Apenas transcrevendo a matéria do jornal da SBT:
Diplomata brasileira pede ao Itamaraty para dar condolências pela morte de Ali Khamenei e apoio ao regime do Irã
Encarregada de negócios de embaixada no país enviou telegrama ao Ministério das Relações Exteriores
Imagem da noticia Diplomata brasileira pede ao Itamaraty para dar condolências pela morte de Ali Khamenei e apoio ao regime do Irã
Nathalia Fruet
Jornal da SBT, 06/03/2026 às 13h25
https://sbtnews.sbt.com.br/colunas/coluna-da-nathalia-fruet/diplomata-brasileira-pede-ao-itamaraty-para-dar-condolencias-pela-morte-de-ali-khamenei-e-apoio-ao-regime-do-ira
A diplomata Cláudia Assaf Bastos disse, em documento enviado ao Itamaraty, nesta quinta-feira (5), que gostaria de assinar um livro de condolências da Embaixada do Irã, em Burkina Faso, pela morte de Ali Khamenei, líder supremo do Irã, morto no sábado (28/2) após ataque dos Estados Unidos e Israel. A coluna teve acesso ao documento.
A encarregada de negócios da embaixada do Brasil no país africano pontua que o livro ficaria aberto até esta sexta-feira, às 11h da manhã, pelo horário de Brasília. Cláudia Assaf diz que se não houvesse orientação oficial iria assinar o documento em apoio ao regime iraniano e lamentando a morte de Ali Khamenei.
O telegrama, segundo diplomatas, expõe o Ministério das Relações Exteriores em um momento em que o governo brasileiro, apesar de ter condenado o ataque, evitou apoiar de forma explícita o Irã.
O presidente Lula tem adotado cautela ao tratar do assunto já que o conflito no Oriente Médio é considerado um teste para o Brics, o grupo de 11 países emergentes ao qual o Brasil faz parte junto com China, Índia, Rússia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Indonésia e Irã. Os Emirados e a Arábia, que não condenaram os ataques, viraram alvo de retaliação do Irã.
Assessores do Itamaraty, ouvidos na condição de anonimato, confirmam que o assunto foi tratado pelo ministro Mauro Vieira e não deve haver resposta formal para a diplomata, mas sim um telefonema chamando atenção da encarregada de negócios da embaixada brasileira.
No telegrama, a diplomata faz defesa do regime islâmico e cobra o governo brasileiro por não ter feito manifestacoes públicas condenando o ato violento que contraria a Carta das Nacoes Unidas.
O SBT News procurou a assessoria do Ministério das Relações Exteriores e aguarda resposta sobre o pedido da diplomata. A encarregada de negócios não se pronunciou.
+ Rússia ajudou Irã a localizar alvos dos EUA no Oriente Médio, diz jornal
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sábado, 7 de março de 2026
Diplomata brasileira pede ao Itamaraty para dar condolências pela morte de Ali Khamenei e apoio ao regime do Irã - Nathalia Fruet Jornal da SBT
Revista Será? n. 700, 6/03/2026: artigos de primeira qualidade
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sexta-feira, 6 de março de 2026
Who Is The Only U.S. President With A PhD? - No Brasil também tivemos pelo menos um...
Who Is The Only U.S. President With A PhD?
Woodrow Wilson
(28th President, 1913–1921) is the only U.S. president to hold an earned Ph.D. He earned his doctorate in history and government from Johns Hopkins University in 1886. Before his presidency, he was a distinguished academic, serving as a professor and as the president of Princeton University.
Key details about Wilson's academic background:
Dissertation: His book, Congressional Government: A Study in American Politics, was accepted as his doctoral dissertation.
Academic Career: Before entering politics, he taught at Bryn Mawr College and Wesleyan University.
Education: He graduated from Princeton University in 1879 and studied law at the University of Virginia.
No Brasil tivemos Fernando Henrique Cardoso, creio que único...
ÁSIA – TEORIAS QUE SURGEM E DESAPARECEM, GERADAS FORA DA REGIÃO. O INTERESSE PARA O BRASIL - Paulo Pinto (Linkedin)
ÁSIA – TEORIAS QUE SURGEM E DESAPARECEM, GERADAS FORA DA REGIÃO. O INTERESSE PARA O BRASIL
Paulo PintoEmbaixador do Brasil aposentado. Percursos diplomáticos diferenciados
Linkedin, March 3, 2026
https://www.linkedin.com/pulse/%C3%A1sia-teorias-que-surgem-e-desaparecem-geradas-fora-da-paulo-pinto-szvqf/
Conforme já afirmado acima, reitero que, no mundo atual, teorias sobre novos paradigmas regionais surgem e desaparecem, substituídas por teses geradas fora da região a que se aplicam, sem que sejam necessariamente contrárias, apenas inovadoras.
