quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

O impasse na Ucrânia: poucas armas, poucos avanços nas frentes de batalha: O Ocidente perdeu a vontade? - Ishaan Tharoor, Sammy Westfall (WP)

 

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Falecimento do Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães: Seu depoimento na série Percursos Diplomáticos, em 2018 - Paulo Roberto de Almeida

Minha mensagem à ADB:

Falecimento do Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães: Seu depoimento na série Percursos Diplomáticos, em 2018


A despeito de não ter servido no Itamaraty durante todos os mandatos do PT no poder, sempre tive no embaixador Samuel Pinheiro Guimarães um interlocutor de alta qualidade, totalmente sincero e aberto às controvérsias, no debate sobre os rumos de nossas políticas econômicas e da nossa política externa e diplomacia. 
Receber o embaixador ex-SG Samuel Pinheiro Guimaraes foi uma bonita experiência minha na direção do IPRI, na série dos Percursos Diplomáticos, na qual fiz questão de incluí-lo com destaque, mesmo sob um governo que supostamente se teria beneficiado de um “golpe” para terminar em pleno quarto mandato do partido vencedor das eleições de 2014.
Quando ele foi ingloriamente demitido do IPRI por expressar sua opinião sobre a Alca, fiz questão, desde Washington, de expressar-lhe minha solidariedade. Ele fez o mesmo quando alguns meses mais tarde fui censurado e admoestado, por motivos similares, pela famigerada Lei da Mordaça. 
 Fiz questão de registrar o respeito que eu tinha por suas posições numa mensagem inicial à sua palestra, neste vídeo:

https://youtu.be/MchU9jRwJTw?feature=shared 

Meu texto completo está referido abaixo:

3319. “Percursos Diplomáticos: uma reflexão necessária”, Brasília, 12-24 agosto 2018, 5 p. Introdução ao depoimento do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães Neto, no quadro da série de depoimentos de diplomatas aposentados, que se acrescentam ao anteriores (link: http://www.funag.gov.br/index.php/pt-br/2015-02-12-19-38-42/2784-palestra-percursos-diplomaticos-com-o-embaixador-samuel-pinheiro-guimaraes). Revisto e lido em 24 de agosto de 2018, no auditório do Instituto Rio Branco. Divulgado no blog Diplomatizzando (24/08/2018; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2018/08/percursos-diplomaticos-samuel-pinheiro_24.html); Facebook (https://www.facebook.com/paulobooks/posts/2066487373414702). Link para o vídeo no YouTube (pronunciamento pessoal nos primeiros 15 minutos do vídeo; link: https://youtu.be/6gPTjMtlfqE ou https://www.youtube.com/watch?v=6gPTjMtlfqE&feature=youtu.be).

Minha total solidariedade e os mais profundos sentimentos a seus familiares. Vou escrever sobre sua obra.
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Paulo Robert de Almeida
Diretor de Relações Internacionais  do IHG-DF
pralmeida@me.com
www.pralmeida.org
diplomatizzando.blogspot.com
CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/9470963765065128
https://unb.academia.edu/PauloRobertodeAlmeida
https://www.researchgate.net/profile/Paulo_Almeida2

Desenvolvimento industrial requer Estado, mas isso não significa subsídio - Dan Ioschpe (FSP)

 Desenvolvimento industrial requer Estado, mas isso não significa subsídio, diz empresário Líder do B20 


Brasil vê oportunidade em fórum empresarial para levar discussões de interesse nacional ao topo da agenda global BRASÍLIA No movimento global de retomada à política industrial, o segredo será desenhar propostas "qualificadas" e "mensuráveis", sem abandonar a ideia de ter uma macroeconomia ajustada. Essa é a avaliação de Dan Ioschpe, líder do fórum empresarial que dialoga com o G20. "Desenvolvimento industrial, sim, requer ênfase do Estado em determinadas áreas para que ocorra ao longo do tempo. Isso não significa subsídios, significa diretriz", diz o empresário em entrevista à Folha. Para Ioschpe, o país terá a oportunidade de inserir temas de interesse nacional no topo da agenda global.

 A ideia é entregar as recomendações do setor privado às lideranças do G20 Brasil em julho. Sob o comando da CNI (Confederação Nacional da Indústria), o B20 Brasil fará seu primeiro ato oficial nesta segunda-feira (29), no Rio de Janeiro. Como será o trabalho do B20? O B20 tenta organizar a visão das empresas e do mundo dos negócios para influenciar de forma positiva e propositiva o G20. É uma oportunidade para que o Brasil traga pautas de interesse do país para an arena global. Nós temos sete forças-tarefa e um oitavo grupo, que vai tratar da questão das mulheres e da diversidade. 

Cada um desses grupos precisa, entre fevereiro e julho, fechar um conjunto de recomendações. Concluído esse ciclo, vamos poder entregar nossas recomendações às lideranças do G20 Brasil. O que trouxeram como diferencial do Brasil ao B20? Geramos cinco eixos horizontais. São a promoção do crescimento inclusivo e combate à fome, à pobreza e às desigualdades; o aumento da produtividade por meio da inovação; a promoção da resiliência das cadeias globais de valor. O quarto eixo é promover uma transição justa para zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa, então, estamos falando da transição energética e do desenvolvimento sustentável, e, por último, a valorização do capital humano. Haverá alguma recomendação concreta? Estamos propondo essencialmente as cinco linhas horizontais, e a redução dos itens que vão ser propostos cabe às forças-tarefa. É um esforço muito grande de consenso, é um trabalho "diplomático" realizado por pessoas do mundo dos negócios. A gente tem também que deixar espaço para que surjam de baixo para cima essas proposições. É claro que cada país traz a sua ênfase. 

