Falta futuro para Venezuela e Cuba
Editorial O Globo, 16/06/2010
Os adversários de Hugo Chávez são sempre acusados de corrupção e de crimes financeiros ou contra o povo. Feito isto, vão para trás das grades. A máquina de propaganda do governo, tipo rolo compressor, se encarrega de convencer os chavistas de que os adversários são os vendilhões do templo. Mas qualquer observador imparcial vê que não é assim.
Chávez é ferrenho inimigo da imprensa independente do país, particularmente das grandes redes de TV. Já tirou do ar a RCTV e vive perseguindo a única que ainda adota uma postura crítica a seu governo - a Globovisión. Não espanta, portanto, que um tribunal de Caracas tenha emitido ordem de prisão contra o dono da rede, Guillermo Zuloaga, acusado de especulação. Se não estivesse foragido, já estaria preso. Qualquer semelhança com Cuba não é mera coincidência. Na verdade, é muito mais que isto. Conforme reportagem do GLOBO, Fidel Castro, depois de uma reunião com Chávez, em 2006, saiu-se com esta: "Somos venecubanos." Raúl Castro, sucessor do irmão, numa visita a Caracas, confirmou: "Cada dia mais somos a mesma coisa."
Com a economia cubana à míngua, o regime chavista surgiu como a grande tábua de salvação. A Venezuela fornece a Cuba diariamente 100 mil barris de petróleo, e o comércio bilateral atinge US$7 bilhões anuais, segundo o ex-general venezuelano Antonio Rivero, contrário à aproximação. Cuba paga em serviços que vão muito além dos 15 mil médicos que atendem venezuelanos pobres em programas sociais chavistas como o Barrio Adentro. A própria segurança de Chávez é cubana.
Os dois governos se entrelaçaram de tal forma que "um país entrega sua soberania ao outro", conforme disse ao GLOBO, em Caracas, o ex-chanceler venezuelano Simón Alberto González. A forte relação bilateral tem, obviamente, motivação ideológica. Chávez, o mentor do "socialismo bolivariano", quer assegurar seu lugar no panteão das esquerdas como o sucessor da Revolução Cubana que, ao longo do tempo, se radicalizou e se tornou a grande inimiga do "império" - os Estados Unidos. O autoritário coronel venezuelano já ocupa espaços nesse sentido, desde que, é claro, os americanos não deixem de comprar seu petróleo sulfuroso.
O grande problema é que o modelo é insustentável. A matriz ideológica (Cuba) depende da ligação umbilical com a matriz econômica (Venezuela) para se manter viva. Cuba enfrenta condições cada vez mais difíceis e, se não democratizar o regime, não conseguirá atrair os investimentos de que necessita para melhorar a vida da população, ficando dependente de forma crescente de Chávez.
Este, ao tornar seu regime cada vez menos democrático, cada vez mais parecido com o de Cuba e cada vez mais dependente do petróleo, arrisca-se a afundar de vez um país rico como a Venezuela, cuja economia já cambaleia, com crescimento negativo do PIB e a maior inflação da América do Sul. Não há futuro para a ditadura cubana, que mantém prisioneiros políticos e os deixa morrer em greve de fome. Nem para um regime vociferante como o da Venezuela, que quer empurrar o país na contramão da História. A continuarem assim, morrerão abraçados.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Venezuela (1): o caso da fazenda sequestrada
A fazenda sequestrada
Maria Ignez Barbosa
O Estado de São Paulo, 13 de junho de 2010

A bela fazenda La Carolina, situada em uma antiga plantação de cana-de-açúcar do século 19, no Estado de Yaracuy, em plenas montanhas andinas da Venezuela, acaba de ser desapropriada pelo presidente Hugo Chávez. Comprada em 1989 por US$ 300 mil e reconstruída pelo diplomata Diego Arria, essa propriedade de 370 hectares já foi cantada nas páginas da Architectural Digest e consta do livro que reúne trabalhos do conhecido decorador colombiano Juan Montoya, editado pela Villegas Editores.
Alegando irregularidades no registro de propriedade, apesar de a fazenda ser produtiva (já foi premiada por ser modelo de sustentabilidade e de preservação ambiental, com plantação orgânica de café), nada deteve Hugo Chávez. Irritado com Arria, que, em recente Fórum Mundial pela Liberdade, em Oslo, o comparou aos piores ditadores da história, o presidente declarou em seu programa de TV, em rede nacional, que a fazenda do diplomata, que ele chama de “velho oligarca e ladrão”, se parece com a do seriado americano Falcon Crest. Aproveitou para exibir ao país cenas de crianças brincando na piscina da “terra liberada” e, com ironia, acrescentou que mandou benzer a água antes da farra. Mandou também um recado para o proprietário: “Para ter suas terras de volta, você terá, antes, de me enterrar. A fazenda pertence agora à revolução”, exclamou, entre mais insultos à burguesia e à legalidade.
Diego Arria, que há 17 anos mora em Nova York, já foi prefeito de Caracas, congressista, ministro de estado, candidato à presidência em 1978, representante de seu país nas Nações Unidas e depois secretário-geral assistente da organização, além de presidente do Conselho de Segurança onde instaurou a “fórmula Arrias”, um modo de flexibilizar e tornar mais informal a consulta entre os países-membros, não ficou calado. Qualificou a ação de Chávez como vingança política e lamentou que, por demagogia e propaganda pessoal, o presidente venezuelano esteja estimulando crianças a saquear e roubar a propriedade alheia. Contou que dez funcionários armados, depois de subjugar o responsável pela fazenda, se dirigiram ao quarto principal, onde um deles atirou-se na cama e pôs-se a comentar, em termos chulos, o que Chávez poderia fazer ali. Em outra ocasião, diante de um advogado, um dos capangas sacou da pistola e ameaçou o profissional dizendo que lhe sobravam balas.
Arria afirmou também que o “tenente coronel” não precisava tê-lo desafiado a enterrá-lo. “Dou-lhe de presente minha fazenda para que ele ali se aposente. Mas somente depois de devolver a paz e a Venezuela aos venezuelanos. Não tenho dúvidas de que Chávez, em breve, será um prontuário ambulante para as cortes internacionais de justiça.”
A fazenda La Carolina, que viveu seu apogeu na segunda metade do século 19, período da cana e do café, se deteriorou a partir do momento em que o petróleo foi descoberto no país, em 1920. Quando adquirida pelo diplomata, em 1987, apenas duas estruturas destelhadas e um pátio com chão de lajotas rústicas próprias para a secagem do café existiam no terreno. A ideia de Juan Montoya e do arquiteto venezuelano Nelson Douiahi foi, além de restaurar as duas ruínas, construir quatro unidades em volta de um grande pátio, com capela, estábulo, salas de estar, armazém, ala da família e de hóspedes, de modo a criar um conjunto que parecesse uma vila de interior no mesmo estilo despojado do passado.

Onde era antes um galpão para armazenar cana, foi criada a suíte principal. No começo da reforma, desconfiados da ideia de ter o quarto num local de pé-direito tão alto, os Arrias se deixaram convencer por Montoya, conhecido por seu dom de dar novo sentido a espaços inicialmente destinados a outras funções.
O que se quis, ao preservar os traços do passado, foi basicamente manter a rusticidade da fazenda. Os tetos são forrados ou com ripas de madeira ou com varas de bambu. Vigas de madeira sustentam a construção e servem de terminação no alto das portas internas. Os apliques de luz arredondados, que mais parecem fazer parte da parede, iluminam com discrição e sem destoar da estrutura. As lindas e originais lajotas de barro em forma de um oito que se encaixam no chão de modo pouco usual foram reproduzidas a partir de algumas antigas encontradas no local.
Na decoração, onde a maioria dos tapetes é de sisal, belas urnas de terracota pré-colombiana compõem uma valiosa coleção. Eram expostas sobre um degrau de alvenaria formando um grande L ao longo da parte inferior das paredes do extenso salão onde dois enormes ventiladores pendem do teto alto. Apenas um divã de ferro na transversal separava o ambiente de ler e relaxar daquele de se tocar e ouvir música. E havia belos móveis e objetos, ou antigos, ou então reproduzidos por artesãos locais, para enriquecer e aportar qualidade a esse ambiente isento de maior luxo ou pretensão. Havia assim, a escrivaninha do século 19, que servia de base para as garrafas antigas de cristal, os espelhos mexicanos sobre as pias, as mesas vestidas com antigas toalhas brancas bordadas e a coleção de porcelana azul e branca que enfeitava e trazia alegria à sala do café da manhã. Nos vasos, sempre flores colhidas no campo. Penduradas, gaiolas coloridas decoravam o ambiente. Nas varandas que rodeiam a casa, muitas redes em cores vivas mas tecidas de forma bem diferente das nossas nordestinas.
Homenagem à filha morta. Arria tem três filhas que ali cresceram. Uma quarta, que morreu cedo e se chamava Carolina, deu nome à fazenda e à pequena capela, com imagens que a família espera não terem sido também roubadas. Sabe-se que as roupas, os quadros, o mobiliário, as fotos e as lembranças dos Arrias já se foram, assim como quatro cavalos. Consta que as vacas e os cavalos de montaria estariam sendo doados como se a ninguém pertencessem.
Será de muito lamentar o desaparecimento ou a destruição de uma figura religiosa colombiana de um apóstolo do século 18 e de um fragmento de altar dourado do período colonial, quase beirando o teto, que enriqueciam um décor agora ameaçado de extinção pela ira de Hugo Chávez e que tem o sabor amargo da tão retrógrada revolução cultural chinesa.
(http://www.mariaignezbarbosa.com/)
Maria Ignez Barbosa
O Estado de São Paulo, 13 de junho de 2010

A bela fazenda La Carolina, situada em uma antiga plantação de cana-de-açúcar do século 19, no Estado de Yaracuy, em plenas montanhas andinas da Venezuela, acaba de ser desapropriada pelo presidente Hugo Chávez. Comprada em 1989 por US$ 300 mil e reconstruída pelo diplomata Diego Arria, essa propriedade de 370 hectares já foi cantada nas páginas da Architectural Digest e consta do livro que reúne trabalhos do conhecido decorador colombiano Juan Montoya, editado pela Villegas Editores.
Alegando irregularidades no registro de propriedade, apesar de a fazenda ser produtiva (já foi premiada por ser modelo de sustentabilidade e de preservação ambiental, com plantação orgânica de café), nada deteve Hugo Chávez. Irritado com Arria, que, em recente Fórum Mundial pela Liberdade, em Oslo, o comparou aos piores ditadores da história, o presidente declarou em seu programa de TV, em rede nacional, que a fazenda do diplomata, que ele chama de “velho oligarca e ladrão”, se parece com a do seriado americano Falcon Crest. Aproveitou para exibir ao país cenas de crianças brincando na piscina da “terra liberada” e, com ironia, acrescentou que mandou benzer a água antes da farra. Mandou também um recado para o proprietário: “Para ter suas terras de volta, você terá, antes, de me enterrar. A fazenda pertence agora à revolução”, exclamou, entre mais insultos à burguesia e à legalidade.
