Os autores acreditam que a oposição ao governo atual "insinua" ligações do PT com as FARC. Não se pode insinuar o que é um FATO. Pode-se apenas afirmar, informar, constatar. Como já disse alguém, fatos são teimosos: eles não deixam de existir apenas porque não se gosta deles. Eles continuam teimosamente lá.
Eles também exibem certa ingenuidade, ao afirmar que "as ações do Brasil no cenário internacional interessam ao mundo, como no caso do Irã."
Interessam ao mundo? Ou seja: o mundo veio pedir ao guia genial dos povos que, por favor, tentasse intermediar o problema nuclear iraniano já que os líderes das principais potências nucleares e a Alemanha foram incapazes de trazer o Irã à mesa de negociações? Não se sabe se é ingenuidade ou falta de informação.
Talvez contaminação pelo "novo olhar da diplomacia brasileira"...
Em todo caso, cabe a leitura, embora se deva descontar a ingenuidade em muitas passagens, como nesta aqui, por exemplo:
"As eleições diretas para o parlamento do Mercosul devem ser outro fator estrutural que dará impulso a essa tendência nas próximas eleições..."!!! Se algum eleitor souber que existem (onde estão?) candidatos para o Parlamento do Mercosul, deve certamente ser um estudante de Mestrado especializado em Mercosul...
Em algum momento a realidade encontrará o artigo, apenas não se sabe quando...
Paulo Roberto de Almeida
Política externa e o debate eleitoral
Leandro Freitas Couto & Taís Sandrim Julião
Boletim Mundorama, 21 Setembro 2010
Política externa não dá voto. Essa é uma afirmação que, com certo pesar, afirmam parte expressiva dos especialistas em Relações Internacionais. Não por acaso. Como aponta Almeida (1992), tradicionalmente os partidos políticos brasileiros – atores-chave na estrutura eleitoral – não tem inserido a política externa como uma de suas prioridades no conjunto de suas propostas de políticas públicas.
É igualmente importante destacar que, do ponto de vista eleitoral e da trajetória institucional dos partidos, o Brasil apresenta um perfil bastante instável. Isso de deve, em grande medida, as características da própria democracia vivida pelo país. Questões sobre representação e sufrágio, tão caras ao princípio democrático e relacionadas à estrutura partidária, foram, por vezes, abandonadas ou relegadas a segundo plano, tendo por base, curiosamente, o desejo de fortalecer a democracia no país. São exemplos a plataforma populista de Vargas e o golpe militar de 1964; este, inclusive, dado em nome dos valores e das instituições democráticas. Nesse sentido, vislumbramos uma trajetória em que a relativa indiferença dos partidos sobre a política externa do país é apenas uma dimensão de um problema mais amplo e de ordem mais estrutural, no qual a própria existência e a representatividade dos partidos foram colocadas em xeque.
É preciso ponderar, entretanto, que essas particularidades da organização política brasileira não impediram que o debate político trouxesse para a esfera doméstica temas, problemas e oportunidades para o Brasil relacionadas ao cenário da política internacional. Não é inédito na história do país, e muito menos um fenômeno contemporâneo, o interesse de articular as esferas nacional e internacional para usos políticos domésticos.
A construção de legitimidade de governos já teve na política externa e na inserção internacional do país seu principal lastro. A título de exemplo, podemos mencionar o governo Médici que, em um contexto de frustração das expectativas democráticas, buscou arrefecer as tensões domésticas ao propagandear os lemas de “Brasil Potência” e frases de efeito como “Ninguém segura este país!”, em referência direta ao aumento do peso relativo do Brasil fundamentado em estatísticas de crescimento econômico que consagraram a idéia de “Milagre Econômico”. Ainda que não atrelado a um discurso partidário e ao debate eleitoral – não ocorriam eleições regulares e, portanto, tradução em termos de voto – havia sim a relação direta a um discurso em termos de plataforma política, no caso a do regime militar.
A promulgação de uma nova constituição em 1988 foi fundamental para construir um novo sentido para o debate democrático no país, sobretudo em um contexto de retorno da estrutura pluripartidária e da realização de eleições regulares. A reestruturação da cena partidária e eleitoral representa, assim, o ponto de partida de um processo de amadurecimento político do país; processo esse que, somado a outras questões, aponta na direção de que a política externa tende a preencher um espaço cada vez mais significativo nas agendas dos partidos políticos e, por conseqüência, repercutir nas campanhas eleitorais em um ambiente mais “democratizado”.
Nesse sentido, a experiência eleitoral de 2010 se coloca como um marco, particularmente no âmbito da disputa presidencial. A quantidade de informações relacionadas à política externa que está sendo veiculada no âmbito do debate eleitoral desse ano, especialmente pelas três principais candidaturas que tentam chegar ao Palácio do Planalto, pode ser um indicativo da superação da máxima de que política externa não dá voto. A nosso ver, isso se dá tanto por fatores estruturais quanto por fatores conjunturais.
Do ponto de vista estrutural, não há dúvidas de que as mudanças ocorridas nos últimos anos nas comunicações e tecnologias de informação fazem chegar até nós, com mais velocidade, uma realidade internacional que cada vez afeta mais o cenário doméstico. Embora a capacidade de análise estruturada dessa informação por parte da maioria da população seja baixa, há certa compreensão, ainda que parcial, de que o que se passa no mundo afeta o Brasil, vide a recente crise internacional, e de que as ações do Brasil no cenário internacional interessam ao mundo, como no caso do Irã.
Como a percepção da população com relação às interações do Brasil com o mundo se dá de forma difusa, e as informações são trabalhadas de modo episódico, essa mudança estrutural ainda não é definidora de uma tendência a respeito do nível de importância da política externa para a definição de uma corrida eleitoral no país. Todavia, fatores conjunturais se somam a essa mudança estrutural e, certamente, influenciam de forma direta a pauta do debate do eleitoral de modo que questões externas tenham cada vez mais espaço.
Em primeiro lugar, a implementação, nos últimos anos, de uma política externa ativa, de cunho universalista e autonomista, ao lado da projeção internacional do próprio presidente Lula, conferiu ao país um novo posicionamento no cenário global. Obviamente, essa projeção conta com aspectos positivos e negativos, custos e benefícios que são explorados pelas correntes políticas internas que disputam o poder. Nessa linha, elementos de política externa vêm sendo apresentados com certa constância nos programas eleitorais dos principais candidatos.
Outro fator conjuntural interessante a ser destacado diz respeito à projeção internacional de empresas brasileiras, que vem alcançando o status de verdadeiras marcas globais. Nessa direção, o caso da Petrobras é emblemático, sobretudo porque figura no imaginário coletivo nacional como um dos símbolos mais consistentes dos interesses e das ambições brasileiras em sua ação internacional.
Interessante mencionar a visibilidade conferida pela grande mídia às discussões sobre as mudanças climáticas e seus efeitos ao redor do globo e no Brasil, trazendo esse tema, com forte relação com a política externa, para a pauta eleitoral. Certamente, contribui com isso o fato de que um dos três principais candidatos tem no discurso ambiental seu principal mote, o que também força às demais candidaturas a se posicionarem sobre o tema. Assim, esse elemento possui uma dupla dimensão: é tanto conjuntural – sobretudo aos olhares da mídia – quanto estrutural – a ponto de se configurar como o eixo do programa de governo.
A hipótese inicial é de que há uma análise qualitativa por detrás das principais campanhas de que esses temas podem atrair votos para cada uma das chapas, a ponto de serem explorados nos programas dos candidatos. Além disso, ocorre a construção de discursos diferenciados para o grande público, com imagens e discursos simples e diretos, e um debate orientado por intelectuais ligados às principais correntes políticas e ideológicas do país, que mira o voto mais qualificado, multiplicador enquanto formador de opinião. Nota-se que, enquanto a principal candidatura de oposição usa a política externa para atacar o governo, inclusive insinuando ligações entre o Partido dos Trabalhadores e as FARC, para a parcela da esquerda que critica o governo por conta da continuidade de políticas econômicas ortodoxas, a política externa é apontada justamente como um dos mais importantes avanços dos dois mandatos de Lula da Silva
Oportunidades abertas por mudanças estruturais são aproveitadas por elementos conjunturais que as reforçam. As eleições diretas para o parlamento do Mercosul devem ser outro fator estrutural que dará impulso a essa tendência nas próximas eleições, e os movimentos internacionais do Brasil formarão o contexto que poderá consolidar essa tendência de crescente importância da política externa no debate eleitoral. Nessa linha, passará a ser um elemento que ajudará, cada vez mais, na definição do voto do eleitor. Da condição de mito, esse tende a ser um horizonte de reflexão promissor para os especialistas de Relações Internacionais, pois, como buscou argumentar esse artigo, a relação entre política externa e eleições não poderá mais ser subestimada.
Referências:
ALMEIDA, Paulo Roberto. Os Partidos Políticos nas Relações Internacionais do Brasil, 1930-90. Contexto Internacional, Rio de Janeiro, vol. 14, nº 2, jul/dez 1992, pp.161-208.
Leandro Freitas Couto é Doutorando em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília – UnB, Professor de Política Externa Brasileira do Instituto de Ensino Superior de Brasília – IESB, e Analista de Planejamento e Orçamento do Ministério do Planejamento (leandro.couto@gmail.com).
Taís Sandrim Julião é Mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília – UnB e Professora de Relações Internacionais do Instituto de Educação Superior de Brasília – IESB (tais.sandrim@gmail.com).
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Ate onde vai o discurso (e a pratica) do "odio aos inimigos politicos"
Felizmente não é no Brasil. Pelo menos ainda não.
Mas numa terra cujo líder é muito admirado pelos seus êmulos tupiniquins...
Se dependesse deles, talvez o Brasil ficasse um pouco mais parecido com o vizinho, e infeliz, país...