Em países do Norte-Norte, a questão do crescimento inclusivo, combate à fome, à pobreza e às desigualdades está muito mais bem resolvida. Mas, na medida em que a gente tem um crescimento econômico e uma melhor distribuição da renda e do equilíbrio social, toda a economia global avançará. O sr. teme que questões geopolíticas acabem desviando a pauta do B20? A gente deve fazer um esforço para considerar e respeitar o ambiente geopolítico, mas gerar proposições exequíveis, escaláveis, mensuráveis. O que a gente não deveria ter é uma paralisia do lado das proposições em razão do evento geopolítico. O B20 não será palco da resolução dos conflitos, mas a gente pode fazer proposições para melhor conviver com o ambiente geopolítico mais conturbado. Para não ficar em ideias vagas, essa questão da resiliência das cadeias de valor é a expressão concreta. A gente vai precisar caminhar em uma direção de maior equilíbrio entre an agenda geopolítica, a globalização e a concentração. Como o setor privado vai tratar no B20 a discussão sobre uma transição mais inclusiva para um mundo mais sustentável? Um exemplo: a ideia do crédito de carbono pensado de uma forma global pode ser uma ferramenta muito útil para que a justeza do modelo apareça. 

Se você tem países que contribuíram pouco para a carbonização e podem contribuir muito para a descarbonização, eventualmente eles deveriam encontrar o valor para fazer esse aporte, da mesma forma em que se gerou um grande valor no desenvolvimento socioeconômico de países que eventualmente geraram a carbonização. Você encontrou nos países desenvolvidos um avanço socioeconômico importante e houve um custo eventualmente social, ambiental que precisa ser enfrentado. De outro lado, a solução está eventualmente em países que não encontraram esse desenvolvimento socioeconômico ao longo do tempo. Como você vai globalizar a discussão do crédito de carbono. Se houver um bom mecanismo de ganhos e perdas global, pode ser uma dessas formas de encontrar a justeza.

 O Brasil se coloca na liderança global na agenda sustentável, mas algumas políticas vão na contramão disso. Como lidar com essas contradições no B20? Você vai ter eventualmente mais facilidade em alguns países não desenvolvidos, o Brasil é um bom exemplo de enorme geração de fontes renováveis [de energia]. Suponho que a task force [força-tarefa] de Financiamento e Infraestrutura vai acabar cruzando esse tema. Se você quer fazer um grande desenvolvimento de hidrogênio em locais adequados, vai precisar de infraestrutura, de financiamento, de ferramentas, de alternativas. Pensando no escopo global, que caminhos a gente pode dar para acelerar essa geração de energia limpa nos lugares mais adequados? Para dar um grau da complexidade da discussão, você mistura isso com resiliência de cadeias de valor. Eu deveria avançar na cadeia de valor a partir dessa energia limpa e distribuir melhor a produção global, evitando crises de suprimento nas cadeias de valor e melhor alocando as fontes de suprimento? Isso conversa com a ideia da neoindustrialização no caso brasileiro. Se tivermos propostas que sejam aderentes à visão global e que possam apoiar uma visão importante do Brasil, estamos chegando ao ponto ideal das discussões. 

 O que eu estou vendo em outros lugares do mundo é que o desenvolvimento industrial, sim, requer ênfase do Estado em determinadas áreas para que ocorra ao longo do tempo. Exemplo: geração de energias renováveis. Isso não significa subsídios, significa diretriz Dan Ioschpe líder do B20 Brasil e presidente do conselho de administração da Iochpe-Maxion Como avalia a política industrial atual [ainda não havia sido lançado o novo plano do governo Lula (PT) para o setor]? A principal questão, que é global, é que há um retorno à ideia de política industrial. Isso está muito conectado com uma frustração com o crescimento geral da economia. O segredo vai estar em contemplar dois mundos, em que você desenha políticas industriais qualificadas, inteligentes, mensuráveis, com marco temporal, sem abandonar a ideia de uma macroeconomia ajustada. O Brasil, de certa forma, não atingiu nenhum dos dois mundos. Nós temos uma macroeconomia ainda muito complexa e que gera um juro real muito caro e saímos do ambiente de política industrial por achar que o debate só na macroeconomia resolveria.

 O que eu estou vendo em outros lugares do mundo é que o desenvolvimento industrial, sim, requer ênfase do Estado em determinadas áreas para que ocorra ao longo do tempo. Exemplo: geração de energias renováveis. Isso não significa subsídios, significa diretriz. O fato é que a gente, sim, vai precisar de uma direção de preferência de médio e longo prazo para que essas atividades ocorram aqui, não apenas em outros lugares. Especialistas apontam desaceleração de investimentos e produtividade baixa no Brasil. Como vê esse cenário? A indústria é um exemplo de uma área de menor avanço no Brasil. O produto agregado não tem avançado de uma forma razoável. Como que o Brasil vai melhorar essa trajetória, nos parece que a contribuição da indústria vai precisar crescer na participação do PIB. 

