segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Dia do profissional de relações Internacionais: entrevista com o professor Oliver Stuenkel (FGV-SP)

Parabéns aos internacionalistas pelo seu dia

 

Dia do profissional de Relações Internacionais: dados quantitativos são tendência na área, diz professor

A função do profissional de Relações Internacionais é focar em carreiras globais, investindo na integração de conhecimentos teóricos e metodológicos na resolução de problemas concretos da política internacional e da economia global.

Hoje, 26 de setembro, é comemorado o dia do profissional de Relações Internacionais. Para homenageá-los, o FGV Notícias conversou com Oliver Stuenkel, professor da Escola de Relações Internacionais (FGV RI).

De acordo com Oliver, houve uma mudança significativa no curso de Relações Internacionais no que diz respeito ao preparo dos alunos, as disciplinas e inclusive a escolha profissional a ser seguida. “Antigamente era, acima de tudo, um curso preparatório para futuros diplomatas. Mas hoje, cada vez mais alunos trabalham no setor privado, em organizações internacionais, na sociedade civil. E essas são áreas onde novas tecnologias têm um grande impacto”, disse ele.

Para ver a entrevista assista ao vídeo
 

Dia do profissional de Relações Internacionais: dados quantitativos são tendência na área, diz professor

De acordo com Oliver, houve uma mudança significativa no curso de Relações Internacionais no que diz respeito ao preparo dos alunos, as disciplinas e inclusive a escolha profissional a ser seguida.

https://portal.fgv.br/noticias/dia-profissional-relacoes-internacionais-dados-quantitativos-sao-tendencia-area-diz

Como a aceleração digital impactou a área de Relações Internacionais?

As novas tecnologias têm um grande impacto sobre a disciplina das Relações Internacionais e aqui na FGV a gente sempre enfatiza a necessidade de se adaptar a essas novas realidades, inclusive para assegurar que nossos alunos estejam competitivos no mercado de trabalho.

Então, houve muitas mudanças tecnológicas. Hoje em dia, muitos analistas de geopolítica operam com modelos bastante sofisticados utilizando Big Data, por exemplo. Nesse sentido, a graduação de RI mudou em função dessas transformações.

Como era a área antes desse boom da aceleração digital?

Antigamente, o curso de Relações Internacionais era, acima de tudo, preparatório para futuros diplomatas. Essa é uma área mais tradicional, que enfatiza bastante a história da geopolítica, com ênfase em negociações diplomáticas e política internacional. Mas, hoje, cada vez mais alunos trabalham no setor privado, em organizações internacionais, na sociedade civil, e essas são áreas que as novas tecnologias têm um grande impacto.

Então, nesse sentido, a área, como um todo, mudou profundamente, o que explica o motivo de termos atualmente análise quantitativa, por exemplo, pois muitos trabalham conjuntamente com economistas ou até mesmo em funções antigamente exercidas por economistas.

Qual foi o principal desafio e o principal benefício dessa aceleração digital na área? 

O principal benefício das novas tecnologias é que conseguimos processar e monitorar os processos com muito mais facilidade. Quer dizer que, além de fazer uma análise qualitativa, agora existem modelos sofisticados para avaliar, por exemplo, o impacto das sanções ocidentais impostas contra a Rússia em função da invasão à Ucrânia.

Então, nesse sentido, dá para fazer, inclusive, previsões bastante concretas sobre, de que forma, o cenário internacional impacta o crescimento da economia brasileira e de que forma isso impactará a taxa de aprovação, o comportamento do Brasil no âmbito externo.

Agora, isso também traz muitos desafios porque, além de manter contatos numa rede de diálogos com outros tomadores de decisão, nós também precisamos ficar a par de novas tecnologias e novas ferramentas que nos ajudam a analisar o que está acontecendo.

Como a área de Relações Internacionais contribuiu para a aceleração digital?

Acima de tudo diria que a área de Relações Internacionais tem tido uma contribuição importante para quantificar tomadas de decisão no setor privado. Por exemplo, questões políticas que sempre são difíceis de mensurar, muitas vezes, são um pouco vagas, mas, cada vez mais, sobretudo na área de análise de risco político, a nossa área tem conseguido oferecer insumos importantes para que empresas, governos e a sociedade civil possam tomar decisões com maior confiança.  

