sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Meridiano 47: uma revista que nao perde as coordenadas...

Sempre colaborei, desde o início, com este belo empreendimento internacionalista:

Meridiano 47 (http://www.meridiano47.info) é uma publicação bimensal em formato digital do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais - IBRI dedicada a promover a reflexão, a pesquisa e o debate acadêmico sobre os temas da agenda internacional contemporânea.

O Boletim Meridiano 47 publica contribuições inéditas na forma de artigos científicos breves e resenhas de livros, cuja temática se situe na grande área de Relações Internacionais, e mais particularmente sobre Política Internacional, Política Externa, Economia Internacional, Instituições e Regimes Internacionais e sobre questões envolvendo áreas geográficas e países.
Meridiano 47 é uma publicação fundada em março de 2000 e o seu título é uma homenagem que o Instituto Brasileiro de Relações Internacionais – IBRI faz a Brasília, cidade cortada por aquela linha e na qual está sediado desde 1993. Com a publicação de Meridiano 47, o IBRI renova o seu compromisso com a análise de alto nível na área de Relações Internacionais, firmado em 1958 com a publicação da Revista Brasileira de Política Internacional – RBPI.

Diretrizes para Autores
O Boletim Meridiano 47 publica artigos científicos e resenhas de livros;
Os artigos devem conter entre 20 mil e 25 mil caracteres (incluindo espaços) e as resenhas de livros devem conter cerca de 6 mil caracteres (espaços inclusive);
As notas de rodapé restringem-se a esclarecimentos adicionais ao texto;
A bibliografia deve ser citada de acordo com o sistema Chicago (Autor, data), referenciando a literatura citada ao final do texto;
As contribuições devem ser inéditas e podem ser submetidas em português, inglês ou espanhol;
As contribuições devem conter o nome completo do autor, sua titulação e filiação institucional;
No caso de resenhas de livros, devem ser informados os dados completos e o ISBN da obra analisada;
As contribuições devem vir acompanhadas de: 3 palavras-chave em português e 3 key words em inglês; Título em inglês; Resumo em português e abstract em inglês, ambos com até 50 palavras.
As submissões se fazem em http://www.meridiano47.info.

Alba verde: o mundo está salvo (ainda bem)

Pois é, se não fossem os bolivarianos, o meio ambiente estaria a caminho de sua destruição irremediável, em função da desapiedada exploração capitalista dos recursos naturais.
As propostas deles arriscam fazer sucesso em Cancun...
Tudo em nome da Mãe Terra, sem capitalistas.
Paulo Roberto de Almeida

Alba protesta Acuerdo Verde Global que extiende manejo capitalista de recursos naturales
Agencia Venezolana de Noticias (AVN) / Editado por MinCI / 2 de diciembre de 2010

El Comité Ministerial de Defensa de la Naturaleza de la Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América Tratado de Comercio de los Pueblos (Alba-TCP) emitió una declaración multilateral en protesta al Acuerdo Verde Global que, pretende extender el manejo capitalista de los recursos naturales.

Bajo el lema La naturaleza no tiene precio, la declaratoria asume una posición beligerante, con el objetivo de que en el encuentro de Cancún, México, sobre Cambio Climático no se cometan los mismos errores que en Copenhague, Dinamarca, cumbre que no arrojó resultados positivos.

Una nota de prensa del Ministerio del Poder Popular para el Ambiente destaca que en el documento, respaldado por el Gobierno Bolivariano, se insta a que se alcen acuerdos significativos donde los países desarrollados actúen responsablemente en la reducción de emisiones de gases de efecto invernadero, sin que esto sea un negocio.

De acuerdo con los estudios del Informe Stern sobre la Economía del Cambio Climático y estudio sobre la Economía de Ecosistemas y Biodiversidad, el Acuerdo Verde Global promueve la privatización y mercantilización de la naturaleza mediante el pago por servicios ambientales.

Con la convicción de que “la naturaleza es nuestro hogar, no tiene precio y no está en venta”, el Comité de Defensa de la Naturaleza condena los modelos de crecimiento no sustentable, a fin de rescatar el equilibrio y la vida en su conjunto en el planeta.