Em suma, o mundo aparenta adaptar-se a ordenamentos antigos ou inovadores, onde espaços e redes, compostos por interesses compartilhados, substituem a unilateralidade ditada, até recentemente, pelos EUA.
Em sucessivos exercícios de reflexão aqui publicados, não tenho pretendido apresentar estudos acadêmicos, no sentido de registrar pesquisas de grandes autores, sobre a formação política das partes do mundo onde trabalhei.
Durante o período em que recolhi minhas observações, procurei mapear tendências políticas e identificar atores que a conduziriam. Em retrospectiva, verifico que, por um lado, evoluções políticas não ocorrem necessariamente no âmbito de fronteiras que definem países. Por outro, os atores não são necessariamente os governos, mas, sim, a sociedade que serve e atua como palco e protagonista.
Ademais, as pessoas podem não estar cientes do processo de transformação em curso, durante o qual convivem o velho e o novo, há avanços, resistências, recuos e compromissos. Na prática, acontecem mais consensos do que compromissos.
Japão, China e Índia – Os Gansos e o Pavão
Tendo servido, como Diplomata, por 21 anos na Ásia-Pacífico – Pequim, entre 1982-85; Sudeste Asiático, entre 1986 e 1995, sucessivamente em Kuala Lumpur, Singapura e Manila; e Taipé-Taiwan, entre 1998 e 2006, seguindo para Mumbai, na Índia, entre 2006-09, tive oportunidade de vivenciar a ascensão e queda de teorias sobre novos paradigmas regionais.
Estas surgiram e desapareceram, substituídas por novas teses geradas fora da região a que se aplicavam, sem que fossem necessariamente contrárias, apenas inovadoras. Como ficou, por exemplo, a tese da “revoada dos gansos”, quando o “dragão chinês” e o “pavão” indiano [1] emergiram no cenário internacional?
Cabe recordar, a propósito, que, na década de 1980, acreditava-se que o Japão seria o “ganso” líder, em virtude de bem-sucedido processo de desenvolvimento industrial voltado para exportações. Na medida em que seus produtos vendidos ao exterior se tornassem mais sofisticados e caros, os bens de menor valor agregado teriam sua manufatura, gradativamente, transferida para outros locais vizinhos, na Coréia do Sul, Cingapura, Hong Kong e Taiwan. Estes viriam a tornarem-se novos “gansos” e a formar a tal “revoada” atrás dos japoneses.
O “dragão” chinês, então, não era considerado capaz de ser incluído nesta formação. As justificativas para a decolagem da China, no final do século passado, passaram a ser encontradas em ampla bibliografia sobre a questão de “valores asiáticos” e sua influência no processo dos “flying geese”. Segundo esta forma de pensar, o “hierático universo confuciano”, de origem chinesa, estaria permeando o fenômeno de crescimento da Ásia Pacífico, misturando gansos e dragão numa mesma revoada.
A partir do início do atual milênio, no entanto, o pavão indiano começou a marcar presença neste já eclético bando de aves, todas símbolos de crescimento econômico. Na Índia, contudo, além do pavão, de pouca autonomia de voo, há, em Mumbai, abutres, corvos e muitas - muitas mesmo - pombas que, com o comportamento errático idêntico ao dos demais habitantes do país – os seres humanos - não obedecem a preceito confucionista algum. Tornou-se necessário, portanto, criar discurso ou tese, para explicar o alardeado fenômeno de emergência daquele país no Sul da Ásia.
Assim, o ex- editor da revista “Economist”, Bill Emmott, publicou o livro “Rivals – How the power struggle between China, India and Japan will shape our next decade”, no qual cria abordagem inovadora para explicar a evolução dos países asiáticos, afirmando que as elites deles poderiam ser divididas entre “produtivas” e “parasitárias”.
Nessa perspectiva, ficava resolvida a questão do enquadramento do pavão no fenômeno de crescimento regional, na medida em que se atrelando ao aumento da produtividade das elites dos países dos gansos e do dragão, o animal indiano, agora, se veria livre de sua elite parasita.
Para o observador em Mumbai – onde eu servia e procurava estabelecer parcerias comerciais com o Brasil - no entanto, não caberia adotar – neste universo aviário – a simples postura de um papagaio (ave brasileira, conhecida por sua capacidade de imitação), no sentido de apenas imitar raciocínios gerados em capitais europeias e norte-americanas.
