sábado, 4 de abril de 2015

Uma mensagem quase apocaliptica, de um brasileiro indignado - Joao Cesar de Melo


Não conheço o autor, João Cesar de Melo, mas conheço quem me enviou. Trata-se de um texto absolutamente indignado, que tenta descobrir os culpados pela atual situação do Brasil. Não concordo com tudo o que ele diz, mas creio que tem razão na maior parte das acusações.
 Mostra sobretudo sua indignação em face do quadro atual, e sua certeza de que tudo vai piorar, e muito, antes, de começar a melhorar, uma hipótese ainda distante.
Acho que ele tem razão, eu diria que a 80%.
Apenas por isso eu coloco este texto aqui, a despeito de ser altamente subjetivo (mas com fundamentos).
Paulo Roberto de Almeida

Os culpados e as certezas
João Cesar de Melo

Como um delinquente bêbado, pouco mais da metade da população decidiu continuar acelerando inconsequentemente na mesma curva que
 seus vizinhos capotaram. Capotará também, porém, levando consigo a
 outra metade da população que o acompanha sentada à sua direita, no
 banco do carona.

Devemos ter pena dessa outra metade? Devemos vê-la como inocente?

Não.
Apesar de sua lucidez e honestidade, ela sempre foi passiva,
 tanto, que virou cúmplice de sua própria tragédia. Foi covarde. Teve
 medo de impor limites àqueles que pediram e depois assumiram o volante.

Os culpados pela reeleição de Dilma:
Fernando Henrique Cardoso por sua tolerância com as sabotagens,
 ofensas e calúnias que sofreu durante seu governo, o que soou aos
 ouvidos do PT como uma permissão para continuar com aquela
 estratégia de se chegar ao poder.
Qual foi sua atitude diante dos falsos dossiês sobre sua vida? Nenhuma.

Qual foi sua atitude com aqueles que invadiram, depredaram e
 saquearam (com apoio de Lula) a fazenda de sua família? Nenhuma.

Fernando Henrique Cardoso não foi homem nem para defender sua esposa
 (quem dedicou sua vida a projetos sociais) das calúnias que sofreu.
Nas três eleições seguintes, José Serra e Geraldo Alckmin
 concorreram à presidência sem bater no PT afundado em casos de
 corrupção e permitindo que Lula e Dilma pejorassem as privatizações
 de FHC.
Nesses 12 anos de governo petista, o PSDB não apenas fez uma
 oposição frouxa, mas assistiu passivo o PT promovendo uma massiva campanha de desconstrução do governo de Fernando Henrique Cardoso.

Enquanto os tucanos tentavam conquistar votos exibindo a beleza de
 suas penas, a imprensa e a Justiça também se continham diante dos
 desvios e afrontas da esquerda liderada pelo PT. Temendo serem vistos como a continuidade da postura antidemocrática
 do regime militar, a maior parte dos jornalistas, dos meios de
 comunicação, dos promotores e dos juízes deram espaço e liberdade
 para o movimento "socialista" divulgar suas ideias, por mais
 absurdas que fossem. 

Lula construiu carreira pregando a espoliação
 do capital e da propriedade privada.
 Viram, passivos, o PT sendo preenchido por aqueles que defendiam o
 alinhamento do Brasil com todos os líderes da extrema esquerda
 latino-americana.
Ignoraram o Foro de São Paulo. Assistiram o PT acolhendo e projetando politicamente
 ex-guerrilheiros e comunistas* declarados. Livraram muitas e muitas
 vezes o PT e sua militância do peso da lei para evitar serem taxados
 de repressores.


Obviamente, artistas e intelectuais também passaram a endossar todas
 as ações de Lula e do PT por vê-los como um poema revolucionário que
 levaria progresso ao país.


Sustentando esta tolerância irresponsável estavam pequenos
 empresários, profissionais autônomos e assalariados comuns que
 tentavam construir suas vidas por si mesmos, por meio de seus
 esforços e talentos.
 Mesmo sentindo a faca estatal lhe cutucando o pescoço com cada vez
 mais força por meio de impostos e burocracias, mantiveram-se
 indiferentes aos absurdos do governo por... não gostar de se
 manifestar sobre essas coisas de política; covardia que permitiu aos
 cretinos e canalhas ditarem o caminho que o Brasil seguiria.