O que muda na formação dos novos profissionais da área com a aceleração digital?

Tradicionalmente, quem estudava Relações Internacionais conseguia evitar o mundo quantitativo. Então, eram, geralmente, pessoas que gostavam muito de história, diplomacia, geografia. Mas, agora, com essas novas tecnologias, sobretudo na área de big data, nossa capacidade maior de avaliação em grandes quantidades de dados, conseguimos avançar muito em áreas como opinião pública, questões de consumo no Brasil, tendências econômicas globais.

Isso também requer que estudantes de Relações Internacionais tenham uma compreensão sofisticada de temas como econometria, estatística, probabilidade. Em geral, o mundo da matemática tornou-se muito mais importante. Então isso muda, torna a área mais desafiadora, mas também aumenta muito a capacidade de fazer uma contribuição real no mercado de trabalho.  

Quais habilidades os profissionais devem estar atentos com esse boom digital?
 

Tem várias áreas hoje que são fundamentais na hora de preparar um bom profissional de Relações Internacionais. É preciso ter uma noção clara das novas tecnologias, seja na área de programação, na utilização de modelos de regressão ou na capacidade de processar grandes quantidades de dados.

Quais são as novas opções de carreiras que surgiram com a aceleração digital?

A maioria dos egressos da FGV atuam no setor privado que é uma novidade, de certa maneira, porque é um curso que, tradicionalmente, preparava os alunos para o serviço diplomático e o setor público. Mas hoje, muitas empresas contratam analistas de RI para interpretarem desafios geopolíticos, para que uma empresa, por exemplo, do agronegócio brasileiro, possa se adequar a uma nova realidade depois da invasão Russa à Ucrânia,  pois eleva o custo dos fertilizantes. Ou a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, que produz desafios, mas também, muitas oportunidades. Então, esse tipo de monitoramento é algo fundamental hoje.

O que esperar para o futuro?

A minha percepção é que as mudanças tecnológicas serão cada vez mais rápidas e terão um impacto cada vez maior. Além disso haverá a necessidade de trabalhar com equipes globais, com pessoas em lugares totalmente diferentes, com visões de mundo muito diferentes. Também há uma necessidade de atuar em várias áreas muito diferentes que tradicionalmente eram cobertas por profissões distintas.

Conheça o curso de graduação da FGV RI.

Essa matéria faz parte da série especial Conexões para o futuro: Dia do Profissional de Relações Internacionais iniciada em 22 de julho no Dia do Cientista Social.


domingo, 25 de setembro de 2022

Eleições 2022: entre o crime e a Justiça, não se pode ser neutro - Rubens Ricupero (FSP)

 O embaixador Ricupero se pronuncia claramente em favor da defesa dos valores democráticos e da reconstrução do país em seus fundamentos políticos e econômicos, inclusive partidarios, a partir das eleições do próximo domingo. Mas ele começa citando Rui Barbosa, que se referia ao caso da Bélgica neutra invadida pelas tropas bárbaras do Império alemão na Grande Guerra de 1914-18, a caminho de atacar a França republicana. Isso nos leva diretamente ao caso da bárbara invasão de Putin contra a Ucrânia: não se pode ser neutro entre o crime e o Direito Internacional. 



sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Diante de Rússia e EUA, chanceler do Brasil condena abusos 'de todas as partes' na Ucrânia

 Posição HIPÓCRITA do chanceler e CONTRÁRIA ao Direito Internacional. Rui Barbosa dizia em 1916 que não se pode ser neutro entre o CRIME e a Justiça.

Posição contrária a todas as tradições da diplomacia brasileira. Vergonha!

Paulo Roberto de Almeida 

 

Diante de Rússia e EUA, chanceler do Brasil condena abusos 'de todas as partes' na Ucrânia

Carlos França repete neutralidade em reunião do Conselho de Segurança da ONU com Lavrov e Blinken

Folha de S. Paulo, 25/09/2022

WASHINGTON - Um dia após o presidente russo, Vladimir Putin, ameaçar usar armas nucleares contra o Ocidente, o chanceler do Brasil, Carlos França, voltou a defender a posição brasileira de neutralidade na Guerra da Ucrânia ao pedir respeito ao direito internacional "por todas as partes" do conflito.

