Diplomatizzando

Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Europa: depois da "vaca louca", o cavalo contaminado...

Enfim, tudo isso não merece nenhum comentário de minha parte, pois não sou especialista em nada do que se refere à cadeia alimentar de quadrúpedes e bípedes, em qualquer continente. Minhas preocupações são outras, de políticas econômicas e de recursos públicos.
Então pergunto: o BNDES precisaria ser sócio dessa megaempresa brasileira de carnes, que tem filiais e que efetuou compras de outras empresas em várias partes do mundo?
Claro que não, mas ela só´o fez, justamente, para ajudar a coitadinha da empresa a se tornar uma gigante do setor?
Isso é boa utilização dos recursos públicos?
Um Congresso atuante poderia indagar e responder, mas creio que não o fará...
Paulo Roberto de Almeida


Escândalo da carne de cavalo atinge Nestlé e JBS
Ana Clara Costa
VEJA.com, 18/02/2013

A empresa suíça Nestlé anunciou nesta segunda-feira que decidiu recolher das prateleiras dois produtos refrigerados cujos testes deram positivo para a presença de carne de cavalo. As duas massas em questão, o Buitoni Beef Ravioli e o Beef Tortellini, são vendidas na Espanha e na Itália, informou a companhia por meio de comunicado. “Quando informações sobre a fraude na embalagem de alimentos emergiu no Reino Unido, reforçamos os testes em produtos e matérias primas que usamos na Europa. E estamos, agora, suspendendo as entregas de produtos fornecidos pela empresa alemã H.J. Schypke, que é subcontratada de um de nossos fornecedores, a JBS Toledo N.V”, informou a Nestlé.
Segundo a Nestlé, testes apontaram a presença de mais de 1% de DNA de cavalo nos dois produtos que são fornecidos pela JBS Toledo, subsidiária belga do grupo brasileiro JBS. A empresa suíça confirmou que a carne vendida pela JBS é proveniente do fornecedor alemão H.J. Schypke. O nível de 1% foi estabelecido pela Food Safety Agency (FSA), a agência estatal britânica que lidera as investigações sobre a adulteração dos produtos, como porcentual de referência que indica se um produto sofreu fraude ou não. 
A empresa suíça também avisou que vetou a comercializadação de uma de suas lasanhas congeladas (Lasagnes à la Bolognaise Gourmandes), que é vendida especificamente ao mercado corporativo na França. “Estamos melhorando nosso programa de controle de qualidade por meio da execução de novos testes de DNA em carnes antes do processo de produção na Europa”, disse a Nestlé.
Na última semana, o presidente da Nestlé, Paul Bulcke, afirmou ao jornal britânico Financial Times que o escândalo da carne de cavalo não havia afetado a empresa diretamente. “Nós controlamos nossos fornecedores cuidadosamente, e é lógico que quando algo como isso (o escândalo da carne de cavalo) acontece, intensificamos nossos processos. Mas o que tem a nossa marca não foi afetado”, afirmou o executivo.
A JBS Toledo é a subsidiária belga do grupo brasileiro JBS, presidido por Wesley Batista, com atuação focada no oeste europeu. A aquisição ocorreu em agosto de 2010, por 11 milhões de euros. A JBS Toledo tem forte presença no fornecimento de carne processada e cozida para mais de 100 clientes na Europa, sobretudo restaurantes, cozinhas industriais e grandes marcas de alimentos, como a Nestlé. Procurada pela reportagem do site de VEJA, a empresa brasileira não havia retornado o pedido de entrevista até a publicação desta reportagem.
O grupo JBS é o maior fabricante de carne processada do mundo, com receita líquida da ordem de 75 bilhões de reais em 2012, segundo estimou o próprio Batista ao jornal Valor Econômico, em dezembro do ano passado. O BNDESPar, braço de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), é dono de 23% do grupo JBS.
By Paulo Roberto de Almeida Paulo Roberto de Almeida at fevereiro 18, 2013 Nenhum comentário:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Labels: BNDES, desperdicio de dinheiro

Constituicao "cidada" de 1988: a conta esta' chegando...