Diego Arria, que há 17 anos mora em Nova York, já foi prefeito de Caracas, congressista, ministro de estado, candidato à presidência em 1978, representante de seu país nas Nações Unidas e depois secretário-geral assistente da organização, além de presidente do Conselho de Segurança onde instaurou a “fórmula Arrias”, um modo de flexibilizar e tornar mais informal a consulta entre os países-membros, não ficou calado. Qualificou a ação de Chávez como vingança política e lamentou que, por demagogia e propaganda pessoal, o presidente venezuelano esteja estimulando crianças a saquear e roubar a propriedade alheia. Contou que dez funcionários armados, depois de subjugar o responsável pela fazenda, se dirigiram ao quarto principal, onde um deles atirou-se na cama e pôs-se a comentar, em termos chulos, o que Chávez poderia fazer ali. Em outra ocasião, diante de um advogado, um dos capangas sacou da pistola e ameaçou o profissional dizendo que lhe sobravam balas.
Arria afirmou também que o “tenente coronel” não precisava tê-lo desafiado a enterrá-lo. “Dou-lhe de presente minha fazenda para que ele ali se aposente. Mas somente depois de devolver a paz e a Venezuela aos venezuelanos. Não tenho dúvidas de que Chávez, em breve, será um prontuário ambulante para as cortes internacionais de justiça.”
A fazenda La Carolina, que viveu seu apogeu na segunda metade do século 19, período da cana e do café, se deteriorou a partir do momento em que o petróleo foi descoberto no país, em 1920. Quando adquirida pelo diplomata, em 1987, apenas duas estruturas destelhadas e um pátio com chão de lajotas rústicas próprias para a secagem do café existiam no terreno. A ideia de Juan Montoya e do arquiteto venezuelano Nelson Douiahi foi, além de restaurar as duas ruínas, construir quatro unidades em volta de um grande pátio, com capela, estábulo, salas de estar, armazém, ala da família e de hóspedes, de modo a criar um conjunto que parecesse uma vila de interior no mesmo estilo despojado do passado.

Onde era antes um galpão para armazenar cana, foi criada a suíte principal. No começo da reforma, desconfiados da ideia de ter o quarto num local de pé-direito tão alto, os Arrias se deixaram convencer por Montoya, conhecido por seu dom de dar novo sentido a espaços inicialmente destinados a outras funções.
O que se quis, ao preservar os traços do passado, foi basicamente manter a rusticidade da fazenda. Os tetos são forrados ou com ripas de madeira ou com varas de bambu. Vigas de madeira sustentam a construção e servem de terminação no alto das portas internas. Os apliques de luz arredondados, que mais parecem fazer parte da parede, iluminam com discrição e sem destoar da estrutura. As lindas e originais lajotas de barro em forma de um oito que se encaixam no chão de modo pouco usual foram reproduzidas a partir de algumas antigas encontradas no local.
Na decoração, onde a maioria dos tapetes é de sisal, belas urnas de terracota pré-colombiana compõem uma valiosa coleção. Eram expostas sobre um degrau de alvenaria formando um grande L ao longo da parte inferior das paredes do extenso salão onde dois enormes ventiladores pendem do teto alto. Apenas um divã de ferro na transversal separava o ambiente de ler e relaxar daquele de se tocar e ouvir música. E havia belos móveis e objetos, ou antigos, ou então reproduzidos por artesãos locais, para enriquecer e aportar qualidade a esse ambiente isento de maior luxo ou pretensão. Havia assim, a escrivaninha do século 19, que servia de base para as garrafas antigas de cristal, os espelhos mexicanos sobre as pias, as mesas vestidas com antigas toalhas brancas bordadas e a coleção de porcelana azul e branca que enfeitava e trazia alegria à sala do café da manhã. Nos vasos, sempre flores colhidas no campo. Penduradas, gaiolas coloridas decoravam o ambiente. Nas varandas que rodeiam a casa, muitas redes em cores vivas mas tecidas de forma bem diferente das nossas nordestinas.
Homenagem à filha morta. Arria tem três filhas que ali cresceram. Uma quarta, que morreu cedo e se chamava Carolina, deu nome à fazenda e à pequena capela, com imagens que a família espera não terem sido também roubadas. Sabe-se que as roupas, os quadros, o mobiliário, as fotos e as lembranças dos Arrias já se foram, assim como quatro cavalos. Consta que as vacas e os cavalos de montaria estariam sendo doados como se a ninguém pertencessem.
Será de muito lamentar o desaparecimento ou a destruição de uma figura religiosa colombiana de um apóstolo do século 18 e de um fragmento de altar dourado do período colonial, quase beirando o teto, que enriqueciam um décor agora ameaçado de extinção pela ira de Hugo Chávez e que tem o sabor amargo da tão retrógrada revolução cultural chinesa.
(http://www.mariaignezbarbosa.com/)
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O Itamaraty e as eleicoes presidenciais: deixando de ser de Estado para ser de governo?
Brasil: Dilma Rousseff se reunirá en Europa con Sarkozy, Durão, Zapatero y Sócrates
Infolatam/Efe
Brasilia, 14 de junio de 2010
La candidata llegará a la capital francesa este martes y su primera actividad será en la noche parisina.
Dilma Rousseff, candidata del Partido de los Trabajadores (PT) a la Presidencia de Brasil, llegará este martes a París, primera escala de una gira europea que incluirá visitas a Bruselas, Madrid y Lisboa, informaron a Efe fuentes de su campaña.
Rousseff, abanderada del partido fundado en 1980 por el actual jefe de Estado brasileño, Luiz Inácio Lula da Silva, se reunirá en esa gira con los presidentes de Francia, Nicolás Sarkozy; de la Comisión Europea, José Manuel Durão Barroso, del Gobierno de España, José Luis Rodríguez Zapatero, y con el primer ministro luso, José Sócrates.
La intención del viaje es presentarse ante esos líderes como candidata y analizar las relaciones de Brasil con esos países y el bloque europeo con vistas al futuro, dijeron las fuentes consultadas por Efe.
La candidata llegará a la capital francesa este martes y su primera actividad será en la noche parisina, cuando junto con miembros de la comunidad brasileña verá por televisión el partido que disputarán Brasil y Corea del Sur en el Mundial de fútbol de Sudáfrica.
El miércoles por la tarde, será recibida por Sarkozy y luego partirá hacia Bruselas, donde tiene previsto reunirse con Durão Barroso el jueves. El viernes llegará a la capital española para un encuentro con Rodríguez Zapatero y el sábado concluirá su gira europea en Lisboa, donde se reunirá con José Sócrates.
La candidatura de Rousseff a la Presidencia en las elecciones del próximo 3 de octubre fue ratificada este domingo en una convención nacional del PT, que presidió el propio Lula, en su condición de fundador y líder del partido.
Esta gira supondrá, por tanto, su primer viaje al exterior como candidata a suceder a Lula en la Presidencia de Brasil, un país que jamás ha sido gobernado por una mujer.
Según las últimas encuestas de opinión, Rousseff cuenta con un 37% de las intenciones de voto, lo mismo que José Serra, abanderado del opositor Partido de la Social Democracia Brasileña (PSDB).
------------------------------
A candidata nunca teria chance de marcar todos esses encontros sem a ativa colaboracao do Itamaraty.
Resta saber se cabe a uma instituicao de Estado se colocar a servico de uma candidatura partidaria.
Obviamente que se o candidato Serra decidisse agora fazer um tour externo, o Itamaraty seria chamado para ajuda-lo, o que nao deixaria de constituir, tambem, uma irregularidade de principio.
Instituicoes de Estado deveriam se manter neutras nesse tipo de disputa.
O que os partidos conseguirem obter como encontros internacionais, por meio se seus canais proprios, OK, mas nao deveriam faze-lo pelos canais diplomaticos...
Paulo Roberto Almeida
==============
Addendum em 17.06.2010:
Como era preciso demonstrar...
USO DA MÁQUINA SEM FRONTEIRAS
Embaixada dá tratamento VIP a “autoridade” petista
Por Matheus Leitão
Folha de São Paulo, 17.06.2010
O Itamaraty deu tratamento de autoridade para o integrante do Diretório Nacional do PT, Valter Pomar, em pelo menos uma das escalas da incursão que fez pela Europa entre 14 e 29 de maio. A viagem para as capitais de Espanha, França, Suécia e Inglaterra, além de uma parada em Frankfurt (Alemanha), teve agenda estritamente partidária. Em Paris um carro oficial da embaixada deu apoio ao seu trabalho.
Na capital francesa, Pomar manteve encontros com quadros do Partido Socialista francês e do Partido Comunista, além do partido radical de esquerda La Gauche, com o intuito de aprofundar o relacionamento com o PT. Coordenador da corrente Articulação de Esquerda, Pomar foi secretário de Relações Internacionais por dois mandatos e já ocupou uma das vice-presidências do PT.
Pomar chegou a Paris no dia 17 e foi levado para o hotel Vaneau Saint German. “Nós buscamos, levamos para o hotel e na volta, quando ele foi embora. Demos toda a assistência quando esteve aqui, como é normal nós fazermos”, disse Orlando Santana, funcionário de chancelaria da embaixada, à Folha.
O apoio na capital francesa terminou no dia 19, quando Pomar foi deixado na estação central de Paris, onde pegou o trem para Londres. A Folha não conseguiu confirmar se Pomar recebeu apoio nas outras capitais. Não há regulamentação para o tratamento a lideranças partidárias na chamada lei do serviço exterior, nas funções consulares do Manual de Serviço Consular e Jurídico nem no guia de administração do postos.
A maratona de Pomar, com horários detalhados de voos, partidas de trens e hotéis para estada, foi informada pela circular telegráfica n.º 77.283, enviada pelo Itamaraty para as embaixadas daquelas capitais e o Consulado-Geral de Frankfurt. O documento oficial, obtido pela Folha, diz: “Para conhecimento, informo que a Secretaria de Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores comunicou hoje, 14 de maio, que Valter Pomar, membro da Direção Nacional do PT, cumprirá agenda em diversos países da Europa durante a segunda quinzena do mês de maio”.
Infolatam/Efe
Brasilia, 14 de junio de 2010
La candidata llegará a la capital francesa este martes y su primera actividad será en la noche parisina.
Dilma Rousseff, candidata del Partido de los Trabajadores (PT) a la Presidencia de Brasil, llegará este martes a París, primera escala de una gira europea que incluirá visitas a Bruselas, Madrid y Lisboa, informaron a Efe fuentes de su campaña.
Rousseff, abanderada del partido fundado en 1980 por el actual jefe de Estado brasileño, Luiz Inácio Lula da Silva, se reunirá en esa gira con los presidentes de Francia, Nicolás Sarkozy; de la Comisión Europea, José Manuel Durão Barroso, del Gobierno de España, José Luis Rodríguez Zapatero, y con el primer ministro luso, José Sócrates.
La intención del viaje es presentarse ante esos líderes como candidata y analizar las relaciones de Brasil con esos países y el bloque europeo con vistas al futuro, dijeron las fuentes consultadas por Efe.
La candidata llegará a la capital francesa este martes y su primera actividad será en la noche parisina, cuando junto con miembros de la comunidad brasileña verá por televisión el partido que disputarán Brasil y Corea del Sur en el Mundial de fútbol de Sudáfrica.
El miércoles por la tarde, será recibida por Sarkozy y luego partirá hacia Bruselas, donde tiene previsto reunirse con Durão Barroso el jueves. El viernes llegará a la capital española para un encuentro con Rodríguez Zapatero y el sábado concluirá su gira europea en Lisboa, donde se reunirá con José Sócrates.
