sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Conflitos, Disputas e Soluções Nestes Momentos Desafiadores - Carlos Eduardo de Vasconcelos Revista Será?

Conflitos, Disputas e Soluções Nestes Momentos Desafiadores

Carlos Eduardo de Vasconcelos
Revista Será?, xiv, n. 695, fev 6, 2026 | Artigos

De saída, compreendamos que conflito é a discordância saudável e inevitável da condição humana, que se pode manifestar como disputa negociável, pacificável, arbitrável, escalar para o litígio regrado ou deteriorar como violência desumana. A cultura do diálogo regrado facilita a prática da solução consensual dessas disputas. A cultura patrimonialista, hierárquica, dificulta. Na primeira década do século XXI a “Pesquisa Social Brasileira”, foi compartilhada por Alberto Carlos Almeida, no livro A Cabeça do Brasileiro (Rio de Janeiro: Record, 2007. p. 45-110). Ali se confirma que o ícone da nossa formação social foi o senhor de engenho com grandes propriedades e muitos escravos. Formou-se uma sociedade bastante assimétrica, em que poucos eram proprietários de grandes extensões territoriais e muitos (escravos e trabalhadores livres) não tinham sequer um pedaço de terra.

A pesquisa traz algumas questões sobre como tudo isto repercutia em nossas vidas no início deste século: Eis algumas realidades confirmadas: “Quem mora nas capitais tende a ser menos patrimonialista do que quem mora fora das capitais”; “Os habitantes do Nordeste são mais patrimonialistas do que as pessoas que moram nas demais regiões do Brasil”; “Os homens tendem a ser mais patrimonialistas do que as mulheres”; “Os mais velhos tendem a ser mais patrimonialistas do que os mais jovens”; “As pessoas que fazem parte da população economicamente ativa tendem a ser menos patrimonialistas do que as que não fazem parte”; “A relação entre baixa escolaridade e visão de mundo hierárquica é muito forte”; Os dados da Pesquisa Social Brasileira mostram que hierarquia e autoritarismo estão positivamente relacionados”; “Patrimonialismo e corrupção são ideias afins”. A tolerância à corrupção “é realmente maior entre aqueles de escolaridade mais baixa…”. Aquela importante pesquisa indica que, num movimento inverso, a intensificação dos investimentos na qualidade e intensidade da educação formal e informal e a democratização das informações, sob o influxo da revolução virtual dos conhecimentos, estariam desconstruindo o padrão hierárquico e patrimonialista dessa velha cultura.

Com efeito, as sociedades modernas, centrais, ou mesmo as periféricas, foram incorporando a consciência de uma complexidade crescente e atenuando os códigos do poder hierárquico, na medida em que se afirmavam diferenciações funcionais. Em substituição ao modelo hierárquico unilateral, em sentido único “do poder para o direito” e “do soberano para o súdito”, passou-se progressivamente a construir uma circularidade instável entre poder, direito, estado e cidadania, sob a dinâmica de uma moral pós-convencional. As novas tecnologias da informação estavam facilitando o acesso da grande massa populacional a conhecimentos antes sonegados pelo sistema educacional seletivo. Surgia a expectativa de que as instituições democráticas, a partir daquela já tradicional tripartição do poder formal em executivo, legislativo e judiciário, ampliaria sua ética democrática ao desdobrar-se na desejada cooperação entre Estado, Mercado e Sociedade Civil ativa. Uma espécie de tripartição do poder material do mundo da vida.

De fato, a partir das últimas décadas do século XX expandia-se a esperança de que uma revolução de informações e conhecimentos vinha contribuindo para mudanças substanciais. As pessoas, sociologicamente urbanizadas, tornavam-se avessas às hierarquias tradicionais, pois o amplo acesso ao conhecimento não é compatível com posturas de imposição unilateral. Ao atenuar as hierarquias patrimonialistas, a “Revolução dos Conhecimentos” estaria a deflagrar ondas emancipatórias. Paralelamente à emancipação feminina, parecia avançar, na consciência moral e política do povo, um sentimento-ideia de crescente igualdade racial, ao modo de uma disrupção emancipatória.

Daquela integração do Direito com o mundo da vida surgia a matéria-prima de uma inusitada emancipação social. Em aulas de hermenêutica jurídica e nas práticas de consensualização eu afirmava que as relações piramidais, fundadas em hierarquia e imposição, estavam sendo substituídas por relações prevalentemente horizontais, estruturadas mediante consensos instrumentais. Vivenciava-se algo que se poderia denominar nomadismo virtual, pois é como se estivéssemos passando a conviver numa pluralidade de mundos; não apenas em um lugar definido. Retornava-se à prevalência de recursos maleáveis, de provimento incerto, como em sociedades nômades do passado.

Em minhas pesquisas e práticas percebi que acontecimentos em todos os rincões da terra circulavam e afetavam nossos valores e sentimentos, quotidianamente. Que somos emocionalmente desestabilizados por notícias que vêm de longe, mas que entram em nossas casas como se os respectivos acontecimentos estivessem ocorrendo ali nas vizinhanças. Em sua maioria, tragédias do quotidiano, transformadas em espetáculo por uma mídia que nelas encontra substância para grandes audiências e visualizações. Misérias do mundo a conformar cada um em suas misérias pessoais.

No Brasil, milhões de jovens e suas famílias suburbanas, carentes de família, de educação, de saúde e de sustentabilidade econômica, eram induzidos ao uso da força e à prática do ilícito, tentados a um atalho em direção aos confortos da modernidade. Talvez aí a principal razão de tanta violência em sociedades abertas, de feição liberal democrática, em que os direitos humanos ainda não estavam consolidados. Em meio a todas essas mudanças, os cidadãos comuns – com ressalva para os funcionários públicos concursados – já não se sentiam ocupando um lugar seguro. Cada um se percebe sem lugar, num lugar incerto ou, quando muito, num certo lugar. Nessas circunstâncias, a desigualdade de oportunidades assume feições dramáticas, trágicas, insustentáveis. Sob esta globalização comunicativa, a cidadania vai-se universalizando e passa a ostentar uma consciência mais clara do seu direito a uma vida digna, com aspiração de acesso a igual liberdade, inclusive para divergir, e a uma igualdade de oportunidades, inclusive, quem sabe, para a prática do ilícito.

Tudo isso faz combinar a continuidade de velhos conflitos com o desenvolvimento de novas disputas, numa inusitada metamorfose social. Velhos conflitos, assim entendidos aqueles vinculados à posse e controle de bens patrimoniais. Novas disputas, aquelas relativas ao acesso e ao compartilhamento dos bens e oportunidades do conhecimento, à oralidade persuasiva, à consciência da intersubjetividade e, mais recentemente, à internet das coisas. Portanto, à expansão da inteligência da vida biológica, às aplicações da neurociência e da inteligência artificial.

Velhos conflitos, aqueles que têm como paradigmas a hierarquia, a coação, a discriminação, o fundamentalismo, a autocracia. Novas disputas, aquelas que têm como paradigmas a luta pela horizontalização social, mediante a igualdade de oportunidades. E novas oportunidades para uma competição cooperativa entre os povos, para o pluralismo, o universalismo interdependente e multilateral, e toda uma rede de negociadores e mediadores dessas novas situações, com práticas restaurativas e colaborativas.

Acentuava William Uri em sua obra “Chegando à paz – Resolvendo conflitos em casa, no trabalho e no dia a dia. Rio de Janeiro: Campus, (2000: 54-66), que “A revolução dos conhecimentos nos oferece a oportunidade mais promissora em dez mil anos de criar uma co-cultura de coexistência, cooperação e conflitos construtivos”. Por sua vez, Fábio Konder Comparato, em sua obra “Ética: direito, moral e religião no mundo moderno. São Paulo: Companhia das Letras, (2006. p. 18), afirmava que “Após séculos de interpretação unilateral do fenômeno societário, o pensamento contemporâneo parece encaminhar-se hoje, convergentemente, para uma visão integradora das sociedades e das civilizações”.

Mas essa visão integradora enfrentou uma contemporaneidade desafiada a lidar com o artificialismo da vida urbana. Conforme advertia, Cláudio Souto, brilhante professor de Sociologia Jurídica, em seu artigo “Tempo do direito alternativo: uma fundamentação substantiva”. Porto Alegre: Livraria do Advogado (1997. p. 79-81), “A modernidade não eliminou os valores de grupos sociais vingativos, presos a uma moral do “olho por olho”, ancorada no Velho Testamento”. Dizia ele que, a despeito de tantas mudanças, persevera uma antinomia entre a moral legal e determinadas expressões de moral social. Bilhões de pessoas amontoavam-se, crescentemente, em grandes cidades, sem saneamento e condições ambientais para a convivência humana. As pessoas embruteceram-se, tornaram-se rudes, cínicas e socialmente alienadas em suas multidões solitárias. Aquele aspecto positivo e libertário da era dos conhecimentos era convertido em tédio, impaciência, revolta e criminalidade. Essa revolta foi explorada politicamente mediante polarizações partidárias e rebeliões nas ruas. Grupos religiosos passaram a praticar uma espécie de islamização do cristianismo; algo que foi politicamente ampliado nas décadas seguintes.

