domingo, 8 de fevereiro de 2026

Madame IA (via ADL) quer novamente ser politicamente correta e passa e amenizar a situação - Paulo Roberto de Almeida

 Aqui é o caso de remeter novamente a meu texto anterior, contido em "Pense um Pouco..." – disponível no seguinte link: – https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/02/madame-ia-via-airton-dirceu-lemmertz-se.html – e depois ver como Madame IA tenta contemporizar com um problema que é antes de tudo de ORDEM MORAL (pelo menos eu acreito que a diplomacia brasileira deveria se guiar, não apenas pelo "pragmatismo frio", mas também por considerações de ordem moram na sua conduta e manifestações): 

Paulo Roberto de Almeida

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Compare essa visão [do texto mencionado, entre aspas, anteriormente] com as notas oficiais [e hipócritas] do Itamaraty sobre todos esses conflitos específicos para verificar o contraste absurdo.


Para realizar essa comparação, é preciso observar o contraste entre o tom emocional e moralizante do texto citado e o tom técnico, impessoal e jurídico (muitas vezes chamado de "diplomatiquês") das notas do Itamaraty.
Enquanto o texto que você trouxe foca no sofrimento individual e na culpa direta dos dirigentes, o Itamaraty, historicamente e sob a atual gestão, prioriza princípios como a não intervenção, a solução pacífica de controvérsias e a preservação do diálogo para manter o papel do Brasil como mediador.
Abaixo, apresento o contraste entre a visão do seu texto e a postura oficial do governo brasileiro:
1. Caso Venezuela e Cuba:
O Texto diz: Fala em "povo sacrificado pelos próprios dirigentes", "fuga da miséria" e "repressão".
O Itamaraty faz: O governo brasileiro retomou relações diplomáticas plenas com ambos. As notas oficiais sobre eleições ou crises internas costumam usar termos como "acompanha com preocupação" e reiteram a importância do "diálogo entre as partes".
O Contraste: Para o autor do texto, isso é conivência. Para o Itamaraty, é pragmatismo: o Brasil acredita que isolar esses países agrava a crise e retira a influência brasileira para negociar soluções.
2. Caso Rússia e a Guerra na Ucrânia:
O Texto diz: "Ofensiva sem sentido", "soldados enviados à morte" e "contratos fraudulentos".
O Itamaraty faz: O Brasil votou a favor de resoluções na ONU que defendem a integridade territorial da Ucrânia, mas as notas oficiais evitam sanções e críticas diretas a Putin. O Itamaraty frequentemente afirma que "o fornecimento de armas e o isolamento de uma das partes não contribuem para a paz".
O Contraste: O texto vê uma agressão unilateral clara. O governo brasileiro adota uma postura de neutralidade ativa, tentando se posicionar como um "clube da paz", o que críticos interpretam como uma forma de não antagonizar um parceiro estratégico do BRICS.
3. Caso Irã e Repressão aos Protestos:
O Texto diz: Manifestantes "recebidos a balas" por uma "ditadura teocrática islâmica".
O Itamaraty faz: O Brasil tem um histórico de abstenção ou votos cautelosos em resoluções da ONU que condenam o Irã por direitos humanos. As notas costumam ser genéricas, defendendo a "liberdade de expressão", mas sem citar nomes de dirigentes ou condenar o regime de forma enfática.
O Contraste: Onde o texto vê um massacre moralmente intolerável, o Itamaraty opera sob a lógica da soberania nacional, evitando críticas que possam fechar canais de comércio e diálogo no Oriente Médio.
* Quadro Comparativo: Retórica vs. Diplomacia:
Ponto de Análise - Texto Citado (Visão Moral) - Notas do Itamaraty (Visão Institucional):
> Linguagem - Emocional, direta e acusatória. - Neutra, técnica e contida.
> Foco - O sofrimento das vítimas e a culpa dos ditadores. - A estabilidade regional e o direito internacional.
> Objetivo - Denunciar a injustiça e exigir ruptura. - Manter canais abertos e evitar o isolamento de parceiros.
> Percepção de Críticos - Coragem moral e clareza ética. - Hipocrisia, omissão ou "passada de pano".
* Por que o contraste parece "hipócrita"?
A sensação de hipocrisia apontada por muitos críticos (e sugerida em sua pergunta) decorre da distância entre o discurso de "defesa da democracia e dos direitos humanos" (comum em palanques internos) e a prática diplomática, que muitas vezes silencia sobre violações de aliados ideológicos ou parceiros econômicos.
Para o governo, essa postura é chamada de Universalismo (falar com todos); para os críticos, como o autor do texto, é uma escolha ideológica que sacrifica os valores democráticos em nome de alianças políticas.

Fonte (IA Gemini):

Madame IA (via Airton Dirceu Lemmertz) se mete a me dar lições de diplomacia, esquecendo de ler a Carta da ONU - Paulo Roberto de Almeida

 Madame IA, invocada pelo sempre atento Airton Dirceu Lemmertz a minhas postagens provocadoras, está sempre "passando pano", ou sendo politicamente correta, para contestar minhas posições.

Essa coisa de ser neutro, de pedir que as causas "dialoguem pacificamente", de "não fornecer armas para não agravar o número de mortos", a quem está sendo agredido por uma força maior, unilateralmente, é, me desculpe Madame IA, de uma covardia impar. Fico com os meus argumentos, e recorro à Carta das Nações Unidas que admite, plenamente, que os Estados membros adotem ações, mesmo à margem do CSNU, para a defesa de uma parte agredida por um agressor que violou os princípio e as disposições da Carta, o que implicitamente significa que qualquer membro tem o direito e o DEVER MORAL de vir em socorro da parte agredida: 

ARTIGO 2: (...)

2. Todos os Membros, a fim de assegurarem para todos em geral os direitos e vantagens resultantes de sua qualidade de Membros, deverão cumprir de boa fé as obrigações por eles assumidas de acordo com a presente Carta.

3. Todos os Membros deverão resolver suas controvérsias internacionais por meios pacíficos, de modo que não sejam ameaçadas a paz, a segurança e a justiça internacionais.

