quinta-feira, 19 de julho de 2012

Brasil: uma economia (ainda nao) em frangalhos - Rolf Kuntz


Sem fôlego para correr
Rolf Kuntz
O Estado de S. Paulo, 18/07/2012

Ninguém se iluda: o Fundo Monetário Internacional (FMI) é muito menos otimista em relação ao Brasil e a outros emergentes do que parece indicar, à primeira vista, seu novo estudo sobre as perspectivas globais. O relatório destaca a desaceleração das economias brasileira, indiana e chinesa e atribui esse efeito, em parte, à crise internacional e às políticas de ajuste. Mas o recado importante vem depois. Emergentes cresceram acima da tendência histórica na última década, em parte graças à expansão do crédito e ao desenvolvimento financeiro. Mas seu crescimento potencial pode ser menor que o esperado. Nesse caso, seu desempenho será mais fraco no médio prazo. O documento ressalta, ainda, os perigos para a estabilidade financeira, num ambiente de baixo crescimento global e muita aversão ao risco. É uma herança deixada por vários anos de rápido aumento do crédito.
O alerta sobre o risco financeiro parece valer para todos os grandes emergentes, incluída a China, onde houve sinais de formação de uma bolha de crédito nos últimos anos. Mas a observação sobre o crescimento potencial parece aplicar-se principalmente ao Brasil, país com uma taxa de poupança em torno de 16% do Produto Interno Bruto (PIB), investimento inferior a 20% e baixo padrão educacional. A última novidade sobre as aventuras do país mal-educado surgiu nesta segunda-feira: 38% dos estudantes do ensino superior têm dificuldades graves de leitura e de escrita, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Paulo Montenegro em parceria com a ONG Ação Educativa. Desde 2001 as duas entidades têm produzido um Indicador de Analfabetismo Funcional.
A referência ao crescimento potencial é muito mais relevante, no caso do Brasil, do que as projeções de expansão econômica de 2,5% neste ano e 4,6% no próximo. A estimativa do FMI para 2012 é igual à do Banco Central e superior à mediana das previsões coletadas pelo próprio BC na última pesquisa Focus, 1,9%. Essas projeções caíram por 10 semanas consecutivas, até agora, e têm acompanhado a piora de vários indicadores produzidos pelo governo e por entidades do setor privado.
O governo promete resultados melhores neste semestre e um crescimento superior a 4% em 2013. Mas qual será o desempenho econômico possível nos anos seguintes? A resposta depende do alcance da política econômica, por enquanto voltada principalmente para objetivos limitados.
A Fundação Getúlio Vargas divulgou em fevereiro, na revista Conjuntura Econômica, um artigo sobre o produto potencial da economia brasileira. O cálculo pode ser complicado e inseguro, mas ninguém pode simplesmente menosprezar o problema. Nenhuma política voluntarista será sustentável por muito tempo, nem isenta de custos muito altos. Isso é comprovado amplamente pela experiência brasileira. Mais cedo ou mais tarde - frequentemente mais cedo - acaba-se batendo num limite. A consequência pode ser inflação ou crise no balanço de pagamentos ou uma combinação devastadora dos dois efeitos.
A análise resumida no artigo da Conjuntura Econômica indicou um crescimento potencial na faixa de 3,5% a 4% ao ano. Pode-se avançar com maior velocidade durante algum tempo, mas algum desajuste logo tornará necessária uma freada. Em anos recentes, períodos de rápida expansão foram interrompidos por fortes pressões inflacionárias e pela ação corretiva do BC. Fases de intenso crescimento da demanda interna resultaram também na deterioração do saldo comercial. As compras de produtos estrangeiros tendem a crescer em fase de prosperidade econômica, mas, no caso brasileiro, o descompasso entre importações e exportações tem sido muito sensível. Isso ocorreu antes da crise de 2008 e voltou a ocorrer nos últimos dois anos.
Desta vez, a causa principal do descompasso ficou mais evidente: a indústria brasileira tem sido incapaz de competir tanto no exterior quanto no mercado interno. A valorização do dólar, mais de 20% desde o último trimestre do ano passado, foi insuficiente para mudar o quadro. O problema ultrapassa amplamente a questão cambial. Também vai muito além das carências de produtividade, qualidade e inovação das empresas. As principais ineficiências estão fora dos muros das fábricas e das cercas das fazendas. Se esse é o quadro, é um erro insistir numa terapia de estímulos ao consumo e benefícios fiscais de alcance limitado.
Crescimento potencial e capacidade competitiva são denominações do mesmo problema. Além dos economistas do FMI, muitos outros analistas já perceberam os entraves da economia brasileira. Daí o falatório, recorrente nos últimos tempos, sobre a redução das expectativas, no exterior, em relação ao B dos Brics. Mas isso é conversa de quem ainda se preocupa com o PIB. A presidente Dilma Rousseff parece haver superado essa fase.

