Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
Desde o início da gloriosa era do nuncaantesnestepaís, os companheiros já conceberam (mal) e aplicaram (mais mal ainda) pelos menos quatro políticas industriais (e outras tantas políticas agrícolas no MDA, pois no MAPA tudo ficou igual...), sem falar das dezenas de medidas setoriais, aplicadas em favor dos amigos do rei, e dos companheiros dos companheiros (industriais automotivos e metalúrgicos da aristocracia operária). Nenhuma delas foi levada adiante, et pour cause: foram um fracasso completo, de diagnóstico, de aplicação, de resultados...
Cada vez que o governo anuncia, doravante, uma nova política industrial, imagino que os industriais já começam a tremer: "Ah, não por favor, desta vez não; por que o governo não faz uma política para os serviços, para a infraestrutura, reduz os impostos e deixa a gente em paz?"
Será que eles, todos eles, companheiros e industriais, não percebem que o principal inimigo da indústria é o próprio governo? Com seus impostos extorsivos? Sua infraestrutura pavorosa? Sua regulação bizantina e kafkiana? Sua completa indefinição de objetivos, de propósitos, de metas?
Os companheiros são stalinistas industriais, e agem como tal.
Que tal passar a um modesto keynesianismo, para começar?
Enfim, eu seria pela ausência completa de política industrial, mas com redução radical dos impostos, da regulação intrusiva, oferta de serviços gerais, infraestrutura de boa qualidade, energia barata, mão-de-obra capaz, bem formada, suficiente?
Por que o governo não faz o que apenas ele pode fazer?
Por que não deixa o resto para a sociedade mesma, para os agentes econômicos?
Por que o BNDES está sempre apoiando ricaços e monopolistas?
Paulo Roberto de Almeida
Produtividade da Indústria em 2012
Carta do IEDI 560, 22/02/2013
Mesmo com medidas de política econômica voltadas para incentivar o setor ao longo do ano, além da queda na taxa básica de juros, a oferta abundante de crédito e o estímulo à desvalorização da moeda no segundo semestre, a produção e a produtividade industrial não demonstraram recuperação. Na comparação contra igual mês do ano anterior apenas em outubro de 2012 a produção e a produtividade superaram os níveis obtidos em 2011. A performance de 2012 assume uma perspectiva mais negativa se considerarmos ainda que em 2011 os resultados da produção e da produtividade ficaram estagnados em relação a 2010. Assim, desde o impacto da crise financeira internacional em fins de 2008 e em 2009, a indústria não encontrou uma rota de crescimento minimamente sustentável, comprometendo sua competitividade, tendo em vista o caráter pró-cíclico da produtividade. O emprego industrial recuou em 1,4% no ano passado, sinalizando um movimento defensivo das empresas industriais frente um cenário de baixas expectativas de crescimento. O emprego em 2011 havia crescido 1,0%, com a produção praticamente estagnada. O recuo no emprego reforça o quadro recessivo da indústria, pois há relativa escassez de mão de obra com qualificação profissional, como registrado pelas baixas taxas de desemprego nas principais regiões metropolitanas. Este recuo não impediu que o custo do trabalho se elevasse em 6,6% em 2012, a maior taxa dos onze anos da série e mais do dobro da verificada em 2011 (3,2%). Todos os setores tiveram aumento de custo do trabalho, com exceção do de Madeira.
Avaliando o comportamento da indústria desde a crise financeira internacional, um possível diagnóstico para os problemas de falta de crescimento e queda na produtividade em 2012 pode ser a persistência de um desalinhamento do câmbio, que gera desequilíbrios tanto pelo lado da demanda, ao transferir para o exterior parte da demanda doméstica, como pelo lado da oferta, ao enfraquecer os elos de encadeamento na manufatura, reduzindo sua contribuição ao valor adicionado total. Enquanto do ponto de vista da firma individual a substituição de insumos domésticos por importados, a custos mais favoráveis, é um comportamento racional, o resultado agregado é o enfraquecimento dos elos de cadeias produtivas dentro da indústria de transformação, que são fonte de ganho de escala dinâmicos. Assim, o avanço da desindustrialização com especialização da indústria em setores de baixa agregação de valor contribuiu para o baixo desempenho da produtividade.
Em termos setoriais em 2012, 10 setores, de um total de 18, apresentaram aumento na produtividade, mas destes apenas um – Produtos Químicos - com expansão na produção física, horas pagas e emprego. Há uma concentração de setores produtores de bens intermediários no grupo com produtividade positiva em 2012, com exceção da Indústrias Extrativas. Dois setores produtores de bens finais – Calçados e Couro e Textil – também apresentaram produtividade positiva, mas com quedas muito expressivas na produção e nas horas pagas. O comportamento dominante na indústria foi o de contração na produção física: dos 18 setores só 4 expandiram o produto industrial. Os custos do trabalho foram positivos em todos os setores, com exceção de Madeira.
Do ponto de vista regional a maioria dos locais também registrou diminuição da produtividade. As maiores contrações foram as verificadas na indústria do Paraná (-5,7%), seguida por Rio de Janeiro (-4,4%) e Espírito Santo (-3,6%). As indústrias do Rio Grande do Sul (-1,5%), Santa Catarina (-1,2%) e São Paulo (-0,9%) registraram diminuições menores, um pouco acima da média nacional. As melhores marcas ficaram com os parques manufatureiros da Bahia (8,7%) e Pernambuco (4,8%). Ceará (0,6%) e Minas Gerais (0,6%) apontaram aumento de produtividade de pouca expressão. Os parques industriais do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul registraram pela primeira vez diminuição na produtividade. O resultado de Paraná (-5,7%) foi o pior de sua série histórica e do da Bahia (8,7%) o melhor já alcançado.