4. Todos os Membros deverão evitar em suas relações internacionais a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial ou a dependência política de qualquer Estado, ou qualquer outra ação incompatível com os Propósitos das Nações Unidas.

5. Todos os Membros darão às Nações toda assistência em qualquer ação a que elas recorrerem de acordo com a presente Carta e se absterão de dar auxílio a qual Estado contra o qual as Nações Unidas agirem de modo preventivo ou coercitivo.

ARTIGO 51 - Nada na presente Carta prejudicará o direito inerente de legítima defesa individual ou coletiva no caso de ocorrer um ataque armado contra um Membro das Nações Unidas, até que o Conselho de Segurança tenha tomado as medidas necessárias para a manutenção da paz e da segurança internacionais. As medidas tomadas pelos Membros no exercício desse direito de legítima defesa serão comunicadas imediatamente ao Conselho de Segurança e não deverão, de modo algum, atingir a autoridade e a responsabilidade que a presente Carta atribui ao Conselho para levar a efeito, em qualquer tempo, a ação que julgar necessária à manutenção ou ao restabelecimento da paz e da segurança internacionais.

Acho que Madame IA deveria reler a Carta da ONU e aplicá-la ao caso da Ucrânia, por exemplo. Alías, o Brasil também.

Paulo Roberto de Almeida

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Agora vem a parte de Madame IA: 

"Pense um pouco… Pense num povo sacrificado pelos seus próprios dirigentes: sacrificado tanto pela via econômica, quanto por enviar seus soldados a uma morte sem sentido, e mais ainda, por atirar e matar o seu próprio povo! Pensou? Descobriu de quais países, de quais dirigentes estou falando? Não é difícil descobrir. Pessoas, centenas, milhares, milhões no total, que fogem da miséria, da repressão, da falta de qualquer esperança de melhoria, que fugiram da falta de alimentos, de remédios, de cuidados, de segurança. Pense em Cuba, na Venezuela, em outros países governados por ditaduras. Centenas, milhares de soldados, profissionais, recrutados, criminosos engajados, mercenários estrangeiros, atraídos por contratos fraudulentos, enganosos, todos enviados às frentes de combate, para morrer, numa ofensiva sem sentido, sem qualquer objetivo nacional. Pense na Rússia. Pense em manifestantes saídos às ruas e às praças, para protestar contra uma situação intolerável, recebidos a balas, atingidos por fuzis, deliberadamente, para matar, a todos, indiscriminadamente. Pense no Irã, nos aiatolás, nos guardas armados da ditadura teocrática islâmica. Pense em tudo isso. Depois pense na postura do governo brasileiro em face de todos esses exemplos. Apenas pense…". ANALISE DE MODO DETALHADO E CRÍTICO O CONJUNTO DE INFORMAÇÕES DO TEXTO ACIMA, ENTRE ASPAS.


O texto apresentado é um artigo de opinião de caráter argumentativo e retórico, construído para induzir o leitor a uma conclusão crítica específica sobre a política externa do atual governo brasileiro. Ele utiliza a técnica da analogia por acumulação, conectando diferentes crises geopolíticas sob um denominador comum: o autoritarismo.
Abaixo, apresento uma análise detalhada e crítica dividida por eixos temáticos:
1. Estrutura Retórica e Apelo Emocional:
O autor utiliza a interpelação direta ("Pense um pouco...", "Descobriu?") para engajar o leitor em um processo de descoberta guiada. A linguagem é carregada de termos de forte impacto emocional ("morte sem sentido", "miséria", "repulsão", "contratos fraudulentos"), o que visa criar uma resposta moral imediata antes mesmo da análise factual.
2. Análise dos Recortes Geopolíticos:
O texto agrupa quatro nações com problemas distintos sob a mesma moldura de "sacrifício do povo":
- Cuba e Venezuela (Crise Socioeconômica): O texto foca na crise migratória venezuelana e nas dificuldades econômicas de Cuba. A crítica foca na incapacidade desses regimes de prover necessidades básicas, resultando no êxodo populacional.
- Rússia (Guerra e Mobilização): A referência aos "contratos fraudulentos" e "ofensiva sem sentido" remete diretamente à Invasão da Ucrânia. Aqui, a crítica é sobre o sacrifício de soldados e o uso de mercenários (como o antigo Grupo Wagner) em uma guerra de agressão.
- Irã (Repressão e Teocracia): O trecho sobre manifestantes "recebidos a balas" refere-se aos protestos iniciados pela morte de Mahsa Amini, onde a repressão estatal foi documentada por órgãos internacionais como a Anistia Internacional.
3. Crítica à Política Externa Brasileira:
O cerne do texto é o "silêncio" ou a "postura" do governo brasileiro. A crítica implícita é de que o Brasil adotaria uma ambiguidade estratégica ou uma "neutralidade benevolente" em relação a esses regimes.
- Contraponto Crítico: Analistas de relações internacionais, como os do Conselho Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), frequentemente debatem se a postura do Brasil é uma busca por mediação diplomática (pragmatismo) ou uma conivência ideológica. O texto assume a segunda interpretação.
4. Limitações e Viés:
Embora os fatos mencionados (crise na Venezuela, guerra na Rússia, repressão no Irã) tenham base em relatórios de direitos humanos, o texto é unilateral:
- Falta de Nuance: Não menciona as sanções internacionais que também impactam as populações desses países.
- Generalização: Coloca regimes muito distintos (uma autocracia ortodoxa, uma teocracia islâmica e ditaduras de esquerda) no mesmo "pacote", ignorando as complexidades históricas de cada região. 
* Conclusão:
O texto funciona como uma peça de persuasão política. Ele não busca uma análise acadêmica da geopolítica, mas sim denunciar o que considera uma "hipocrisia moral" da diplomacia brasileira ao manter laços ou evitar condenações enfáticas contra governos acusados de violar direitos humanos.

Fonte (IA Gemini):

Pense nos que fugiram, tombaram, foram mortos - Paulo Roberto de Almeida

Pense nos que fugiram, tombaram, foram mortos

 Paulo Roberto de Almeida 

Pense um pouco…

Pense num povo sacrificado pelos seus próprios dirigentes: sacrificado tanto pela via econômica, quanto por enviar seus soldados a uma morte sem sentido, e mais ainda, por atirar e matar o seu próprio povo!