França falou ao Conselho de Segurança da ONU nesta quinta-feira (22), em reunião convocada durante a Assembleia-Geral da entidade para discutir a Guerra da Ucrânia. O encontro colocou frente a frente os chefes das diplomacias russa, Serguei Lavrov, americana, Antony Blinken, e chinesa, Wang Yi —e dos demais países com assento no órgão, além do chanceler ucraniano, Dmitro Kuleba.

Carlos França repetiu habituais apelos por um cessar-fogo e um acordo de paz, mas não se referiu diretamente à Rússia nenhuma vez no seu breve discurso, de menos de dois minutos.

"Ao longo desses sete meses [desde o começo da guerra], este conselho recebeu inúmeros relatórios de violações sérias de direitos humanos nas zonas de conflito, inclusive contra grupos vulneráveis de mulheres e crianças", afirmou. "O Brasil condena os abusos e defende uma investigação imparcial dos fatos, de modo que os responsáveis respondam por suas ações. Também reiteramos nosso pedido por completo respeito às leis humanitárias internacionais por todas as partes."

A posição é ambígua, já que há uma série de registros de violações cometidas por parte de tropas russas, mas Moscou também acusa as forças ucranianas de desrespeitarem os direitos humanos sobretudo nas regiões próximas à fronteira de maioria étnica russa, como o Donbass.

Assim como fez o presidente Jair Bolsonaro (PL) em discurso na Assembleia-Geral na terça (20), França criticou as sanções à Rússia e afirmou que "não é hora de acentuar visões ou isolar as partes [envolvidas]". Para o chanceler, "os riscos de escalada crescente pelas dinâmicas do conflito são simplesmente altos demais e as consequências para a ordem mundial, imprevisíveis."

Na quarta (21), Putin foi à TV dizer que a Rússia "também tem vários meios de destruição" e que iria "usar todos os meios à disposição" para proteger o país. "Isto não é um blefe", ressaltou.

O discurso deu o tom da reunião do Conselho de Segurança desta quinta. "A ideia de um conflito nuclear, antes impensável, virou assunto de debate —e isso é totalmente inaceitável", afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Em discurso muito mais duro que o do chanceler brasileiro, o diplomata português disse que é preciso investigar "um catálogo de crueldades" cometidas no conflito, que incluiria execuções sumárias, violência sexual e tortura contra civis e prisioneiros de guerra. 

O português também criticou os planos de referendo em regiões ocupadas pela Rússia e disse que "qualquer anexação de um território de um Estado por outro como resultado de ameaça ou uso da força é uma violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional."

A Rússia é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, que têm poder de veto em deliberações do órgão, junto com EUA, França, China e Reino Unido. O Brasil ocupa hoje uma das dez cadeiras temporárias.

Serguei Lavrov, no entanto, não ouviu o discurso crítico de Guterres nem o de outros chanceleres porque entrou no salão apenas no momento de sua fala —antes, outro representante de Moscou estava à mesa. Antony Blinken, por outro lado, permaneceu no recinto para ouvir o russo.

Ao conselho, Lavrov defendeu a invasão da Ucrânia e repetiu os argumentos de que Moscou está restabelecendo direitos desrespeitados nas regiões de maioria russa. Ele voltou a dizer que o governo ucraniano é tomado por neonazistas —informação de resto distante da realidade— que assumiram o poder após o que chamou de golpe de Estado de 2014 com apoio do Ocidente, quando um presidente pró-Moscou foi derrubado após intensa mobilização popular.

O diplomata, que já foi embaixador da Rússia nas Nações Unidas e, alvo de sanções, recebeu visto para viajar aos EUA para a Assembleia-Geral de última hora, criticou o envio de armas do Ocidente à Ucrânia e afirmou que os países apoiadores de Kiev também são parte do conflito. "Os EUA e seus aliados, com o conluio de organizações internacionais de direitos humanos, estão encobrindo crimes do regime de Kiev."

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, defendeu a postura de Washington e atacou a ameaça nuclear russa. "Que o presidente Putin tenha escolhido esta semana, quando a maioria dos líderes globais está reunida na ONU, para colocar lenha na fogueira demonstra seu total desprezo pela Carta das Nações Unidas", afirmou.