O PIB da indústria precisa avançar. Olhando os últimos 40 anos do Brasil, não é por acaso que numa trajetória de crescimento da economia como um todo relativamente medíocre, no sentido de média para baixo, é o momento em que a indústria declina na sua participação no PIB. Competitividade e produtividade são questões-chave. Quando você vai olhar da porta para fora, cai no chamado custo Brasil. A primeira questão é a tributação, que envolve a complexidade e a carga desproporcional entre setores da atividade econômica. Por isso, a grande relevância de uma reforma tributária. Com os seus altos e baixos, a reforma tributária aprovada deverá, quando estiver totalmente implantada, ajudar bastante nessa resolução. O segundo grande aspecto é o custo de capital brasileiro. Nós precisamos de uma maior tranquilidade macroeconômica, de instrumentos de financiamento mais adequados. A reforma tributária aprovada pode provocar um impacto positivo menor do que o esperado pela indústria? Supor que a gente teria uma reforma dos sonhos ou mais dirigida a uma determinada visão, não me parece razoável. A gente tem que aplaudir e comemorar que se fez um grande avanço. 

As questões que eventualmente ao longo do tempo se mostrarem pouco eficientes, vamos ter que trabalhar para que se vá melhorando. O principal ponto de atenção é a regulamentação, para que essa legislação não perca os atributos positivos e essenciais da reforma tributária. Vamos ter um esforço de médio e longo prazo para que a implantação da reforma tributária, de fato, entregue o que se espera dela, que é a não retenção de valores, uma melhor proporcionalidade entre os setores e simplificação e maior segurança jurídica em relação à tributação. Dan Ioschpe, 58 Chair do B20 Brasil. É presidente do conselho de administração da Iochpe-Maxion e membro do conselho de administração das empresas WEG, Marcopolo, Embraer e Cosan. É um dos vice-presidentes da Fiesp e membro do conselho deliberativo do Sindipeças. É formado em comunicação social pela UFRGS.  

Morte do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães Neto: matérias da imprensa

Morre em Brasília o embaixador Samuel Pinheiro, secretário do Itamaraty nos primeiros governos de Lula Embaixador tinha 84 anos e teve extensa carreira nas relações internacionais.  



Morre Samuel Pinheiro Guimarães Neto, que foi secretário-geral do Itamaraty na 1ª gestão Lula 

Diplomata morto aos 84 anos se destacou na formulação de políticas de integração regional, sobretudo o Mercosul SÃO PAULO E BOA VISTA Secretário-geral do Itamaraty —cargo inferior apenas ao de chanceler na carreira diplomática— nos primeiros mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Presidência, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães morreu na manhã desta segunda-feira (29), aos 84 anos. A informação foi confirmada pela própria pasta. Em nota, o órgão afirma que o diplomata, que serviu como secretário-geral entre 2003 e 2009, foi "protagonista na formulação e execução da política externa brasileira". Também destacou-se na formulação de políticas de integração regional, sobretudo o Mercosul —em 2011, ele assumiu a representação brasileira no bloco. Colegas de profissão exaltaram a contribuição de Guimarães para a diplomacia brasileira. "Um patriota como poucos. 

O melhor e mais devotado servidor público que conheci. Um idealista de grande rigor intelectual e de imensa capacidade de trabalho. Perco um grande amigo", disse Celso Amorim, assessor especial da Presidência para política externa e chanceler quando Guimarães foi secretário-geral do Itamaraty, em nota enviada à Folha. O diplomata ainda era reconhecido pela defesa firme do interesse nacional e do próprio Itamaraty, para o qual conseguiu recursos considerados importantes quando foi secretário-geral segundo seus pares. Ao mesmo tempo, mesmo colegas que divergiam ideologicamente do diplomata não deixam de descrevê-lo como uma pessoa correta, honesta e de forte personalidade. "Embora sempre muito enfático ao defender seus pontos de vista, possuía uma cordialidade natural —aliada a um apurado sentido de humor— que cativava com facilidade seus interlocutores", escreveu à Folha o ex-chanceler Antonio Patriota, que substituiu Guimarães na secretaria-geral em 2009. 

 "Ele tinha muito clara a noção de que éramos servidores públicos e que tínhamos uma missão a cumprir em favor do Brasil. E que precisávamos de condições para isso", afirma Alexandre Vidal Porto, diplomata e escritor. Ainda no âmbito do ministério, Vidal Porto ressalta a atuação de Guimarães para aprovação do passaporte para cônjuges do mesmo sexo, antes mesmo da aprovação da legislação sobre o assunto. "Ele já havia patrocinado regulamentação interna do Itamaraty, foi algo que fez a diferença na vida de muita gente", diz. O período de Guimarães na secretaria-geral não se deu sem polêmicas, contudo. Um diplomata contemporâneo dele lembra que, sob a sua gestão, um funcionário do ministério com ideias conflitantes com a do governo petista, consideradas demasiadamente liberais, foi deixado sem função durante todo o governo petista. Outras pessoas que falaram com a Folha indicaram não saber sobre casos semelhantes. 

