar de uma peça única cheia de som e fúria para orquestra grandiosa, o que nos oferece o livro é a escala humana intimista, em surdina, da música de câmara, um conjunto de breves textos alados, transpirando graça, leveza, humor e harmonia, durando dois ou três minutos no máximo, como as Cenas de Infância ou o Carnaval de Schumann. (p. 11)

 

Tenho especial satisfação de fazer esta resenha, não pela generosa dedicatória que Sérgio me fez, ao entregar-me o livro na Biblioteca do Itamaraty – na qual ele reconhece meu “trabalho competente e corajoso de denunciar os graves equívocos (e acertos) de nossa política externa” – mas também por dedicar um capítulo inteiro a este diplomata contrarianista, chamado de “embaixador ombudsman”, como já referido. Já seu primeiro parágrafo me soa inteiramente elogioso, mas também correto no plano institucional: 

Toda instituição de excelência necessita, com certa regularidade, fazer autocrítica. Entretanto, entre seus integrantes, poucos são aqueles com vocação ou capacidade para exercer essa difícil função.

O Itamaraty tem o privilégio de contar, em seus quadros, com um diplomata com esse perfil. Tem nas veias o sangue da contestação intelectual, o fascínio pelo debate de ideias e o respeito ao contraditório. Pessoas com essas virtudes têm, em geral, um percurso profissional marcado por incompreensão, crítica e injustiça. (p. 54)

 

Sou imensamente grato ao Sérgio Florêncio por ter reconhecido minhas tribulações profissionais, já pela segunda vez, durante a “tragédia” que foi a gestão do ex-chanceler acidental, como eu sempre me referi ao autor dos delírios diplomáticos durante a primeira metade do governo negacionista e antiglobalista: 

Nesse momento sombrio, Paulo tem sido o mais obstinado e contundente crítico da desastrosa política externa. Ele personifica o Ombudsman de uma instituição dilapidada em seus alicerces pela irresponsabilidade do presidente e do Chanceler. (p. 55; texto de 30 de janeiro de 2021, pouco antes da queda do desequilibrado gestor)

 

Mas ele também presta homenagem a um dos seus mais agradáveis chefes de posto, o romancista e acadêmico Josué Montello, que foi o titular da delegação do Brasil junto à Unesco, em Paris, quando Sérgio ali serviu com esse “Grande Contador de Histórias”, como se chama esse capítulo, no qual descreve o “método” de um escritor compulsivo que, acometido por insônia, encontrou a técnica para “enganar” a necessidade de dormir, com isso conseguindo produzir mais de cem livros:

Todas as madrugadas, por volta das três da manhã, ele despertava, sentava em frente a uma folha de papel em branco e não resistia. Era preciso preencher aquela ‘tabula rasa’ que nada continha. Mas que despertava irresistível encanto em meu Grande Contador de Histórias. (...)

Compreendi então sua máxima a respeito da irresistível atração que uma folha de papel em branco exerce sobre todo homem. Seria essa atração um movimento, uma inclinação de toda a humanidade? Seria o mero resultado de um metabolismo individual que passou a ser respeitado? Fica a pergunta no ar. (...)

Mas a atração da folha virgem alimentava uma criatividade exponencial, gerava frutos de uma mente que não parava de produzir histórias, de contar um conto sempre acrescentando um ponto. Tão grande era sua pulsão criativa, que nas manhãs de trabalho, como Embaixador do Brasil na Unesco, precisava contar a seu colaborador a arte de ocupar o espaço de uma folha de papel em branco. (p. 72)

 

Creio que eu e Sérgio padecemos do mesmo “mal”: não podemos ver uma folha de papel em branco, no meu caso prolongando a noite durante várias horas, madrugada adentro, nos velhos tempos preenchendo cadernos e mais cadernos de notas, de uns tempos para cá, contemplando uma desafiadora tela em branco no processador de textos. Assim concluo, pois, às 3hs da madrugada, a leitura deste fascinante livro de Sérgio Florêncio. Recomendo a todos que façam o mesmo, nos horários que julgarem mais convenientes. Comecem pelos afetos, depois enfrentem o roteiro da revolução e terminem pela diplomacia. Mas, em qualquer ordem, as crônicas desta autobiografia emotiva são absolutamente encantadoras.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 4135: 26 abril 2022, 4 p.