Nos locais com retração na produtividade predominou um padrão recessivo de queda na produção física acompanhada de uma diminuição, de magnitude menor, das horas pagas. A exceção foi a indústria do Paraná que registrou variação negativa na produção e ao mesmo tempo aumento das horas pagas. Nos locais com incremento da produtividade não houve um padrão definido: expressivo aumento da produção física e queda das horas pagas (Bahia); pequeno aumento da produção física e grande queda das horas pagas (Pernambuco); aumento das horas pagas de magnitude menor do que o incremento na produção física (Minas Gerais) e diminuição das horas pagas maior que da produção física (Ceará). Portanto só na indústria mineira houve desempenho típico de momentos de expansão da produção com aumento pró-cíclico da produtividade.
O Estado de S.Paulo, Opinião, 25 de fevereiro de 2013 | 2h 08
Aloísio de Toledo César *
Nestes dias
em que os políticos do Partido dos Trabalhadores passaram a lamber uns
aos outros, em comemoração pelos dez anos no poder, é o caso de
perguntar: além da farra com dinheiro público, além do fim da corrupção
como crime para se converter em ato de esperteza, o que mais eles estão
festejando?
Nesses dez anos eles conseguiram praticamente quebrar a
Petrobrás, que era uma das empresas mais sólidas do mundo; reduzir o
desenvolvimento do País a níveis inferiores aos do Paraguai e da
Bolívia; fazer crescer a inflação, que fora zerada por Fernando Henrique
Cardoso; e aumentar a carga tributária a praticamente 40% do produto
interno bruto (PIB).
Em nenhum outro país do mundo a venda de remédios sofre carga de
impostos tão alta como no nosso. Os bens duráveis de consumo, afetados
pela mesma carga tributária, custam muito mais do que nos outros países.
E os preços são tão absurdos que os brasileiros ficaram viciados em
viagens ao exterior apenas para comprar.
Bilhões de dólares de brasileiros engordam a economia americana
todos os anos porque os produtos lá vendidos custam muito menos do que
aqui, no Brasil. Isso ocorre exatamente no momento em que os petistas
aparecem rindo nas fotos. Rindo de quê? Com certeza eles estão rindo de
nós e da farra que fizeram nesses dez anos.
Quando Tancredo Neves, com sua habilidade e seu maneirismo,
conseguiu eleger-se presidente, arrebatar a Bandeira brasileira das mãos
dos militares e devolvê-la a todos nós, ficou a impressão de que o País
teria mais sorte e melhor rumo. Mas com o seu trágico falecimento e a
posse do biônico José Sarney na Presidência da República, ficou
desmentida a ideia enganosa de que Deus é brasileiro. É nada, deve ser
suíço.
O lado pior e mais trágico que surgiu nos últimos dez anos foi
deixar transparente que é possível cometer na vida pública os mais
graves crimes e nada acontecerá. Corrupção, peculato, formação de
quadrilha e outros hediondos crimes contra a administração pública foram
praticados em grande escala e até agora não se viu um único infrator
sendo levado para detrás das grades.
Algumas semanas atrás o mundo teve conhecimento do exemplo
invejável da Justiça inglesa, que condenou e determinou a imediata
prisão de um figurão da política que cometera infração de trânsito, mas
para não ter a imagem afetada publicamente fez sua mulher assumir a
responsabilidade pela transgressão. Isso foi descoberto somente dez anos
depois, mas, mesmo assim, a Justiça inglesa não perdoou e ele foi
direitinho para atrás das grades.
Qualquer pessoa que tenha sentimento de justiça logo perceberá
como nós estamos a milhares de anos-luz dessa exemplar conduta.
A ausência de punição tem sido característica marcante em nosso
país. Nos últimos tempos, porém, a impunidade assumiu feição muito mais
grave, porque os delitos praticados por altos figurões da República
continuam à espera de execução da pena. Realmente, ainda que tenham sido
condenados pelo Supremo Tribunal Federal, a condenação permanece
destituída de eficácia e isso propaga a ideia de que poderosos nunca vão
para a cadeia.
Dá para imaginar o que a Justiça inglesa teria feito com José
Dirceu, José Genoino, João Paulo Cunha e outros aos quais o linguajar
policial atribui terem a "mão cabeluda"? Por incrível que pareça, eles
talvez apareçam perante boa parte da população brasileira como pessoas
dotadas de invejável esperteza, porque, afinal, a despeito da "mão
cabeluda", continuam por aí, sempre aparecendo e rindo nas fotos.
Julgados e condenados, são verdadeiros exemplos da ineficácia do nosso
sistema jurisdicional.
A Justiça brasileira, infelizmente prisioneira de entraves
processuais que herdamos dos romanos, ainda não conseguiu a eficácia e a
praticidade da de ingleses e norte-americanos. Estes sabem de sobra que
o exemplo da punição influi na redução da criminalidade muito mais do
que qualquer repressão policial.
