quarta-feira, 25 de junho de 2025

Bicentenário da Confederação do Equador: convite para o lançamento de livros no Senado Federal - André Heráclio do Rêgo

 Prezados amigos,

Tenho a satisfação de convidá-los para o lançamento dos seguintes livros, no âmbito das comemorações do Bicentenário da Confederação do Equador.

Com o abraço cordial de
André Heráclio do Rêgo


Hora da verdade - Rubens Barbosa O Estado de S. Paulo

 Opinião:

Hora da verdade

Os que defendem uma posição equidistante dos radicalismos ideológicos da esquerda e da direita têm uma palavra a oferecer no cenário político nacional
Por Rubens Barbosa
O Estado de S. Paulo, 24/06/2025

Apesar de indicadores positivos na economia (crescimento, inflação, desemprego, câmbio, reservas), o Brasil enfrenta uma situação interna de extrema complexidade sem uma liderança que expresse os anseios de todos por uma economia estável e um regime político funcional, que represente a maioria da população e que favoreça uma sociedade mais justa. O grau alarmante de corrupção e de violência, facilitadas pela interferência e ineficiência do Estado todo-poderoso, contamina a vida política e econômica do País e clama pelo fim da impunidade. Perdeu-se o sentido de autoridade e de garantia de segurança ao cidadão.
A ausência de liderança efetiva no Executivo, no Legislativo e no Judiciário agrava o quadro nacional e exige de todos os que se preocupam com o futuro do Brasil um esforço para promover um debate que chame a atenção para as mudanças que a sociedade brasileira terá de enfrentar e aceitar, e a necessidade de restaurar o crescimento e aumentar o emprego.
Os partidos políticos deixaram de representar os interesses de grande parte da sociedade e não entenderam sua posição numa sociedade dividida e radicalizada como a em que vivemos hoje. O Congresso Nacional está mais preocupado em defender seus interesses políticos e eleitorais do que discutir os reais problemas do País. O Judiciário, entre o Executivo e o Legislativo, em algumas decisões, aumenta a insegurança jurídica.
Estudos técnicos mostram que, se não houver uma mudança efetiva no tratamento da coisa pública, o Brasil enfrentará uma crise financeira provocada pelo colapso fiscal, sem precedentes, com impacto na ordem política e social. O País pode parar, com o choque entre o Executivo e o Legislativo e a paralisia no processo decisório.
Chegou o momento de enfrentar os problemas que, de fato, afetam a sociedade brasileira. Governo, empresários e trabalhadores, como parceiros, junto com os agentes políticos, em momentos cruciais no passado, souberam superar suas diferenças e atuar em conjunto em favor do crescimento e do emprego. Não resta alternativa senão confrontar essa ameaça para evitar uma crise mais profunda.
O cidadão comum tem de defender seus direitos e participar de forma democrática na solução dos problemas que se acumulam e que parecem sem solução. A população, anestesiada pela crise em todos os níveis, tem de despertar e exercer seus direitos de cidadania.
O preço do imobilismo será maior do que o custo das mudanças necessárias para restabelecer as condições de governabilidade do País. Em meio a incertezas globais, é fundamental um Estado eficiente, efetivo e comprometido com o interesse público e com menor grau de interferência na vida de todos nós e das empresas.
Não é mais possível aceitar passivamente uma situação insustentável. Sem participar da definição dos rumos do processo político e mostrando o interesse na formação de uma frente ampla, moderada, chegou a hora de todos os que preferem uma alternativa à polarização se reunirem para buscar uma candidatura presidencial única, de centro, com uma clara visão de como enfrentar os desafios internos e externos.
Recente pesquisa de opinião pública mostrou que 65% dos que votaram em Lula e em Bolsonaro em 2022 preferem outros nomes na próxima eleição presidencial. A independência dos extremos, com uma visão clara dos problemas internos e do lugar do Brasil no mundo, deve ser buscada por todos os que não se conformam com a atuação (ou a ausência de atuação) da classe política nos dias de hoje.
Será importante a mobilização da sociedade, que recusa a polarização em torno de uma agenda mínima que passe, de um lado, por uma reforma política parcial, com a introdução do voto distrital com listas partidárias para dar mais representatividade às Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e Congresso Nacional, e por uma reforma administrativa que enxugue a máquina pública e acabe com os privilégios e penduricalhos inaceitáveis. Além disso, diante das grandes transformações que ocorrem no cenário global, deveria começar uma discussão objetiva, e não ideológica ou partidária, sobre o lugar do Brasil no mundo, como potência média regional, focado no desenvolvimento econômico e social e na segurança nacional, com ênfase na defesa da soberania e na dos cidadãos com o combate à violência e ao crime organizado e daquilo em que o Brasil tem uma voz qualificada: segurança alimentar, transição energética e mudança climática.
Pensando no Brasil em primeiro lugar, os que defendem uma posição equidistante dos radicalismos ideológicos da esquerda e da direita têm uma palavra a oferecer no cenário político nacional. Essa manifestação deveria ser no contexto de um amplo movimento que, neste quadro de incertezas e grandes riscos, faça a defesa do interesse nacional com a discussão de uma agenda renovada que venha a examinar medidas difíceis, mas realistas. Negligenciado até aqui, a sociedade civil deve dar início a esse debate.
O cenário global e o Brasil mudaram, sem que o governo entenda as transformações em curso e atue para melhor defender os interesses do País. A tarefa é urgente. O Brasil não pode esperar. O mundo não vai aguardar o Brasil superar a ausência de uma visão clara de seus objetivos e de seus interesses.

Presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), foi embaixador do Brasil em Londres (1994-99) e em Washington (1999-2004)

https://www.estadao.com.br/opiniao/rubens-barbosa/hora-da-verdade/

Published: Encyclopedia of South American History; contributions by Paulo Roberto de Almeida


Colaborações a obras coletivas mais recentes: 

1581. “Tordesillas, Treaty of (1494)”, Relação de Originais n. 3970.

1582. “Bandeiras”, Relação de Originais n. 3974.

1583. “Bandeirantes”, Relação de Originais n. 3976.

1584. “Andrada e Silva, José Bonifácio de”, Relação de Originais n. 3979.

1585. “Brazil, Independence Movement”,
Relação de Originais n. 3980.

in: South America: From European Contact to Independence

H. Micheal Tarver (Anthology Editor); Carlos E. Márquez Petit (Anthology Editor); Online Resources, Bloombury Collections; New York: Bloomsbury Publishing, 2025, 2 volumes

(link: https://www.bloomsbury.com/us/south-america-9781440879142/).

H. Micheal Tarver (Anthology Editor) , Carlos E. Márquez Petit (Anthology Editor)


terça-feira, 24 de junho de 2025

O Brasil no ‘eixo dos hipócritas’ - Editorial do Estadão

O Brasil no ‘eixo dos hipócritas’

Posicionamento do governo no conflito entre Israel e Irã repete o padrão de críticas seletivas e condescendência com autocracias que conspurca a credibilidade diplomática do Brasil

Notas & Informações,
Editorial do Estadão, 24/06/2025
https://www.estadao.com.br/opiniao/o-brasil-no-eixo-dos-hipocritas/

