terça-feira, 28 de maio de 2013

O curral eleitoral do Bolsa Familia e o peso sobre a classe media - Rodrigo Constantino


Rodrigo Constantino
O Globo, 28/05/2013

Todos vimos, chocados, uma turba ensandecida invadindo agências da Caixa em diferentes estados, após rumores de suspensão do pagamento do Bolsa Família.
Impressionou o fato de que a maioria ali era bem nutrida, em perfeitas condições de trabalho em um país com pleno emprego.
Uma das beneficiadas pelo programa, em entrevista, reclamou que a quantia não era suficiente para comprar uma calça para sua filha de 16 anos. O valor da calça: trezentos reais!
Talvez seja parte do conceito de “justiça social” da esquerda progressista garantir que adolescentes tenham roupas de grife para bailes funk.
Não quero, naturalmente, alegar que todos aqueles agraciados pelas benesses estatais não precisam delas. Ainda há muita pobreza no Brasil, ao contrário do que o próprio governo diz, manipulando os dados. Mas essa pobreza tem forte ligação com esse modelo de governo inchado, intervencionista e paternalista.
O melhor programa social que existe chama-se emprego. Ele garante dignidade ao ser humano, ao contrário de esmolas estatais, que criam uma perigosa dependência.
Para gerar melhores empregos, precisamos de menos burocracia, menos gastos públicos e impostos, mais flexibilidade nas leis trabalhistas, mais concorrência de livre mercado e um sistema melhor de educação (não confundir com jogar mais dinheiro público nesse modelo atual).
O ex-presidente Lula criticava, quando era oposição, o “voto de cabresto”, a compra de eleitores por meio de migalhas, esquema típico do coronelismo nordestino.
Quão diferente é o Bolsa Família, que já contempla dezenas de milhões de pessoas, sem uma estratégia de saída? Um programa que comemora o crescimento do número de dependentes! O leitor vê tanta diferença assim?
A presidente Dilma disse que quem espalhou os boatos era “desumano”, “criminoso”, e garantiu que o programa era “definitivo”, para “sempre”. Isso diz muito. “Nada é tão permanente quanto uma medida temporária de governo”, sabia Milton Friedman.
Não custa lembrar que o próprio PT costuma apelar para o “terrorismo eleitoral” em época de eleição, espalhando rumores de que a oposição pode encerrar o programa. Desumano? Criminoso?
Depois que o governo cria privilégios concentrados, com custos dispersos, quem tem coragem de ir contra? Seria suicídio político. Por isso ninguém toca no assunto, ninguém vem a público dizer o óbvio: essas esmolas prejudicam nossa democracia e não tiram essas pessoas da pobreza.
As esmolas estimulam a preguiça, a passividade e a informalidade. Por que correr atrás quando o “papai” governo dá mesada?
O agravante disso tudo é que os recursos do governo não caem do céu. Para bancar as esmolas, tanto para os mais pobres como para os grandes empresários favorecidos pelo BNDES, o governo avança sobre a classe média. É esta que paga o preço mais alto desse modelo perverso. Ela tem seu couro esfolado para sustentar um estado paquidérmico e “benevolente”.
Para adicionar insulto à injúria, não recebe nada em troca. Paga impostos escandinavos para serviços africanos. Conta com escolas públicas terríveis, antros de doutrinação marxista.
Os hospitais públicos também são péssimos. A infraestrutura e os meios de transporte são caóticos. A insegurança é total. Acabamos tendo que pagar tudo em dobro, fugindo para o setor privado, sempre mais eficiente.
Como se não bastasse tanto descaso, ainda somos obrigados a ver uma das representantes da esquerda, a filósofa Marilena Chauí, soltando sua verborragia em evento de lançamento de livro sobre Lula e Dilma.
Chauí, aquela que diz que o mundo se ilumina quando Lula abre a boca, declarou na ocasião: “A classe média é um atraso de vida. A classe média é estupidez, é o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista.”
É fácil dizer isso quando ganha um belo salário na USP, pago pela classe média. Chauí não dá nome aos bois, pois é mais fácil tripudiar de uma abstração de classe.
Mas não nos enganemos: a classe média que ela odeia somos nós, aqueles que simplesmente pretendem trabalhar e melhorar de vida, ter mais conforto material, em vez de se engajar em luta ideológica em nome dos proletários, representados pelos ricos petistas.
Pergunto: quem vai olhar por nós? Que partido representa a classe média? Com certeza, não é a esquerda das esmolas estatais bancadas com nosso suor, que depois ainda vem declarar todo seu ódio a quem paga a fatura.
Perdemos dois ícones da imprensa independente: Dr. Ruy Mesquita e Roberto Civita. Que a chama da liberdade de imprensa continue acesa!