Aqui estamos, assistindo uma ex-guerrilheira comunista sendo
 reeleita Presidente da República, ovacionada por uma militância que
 prefere ostentar bandeiras do PT em vez de bandeiras do Brasil.


Aécio Neves e seus eleitores foram bravos, porém, tardios.
 Levantaram-se apenas quando o PT já estava com a maior parte da
 máquina estatal trabalhando para si. Depois de tantos anos sendo
 complacentes com as boas intenções e com os métodos petistas, agora
 sentem o amarguíssimo gosto de se verem condenados a serem meros
 financiadores de um projeto ideológico.


Gabeira, Gullar e outros intelectuais demoraram demais para se
 posicionar contra os absurdos do PT.


Como símbolo da covardia da metade não corrompida do Brasil, aponto
 Joaquim Barbosa. Mesmo sendo reconhecido pela população como um
 herói por seu posicionamento no processo do Mensalão, retirou-se
 covardemente de cena logo quando a sociedade mais precisava dele.
 Foi ameaçado e caluniado de todas as maneiras pelo PT, mesmo assim
 se manteve distante do processo eleitoral. Teriam bastado duas ou
 três manifestações públicas dele em apoio ao candidato do PSDB para
 Dilma perder muitos votos. Mas não... Joaquim Barbosa não quis se
 meter na política. Prezou sua imagem. Foi covarde.


Infelizmente, foram em vão os esforços e a coragem das poucas
 pessoas que nestes anos todos denunciaram os absurdos do PT.


A certeza que tenho é que a metade não corrompida da sociedade
 voltará à sua covarde e histórica reclusão enquanto o PT acelerará a concretização de seu projeto de poder; e ninguém poderá acusá-lo de
 ter nos enganado.

Todos os seus objetivos sempre foram muito claros. Suas ações, seus
 pronunciamentos, suas alianças... Nada foi escondido.

Dilma Rousseff deixou bem claro que não mudará a condução da
 economia, que não enxugará a máquina pública, que não tirará nenhum
 companheiro das estatais, que não deixará de financiar projetos em
 Cuba, Venezuela e outros países.

O Brasil vai quebrar, pois o PT
 precisa que quebre.

Quanto pior for a situação do país, Dilma terá mais justificativas
 para intervir na economia, na justiça, na imprensa e na liberdade
 das pessoas.


O PT quer tirar o poder político e econômico da classe média para
 torná-la dependente do Estado.
 Os ricos que não forem embora se aliarão ao partido.

Anotem:
1. Dilma forçará sua reforma política para transferir poder do
 Legislativo
 para o Executivo e para os movimentos sociais ligados ao PT;
2. Perseguirá, sem pudor, toda a Justiça e imprensa não alinhadas
 ao PT,
 anulando os processos que estão em curso, blindando Lula de toda e
 qualquer acusação;
3. Remodelará a constituição de modo que preserve o PT no poder;

4. Colocará sua militância na rua para intimidar qualquer
 manifestação da
 sociedade independente;
5. Efetivará as diretrizes do Foro de São Paulo,
 institucionalizando um
 bloco socialista de ajuda mútua entre Cuba, Venezuela, Bolívia,
 Argentina e outros países "socialistas".



Adorarei reconhecer, daqui uns anos, que minhas projeções estão erradas mas, hoje, não me é possível enxergar como processos
 distintos o que acontece aqui e o que aconteceu na Venezuela, aonde
 a maior parte das pessoas que agora vão às ruas protestar contra o
 governo foram às ruas apoiá-lo anos atrás.

Arrependeram-se tarde
 demais.
Arrependeram-se não como um delinquente depois da capotagem.
 Arrependeram-se como um carona que permitiu ser conduzido por um
 bêbado irresponsável.
 Agora, lá estão os venezuelanos, presos a uma maca e sobrevivendo de
 soro.

Logo, o Brasil será um "país de arrependidos."



Sobre o autor: João Cesar De Melo
Arquiteto, artista plástico e
 escritor. Escreveu o livro Natureza Capital.

Lembre-se sempre:

"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo,
 qualquer um
 pode começar agora e fazer um novo fim".

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