Argentina: uma economia em frangalhos - Alexandre Schwartsman


O milagre argentino
Alexandre Schwartsman
Folha de S. Paulo, 18/07/2012

Antes, o governo argentino tentava impedir a entrada de dólares; agora, tenta impedir a fuga de capitais
A ARGENTINA, para quem não se lembra, é um país ao sul do Brasil, em cuja seleção joga (e muito) o Messi. Bons vinhos, carne de primeira, Astor Piazzola, Quino e (acima de tudo) Jorge Luis Borges são outros motivos para não nos esquecermos dos vizinhos, já que, economicamente falando, poucas sociedades foram mais cuidadosas no sentido de engendrar sua própria irrelevância.
Para quem não se lembra, a Argentina foi também apontada como uma alternativa à política econômica brasileira (não a de hoje, é bom que se diga, mas a adotada até uns anos atrás), em particular suas tentativas de manipulação da taxa de câmbio.
Certas correntes de pensamento local, para quem tudo se resume ao câmbio (não, não é um exagero meu), apontavam para o Sul como o modelo a ser seguido. Hoje, o silêncio acerca da Argentina ribomba.
Ao contrário do que fazia há tempos, quando tomava medidas para impedir o ingresso de dólares, o governo argentino agora tenta impedir a fuga de capitais, que, pelos números oficiais (sempre um risco), já drenaram US$ 5,5 bilhões das reservas nos últimos 12 meses, uma queda pouco superior a 10%.
No contexto brasileiro isso seria equivalente a uma perda da ordem de US$ 35 bilhões, o que, não tenho dúvida, já teria colocado boa parte dos nossos keynesianos de quermesse em pé de guerra.
Já a inflação, pouco inferior a 9,5% nos 12 meses até junho, segundo os dados oficiais, é estimada pelo sítio Inflación Verdadera na casa de 40%. Apesar disso, nossos agora emudecidos desenvolvimentistas, quando lembrados dos problemas inflacionários platinos, não hesitavam em apontar o forte crescimento argentino como prova definitiva da superioridade da abordagem heterodoxa.
Afinal, a valerem os números do Indec (o IBGE portenho), de 2002 para cá, quando a Argentina superou sua crise, o crescimento médio ficou em 7,7% ao ano, apesar da crise internacional de 2009, um desempenho que, se não é chinês, não seria páreo para a maioria dos países no mundo.
Parece, portanto, que um "poucão" a mais de inflação conseguiria, ao final das contas, comprar um "tantão" a mais de crescimento... Ou não?
Para me certificar sobre a robustez dos números do crescimento argentino, resolvi cruzar os dados relativos ao PIB com os associados à geração de energia. Tenho de confessar certo prazer mórbido nessa investigação, mas os resultados foram mais do que interessantes.
Tomados literalmente, os dados mostram que, em 2004, cada GWh na Argentina correspondia a pouco mais de 12,6 milhões de pesos (a preços de 1993), valor não muito diferente do observado em 2002 e em 2003. Ao final de 2011, porém, cada GWh correspondia a 14,9 milhões de pesos, uma melhora de eficiência energética da ordem de 18%!
Nesse mesmo período, estima-se que a eficiência energética global (PIB/GWh) teria melhorado em torno de 9,5%, pouco mais da metade da evolução argentina.
Obviamente, nada impede que o país tenha conseguido uma evolução superior à global; só cá rumino por qual motivo se preocupariam com isso, dado que as tarifas por lá, por conta de controles de preços, não constituem exatamente em incentivo à economia de energia.
De qualquer forma, meu respeito por crenças e crendices não me permite a palavra final sobre o crescimento argentino. Pode resultar da eficiência platina, mas pode também ser apenas mais em efeito colateral da subestimação persistente da inflação. A decisão final é, como sempre, do leitor.
Só noto (resisto a tudo, exceto à tentação) que o silêncio heterodoxo sobre a Argentina é o veredito derradeiro sobre a tal alternativa de política econômica.
Caso o desempenho argentino pudesse, ainda que remotamente, ser qualificado como um sucesso, pais não faltariam. A orfandade diz muito sobre o que nossos desenvolvimentistas de fato pensam sobre o que por lá ocorreu nos últimos anos.