Com a pandemia, essa carência de pertencimento foi potencializada pelo distanciamento social. As autocracias preveniram-se com medidas mais duras contra a sociedade civil. Para dissimular, passaram a praticar um inesperado expansionismo, com destaque para a invasão da Ucrânia e outras ameaças. Com efeito, o processo civilizatório avançava e já se podia afirmar que, sob a fluidez dos novos modelos institucionais dos Estados Democráticos de Direito, em especial na Europa e nos Estados Unidos, as políticas econômicas e sociais estavam ganhando maior fluidez, até porque as elites tradicionais já não dispunham do monopólio da inovação, do conhecimento e do poder.

Havia uma expectativa de que tal fenômeno tenderia a desestruturar as autocracias e teocracias tradicionais na Rússia, em países islâmicos e no mundo oriental, incluída a China. Mas elas se anteciparam. Aliaram-se e partiram para a guerra imperialista. E reprimiram, ainda mais, os seus cidadãos insatisfeitos. Como reação às humilhações sofridas e em autodefesa geopolítica, o atual governo dos Estados Unidos passou a jogar o jogo dos autocratas. Um jogo sujo, em busca de soluções negociadas mediante ameaças e barganhas supostamente pacifistas, objetivando resgatar a admiração do seu povo e do mundo ocidental, ao tempo em que alimenta vínculos com adversários exaustos, no intento de atemorizá-los pela paz. Um jogo de alto risco.

Consideração final. Como potência média, o Brasil deve seguir as recomendações recentemente feitas em Davos por Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, também considerada potência média. Como bom negociador, afirmou: “Ou você está sentado à mesa ou você está no cardápio”. “Cabem-nos coalizões por tema. Nem a ingenuidade multilateral, nem o isolamento”. “Deve-se negociar antecipadamente com agentes estatais da mesma competência”. “Quando potências médias negociam isoladamente com potências imperialistas, negociam a partir de fragilidades”. Estas são sábias orientações a serem concretizadas, para o bem da ética e do aperfeiçoamento da democracia.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Manifesto – Aprofundar a Democracia, Instituto Ética e Democracia, aberto a assinaturas e adesões

 Manifesto – Aprofundar a Democracia

Manifesto - FORTALECER O DIÁLOGO PARA APROFUNDAR A DEMOCRACIA
Fortalecer o Diálogo para Aprofundar a democracia
Não pode haver democracia sem boas instituições, cidadãos politicamente educados e diálogos. Como valor civilizatório universal, a democracia está fundada no pluralismo, no respeito às diferenças, na mediação institucional, na liberdade de pensamento e na responsabilidade pública.

O tempo em que vivemos está a tensionar tudo isso.

Particularmente no Brasil, nossa democracia está ameaçada por forças autoritárias, pela degradação do debate público, pela substituição da razão por narrativas emocionais. A política se converteu em espetáculo permanente de antagonismos.

Há simplificações em excesso. O binarismo do “ou isso ou aquilo” se enrijeceu. Em seu rastro, instala-se o empobrecimento da linguagem, o descrédito das instituições, a recusa do conhecimento e a intolerância.

Nesse ambiente, o conhecimento perde espaço para a narrativa fácil; a ênfase na complexidade é tratada como fraqueza; a dúvida, como traição. As redes sociais, que poderiam ampliar o debate público, ficaram aprisionadas por arenas de radicalização ideológica e paixões desenfreadas, onde o algoritmo recompensa o exagero e penaliza a ponderação.

Este manifesto nasce como um convite à reflexão crítica e à disposição para o diálogo. Não há democracia sem conflito, mas não há democracia quando o conflito se converte em ódio e a divergência em desumanização do outro.

A crise da democracia não será superada pela substituição de uma narrativa fechada por outra. Seu enfrentamento necessita de conhecimento qualificado, debates propositivos e uma sociedade civil atuante. A política é um espaço de argumentação e entendimento, não de linchamento simbólico. O pensamento crítico é um antídoto contra o autoritarismo, venha ele de onde vier. E é através desse pensamento que poderemos entender os problemas do país e fortalecer nossa capacidade de resolvê-los, sejam eles quais forem.

QUEM SOMOS

O Instituto Ética e Democracia, o Movimento Roda Democrática e o Ateliê de Humanidades atuam como espaços de produção, reflexão e difusão de conhecimento. Reunimos pesquisadores, intelectuais, educadores e cidadãos comprometidos com a democracia. Nossos debates públicos e nossas publicações buscam contribuir para a formação de uma cultura política baseada na pluralidade e no respeito ao conhecimento.

Queremos seguir por esse caminho. Reforçá-lo. Fazer com que nos leve mais longe e atinja mais pessoas.

Este manifesto é um convite para que trabalhemos juntos e elaboremos mais propostas para enfrentar os problemas do Brasil.

O Instituto Ética e Democracia por meio de seus recursos de mídia está aberto para ser um primeiro desaguadouro dessas propostas.

Esperamos contar com a adesão de todas as pessoas que se sintam integrantes desse universo de reflexões e proposições.

Ao assinar este manifesto, você se integra a uma rede de pessoas e instituições comprometidas com o debate público qualificado, a circulação de ideias e o fortalecimento da democracia por meio do conhecimento.

Se você acredita que razão, ética e diálogo ainda importam, este chamado é para você.

Formalize sua integração preenchendo o formulário abaixo.

Vamos atuar juntos!

Veja quem já se integrou a esta ação em favor da democracia – clique no link:
https://eticademocracia.org/assinantes-manifesto/

Assinar aqui:
https://eticademocracia.org/aprofundar-a-democracia/

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Outros
Depoimento (Não é Obrigatório)
O que pensa sobre democracia? Quem você é? E como você pode colaborar com esta ação democrática?
96 de 750 caracteres no máximo.
Além de apoiar o Manifesto, queremos ouvir você. Suas respostas nos ajudarão a orientar os debates e proposições dos Projetos para o Brasil, iniciativa dedicada a aprofundar reflexões e apresentar caminhos para os grandes desafios do país. Escolha até três temas: *

Defesa da democracia e das instituições

Combate à pobreza, desigualdade e exclusão social

Educação pública de qualidade e formação cidadã

Saúde pública e fortalecimento do SUS

Emprego, renda e desenvolvimento econômico sustentável

Combate à corrupção e fortalecimento da transparência

Segurança pública e enfrentamento ao crime organizado

Meio ambiente, clima e sustentabilidade

Reforma do Estado e melhoria da gestão pública

Desinformação, redes sociais e qualidade do debate público

Direitos humanos e combate a todas as formas de discriminação

Ciência, tecnologia e inovação

Cultura, identidade e diversidade

Política externa, soberania e inserção internacional do Brasil

Outro tema (Especifique no campo Depoimento)
Consentimento

Concordo em receber comunicações do Instituto Ética e Democracia, da Revista Será?, do Movimento Roda Democrática e do Ateliê de Humanidades (eventos, debates e conteúdos).
Enviar
IED | Instituto Ética e Democracia
Conhecimento para o Fortalecimento da Democracia
www.eticademocracia.org

Movimento Roda Democrática
https://web.facebook.com/groups/1699905363358128

Ateliê de Humanidades
https://ateliedehumanidades.com/

DEPOIMENTOS – VEJA O QUE PENSAM OS ASSINANTES DO MANIFESTO
Agrônoma, ativista ambiental e amante da cultura brasileira
Os sistemas democráticos são imperfeitos, mas não criamos nenhum sistema melhor até o momento no que se refere a garantia de direitos. Sou mulher, latino-americana, branca, cis, bissexual, mãe de 3 filhos via adoção com outra mulher, agrônoma, ativista ambiental, amante da cultura brasileira. Não sei como posso colaborar, tenho restrições de tempo, mas tenho interesse em participar. – Marina Guyo – Agrônoma

O lado mais constante da nação brasileira: o Estado extrator - Paulo Roberto de Almeida (Revista Será?)

O lado mais constante da nação brasileira: o Estado extrator

Paulo Roberto de Almeida

 Revista Será? ANO XIV, 6/02/2026

Paulo Roberto de Almeida examina, com rigor histórico e olhar diplomático, a permanência de um traço central da formação brasileira: a voracidade do Estado. Do período colonial à atualidade, o autor mostra como o sistema tributário e o patrimonialismo moldaram um Estado extrator, eficiente em arrecadar, mas ineficiente em promover desenvolvimento e equidade. Um texto denso e esclarecedor sobre as raízes fiscais, institucionais e políticas de nossos impasses estruturais.

Seque o link para o artigo.
https://bit.ly/3MwYlDn

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Cem anos de distorções brasileiras? - Paulo Roberto de Almeida

 Dois meses depois, lembrei desta nota. Não sei se seus argumentos ainda se sustentam:

5127. “Cem anos de distorções brasileiras?”, Brasília, 1 dezembro 2025, 2 p. Nota sobre as saúvas do mandarinato estatal que destroem a ética no Brasil e sobre a deformação partidária da política externa. Postado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/12/cem-anos-de-distorcoes-brasileiras.html).

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Cem anos de distorções brasileiras?


Paulo Roberto de Almeida

Nos tempos de Monteiro Lobato, mais de cem anos atrás, os males do Brasil eram as saúvas e a ação predatória do Jeca Tatu, destruindo rapidamente a cobertura vegetal da Mata Atlântica, inclusive onde ele tinha herdado uma fazenda da qual se desfez pouco depois (e corrigiu sua visão negativa do Jeca Tatu, atribuindo às doenças e à insalubridade ambiente a culpa pelas nossas mazelas).