Rodrigo Constantino é economista.

Mapa Estrategico da Industria - CNI

Não quero ser pessimista, mas minha ideia é que as medidas requeridas pela indústria ficarão no tradicional banho-maria no que depender do governo. No que depender dos próprios empresários, elas vão avançar penosamente, num ambiente terrível para os negócios, que teima em continuar horrível.
Paulo Roberto de Almeida

CNI (21/05/2013) - MAPA ESTRATÉGICO DA INDÚSTRIA 2013-2022
 
O Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022 aponta o caminho que a indústria e o Brasil devem percorrer na próxima década para aumentar os níveis de produtividade e eficiência e alcançar um elevado grau de competitividade, respeitando os critérios de sustentabilidade. Resultado dos debates e das contribuições de 520 pessoas, entre empresários, executivos, acadêmicos e presidentes de associações nacionais setoriais e federações de indústrias, o Mapa identifica os dez fatores chave para a competitividade brasileira, que podem ser classificados em quatro grupos.
1. Na base de tudo temos a educação. Uma sociedade educada é essencial na construção de instituições e de um ambiente favoráveis aos negócios. A educação também é o principal insumo para a inovação.
2. A seguir, estão elementos ligados ao ambiente de atuação da indústria, que criam condições favoráveis aos demais fatores. São eles ambiente macroeconômico, eficiência do Estado, segurança jurídica e desenvolvimento de mercados.
3. O terceiro grupo impacta diretamente os custos de produção e dos investimentos, influenciando as condições de oferta. São eles a tributação, o financiamento, as relações do trabalho e a infraestrutura.
4. Por fim, tem-se o fator-chave inovação e produtividade, ligado às competências da empresa industrial.

A seleção dos fatores chave considerou os desafios e as oportunidades proporcionados à indústria pelas novas tendências mundiais, como o rápido crescimento dos países emergentes, os avanços tecnológicos e a mudança do clima.  Também avaliou as transformações recentes do país, como a expansão do mercado interno, as mudanças no perfil da população e o deslocamento da produção para o interior do país. Para cada fator chave, o Mapa aponta uma macrometa, que é o principal resultado a ser alcançado até 2022, e o indicador, cuja evolução mostrará se o país e a indústria estão no caminho da competitividade com sustentabilidade. Os fatores chave se dividem em temas prioritários e objetivos, que indicam as respostas aos principais obstáculos ao desenvolvimento brasileiro. O Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022 também propõe ações transformadoras, capazes de fazer com que o país alcance os objetivos traçados. A proposta é que o Brasil chegue a 2022, ano em que se comemora o bicentenário da Independência, com  uma economia mais competitiva e mais justa. Essa nova edição do Mapa revisa e atualiza os objetivos, metas e programas do Mapa Estratégico 2007-2015, que a CNI apresentou à sociedade em abril de 2005.

CNI APRESENTA AS METAS PARA DESENVOLVER A INDÚSTRIA ATÉ 2022. 
MAIS DE 500 REPRESENTANTES EMPRESARIAIS AJUDARAM A CONSTRUIR O MAPA ESTRATÉGICO DA INDÚSTRIA, QUE DEFINE OS DEZ FATORES-CHAVE CAPAZES DE AUMENTAR A PRODUTIVIDADE DA INDÚSTRIA NOS PRÓXIMOS ANOS. 