Pensou? Descobriu de quais países, de quais dirigentes estou falando?

Não é difícil descobrir.

Pessoas, centenas, milhares, milhões no total, que fogem da miséria, da repressão, da falta de qualquer esperança de melhoria, que fugiram da falta de alimentos, de remédios, de cuidados, de segurança. Pense em Cuba, na Venezuela, em outros países governados por ditaduras.

Centenas, milhares de soldados, profissionais, recrutados, criminosos engajados, mercenários estrangeiros, atraídos por contratos fraudulentos, enganosos, todos enviados às frentes de combate, para morrer, numa ofensiva sem sentido, sem qualquer objetivo nacional. Pense na Rússia.

Pense em manifestantes saídos às ruas e às praças, para protestar contra uma situação intolerável, recebidos a balas, atingidos por fuzis, deliberadamente, para matar, a todos, indiscriminadamente. Pense no Irã, nos aiatolás, nos guardas armados da ditadura teocrática islâmica.

Pense em tudo isso.

Depois pense na postura do governo brasileiro em face de todos esses exemplos.

Apenas pense…

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 8/02/2026


"Ou foges ou morres": estes homens dizem ter sido enganados pela Rússia para lutarem na Ucrânia - Larry Madowo e Katharina Krebs CNN

"Ou foges ou morres": estes homens dizem ter sido enganados pela Rússia para lutarem na Ucrânia

CNN , Larry Madowo e Katharina Krebs
7/02/2026
https://cnnportugal.iol.pt/guerra/guerra-na-ucrania/ou-foges-ou-morres-estes-homens-dizem-ter-sido-enganados-pela-russia-para-lutarem-na-ucrania/20260207/69838cb7d34e92a344986fb6

Documentos do exército russo de Patrick Kwoba (CNN)
Primeiro são forçados a alistar-se no exército, depois recebem treino militar - pouco - e, num espaço de semanas, são enviados para a linha da frente com ordens para combater o exército ucraniano. Os contratos são assinados sem direito a advogados ou tradução. Esta é a estratégia da Rússia para recrutar civis vindos de África e torná-los em mercenários.
Anne Ndarua luta para conter as lágrimas quando fala sobre o seu único filho. Há seis meses, Francis Ndung'u Ndarua foi para a Rússia com a promessa de um emprego como engenheiro elétrico. A mãe não consegue entrar em contacto com ele desde outubro e já não consegue ter certezas de que o filho esteja vivo.
Em dezembro, alguém enviou a Anne um vídeo do seu filho a alertar outros africanos para não viajarem para a Rússia por causa de ofertas de emprego. “Vão acabar por ser levados para o exército, mesmo que nunca tenham servido nas forças armadas, e serão postos na linha de frente da batalha. E há mortes reais”, diz ele no vídeo, enviado de um número queniano desconhecido. “Muitos amigos morreram em nome do dinheiro”, acrescenta.

Cerca de uma semana depois, um vídeo perturbador de Francis viralizou nas redes sociais. De uniforme, com uma mina terrestre amarrada ao peito, o homem tem uma expressão assustada enquanto um russo, usando insultos racistas, diz que ele será usado como um “abridor de latas” para romper as posições do exército ucraniano.

“É tão traumatizante”, disse Anne à CNN, acrescentando que não assistiu ao vídeo depois de a sua filha lhe descrever o que se via nele. Desolada com a situação do filho, Anne só concordou em ser entrevistada como um último recurso para tentar levar os governos do Quénia e da Rússia a agir.

“Apelo aos governos do Quénia e da Rússia para que trabalhem juntos para trazer aquelas crianças de volta para casa”, pediu. “Eles mentiram-lhes sobre empregos reais e agora estão na guerra com as suas vidas em perigo.”

Um vídeo viral perturbador mostra Francis Ndung'u Ndarua de uniforme com uma mina terrestre amarrada ao peito enquanto um agente russo profere insultos racistas. (CNN)
Francis, de 35 anos, estava desempregado e morava com a mãe numa pequena comunidade nos arredores de Nairóbi antes de partir, tendo pagado cerca de 620 dólares a um agente para facilitar a oportunidade. Anne ficou surpreendida quando Francis informou a família de que estava a ser forçado a fazer treino militar ao chegar à Rússia. Depois de três semanas de treino básico, o jovem do Quénia foi enviado para a Ucrânia, conta Anne.

Francis é apenas um dos cada vez mais numerosos africanos que lutam pela Rússia na Ucrânia, embora os números exatos não sejam conhecidos.

Uma investigação da CNN revelou novos detalhes sobre as táticas de recrutamento de agentes russos no continente, expondo as promessas otimistas feitas a africanos à procura de emprego, a realidade do serviço militar obrigatório e dos combates sangrentos que acabam por ser o destino de muitos deles na linha de frente. A CNN analisou centenas de conversas em aplicações de mensagens, contratos militares, vistos, voos e reservas de hotéis, além de reunir relatos em primeira mão de combatentes africanos na Ucrânia, para entender como a Rússia atrai homens africanos para reforçar as suas fileiras.

Francis Ndung'u Ndarua é retratado em uniforme militar. (Família de Francis Ndarua)
Vários governos africanos, do Botsuana, do Uganda, da África do Sul e do Quénia, já reconheceram a dimensão do problema. A imprensa local tem demonstrado como os cidadãos foram enganados para se tornarem mercenários da Rússia na Ucrânia, e as autoridades já alertaram outros para não seguirem o mesmo caminho.

Os Ministérios da Defesa e dos Negócios Estrangeiros da Rússia não responderam ao pedido da CNN para comentar as alegações de que alguns recrutas foram enganados ou coagidos. A CNN também tentou entrar em contacto com a embaixada russa em Nairóbi para comentar o assunto.