 O mesmo diplomata lembra também que Guimarães impunha leituras selecionadas por ele a funcionários do ministério. Relatos na imprensa publicados ao longo da década de 2000 trazem diplomatas e embaixadores criticando a prática, que teria sido imposta como condição para promoções. Alguns veículos a descreveram como "escolinha do professor Samuel", referência ao humorístico "Escolinha do Professor Raimundo", famoso na década de 1990. Guimarães ainda chefiou o departamento econômico do Itamaraty, no fim dos anos 1980. Ele foi também ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, que teve status de ministério até 2015, quando foi extinta. Suas opiniões eram por vezes consideradas muito radicais, e sua produção intelectual e trabalho na cúpula do ministério o posicionava sempre contrário aos Estados Unidos. 

 Um exemplo desse posicionamento resultou em um grande sobressalto na carreira do diplomata antes que ele assumisse a secretaria-geral. Guimarães havia sido um crítico aberto da tentativa de ingresso do Brasil na Alca (Área de Livre Comércio das Américas) durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, que negociava a entrada no bloco. Em 2001, nos últimos anos da gestão tucana, Guimarães foi demitido da presidência do Ipri (Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais) depois da publicação de um texto crítico à iniciativa comercial, chamado "A Alca é o fim do Mercosul". À época, uma nova diretriz do ministério que ficou conhecida como "lei da mordaça" proibiu diplomatas de se manifestarem publicamente sem autorização e com comentários destoantes da cúpula da pasta.

 A circular interna instituindo a censura era, segundo o Itamaraty afirmou naquele momento, uma versão que abrandava diretriz anterior mais restritiva. Samuel Pinheiro Guimarães Neto nasceu em 1939, no Rio de Janeiro, e graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade Nacional de Direita da Universidade do Brasil, hoje UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), em 1963, ano em que ingressou no Itamaraty. Durante a carreira, escreveu e organizou uma série de publicações, entre elas "Quinhentos Anos de Periferia" (1999), "Alca e o Mercosul: Riscos e Oportunidades para o Brasil" (1999) e "Desafios Brasileiros na Era dos Gigantes" (2006). "Era um pensador visionário, sempre preocupado em analisar como o Brasil tinha de atuar para levar a bom termo seu processo de desenvolvimento nacional", diz Ary Quintella, embaixador brasileiro na Malásia, que teve convivência próxima com Guimarães nos últimos 20 anos. 

 O presidente Lula também lamentou a morte de Guimarães em publicação no X, lembrando de quando o diplomata foi demitido da extinta Embrafilme (Empresa Brasileira de Filmes) durante o governo Figueiredo após o lançamento do filme "Pra Frente Brasil", crítico da ditadura militar —à época, a empresa pública era chefiada por Amorim. "Ao longo da vida defendeu o desenvolvimento, a democracia e as causas populares, resistindo a diversas tentativas de interferência externa no nosso país e atuando para uma política externa ativa e altiva", afirmou Lula.  


Celso Amorim: “Meu amigo, o indispensável Samuel” 

Morre o embaixador que enfrentou a ALCA e que ajudou a criar, nos primeiros governos Lula, a “diplomacia ativa e altiva”. Ex-chanceler relembra as lutas do período e os longos anos de amizade com um diplomata e intelectual singular  


Itamaraty e políticos lamentam morte do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães; diplomata faleceu nesta segunda
Brasil de Fato Online
29 de janeiro de 2024


Morreu nesta segunda-feira, (29), em Brasília aos 84 anos o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães Neto. Um dos mais importantes de sua geração, ele foi um dos protagonistas da formulação e execução da política externa que mudou a projeção do Brasil no cenário internacional durante os dois primeiros mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Dentre os cargos que ocupou, está o de ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República no segundo mandato de Lula e o de secretário-geral do Itamaraty na gestão de Celso Amorim. Também chefiou o Departamento Econômico do Itamaraty, foi diretor do Instituto de Pesquisas em Relações Internacionais (IPRI) e ocupou a vice-presidência da Embrafilme, posto que deixou após a repercussão do lançamento do filme Pra Frente Brasil, de 1982, que retratava a tortura na ditadura militar.







A morte foi lamentada pelo Itamaraty, por Lula e diversos políticos e lideranças sociais, que destacaram o papel de Guimarães na defesa dos interesses nacionais.

"Ao longo da vida defendeu o desenvolvimento, a democracia e as causas populares, resistindo a diversas tentativas de interferência externa no nosso país e atuando para uma política externa ativa e altiva, na promoção dos interesses e da soberania brasileira", afirmou o presidente Lula em nota na qual ele também manifestou seus sentimentos e solidariedade aos familiares, amigos, alunos e colegas de Samuel Pinheiro.

'Grande lutador'

Já o Itamaraty registrou que ele foi "um dos mais destacados diplomatas de sua geração". "Como diplomata e intelectual, construiu uma ampla reflexão sobre o desenvolvimento e inserção internacional do Brasil. Destacou-se na formulação de políticas de integração regional, em especial do projeto do Mercosul, e na defesa da importância estratégica da relação com a Argentina", diz a nota divulgada pela pasta.

Na nota, a pasta ainda afirma que o atual ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, era amigo pessoal de Samuel Pinheiro Guimarães. "Além de lamentar profundamente a perda do amigo, o Vieira, em nome do Itamaraty, expressa à família, e aos muitos amigos e amigas do Embaixador Samuel as mais sentidas condolências", diz o texto.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, também lamentou a morte em seu perfil oficial no X: "Seu conhecimento do Brasil e da geopolítica mundial esteve sempre a serviço da afirmação de nossa soberania, da construção de uma  América Latina integrada e do diálogo entre povos e nações no rumo de uma ordem mundial democrática e justa. Meus sentimentos à família e incontáveis amigos e admiradores que ele deixou".