ALEXANDRE SCHWARTSMAN, 49, é doutor em economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central do Brasil, sócio-diretor da Schwartsman & Associados Consultoria Econômica e professor do Insper.
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Valor do dólar paralelo dispara na Argentina
O Globo, 18/07/2012

Limitação do governo à venda da moeda faz seu valor saltar 10,23% no mercado informal este mês
Do La Nación*

BUENOS AIRES . A política do governo de Cristina Kirchner de limitar a venda de dólares no mercado oficial está fazendo com que o dólar paralelo seja comercializado a valores que equivalem a quase o dobro do oficial. A moeda paralela subiu ontem 3,8% em um dia, para 6,55 pesos na venda. O valor atual é 43% mais alto do que o oferecido em bancos ou casas de câmbio da capital do país, 4,58 pesos.
A velocidade da depreciação do peso no mercado informal contrasta com a trajetória da divisa nos segmentos oficiais: na venda para empresas, o dólar subiu ontem cinco milésimos, a 4,552 pesos, enquanto o valor aplicado para negociações com pessoas físicas teve correção de apenas um centavo, a 4,58 pesos na venda.
O dólar paralelo, que ontem tocou o máximo de 6,6 pesos durante o dia e já avançou 10,23% no mês de julho em relação ao oferecido em entidades financeiras e casas de câmbio, por sua vez, valorizou-se 0,88%, ou quatro centavos, no mesmo período.
Em novembro de 2011, o governo criou uma série de restrições à compra de dólares, que se aprofundaram até o último dia 5 de julho, quando o Banco Central argentino proibiu a aquisição de moeda estrangeira para fins de poupança, o que resultou em uma escalada do preço do dólar no mercado informal.
A avidez pela moeda americana também causou uma fuga de dólares, com investidores realizando operações em bolsas de valores para acumular divisa no exterior. Para conseguir a moeda fora do país, grandes investidores compraram títulos a 6,80 pesos.
Os títulos em dólares continuam sendo uma das alternativas dos investidores para acumular divisas. Depois de passar por vários processos de hiperinflação, os argentinos perderam a confiança no peso.

Venezuela: uma economia em frangalhos (Valor)


Chávez não investe na PDVSA e torna-se mais dependente do petróleo
 Benedict Mander - Financial Times, de Caracas
Valor Econômico, 18/07/2012