“Não recebi um único cêntimo”
A CNN falou com 12 combatentes africanos que ainda estão na Ucrânia – do Gana, Nigéria, Quénia e Uganda – que disseram que lhes foram oferecidos empregos civis, como motoristas ou seguranças. A maioria garantiu que lhes foi prometido um bónus de assinatura de 13.000 dólares, salários mensais de até 3.500 dólares e a cidadania russa no final do serviço.

Mas quando aterraram na Rússia, foram forçados a alistar-se no exército e receberam pouco treino antes de serem enviados para a linha da frente. De acordo com os testemunhos, foram obrigados a assinar contratos de serviço militar em russo, sem advogados ou tradução. Alguns tiveram os passaportes confiscados, tornando efetivamente impossível a fuga.

Embora a lei russa estabeleça que só se podem tornar soldados aqueles que conheçam o idioma, nenhum dos africanos entrevistados pela CNN falava russo. Os seus salários e bónus diferiam dos oferecidos aos soldados russos e variavam de recruta para recruta. Alguns dos entrevistados, também acusaram agentes de recrutamento ou colegas russos de roubar as suas contas bancárias. A CNN solicitou comentários ao Ministério da Defesa russo.

“Enquanto estávamos na linha de frente, um soldado russo obrigou-me a entregar o meu cartão bancário e a senha sob a mira de uma arma”, disse um combatente africano à CNN, sob condição de anonimato. Quando foi verificar, quase 15 mil dólares do seu bónus tinham sido roubados, deixando a sua conta quase a zeros, afirmou a vítima. “Estou aqui há sete meses e não recebi um único cêntimo. Eles continuam a prometer que vão verificar a situação, mas nada acontece.” Quatro outros que vieram para a Rússia com ele morreram, disse, enquanto lutava para conter as lágrimas.

As cláusulas traduzidas do contrato de serviço militar russo obtido pela CNN mostram uma imagem muito mais vinculativa e de longo prazo do serviço do que os agentes de recrutamento normalmente anunciam: além da promessa principal de um salário e benefícios, o contrato vincula o militar a obrigações amplas e indefinidas, incluindo a participação em operações de combate e destacamentos no exterior, requisitos rigorosos de lealdade e a obrigação de reembolsar o Estado pelo treinamento militar, se necessário, com o valor real deixado em branco na assinatura. As letras miúdas também se estendem à vida civil: o acesso a segredos de Estado pode acionar proibições de viagens ao exterior, entrega obrigatória de passaportes, limites à privacidade e restrições vitalícias à divulgação de informações confidenciais.

Embora os agentes de recrutamento anunciem caminhos rápidos para o emprego civil, o contrato estabelece que a ajuda significativa com empregos pós-serviço - através de uma reconversão profissional gratuita numa especialidade civil - só se torna disponível após pelo menos cinco anos completos de serviço (excluindo o tempo gasto na educação militar) e apenas se a demissão ocorrer por motivos específicos, como idade, saúde ou expiração do contrato.

Captura de ecrã de uma mensagem nas redes sociais entre um agente e um potencial recruta em África. (CNN)
Recrutas africanos alegam racismo e abuso
A imagem retratada nas redes sociais é muito diferente. “Para aqueles que estejam em África, na Nigéria, que se querem alistar no exército russo, é muito, muito fácil e muito bom, sem stress”, diz um homem nigeriano não identificado, vestindo um uniforme militar russo, num vídeo com várias partilhas. Menciona o seu estado natal na Nigéria, apresenta um homem venezuelano que está sentado ao seu lado e afirma que sua experiência é boa.

“Como é que perguntas a um militar internacional qual é o meu salário?”, alerta o soldado ganês Kwabena Ballo na sua página na rede social TikTok, também vestindo um uniforme do exército russo. “O meu salário pode alimentar o teu pai, a tua mãe e toda a tua família durante dois ou três anos”, diz em inglês pidgin. Embora alguns dos vídeos publicados nas redes sociais por africanos sejam em inglês e francês, muitos são em línguas como o igbo, suaíli e twi, para atrair diretamente o público dos países-alvo.

Mas todos, exceto um, dos doze recrutas africanos atualmente na Ucrânia que falaram com a CNN estavam desesperados para sair, incluindo aqueles que já tinham servido nas forças armadas dos seus próprios países.

A maioria descreveu um alistamento forçado numa guerra mortal com inúmeras baixas, racismo por parte dos comandantes russos, salários não pagos e nenhuma saída. Alguns contaram ter visto os corpos de outros africanos deixados a apodrecer no campo de batalha durante meses. Compatriotas a perderem membros sem compensação e sofrerem abusos psicológicos constantes por parte dos soldados russos, lamentam as testemunhas.

“A guerra aqui é muito intensa e muitas pessoas estão a morrer em ambos os lados”, disse o único combatente africano que admitiu à CNN que queria cumprir o seu contrato numa mensagem de vídeo. “Esta não era a expectativa destes rapazes que vieram para lutar. Eles pensavam que seria um pouco mais fácil para eles como mercenários.”

Enfrentando enormes pressões de mão de obra à medida que a guerra na Ucrânia se aproxima dos quatro anos, a Rússia promove ativamente a participação de recrutas africanos no seu exército como parte de uma narrativa de relações públicas mais ampla.

A televisão estatal e os legisladores regionais destacam histórias individuais - como combatentes nascidos em África que recebem a cidadania russa, felicitações públicas de legisladores e despedidas transmitidas pela televisão apresentadas como ordeiras e honrosas - para retratar os recrutas estrangeiros como colaboradores comprometidos e gratos ao esforço de guerra da Rússia.

Patrick Kwoba mostra a sua identificação militar russa, recebida após três semanas de treino militar básico antes de ser enviado para a Ucrânia. (CNN)
“Ou foges ou morres”
Patrick Kwoba tem 39 anos e foi convencido por um amigo africano no exército russo a alistar-se, depois de ver como a vida do colega parecia boa nas redes sociais. Carpinteiro, com experiência de trabalho em estaleiros de construção no Catar e na Somália, pagou a um agente queniano cerca de 620 dólares sob a promessa de que receberia um bónus de assinatura de 23 mil dólares em Moscovo.