Em 2022, ano em que o país completa 200 anos de independência, 2,2% de toda a produção mundial de industrializados será de produtos fabricados no Brasil. Atualmente, a participação dos manufaturados brasileiros no mercado mundial é de 1,7%. Essa é uma das metas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para os próximos dez anos definidas no Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022. Outra previsão feita pelo setor é de que, até 2022, a produtividade média da indústria, que vem crescendo a uma taxa anual de 2,3% nos últimos 20 anos, passe a dar saltos de 4,5% ao ano. A escalada da indústria a esses patamares, no entanto, requer um ambiente mais adequado à competitividade da indústria e do país. É esse cenário que está definido no Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022. O documento, desenhado em conjunto com cerca de 500 representantes empresariais durante nove meses, foi apresentado pela CNI. O Mapa é uma visão da indústria para o país. O lançamento do Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022 tem dois significados. O primeiro, e mais importante, é a reiteração do papel da indústria no processo de desenvolvimento do país. A indústria pode ser maior e melhor. O segundo significado é a crença em uma visão de longo prazo. O setor industrial está formulando uma estratégia sobre o que quer ser e o que precisa fazer. O Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022 apresenta os dez fatores-chave que podem aumentar a produtividade e a competitividade, além de indicar os caminhos para o Brasil aproveitar as oportunidades e vencer os obstáculos que vão surgir na próxima década. O grande desafio é elevar os níveis de produtividade e eficiência, atuando nos fatores-chave de competitividade. O Mapa é uma cruzada pela produtividade. No cenário vislumbrado pelo setor industrial para 2022, a taxa de investimento (formação bruta de capital fixo sobre o PIB) do país vai passar de 18,1%, em 2012, para 24%, em 2022. Já os investimentos em infraestrutura vão saltar de 2,05% do PIB para 5% no mesmo período. A cumulatividade da cobrança de impostos será extinta. Nas relações de trabalho, a meta é que o país passe do 72º lugar para 40º no ranking de relações empregado-empregador do Fórum Econômico Mundial, que compara 144 países. Além desses objetivos, o país contará com melhor educação, um Estado mais eficiente e menos burocrático, entre outras melhorias. Para desenhar o Mapa, o setor industrial considerou as mudanças existentes no país e no mundo nos últimos anos, como os desafios que a inovação e a difusão de novas tecnologias trazem para o setor produtivo, o fortalecimento do mercado interno brasileiro, o crescimento dos países emergentes, entre outros.
DEZ FATORES-CHAVE. O Mapa Estratégico da Indústria está estruturado em dez fatores-chaves capazes de garantir a produtividade e a competitividade da indústria brasileira na próxima década. Esses requisitos foram selecionados por terem impacto relevante e direto na competitividade da indústria e por terem abrangência e durabilidade em termos de ganho de produtividade.

01. EDUCAÇÃO - A educação é a base do Mapa. A indústria precisa de equipes educadas e bem formadas que saibam utilizar melhor os equipamentos, criar soluções para os problemas do dia a dia, adaptar processos e produtos e desenvolver e implementar inovações. A meta do setor é de que, até 2022, o Brasil passe da 54ª posição do ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA/OCDE) para a 43ª. O ranking considera 65 países. Para isso, a nota média deverá passar de 401, em 2009, para 480, em 2021.

02. AMBIENTE MACROECONÔMICO - O país precisa de fundamentos macroeconômicos sólidos que reduzam as incertezas sobre o futuro e gerem confiança para o investidor. A taxa de investimento brasileira hoje é mais baixa que a de outros países emergentes, inclusive da América Latina. A indústria estabeleceu a meta de elevar a taxa de investimento (formação bruta de capital fixo sobre o PIB) de 18,1%, em 2012, para 24%, em 2022. A taxa de investimento média mundial em 2012 é de 23,6%.