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/09/diante-de-russia-e-eua-chanceler-do-brasil-condena-abusos-por-todas-as-partes-na-ucrania.shtml?fbclid=IwAR2xGeTS1CdohLhkPAwtmn4kTBkPssj9JMQtNgdAmQOnv3oGhqNCrJKuluQ

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Livros sobre os 200 anos da independência do Brasil, organização, autoria de José Theodoro Mascarenhas Menck, nas edições da Câmara dos Deputados

 Meu amigo historiador e jurista, colega no, e secretário geral do, Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal (IHGDF), José Theodoro Mascarenhas Menck, organizou ou escreveu pessoalmente diversos volumes no contexto da Comissão da CD de comemorações dos 200 anos da independência do Brasil, que relaciono abaixo: 

Livros na coleção do Bicentenário da Câmara dos Deputados

"D. Pedro I, entre o voluntarismo e o constitucionalismo", em dois volumes; o primeiro volume cuida da vida do Imperador; o segundo, trata de aspectos da controvertida personalidade do Príncipe, com textos também de dois eminentes  sócios acadêmicos, Luiz Henrique Cascelli de Azevedo e Bernardo Felipe Estellita Lins. 

Também figuram na coleção: "A Imprensa no processo de Independência do Brasil"; "D. Leopoldina, Imperatriz e Maria do Brasil"; "Primeiras Eleições Gerais no Brasil (1821)"; "D. João VI e a construção das bases do Estado Nacional"; "José Bonifácio de Andrada, Patriarca da Nacinalidade", "O constitucionalismo e o fim do absolutismo régio", todos disponíveis na Biblioteca digital da CD.



A nação que se perdeu a si mesma - Paulo Roberto de Almeida

 A nação que se perdeu a si mesma

Paulo Roberto de Almeida 


Um reconhecimento, e uma frustração, em face dos maiores desafios que se apresentam ao Brasil atual, tanto no plano da política interna, quanto no da política externa


Infelizmente, as elites nacionais, mas sobretudo as duas principais corporações de Estado, os militares e os diplomatas, parecem ter perdido qualquer senso moral e qualquer coragem no desempenho de suas respectivas obrigações.  

Digo isso com tristeza, pois esperava que os diplomatas tivessem mais hombridade ou honestidade intelectual na defesa dos valores e princípios que deveriam ser os nossos, se alguma vez o foram.

O regime republicano já foi várias vezes violado e humilhado, na completa indiferença, quando não com a conivência, dos militares, que outrora o proclamaram.

Os padrões de conduta da diplomacia nacional já foram recorrentemente espezinhados, na aparente indiferença do seu corpo profissional, que demonstra estar alheio à violação dos grandes princípios que já foram os seus no passado.


Estarei exagerando, ou o Brasil, representado por suas supostas elites, já perdeu a sua alma? 

Qual era ela, exatamente?


Paulo Roberto de Almeida

Ribeirão Preto, 22/09/2022

Sobre a furada chantagem nuclear do tirano de Moscou - Paulo Roberto de Almeida

 Sobre a furada chantagem nuclear do tirano de Moscou:


Não acredito que o grau máximo de insanidade do tirano de Moscou consiga se sobrepor à racionalidade última dos generais russos encarregados da segurança do botão nuclear. 

Teriam de primeiro decidir: jogar o quê contra quem, onde e com qual objetivo estratégico? 

Alguma razão especificamente tática? 

A ameaça é pura bazófia, e se trata, sim, de um blefe, talvez o último do czar que pretendia ser Pedro o Grande, talvez até Ivan o Terrível, e que pode terminar como Nicolau II. 

Não vale o argumento de que a Rússia se encontra em mais uma postura defensiva, como em face de Napoleão e de Hitler. Desta vez ela É a potência agressora!

Minha única dúvida é sobre se a Rússia, derrotada militarmente, finalmente se encaminhará, ainda que muito lentamente, para uma nova democracia de fachada — como ocorreu entre fevereiro e outubro de 1917, objeto de um artigo de Max Weber — ou se recrudescerá nos seus instintos totalitários que foram a marca distintiva do regime bolchevique, mais até do que o absolutismo czarista.

Putin, em última instância, pode ser o aprendiz de feiticeiro que libertará a Rússia de sua doença senil do imperialismo, mas acredito mais num impasse histórico de dimensão e duração indefinidas. Ou seja, a humanidade continuará vivendo dramas não muito distantes da guerra de Troia.

