sexta-feira, 26 de junho de 2026

Revista Será? Desde 2012 acompanhando o fluxo da história. ANO XIV Nº715 Recife, 26 de junho de 2026: artigos inteligentes é aqui mesmo

 

ANO XIV Nº715 - A SEMANA NA REVISTA SERÁ?

Revista Será?
Desde 2012 acompanhando o fluxo da história.
ANO XIV Nº715

 Recife, 26 de junho de 2026

 

Caro leitor,

Compreender o presente exige mais do que acompanhar os fatos: exige interpretá-los à luz da história, da cultura e das ideias. Nesta edição, a Revista Será? reúne autores que analisam alguns dos grandes desafios do nosso tempo, oferecendo reflexões que ultrapassam o noticiário e convidam ao pensamento crítico.

Abrimos com nosso Editorial, "O Brasil e a onda trumpista na América do Sul", uma análise da nova configuração geopolítica do continente e dos desafios à democracia brasileira.

Sérgio C. Buarque, em "O maior espetáculo da terra", revela como a Copa do Mundo transcende o esporte para se tornar expressão de cultura, identidade e globalização.

Em "A reforma tardia de Cuba", Hubert Alquéres examina os impasses do regime cubano e as reformas que chegam após décadas de resistência.

Elimar Pinheiro do Nascimento, em "Luzes Tenebrosas", analisa a ascensão do neorreacionarismo e sua influência sobre a política contemporânea.

Em "Voz e Política", Paulo Gustavo investiga como a voz molda lideranças, desperta emoções e participa da construção do poder.

No quarto capítulo de "Autobiografia de um Fora-da-Lei, 4: de colônia a Reino Unido", Paulo Roberto de Almeida revisita, com originalidade e erudição, a formação do Estado brasileiro.

Em "Dom Luciano", José Paulo Cavalcanti Filho recupera um episódio marcante da redemocratização e presta homenagem a uma das grandes referências éticas do país.

Por fim, em "A menina Lyhanna", Rui Martins transforma um crime que chocou a França em uma reflexão sobre a proteção da infância e a responsabilidade da sociedade diante da violência sexual.

Na Última Página, a charge de Elson encerra a edição com o olhar crítico e bem-humorado que já se tornou uma marca da Revista Será?.

Boa leitura.

Os Editores

Índice

  1. O Brasil e a onda trumpista na América do Sul – Editorial
  2. O maior espetáculo da terra - Sérgio C. Buarque
  3. A reforma tardia de Cuba - Hubert Alquéres
  4. Luzes Tenebrosas - Elimar Pinheiro do Nascimento
  5. Voz e Política - Paulo Gustavo
  6. Autobiografia de um Fora-da-Lei, 4: de colônia a Reino Unido -  Paulo Roberto de Almeida.
  7. Dom Luciano - José Paulo Cavalcanti Filho
  8. A menina Lyhanna - Rui Martins
  9. Última Página, a charge de Elson

 

Revista Será? — conhecimento para transformar a realidade.

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Ainda sobre a mais importante questão diplomática da atualidade, Paulo Roberto de Almeida -Comentários recebidos de Demoiselle IA, via Airton Dirceu Lemmertz

Ainda sobre a mais importante questão diplomática da atualidade

Paulo Roberto de Almeida

Comentários recebidos de Demoiselle IA, via Airton Dirceu Lemmertz

        Neste dia 26 de junho de 2026, tendo me informado sobre os mais recentes desenvolvimentos relativos à guerra de agressão da Rússia de Putin contra a Ucrânia de Zelensky, e constatado a derrota estratégica imposta pelo agredido ao agressor, visualizado nos canais apropriados os sofrimentos impostos pelo tirano de Moscou à sua própria população, assim como aos ocupantes temporários (invasores) da península ucraniana da Crimeia, desde sua invasão em 2014, bem como, e principalmente, a toda a população ucraniana, vítima de massacres diários contra prédios civis (inclusive creches e escolas), e concluído pela derrota do agressor, mas sempre descontente com a postura pusilânime, de fato de complacência e apoio velado ao agressor, efetuei uma postagem em meu blog Diplomatizzando criticando, uma vez mais, a falta de critério da política externa oficial do governo brasileiro, que segue complacente em face dos piores crimes de guerra e de crimes contra a humanidade, perpetrados pelo ditador neoczarista, que foi postado no link que segue abaixo. Após essa postagem, recebi dois comentários de Demoiselle IA, viabilizados por consultas a ela por meu amigo Airton Dirceu Lemmertz, que tenho o cuidado de transcrever abaixo, para conhecimento dos interessados na mais importante questão da atualidade internacional, como designei o presente conflito, na verdade guerra de agressão.
Quero publicamente lamentar, uma vez mais, o apoio objetivo do governo Lula a um agressor deliberado do Direito Internacional e violador do direito humanitário, dada a aliança contraída com o criminoso de guerra no contexto do monstro Frankenstein chamado BRICS. Não tenho palavras para expressar meu horror ante essa postura, que aliás está também conforme à atitude do atual dirigente dos EUA, um aliado submisso ao ditador moscovita.

