domingo, 25 de maio de 2025

Velhos e novos conceitos sobre Justiça social e Democracia- Airton Dirceu Lemmertz

Velhos e novos conceitos sobre Justiça social e Democracia

 Airton Dirceu Lemmertz 


A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo criticou a condenação de uma jornalista e de um jornal por revelarem uma informação que é pública: os ganhos de uma desembargadora do Rio Grande do Sulhttps://www.youtube.com/watch?v=MfgZ-nuFO10 

  "A lei e o bom jornalismo preveem exatamente isso: transparência!", diz Felipe Vieira após jornalista ser condenada após revelar o salário de uma desembargadora do Rio Grande do Sul. https://www.youtube.com/watch?v=B2tNzaAk1cQ 

O surgimento histórico da esquerda política, a partir da Revolução Francesa: a ideia era “salvar o mundo pela política”? O pensamento de Pierre Proudhon, considerado o pai do anarquismo, e como ele defendia uma transformação social sem a necessidade do Estado. Comparando as ideias de Proudhon com as de Mikhail Bakunin, ressaltando as diferenças entre suas propostas para a mudança do sistema político. https://www.youtube.com/watch?v=pe1e9RiAjM0 

É válido usar a violência para salvar o mundo? Historicamente, a violência foi vista como instrumento legítimo de transformação social. A esquerda criou um tipo específico: a violência revolucionária, usada como meio para instaurar mudanças políticas profundas. E como os socialistas soviéticos interpretaram a violência e outros temas centrais para a construção de sua ideologia. https://www.youtube.com/watch?v=CtNC6fpjRSM 

Como a esquerda se transformou após o colapso da União Soviética, quando a classe operária passou a ter melhores condições materiais. O jornalista Wilson Gomes e o filósofo Francisco Bosco falam sobre os novos grupos oprimidos que passaram a ser foco da esquerda contemporânea. Eles discutem se essas mudanças fizeram a esquerda perder o rumo e quais são os possíveis caminhos para o futuro do pensamento progressista. https://www.youtube.com/watch?v=GHemS-nneDM 

A crise de criatividade na esquerda contemporânea e a comparação com a extrema-direita, destacando diferenças na maneira de enxergar a sociedade. Os “safe spaces” nas universidades americanas, espaços onde não há conflito de ideias, e como isso pode prejudicar a convivência democrática. Como é possível criticar políticas identitárias sem adotar argumentos reacionários? O essencial é, primeiro, não ser reacionário. https://www.youtube.com/watch?v=mvqmZ1kE7NA 

Os "gatilhos" que, nas últimas décadas, abalaram confiança de eleitores no sistema político. https://www.youtube.com/watch?v=a2BDtg7-7VE 

O impacto que período sob regime soviético e posterior reunificação da Alemanha exerceram sobre avanço de partidos nacionalistas. https://www.youtube.com/watch?v=RFhm3Rb30T4 

O mundo vive ruptura com consenso pós-Segunda Guerra Mundial baseado na capacidade de diálogo entre forças liberais e parte da esquerda. https://www.youtube.com/watch?v=aO-1QAdy6ns 

Partidos de ultra-direita são reação democrática de grupos contrários à agenda abraçada tanto pela centro-direita quanto pela centro-esquerda na Europa. https://www.youtube.com/watch?v=MjKzL49Jmno 




sábado, 24 de maio de 2025

Sentimentos obscuros do atual dirigente político brasileiro, isto é, Lula, contam muito na determinação geral da politica externa nacional - Paulo Roberto de Almeida

Sentimentos obscuros do atual dirigente político brasileiro, isto é, Lula, contam muito na determinação geral da politica externa nacional

Paulo Roberto de Almeida

        Começo por uma distinção crucial.

        Sempre fiquei intrigado pela diferença entre o extremo ativismo político de Lula e do Itamaraty em relação ao problema do conflito Israel-palestinos, em especial Gaza, e a extrema vacuidade de atuação, ou sequer de reação, no tocante à guerra de agressão de Putin contra a Ucrânia.

        Todos se lembram de que, no final de 2022, já presidente eleito, mas ainda não empossado, Lula participou de uma COP realizada no Egito, onde foi literalmente saudado pelo mundo inteiro, e até incensado pela mídia mundial, pelo fato de ter proclamado o “retorno do Brasil” (que ele passaria a dirigir em 2023) a posições normais na agenda ambiental, depois do horror que foram os quatro anos de políticas antiambientais e perversamente destrutivas da gestão bolsonarista que então finalizava. Lula assumiu o status de Messias do ambientalismo bem comportado e politicamente correto de um país determinante na agenda mundial da sustentabilidade. Sua recepção na mídia mundial subiu mais ainda depois dos desvairados ataques dos bolsonaristas em janeiro seguinte, reforçando o apoio de todo o mundo ao “retorno da democracia” no Brasil, após quatro anos de eclipse por parte de um abjeto  defensor da ditadura militar e do antiecologismo.

        Pois bem. Poucos se lembram do comportamento e da reação de Lula em face da apoteose que foi a recepção triunfal de Zelensky no G7 de Hiroshima, em meados de 2023, depois do fracasso da ofensiva russa contra a Ucrânia no decorrer de 2022, graças ao imediato apoio do G7, da UE, dos países ocidentais em geral, à nação atacada, em contraste com a postura objetivamente pró-Putin exibida antes por Bolsonaro e mantida e até ampliada sob Lula, por razões que remontam ao antiamericanismo tradicional do PT, à amizade de Lula por Putin, à aliança de Lula ao Brics e outros motivos inconfessáveis.

        Zelensky foi saudado como herói, ao passo que Lula foi praticamente ignorado pelos dirigentes do G7, inclusive porque já havia chocado todo o mundo democrático ao revelar sua postura notoriamente pró-Putin e pró-Rússia naquele conflito, ao atribuir ao próprio Zelensky e à OTAN a responsabilidade inicial pela guerra de agressão ao país vizinho: isso chocou o mundo democrático, o que foi confirmado por uma entrevista de Lula à Time, na qual reafirmava sua posição indisfarçavelmente de apoio à Rússia nessa cruel guerra de agressão unilateral contra um país soberano.

        Naquela reunião do G7 de Hiroshima, Zelensky foi “assediado” por todos os dirigentes, ao passo que Lula, ignorado por eles, recusou-se terminantemente a sequer encontrar ou cumprimentar o líder ucraniano, assim como passou a obstar e ignorar todas as mensagens e demandas da Ucrânia por encontros e apoio no terrível conflito.

        A partir daí, e sobretudo depois dos ataques terroristas do Hamas contra Israel, em outubro de 2023, a distinção entre uma e outra guerra se fez notória e recorrente: dezenas de notas e declarações pró-palestinas e nenhuma, absolutamente nenhuma em favor da Ucrânia, ao contrário, posturas nitidamente pró-Putin, até no claramente enviesado “Plano de Paz Brasil-China para a Ucrânia”, que obviamente foi ignorado pela UE, G7 e por todos os países democráticos.

        Podem conferir: a despeito dos piores morticínios diariamente perpetrados contra civis ucranianos não há sequer uma simples notinha de solidariedade do Itamaraty, claramente intimidado pelos pró-Putin do Planalto. Sinto vergonha pela diplomacia brasileira.