Em 1987 e 1988, a sociedade brasileira, embalada nos discursos demagógicos da maioria dos constituintes, achava que tinha descoberto a chave do Tesouro: se colocaria na Constituição todas as benesses, bondades, direitos e privilégios que os cidadãos se achavam no direito de gozar, sempre as custas daquilo que Bastiat chamava de a grande mentira: o Estado, um ente coletivo, através do qual todos esperam viver às custas dos demais.
Assim, foram inseridos dezenas e dezenas de direitos sequer sonhados nos países mais ricos, como se o Brasil fosse um oasis maravilhoso de riqueza e produtividade (aliás, um conceito que não aparece na CF, ao lado de setenta e tantos direitos).
Os mais evidentes, saúde e educação, estão sempre garantidos gratuitamente pelo Estado: "A saúde (ou a educação) é um direito do cidadão e um dever do Estado...", e por aí vai.
Na ilusão de que tudo possa ser fornecido pelo Estado, a CF não assegurou que o mercado também pudesse fazê-lo. O que ocorreu, como sabem os economistas, foi um "overuse"  desses serviços, e assim a sociedade tem de pagar cada vez mais para que o Estado possa fornece-los. Como o Estado não prima pela eficiência, boa parte dos recursos acabam na própria burocracia, são desviados pelo sobre-faturamento ou simplesmente pela corrupção, ou simplemente não alcança a demanda potencial. Ocorrem então o não provimento de serviços essenciais à população, os atrasos, calotes, ou o pagamento insuficiente desses serviços, e a consequência, para os pobres, é racionamento, filas, delongas, não atendimento, etc. 
Na ilusão de que tudo isso pode e deve ser fornecido pelo Estado, o que vai ocorrer é uma extração fiscal cada vez mais rigorosa e crescente da sociedade, e uma perda paralela desses recursos em todos esses desvios apontados. 
Provavelmente, a sociedade brasileira estaria melhor servida com um provimento via mercado, deixando-se apenas para os mais pobres os serviços via Estado. 
Não parece que estejamos perto de chegar nesse tipo de solução.
Preparem-se, pois, para pagar mais e não usar serviços públicos nesses setores...
Paulo Roberto de Almeida 

Santas Casas asfixiadas

18 de fevereiro de 2013
EditoriO Estado de S.Paulo

A despeito do imenso problema social que causará e do caos que provocará no Sistema Único de Saúde (SUS), um eventual colapso das Santas Casas e dos hospitais filantrópicos decorrente de dificuldades financeiras crescentes não surpreenderá quem acompanha a situação da saúde pública no País. Trata-se de um problema antigo, de causas perfeitamente diagnosticadas, e que se agrava a cada dia, mas para o qual as autoridades responsáveis - em boa parte por comodismo - não deram e continuam a não dar a atenção que merece. O preço que o País terá de pagar, caso os problemas se agravem a ponto de a situação se tornar insustentável num futuro próximo, certamente será maior do que o custo de uma solução racional, que ainda é possível adotar.