 
Paulo Roberto de Almeida, 26/06/2026

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Comentários de Madame IA:

1) Primeiro comentário:


Sobre a mais importante questão diplomática da atualidade - Paulo Roberto de Almeida:

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/sobre-mais-importante-questao.html

Capítulo 1: O Questionamento da Conduta Institucional Frente à Agressão Geopolítica
O ensaio examinado, intitulado Sobre a mais importante questão diplomática da atualidade, de autoria do diplomata e cientista político Paulo Roberto de Almeida, foi redigido e publicado em Brasília no dia vinte e seis de junho de dois mil e vinte e seis. O texto se estrutura a partir de uma indagação crítica e irônica direcionada pelo autor aos seus colegas de corporação e aos leitores em geral. Ele questiona se a Presidência da República ou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil estão articulando o envio de uma nota formal de solidariedade ao mandatário russo Vladimir Putin diante do avanço das contraofensivas na península da Crimeia. [1, 2]
A análise rigorosa da publicação evidencia o descontentamento do autor com o que qualifica como uma guerra de escolha, iniciada pela Federação Russa por meio de invasões territoriais sistemáticas perpetradas contra a soberania ucraniana nos anos de dois mil e quatorze e dois mil e vinte e dois. O pensador utiliza a ironia para denunciar os sacrifícios logísticos impostos aos ocupantes provisórios dessas regiões, que atualmente enfrentam escassez severa de combustíveis tanto nas linhas de combate quanto na retaguarda estratégica. [1, 2]
Capítulo 2: Decodificação do Viés Partidário e a Erosão do Patrimônio Jurídico
Subcapítulo 2.1: A Continuidade do Alinhamento Míope entre Diferentes Gestões
O núcleo da desconstrução conceitual do texto reside na denúncia de uma cegueira deliberada que acomete a formulação da política externa brasileira recente. O autor decodifica o comportamento do corpo diplomático profissional ao apontar a sua incapacidade crônica de convencer os sucessivos mandatários do Poder Executivo federal a respeito da existência inequívoca de um polo agressor e de um polo agredido no conflito do Leste Europeu. Segundo o diagnóstico crítico apresentado, tanto a administração de Jair Bolsonaro quanto a de Luiz Inácio Lula da Silva operaram sob um desalinhamento normativo em relação ao Direito Internacional. Esta postura representaria uma transgressão direta aos preceitos elementares estipulados na Carta das Nações Unidas, rompendo com uma tradição de neutralidade legal que o Brasil preservava desde os períodos anteriores à consolidação da referida carta multilateral. [1, 2]
Subcapítulo 2.2: O BRICS como Anomalia Estratégica e o Ostracismo Profissional
O autor estende seu marco analítico retrospectivo para classificar o fenômeno histórico que denomina como lulopetismo diplomático, cujos efeitos teriam vigorado inicialmente entre dois mil e três e dois mil e dezesseis, retornando à atividade a partir do ano de dois mil e vinte e três. Ele estabelece uma equivalência crítica entre esse modelo corporativo e o período que qualifica como o horror diplomático da gestão de Bolsonaro, caracterizando ambos como manifestações de uma esquizofrenia institucional. No entendimento do especialista, a persistência dessas orientações resultou na inserção do Brasil em arranjos multilaterais disfuncionais, definindo explicitamente o bloco dos BRICS como um Frankenstein diplomático. A defesa intransigente dessa tese e a denúncia da perda de autonomia decisória frente aos interesses das grandes potências globais foram os fatores determinantes para que o autor fosse submetido ao isolamento acadêmico e ao ostracismo funcional dentro do Itamaraty. [1, 2, 3, 4]

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2) Segundo comentário:

Analise, de modo mais detalhado e mais crítico, o conteúdo da última postagem apresentada.