Paulo Roberto Almeida

Brasília, 24/04/2025

The fall of the Soviet Union — David Satter

 The fall of the Soviet Union

David Satter

 The fall of the Soviet Union was supposed to usher in freedom. Instead, it unleashed a criminal state.

In this revealing conversation, renowned Russia expert David Satter joins Dr. Jason Jay Smart to expose how the 1990s reforms turned Russia into a violent kleptocracy—dominated by organized crime, corrupted by oligarchs, and ultimately controlled by a new authoritarian regime under Vladimir Putin.

Satter explains how Western leaders misread the collapse of the USSR and failed to understand the criminal networks that replaced it. Drawing from decades of first hand reporting and investigation, he outlines how Russia’s past continues to fuel its present-day aggression.

Key topics:

– How organized crime hijacked Russia’s transition to capitalism

– What Boris Yeltsin and Vladimir Putin had in common

– Why the West misjudged the Russian “reform” period

– How Soviet habits of repression quietly evolved—not disappeared

David Satter is one of the world’s foremost authorities on Russia and the former Soviet Union. In 2013, he became the first U.S. journalist expelled from Russia since the Cold War. He is a fellow at the Hudson Institute and the Foreign Policy Research Institute, and has taught Russian politics and history at Johns Hopkins University. His works on Russia are considered authoritative, including titles such as Darkness at Dawn: The Rise of the Russian Criminal State; The Less You Know, the Better You Sleep: Russia’s Road to Terror and Dictatorship under Yeltsin and Putin; It Was a Long Time Ago and It Never Happened Anyway: Russia and the Communist Past; Age of Delirium: The Decline and Fall of the Soviet Union (also adapted into an award-winning documentary).


Follow David Satter:

X: @DavidSatter

Website: https://davidsatter.org


Follow Dr. Jason Jay Smart:

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X: https://x.com/OfficeJJ...

Facebook:   / jasonjaysmart  

LinkedIn:   / jasonjayssmart  

Website: https://JasonJaySmart.com


Chapters:

00:00 Intro: Who is David Satter?

01:00 What does Putin want from Ukraine?

03:35 Putin's lack of remorse for killings

06:10 Soviet roots of Putin’s ideology

09:00 Power over ideology: Putin's real motivation

11:50 Putin’s shifting narratives and propaganda

14:20 Why Putin doesn’t want the war to end

16:00 What could force Putin to negotiate?

18:00 Western economic pressure and public opinion

20:00 Final thoughts: The key role of the West


#DavidSatter #JasonJaySmart #Russia #Putin #PostSoviet #KGB #RussianMafia #RussianPolitics #DarknessAtDawn #Geopolitics #Authoritarianism

sexta-feira, 23 de maio de 2025

Uma Tríade Monstruosa e Nefasta para a Humanidade - Paulo Roberto de Almeida

Uma Tríade Monstruosa e Nefasta para a Humanidade

Paulo Roberto de Almeida

Existem, atualmente, três coisas e três pessoas absolutamente nefastas ao bem-estar de países e de toda a humanidade, insustentáveis no plano econômico, político, securitário ou simplesmente humano ou ético, mas que continuam a se desempenhar impunemente aos seus promotores, ao arrepio dos interesses dos respectivos povos e do Direito Internacional e do Direito Humanitário. São elas, equiparadas nos malefícios impostos às suas vítimas:

1) a cruel guerra de agressão de Putin contra o povo da Ucrânia, a pretexto de ameaças desta à segurança da Rússia e de russos étnicos de suas províncias orientais;

2) a guerra de eliminação sistemática de Netanyahu contra o povo palestino da faixa de Gaza, a pretexto de abrigar os terroristas do Hamas;

3) a insana guerra tarifária de Trump contra todos os demais países, em especial China, UE e membros do acordo de livre comércio com Canadá e México, a pretexto de superávits comerciais com os EUA, deixando de lado os superávits em serviços dos EUA contra todos esses países.

Esses três criminosos, de guerra, humanitário e comercial, Putin, Netanyahu e Trump, são, a despeito de eleitos, autocratas arrogantes e violadores do Direito Internacional, causando danos irreparáveis à paz e à segurança internacionais, em primeiro lugar a seus próprios povos, além de atos agressivos contra todas aquelas vítimas de suas ações nefastas.

Constatamos que as vidas, o bem-estar, a segurança, o patrimônio material, o próprio respeito às normas mais elementares do Direito e da ética na conduta da governança nacional estão sendo gravemente ameaçados por esses três criminosos seriais. 

Proponho que eles sejam chamados de “Inimigos da Humanidade” e como tal sancionados num tribunal especial de caráter ético e humanitário.

Paulo Roberto Almeida

Brasília, 23/05/2025


Próximo livro: Intelectuais na Diplomacia Brasileira: a cultura a serviço da nação - Organização: Paulo Roberto de Almeida

Tenho o prazer de anunciar que acabo de conceder o Imprimatur para a publicação deste livro, que vinha organizando desde 2018, finalmente em fase de publicação pelas editoras Francisco Alves e Unifesp:


Paulo Roberto de Almeida
(organizador)

Intelectuais na diplomacia brasileira
A cultura a serviço da nação

Rio de Janeiro – São Paulo
Editora Francisco Alves – Unifesp 2025


            Dedicado à memória e à nobreza intelectual de Alberto da Costa e Silva, o intelectual diplomata que inspirou esta obra e muitas outras mais.


Sumário

Prefácio 13
Celso Lafer

Apresentação: intelectuais brasileiros a serviço da diplomacia 25
Paulo Roberto de Almeida
Nas origens da feliz interação entre o Itamaraty e a cultura brasileira 25
Por que uma nova iniciativa aliando diplomatas e cultura, muitos anos depois? 30
Um novo projeto cobrindo outros intelectuais associados à diplomacia brasileira 36

Bertha Lutz: feminista, educadora, cientista 39
Sarah Venites
Não tão breve nota introdutória 39
Uma formação cosmopolita 42
A ciência, a educação e o Museu Nacional 45
Política feminista, no Brasil e no mundo 42
O legado de Bertha e considerações finais 61

Afonso Arinos de Melo Franco e a política externa independente 63
Paulo Roberto de Almeida
Um membro do patriciado mineiro, de uma família de estadistas e intelectuais 63
Vida intelectual de Afonso Arinos, de uma família de escritores 65
Um diplomata natural, chanceler num período atribulado 71
A solução parlamentarista, sempre no horizonte 85
A crise brasileira e seu caráter permanente 87
De volta ao planalto, como senador e constituinte 92

San Tiago Dantas e a oxigenação da política externa 99
Marcílio Marques Moreira
Marcos de uma vida intensa 99
San Tiago Dantas e os apelos do autoritarismo 101
A trajetória na luta democrática 105
Uma fina sensibilidade cultural 106
O ingresso na vida política 108
San Tiago e a reforma do Itamaraty 110
San Tiago, diplomata 111
Uma visão original da política externa e da política internacional 116
San Tiago, o pacifista 119
Em busca de uma esquerda “positiva”: San Tiago e Merquior 121