A título de exercício de reflexão, busquei outros enfoques sobre o ressurgimento da influência de civilizações asiáticas, no cenário internacional, sempre com a preocupação de identificar o interesse brasileiro nesse processo.
Deixarei, contudo, de elaborar, neste artigo e seguintes, sobre as dimensões econômica e de segurança da inserção internacional de China e Índia, uma vez que existe abundância de estudos sobre estes assuntos. O foco dos textos a seguir será na “influência civilizacional” daqueles dois países.
Isto porque, é possível concluir que, na medida em que os seres humanos se apropriam de maior riqueza e educação, suas diferenças culturais se tornam mais pronunciadas – não menos. Nesse processo, diferentes grupos perseguem visões distintas de bem-estar, bem como reagem de formas agressivas a ameaças perceptíveis a sua dignidade cultural.
As pessoas, agora, aparecem menos como indivíduos egoístas, voltados para a satisfação material, e mais como seres inseridos em suas respectivas sociedades.
Melhor direcionamento de foco, no que diz respeito à atual emergência da China e da Índia, deveria levar em conta, portanto, que o grande desafio do século atual é o entendimento de como as culturas evoluem, adaptam-se ou permanecem estáveis.
Verifica-se, finalmente, que, na medida em que se consolide a emergência da China e Índia, que possuem laços de vizinhança milenares, bem como se desenvolvam cooperação mais intensa e troca de ensinamentos sobre como administrar seus respectivos processos de crescimento exponenciais, haverá, sem dúvida, impacto significativo no ordenamento político internacional.
Isto ocorrerá, tanto pela maior inserção de ambos na economia mundial, quanto por suas diferentes formas de atrair e influenciar novos e velhos amigos.
Nesse contexto e utilizando a metáfora aviária asiática, proponho, modestamente, que o papagaio verde-amarelo (cores da bandeira brasileira) faça o esforço de pensar um Projeto Nacional Brasileiro, que inclua parcerias com a eficiência e necessidades chinesas e indianas de acesso a insumos para seu continuado crescimento econômico. Para tanto, poderíamos contar com a nossa capacidade de promover o diálogo entre diferentes culturas, bem como procurar soluções comuns para problemas compartilhados, enquanto se busca a geração de benefícios mútuos.
Desnecessário lembrar que ao Brasil interessa ter uma visão própria sobre aquela parte do mundo, pois, no começo, nossa inserção internacional deu-se, com as caravelas de Pedro Alvarez Cabral, no século XVI, na busca da “Rota das Índias”. Mais tarde, também por influência portuguesa – em função da presença de Portugal em Macau - costumes, crenças e saberes de origem chinesa foram introduzidos, logo no início de nossa História, na maneira brasileira de ser.
Reitero que é importante, quando se reflete sobre teorias a respeito do progresso recente de países asiáticos, relembrar-se do descrito no vídeo de referência:
https://youtu.be/L1Svu7P8Pfg?si=zM3rWNNG2bEQpJVw
Le « Bouclier des Amériques », confrérie conservatrice voulue par Trump en Amérique latine pour contrer la Chine - Angeline Montoya, Flora Genoux, Amanda Chaparro (Le Monde)
Introdução necessária (PRA): O presidente Lula, assim que tomou posse, em janeiro de 2023, convidou os dirigentes sul-americanos para uma reunião em Brasília, realizada em maio daquele ano, com vistas a "ressuscitar" a Unasul. Um dia antes recebeu, com todas as honras de visita de Estado (tapete vermelho e subida de rampa no Palácio do Planalto, com guarda de honra etc.), o ditador Maduro, que depois o frustraria nas eleições fraudadas de 2024. Mas a reunião não levou a nada e a Unasul permanece um zumbi, tanto porque a América do Sul, e outras partes da América Latina, viraram à direita em diversos países. Esta reunião que Trump promove na Florida, o "Escudo das Américas" é uma outra tentativa de "integração", a das direitas contra a China e as esquerdas na AL. Cabe acompanhar os resultados dessa reunião, pois eles vão impactar a política externa de Lula para a região. Paulo Roberto de Almeida
Le « Bouclier des Amériques », confrérie conservatrice voulue par Trump en Amérique latine pour contrer la Chine
Le président américain réunit, samedi, des dirigeants conservateurs du continent à Miami. Son administration veut dissuader les pays de la région de coopérer avec Pékin dans les secteurs stratégiques des infrastructures, des télécommunications, de l’énergie et du spatial.