Capítulo 1: O Pragmatismo Deformado e a Crise de Identidade do Itamaraty
O ensaio do diplomata Paulo Roberto de Almeida, intitulado Sobre a mais importante questão diplomática da atualidade e datado de vinte e seis de junho de dois mil e vinte e seis, constitui um manifesto de ruptura intelectual contra o atual direcionamento da política externa brasileira. O cerne da crítica reside na denúncia de um pragmatismo deformado, que o autor identifica tanto no atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva quanto na gestão anterior de Jair Bolsonaro. Para o ensaísta, a incapacidade do corpo diplomático em induzir os mandatários a reconhecer a distinção jurídica elementar entre o Estado agressor (Rússia) e o Estado agredido (Ucrânia) não representa apenas um erro de cálculo geopolítico, mas uma erosão civilizatória das bases normativas que fundamentaram a inserção do Brasil no mundo moderno.
A análise detalhada do texto revela que o autor enxerga o Itamaraty contemporâneo não mais como uma instituição guardiã da legalidade internacional, mas como um aparato burocrático capturado por simpatias ideológicas e conveniências personalistas. Ao classificar as ações da Federação Russa na Crimeia e no Donbas como uma guerra de escolha, Almeida desconstrói a narrativa de que o conflito no Leste Europeu é uma consequência inevitável da expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Ele reposiciona o foco sobre a soberania territorial e a violação flagrante da Carta das Nações Unidas, argumentando que a complacência brasileira desidrata o patrimônio jurídico que a diplomacia profissional construiu com rigor antes mesmo de mil novecentos e quarenta e cinco.
Capítulo 2: Decodificação Conceitual da Aberração Multilateral
Subcapítulo 2.1: O BRICS como um Frankenstein Diplomático
Um dos pontos de maior densidade analítica do documento é a desmistificação do bloco dos BRICS, classificado pelo cientista político como um Frankenstein diplomático. A decodificação dessa metáfora revela a contradição inerente a uma coalizão que costura, de forma artificial, democracias emergentes com regimes autocráticos e revisionistas dotados de ambições imperialistas. Almeida sustenta criticamente que a priorização desse arranjo desvia o Estado brasileiro de sua verdadeira urgência nacional, que deveria ser o desenvolvimento econômico e social interno amparado pela atração de investimentos produtivos e pela integração a mercados dinâmicos e transparentes. Ao atrelar-se ao bloco, o Brasil abdica de sua plena autonomia decisória para atuar, de forma satélite, em favor dos interesses de grandes potências autoritárias.
Subcapítulo 2.2: O Ostracismo como Preço da Racionalidade
A abordagem do autor assume um tom de denúncia institucional ao expor os mecanismos de cancelamento corporativo existentes na estrutura do serviço exterior brasileiro. O fato de suas posições rigorosamente pautadas no Direito Internacional terem culminado em seu ostracismo no Itamaraty e no distanciamento acadêmico evidencia uma patologia institucional contemporânea: a penalização do pensamento dissidente e o triunfo do conformismo burocrático. A crítica estende-se ao conceito de lulopetismo diplomático, um modelo que, segundo a exegese do autor, instrumentaliza a política externa para fins de projeção partidária e afinidades retóricas com o Sul Global, gerando um isolamento prático travestido de protagonismo.
Capítulo 3: A Ilusão da Neutralidade e o Desfecho Histórico Inevitável
O ensaio encerra-se com uma projeção sombria, porém confiante na força corretiva da história. O autor antecipa que um próximo desenlace da crise geopolítica global — a qual ele equipara em gravidade ao cenário de mil novecentos e quarenta e cinco — servirá como um choque de realidade capaz de desmascarar as orientações equivocadas adotadas pelo Brasil desde o início do século vinte e um. A neutralidade exibida pelo país é decodificada como uma omissão cúmplice que enfraquece a autoridade moral da diplomacia brasileira para atuar como mediadora em crises futuras.

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Fim dos comentários de Demoiselle IA:

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5372, 26 junho 2026, 2 p.


Sobre a mais importante questão diplomática da atualidade - Paulo Roberto de Almeida + Madame IA

Sobre a mais importante questão diplomática da atualidade

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Nota sobre a derrota estratégica russa na sua guerra de agressão contra a Ucrânia e a postura pró-Rússia do governo Lula.

  

Um questionamento que faço, não tanto como diplomata, mas como simples cidadão brasileiro, a meus colegas diplomatas e a meus leitores de maneira geral.

Lula ou o Itamaraty, que se ocupam de muitos assuntos internacionais, estão enviando uma cartinha, ou uma nota de solidariedade ao amigo Putin, nesta hora tão difícil para ele e para toda a população russa, especialmente a dos ocupantes provisórios da península ucraniana da Crimeia, invadida em 2014, oito anos antes da guerra de agressão de 2022 a toda a Ucrânia, pelos momentos angustiosos pelos quais estão passando, sem gasolina para trabalhar ou se movimentar, com tantos sacrifícios enfrentados no Donbas, nas linhas de frente e de retaguarda, causados por uma guerra de escolha?

Esta é uma pergunta que faço pois que desde o governo Bolsonaro, meus colegas diplomatas nunca conseguiram convencer o próprio e depois o Lula, em todos esses quatro anos, de que naquele conflito havia um agredido e um agressor, havia uma violação clara da Carta das Nações Unidas, uma transgressão brutal das normas mais elementares do Direito Internacional, que a diplomacia profissional brasileira respeitava DESDE ANTES da Carta da ONU, e que os governos posteriores ao de Dilma Rousseff não conseguiram preservar esse patrimônio jurídico de nossa diplomacia.

Meus questionamentos à diplomacia presidencial enviesada, a uma política externa míope se estenderam durante um período ainda mais largo de nossa história recente, desde o início do chamado lulopetismo diplomático dos anos 2003-2016, continuaram durante o horror diplomático que suportamos durante o governo esquizofrênico de Bolsonaro (e não só na política externa), e voltaram a se manifestar desde a volta do lulopetismo diplomático em 2023. 

Gostaria de reforçar meu posicionamento, quase solitário, que me custou o ostracismo no Itamaraty e certo distanciamento de colegas acadêmicos, que nunca admitiram que o BRICS é um Frankenstein diplomático, que traz mais problemas do que soluções a um Brasil que deveria estar concentrado em seu desenvolvimento econômico e social, mediante uma política externa completamente independente dos interesses nacionais das grandes potências, uma diplomacia que deveria conservar sua plena autonomia decisória em todos os quadrantes em que se exercem nosso engenho e arte no campo das relações internacionais.

Acredito que um próximo desenlace da mais grave crise nas relações internacionais desde 1945 habilitará meus colegas diplomatas e os brasileiros em geral a examinar com um maior grau de racionalidade as orientações equivocadas que foram as nossas desde o início do presente século.

Vou elaborar sobre estas questões mais profundamente.