Paulo Roberto de Almeida
Los extremos del odio
Editorial de Teodoro Petkoff
Tal Cual, 20.09.2010
El 3 de enero ingresó al Hospital Universitario de Maracaibo un policía llamado Junior Galué, con dos balazos en la cabeza y en estado crítico. Fue atendido por el médico Frank de Armas, veinte años de graduado y en sus tiempos presidente de la FCU de la Universidad del Zulia. Cuando se disponía a intervenir al agente Galué, recibió del Director del Hospital Universitario, Dr. Dámaso Domínguez, esta inverosímil orden: “Mándalo para una clínica privada porque ése es de la policía de la Alcaldía de Manuel Rosales”. De Armas, estupefacto, advirtió que el herido estaba agonizando. Dámaso Domínguez retrucó: “Si usted no acata mi orden, mañana está despedido”. De Armas desobedeció la vileza y la crueldad de su superior y operó al agente a quien, por cierto, le salvó la vida. Al día siguiente Frank de Armas fue despedido; denunció la aberrante conducta de Domínguez ante la Fiscalía y la Defensoría del Pueblo y nueve meses después sigue esperando respuesta. Se nos ha dicho que el doctor Dámaso Domínguez es un médico muy reputado. No hay razones especiales para dudar de que además de buen profesional sea un ciudadano normal, buen padre y tal vez apreciado por sus amigos. Como todo maracucho, no tiene nada de raro que sea una persona cordial y abierta. ¿Qué es lo que ha hecho que pueda actuar como un monstruo, capaz de ordenar que no se atienda a un paciente porque es de “los otros” y despedir al médico porque atendió a ese paciente que agonizaba? Hay allí un cerebro envenenado por un discurso de odio, que destila desprecio e insultos contra sus adversarios; que insiste en considerarlos como “enemigos”, amenazando con “pulverizarlos”, “aniquilarlos”. “demolerlos”. Un discurso que ha transformado a personas normales en fanáticos que han delegado su facultad de razonar con su cabeza en la del Líder Máximo “quien nunca se equivoca”. Once años de ese discurso canalla nos han enfermado como sociedad y cada extremo de ella no es sino la imagen especular del otro. Afortunadamente los extremos son minoritarios y el buen sentido común está venciéndolos. Pero ése es, hasta ahora, el más penoso e infeccioso legado de Hugo Chávez
Mas numa terra cujo líder é muito admirado pelos seus êmulos tupiniquins...
Se dependesse deles, talvez o Brasil ficasse um pouco mais parecido com o vizinho, e infeliz, país...
Paulo Roberto de Almeida
Los extremos del odio
Editorial de Teodoro Petkoff
Tal Cual, 20.09.2010
El 3 de enero ingresó al Hospital Universitario de Maracaibo un policía llamado Junior Galué, con dos balazos en la cabeza y en estado crítico. Fue atendido por el médico Frank de Armas, veinte años de graduado y en sus tiempos presidente de la FCU de la Universidad del Zulia. Cuando se disponía a intervenir al agente Galué, recibió del Director del Hospital Universitario, Dr. Dámaso Domínguez, esta inverosímil orden: “Mándalo para una clínica privada porque ése es de la policía de la Alcaldía de Manuel Rosales”. De Armas, estupefacto, advirtió que el herido estaba agonizando. Dámaso Domínguez retrucó: “Si usted no acata mi orden, mañana está despedido”. De Armas desobedeció la vileza y la crueldad de su superior y operó al agente a quien, por cierto, le salvó la vida. Al día siguiente Frank de Armas fue despedido; denunció la aberrante conducta de Domínguez ante la Fiscalía y la Defensoría del Pueblo y nueve meses después sigue esperando respuesta. Se nos ha dicho que el doctor Dámaso Domínguez es un médico muy reputado. No hay razones especiales para dudar de que además de buen profesional sea un ciudadano normal, buen padre y tal vez apreciado por sus amigos. Como todo maracucho, no tiene nada de raro que sea una persona cordial y abierta. ¿Qué es lo que ha hecho que pueda actuar como un monstruo, capaz de ordenar que no se atienda a un paciente porque es de “los otros” y despedir al médico porque atendió a ese paciente que agonizaba? Hay allí un cerebro envenenado por un discurso de odio, que destila desprecio e insultos contra sus adversarios; que insiste en considerarlos como “enemigos”, amenazando con “pulverizarlos”, “aniquilarlos”. “demolerlos”. Un discurso que ha transformado a personas normales en fanáticos que han delegado su facultad de razonar con su cabeza en la del Líder Máximo “quien nunca se equivoca”. Once años de ese discurso canalla nos han enfermado como sociedad y cada extremo de ella no es sino la imagen especular del otro. Afortunadamente los extremos son minoritarios y el buen sentido común está venciéndolos. Pero ése es, hasta ahora, el más penoso e infeccioso legado de Hugo Chávez
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Nova geografia do comercio internacional: finalmente um acordo...
O modesto acordo Sul-Sul
Editorial - O Estado de S.Paulo
21 de setembro de 2010
O Brasil e mais dez países poderão concluir em dezembro a primeira Rodada Sul-Sul, uma negociação comercial lançada em São Paulo em 2004. O ponto principal do acordo será uma vantagem tarifária - ou margem de preferência - de 20% para a maior parte dos produtos comercializados entre os participantes. O governo brasileiro propõe a assinatura do compromisso em Foz do Iguaçu, durante a próxima conferência de cúpula do Mercosul. Até lá, os diplomatas terão de torcer para ninguém mais desistir. No começo da negociação os envolvidos eram 40 países. O número foi minguando e dos 11 atuais 4 são do Mercosul.
O resultado econômico será provavelmente modesto, mas o governo brasileiro poderá apresentar o acordo como um feito diplomático importante: pela primeira vez países emergentes da América, da Ásia e da África terão formalizado uma troca de vantagens dentro do Sistema Geral de Preferências Comerciais.
Será também o primeiro acordo brasileiro com vários parceiros de fora da América do Sul. A negociação entre Mercosul e União Europeia foi retomada recentemente, depois de quase seis anos de abandono, e sua conclusão é incerta. O projeto da Área de Livre Comércio das Américas envolveria 34 países do hemisfério, mas foi implodido em 2003. A mais ambiciosa iniciativa multilateral, a Rodada Doha, lançada em 2001, está paralisada há mais de um ano e ninguém sabe quando se poderá retomá-la para valer.
Fora da vizinhança, o Mercosul tem acordos de livre comércio com Israel e com o Egito, Além disso, acertou algumas facilidades com o México, mas em escala muito limitada. A primeira Rodada Sul-Sul foi lançada em São Paulo, há seis anos, durante evento da Unctad, a Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento. Realizada pela primeira vez em 1964, em Genebra, essa conferência, concebida como um fórum de países do Terceiro Mundo, se converteu em órgão permanente.
A ideia de uma Rodada Sul-Sul ajustou-se perfeitamente às novas bandeiras da diplomacia brasileira, adotadas a partir de 2003. Mas três quartos dos países mobilizados inicialmente abandonaram o projeto. A China, embora considerada uma potência emergente, seria um parceiro incômodo, por causa de suas condições especiais de competitividade. O grupo remanescente inclui, além dos quatro membros do Mercosul, a Coreia, por muitos considerada um país industrializado, a Índia, a Indonésia, a Malásia, o Egito, o Marrocos e a pequena Cuba, a menor e mais fraca dessas economias.
O Mercosul já tem um acordo de livre comércio com o Egito, assinado este ano. A Coreia já negociou um acordo desse tipo com os Estados Unidos, ainda não aprovado pelo Congresso americano, e suas conversações com a União Europeia estão avançadas. Dentre as economias envolvidas na Rodada Sul-Sul, a mais desenvolvida é a coreana, com elevado nível de industrialização, respeitável estoque de capital humano e alto padrão de competitividade.
A rodada encolheu não só em número de participantes. Também as propostas se tornaram mais modestas. O Mercosul defendeu inicialmente uma redução de tarifas de 40%. Mas a margem de preferência acabou ficando em 20% - apreciável, de toda forma. Além disso, os negociadores foram cautelosos na seleção dos produtos com tarifas sujeitas à redução. O Brasil não terá facilidades maiores para exportar produtos do agronegócio. Sua competitividade nessa área é reconhecida. Mas, em contrapartida, não concederá facilidades para o ingresso de produtos têxteis, eletrônicos, veículos e bens de capital.
A conclusão dessa rodada provavelmente criará oportunidades comerciais. Mesmo com esse acordo, no entanto, o balanço do governo Lula, no campo da diplomacia comercial, será muito pobre. Parte desse resultado será atribuível às suas escolhas. Decisões políticas erradas privaram o Brasil, por exemplo, de uma presença maior no mercado americano e de acordos vantajosos com parceiros do mundo rico. Nossos concorrentes se beneficiaram desse equívoco.
Editorial - O Estado de S.Paulo
21 de setembro de 2010
O Brasil e mais dez países poderão concluir em dezembro a primeira Rodada Sul-Sul, uma negociação comercial lançada em São Paulo em 2004. O ponto principal do acordo será uma vantagem tarifária - ou margem de preferência - de 20% para a maior parte dos produtos comercializados entre os participantes. O governo brasileiro propõe a assinatura do compromisso em Foz do Iguaçu, durante a próxima conferência de cúpula do Mercosul. Até lá, os diplomatas terão de torcer para ninguém mais desistir. No começo da negociação os envolvidos eram 40 países. O número foi minguando e dos 11 atuais 4 são do Mercosul.
O resultado econômico será provavelmente modesto, mas o governo brasileiro poderá apresentar o acordo como um feito diplomático importante: pela primeira vez países emergentes da América, da Ásia e da África terão formalizado uma troca de vantagens dentro do Sistema Geral de Preferências Comerciais.
Será também o primeiro acordo brasileiro com vários parceiros de fora da América do Sul. A negociação entre Mercosul e União Europeia foi retomada recentemente, depois de quase seis anos de abandono, e sua conclusão é incerta. O projeto da Área de Livre Comércio das Américas envolveria 34 países do hemisfério, mas foi implodido em 2003. A mais ambiciosa iniciativa multilateral, a Rodada Doha, lançada em 2001, está paralisada há mais de um ano e ninguém sabe quando se poderá retomá-la para valer.
Fora da vizinhança, o Mercosul tem acordos de livre comércio com Israel e com o Egito, Além disso, acertou algumas facilidades com o México, mas em escala muito limitada. A primeira Rodada Sul-Sul foi lançada em São Paulo, há seis anos, durante evento da Unctad, a Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento. Realizada pela primeira vez em 1964, em Genebra, essa conferência, concebida como um fórum de países do Terceiro Mundo, se converteu em órgão permanente.
A ideia de uma Rodada Sul-Sul ajustou-se perfeitamente às novas bandeiras da diplomacia brasileira, adotadas a partir de 2003. Mas três quartos dos países mobilizados inicialmente abandonaram o projeto. A China, embora considerada uma potência emergente, seria um parceiro incômodo, por causa de suas condições especiais de competitividade. O grupo remanescente inclui, além dos quatro membros do Mercosul, a Coreia, por muitos considerada um país industrializado, a Índia, a Indonésia, a Malásia, o Egito, o Marrocos e a pequena Cuba, a menor e mais fraca dessas economias.