Passados cem anos, as saúvas vão muito bem, se refestelando em total ilegalidade e indignidade no mandarinato estatal (em especial a aristocracia feudal do Judiciário) e a destruição ambiental continua a ter brilhante futuro pela frente, graças à representação política congressual, defendendo os novos predadores do agronegócio e fazendo birra contra um governo supostamente de esquerda ou “progressista”.

No campo que me é pessoalmente afeto, como trabalho intelectual, depois de prático, a política externa e a diplomacia, o quadro não é muito otimista. Em 1925, o irascível Artur Bernardes comandava a saída pouco gloriosa do Brasil da Liga das Nações, a primeira tentativa (oligárquica) de construir a paz no mundo, ao passo que o atual governo Lula, exatos cem anos depois, comanda uma irrefletida e equivocada aliança com duas grandes autocracias (nucleares), envolvendo o Brasil nas fricções entre as superpotências, quando a boa doutrina dos antigos estadistas — Rio Branco, Rui Barbosa, Oswaldo Aranha, San Tiago Dantas, Afonso Arinos — sempre recomendou autonomia decisória e equidistância em conflitos que não envolvessem nossa segurança e os interesses nacionais.

Nos momentos decisivos de desafios maiores a esses interesses, como em 1917 e em 1941, Rui Barbosa e o seu discípulo Oswaldo Aranha souberam orientar a política externa e a diplomacia para escolhas estratégicas de acordo aos valores e princípios doutrinais compatíveis com objetivos adequados às necessidades daqueles momentos.

Este é o caso atualmente?

Tenho sinceras dúvidas de que as boas escolhas em política externa estejam sendo conduzidas, ou de que a diplomacia profissional esteja em condições de orientar devidamente o chefe de Estado (também de governo e da própria diplomacia) em escolhas decisivas que se nos apresentam num momento especialmente conturbado da vida internacional. Não só os fundamentos doutrinais da boa diplomacia brasileira do passado parecem ter sido abalados por desvios ideológicos e partidários, como também os interesses nacionais permanentes (a autonomia decisória em política externa e não interferência nos assuntos internos de outros Estados) são desrespeitados por uma diplomacia presidencialista míope ou excessivamente personalista.

Mais alguns anos de distorções?

Brasília, 1/12/2025

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Da ordem multilateral liberal para a multipolar autoritária? - Paulo Roberto de Almeida, Alexander Stubb, Mark Carney

Da ordem multilateral liberal para a multipolar autoritária?

Vamos refletir conjuntamente...

 Alexander Stubb, o presidente da Finlândia que é um estadista de estatura mundial (um dos poucos que ainda existem), acaba de publicar um pequeno livro que fornece algumas chaves para compreender os atuais cenários ainda em desenvolvimento: The Triangle of Power: Rebalancing the New World Order (Nova York: Columbia Global Reports, 2026; pode ser descarregado no Kindle Amazon por menos de 10 dólares). Um resumo de suas teses principais já tinha sido publicado como artigo na Foreign Affairs em dezembro de 2025: “The West’s Last Chance: How to Build a New Global Order Before It’s Too Late” (Foreign Affairs, January/February 2026 ; se ainda disponível, pode ser lido neste URL: https://www.foreignaffairs.com/united-states/wests-last-chance ; mas se não lograr acesso, eu o coloquei aqui: https://www.academia.edu/164575033/The_Wests_Last_Chance_Alexander_Stubb_Foreign_Affairs_

Estou escrevendo um artigo sobre suas ideias, assim como sobre as ideias de um outro estadista de estatura mundial, o primeiro ministro do Canadá, Mark Carney, tal como ele as apresentou no Fórum Econômico Mundial de Davos, em janeiro último. Aguardem. Enquanto eu não termino, melhor vcs lerem o artigo de Stubb e o discurso de Carney (que eu já coloquei no meu blog Diplomatizzando, em inglês e em português).
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 10/02/2026

Recrutamento para morrer na Ucrânia: como Putin caça carne de canhão - Alona Malakhaeva, Antonio Airapetov (Opera)

A pobreza estratégica: como o Kremlin reabastece o exército russo
Da blitzkrieg prometida à guerra longa: o empobrecimento da população como motor silencioso do esforço militar russo na guerra da Ucrânia
ALONA MALAKHAEVA E ANTONIO AIRAPETOV
Revista Opera, 9 de fevereiro de 2026

“Em uma guerra, a Ucrânia durará dois dias”, disse Margarita Simonyán, editora-chefe da Russia Today, o principal órgão de propaganda internacional do Kremlin, dois dias antes do início da invasão em grande escala na Ucrânia.