La candidatura de Rousseff a la Presidencia en las elecciones del próximo 3 de octubre fue ratificada este domingo en una convención nacional del PT, que presidió el propio Lula, en su condición de fundador y líder del partido.
Esta gira supondrá, por tanto, su primer viaje al exterior como candidata a suceder a Lula en la Presidencia de Brasil, un país que jamás ha sido gobernado por una mujer.
Según las últimas encuestas de opinión, Rousseff cuenta con un 37% de las intenciones de voto, lo mismo que José Serra, abanderado del opositor Partido de la Social Democracia Brasileña (PSDB).
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A candidata nunca teria chance de marcar todos esses encontros sem a ativa colaboracao do Itamaraty.
Resta saber se cabe a uma instituicao de Estado se colocar a servico de uma candidatura partidaria.
Obviamente que se o candidato Serra decidisse agora fazer um tour externo, o Itamaraty seria chamado para ajuda-lo, o que nao deixaria de constituir, tambem, uma irregularidade de principio.
Instituicoes de Estado deveriam se manter neutras nesse tipo de disputa.
O que os partidos conseguirem obter como encontros internacionais, por meio se seus canais proprios, OK, mas nao deveriam faze-lo pelos canais diplomaticos...
Paulo Roberto Almeida
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Addendum em 17.06.2010:
Como era preciso demonstrar...
USO DA MÁQUINA SEM FRONTEIRAS
Embaixada dá tratamento VIP a “autoridade” petista
Por Matheus Leitão
Folha de São Paulo, 17.06.2010
O Itamaraty deu tratamento de autoridade para o integrante do Diretório Nacional do PT, Valter Pomar, em pelo menos uma das escalas da incursão que fez pela Europa entre 14 e 29 de maio. A viagem para as capitais de Espanha, França, Suécia e Inglaterra, além de uma parada em Frankfurt (Alemanha), teve agenda estritamente partidária. Em Paris um carro oficial da embaixada deu apoio ao seu trabalho.
Na capital francesa, Pomar manteve encontros com quadros do Partido Socialista francês e do Partido Comunista, além do partido radical de esquerda La Gauche, com o intuito de aprofundar o relacionamento com o PT. Coordenador da corrente Articulação de Esquerda, Pomar foi secretário de Relações Internacionais por dois mandatos e já ocupou uma das vice-presidências do PT.
Pomar chegou a Paris no dia 17 e foi levado para o hotel Vaneau Saint German. “Nós buscamos, levamos para o hotel e na volta, quando ele foi embora. Demos toda a assistência quando esteve aqui, como é normal nós fazermos”, disse Orlando Santana, funcionário de chancelaria da embaixada, à Folha.
O apoio na capital francesa terminou no dia 19, quando Pomar foi deixado na estação central de Paris, onde pegou o trem para Londres. A Folha não conseguiu confirmar se Pomar recebeu apoio nas outras capitais. Não há regulamentação para o tratamento a lideranças partidárias na chamada lei do serviço exterior, nas funções consulares do Manual de Serviço Consular e Jurídico nem no guia de administração do postos.
A maratona de Pomar, com horários detalhados de voos, partidas de trens e hotéis para estada, foi informada pela circular telegráfica n.º 77.283, enviada pelo Itamaraty para as embaixadas daquelas capitais e o Consulado-Geral de Frankfurt. O documento oficial, obtido pela Folha, diz: “Para conhecimento, informo que a Secretaria de Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores comunicou hoje, 14 de maio, que Valter Pomar, membro da Direção Nacional do PT, cumprirá agenda em diversos países da Europa durante a segunda quinzena do mês de maio”.
Futura Politica Externa do Brasil: a questao do Iran
Dilma diz que pretende continuar negociação com Irã
Deborah Berlinck
O Globo, 16.6.2010
Se eleita, política externa de Lula será mantida, afirma a petista
A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse ontem que vai continuar a política do governo Lula em relação ao Irã, de aproximação e negociação com o país, e rejeição às sanções das potências ocidentais.
— Pretendemos, sem sombra de dúvida, manter uma política pró-paz, até que nos provem que sanções e uma política de guerra conduz o mundo a uma situação melhor — afirmou Dilma.
O Irã será um dos temas tratados no encontro com hoje de Dilma com o presidente francês Nicolas Sarkozy. O presidente vai dizer a ela que já tentou várias vezes o caminho da negociação com o Irã, sem sucesso.
Para Dilma, entretanto, o isolamento do Irã não é bom:
— Quando você deixa um país, um grupo ou até uma pessoa sem diálogo, leva ao isolamento ou ao acirramento de conflitos.
Dilma lembrou que os países ricos ainda "controlam os fóruns internacionais" e defendeu o direito de o Brasil ter uma posição independente :
"Cada vez mais vai ficar claro que a posição do Brasil a respeito do Irã foi, primeiro, uma posição soberana, que nós atingimos porque hoje temos soberania nas relações internacionais, independência.
Não acredito que um devedor, como o Brasil era no passado, pudesse ter posição altiva em relação ao credor", disse.
------------------------------
Interessante a posicao da candidata. Seria preciso apenas esclarecer a que negociacao ela está se referindo.
O Irã vinha "negociando" com a AIEA e o P5+1 desde 2006, sem sucesso aparente.
Quando os paises ficaram impacientes, Brasil e Turquia "extrairam" uma declaracao cobrindo apenas um dos aspectos das negociacoes, o acesso do Irã a combustivel nuclear.
Nenhum outro aspecto das atividades nucleares do Irã foi tratado nessa declaracao tripartite.
Seria preciso saber se o Brasil e a Turquia pretendem conduzir novas "negociações" com o Irã, à margem e independentemente do P5+1 e da AIEA, e se pretendem novamente oferecer isso à comunidade internacional.
Para negociar com o Irã seria preciso um pouco mais do que promessas...
Paulo Roberto Almeida
Deborah Berlinck
O Globo, 16.6.2010
Se eleita, política externa de Lula será mantida, afirma a petista
A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse ontem que vai continuar a política do governo Lula em relação ao Irã, de aproximação e negociação com o país, e rejeição às sanções das potências ocidentais.
— Pretendemos, sem sombra de dúvida, manter uma política pró-paz, até que nos provem que sanções e uma política de guerra conduz o mundo a uma situação melhor — afirmou Dilma.
O Irã será um dos temas tratados no encontro com hoje de Dilma com o presidente francês Nicolas Sarkozy. O presidente vai dizer a ela que já tentou várias vezes o caminho da negociação com o Irã, sem sucesso.
Para Dilma, entretanto, o isolamento do Irã não é bom:
— Quando você deixa um país, um grupo ou até uma pessoa sem diálogo, leva ao isolamento ou ao acirramento de conflitos.
Dilma lembrou que os países ricos ainda "controlam os fóruns internacionais" e defendeu o direito de o Brasil ter uma posição independente :
"Cada vez mais vai ficar claro que a posição do Brasil a respeito do Irã foi, primeiro, uma posição soberana, que nós atingimos porque hoje temos soberania nas relações internacionais, independência.
Não acredito que um devedor, como o Brasil era no passado, pudesse ter posição altiva em relação ao credor", disse.
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Interessante a posicao da candidata. Seria preciso apenas esclarecer a que negociacao ela está se referindo.
O Irã vinha "negociando" com a AIEA e o P5+1 desde 2006, sem sucesso aparente.
Quando os paises ficaram impacientes, Brasil e Turquia "extrairam" uma declaracao cobrindo apenas um dos aspectos das negociacoes, o acesso do Irã a combustivel nuclear.
Nenhum outro aspecto das atividades nucleares do Irã foi tratado nessa declaracao tripartite.
Seria preciso saber se o Brasil e a Turquia pretendem conduzir novas "negociações" com o Irã, à margem e independentemente do P5+1 e da AIEA, e se pretendem novamente oferecer isso à comunidade internacional.
Para negociar com o Irã seria preciso um pouco mais do que promessas...
Paulo Roberto Almeida
Brasil terá maior crescimento agrícola do mundo até 2019
Como demonstra a matéria abaixo da BBC-Brasil, nosso país é uma potência agrícola e deve continuar a sê-lo no futuro previsível. Isso tem tudo a ver com a teoria das vantagens comparativas de David Ricardo, como já afirmava desde meados do século passado um economista clarividente como Eugênio Gudin, acusado, pelos "industrializantes" ignaros da época, de ser um partidário do "Brasil eternamente agrícola", o que obviamente é ridículo.
Não existe nenhum atraso em ser uma potência agrícola, atividade que reune o que tem de melhor na ciência, na tecnologia, na indústria, nos serviços, na pesquisa de ponta.
Isso não tem absolutamente nada a ver com a "desindustrialização" do Brasil. Todos os países passam pela diminuição do setor industrial na formação do PIB, geralmente em direção dos serviços, mas não há nada de fundamentalmente errado em reforçar o setor agrícola, sobretudo se este é moderno, pujante, capitalizado e cientificamente apoiado como é o caso no Brasil.
Paulo Roberto de Almeida
Brasil terá maior crescimento agrícola do mundo até 2019
Daniela Fernandes
De Paris para a BBC Brasil
15 de junho, 2010
Brasil deve ampliar participação em produtos que já exporta
A produção agrícola do Brasil deverá registrar o maior crescimento mundial, de mais de 40% até 2019, na comparação com o período entre 2007 e 2009, segundo um relatório conjunto da Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado nesta terça-feira.
“É no Brasil que a alta da produção agrícola será, de longe, a mais rápida”, afirma o documento Perspectivas Agrícolas 2010-2019, divulgado pelas duas organizações.
De acordo com o relatório, a agricultura russa deve crescer 26% até 2019. Os setores agrícolas da China e da Índia também devem registrar um aumento significativo nesse período, de 26% e 21%, respectivamente.
Já a produção agrícola da União Europeia deve registrar uma expansão de menos de 4% até 2019, segundo o relatório, que classifica o desempenho como “estagnado”.
“O aumento da produção agrícola mundial deverá ser menos rápido durante a próxima década do que nos últimos dez anos, mas ela deverá, no entanto, permitir o crescimento de 70% da produção mundial de alimentos até 2050, como exige o crescimento demográfico previsto”, afirma o relatório.
Etanol
O documento demonstra que o Brasil deve ampliar ainda mais suas atividades em setores agrícolas onde já atua com destaque. Um deles é o da produção de etanol, que deve crescer 7,5% por ano no Brasil no período entre 2010 e 2019.
“O Brasil, com sua indústria baseada na produção de etanol a partir da cana-de-açúcar, deverá ser o principal exportador mundial. Uma parte dessas exportações deve transitar pelos países do Caribe com destino aos Estados Unidos para se beneficiar de condições preferenciais de importação”, diz o relatório.
Segundo a FAO e a OCDE, “o aumento do comércio internacional de etanol vai resultar quase totalmente do crescimento das exportações brasileiras”.
O documento afirma ainda que “40% do aumento da produção mundial de etanol deve ser realizado graças ao aumento da produção baseada na cana-de-açúcar, principalmente do Brasil, para atender a demanda doméstica brasileira e americana”.