Os políticos do Partido dos Trabalhadores que comemoram os dez
anos de governo com certeza não farão nenhuma referência ao fato de o
Brasil figurar nos índices internacionais de desenvolvimento humano em
84.º lugar e que continuamos a ser um dos campeões mundiais de
analfabetismo, além de nossa mortalidade infantil persistir como
problema a ser resolvido.
Com a entrada em vigor do Plano Real, em 1994, praticamente
zerada a inflação, o dinheiro passou a valer mais e isso beneficiou,
sobretudo, as pessoas mais pobres, que foram gradativamente inseridas no
processo capitalista de consumo. Essa melhora, contudo, não foi
suficiente para tirar da pobreza alguns milhões de brasileiros, que
continuam na linha da miserabilidade e, portanto, é mesmo necessário que
recebam atendimento do governo, com a distribuição de recursos.
Essa doação de dinheiro público, todavia, não poderia ter a
feição - lamentavelmente adquirida - de subterfúgio político destinado a
angariar votos e prestígio eleitoral. Quem doa dinheiro público deveria
ter no próprio gesto de doar a recompensa, e não a esperada resposta de
apoio e votos.
O poeta de origem árabe Khalil Gibran, com lirismo e
profundidade, ensinou: "Há aqueles que doam e não sentem dor ao doar,
nem buscam alegria, nem doam pensando em virtude. Eles doam como no
longínquo vale o mirto exala sua fragrância no espaço. É através dessas
mãos que Deus fala, e é por detrás de seus olhos que Deus sorri sobre a
Terra".
Seria um invejável gesto de grandeza a distribuição de recursos
públicos aos mais sofridos se tal conduta não estivesse marcada por
interesses pessoais, por isso mesmo mesquinhos, de feição eleitoral.
Quem doa buscando o reconhecimento talvez não perceba que essas dádivas
se tornam corruptas.
* Aloísio de Toledo César é desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do São Paulo. E-mail: aloisio.parana@gmail.com.
A CIA é mesmo uma companhia maléfica, perversa, mal intencionada, mentirosa, enganadora, embusteira, falastrona, gozadora, e brincalhona: pois não é que ela enganou até os companheiros do PCdoB (os mais sizudos no seu stalinismo tupiniquim), os companheiros do PT (os mais trapalhões, nas suas receitas simplórias) e várias tribos de trogloditas que pensavam estar lutando bravamente contra a CIA, quando na verdade, eles estavam é trabalhando para ela?!?!?!
Esse Embaixador cubano só pode ser um agente da CIA, escondido há muito tempo no governo cubano e no seu serviço diplomático. Esses agentes da Secretaria Geral dos Trapalhões só podem ser da CIA, ao montar toda essa operação carnavalesca contra uma... agente da CIA.
Essa CIA é impagável: de vez em quando ela quer rir do trapalhões, tirar um sarro dos pcdobistas (assim que se escreve?)
A CIA, aproveitando que sua agente cubana número 008 estava de malas prontas para este país de piratas trapalhões e de stalinistas rocambolescos, montou uma operação só de brincadeira para ver se os companheiros caiam nela. E não é que cairam?
Nunca o regime cubano foi tão desconstruído quanto nesta semana memorável! Nem que a CIA fizesse propaganda contra durante todo um ano não alcançaria o sucesso estrondoso de contra-propaganda que os companheiros fizeram contra a sua ilha tão querida.
E mais risível, ainda, isso não custou nada, nadicas de peteberbas à CIA. Tudo saiu de graça.
Até a passagem da sua agente especial foi paga por ONGs europeias e voluntários brasileiros.
Nunca antes neste país a CIA riu tão tanto, sem pagar um centavo por isso.
Ela precisa mandar um cartão para os companheiros, com as suas congratulations...
Paulo Roberto de Almeida
‘A CIA agradece’
Ricardo Noblat O Globo, 25/02/2013
Digamos que proceda a desconfiança disseminada pelo governo cubano de que a blogueira Yoani Sánchez é, sim, agente da CIA, a agência de espionagem americana. Por sinal, estão em cartaz dois filmes, merecedores do Oscar, que destacam a eficiência da CIA: “A hora mais escura”, sobre a captura e morte de Bin Laden, e “Argo”, que trata do resgate de um grupo de americanos reféns do regime iraniano.
O que a CIA esperava da passagem de Yoani pelo Brasil? Que ela tivesse oportunidades para falar mal de Cuba, há mais de 50 anos sob o controle dos irmãos Castro (Fidel e Raul). E que a imprensa, ocupada com os assuntos internos do país, dedicasse à blogueira um mínimo de atenção. Ela viajou ao Brasil a convite do jornal O Estado de S. Paulo. Ali, certamente, teria espaço garantido.
Com o que a CIA não contava? Com a adesão entusiástica aos seus planos dos partidos brasileiros de esquerda. Por toda sua vida, a esquerda batalhou para chegar ao poder. E a CIA, e os serviços de espionagem que a antecederam, sempre atrapalharam. A esquerda tentou chegar pela primeira vez em 1935 ao deflagrar a Intentona Comunista. O movimento fracassou em menos de 72 horas. Um vexame.
A renúncia em 1961 de Jânio Quadros permitiu que o vice João Goulart ascendesse à presidência da República. A esquerda imaginou que se o manobrasse com apuro e arte, o poder acabaria ao alcance de suas mãos. Os militares derrubaram Goulart e empolgaram o poder durante 21 anos. Depois se passaram três eleições para que na quarta, cavalgando o ex-metalúrgico Lula, a esquerda finalmente chegasse lá.