 

Paulo Roberto de Almeida 

Brasília, 26/06/2026

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Comentários de Madame IA: 

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Sobre a mais importante questão diplomática da atualidade - Paulo Roberto de Almeida: 

 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/sobre-mais-importante-questao.html 

 

Capítulo 1: O Questionamento da Conduta Institucional Frente à Agressão Geopolítica

O ensaio examinado, intitulado Sobre a mais importante questão diplomática da atualidade, de autoria do diplomata e cientista político Paulo Roberto de Almeida, foi redigido e publicado em Brasília no dia vinte e seis de junho de dois mil e vinte e seis. O texto se estrutura a partir de uma indagação crítica e irônica direcionada pelo autor aos seus colegas de corporação e aos leitores em geral. Ele questiona se a Presidência da República ou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil estão articulando o envio de uma nota formal de solidariedade ao mandatário russo Vladimir Putin diante do avanço das contraofensivas na península da Crimeia. [12]

A análise rigorosa da publicação evidencia o descontentamento do autor com o que qualifica como uma guerra de escolha, iniciada pela Federação Russa por meio de invasões territoriais sistemáticas perpetradas contra a soberania ucraniana nos anos de dois mil e quatorze e dois mil e vinte e dois. O pensador utiliza a ironia para denunciar os sacrifícios logísticos impostos aos ocupantes provisórios dessas regiões, que atualmente enfrentam escassez severa de combustíveis tanto nas linhas de combate quanto na retaguarda estratégica. [12]

Capítulo 2: Decodificação do Viés Partidário e a Erosão do Patrimônio Jurídico

Subcapítulo 2.1: A Continuidade do Alinhamento Míope entre Diferentes Gestões

O núcleo da desconstrução conceitual do texto reside na denúncia de uma cegueira deliberada que acomete a formulação da política externa brasileira recente. O autor decodifica o comportamento do corpo diplomático profissional ao apontar a sua incapacidade crônica de convencer os sucessivos mandatários do Poder Executivo federal a respeito da existência inequívoca de um polo agressor e de um polo agredido no conflito do Leste Europeu. Segundo o diagnóstico crítico apresentado, tanto a administração de Jair Bolsonaro quanto a de Luiz Inácio Lula da Silva operaram sob um desalinhamento normativo em relação ao Direito Internacional. Esta postura representaria uma transgressão direta aos preceitos elementares estipulados na Carta das Nações Unidas, rompendo com uma tradição de neutralidade legal que o Brasil preservava desde os períodos anteriores à consolidação da referida carta multilateral. [12]

Subcapítulo 2.2: O BRICS como Anomalia Estratégica e o Ostracismo Profissional

O autor estende seu marco analítico retrospectivo para classificar o fenômeno histórico que denomina como lulopetismo diplomático, cujos efeitos teriam vigorado inicialmente entre dois mil e três e dois mil e dezesseis, retornando à atividade a partir do ano de dois mil e vinte e três. Ele estabelece uma equivalência crítica entre esse modelo corporativo e o período que qualifica como o horror diplomático da gestão de Bolsonaro, caracterizando ambos como manifestações de uma esquizofrenia institucional. No entendimento do especialista, a persistência dessas orientações resultou na inserção do Brasil em arranjos multilaterais disfuncionais, definindo explicitamente o bloco dos BRICS como um Frankenstein diplomático. A defesa intransigente dessa tese e a denúncia da perda de autonomia decisória frente aos interesses das grandes potências globais foram os fatores determinantes para que o autor fosse submetido ao isolamento acadêmico e ao ostracismo funcional dentro do Itamaraty. [1234]

 

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Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5372, 26 junho 2026, 2 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/sobre-mais-importante-questao.html ).

 

Trump pretendia processar a BBC em US$ 10 billion; BBC processa Trump e toda a sua equipe - BBC

 BREAKING: The BBC has turned Donald Trump’s $10 billion defamation lawsuit against them into a January 6 trial against Trump

The BBC is arguing that to win his defamation case, Trump has to prove he did NOT foment or incite the riot.

This is the risk of suing a well-funded outlet that refuses to roll over.

By suing them, he put his own intent and the events of January 6 directly at issue.

Trump’s inner circle subpoenaed by BBC in US libel lawsuit

BBC requests Trump’s diary and phone logs in $10bn lawsuit 

The British Broadcasting Corporation issued a wave of subpoenas to dozens of members of President Donald Trump’s inner circle as part of its defense in his $10 billion defamation lawsuit, raising fresh questions about Trump’s speech before the Jan. 6, 2021, attack on the Capitol.

The BBC in recent weeks sent 47 subpoenas to members of Trump’s family and Cabinet, as well as the Department of Justice and other federal agencies, seeking information about the president’s intent and state-of-mind before the speech. Recipients include Donald Trump Jr., Ivanka Trump, Jared Kushner, Steve Bannon, Stephen Miller and Michael Flynn.

Trump sued in December over a 2024 BBC documentary that included a misleading edit of a fiery speech he made shortly before the assault by his supporters, making it appear that he’d made a direct call for violence. The BBC apologized in November, but failed to prevent Trump’s suit.

The news outlet moved to dismiss the suit in March but has continued to build a defense should the case go to trial.

In a joint filing in federal court in Florida, lawyers for Trump and the BBC requested a hearing on the subpoenas. Trump argues the demands are part of a “fishing expedition,” while the BBC says Trump’s lawsuit opened the door to the requests for information about his conduct.