Oleaginosas
Outro setor agrícola em que o Brasil deverá ter maior destaque é o dos oleaginosos (soja, milho, óleos vegetais). Durante a próxima década, 70% do aumento das exportações mundiais de grãos oleaginosos devem vir do Brasil.
As exportações brasileiras do produto devem passar de 26% do total mundial em 2010 a 35% em 2019, diz o relatório.
“O Brasil deverá se tornar o primeiro exportador mundial de grãos oleaginosos, ultrapassando os Estados Unidos em 2018.”
O país também deverá ampliar sua posição, já forte, no mercado mundial de açúcar, representando 50% do comércio internacional na próxima década.
O Brasil terá ainda um papel significativo no aumento do comércio mundial de carnes, contribuindo “sozinho com 63% das exportações de países que não integram a OCDE e com um terço das exportações mundiais”, diz o relatório.
O documento afirma também que os preços dos produtos agrícolas voltaram a cair, após os níveis recordes atingidos há dois anos, durante a crise alimentar, mas ressalta que “é pouco provável” que eles voltem aos níveis médios da década passada.
Os preços médios devem permanecer mais elevados e as preocupações em relação à segurança alimentar persistem, afirmam as duas organizações.
Elas preveem que as cotações médias do trigo e dos cereais serão, nos próximos dez anos, entre 15% e 40% superiores às do período entre 1997 e 2006
Não existe nenhum atraso em ser uma potência agrícola, atividade que reune o que tem de melhor na ciência, na tecnologia, na indústria, nos serviços, na pesquisa de ponta.
Isso não tem absolutamente nada a ver com a "desindustrialização" do Brasil. Todos os países passam pela diminuição do setor industrial na formação do PIB, geralmente em direção dos serviços, mas não há nada de fundamentalmente errado em reforçar o setor agrícola, sobretudo se este é moderno, pujante, capitalizado e cientificamente apoiado como é o caso no Brasil.
Paulo Roberto de Almeida
Brasil terá maior crescimento agrícola do mundo até 2019
Daniela Fernandes
De Paris para a BBC Brasil
15 de junho, 2010
Brasil deve ampliar participação em produtos que já exporta
A produção agrícola do Brasil deverá registrar o maior crescimento mundial, de mais de 40% até 2019, na comparação com o período entre 2007 e 2009, segundo um relatório conjunto da Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado nesta terça-feira.
“É no Brasil que a alta da produção agrícola será, de longe, a mais rápida”, afirma o documento Perspectivas Agrícolas 2010-2019, divulgado pelas duas organizações.
De acordo com o relatório, a agricultura russa deve crescer 26% até 2019. Os setores agrícolas da China e da Índia também devem registrar um aumento significativo nesse período, de 26% e 21%, respectivamente.
Já a produção agrícola da União Europeia deve registrar uma expansão de menos de 4% até 2019, segundo o relatório, que classifica o desempenho como “estagnado”.
“O aumento da produção agrícola mundial deverá ser menos rápido durante a próxima década do que nos últimos dez anos, mas ela deverá, no entanto, permitir o crescimento de 70% da produção mundial de alimentos até 2050, como exige o crescimento demográfico previsto”, afirma o relatório.
Etanol
O documento demonstra que o Brasil deve ampliar ainda mais suas atividades em setores agrícolas onde já atua com destaque. Um deles é o da produção de etanol, que deve crescer 7,5% por ano no Brasil no período entre 2010 e 2019.
“O Brasil, com sua indústria baseada na produção de etanol a partir da cana-de-açúcar, deverá ser o principal exportador mundial. Uma parte dessas exportações deve transitar pelos países do Caribe com destino aos Estados Unidos para se beneficiar de condições preferenciais de importação”, diz o relatório.
Segundo a FAO e a OCDE, “o aumento do comércio internacional de etanol vai resultar quase totalmente do crescimento das exportações brasileiras”.
O documento afirma ainda que “40% do aumento da produção mundial de etanol deve ser realizado graças ao aumento da produção baseada na cana-de-açúcar, principalmente do Brasil, para atender a demanda doméstica brasileira e americana”.
Oleaginosas
Outro setor agrícola em que o Brasil deverá ter maior destaque é o dos oleaginosos (soja, milho, óleos vegetais). Durante a próxima década, 70% do aumento das exportações mundiais de grãos oleaginosos devem vir do Brasil.
As exportações brasileiras do produto devem passar de 26% do total mundial em 2010 a 35% em 2019, diz o relatório.
“O Brasil deverá se tornar o primeiro exportador mundial de grãos oleaginosos, ultrapassando os Estados Unidos em 2018.”
O país também deverá ampliar sua posição, já forte, no mercado mundial de açúcar, representando 50% do comércio internacional na próxima década.
O Brasil terá ainda um papel significativo no aumento do comércio mundial de carnes, contribuindo “sozinho com 63% das exportações de países que não integram a OCDE e com um terço das exportações mundiais”, diz o relatório.
O documento afirma também que os preços dos produtos agrícolas voltaram a cair, após os níveis recordes atingidos há dois anos, durante a crise alimentar, mas ressalta que “é pouco provável” que eles voltem aos níveis médios da década passada.
Os preços médios devem permanecer mais elevados e as preocupações em relação à segurança alimentar persistem, afirmam as duas organizações.
Elas preveem que as cotações médias do trigo e dos cereais serão, nos próximos dez anos, entre 15% e 40% superiores às do período entre 1997 e 2006
De servos e de seres livres: um rebound (e encerramento do debate)
Um EX-SERVO do Estado me escreveu um longo comentário ao post que leva este título (ver mais abaixo), e depois reclamou que eu tinha limitado seu direito de expressão. Isso se deveu não à minha censura, como pretendeu afirmar o comentarista em questão, mas a uma limitação técnica do sistema, como vai aqui explicitado:
Seu HTML não pode ser aceito: Must be at most 4,096 characters
Ou seja, como eu, o Ex-Servo do Estado tem a mania de escrever demais. Vou transcrever abaixo o que esse comentarista escreveu, que agora sei quem é, mas não vem ao caso.
Considero que fica encerrada aqui a discussão, pois não me interessa prolongar um debate esquizofrênico, cheio de equívocos e ressentimentos.
Permito-me apenas responder a determinadas bobagens ao final.
Paulo Roberto de Almeida
Transcrevo:
Prezado embaixador,
Vejo que V.Exa tem um problema terrível com a palavra hermenêutica, pois eu afirmei que me considero um ex-servo do Olimpo, justamente, por que me libertei daquilo que supostamente me remetia a uma prisão [de qualquer ordem].
Eu não disse que sou servo. Vou dar um exemplo: V.Exa se diz ex-socialista, isto significa que ex-socialista não é socialista. Conseguiu compreender a diferença agora ?
Foi apenas uma metáfora que quer significar a liberdade plena e nada mais. Já tinha reparado que V.Exa escreve sem interpretar, devidamente, os próprios escritos, que dirá os alheios !
Quanto ao seu conceito de liberdade, achei um tanto sofrível, posso dizer até “gongorico”, o final de sua defesa, pois quase me emocionou. O que eu questionei não foi o fato de V.Exa ser um servo [ops! melhor servidor] do Estado, mas sim, justamente, por que faz críticas e usufrui de TODAS as prerrogativas que o Estado lhe confere. Assim como os militares, V.Exa sempre diz que os diplomatas são sanguessugas do Estado. Não fui eu que disse isso, foi V.Exa em seu livro “A Grande Mudança”.
Eu não sou contra o que escreve, pelo contrário. Só acho que V.Exa critica mas, efetivamente, não faz nada para mudar ideologicamente suas atitudes. É liderado por um homem que tem menos estudo do que uma relés Dona-de-Casa. Como isso deve fazê-lo sofrer! Estudou a vida inteira para ser chefiado pelo Lula, que trágico fim o seu. Isso não é uma prisão? Ele é que decide mandá-lo para China ou para Conchinchina, acha mesmo que isso é liberdade ?
Usarei suas próprias palavras: “...as pessoas têm o direito de criticar o Estado e de criticar as políticas públicas....” e acrescentarei o seguinte: “desde que suas ações coadunam com seus pensamentos”.
O Brasil não precisa de mais Estado na economia para se desenvolver. Isto é fato!
Mas V.Exa, que critica os muitos jovens que querem a carreira pública faz, parte do serviço público. Então por que está no Serviço Público ?
Apenas a guisa de esclarecimento, eu não me contento com um Estado espoliador, jamais ! E concordo plenamente que o Brasil é uma anomalia no conjunto de economias em desenvolvimento; que possui uma carga tributária nefasta para setor patronal e, também, para o povo, mas V.Exa faz parte daqueles que usufruem de todos os privilégios dados pelo Estado e que aumentam o déficit público, pois isso volta para o contribuinte.
Quanto à não concordar com um Estado que arranca metade da renda e ainda o obriga a comprar no setor privado os serviços, não é uma questão de sinceridade, mas sim de coerência, sendo assim, aqui foi um ponto onde concordamos.
Quanto à V.Exa não concordar com a estabilidade funcional, já tinha escrito isso também em seu livro “A Grande Mudança”, para mim continua a ser demagogia, visto que diz que não gosta de Caviar, mas come o infeliz do Caviar. [Eu particularmente adoro Caviar e assumo]
Agora, o seu desfecho nesta defesa foi piegas, pois se acha que tudo isso é uma indignidade com o povo brasileiro e se é adepto do princípio da dignidade da pessoa humana, então, eu pergunto:
1 ) - Por que não larga as tetas públicas e produz [como empresário] para este povo que trabalha tanto e paga os seus privilégios, segundo suas próprias palavras ?
2 ) Acha mesmo que como empresário sua influência não seria mais “producente”, junto à APEX, salvo engano órgão ao qual está com V.Exa. na Expo China representando o Brasil para uma maior visibilidade internacional ?
3 )- Como cidadão pagador de impostos, não seria melhor que o fizesse na condição de empresário ? Visto que além de produzir, daria empregos e ajudaria no desenvolvimento econômico do país ?
4 ) - Matematicamente falando, talvez fosse o caso de deixar de alugar seu cérebro servilmente [santa tolice], para produzir mais dentro deste gigante adormecido, não acha que traria mais resultados positivos para o povo brasileiro ?
5 )- Será que V.Exa, realmente, é um ser livre ?
Da próxima vez que escrever, pode até me criticar, mas, por favor, interprete melhor o que eu escrevo, pois não sou “SERVO” e sim “EX-SERVO” que raciocina e que neste momento se volta contra o criador, no sentido de lhe dizer: produza para o país e saia do discurso a lá moda Azambuja e tantos outros...
Remetente: Um ex-servo do Olimpo
Destinatário: Ao Deus do Saber do Olimpo
(Brasil, 17.06.2010)
Fim de transcricao
Comento rapidamente:
1) Não sou embaixador, mas isso não vem ao caso e não tem nada a ver com o debate.
2) Meu conceito de liberdade é muito simples: pessoas conscientes, mesmo quando funcionários públicos, não se contentam em ser submissos ao Estado, mas exercem o seu direito de criticar esse mesmo Estado. No meu conceito, as liberdades individuais vêm antes da sujeição ao Estado.
3) O "ex-servo do Estado" pretende que eu me retire do Estado para poder criticá-lo, o que é contraditório com a expressão acima, das liberdades fundamentais.
