quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

A IMENSA riqueza contida nas bibliotecas especiais do Itamaraty: algumas fotos parciais - Paulo Roberto de Almeida

 A IMENSA riqueza contida nas bibliotecas especiais do Itamaraty: algumas fotos parciais

Busto de Antônio Francisco Azeredo da Silveira, 

o "patrono" da Biblioteca do MRE

Paulo Roberto de Almeida

Os que me conhecem sabem que eu me descrevo, desde muito, como um "rato de biblioteca", literalmente, expressamente, deliberadamente. Sempre conversei com bibliotecárias para percorrer as estantes internas das bibliotecas que eu frequentei, com destaque para a do Instituto de Sociologia da Universidade Livre de Bruxelas (a do Instituto, não a central, inacessível), onde estive por quatro anos, de 1971 a 1975. Depois, passei a percorrer a do Instituto Rio Branco (onde NÃO estudei, mas dei aulas) e, sobretudo a central do Itamaraty, descendo ao subsolo do Bolo de Noiva para olhar eu mesmo os livros disponíveis, intermináveis.

Mas, uma coisa é pesquisar no catálogo, impessoal e rígido, outra é percorrer estantes, sempre organizadas segundo as classificações decimais igualmente rígidas, por vezes até irracionais, usadas há décadas nas bibliotecas acadêmicas. OUTRA COISA, muito mais agradável, é percorrer bibliotecas PESSOAIS, e descobrir pequenos e grandes tesouros, alguns com dedicatórias reveladoras. Aliás, revelo aqui que tive o imenso prazer, e a surpresa, de descobrir, percorrendo aquelas estantes indevassadas por décadas, um livro, a primeira obra dedicada ao exame do Budget Brésilien, escrito em 1849 pelo ministro belga no Rio de Janeiro e enviado ao Varnhagen em Madrid, em 1852, com uma bela dedicatória em francês, como o livro, um grosso volume de proproções razoáveis. A surpresa é que o livro NUNCA tinha sido aberto, pois tinha as páginas coladas (in octavo, suponho) e fui o primeiro a percorrê-las em 150 anos.

Bem, digo tudo isto pois minhas visitas às bibliotecas pessoais de doadores de suas coleções à Biblioteca do Itamaraty contemplam todas as surpresas esperadas e não esperadas pelos bibliófilos terminais como este que aqui escreve. 

Vou postar algumas fotos de algumas dessas bibliotecas, mas convido a todos a uma visita.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 12/12/2024

Biblioteca de Jayme Azevedo Rodrigues, a mais atraente para os que se dedicam às relações econômicas internacionais e política internacional na era da Guerra Fria.






  

 Agora a coleção do Miguel Ozório de Almeida, filho de um famoso cientista do início do século XX, e que tem uma biblioteca voltada basicamente para a economia e questões de desenvolvimento econômico.



Passo para uma das bibliotecas mais ricas do ponto de vista das relações exteriores e da diplomacia brasileiras, pois que feita pelo Mario de Pimentel Brandão, embaixador em postos de importância e ministro interino durante o Estado Novo, "sobrevivente" até a República de 1946. Para os fanáticos pela história diplomática...



Ronald de Carvalho possui uma das mais ricas coleções de literatura brasileira e estrangeira, com preciosidades e raridades, talvez a segunda maior biblioteca de todas as particulares.






Durante os sete anos em que foi Secretário Geral do Itamaraty, sob Lula 1 e 2, Samuel Pinheiro Guimarães recebeu livros de todo mundo, vários com dedicatórias elogiosas, mas a sua bibliteca tem livros até dos tempos em que ele estudava economia em Boston, ainda nos anos 1960. Continuou acumulando livros durante mais de meio século; sua coleção é realmente relevante, sobretudo para nacionalistas e desenvolvimentistas de todos os costados.




O chefe de Samuel, o mais longevo chanceler da República, e atual assessor presidencial de Lula 3 em assuntos internacionais, chanceler virtual, possuidor de uma das bibliotecas mais ricas em assuntos correntes, basicamente de atualidade.



Chegamos à minha, ainda modesta, pois não constam ainda as centenas de livros sobre relações internacionais, Brasil, América Latina, economia internacional e história econômica.




Finalmente, chegamos à maior coleção de todas, a do embaixador Alvaro Teixeira Soares, ocupando dezenas de estantes de pura diplomacia brasileira, política externa dos países vizinhos, especialmente do Prata e um pouco de todos os demais assuntos que entram na vida dos grandes diplomatas, uma preciosidade.