O Mercosul já tem um acordo de livre comércio com o Egito, assinado este ano. A Coreia já negociou um acordo desse tipo com os Estados Unidos, ainda não aprovado pelo Congresso americano, e suas conversações com a União Europeia estão avançadas. Dentre as economias envolvidas na Rodada Sul-Sul, a mais desenvolvida é a coreana, com elevado nível de industrialização, respeitável estoque de capital humano e alto padrão de competitividade.
A rodada encolheu não só em número de participantes. Também as propostas se tornaram mais modestas. O Mercosul defendeu inicialmente uma redução de tarifas de 40%. Mas a margem de preferência acabou ficando em 20% - apreciável, de toda forma. Além disso, os negociadores foram cautelosos na seleção dos produtos com tarifas sujeitas à redução. O Brasil não terá facilidades maiores para exportar produtos do agronegócio. Sua competitividade nessa área é reconhecida. Mas, em contrapartida, não concederá facilidades para o ingresso de produtos têxteis, eletrônicos, veículos e bens de capital.
A conclusão dessa rodada provavelmente criará oportunidades comerciais. Mesmo com esse acordo, no entanto, o balanço do governo Lula, no campo da diplomacia comercial, será muito pobre. Parte desse resultado será atribuível às suas escolhas. Decisões políticas erradas privaram o Brasil, por exemplo, de uma presença maior no mercado americano e de acordos vantajosos com parceiros do mundo rico. Nossos concorrentes se beneficiaram desse equívoco.
Republica Mafiosa do Brasil (34): por favor, dirija-se ao balcao ao lado...
A frase, "balcão ao lado", é típica das burocracias públicas, e até das privadas, quando se tem de tratar com um grande público e os assuntos são variados, demandando, portanto, alguma especialização dos atendentes, o que nada mais é do que uma manifestação corriqueira da chamada "divisão do trabalho", tão bem explicitada, para os economistas, na obra seminal de Adam Smith, "The Wealth of Nations" (o título é mais longo, mas é conhecida assim).
O problema começa, no governo de que dispomos, que não tratava exatamente de um balcão, e não era bem ao lado, mas sim uma central de negócios em botecos obscuros de corrupção, agora chamada de "consultoria para o sucesso do negócio".
Um governo mafioso sempre atua assim, como sabemos por experiência, por história, por relatos da imprensa.
É o que nos convida a fazer, ou o chamamento que faz aos seus colegas jornalistas, o editorialista de economia do Estadão, Rolf Kuntz, no "Observatório da Imprensa".
ELEIÇÕES & ECONOMIA
Cobertura resvala nos grandes temas
Por Rolf Kuntz
Observatório da Imprensa, 21/9/2010
O caso Erenice Guerra é uma grande história, mas pode ser também a porta de entrada para uma história maior. Afinal, por que um empresário precisa de intermediário para pedir empréstimo ao BNDES, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social? Ou para pleitear um contrato com uma empresa controlada pela União? Os parentes da recém-demitida ministra-chefe da Casa Civil não recorreram a anúncios classificados para vender seus serviços. Mas foram procurados para facilitar os negócios. Quantos escritórios prestarão serviços semelhantes, aberta ou veladamente?
Nenhuma fonte oficial vai confirmar a necessidade de intermediários. Empresários favorecidos pelo tráfico de influência, com ou sem propina, também não vão contar suas histórias publicamente. Mas uma pauta mais ampla sobre como funciona esse jogo no Brasil pode ser compensadora, embora trabalhosa. Assuntos como esse não são estritamente econômicos ou políticos, mas os jornais muito raramente mobilizam pessoal das duas áreas para trabalhar em conjunto. Quando ocorre essa cooperação, o resultado é geralmente bom.
O problema começa, no governo de que dispomos, que não tratava exatamente de um balcão, e não era bem ao lado, mas sim uma central de negócios em botecos obscuros de corrupção, agora chamada de "consultoria para o sucesso do negócio".
Um governo mafioso sempre atua assim, como sabemos por experiência, por história, por relatos da imprensa.
É o que nos convida a fazer, ou o chamamento que faz aos seus colegas jornalistas, o editorialista de economia do Estadão, Rolf Kuntz, no "Observatório da Imprensa".
ELEIÇÕES & ECONOMIA
Cobertura resvala nos grandes temas
Por Rolf Kuntz
Observatório da Imprensa, 21/9/2010
O caso Erenice Guerra é uma grande história, mas pode ser também a porta de entrada para uma história maior. Afinal, por que um empresário precisa de intermediário para pedir empréstimo ao BNDES, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social? Ou para pleitear um contrato com uma empresa controlada pela União? Os parentes da recém-demitida ministra-chefe da Casa Civil não recorreram a anúncios classificados para vender seus serviços. Mas foram procurados para facilitar os negócios. Quantos escritórios prestarão serviços semelhantes, aberta ou veladamente?
Nenhuma fonte oficial vai confirmar a necessidade de intermediários. Empresários favorecidos pelo tráfico de influência, com ou sem propina, também não vão contar suas histórias publicamente. Mas uma pauta mais ampla sobre como funciona esse jogo no Brasil pode ser compensadora, embora trabalhosa. Assuntos como esse não são estritamente econômicos ou políticos, mas os jornais muito raramente mobilizam pessoal das duas áreas para trabalhar em conjunto. Quando ocorre essa cooperação, o resultado é geralmente bom.
Fundo Soberano ou Fundo Eleitoral?
Leiam primeiro a notícia abaixo:
Fundo Soberano ganha aval para fazer aplicação em moeda estrangeira
O Ministério da Fazenda anunciou ontem que o Fundo Soberano do Brasil (FSB), que dispõe atualmente de R$ 17,92 bilhões (posição de agosto), poderá efetuar aplicação em moeda estrangeira. A decisão é do Conselho Deliberativo do Fundo, formado pelos ministros da Fazenda, Guido Mantega; do Planejamento, Paulo Bernardo; e pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
Pelo deliberação do Conselho, não haverá limite para as operações em moeda estrangeira. As aplicações financeiras do FSB não terão impacto sobre o Orçamento, já que se tratam de gestão de recursos do Tesouro Nacional, não constituindo despesa pública.
Comento (PRA):
"Não terão impacto sobre o Orçamento", vírgula. Já tiveram.
Não sei se as pessoas sabem, e se os parlamentares, que aprovaram o Fundo sabem, ou se sabem preferiram ignorar, o tal Fundo Soberano JÁ TEVE impacto sobre o orçamento e já constituiu uma despesa pública, apenas que agora de livre movimentação pelo Executivo, ou seja, subtraindo-se ao controle das despesas públicas que todo parlamento digno desse nome exerce, constitucionalmente, em prol da boa gestão das contas públicas.
Como o Brasil não exibe NENHUM dos requerimentos para possuir um Fundo Soberano -- que seria um excedente fiscal e um excedente de transações correntes -- esse Fundo, que só é soberano no nome, pois é Dependente do Tesouro (e portanto dos nossos ativos financeiros, carreados para o governo via impostos), utiliza-se de recursos transferidos do orçamento ordinário (e portanto submetido às aplicações previamente aprovadas pelo parlamento, com p minúsculo) para gastos discricionários do poder executivo (idem quanto às minúsculas), inclusive para fins eleitorais, como o pré-sal e a malfadada capitalização da Petrobras e a criação da Petro-sal.
Inacreditável como as pessoas em geral, e os parlamentares em particular, não se dão conta dos abusos que se cometem no Brasil contra os seus recursos, os seus ativos financeiros próprios. Aliás, se cometem ILEGALIDADES, pois que o Fundo Soberano, tal como aprovado pelo parlamento (idem) NÃO PODERIA receber recursos retirados do orçamento.
Ocorre que no mesmo dia de sua promulgação pelo Congresso, o governo emitiu uma Medida Provisória -- que eu, sem ser especialista em direito, reputo INCONSTITUCIONAL -- autorizando o tal Fundo a receber esses recursos, na prática, portanto, fazendo o contrário do que tinha sido aprovado pelos parlamentares.
Inacreditável, assim, que os parlamentares, o Congresso como um todo, ou simplesmente a oposição política, não tenha ingressado com uma ação de inconstitucionalidade junto ao STF para liquidar com a MP celerada.
Inacreditável também que ninguém proteste contra o uso político desses recursos, que, REPITO, sairam dos nossos bolsos e constituem, SIM, despesas públicas, que agravam a dívida bruta da União.
Nunca antes neste país se viram tantos atentados à legalidade constitucional, na total passividade da classe política, na total complacência dos economistas e cidadãos.
Não com a minha tolerância, claro...
Paulo Roberto de Almeida
Fundo Soberano ganha aval para fazer aplicação em moeda estrangeira
O Ministério da Fazenda anunciou ontem que o Fundo Soberano do Brasil (FSB), que dispõe atualmente de R$ 17,92 bilhões (posição de agosto), poderá efetuar aplicação em moeda estrangeira. A decisão é do Conselho Deliberativo do Fundo, formado pelos ministros da Fazenda, Guido Mantega; do Planejamento, Paulo Bernardo; e pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
Pelo deliberação do Conselho, não haverá limite para as operações em moeda estrangeira. As aplicações financeiras do FSB não terão impacto sobre o Orçamento, já que se tratam de gestão de recursos do Tesouro Nacional, não constituindo despesa pública.
Comento (PRA):
"Não terão impacto sobre o Orçamento", vírgula. Já tiveram.
Não sei se as pessoas sabem, e se os parlamentares, que aprovaram o Fundo sabem, ou se sabem preferiram ignorar, o tal Fundo Soberano JÁ TEVE impacto sobre o orçamento e já constituiu uma despesa pública, apenas que agora de livre movimentação pelo Executivo, ou seja, subtraindo-se ao controle das despesas públicas que todo parlamento digno desse nome exerce, constitucionalmente, em prol da boa gestão das contas públicas.
Como o Brasil não exibe NENHUM dos requerimentos para possuir um Fundo Soberano -- que seria um excedente fiscal e um excedente de transações correntes -- esse Fundo, que só é soberano no nome, pois é Dependente do Tesouro (e portanto dos nossos ativos financeiros, carreados para o governo via impostos), utiliza-se de recursos transferidos do orçamento ordinário (e portanto submetido às aplicações previamente aprovadas pelo parlamento, com p minúsculo) para gastos discricionários do poder executivo (idem quanto às minúsculas), inclusive para fins eleitorais, como o pré-sal e a malfadada capitalização da Petrobras e a criação da Petro-sal.