4) Não desfruto de nenhuma mordomia estatal: trabalho, tenho salário, pago minhas despesas com meu próprio salário. As alegações são ridículas, inclusive quanto ao caviar.
5) Seria demagogia se eu usasse minha condição profissional para defender a estabilidade funcional. Como sou um ser livre, defendo o fim da estabilidade para TODOS os funcionários públicos, pois considero isso nefasto do ponto de vista dos serviços público e uma fonte de privilégios e mordomias inaceitáveis para o povo brasileiro.
6) Num país livre, cada um escolhe ser empresário, funcionário público, professor, qualquer coisa, e isso não tem absolutamente nada a ver com o que cada um pensa sobre o Estado, a economia, os direitos individuais, o exercício dos deveres cívicos, etc.
Dou por encerrada esta discussão ridícula, com quem quer se promover, ainda que anonimamente.
16.06.2010
Seu HTML não pode ser aceito: Must be at most 4,096 characters
Ou seja, como eu, o Ex-Servo do Estado tem a mania de escrever demais. Vou transcrever abaixo o que esse comentarista escreveu, que agora sei quem é, mas não vem ao caso.
Considero que fica encerrada aqui a discussão, pois não me interessa prolongar um debate esquizofrênico, cheio de equívocos e ressentimentos.
Permito-me apenas responder a determinadas bobagens ao final.
Paulo Roberto de Almeida
Transcrevo:
Prezado embaixador,
Vejo que V.Exa tem um problema terrível com a palavra hermenêutica, pois eu afirmei que me considero um ex-servo do Olimpo, justamente, por que me libertei daquilo que supostamente me remetia a uma prisão [de qualquer ordem].
Eu não disse que sou servo. Vou dar um exemplo: V.Exa se diz ex-socialista, isto significa que ex-socialista não é socialista. Conseguiu compreender a diferença agora ?
Foi apenas uma metáfora que quer significar a liberdade plena e nada mais. Já tinha reparado que V.Exa escreve sem interpretar, devidamente, os próprios escritos, que dirá os alheios !
Quanto ao seu conceito de liberdade, achei um tanto sofrível, posso dizer até “gongorico”, o final de sua defesa, pois quase me emocionou. O que eu questionei não foi o fato de V.Exa ser um servo [ops! melhor servidor] do Estado, mas sim, justamente, por que faz críticas e usufrui de TODAS as prerrogativas que o Estado lhe confere. Assim como os militares, V.Exa sempre diz que os diplomatas são sanguessugas do Estado. Não fui eu que disse isso, foi V.Exa em seu livro “A Grande Mudança”.
Eu não sou contra o que escreve, pelo contrário. Só acho que V.Exa critica mas, efetivamente, não faz nada para mudar ideologicamente suas atitudes. É liderado por um homem que tem menos estudo do que uma relés Dona-de-Casa. Como isso deve fazê-lo sofrer! Estudou a vida inteira para ser chefiado pelo Lula, que trágico fim o seu. Isso não é uma prisão? Ele é que decide mandá-lo para China ou para Conchinchina, acha mesmo que isso é liberdade ?
Usarei suas próprias palavras: “...as pessoas têm o direito de criticar o Estado e de criticar as políticas públicas....” e acrescentarei o seguinte: “desde que suas ações coadunam com seus pensamentos”.
O Brasil não precisa de mais Estado na economia para se desenvolver. Isto é fato!
Mas V.Exa, que critica os muitos jovens que querem a carreira pública faz, parte do serviço público. Então por que está no Serviço Público ?
Apenas a guisa de esclarecimento, eu não me contento com um Estado espoliador, jamais ! E concordo plenamente que o Brasil é uma anomalia no conjunto de economias em desenvolvimento; que possui uma carga tributária nefasta para setor patronal e, também, para o povo, mas V.Exa faz parte daqueles que usufruem de todos os privilégios dados pelo Estado e que aumentam o déficit público, pois isso volta para o contribuinte.
Quanto à não concordar com um Estado que arranca metade da renda e ainda o obriga a comprar no setor privado os serviços, não é uma questão de sinceridade, mas sim de coerência, sendo assim, aqui foi um ponto onde concordamos.
Quanto à V.Exa não concordar com a estabilidade funcional, já tinha escrito isso também em seu livro “A Grande Mudança”, para mim continua a ser demagogia, visto que diz que não gosta de Caviar, mas come o infeliz do Caviar. [Eu particularmente adoro Caviar e assumo]
Agora, o seu desfecho nesta defesa foi piegas, pois se acha que tudo isso é uma indignidade com o povo brasileiro e se é adepto do princípio da dignidade da pessoa humana, então, eu pergunto:
1 ) - Por que não larga as tetas públicas e produz [como empresário] para este povo que trabalha tanto e paga os seus privilégios, segundo suas próprias palavras ?
2 ) Acha mesmo que como empresário sua influência não seria mais “producente”, junto à APEX, salvo engano órgão ao qual está com V.Exa. na Expo China representando o Brasil para uma maior visibilidade internacional ?
3 )- Como cidadão pagador de impostos, não seria melhor que o fizesse na condição de empresário ? Visto que além de produzir, daria empregos e ajudaria no desenvolvimento econômico do país ?
4 ) - Matematicamente falando, talvez fosse o caso de deixar de alugar seu cérebro servilmente [santa tolice], para produzir mais dentro deste gigante adormecido, não acha que traria mais resultados positivos para o povo brasileiro ?
5 )- Será que V.Exa, realmente, é um ser livre ?
Da próxima vez que escrever, pode até me criticar, mas, por favor, interprete melhor o que eu escrevo, pois não sou “SERVO” e sim “EX-SERVO” que raciocina e que neste momento se volta contra o criador, no sentido de lhe dizer: produza para o país e saia do discurso a lá moda Azambuja e tantos outros...
Remetente: Um ex-servo do Olimpo
Destinatário: Ao Deus do Saber do Olimpo
(Brasil, 17.06.2010)
Fim de transcricao
Comento rapidamente:
1) Não sou embaixador, mas isso não vem ao caso e não tem nada a ver com o debate.
2) Meu conceito de liberdade é muito simples: pessoas conscientes, mesmo quando funcionários públicos, não se contentam em ser submissos ao Estado, mas exercem o seu direito de criticar esse mesmo Estado. No meu conceito, as liberdades individuais vêm antes da sujeição ao Estado.
3) O "ex-servo do Estado" pretende que eu me retire do Estado para poder criticá-lo, o que é contraditório com a expressão acima, das liberdades fundamentais.
4) Não desfruto de nenhuma mordomia estatal: trabalho, tenho salário, pago minhas despesas com meu próprio salário. As alegações são ridículas, inclusive quanto ao caviar.
5) Seria demagogia se eu usasse minha condição profissional para defender a estabilidade funcional. Como sou um ser livre, defendo o fim da estabilidade para TODOS os funcionários públicos, pois considero isso nefasto do ponto de vista dos serviços público e uma fonte de privilégios e mordomias inaceitáveis para o povo brasileiro.
6) Num país livre, cada um escolhe ser empresário, funcionário público, professor, qualquer coisa, e isso não tem absolutamente nada a ver com o que cada um pensa sobre o Estado, a economia, os direitos individuais, o exercício dos deveres cívicos, etc.
Dou por encerrada esta discussão ridícula, com quem quer se promover, ainda que anonimamente.
16.06.2010
Venezuela - de volta a uma triste realidade econômica
Sinceramente, gostaria de postar coisas mais interessantes sobre a Venezuela, do que simples notícias de "alimentos apodrecidos".
Mas creio que essa é a triste realidade da Venezuela hoje: um país que deveria estar discutindo programas de governo e perspectivas eleitorais, e tem de se ocupar de cenários que imaginávamos enterrados no passado: inflação, falta de alimentos, cortes de eletricidade e de água, enfim, cenas prosaicas demais para merecer maior atenção...
Paulo Roberto de Almeida
Comida podre na Venezuela
Editorial
O Estado de S.Paulo, 16/06/2010
Comida apodrece em portos da Venezuela, enquanto os consumidores enfrentam uma crise de abastecimento, com escassez de produtos no mercado e preços em alta. O governo joga a culpa da inflação nos fantasmas de sempre -- especuladores interessados em desestabilizar o regime do presidente Hugo Chávez. Mas os carregamentos abandonados e em deterioração foram importados pela PDVAL, uma subsidiária da Petróleos de Venezuela, a estatal convertida num dos principais instrumentos de intervenção na economia do País. Segundo admitiu o governo na semana passada, 30 mil toneladas de alimentos estavam se estragando em contêineres no Porto Cabello. De acordo com a imprensa oposicionista, o total passa de 75 mil toneladas, em vários portos.
O desperdício dessa comida é apenas mais um desastre imposto ao povo da Venezuela pelo estilo de governo bolivariano, uma mistura de autoritarismo, incompetência e corrupção. O crescente autoritarismo tem sido acompanhado de intervenção cada vez mais ampla em setores da economia venezuelana. O resultado tem sido invariavelmente catastrófico. Uma rede varejista foi montada para distribuir alimentos. Essas lojas deveriam levar aos consumidores a comida importada pela PDVAL, mas o sistema tem falhado de ponta a ponta. Os produtos não chegam, as prateleiras ficam vazias e o público enfrenta dificuldades cada vez mais sérias para se abastecer. De janeiro a maio o custo da alimentação subiu 21%, segundo o Banco Central.
A inflação da comida é mais um componente de uma situação muito difícil para a maior parte da população, já afetada pela falta de água, pela escassez de energia elétrica, pelas deficiências do investimento público e por uma situação econômica em deterioração cada vez mais sensível. Há anos o governo desperdiça o dinheiro do petróleo em ações destinadas a consolidar um regime cada vez mais centralizador e repressivo, em vez de aproveitá-lo para modernizar a economia, diversificar a produção e fortalecer o próprio setor petrolífero.
A desapropriação e redistribuição de terras foi um fracasso. Isso não surpreende. Há uma distância enorme entre a tolice retórica a respeito da "soberania alimentar" e a criação de condições favoráveis à produção e ao abastecimento. Em todos os outros setores a intervenção oficial produziu resultados igualmente ruins.
O governo reage à sucessão de fracassos com novas ações contra a oposição, contra a liberdade de informação e de opinião e contra o setor privado. Uma de suas últimas façanhas foi mandar prender o presidente da TV Globovisión. O empresário, dono também de uma distribuidora de carros, foi acusado de esconder automóveis para especular com os preços. O ridículo da acusação e a pobreza da justificativa de mais essa violência só não escandalizam os defensores do autoritarismo e da censura -- entre os quais se destaca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Esse é o padrão Chávez. A cada novo desastre provocado por sua ambição de controlar toda a vida venezuelana, ele reage distribuindo acusações e praticando mais alguma arbitrariedade. Já impôs ao Congresso domínio suficiente para não encontrar oposição séria entre os parlamentares. Domesticou boa parte do Judiciário, mandando prender quem se atreve a assinar uma sentença contrária a seus interesses políticos. Dispõe de milícias para promover arruaças e intimidar quem tenta manter alguma independência de opinião. Inabilita profissionais, especialmente jornalistas e advogados, quando se tornam incômodos.