Roberto Campos: um humanista da economia na diplomacia 125
Paulo Roberto de Almeida
Uma vida relativamente bem documentada, senão totalmente devassada 125
O diplomata enquanto economista e, ocasionalmente, homem de Estado 131
Além da economia: um observador sofisticado do subdesenvolvimento brasileiro e latino-americano 136
Além da economia: o humanismo na sua versão irônica e política 147
A premonição das catástrofes evitáveis, um fruto de sua racionalidade 152
Um longo embate contra sua própria instituição 156
A Weltanschauung evolutiva de Roberto Campos: do Estado ao indivíduo 162

Meira Penna: um liberal crítico do Estado patrimonial brasileiro 171
Ricardo Vélez-Rodríguez
Breve síntese biográfica 171
A crítica de Meira Penna ao Estado patrimonial 173
O Brasil e o liberalismo 175
Patrimonialismo, o mal latino 176
Patrimonialismo e familismo clientelista 183
Patrimonialismo e formalismo cartorial 188
Patrimonialismo e estatismo burocrático 192
Patrimonialismo e mercantilismo 194
Patrimonialismo e corrupção 198
Alternativas ao patrimonialismo 199
Um Tocqueville brasileiro 202
Obras de José Oswaldo de Meira Penna 204
Outras obras 205

Lauro Escorel: um crítico engajado 207
Rogério de Souza Farias
Esperançosa inteligência 207
Retórica militante 211
Escolástico inútil 215
Cultura da política 220


Sergio Corrêa da Costa: diplomata, historiador e ensaísta 233
Antonio de Moraes Mesplé
Os anos 40 233
D. Pedro I e a exceção brasileira 240
Floriano Peixoto e a história diplomática da Revolta da Armada 248
Juan Perón, o hipernacionalismo argentino e a conexão nazista 261
A globalização lexical e a Francofonia 276
Um diplomata de escol 281

Wladimir Murtinho: Brasília e a diplomacia da cultura brasileira 285
Rubens Ricupero
Colocar o Estado a serviço da cultura 285
As origens e os episódios latino-americanos 286
A história de Wladimir é um romance de aventuras 289
As marcas de Murtinho na cultura do Brasil 291
Brasília como nova capital da cultura brasileira 293
O legado de Wladimir Murtinho em Brasília e para o Brasil 295

Vasco Mariz: meu tipo inesquecível 299
Mary Del Priore
Uma infância carioca 299
Como se fabrica um escritor e musicólogo? 300
Itinerários na diplomacia: Porto e Belgrado 303
De volta à América Latina e novos desafios diplomáticos 305
A obsessão pela música 307
Um longevo diplomata-escritor 312
Vasco: demasiadamente humano 325

José Guilherme Merquior, o diplomata e as relações internacionais 333
Gelson Fonseca Jr.
O intelectual e o diplomata 334
Encontros com Merquior 340
Os textos sobre questões diplomáticas 345
O intelectual antes do diplomata 364

A coruja e o sambódromo: sobre o pensamento de Sergio Paulo Rouanet 367
João Almino
Diplomacia 367
Literatura 369
Filosofia 372
Iluminismo e universalismo 374
Universalismo e etnocentrismo 376
Relativismo e particularismos 378
Civilização ou barbárie 379
A permanência da obra 383

Apêndices 385
1. O Itamaraty na cultura brasileira (2001), sumário da obra 387
2. Introdução de Alberto da Costa e Silva à edição de 2001 389
3. Alberto da Costa e Silva – 1931-2023, Celso Lafer 407

Sobre os intelectuais na diplomacia 413
Sobre os autores 419

[Ficha catalográfica, 425]

[Brasília, 23 de maio de 2025]


quinta-feira, 22 de maio de 2025

A fábrica de espiões russos no Brasil - Michael Schwirtz, Jane Bradley (The New York Times)

 A fábrica de espiões russos no Brasil

Por Michael Schwirtz e Jane Bradley

Michael Schwirtz e Jane Bradley cobrem as operações russas no Ocidente há uma década. Eles cobriram esta história de todo o Brasil, dos Estados Unidos e de vários países da Europa.

The New York Times, 21 de maio de 2025

https://www.nytimes.com/pt/2025/05/21/world/europe/a-fabrica-de-espioes.html
https://blogdopolibiobraga.blogspot.com/2025/05/a-fabrica-de-espioes-russos-no-brasil.html

Artem Shmyrev enganou a todos. O oficial de inteligência russo parecia ter construído a identidade perfeita. Ele administrava uma bem-sucedida empresa de impressão 3D e dividia um apartamento de luxo no Rio de Janeiro com sua namorada brasileira e um gato Maine Coon laranja e branco, de pelo fofo.

Mas o mais importante é que ele tinha uma certidão de nascimento e um passaporte autênticos que consolidavam seu pseudônimo como Gerhard Daniel Campos Wittich, um cidadão brasileiro de 34 anos.

Depois de seis anos escondido, ele estava impaciente para começar um verdadeiro trabalho de espionagem.

“Ninguém quer se sentir um perdedor”, escreveu ele em uma mensagem de texto de 2021 para sua esposa russa, que também era oficial de inteligência, usando um inglês imperfeito. “É por isso que continuo trabalhando e tendo esperança.”

Ele não estava sozinho. Durante anos, segundo uma investigação do New York Times, a Rússia usou o Brasil como plataforma de lançamento para seus agentes de inteligência de elite, conhecidos como ilegais. Em uma operação audaciosa e de longo alcance, os espiões deixaram de lado seus passados russos. Eles abriram negócios, fizeram amigos e tiveram casos amorosos — eventos que, ao longo de muitos anos, se tornaram os alicerces de identidades inteiramente novas.

Grandes operações de espionagem russas já foram descobertas no passado, inclusive nos Estados Unidos em 2010. Desta vez, foi diferente. O objetivo não era espionar o Brasil, mas sim se tornar brasileiro. Uma vez disfarçados de histórias de fundo confiáveis, eles partiriam para os Estados Unidos, Europa ou Oriente Médio e começariam a trabalhar a sério.

Os russos basicamente transformaram o Brasil em uma linha de montagem para agentes secretos como o Sr. Shmyrev.

Um deles abriu um negócio de joias. Outro era uma modelo loira de olhos azuis. Um terceiro foi admitido em uma universidade americana. Havia um pesquisador brasileiro que conseguiu emprego na Noruega e um casal que acabou indo para Portugal.

Então tudo desabou.

Nos últimos três anos, agentes de contrainteligência brasileiros têm caçado esses espiões de forma silenciosa e metódica. Através de um trabalho policial meticuloso, esses agentes descobriram um padrão que lhes permitiu identificar os espiões, um por um.

Agentes descobriram pelo menos nove policiais russos operando sob identidades brasileiras, de acordo com documentos e entrevistas. Seis nunca foram identificados publicamente até agora. A investigação já abrangeu pelo menos oito países, disseram autoridades, com informações vindas dos Estados Unidos, Israel, Holanda, Uruguai e outros serviços de segurança ocidentais.

Usando centenas de documentos investigativos e entrevistas com dezenas de policiais e agentes de inteligência em três continentes, o The Times reuniu detalhes da operação de espionagem russa no Brasil e do esforço secreto para eliminá-la.