Par Angeline Montoya, Flora Genoux (Buenos Aires, correspondante) et Amanda Chaparro (Cuzco [Pérou], correspondance)
Le Monde, 6 Fevrier 2026, à 16h30
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Les Etats-Unis avaient averti, dans leur stratégie de sécurité nationale publiée en décembre 2025, qu’ils rendraient « plus difficile » l’influence de « concurrents non hémisphériques » dans la région. Autrement dit : qu’ils freineraient l’engagement de la Chine en Amérique latine et dans les Caraïbes. Dans cette logique, le président Donald Trump a convié, samedi 7 mars à Miami, les dirigeants conservateurs du continent à un sommet appelé « Bouclier des Amériques ».
Outre les présidents argentin, Javier Milei, et salvadorien, Nayib Bukele, ceux de la Bolivie, du Honduras, du Costa Rica, du Paraguay, de l’Equateur, du Guyana et de Trinité-et-Tobago, ainsi que le président élu du Chili, José Antonio Kast, qui entrera en fonctions quatre jours plus tard, ont été convoqués en Floride pour discuter de l’« interférence étrangère dans l’hémisphère », de lutte contre le crime organisé et d’immigration, dans l’objectif manifeste de construire un bloc de droite, puisque aucun chef d’Etat de gauche n’a été convié. Le président Trump a repris une initiative lancée en décembre 2025 par M. Bukele et son homologue du Costa Rica, Rodrigo Chaves, pour combattre conjointement le crime organisé. Ils avaient alors convié les autres pays d’Amérique centrale à s’unir à cette stratégie commune.
(...)
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José Márcio Camargo: "Tática de terra arrasada do Irã ameaça juro e inflação" - Anaïs Fernandes (Valor Econômico)
Tática de terra arrasada do Irã ameaça juro e inflação
Efeitos da guerra chegariam ao Brasil já afetado por problemas fiscais, afirma economistaAnaïs Fernandes
Valor Econômico, 6/03/2026
O maior risco para uma disparada no preço internacional do petróleo, o que pode gerar pressão inflacionária no Brasil e no mundo e levar bancos centrais aqui e lá fora a reverem políticas de afrouxamento monetário, é se o Irã decidir adotar tática de terra arrasada, destruindo a sua infraestrutura de petróleo e a do Oriente Médio de forma mais ampla e paralisando o estreito de Ormuz. Essa é a avaliação de José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos e professor da PUC-Rio.
Pelo estreito de Ormuz passa não só volume expressivo do petróleo mundial, mas também fertilizantes, dos quais o Brasil, enquanto potência agrícola, é bastante dependente, observa Camargo. Assim, além dos potenciais efeitos inflacionários com o choque no petróleo e a desvalorização cambial entre países emergentes, por causa da aversão global a risco, o Brasil pode sentir também alta nos preços dos alimentos. Antes dos conflitos no Irã e seu entorno, a Genial esperava que o Banco Central do Brasil iniciasse o ciclo de cortes da Selic com redução de 0,5 ponto percentual (p.p.) na reunião deste mês. Agora, diz Camargo, é possível que o BC comece mais devagar, com 0,25 p.p. Se a guerra continuar e tiver efeitos efetivos no mercado internacional, muito provavelmente o BC vai ter de manter o contracionismo um pouco, afirma. Outro problema é que a guerra chega em um ambiente em que o mundo tem sido mais leniente com desajustes fiscais como o observado no Brasil. Mas, nessa trajetória, em algum momento, dependendo da situação da economia mundial, pode ter uma instabilidade que gere um problema como aconteceu no fim de 2024, alerta Camargo. Veja a seguir os principais trechos da entrevista.
Valor: Como economista, o sr. já viu diversas guerras, inclusive outras no Oriente Médio. Como tem acompanhado o atual?
José Márcio Camargo: Não é uma surpresa, existia uma série de indicações de que poderíamos estar chegando muito perto de uma guerra. Os Estados Unidos deslocaram para o Oriente Médio três navios grandes e quantidade enorme de aviões. Outra coisa importante é o fato de que, efetivamente, existia um risco de o Irã conseguir produzir bomba atômica. Existia uma preocupação também de que o Irã poderia construir mísseis balísticos que pudessem, inclusive, atingir os EUA. Aparentemente, teve um período de negociações que não funcionou, e parece que o presidente [americano Donald] Trump tinha a sensação de que, se ele não atacasse, o Irã, em algum momento, poderia começar a atacar. Os ataques de sábado e domingo passados foram muito fortes, mataram o líder supremo Ali Khamenei, destruíram parte significativa do aparato militar do Irã. Nesse momento, o Irã está no processo de escolha de um novo líder. No domingo, o substituto disse que demoraria um ou dois dias, mas, obviamente, não está acontecendo. Tem quase uma semana e eles não conseguiram escolher, o que é sinal de que eles estão, de alguma forma, negociando e existe algum tipo de problema no processo.