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Permito-me incluir aqui, nesta postagem, o capítulo do livro que ele dedica a mim: 


 

2.2 PAULO ROBERTO, O EMBAIXADOR OMBUDSMAN 


     In: Sergio Abreu e Lima Florêncio: Diplomacia, Revolução e Afetos: de Vila Isabel a Teerã (Curitiba: Editora Appris, 2022; p. 54-55) 


 

Toda instituição de excelência necessita, com certa regularidade, fazer autocrítica. Entretanto, entre seus integrantes, poucos são aqueles com vocação ou capacidade para exercer essa difícil função. 

O Itamaraty tem o privilégio de contar, em seus quadros, com um diplomata com esse perfil. Tem nas veias o sangue da contestação intelectual, o fascínio pelo debate de ideias e o respeito ao contraditório. Pessoas com essas virtudes têm, em geral, um percurso profissional marcado por incompreensão, crítica e injustiça. Esse é o caso de Paulo Roberto de Almeida. 

Personifica a inteligência contestatária que, apesar dos pesares, a instituição teve a sabedoria de preservar. Entretanto, essa vertente iluminista foi esquecida ao longo de uma década e meia e, nos últimos dois anos, sepultada da forma mais devastadora e abjeta. 

Conheci Paulo no início do Mercosul, ele assessor do Rubens Barbosa, e eu, Chefe da primeira Divisão do Mercosul, junto a talentosos jovens diplomatas, como Eduardo Saboia, João Mendes, Haroldo Ribeiro e Raphael Azeredo. Já naquele tempo era visível sua obstinação pelo conhecimento multidisciplinar, pela pesquisa, pela rebeldia esclarecida, pela irreverência intelectual, pela destruição criadora shumpeteriana que estimula seus neurônios. 

Sempre admirei essa essência anímica do Paulo – essa junguiana “chama da alma”. Diversas vezes o aconselhei a arrefecer a chama, mas jamais extingui-la. Na verdade, meu receio maior não residia na sua essência anímica, mas nos Bombeiros de Farenheit 451, sempre prestes a inverter a direção das labaredas. 

Paulo deu relevante contribuição para a política externa do período de Fernando Henrique, em especial no momento-chave da criação do Mercosul. Soube reconhecer os méritos da diplomacia de Lula, ao mesmo tempo em que se revelou crítico contundente dos graves excessos e desvios, particularmente comprometedores na gestão ineficaz e equivocada de Dilma. 

Pela crítica corajosa à influência negativa do PT sobre a diplomacia brasileira, foi vítima de prolongada e injusta marginalização que estacionou sua carreira. Apenas no governo Temer, com o Chanceler Aloysio Nunes, teve o reconhecimento merecido, mas adiado de forma injustificável por uma década e meia. Foi então nomeado Diretor do IPRI – Instituto de Pesquisa em Relações Internacionais. Ali estava o homem certo no lugar certo. Teve desempenho brilhante e altamente dinâmico. 

Nessa época, os jovens diplomatas que, junto comigo, conheceram Paulo nos chamados tempos heroicos do Mercosul, haviam então galgado posições de direção e souberam fazer justiça a esse batalhador da nossa política externa. Além disso, Embaixadores de grande prestígio, como Rubens Ricúpero e Rubens Barbosa (seu chefe durante anos), defenderam Paulo e se empenharam por sua promoção a Embaixador. Foi nesse momento que organizei encontro em nossa casa para celebrar o tão adiado reconhecimento do mérito. Disse então que não estávamos festejando a promoção do Paulo, porque era o Itamaraty que estava sendo promovido. Promovido pelo resgate da justiça. 

Com a eleição de Bolsonaro, a política externa brasileira perdeu prin­cípios, valores e paradigmas que marcaram sua história. Nas áreas de meio ambiente, direitos humanos, multilateralismo, relações bilaterais, o Brasil tem hoje a diplomacia do delírio, da submissão e do prejuízo ao interesse nacional. É uma tragédia a gestão do Chanceler Ernesto Araújo. 

Paulo, uma das primeiras vítimas desse desvario, foi logo afastado da direção do IPRI. O motivo, de tão ridículo, vale aqui ser lembrado – autorizou a publicação de entrevistas de FHC, Rubens Ricúpero e do próprio nos Cadernos de Política Exterior da Funag. 

Nesse momento sombrio, Paulo tem sido o mais obstinado e contundente crítico da desastrosa política externa. Ele personifica o Ombudsman de uma instituição dilapidada em seus alicerces pela irresponsabilidade do Presidente e do Chanceler.