Desmantelar a fábrica de espionagem do Kremlin foi mais do que uma simples ação rotineira de contraespionagem. Foi parte das consequências danosas de uma década de agressão russa. Espiões russos ajudaram a abater um avião de passageiros que vinha de Amsterdã em 2014. Interferiram em eleições nos Estados Unidos, na França e em outros lugares. Envenenaram supostos inimigos e planejaram golpes.

Mas foi a decisão do presidente Vladimir V. Putin de invadir a Ucrânia em fevereiro de 2022 que galvanizou uma resposta global aos espiões russos, mesmo em partes do mundo onde esses agentes desfrutavam de um certo grau de impunidade há muito tempo. Entre esses países estava o Brasil, que historicamente mantém relações amigáveis com a Rússia.

A investigação brasileira desferiu um golpe devastador no programa de imigração ilegal de Moscou. Eliminou um quadro de policiais altamente treinados que será difícil de substituir. Pelo menos dois foram presos. Outros recuaram às pressas para a Rússia. Com seus disfarces descobertos, provavelmente nunca mais trabalharão no exterior.

No centro dessa derrota extraordinária estava uma equipe de agentes de contrainteligência da Polícia Federal brasileira, a mesma unidade que investigou o ex-presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, por planejar um golpe.

De sua moderna sede de vidro na capital, Brasília, eles passaram anos vasculhando milhões de registros de identidade brasileiros, em busca de padrões.

Ficou conhecida como Operação Leste.

Fantasmas no Sistema

No início de abril de 2022, poucos meses após as tropas russas entrarem na Ucrânia, a CIA passou uma mensagem urgente e extraordinária à Polícia Federal do Brasil.

Os americanos relataram que um oficial disfarçado do serviço de inteligência militar da Rússia apareceu recentemente na Holanda para fazer um estágio no Tribunal Penal Internacional — justamente quando este começava a investigar crimes de guerra russos na Ucrânia.

O aspirante a estagiário viajava com passaporte brasileiro sob o nome de Victor Muller Ferreira. Ele havia se formado na Universidade Johns Hopkins com esse nome. Mas seu nome verdadeiro, segundo a CIA, era Sergey Cherkasov. Agentes da fronteira holandesa haviam negado sua entrada, e ele estava agora em um avião com destino a São Paulo.

Com provas limitadas e poucas horas para agir, os brasileiros não tinham autoridade para prender o Sr. Cherkasov no aeroporto. Assim, por vários dias de ansiedade, a polícia o manteve sob forte vigilância enquanto ele permanecia em liberdade em um hotel em São Paulo.

Por fim, os policiais conseguiram um mandado e o prenderam — não por espionagem, mas pela acusação mais modesta de uso de documentos fraudulentos.

Mesmo isso acabou se revelando um caso muito mais difícil de sustentar do que qualquer um esperava. Sob interrogatório, o Sr. Cherkasov se mostrou arrogante, insistindo que era brasileiro. E tinha os documentos para provar isso.

Seu passaporte brasileiro azul era autêntico. Ele possuía o título de eleitor brasileiro, conforme exigido por lei, e um certificado comprovando que havia cumprido o serviço militar obrigatório.

Todas eram genuínas.

Praia de Ipanema, no Rio de Janeiro. Durante anos, a Rússia usou o Brasil como plataforma de lançamento para seus agentes de inteligência de elite, conhecidos como ilegais.

“Não havia nenhuma ligação entre ele e a grande Mãe Rússia”, disse um investigador da Polícia Federal, que falou, assim como outros, sob condição de anonimato porque a investigação ainda está aberta.

Foi somente quando a polícia encontrou sua certidão de nascimento que a história do Sr. Cherkasov — e toda a operação russa no Brasil — começou a desmoronar.

No passado, espiões russos frequentemente obtinham documentos de identificação assumindo a identidade de pessoas mortas, geralmente bebês.

Não neste caso. Os agentes determinaram que Victor Muller Ferreira nunca existiu. No entanto, ele tinha uma certidão de nascimento verdadeira.

O documento indicava que Victor Muller Ferreira havia nascido no Rio de Janeiro em 1989, filho de mãe brasileira, pessoa real que faleceu quatro anos depois.

Mas quando a polícia localizou a família, os agentes descobriram que a mulher nunca teve filhos. As autoridades nunca encontraram ninguém com o mesmo nome do pai.

A descoberta levantou questões alarmantes. Como um espião russo havia obtido documentos genuínos sob um nome falso? Mais importante ainda, a polícia se perguntou: se um espião conseguiu, por que outros não?

Agentes federais começaram a procurar o que chamavam de “fantasmas”: pessoas com certidões de nascimento legítimas, que passaram a vida sem nenhum registro de realmente estarem no Brasil e que apareceram de repente como adultos coletando rapidamente documentos de identidade.

Para encontrar esses fantasmas, os agentes começaram a procurar padrões em milhões de registros de nascimento, passaportes, carteiras de motorista e números de previdência social.

Parte disso poderia ser automatizado, mas nem todos os bancos de dados brasileiros podem ser facilmente vinculados e pesquisados digitalmente. Grande parte teve que ser feita manualmente.

Essa análise permitiu que a Operação Leste desvendasse toda a operação russa.

“Tudo começou com Sergey”, disse um alto funcionário brasileiro.

Pessoas Especiais de Putin

Todos os espiões, não importa para qual país trabalhem, enfrentam o mesmo desafio: criar uma identidade falsa que resista ao escrutínio.

Durante gerações, agentes secretos usaram passaportes falsos, nomes roubados e histórias de fachada bem ensaiadas. A era digital, em que quase todo mundo tem um histórico online, tornou as coisas muito mais complicadas.

Este é um problema particularmente grave para a Rússia. Isso porque, embora todos os serviços de espionagem empreguem agentes secretos, a maioria depende de redes de informantes locais para realizar o trabalho pesado de coleta de inteligência. A Rússia é única. Desde os primeiros anos da União Soviética, agentes secretos se comprometeram com uma vida inteira de serviço, vivendo e trabalhando como pessoas completamente diferentes.

O próprio Sr. Putin reconheceu ter supervisionado espiões secretos soviéticos enquanto estava destacado na Alemanha Oriental como um jovem oficial da KGB no final da Guerra Fria.

“São pessoas especiais, com qualidades especiais, convicções especiais e um caráter especial”, disse ele em uma entrevista televisiva em 2017. “Deixar para trás a vida passada, deixar para trás seus entes queridos e sua família, deixar seu país por muitos e muitos anos para dedicar sua vida a servir à pátria, não é algo que todos podem fazer. Somente os escolhidos podem fazê-lo, e digo isso sem exagero.”

Uma fotografia do final da década de 1980 fornecida pela Agência de Registros da Stasi mostra Vladimir V. Putin, o segundo da esquerda, quando ele foi destacado para Dresden, Alemanha Oriental, como agente da KGB de 1985 a 1990. Crédito...BStU

O Brasil parecia o lugar ideal para os espiões escolhidos por Putin construírem sua tradição. O passaporte brasileiro é um dos mais úteis do mundo, permitindo viagens sem visto para quase tantos países quanto o americano. Alguém com traços europeus e um leve sotaque dificilmente se destacaria no Brasil multiétnico.