Inacreditável como as pessoas em geral, e os parlamentares em particular, não se dão conta dos abusos que se cometem no Brasil contra os seus recursos, os seus ativos financeiros próprios. Aliás, se cometem ILEGALIDADES, pois que o Fundo Soberano, tal como aprovado pelo parlamento (idem) NÃO PODERIA receber recursos retirados do orçamento.
Ocorre que no mesmo dia de sua promulgação pelo Congresso, o governo emitiu uma Medida Provisória -- que eu, sem ser especialista em direito, reputo INCONSTITUCIONAL -- autorizando o tal Fundo a receber esses recursos, na prática, portanto, fazendo o contrário do que tinha sido aprovado pelos parlamentares.
Inacreditável, assim, que os parlamentares, o Congresso como um todo, ou simplesmente a oposição política, não tenha ingressado com uma ação de inconstitucionalidade junto ao STF para liquidar com a MP celerada.
Inacreditável também que ninguém proteste contra o uso político desses recursos, que, REPITO, sairam dos nossos bolsos e constituem, SIM, despesas públicas, que agravam a dívida bruta da União.
Nunca antes neste país se viram tantos atentados à legalidade constitucional, na total passividade da classe política, na total complacência dos economistas e cidadãos.
Não com a minha tolerância, claro...
Paulo Roberto de Almeida
Cuba comunista: Brasil pronto a ajudar, diz Celso Amorim
A nota abaixo figura num newsletter da liderança do PT na Câmara dos Deputados (21.09.2010). Transcrevo a tal qual.
Apenas achei curioso que se maifesta, expressamente, a vontade de cooperar com o "desenvolvimento econômico da ilha comunista" (sic, como se escreve, neste caso, três vezes). Curiosa essa cooperação.
Seria para manter a economia da ilha no sistema comunista?
Seria para manter uma das últimas ditaduras totalitárias do mundo?
Isso não tem nada a ver com política externa, pois se trata apenas de "desenvolvimento econômico", ao que parece, embora também pertença ao domínio dos atos de política externa, pois um país pratica diplomacia ao oferecer cooperação a outros.
Sempre existe a escolha de fazer ou não fazer. Geralmente os Estados cooperam com outros Estados que costumam partilhar interesses, valores, princípios, objetivos prioritários.
Não sei existe tal coisa entre o Brasil e a tal de "ilha comunista", como voluntariamente descrita pelos petistas.
Creio que é uma questão de escolha. Alguns diriam até que é uma questão de caráter...
Paulo Roberto de Almeida
Brasil está pronto para ajudar Cuba, diz Celso Amorim
O chanceler brasileiro, Celso Amorim, afirmou ontem que o Brasil está pronto para ajudar Cuba a desenvolver pequenos e médios negócios a fim de contribuir com o desenvolvimento econômico da ilha comunista. A cooperação na área de negócios foi um dos temas discutidos por Amorim com o presidente cubano, Raúl Castro, em Havana, no sábado (18).
Amorim disse que o Brasil tem uma vasta experiência na promoção do empreendedorismo para desenvolver a economia formal. Cuba, acrescentou, precisará desse conhecimento para ajudar seu setor privado a absorver 500 mil funcionários públicos que o governo estuda demitir até março, como parte de uma estratégia para tornar sua economia mais eficiente.
A iniciativa do chanceler brasileiro foi elogiada pelo deputado Nilson Mourão (PT-AC). “É uma manifestação politicamente correta e solidária do Brasil para com Cuba. No momento em que economia cubana vive momentos difíceis, o Brasil pode e deve colaborar com suas experiências para que Cuba enfrente suas dificuldades econômicas”, disse.
Mais de 5 milhões de pessoas, ou 85% da força de trabalho cubana, trabalham para o governo, muitos dos quais em funções improdutivas. A transferência de meio milhão de trabalhadores para o setor privado é vista como a mais importante decisão política de Cuba desde que Raúl assumiu as tarefas diárias de seu irmão enfermo Fidel, em 2006, tornando-se oficialmente presidente em 2008.
Apenas achei curioso que se maifesta, expressamente, a vontade de cooperar com o "desenvolvimento econômico da ilha comunista" (sic, como se escreve, neste caso, três vezes). Curiosa essa cooperação.
Seria para manter a economia da ilha no sistema comunista?
Seria para manter uma das últimas ditaduras totalitárias do mundo?
Isso não tem nada a ver com política externa, pois se trata apenas de "desenvolvimento econômico", ao que parece, embora também pertença ao domínio dos atos de política externa, pois um país pratica diplomacia ao oferecer cooperação a outros.
Sempre existe a escolha de fazer ou não fazer. Geralmente os Estados cooperam com outros Estados que costumam partilhar interesses, valores, princípios, objetivos prioritários.
Não sei existe tal coisa entre o Brasil e a tal de "ilha comunista", como voluntariamente descrita pelos petistas.
Creio que é uma questão de escolha. Alguns diriam até que é uma questão de caráter...
Paulo Roberto de Almeida
Brasil está pronto para ajudar Cuba, diz Celso Amorim
O chanceler brasileiro, Celso Amorim, afirmou ontem que o Brasil está pronto para ajudar Cuba a desenvolver pequenos e médios negócios a fim de contribuir com o desenvolvimento econômico da ilha comunista. A cooperação na área de negócios foi um dos temas discutidos por Amorim com o presidente cubano, Raúl Castro, em Havana, no sábado (18).
Amorim disse que o Brasil tem uma vasta experiência na promoção do empreendedorismo para desenvolver a economia formal. Cuba, acrescentou, precisará desse conhecimento para ajudar seu setor privado a absorver 500 mil funcionários públicos que o governo estuda demitir até março, como parte de uma estratégia para tornar sua economia mais eficiente.
A iniciativa do chanceler brasileiro foi elogiada pelo deputado Nilson Mourão (PT-AC). “É uma manifestação politicamente correta e solidária do Brasil para com Cuba. No momento em que economia cubana vive momentos difíceis, o Brasil pode e deve colaborar com suas experiências para que Cuba enfrente suas dificuldades econômicas”, disse.
Mais de 5 milhões de pessoas, ou 85% da força de trabalho cubana, trabalham para o governo, muitos dos quais em funções improdutivas. A transferência de meio milhão de trabalhadores para o setor privado é vista como a mais importante decisão política de Cuba desde que Raúl assumiu as tarefas diárias de seu irmão enfermo Fidel, em 2006, tornando-se oficialmente presidente em 2008.
Democracia e fascismo: as simple as that
Em geral, sou contra maniqueísmos e dicotomias simplistas, como a que transparece, aparentemente, no título deste blog.
Em determinados momentos da vida pública, porém, escolhas devem ser feitas.
Não entre aquelas que vão nos conduzir a uma democracia perfeita, nem em favor de um fascismo ao estilo italiano dos anos 1920 ou nazista dos anos 1930.
O mundo não é assim tão preto e branco como acreditam alguns.
Acontece, porém, que certas manifestações de pensamento (eu até diria de ignorância, na outra ponta), nos aproximam ou nos distanciam desses dois pólos fundamentais do mundo contemporâneo: de um lado as democracias, falhas como soem ser, do outro, os fascismos, terríveis em sua vocação destruidora e totalitária, como ocorreram de fato, com tantas desgraças e milhões de mortos em vários países.
Atualmente, na região, e no próprio Brasil, existem essas duas tendências, não como reproduções miméticas de experiências precedentes, mas como elementos potenciais da construção de uma sociedade mais democrática, de um lado, e mais corporativa, mais autoritária, enfim mais fascista, do outro.
Me parece inacreditável, assim, que personalidades aparentemente mas enganosamente "progressistas" apoiem um líder de tendências fascistas como certo coronel do Caribe.
Inacreditável pela sua cegueira, ou talvez por uma vontade deliberada de mistificar o processo político em favor desses regimes deliberadamente e manifestamente celerados, ou talvez uma simples demonstração de auto-engano (o que também é cegueira auto-infligida e idiotice assumida).
Transcrevo abaixo, em primeiro lugar, a "convocação" contra o que esses movimentos sociais chamam de "golpismo midiático", que na verdade é a simples liberdade de expressão e de manifestação do pensamento. Partidos e grupos comprometidos com as ditaduras e o autoritarismo atuam assim.
Transcrevo depois, e novamente, o manifesto pela democracia, assinado por personalidades da vida pública. Vocês podem julgar quanto ao conteúdo de cada uma das peças...
Paulo Roberto de Almeida
Convocação a manifestação "contra a baixaria nas eleições e contra o golpismo midiático"
Centrais sindicais e movimentos sociais preparam a realização de um manifesto público contra a baixaria nas eleições e contra o golpismo midiático. O ato, que deverá ocorrer nesta quinta-feira (23), a partir das 19h, no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, tem como objetivo chamar a atenção da população brasileira para a partidarização de grande parte da mídia brasileira, que tenta favorecer o candidato do PSDB, José Serra.
No texto convocatório do ato, as centrais e os movimentos sociais denunciam o “jogo combinado de alguns veículos de comunicação”, afinados com os interesses da oposição, que estampam manchetes que mais parecem peças de campanha do que informação. “Como num jogo combinado, as manchetes da velha mídia viram peças de campanha nos programas de TV do candidato das forças conservadoras. Essa manipulação grosseira objetiva castrar o voto popular e tem como objetivo secundário deslegitimar as instituições democráticas a duras penas construídas no Brasil”, diz o texto.
Na reta final da eleição, a campanha presidencial no Brasil enveredou por um caminho perigoso. Não se discutem mais os reais problemas do Brasil nem os programas dos candidatos para desenvolver o país e para garantir maior justiça social. Incitada pela velha mídia, o que se nota é uma onda de baixarias, de denúncias sem provas, que insiste na ‘presunção da culpa’, numa afronta à Constituição que fixa a ‘presunção da inocência’.
Os boatos que circulam nas redações e nos bastidores das campanhas são preocupantes e indicam que o jogo sujo vai ganhar ainda mais peso. Conduzida pela velha mídia, que nos últimos anos se transformou em autêntico partido político conservador, essa ofensiva antidemocrática precisa ser barrada. No comando da ofensiva estão grupos de comunicação que - pelo apoio ao golpe de 64 e à ditadura militar - já mostraram seu desapreço pela democracia.
=======
Agora transcrevo o manifesto em defesa da democracia, do estado de direito, da liberdade de imprensa e dos direitos individuais.