O dirigente do MST João Pedro Stédile, por sua vez, classificou Samuel Pinheiro como "grande lutador". "Estou com o coração apertado. Perdemos, o MST e todo o povo brasileiro, um grande lutador, um nacionalista das primeiras trincheiras e exemplo de diplomata a serviço da Nação, o nosso grande Samuel Pinheiro Guimaraes. Fica um legado intelectual e de servidor público", afirmou em seu perfil no X.

Embaixador foi Alto Representante do Mercosul

Nascido no Rio de Janeiro, em 1939, Samuel Guimarães graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil (atual UFRJ) em 1963, mesmo ano em que ingressou no Itamaraty. Em 1969 concluiu seu mestrado em Economia na Universidade de Boston (EUA).

Além dos cargos que ocupou no governo federal, entre 2011 e 2012 ele assumiu a função de Alto Representante Geral do Mercosul.




Edição: Nicolau Soares

Samuel Pinheiro Guimaraes no IPRI em 2018 - Apresentação de Paulo Roberto de Almeida

Receber o embaixador ez-SG Samuel Pinheiro Guimaraes foi uma bonita experiência minha no IPRI:

https://youtu.be/MchU9jRwJTw?feature=shared 


3319. “Percursos Diplomáticos: uma reflexão necessária”, Brasília, 12-24 agosto 2018, 5 p. Introdução ao depoimento do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães Neto, no quadro da série de depoimentos de diplomatas aposentados, que se acrescentam ao anteriores (link: http://www.funag.gov.br/index.php/pt-br/2015-02-12-19-38-42/2784-palestra-percursos-diplomaticos-com-o-embaixador-samuel-pinheiro-guimaraes). Revisto e lido em 24 de agosto de 2018, no auditório do Instituto Rio Branco. Divulgado no blog Diplomatizzando (24/08/2018; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2018/08/percursos-diplomaticos-samuel-pinheiro_24.html); Facebook (https://www.facebook.com/paulobooks/posts/2066487373414702). Link para o vídeo no YouTube (pronunciamento pessoal nos primeiros 15 minutos do vídeo; link: https://youtu.be/6gPTjMtlfqE ou https://www.youtube.com/watch?v=6gPTjMtlfqE&feature=youtu.be).

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Falecimento do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, um grande diplomata - Nota da ADB e do Sinditamaraty

Era, sobretudo, um grande e devotado funcionário das relações exteriores, nacionalista e desenvolvimentista, ajustados aos tempos da diplomacia dos governos do PT. (PRA)

A Associação e Sindicato  dos Diplomatas Brasileiros (ADB Sindical) e o Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério das Relações Exteriores (Sinditamaraty), com profundo pesar, tomaram conhecimento do falecimento do eminente embaixador Samuel Pinheiro Guimarães.

O embaixador Samuel Pinheiro Guimarães foi uma figura central na diplomacia brasileira, dedicando sua vida ao serviço do país e à promoção de seus interesses no cenário internacional. Durante sua gestão como Secretário-Geral do Itamaraty, em particular, ele se destacou não apenas por sua habilidade diplomática, mas também por sua dedicação incansável ao aprimoramento do Ministério das Relações Exteriores.

Sob sua liderança, foram implementadas políticas significativas visando o desenvolvimento profissional, a valorização do Itamaraty e de seus servidores. Essas ações tiveram um impacto duradouro, contribuindo para a formação de uma diplomacia mais forte e mais preparada para enfrentar os desafios do século XXI.

Sua partida deixa um legado de liderança comprometida com a excelência e o fortalecimento do serviço exterior brasileiro. Expressamos nossas mais sinceras condolências à sua família, amigos e colegas.

Neste momento de tristeza, reafirmamos nosso compromisso em honrar sua memória, continuando o trabalho de promover os interesses do Brasil no mundo e apoiando as carreiras do Itamaraty, um ideal pelo qual ele tanto lutou.

Descanse em paz, Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães. Seu legado continuará vivo, a nos inspirar no fortalecimento do serviço exterior, e na construção de um Itamaraty mais moderno e sintonizado com os legítimos anseios do povo brasileiro.

 

domingo, 28 de janeiro de 2024

The most dangerous European scenario - Jakub Janda

 From @JakubJanda:

THE MOST DANGEROUS EUROPEAN SCENARIO:

Jakub Janda

Jan 27, 20333

(based on my private talks with many European political and military leaders)

If the United States would end its material military support to Ukraine in short and mid-term, it could mean the following cascade of (worst case) events:

- since Europe is unable to deliver weapons & ammo Ukraine needs in near-close quality and quantity, Ukrainian defenders will have to first select to which attackers they shoot at, later this will become a strategic problem forcing Ukrainian leadership to search for any form of cease-fire

- why would terrorist Russia agree on any cease-fire or keep such promise if they would see their own strategic initiative and Ukraine desperately lacking defensive weps and ammo? Russia would keep attacking until Ukraine has to plead for capitulation, likely leading to internal political instability in Ukraine

- during this process, we can expect several million Ukrainians running West in panic, flooding Central and part of Western Europe, leading to natural rise of far-right (which is always a Russian fifth column), shaking internal stability of European NATO member states

- since most of Europe lacks large and modern air force able to deterring Russia, we will be (as always) dependent on the decisions of the American President. Those hundreds of F-35s ordered by European nations will be coming after like 2028/2030, so we have at least 4-5 year gap when much of Europe is really vulnerable. 