Valor: Quais as consequências?
Camargo: Aumenta o perigo de ter um Exército totalmente acéfalo e que pode começar a tomar decisões como destruir a infraestrutura de petróleo no Oriente Médio e atacar países vizinhos - como já começou a fazer, na verdade. Na minha avaliação, o maior risco é esse, de o Irã adotar um tipo de estratégia de terra arrasada, como a Rússia fez nas invasões napoleônicas e na Segunda Guerra Mundial.
Valor: E os riscos econômicos?
Camargo: É se a guerra continuar por longo período. O que é um problema, porque ninguém sabe o que significa longo período de tempo.
Valor: No caso recente da Venezuela, os EUA fizeram uma ação cirúrgica e pontual.
Camargo: Foi completamente diferente, porque tiraram o [Nicolás] Maduro, mas mantiveram o regime. Os EUA controlam a Venezuela de longe, porque eles estão dispostos a aceitar o fato de que Trump vai controlar o funcionamento da Venezuela. No Irã, não é assim. O Irã tem um regime teocrático antigo, no poder desde 1979. Tem institucionalidade já construída, você não consegue controlar isso a distância. Vai ter de, de alguma forma, entrar no país para redefinir as instituições. Isso é um problema. Trump, pelo que parece, está tentando destruir o máximo que pode, de tal forma que, mesmo que as instituições estejam lá, elas não tenham armas para lutar.
Valor: O que significa economicamente a persistência do conflito?
Camargo: Significa, por exemplo, parar o estreito de Ormuz, por onde passa entre 25% e 30% do petróleo mundial. E não só petróleo, também fertilizantes. É uma rota superimportante para o mundo. Se o estreito ficar fechado por três, quatro meses, provavelmente, o preço do petróleo vai ultrapassar US$ 100 o barril, o que vai gerar efeito inflacionário importante.
Valor: Como os bancos centrais podem reagir a isso?
Camargo: Estamos em um período em que os bancos centrais estão com política de afrouxamento monetário. Ainda que, no primeiro momento, nenhum banco central reverta a sua política, se realmente tiver uma tendência a aumento da inflação devido ao preço do petróleo, os bancos centrais, eventualmente, vão ter de voltar a aumentar juros. Tem o choque inicial do petróleo e eles não vão aumentar juros por causa disso. Mas há as consequências do choque para a economia. À medida que a inflação começa a extrapolar para outros setores - as condições secundárias nesse processo -, os bancos centrais vão ter de voltar a ter uma política monetária mais contracionista. Isso vai depender muito de quanto tempo vai durar essa guerra.
Valor: E quanto ela pode durar?
Camargo: É difícil avaliar o que significa quanto tempo. Três meses é muito? Quatro meses é muito? Dois meses é muito? Na verdade, ninguém sabe. É muito quando começar a afetar a oferta de petróleo efetivamente no mundo. Pode demorar quatro meses, pode demorar um ano, pode demorar só um, dois meses e passar rápido. Depende da capacidade do Exército iraniano de destruir a infraestrutura de petróleo do Oriente Médio. Se fizerem isso como estratégia, vai ser bastante complicado.
Valor: Especificamente para o Brasil, como esses eventos chegam ao nosso BC?