        A nota do Itamaraty sobre a ofensiva dos EUA ao Irã, longe de defender princípios democráticos ou a estabilidade internacional, é mais uma demonstração de alinhamento do governo Lula da Silva ao bloco autocrático global. Essa posição, marcada por um duplo padrão diplomático, põe o Brasil em rota de colisão com a tradição histórica de equilíbrio e prudência que sempre orientou sua política externa.
        No conflito entre Israel e Irã, o governo brasileiro formou com a Rússia o que se pode chamar de “eixo da hipocrisia”. A Rússia, que viola a soberania da Ucrânia numa guerra de agressão, condenou “com veemência” os ataques a alvos militares e instalações nucleares iranianas, reprovando-os como violações da soberania e do Direito Internacional. O Brasil, que jamais condenou “com veemência” a agressão russa na Ucrânia nem repudiou o bombardeio russo a uma das usinas nucleares ucranianas, também condenou o ataque americano ao Irã “com veemência”, salientando que “qualquer ataque armado a instalações nucleares representa flagrante transgressão da Carta das Nações Unidas”.
        Da Rússia, é claro, não se pode esperar nada, mas o Brasil deveria ao menos levar em conta o contexto real do ataque americano: o Irã é a maior fonte de instabilidade no Oriente Médio, um país cuja liderança teocrática prega abertamente a aniquilação de Israel e mantém uma guerra por procuração por meio de milícias como Hamas, Hezbollah e Houthis. Nessa guerra antiga e complexa, Israel não apenas tem o direito, mas o dever de se defender, assim como os EUA têm razões de sobra para apoiar a campanha israelense.
        O governo Lula opta por um silêncio cúmplice sobre a agressividade iraniana, enquanto faz questão de condenar as ações preventivas de Israel e dos EUA. Essa inversão de valores não é uma falha pontual, mas parte de um duplo padrão que marca a diplomacia lulopetista: criticar aliados democráticos e alinhados ao Ocidente, enquanto contemporiza com regimes autoritários, repressivos e fundamentalistas.
        O alinhamento com o Irã é só uma faceta desse quadro mais amplo. Do ponto de vista do Direito Internacional, o ataque americano é, de fato, controverso. Mas ao menos pode ser defendido com argumentos razoáveis, como o direito à autodefesa coletiva em face da ameaça nuclear iraniana. Já a invasão russa à Ucrânia não tem qualquer sombra de justificativa legítima. O governo brasileiro, contudo, opta pela ambiguidade e a condescendência com os crimes de Moscou.
        A hipocrisia é mais evidente à luz do histórico diplomático dos governos petistas. Em 2010, sob o comando de Lula, a diplomacia brasileira protagonizou uma desastrada mediação com o Irã de um acordo nuclear, ignorando alertas e fragilizando a posição brasileira no cenário internacional. A tentativa de protagonismo desmedido e voluntarismo diplomático expôs o País ao ridículo e aos riscos de alinhamento com um regime que ameaça a paz mundial.
Hoje, ao repetir o mesmo alinhamento, o governo reforça sua afinidade ideológica com regimes autoritários – Irã, Rússia, China e outros –, rompendo com a tradição de equilíbrio e prudência que sempre pautou a política externa brasileira.
Após a ofensiva dos EUA contra o Irã, as democracias sérias fizeram um apelo à moderação e ao resgate das vias diplomáticas, mas evitaram condenar o ataque e nem de longe legitimaram um regime beligerante e delinquente como o iraniano. Ao contrário: reconhecem o perigo concreto representado pela teocracia xiita, responsável por fomentar o terrorismo, desestabilizar o Oriente Médio e perseguir sistematicamente a fabricação de armas nucleares – uma ameaça que transcende fronteiras e atinge a segurança global.
        O que o Brasil ganha com essa adesão à aliança de autocracias? Quais benefícios estratégicos ou diplomáticos justificam associar o País a regimes que promovem a instabilidade internacional, violam direitos humanos e desafiam o multilateralismo baseado em regras? As respostas são óbvias: tudo isso só serve para satisfazer a rançosa ideologia antiamericana e antiocidental do lulopetismo.


Ex-embaixador Ricupero aponta incoerência da diplomacia brasileira sobre Irã e Ucrânia (VEJA+)

Ex-embaixador Ricupero aponta incoerência da diplomacia brasileira sobre Irã e Ucrânia

VEJA+, 24 de jun. de 2025
https://www.youtube.com/watch?v=BaTowtrvAUI

Na nova edição do Ponto de Vista, o ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Rubens Ricupero, comenta a reação do governo brasileiro ao ataque israelense contra instalações nucleares do Irã. Em conversa com Robson Bonin e Marcela Rahal, o diplomata avalia a nota divulgada pelo Itamaraty, que condenou “com veemência” a ação de Israel.


“Do ponto de vista formal, a nota está correta. O ataque é ilegal e não foi autorizado pela ONU. Mas é curioso: a nota do Brasil foi mais dura do que a da China”, afirma Ricupero.

O embaixador também destaca o contraste da posição brasileira em relação à guerra na Ucrânia. “Lá, o governo evita condenar a Rússia. Isso gera uma percepção de incoerência”, diz.

Ricupero analisa ainda o contexto regional e internacional envolvendo o Irã: “Nenhum país deseja que o Irã adquira armas nucleares. Por isso, há até certo alívio mundial com o prejuízo ao programa nuclear iraniano.”

Assista à análise completa sobre a guerra no Oriente Médio, os bastidores da diplomacia internacional e os impactos da política externa brasileira neste cenário delicado.

Book by Joseph A. Tainter: The Collapse of Complex Societies (Amazon)


The Collapse of Complex Societies 

(New Studies in Archaeology)


Political disintegration is a persistent feature of world history. The Collapse of Complex Societies, though written by an archaeologist, will therefore strike a chord throughout the social sciences. Any explanation of societal collapse carries lessons not just for the study of ancient societies, but for the members of all such societies in both the present and future. Dr. Tainter describes nearly two dozen cases of collapse and reviews more than 2000 years of explanations. He then develops a new and far reaching theory that accounts for collapse among diverse kinds of societies, evaluating his model and clarifying the processes of disintegration by detailed studies of the Roman, Mayan and Chacoan collapses.