Há poucas coisas que o prolixo presidente da Venezuela Hugo Chávez fala mais do que como sua "revolução bolivariana" reconquistou a independência do país ante ao "império ianque". "Precisamos reconhecer que somos os novos libertadores e construtores da nova pátria", disse o ex-comandante de tanque a soldados em uma parada militar neste mês.
Mas o país-membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) continua mais do que nunca dependente de algo menos fácil de ser demonizado pelo exaltado líder socialista - o petróleo. Faltando menos de 100 dias para a eleição presidencial de 7 de outubro, o problema da crescente dependência do petróleo e o histórico de má administração econômica do governo passaram a ser o centro das atenções. "Não há dúvidas. A Venezuela não só está mais dependente do petróleo, como também está mais dependente dos preços do petróleo, uma vez que a produção não aumentou", afirma Jorge Piñon, pesquisador visitante da Universidade do Texas.
A alta dos preços do petróleo desde que Chávez assumiu, em 1999, tem sido uma bênção. Permitiu-lhe aumentar a popularidade com gastos excessivos em programas sociais, para os quais a estatal de petróleo PDVSA canalizou US$ 53 bilhões entre 2006 e 2010.
O problema é que a PDVSA menosprezou os investimentos em seus principais negócios, levando a uma queda da produção - ela aplicou apenas US$ 1 bilhão em atividades de exploração no mesmo período. A Venezuela produziu 2,72 milhões de barris de petróleo por dia em 2011, segundo análise estatística anual da BP, contra 3,48 milhões de barris/dia em 1998. Isso tornou a economia mais dependente da permanência dos preços em alta. "Os preços do petróleo são o calcanhar de Aquiles da economia venezuelana", disse Piñon.
Os preços do petróleo venezuelano atingiram o patamar de baixa de US$ 86,17 o barril no mês passado, após o pico de US$ 116,85 em março. Apesar da fantasiosa previsão feita recentemente por Chávez, de que os preços vão se estabilizar em torno de US$ 100, temores de que novas quedas despertam preocupações com a economia de US$ 340 bilhões da Venezuela, cujo petróleo responde por 95% das receitas de exportações.
A consultoria Capital Economics de Londres calcula que, se os preços do petróleo do tipo Brent caírem a US$ 85 o barril, como esperado, a queda nas receitas da Venezuela com o petróleo será equivalente a 2,5% do PIB.
Isso não deverá afetar a farra nos gastos que Chávez vem empreendendo antes das eleições. Analistas estão cada vez mais preocupados com sua atitude de varrer o problema para debaixo do tapete. "A Venezuela vai precisar de um ajuste significativo no ano que vem, que vai envolver em primeiro lugar a desvalorização da moeda", diz Boris Segura, analista da Nomura Securities. Os gastos também terão que ser significativamente cortados, com menos dólares designados para as importações, o que possivelmente vai agravar a falta de bens básicos, acrescenta.
Paradoxalmente, uma importação que poderá ser pressionada é a de derivados de petróleo. A falta de investimentos pela PDVSA levou a uma queda na atividade de refino e a Venezuela está importando 40.000 barris por dia de produtos petrolíferos dos Estados Unidos, incluindo gasolina, contra 32.000 barris/dia em 2011, segundo dados do governo americano.
Como a gasolina é vendida no varejo a 9 centavos de dólar o galão na Venezuela, ou US$ 5 o barril, mas custa cerca de US$ 200 pelos preços internacionais. A Venezuela está perdendo US$ 2,5 bilhões por ano com esta política, afirma Juan Cristóbal Nagel, um economista venezuelano. Ainda assim, se o governo quiser impedir um agravamento da falta do produto, ele sempre pode recorrer a tomar dinheiro emprestado de países como a China, em troca do fornecimento futuro de petróleo, além de emitir mais dívida.
José Guerra, um consultor econômico da oposição, alerta que o governo está mal preparado para uma queda nos preços do petróleo, e a economia estaria mais bem administrada pela oposição, que entende melhor os mercados.
"Este governo conhece apenas uma maneira de resolver o problema: imprimir dinheiro e se endividar", disse ele. "A Venezuela está extremamente vulnerável."
Guerra calcula que para cada dólar que o preço do petróleo cai, o governo deixa de ganhar US$ 800 milhões em receitas por ano.
Essas preocupações pode pesar sobre as chances de Chávez nas eleições. Uma pesquisa feita pela Consultores 21 entre 15 e 26 de junho mostra que ele tinha um apoio de 45,9% do eleitorado, contra 45,8% para Capriles, embora outras deem ao presidente uma vantagem de dois dígitos.
Chávez não é o primeiro presidente a não conseguir reduzir a pesada dependência que a Venezuela tem do "excremento do diabo", conforme disse em declaração que ficou famosa Juan Pablo Pérez Alfonso, um ex-ministro do Petróleo da Venezuela e membro fundador da OPEP. Ele usou a frase ao prever que o petróleo seria a ruína de sua nação.

Alexandra David-Neel - Carmen Licia Palazzo (NetHistoria)


por Site NetHistória
Bem vindos ao Cliocast, o podcast do Site NetHistória. Nesse segundo programa, tivemos o grande prazer de entrevistar a professora Carmen Lícia Palazzo. Doutora em História pela Universidade de Brasília (UnB), é consultora do PEJ/UnB (Departamento de História) e foi pesquisadora visitante da Georgetown University (Washington, DC). Também é membro da Middle East Studies Association, da Society for the Medieval Mediterranean e da International Society for Iranian Studies.
Palavras-chave: Oriente - Alteridade - Viajante
Qualidade do Áudio: 96kb