03. EFICIÊNCIA DO ESTADO - Uma melhor gestão dos gastos públicos ajuda o país a melhorar a eficiência do investimento público. Para isso, é necessário melhorar a capacidade do Estado de planejar e executar suas políticas e investimentos. Pela previsão da indústria, o Brasil deve aumentar a participação do investimento na despesa primária total do governo federal de 5,8% em 2012 para 8% em 2022. Nos últimos cincos anos, a média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) foi de 8%.

04. SEGURANÇA JURÍDICA E BUROCRACIA - Ter marcos regulatórios definidos e uma legislação com direitos e deveres claros e estáveis aumenta a confiança dos investidores e a competitividade das empresas. A posição do Brasil no ranking Doing Business deve passar da 130ª em 2012 para 80ª em 2022, entre 185 países. Em 2012, países com renda per capita próxima à brasileira apresentaram posições muito superiores, como a Colômbia (45ª), Peru (43ª) e África do Sul (39ª).

05. DESENVOLVIMENTO DE MERCADOS - O Brasil precisa estar integrado à economia internacional, participando de importantes redes globais de valor, o que contribui para gerar mais inovação, para permitir a troca de conhecimento e para agregar valor à indústria nacional. A meta da indústria é que a participação da indústria brasileira na produção mundial de manufaturados passe de 1,7%, em 2012, para 2,2%, em 2022.

06. RELAÇÕES DE TRABALHO - Um mercado de trabalho com um sistema legal e institucional juridicamente seguro e com relações mais adequadas às necessidades da economia aumentam a competitividade das empresas e o desenvolvimento do país. O objetivo da indústria é que de 2012 a 2022 o Brasil passe do 72º lugar para o 40º no ranking de relações empregado-empregador do Fórum Econômico Mundial, que considera 144 países. A nota média brasileira deve passar de 4,26 para 4,70 no período. A nota dos Estados Unidos hoje é 4,66. A mais alta é a da Suiça, 6,07.

07. FINANCIAMENTO - O ritmo de crescimento de uma economia e a competitividade da sua indústria dependem da disponibilidade de recursos para investimento e da capacidade do sistema financeiro de intermediá-los a baixo custo e de forma ampla. A meta é ampliar a capacidade de investimento das empresas. O Brasil deve aumentar a participação de recursos de terceiros no financiamento do investimento das empresas industriais de 34%, em 2012, para 50%, em 2022.

08. INFRAESTRUTURA - Para ter uma indústria cada vez mais competitiva, o país precisa ter uma rede eficaz de transportes que interligue os diferentes modais, além de oferecer disponibilidade de energia, uma estrutura adequada de transmissão de dados em alta velocidade (banda larga) e serviços de saneamento universalizados. Para alcançar esses objetivos, os investimentos em infraestrutura devem passar de 2,05% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2012, para 5%, em 2022.

09. TRIBUTAÇÃO - Uma estrutura tributária simples e transparente aumenta a competitividade da indústria e estimula investimentos. A meta da indústria é zerar a cumulatividade dos tributos no Brasil. O percentual de tributos com caráter cumulativo passaria de 7,7% do total de tributos em 2011 para 0% em 2022. Além do fim da cumulatividade, a CNI defende a redução da carga, a desoneração de investimentos e das exportações e simplificação da estrutura tributária.

10. INOVAÇÃO E PRODUTIVIDADE - Para obter ganhos na produtividade, a empresa precisa investir em inovação. A meta é que a produtividade da indústria brasileira cresça a uma taxa média anual de 4,5% até 2022, contra um crescimento de 2,3% ao ano registrado nos últimos 20 anos. Estados Unidos, França e Japão apresentaram taxa média superior a 3% ao ano no mesmo período. A Coreia do Sul registrou taxa de 8% ao ano.