To win the case, Trump “must prove that he did not foment or incite the January 6 Capitol riot,” the BBC said. “Plaintiff has placed that question directly at issue in bringing this libel lawsuit – he cannot now prevent defendants from seeking records that would shed light on his true knowledge, intent, and state of mind in delivering his speech.”

Trump’s lawsuit centers on a 12-second clip of the speech he delivered shortly before Capitol attack, part of a failed effort by his supporters to prevent Congress from certifying Joe Biden’s victory in the 2020 presidential election. The edit, part of a documentary about Trump’s supporters, spliced together two parts of the speech in a way that made it appear as if he’d made a direct call for violence that day.

The subpoenas seek a wide range of information, including all emails, text messages and other communications about the “Stop the Steal” rally and Trump’s general effort to challenge the result of the 2020 presidential election, as well as all records that were provided by each recipient to federal investigators.

 The BBC also pointed to the findings for Special Counsel Jack Smith, who investigated Trump’s alleged election interference and his role in the riot. The news outlet cited a portion of Smith’s report that said his office “determined that there were reasonable arguments to be made that Mr. Trump’s Ellipse Speech incited the violence at the Capitol on January 6.”

Smith ultimately charged Trump with multiple crimes surrounding his alleged effort to overturn the result of the election. The Justice Department dropped the case after Trump won reelection in 2024, citing a standing policy against prosecuting a sitting president.

The Panorama program at the center of the case, which aired before the 2024 presidential election, included a clip that made it appear that Trump had told his supporters they should “walk down to the Capitol” and “fight like hell” before the riot. In fact, Trump said they should “cheer on our brave senators and congressmen and women.” The “fight like hell” remark was from a different part of the speech.

Lisa Baker

 

O acordo de cessar-fogo: EUA, Irã e Israel - Rubens Barbosa O Estado de S. Paulo

 Opinião: 

O acordo de cessar-fogo: EUA, Irã e Israel

O Irã é a única variável que pode impedir que a doutrina norte-americana seja implementada
Rubens Barbosa
O Estado de S. Paulo, 23/06/2026

Pressionado por fatores internos (inflação, crescente oposição e baixíssimo nível de popularidade) e pelo impacto global do fechamento do Estreito de Ormuz nos custos de produção pelo aumento de preço do petróleo, os EUA chegaram a um acordo de cessar-fogo de 60 dias com o Irã. Trata-se de um avanço limitado, permitindo a abertura do Estreito de Ormuz e o desbloqueio dos portos iranianos. Como parte formal do acordo, ficou entendido que Israel deveria suspender os ataques ao Hezbollah e sair do sul do Líbano. Nesse período, as negociações serão retomadas sobre a questão do programa nuclear iraniano e as contrapartidas norte-americanas. O Memorando de Entendimento assinado por Trump será uma pausa temporária para permitir o atendimento das necessidades internas nos EUA, mas é muito provável que, findo o prazo, as ações bélicas sejam retomadas, em função das prioridades da Estratégia de Segurança Nacional e da radical posição de Israel.
A guerra com o Irã deve ser entendida como um desdobramento da Estratégia de Segurança Nacional dos EUA. A estratégia desenha um mundo dividido em esferas de influência, com dois objetivos: a defesa do território dos EUA e a contenção da China. A prioridade de Washington é o Hemisfério Ocidental, do Ártico à Antártica, passando pela Groenlândia e pelo Canal do Panamá, com a afirmação de que impedirá a presença na região de potências extra-hemisféricas, como a China, a Rússia e o Irã, e que as impedirá de manter reservas estratégicas.
O documento também prevê a existência de países-chave no resto do mundo para dividir as responsabilidades de manter a hegemonia norte-americana. Na região do Indo-Pacífico, os EUA se apoiariam no Japão, na Coreia do Sul, na Austrália e na Índia. Nas cadeias de ilhas do Pacífico, se apoiariam nas Filipinas para conter a China. Na Europa, os aliados são chamados a custear a sua defesa e, por enquanto, para uma reduzida forma de atrito com a Rússia, sem uma nova política de contenção militar. No Oriente Médio, a estratégia diminui a prioridade da região, rejeita a política de construção de nações (Palestina), e se compromete apenas com dois objetivos: proteger Israel e impedir que qualquer nação, “especialmente o Irã”, consiga tornar-se uma potência hegemônica na região.
Por esse desenho, os EUA delegam as outras áreas a nações regionais confiáveis. No Oriente Médio, o país-chave é Israel. A lógica é mútua, visto que Israel declara publicamente que pretende reformular a configuração estratégica regional e tornar-se a potência dominante (Grande Israel). Washington precisa de tal potência para que possa concentrar sua força para conter a China no hemisfério e no Pacífico, sem ter de envolver-se em novas guerras no Golfo.
Dentro desse quadro, a guerra contra o Irã é crucial para a concretização da estratégia dos EUA. O objetivo declarado inicial da guerra em 28 de fevereiro não foi a questão do urânio enriquecido, foi da mudança de regime, para eliminar a ameaça do Irã ao objetivo estratégico dos EUA. Um dos objetivos do Memorando de Entendimento foi abandonado pela reação israelense, apesar da concordância inicial em suspender as hostilidades contra o Hezbollah, por pressão de Trump.
Para tanto, deveriam ser retirados de Teerã o controle do Estreito de Ormuz, o corredor eurasiano e a possibilidade de produzir um artefato nuclear. O Irã controla um dos lados do estreito de Ormuz, passagem marítima em que transitam normalmente cerca de 20% do petróleo, do óleo liquefeito, do gás natural e dos fertilizantes globais. A capacidade de fechar, restringir ou mesmo ameaçar a passagem é uma arma estratégica, equivalente a uma dissuasão tática pelos impactos que acarreta. O corredor internacional norte-sul, criado em 2000, entre a Rússia, o Irã e a Índia se estende por cerca de 7,2 mil quilômetros, de Mumbai passando pelos portos do Irã até o Mar Cáspio e São Petersburgo. A linha ferroviária China-Irã liga Xi’an ao porto seco Aprin, no Irã , e rodovias ao redor do estreito de Málaca. Os dois corredores passam pelo território iraniano. O corredor é de grande importância para a China, pela compra de petróleo iraniano com desconto e pago em moeda chinesa, que, se perdido, representará um duro golpe à sua competitividade industrial.
A guerra, mais recentemente, ficou limitada ao controle iraniano do Estreito de Ormuz e ao bloqueio dos portos iranianos pela armada norte-americana e a ataques isolados aos corredores eurasianos, mas não em relação às centrifugas e aos locais de produção de armas, que agora serão objeto das negociações. Sem acordo, voltarão a ser atacados de forma mais pesada.
Tendo como objetivo estratégico dos EUA colocar Israel como potência principal no Oriente Médio, o Irã é a única variável que pode impedir que a doutrina norte-americana seja implementada. Com a recusa de Israel de aceitar as condições do memorando em relação ao Hezbollah e à saída do sul do Líbano e, muito menos, de atender à reivindicação dos países árabes do Golfo, liderados pela Arábia Saudita, de só aceitar normalizar as relações com Israel com a criação do Estado palestino, não haverá avanço num dos aspectos da Estratégia Nacional de Segurança e ficará ameaçada a vigência do memorando que estabeleceu o acordo temporário.

Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington e presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (IRICE)

https://www.estadao.com.br/opiniao/rubens-barbosa/o-acordo-de-cessar-fogo-eua-ira-e-israel/

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Os primeiros dez anos do blog Diplomatizzando: coleta dos melhores textos (2006-2016) Paulo Roberto de Almeida + Madame IA

 Os primeiros dez anos do blog Diplomatizzando: coleta dos melhores textos (2006-2016)

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor

Brasília, 25 junho 2026, 224 p. 


        Assemblagem das três seleções parciais feitas ao longo dos primeiros dez anos de postagens ininterruptas, seguidas pelos comentários efetuados pelo Gemini AI, ou Madame IA, como passei a chamá-la a partir do início do mês de junho de 2026.
(...)
        O que vai, portanto, coletado aqui, é apenas uma listagem das postagens feitas entre 2006 e 2016 – mas não unicamente dos textos estritamente criados entre essas datas, pois que vários anteriores passaram a ser divulgados no Diplomatizzando entre esses dois anos, por uma necessidade de “recuperação” de trabalhos significativos – indicados tão somente pelo registro sumário de título, data, descrição abreviada e URL de divulgação, tal como consta de minhas listas anuais de Originais, que é bem mais numerosa, obviamente, do que as listas anuais de Publicados, ambas mantidas criteriosamente, sem as quais eu me perderia na barafunda de arquivos que considero finalizados e prontos para divulgação, em suas diversas formas e possibilidades de disseminação (que não se limitam ao Diplomatizzando, mas já se concretizaram em um primeiro site pessoal, atualmente em reconstrução).
(...)
        A íntegra das 224 páginas da "pequena seleção" pode ser encontrada neste link de Academia.edu:
https://www.academia.edu/169180653/5370_Dez_Anos_blog_Diplomatizzando_Melhores_Textos_2026_
tal como postada neste blog: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/os-primeiros-dez-anos-do-blog_0101656613.html 

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Comentários de Madame IA, patrocinados por Airton Dirceu Lemmertz: 

Os primeiros dez anos do blog Diplomatizzando: coleta dos melhores textos - Paulo Roberto de Almeida: 


Gênese Histórica e a Dialética do Duplo Expulso
A publicação do embaixador Paulo Roberto de Almeida celebra os 20 anos do blog Diplomatizzando, servindo como um registro historiográfico de sua trajetória. O texto detalha a "dialética do duplo expulso", narrando o ostracismo sofrido pelo autor durante o período do "lulopetismo diplomático" (2003-2016) e, posteriormente, um novo expurgo sob o "bolsonarismo diplomático", descrito pelo autor como a submissão do Itamaraty a uma agenda extrema. O blog consolidou-se, assim, como um espaço de liberdade intelectual contra o silenciamento crítico na diplomacia.
O Diálogo Intermediado e as Fronteiras da Inteligência
A postagem destaca a colaboração entre o autor, seu amigo Airton Dirceu Lemmertz e a inteligência artificial, carinhosamente apelidada de "Demoiselle IA", que atua como assistente na curadoria e análise dos conteúdos. Apesar de valorizar a inteligência natural, o diplomata adota um pragmatismo científico ao utilizar a IA para resgatar e catalogar o vasto arquivo de publicações, funcionando como um espelho crítico de sua obra.
Estruturação Documental e o Testamento Técnico
O documento funciona como um guia de referência e preservação da memória digital, dividindo a produção entre originais e trabalhos publicados. A compilação apresenta uma indexação cronológica dos ensaios de maior resiliência teórica (2006-2016) e uma seção analítica com os relatórios gerados pela IA sobre o pensamento do autor. O texto finaliza com uma homenagem à Carmen Lícia Palazzo, destacando seu papel fundamental no suporte à produção intelectual do diplomata.