Para a apresentação de todas as coleções pessoais da Biblioteca do Itamaraty, remeto a esta minha postagem, que discorre brevemente sobre as mais importantes: 


Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 12/12/2024

O saber e o conhecimento versus a estupidez e a ignorância [econômicas] - Ricardo Bergamini

 POUPANÇA=INVESTIMENTO=CRESCIMENTO.O RESTO É ILUSÃO MONETÀRIA

 

O saber e o conhecimento versus a estupidez e a ignorância

 

Os estúpidos e ignorantes não conseguem entender o motivo pelo qual o BCB aumentou os juros, apesar de que todos os indicadores de curto prazo da economia sejam maravilhosos. Isso ocorre porque o BCB tem que prever o futuro, com base nos indicadores abaixo:

 

O crescimento econômico não foi gerado por aumento de investimentos, mas sim com déficit público, ou seja, é um crescimento baseado em ilusão monetária.

 

- No 3º trimestre de 2014, a taxa de investimento foi de 21,5% do PIB. No 3º trimestre de 2024, a taxa de Investimento foi de 17,6% do PIB. Redução de 18,14% em relação ao PIB.  Provando que o crescimento de “voo de galinha” está se movendo no curto prazo por ilusão monetária, não de forma consistente e definitiva por poupança/investimento.

 

- No acumulado em doze meses até dezembro de 2022, o déficit fiscal nominal alcançou R$ 460,4 bilhões (4,68% do PIB). No acumulado em doze meses até outubro de 2024, o déficit fiscal nominal alcançou R$ 1.092,8 bilhões (9,52% do PIB). Aumento real em relação ao PIB de 103,42%, comparativamente ao acumulado em doze meses até dezembro de 2022.

 

Em função do acima colocado, o destino do Brasil tem sido de um eterno sobe e desce do crescimento, com resultado final próximo de “ZERO”.

 

O gráfico abaixo demonstra, de forma cabal e irrefutável, que o Brasil é um país sem rumo, sem projeto, sem planejamento, sem lenço, sem documento, sem moral, sem vergonha, sem futuro, sem ideal e sem partido, mas que os ingênuos brasileiros “bobos da corte” estão sempre disponíveis a acreditarem que os “Messias” nos resgatarão do inferno em que vivemos, sem dor e sofrimento. 

 

 

 

Ricardo Bergamini

The Humbling of Iran - Golnar Motevalli (Bloomberg Balance of Power)

The Humbling of Iran

Golnar Motevalli

Bloomberg Balance of Power

December 10, 2024


Things were looking bad for Iran even before a group of rebel fighters marched on Damascus and forced long-time Tehran ally Bashar al-Assad to flee the Syrian capital.

In a matter of days, the Islamic Republic had lost yet another major branch of its so-called Axis of Resistance. Assad’s fall comes after the weakening at the hand of Israel of Hezbollah in Lebanon and Hamas in Gaza.

It all means that Iran is likely, for the time being, to reel back its longstanding strategy of spreading military and ideological influence across the Arab world.

In his first statement on Assad’s ouster, Iranian Supreme Leader Ayatollah Ali Khamenei insisted today that his country is “powerful and strong” and vowed to replenish and expand its network of allies.

That’s just before the return of Donald Trump to the White House, with a promise of reviving his “maximum pressure” campaign against Iran.

The government in Tehran is left trying to figure out how to respond, and questions are being asked about the vulnerability of its leadership.

It’s already facing significant internal dissent and economic pain. That strain is in part because the last time Trump was in office he jettisoned a landmark 2015 nuclear deal with world powers and clamped down on Iran’s economy.

Reformist President Masoud Pezeshkian has signaled he wants to revive a form of that deal, seeing it as key to the Islamic Republic’s survival.

But if things go awry, Iran may follow an old pattern of escalating its atomic activities, raising concerns that it may try to develop a nuclear weapon. That’s something both the US and an increasingly emboldened Israel have vowed will never be allowed to happen.

As the events in Syria have shown, with the toppling of a leader only recently seen as untouchable, nothing can be ruled out across a persistently volatile region. — Golnar Motevalli

Assad and Iranian Supreme Leader Ayatollah Ali Khamenei met in Tehran in May. Source: Office of the Iranian Supreme Leader/AP Images

China's interest in an expanded BRICS - China Global Podcast - German Marshall Fund

PODCAST

China's interest in an expanded BRICS
China Global Podcast - German Marshall Fund

The BRICS+ summit was held in the Russian city of Kazan this past October. The original BRICS comprised four countries: Brazil, Russia, India, and China. The first meeting that they held was in 2009. South Africa joined in 2011. BRICS has now grown to include Egypt, Ethiopia, Iran, and the United Arab Emirates. The recent summit also invited 13 countries to the group as partner states. Countries that have expressed interest in joining BRICS include Indonesia, Malaysia, Thailand (a U.S. treaty ally), and Turkey (a member of NATO). As countries in the Global South flock to form an increasingly significant geopolitical bloc in which China has assumed a leading role, it is important to understand how BRICS+ fits into China’s foreign policy strategy and the role that the BRICS mechanism is likely to play going forward. To discuss these issues, host Bonnie Glaser is joined by Alexander Gabuev, director of the Carnegie Russia Eurasia Center which is based in Berlin. His research focuses on Chinese and Russian foreign policy.