Uma esquerda dócil, é bem verdade, que renunciara à maioria dos seus dogmas. A esquerda possível, haja vista que seu principal líder nunca foi de esquerda. Embora atraente devido às suas miçangas, o penoso exercício do poder desfigurou a esquerda por completo, a ponto de forçá-la a sentar no banco dos réus. Nem por isso se pensou que pudesse tê-la despojado de inteligência. Foi o que aconteceu.
Faltará ao governo cubano a energia do passado? Não me refiro ao “paredón” como instrumento de castigo para os que contrariam os interesses do regime. O “paredon” saiu de moda. Mas, entre ele e uma reles admoestação, deve haver um meio termo para se punir o desastrado embaixador que pediu a ajuda de ativistas políticos tão espertos quanto ele. Resultado: transformaram a vilegiatura de Yoani em um baita sucesso de audiência.
Não o debitem, porém, apenas à ignorância das seções juvenis de partidos e de organizações que ainda pregam a implantação do comunismo no país. Por que as direções de partidos como o PT e o PC B não desautorizaram os atos de hostilidade dos seus militantes contra a blogueira cubana? Ora, porque estavam de acordo com eles. Sabiam quem os encomendara. Calaram por conveniência.
Nem assim conseguiram esconder suas impressões digitais deixadas em cada um dos atos. Yoani foi à Câmara falar em uma comissão técnica. Deputados do PT, em desespero, convenceram Henrique Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara, a convocar uma sessão extraordinária. Evitariam assim que a TV Câmara transmitisse a exposição de Yoani. Realizou-se a sessão. Mas Yoani foi até lá confraternizar com seus algozes. Ou seus cúmplices.
A semana que passou não teve para ninguém ─ nem para Dilma, lançada candidata à reeleição, nem para Lula, que a lançou, nem para Aécio, que discursou no Senado. Só deu Yoani. Comovida, a CIA agradece aos seus agentes voluntários.
Dos 54 países
africanos, 20 chefes de Estado confirmaram presença na cúpula de países da América do Sul e África (ASA), realizada na capital da Guiné Equatorial, presidida pelo ditador Teodoro Obiang, no poder desde 1979. Da América do Sul, além do Brasil, estiveram presentes apenas o primeiro-ministro da Guiana,
Samuel Hinds, o presidente do Suriname, Dési Bouterse, o presidente da
Bolívia, Evo Morales, e o vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
Na solenidade, o chanceler da Venezuela, Elias Jaua, leu uma mensagem do
presidente Hugo Chávez, que lamentou não poder comparecer
ao encontro e atacou o imperialismo ocidental. A
mensagem foi encerrada com a frase "até a vitória sempre",
repetida por Chávez em seus discursos.
Durante o discurso, ao falar dos medicamentos produzidos no
Brasil contra epidemias tropicais que podem ser exportados para a África, a presidente do Brasil confundiu o nome do médico sanitarista Osvaldo Cruz com o do advogado e diplomata Osvaldo Aranha.
A abertura da cúpula atrasou em duas horas e meia e foi marcada pelo
bloqueio das comunicações por cerca de quatro horas, por orientação do
governo da Guiné Equatorial, responsável pela organização do encontro.
Um caminhão bloqueou o sinal
de celular no Centro de Conferências de Sipopo, e a internet não
funcionou durante a sessão de abertura, que durou pouco menos de duas
horas, deixando todos os participantes
"desconectados".
G-20 avalia barrar entrada de corruptos nos países-membros, mas Brasil resiste
Documentos obtidos pelo ‘Estado’ relatam a falta de consenso no governo sobre o tema, considerado ‘sensível’ e ‘polêmico’
24 de fevereiro de 2013 | 22h 07
Alana Rizzo - O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - O Grupo dos 20 (G-20) estuda uma proposta
para barrar a circulação de corruptos e corruptores nos seus
países-membros a partir da negativa de vistos e de refúgio. A proposta,
encabeçada pelos Estados Unidos, é vista com reticências no governo
brasileiro.
O Estado teve acesso a documentos que relatam a
falta de consenso dentro do governo em apresentar uma manifestação sobre
o tema, apesar da pressão internacional. Desde o ano passado, membros
da Controladoria-Geral da União (CGU), do Ministério das Relações
Exteriores, da Advocacia-Geral da União (AGU) e do Ministério da Justiça
estão envolvidos no debate, considerado "sensível", "polêmico" e
"difícil". As autoridades brasileiras não conseguem definir quem seria
afetado pela medida.
Em 2012, os chefes de Estado ratificaram o compromisso de criar
instrumentos para barrar a entrada de enquadrados nesse crime em seus
territórios. Em junho, o grupo apresentará o primeiro relatório sobre a
implantação da medida.
O Brasil quer parâmetros sobre quem se enquadraria no termo
"corrupto" e quem sofreria as penalidades. Não há entendimento, entre as
autoridades locais, sobre se a norma valeria apenas para condenados ou
também para aqueles que não foram julgados. Discute-se, ainda, no âmbito
do G-20 que a punição deveria se estender a familiares e associados dos
corruptos, o que contraria a Constituição brasileira. Também pesa nas
discussões governamentais a tradição do País de não restringir acesso ao
seu território. Os defensores da proposta, no entanto, sustentam que a
negação de vistos e o controle migratório impedem que o corrupto gaste o
dinheiro fruto do ilícito fora de seu país.