quarta-feira, 18 de julho de 2012

Mudancas no mercado mundial de energia - The Economist


World energy markets

A year of change

The Economist, Jun 14th 2012, 10:33 by S.W.
THE world's energy markets in 2011 are like one of those pictures where, depending on how you tilt it, you see two different images. According to BP's annual statistical review of world energy, released on June 13th, all was calm. The world economy grew by 3.7%, roughly the average of the previous decade's expansion. Energy consumption, closely linked to economic activity, grew by 2.5%, much as it has over the past ten years.
But looked at from a different angle, energy markets went through a year of much change, the report also points out. Natural disaster and politics conspired to buffet energy supplies. The Fukushima disaster shut down Japan's nuclear power generators. Oil prices averaged more than $100 a barrel for the year as Libya's civil war and fears over the spread of the Arab Spring hit or threatened supplies. And shifts in the global economy changed consumption patterns. Rich countries again consumed less; so energy demand declined for the third out of the past four years. Developing countries continued to grow fast; the Chinese added an extra 8.8% in GDP—growth which increased the country's energy demand by as much as Britain's entire energy use.
In the BP report, Christof Rühl, the firm's chief economist, describes how the markets responded. Saudi Arabia pumped more crude to make up for Libya, liquefied gas (LNG) bound for Europe went to Japan (where it fetches a far higher price, to make up for the nuclear shortfall) and coal from across the Atlantic plugged Europe's energy gap (where high prices and a warm winter had suppressed demand). America's shale-gas bonanza has led to the rapid substitution of gas for coal in the power sector, freeing up plenty of the black stuff for export.
These shifts show how powerless governments are in the face of big shifts in international energy flows. The European Union, at pains to reduce carbon emissions to preserve the environment, saw them shift down only slightly despite a big drop in energy consumption; cleaner gas disappeared to Japan and power generators were forced shovel more dirty coal from America and Colombia into their furnaces. America, with no such commitments to greenery, saw carbon dioxide emissions fall by 450m tonnes over the past five years, more than in any other country. This was thanks to a rapid switch from coal to gas in power stations, which simply happened because the latter has become dirt cheap. Abundant gas from shale beds is America's golden goose.

Etanol deixa o governo bebado - Andre Meloni Nassar

Na verdade, o governo fica bêbado com várias outras combinações, não exatamente por beber demais, mas por viver desorientado, e sem conseguir fazer um 4 sem se apoiar em maior extração fiscal sobre empresas e indivíduos.
Já era o governo das energias alternativas: agora é o governo das arrecadações recorrentes, e de políticas hesitantes, em ziguezag, como um bêbado, enfim...