A grande divergência: Argentina e Brasil nas disparidades econômicas mundiais da segunda revolução industrial (1890-1940) - Paulo Roberto de Almeida

Um desses exploradores da inteligência alheia me escreve para sugerir, oferecer, realizar nova publiação do meu artigo intitulado "A grande divergência: Argentina e Brasil nas disparidades econômicas mundiais da segunda revolução industrial (1890-1940)", apresentado durante o "XIX Congresso Brasileiro de História Econômica | 12ª Conferência internacional de História de Empresas (ABPHE)", numa dessas revistas "B qualquer coisa", que eles criam fictivamente apenas para arrancar dinheiro dos incautos ou dos desesperados por pontos no Lattes.

Para evitar que isso se faça, ofereço meu artigo de graça, aqui:

2799. “A grande divergência: Argentina e Brasil nas disparidades econômicas mundiais da segunda revolução industrial (1890-1940)”, Hartford, 14/03/2015; revisto: 16/03/2015; ampliado: 28/03/2015, 28 p., para o XI Congresso Brasileiro de História Econômica e XII Conferência Internacional de História de Empresas (14-16/09/2015, Vitória-ES, UFES. Enviado em 28/03/2015. Selecionado para participação. 

Carregado na plataforma Academia.edu em 21/08/2016 (link: https://www.academia.edu/s/ed9ab4433b/2799-a-grande-divergencia-argentina-e-brasil-nas-disparidades-economicas-mundiais-da-segunda-revolucao-industrial-1890-1940-2015). 


A grande divergência: Argentina e Brasil nas disparidades econômicas mundiais da segunda revolução industrial (1890-1940)

The great divergence: Argentina and Brazil in the world’s economic disparities of the second industrial revolution (1890-1940)

 

Paulo Roberto de Almeida 

Diplomata; professor no Centro Universitário de Brasília (Uniceub).

 

Resumo: Avaliação das interpretações de historiadores econômicos sobre as razões do aprofundamento da grande divergência de níveis de renda e de desenvolvimento ocorrido no período da segunda revolução industrial, com um enfoque voltado para a inserção da América Latina, em especial do Brasil e da Argentina, na economia mundial. São focalizados, para um balanço sobre o estado do debate recente, trabalhos dos economistas historiadores Gregory Clark e Jeffrey Williamson, usando dados homogêneos construídos pelo economista Angus Maddison. Williamson argumenta por um aprofundamento das disparidades num período mais tardio do que o considerado por outros historiadores, e considera o papel negativo desempenhado pelas especializações exportadoras em primários no processo de desindustrialização relativa de países da periferia. Clark, por sua vez, tende a privilegiar uma explicação pelos diferenciais de produtividade do trabalho humano entre economias avançadas e países periféricos. 

Palavras-chave: Grande divergência; diferencias de renda; países periféricos; Brasil; América Latina.

Abstract: Assessment of differing interpretation among economic historians about the reasons for the deepening of the great divergence in income and development levels that took place during the second industrial revolution, with a focus on Latin America’s integration into the world economy, especially the cases of Brazil and Argentina. Economic historians chosen for this evaluation of the current state of the debate on this question are Gregory Clark and Jeffrey Williamson, working on the basis of uniform data built in the framework of Angus Maddison project. Williamson argues that this deepening of the income disparities took place at a later date than that accepted by other historians, attributing a negative factor to the specialization in a few commodities by peripheral countries, which endured a deindustrialization effect. Clark, for his side, prefers to give a greater role in his explanation to human labor productivity differentials between advanced economies and peripheral countries. 

Key words: Great divergence; income differentials; peripheral countries; Brazil; Latin America.



A grande divergência: Argentina e Brasil nas disparidades econômicas mundiais da segunda revolução industrial (1890-1940)

 

Paulo Roberto de Almeida

  

Riche comme un Argentin...

Frase corriqueira ao início do século 20.