À falta de um Heródoto ou de um Tucídides, talvez apareça algum novo poeta cego…

Paulo Roberto de Almeida

Ribeirão Preto, 22/09/2022

A Cornered Vladimir Putin Is More Dangerous Than Ever - Roger Cohen (NYT)

 The New York Times – 22.9.2022

A Cornered Vladimir Putin Is More Dangerous Than Ever

In a major speech, he recast the war in Ukraine and made clear it could spread.

Roger Cohen

 

Vladimir V. Putin’s menacing televised address on Wednesday was much more than a bid to change the course of his faltering war against Ukraine. It attempted to invert a war of aggression against a neighbor into one of defense of a threatened “motherland,” a theme that resonates with Russians steeped in patriotic history.

Mr. Putin, Russia’s president, aimed at nothing less than altering the meaning of the war for his country, raising the stakes for the entire world. He warned the West in unmistakable terms — “this is not a bluff” — that the attempt to weaken or defeat Russia could provoke nuclear cataclysm.

Rattling his nuclear saber, accusing the West of seeking to “destroy” his country and ordering the call-up of 300,000 military reservists, Mr. Putin implicitly conceded that the war he started on Feb. 24 has not gone as he wished. He painted the Ukrainians as mere pawns of the “military machine of the collective West.”

By veering far from his original objective of demilitarizing and “de-Nazifying” all of Ukraine, he made a nonsense of the Kremlin’s far-fetched claims that the war was proceeding according to plan, and tacitly acknowledged something he had always denied: the reality and growing resistance of a unified Ukrainian nation.

But Mr. Putin cornered is Mr. Putin at his most dangerous. That was one of the core lessons of his hardscrabble youth that he took from the furious reaction of a rat he cornered on a stairwell in what was then Leningrad.

“Russia won its defensive wars against Napoleon and Hitler, and the most important thing Putin did here from a psychological perspective was to claim this, too, is a defensive war,” said Michel Eltchaninoff, the French author of “Inside the Mind of Vladimir Putin.” “It was an aggressive war. Now it’s the defense of the Russian world against the Western attempt at dismemberment.”

In Mr. Putin’s telling, that imagined world imbued with some inalienable Russian essence has grown in size. He said Russia would support imminent referendums in four regions of Ukraine on whether to join Russia — votes denounced by Ukraine and the West as a sham, and a likely prelude to annexation.

The Kremlin has signaled that if it absorbs that territory, the Ukrainian counter-offensives underway in the east and south to recapture territory seized by Russia would be considered attacks on Russian soil, justifying any level of retaliation, up to and including a nuclear response.

The State of the War

“If the territorial integrity of our country is threatened, we will of course use all means at our disposal to defend Russia and our people,” Mr. Putin said.

His speech, which may of course be a bluff despite his denial, nevertheless placed before the West a dilemma that has been inherent in its policy from the start of the war: How far can intense military and logistical support of Ukraine — effectively everything short of NATO troops on the ground — go without setting off nuclear confrontation?

“I believe the nuclear threat is a bluff but it gives Putin a means to terrify the West, and accentuate divisions about providing arms because some may now view that as too dangerous,” said Sylvie Bermann, a former French ambassador to Russia.

Hours after the speech in Moscow, President Biden denounced Mr. Putin’s “overt nuclear threats” against Europe, describing them as “reckless.” Addressing the United Nations General Assembly, he said the West would be “clear, firm and unwavering” in its resolve as it confronts Mr. Putin’s “brutal, needless war” in Ukraine.

“This war is about extinguishing Ukraine’s right to exist as a state, plain and simple,” Mr. Biden said. He continued: “Whoever you are, wherever you live, whatever you believe, that should make your blood run cold.”

A game of brinkmanship has begun with the American and Russian leaders seeking to outmaneuver each other as the war festers. If Ukraine and its Western backers have the advantage for now, that edge is by no means secure.

Seven months into the war, its resolution appears more distant than ever and its reverberations more dangerous. Perhaps not since the Cuban missile crisis six decades ago have American and Russian leaders confronted each other so explicitly and sharply on the danger of nuclear war.