A Constituição estabeleceu que a saúde é um direito fundamental do cidadão e, para garanti-lo, sem dispor de estrutura própria suficiente para isso, o Estado brasileiro estabeleceu o que deveria ser uma parceria com as instituições filantrópicas. Estas responderam bem à proposta de parceria e, por isso, sua presença nas operações do SUS é cada vez maior.
Em 2004, por exemplo, os hospitais públicos respondiam por 41,4% das internações pelo SUS, os hospitais privados sem fins lucrativos (Santas Casas e instituições filantrópicas), por 39,9% e os privados lucrativos, por 18,7%. Por causa da remuneração inadequada dos serviços, os hospitais particulares reduziram sua participação para 10,2% do total das internações em 2011, de acordo com dados do Ministério da Saúde utilizados no relatório da subcomissão especial da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, que discutiu o problema. Em contrapartida, aumentou a participação dos hospitais públicos e dos privados não lucrativos, para, respectivamente, 45,0% e 44,8%.
Hoje, as Santas Casas e os hospitais filantrópicos têm a mesma importância dos hospitais públicos no atendimento aos pacientes do SUS. Os dados recentes mostram também o que poderia acontecer no sistema público de saúde caso as Santas Casas deixassem de operar por absoluta incapacidade financeira.
A crise nas finanças das Santas Casas é conhecida há vários anos, e, sem medidas adequadas por parte dos responsáveis pelos programas de saúde pública, só piora. Em 2005, a dívida dessas instituições era estimada em R$ 1,8 bilhão, em 2009 saltou para R$ 5,9 bilhões e, em 2011, alcançou R$ 11,2 bilhões, de acordo com o relatório da subcomissão formada na Câmara dos Deputados. Mantido o ritmo de crescimento anual desse período, de cerca de 35% ao ano em valores nominais, deve ter alcançado R$ 15 bilhões no fim do ano passado (os dados consolidados ainda não foram divulgados).
O simples exame dos custos dos serviços prestados pelas entidades filantrópicas ao SUS em 2011 e da receita com os serviços prestados não deixa dúvidas quanto à causa do crescimento da dívida. Em 2011, essas entidades gastaram R$ 14,7 bilhões com os serviços, mas sua remuneração, pelo SUS, ficou em R$ 9,6 bilhões. Isso quer dizer que o pagamento do SUS cobre apenas 65% dos gastos desses hospitais. Só em 2011 (não há dados para 2012), o déficit foi de R$ 5,1 bilhões. A defasagem é maior para procedimentos considerados de média complexidade.
Reportagem do jornal O Globo (10/2) mostra que, sem recursos financeiros, hospitais têm adiado cirurgias, enfrentam ameaças de greve, carecem de materiais e chegam a suspender suas operações.
Essenciais para o SUS, as Santas Casas são insubstituíveis em muitas comunidades. Do total de 2,1 mil estabelecimentos hospitalares sem fins lucrativos, 56% estão em cidades com até 30 mil habitantes e são o único hospital em quase mil cidades.
Evitar o agravamento de sua crise exige o reajuste imediato da tabela de pagamento do SUS para cerca de 100 procedimentos, mas, até agora, não há previsão do governo para a correção desses valores, reconheceu o secretário de Atenção à Saúde, Helvécio Magalhães. O governo abriu uma linha de crédito no BNDES para esses hospitais, mas, já muito endividados, eles temem contrair novas dívidas. Sua saúde financeira aproxima-se do ponto crítico.
By Paulo Roberto de Almeida Paulo Roberto de Almeida at fevereiro 18, 2013 Um comentário:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Labels: Constituição, falencia do Estado, gastos públicos

Institut des Hautes Etudes de l'Amérique latine, Paris

Anúncio da jornada "portas abertas" do IHEAL, a instituição onde dei aulas em 2012.


L'Institut des Hautes Etudes de l'Amérique latine (Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3) organise des portes ouvertes

le jeudi 28 février 2013 de 14h à 17h

[28 rue Saint Guillaume 75007 Paris]

Ces portes ouvertes seront l'occasion de :
- connaître les diplômes délivrés à l'IHEAL (DELA, Master Recherche, Master Professionnel, Doctorat) et leurs débouchés professionnels
- découvrir les possibilités de mobilité internationale (échanges universitaires, stages, terrains de recherche)
- rencontrer les équipes pédagogiques et les étudiants
- visiter la bibliothèque la plus importante de France sur l'Amérique latine

Fondé en 1954, l’IHEAL est un centre pluridisciplinaire spécialisé dans les études sur l’Amérique latine en sciences humaines et sociales. En partenariat avec le CREDA, Centre de Recherche Et de Documentation des Amériques (UMR7227), il est l’une des institutions les plus importantes en Europe pour la formation, la recherche, la documentation (Bibliothèque Pierre Monbeig - 100 000 ouvrages), l’édition (Cahiers des Amériques latines, Confins), la diffusion scientifique (la Gazette du 28) et la coopération internationale avec l’Amérique latine.