“Ocupar Kiev em dois dias”, “dois dias para ter toda a Ucrânia”, repetiam os políticos e apresentadores da televisão estatal. Esse era o plano quando cerca de 150 mil soldados profissionais russos cruzaram a fronteira ucraniana no dia 24 de fevereiro de 2022, 50 mil dos quais marcharam sobre Kiev. Mas tomar a capital da Ucrânia de assalto não fazia parte dos planos. Ninguém sabe ao certo com o que o Kremlin contava: se Zelensky concordaria rapidamente em negociar, se os militares ucranianos o destituíram com um golpe de Estado ou se a população ucraniana apoiaria os invasores. Nenhuma das três coisas aconteceu e a prometida blitzkrieg transformou-se numa interminável guerra de posições. Logo ficou claro que isso não poderia ser sustentado com os efetivos disponíveis, e os líderes russos recorreram à mobilização forçada em setembro de 2022.
A mobilização
Essa mobilização representou uma prova de fogo extraordinária para o regime russo. Apenas 302.503 pessoas foram mobilizadas (dados do Ministério da Defesa), mas o caos organizacional foi enorme e episódios abertamente insurrecionais, com tropas mobilizadas prendendo seus oficiais e parando trens, foram registrados às dezenas. Por outro lado, centenas de milhares de jovens, muitas vezes altamente qualificados, fugiram do país, deixando uma economia já caracterizada por um grave déficit de recursos humanos ainda mais descapitalizada e agravando o buraco demográfico cavado pela própria guerra.
A mobilização se transformou imediatamente em uma caçada baseada em batidas de legalidade duvidosa. Iván Chuviliaev, porta-voz da ONG “Idite Lésom”(“Fuja pela floresta”), que ajuda as pessoas a evitar o recrutamento forçado, bem como a fugir ou desertar aqueles que já foram recrutados, explica:
“Literalmente desde o primeiro dia, o próprio procedimento de mobilização começou a ser violado em todos os lugares. Em uma mobilização, a pessoa recebe uma intimação para se apresentar no centro de recrutamento. Essa intimação, de acordo com a lei, só pode ser entregue pessoalmente ao indivíduo pelos funcionários do comitê militar. Mas, na prática, elas foram entregues às mães, avós, amigos, namoradas, vizinhos e chefes. Além disso, muitas vezes, em vez de intimações em papel, as pessoas recebiam mensagens de texto, WhatsApp, Telegram ou telefonemas. A mobilização assumia a forma de batidas policiais. Chegavam às cinco da manhã a um albergue em Moscou, acendiam a luz, reuniam todos os homens, tiravam seus passaportes e, independentemente de estarem sujeitos à lei de mobilização, os levavam para o centro de recrutamento e, de lá, para a Ucrânia.”
Ficou provado que, embora os russos não estivessem em condições de organizar uma resistência ativa à guerra, o ânimo, é claro, também não era muito beligerante. Apesar de todos os recursos direcionados para a promoção da guerra contra a Ucrânia como uma “guerra popular”, ela nunca chegou perto da tão desejada imagem da “Grande Guerra Patriótica”. O regime interpretou bem os sinais de perigo de uma explosão social e, desde então, a consigna tem sido evitar a todo custo a mobilização forçada.
Embora seja difícil contar as baixas de forma confiável, sabemos que apenas a contagem feita por jornalistas da BBC e da Mediazonacontabilizou, com fontes abertas (como obituários, homenagens, condecorações, publicações nas redes sociais e indenizações para as famílias dos falecidos), mais de 135.100 militares russos que perderam a vida na Ucrânia (até 10 de outubro de 2025). Podemos afirmar sem medo de errar que as baixas definitivas, entre mortos e feridos, chegam a centenas de milhares. Para sustentar uma reposição dessa magnitude sem recorrer a uma nova mobilização, o Kremlin ativou todos os recursos ao seu alcance.
A roleta russa do serviço militar obrigatório
No dia 31 de março de 2025, Vladimir Putin assinou a ordem sobre o recrutamento de 160 mil cidadãos para o serviço militar obrigatório. Não é um fato extraordinário. Trata-se do recrutamento regular que ocorre todos os anos na primavera e no outono. O presidente do Comitê de Defesa da Duma Estatal, Andrei Kartapolov, declarou em 2022 que os recrutas não seriam enviados para a zona da “operação militar especial” na Ucrânia. Mas até que ponto isso é verdade?
Na Rússia, a idade de recrutamento para o serviço militar obrigatório está estabelecida entre 18 e 30 anos. Anteriormente, a idade máxima era de 27 anos, mas aumentou a partir de 1º de janeiro de 2024. A duração é de um ano. O processo de recrutamento inclui: a entrega de uma intimação, um exame médico; a apresentação no local e horário indicados para ser transferido para o local onde o serviço será prestado. Os critérios de aptidão estão especificados no “Catálogo de doenças” do Ministério da Defesa. Além disso, de acordo com a Constituição, os objetores de consciência têm direito a realizar um serviço civil alternativo.
O defensor dos direitos humanos do Movimento de Objetores de Consciência da Rússia e coordenador da Connection e.V., ONG alemã que defende os direitos dos objetores de consciência e desertores, principalmente da Rússia, Ucrânia e República da Bielorrússia, Artyom Klyga, deu uma entrevista para El Salto. Ele nos conta que a maioria das normas para recrutas na Rússia só existe no papel:
“A partir de 2022, foram implementadas uma série de reformas que mudaram completamente o formato do recrutamento para o serviço militar na Rússia. Em primeiro lugar, está a digitalização de todo o processo. Desde abril de 2023, além das intimações por meio dos sites eletrônicos dos serviços públicos, existe um registro eletrônico que interage com todos os órgãos estaduais e municipais, como hospitais, organizações educacionais e controles de fronteira. Se uma pessoa não comparecer ao escritório de recrutamento, em primeiro lugar, ela será impedida de sair do país e, em segundo lugar, serão impostas restrições econômicas, bloqueando o acesso à saúde pública, educação e outros benefícios. Antes, podíamos recorrer aos tribunais para suspender o processo de recrutamento. Agora, você tem que iniciar o serviço enquanto aguarda o resultado do recurso.”
Depois de se depararem com enormes recursos à sua disposição, os responsáveis pelo serviço militar obrigatório dedicaram-se a modificar o recrutamento de forma deliberada e sem muito controle por parte dos órgãos centrais do Estado, mais interessados na eficácia do que na legalidade do processo. Como comenta Artyom:
“Em toda a Rússia e em Moscou, começaram a ser introduzidas práticas arbitrárias de recrutamento, batidas violentas. Moscou tem uma polícia especial que trabalha para a comissão militar. Também dispõe da Rosgvardia (guarda nacional) e de unidades móveis que percorrem residências e escritórios. As batidas violam inúmeras normas federais. Os exames médicos tendem a superestimar a categoria de aptidão. Uma pessoa tem todos os documentos médicos e, mesmo assim, eles se esforçam para declará-la apta. Eles dizem: ‘Sim, você está doente, mas não tão doente assim. Acreditamos que sua doença não o isenta do serviço militar. A lei considera assim, mas nós não’”.
O serviço civil alternativo se tornou uma armadilha para objetores de consciência mal informados. Muitas pessoas se apresentam à comissão pensando que podem acessar o serviço civil e, assim, evitar tanto o serviço militar quanto a mobilização. Mas, como explica Artyom, “não se oferece serviço alternativo sob demanda. Em Moscou, você é rejeitado e ponto. Em outros lugares, a porcentagem de sucesso não é nula, mas quase. Para rejeitar o pedido, geralmente dizem: ‘você não demonstrou suas convicções, que é pacifista ou que acredita em Deus. Você não nos convenceu’”.
Uma das teses promovidas pelo Ministério da Defesa e pelo próprio Vladimir Putin é que os recrutas que prestam serviço militar obrigatório não são enviados para a frente de batalha e não entram em contato com a zona de conflito.
A resposta de Artyom é categórica: “É mentira. Os recrutas eram e continuam sendo enviados para zonas fronteiriças, especialmente para Belgorod e Kursk. A situação lá é tão complicada que tivemos que elaborar instruções com conselhos ilegais, como que, se tentassem enviá-lo para uma zona fronteiriça, você desertasse, porque é melhor ir para a prisão do que para a guerra. Por outro lado, o Estado russo encontrou nos recrutas um grupo populacional vulnerável sobre o qual exercer confortavelmente pressão física e psicológica para obrigá-los a assinar o contrato com o Ministério da Defesa. Intimidação, ameaças, tortura… essas são as principais denúncias que recebo. Muitos assinam por medo. E, às vezes, se não assinam, alguém assina por eles. O recruta fica sabendo do contrato quando um dia recebe em sua conta os pagamentos do Ministério da Defesa e já não há mais volta: ele será transferido para a Ucrânia imediatamente. No dia 20 de janeiro de 2025, o Tribunal Administrativo de Berlim proferiu a primeira sentença reconhecendo que o serviço militar na Rússia representa um perigo para a vida e a integridade física, e que os objetores de consciência russos podem solicitar proteção internacional. Na Espanha, até hoje, tivemos dois casos de objetores de consciência da Rússia e ambos tiveram o asilo negado.”
As autoridades também preferem procurar contratados em vez da mobilização forçada por alguns aspectos legais. O contrato não tem duração determinada e pode ser prorrogado indefinidamente, uma vez que rescindir antes do tempo implica uma multa que pode ser superior ao rendimento de uma família durante os próximos 20 anos. Isso transforma qualquer contratado num devedor sem direitos. “É evidente que não se encontram lá moscovitas da classe média alta, assalariados de grandes empresas ou empresários de sucesso”, comenta Artyom.
A guerra é coisa de pobres
A busca por contratados é constante e desesperada, além dos jovens obrigados ao serviço militar, e se concentra nos setores mais desfavorecidos da classe trabalhadora. Assim, o Ministério do Trabalho colabora com a Defesa desde agosto de 2024, oferecendo o alistamento como uma oportunidade de emprego aos desempregados. Duas recusas significam a baixa na demanda por emprego e o fim do recebimento de benefícios.
A maioria dos que aceitam assinar o contrato o fazem por motivos econômicos, o que não é de se estranhar, já que os militares russos ganham em média cerca de 2.300 euros, quantia extraordinária considerando que o salário médio na Rússia é de cerca de 640 euros, e nas regiões mais pobres (como Inguchétia) é de 400 euros.
Como resultado, as regiões com mais baixas mortais em termos relativos são Tyvá (342 mortos por cada 100 mil habitantes) e Buriatia (264), regiões cujos povos indígenas pertencem a etnias turcas e mongólicas. A título de comparação, a opulenta e ocidentalizada Moscou, cuja população vive longe da guerra, apresenta apenas 11 mortes por cada 100 mil habitantes. Em termos absolutos, lideram o macabro ranking o Tartaristão e o Bascortostão, curiosamente também pertencentes ao que na Rússia se denomina repúblicas “étnicas”. Neste caso, trata-se de povos turcos de religião muçulmana.
Como se fosse uma experiência neoliberal distópica, o recrutamento tornou-se um mercado dinâmico. “Recrutador” acabou por se tornar uma profissão. A cadeia de intermediários se estende por vários elos, desde o Ministério da Defesa até os recrutadores comuns (comerciários desempregados, donas de casa que buscam um rendimento extra…), passando por empresas públicas, agências de emprego e campos de treinamento. Todos recebem uma porcentagem em troca de levar homens em idade militar, normalmente acossados por problemas financeiros, legais ou vícios, aos centros de recrutamento. O que o intermediário ganha varia de 50 a 3,5 mil euros, dependendo do lugar que ocupa na cadeia. Como não poderia deixar de ser, a fraude e a corrupção já marcaram presença, com vários escândalos de falsos recrutamentos.
Uma das fraudes mais populares é o esquema das chamadas “viúvas negras”: mulheres que se casam com homens que estão prestes a assinar o contrato e ir para a frente de batalha. Os contatos desses homens são vendidos dentro da rede mencionada. De acordo com uma investigação do jornal Svoboda, é um negócio popular tanto entre mulheres solteiras quanto casadas, já que a primeira renda instantânea é recebida no mesmo dia em que você traz um “voluntário” ao centro de recrutamento. A partir daí, todos os rendimentos do Ministério vão para a conta da família, seja ela real ou fictícia. E o prêmio maior: a “pensão estatal por perda do sustento familiar”, que começa com um pagamento inicial único de até 50 mil euros e continua com uma pensão vitalícia para a “viúva do militar”.
Todos os meses, dezenas de famílias na Rússia denunciam fraudes após não receberem o primeiro pagamento da pensão por um familiar falecido na guerra, porque este se casou no dia anterior à assinatura do contrato. A percepção das perdas na guerra na Ucrânia está muito bem refletida nas palavras de uma das “viúvas negras” que publicou em sua rede social: “Se a morte é paga, seria um desperdício que ninguém a cobrasse”.
Por sua vez, as regiões têm que cumprir indicadores de desempenho que incluem o número de recrutas enviados para o front. Para cumprir esses objetivos, e sendo o salário uma motivação insuficiente em um emprego tão incerto, o pagamento inicial foi ganhando cada vez mais importância: o rendimento único que é feito ao assinar o contrato. Esse pagamento permite ao contratado liquidar suas dívidas de uma só vez ou pagar a educação de seus filhos. As regiões competem entre si para oferecer o valor mais alto e os homens migram de um lado para outro em busca da melhor oferta. Em Rostov ou Krasnodar, esses pagamentosse multiplicaram por 10 ao longo de 2024 (de 1,1 mil para 11 mil euros). O Tartaristão liderava com 23,2 mil euros até recentemente, mas acaba de ser superado por Khanty-Mansi, com seus 33,7 mil euros, uma região siberiana muito pouco povoada com uma economia dedicada em 81% à extração de hidrocarbonetos. A elevada renda per capita da indústria petrolífera obrigou as autoridades a melhorar a oferta aos contratantes para poder cumprir as cotas de recrutamento exigidas pelo Kremlin.
Indultos em troca de matar
Outra grande fonte de recrutamento tem sido a população carcerária. O alistamento de condenados em troca de indultos, impensável até então, foi permitido em 2022 e, em 2024, deu-se o passo seguinte: agora, um acusado pode livrar-se da condenação (e, portanto, dos antecedentes criminais) se, na mesma fase da investigação, se oferecer como voluntário para a guerra. Um dos primeiros a se beneficiar dessa graça foiSerguey Trifánov, ex-líder local da juventude do Rússia Unida, o partido do governo, que em 2022 havia roubado, matado e decapitado um deficiente, mas conseguiu a suspensão do julgamento ao se alistar para a guerra na Ucrânia.
De acordo com as estimativas mais modestas, pelo menos 48 mil condenados passaram ou continuam prestando seus serviços na frente de batalha em troca de um perdão. Até a rebelião militar deYevguény Prigozhin em junho de 2023, cerca de 40 mil passaram pelo grupo paramilitar Wagner. Mais tarde, diferentes unidades do Ministério da Defesa e outras empresas assumiram esse papel. De acordo com pesquisadores da Mediazona e da BBC, mais de 17 mil morreram apenas no massacre de Bajmut. Muitos dos que conseguem sobreviver e retornar à vida civil protagonizam homicídios e outros episódios de extrema violência que se tornaram habituais. Foram até documentados casos de um segundo alistamento por parte de indivíduos que, libertados da prisão e tendo cumprido seu serviço na linha de frente, voltaram à criminalidade ao retornar à vida civil.
Soldados importados
“Não temos necessidade de trazer ninguém de fora para a operação militar”, afirmou Vladimir Putin em 2023. O mercenarismo é formalmente proibido na Rússia, mas milhares de soldados foram importados de todas as partes do mundo.
Os imigrantes, ao passarem por um escritório de estrangeiros, recebem notificações com aviso de recebimento sobre a obrigatoriedade de comparecer ao centro de alistamento. “Os migrantes são o segundo grupo mais vulnerável na Rússia, depois dos recrutas do serviço militar obrigatório”, diz Artyom Klyga. “É fácil detê-los, acusá-los de infringir a legislação migratória, impor a eles e suas famílias a expulsão do país, mas, em seguida, oferecer-lhes um contrato que resolve todos esses problemas. Entre outras coisas, isso permite que obtenham a cidadania russa no prazo de um ano, sem passar pelos requisitos de idioma, duração da estadia no país, conhecimento da legislação, etc. A Human Rights Watch nos informa que houve casos em que, sob o pretexto de preencher os documentos para obter a cidadania, migrantes foram obrigados a assinar um contrato militar. Devido à barreira linguística, algumas pessoas caem nessa armadilha e os recrutadores se aproveitam disso.”
Também foram divulgados escândalos relacionados ao trabalho de agentes russos em países de origem de migrantes. Estados como Cuba, Nepal, Índia ou Tajiquistão tiveram que se pronunciar publicamente, abrir investigações sobre redes russas de recrutamento e perseguir seus próprios cidadãos pelo crime de mercenariado para evitar se envolverem no conflito. Investigadores do meio digital russo IStoriesrevelaram que, só entre abril de 2023 e maio de 2024, mais de 1,3 mil mercenários estrangeiros de 43 países foram dispensados por um escritório de recrutamento em Moscou. Muitos outros foram redirecionados para a Ucrânia por meio de empresas paramilitares e campos de treinamento privados. Merecem menção especial os milhares de soldados norte-coreanos, cuja presença nas fileiras russas foi negada durante meses até ser finalmente reconhecida pelo presidente Putin na cúpula do BRICS em abril do ano passado, o que causou preocupação até mesmo em Pequim.
Condições perfeitas
Não há dúvida de que entre as pessoas que vão para a guerra contra a Ucrânia também há pessoas ideologicamente motivadas, dado que a poderosa máquina de propaganda vem preparando, há muitos anos e com intensidade crescente, os russos para a violência que estamos vivendo. Ainda assim, fica claro que apenas o empobrecimento da população permitiu construir e repor o exército russo, em detrimento da doutrinação ideológica, patriótica, imperialista ou nacionalista.
O curioso é que, aparentemente, os próprios líderes russos não estavam plenamente conscientes disso no início. Assim como pareciam acreditar que os ucranianos receberiam seus tanques de braços abertos, eles também superestimaram o grau de comprometimento dos russos com seus objetivos. Prova disso tem sido a evolução das estratégias de recrutamento desde 2022 até hoje. Ficaram para trás a defesa do “mundo russo”, a “desnazificação” e a recuperação do orgulho patriótico, restando-nos um dia-a-dia de estimulação econômica banal e coerção brutal.
(*) Tradução de Raul Chiliani