EDIÇÃO ANTERIOR. Apresentado em abril de 2005, o Mapa Estratégico da Indústria 2007-2015 foi resultado de um cuidadoso trabalho do Fórum Nacional da Indústria que se estendeu por mais de seis meses e mobilizou cerca de 300 representantes empresariais de 60 entidades. O documento foi construído com base no modelo de gestão Balanced Scorecard, da Harvard University, nos Estados Unidos, que permite o acompanhamento sistemático e periódico dos indicadores e metas traçados pela indústria.

MAPA ESTRATÉGICO DA INDÚSTRIA 2007-2015. O Mapa Estratégico da Indústria 2007-2015 revela a visão de futuro dos industriais para o Brasil. Apresentado à sociedade em abril de 2005, o documento define as estratégias e as bases necessárias para o desenvolvimento de uma indústria forte, dinâmica e com participação expressiva no comércio mundial. Aponta, ainda, os indicadores e traça os objetivos, as metas e os programas capazes de consolidar o Brasil como uma economia competitiva, inovadora e inserida na sociedade do conhecimento. Entre as metas estabelecidas para 2015 estão o crescimento de 7% para o Produto Interno Bruto (PIB), a expansão de 6% na produtividade industrial e a redução dos juros reais para 4% ao ano. Além das metas econômicas e das voltadas à modernização e ampliação da infraestrutura e da inovação, há objetivos e indicadores para a melhoria da educação e da qualidade de vida da população. O Mapa foi construído com base no modelo de gestão Balanced Scorecard, da Harvard University, nos Estados Unidos, que permite o acompanhamento sistemático e periódico dos indicadores e metas traçados pela indústria. Assim, é possível identificar os êxitos e os fracassos do país no caminho do desenvolvimento sustentado. O acompanhamento das metas e dos indicadores do Mapa também permite a correção dos rumos e a adequação das ações para que o Brasil alcance as metas traçadas para 2015. Resultado de um cuidadoso trabalho do Fórum Nacional da Indústria, que se estendeu por mais de seis meses e mobilizou cerca de 300 representantes empresariais de 60 entidades, o Mapa orienta a ação política da CNI e o diálogo da indústria com o governo, os parlamentares e a sociedade.

A mentira e a fraude como formas de governo - Dora Kramer


DORA KRAMER
O Estado de S.Paulo, 28/05/2013

Tipo da brincadeira de mau gosto ─ ou manobra malsucedida ─ essa história do boato sobre o fim do programa Bolsa Família, que levou à aflição milhares de brasileiros, provocando corre-corre às agências da Caixa Econômica Federal, gritaria e muita confusão na semana passada.
Sabe-se que na guerra ─ e aqui em jogo esteve a batalha pela sobrevivência ─ a primeira vítima é a verdade. A origem do falatório ainda não está esclarecida, mas a capacidade de uma falsidade repetida tornar-se verdade, se manipuladas as emoções “certas”, é amplamente conhecida embora seja lição ainda não devidamente aprendida por ouvidos sensíveis à armadilha.
A balela correu e por algum tempo convenceu os que se viram no risco do prejuízo. Normalizados os pagamentos que haviam sido adiantados sem maiores explicações pela Caixa, sobram suspeições.
Fala-se de um possível interesse do governo em reafirmar a importância do programa para as famílias que contam com esse dinheiro e da demonstração do potencial de reação à insinuação de que só o PT no poder garantiria a continuidade.
Desconfiança merecedora de pouco crédito, dada sua pouquíssima lógica. Com os instrumentos de propaganda à disposição, o governo teria meios menos traumáticos (e mais seguros) de renovar o “contrato” da identificação do Bolsa Família com Lula e companhia.
É verdade que a arte de fazer uso da versão como substituição do fato não é estranha a esse grupo. Assim como é verdade que a Caixa tem tropeçado na divergência de justificativas sobre as mudanças feitas no sistema de pagamentos aos beneficiários do programa. De onde é bom confiar nos bons propósitos desconfiando sempre das reais intenções.
A ministra Maria do Rosário precipitou-se ao atribuir à oposição a orquestração da boataria. Foi repreendida, mas na realidade seguira a regra que espalha a brasa antes de confirmada a veracidade do incêndio.
Talvez tenha errado na forma: primária, explícita. Haveria outras maneiras mais sutis de criar a desconfiança sobre os adversários do governo. De mentiras bem pregadas há exemplos variados.
Recentemente o ex-presidente Lula admitiu que a Carta aos Brasileiros era, na visão dele, uma peça de ficção na qual não acreditava quando foi convencido de que sua vitória em 2002 dependia da assinatura de um compromisso que só depois viria a perceber que, se não cumprisse, não governaria.
A obra-prima no quesito, no entanto, foi a versão da “herança maldita” legada pelos antecessores. Boato de força incomensurável e o efeito deletério de inscrever uma falsidade na História do Brasil.