Desalento? Não! Continuo na liça - Paulo Roberto de Almeida

 Desalento? Não! Continuo na liça

Não adianta lutar contra tendências fortes da humanidade, ou é muito difícil. A mentira, a besteira, a irracionalidade também podem prevalecer, e levar sociedades inteiras ao desastre. EUA, Rússia, Irã, Brasil, Israel, entre outros países e sociedades, são exemplos disso. Há que lutar para preservar a racionalidade e a dignidade.

Paulo Roberto de Almeida 

O Triunfo e a Derrota de Eugenio Gudin - Paulo Roberto de Almeida e André Burguer

 O Triunfo e a Derrota de Eugenio Gudin 

Paulo Roberto de Almeida e André Burguer

Já escrevi bastante sobre o famoso, talvez único debate econômico significativo na história econômica do Brasil, aquele ocorrido em 1944/45 entre Eugênio Gudin e Roberto Simonsen. Meu argumento foi simples: Gudin venceu na lógica, na consistência teórica e nas propostas racionais. Mas o vencedor, na prática, foi Simonsen, pois toda a conjuração de líderes políticos, econômicos, acadêmicos, militares e civis, queriam estatismo, intervencionismo, industrialismo forçado, tudo isso imposto do alto, estilo nacionalismo autárquico. Por isso ainda somos um país “em desenvolvimento”, sempre requerendo soluções pelo alto, inclusive o agro, com subsídios e proteção. Por isso somos o que somos. Gudin venceu e perdeu; continua perdendo, mesmo com o agro triunfante. Sorry guys…

Paulo Roberto de Almeida 

=============

André Burguer escreveu:

A VINGANÇA DE GUDIN.

Eugênio Gudin morreu há quase quatro décadas. Viveu um século defendendo algo que, à sua época, parecia heresia econômica: o desenvolvimento do Brasil deveria vir do campo, não da fábrica. Para Gudin, as vantagens comparativas brasileiras estavam na agricultura, onde solo, clima e abundância natural podiam transformar o país num fornecedor global. Seus adversários não pensavam assim.

Durante boa parte do século XX, travou duras batalhas contra o projeto desenvolvimentista-industrialista que marcou a política econômica brasileira. De um lado, Gudin e alguns poucos liberais que enxergavam no mercado externo a oportunidade para o Brasil crescer aproveitando seus recursos naturais. Do outro, os industriais liderados por Roberto Simonsen — então presidente da poderosa FIESP — que viam na indústria o único caminho aceitável para o progresso nacional.

Os métodos industrialistas foram amplos e variados. Montagem artificial de indústrias via empresas estatais, subsídios generosos por meio do recém-criado BNDE (o “S” de social viria depois), protecionismo tarifário, reserva de mercado e convites generosos a multinacionais, como Juscelino fez com a indústria automobilística. Tudo isso regado a discursos de "soberania nacional" e "substituição de importações".

Gudin enfrentou não apenas os industrialistas, mas os populistas de várias matizes — de Getúlio Vargas a João Goulart — e, depois, a tecnocracia desenvolvimentista dos militares pós-1964. Se estivesse vivo hoje, teria novos oponentes: aqueles que, em pleno século XXI, acusam o agronegócio de ser "fascista", "ambientalmente predatório" e "concentrador de renda".

Mas a história, como se vê, pode ser irônica.

O agro resistiu. O agro cresceu. O agro venceu.

Nos últimos 40 anos, o Brasil deixou de ser um importador de alimentos para se tornar um dos maiores fornecedores do planeta. O agronegócio brasileiro cresceu a uma taxa média de 4,07% ao ano nesse período — quase o dobro do crescimento médio do PIB nacional, que foi de 2,3% ao ano. A produção de grãos, por exemplo, saltou 334% nas últimas três décadas, enquanto a área plantada aumentou apenas 71%. Ou seja: mais produção, com menos terra — o que significa produtividade, algo que Gudin sempre pregou.

Em 2023, o setor agropecuário representou 24% do PIB brasileiro, segundo o Cepea/USP. Nas exportações, o agro respondeu por mais de 50% de tudo o que o país vendeu ao mundo. O PIB atual do agronegócio brasileiro — em torno de US$ 600 bilhões — supera o PIB total de países inteiros, como a vizinha Argentina.