Ele emana de um movimento apartidário e seus signatários são simples personalidades públicas, não "sindicatos e movimentos sociais", ou partidos, como no caso anterior.
Já o tinha transcrito aqui, em post anterior, e já tinha dito que não o assinaria, por razões que me são próprias.
O que não quer dizer que não apoie, essencialmente, seus objetivos.
Paulo Roberto de Almeida
MANIFESTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA
Em uma democracia, nenhum dos Poderes é soberano.
Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo.
Acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático. Hoje, no Brasil, os inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático.
É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais.
É inaceitável que a militância partidária tenha convertido os órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos.
É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle.
É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em fingir honestidade.
É constrangedor que o Presidente da República não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas vinte e quatro horas do dia. Não há “depois do expediente” para um Chefe de Estado. É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. Ele não vê no “outro” um adversário que deve ser vencido segundo regras da Democracia , mas um inimigo que tem de ser eliminado.
É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses.
É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, com o fim da inflação, a democratização do crédito, a expansão da telefonia e outras transformações que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.
É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É um escárnio que o mesmo Presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário.
Cumpre-nos, pois, combater essa visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para rasgar a Constituição e as leis. Propomos uma firme mobilização em favor de sua preservação, repudiando a ação daqueles que hoje usam de subterfúgios para solapá-las. É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo.
Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade.
Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos.
Em determinados momentos da vida pública, porém, escolhas devem ser feitas.
Não entre aquelas que vão nos conduzir a uma democracia perfeita, nem em favor de um fascismo ao estilo italiano dos anos 1920 ou nazista dos anos 1930.
O mundo não é assim tão preto e branco como acreditam alguns.
Acontece, porém, que certas manifestações de pensamento (eu até diria de ignorância, na outra ponta), nos aproximam ou nos distanciam desses dois pólos fundamentais do mundo contemporâneo: de um lado as democracias, falhas como soem ser, do outro, os fascismos, terríveis em sua vocação destruidora e totalitária, como ocorreram de fato, com tantas desgraças e milhões de mortos em vários países.
Atualmente, na região, e no próprio Brasil, existem essas duas tendências, não como reproduções miméticas de experiências precedentes, mas como elementos potenciais da construção de uma sociedade mais democrática, de um lado, e mais corporativa, mais autoritária, enfim mais fascista, do outro.
Me parece inacreditável, assim, que personalidades aparentemente mas enganosamente "progressistas" apoiem um líder de tendências fascistas como certo coronel do Caribe.
Inacreditável pela sua cegueira, ou talvez por uma vontade deliberada de mistificar o processo político em favor desses regimes deliberadamente e manifestamente celerados, ou talvez uma simples demonstração de auto-engano (o que também é cegueira auto-infligida e idiotice assumida).
Transcrevo abaixo, em primeiro lugar, a "convocação" contra o que esses movimentos sociais chamam de "golpismo midiático", que na verdade é a simples liberdade de expressão e de manifestação do pensamento. Partidos e grupos comprometidos com as ditaduras e o autoritarismo atuam assim.
Transcrevo depois, e novamente, o manifesto pela democracia, assinado por personalidades da vida pública. Vocês podem julgar quanto ao conteúdo de cada uma das peças...
Paulo Roberto de Almeida
Convocação a manifestação "contra a baixaria nas eleições e contra o golpismo midiático"
Centrais sindicais e movimentos sociais preparam a realização de um manifesto público contra a baixaria nas eleições e contra o golpismo midiático. O ato, que deverá ocorrer nesta quinta-feira (23), a partir das 19h, no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, tem como objetivo chamar a atenção da população brasileira para a partidarização de grande parte da mídia brasileira, que tenta favorecer o candidato do PSDB, José Serra.
No texto convocatório do ato, as centrais e os movimentos sociais denunciam o “jogo combinado de alguns veículos de comunicação”, afinados com os interesses da oposição, que estampam manchetes que mais parecem peças de campanha do que informação. “Como num jogo combinado, as manchetes da velha mídia viram peças de campanha nos programas de TV do candidato das forças conservadoras. Essa manipulação grosseira objetiva castrar o voto popular e tem como objetivo secundário deslegitimar as instituições democráticas a duras penas construídas no Brasil”, diz o texto.
Na reta final da eleição, a campanha presidencial no Brasil enveredou por um caminho perigoso. Não se discutem mais os reais problemas do Brasil nem os programas dos candidatos para desenvolver o país e para garantir maior justiça social. Incitada pela velha mídia, o que se nota é uma onda de baixarias, de denúncias sem provas, que insiste na ‘presunção da culpa’, numa afronta à Constituição que fixa a ‘presunção da inocência’.
Os boatos que circulam nas redações e nos bastidores das campanhas são preocupantes e indicam que o jogo sujo vai ganhar ainda mais peso. Conduzida pela velha mídia, que nos últimos anos se transformou em autêntico partido político conservador, essa ofensiva antidemocrática precisa ser barrada. No comando da ofensiva estão grupos de comunicação que - pelo apoio ao golpe de 64 e à ditadura militar - já mostraram seu desapreço pela democracia.
=======
Agora transcrevo o manifesto em defesa da democracia, do estado de direito, da liberdade de imprensa e dos direitos individuais.
Ele emana de um movimento apartidário e seus signatários são simples personalidades públicas, não "sindicatos e movimentos sociais", ou partidos, como no caso anterior.
Já o tinha transcrito aqui, em post anterior, e já tinha dito que não o assinaria, por razões que me são próprias.
O que não quer dizer que não apoie, essencialmente, seus objetivos.
Paulo Roberto de Almeida
MANIFESTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA
Em uma democracia, nenhum dos Poderes é soberano.
Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo.
Acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático. Hoje, no Brasil, os inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático.
É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais.
É inaceitável que a militância partidária tenha convertido os órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos.
É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle.
É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em fingir honestidade.
É constrangedor que o Presidente da República não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas vinte e quatro horas do dia. Não há “depois do expediente” para um Chefe de Estado. É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. Ele não vê no “outro” um adversário que deve ser vencido segundo regras da Democracia , mas um inimigo que tem de ser eliminado.
É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses.
É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, com o fim da inflação, a democratização do crédito, a expansão da telefonia e outras transformações que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.
É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É um escárnio que o mesmo Presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário.
Cumpre-nos, pois, combater essa visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para rasgar a Constituição e as leis. Propomos uma firme mobilização em favor de sua preservação, repudiando a ação daqueles que hoje usam de subterfúgios para solapá-las. É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo.
Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade.
Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
A globalizacao e as desigualdades: corrigindo velhos mitos
Estou revisando alguns dos meus escritos para um livro sobre a globalização e a antiglobalização, e fui naturalmente levado a verificar alguns links a matérias de imprensa, especificamente vinculadas a estudos do economista catalão da Columbia University, Xavier Sala-i-Martin, citado nas duas matérias do New York Times que transcrevo abaixo.
Paulo Roberto de Almeida
Economic Scene; The rich get rich and poor get poorer. Right? Let's take another look.
By Virginia Postrel
The New York Times, August 15, 2002
TO critics of economic liberalization and international trade, it is an article of faith that the rich are getting richer and the poor poorer.
''Inequality is soaring through the globalization period -- within countries and across countries,'' Noam Chomsky told a conference last fall, summarizing this common view.
Antiglobalization activists are not just making up this idea. They have taken it from seemingly authoritative sources, notably the 1999 United Nations Human Development Report.
That widely cited report stated: ''Gaps in income between the poorest and richest countries have continued to widen. In 1960 the 20 percent of the world's people in the richest countries had 30 times the income of the poorest 20 percent -- in 1997, 74 times as much.'' It added that ''gaps are widening both between and within countries.''
Fortunately, this scary portrait is highly misleading.
''When I started looking at the numbers, I saw a lot of mistakes,'' says Xavier Sala-i-Martin, an economist at Columbia. Some were departures from standard economic procedures, like not correcting for price levels from country to country.
''Some agencies didn't adjust for the fact that Ethiopia is cheaper than the U.S.,'' he said. ''Some of them were hiding numbers that we know exist.'' For instance, the report included data from only 19 of the 29 industrialized countries then in the Organization for Economic Cooperation and Development.
But the biggest problem was not so technical. It was hidden in plain sight. The United Nations report and others looked at gaps in income of the richest and poorest countries -- not rich and poor individuals.
That means the formerly poor citizens of giant countries could become a lot richer and still barely show up in the data.
''Treating countries like China and Grenada as two data points with equal weight does not seem reasonable because there are about 12,000 Chinese citizens for each person living in Grenada,'' writes Professor Sala-i-Martin in ''The World Distribution of Income (Estimated from Individual Country Distributions).'' That is one of two related working papers for the National Bureau of Economic Research. (The papers are available on Professor Sala-i-Martin's Web site at www.columbia.edu/xs23/home.html.)
Counting by countries misses the biggest economic advance in history, completely distorting the record of the globalization period.
Over the last three decades, and especially since the 1980's, the world's two largest countries, China and India, have raced ahead economically. So have other Asian countries with relatively large populations.
The result is that 2.5 billion people have seen their standards of living rise toward those of the billion people in the already developed countries -- decreasing global poverty and increasing global equality. From the point of view of individuals, economic liberalization has been a huge success.
''You have to look at people,'' says Professor Sala-i-Martin. ''Because if you look at countries, we do have lots and lots of little countries that are doing very poorly, namely Africa -- 35 African countries.'' But all Africa has only about half as many people as China.
In his paper, ''The Disturbing 'Rise' of Global Income Inequality,'' he estimates the worldwide distribution of income by individuals rather than countries. The results are striking.
In 1970, global income distribution peaked at about $1,000 in today's dollars, a common measure of poverty ($2 a day in 1985 dollars). In 1998, by contrast, the largest number of people earned about $8,000 -- a standard of living equivalent to Portugal's.
''That's what I call a new world middle class,'' says Professor Sala-i-Martin. It is mostly made up of the top 40 percent of Chinese and Indians, and the effect of their economic rise is big.
What about the argument that income gaps are widening within these rapidly advancing countries? With a few exceptions, it is true, but still misleading.
The rich did get richer faster than the poor did. But for the most part the poor did not get poorer. They got richer, too. In exchange for significantly rising living standards, a little more internal inequality is not such a bad thing.
''One would like to think that it is unambiguously good that more than a third of the poorest citizens see their incomes grow and converge to the levels enjoyed by the richest people in the world,'' writes Professor Sala-i-Martin. ''And if our indexes say that inequality rises, then rising inequality must be good, and we should not worry about it!''