Queimando dentistas, ou: o Brasil está ficando um país de barbaros...

Ninguém pode ficar indiferente a esses crimes bárbaros, que revelam, antes de tudo, a desumanidade dos bandidos e a sensação de que eles perderam qualquer temor de punição, deixando, justamente, seus mais bárbaros instintos fluírem livremente, na certeza da impunidade.
O Brasil está virando, ou já se converteu, num país sem lei, sem qualquer justiça...
Paulo Roberto de Almeida

Ladrões ateiam fogo em dentista em São José dos Campos

Crime ocorre um mês após a dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza ter morrido queimada em assalto em São Bernardo do Campo

28 de maio de 2013 | 7h 51
Bárbara Ferreria Santos e Breno Pires - O Estado de S. Paulo
Banheiro queimado dentro do consultório. No chão, havia uma garrafa de álcool e um isqueiro - Reprodução TV Globo/AE
Reprodução TV Globo/AE
Banheiro queimado dentro do consultório. No chão, havia uma garrafa de álcool e um isqueiro
SÃO PAULO - O dentista Alexandre Peçanha Gaddy, de 41 anos, teve seu corpo queimado durante um assalto em seu consultório, em São José dos Campos, no interior de São Paulo, na noite dessa segunda-feira, 27. Ele foi socorrido pela polícia ainda com o corpo em chamas, e foi levado ao pronto-socorro do Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence. Seu estado é grave.
O crime foi cometido um mês e dois dias após a também dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza ter morrido queimada por ladrões dentro de seu consultório, em São Bernardo do Campo-SP. Quatro acusados do crime estão presos. O Conselho Regional de Odontologia de São Paulo cobrou, em nota, "atitudes urgentes e rigorosas por parte do governo e das autoridades de segurança pública". A entidade terá uma reunião nesta quarta-feira, 29, com o secretário para discutir o tema.
De acordo com a Polícia Civil, Gaddy foi resgatado consciente e informou que sofreu tentativa de roubo de dois homens encapuzados, que atearam fogo em seu corpo. Ele foi internado com 60% do corpo queimado, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, e seria transferido para o setor de queimados da Santa Casa da cidade, especializada nesse tipo de caso.
Uma testemunha ajudou a salvar Alexandre. Mauro Lopes Duarte fez o alerta, a tempo de ser feito o resgate. Ele estava passando perto do consultório, na Rua dos Periquitos, 923, na Vila Tatetuba, dentro da Vila Industrial de São José dos Campos.
Há ao menos uma câmera de segurança na frente do consultório. Ainda não se sabe se imagens foram registradas. O crime foi registrado no 1º DP de São José dos Campos, mas a investigação será feita pelo 5º DP.
O delegado seccional de São José dos Campos, León Nascimento Ribeiro, disse que, aparentemente, nada foi levado do consultório. Ele afirmou ainda que bens foram separados pelos bandidos, mas acabaram não sendo levados. Segundo Ribeiro, o dentista afirmou que estava trabalhando no consultório sozinho, em tarefas internas, quando foi abordado pelos criminosos. Gaddy contou que tinha parado os atendimentos ao público às 18h e que o crime aconteceu às 20h58 (veja fotos de como ficou o consultório). "Não temos testemunhas, apenas o relato da vítima", disse o delegado.
Nota. O Conselho Regional de Odontologia de São Paulo cobrou, em nota, o governo do Estado após mais um caso de violência envolvendo dentistas. "Duas tragédias semelhantes no espaço de um mês exigem atitudes urgentes e rigorosas por parte do governo e das autoridades de segurança pública", diz o texto. "As autoridades devem agir com presteza, criando um cinturão de segurança para os profissionais de odontologia, antes que o modus operandi vire prática comum aos criminosos."Nas redes sociais,leitores lamentaram mais um caso de violência hedionda e dentistas demonstraram preocupação com a recorrência dos roubos a consultórios.