A Obra e o Artista
* André Meloni Nassar
O Estado de S.Paulo, 18/07/2012
Não se julga uma obra pela vida do artista. Não são poucos os casos de artistas que fizeram grandes obras, mas tiveram vida pessoal conturbada, que não serviria de exemplo para a maioria das pessoas. Obras de arte falam por si mesmas. É claro que entender o contexto histórico em que o artista vivia, os rumos escolhidos por ele até chegar à obra fina, e até mesmo as experiências vividas pelo artista são fundamentais para se conhecer mais a fundo a obra de arte. No entanto, as influências, as escolhas pessoais, a vida amorosa, os amigos, as relações com a sociedade e até quem financiava o artista não são informações relevantes para se atribuir qualidade, inovação, sofisticação e profundidade a uma obra de arte.
É largamente aceito que Van Gogh se tenha suicidado. A vida sexual de Leonardo da Vinci sempre foi motivo de especulação. Diego Rivera foi famoso por suas inúmeras incursões na infidelidade. Cantores como Cazuza, Cássia Eller e Renato Russo viveram com tamanha intensidade que eu, embora os ouvisse o tempo todo, não recomendaria à minha filha conhecer mais a fundo a vida deles.
Quando vejo, no entanto, uma réplica de Quarto em Arles e da Mona Lisa, uma foto do mural no Palácio Nacional na Cidade do México, ou quando ouço O Nosso Amor a Gente Inventa, O Segundo Sol e Que País é Esse?, não fico pensando nos artistas, apenas nas suas obras.
Será que podemos extrapolar a máxima de que não se deve punir uma obra de arte porque se julga inadequada a vida do autor? Seria correto um governo punir um produto com evidentes benefícios sociais e ambientais porque não está satisfeito com os empresários que atuam no seu mercado? É isso que está acontecendo com o etanol de cana-de-açúcar no Brasil.
Existe uma posição consolidada em setores do governo brasileiro que julgam que o problema da escassez de cana-de-açúcar no País e, consequentemente, da baixa oferta de etanol hidratado são fruto da escolha dos empresários do setor, que, oportunisticamente, investem aquém do necessário, à espera de benesses políticas. Essa visão levou o governo - diante de uma crise que já se desenhava em 2009 e atingiu seu ápice no ano passado - a esticar ao máximo a capacidade de resistência do hidratado no mercado de combustíveis líquidos.
A última decisão foi eliminar a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) que incidia sobre a gasolina, o único incentivo tributário que ainda conferia ao etanol hidratado alguma capacidade de competir nos postos com o combustível fóssil. No mínimo, deixando de lado os benefícios ambientais do etanol, o incentivo tributário deveria existir para equilibrar o diferencial de energia, uma vez que o consumo do hidratado é maior que o da gasolina no motor dos automóveis.
Os carros flex foram lançados no Brasil em 2003. Na ocasião havia uma certa divisão de opiniões no setor quanto aos reais impactos dessa tecnologia na produção futura de etanol e no crescimento da indústria sucroenergética. No lançamento dos carros flex, a experiência do setor era de estagnação da produção por vários anos, já que os carros 100% movidos a etanol hidratado praticamente haviam desaparecido das vendas. Não havia dúvidas de que os carros flex criariam um novo mercado para o hidratado, mas os riscos de produzi-lo e vendê-lo para automóveis flexíveis eram percebidos como mais altos do que vendê-lo para carros dedicados. Embora as perspectivas de demanda fossem favoráveis, o setor sabia que o acesso a esse novo mercado implicaria competir diretamente com a gasolina.
De 2003 até hoje muita coisa mudou. A partir de 2005 o preço da gasolina nos postos ficou praticamente constante em termos nominais, a Cide efetiva sobre a gasolina caiu de um patamar de R$ 0,28 por litro para zero e os custos da produção de etanol aumentaram entre 40% e 50%, também termos nominais. Se no passado o hidratado conseguia chegar aos postos a preços 70% inferiores aos da gasolina, e ainda remunerar os investimentos e pagar os custos de produção, essa situação inexiste na realidade de hoje.
Com a chegada dos carros flex, o consumo de etanol atingiu seu pico no mercado de veículos de ciclo Otto (movidos a gasolina ou etanol) em 2008 e 2009, com participação de 41% (descontando o menor conteúdo energético do etanol). Mas desde 2010 essa participação passou a despencar e deverá chegar ao fundo do poço este ano, com 29%, ou seja, voltando aos níveis do início das vendas de carros flex, embora a frota de veículos flexíveis seja hoje 55% do total. Boa parte dessa redução é explicada por dois anos de queda na produção de cana-de-açúcar, reduzindo fortemente a oferta dos seus produtos finais (açúcar e etanol).
Não há dúvida de que faltam investimentos no setor para permitir uma rápida recuperação da produção de cana, dado que este ano vamos produzir, grosso modo, o mesmo que se produziu em 2008. Mas atribuir esse fato unicamente ao comportamento oportunista dos empresários revela que este governo esqueceu que o etanol é mais importante do que os empresários que o produzem.
Os governos passados, pelo menos, entendiam que o etanol é importante para garantir Link no Glossário segurança energética. Os volumes crescentes de importações de gasolina e etanol indicam que a insegurança parece não incomodar mais nossos políticos. Nem os passados nem os presentes entenderam que o etanol é o único produto capaz de reduzir consideravelmente as emissões de gases de Link no Glossário efeito estufa no setor de transportes. Além disso, o etanol de cana é a grande alavanca para tornar viável a enorme fronteira de novas tecnologias de produção de Link no Glossário energia renovável, que para se desenvolverem no Brasil precisam de um setor sucroenergético em crescimento. Pelos benefícios ambientais e pelos efeitos em cadeia da inovação no mundo dos combustíveis do futuro, o governo deveria ter mais cuidado com o etanol.
* DIRETOR-GERAL DO ICONE (WWW.ICONEBRASIL.ORG.BR)

Pronto: voltaram os bandidos analfabetos...