“Pensei que ia ser guarda de segurança no exército, não um combatente”, disse Kwoba à CNN em Nairóbi, para onde regressou após desertar. Em declarações à CNN descreve os quatro meses que passou na Ucrânia como “um inferno” e considera o seu regresso a casa um milagre. Segundo Patrick Kwoba, recebeu apenas três semanas de treino militar básico e manuseamento de armas de fogo antes de ser enviado para a Ucrânia.

Algumas semanas depois, Kwoba foi ferido numa emboscada por um drone ucraniano e num ataque com granadas, mas disse que o seu parceiro russo se tornou hostil em vez de o ajudar. “Quando se está ferido, o código é ‘3 estrelas’ quando se pede primeiros socorros. Eu disse isso ao meu parceiro russo, mas ele expulsou-me e começou a disparar sobre mim”, lembrou Kwoba, que acabou por receber ajuda, mas, admite, sabia que precisava de fugir antes que fosse enviado de volta para lutar.

Patrick Kwoba, na foto com uniforme militar, diz que ficou ferido enquanto estava destacado na Ucrânia. (Patrick Kwoba)
“A partir do momento em que te alistas no exército russo, ou foges ou morres”, disse o antigo soldado. “Não há como ir para a Rússia e voltar vivo. Porque, se terminar o contrato, essas pessoas obrigam-te a ficar lá. Não te podem libertar.”

Kwoba fugiu quando lhe deram uma licença para recuperar em São Petersburgo, conseguindo chegar à embaixada do Quénia em Moscovo e apanhar o primeiro voo para casa. O pessoal da embaixada emitiu-lhe um documento de viagem temporário para evitar que fosse detetado, contou, uma vez que tinha excedido o prazo do visto de turista de entrada única que utilizou para entrar na Rússia em setembro de 2025.

Kwoba ainda precisa de ser submetido a cirurgia para remover fragmentos das nádegas e da parte de trás das coxas. Mas sabe que tem sorte em estar vivo.

Patrick Kwoba mostrou à CNN a sua documentação do exército russo. (Patrick Kwoba)
Ucrânia: interrompam o fluxo
O fotógrafo queniano Charles Njoki, de 32 anos, também descobriu os horrores da guerra em primeira mão. Na esperança de ganhar mais para sustentar a sua esposa grávida e a sua família, candidatou-se diretamente a um portal de recrutamento do exército russo para uma vaga de operador de drone e recebeu uma resposta em duas horas, explicou à CNN.

Vendeu o seu carro para pagar o voo e a acomodação e aterrou na Rússia, tudo no espaço de uma semana, planeando surpreender os pais com uma grande quantia de dinheiro e a cidadania russa ao final do seu serviço. Mas os seus planos foram rapidamente por água abaixo.

A mulher de Charles Njoki abortou enquanto decorria o treino. O marido só descobriu alguns dias depois, uma vez que os telemóveis dos recrutas tinham sido confiscados. Njoki aprendeu a montar e desmontar drones, mas nunca chegou a pilotá-los quando foi enviado para a frente de batalha.

Charles Njoki é fotografado com uniforme militar russo na Ucrânia. (Charles Njoki)
Algumas semanas depois, um ataque com drones ucranianos deixou-o com a mão esquerda ferida e um problema na coluna que requer cirurgia. “Um médico russo disse-me que eles só estão interessados nos dois dedos que uso para atirar”, disse o combatente à CNN em Nairobi.

Njoki afirma que os combatentes africanos foram deliberadamente expostos a situações perigosas, servindo de isco para os drones ucranianos. “Eles dizem às pessoas que vais guardar o local, que não vais para a linha da frente, mas dás por ti e estás na linha da frente, a lutar.” Também Njoki fugiu de São Petersburgo, recorrendo à embaixada do Quénia em Moscovo, de onde regressou a casa.

“Eles estão a mentir às pessoas. O dinheiro que dizem que vão pagar às pessoas, não é verdade”, sublinhou.

A Ucrânia instou as nações africanas a interromperem o fluxo de homens para as fileiras russas.

“Se eles estão na linha da frente, são nossos inimigos e a Ucrânia defende-se”, disse o embaixador ucraniano no Quénia, Yurii Tokar, à CNN. “Este fluxo deve ser interrompido”, reforçou.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Geopolitica do GGN - Paulo Roberto de Almeida

 Uma mensagem minha à TVGGN sobre a Geopolítica dos tempos presentes:

Leio a seguinte definição no site do GGN, esse valoroso empreendimento do jornalista Luiz Nassif, depois de minha entrevista no Canal GGN nesta semana (e agradeço o convite), que está disponível no seguinte link: https://www.youtube.com/watch?v=qPZEaWfhnwg

Observatório de Geopolitica
O Observatório de Geopolítica do GGN tem como propósito analisar, de uma perspectiva crítica, a conjuntura internacional e os principais movimentos do Sistemas Mundial Moderno. Partimos do entendimento que o Sistema Internacional passa por profundas transformações estruturais, de caráter secular. E à partir desta compreensão se direcionam nossas contribuições no campo das Relações Internacionais, da Economia Política Internacional e da Geopolítica."

Pois bem: fui entrevistado recentemente pelo próprio Luiz Nassif, a respeito dos atuais impasses nucleares entre Russia e EUA, com o fim do Start, um dos elementos transitórios mais preocupantes da atual conjuntura internacional em matéria de segurança.

O debate não foi concluído, pois justamente não pude me expressar sobre as implicações geopolíticas (e outras) dessa importante questão, pelo fato de o Nassif ter cortado nossa conversa intempestivamente, talvez pelo tempo já decorrido, ou pelo fato de ter havido certo desvio nos temas centrais ou ainda pelo fato de eu ter contestado certos argumentos que tocam a fundo em concepções arraigadas de "realismo" enviesado  na questão da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia (à la John Mearsheimer, por exemplo).