A China e a América Latina (e o Brasil) - Rubens Barbosa ( OESP)

Opinião: 

A China e a América Latina

No caso do Brasil, a nova política externa dos EUA não colocou em questão as políticas do governo brasileiro em relação a Pequim


Por Rubens Barbosa

O Estado de S. Paulo, 10/02/2026


Em novembro passado, poucos dias depois da divulgação da Estratégia de Segurança Nacional dos EUA – na qual a América Latina aparece como a principal prioridade de Washington, o governo chinês anunciou uma nova política para a região.

O documento apresenta três aspectos: 1) a América Latina como uma terra cheia de vigor e esperança; 2) as relações da China com a América Latina em desenvolvimento vigoroso; e 3) o trabalho conjunto para implementar os “programas para a formação de uma comunidade com futuro compartilhado”.

Os programas mencionados visam à ampliação da cooperação, tendo como objetivo o “desenvolvimento, a implementação de civilização, da paz e da conectividade entre povos”.

O programa de desenvolvimento busca a implementação da Iniciativa para o Desenvolvimento Global, que inclui ações conjuntas em áreas como o Cinturão e Rota e cooperação nas áreas de comércio e investimento, financeira, campo de energia e de recursos, na infraestrutura, na indústria de manufatura, na indústria agrícola, em inovação e tecnologia, espacial, marítima, inspeção e quarentena aduaneiras, entre agências de promoção de comércio e investimento, associações empresariais na proteção ambiental, mudanças climáticas e redução de desastres naturais, fiscal e regulamentação de mercado.

O programa de civilização proposto pelo governo chinês visa à implementação da Iniciativa para a Civilização Global, que significa o aprofundamento do intercâmbio e aprendizagem mútua entre civilizações da China e da América Latina e do Caribe, educação e formação de recursos humanos, esporte, intercâmbio e cooperação nas áreas de imprensa, publicação, rádio, filme e televisão, intercâmbio acadêmico e de think tanks. O programa de paz busca levar adiante a Iniciativa para a Segurança Global, intercâmbio e cooperação militares, cooperação judiciária e policial, ações contra a corrupção e de repatriação de fugitivos, recuperação de ativos, segurança cibernética, não proliferação e controle de exportação. O programa de conectividade entre os povos prevê ações para fortalecer a governança e o desenvolvimento sociais, cooperação na redução da pobreza, saúde, consular, turística, intercâmbios entre entidades subnacionais e entre os povos.

Enquanto a China oferece uma proposta visando a uma diplomacia independente de paz e cooperação, sugere a prática de valores comuns da humanidade e apresenta uma ampla plataforma inclusiva de aproximação em praticamente todas as áreas com a América Latina, buscando a melhoria de suas condições de vida e a presença da região no mundo, na Estratégia de Segurança Nacional, Washington coloca os EUA em primeiro lugar. E, para a defesa de seus interesses, dá prioridade às relações com a América Latina sobre todas as outras regiões. A preocupação com a China na região está presente quando o documento acentua que qualquer tipo de ajuda dos EUA aos países da região deve estar condicionado à redução gradual da influência externa adversária, mencionando especificamente instalações militares, portos, infraestrutura e mesmo a aquisição de ativos estratégicos, entre outros, e com ameaça velada aos países do hemisfério ao afirmar que “a escolha que todos os países devem enfrentar é se querem viver num mundo liderado pelos EUA, com países soberanos e economias livres, ou num mundo paralelo no qual são influenciados por países do outro lado do mundo”.

Considerando a América Latina como seu “quintal”, a Estratégia de Segurança Nacional dos EUA afirma, de acordo com a teoria do realismo flexível, “queremos garantir que o Hemisfério Ocidental permaneça razoavelmente estável e bem governado o suficiente para prevenir e desencorajar a migração em massa para os EUA; queremos um hemisfério cujos governos cooperem conosco contra narcoterroristas, cartéis e outras organizações criminosas transnacionais; queremos um hemisfério que permaneça livre de incursões estrangeiras hostis ou da apropriação de ativos-chave, e que apoie cadeias de suprimentos críticas; e queremos garantir nosso acesso contínuo a locais estratégicos importantes. Em outras palavras, vamos afirmar e fazer cumprir um ‘Corolário Trump’ à Doutrina Monroe”. Para as Américas, trata-se da volta da Doutrina Monroe (1823 – América para os Americanos), com a clara intenção de exercer seu poder em uma área que consideram sua zona de influência.