As Olaf Scholz, the German chancellor, has said, the United States and its Western allies have been trying to use “all means possible” to help Ukraine “without creating an uncontrollable escalation.” But the risk of that escalation, possibly the start of World War III, just grew, because what constitutes a strike “inside Russia” may now be defined differently by Mr. Putin.

Full of anger and venom, portraying Ukraine as the headquarters of neo-Nazis and the West as a giant engine of “Russophobia,” Mr. Putin appeared as deluded about the neighbor he attacked as he was in his Feb. 24 speech that announced the war.

He has downsized Russia’s military ambitions in Ukraine — upended by the Russian defeat in Kyiv and recent battlefield setbacks in the northeast — without downsizing his obsessions over Russian humiliation at the breakup of the Soviet Union three decades ago.

On Wednesday, as in February, he accused the Ukrainian authorities, falsely, of genocide against ethnic Russians. He boasted of nuclear weapons that are “more advanced” than the West’s. He made wild allegations about the threat to Russia. He alluded, for example, to “statements by some high-ranking representatives of leading NATO states about the possibility and admissibility of using weapons of mass destruction — nuclear weapons — against Russia.”

There is no evidence of this.

Mr. Putin “claimed he had to act because Russia was threatened. But no one threatened Russia and no one other than Russia sought conflict,” Mr. Biden said.

The speeches came on the eve of a winter that will be hard in Europe, with inflation and energy costs rising, and days before an Italian election Sunday in which a far-right candidate, Giorgia Meloni, is the favorite. The European extreme right has generally been sympathetic to Moscow, although Ms. Meloni’s own position appears to be evolving.

Up to now, Mr. Biden has been very effective in cementing Western unity. But while the Biden administration has little apparent faith in diplomacy with Moscow at this stage, France and Germany still seek the dialogue with Russia that President Emmanuel Macron of France mentioned in his speech on Tuesday to the United Nations, a dialogue judged necessary, he said, because “we seek peace.”

Not at any price, however. Mr. Macron’s position has hardened. He presented a stark picture of a world hovering on the brink of war and brutal division as a result of Russia’s “imperial” aggression.

He said the world was close to “an enlarged era of conflict, a permanent one, where sovereignty and security will be determined by force, by the size of armies.” It was imperative, he insisted, that those remaining neutral — an apparent reference to India and China, among others — speak out.

“Those who are silent today are, despite themselves, or secretly, serving the cause of the new imperialism,” Mr. Macron said.

The Russian attempt to rebuild the imperium lost at the dissolution of the Soviet Union finds itself at a treacherous crossroads. After multiple military setbacks, Mr. Putin spoke from a weaker position than the one he held seven months ago.

“The situation is very dangerous because Putin is in a trap,” Ms. Bermann said.

 

*

Quem vai colocar o guizo no pescoço geopolítico do gato? - Paulo Roberto de Almeida

 Quem vai colocar o guizo no pescoço geopolítico do gato?

Paulo Roberto de Almeida


A pergunta correta é esta: quantos milhares de russos mais o tirano de Moscou sacrificará na sua inútil e custosa guerra de agressão contra a Ucrânia, antes de ser detido em sua insanidade militar especial? 

Quem enfrentará Putin, o neoczar que está destruindo seu próprio país? 

Esta é uma tarefa que incumbe unicamente ao povo russo, que se encontra paralisado por duas razões principais: muitos estão ingenuamente convencidos de que Putin está efetivamente comprometido com a defesa necessária da Rússia contra um ataque da Otan, e todos sabem que qualquer resistência aos projetos do tirano sofrerá imediata repressão das forças de segurança e condenação por uma justiça inteiramente a seu serviço.

O lento desenrolar de mais uma tragédia numa história nacional que comporta basicamente expansionismo imperialista e brutal regime autoritário. 

Toynbee e Duroselle, se estivessem vivos, certamente teriam riquíssimos materiais sobre o declínio dos impérios. Também Shakespeare encontraria suporte para mais um drama exemplar. Não sei se Tolstoi gastaria tinta com um personagem tosco e claramente tomado por uma megalomania doentia. 

O fato é que a comunidade mundial está terrivelmente paralisada em face do mais dramático desafio aos fundamentos do Direito Internacional e aos princípios básicos da Carta das Nações Unidas. 