Apenas gostaria de transmitir esta minha impressão sobre a interrupção repentina de um debate importante sobre uma das questões mais relevantes da Geopolítica de nossos tempos (em relação às três grandes potências) e que não pôde ser concluído. 
O fechamento do debate deixou questões sem respostas minhas e talvez tenha frustrado parte da audiência, embora alguns demonstrassem total anuência às posições russas nesse contexto.
Agradeceria eventual reação.
Cordialmente, o abraço do 

Paulo Roberto de Almeida

Um século de relações internacionais do Brasil, 1925-2025 (in Livro do Nordeste II) - Paulo Roberto de Almeida

 


1615. “Um século de relações internacionais do Brasil, 1925-2025”, in: André Heráclio do Rego e Mucio Aguiar (orgs.), Livro do Nordeste II (Recife, PE: Associação da Imprensa de Pernambuco, 2025, p. 141-157; ISBN: 978-85-5726-003-0). Relação de Originais n. 4840.

My contribution to the work organized by André Heráclio do Rego and Mucio Aguiar (orgs.), Livro do Nordeste II (Recife, PE: Associação da Imprensa de Pernambuco, 2025), dealing with the international relations of Brazil from 1925 to 2025, in praise of the 200th anniversary of Diário de Pernambuco, a continuity to a related chapter written by the famous Brazilian historian Oliveira Lima, for the first 100 years of continuous publication of the oldest newspaper in Brazil (and probably in Latin America), 1925.

Texto integral disponível neste arquivo de Academia.edu:
https://www.academia.edu/164473055/4840_Um_seculo_de_relacoes_internacionais_do_Brasil_1925_2025





On Not Intervening in Iran - Kaiser Y Kuo (Sinica)

Uma reflexão sobre a tragédia iraniana, e o intervencionismo americano, por um especialista em China. Sim, Kaiser Y Kuo, entra no âmago da presente tragédia, e vale ler sua reflexão.

Contra o massacre dos manifestantes iranianos e contra a intervenção de Trump, ou dos EUA, nessa tragédia. PRA

On Not Intervening in Iran
KAISER Y KUO
Sinica, Feb 6, 2026

I’m wandering off from the usual China-centered fare in this essay because I’ve been thinking a lot about the right thing to do with Iran. It’s not wholly unconnected to China, as you’ll see as you read it. I don’t pretend to be any kind of an expert on Iran; I trust any errors will be pointed out to me by keen reader, and I sincerely hope some of you will share your thoughts on what we should do in the comments, open to all readers fort his one.

The question before us isn’t new, but the circumstances make it feel urgent in ways we haven’t experienced since the early 2000s. Iranian protesters, killed in a crackdown of staggering brutality, have pleaded for American help. President Trump drew and redrew red lines against mass killings, sent a carrier strike group toward the Persian Gulf, and threatened intervention. Yet as the death toll reportedly climbed into the thousands, no strikes came. Advocates for intervention frame this as a moral imperative — the chance to support a popular uprising without repeating the catastrophic nation-building mistakes of Iraq and Afghanistan. Limited strikes, they argue, could tip the balance toward regime change while demonstrating that America still stands with those fighting for their basic rights.

My instinct is against military intervention in Iran. Not reflexively, not out of pacifism, and not because I’m indifferent to the suffering of Iranians risking everything for dignity and basic rights. I lean against it because I’ve thought carefully about what intervention would likely accomplish versus what it would cost, because history offers devastating lessons about what happens when we conflate military capability with political wisdom, and because the very assumptions underlying liberal interventionism deserve scrutiny — especially now, as American hegemony wanes and the consequences of our actions become harder to predict or control.

For the record: I’d reach this conclusion under any American president. My objections aren’t about Trump specifically — though I think his administration both increases the risks of mismanagement and makes the moral case for intervention impossible to sell. The hypocrisy would be staggering. Our allies wouldn’t buy it, and neither would most of the world. But the fundamental problems with intervention hold regardless of who occupies the White House. I know there are people for whom this question is straightforward — who’ve concluded on principle that American military intervention is categorically unjustified, or who are so committed to ending American hegemony that suffering under regimes like Iran’s becomes an acceptable cost. I’m not one of them. Something in me resists foreclosing intervention as a category — whether that’s residual American exceptionalism I haven’t fully examined or something else, I’m not certain. But that pull toward the possibility of using American power for good doesn’t change where I land on this case.

Before explaining my provisional opposition, I want to engage honestly with the strongest arguments for intervention — arguments that reflect genuine moral concern and strategic calculation, even if I ultimately find them unpersuasive.

The humanitarian case is real. Between late December and mid-January, Iranian security forces killed protesters — estimates range widely, from several thousand to over 30,000, though the true toll remains deeply uncertain. The regime cut internet access, deployed live ammunition against unarmed demonstrators, and began threatening mass executions under the charge of *moharebeh* (enmity against God), a capital offense. These aren’t abstractions. They’re people who share the same aspirations for dignity and human rights that we claim to value universally. When some of them explicitly call for foreign help, what does it say about us if we turn away?

The strategic case has weight too. Iran’s regional influence has been significantly degraded — its “axis of resistance” battered by Israeli strikes, its nuclear program set back by Operation Midnight Hammer last June, its economy in freefall with the rial having lost over 40% of its value. The regime faces compounding crises: economic, political, legitimacy, deterrence. Pro-intervention voices argue this is the moment of maximum leverage, when limited strikes could accelerate internal collapse without the need for occupation or nation-building. They point to the Soleimani assassination and last year’s nuclear strikes as evidence that targeted American force can weaken the regime without triggering the “rally around the flag” effect that intervention skeptics predict.

There’s also the question of American credibility. Trump drew a public red line — “help is on the way” to the protesters — and then assembled military assets in the region. If he backs down, does it signal that American threats are hollow? Does it abandon the principles of liberal internationalism at precisely the moment when they’re being tested?

These arguments deserve more than perfunctory acknowledgment. Not all of them come from cartoon warmongers; many are thoughtful analysts grappling with impossible trade-offs. I simply think they’re likely wrong about what intervention would accomplish and what it would unleash.

Start with the most basic claim: that strikes would help the protesters. The historical record suggests otherwise. When external powers bomb a country during internal upheaval, the regime’s narrative of foreign conspiracy often gains instant credibility. Iran’s leaders have spent decades depicting dissent as American and Israeli manipulation. Military strikes would risk vindicating that propaganda in the eyes of many Iranians who might otherwise sympathize with the protests but aren’t willing to be seen as tools of Washington and Tel Aviv.