A medida teria reciprocidade e afetaria o universo de corruptos
brasileiros que tentassem entrar nos países do G-20. Dados do Ministério
Público Federal revelam que mais de 5 mil inquéritos foram abertos nos
últimos anos para investigar práticas de corrupção no País. Cerca de 700
pessoas cumprem pena hoje no Brasil por esse crime.
No Supremo Tribunal Federal, há 17 inquéritos e ações penais contra
parlamentares, e somente a Procuradoria Regional da República da 1.ª
Região denunciou cerca de 250 prefeitos nos últimos dois anos por esse
crime. No julgamento do mensalão, concluído no final do ano passado, 20
dos 25 condenados foram sentenciados a penas por corrupção ativa ou
passiva – entre eles o ex-ministro José Dirceu, o deputado federal José
Genoino e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Em pauta. Oficialmente, o governo nega qualquer
tentativa de atrasar a proposta e afirma que o assunto está ainda em
discussão. O Brasil tem até o próximo ano para debater o assunto, que
ganhou força depois de os Estados Unidos alterarem sua legislação –
autorizando a autoridade alfandegária a barrar a entrada de corruptos,
familiares e pessoas associadas.
O tema também avança no Canadá, onde um projeto de lei criando
restrições para o acesso ao território de pessoas corruptas já foi
apresentado.
"A discussão existe e, por se tratar de um assunto sensível, está
andando surpreendentemente bem. Estamos no ponto de definir a forma e
operacionalizá-la. O Brasil já se comprometeu a analisar casos de
corrupção como um critério na hora de concessão de vistos ou na entrada
de estrangeiros em seu território. O que não vamos é abrir mão da
soberania do País de decidir", afirma Hamilton Fernando Cota Cruz,
assessor especial da CGU, responsável por coordenar as ações brasileiras
sobre o tema no G-20. "Uma medida como essa é de grande inovação e ela
tem o respaldo e a força dos líderes políticos das 20 maiores economias
do mundo, que assinaram a proposta. Não tem força de lei, mas tem força
política."
Para o G-20, a corrupção ameaça a integridade dos mercados, destrói a
confiança da sociedade e distorce alocações de recursos. O grupo
anticorrupção tem representantes de todos os países e a Espanha como
observadora. Polêmica. "Muito mais eficaz do que barrar a entrada
de corruptos nos países é a punição efetiva de quem é corrupto e do
corruptor", avalia Rodrigo Vitória, coordenador da unidade de Governança
e Justiça do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.
Para ele, a medida esbarra em princípios constitucionais, como a
presunção da inocência, e também na demora na validação de sentenças
internacionais pelo Judiciário. "O cenário brasileiro está melhorando,
mas ainda temos uma cultura de permissividade com a corrupção. A medida
constrange, mas não é a melhor", avalia.
By Jasmine Zhao |
Shanghai Daily, 2013-2-25
A man who called himself a "book addict" was sentenced to five months of
detention for stealing 385 books from five community libraries, the
Xuhui District People's Court said yesterday.
The convict,
surnamed Wang, said he wanted to keep books he checked out. He got a
library card at Xuhui District Library in March 2011, which let him
borrow from the library and five community libraries. Wang said he
returned books to the librarians and stole them after they were scanned
and set aside. Until September, Wang stole 385 books worth 3,200 yuan
(US$513), prosecutors said.
Librarians found many books missing
but all were labeled "returned" in the tracking system. Wang was
detained after he was identified as the borrower.
Ele não deveria ter sido preso, e sim promovido a bibliotecario de todo o distrito...
O passeio deste domingo (24/02/2013), chuvoso e frio: apesar de ser um museu dedicado à arte americana -- ou estadounidense, como gostam de dizer os companheiros -- a exposição era excepcional: Toulouse, o breve (e seu alter ego Lautrec, gigante), seus amigos (entre eles Degas), e muito mais, além de uma outra artista visitando e fotografando... New Britain Museum of American Art
56 Lexington Street
New Britain, CT 06052-1412
Toulouse-Lautrec & His World
January 12–May 12, 2013 Henri de Toulouse Lautrec, Divan Japonais, color lithograph, 1893, 808 x 608 mm, Herakleidon Museum, Athens Greece. Henri de Toulouse Lautrec, Eldorado: Aristide Bruant, color lithograph, 1892, 1380 x 960 mm, Herakleidon Museum, Athens Greece.
For the first time out of Europe, Toulouse-Lautrec & His World begins its U.S. tour here before moving on to Allentown Art Museum in Allentown, PA.
On view from January 12–May
12, 2013 in the McKernan Gallery, this traveling exhibition is on loan
from the Herakleidon Museum, in Athens, Greece and is from the
collection of Paul and Belinda Firos, the Connecticut collectors who
also brought us M.C. Escher: Impossible Reality in 2010.
Henri de Toulouse-Lautrec lived in Paris during the Belle Époque
(Beautiful Era) frequenting cabarets and cafés where he captured its
famous singers, actors, his friends and the working class in his highly
celebrated posters, prints, caricatures, sketches, and paintings.
Greatly influenced by the French Impressionist movement, Henri de
Toulouse-Lautrec is a post-impressionist of the mid-late 1800's. Due to
his excessive lifestyle Henri de Toulouse-Lautrec died from
complications of alcoholism and syphilis in 1901 at age 36.