E enquanto muitos países exigem verificação hospitalar ou médica antes de emitir certidões de nascimento, o Brasil permite uma exceção específica para aqueles nascidos em áreas rurais. As autoridades emitirão uma certidão de nascimento para qualquer pessoa que declare, na presença de duas testemunhas, que o bebê nasceu de pelo menos um dos pais brasileiros.

O sistema também é descentralizado e vulnerável à corrupção local.

Com a certidão de nascimento em mãos, é só solicitar o registro de eleitor, os documentos militares e, por fim, o passaporte.

Uma vez obtido isso, um espião pode ir a praticamente qualquer lugar do mundo.

Uma pausa no caso

Um dos primeiros nomes a surgir quando os investigadores iniciaram a busca foi o de Gerhard Daniel Campos Wittich. Ele parecia se encaixar no padrão. Sua certidão de nascimento indicava que ele nasceu no Rio em 1986, mas ele parece ter surgido do nada em 2015.

Quando os agentes começaram a investigar, o Sr. Shmyrev já havia construído uma identidade falsa tão convincente que nem mesmo sua namorada e colegas faziam ideia. Ele falava português perfeitamente, com um sotaque que, segundo ele, era fruto de uma infância passada na Áustria.

Ele parecia dedicar tudo o que tinha à sua gráfica, a 3D Rio, que construiu do zero e com a qual demonstrava genuinamente se importar, segundo antigos colegas. Ele passava longas horas trabalhando no 16º andar de um arranha-céu no centro do Rio, a um quarteirão do Consulado Americano. Às vezes, mandava os funcionários para casa para poder trabalhar sozinho.

"Ele era viciado em trabalho", disse Felipe Martinez, um ex-cliente que fez amizade com o russo que ele conhecia como Daniel. "Ele pensava grande, sabe?"

A empresa se tornou um sucesso, disse um ex-funcionário, conquistando clientes como a TV Globo, uma rede de televisão, e as Forças Armadas brasileiras. (O funcionário, que pediu para não ser identificado, disse que o Sr. Shmyrev nunca foi convidado para nenhuma base).

Mas havia algumas peculiaridades, segundo amigos e colegas. Ele nunca mantinha seu computador conectado à internet quando não o estava usando. E parecia ter mais dinheiro do que seu negócio podia gerar.

Ele fazia viagens repentinas para a Europa e a Ásia e brincava sobre realizar "espionagem industrial" contra concorrentes. Às vezes, se passava por cliente de outras gráficas e certa vez enviou um de seus funcionários para estagiar em uma empresa rival e prestar contas.

Ele também parecia ter medo de câmeras e não gostava tanto de ter sua fotografia tirada que um ex-funcionário se lembrou de brincar que ele poderia estar sendo "procurado pela Polícia Federal".

O Sr. Shmyrev entrou em pânico quando um jornal local publicou uma foto dele em frente ao prefeito do Rio na inauguração de um centro de tecnologia, lembrou o Sr. Martinez.

Mas só em retrospectiva é que tudo isso pareceu significativo, disseram amigos.

Em particular, o Sr. Shmyrev estava entediado e frustrado com a vida disfarçado.

"Nenhuma conquista real no trabalho", escreveu o Sr. Shmyrev em uma mensagem de texto para a esposa. "Já faz 2 anos que não estou onde preciso estar."

Sua esposa, Irina Shmyreva, outra espiã russa que enviava mensagens de texto do outro lado do mundo, na Grécia, não demonstrou compaixão. "Se você queria uma vida familiar normal, bem, você fez uma escolha fundamentalmente errada", respondeu ela.

Mas ela reconheceu que a vida que eles estavam levando não era o que esperavam.

"Sim, não é como foi prometido e é ruim", ela lhe enviou uma mensagem. "Eles basicamente enganam as pessoas e eu vejo isso como algo ruim. É desonesto e nada construtivo."

Os textos fazem parte de um conjunto de documentos compartilhados com serviços de inteligência estrangeiros e acessados pelo The New York Times. Eles foram enviados em agosto de 2021 e recuperados posteriormente do telefone do Sr. Shmyrev.

Seis meses depois, a Rússia invadiu a Ucrânia. De repente, serviços de inteligência do mundo todo estavam trabalhando juntos e priorizando a interrupção da espionagem do Kremlin. A vida dos espiões russos espalhados pelo mundo foi abalada.

Primeiro veio o Sr. Cherkasov, o estagiário que foi preso semanas após a invasão. Depois, Mikhail Mikushin, que estava sob investigação brasileira, apareceu na Noruega e foi preso. Dois agentes russos infiltrados foram presos na Eslovênia, onde viviam sob identidades argentinas.

No final de 2022, investigadores brasileiros estavam se aproximando do Sr. Shmyrev.

O bairro de Botafogo, no Rio, onde o Sr. Shmyrev morava. Quando os agentes começaram a investigar, o Sr. Shmyrev já havia construído uma identidade falsa tão convincente que nem mesmo sua namorada e colegas faziam ideia.

Agentes federais desvendaram a identidade de Gerhard Daniel Campos Wittich e descobriram que sua mãe havia falecido e nunca tivera um filho com esse nome. Seu pai não foi encontrado.

No final de dezembro, os agentes estavam quase certos de que haviam descoberto um espião russo disfarçado.

Se o Sr. Shmyrev estava assustado, não deu nenhuma demonstração. Numa tarde daquele dezembro, ele jantou com um colega no badalado bairro de Botafogo, no Rio. Parecia tranquilo e disse que estava partindo para uma viagem de um mês à Malásia, segundo o funcionário, que falou sob condição de anonimato.

Ele escapou do país poucos dias antes de a Polícia Federal descobrir sua identidade. Os agentes ficaram perplexos. Tanto trabalho, e eles não o tinham encontrado.

O Sr. Shmyrev tinha uma passagem de volta datada de 2 de fevereiro de 2023. Assim, os agentes obtiveram mandados de prisão e ordens de busca em seus endereços. Quando o Sr. Shmyrev desembarcasse em solo brasileiro, eles estariam prontos.

Mas ele nunca mais voltou.

'O que é pior do que ser preso?'

O Sr. Shmyrev não foi o único espião russo a escapar das mãos dos brasileiros.

Toda vez que os agentes descobriam um nome, parecia que já era tarde demais.

Um casal na faixa dos 30 anos, conhecido como Manuel Francisco Steinbruck Pereira e Adriana Carolina Costa Silva Pereira, fugiu para Portugal em 2018 e desapareceu.

Parecia haver um grupo deles no Uruguai. Uma mulher, supostamente chamada Maria Luisa Dominguez Cardozo, tinha uma certidão de nascimento brasileira e, mais tarde, obteve um passaporte uruguaio. E havia outro casal: Federico Luiz Gonzalez Rodriguez e sua esposa, Maria Isabel Moresco Garcia, uma espiã loira que se passava por modelo.

A maior esperança dos agentes brasileiros de prisão parecia, por um tempo, ser um joalheiro chamado Eric Lopes. A polícia descobriu que ele era, na verdade, um espião russo chamado Aleksandr Utekhin.