De igual modo, el Comité de Defensa de la Naturaleza Alba-TCP exhorta a incluir dentro de la agenda internacional un referéndum sobre cambio climático con la participación de los pueblos del mundo a fin de garantizar la vida humana,  así como la adopción urgente en la Organización de las Naciones Unidas (ONU) de una Declaración Universal de los Derechos de la Madre Tierra.

Hans Rosling's 200 Countries, 200 Years, 4 Minutes

Esperança de vida e renda individual, em 200 países, durante 200 anos.
O cientista é especialista em saúde humana.
Uma lição sobre a prosperidade humana, em 4 minutos:

http://www.youtube.com/watch?v=jbkSRLYSojo&feature=player_embedded
Serie - The Joy of Stats - BBC Four

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Crise Internacional e Medidas AntiCiclicas no Brasil - falhas da politica fiscal

"Pescado" no blog do José Roberto Afonso: http://www.joserobertoafonso.com.br/

A Crise Financeira Internacional e as Políticas Anticíclicas no Brasil
Tito Moreira e Fernando Soares

O trabalho venceu o Prêmio da Secretaria do Tesouro Nacional 2010 na categoria sobre Política Fiscal e Crise.  Os autores concluem que: "a política fiscal foi ineficaz para reativar os negócios do país, além disso ela gerou, possivelmente, um benefício mínimo, proporcionando ainda um elevado custo, com o aumento da dívida pública resultante do maior déficit fiscal nominal".
Divulgado pelo Sindilegis em: http://bit.ly/e0G6Bk.

Concurso para a diplomacia 2011: 26 vagas (apenas...)

Fonte: http://www.politicaexterna.com/16133/cacd-novidades-aos-aspirantes#ixzz16y00Ai00 http://www.politicaexterna.com

Portaria No- 708, DE 30 DE NOVEMBRO DE 2010

O MINISTRO DE ESTADO, INTERINO, DAS RELAÇÕES EXTERIORES, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto nos artigos 1º e 5º do Regulamento do Instituto Rio Branco, aprovado pela Portaria de 20 de novembro de 1998, publicada no Diário Oficial da União de 25 de novembro de 1998, e alterado pela Portaria nº 11, de 17 de abril de 2001, publicada no Diário Oficial da União de 25 de abril de 2001, resolve:
Art. 1º. Ficam estabelecidas as normas que se seguem para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata de 2011.
Art. 2º. O Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata de 2011constará, na Primeira Fase, de prova objetiva, de caráter eliminatório, constituída de questões de Português, de História do Brasil, de História Mundial, de Geografia, de Política Internacional, de Inglês, de Noções de Economia e de Noções de Direito e Direito Internacional Público.
Art. 3º. ASegunda Fase constará de prova discursiva eliminatória e classificatória de Português.
Parágrafo único. Será estabelecida nota mínima para a prova de Português.
Art. 4º. A Terceira Fase constará de provas discursivas de História do Brasil, de Geografia, de Política Internacional, de Inglês, de Noções de Economia e de Noções de Direito e Direito Internacional Público.
Parágrafo 1º. As seis provas da Terceira Fase terão peso equivalente.
Parágrafo 2º. Será estabelecida nota mínima para o conjunto das provas da Terceira Fase.
Art. 5º. A Quarta Fase constará de provas escritas de Espanhol e de Francês, de caráter exclusivamente classificatório.
Parágrafo único. Para efeitos de classificação, cada uma das provas da Quarta Fase terá peso equivalente a metade do peso de cada uma das provas da Terceira Fase.
Art. 6º. Serão oferecidas, no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata de 2011, 26 (vinte e seis) vagas para a classe inicial da Carreira de Diplomata.
Art. 7º. O Diretor-Geral do Instituto Rio Branco fará publicar o Edital do Concurso.
RUY NUNES PINTO NOGUEIRA

Cuba e Venezuela: processos similares...