- Even if brave countries like Poland, Sweden, Finland or Baltic republics spend as much as they urgently can, our strategic balance of (military and political) power to Russian terrorists is not favourable to Europeans, if we cannot be sure about American strategic decisions after January 2025

- we see a lot of symbolic actions by large European economies (Germany, France, Italy, Spain), but are they running their defense industry and spending to semi-war levels like Russia does? Not at all, because they are not scared by the most realistic change of Russian attack on EU/NATO countries in last four decades. Why? Because they are not in the first line and many within their economic establishments still hope to get back to “normal” business with Russia. We are facing the most dangerous split over strategic plans across European allies now.

So, supporting Ukrainian defenders with everything we have got is the only realistic change we have to keep this war from erupting in a geostrategic disaster for Europe.”

Quando o Brasil voltará a crescer? - André Nassif (O Globo)

Quando o Brasil voltará a crescer?

Retomada do crescimento é inadiável e não há outra saída senão redefinir política econômica no curto prazo

Por André Nassif

O Globo, 26/01/2024 

https://valor.globo.com/opiniao/coluna/quando-o-brasil-voltara-a-crescer.ghtml 2/11

 

Desde o início da década de 1980, o Brasil vem passando por processo de

estagnação, sem fim. Entre 1980 e 2023, a taxa de crescimento do PIB não superou os 2,3% ao ano, inferior ao crescimento mundial, de 2,8% ao ano. O crescimento médio da produtividade tem rodado próximo de zero em igual período. A retomada do crescimento, em ritmo mais expressivo e sustentável, é inadiável, porque dele depende a melhoria do padrão de vida dos brasileiros no futuro. A questão é: o Brasil voltará a crescer sobre bases sustentáveis?

Para responder à pergunta, recorro ao modelo de equilíbrio geral de James Meade, Prêmio Nobel de Economia em 1977, para quem o desafio dos policy-makers é adotar políticas consistentes que assegurem, simultaneamente, o equilíbrio interno (crescimento compatível com o pleno emprego e estabilidade de preços) e o equilíbrio externo (equilíbrio do balanço de pagamentos). Embora seja um modelo de curto prazo, concebido para o mundo de Bretton Woods, em que prevaleciam taxas de câmbio fixas (mas ajustáveis) e controle de capitais, ele pode não apenas ser adaptado para o mundo atual, com taxas de câmbio flutuantes e elevada abertura ao movimento de capitais, como também estendido ao longo prazo.

No modelo, o equilíbrio interno e o equilíbrio externo são determinados,

simultaneamente, pela taxa de câmbio real e pela absorção doméstica (consumo, investimento e gastos do governo). Enquanto as políticas monetária e fiscal afetam diretamente o nível da demanda doméstica e o equilíbrio interno, a política cambial, ao alterar a composição da demanda agregada destinada aos produtos domésticos e aos produtos importados, interfere diretamente no equilíbrio externo.

A taxa de câmbio real está associada negativamente ao equilíbrio interno, mas positivamente ao equilíbrio externo. Assim, uma taxa de câmbio real menor (moeda brasileira sobrevalorizada), por diminuir a absorção de bens domésticos em detrimento dos importados (que se tornam mais baratos) e causar desemprego, requer incremento da absorção doméstica (por exemplo, através de uma política fiscal expansionista) para levar a economia de volta ao equilíbrio interno; já uma taxa de câmbio real maior (moeda brasileira subvalorizada), ao ampliar a competitividade internacional, afeta positivamente as exportações líquidas e acarreta (tudo o mais constante) maior superávit do balanço de pagamentos.

Atualmente, a economia brasileira conta com equilíbrio externo, mas não interno, pois opera abaixo de seu potencial e com elevado desemprego. No mundo de Bretton Woods, havia maior autonomia no manejo da política macroeconômica. Uma política monetária expansionista poderia levar a economia ao pleno emprego e até mesmo provocar alguma inflação no médio prazo. Uma política de desvalorização cambial, acompanhada de ajustes finos de contração monetário-fiscal, poderia levá-la a alcançar a situação ótima de pleno emprego, estabilidade de preços e equilíbrio do balanço de pagamentos.

O modelo sugere que os instrumentos da política macroeconômica envolvem dilemas (trade-offs): em um mundo com taxas de câmbio fixas (mas ajustáveis) e controle de capitais, políticas monetárias e fiscais expansionistas aumentam a absorção doméstica e reduzem o desemprego, mas deterioram os resultados do balanço de pagamentos. Para contornar o trade off, uma política de desvalorização cambial seria capaz de reorientar a composição da demanda agregada para gastos em produtos e serviços domésticos em detrimento dos importados, propiciando uma melhoria dos resultados do balanço de pagamentos.