Seu negócio foi destaque em um programa de televisão brasileiro de 2021 chamado “Empreendedores de Sucesso”, que se referiu a ele como um “especialista em pedras preciosas”.

Mas a apresentadora disse em entrevista ao The Times que o Sr. Lopes havia pago por aquele comercial de televisão. O Sr. Lopes, disse ela, era estranho. Ele falava "português gringo", observou ela, e se recusou a aparecer diante das câmeras. Um funcionário que foi ao ar em seu nome sabia tão pouco sobre o negócio que ele continuou a alimentar suas falas.

“Eu pensei: 'Uau, está acontecendo alguma coisa?'”, acrescentou o apresentador.

Quando os agentes federais chegaram às lojas, não encontraram nenhum vestígio do Sr. Lopes, nem do ouro ou das pedras preciosas que ele havia anunciado no Instagram.

Sua loja em Brasília agora é ocupada por uma seguradora. O endereço em São Paulo, em frente a uma unidade da Polícia Militar, abriga uma imobiliária.

Investigadores acreditam que seus negócios existiam apenas como fachada para reforçar suas credenciais brasileiras. Uma autoridade de segurança ocidental com conhecimento do caso disse que, após deixar o Brasil, o Sr. Utekhin passou algum tempo no Oriente Médio. Sua localização exata é desconhecida, embora autoridades de inteligência afirmem acreditar que ele e outros estejam de volta à Rússia.

Não está claro se algum evento assustou os oficiais e os fez voltar para casa. Mas com tanto foco na Rússia após a invasão da Ucrânia, especialistas em inteligência disseram que talvez os chefes em Moscou concluíssem que o mundo havia se tornado perigoso demais para eles.

Os agentes brasileiros que comandavam a Operação Leste passaram incontáveis horas descobrindo os nomes e ainda não tinham nenhum caso, exceto a acusação de documento falso contra o Sr. Cherkasov.

Mas eles compartilharam o que descobriram com as agências de inteligência do mundo, cujos agentes cruzaram essas informações com registros de agentes de inteligência russos conhecidos. E encontraram correspondências, o que, em alguns casos, permitiu que os brasileiros associassem um nome real às identidades brasileiras falsas.

O casal que vivia em Portugal sob o nome Pereira, por exemplo, era na verdade Vladimir Aleksandrovich Danilov e Yekaterina Leonidovna Danilova, de acordo com dois oficiais de inteligência ocidentais.

O Brasil há muito tempo mantém a neutralidade em relação a divisões geopolíticas. Mesmo após a invasão da Ucrânia pela Rússia, o Brasil manteve uma relação amigável com Moscou. Portanto, o uso do território brasileiro pelo Kremlin para uma operação de espionagem em larga escala foi visto como uma traição. As autoridades queriam enviar uma mensagem.

“Nós simplesmente juntamos as cabeças e pensamos: 'O que é pior do que ser preso como espião?'”, disse o investigador brasileiro sênior. “É ser exposto como espião.”

Para isso, os investigadores tiveram uma ideia audaciosa: poderiam usar a Interpol, a maior organização policial do mundo, para queimar os espiões de Putin.

Foi uma vingança irônica. O Sr. Putin, durante anos, manipulou os bancos de dados da Interpol para perseguir dissidentes e oponentes políticos.

No outono passado, os brasileiros emitiram uma série de alertas azuis da Interpol — alertas buscando informações sobre uma pessoa. Os avisos circularam os nomes, fotografias e impressões digitais dos espiões russos, incluindo o Sr. Shmyrev e o Sr. Cherkasov, para todos os 196 países membros.

A Interpol, como órgão independente, não lida com questões politizadas como espionagem. Para contornar isso, as autoridades brasileiras disseram que os russos estavam sendo investigados por uso de documentos fraudulentos.

O Uruguai emitiu alertas semelhantes, aos quais o The Times teve acesso, para suspeitos de serem espiões russos que apareceram no país sob identidades brasileiras. Seus nomes verdadeiros, segundo autoridades de inteligência, eram Roman Olegovich Koval, Irina Alekseyevna Antonova e Olga Igorevna Tyutereva.

O Sr. Koval e a Sra. Antonova, o casal, deixaram o Brasil repentinamente em um voo para o Uruguai em 2023, disseram os investigadores. O último paradeiro conhecido da Sra. Tyutereva era a Namíbia, de acordo com a autoridade sênior.

Os avisos da Interpol não incluem os nomes reais, mas sim as fotografias e outras informações de identificação. Com suas identidades registradas em bancos de dados policiais e seus nomes verdadeiros sinalizados por serviços de espionagem, os agentes provavelmente nunca mais poderão trabalhar como espiões estrangeiros.

De todos os espiões, apenas o Sr. Cherkasov permanece preso. Ele foi condenado por falsificação de documentos e sentenciado a 15 anos de prisão, mas sua pena foi reduzida para cinco anos.

Em uma aparente manobra para fazê-lo voltar para casa mais cedo, o governo russo alegou que ele era um traficante de drogas procurado e entrou com documentos no tribunal pedindo sua extradição.

Mas os brasileiros reagiram rapidamente. Se o Sr. Cherkasov era traficante de drogas, argumentaram os promotores, era essencial que ele permanecesse preso por mais tempo para que a polícia pudesse investigar.

Caso contrário, ele já poderia ter sido solto. Mas continua preso em Brasília.

"Você vai ouvir coisas sobre mim"

Por um tempo, depois de deixar o Brasil, o Sr. Shmyrev entrou em contato regularmente com amigos e sua namorada brasileira. Mas, no início de janeiro de 2023, suas mensagens de texto pararam.

“Semanas se passaram e não sabíamos o que fazer”, disse o Sr. Martinez, seu amigo.

A namorada do Sr. Shmyrev postou em um grupo do Facebook chamado Brasileiros em Kuala Lumpur pedindo ajuda para encontrá-lo.

“Começamos como um trabalho de detetive”, disse o Sr. Martinez. “Fazíamos buscas online. Ligamos para as delegacias, embaixadas, hotéis em Kuala Lumpur, tentando encontrá-lo. E não conseguimos encontrá-lo.”

Como o Sr. Shmyrev não embarcou em seu voo de volta ao Brasil, a polícia interveio. Os agentes descobriram que ele havia deixado para trás vários dispositivos eletrônicos que continham dados pessoais cruciais, incluindo mensagens de texto com sua esposa espiã russa. Ele também deixou US$ 12.000 em dinheiro em seu cofre.

Essas são indicações de que ele planejava retornar. Assim como os outros, as questões sobre o que o levou a partir e o que o manteve afastado permanecem um mistério. Por volta dessa época, sua esposa russa deixou repentinamente seu posto de espionagem na Grécia. Ela foi posteriormente denunciada pelas autoridades gregas.

Apesar de tudo, amigos disseram que sentem falta dele.

"Às vezes penso que um dia vou para lá, para São Petersburgo", disse o Sr. Martinez. "Vou estar no balcão. Vou pedir uma vodca. E aí, tipo, ele vai estar do outro lado."

Em sua fantasia, o Sr. Martinez acena para o Sr. Shmyrev, e o Sr. Shmyrev acena de volta.

O último contato conhecido do Sr. Shmyrev com o Brasil foi um telefonema para a namorada depois que ele partiu. Conforme relatado ao Sr. Martinez, seu amigo estava triste, talvez chorando.