This exhibition highlights approximately 150 of
Toulouse-Lautrec’s rare works on paper including sketches, and some of
his iconic posters like Jane Avril, Divan Japonais, and La Troupe de Mademoiselle Eglantine.
The included posters are incredibly rare and fragile because as
temporary advertisements for a particular show they were not done on
quality paper. Some of the works are accompanied by appropriate passages
from French literature, photographs, and other objects, in order to
help the viewer better understand the atmosphere of that time.
Toulouse-Lautrec & His World is from the collection of Herakleidon Museum, Athens, Greece, www.herakleidon.com
Uma turista não acidental, instruída e experta. Estivemos em Albi, mas infelizmene o Museu Toulouse-Lautrec, no castelo da família, estava fechado para reformas.
Quem está mais imóvel: o guarda ou eu? Paulo Roberto de Almeida Hartford, 24 Fevereiro 2013
Nem sempre concordo com este economista, aliás raras vezes concordo com suas análises, que partem de pressupostos que considero falhos, quando não politicamente enviesados. Mas, não deve lutar contra os números, e o balanço que ele faz dos dez anos gloriosos da gestão incomparável do nuncaantesnestepaiz deve deixar os companheiros ressabiados, quando não enraivecidos...
Paulo Roberto de Almeida
Avanços ilusórios
Merval Pereira O Globo, 24/02/2013
Durante os governos petistas, a estrutura econômica brasileira iniciou ou aprofundou tendências que comprometem a capacidade de desenvolvimento do país no longo prazo, afirma o professor titular de Economia Internacional da UFRJ Reinaldo Gonçalves em análise da economia brasileira nos 10 anos de governos petistas em trabalho intitulado “Brasil Negativado, Brasil Invertebrado: Legado de 2 governos do PT”.
Essas tendências, entre outras, segundo ele, são desindustrialização; reprimarização das exportações; maior dependência tecnológica; desnacionalização; perda de competitividade internacional; crescente vulnerabilidade externa estrutural; maior concentração de capital e política econômica marcada pela dominação financeira.
Até mesmo no campo social o professor da UFRJ vê ilusão onde o governo vende “conquistas notáveis”. Para ele, as políticas distributivas não atingem a estrutura de concentração de riqueza e não alteram a distribuição funcional da renda (salários versus juros, lucros e aluguéis). No que se refere ao desenvolvimento social, tomando o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) como referência, Gonçalves constata “a total ausência de ganhos do país relativamente ao resto do mundo”.
O Brasil Negativado também aparece em outro importante indicador de desempenho econômico, a inflação. Durante os governos petistas a taxa média de inflação é 6,1% (preços ao consumidor). Segundo o estudo, a taxa de inflação no Brasil é maior do que média mundial em 6 anos e maior do que a mediana mundial em 9 anos.
A melhora na distribuição de renda, na visão de Gonçalves, não é vigorosa ou sustentável em decorrência da própria natureza do modelo de desenvolvimento, que envolve trajetória de desempenho fraco e instável. Ele alega que os indicadores capturam fundamentalmente os rendimentos do trabalho e os benefícios da política social, e a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (PNAD), que serve de base para o cálculo dos indicadores de desigualdade, subestima os rendimentos do capital (juros, lucros e aluguéis).
Segundo o estudo, a distribuição da riqueza, muito provavelmente, não se alterou tendo em vista a vigência de elevadas taxas de juros reais no governo Lula, o reduzido crescimento do salário médio real, a concentração de capital e a ausência de medidas que inibam práticas comerciais restritivas (abuso do poder econômico) das grandes empresas.
Também como exemplo de concentração de capital e de riqueza, Gonçalves ressalta que no início do século XXI o valor dos ativos totais dos 50 maiores bancos era igual aos ativos totais das 500 maiores empresas; em 2011 os ativos dos 50 maiores bancos eram 78% mais elevados do que os ativos das 500 maiores empresas.
A base de dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com coeficientes de Gini (que mede a desigualdade) num painel de 110 países mostra que, apesar de haver queda da desigualdade na América Latina na primeira década do século XXI, os países da região continuam com os mais elevados indicadores de desigualdade de renda no mundo.
Em meados desta década, lembra Reinaldo Gonçalves, 4 entre os 5 países com maior desigualdade estão na região (Colômbia, Bolívia, Honduras e Brasil).
No conjunto dos 10 países mais desiguais, há 8 países latino-americanos. Segundo o levantamento, o Brasil experimentou melhora marginal na sua posição no ranking mundial dos países com maior grau de desigualdade entre meados da última década do século XX e meados da primeira década do século XXI. Saiu da 4ª posição no ranking mundial dos mais desiguais para a 5ª posição.
Gonçalves ressalta que os avanços que ocorrem no Brasil não implicam ganhos em relação ao resto do mundo durante os governos petistas. Ele toma como exemplo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do PNUD. Embora ao longo do período 2000-11 o IDH do Brasil tenha aumentado de 0,665 em 2000 para 0,718 em 2011, este mesmo fenômeno ocorreu com a maioria dos países.
Em consequência, destaca Gonçalves, não há mudanças nas diferenças entre o IDH do Brasil, que se manteve praticamente estável (70ª posição) durante os governos petistas, e a média dos IDHs dos outros países.
Os medievalistas, sobretudo os que leram Georges Duby ou Marcel Bloch, saberão o que significa "droit de cuissage", e os que ouviram falar de Julien Benda, saberão o que é o significado da revolta dos clérigos...