Ufa!
Pensei que os bandidos estavam se refinando, defendendo teses de "pêagádês" como certo ministro da (des)educação, preparando golpes bem montados, num portuguêis escorreito, mas eis que eles reincidem nos erros primários, que nos fazem desejar que o MEC continue exatamente como está fazendo, colaborando para a analfabetização do Brasil, cada vez em níveis crescentemente superiores, em dimensão, escopo, alcance, extensão e profundidade, se é que vocês me entendem.
Enfim, para os que não cairam ainda no golpe abaixo, fica o alerta, mas atenção, é o SERPRO, ou SEPRO, que avisa...
Paulo Roberto de Almeida 
(PS: o negrito é meu, mas sem qualquer intenção racista, claro...)

From: Rogério Pereira <receita@federal.gov>
Subject: Andamento de Sua Declaração de Imposto de Renda 2012
Date: 18 de julho de 2012 16:16:25 BRT
To: Paulo R. Almeida - Mac <pralmeida@xxxx.xxx>

RECEITA FEDERAL - DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA 2012

A SERPRO juntamente com a receita federal analisaram sua declaração de imposto de renda (2011) e dados históridos apontam divengência em sua declaração, acarretando a inclusão de seu CPF em malha fiscal, este sistema tem como objetivo efeturar a consulta e retificação das divergências encontradas, lembrando que caso essa operação não seja realizada poderá acarretar a invalidação do seu CPF.
[link]
Anteciosamente,
Rogério Pereira - SEPRO

Sindicato de professores universitarios querem obter "titulo" do Ministro da Educação

Retiro este trecho de uma matéria da imprensa sobre a greve dos professores, atualmente em curso (o "ascenção" é do jornalista): 

O ministro ressaltou, no entanto, que o governo não vai abrir mão da titulação como mecanismo de ascenção [sic] na carreira. Titulação é a exigência de títulos, como mestrado e doutorado, para ascensão na carreira. Alguns sindicatos de professores têm reclamado do critério. ” Não vamos recuar em tirar a titulação para fazer acordo sindical”, afirmou o ministro. Para Mercadante, a titulação é garantia de “universidade de excelência”.

Bem, acho que esses professores querem as mesmas facilidades que teve o atual ministro da (des)Educação -- e anteriormente da Ciência e Tecnologia (re-sic) -- para obter o seu "título" (aspas triplas) de "doutor" (ou de pêagádê, como poderia dizer o Millor) na outrora razoável Unicamp: uma "tesinha" improvisada, retirada de artigos de imprensa publicados, ou de discursos no Senado fabricados por assessores do staff congressual, uma banca generosa, para não dizer complacente com a fraude, e uma tolerância digna de outras casas mais tarimbadas no gênero, ao conceder essa defesa contra todos os regulamentos formais do ritual universitário de uma tese, num contexto de montagem de uma cerimônia lamentável para conceder um título de araque para um doutor de araque. 
Bem, tudo isso combina com o estado atual da universidade brasileira, não é mesmo?
Paulo Roberto de Almeida 

Venezuela: bem-vinda no Mercosul? Human Rights Watch

Parece que a Venezuela é um país onde tem democracia "até demais", segundo o especialista em democracias Lula da Silva.
E parece que a cláusula democrática do Mercosul não se aplica à Venezuela, et pour cause: Chávez ainda não conseguiu dar um golpe contra ele mesmo. Ele só aplica golpes contra seus adversários, o que, infelizmente, não está previsto no Protocolo de Ushuaia, que só se aplica se oposicionistas malvados, como os do Paraguai, por exemplo, tentam ou conseguem afastar o presidente constitucionalmente eleito.
Ou seja, Chávez pode continuar aplicando a sua receita de democracia na Venezuela, que isso está perfeito para o Mercosul. 
Não estaria do ponto de vista da cláusula democrática da OEA, mas quem liga para esse "ministério das colônias americanas", não é mesmo? Se trata de uma organização dominada pelo império, da qual convém se afastar, inclusive porque ele não faz nada, mesmo, a não ser gastar dinheiro de Washington em Washington.
Essa não é a opinião, em todo caso, da ONG Human Rights Watch, cujo diretor já foi expulso da Venezuela e foi acusado de estar a serviço do império, segundo Chávez.
Querem apostar que ele vai retomar os mesmos argumentos agora?
Nada é mais previsível do que um caudilho autoritário.
Paulo Roberto de Almeida 

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Human Rights Watch diz que a situação dos direitos humanos na Venezuela está ainda mais precária (Reprodução/Internet)

'DEMOCRACIA' VENEZUELANA

ONG denuncia abusos de poder e desrespeito aos direitos humanos na Venezuela

Human Rights Watch acusa Hugo Chávez de censurar juízes, jornalistas e oposição, e limitar a liberdade de expressão

