Diplomata critica Itamaraty por veto a prefácio de Ricupero: ‘stalinismo diplomático’
O movimento suprapartidário Livres também se manifestou contra a atitude, defendendo o ex-ministro dos governos de Itamar Franco e FHC

O movimento suprapartidário Livres e o diplomata Paulo Roberto de Almeida se manifestaram em suas redes sociais nesta quinta-feira (1) contra o veto do Itamaraty à publicação de um livro que contém prefácio de Rubens Ricupero. Ricupero, célebre diplomata que ocupou ministérios nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, é membro do Conselho Acadêmico do Livres. [1]
As manifestações aconteceram porque o embaixador Synesio Sampaio Goes Filho submeteu uma biografia de Alexandre de Gusmão, diplomata do século XVII, à apreciação do Itamaraty, mas o órgão só aceitou fazer a publicação se o prefácio assinado por Ricupero, desafeto do ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, fosse retirado. Ricupero tem feito críticas à conduta do ministério.
Fundação de formação do Itamaraty encomendou livro sobre Alexandre de Gusmão, histórico diplomata, mas está se recusando a publicá-lo porque quem escreveu o prefácio foi o embaixador Rubens Ricupero, que já fez críticas ao atual ministro. www1.folha.uol.com.br/mundo/2019/08/…
Trata-se de mais uma postura de aparelhamento e confusão entre público e privado, além de um grande desrespeito ao embaixador.
Ricupero é um grande brasileiro, com imensos serviços prestados ao Brasil. Além da diplomacia, Ricupero foi personagem essencial para o sucesso do Real.
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O Livres considerou que a atitude foi “uma postura de aparelhamento e confusão entre público e privado, além de um grande desrespeito ao embaixador”. Enfatizou ainda que Ricupero é “um grande brasileiro, com imensos serviços prestados ao Brasil”. Já Paulo Roberto de Almeida, que também é desafeto de Ernesto Araújo e crítico contundente do governo Bolsonaro, comparou o gesto às etapas da prática de censura sob o regime stalinista.
Para o diplomata, o Itamaraty está adotando um “stalinismo diplomático”: “se o prefácio fosse escrito por um bolsonarista, mas que defendesse posturas divergentes da atual diplomacia, seria provavelmente publicado junto com a biografia”, avaliou Paulo Roberto.

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