Com mil desculpas pelo pedantismo acadêmico, aqui vai um assunto muito terrestre, talvez até pedestre, a quatro patas, a julgar pelo comportamento de alguns personagens...
Paulo Roberto de Almeida
ABAIXO ASSINADO CONTRA O ASSÉDIO MORAL NO ITAMARATY. http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/10639 ________________________________________ From: asof@asof.org.br [asof@asof.org.br] Sent: 21 February 2013 16:09 To: Itamaraty - Ofchan Subject: Abaixo-assinado contra o assédio moral no Itamaraty
A questão do assédio moral dentro do Itamaraty tem sido algo cada vez mais reincidente, sem que culpados sejam devidamente punidos. Nos últimos dois anos, a ASOF vem tratando, junto a seu corpo de advogados, de casos de denúncias de colegas que sofreram (e ainda sofrem) por conta de assédio moral de diplomatas - atitude que, nos corredores, os diplomatas lamentam, mas, por conta do tal cooorporativismo, do "Esprit De Corps", tentam amenizar, atribuindo isso a uma certa "cultura da casa". Os casos de assédio moral, coincidentemente, acontecem de forma mais aviltante no exterior, quando, alguns, longe dos olhos da Administração, diplomatas sentem-se no direito de perseguir os demais como se superiores fossem. Há de se lembrar que as 3 carreiras do SEB não possuem, na Lei, uma hierarquia entre elas, ou seja, ninguém é mais ou menos do que o outro. A ASOF repudia toda e qualquer atitude que, envolta em um rótulo hipócrita de "cultura da Casa", venha a desmerecer e desrespeitar todo e qualquer servidor - mesmo os contratados locais. Que "cultura da Casa" é essa, que permite que diplomatas gritem, xinguem e menosprezem, sem qualquer punição, quem justamente trabalha para que a Diplomacia brasileira seja séria e o nome do Brasil respeitado lá fora ? Ministério é local público de trabalho; não é "Casa" de ninguém. Se, em casa, tais pessoas estão acostumadas a agir assim, a Administração do Itamaraty deve exigir que, no trabalho, ajam com civilidade, sendo polidas e educadas. Caso contrário, deverão sofrer as consequências de seus atos, pois, até agora, quem vem sofrendo com isso são somente os assediados moralmente, adoecendo, tendo que entrar em licença médica e, em alguns casos, tendo que pedir para ser removido do posto, antes do prazo, por não suportar mais tanta humilhação. A ASOF espera que a Administração do Itamaraty adote, doravante, regras mais rígidas nos casos de assédio moral e que as investigações sejam, de fato, sérias e isentas, sendo os culpados punidos, no rigor da Lei. Em apoio não somente ao caso do contratato local em Sydney, mas em nome de todos os demais colegas que sofreram e ainda sofrem por conta de atitudes recrimináveis de certos diplomatas que pensam em viver no tempo da "Casa Grande e Senzala", assediando moralmente quem não é diplomata, a ASOF reitera a divulgação de ato de repúdio contra o assédio moral, promovido pelo SindIItamaraty, hoje, às 15h, defronte ao "Bolo de Noiva" e aproveita para encaminhar link de abaixo-assinado que chegou à associação, em protesto contra tais atitudes, com carta anexa ao Ministro das Relações Exteriores. O ato já conta com 285 assinaturas. Soraya Castilho Presidente da ASOF http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/10639
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Comentário de um iconoclasta não identificado:
Existe, da parte de muitos diplomatas, infelizmente, um comportamento que foi caricaturizado como "Casa Grande e Senzala", mas que é mais apropriadamente identificado como uma postura feudal, de senhorio e vassalagem, quando não é um triste comportamento de separação estamental, muito próximo ao histórico regime de castas, na Índia. As castas são mentais, entre alguns, que se sentem pertencer a uma categoria superior, achando que todos os demais lhes devem subserviência, respeito, temor reverencial e outras submissões mentais desse tipo. Esse tipo de postura não existe apenas entre os diplomatas de um lado e os demais servidores de outro, mas entre os próprios diplomatas, com uma atitude mental que costuma distinguir entre o "lumpesinato" do secretariado, de um lado, e a aristocracia dos fidalgos ministrados, de outro. Isso um dia acaba, e não tem nada a ver com governos de esquerda, de direita (ou neoliberais) ou de centro: tem a ver com a atitude mental feudal que ainda caracteriza o Itamaraty. Infelizmente.
Nossa tradição cartorialista nos impõe uma pletora de leis, decretos, portarias, regulamentos, atos administrativos os mais diversos, que se acumulam, se duplicam, se contradizem, e tornam a todos confusos, a começar pela burocracia encarregada de zelar pela pureza da legalidade formal.
Só que a legalidade formal nem sempre, ou quase nunca se coaduna com a realidade material, ou seja, a economia real, e aí começam a existir milhares de penduricalhos, aditivos, correções e exceções, uma série de "espertezas" que os mais espertos criam para beneficiar a si póprios, como por exemplo os 14o. e 15o. salários dos congressistas, os adicionais de qualquer coisa para os magistrados, sem falar nas famosas correções, que sempre são corrigidas para cima, muito acima, nunca para baixo.