 

Brasília, 30 de janeiro de 2021.


quarta-feira, 21 de maio de 2025

Política Externa e Diplomacia do Brasil: visão histórica por um ativo estudioso e um modesto praticante: palestra de Paulo Roberto de Almeida na Academia de Letras de Brasilia

Retransmitindo convite preparado por meu colega e amigo embaixador Sergio Florencio:

A Academia de Letras de Brasília - ACLEB convida V.S.ª para a conferência “Política Externa e Diplomacia do Brasil: visão histórica por um ativo estudioso e um modesto praticante”.

Palestrante: Emb. Paulo Roberto de Almeida 

Debatedor: Emb. Sergio Couri

Moderador: Jornalista Hugo Studart

Organizador: Emb. Sergio Florêncio

DATA; 04 DE JUNHO DE 2025

LOCAL: SHS, QD 02, BL J, Ed. BONAPARTE HOTEL - SALA 109 (Espaço de eventos da ANADEM)

HORÁRIO: 19h30 às 22H00

Confirmar Presença até 28 de maio

Telefones (61) 9 9995-7029

                   (61) 9 8510- 5800


CV Resumido do Conferencista:

Doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Bruxelas, com tese sobre as revoluções burguesas e a modernização capitalista do Brasil (1984).

Mestre em Planejamento Econômico e Economia Internacional pela Universidade de Estado de Antuérpia, com dissertação sobre o comércio exterior do Brasil sob o impacto do primeiro choque do petróleo (1977).

Graduado em Ciências Sociais pela Universidade de Bruxelas (1975)

Tese do Curso de Altos Estudos (CAE) do Instituto Rio Branco (IRBr), sobre a formação da diplomacia econômica do Brasil no século XIX (1997).

Professor do Mestrado e Doutorado do CEUB de 2004 a 2021.

Professor Convidado no mestrado do “Institut de Hautes Études de l’Amérique Latine (Sorbonne) (2012). 

Diretor Instituto de Pesquisa em Relações Internacionais da FUNAG/MRE (2016-2019)

Assessor Especial da Presidência da República no Núcleo de Assuntos Estratégicos (2003-2006).

Ministro Conselheiro na Embaixada em Washington (1999-2003).

Mais de uma dezena de livros individuais publicados. Participação em dezenas de livros coletivos. Centenas de artigos em revistas especializadas. Membro do Instituto Histórico e Geográfico do DF.”


Resenha do livro de Sergio  Florêncio: Diplomacia, Revolução e Afetos: de Vila Isabel a Teerã (2022):

https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/05/sergio-florencio-um-livro-como-nao-ha.html

terça-feira, 20 de maio de 2025

República Sindical da Corrupção - Paulo Roberto de Almeida

 República Sindical da Corrupção

Paulo Roberto de Almeida

O sindicalismo no Brasil sempre foi corrupto e isso desde sua vinculação propriamente fascista ao Estado, por acaso no Estado Novo, o regime relativamente mais próximo do fascismo que já tivemos no Brasil.

As tentativas de “repúblicas sindicais” nos anos Jango e depois, sob os vários governos do lulopetismo, corresponderam a novos avanços das quadrilhas sindicais sobre os recursos públicos. Lula pessoalmente se encarregou de perpetrar uma notória ilegalidade, ao incluir as centrais sindicais — que logo cresceram em número— na repartição do imposto sindical manipulado pelo ministério do Trabalho, o que era e sempre foi proibido pela legislação, que não reconhecia as centrais.

Quando o governo Temer efetuou a reforma laboral, eliminando o infame imposto sindical, surpreendeu-me a pouca resistência e os mínimos protestos emanados dos sindicatos e das centrais.

Mal sabia eu que as várias esferas do mundo sindical - do mais humilde sindicato, às federações setoriais e chegando à cúpula promíscua do MTb - estavam já todas mancomunadas no assalto combinado e exponencial aos magros pagamentos feitos pelo INSS aos milhões de pobres aposentados e pensionistas do Brasil inteiro, justamente as pessoas dotadas de menos acesso aos extratos completos de suas contas ou depósitos bancários.

A República Sindical já tinha efetuado assaltos monumentais nas transações manobradas pelo Estado, e não apenas via MTb, geralmente empresas estatais, fundações e também ONGs. Foram zilhões de reais desviados dessas entidades. Mas esses desvios no âmbito das aposentadorias e pensoes ficavam num circulo limitado de felizes assaltantes do dinheiro alheio. O que choca no caso do INSS — que tem, sim, junto com o MTb, uma enorme responsabilidade na montagem dos crimes continuados (mês a mês) — é o volume de vitimas humildes, as mais necessitadas desses magros tostões.

Talvez não seja só por acaso que o crime monstruoso cresceu de forma desmesurada justamente com o retorno da República Sindical ao poder, a mais intimamente conectada ao PT e seus coadjuvantes mafiosos. Ou melhor, há uma conexão lógica e “genética” entre uma coisa e outra.