Camargo: O Banco Central brasileiro tem sido bastante contracionista. A taxa de juros chegou a 15% no momento em que a inflação estava próxima de 10%; nós já estamos com inflação de 4%, e a taxa de juros continua em 15%. Ou seja, tem algum espaço para reduzir a Selic. Antes da guerra, nosso cenário era o BC iniciar o processo com uma queda de 0,5 p.p. e continuar. A ideia era que o processo seria acelerando para 0,75 p.p., depois voltaria para 0,5 p.p. e para 0,25 p.p., fechando o ano com 12% de taxa de juros. Se a guerra continuar e tiver efeitos efetivos no mercado internacional, muito provavelmente o BC vai ter de manter o contracionismo um pouco. Ainda assim, acho que o BC vai ter espaço para iniciar o processo de queda. Muito provavelmente - se eu estivesse lá, pelo menos, eu faria - com mais cautela. Vale mais a pena começar com 0,25 p.p. e continuar caso a guerra acabe ou não esteja gerando tantos problemas no mercado internacional. Aí, aumentar [o corte] para 0,5 p.p. é possível. A reação inicial dos mercados [à guerra] foi muito negativa. Tem uma mudança de fluxo em direção aos EUA, em busca de segurança, saindo dos países emergentes, e isso gerou desvalorização cambial importante nas economias emergentes, derrubou ações. Depois, foi um pouquinho melhor. Grande parte do que está acontecendo é volatilidade. Se acalmar ao longo do tempo, pode seguir reduzindo a Selic. Se começar a ficar claro que a Guarda
Revolucionária Islâmica está destruindo a infraestrutura de produção e transporte de petróleo, muito provavelmente, o preço do petróleo vai disparar e gerar uma pressão inflacionária complicada que vai forçar o BC a ser mais cauteloso.
Valor: Outro ator importante para o Brasil nessa história é a Petrobras. Como acha que ela vai reagir?
Camargo: Tem um lado positivo para a empresa, que é o preço do produto da Petrobras aumentando fortemente sem que tenha aumento de custo. Mas, à medida que o preço do petróleo sobe e a Petrobras não aumenta o preço da gasolina, do diesel etc. aqui dentro, começa a trazer problema. Porque o preço do petróleo é mais elevado, mas o preço de venda está parado. Já tem defasagem do diesel ao redor de 16%, e da gasolina, de 14%. Além disso, tem problema complicado com fertilizantes.
Valor: Por quê?
Camargo: Aquela região do Oriente Médio é grande produtora de fertilizantes. E o Brasil é um grande consumidor de fertilizantes. Se esse processo demorar, o Brasil vai começar a ter problemas com fertilizantes e isso vai afetar a produtividade da agricultura.
Valor: Isso pode gerar aumento de preços dos alimentos?
Camargo: Pode ser repassado. Não agora, mas se ficar claro que esse processo vai durar dois, três, quatro meses. Isso aconteceu no início da guerra Rússia-Ucrânia, porque a Rússia também é grande exportador de fertilizantes. Esse é um ponto muito importante.
Valor: O alívio nos preços dos alimentos ajudou muito a desaceleração da inflação no ano passado, né?
Camargo: A inflação do ano passado dependeu basicamente de três coisas: valorização cambial.
Valor: Que estamos perdendo com a guerra.
Camargo: Sim, por enquanto, estamos perdendo. Segundo, safra muito forte, que não vai ser tão boa esse ano; e terceiro, deflação na China, que faz com que a gente importe deflação. Tem um quarto fator menos importante, mas também importante, que é a política monetária extremamente contracionista. Essa combinação foi muito positiva para a economia brasileira. Aliás, todos os países emergentes tiveram valorização cambial e redução das expectativas de inflação ao longo de 2025. O Brasil, na verdade, foi o que menos se apropriou dessa melhora. Teve desinflação, mas não foi tanto quanto poderia ter sido se a política fiscal não fosse tão expansionista.
Valor: Se a alta no preço do petróleo atrapalha a inflação no Brasil, fala-se, por outro lado, que ela pode ajudar no fiscal. No fim, qual é o resultado líquido?
Camargo: Eu acho que mais atrapalha. O aumento do preço do petróleo é bom, por exemplo, para a balança comercial, mas isso é uma coisa importante quando o país está com problema de demanda por dólares. Não é o caso do Brasil, pelo contrário. O Brasil tem superávit importante na balança. Não vai ter uma crise cambial por causa disso. Ficamos muito próximos de uma no fim de 2024 por causa do fiscal. Só não chegamos lá porque a reação do BC foi extremamente importante: aumentou a taxa de juros, prometeu mais altas nas reuniões seguintes, ou seja, conseguiu segurar. Ainda assim, o BC vendeu US$ 30 bilhões no mercado para segurar a desvalorização cambial, quase 10% das reservas. Se continuasse naquela trajetória, teria efeito muito negativo para a economia.
Valor: Além da guerra, quais outros riscos o sr. vê para a economia brasileira neste ano?
Camargo: Estamos em ano eleitoral e isso sempre gera instabilidade. O governo tem sido expansionista do ponto de vista fiscal. Isso compensa, em parte, o contracionismo da política monetária. Existe uma avaliação comum no mercado - que não é a nossa - de que, se, ao longo de 2026, o [pré-candidato] Flávio Bolsonaro começar a mostrar que pode ganhar a eleição, a reação do PT vai ser tornar a política fiscal ainda mais expansionista. E isso poderá forçar o BC a manter a política monetária extremamente contracionista, porque pode gerar pressão inflacionária. Pode gerar também fuga de recursos e desvalorização cambial, em um momento em que tem agora a questão da guerra, que complica a situação.