E também tem aqueles que acham que o Brasil é o paradigma universal dos rendimentos globais, e que o teto (que por si já é uma grande embromação, pois todo mundo se acha no direito de bater no teto ou quase perto) fixado internamente deve valer para todas as latitudes e longitudes, independentemente de onde se viva, e de qual seja o custo de vida.
Parece que os funcionários do serviço exterior -- que no Brasil ganham muito menos que seus contrapartes funcionais de outros poderes, e que compensam, precariamente com salários razoáveis no exterior -- terão de se pautar pelo teto, em reais, para uma vida em dólares ou outras moedas, com padrões de consumo e índices de custo de vida totalmente diferentes dos nossos.
Bravo! Vão fazer com que ninguém mais queira ir para o exterior, pois os salários no Brasil até que melhoraram em relação ao passado de miséria.
Quando oferecerem um posto -- pode ser A, B, C, ou E -- a um secretário com dois filhos, ele vai perguntar: quanto vou ganhar? Quanto é que vai custar a escola -- internacional, ou americana, não coberta pelo MRE -- para os meus filhos? Sinto muito mas obrigado, prefiro ficar aqui mesmo...
É isso o que vão criar...
Paulo Roberto de Almeida
Ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota
Reuters
BRASÍLIA Seis meses após o governo divulgar a lista de salários dos
servidores públicos federais, o Itamaraty continua sem revelar quanto
ganham diplomatas e outros funcionários lotados no exterior. Atualmente,
o Ministério das Relações Exteriores publica apenas os vencimentos dos
que trabalham no Brasil. Em novembro, o Tribunal de Contas da União
(TCU) deu prazo de um mês para que fossem divulgados também os
vencimentos de pessoas a serviço em outros países. Também foi
determinado que os salários superiores ao teto federal (R$ 28.059,29)
fossem cortados. No mês seguinte, o próprio TCU revogou a decisão,
diante de recurso proposto pelo ministro das Relações Exteriores,
Antonio Patriota. Ele alegou falha técnica do TCU no processo e teve o
pedido atendido.
O processo retornou ao gabinete do relator,
ministro Benjamin Zymler, para ser reavaliado. A expectativa é que ele
devolva o caso à apreciação dos colegas em breve. A próxima sessão
plenária do TCU está marcada para o dia 23, mas não se sabe se o assunto
será incluído na pauta de votações. Enquanto isso, os proventos de
1.934 servidores do Itamaraty que cumprem missão no exterior continuam
sob sigilo.
A divulgação dos salários de todos os servidores
públicos foi determinada pela Lei de Acesso à Informação, em vigor desde
maio de 2012. No dia 27 de junho, todos os vencimentos foram ao ar no
Portal da Transparência. Os funcionários do Itamaraty no exterior e dos
servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) não entraram no
sistema — esses últimos, por questões de segurança.
A decisão do
TCU de enquadrar o Itamaraty na lei e nos limites impostos pelo teto
constitucional foi proferida em 6 de outubro de 2012. Em 28 de novembro
de 2012, o plenário do TCU julgou o recurso proposto pelo ministro
Patriota. O chanceler argumentou que houve falha processual, pois a
forma como o caso foi julgado desobedeceu ao Regimento Interno do
tribunal. Julgamento deveria ter sido individual
O
TCU realiza julgamentos individuais e por relação. Na primeira
situação, cada processo é amplamente discutido e votado separadamente.
Na segunda, há uma lista de processos votada de uma só vez, sem haver
discussão mais aprofundada de cada caso. O processo do Itamaraty, por se
tratar de salários de servidores, deveria ter sido votado da primeira
forma, mas foi decidido por relação.
“A determinação em questão
amolda-se à hipótese vedada pelo dispositivo regimental ora citado, pois
resulta na supressão de parcela remuneratória de interesse de
servidores vinculados ao MRE”, afirma o acórdão do TCU de novembro. Para
o TCU, houve “nulidade absoluta” da decisão anterior, que foi declarada
insubsistente.
O processo para investigar eventuais ilegalidades
na folha de pagamentos do Itamaraty foi instaurado em maio de 2012. O
relator era o ministro Augusto Nardes. Como ele assumiu a presidência do
TCU em dezembro, o processo mudou de relatoria e hoje está nas mãos do
ministro Benjamin Zymler. Procurado pelo GLOBO, Zymler não quis falar
sobre o assunto.
A decisão de outubro também dava ao Ministério
das Relações Exteriores prazo de 180 dias para “interromper os
pagamentos de valores referentes ao fator de correção cambial aos
servidores lotados no exterior, tendo em vista a ausência de amparo
legal para tais pagamentos”. Segundo o tribunal, esse tipo de parâmetro
para a remuneração desrespeitava “os princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência” previstos na
Constituição.
O TCU também enviou recomendação à Casa Civil da
Presidência da República, ao Ministério do Planejamento e ao Itamaraty
para elaborar um projeto de lei disciplinando os procedimentos de
fixação dos vencimentos no exterior, “de forma a eliminar o uso de
parcelas não previstas legalmente, como é o caso do fator de correção
cambial, o qual não se coaduna com a exigência constitucional de edição
de lei específica para fixação de remuneração de servidores públicos”.
O
projeto de lei também deveria conter a informação de que nenhum
servidor do Itamaraty estaria autorizado a receber remuneração superior
ao valor do teto constitucional. O fator de correção é aplicado para
elevar os salários de diplomatas lotados em cidades no exterior com
custo de vida elevado.