Mas não semelhantes: hoje em dia os cubanos estão impedidos de viajar ao exterior, ou de se exilarem nos países vizinhos. Os venezuelanos ainda desfrutam dessa opção. Como a Venezuela não é uma ilha, a única coisa que se pode prever, é o esgotamento progressivo de seus melhores recursos humanos e intelectuais...
Paulo Roberto de Almeida 

Técnicos, mestres e intelectuais abandonam Venezuela em massa
Luis Dufaur

Com a socialização da Venezuela, médicos, engenheiros e professores tem que sair do país

A Venezuela está perdendo seus cérebros: intelectuais, técnicos e especialistas nos mais diversos campos abandonam o país sufocados pela prepotência chavista ou pauperizados pela falta de empregos e projetos. Artistas, advogados, médicos, gerentes de empresas e engenheiros migram de sua terra natal que afunda nas trevas e na miséria socialista.

Muitos vão para a Cidade do Panamá ou Miami. Engenheiros de petróleo trabalham em plataformas no Mar do Norte ou em areias betuminosas do Canadá. Calcula-se que meio milhão de venezuelanos qualificados fazem parte desta diáspora.

O êxodo racha famílias, estanca carreiras individuais, esvazia as cátedras universitárias, institutos de pesquisa e indústrias. O porvir da nação está gravemente comprometido. Sem mestres, administradores e técnicos a economia se desorganiza e teme-se um “Black-out” geral da atividade produtiva num país que já foi um dos mais ricos do hemisfério.

Nos anos 80 e 90, médicos, físicos, químicos, biólogos e engenheiros venezuelanos faziam estudos de alta tecnologia e registravam 25 patentes por ano. “Publicamos o mesmo número de estudos científicos que México, Chile e Colômbia”, disse o biólogo Jaime Requena, da Academia de Ciências da Venezuela ao O Estado de S.Paulo. Mas, desde 2002, o escritório de patentes dos EUA já não registra mais nenhuma invenção venezuelana.
O policiamento do “socialismo do século XXI” bloqueia as pesquisas científicas que não passam pelo crivo ideológico chavista. Nesse caso, seus trabalhos são declarados sem “relevância social”.

Mas, há métodos mais brutais. O biólogo Requena, formado na Universidade de Cambridge, publicou um trabalho sobre a decadência da produção cientifica venezuelana sob o chavismo.

Por esse “crime”, perdeu o cargo no Instituto de Estudos Avançados, sem direito a aposentadoria. Os trabalhos científicos patrocinados pela iniciativa privada praticamente inexistem: a aberta hostilidade e confiscos socialistas contras as empresas capitalistas.

“Não há uma única empresa que tenha um laboratório respeitável de investigação tecnológica”, disse Requena se referindo às conseqüências do socialismo chavista.

Venezuela tem 25 mil pesquisadores no exílio. Um deles, é Pedro Pereira Almao, engenheiro químico, agora diretor de um centro de pesquisas energéticas na Universidade de Calagary, Canadá, que emprega 1.500 funcionários

Não longe da Venezuela, está uma nação que já passou por revolução análoga e agora se debate na fome e a miséria extrema sob ditadura dos Castros. Os socialismos do século XX e XXI parecem um calco um do outro.

Cuba: sinizacao em curso (ditadura capitalista)...

Os dirigentes cubanos pretendem "achinesar" -- ou sinificar -- um pouco o seu sistema, ou seja: manter a ditadura férrea do Partido Comunista (que hoje é apenas uma nomenklatura gerontocrática) ao mesmo tempo em que brincam de capitalismo.
Não tenho certeza de que vai dar certo, pois existem várias outras variáveis que tornam a pequena ilha caribenha muito diferente do gigante asiático.
Em todo caso, o debate vai revelar uma maioria de descontentes, muitos "capitalistas" potenciais e uma exasperante lentidão do poder em introduzir as mudanças requeridas.
Paulo Roberto de Almeida 


Cuba begins public debate on economic reforms

People walk past a poster of Fidel Castro on a bookshop window in Havana  
What do the Cuban people think?
Cuba has launched a public debate on plans to transform its socialist economy by reducing the role of the state and boosting private enterprise.
Ordinary Cubans are being encouraged to discuss the changes so their views can be taken into account at a ruling communist party congress next April.
The government says everyone should have a free say on the future of Cuba.
But it also insists that the "socialist character" of Cuba's political system will not change.
Under the headline "It is the people who decide", the official Communist Party newspaper Granma said everyone in Cuba should take part in the economic debate
It urged people to discuss the changes through Communist Party organisations, trade union meetings and community groups.
"Nobody should remain with an unexpressed opinion, much less be prevented from expressing it," it said.
"At stake is the future of the Cuban nation."
However, Granma also stressed that the "socialist character" of Cuba's political and social system was "irrevocable."