"Vocês vão ouvir coisas sobre mim, mas precisam saber que eu nunca fiz nada tão ruim. Tipo, eu nunca matei ninguém nem nada parecido", disse ele, nas lembranças do Sr. Martinez.

“Meu passado me alcançou”, disse ele.


Rodrigo Pedroso contribuiu com reportagem de São Paulo. Produção de Gabriel Gianordoli e Rumsey Taylor.

Michael Schwirtz é repórter investigativo da editoria internacional. No The Times desde 2006, ele cobriu os países da antiga União Soviética de Moscou e foi repórter principal de uma equipe que ganhou o Prêmio Pulitzer de 2020 por artigos sobre operações de inteligência russas.

Jane Bradley é repórter investigativa na área internacional. Ela trabalha em Londres, onde se concentra em abusos de poder, segurança nacional, criminalidade e injustiças sociais.

O que se passa ao Sul: Argentina - Joaquim Levy

O que se passa ao Sul 

Joaquim Levy 

As principais mudanças do governo Milei, as que farão mais diferença para o país, são realmente microeconômicas. 

Faz um ano e meio que Javier Milei foi eleito presidente da Argentina. A evolução da inflação e a liberalização do câmbio têm sido bem discutidas, mas mudanças microeconômicas profundas ainda não ganham tanta atenção, apesar de elas provavelmente serem as que farão mais diferença para o país. A gestão macro do governo Milei calcou-se em reajustes dos gastos do governo central abaixo da inflação, principalmente em pessoal e previdência social, possibilitando superávit primários e diminuindo a pressão sobre os juros, que ainda continuam abaixo da inflação. Já os principais impostos foram mantidos, com pequena redução temporária naqueles sobre as exportações, e bondades pré-eleitorais, como redução do IR de profissionais, revertidas. Essas ações têm paralelos abrandados no Brasil: ajustar certos gastos abaixo da inflação, reforçando o fiscal, foi um ingrediente “secreto” para o sucesso do Plano Real, diminuindo a pressão inflacionária na transição da moeda, antes de os juros ganharem proeminência na manutenção do câmbio e controle da demanda doméstica. Robustecer a arrecadação foi chave para o equilíbrio macroeconômico quando o câmbio brasileiro flutuouem1999. Os juros reais negativos ajudaram a dissolver (“licuar”) a dívida do Banco Central argentino, que foi sendo transferida para o Tesouro, e permitirão a dívida pública cair de 85% para 73% do PIB em 2025, com um superávit primário do governo central de apenas 1,3% do PIB. Assim, o Tesouro tem podido focar na sua dívida externa, cerca de 30% do PIB, e em reforçar as reservas internacionais que alcançaram 5,5% do PIB após desembolsodo FMI (no Brasil, a dívida externa da União é de 3% do PIB e as reservas umas seis vezes mais). A recente liberação do câmbio contou com três fatores: a boa safra em 2024-25, apesar da seca na virada do ano; a anistia fiscal que transferiu deUS$9 a 15 bilhões “do colchão” para os depósitos bancários e poderá ser ampliada; e o empréstimo de US$ 20 bilhões com o FMI, a que talvez se somem US$ 20 bilhões de bancos multilaterais e swaps com a China, formando um pacote de 7% do PIB, equivalentes ao Brasil tomar R$ 800 bilhões no exterior para estabilizar a moeda. Na fronteira entre o macro e o microeconômico tem estado a flexibilização das importações — para ansiedade de alguns setores industriais e moderação da inflação —e o realinhamento das tarifas de energia e transportes, agora atenuado e parcialmente casado com a redução das transferências aos governos subnacionais, um grande dreno fiscal na última década. Mas as principais mudanças são realmente microeconômicas. Elas cobrem a liberalização dos aluguéis, aumentando a oferta de moradia; as relações de trabalho, com aumento do período probatório, anistia em favor da formalização de relações de trabalho existentes, medidas tipo MEI para ajudar as microempresas, flexibilização do seguro-desemprego, cujo valor passa a depender de acordos coletivos com sindicatos, e mesmo a dispensa de frentistas no posto de gasolina. Há diversas outras iniciativas, cujos efeitos conhecemos no Brasil, como admitir capital estrangeiro na aviação doméstica e em serviços nos aeroportos e liberar a importação de equipamentos para o setor de óleo e gás e de máquinas usadas de modo geral. Além da redução de exigências regulatórias, fitossanitárias e de registro, inclusive de pesticidas e fertilizantes, na agropecuária. Como sempre ocorre quando se mexe em estruturas de décadas, algumas medidas são quase anedóticas. Deu-se fim, por exemplo, na limitação da área plantada com erva mate, nos tetos para o preço da uva cobrado às vinícolas e volume e tipo de produção de vinho, vindos dos 1980s; e na estatal do azeite criada em 1947. Revogou-se ainda o arsenal de restrições no setor de algodão (com impacto na indústria têxtil) e açucareiro, como cotas para suprimento interno vindas dos anos 1970. Mutatis mutantes, é como ter acabado com o IBC, IAA e intervenções setoriais que ainda nos assombram com suas centenas de bilhões de reais em precatórios que terão que ser encaixados no arcabouço fiscal em 2027, mas cujo fim deu nova vida ao agro brasileiro a partir dos 1990s. A expansão das exportações de vinho e do interesse em investir na terra, inclusive por estrangeiros, já se faz sentir na Argentina. Algumas mudanças são ainda mais profundas, porque a arquitetura social argentina é particular. A saúde, por exemplo, é ligada aos sindicatos, por meio das chamadas Obras Sociales, criadas na era peronista e postas no centro do sistema em 1970. Financiadas por assalariados e empregadores, elas correspondem aos velhos institutos por categorias no Brasil, como o IAPI e IAPETEC, extintos e integrados ao INPS há sessenta anos. Até o ano passado, mesmo os planos de saúde privados (prepagas) eram intermediados por essas Obras. Com a eliminação dessa intermediação, benefícios passam a ser expressão do Estado, não de grupos ou categorias, e se dá mais liberdade para planos privados. As transferências de renda também deixaram de ser intermediadas por grupos políticos ou setoriais. Mas nem tudo é simplificação transversal, como ilustra o lançamento do regime de incentivo a grandes investimentos em áreas estratégicas (RIGI), com benefícios fiscais de 30 anos e outras vantagens. Esse regime contrasta, por exemplo, com a proposta esboçada há pouco pela Fazenda em parceria com MDIC, MMA e MME para atrair investimentos em data centers no Brasil, que no fundo apenas antecipa os ganhos gerais da reforma tributária. O desmonte dos labirintos Borgeanos da arquitetura social e econômica argentina impulsionará a produtividade do país, mesmo que no curto prazo cause deslocamentos não compensados pelo aumento de certas transferências sociais. É essa expectativa que provavelmente dá popularidade ao governo. Acompanharmos essas transformações é fundamental, porque o Brasil logo poderá ter um parceiro bem distinto, alterando e ampliando nosso espaço econômico. 

1) Recente trabalho do FGV/Ibre (Giambiagi e Tizziani) é uma benvinda exceção. Os relatórios do FMI continuam úteis. 