Trata-se de um setor que não apenas gera superávit comercial robusto, mas também sustenta o real, alivia as contas públicas e reduz a vulnerabilidade externa do país. É o Brasil competitivo, não o Brasil dependente do BNDES.

E convém ser preciso: quando falamos em agro brasileiro, falamos de tecnologia, de ciência aplicada, de biotecnologia, de manejo racional do solo, de máquinas de última geração, de sementes geneticamente adaptadas, de integração lavoura-pecuária-floresta e de um setor que compete com o que há de melhor no mundo. Este é o agro que sustenta o Brasil.

Muito longe da agricultura familiar romântica de baixa produtividade. E mais distante ainda dos assentamentos do MST, cuja produção é majoritariamente de subsistência ou fortemente subsidiada. O exemplo mais celebrado — e midiático — dessa agricultura foi o arroz orgânico, cuja produtividade é a metade do arroz convencional e cuja produção mal preenche uma fração irrelevante da demanda nacional.

Se o Brasil dependesse da agricultura familiar dos manuais de ONGs e dos assentamentos ideológicos, estaríamos todos na fila da FAO buscando ajuda humanitária.

Mas felizmente havia Eugênio Gudin — e, sobretudo, o Brasil real.

Hoje, as previsões do velho liberal se materializam em cada navio que parte lotado de soja, milho, carnes, açúcar, algodão, café, etanol, celulose. Em cada safra recorde, em cada avanço tecnológico, em cada ganho de produtividade por hectare. O campo, tantas vezes desprezado pelos ecologistas e planejadores do asfalto, ergueu o país e alimenta o mundo.

Gudin venceu. Afinal, a história lhe fez justiça.

Este artigo foi originalmente publicado na Revista Oeste.


A teocracia iraniana sobreviverá aos golpes israelenses e americanos? Paulo Roberto de Almeida em resposta à The New Yorker

A teocracia iraniana sobreviverá aos golpes israelenses e americanos?

Paulo Roberto de Almeida

        A The New Yorker, a excelente revista intelectual americana, da qual fui assinante enquanto residia nos EUA, tem um artigo de capa, na edição de 23 de junho de 2025, cuja pergunta título eu vou responder antes mesmo de ler a matéria:

Can Ayatollah Khamenei, and Iran’s Theocracy, Survive This War?

The future of the Islamic Republic may be shaped more by the country’s culture and politics than by the military prowess of its opponents.


        Vou responder que sim, totalmente sim, absolutamente sim, qualquer que seja a destruição infligida a seu patrimônio material, a seus equipamentos bélicos, a seu programa nuclear, ainda que toda a sua atual liderança teocrática, reacionária, repressiva, ditatorial, antifeminista, antigays, antissionista e antiamericana, ainda que tudo isso seja eliminado, a golpes de mísseis, bombardeios, assassinatos dirigidos, operações abertas ou clandestinas de supressão de seus guardas revolucionários e até mesmo Forças Armadas, mesmo que sua capital e principais instalações militares sejam extirpadas da face da terra iraniana.
        Sim, tudo isso sobreviverá às bombas israelenses e americanas, pela simples razão que uma sociedade não pode ser "consertada", nenhuma sociedade pode ser "ajustada", por mais que ela esteja errada – economicamente, politicamente, socialmente, diplomaticamente –, por mais que ela seja disfuncional e negativa para o seu próprio povo, à custa de bombas e destruição impostas de fora.
        A sociedade iraniana, como qualquer outra, possui uma história, uma cultura, uma forma de ser, que não são moldados pelo alto e de fora. Tudo depende de sua dinâmica própria, e ela virá, no momento apropriado para o povo iraniano.
        Sim, infelizmente os teocratas reacionários do regime iraniano atual sobreviveram e continuarão impondo sua ditadura sobre o povo, as mulheres, a sociedade iraniana, enquanto sua dinâmica própria não for transformada a partir de dentro, pela vontade da maioria do seu povo. Não creio que as bombas trarão algum resultado positivo, apenas sofrimento e opressão para a maioria da sociedade.
        Pronto, vou ler o artigo agora.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 24/06/2025

segunda-feira, 23 de junho de 2025

A letter from a writer in Teheran - Persuasion



Postagem em destaque

Um mergulho no passado: volto a consultar um livro que me formou 60 anos atrás: Caio Prado Junior, Diretrizes para uma Política Econômica Brasileira (1954)

Estou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, mais exatamente na Biblioteca, onde, em 1966, 60 anos atrás, portanto...