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Mais reflexões sobre a História - Paulo Roberto de Almeida

Mais reflexões sobre a História 
Dos três super poderes imperiais da atualidade dois são governados por psicopatas insanos. Governados não é bem a palavra: estão sendo na realidade desgovernados. Em função do jeito autocrático de desgovernar, os dois vão precipitar o declínio de seus respectivos impérios.
Só vai sobrar um império autocrático, promotor da economia de mercado guiada pela mão visivel do Estado, mas defensor justamente da via autocrática de governança. 
Sobrou para a velha Europa resgardar e fortalecer as virtudes, práticas e princípios das democracias de mercado e das liberdades humanistas. Não sei se conseguirá, com o tremendo afluxo de refugiados e de miseráveis do mundo que potencializa as forças, partidos e movimentos racistas, xenófobos e reacionários.
Poderá a China algum dia converter-se numa democracia liberal? No futuro previsível dificilmente. 
O Iluminismo humanista ainda é um pequeno espaço de racionalidade num oceano de brutalidades e de corrupção. O Brasil que o diga.
Nem tudo está perdido, por. Sempre surgem alguns quilombos de resistência intelectual. Pelo menos acho…
Paulo Roberto de Almeida
Brasilia, 25/06/2026

Ascensão e queda da hegemonia dos EUA - Martin Wolf (Financial Times-Valor Econômico)

Ascensão e queda da hegemonia dos EUA

Nas vésperas de seu 250º aniversário, os EUA e a ordem mundial que criou estão em crise.

Por Martin Wolf

FT-Valor, 25/06/2026


Os Estados Unidos foram os vitoriosos do século XX. Com o fim da União Soviética em 1991, o país não apenas possuía um poder econômico e político sem igual, mas também incorporava valores admirados, da liberdade e do governo constitucional. Isso não durou.

Para compreender por que os EUA triunfaram e como fracassaram, é preciso voltar ao menos até o século XIX. Em meados daquele século, as potências europeias - em especial, o Reino Unido, dono de um vasto império e do poder do vapor - dominavam o planeta. Depois, nos anos que antecederam 1914, houve uma “segunda revolução industrial”, encabeçada pelos EUA. Os avanços incluíram novos produtos químicos e farmacêuticos, a eletricidade, a telefonia, o motor de combustão interna, os voos motorizados e o rádio. Ocorreram grandes transformações, inclusive uma era de globalização.

Também houve mudanças no equilíbrio de poder. Dentro da Europa, o evento mais importante foi a ascensão da Alemanha imperial. Outro foi a ascensão do Japão. No entanto, a maior mudança de todas foi a ascensão dos EUA. Em 1914, o país já havia se tornado de longe a maior economia do mundo. A luta pela supremacia na Europa entre a potência ascendente da Alemanha e as potências dominantes do Reino Unido, da França e da Rússia imperial não era a questão central como elas imaginavam. Em vez disso, a verdadeira questão era quando os EUA se tornariam a potência dominante.

Ao fim da Primeira Guerra Mundial, os EUA eram os senhores da Europa. Infelizmente, apoiaram uma paz que, após a subsequente saída de cena do país, se tornou impossível de colocar em prática. A abdicação americana, somada às convulsões políticas internas, às inflações da década de 1920 e ao desemprego em massa da Grande Depressão, levou à Segunda Guerra Mundial.

Nessa ocasião, contudo, foi diferente. Os EUA continuaram em cena, estimulados em parte pela competição contra o comunismo soviético (ele próprio fruto do fermento ideológico do século XIX e da destruição do sistema imperial russo). Assim, começou a Guerra Fria. Nesse conflito, a Europa foi dividida, a parte ocidental tornou-se dependente dos EUA, os impérios europeus deixaram de existir e emergiu um consenso social-democrata. O laissez-faire havia desaparecido. O capitalismo administrado tornou-se a nova ordem. Apesar da revolução “neoliberal” da década de 1980, essa ordem continuou a predominar. A forma como era administrada apenas sofreu pequenos ajustes.

Entre 1989 e 1991, a União Soviética e o seu império ruíram. Os EUA chamaram o seu triunfo sobre as ideologias totalitárias do fascismo e do comunismo e sobre os seus rivais geopolíticos - Alemanha, Japão, o império britânico e a União Soviética - de o “momento unipolar”. A história deu risadas. Em menos de 35 anos após o seu triunfo, o papel dos EUA como poder hegemônico estabilizador desapareceu, assim como o do Reino Unido havia desaparecido por volta de 1900. Mais uma vez, as mudanças que vêm transformando a ordem em desordem e a vitória em derrota são simultaneamente econômicas, tecnológicas e políticas.