There is, however, one large country where the poor really are getting poorer while the rich grow richer: Nigeria, the most populous country in Africa.
Nigeria's economy has actually shrunk over the last three decades, and the absolute poverty rate -- the percentage of the population living on less than $1 a day in 1985 dollars -- skyrocketed to 46 percent in 1998 from 9 percent in 1970.
While most Nigerians were falling further into destitution, the political and economic elite grew richer. The problem is not too much liberalization but too little, a politicized economy with widespread corruption.
''The rich guys are doing well, therefore reforms will not come,'' says a pessimistic Professor Sala-i-Martin. He has begun studying Nigeria, trying to come up with ways around the political problem.
That country is typical of Africa, which is growing ever poorer. Fully 95 percent of the world's ''one-dollar poor'' live in Africa, and in many countries they make up the vast majority of the population. That poverty, not the rising wealth of Asian countries, is the global economy's real problem.
''The welfare implications of finding how to turn around the growth performance of Africa are so staggering,'' he writes, ''that this has probably become the most important question in economics.''
Photo: While Nigeria is one country where the poor are getting poorer while the rich grow richer, data suggesting this is the case in much of the world may be misleading. (Associated Press)
Virginia Postrel is the author of ''The Future and Its Enemies'' and is writing a book on the increasing importance of aesthetics in the economy and society. E-mail: vpostrel@dynamist.com.
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OP-ED COLUMNIST
Good News About Poverty
By DAVID BROOKS
The New York Times, November 27, 2004
I hate to be the bearer of good news, because only pessimists are regarded as intellectually serious, but we're in the 11th month of the most prosperous year in human history. Last week, the World Bank released a report showing that global growth "accelerated sharply" this year to a rate of about 4 percent.
Best of all, the poorer nations are leading the way. Some rich countries, like the U.S. and Japan, are doing well, but the developing world is leading this economic surge. Developing countries are seeing their economies expand by 6.1 percent this year - an unprecedented rate - and, even if you take China, India and Russia out of the equation, developing world growth is still around 5 percent. As even the cautious folks at the World Bank note, all developing regions are growing faster this decade than they did in the 1980's and 90's.
This is having a wonderful effect on world poverty, because when regions grow, that growth is shared up and down the income ladder. In its report, the World Bank notes that economic growth is producing a "spectacular" decline in poverty in East and South Asia. In 1990, there were roughly 472 million people in the East Asia and Pacific region living on less than $1 a day. By 2001, there were 271 million living in extreme poverty, and by 2015, at current projections, there will only be 19 million people living under those conditions.
Less dramatic declines in extreme poverty have been noted around the developing world, with the vital exception of sub-Saharan Africa. It now seems quite possible that we will meet the United Nations' Millennium Development Goals, which were set a few years ago: the number of people living in extreme poverty will be cut in half by the year 2015. As Martin Wolf of The Financial Times wrote in his recent book, "Why Globalization Works": "Never before have so many people - or so large a proportion of the world's population - enjoyed such large rises in their standard of living."
As other research confirms, these rapid improvements at the bottom of the income ladder are contributing to and correlating with declines in illiteracy, child labor rates and fertility rates. The growth in the world's poorer regions also supports the argument that we are seeing a drop in global inequality.
Economists have been arguing furiously about whether inequality is increasing or decreasing. But it now seems likely that while inequality has grown within particular nations, it is shrinking among individuals worldwide. The Catalan economist Xavier Sala-i-Martin looked at eight measures of global inequality and found they told the same story: after remaining constant during the 70's, inequality among individuals has since declined.
What explains all this good news? The short answer is this thing we call globalization. Over the past decades, many nations have undertaken structural reforms to lower trade barriers, shore up property rights and free economic activity. International trade is surging. The poor nations that opened themselves up to trade, investment and those evil multinational corporations saw the sharpest poverty declines. Write this on your forehead: Free trade reduces world suffering.
Of course, all the news is not good. Plagued by bad governments and AIDS, sub-Saharan Africa has not joined in the benefits of globalization. Big budget deficits in the U.S. and elsewhere threaten stable growth. High oil prices are a problem. Trade produces losers as well as winners, especially among less-skilled workers in the developed world.
But especially around Thanksgiving, it's worth appreciating some of the things that have gone right, and not just sweeping reports like the one from the World Bank under the rug.
It's worth reminding ourselves that the key task ahead is spreading the benefits of globalization to Africa and the Middle East. It's worth noting this perhaps not too surprising phenomenon: As free trade improves the lives of people in poor countries, it is viewed with suspicion by more people in rich countries.
Just once, I'd like to see someone like Bono or Bruce Springsteen stand up at a concert and speak the truth to his fan base: that the world is complicated and there are no free lunches. But if you really want to reduce world poverty, you should be cheering on those guys in pinstripe suits at the free-trade negotiations and those investors jetting around the world. Thanks, in part, to them, we are making progress against poverty. Thanks, in part, to them, more people around the world have something to be thankful for.
Paulo Roberto de Almeida
Economic Scene; The rich get rich and poor get poorer. Right? Let's take another look.
By Virginia Postrel
The New York Times, August 15, 2002
TO critics of economic liberalization and international trade, it is an article of faith that the rich are getting richer and the poor poorer.
''Inequality is soaring through the globalization period -- within countries and across countries,'' Noam Chomsky told a conference last fall, summarizing this common view.
Antiglobalization activists are not just making up this idea. They have taken it from seemingly authoritative sources, notably the 1999 United Nations Human Development Report.
That widely cited report stated: ''Gaps in income between the poorest and richest countries have continued to widen. In 1960 the 20 percent of the world's people in the richest countries had 30 times the income of the poorest 20 percent -- in 1997, 74 times as much.'' It added that ''gaps are widening both between and within countries.''
Fortunately, this scary portrait is highly misleading.
''When I started looking at the numbers, I saw a lot of mistakes,'' says Xavier Sala-i-Martin, an economist at Columbia. Some were departures from standard economic procedures, like not correcting for price levels from country to country.
''Some agencies didn't adjust for the fact that Ethiopia is cheaper than the U.S.,'' he said. ''Some of them were hiding numbers that we know exist.'' For instance, the report included data from only 19 of the 29 industrialized countries then in the Organization for Economic Cooperation and Development.
But the biggest problem was not so technical. It was hidden in plain sight. The United Nations report and others looked at gaps in income of the richest and poorest countries -- not rich and poor individuals.
That means the formerly poor citizens of giant countries could become a lot richer and still barely show up in the data.
''Treating countries like China and Grenada as two data points with equal weight does not seem reasonable because there are about 12,000 Chinese citizens for each person living in Grenada,'' writes Professor Sala-i-Martin in ''The World Distribution of Income (Estimated from Individual Country Distributions).'' That is one of two related working papers for the National Bureau of Economic Research. (The papers are available on Professor Sala-i-Martin's Web site at www.columbia.edu/xs23/home.html.)
Counting by countries misses the biggest economic advance in history, completely distorting the record of the globalization period.
Over the last three decades, and especially since the 1980's, the world's two largest countries, China and India, have raced ahead economically. So have other Asian countries with relatively large populations.
The result is that 2.5 billion people have seen their standards of living rise toward those of the billion people in the already developed countries -- decreasing global poverty and increasing global equality. From the point of view of individuals, economic liberalization has been a huge success.
''You have to look at people,'' says Professor Sala-i-Martin. ''Because if you look at countries, we do have lots and lots of little countries that are doing very poorly, namely Africa -- 35 African countries.'' But all Africa has only about half as many people as China.
In his paper, ''The Disturbing 'Rise' of Global Income Inequality,'' he estimates the worldwide distribution of income by individuals rather than countries. The results are striking.
In 1970, global income distribution peaked at about $1,000 in today's dollars, a common measure of poverty ($2 a day in 1985 dollars). In 1998, by contrast, the largest number of people earned about $8,000 -- a standard of living equivalent to Portugal's.
''That's what I call a new world middle class,'' says Professor Sala-i-Martin. It is mostly made up of the top 40 percent of Chinese and Indians, and the effect of their economic rise is big.
What about the argument that income gaps are widening within these rapidly advancing countries? With a few exceptions, it is true, but still misleading.
The rich did get richer faster than the poor did. But for the most part the poor did not get poorer. They got richer, too. In exchange for significantly rising living standards, a little more internal inequality is not such a bad thing.
''One would like to think that it is unambiguously good that more than a third of the poorest citizens see their incomes grow and converge to the levels enjoyed by the richest people in the world,'' writes Professor Sala-i-Martin. ''And if our indexes say that inequality rises, then rising inequality must be good, and we should not worry about it!''
There is, however, one large country where the poor really are getting poorer while the rich grow richer: Nigeria, the most populous country in Africa.
Nigeria's economy has actually shrunk over the last three decades, and the absolute poverty rate -- the percentage of the population living on less than $1 a day in 1985 dollars -- skyrocketed to 46 percent in 1998 from 9 percent in 1970.
While most Nigerians were falling further into destitution, the political and economic elite grew richer. The problem is not too much liberalization but too little, a politicized economy with widespread corruption.
''The rich guys are doing well, therefore reforms will not come,'' says a pessimistic Professor Sala-i-Martin. He has begun studying Nigeria, trying to come up with ways around the political problem.
That country is typical of Africa, which is growing ever poorer. Fully 95 percent of the world's ''one-dollar poor'' live in Africa, and in many countries they make up the vast majority of the population. That poverty, not the rising wealth of Asian countries, is the global economy's real problem.
''The welfare implications of finding how to turn around the growth performance of Africa are so staggering,'' he writes, ''that this has probably become the most important question in economics.''
Photo: While Nigeria is one country where the poor are getting poorer while the rich grow richer, data suggesting this is the case in much of the world may be misleading. (Associated Press)
Virginia Postrel is the author of ''The Future and Its Enemies'' and is writing a book on the increasing importance of aesthetics in the economy and society. E-mail: vpostrel@dynamist.com.
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OP-ED COLUMNIST
Good News About Poverty
By DAVID BROOKS
The New York Times, November 27, 2004
I hate to be the bearer of good news, because only pessimists are regarded as intellectually serious, but we're in the 11th month of the most prosperous year in human history. Last week, the World Bank released a report showing that global growth "accelerated sharply" this year to a rate of about 4 percent.
Best of all, the poorer nations are leading the way. Some rich countries, like the U.S. and Japan, are doing well, but the developing world is leading this economic surge. Developing countries are seeing their economies expand by 6.1 percent this year - an unprecedented rate - and, even if you take China, India and Russia out of the equation, developing world growth is still around 5 percent. As even the cautious folks at the World Bank note, all developing regions are growing faster this decade than they did in the 1980's and 90's.