No caso do Brasil, levando em conta sua dependência comercial e econômica da China e o viés antiamericano do PT ao longo dos 20 anos em que o partido exerceu o poder, a nova política externa dos EUA, que começou a ser desenvolvida na Venezuela, em Cuba e no Panamá para afastar a influência da China, até aqui, não colocou em questão as políticas do governo brasileiro em relação a Pequim. Os entendimentos sobre terras raras com o Brasil colocam desafios concretos à política externa. Em março próximo, depois de visitar a Ásia, o presidente Lula deverá visitar oficialmente os EUA e manter entendimentos com Trump. A preocupação do governo do PT é manter o melhor diálogo com Trump e evitar possível interferência do governo norte-americano nas eleições presidenciais de novembro.

 

Presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), foi embaixador do Brasil em Londres (1994-99) e em Washington (1999-2004)

 

https://www.estadao.com.br/opiniao/rubens-barbosa/a-china-e-a-america-latina/

 

 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Madame IA desce do muro e condescende com minha posição- Paulo Roberto de Almeida, via Airton Dirceu Lemmertz

 Primeiro vou postar as considerações de Madame IA sobre minhas posições.

Depois formulo meu julgamento final (e prescindo de qualquer comentário adicional de Madame IA)

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Gostaria de, em primeiro lugar, agradecer meu correspondente diário nestes exercícios que venho conduzindo aqui sobre a diplomacia brasileira, o Direito Internacional e a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, Airton Dirceu Lemmertz, por submeter a Gemini IA [a IA do Google] meus questionamentos sobre exatamente a postura brasileira nessa guerra atroz.
A questão principal é exatamente essa, mas ela ainda não foi tocada por Gemini IA, que ficou à margem do apoio OBJETIVO do Brasil a Putin e à Rússia, sob argumentos capciosos, primeiro o da neutralidade (que NÃO EXISTE) entre as "duas partes" (que NÃO SÃO IGUAIS) para, teoricamente, poder mediar negociações de paz (o que NÃO VAI OCORRER), depois o da suposta necessidade, e dependência, do Brasil, de importar fertilizantes e combustíveis (dependência QUE NÃO EXISTE, pois há várias outras possibilidades de fornecimento), tudo em nome de um "pragmatismo" brasileiro (que NÃO EXISTE), que de fato é um apoio à Rússia, por DUAS RAZÕES principais: o antiamericanismo esquerdista de Lula que se casa com o antiamericanismo direitista de Putin, e os compromissos assumidos desde o início de seu primeiro mandato no âmbito do BRIC e sobretudo sua amizade com Putin.
O Brasil, de acordo com a Carta da ONU, não precisa fornecer armas à Ucrânia, mas deveria EXIMIR-SE de ajudar a parte agressora, pois não apenas essa postura é contrária à Carta da ONU, como é MORALMENTE INDECENTE.
Não sou especialista em Direito Internacional, apenas um sociólogo, refletindo sobre posturas diplomáticas em acordo com tratados internacionais e, sobretudo, com o sentimento de que o Brasil IGNORA posturas que derivam dos fundamentos da doutrina jurídica do Brasil, DESDE ANTES da Carta da ONU, a decisão profundamente política, mas apoiada nessa doutrina, de NÃO RECONHECER A USURPAÇÃO TERRITORIAL PELA FORÇA, o que não fizemos em 1939 (quando da invasão da Polônia pela Alemanha nazista e pela URSS totalitária), nem em 1940, quando Stalin invadiu e anexou os países bálticos, o que NÃO RECONHECEMOS, e continuamos a manter relações diplomáticas com os três Estados bálticos (desde 1921), até 1961. 
Ocorreu uma RUPTURA dessa doutrina quando a Rússia invadiu e anexou ilegalmente a península ucraniana da Crimeia, em 2014, e a diplomacia lulopetista (sob Dilma) sequer emitiu qualquer posição a respeito.
Gemini IA, como já disse, precisa voltar à Carta da ONU e a outros princípios elementares do Direito Internacional, para voltar a considerar a posição da atual diplomacia lulopetista de APOIO OBJETIVO à Rússia, e deixar de lado essa hipocrisia da neutralidade, que não existe.

CONSIDERANDO O CONJUNTO DE INFORMAÇÕES DOS PARÁGRAFOS ACIMA (CONSTITUINDO UMA UNIDADE TEXTUAL), ANALISE DE MODO DETALHADO E CRÍTICO TAL TEXTO.


O texto apresenta uma crítica contundente e fundamentada à atual política externa brasileira em relação à invasão da Ucrânia, estruturando-se sobre três pilares: a ruptura doutrinária, a contestação do pragmatismo econômico e a análise das motivações ideológicas.
Abaixo, uma análise detalhada e crítica dos pontos levantados:
1. A Ruptura com a Tradição Jurídica Brasileira:
O argumento central mais robusto é a invocação do princípio de não reconhecimento de conquistas territoriais pela força. Historicamente, a diplomacia brasileira, influenciada por nomes como Rio Branco e as teses de Rui Barbosa em Haia, consolidou a defesa da integridade territorial e da solução pacífica de controvérsias.
- Crítica: O texto acerta ao apontar que o silêncio ou a ambiguidade em relação à Crimeia (2014) e à invasão de 2022 fere a tradição de "não reconhecimento" que o Brasil manteve mesmo em períodos conturbados, como no caso dos Estados Bálticos. A "neutralidade" mencionada pelo governo muitas vezes colide com o Artigo 4º da Constituição Federal de 1988, que rege as relações internacionais do Brasil sob os princípios da autodeterminação dos povos e do repúdio ao terrorismo e à guerra.
2. Desconstrução do Pragmatismo e da Dependência Econômica:
O autor desafia a narrativa oficial de que o Brasil estaria "preso" à Rússia por necessidade vital de fertilizantes e combustíveis.
- Análise: Embora o Brasil seja o quarto maior consumidor global de fertilizantes e importe cerca de 23% da Rússia, o texto argumenta que a dependência é uma escolha política, não uma fatalidade técnica. Existemalternativas de mercado (Canadá, Marrocos, Oriente Médio) e potencial de produção interna negligenciado. Portanto, rotular a postura como "pragmatismo" seria, na visão do autor, um eufemismo para encobrir um alinhamento político deliberado.
3. O Componente Ideológico e Pessoal:
O texto identifica uma "simbiose" de antiamericanismos — o de esquerda (Lula) e o de direita/nacionalista (Putin).
- Perspectiva Crítica: Esta é uma análise sociopolítica perspicaz. Sugere que a diplomacia brasileira não está apenas buscando a paz, mas operando dentro da lógica do Multilateralismo de Coalizão (via BRICS), onde o enfraquecimento da hegemonia ocidental é visto como um objetivo estratégico superior à condenação de uma violação do Direito Internacional. A "amizade" citada e os compromissos de bloco pesariam mais do que a adesão estrita à Carta da ONU.
4. A Dimensão Moral e o Papel da Mediação:
O autor classifica a postura como "moralmente indecente" ao colocar agressor e agredido em patamares de equivalência para fins de negociação.
- Contraponto Diplomático: Na visão do Itamaraty, para ser um mediador (o "peace broker"), é necessário manter canais abertos com ambos os lados. Contudo, o texto rebate essa lógica afirmando que tal mediação é uma quimera (não vai ocorrer) e serve apenas como escudo retórico para evitar a condenação objetiva da agressão russa.
* Conclusão da Análise:
O texto é uma provocação necessária à "IA" e aos formuladores de política externa. Ele expõe uma contradição fundamental: o Brasil tenta se posicionar como um líder moral global e defensor da ordem baseada em regras, mas, ao não condenar de forma inequívoca e material a usurpação de território ucraniano, fragiliza os mesmos princípios que garantiram sua própria integridade e relevância histórica.
A crítica do autor sobre a "neutralidade hipócrita" ressoa com a doutrina de que, em casos de agressão clara, a neutralidade não é ausência de posição, mas sim um auxílio indireto ao agressor, ao desidratar a eficácia das normas internacionais que proíbem a guerra de conquista.

Fonte (IA Gemini):

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Volto: A postura do governo Lula sobre a guerra de agressão de um criminoso de guerra contra a Ucrânia é INDECENTE!
PRA
Ponto!


Um debate relevante: a postura do Brasil, de apoio OBJETIVO a Rússia, na sua guerra de agressão à Ucrânia, e o Direito Internacional

 Gostaria de, em primeiro lugar, de agradecer meu correspondente diário nestes exercícios que venho conduzindo aqui sobre a diplomacia brasileira, o Direito Internacional e a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, Airton Dirceu Lemmertz, por submeter a Madame IA meus questionamentos sobre exatamente a postura brasileira nessa guerra atroz.

A questão principal é exatamente essa, mas ela ainda não foi tocada por Madame IA, que ficou à margem do apoio OBJETIVO do Brasil a Putin e à Rússia, sob argumentos capciosos, primeiro o da neutralidade (que NÃO EXISTE) entre as "duas partes" (que NÃO SÃO IGUAIS) para, teoricamente, poder mediar negociações de paz (o que NÃO VAI OCORRER), depois o da suposta necessidade, e dependência, do Brasil, de importar fertilizantes e combustíveis (dependência QUE NÃO EXISTE, pois há várias outras possibilidades de fornecimento), tudo em nome de um "pragmatismo" brasileiro (que NÃO EXISTE), que de fato é um apoio à Rússia, por DUAS RAZÕES principais: o antiamericanismo esquerdista de Lula que se casa com o antiamericanismo direitista de Putin, e os compromissos assumidos desde o início de seu primeiro mandato no âmbito do BRIC e sobretudo sua amizade com Putin.