As condições de abastecimento só não são piores na Venezuela porque ainda há algumas empresas privadas no setor. Mas o número diminui rapidamente. Na semana passada o governo anunciou a imposição de seu controle a mais 18 empresas do setor. O alvo principal de Chávez, agora, é a maior empresa privada do setor de comidas e bebidas, a Polar, já prejudicada pelo confisco de produtos. A desapropriação de mais uma grande empresa será uma nova oportunidade para a expansão da incompetência e da corrupção.
Mas creio que essa é a triste realidade da Venezuela hoje: um país que deveria estar discutindo programas de governo e perspectivas eleitorais, e tem de se ocupar de cenários que imaginávamos enterrados no passado: inflação, falta de alimentos, cortes de eletricidade e de água, enfim, cenas prosaicas demais para merecer maior atenção...
Paulo Roberto de Almeida
Comida podre na Venezuela
Editorial
O Estado de S.Paulo, 16/06/2010
Comida apodrece em portos da Venezuela, enquanto os consumidores enfrentam uma crise de abastecimento, com escassez de produtos no mercado e preços em alta. O governo joga a culpa da inflação nos fantasmas de sempre -- especuladores interessados em desestabilizar o regime do presidente Hugo Chávez. Mas os carregamentos abandonados e em deterioração foram importados pela PDVAL, uma subsidiária da Petróleos de Venezuela, a estatal convertida num dos principais instrumentos de intervenção na economia do País. Segundo admitiu o governo na semana passada, 30 mil toneladas de alimentos estavam se estragando em contêineres no Porto Cabello. De acordo com a imprensa oposicionista, o total passa de 75 mil toneladas, em vários portos.
O desperdício dessa comida é apenas mais um desastre imposto ao povo da Venezuela pelo estilo de governo bolivariano, uma mistura de autoritarismo, incompetência e corrupção. O crescente autoritarismo tem sido acompanhado de intervenção cada vez mais ampla em setores da economia venezuelana. O resultado tem sido invariavelmente catastrófico. Uma rede varejista foi montada para distribuir alimentos. Essas lojas deveriam levar aos consumidores a comida importada pela PDVAL, mas o sistema tem falhado de ponta a ponta. Os produtos não chegam, as prateleiras ficam vazias e o público enfrenta dificuldades cada vez mais sérias para se abastecer. De janeiro a maio o custo da alimentação subiu 21%, segundo o Banco Central.
A inflação da comida é mais um componente de uma situação muito difícil para a maior parte da população, já afetada pela falta de água, pela escassez de energia elétrica, pelas deficiências do investimento público e por uma situação econômica em deterioração cada vez mais sensível. Há anos o governo desperdiça o dinheiro do petróleo em ações destinadas a consolidar um regime cada vez mais centralizador e repressivo, em vez de aproveitá-lo para modernizar a economia, diversificar a produção e fortalecer o próprio setor petrolífero.
A desapropriação e redistribuição de terras foi um fracasso. Isso não surpreende. Há uma distância enorme entre a tolice retórica a respeito da "soberania alimentar" e a criação de condições favoráveis à produção e ao abastecimento. Em todos os outros setores a intervenção oficial produziu resultados igualmente ruins.
O governo reage à sucessão de fracassos com novas ações contra a oposição, contra a liberdade de informação e de opinião e contra o setor privado. Uma de suas últimas façanhas foi mandar prender o presidente da TV Globovisión. O empresário, dono também de uma distribuidora de carros, foi acusado de esconder automóveis para especular com os preços. O ridículo da acusação e a pobreza da justificativa de mais essa violência só não escandalizam os defensores do autoritarismo e da censura -- entre os quais se destaca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Esse é o padrão Chávez. A cada novo desastre provocado por sua ambição de controlar toda a vida venezuelana, ele reage distribuindo acusações e praticando mais alguma arbitrariedade. Já impôs ao Congresso domínio suficiente para não encontrar oposição séria entre os parlamentares. Domesticou boa parte do Judiciário, mandando prender quem se atreve a assinar uma sentença contrária a seus interesses políticos. Dispõe de milícias para promover arruaças e intimidar quem tenta manter alguma independência de opinião. Inabilita profissionais, especialmente jornalistas e advogados, quando se tornam incômodos.
As condições de abastecimento só não são piores na Venezuela porque ainda há algumas empresas privadas no setor. Mas o número diminui rapidamente. Na semana passada o governo anunciou a imposição de seu controle a mais 18 empresas do setor. O alvo principal de Chávez, agora, é a maior empresa privada do setor de comidas e bebidas, a Polar, já prejudicada pelo confisco de produtos. A desapropriação de mais uma grande empresa será uma nova oportunidade para a expansão da incompetência e da corrupção.
O PT exagerou na cara de pau: uma desfacatez muito grande
Este blog não se ocupa diretamente de questões políticas, pelo menos não de temas partidários, ou de eleições e preferências políticas. Ele se ocupa de ideias, entre outras ideias politicas, mas sobretudo de princípios, valores, políticas públicas. Ele pretende preservar a dignidade das boas ideias politicas e contribuir para a melhora dos "costumes políticos" no Brasil.
Eu raramente, ou quase nunca, postaria uma matéria como essa que vai abaixo, se não fosse por uma legítima indignação com a mentira, a desfaçatez, a cara-de-pau e a sem-vergonhice, tão evidentes no tema básica.
Ou seja, o partido que vem usando golpes baixos, que vem montando dossiês e que mente desbragadamente com respeito a suas patifarias pretende acusar os adversários de fazer todas aquelas trapaças às quais ele mesmo recorre e usa extensa e intensivamente.
Como se diz em linguagem popular: é muita cara-de-pau.
Creio que atitudes como essa, merecem denúncia e repúdio indignado, pelo menos da parte de todos aqueles que gostariam de ver uma campanha presidencial de alto nível, com eleições marcadas pela lisura, pelo debate aberto, pela sinceridade de propósitos, enfim.
Minha contribuição à campanha atual, para manter meus princípios e valores, seria confirmar meu total repúdio a esse tipo de atitude, e dizer o que segue:
1) A campanha política será marcada por uma disputa eleitoral entre dois candidatos em torno dos quais se dará o debate político sobre como cada um pretende conduzir a próxima presidência, com base nas suas percepções pessoais sobre os problemas principais do Brasil e suas propostas de soluções. Não estão em causa a administração FHC e sequer a de Lula. As manipulações e tentativas para desviar o foco do debate e orientá-lo em comparações com o passado são a meu ver equivocadas.
2) A acusação de que a oposição aposta no "quanto pior melhor" é de absoluta má-fé e de distorção da verdadeira realidade. Quem recorre a todos os expedientes para tentar ganhar é o PT, que intervem vergonhosamente num diretório estadual para distorcer a vontade de seus militantes e quadros regionais.
3) Acusar alguém de "submissão internacional" é de tão baixo nível que sequer cabe uma rejeição desse inventado propósito, feito de má-fé, numa atitude praticamente criminosa.
4) Finalmente, quando aos grandes temas propostos para campanha -- "reforma agrária, democratização da comunicação social e implantação do imposto sobre grandes riquezas" -- minhas únicas observações são estas: reforma agrária é uma questão praticamente marginal hoje em dia, pertencendo ao Brasil de um passado de agricultura atrasada e pouco capitalizada; "democratização da comunicação social" é um outro nome para a tentativa autoritária e liberticida de controlar a imprensa, criando o que se chama de "grande irmão censor"; imposto sobre as grandes fortunas pode até ser discutido, mas num contexto eleitoral significa pretender fazer demagogia classista, jogando os pobres contra os ricos, para tentar fazer crer que os pobres estariam em melhor situação se esse imposto fosse criado, já que anima a sanha distributivista dos ingênuos, que não sabem que seria mais uma maneira de dar dinheiro a um Estado já superdimensionado, um ogro insaciável em sua extorsão tributária.
Paulo Roberto de Almeida
(Shanghai, 16.06.2010)
PT volta a atacar imprensa e fala em manipulação
Leila Suwwan
O Globo, 16/06/2010
Partido aprova resolução afirmando que oposição usará golpes baixos e grandes meios de comunicação na campanha
Resolução política do PT aprovada na última sexta-feira ataca a imprensa e afirma que a disputa será marcada por "golpes baixos" e "tentativa de manipulação dos meios de comunicação". O documento afirma que a oposição e seus "apoiadores nos meios de comunicação" tentarão influenciar o resultado da eleição. Também conclama a militância a transformar os esforços da chapa Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB) em uma campanha de massas, e a insistir na comparação entre os governos de Lula e Fernando Henrique Cardoso.
O documentou resultou da reunião do Diretório Nacional do partido, semana passada, em São Paulo, e foi divulgado no site do PT. Na mesma reunião, foi decidida a intervenção no diretório regional do Maranhão para garantir o apoio à reeleição de Roseana Sarney (PMDB) para o governo. O diretório regional havia optado pelo apoio a Flávio Dino (PCdoB).
O documento já antecipava orientações presentes também no discurso do presidente Lula na convenção do partido, no último domingo, quando ele avaliou como "quase absoluta" a chance de vitória. "Devemos estar preparados para uma campanha de golpes baixos. (...) E que sinaliza qual será o comportamento de uma parte da oposição durante nosso futuro governo", diz o texto do partido.
O documento afirma que "a oposição e seus apoiadores nos meios de comunicação já demonstraram, por diversas vezes, estar dispostos a absolutamente tudo para tentar ganhar as eleições". "Farão de tudo para levar a eleição ao segundo turno, apoiando outras candidaturas, estimulando a judicialização da política, usando os grandes meios de comunicação como boletins de campanha, atacando os direitos humanos, torcendo para que a nova etapa da crise internacional altere para pior as condições do Brasil, produzindo crise cambial, alta de juros e primarização de nossa pauta de exportações."
O diagnóstico é baseado em acontecimentos das últimas semanas, sem citar o suposto dossiê e acusando o candidato tucano, José Serra, de usurpar mensagens de continuidade. A análise do partido é de que a estratégia do PSDB não teve êxito. Fala em dianteira nas pesquisas, crescimento de Dilma e "estancamento" de Serra - os candidatos estavam tecnicamente empatados nas últimas sondagens. O PT pede que a militância "não baixe a guarda".
O texto acusa o tucano José Serra de "submissão" internacional: "O candidato da oposição ataca a política externa brasileira, deixando evidente que sua opção é pela submissão aos poderosos de ontem, sem perceber que o mundo está mudando e que nosso país já é um dos protagonistas de uma nova época que está nascendo".
A resolução apresenta uma espécie de manual para discussões eleitorais, ancorado na comparação entre os governos Lula (2003-2010) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
"Interessa explicar as vantagens do modelo de partilha frente ao modelo de concessão; o papel decisivo que os bancos públicos jogaram, para evitar os efeitos mais perversos da crise internacional; o papel da elevação do salário mínimo e de programas de transferência de renda, para estimular um mercado interno que sustentou o crescimento do país", afirma o documento.
O texto pede o envolvimento dos partidos de esquerda, movimentos sociais e intelectuais para aprofundar o caráter popular do governo e alcançar três objetivos: reforma agrária, democratização da comunicação social e implantação do imposto sobre grandes riquezas.
Eu raramente, ou quase nunca, postaria uma matéria como essa que vai abaixo, se não fosse por uma legítima indignação com a mentira, a desfaçatez, a cara-de-pau e a sem-vergonhice, tão evidentes no tema básica.