The 1953 CIA-backed coup against Mohammad Mossadegh remains Iran’s original sin in relations with the United States, precisely because it validated suspicions that America prioritizes control over genuine Iranian rights. Every intervention since — from support for the Shah to sanctions to the Soleimani killing — gets interpreted through that lens. New strikes would more likely reinforce this history than overcome it.

Nor would strikes necessarily “punish” the regime’s decision-makers in ways that change their calculations. The people who ordered the crackdown — Ayatollah Khamenei, the IRGC leadership, the security apparatus — have demonstrated repeatedly that they’ll tolerate enormous costs to maintain power. They survived eight years of devastating war with Iraq, decades of sanctions, international isolation, and multiple rounds of domestic unrest. The notion that targeted strikes would instill fear and deter future repression may fundamentally misread the regime’s decision-making logic. Their actions suggest they may fear losing control over Iran’s political future more than they fear American bombs.

Intervention might give hardliners much of what they want: an external enemy to rally around, justification for emergency measures, and grounds to frame protesters as traitors rather than patriots. The protests would likely wane as people fear becoming collateral damage in an American campaign, and opposition figures would face impossible choices between supporting foreign intervention or being labeled regime defenders.

Here’s where a comparison might be useful. Imagine mass protests erupting across Chinese cities — driven by economic collapse, political repression, and demands for fundamental change. Imagine the government cracking down with lethal force, killing thousands, and cutting internet access. Imagine protesters asking America for help. Imagine Trump threatening military strikes. Would we support intervention then?

I strongly suspect most Americans would recoil from the idea. The risks would be immediately obvious: nuclear escalation, global economic catastrophe, superpower war. We’d recognize that bombing China would likely strengthen the Party’s grip, that the protesters themselves would be divided on whether foreign intervention helps, and that America doesn’t have the competence or legitimacy to reshape Chinese politics through force. Many Americans were troubled by reports from Xinjiang, yet no one seriously proposed military intervention.

So why is Iran different? The standard answer is that China is a peer competitor with nuclear weapons while Iran is a middle power with degraded defenses — which is my point. The Iran intervention debate isn’t really about principles of liberal internationalism or humanitarian responsibility. It seems to me to come down to perceived feasibility. We’re willing to contemplate intervention in Iran because we think we can get away with it, not because the moral case is fundamentally different from scenarios we’d reject elsewhere. If our commitment to supporting protesters is calibrated entirely by military vulnerability rather than by whether intervention would actually help, then we’re not operating from principle — we’re opportunistic. And that opportunism corrodes the very international norms and moral authority we claim to be defending.

There’s another dimension to this debate that most discussions avoid but that’s essential to understanding the strategic calculations at play: America’s waning global hegemony. For policymakers in the Trump administration and the broader strategic class, Iran represents a test case for whether American power can still shape outcomes in a region where our influence has been declining. There’s an unspoken fear that inaction would be another nail in the coffin of American primacy — that if America can’t or won’t intervene when protesters are being massacred in a middle power whose regional influence has already been degraded, what does that say about our ability to shape global events going forward?

I understand this anxiety, but acting from it seems like a mistake. The fundamental problem with the liberal interventionist project isn’t that we haven’t applied it rigorously enough; it’s that the assumptions underlying it were always questionable and have become less tenable as American power has become more contested. The belief that American force can reliably produce liberal or even favorable outcomes, that we understand other societies well enough to predict second- and third-order effects of our interventions, that military strikes can substitute for political legitimacy — these were never as solid as their proponents claimed, and they’ve been systematically undermined by two decades of failure in the broader Middle East.

Intervening in Iran to demonstrate that American primacy remains viable might accomplish the opposite. If the campaign strengthens hardliners, fragments the opposition, or sparks wider conflict, it would confirm rather than refute doubts about American power. The smarter approach is to recognize these limits and work within them, rather than risk another costly failure trying to prove we’re still the hegemon we once were.

This is also a pivotal moment for liberal interventionism as a doctrine. Whether the U.S. strikes or chooses restraint, the decision will shape how seriously the international community takes humanitarian intervention arguments for years to come. If strikes fail to achieve their aims — or worse, backfire spectacularly — it may mark the final discrediting of a foreign policy tradition already battered by Iraq and Afghanistan. If restraint prevails but is seen as abandonment, it could equally undermine future claims that American power serves moral purposes. Either way, Iran may prove to be the case that forces a long-overdue reckoning with what military force can and cannot accomplish in service of liberal ideals.

This doesn’t mean I advocate abandoning Iranian protesters or accepting a purely realist foreign policy that ignores human rights altogether. It means understanding that genuine support requires listening to what Iranians themselves want — and they appear to be divided on intervention — and that the most effective support often comes through non-military means: communications infrastructure, targeted sanctions on regime officials (not broad sanctions that punish civilians), asylum for dissidents, intelligence operations that expose corruption, diplomatic isolation of the regime while maintaining channels to civil society. I don’t know what toolkit is available to us, but surely something short of brute force is possible.

I mentioned earlier that I’m not a pacifist, and I want to be clear about what I mean. There are circumstances where military force might be justified — where it’s genuinely the least-bad option among terrible choices. But those circumstances are narrower than liberal interventionists often suggest.

I don’t have a rigid set of criteria that would apply universally. When we confront real decisions about intervention, we’re forced to reckon with a huge range of factors including intensely personal and emotional ones, at least in my case. The Rwandan genocide haunts some of us precisely because non-intervention allowed an atrocity that might have been stopped. The Iraq War haunts us because intervention based on nonexistent weapons created catastrophe in pursuit of goals that also turned out to be illusory.

What I can say is that the burden of proof for intervention should be extraordinarily high. It requires not just that something terrible is happening, but that military force would make it better rather than worse, that we understand the society in question well enough to predict the consequences, that we’re willing to commit the resources necessary to see it through, and that we’re not acting primarily from other motives (strategic advantage, hegemonic maintenance, domestic political concerns) while dressing them up in humanitarian language.