A organização de defesa dos direitos humanos, Human Rights Watch (HRW), divulgou um relatório onde classifica como “ainda mais precária” a situação dos direitos humanos na Venezuela, que tem o Judiciário praticamente sob o controle do Executivo.
No relatório de 133 páginas, intitulado Apertando o Cerco: Concentração e Abuso de Poder na Venezuela de Chávez, a organização destaca seis casos considerados pela ONG como flagrante abuso de poder de Chávez e de seus colaboradores e perseguição à mídia, juízes e oposição.
“Para juízes, jornalistas, emissoras e defensores dos direitos humanos, em particular, as ações do governo enviaram uma clara mensagem: o presidente e seus seguidores são capazes e estão dispostos a punir as pessoas que desafiarem ou obstruírem seus objetivos políticos”, relata o documento. O relatório também chama atenção para a autocensura imposta que controla o sistema judiciário e a mídia.
José Miguel Vivanco, diretor da Human Rights Watch para as Américas, define o esquema como um aparato legal de fachada, que funciona a serviço do governo, e comparou o governo de Chávez ao de Alberto Fujimori (1990-2000). “O percussor desse modelo de governo na América Latina foi Fujimori, no Peru, que mantinha uma fachada e usava todo o aparato institucional para seus propósitos políticos. Talvez essa comparação irrite o governo venezuelano”, disse Vivanco.
Arbitrariedade
Um dos casos expostos no relatório da Human Rights Watch é o da juíza María de Loudes Afiuni. Em 2009, a juíza foi punida pelo governo venezuelano por conceder liberdade condicional a um crítico do regime, há três anos sob acusação de corrupção e ainda não julgado.
María de Loudes Afiuni foi atacada por Chávez na TV, sendo qualificada como “bandida” pelo presidente, que pediu à Justiça sua condenação a 30 anos de prisão. Horas depois Afiuni foi detida e permaneceu presa em condições deploráveis, exposta a prisioneiros que antes condenara, e sujeita a ameaças de morte. Desde 2011, a juíza está em prisão domiciliar e ainda aguarda julgamento.
“A Suprema Corte abandonou sua função de servir como contrapeso do Poder Executivo e se converteu em uma instituição a serviço das causas do governo atual. Muitos juízes provavelmente são influenciados pelo caso da juíza Afiuni”, diz Vivanco.
O relatório cita o depoimento de um juiz que não quis se identificar que explica o reflexo do caso Afiuni no Judiciário. “São decisões exemplificadoras que causaram além de temor, terror… Já não há só o risco de ver afetado seu cargo, mas também sua liberdade”, disse o juiz.
Outro caso citado exposto no relatório e o da prisão de Oswaldo Álvarez Paz, político de oposição. Em março de 2010, Álvarez comentou, durante um programa de televisão da emissora Globovisión, a suspeita de aumento do tráfico de drogas na Venezuela e uma investigação de um tribunal espanhol sobre a possível colaboração entre o governo da Venezuela com a guerrilha colombiana e os separatistas bascos. O comentário irritou Chávez, que pediu para seu governo “tomar ações”.  Álvarez foi preso acusado de “falsas acusações” feitas para semear  ”medo na população”.
O relatório da Human Rights Watch também compila um conjunto de leis de mídia que consideradas restritivas, e descreve práticas de pressão continuada contra TVs e rádios que dependem de concessões do governo para funcionar.  É o caso da TV opositora Globovisión, que no mês passado foi punida pela Conatel, conselho considerado alinhado ao governo, e obrigada a pagar uma multa milionária por transmitir a cobertura de uma rebelião penitenciária considera excessiva.
No relatório, a HRW ainda pede o abandono, pelo governo venezuelano, de sua postura agressiva contra as organizações de direitos humanos e da sociedade civil, e o respeito às instituições interamericanas de direitos humanos. Nesse sentido, recomenda ao Congresso emendar o artigo da Lei Orgânica sobre o Controle Social de forma a esclarecer que a obrigação de aderir aos “princípios socialistas” não cabe aos defensores dos direitos humanos e a organizações dessa área.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Camoes e as pequenas e grandes mudanças...


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Luís de Camões

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o Mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e, enfim, converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor espanto,
que não se muda já como soía.

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