A ONU  será desacreditada como o foi, em seu tempo, a Liga das Nações, pela inoperância da maior parte dos seus membros?


Ribeirão Preto, 22/09/2022

Eleições 2022: esquerda latino-americana pede a Ciro Gomes que desista de concorrer

 *Carta abierta a Ciro Gomes: lo que hay que hacer para frenar a Bolsonaro*

20 de Septiembre, 2022

Querido compañero Ciro Gomes:

Los abajo firmantes somos militantes de la izquierda latinoamericana, profundamente antiimperialistas y comprometidos con la emancipación de nuestros pueblos y la creación de la Patria Grande. Somos también personas que amamos y admiramos a Brasil y su pueblo; a la exquisita cultura de ese país: su música, su literatura, sus pinturas, su gastronomía, sus diversas manifestaciones artísticas y también la larga lucha de su pueblo por acceder a una vida más plena, en lo espiritual y en lo material.

Sabemos que usted ha sido durante toda su vida un luchador por las buenas causas del pueblo brasileño. Por eso la perplejidad que nos impulsa a escribirle esta carta y que nos mueve a enviarle este fraternal mensaje porque nos resulta incomprensible, en la coyuntura brasileña actual, su insistencia en presentar su candidatura presidencial para la primera vuelta de las elecciones presidenciales del Brasil, este 2 de Octubre, mismas que sin la menor dosis de exageración pueden ser consideradas como un parteaguas histórico. ¿Por qué? Porque la elección de fondo no será entre Jair Bolsonaro y Luiz Inacio “Lula” da Silva sino entre fascismo y democracia. Y usted, hombre político, inteligente y con una amplia experiencia sobre sus espaldas, sabe muy bien que su candidatura no tiene absolutamente ninguna chance de llegar al balotaje, menos aún de imponerse en la primera vuelta. La dura realidad es que manteniendo su postulación, querido compañero Ciro, lo único que hará será dispersar fuerzas, debilitar la fortaleza del bloque antifascista, con todas sus contradicciones, y facilitar la victoria de Bolsonaro, y eventualmente abrir camino a un nuevo golpe de estado. A pesar de su buena voluntad infelizmente usted no está en condiciones de hacer el bien, ningún bien, y sí de hacer un mal muy grande al Brasil y a su pueblo. No podrá hacer el bien pese a sus intenciones porque sus chances de ganar son igual a cero. Al debilitar la candidatura unitaria de Lula, al disperar las fuerzas del bloque que se opone al fascismo, lo que usted objetivamente hará (más allá de sus intenciones que no dudamos son buenas) será allanar el camino para la perpetuación de Bolsonaro en el poder.

Nos parece que por su trayectoria usted no debe ingresar a la historia del Brasil por esa puerta indigna, como la de un hombre que habiendo luchado por las buenas causas de su pueblo y logrado importantes resultados, en la instancia crítica y decisiva para su país comete un yerro garrafal y le abre las puertas a un proceso que sembrará muerte y destrucción en su país y que, sin duda, lo tendrá también a usted como una de sus víctimas. No puede desconocer la naturaleza perversa del actual presidente de Brasil. Sus palabras y sus promesas, inclusive las que les podría haber hecho a usted, carecen por completo de valor. Bolsonaro es un personaje inmoral, un alucinado fanático carente de principios morales que dejó morir a más de 700.000 brasileñas y brasileños sin hacer el menor esfuerzo para salvarlos. Es, además, un traidor serial, sólo comparable a los peores personajes de Shakespeare. Y no dudará un instante en traicionarlo a usted ni bien le resulte conveniente.

Todavía está a tiempo de enmendar su error, compañero Ciro. Diríjase ya mismo a sus seguidores y dígales que la urgencia de la lucha contra el fascismo no les deja otra opción que apoyar la candidatura presidencial de Lula. Pídales ese voto, crucial para derrotar en primera vuelta al capitán (así, con minúsculas) y sus escuadrones armados; crucial también para impedir la perpetuación en el poder de un hombre que exaltó la figura del canalla que torturó a Dilma Rousseff. Usted, por su historia y sus ideas, tiene que hacer lo imposible para impedir que semejante figura monstruosa permanezca un día más en el Palacio del Planalto. Además, por sus años, no nos cabe duda que seguirá siendo una figura protagónica de la política brasileña. Que éste no es su turno, que las circunstancias lo obligan a esperar. No se olvide que la paciencia es uno de los rasgos definitorios de los grandes líderes políticos.