Analysis

Cuba is entering a period of potential social upheaval.
Half a million workers are due to lose their jobs in the coming months as the government attempts to overhaul the island's struggling state-run economy.
President Raul Castro is also encouraging people to become self-employed or set up small businesses to help take up the slack.
The government has publicly released a 32-page report listing in detail the proposals, and this is intended to form the basis of the discussions.
These debates will not touch on the political shape of Cuba's one-party state nor on replacing the centrally-controlled command economy with a return to capitalism.
Economic problems
The three-month debating period is presented as the opportunity for the public to participate in decisions to be taken at the ruling communist party's sixth congress in April, the first to be held in 14 years.
President Raul Castro called the congress in November, saying it would "concentrate on solving problems in the economy and updating the Cuban economic model."
But many details of the economic changes have already been announced, so it is not clear how much influence the public debate will really have.
In September, President Castro announced plans to lay off around up to a million state employees - about a fifth of the workforce - and encourage them to find work in the private sector.
Half of those posts are to go by the end of March, just weeks before the planned congress.
Restrictions on private enterprise are being eased, with small businesses allowed to employ staff, borrow money, and sell services to government departments.
They will also have to pay tax.
Thousands of Cubans have already been given licences to set up private businesses, and more are registering every week.
Since taking over from his brother Fidel in 2006, Raul Castro has taken steps to reduce the state's almost total control of the economy, which has has been gripped by a severe crisis in recent years.
It has suffered from a fall in the price for its main export, nickel, as well as a decline in tourism.
Growth has also been hampered by the 48-year US trade embargo.

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Wikileaks-Brasil: um elefante branco marinho...

Elefantes brancos devem ser excelentes no circo, ou como curiosidades em zoológicos, ms deveria ser mais importante definir primeiro o custo de um elefante branco, saber quanto ele vai custar e quanto de retorno ele vai dar para a sociedade...
Paulo Roberto de Almeida

EUA avaliam que submarino nuclear é "elefante branco"
Fernando Rodrigues
Folha de S.Paulo, 1/12/2010

Diplomata diz em telegrama confidencial que pode haver "buraco negro" de verba

Dois telegramas produzidos pela Embaixada dos EUA em Brasília no início de 2009 fazem duras críticas à Estratégia Nacional de Defesa lançada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em dezembro de 2008.

Em um desses dois despachos aos quais a Folha teve acesso, ambos assinados pelo então embaixador norte-americano no Brasil, Clifford Sobel, há uma contestação sobre como as Forças Armadas brasileiras serão empregadas no futuro, sobretudo na proteção do mar territorial do país por causa da descoberta das reservas de petróleo da camada do pré-sal.

"Não há (...) informação sobre as possíveis ameaças a áreas de reserva de petróleo e a que a Marinha terá de responder contra-atacando, tornando difícil, por exemplo, avaliar a declaração contida na estratégia de que um submarino nuclear será necessário para proteger essas instalações", diz o telegrama, datado de 9 de janeiro de 2009.

A diplomacia norte-americana classifica como "consistente" o objetivo de modernizar o setor militar no Brasil, mas faz então uma ressalva:

"Deixando de lado elefantes brancos politicamente populares como o submarino movido a energia nuclear".

O desejo da Marinha de ter um submarino nuclear é citado sete vezes nos dois telegramas da diplomacia dos EUA. Ao final, esse equipamento é jogado numa lista de itens que podem impedir a concretização da Estratégia Nacional de Defesa.

