Vocês já ouviram falar do Fundo Soberano do Brasil, não é verdade?
Aquele que não é exatamente um Fundo, muito menos Soberano e sobretudo não é do Brasil, mas do governo, que cuida dele tão mal quanto de todo o resto do patrimônio que ficou, tão mal, sob sua supervisão incompetente.
Pois é, segundo se sabe, pelas últimas notícias do front, esse "fundo", que no começo do ano tinha 20 bilhões de reais sob sua custódia -- dinheiro retirado do povo brasileiro, sob forma de impostos -- já não tinha mais de 14 bilhões em setembro último. Ou seja, uma perda de mais de 25% ou algo próximo de 6 bilhões de reais, que simplesmente se volatilizaram nos ares, ao sabor dos equívocos econômicos cometidos todos os dias pelos administradores incompetentes que ficaram com a responsabilidade de administrar esses recursos.
Como todos sabem, o Brasil não reunia nenhuma das condições requeridas para constituir um Fundo, muito menos soberano. Fundos desse tipo são normalmente constituídos a partir de superávits de transações correntes -- ou seja, países que exportam bens e serviços em volumes consideravelmente maiores do que aqueles importados -- ou excedentes de contas públicas, isto é, arrecadação em excesso dos gastos correntes e dos investimentos.
É sabido e notório que o Brasil não possui nem uma nem outra dessas duas coisas, e portanto simplesmente não poderia sequer pensar em ter um Fundo, menos ainda soberano.
Por pura imitação de países estruturalmente excedentários -- exportadores de petróleo, como países árabes, ou grandes exportadores de manufaturas, como a China -- o governo economicamente incompetente do Brasil resolveu fazer um "fundinho" a partir das arrecadações correntes, ou seja, dos nossos impostos, que deveriam servir a fins mais nobres do que exibicionismo econômico barato. Não há nada de soberano nisso, e muito menos do Brasil, pois esses recursos foram subtraídos do povo brasileiro, subtraídos do orçamento, do exame do Congresso, e colocados sob a responsabilidade exclusiva do Executivo, que deles não presta contas à sociedade.
E o que fez o governo desses recursos, supostamente constituídos para atuar como medidas anticíclicas, em caso de crises externas?
Ele comprou ações da Petrobras, ou seja, contrariando qualquer conselho de administrador de fundos de terceira classe, concentrou 90% dos recursos numa única aplicação: ações da Petrobras. Que, por obra e graça do governo -- que tudo fez para diminuir o valor da Petrobras, interferindo como nunca em sua administração corrente -- caíram à metade do valor do ano anterior.
O governo dilapida recursos do povo brasileiro, afundando um "fundo" que jamais foi soberano, nem deveria existir.
Eu me pergunto onde estão os parlamentares e economistas que deveriam zelar pelos recursos públicos, e que se eximem de controlar o patrimônio do povo brasileiro...
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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