Nous vous remercions de confirmer votre présence à cette journée "portes ouvertes", à l’adresse : iheal.scolarite@univ-paris3.fr

By Paulo Roberto de Almeida Paulo Roberto de Almeida at fevereiro 18, 2013 Nenhum comentário:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Labels: IHEAL, Paris, Sorbonne

O longo prazo, na internet - Blogs do Le Monde

Interessante, muito interessante postagem de um dos blogs do Le Monde, Internet Actu, sobre pesquisas cobrindo prazos extremamente longos, como os trabalhados pelo cientista americano Jared Diamond em seu Armas, Germes e Aço, publicado na França sob um título totalmente diferente.
Li esse livro e gostei muito, embora não concorde com todas as suas teses, ou sua visão e abordagem, para mim excessivamente ambientalista e ecológica, e menos cultural-institucional, como prefiro.
Em todo caso, vale ler não só o post, como seguir todos os links ali colocados para o aprofundamento da discussão e conhecimento dessas pesquisas levadas a efeito por Samuel Arbesman.
Paulo Roberto de Almeida

15 février 2013


Les blogs du Le Monde

Sortir de la tyrannie du présent

  • Facebook
  • Twitter
  • Delicious
  • Tumblr
La quantité massive de données dont nous disposons sur tous les sujets, des sciences sociales aux systèmes environnementaux, nous laisse espérer la possibilité de mieux comprendre le monde dans lequel nous vivons.
Mais les arbres ne cachent-ils pas la forêt ? Le mathématicien Samuel Arbesman (@arbesman) affirme dans Wired qu'il nous faut désormais compléter ces big data par les "long data" : des informations sur les phénomènes lents, se développant sur le très long terme. Pour cela, nous devons collecter et surtout interpréter des données s'étendant sur plusieurs siècles, voire des millénaires.
Un exemple de ce genre de travail, cité par Arbesman, est l'oeuvre Jared Diamond, auteur de Guns, Germs and Steel (traduit en français sous le titre De l’inégalité parmi les sociétés - Wikipédia). Pour Diamond, les seules raisons pour lesquelles certaines civilisations se sont développées pour créer des institutions complexes (ce qui ne signifie pas meilleures) sont à chercher dans les conditions matérielles aux origines de l'Histoire. Ainsi le développement des pays de la zone eurasiatique s'expliquerait, entre autres, par leur situation sur un axe est-ouest (grosso modo l'itinéraire de la "route de la soie") sur lequel les techniques d’élevage et d'agriculture peuvent aisément transiter. En effet cet axe ne connait pas de différences climatiques majeures (les transferts se déroulent à peu près sous la même latitude), ce qui évite une acclimatation trop difficile des plantes et des bêtes. Au contraire, l’Afrique et l’Amérique du sud sont structurées sur un axe nord-sud, qui rend les communications et le transfert de technologies plus difficile. Pour Diamond, prendre en compte ces aspects matériels est la seule manière d'éviter une vision raciste de l’histoire, comme lorsqu’on imagine que certaines cultures ont bloqué l'innovation. Dans cette vision à très long terme, les différences culturelles se voient gommées et on ne perçoit plus qu'une humanité unique en relation avec son environnement.
Si ces "long data" peuvent présenter un grand intérêt pour les historiens, sont-elles vraiment importantes pour qui cherche à envisager le futur ?
De fait, se concentrer sur le présent est susceptible d'introduire certains biais dans notre analyse, notamment la "déviation du standard", (shifting baseline). Autrement dit, combattre notre tendance à considérer que notre état présent est le mètre étalon avec lequel nous pouvons juger l’évolution d'un phénomène. Pour exemple, Arbesman cite la baisse constante de la population de cabillauds de Terre-Neuve. Les effets de la surpêche ont été tellement lents qu'il a été impossible pour les pêcheurs d'en réaliser les conséquences. A leurs yeux, la situation qu'ils vivaient était toujours "normale", même quand elle ne l'était plus...
De plus, précise le mathématicien, les "long data" ne nous servent pas qu'à évaluer les évolutions lentes. Ils servent aussi à contextualiser les transformations rapides. Ils nous permettent de comprendre la mécanique des changements brutaux, d'observer la fréquence de ces derniers au cours de l'histoire, et prédire - peut-être - leur développement.
Mais si les "big data" décollent aujourd'hui, c'est parce que nous disposons des outils nécessaires pour les recueillir, ce qui n'est pas forcément le cas des données historiques. Comment travailler sur les "long data" ? Arbesman cite deux exemples de textes présentant et exploitant ces données, comme l'article de Michael Kremer pour le Quarterly Journal of Economics "La croissance de la population et le changement technologique : d'il y a 1 million d'années à 1990"(.pdf) ou le livre de Tertius Chandler, 4 siècle de croissance urbaine : un recensement historique. En France, on peut bien sûr citer le classique d'Emmanuel Leroy-Ladurie, "L'histoire du climat depuis l'an mil".
Parmi les outils disponibles, citons par exemple Google Ngrams, qui permet de tracer l'historique de l'usage d'un mot depuis l'an 1500, grâce à une analyse des livres numérisés par Google Books. Évidemment, cela ne commence qu'à l’invention de l'imprimerie, et le fonds n'est pas exhaustif. Mais c'est un début qui a lancé un nouveau champ d'études, la culturomique, reposant sur une analyse quantitative des termes étudiés. Le premier article du domaine a été publié en 2011 (.pdf) (voir "Quand Google Books permet de comprendre notre génome culturel").