"Há (...) sérias questões sobre o quanto desse plano será realizado, particularmente com outras supostas prioridades estratégicas, incluindo (...) submarinos nucleares e apoio governamental a empresas do setor de defesa que não sejam competitivas, algo que pode provocar o surgimento de buracos negros que vão sugar todos os recursos disponíveis", diz o telegrama, confidencial.

A compra dos submarinos foi fechada em setembro de 2009. São quatro modelos convencionais Scorpène e o desenvolvimento do casco e da integração de um reator brasileiro a uma unidade com propulsão nuclear.

O negócio soma 6,5 bilhões de euros (R$ 14,5 bilhões pela cotação de terça-feira).

Os dois documentos (um total de 12 páginas) a que a Folha teve acesso na terça-feira (30/11) fazem parte de um grande lote de telegramas dos diplomatas dos EUA que estão sendo vazados desde domingo pela organização não governamental WikiLeaks.

As informações estão surgindo no site da entidade: http://cablegate.wikileaks.org/. A Folha.com criou uma seção especial sobre o caso: folha.com.br/103334

Os telegramas lidos pela Folha são dedicados a analisar a Estratégia Nacional de Defesa do Brasil.

Os textos chamam a atenção para o fato de que o governo "permite "parceiros estratégicos", mas esses são vistos como os países que aceitam transferir tecnologias que tornarão o Brasil mais independente, não como um colaborador em operações de segurança".

O então embaixador dos EUA escreve em um trecho que "parece que Lula dá atenção" ao que dizia o então ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger. Na verdade, a influência dele -hoje fora do governo- era mais retórica do que prática.

Ambientalistas sensatos propoem metas modestas, mas ambiciosas, para os problemas do clima

Não sou especialista na questão, sequer um grande conhecedor do tema, apenas um curioso querendo aprender. Algo me diz, ao ler o artigo abaixo, que a visão dos três brasileiros é razoável e interessante, mas que ela carece de sustentação entre os principais países, o que significa que as soluções propostas não serão adotadas.
Ou seja: o mundo vai piorar antes de começar a melhorar. Talvez não seja uma má solução, pois persistem muitas dívidas sobre os efeitos reais das mudanças climáticas e sobre a capacidade de os sistemas econômicos (isto é, os mercados) de absorverem os desafios e transformarem os insumos "negativos" em materiais de reconversão e adaptação, combinando assim elementos positivos e negativos numa mesma equação adaptativa.
Paulo Roberto de Almeida 

Uma nova arquitetura para o clima
Israel Klabin, Rubens Ricupero e José Goldemberg
O Globo, 1/12/2010

"A opinião pública já começa a entender que os impactos das mudanças climáticas afetarão nossas vidas"