Valor: Com o que a avaliação de vocês diverge da do mercado?
Camargo: Nossa avaliação é que vai ser uma eleição muito difícil para os dois lados. Não vai estar nada claro o que vai acontecer. A pergunta é como o governo vai reagir. A minha avaliação, particularmente, é que, dada a dúvida em relação a quem vai ganhar, acho que o governo vai ter um pouco mais de cuidado. Ainda que se torne um pouco mais expansionista, acho que não vai ser o suficiente para criar um problema fiscal grave.
Valor: Até porque, como no fim de 2024, o mercado reage...
Camargo: Exatamente. Mas o que temos de um pouco diferente do consenso é que muitos dizem que, mesmo o Lula ganhando, ele vai fazer ajuste fiscal. Nós achamos que não. Nossa avaliação é que, se o Lula ganhar, ele vai continuar com um governo de expansão de gastos. As pessoas [do mercado] têm medo, porque o governo está aumentando a dívida em 3 p.p. do PIB a cada ano e, se continuar nessa trajetória, vamos estar com dívida parecida com a americana daqui uns dez anos. Mas, daqui até lá, muita coisa pode acontecer. Por enquanto, existe certa leniência com a dívida de todos os países. Nessa trajetória, em algum momento, porém, dependendo da situação da economia mundial, pode ter instabilidade que gere um problema como no final de 2024.
Nós, economistas, não sabemos quando vai acontecer, mas sabemos que pode acontecer. O que tem de fazer é minimizar a probabilidade. Só que o Brasil está aumentando a chance de uma crise cambial ou de uma recessão importante devido a crise de dívida.
Tehran called. Moscow didn’t answer - William James Dixon (Royal United Services Institute)
Tehran called. Moscow didn’t answer.
William James Dixon
Royal United Services Institute, March 5, 2026
Russia's Great Liquidation has begun.
Iran appealed to the Kremlin to invoke mutual assistance and activate its air defence systems in Syria. The response? Silence. Radar systems were switched off. Transponders went dark.
Just like Assad. Just like Maduro.
We we are not seeing a resurgent American superpower.
We are witnessing a textbook case of Paul Kennedy’s "Imperial Overstretch." Russia’s strategic commitments have officially exceeded its economic capacity.
To sustain the assault on Kyiv, the outposts are being sacrificed:
Tehran: The cornerstone of Russia’s Middle East architecture liquidating.
Bamako : The 'Africa Corps' logistical artery severed.
Central Asia: China has already moved in.
The Balkans: A strategic window for EU integration is wide open.
Southern Caucasus: Now called the Trump Corridor.
Havana: The next domino in a new 21st-century imperial scramble?
Since 2022, Ukraine has transitioned from a theatre of restitution into a financial and military sinkhole absorbing everthing else. The Kremlin faced the ultimate imperial dilemma: It could afford Ukraine, or it could afford its old empire. It chose Ukraine.
For Western policymakers, this creates a finite 18-to-24 month window. The question is no longer if Moscow will retreat, but who will inherit the strategic assets - the West, China, or chaos?
My full analysis with Maksym Beznosiuk on the anatomy of this collapse is now live with Royal United Services Institute.
👇Link in first comment below.
#Geopolitics #NationalSecurity #RUSI #GlobalRisk #Ukraine #ImperialOverstretch
De uma mudança de regime a uma outra... - Paulo Roberto de Almeida
De uma mudança de regime a uma outra...
The true nature of Russian imperialism
The true nature of Russian imperialism
Between 1940 and 1953, more than 40,000 Estonians were deported to Siberia. Many were executed, tortured, or died because of the brutal labor and inhumane conditions.
The death of Stalin meant a chance to return home for many Estonians… but no one returns from russian camps the same person. And the homeland they left behind no longer existed either. Estonia had been occupied, and for Estonians the suffering and persecution did not end there.
The scars of the Siberian camps do not heal even generations later. Millions of broken lives, destroyed families, people killed or maimed for life - physically and mentally.
On the day of Stalin’s death, it is important to remind ourselves that the subject of Soviet labor camps still receives criminally little attention. We all know names like Auschwitz, Dachau, and Treblinka, but far fewer people have heard of Dalstroy, Vorkutlag, Norillag, or the Karaganda Corrective Labor Camp.