Acontece que no Brasil (e no mundo), atualmente, prevalecem regimes de câmbio flutuantes e elevada mobilidade dos fluxos de capitais externos. A autonomia para a execução de políticas macroeconômicas compatíveis com os interesses sociais de longo prazo é reduzida, mas não inexistente. O ideal é que os regimes de metas de inflação sejam razoavelmente flexíveis, com bancos centrais conferindo pesos iguais aos objetivos de manter a inflação na meta e alcançar o pleno emprego.

Infelizmente, diferentemente de outros países, este não tem sido o caso do Brasil. Na situação atual, por exemplo, tanto a política monetária quanto a política fiscal operam com vieses contracionistas. O novo arcabouço fiscal confere maior flexibilidade para que a política fiscal se desvie para o terreno expansionista, mas este dependerá da dinâmica das receitas do governo. Dada a desaceleração econômica em curso, se mantida a meta de déficit fiscal primário zero, será mínimo o potencial para incremento dos investimentos públicos, condição necessária para acionar o motor da recuperação econômica.

Qual seria a melhor solução agora? Mesmo com os cortes esperados da Selic, para 9% até o final do ano, ainda assim a taxa de juros real básica de curto prazo, de 4,9%, permanecerá com viés contracionista no final de 2024, considerando expectativas de inflação de 3,9% e taxa de juros real neutra de 4%, de acordo com as projeções do Banco Central. Logo, não há outra saída senão redefinir os contornos da política econômica no curto prazo, alterando a meta de déficit fiscal primário para 1% do PIB, de sorte que a expansão dos investimentos públicos programados proporcione o start inicial da recuperação econômica e impulsione, consequentemente, os investimentos privados.

Voltando ao modelo de equilíbrio interno-externo, com câmbio flutuante e livre

mobilidade de capitais, uma política fiscal expansionista, no momento, faria com que a economia brasileira aumentasse a absorção doméstica e reduzisse o desemprego. E, prevendo alguma incerteza no mercado financeiro, que sempre reage, de forma exagerada e, na maioria dos casos, injustificadamente, à expansão dos gastos públicos, esse impulso fiscal, ao gerar alguma turbulência temporária no mercado de câmbio, provocaria maior depreciação do real e equilíbrio externo às custas do equilíbrio interno. Porém, com o manejo dos instrumentos de política cambial vigentes (venda de reservas, swaps cambiais etc), o Banco Central do Brasil seria plenamente capaz de aliviar a pressão sobre a taxa de câmbio e trazer a economia brasileira ao equilíbrio “geral”, entre 2024 e 2025.

Evidentemente, as medidas sugeridas não respondem integralmente à pergunta que dá título a este artigo. Afinal, o crescimento da economia sobre bases sustentáveis depende de uma diversidade de fatores adicionais complementares, como o impacto da nova política industrial a ser lançada (a neoindustrialização) sobre a taxa de investimento, redução das taxas de juros reais para níveis internacionais, preservação de uma taxa de câmbio real competitiva e estável etc. Mas para que o novo arcabouço fiscal venha a funcionar de forma satisfatória, preservando investimentos públicos e gastos sociais em patamares que proporcionem aumento da produtividade da economia e redução das desigualdades, mas permitindo, ao mesmo tempo, ritmo de crescimento das receitas públicas superior ao das despesas primárias, é preciso que o motor da recuperação seja acionado pela política fiscal.

Do contrário, o Brasil contratará não apenas menor crescimento econômico, mas também maior dificuldade para colocar em prática o novo arcabouço fiscal vigente.

 

André Nassif é professor-visitante do King’s College London, Reino Unido, e autor de “Desenvolvimento e Estagnação: o Debate entre Desenvolvimentistas e Liberais Neoclássicos”.

E-mail: andre.nassif@kcl.ac.uk; andrenassif27@gmail.com

 

sábado, 27 de janeiro de 2024

Nuclear Non-Proliferation Regime: success or failure? Book Review: Jeffrey M. Kaplow. Signing Away the Bomb: The Surprising Success of the Nonproliferation Regime (2022) (H-Diplo)

 Nuclear Non-Proliferation Regime: success or failure?

Book ReviewJeffrey M. Kaplow. Signing Away the Bomb: The Surprising Success of the Nonproliferation Regime (2022)

 

Excerpt

NPT, which has now passed its 50th anniversary, has 191 states parties, more than any other arms control treaty. Five states that had already developed nuclear weapons (the United States, Russia, Britain, France, and China) were allowed to join the NPT as nuclear weapon statesall other members had to join as non-nuclear weapon states, meaning they legally foreswore the option of getting the bomb when they signed the treaty. Only five states are not members: India, Israel, North Korea, Pakistan, and South SudanThe first four have nuclear arsenals but cannot legally be recognized under the NPT as nuclear weapon states, so they remain outside the treaty (North Korea was a signatory but withdrew a few years before it conducted its first nuclear test); South Sudan became independent relatively recently and its non-membership is not regarded as a signal of potential interest in a nuclear program.”