No atual cenário internacional, que une crise econômica a impasses nas negociações sobre meio ambiente, só temos uma certeza: o fim do modelo Kioto de negociações internacionais e dos mecanismos de implementação do princípio do "poluidor-pagador".
Não estamos sós na avaliação. Em fevereiro de 2010, um grupo acadêmico produziu um relatório sobre políticas climáticas chamado Hartwell Paper. O objetivo era reavaliar as políticas climáticas após a grave crise econômica de 2008-2009.
Esse documento foi uma parceria do Instituto de Ciência, Inovação e Sociedade da Universidade de Oxford, com a London School of Economics. "Uma boa crise não deve ser desperdiçada", é um dos conselhos que o Hartwell Paper fornece, com a nossa total aquiescência. O foco central está na crítica às políticas climáticas atuais, à maneira pela qual são negociadas e como são compreendidas e praticadas por vários governos sob o guardachuva da Convenção do Clima.
As conclusões do Hartwell Paper são: essas políticas falharam e não controlaram ou reduziram as concentrações de gases de efeito estufa; o acordo que emergiu em Copenhague tem status incerto, seus compromissos e consequências não são claros; nenhum acordo de grande conseqüência foi alcançado, e o próprio mecanismo de diplomacia  multilateral passou a ser questionado.
O peso dos emergentes não pode mais ser ignorado, e países como China, Brasil, Índia e África do Sul tomaram iniciativas e expressaram visões distintas. Alguns procuram implementar políticas domésticas ou bilaterais, cujos resultados podem ser mais facilmente alcançados. O que deverá acontecer em Cancún?
Nenhum de nós acredita que algo diferente seja proposto e, muito menos, mecanismos importantes sejam implementados a tempo de reduzir as emissões no curto prazo. Devemos reavaliar as soluções preconizadas até agora para a questão ambiental. O desafio é como alcançar objetivos ambiciosos com harmonia política. Propomos abordagens específicas para cada aspecto do problema ambiental.
Devemos distinguir as questões: florestas, qualidade do ar, poluição das águas, adaptação às mudanças climáticas, energia, etc, cada qual seguindo sua própria agenda. Os objetivos principais de uma nova agenda climática deveriam ser três: energia adequada (limpa, acessível, segura e de baixo custo), modelos de desenvolvimento que não comprometam os sistemas naturais e adaptação das sociedades aos impactos de eventos climáticos extremos.
Apesar do estabelecimento de mercados de crédito de carbono e do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), as emissões aumentaram nos últimos 20 anos. O aumento das emissões em países em desenvolvimento, que não têm compromissos de redução em Kioto, é a principal explicação.
Segundo estimativas da Agência Internacional de Energia, em 2015 a emissão resultante da queima de combustíveis fósseis desses países ultrapassará pela primeira vez as emissões dos países ricos somados. Dessa maneira, não podemos ser coniventes com o mau uso da tese de responsabilidade diferenciada, isto é, por serem menos ricos e por terem iniciado seu processo econômico tardiamente, os países em  desenvolvimento teriam um direito moral à poluição, e que impor restrições seria uma espécie de dumping ambiental por países de economia avançada.
Não é preciso, para que os países pobres se desenvolvam, gerar a poluição que os ricos produziram em dois séculos. Os perigos iminentes implicam responsabilidades conjuntas. Devemos procurar mecanismos aplicados nacionalmente que promovam o desenvolvimento, dentro de conceitos de uma economia limpa, a serem debatidos e apresentados na Rio+20.
É possível um salto na renda e bem-estar ao adotarmos tecnologias já disponíveis e práticas da nova economia. O Brasil tem por hábito se apropriar depressa de evoluções tecnológicas e conceituais que alimentam o modelo econômico e os padrões de consumo do mundo desenvolvido.
Foi essa também a espoleta que a China usou para a rápida evolução e absorção da modernidade de seu desenvolvimento. Isso ainda é possível para nós, porém em outro modelo de mercado e de novos conceitos de soberania que, em vez de nacional, se apresentaria como co-responsabilidades de um sistema global com baixa emissão de gases-estufa. Podemos aprender com bons modelos pelo mundo.
O Brasil tem exemplos para apresentar. O programa de etanol de cana-de-açúcar, a redução do desmatamento da Amazônia nos últimos anos e o acesso à eletricidade em zonas rurais conseguiram resultados positivos na área socioambiental.
Acreditamos que outros países podem dividir experiências exitosas em prol de uma verdadeira mudança de paradigma. Mudança climática é um problema perverso: não é facilmente identificável, sua complexidade não se reduz a modelos simples, as causas estão entranhadas nos sistemas sociais e econômicos que adotamos.
Uma "guerra à mudança climática" não chegará a lugar algum. É utópico pensar que há uma razão científica única. O que tentamos hoje é administrar a situação da melhor maneira possível e evitar cenários de maior risco.
A opinião pública já começa a entender que, embora difusos, os impactos das mudanças climáticas afetarão nossas vidas nos próximos anos. Os autores do Relatório Hartwell fizeram uma proposta interessante, que converge com nossas próprias ideias sobre mudanças no modelo econômico vigente.
O ponto central é o mecanismo de precificação do carbono, inicialmente pequeno, porém progressivo, de acordo com os custos do impacto ambiental produzido por cada setor que iria para um Fundo Global vinculado à inovação e ao desenvolvimento de tecnologias limpas. Com esse mecanismo será possível propiciar energia barata universal, motor fundamental para a inclusão social sustentável - não é pouca coisa, mas é possível.

Israel Klabin e Rubens Ricupero são membros do Conselho Curador da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável; José Goldemberg é professor da Universidade de São Paulo.