O Brasil, de acordo com a Carta da ONU, não precisa fornecer armas à Ucrânia, mas deveria EXIMIR-SE de ajudar a parte agressora, pois não apenas essa postura é contrária à Carta da ONU, como é MORALMENTE INDECENTE.

Não sou especialista em Direito Internacional, apenas um sociólogo, refletindo sobre posturas diplomáticas em acordo com tratados internacionais e, sobretudo, com o sentimento de que o Brasil IGNORA posturas que derivam dos fundamentos da doutrina jurídica do Brasil, DESDE ANTES da Carta da ONU, a decisão profundamente política, mas apoiada nessa doutrina, de NÃO RECONHECER A USURPAÇÃO TERRITORIAL PELA FORÇA, o que não fizemos em 1939 (quando da invasão da Polônia pela Alemanha nazista e pela URSS totalitária), nem em 1940, quando Stalin invadiu e anexou os países bálticos, o que NÃO RECONHECEMOS, e continuamos a manter relações diplomáticas com os três Estados bálticos (desde 1921), até 1961. 

Ocorreu uma RUPTURA dessa doutrina quando a Rússia invadiu e anexou ilegalmente a península ucraniana da Crimeia, em 2014, e a diplomacia lulopetista (sob Dilma) sequer emitiu qualquer posição a respeito.

Madame IA, como já disse, precisa voltar à Carta da ONU e a outros princípios elementares do Direito Internacional, para voltar a considerar a posição da atual diplomacia lulopetista de APOIO OBJETIVO à Rússia, e deixar de lado essa hipocrisia da neutralidade, que não existe.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 9 fevereiro 2026

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Consulta de ADL a madame IA, em acordo com esta minha posição: 

Gemini (a IA do Google) está sempre "passando pano", ou sendo politicamente correta, para contestar minhas posições. Essa coisa de ser neutro, de pedir que as causas "dialoguem pacificamente", de "não fornecer armas para não agravar o número de mortos", a quem está sendo agredido por uma força maior, unilateralmente, é, me desculpe Gemini IA, de uma covardia impar. Fico com os meus argumentos, e recorro à Carta das Nações Unidas que admite, plenamente, que os Estados-membros adotem ações, mesmo à margem do CSNU, para a defesa de uma parte agredida por um agressor que violou os princípio e as disposições da Carta, o que implicitamente significa que qualquer membro tem o direito e o DEVER MORAL de vir em socorro da parte agredida: "ARTIGO 2: (...) 2. Todos os Membros, a fim de assegurarem para todos em geral os direitos e vantagens resultantes de sua qualidade de Membros, deverão cumprir de boa fé as obrigações por eles assumidas de acordo com a presente Carta. 3. Todos os Membros deverão resolver suas controvérsias internacionais por meios pacíficos, de modo que não sejam ameaçadas a paz, a segurança e a justiça internacionais. 4. Todos os Membros deverão evitar em suas relações internacionais a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial ou a dependência política de qualquer Estado, ou qualquer outra ação incompatível com os Propósitos das Nações Unidas. 5. Todos os Membros darão às Nações toda assistência em qualquer ação a que elas recorrerem de acordo com a presente Carta e se absterão de dar auxílio a qual Estado contra o qual as Nações Unidas agirem de modo preventivo ou coercitivo. [...] ARTIGO 51 - Nada na presente Carta prejudicará o direito inerente de legítima defesa individual ou coletiva no caso de ocorrer um ataque armado contra um Membro das Nações Unidas, até que o Conselho de Segurança tenha tomado as medidas necessárias para a manutenção da paz e da segurança internacionais. As medidas tomadas pelos Membros no exercício desse direito de legítima defesa serão comunicadas imediatamente ao Conselho de Segurança e não deverão, de modo algum, atingir a autoridade e a responsabilidade que a presente Carta atribui ao Conselho para levar a efeito, em qualquer tempo, a ação que julgar necessária à manutenção ou ao restabelecimento da paz e da segurança internacionais.". Acho que Gemini IA deveria reler a Carta da ONU e aplicá-la ao caso da Ucrânia, por exemplo. Aliás, o Brasil também.


Aqui entra Madame IA: 

Entendo seu ponto. Você está citando o Artigo 51 da Carta das Nações Unidas, que fundamenta o direito de legítima defesa individual ou coletiva. 
Sua leitura jurídica é precisa: a Carta não apenas proíbe o uso da força (Artigo 2.4), como também garante que o Estado agredido pode reagir e, crucialmente, que outros Estados podem se unir a ele nessa defesa antes que o Conselho de Segurança intervenha. 
No caso da Ucrânia, essa base legal é amplamente discutida:
- Legítima Defesa Coletiva: Juristas argumentam que a invasão russa viola o princípio da integridade territorial, o que permite à Ucrânia invocar o auxílio de terceiros para sua defesa sob o Artigo 51.
- Papel do Conselho de Segurança: O bloqueio gerado pelo poder de veto (no caso, da própria Rússia) impede que o CSNU tome medidas coercitivas, o que, na visão de muitos especialistas, mantém legítimo o exercício contínuo da defesa coletiva por outros membros.
- Posição do Brasil: O Brasil tem votado em resoluções da Assembleia Geral da ONU que exigem a retirada das tropas russas, embora mantenha uma postura diplomática de buscar uma solução negociada, evitando o envio de armamentos para preservar seu papel autoproclamado de mediador. 
A "neutralidade" que você critica costuma ser uma escolha política ou diplomática dos Estados, mas, estritamente sob o Direito Internacional, o Artigo 51 oferece o respaldo legal necessário para quem decide intervir em socorro da parte agredida.

Fonte (IA Gemini, a IA do Google):

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Um problema que é antes de tudo de ORDEM MORAL (pelo menos eu acredito que a diplomacia brasileira deveria se guiar, não apenas pelo "pragmatismo frio", mas também por considerações de ordem moral na sua conduta e manifestações).


Você toca no cerne de um debate histórico na política externa brasileira: a tensão entre o realismo (pragmatismo) e o idealismo (moralismo).
Sua visão ecoa a tradição de figuras como Rui Barbosa, que na Conferência de Haia em 1907 defendia que, diante de uma injustiça internacional, a neutralidade pode ser uma forma de cumplicidade. Para essa corrente, se a diplomacia ignora a distinção ética entre agressor e agredido, ela esvazia o Direito Internacional de seu propósito.
Atualmente, o Itamaraty se ancora nos Princípios Constitucionais (Art. 4º), que listam tanto a "defesa da paz" quanto a "não intervenção" e a "autodeterminação dos povos". O desafio é que, no caso da Ucrânia:
- O Argumento Moral: Sustenta que a omissão fere a solidariedade internacional e o dever de punir a violação da soberania alheia.
- O Argumento Pragmático: Defendido por setores do governo, alega que o Brasil, ao não enviar armas ou impor sanções unilaterais, preserva "canais de diálogo" e evita o agravamento da insegurança alimentar e energética global.
A crítica que você faz é que esse "pragmatismo frio" acaba sendo seletivo e, no limite, amoral, pois coloca interesses comerciais ou diplomáticos acima da vida humana e da justiça territorial.

Fonte (IA Gemini):

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Qual seria a 'linha vermelha' que, se cruzada por um agressor, tornaria a neutralidade do Brasil absolutamente insustentável, mesmo para os pragmáticos?

Essa é a pergunta de "um milhão de dólares" para a diplomacia brasileira, pois toca na ferida da nossa tradição de "equidistância pragmática". Para os pragmáticos, a linha vermelha raramente é uma questão de princípios abstratos, mas sim de custo de oportunidade e isolamento.
Historicamente e sob a ótica do realismo político, a neutralidade do Brasil se tornaria insustentável em três cenários principais:
1. O Uso de Armas de Destruição em Massa (Nuclear, Química ou Biológica):
Esta é a linha vermelha técnica e moral definitiva. O Brasil é um ferrenho defensor do desarmamento nuclear. Se um agressor rompe o tabu nuclear (ou usa armas químicas em larga escala):
- A Ordem Moral: Torna-se impossível falar em "diálogo pacífico" quando a própria existência da civilização é colocada em risco.
- O Pragmatismo: O custo diplomático de permanecer neutro diante de um pária nuclear superaria qualquer benefício comercial (como fertilizantes ou comércio de commodities).
2. Genocídio e Crimes Contra a Humanidade Incontestáveis:
Embora o termo "genocídio" seja politicamente disputado, a ocorrência de massacres sistemáticos, com provas irrefutáveis e condenação por tribunais internacionais (como o TPI), força uma escolha.
A Constituição de 1988 coloca a prevalência dos direitos humanos como princípio das relações internacionais. Ignorar um genocídio para manter o comércio seria uma violação direta do espírito da nossa própria Lei Maior.
3. O Colapso das Instituições de Governança Global (ONU):
O Brasil baseia sua relevância no mundo na defesa do multilateralismo. Se um agressor destrói completamente a eficácia da ONU (ao ponto de torná-la irrelevante como foi a Liga das Nações antes da 2ª Guerra):
- A neutralidade deixa de ser estratégica e passa a ser perigosa. Sem o escudo do Direito Internacional, o Brasil ficaria vulnerável em um mundo onde "o forte faz o que quer e o fraco aceita o que deve". Nesse cenário, o pragmatismo exige que o país se alie à coalizão que tenta restaurar a ordem.
* O Dilema Atual:
No caso da Ucrânia, o Brasil tenta equilibrar-se sob o argumento de que a linha vermelha "ainda não foi cruzada" a ponto de exigir o abandono da neutralidade, tratando o conflito como uma guerra territorial clássica, e não como um evento apocalíptico para a ordem global.
- Nota de Reflexão: O grande risco do "pragmatismo frio" é que ele costuma esperar que a tragédia atinja proporções irreversíveis para só então agir, perdendo a chance de prevenção moral que você defende.