Perdao de dividas: la' fora pode; dentro, nem pensar...

Da coluna do jornalista Carlos Brickmann, em 28/05/2013:


Bons, lá fora

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a dívida dos Estados brasileiros com a União não será renegociada. Não há possibilidade sequer de redução de juros. Em compensação, a presidente Dilma Rousseff perdoou a dívida de US$ 900 milhões de 12 países africanos: Congo, Costa do Marfim, Gabão, Guiné, Guiné-Bissau, Mauritânia, República Democrática do Congo, São Tomé e Príncipe, Senegal, Sudão, Tanzânia e Zâmbia.

E por que não há concessões aos Estados brasileiros, enquanto se concede tudo aos africanos? Simples: os africanos talvez votem para colocar o Brasil no Conselho de Segurança da ONU.

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Comentando: engano do jornalista. Mesmo que o Brasil disponha de 180 votos na Assembleia Geral em apoio a suas pretensões, sua aceitação como membro permanente no CSNU só ocorrerá quanto os cinco membros permanentes, o famoso P5, concordar com isso, independentemente de quantos votos existam em qualquer outra instância.
A rigor, a coisa toda só depende de dois membros: EUA e China...
Paulo Roberto de Almeida 

Bondades e trapalhadas economicas companheiras: Brasil vira uma selva de regras contraditorias...

No afã de fazer bondades (geralmente com o dinheiro alheio) o governo dos companheiros está criando uma selva salvática de normas, regulamentos, medidas contraditórias, geralmente improvisadas, na base do puxadinho legal, que dão algo com uma mão enquanto retiram várias outras coisas com a outra mão, às vezes com os pés também.
O Brasil vai ficar um país impossível de ser administrado racionalmente, tantas são as medidas casuísticas, eleitoreiras, trapaceiras.
Paulo Roberto de Almeida

Câmara aprova Medida Provisória que garante redução da conta de luz

Transferência de recursos da Conta de Desenvolvimento Energético fará o pagamento das usinas térmicas; Câmara também analisa hoje a MP que amplia a desoneração da folha de pagamento

28 de maio de 2013 | 13h 48
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Câmara aprova Medida Provisória que garante redução da conta de luz

Transferência de recursos da Conta de Desenvolvimento Energético fará o pagamento das usinas térmicas; Câmara também analisa hoje a MP que amplia a desoneração da folha de pagamento

28 de maio de 2013 | 13h 48
Ricardo Della Coletta, da Agência Estado
 
BRASÍLIA - O plenário da Câmara aprovou nesta terça-feira, 28, a Medida Provisória 605, que permite o uso de recursos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para compensar descontos concedidos a alguns setores e viabilizar a redução da conta de luz.
A transferência de recursos da CDE é para o pagamento das usinas térmicas. Sem esse repasse, fica praticamente inviabilizada a redução da tarifa de energia elétrica, em vigor desde janeiro deste ano.

Apenas uma emenda, proposta pelo senador Francisco Dornelles (PP-RJ), foi aceita na votação da MP 605. Essa emenda determina que as concessões anteriores ao decreto 5.163, de 2004, terão seu prazo de vigência contado a partir da emissão de licença ambiental prévia. Os outros destaques foram rejeitados. Aprovada a redação final, a medida provisória segue agora para o Senado.