Ou seja, o partido que vem usando golpes baixos, que vem montando dossiês e que mente desbragadamente com respeito a suas patifarias pretende acusar os adversários de fazer todas aquelas trapaças às quais ele mesmo recorre e usa extensa e intensivamente.
Como se diz em linguagem popular: é muita cara-de-pau.
Creio que atitudes como essa, merecem denúncia e repúdio indignado, pelo menos da parte de todos aqueles que gostariam de ver uma campanha presidencial de alto nível, com eleições marcadas pela lisura, pelo debate aberto, pela sinceridade de propósitos, enfim.
Minha contribuição à campanha atual, para manter meus princípios e valores, seria confirmar meu total repúdio a esse tipo de atitude, e dizer o que segue:
1) A campanha política será marcada por uma disputa eleitoral entre dois candidatos em torno dos quais se dará o debate político sobre como cada um pretende conduzir a próxima presidência, com base nas suas percepções pessoais sobre os problemas principais do Brasil e suas propostas de soluções. Não estão em causa a administração FHC e sequer a de Lula. As manipulações e tentativas para desviar o foco do debate e orientá-lo em comparações com o passado são a meu ver equivocadas.
2) A acusação de que a oposição aposta no "quanto pior melhor" é de absoluta má-fé e de distorção da verdadeira realidade. Quem recorre a todos os expedientes para tentar ganhar é o PT, que intervem vergonhosamente num diretório estadual para distorcer a vontade de seus militantes e quadros regionais.
3) Acusar alguém de "submissão internacional" é de tão baixo nível que sequer cabe uma rejeição desse inventado propósito, feito de má-fé, numa atitude praticamente criminosa.
4) Finalmente, quando aos grandes temas propostos para campanha -- "reforma agrária, democratização da comunicação social e implantação do imposto sobre grandes riquezas" -- minhas únicas observações são estas: reforma agrária é uma questão praticamente marginal hoje em dia, pertencendo ao Brasil de um passado de agricultura atrasada e pouco capitalizada; "democratização da comunicação social" é um outro nome para a tentativa autoritária e liberticida de controlar a imprensa, criando o que se chama de "grande irmão censor"; imposto sobre as grandes fortunas pode até ser discutido, mas num contexto eleitoral significa pretender fazer demagogia classista, jogando os pobres contra os ricos, para tentar fazer crer que os pobres estariam em melhor situação se esse imposto fosse criado, já que anima a sanha distributivista dos ingênuos, que não sabem que seria mais uma maneira de dar dinheiro a um Estado já superdimensionado, um ogro insaciável em sua extorsão tributária.
Paulo Roberto de Almeida
(Shanghai, 16.06.2010)
PT volta a atacar imprensa e fala em manipulação
Leila Suwwan
O Globo, 16/06/2010
Partido aprova resolução afirmando que oposição usará golpes baixos e grandes meios de comunicação na campanha
Resolução política do PT aprovada na última sexta-feira ataca a imprensa e afirma que a disputa será marcada por "golpes baixos" e "tentativa de manipulação dos meios de comunicação". O documento afirma que a oposição e seus "apoiadores nos meios de comunicação" tentarão influenciar o resultado da eleição. Também conclama a militância a transformar os esforços da chapa Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB) em uma campanha de massas, e a insistir na comparação entre os governos de Lula e Fernando Henrique Cardoso.
O documentou resultou da reunião do Diretório Nacional do partido, semana passada, em São Paulo, e foi divulgado no site do PT. Na mesma reunião, foi decidida a intervenção no diretório regional do Maranhão para garantir o apoio à reeleição de Roseana Sarney (PMDB) para o governo. O diretório regional havia optado pelo apoio a Flávio Dino (PCdoB).
O documento já antecipava orientações presentes também no discurso do presidente Lula na convenção do partido, no último domingo, quando ele avaliou como "quase absoluta" a chance de vitória. "Devemos estar preparados para uma campanha de golpes baixos. (...) E que sinaliza qual será o comportamento de uma parte da oposição durante nosso futuro governo", diz o texto do partido.
O documento afirma que "a oposição e seus apoiadores nos meios de comunicação já demonstraram, por diversas vezes, estar dispostos a absolutamente tudo para tentar ganhar as eleições". "Farão de tudo para levar a eleição ao segundo turno, apoiando outras candidaturas, estimulando a judicialização da política, usando os grandes meios de comunicação como boletins de campanha, atacando os direitos humanos, torcendo para que a nova etapa da crise internacional altere para pior as condições do Brasil, produzindo crise cambial, alta de juros e primarização de nossa pauta de exportações."
O diagnóstico é baseado em acontecimentos das últimas semanas, sem citar o suposto dossiê e acusando o candidato tucano, José Serra, de usurpar mensagens de continuidade. A análise do partido é de que a estratégia do PSDB não teve êxito. Fala em dianteira nas pesquisas, crescimento de Dilma e "estancamento" de Serra - os candidatos estavam tecnicamente empatados nas últimas sondagens. O PT pede que a militância "não baixe a guarda".
O texto acusa o tucano José Serra de "submissão" internacional: "O candidato da oposição ataca a política externa brasileira, deixando evidente que sua opção é pela submissão aos poderosos de ontem, sem perceber que o mundo está mudando e que nosso país já é um dos protagonistas de uma nova época que está nascendo".
A resolução apresenta uma espécie de manual para discussões eleitorais, ancorado na comparação entre os governos Lula (2003-2010) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
"Interessa explicar as vantagens do modelo de partilha frente ao modelo de concessão; o papel decisivo que os bancos públicos jogaram, para evitar os efeitos mais perversos da crise internacional; o papel da elevação do salário mínimo e de programas de transferência de renda, para estimular um mercado interno que sustentou o crescimento do país", afirma o documento.
O texto pede o envolvimento dos partidos de esquerda, movimentos sociais e intelectuais para aprofundar o caráter popular do governo e alcançar três objetivos: reforma agrária, democratização da comunicação social e implantação do imposto sobre grandes riquezas.
Por que o Brasil nao vai crescer? duas respostas prontas (e frescas)...
Já fiz dois posts dando as razões de "Por Que o Brasil Não Vai, Não Pode, Não Quer Crescer". Elas são tão evidentes que nem preciso me estender sobre elas (busquem alguns posts atrás, ou usem o instrumento de busca aí do lado).
Creio que vou ter de voltar ao assunto mais vezes, não por que gosto, ou por que pretendo, mas é que as razões são tantas que fica difícil não trazê-las aqui ao conhecimento dos leitores interessados.
Abaixo, vocês têm mais duas, e nem vou comentar, pois acho que não é preciso.
Só falta quantificar os custos diretos (esses são cálculos mais rápidos de fazer) e os indiretos e delongados (mais difíceis, pois as consequências vão se estender durante quarenta anos ou mais, e vão pesar todo ano cada vez um pouco mais nos nossos bolso).
Aposentados
Lula mantém reajuste de 7,7% e veta fim do fator previdenciário.
Plano de carreira
Lula sanciona plano de carreira da Câmara que garante aumento de até 40%.
Estaria bem assim, ou vocês querem mais?
Resta apenas saber o que, exatamente, o governo vai cortar em termos de serviços para a população -- saúde, educação, segurança -- ou de infra-estrutura que não vai ser construída -- escolas, hospitais, delegacias, estradas, enfim, tudo. Investimentos que já são poucos, vão continuar magros, e em algum momento o governo vai meter um pouco mais sua mão suja no nosso bolso e no caixa das empresas para arrancar um pouco mais de dinheiro. Ou então ele vai produzir inflação.
Esse é o preço de quem pretende ser generoso com quem não deveria...
Voilà: duas razões para o Brasil não crescer.
Amanhã deve ter mais...
Paulo Roberto de Almeida
(16.04.2010)
Creio que vou ter de voltar ao assunto mais vezes, não por que gosto, ou por que pretendo, mas é que as razões são tantas que fica difícil não trazê-las aqui ao conhecimento dos leitores interessados.
Abaixo, vocês têm mais duas, e nem vou comentar, pois acho que não é preciso.
Só falta quantificar os custos diretos (esses são cálculos mais rápidos de fazer) e os indiretos e delongados (mais difíceis, pois as consequências vão se estender durante quarenta anos ou mais, e vão pesar todo ano cada vez um pouco mais nos nossos bolso).
Aposentados
Lula mantém reajuste de 7,7% e veta fim do fator previdenciário.
Plano de carreira
Lula sanciona plano de carreira da Câmara que garante aumento de até 40%.
Estaria bem assim, ou vocês querem mais?
Resta apenas saber o que, exatamente, o governo vai cortar em termos de serviços para a população -- saúde, educação, segurança -- ou de infra-estrutura que não vai ser construída -- escolas, hospitais, delegacias, estradas, enfim, tudo. Investimentos que já são poucos, vão continuar magros, e em algum momento o governo vai meter um pouco mais sua mão suja no nosso bolso e no caixa das empresas para arrancar um pouco mais de dinheiro. Ou então ele vai produzir inflação.
Esse é o preço de quem pretende ser generoso com quem não deveria...
Voilà: duas razões para o Brasil não crescer.
Amanhã deve ter mais...
Paulo Roberto de Almeida
(16.04.2010)
De servos e de seres livres
Um Anônimo (sempre essas criaturas que têm medo, ou vergonha, de assumir a própria identidade), que se assina como "ex-servo do Olimpo" [no Brasil??!!], escreveu o que segue a propósito deste meu post:
"Por que o Brasil nao vai crescer?"
Anônimo disse...
Apenas se torna incompreensível que o autor do blog seja um funcionário de alto escalão do próprio Estado, que tanto critica, assim como é pago pelo povo que atribui ser o culpado e tolo. Incoerência ou bipolaridade filosófica ? Talvez pura e mera demagogia, pois se realmente fosse adepto de suas próprias convicções já teria saído do Itamaraty e defendido com mais afinco sua visão liberal de menos Estado na economia! Discurso é fácil, ações é que são difíceis de serem realizadas. A maior liderança é a do exemplo ou estou equivocado (a). Escreveu outrora, sobre a dificuldade de se ter empreendendores no Brasil, então, onde fica o exemplo ? Talvez fosse o caso de ler o Monge e o Executivo para tentar ser líder pelo exemplo e não pelo discurso, já basta o nosso presidente com a sua demagogia exacerbada.
Reflita senhor embaixador...assinado um anônimo facilmente identificável como ex-servo do Olimpo.
Então respondo:
Anônimo servo,
Eu acho incompreensível, da minha parte, que alguém se identifique, não como uma pessoa em sua plena capacidade, mas como um servo de qualquer coisa, seja essa coisa o Olimpo, o Nirvana, o Paraíso, um palácio presidencial ou seja lá o que for.
Prefiro ser um ser livre no pântano, no deserto, que seja numa prisão de algum désposta, do que ser servo de qualquer um ou de qualquer "coisa". Mesmo sendo prisioneiro de alguém, conservarei sempre meu espírito de liberdade, e minha vontade própria, de fazer apenas aquilo que a minha consciência me ditar, e não o que for ordenado por alguém.