 

 

1. A concentração industrial na origem da grande divergência

Um dos grandes temas da historiografia econômica é o relativo aos fatores de divergência entre os níveis de produtividade das economias nacionais, o que explica, em grande medida, os enormes diferenciais de renda e de bem-estar existentes entre elas (Pritchett, 1997; Clark, 2007; Williamson, 2011). Como argumenta Gregory Clark, até a revolução industrial todas as sociedades estavam praticamente condenadas ao baixo crescimento, devido ao fenômeno da “armadilha malthusiana”, ou seja, o crescimento da produção e as melhorias tecnológicas, a despeito de reais, sendo persistentemente neutralizados pelo aumento contínuo da população; na visão desse economista, até o século 19 “não existia nenhuma tendência ascensional” (2007: 1). Toda a humanidade, com pequenas variações entre os povos, estava presa num ambiente de escassez: “para a maioria dos ingleses ainda em 1813 as condições não eram melhores do que para os seus ancestrais desnudos da savana africana” (p. 2). Ele considerava inclusive que as condições do século 19 pioraram em relação à idade da pedra: “os pobres de 1800, aqueles que viviam unicamente de seu trabalho rudimentar, estariam melhores se fossem reinseridos em algum bando de caçadores-coletores” (idem). 

Ocorreu, então, a revolução industrial, que transformou radicalmente o cenário: a renda individual experimentou um ganho consistente num seleto grupo de países e os mais avançados se tornaram dez a vinte vezes mais ricos do que eram em 1800. Mas essa prosperidade não se estendeu a todas as sociedades, havendo inclusive o caso de que o consumo de algumas sociedades da África ao sul do Saara recuou a patamares abaixo da era pré-industrial. “Essas sociedades africanas permaneceram encurraladas na armadilha da era Malthusiana, na qual avanços tecnológicos resultam meramente em mais população e os padrões de vida são rebaixados ao nível de subsistência” (p. 3).


(...)


Ler a íntegra do artigo neste link: 


https://www.academia.edu/s/ed9ab4433b/2799-a-grande-divergencia-argentina-e-brasil-nas-disparidades-economicas-mundiais-da-segunda-revolucao-industrial-1890-1940-2015

Une bonne trouvaille: Tout ce que les Hommes savent des Femmes - Jean Frissone (Biblioteca do Itamaraty)

 Frequentando recentemente a biblioteca do Itamaraty (o que sempre faço regularmente), deparei-me com um livro depositado inocentemente na mesinha da sala de entrada. Minha curiosidade foi atraída pelo título impossível:

Tout ce que les hommes savent des femmes

O autor? Um total desconhecido: Jean Frissone, um nome banal.
Abri o livro para saber o que até aqui não sabia, para uma decepção irônica: todas as páginas são em branco, do início ao fim.



Guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia: situação em 11/12/2024 - CDS

 Guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia: situação em 11/12/2024:


A situação nas frentes de batalha do Donbas ucraniano se complicam para as Forças de defesa da Ucrânia, segundo leio no boletim do CDS desta quarta 11/12/2024:

"Approximately 150,000 Russian military personnel operate on the Pokrovsk, Kurakhove, and Vremivka directions, including over 70,000 on the Pokrovsk direction, 35,000-36,000 on the Kurakhove direction, and more than 40,000 on the Vremivka direction. (...)
If the enemy advances to the area where the Vovcha and Solona rivers converge near Dachne from the north, the position of Ukrainian Defense Forces units in Kurakhove will become critically complicated unless they manage to retreat in time. In the southern part of the Kurakhove bridgehead, Ukrainian Defense Forces units will soon have to abandon Hannivka and Uspenivka to avoid encirclement and retreat in a northwesterly direction.
On the Vremivka direction, intense battles for Velyka Novosilka are expected to unfold soon, as the enemy's future ability to organize and carry out a further offensive toward Rozlyv and Bahatyr, as well as to conduct a deep flanking maneuver against the Ukrainian Defense Forces' grouping from the south, depends on it. (...)
By the end of the current year, the enemy will not succeed in seizing the "belt of fortresses" Kostyantynivka – Druzhkivka – Kramatorsk – Sloviansk or occupying Donetsk Oblast. The upcoming battle for Pokrovsk will mark the apex of the enemy’s offensive operation in the Southwestern Theater of Operations in 2024.
The enemy's military command in the theater of operations until March 2025 will be creating conditions to achieve the military-political goal of the “Special Military Operation”: reaching the administrative borders of Donetsk and Luhansk Oblasts and the junction of Zaporizhzhia, Dnipropetrovsk, and Donetsk Oblasts near the village of Temyrivka.

Russian operational losses from 24.02.22 to 11.12.24

Personnel - almost 757,340 (+1,400);
Tanks 9,526 (+2);
Armored combat vehicles – 19,616 (+20);
Artillery systems – 21,067(+3);
Vehicles and fuel tanks – 31,073 (+36);
UAV operational and tactical level – 20,111 (+4).

Centre for Defence Strategies (CDS) is a Ukrainian security think tank.

Postagem em destaque

Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...