The Iran case seems to fail most of these tests. We don’t have strong evidence that strikes would help protesters rather than undermine them. Our track record in predicting Middle Eastern political dynamics is abysmal. The motives are transparently mixed — genuine concern about human rights intertwined with nuclear containment, regional competition, and questions about American credibility. And crucially, the Iranian protesters themselves are divided, with many activists inside Iran explicitly opposing foreign military intervention even as some diaspora voices call for it.

What ultimately tips me toward provisional opposition isn’t just the pragmatic case against intervention, though that’s compelling by itself. It’s the recognition that genuine support for people fighting for dignity and rights means respecting their agency rather than imposing our preferred solutions.

The patronizing assumption runs through much of the pro-intervention literature: that we in the West know better than Iranians themselves what they need, that our military power can accomplish what their political organizing cannot, that the region’s future is primarily a question for American decision-makers rather than for the people who actually live there. This reflects a presumption of centrality — the idea that every global crisis requires an American “response” — that I find both morally and practically unsupportable.

Iranian protesters deserve support. They deserve diplomatic backing, asylum when they need it, assistance to those who manage to get out, and as bright a spotlight as we can provide on the regime’s violence. What they probably don’t need is American bombs turning their uprising into a proxy conflict, strengthening the very hardliners they’re trying to remove, and validating decades of regime propaganda about foreign manipulation.

This isn’t comfortable moral territory. There’s something genuinely troubling about having the power to act and choosing restraint while people die. But the alternative — acting from a combination of moral urgency and hegemonic anxiety without clear understanding of the likely consequences — has produced enough catastrophe already. Sometimes the hardest wisdom is recognizing the limits of what outside powers can accomplish, however much we wish it were otherwise.

That’s where I land: with opposition to intervention, deep discomfort about the moral trade-offs involved, and recognition that this conclusion flows from my broader worldview about American power, Western assumptions about universal governance models, and respect for the agency of people fighting their own battles. It’s not knee-jerk anti-interventionism, and it’s not indifference to suffering. It’s a position arrived at through wrestling with history, power dynamics, and the question of what genuine support actually requires. I’m open to arguments that might shift my thinking, but this is where the evidence has brought me.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Academia.edu me lembra do primeiro "clássico revisitado": o Manifesto Comunista de Marx e Engels - Paulo Roberto de Almeida


Academia.edu me lembra do primeiro "clássico revisitado": o Manifesto Comunista de Marx e Engels - Paulo Roberto de Almeida

Esta é uma lembrança especial, pois que foi não apenas o primeiro da minha série de "clássicos revisitados" – depois vieram vários outros, o Príncipe de Maquiavel, De la Démocratie "au Brésil", mandando o Tocqueville examinar nossa democracia, a "Arte da Guerra" de Sun Tzu aplicada aos diplomatas, um pouco de Benjamin Constant, De la liberté chez les anciens, e recentemente "Capitalismo e Liberdade" de Milton Friedman, relido com os olhos no Brasil –, mas foi também, e sobretudo, uma de minhas primeiras leituras marxistas, ainda na juventude, eu que nunca fui um "marxista religioso", mas que sempre respeitei a teoria sociológica do marxismo, menos, é claro, suas previsões totalmente fantasiosas e sem fundamentos na realidade, o que eu já tinha constatado antes mesmo de conhecer os socialismos.

Esse livrinho está totalmente disponível, atualmente, como informo abaixo, mas sempre penso em revisitar algumas outras obras marxistas (talvez para tirar a devoção "religiosa" de muitos marxistas acadêmicos pelas obras do mestre). 

From your Reading History:

Velhos e Novos Manifestos: o socialismo na era da globalizacao (1999)
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1999, Velhos e novos manifestos: o socialismo na era da globalização
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ABSTRACT
Velhos e novos manifestos O socialismo na era da globalização São Paulo: Editora Juarez de Oliveira, 1999, 96 p.; ISBN: 85-7441-022-5 Índice Prefácio 1. Manifesto do Partido Comunista (atualizado para o século XXI) I. Burgueses e proletários (ou Explorados e Não-explorados) II. Proletários e comunistas (ou...
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Velhos e Novos Manifestos: o socialismo na era da globalizacao (1999)

Velhos e novos manifestos 

O socialismo na era da globalização 

(São Paulo: Editora Juarez de Oliveira, 1999, 96 p.; ISBN: 85-7441-022-5)


Índice 

Prefácio 

1. Manifesto do Partido Comunista (atualizado para o século XXI) 

I. Burgueses e proletários (ou Explorados e Não-explorados) 

II. Proletários e comunistas (ou trabalhadores assalariados em geral) 

III. A Literatura Socialista (ou os mitos da velha e da nova esquerda) 

IV. Posição dos novos socialistas em relação aos partidos de oposição 


2. O livre comércio e os trabalhadores 

I. A ideologia do livre-comércio 

II. A globalização marxista 

III. Globalização e regionalização em perspectiva histórica 

IV. Do fim da História ao fim da Geografia 

V. Os trabalhadores e o purgatório do livre-comércio 


3. Elogio da Exploração: um manifesto realista 

'I. Vinte teses provocadoras sobre o progresso social 

II. Convite a um diálogo aberto sobre a exploração 


4. A parábola do marxismo no século XX 

I. Ascensão e declínio de uma ideia 

II. A “acumulação primitiva” da revolução burguesa 

III. O marxismo enquanto “concepção burguesa” da História 

IV. Desventuras da dialética na periferia capitalista 

V. O marxismo como doutrina da globalização capitalista 

VI. A astúcia da razão e as surpresas da História 


Apêndice: Manifesto do Partido Comunista (1848) Karl Marx, Friedrich Engels 

I. Burgueses e proletários 

II. Proletários e comunistas 

III. Literatura socialista e comunista 

1. O socialismo reacionário 

a) O socialismo feudal 

b) O socialismo pequeno-burguês 

c) O socialismo alemão ou o “verdadeiro” socialismo 


2. O socialismo conservador ou o socialismo burguês 


3. O socialismo e o comunismo crítico-utópicos burguês 

IV. Posição dos comunistas em relação aos diversos partidos de oposição 


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