Fonte (IA Gemini):

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Foi mencionado que o Brasil também deveria reler a Carta [da ONU]. O envio de apoio militar direto (armas) por parte de um país do Sul Global como o Brasil seria o passo necessário para cumprir esse "dever moral"? Ou existem outras formas de "abandono da neutralidade" que seriam mais eficazes?

A questão de como um país como o Brasil pode abandonar a neutralidade sem necessariamente se tornar um beligerante direto é complexa, mas o Direito Internacional e a prática diplomática oferecem um "cardápio" de ações que vão além do simples envio de armas.
Se aceitarmos o seu argumento de que existe um dever moral e um respaldo no Artigo 51, o abandono da neutralidade poderia ocorrer de forma gradual e multifacetada:
1. O Alinhamento Diplomático e Retórico Incisivo:
O Brasil hoje vota condenando a invasão, mas suas declarações oficiais frequentemente buscam "equilibrar as culpas". 
- Ação: Abandonar a falsa equivalência. O Brasil poderia declarar formalmente que um Estado é o agressor e o outro o agredido, retirando o apoio diplomático que serve de "oxigênio" político para o invasor em fóruns como o BRICS ou o G20.
2. Sanções Econômicas e Financeiras:
Atualmente, o Brasil alega que só adota sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU (que são raras devido ao veto). 
- Ação: Adotar sanções autônomas contra o patrimônio de oligarcas e empresas ligadas ao esforço de guerra do agressor. Isso atingiria o "caixa" da guerra sem disparar um único tiro, demonstrando que a agressão tem um custo econômico real.
3. Apoio Logístico e Tecnológico (Dual-Use):
O Brasil possui uma indústria de defesa e tecnologia aeroespacial de ponta. 
- Ação: Em vez de enviar mísseis, o Brasil poderia fornecer inteligência geoespacial (via satélites), sistemas de monitoramento de fronteiras ou tecnologia de comunicação criptografada. Isso fortalece a defesa da parte agredida sem necessariamente colocar "armas letais" brasileiras no campo de batalha, embora politicamente seja um abandono definitivo da neutralidade.
4. Assistência Humanitária de Grande Escala e Reconstrução:
Muitas vezes, o suporte moral se manifesta na capacidade de sustentar a população agredida.
- Ação: Estabelecer hospitais de campanha de última geração ou assumir o compromisso de reconstruir infraestruturas críticas (como escolas e hospitais) antes mesmo do fim do conflito, sinalizando que o Brasil aposta na vitória e na continuidade do Estado agredido.
* A Eficácia do "Sul Global":
A adesão de um país como o Brasil ao lado da parte agredida teria um peso simbólico imenso. Quando o Brasil se mantém neutro, ele permite que o agressor venda a narrativa de que "apenas o Ocidente (OTAN/EUA) é contra a guerra".
Se o Brasil rompe a neutralidade, ele quebra essa narrativa, mostrando que a oposição à invasão não é uma questão de geopolítica ocidental, mas de defesa universal da legalidade internacional.
* Onde mora o perigo para os pragmáticos?
O argumento contra essas ações é que o Brasil se tornaria "alvo" de retaliações econômicas (como o corte de fertilizantes russos para o agronegócio). No entanto, como você bem pontuou, a diplomacia não deveria ser apenas contabilidade de insumos, mas a projeção dos valores de uma nação.

Fonte (IA Gemini):

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A sociedade brasileira estaria disposta a aceitar um custo econômico (como o aumento do preço dos alimentos) em nome desse cumprimento do dever moral de socorrer a Ucrânia?

A resposta curta, sob uma ótica sociológica e política, é provavelmente não. No Brasil atual, o pragmatismo do "bolso" costuma atropelar o idealismo da "toga".
Para entender por que esse dever moral enfrenta tanta resistência na prática, precisamos olhar para três fatores críticos:
1. A Vulnerabilidade do Prato de Comida:
Diferente de países europeus ou dos EUA, onde o debate sobre a Ucrânia é central, no Brasil a percepção de segurança é interna (criminalidade e economia). O Brasil é o maior exportador de alimentos do mundo, mas depende criticamente dos fertilizantes russos para produzir. Um aumento no preço dos alimentos decorrente de uma postura "moral" seria sentido imediatamente pelas classes mais baixas, tornando o apoio à Ucrânia um "luxo ético" que muitos considerariam impagável. 
2. A Memória da "Equidistância":
A sociedade brasileira foi educada na crença de que o Brasil é um "país de paz" que não deve se meter em "brigas de vizinhos distantes". Pesquisas de opinião, como as do Instituto Questão de Ciência ou consultorias de risco político, frequentemente mostram que o brasileiro médio prioriza a neutralidade para evitar represálias econômicas. A ideia de sofrer inflação para defender a integridade territorial de um país a 10 mil km de distância não possui, hoje, um apelo popular de massa.
3. O Polarismo Político:
Qualquer decisão de abandonar a neutralidade seria imediatamente "partidarizada":
- Se o governo adota o dever moral, a oposição o acusa de submissão aos interesses da OTAN/EUA.
- Se o governo mantém a neutralidade, é acusado de conivência com ditaduras.
Nesse fogo cruzado, o custo econômico vira combustível para crises políticas internas, o que faz qualquer presidente hesitar.
* A Exceção: O Limite da Barbárie:
O único cenário onde essa disposição poderia mudar seria através de uma comoção nacional sem precedentes. Se imagens de atrocidades chocantes (como o uso de armas químicas ou nucleares) dominassem o ciclo de notícias brasileiro, o "dever moral" que você defende poderia superar o cálculo do custo do arroz e feijão. Mas, até agora, a guerra é vista por grande parte da população como um evento trágico, porém geograficamente e economicamente "alheio".
A diplomacia brasileira, ciente disso, utiliza o argumento da "segurança alimentar global" para justificar sua neutralidade, transformando o que você chama de covardia em uma suposta responsabilidade com os mais pobres.

Fonte (IA Gemini):

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Existe algum líder político ou setor da sociedade brasileira (como o agronegócio ou a academia) que teria coragem de levantar essa bandeira moral, mesmo sabendo do prejuízo financeiro imediato?

No cenário atual, é muito difícil encontrar um setor ou líder de peso que levante essa bandeira moral de forma integral, ou seja, aceitando explicitamente o prejuízo financeiro. No entanto, existem nuances e grupos que flertam com essa posição, ainda que de forma fragmentada:
1. Na Academia e no Meio Jurídico:
Este é o setor onde sua tese encontra mais eco. Professores de Direito Internacional e especialistas em Direitos Humanos frequentemente publicam artigos defendendo que a Constituição de 1988 obriga o Brasil a uma postura mais assertiva.
- A "coragem": É uma coragem intelectual. Eles argumentam que a omissão brasileira fere o prestígio do país como defensor da legalidade. Contudo, como a academia não gere o orçamento da União, ela tem o "conforto" de defender o dever moral sem o peso da responsabilidade fiscal.
2. Setores Específicos do Agronegócio (Minorias Modernizantes):
Embora o "grosso" do agronegócio seja pragmático e dependente de fertilizantes, há uma ala focada na sustentabilidade e na imagem internacional. 
- O argumento: Eles temem que a neutralidade brasileira seja vista como "apoio a agressores", o que poderia gerar boicotes aos produtos brasileiros na Europa e nos EUA. Para esse grupo, o dever moral coincide com o interesse comercial de longo prazo (manter os mercados ocidentais abertos). Mas eles raramente pedem o envio de armas; pedem apenas um distanciamento diplomático maior do agressor.
3. Líderes Políticos de Centro e Centro-Direita:
Existem figuras no Congresso (como membros das Comissões de Relações Exteriores) que são mais vocais contra a Rússia, baseando-se em valores de democracia liberal.
- O obstáculo: Mesmo esses líderes recuam quando o debate chega ao ponto de "quem vai pagar a conta?". O sistema político brasileiro é muito sensível à inflação. Propor uma medida que aumente o preço do diesel ou dos alimentos é considerado um "suicídio eleitoral" imediato.
* Onde a Coragem Moral Poderia Surgir?
Historicamente, grandes mudanças na política externa brasileira sob pressão moral só ocorreram em duas situações:
- Pressão Externa Esmagadora: Quando o custo de ficar neutro se torna maior que o custo de tomar partido (ex: a entrada do Brasil na 2ª Guerra Mundial após ataques a navios brasileiros e pressão dos EUA).
- Liderança Messianica: Um líder que decida que seu "legado histórico" vale mais do que a aprovação imediata. Hoje, no entanto, os principais líderes políticos brasileiros (de ambos os lados) veem o BRICS e a relação com o Sul Global como prioridades estratégicas, o que os afasta da sua visão de dever moral em relação à Ucrânia.
* Resumo amargo: O Brasil possui uma "coragem diplomática de baixo risco". O país é rápido em condenar na retórica, mas extremamente lento em agir na prática se isso significar perda de divisas.

Fonte (IA Gemini):

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