Também acho incompreensível o fato de você achar incompreensível o fato de alguém que é temporariamente um servidor do Estado deixar a capacidade de pensar com sua própria cabeça e ter de prestar voto de obediência a quem quer que seja. Uma coisa é o desempenho de funções no Estado, algo que pode me ocupar algumas horas do dia. Outra coisa seria alugar a minha consciência e a minha capacidade de pensar com minha própria cabeça a quem quer que seja, ainda que seja o meu chefe imediato.
Saiba Anônimo Servo que jamais eu concordaria com o meu chefe apenas porque ele me disse para fazê-lo, se eu não estiver pessoalmente convencido daquela mesma coisa. Posso até obedecer uma ordem que não seja ilegal, e que não violente minha dignidade, se aquilo fizer parte de minhas funções, mas jamais submeterei minha capacidade cognitiva, minha disposição de pensar com minha própria cabeça apenas porque sou um funcionário do Estado, jamais o servo de um soberano qualquer. O tempo dos súditos já passou há muito tempo, e se fosse o caso, provavelmente eu nunca aceitaria ser súdito de alguém.
Apenas nas ditaduras, e nos regimes servis, somos obrigados a nos conformar com a vontade do soberano.
Em qualquer regime democrático digno desse nome um cidadão qualquer, em qualquer capacidade profissional, tem o direito de não apenas discordar de seus chefes, mas também de chamar o presidente de incompetente, mentiroso, vagabundo, fraudador, demagogo, populista e sem-vergonha (aplique a quem quiser). Nos EUA, pessoas e grupos políticos acusam o presidente Obama de ser um estrangeiro e até de ser um agente inimigo, e não me consta que, enquanto não atentarem contra a segurança física do presidente ou comprometerem a segurança nacional, qualquer um deles esteja sendo ameaçado pelo presidente ou pela presidência da República americana.
Democracias são assim: as pessoas têm o direito de criticar o Estado e de criticar as políticas públicas com as quais não concordam, as simple as that.
Você, que se intitula "servo do Olimpo" -- e que, portanto, deve ter usufruido de uma educação acima da média -- deveria saber disso, e se escolhe ser chamado de "servo" é apenas por um espírito servil que, repito, para mim é incompreensível.
Você me acusa de criticar o Estado que me paga e até o próprio povo, por ser tolo ou até estúpido, por preferir mais Estado, quando este o espolia de mais da metada da sua renda.
Se você, Anônimo servil, se contenta de servir a um Estado assim espoliador, saiba que eu não, e se como você, pretendo o melhor Estado possível para o Brasil e para os seus cidadãos -- mesmo para os mais tolos, que pagam como carneiros todos os seus impostos sem reclamar -- então, se você tivesse um pouquinho de consciência crítica, chegaria à mesma conclusão que eu cheguei: que o Brasil é uma anomalia no conjunto de economias em desenvolvimento: que o Brasil tem uma carga fiscal de país rico para serviços públicos de país miserável.
Saiba que eu nunca vou me conformar com isso, e estarei sempre disposto a criticar o Estado, o povo, o presidente, os anônimos que me escrevem que se conformam com isso.
Como pessoa que não abandona o cérebro em casa quando vai trabalhar, sempre farei o que sempre fiz: expressar exatamente o que penso, e lutar por ideais, princípios, valores e medidas que estimo, com base numa análise racional da realidade, melhores para o meu país e meu povo.
Saiba Anônimo servil, que isso não é demagogia, nem liberalismo, apenas a expressão da melhor política possível para o maior número. Isso se chama racionalidade e independência de pensamento, duela a quien duela, como diria um dos maiores presidentes fraudadores da história do Brasil. Aliás, o fraudador está em boa companhia atualmente.
Se você for sincero, não pode concordar com um Estado que lhe arranca metade da renda e ainda o obriga a comprar no setor privado os serviços -- de educação, de saúde, de transporte, e talvez até de aposentadoria (salvo se você for um privilegiado do setor público) -- que o Estado lhe deveria prover e que não dispensa, ou presta mal, porcamente.
Saiba que mesmo sendo um funcionário público, jamais concordarei com a estabilidade funcional para servidores públicos -- mesmo para diplomatas -- e jamais concordarei com os privilégios de aposentadoria de que somos beneficiários. Tudo isso é uma indignidade para com o povo brasileiro, que trabalha e paga esses privilégios injustificáveis em qualquer país normal.
Termino: não preciso sair do Itamaraty para dizer o que digo, pois nada do que digo tem a ver com a formulação e a execução da política externa e sim com a minha condição de cidadão pagador de impostos, e dono de um cérebro que ainda permanece livre, mesmo alugado por algumas horas para o serviço exterior brasileiro.
Da próxima vez que me escrever, pode até me criticar, mas, por favor, não se qualifique mais como "servo", pois isso o diminui terrivelmente. Continue anônimo, se de desejar, mas preserve a sua dignidade.
Paulo Roberto de Almeida
(Shanghai, 16.06.2010)
"Por que o Brasil nao vai crescer?"
Anônimo disse...
Apenas se torna incompreensível que o autor do blog seja um funcionário de alto escalão do próprio Estado, que tanto critica, assim como é pago pelo povo que atribui ser o culpado e tolo. Incoerência ou bipolaridade filosófica ? Talvez pura e mera demagogia, pois se realmente fosse adepto de suas próprias convicções já teria saído do Itamaraty e defendido com mais afinco sua visão liberal de menos Estado na economia! Discurso é fácil, ações é que são difíceis de serem realizadas. A maior liderança é a do exemplo ou estou equivocado (a). Escreveu outrora, sobre a dificuldade de se ter empreendendores no Brasil, então, onde fica o exemplo ? Talvez fosse o caso de ler o Monge e o Executivo para tentar ser líder pelo exemplo e não pelo discurso, já basta o nosso presidente com a sua demagogia exacerbada.
Reflita senhor embaixador...assinado um anônimo facilmente identificável como ex-servo do Olimpo.
Então respondo:
Anônimo servo,
Eu acho incompreensível, da minha parte, que alguém se identifique, não como uma pessoa em sua plena capacidade, mas como um servo de qualquer coisa, seja essa coisa o Olimpo, o Nirvana, o Paraíso, um palácio presidencial ou seja lá o que for.
Prefiro ser um ser livre no pântano, no deserto, que seja numa prisão de algum désposta, do que ser servo de qualquer um ou de qualquer "coisa". Mesmo sendo prisioneiro de alguém, conservarei sempre meu espírito de liberdade, e minha vontade própria, de fazer apenas aquilo que a minha consciência me ditar, e não o que for ordenado por alguém.
Também acho incompreensível o fato de você achar incompreensível o fato de alguém que é temporariamente um servidor do Estado deixar a capacidade de pensar com sua própria cabeça e ter de prestar voto de obediência a quem quer que seja. Uma coisa é o desempenho de funções no Estado, algo que pode me ocupar algumas horas do dia. Outra coisa seria alugar a minha consciência e a minha capacidade de pensar com minha própria cabeça a quem quer que seja, ainda que seja o meu chefe imediato.
Saiba Anônimo Servo que jamais eu concordaria com o meu chefe apenas porque ele me disse para fazê-lo, se eu não estiver pessoalmente convencido daquela mesma coisa. Posso até obedecer uma ordem que não seja ilegal, e que não violente minha dignidade, se aquilo fizer parte de minhas funções, mas jamais submeterei minha capacidade cognitiva, minha disposição de pensar com minha própria cabeça apenas porque sou um funcionário do Estado, jamais o servo de um soberano qualquer. O tempo dos súditos já passou há muito tempo, e se fosse o caso, provavelmente eu nunca aceitaria ser súdito de alguém.
Apenas nas ditaduras, e nos regimes servis, somos obrigados a nos conformar com a vontade do soberano.
Em qualquer regime democrático digno desse nome um cidadão qualquer, em qualquer capacidade profissional, tem o direito de não apenas discordar de seus chefes, mas também de chamar o presidente de incompetente, mentiroso, vagabundo, fraudador, demagogo, populista e sem-vergonha (aplique a quem quiser). Nos EUA, pessoas e grupos políticos acusam o presidente Obama de ser um estrangeiro e até de ser um agente inimigo, e não me consta que, enquanto não atentarem contra a segurança física do presidente ou comprometerem a segurança nacional, qualquer um deles esteja sendo ameaçado pelo presidente ou pela presidência da República americana.
Democracias são assim: as pessoas têm o direito de criticar o Estado e de criticar as políticas públicas com as quais não concordam, as simple as that.
Você, que se intitula "servo do Olimpo" -- e que, portanto, deve ter usufruido de uma educação acima da média -- deveria saber disso, e se escolhe ser chamado de "servo" é apenas por um espírito servil que, repito, para mim é incompreensível.
Você me acusa de criticar o Estado que me paga e até o próprio povo, por ser tolo ou até estúpido, por preferir mais Estado, quando este o espolia de mais da metada da sua renda.
Se você, Anônimo servil, se contenta de servir a um Estado assim espoliador, saiba que eu não, e se como você, pretendo o melhor Estado possível para o Brasil e para os seus cidadãos -- mesmo para os mais tolos, que pagam como carneiros todos os seus impostos sem reclamar -- então, se você tivesse um pouquinho de consciência crítica, chegaria à mesma conclusão que eu cheguei: que o Brasil é uma anomalia no conjunto de economias em desenvolvimento: que o Brasil tem uma carga fiscal de país rico para serviços públicos de país miserável.
Saiba que eu nunca vou me conformar com isso, e estarei sempre disposto a criticar o Estado, o povo, o presidente, os anônimos que me escrevem que se conformam com isso.
Como pessoa que não abandona o cérebro em casa quando vai trabalhar, sempre farei o que sempre fiz: expressar exatamente o que penso, e lutar por ideais, princípios, valores e medidas que estimo, com base numa análise racional da realidade, melhores para o meu país e meu povo.
Saiba Anônimo servil, que isso não é demagogia, nem liberalismo, apenas a expressão da melhor política possível para o maior número. Isso se chama racionalidade e independência de pensamento, duela a quien duela, como diria um dos maiores presidentes fraudadores da história do Brasil. Aliás, o fraudador está em boa companhia atualmente.
Se você for sincero, não pode concordar com um Estado que lhe arranca metade da renda e ainda o obriga a comprar no setor privado os serviços -- de educação, de saúde, de transporte, e talvez até de aposentadoria (salvo se você for um privilegiado do setor público) -- que o Estado lhe deveria prover e que não dispensa, ou presta mal, porcamente.
Saiba que mesmo sendo um funcionário público, jamais concordarei com a estabilidade funcional para servidores públicos -- mesmo para diplomatas -- e jamais concordarei com os privilégios de aposentadoria de que somos beneficiários. Tudo isso é uma indignidade para com o povo brasileiro, que trabalha e paga esses privilégios injustificáveis em qualquer país normal.
Termino: não preciso sair do Itamaraty para dizer o que digo, pois nada do que digo tem a ver com a formulação e a execução da política externa e sim com a minha condição de cidadão pagador de impostos, e dono de um cérebro que ainda permanece livre, mesmo alugado por algumas horas para o serviço exterior brasileiro.
Da próxima vez que me escrever, pode até me criticar, mas, por favor, não se qualifique mais como "servo", pois isso o diminui terrivelmente. Continue anônimo, se de desejar, mas preserve a sua dignidade.
Paulo Roberto de Almeida
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