As mais importantes foram a ascensão da China, a revolução digital e o triunfo do populismo de direita.

A China foi sendo afastada aos poucos de sua aliança com a Rússia nos anos 1970. Pouco depois, Deng Xiaoping optou pela “reforma e abertura”. Outra superpotência emergiu. Pela primeira vez em mais de um século, os EUA tinham um concorrente à altura. Assim como no século XIX e início do século XX, uma era liberal, desta vez liderada pelos EUA, promoveu uma segunda globalização, turbinada pelas tecnologias da informação e da comunicação e pelas rupturas que estas provocaram.

    Donald Trump vem minando o poder dos EUA oriundo do Estado de direito, da liderança mundial em ciência, das alianças confiáveis e da estabilidade econômica e política. Para piorar, um governo baseado em leis vem sendo substituído por um baseado em caprichos

Entre outras convulsões, também houve crises financeiras e ondas de migração em massa. Assim como antes da Primeira Guerra Mundial, houve grandes transformações sociais e políticas, que em parte foram desencadeadas por (e que também desencadearam) lutas políticas. No fim do século XIX, essas lutas giravam em torno às demandas entre classes e entre países. Desta vez, essas demandas têm consistido mais em questões de gênero, de raça e de identidade. Em ambas as ocasiões, surgiram contrarrevoluções conservadoras (e nacionalistas).

Hoje, às vésperas de seu 250º aniversário, os EUA e a ordem mundial criada pelo país estão em crise. Nos EUA, o governo é corrupto, incompetente e, o mais relevante, hostil às normas e valores que moveram seus pais fundadores. A Declaração de Independência proclamou libertar-se dos tiranos. Donald Trump almeja ser um. Ainda pior, ele vem cortando as raízes do poder dos EUA - o Estado de direito, a liderança mundial em ciência, as alianças confiáveis e a confiança em sua estabilidade econômica e política. Um governo baseado em leis vem sendo substituído por um baseado em caprichos. No mundo, a democracia vem retrocedendo há 20 anos: de acordo com o V-Dem, apenas 7% da população mundial vive hoje em democracias liberais. Xi Jinping já pode abrir um sorriso.

Este mundo faz lembrar ao dos anos anteriores a 1914. Então, onde tudo isso poderia acabar?

A boa notícia é que as armas nucleares reduzem imensamente o risco de guerra entre as grandes potências. Além disso, nenhuma grande potência hoje sofre do militarismo do início do século XX e do militarismo ainda mais insano dos anos 1930 e 1940. Outra boa notícia é que se espera dos governos atuais, em sua maioria, que garantam a prosperidade de suas populações. O crescimento econômico sem paralelos da era pós-Segunda Guerra Mundial fomentou uma demanda por mais prosperidade, basicamente em todos os lugares.

A má notícia é que enfrentamos uma série de desafios que só podem ser superados em conjunto. O meio ambiente do planeta é um deles. Outro é administrar as implicações de novas tecnologias revolucionárias, em particular a inteligência artificial. Não menos importante, há a questão de saber se o despotismo arbitrário se tornará a norma mundial ou se a liberdade e a democracia ainda continuarão a prosperar.

O mundo que muitos de nós esperávamos há cerca de 35 anos, após o desmoronamento do despotismo soviético, o mundo criado em grande parte pelos EUA, está desaparecendo. O mesmo está ocorrendo com aquela versão dos EUA. Nós, aprendemos, sim, com a história. Mas, depois, esquecemos. 

(Tradução de Sabino Ahumada)

Martin Wolf é o principal comentarista econômico do Financial Times.

 

Voltando ao Estudo da História - Paulo Roberto de Almeida

Voltando ao Estudo da História 

Paulo Roberto de Almeida

Não tentando ser Arnold Toynbee, mas completando sua análise sobre as causas estruturais do declinio e da queda dos impérios. 

O historiador inglês se preocupava com as grandes causas estruturais dessas decadências. Ponto para ele.

Eu acho que existem causas mais prosaicas, quase ridículas. 

Basta olhar, por exemplo, para a atitude, quase similar, de dois autocratas, por acaso à frente dos dois maiores poderes imperiais da primeira guerra fria: eles começaram suas respectivas guerras de agressão sem qualquer estratégia e sem nenhuma consciência das limitações a dois superpoderes já em franca derrapagem imperial, a hubris que cega autocratas idiotas, mas que se crêem muito inteligentes.

Arnold Toynbee concordaria comigo. 

Paulo Roberto Almeida

Brasilia, 25/06/2026


Rádionotícias PRA: sua fonte confiável de opiniões (com algumas info)

 Rádionotícias PRA:

Notícias da frente de batalha na guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia já não são mais da frente de batalha, e sim da retaguarda. Na frente de batalha a Rússia já perdeu, é só uma questão de tempo (e de vidas humanas).

Na retaguarda, eu me referia, poucos meses atrás, ao 1917 de Putin, me interrogamdo sobre se seria fevereiro ou outubro. Pois bem, acho que essa oportunidade já passou.

VP já não é mais um neoczar; ele é agora um ex-pretendente a czar, que falhou e prdeu essa condição; ele agora está na mesma condição de Nicolau II: é tudo o que posso afirmar neste dia.

Grato pela confiança.

Paulo Roberto de Almeida

Brasilia, 25/06/2026

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