Nada más por ahora. Esperamos que sepa apreciar el sentido solidario de este mensaje. Reciba un fraternal abrazo de sus compañeros de lucha de toda Latinoamérica y el Caribe.

_______________

 *Primeras firmas de adhesión*:

Adolfo Pérez Esquivel, Premio Nobel de la Paz, Argentina

Rafael Correa, ex presidente del Ecuador

Stella Calloni, periodista, Argentina

E. Raúl Zaffaroni, ex Juez de la Corte Suprema, Argentina

Atilio Boron, politólogo, Argentina

Piedad Córdoba, Senadora, Colombia

Amado Boudou, ex vicepresidente de la Argentina

Gabriela Rivadeneira, ex presidenta Asamblea Nacional, Ecuador

Fernando Buen Abad, filósofo, México

Ignacio Ramonet, periodista, Francia/España

Ernesto Villegas, República Bolivariana de Venezuela

Hugo Moldiz, ex ministro, Bolivia

Jaime Lorca, Fundación Memoria y Futuro, Chile

Xavier Lasso, periodista, Ecuador

Katu Arkonada, País Vasco/Bolivia

Jorge Lara Castro, ex canciller, Paraguay

Hernando Calvo Ospina, cineasta, Colombia

Esteban Silva, docente universitario, Chile

María Seoane, periodista, Argentina

Mempo Giardinelli, escritor, Argentina

Juan Eduardo Romero, diputado PSUV, Asamblea Nacional, Venezuela

Alicia Entel, docente universitaria, Argentina

Gilberto López y Rivas, antropólogo, México

Daniel Jadue, Alcalde de Recoleta, Chile

Telma Luzzani, periodista, Argentina

Florencia Saintout, presidenta, Instituto Cultural de la provincia de Buenos Aires, Argentina

Ramón Grossfogel, docente universitario, Puerto Rico

Mario Giorgi, Radio UNDAV, Argentina

Claudia V. Rocca, Rama Argentina de la Asociación Americana de Juristas

María Fernanda Barretto, escritora colombo-venezolana  

Daniel de Santis, docente universitario, Argentina

José Seoane, docente universitario, Argentina

Paola Gallo Peláez, Co-presidenta del MOPASSOL, Argentina 

Jorge Cantor, Argentina 

Rodolfo Hamawi, docente universitario, Argentina

Emilio Taddei, docente universitario, Argentina

Julio Ferrer, periodista, Argentina

Juan Ramón Quintana Taborga, ex ministro, Bolivia

Andrea V. Vlahusic, Co-presidenta del MOPASSOL, Argentina

Héctor Bernardo, periodista, Argentina

María Fernanda de la Quintana, periodista, Argentina

Jorge Elbaum, docente universitario, Argentina

Carlos López López, Parlamentario del Mercosur 

Ana María Ramb, escritora, Argentina

Pamela Dávila, periodista, Ecuador

Rafael Urrejola Ditborn, periodista, Chile

Paula Klachko, docente universitaria, Coord. REDH/Cap. Argentino 

Henry Morales, Coord. Movimiento Tzuk Kim Pop, Guatemala

Manuel Santos Iñurrieta, dramaturgo, Argentina

Carlos Bedoya, Coord. Latindadd, Perú

Alexia Massholder, docente universitaria, Argentina

Claudio Katz, economista, Argentina

Marcelo Rodríguez, docente universitario, Argentina 

Mario Alderete, Argentina

Graciela Josevich, AUNA Argentina


*Para adherirse, envía tu mensaje a:   cirorenuncia@gmail.com*

terça-feira, 20 de setembro de 2022

Antonio Guterres: 'Our world is in big trouble' - Stephen Collinson, Caitlin Hu and Shelby Rose (CNN)

 

Postagem em destaque

Lançamento do livro Intelectuais na Diplomacia Brasileira: a cultura a serviço da nação, na Biblioteca Mario de Andrade

Lançamento do livro Intelectuais na Diplomacia Brasileira: a cultura a serviço da nação , na Biblioteca Mario de Andrade em SP, 12/05, 19hs,...