The scale of Soviet repression and crimes is only now beginning to return to the broader public discussion, especially in the context of the war in Ukraine - because the russian repressive system today is not very different from the one that existed under Stalin.
quinta-feira, 5 de março de 2026
Rombo na esperança (Banco master) - Cristovam Buarque (Correio Braziliense)
Rombo na esperança
Cristovam BuarqueCorreio Braziliense, quarta-feira, 4 de março de 2026
O maior de todos os rombos do caso do Banco Master é o rombo na democracia que mostra uma cara de ineficiência, irresponsabilidade, corrupção, desprezo à população e conivência dos eleitos e seus eleitores
Existe um conto na literatura fantástica, do tipo Jorge Luis Borges, em que "um certo homem assalta um banco e corre para um cassino, onde joga todo o dinheiro roubado. Ao perder tudo que conseguiu com o assalto, decide vender o patrimônio do próprio dono do banco assaltado, com o argumento de que usará o dinheiro para salvar a instituição". Parece confuso, mas é como ocorre na literatura fantástica. E no Distrito Federal essa literatura fantástica parece estar virando realidade.
O governo desviou bilhões de reais do Banco de Brasília, o BRB, um banco público e sólido, na tentativa de salvar o Banco Master, uma instituição privada, que oferecia juros de agiota, como se fosse um cassino. Como acontece com todo banco ou cassino sem credibilidade, ao perceberem os riscos, os apostadores se afastaram, e o banco-cassino, começava a dar sinais de que quebraria.
Diante do rombo na transparência que foi imposto pelo sigilo nas investigações, até hoje não se sabe a razão que levou àquela decisão: vontade de ajudar um amigo banqueiro ou algum outro interesse escuso. Quando o Banco Central do Brasil impediu essa tentativa, o governo que depredou o Banco de Brasília apresentou a proposta de vender patrimônio de seus próprios donos, o povo do Distrito Federal, como forma de cobrir o rombo. Parece literatura fantástica, mas há maioria na Câmara Legislativa para aprovar a legislação que vai permitir cobrir um rombo com outro.
Mas, para conseguir os votos necessários, comete-se mais um rombo, nas finanças públicas: aumentar os gastos para empregar pessoas indicadas pelos deputados distritais.
Esse círculo vicioso de rombos provoca mais outro: a vergonha que a população do Distrito Federal passa diante do resto do Brasil. A culpa dessas sucessivas irresponsabilidades no uso do dinheiro e do patrimônio públicos é jogada na omissão dos líderes políticos, intelectuais, empresariais, e por ação espúria de seus deputados distritais. Essa vergonha não é medida em bilhões de reais, mas não é menos grave do que os outros rombos mencionados.
Para completar a fantasia tornada real, a população do Distrito Federal pode reeleger os deputados distritais que acobertaram os sucessivos rombos e eleger para novo cargo o responsável pelo primeiro rombo. Parece absurdo que eles votem para esconder um rombo arrombando mais. Também é absurda a hipótese de que, depois disso tudo, eles possam ser reeleitos por eleitores que sabem que seus deputados distritais são arrombadores, mesmo com a patética desculpa de que arrombam o patrimônio do povo para dar recursos ao governo para salvar o banco arrombado pelo próprio governo.
Como toda literatura fantástica, seu enredo fica difícil de ser entendido. Por isso, é bom relembrar os rombos que os brasilienses estão sofrendo: no BRB para tentar salvar o Master; no patrimônio do Distrito Federal para salvar o Banco de Brasília; rombo na transparência pelo sigilo imposto às investigações; nas finanças do governo do Distrito Federal para comprar com cargos os votos dos deputados distritais; o rombo na dignidade da população do Distrito Federal, vista como conivente com essa sucessão de malfeitos; o rombo na democracia, ao eleger o responsável pelos rombos e ao reeleger os deputados do arrombamento.
Cada um desses rombos tem consequências negativas sobre as finanças e o patrimônio do povo do Distrito Federal, e o maior de todos é o rombo na democracia que mostra uma cara de ineficiência, irresponsabilidade, corrupção, desprezo à população e conivência dos eleitos e seus eleitores. Nossas crianças e os jovens pagarão esses rombos com sacrifícios nos serviços oferecidos pelo governo do Distrito Federal, mas, sobretudo, serão afetados pelo rombo na esperança: na credibilidade do processo de escolha de nossos dirigentes.
*Cristovam Buarque — professor emérito da Universidade de Brasília (UnB)
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