This is having a wonderful effect on world poverty, because when regions grow, that growth is shared up and down the income ladder. In its report, the World Bank notes that economic growth is producing a "spectacular" decline in poverty in East and South Asia. In 1990, there were roughly 472 million people in the East Asia and Pacific region living on less than $1 a day. By 2001, there were 271 million living in extreme poverty, and by 2015, at current projections, there will only be 19 million people living under those conditions.
Less dramatic declines in extreme poverty have been noted around the developing world, with the vital exception of sub-Saharan Africa. It now seems quite possible that we will meet the United Nations' Millennium Development Goals, which were set a few years ago: the number of people living in extreme poverty will be cut in half by the year 2015. As Martin Wolf of The Financial Times wrote in his recent book, "Why Globalization Works": "Never before have so many people - or so large a proportion of the world's population - enjoyed such large rises in their standard of living."
As other research confirms, these rapid improvements at the bottom of the income ladder are contributing to and correlating with declines in illiteracy, child labor rates and fertility rates. The growth in the world's poorer regions also supports the argument that we are seeing a drop in global inequality.
Economists have been arguing furiously about whether inequality is increasing or decreasing. But it now seems likely that while inequality has grown within particular nations, it is shrinking among individuals worldwide. The Catalan economist Xavier Sala-i-Martin looked at eight measures of global inequality and found they told the same story: after remaining constant during the 70's, inequality among individuals has since declined.
What explains all this good news? The short answer is this thing we call globalization. Over the past decades, many nations have undertaken structural reforms to lower trade barriers, shore up property rights and free economic activity. International trade is surging. The poor nations that opened themselves up to trade, investment and those evil multinational corporations saw the sharpest poverty declines. Write this on your forehead: Free trade reduces world suffering.
Of course, all the news is not good. Plagued by bad governments and AIDS, sub-Saharan Africa has not joined in the benefits of globalization. Big budget deficits in the U.S. and elsewhere threaten stable growth. High oil prices are a problem. Trade produces losers as well as winners, especially among less-skilled workers in the developed world.
But especially around Thanksgiving, it's worth appreciating some of the things that have gone right, and not just sweeping reports like the one from the World Bank under the rug.
It's worth reminding ourselves that the key task ahead is spreading the benefits of globalization to Africa and the Middle East. It's worth noting this perhaps not too surprising phenomenon: As free trade improves the lives of people in poor countries, it is viewed with suspicion by more people in rich countries.
Just once, I'd like to see someone like Bono or Bruce Springsteen stand up at a concert and speak the truth to his fan base: that the world is complicated and there are no free lunches. But if you really want to reduce world poverty, you should be cheering on those guys in pinstripe suits at the free-trade negotiations and those investors jetting around the world. Thanks, in part, to them, we are making progress against poverty. Thanks, in part, to them, more people around the world have something to be thankful for.
Obtusos do nacionalismo pedagogico: enraivecei com a internacionalizacao da educacao
Desde muito tempo, venho observando que trogloditas universitários, entre eles eminentes professores e até reitores, aliás, a própria associação de reitores brasileiros -- nessa entidade obscurantista-corporatista que se chama Andifes -- vêm conduzindo um combate que eu chamo de retaguarda contra o que eles chamam de "mercantilização da educação brasileira".
Trata-se de uma bobagem monumental, pois em razão, justamente, da incapacidade das universidades públicas -- em geral federais, mas algumas estaduais também -- em oferecer aumento de vagas, produtividade "professoral" e outros progressos do gênero, o espaço vem sendo ocupado, praticamente de modo natural, pelas chamadas "indústrias universitárias", ou seja, faculdades privadas que hoje são responsáveis por cerca de 85% das vagas no ciclo superior.
Enquanto isso, os trogloditas do ensino público ficam combatendo fantasmas, ou moinhos de vento, que para eles seria a suposta "mercantilização do ensino", representada pela "ameaça" -- oh Deus, que perigo! -- de incorporação dos estudos universitários, ou do ensino em geral, nos serviços a serem liberalizados no âmbito do GATS, o acordo geral sobre comércio de serviços, administrado pela OMC. Os cavernosos do ensino público de terceiro ciclo -- que não merece, obviamente, o qualificativo de superior -- querem que o Brasil não ofereça abertura nesse setor, preservando-se a reserva de mercado nacional em matéria de ensino. Eles acham, os obscurantistas que a entrada de universidades estrangeiras iria degradar o nosso ensino, e "mercantilizá-lo" ainda mais.
Eles se esquecem de duas coisas singelas.
Primeiro: o setor já está devidamente mercantilizado e promete continuar assim.
Segundo: o setor já está aberto à competição e entrada de estrangeiros, e é bom que seja assim.
Em outros termos: o Brasil não precisa fazer nada, basta não ser burro, e deixar entrar qualquer ofertante estrangeiro que venha explorar (é o termo) o nosso mercado educacional, em qualquer nível que seja, desde as creches, maternais e kinder-garden, até o pós-doutoramento, se possível.
Enfim, sou absolutamente contrário a qualquer tipo de nacionalismo educacional, que é a coisa mais estúpida que posso encontrar no cenário nacional. Bizarro que muitos desses reitores estudaram ou fizeram estágios em universidades estrangeiras, e no entanto são idiotas ao ponto de pretender limitar o acesso das mesmas universidades -- ou de tabajaras estrangeiras, que seja -- ao mercado brasileiro de ensino.
Seria ótimo se Harvard ou Yale viessem se instalar no Brasil.
Elas não virão, por certo, mas virão outros cursos e associações.
Que eles sejam bem-vindos, aqui prosperem e ofereçam uma concorrência saudável às instituições tabajaras brasileiras e até às públicas (que de públicas só tem o nome, pois são reservadas a uma elite restrita de estudantes de camadas médias e altas).
Por isso mesmo, sem pretender fazer qualquer propaganda de curso, transcrevo aqui anúncio com que me deparei em minha caixa de entrada. Certamente recebi porque já estive em contato, no passado com essa universidade, e acredito que seja um dos bons cursos MBA que podem representar elevação dos padrões no Brasil.
Quanto aos reitores obscurantistas que se opõem a esse tipo de concorrência, cabe lembrar a eles que as estrangeiras só poderão prosperar no Brasil -- se as "benditas" autoridades do MEC autorizarem, claro -- se oferecerem cursos de melhor qualidade e mais baratos do que as tais tabajaras, e mesmo algumas oficiais...
The University of Pittsburgh, Katz Graduate School of Business is proud to bring the Executive MBA Worldwide Program to executives in Brazil.
For the last eleven years in São Paulo, EMBA participants have benefited from the unique international experience of EMBA Worldwide.
Real world, research-based business education
International network
Worldwide recognition
World-renowned professors
Three Global Executive Forums (São Paulo, Pittsburgh and Prague)
Admission Information: 5511 xxxxxxxx or xxxxxxxxx@katz.pitt.edu
Register for our next Information Session
www.business.pitt.edu/katz/emba/sao-paulo/information-session.html
Trata-se de uma bobagem monumental, pois em razão, justamente, da incapacidade das universidades públicas -- em geral federais, mas algumas estaduais também -- em oferecer aumento de vagas, produtividade "professoral" e outros progressos do gênero, o espaço vem sendo ocupado, praticamente de modo natural, pelas chamadas "indústrias universitárias", ou seja, faculdades privadas que hoje são responsáveis por cerca de 85% das vagas no ciclo superior.
Enquanto isso, os trogloditas do ensino público ficam combatendo fantasmas, ou moinhos de vento, que para eles seria a suposta "mercantilização do ensino", representada pela "ameaça" -- oh Deus, que perigo! -- de incorporação dos estudos universitários, ou do ensino em geral, nos serviços a serem liberalizados no âmbito do GATS, o acordo geral sobre comércio de serviços, administrado pela OMC. Os cavernosos do ensino público de terceiro ciclo -- que não merece, obviamente, o qualificativo de superior -- querem que o Brasil não ofereça abertura nesse setor, preservando-se a reserva de mercado nacional em matéria de ensino. Eles acham, os obscurantistas que a entrada de universidades estrangeiras iria degradar o nosso ensino, e "mercantilizá-lo" ainda mais.
Eles se esquecem de duas coisas singelas.
Primeiro: o setor já está devidamente mercantilizado e promete continuar assim.
Segundo: o setor já está aberto à competição e entrada de estrangeiros, e é bom que seja assim.
Em outros termos: o Brasil não precisa fazer nada, basta não ser burro, e deixar entrar qualquer ofertante estrangeiro que venha explorar (é o termo) o nosso mercado educacional, em qualquer nível que seja, desde as creches, maternais e kinder-garden, até o pós-doutoramento, se possível.
Enfim, sou absolutamente contrário a qualquer tipo de nacionalismo educacional, que é a coisa mais estúpida que posso encontrar no cenário nacional. Bizarro que muitos desses reitores estudaram ou fizeram estágios em universidades estrangeiras, e no entanto são idiotas ao ponto de pretender limitar o acesso das mesmas universidades -- ou de tabajaras estrangeiras, que seja -- ao mercado brasileiro de ensino.
Seria ótimo se Harvard ou Yale viessem se instalar no Brasil.
Elas não virão, por certo, mas virão outros cursos e associações.
Que eles sejam bem-vindos, aqui prosperem e ofereçam uma concorrência saudável às instituições tabajaras brasileiras e até às públicas (que de públicas só tem o nome, pois são reservadas a uma elite restrita de estudantes de camadas médias e altas).
Por isso mesmo, sem pretender fazer qualquer propaganda de curso, transcrevo aqui anúncio com que me deparei em minha caixa de entrada. Certamente recebi porque já estive em contato, no passado com essa universidade, e acredito que seja um dos bons cursos MBA que podem representar elevação dos padrões no Brasil.
Quanto aos reitores obscurantistas que se opõem a esse tipo de concorrência, cabe lembrar a eles que as estrangeiras só poderão prosperar no Brasil -- se as "benditas" autoridades do MEC autorizarem, claro -- se oferecerem cursos de melhor qualidade e mais baratos do que as tais tabajaras, e mesmo algumas oficiais...
The University of Pittsburgh, Katz Graduate School of Business is proud to bring the Executive MBA Worldwide Program to executives in Brazil.
For the last eleven years in São Paulo, EMBA participants have benefited from the unique international experience of EMBA Worldwide.