Ciencia: nivelando por baixo

Perguntar não ofende: por que devemos fazer cooperação com quem está abaixo da gente? Por que o Brasil investe recursos apenas para ficar no mesmo nível? Por que não fazemos um esforço para chegar a patamares mais elevados de estudo e pesquisa sobre Física? Por que essa latino-americanidade toda num terreno que prescinde de características sociais, culturais, geográficas ou linguísticas? Enfim: por que não cooperamos com quem é melhor do que a gente?
Paulo Roberto de Almeida

Programa Latino-Americano de Física busca cooperação científica no continente
Assessoria de Imprensa da SBF
Jornal da Ciência, 1.12.2010

Primeira ação será o Workshop sobre Tópicos Avançados de Física, que acontece de 5 a 8 de dezembro, em Foz do Iguaçu (PR)
Diminuir as assimetrias entre os países da América Latina no que diz respeito ao ensino e à pesquisa em Física.  Esse é o objetivo do Programa Latino-Americano de Física (Plaf) que, ao longo de 2011, irá promover e incrementar a cooperação entre os profissionais da área que atuam no continente.

A primeira atividade da iniciativa será o Workshop sobre Tópicos Avançados de Física, que ocorrerá de 5 a 8 de dezembro, na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu.

Coordenado pela Sociedade Brasileira de Física e pelas suas congêneres dos demais países do continente, o Plaf reunirá, em workshops e outros eventos de divulgação científica realizados em diversas instituições de ensino e pesquisa, alunos, docentes, cientistas e outras personalidades da Física.

"Para diminuir essas assimetrias na América Latina, precisamos começar pelos países que hoje apresentam uma situação mais delicada no que diz respeito às atividades de ensino e pesquisa, entre eles Paraguai, Bolívia e Equador", disse Carlos Alberto dos Santos, Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Unila e coordenador do workshop.

Segundo ele, além de outro grande encontro que será realizado em meados de 2011, também em Foz do Iguaçu, e que deverá contar, provavelmente, com a presença de um cientista estrangeiro que já tenha ganhado um Prêmio Nobel em Física, o Plaf pretende reunir a comunidade de físicos em assuntos que estão na fronteira do conhecimento científico.

"Cosmologia", "Computação quântica", "Materiais orgânicos para dispositivos eletrônicos", "Spintrônica e grafeno: alternativas para a tecnologia do silício" e "Modelagem matemática de sistemas biológicos" serão alguns temas de palestras que serão apresentadas no primeiro workshop, destinado a alunos de graduação e professores do Ensino Médio.

"Escolhemos justamente tópicos mais avançados e que normalmente não são contemplados nos cursos de graduação, de modo a incentivar o interesse dos alunos por assuntos de ponta e de caráter internacional", afirma Santos. "Por isso estamos investindo, desde já, no trabalho de mobilização do maior número possível de cientistas do continente", aponta.

O Programa Latino Americano de Física, que tem apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), incluirá ainda a divulgação de cursos de pós-graduação e o apoio à criação de novos programas de especialização na área.

Para Adalberto Fazzio, ex-presidente da SBF e professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), as ações do PLAF no Brasil deverão ser mais intensas nos estados do Norte do país, como Acre, Roraima, Tocantins, Amapá e Amazônia. "Os alunos e professores dessas regiões precisam trocar mais experiências com a comunidade de físicos do país e do continente", conta.

Os encontros do programa não ocorrerão apenas no Brasil. "Deveremos ter também atividades em La Paz, na Bolívia, e Assunção, no Paraguai, por exemplo, de modo a incentivar a visita dos físicos brasileiros a essas cidades para aumentar o nível de interação local. O objetivo é evitar discussões de caráter político e aumentar a interação acadêmica por meio de ações de interesse de todas as universidades e institutos de pesquisa envolvidos", explica Fazzio.

Postagem em destaque

Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira: webinar com o professor Carlos Braga e os diplomatas Victor do Prado e Paulo Roberto de Almeida

  No dia 21 de abril foi realizado o webinar da Fundação Dom Cabral, animada pelo professor Carlos Braga, sobre o tema das Tensões Geopolíti...