Já não vou mais me surpreender se as investigações policiais e os trabalhos da CPMI revelarem uma cordilheira gigantesca de fraudes cientificamente calculadas para causar o máximo de perdas entre os beneficiários, não tanto pelos montantes, modestos, mas pelo volume milionário de roubos cumulativos. Deve ser um dos maiores escândalos da história dos roubos no Brasil.

Brasília, 20/05/2025

Almanaque conta 60 anos de história do Banco Central: 1965-2025

Almanaque conta 60 anos de história do Banco Central

Conheça fatos marcantes, que fazem parte da história econômica do País, protagonizados pela autoridade monetária. Comemorações têm o objetivo de tornar o BC mais próximo da sociedade.
BC, 14/05/2025

​Em abril deste ano, o BC completou 60 anos de existência. Para comemorar essa importante data, o Banco Central produziu um almanaque com verbetes que relatam os principais acontecimentos e realizações da autoridade monetária ao longo de sua trajetória.

Clique aqui para acessar o almanaque:

https://www.bcb.gov.br/site/partedanossahistoria

Textos curtos, fotos, gráficos e vídeos formam uma linha do tempo dos acontecimentos desde a pré-história do BC, em que a Casa da Moeda, o Banco do Brasil e a Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc) desempenharam funções de autoridade monetária, até as inovações mais recentes como a criação do Pix, do Open Finance e os estudos sobre o Drex.

“O Banco Central é uma instituição que protagonizou fatos importantíssimos da vida econômica nacional, o que torna a sua história muito rica. Resgatar e compartilhar essa história como parte das comemorações de seus 60 anos é, portanto, uma oportunidade", explica Izabela Correa, Diretora de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta do BC

Por exemplo, o Almanaque BC 60 anos conta que a lei 4.595 que criou o Banco Central foi promulgada em dezembro de 1964, entretanto, a autoridade monetária somente deu início às suas atividades em abril de 1965.

Assista ao vídeo com “causos" sobre os primeiros passos do BC:
https://youtu.be/fL_mBp_XgmE

No almanaque, o público encontra ainda informações sobre o pioneirismo do BC na informatização do sistema financeiro, com a criação do Sisbacen no ano 1985; sobre a criação da marca, em 1975, pelo arquiteto e designer Aloísio Magalhães; a respeito da reestruturação da dívida externa brasileira realizada em 1994; e diversos outros fatos da história econômica brasileira.

Planos Econômicos
Há também verbetes que relatam a epopeia do Brasil no combate à inflação, como, por exemplo, os planos econômicos que cortaram dezoito zeros das diversas moedas do nosso dinheiro ao longo do tempo. Naturalmente, a criação do Real em 1994 merece destaque nessa história.

Os últimos verbetes do Almanaque BC 60 anos são dedicados à agenda de inovação do BC, passando pela autonomia conquistada pela autarquia, até a criação do Pix, do Open Finance e os estudos sobre o Drex.

“As ações de comunicação das comemorações do aniversário têm o objetivo de aproximar ainda mais o Banco Central dos cidadãos. Por isso criamos uma campanha com o tema “Banco Central 60 anos – parte da nossa história", para lembrar que as realizações do BC ao longo do tempo fazem parte do dia a dia dos Brasileiros, explica Flávia Berçott, Chefe do Departamento de Comunicação.​

Acesse o site do Almanaque BC 60 anos:

A História poucas vezes se apresenta com tamanha clareza e nitidez - Paulo Roberto de Almeida

A História poucas vezes se apresenta com tamanha clareza e nitidez

Paulo Roberto de Almeida

        A verdade mais simples é esta: os Estados Unidos estão quebrados, falidos ou em processo visível de falência econômica e, sobretudo, de falência moral.
Trump vai apenas acelerar essa falência, sem que as elites plutocratas do país o impeçam de arrastar os EUA para o abismo. Ou seja, além de um declínio beirando o irresistível, uma cegueira completa.
        Até parece uma tragédia grega, mas no caso, trata-se de uma decadência romana, ou seja, por suas próprias falhas, sem qualquer derrota para algum novo império.
        Essa história de “calcanhar de Aquiles”, de repetição da guerra do Peloponeso, representa dar uma grandiosidade que não existe ao que é simplesmente um gigantesco tiro no pé, administrado por um presidente demencial.
    Brasília, 20/05/2025 (o dia em que os europeus devem aplicar novas sanções à Rússia; nem perguntem qual é a posição de Trump)

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