Real world, research-based business education
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Worldwide recognition
World-renowned professors
Three Global Executive Forums (São Paulo, Pittsburgh and Prague)
Admission Information: 5511 xxxxxxxx or xxxxxxxxx@katz.pitt.edu
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América Latina en la historia contemporánea: uma obra monumental
Uma coleção para a qual fui convidado a colaborar, pelo historiador argentino Carlos Malamud. Meu trabalho foi este aqui:
2112. “España y Brasil: reconocimiento y relaciones en el siglo XIX”, Brasília, 16 fevereiro 2010, 20 p. Ensayo para la obra América Latina en la historia contemporânea, sobre la firma de los tratados de reconocimiento y amistad entre España y las repúblicas latinoamericanas en el siglo XIX, bajo invitación de Carlos Malamud, del Instituto Elcano de Madrid. Inserido, bajo el título "Tratado de Reconocimiento de la independencia del Imperio de Brasil por la Reina Isabel II, del volumen "Tratados de Reconocimiento y Amistad", de la Serie Recorridos de la colección "América en la Historia Contemporánea".
Paulo Roberto de Almeida
Fundación Mapfre y Santillana presentan la “América Latina en la historia contemporánea”
Infolatam, 20 septiembre 2010

Presentación de "América Latina en la historia contemporánea", patrocinada por Fundación Mapfre y Santillana
Las claves:
* El proyecto se mantendrá por más de tres años para alcanzar un total de 95 libros, con el trabajo de 425 historiadores de América Latina, España, Portugal, Francia, Estados Unidos y otros países.
Madrid - Los presidentes del Instituto de Cultura de la Fundación Mapfre, Alberto Manzano, y de editorial Santillana, Emiliano Martínez, presentaron ayer en Madrid la colección de libros “América Latina en la historia contemporánea”. Patrocinada por la Fundación Mapfre y la editorial Santillana , este proyecto se mantendrá por más de tres años para alcanzar un total de 95 libros, con el trabajo de 425 historiadores de América Latina, España, Portugal, Francia, Estados Unidos y otros países.
Los presidentes del Instituto de Cultura de la Fundación Mapfre, Alberto Manzano, y de editorial Santillana, Emiliano Martínez, presentaron los primeros cuatro libros de la colección. Los libros son coordinados y escritos por historiadores de cada país, y en algunos casos serán acompañados por un libro fotográfico de una parte de la historia, así como una exposición itinerante de fotografías en esos países.
El historiador y colaborador de Infolatam, Carlos Malamud, explicó en la presentación que se trata de una contribución con motivo de las conmemoraciones de los Bicentenarios de Independencia, desde una historia que no es eurocéntrica. “Es un diálogo entre las principales corrientes de la historiografía, en una colección que huye del eurocentrismo”, comentó.
Abundó que incluso, la colección trata de enfocarse en una historia que no la tradicional de muchos países “ensimismada, que se mira el ombligo” y que hacerlo así permitiría “conocer qué es lo que tiene en común la historia en la región”.
Para el historiador español Carlos Martínez Shaw, lo interesante del proyecto “es conocer la historia del papel que jugó América Latina, sus contribuciones en el mundo, la universalización de la región”.
Recalcó que la globalización no se entendería sin las relaciones y contactos que todos los países han tenido en la historia, y que en el caso de América Latina parten con España y Portugal, y con posteriores actores como Francia, Estados Unidos, Reino Unido, Alemania y otros.
El coordinador de los libros sobre España en esta colección, el historiador Jordi Canal, aseveró que para explicar lo de este país “se huye de las ideas y la ideología del presente, y no trata de explicar el pasado a través del presente”.
Presentación Historia América Latina
Presentación Historia América Latina
Casi cien volúmenes elaborados por 400 especialistas forman la colección “América Latina en la Historia Contemporánea”, una visión integradora que ofrece una “relectura” del pasado reciente de España “en relación con América y a través de la historia americana”.
“No es una historia desde nuestra visión, sino desde su visión”, ha explicado durante la presentación el presidente del Instituto de Cultura de la Fundación Mapfre, Alberto Manzano.
La serie dedicada a España dispondrá de cinco volúmenes y un sexto dedicado a la fotografía, y en ella participan 27 autores, casi todos ellos profesores en universidades españolas, tal y como ha señalado Jordi Canal, profesor de la Escuela de Altos Estudios en Ciencias Sociales de París y uno de los responsables del proyecto.
El primer volumen, ubicado en el periodo 1808-1830, está coordinado en concreto por Manuel Chust, catedrático de Historia Contemporánea de la Universitat Jaume I de Castellón. Los siguientes tomos dedicados a España corresponden a los periodos 1830-1880, el segundo; 1880-1930, el tercero; 1930-1960, el cuarto, y 1960-2000, el quinto y último.
Los 95 tomos de la colección tienen una estructura similar, que intenta trascender los círculos académicos y llegar al mayor número de lectores con “una síntesis ágil”, de “alta divulgación”, dijo a su vez el presidente del Grupo Santillana, Emiliano Martínez.
Se trata de exponer la historia de los distintos países “de una manera elegante y accesible para el no experto”, pero con todo el rigor académico”, ha agregado el presidente del Grupo Santillana, Emiliano Martínez.
Esta historia contemporánea latinoamericana incluye una decena de exposiciones de fotografía que se irán celebrando en algunas de las principales capitales de América Latina, así como en Estados Unidos, España y Portugal. La primera de las exposiciones ya tuvo lugar en marzo pasado en el Museo Nacional de Bellas Artes de Santiago de Chile.
2112. “España y Brasil: reconocimiento y relaciones en el siglo XIX”, Brasília, 16 fevereiro 2010, 20 p. Ensayo para la obra América Latina en la historia contemporânea, sobre la firma de los tratados de reconocimiento y amistad entre España y las repúblicas latinoamericanas en el siglo XIX, bajo invitación de Carlos Malamud, del Instituto Elcano de Madrid. Inserido, bajo el título "Tratado de Reconocimiento de la independencia del Imperio de Brasil por la Reina Isabel II, del volumen "Tratados de Reconocimiento y Amistad", de la Serie Recorridos de la colección "América en la Historia Contemporánea".
Paulo Roberto de Almeida
Fundación Mapfre y Santillana presentan la “América Latina en la historia contemporánea”
Infolatam, 20 septiembre 2010

Presentación de "América Latina en la historia contemporánea", patrocinada por Fundación Mapfre y Santillana
Las claves:
* El proyecto se mantendrá por más de tres años para alcanzar un total de 95 libros, con el trabajo de 425 historiadores de América Latina, España, Portugal, Francia, Estados Unidos y otros países.
Madrid - Los presidentes del Instituto de Cultura de la Fundación Mapfre, Alberto Manzano, y de editorial Santillana, Emiliano Martínez, presentaron ayer en Madrid la colección de libros “América Latina en la historia contemporánea”. Patrocinada por la Fundación Mapfre y la editorial Santillana , este proyecto se mantendrá por más de tres años para alcanzar un total de 95 libros, con el trabajo de 425 historiadores de América Latina, España, Portugal, Francia, Estados Unidos y otros países.
Los presidentes del Instituto de Cultura de la Fundación Mapfre, Alberto Manzano, y de editorial Santillana, Emiliano Martínez, presentaron los primeros cuatro libros de la colección. Los libros son coordinados y escritos por historiadores de cada país, y en algunos casos serán acompañados por un libro fotográfico de una parte de la historia, así como una exposición itinerante de fotografías en esos países.
El historiador y colaborador de Infolatam, Carlos Malamud, explicó en la presentación que se trata de una contribución con motivo de las conmemoraciones de los Bicentenarios de Independencia, desde una historia que no es eurocéntrica. “Es un diálogo entre las principales corrientes de la historiografía, en una colección que huye del eurocentrismo”, comentó.
Abundó que incluso, la colección trata de enfocarse en una historia que no la tradicional de muchos países “ensimismada, que se mira el ombligo” y que hacerlo así permitiría “conocer qué es lo que tiene en común la historia en la región”.
Para el historiador español Carlos Martínez Shaw, lo interesante del proyecto “es conocer la historia del papel que jugó América Latina, sus contribuciones en el mundo, la universalización de la región”.
Recalcó que la globalización no se entendería sin las relaciones y contactos que todos los países han tenido en la historia, y que en el caso de América Latina parten con España y Portugal, y con posteriores actores como Francia, Estados Unidos, Reino Unido, Alemania y otros.
El coordinador de los libros sobre España en esta colección, el historiador Jordi Canal, aseveró que para explicar lo de este país “se huye de las ideas y la ideología del presente, y no trata de explicar el pasado a través del presente”.
Presentación Historia América Latina
Presentación Historia América Latina
Casi cien volúmenes elaborados por 400 especialistas forman la colección “América Latina en la Historia Contemporánea”, una visión integradora que ofrece una “relectura” del pasado reciente de España “en relación con América y a través de la historia americana”.
“No es una historia desde nuestra visión, sino desde su visión”, ha explicado durante la presentación el presidente del Instituto de Cultura de la Fundación Mapfre, Alberto Manzano.
La serie dedicada a España dispondrá de cinco volúmenes y un sexto dedicado a la fotografía, y en ella participan 27 autores, casi todos ellos profesores en universidades españolas, tal y como ha señalado Jordi Canal, profesor de la Escuela de Altos Estudios en Ciencias Sociales de París y uno de los responsables del proyecto.
El primer volumen, ubicado en el periodo 1808-1830, está coordinado en concreto por Manuel Chust, catedrático de Historia Contemporánea de la Universitat Jaume I de Castellón. Los siguientes tomos dedicados a España corresponden a los periodos 1830-1880, el segundo; 1880-1930, el tercero; 1930-1960, el cuarto, y 1960-2000, el quinto y último.
Los 95 tomos de la colección tienen una estructura similar, que intenta trascender los círculos académicos y llegar al mayor número de lectores con “una síntesis ágil”, de “alta divulgación”, dijo a su vez el presidente del Grupo Santillana, Emiliano Martínez.
Se trata de exponer la historia de los distintos países “de una manera elegante y accesible para el no experto”, pero con todo el rigor académico”, ha agregado el presidente del Grupo Santillana, Emiliano Martínez.
Esta historia contemporánea latinoamericana incluye una decena de exposiciones de fotografía que se irán celebrando en algunas de las principales capitales de América Latina, así como en Estados Unidos, España y Portugal. La primera de las exposiciones ya tuvo lugar en marzo pasado en el Museo Nacional de Bellas Artes de Santiago de Chile.
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