Joaquim Levy é diretor de Estratégia Econômica e Relações com Mercado do Banco Safra. Foi ministro da Fazenda e diretor-gerente do Banco Mundial.

Os eleitores são os culpados pelo atraso de seus próprios países? Uma questão em aberto - Paulo Roberto de Almeida

Os eleitores são os culpados pelo atraso de seus próprios países?

Uma questão em aberto.

Paulo Roberto Almeida

Certas coisas que acontecem no mundo, como a vitória de certos candidatos em eleições livres em países muito diversos, me sugerem que a humanidade anda regredindo intelectualmente. 

Começou lá atrás com a vitória (relativa) do Partido Nazista na Alemanha de Weimar, continuou no pós-guerra em países tão diferentes quanto Peru (Fujimori contra Vargas Llosa), Rússia (Putin, “n” vezes), Itália (Berlusconi), Venezuela (Chávez), EUA (Bush contra Gore, reeleito à custa de causar a destruição no Oriente Médio), EUA novamente (Trump contra Hillary Clinton), Venezuela (Maduro), Brasil (Bolsonaro contra Haddad-Lula), EUA mais uma vez (Trump 2 contra Harris), onde mais os desastres acontecem?

Os eleitores mais simples acabam escolhendo os piores; seria a vitória do marketing ou mesmo deficiência cognitiva da população?

Acredito mais na segunda hipótese.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 22/05/2025


GOLPE COM FARDAS E MINUTA - Julio Benchimol Pinto

 GOLPE COM FARDAS E MINUTA

Julio Benchimol Pinto

22/05/2025

O tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Júnior, ex-comandante da Força Aérea Brasileira, confirmou: o golpe não foi delírio da oposição, nem paranoia de comunista, nem roteiro de novela mexicana. Foi reunião oficial, com café, minuta impressa, PowerPoint e farda passada no vinagre.

Freire Gomes, do Exército, disse a Bolsonaro com fleuma de britânico: “Se você tentar isso, eu vou ter que lhe prender.” Não foi bravata de mesa de bar, foi advertência de comandante. Já o almirante Garnier, da Marinha, disse o oposto: “As tropas estão à disposição.” Ou seja, queria brincar de 1964 em versão digital.

E Bolsonaro? Presidiu um “brainstorm golpista” com ministros e militares, ponderando se deveriam prender o ministro do STF Alexandre de Moraes. Não é ficção: é depoimento registrado no Supremo Tribunal Federal, com nome, posto e sobrenome.

Enquanto isso, o general Braga Netto, derrotado nas urnas e no pudor, teria incentivado ameaças contra a família do brigadeiro - aquele que se recusou a aderir à quartelada. “Ainda me chamam de melancia”, disse o militar, referindo-se ao estigma que carrega por ter se mantido fiel à Constituição.

E agora, Brasil?

Querem mesmo que a gente “siga em frente” como se nada tivesse acontecido?

Querem anistia para quem planejou prender ministros e rasgar a Constituição com apoio armado de uma força militar?

Não. Que sejam responsabilizados. Todos. Sem exceção. Sem retórica conciliatória. Sem mi-mi-mi.

Porque se não houver justiça agora, o próximo “brainstorm” não será numa sala - será no Planalto.

#GolpeNuncaMais #STF #Bolsonaro #MinutaDoGolpe #DitaduraNuncaMais #EstadoDeDireito 

Julio Benchimol Pinto

O Brasil é o único país do planeta que concede aumento futuro de salários para os seus servidores - Ricardo Bergamini

 O Brasil é o único país do planeta que concede aumento futuro de salários para os seus servidores (Ricardo Bergamini)

 

Prezados Senhores

 

No serviço público existe o crescimento vegetativo dos gastos com pessoal, assim sendo mesmo sem qualquer interferência do governante de plantão, os gastos com pessoal crescem com benefícios imorais existentes (promoções automáticas, quinquênios, licença prêmio, dentre centenas de outras aberrações ainda existentes no Brasil). Além do efeito cascata, qual seja: os aumentos no nível federal são automaticamente concedidos nos níveis estaduais e municipais.

 

Em 2002, os gastos com pessoal consolidado (união, estados e municípios) foi de R$ 198,7 bilhões (13,35% do PIB), representando 41,64% da carga tributária. Em 2023 migrou para R$ 1.576,4 bilhões (14,52% do PIB), representado 43,27% da carga tributária. Crescimento real em relação ao PIB de 8,76% e de 3,91%, em relação à carga tributária.

 

Um grupo de trabalhadores de primeira classe (servidores públicos) composto por 13,5 milhões de brasileiros (ativos, inativos, civis e militares) que representam apenas 6,65% da população brasileira, sendo 2,2 milhões federais, 4,9 milhões estaduais e 6,4 milhões de municipais custaram R$ 1.576,4 bilhões em 2023, correspondentes a 14,52% do PIB. Esse percentual representou 43,27% da carga tributária. 

 

Na história do Brasil a nação sempre foi refém dos seus servidores públicos (trabalhadores de primeira classe), com os seus direitos adquiridos intocáveis, estabilidade de emprego, longas greves remuneradas, acionamento judicial sem perda de emprego, regime próprio de aposentadoria (não usam o INSS), planos de saúde (não usam o SUS), dentre muitos outros privilégios impensáveis para os trabalhadores de segunda classe (empresas privadas). Com certeza nenhum desses trabalhadores de primeira classe concedem aos seus empregados os mesmos direitos imorais

 

A composição da Carga Tributária dos Estados Unidos tem como base 84,11% de sua arrecadação incidindo sobre a Renda, Lucro, Ganho de Capital, Folha Salarial e Propriedade (classes privilegiadas da nação americana), e o Brasil 58,85% e apenas 15,89% incidindo sobre Bens e Serviços (arroz, feijão, remédios, transportes e educação), e o Brasil 41,15%. Com uma Carga Tributária total de apenas 27,7 do PIB, e o Brasil de 33,3% do PIB. 

 

Câmara aprova projeto que dá reajuste a servidores e reorganiza cargos

 

Regras de progressão de carreira e incorporação de cargos serão tratados separadamente em grupo de trabalho da reforma administrativa

 

Por Agência O G

 

Globo21/05/25 

 

O impacto orçamentário da proposta será de R$ 17,9 bilhões em 2025, R$ 26,7 bilhões em 2026 e R$ 29,1 bilhões em 2027, de acordo com o governo e o relator

 

A Câmara dos Deputados aprovou o projeto que prevê reajuste salarial para servidores públicos e reorganiza cargos. Foram 388 votos sim e 43 não. A proposta segue para o Senado.

 

O texto original também previa novas regras para progressão de carreiras do serviço público, mas o trecho será tratado separadamente, em novo projeto de lei a ser discutido por um grupo de trabalho de reforma administrativa.

 

O PL orientou favoravelmente ao projeto e retirou as manobras de obstrução que estava planejando, como pedidos de adiamento da pauta e discussões mais longas.

 

Matéria completa clique abaixo:

 

https://www.folhape.com.br/politica/camara-aprova-projeto-que-da-reajuste-a-servidores-e-reorganiza-cargos/412873/ 

 

 

Ricardo Bergamini

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