Também está encaminhada a votação da MP 601, que estende a vigência do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra) até o final de 2017. Esse regime devolve às empresas parte dos tributos com base no faturamento com exportação. Além disso, a MP 601 amplia a desoneração da folha de pagamentos para os setores da construção civil e do varejo.

As duas MPs ainda precisam passar pelo Senado até segunda-feira, para não perderem validade. Lá, no entanto, ainda não se sabe se haverá tempo hábil para votá-las em razão da promessa feita pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), há cerca de duas semanas, que não mais aceitaria medidas provisórias que chegassem da Câmara com menos de sete dias de validade.
 

Grandezas e tragedias da educacao superior nos EUA: discurso de formatura - Richard Cohen


Richard Cohen
Richard Cohen
Opinion Writer

The richness of learning



President Jones, members of the faculty, assorted notables, proud parents and financially indebted graduates. I come before you on this auspicious day to say something about the degree you have just been awarded. You have been told it is not worth the papyrus it is printed on. I am here to tell you it is worth a fortune.
In preparing for this commencement speech, I assembled a file of newspaper stories about the cost of college, the burden of student debt and how much you can expect to earn in your first year after graduation — assuming, of course, that you can even find a job. The numbers are daunting. Unless you are graduating from one of those name-brand elite institutions — Harvard, Yale, etc. — you’re probably not going to make much your first year out. In fact, we now have many examples ofcommunity college graduates earning more than those with bachelor’s degrees. In Virginia, the difference can be $20,000 a year.


What’s more, people often come out of school burdened with debt — about $24,810 on average, but an astounding $41,230 in Washington, D.C., where many residents have advanced degrees. This is hardly small change, of course, but aside from Washington, we are talking the price of a new car — without the premium package. This is a debt your average young person gladly takes on without whining to Congress. I add that just to provide some perspective and get you riled up.
The figures concerning salaries and debt are not to be dismissed. But they, too, need some perspective. College, after all, is not solely about earning power — although you are forgiven for not knowing this. College, believe it or not, is about education — and that, boys and girls, is not something you can put a number on. Let me give you a word: anthropology.
This is a word I’m not sure I ever heard in high school. But when I got to college, I had to take a year of it to satisfy a science requirement. I did one semester of physical anthropology and one of cultural — and about 40 years of both ever since. I became enthralled with the study of evolution, with paleontology, with my pal Australopithecus africanus and with the “sexing” and “racing” of skulls. Give me a good skull and to this day I can give you the sex and the race of the dearly deceased. I was CSI Cohen before there was CSI anything.
I still keep up with anthropology. I try to stay somewhat current in sociology and psychology, my major and minor before I lost my way and took up journalism — and I do these things not for credit but for fun. College taught me how to have fun with knowledge. It enriched my life in ways that cannot be quantified. I came out of college with a debt, but my real debt was to my professors.
When I wanted to become a writer, I found teachers who showed me how. One of them, John Tebbel, a former newspaperman turned author, took me aside. He praised. He criticized. This is how it’s done, kid. The man changed my life.
See, this is the part of college no one talks about anymore. It’s all about numbers — what it costs and what you can earn. It’s all about a financial investment — how much in and how much out, as if value is always about money. But there’s value in the discovery of fine art or cinema or literature or. . . anthropology. And — very important — you will get an overview of the world, not just your little area but all the rest. This will make you a better citizen, which is nice, and will give you greater control of your life, which is also nice.
About a month ago, a hostess at a dinner party asked the table what college had done for them. Absolutely nothing, one person instantly responded. I braced for a cascade of negativity, but to my surprise it never came. Guest after guest praised their education and how it had made them a richer, happier person. I was gratified.
I know what you’re thinking: It’s fine for you to say, Cohen. You’ve got yours. You’re not poor and scratching for a job. True enough. But you will find truth in the cliche that money cannot buy happiness. This has been the case for thousands of years — or, as I like to put it, since Australopithecus africanus.
You can Google that.
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