 

 

H-Diplo|RJISSF Roundtable Review 15-25 on Kaplow, _Signing Away the Bomb_

christopher ball

H-Diplo | Robert Jervis International Security Studies Forum

Roundtable Review 15-25

Jeffrey M. Kaplow. Signing Away the Bomb: The Surprising Success of the Nonproliferation Regime.Cambridge: Cambridge University Press, 2022. ISBN: 9781009216739 (hardcover, $110). DOI: https://doi.org/10.1017/9781009216746

26 January 2024 | PDF: https://issforum.org/to/jrt15-25 | Website: rjissf.org Twitter: @HDiplo

 

Contents

Introduction by Jeffrey W. Knopf, Middlebury Institute of International Studies (MIIS) 2

Review by Naomi Egel, University of Georgia. 7

Review by Jeffrey S. Lantis, The College of Wooster. 11

Review by J. Luis Rodriguez, George Mason University. 14

Response by Jeffrey M. Kaplow, College of William & Mary. 18

 

(...)


Read the review: 

https://www.academia.edu/114128103/Nuclear_Non_Proliferation_Regime_success_or_failure_Book_Review_Jeffrey_M_Kaplow_2022_


Guerras e reformas globais vão pautar reunião do G20 no Rio - Caio Sartori (Valor-Globo)

Guerras e reformas globais vão pautar reunião do G20 no Rio

Caio Sartori
Valor, 26/01/2024


A primeira grande reunião do G20 sob presidência do Brasil está marcada para os dias 21 e 22 de fevereiro, no Rio de Janeiro, com os ministros de Relações Exteriores do grupo. O encontro dos chanceleres, apurou o Valor, vai debater sobretudo dois temas: as tensões internacionais em curso e a reforma da governança global. Escolheu-se como palco a Marina da Glória, no aterro do Flamengo, na divisa entre a zona sul e o centro da cidade.

Em gesto ao Mercosul e à integração regional, o governo brasileiro distribuiu nesta semana convites para os países do bloco participarem do encontro. Oficialmente, além do Brasil, apenas a Argentina integra o G20, que reúne algumas das maiores economias do mundo. Com o convite, portanto, também devem ir ao Rio os chefes diplomáticos de Uruguai, Paraguai e Bolívia.

Outros blocos abarcados pelo aceno do ministro Mauro Vieira foram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em recados de valorização da língua portuguesa e da pauta ambiental, respectivamente. No total, além dos 21 integrantes oficiais e desses convidados recentes da presidência brasileira, compõem a lista do evento outros oito países que foram convidados ainda no ano passado e 12 organizações internacionais.

A ideia da gestão brasileira é que o primeiro dia da reunião de chanceleres discuta as guerras e conflitos internacionais vigentes, sobretudo a guerra da Ucrânia e o conflito no Oriente Médio. Afinal, será a primeira vez desde o início da tensão em Gaza entre Israel e Hamas que o grupo se encontra.

No caso da guerra na Europa, o G7 despontou nos últimos dois anos como espaço de debate. No G20, espera-se uma postura firme sobre a guerra em Gaza de países próximos à causa palestina, como Arábia Saudita, Turquia, Indonésia e África do Sul - além do Egito, que é membro convidado.

Depois dos chanceleres no Rio, ministros da área financeira se reúnem em SP
No segundo dia de reunião, o foco será a reforma das instituições internacionais, tema que, inclusive, integra um dos três eixos da presidência brasileira ao lado da pauta climática e do combate à fome e às desigualdades. “Não estamos falando só de reforma do Conselho de Segurança da ONU. No G20, esse tópico envolve reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI), da Organização Mundial do Comércio (OMC) e, também, das Nações Unidas de forma mais abrangente”, diz uma fonte envolvida na agenda programática da condução brasileira.

O encontro na Marina da Glória serve de ponto de partida para as reuniões ministeriais que vão ocorrer ao longo do ano no Rio e em outras cidades do país até a cúpula dos chefes de Estado, marcada para 18 e 19 de novembro. “Será um evento preparatório fundamental para a logística e a segurança da Marina”, afirma o presidente do comitê municipal que organiza o G20, Lucas Padilha. A tendência é que a cúpula de novembro seja no Museu de Arte Moderna (MAM), localizado próximo à Marina.

Uma semana depois dos chanceleres, será a vez de os ministros de finanças e presidentes de bancos centrais se encontrarem, mas em São Paulo. Ao longo do ano, no Rio, o calendário do comitê do G20 também prevê uma reunião de ministros da área financeira, assim como das temáticas de clima e de saúde.

O G20 é dividido em duas “trilhas”: a dos sherpas, conduzida pela diplomacia, e a financeira, pelo Ministério da Fazenda. O nome sherpa neste caso se aplica aos diplomatas precursores das missões. No Brasil, o sherpa é o embaixador Mauricio Lyrio, secretário de Assuntos Econômicos do Itamaraty, enquanto a coordenadora da trilha de finanças é a secretária de Assuntos Internacionais da Fazenda, Tatiana Rosito.

Antes mesmo de começarem os encontros de ministros, está programado no Rio, na segunda-feira (29), um evento de um dos grupos de engajamento, como são chamados os núcleos de debate voltados para áreas temáticas. O encontro é o Business 20 (B20), marcado na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin. Também participam Mauricio Lyrio, Tatiana Rosito e CEOs de empresas nacionais e estrangeiras.

Desde que o Brasil assumiu a presidência do clube de grandes economias do mundo, em dezembro de 2023, a prefeitura do Rio tem investido na divulgação da cidade como “capital do G20”, como é possível ler em diversas placas publicitárias espalhadas pelas ruas. Apesar de vários municípios do país receberem eventos ligados à presidência brasileira, o Rio será o anfitrião da maioria deles.

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