Vers la psychohistoire - et au-delà !

Finalement tout cela est-il bien neuf ? Les historiens ont déjà remarqué, notamment avec Fernand Braudel, le rôle du temps long, et de la différence entre la temporalité du politique et celle des mentalités.
Mais la manipulation des "long data" vise autre chose qu'une simple compréhension des phénomènes historiques. Il s'agit de découvrir dans les évènements des constantes mathématiques qui nous permettent de repérer des patterns, des modèles, des structures indépendantes de ces évènements.
Ce qui, après la culturomique, nous amène à un autre néologisme, la cliodynamique. Voici ce qu'en dit son fondateur, l'écologiste et historien Peter Turchin :
"Qu'est-ce qui a causé la chute de l'Empire romain ? Plus de 200 explications ont été proposées, mais il n'existe pas de consensus sur celles qui sont plausibles et celles qui doivent être rejetées. La situation est aussi risible que si, en physique, la théorie du phlogistique et la thermodynamique existaient simultanément. Cet état de choses nous empêche d'avancer... Nous avons besoin d'une science sociale historique, car les processus qui agissent sur de longues durées peuvent affecter la santé des sociétés. Il faut que l'histoire devienne une science analytique, et même prédictive"
.
On retrouve dans ce discours le fantasme de la psychohistoire, imaginée par l'auteur de Science Fiction Isaac Asimov dans sa série Fondation consistant à étudier les motivations psychologiques des évènements historiques pour les prédire, et qui hante depuis quelque temps les sciences de la complexité (voir par exemple les travaux de Dirk Helbing et Bar-Yam que nous avions évoqué) et dont la cliodynamique n'est qu'un nouvel avatar.
Le premier essai d'Arbesman consacré explicitement à l'histoire (.pdf) porte sur la naissance et la disparition des empires. Son texte est assez mathématique et difficile à suivre, mais heureusement pour nous, il en a donné un résumé dans un article paru originellement dans le Boston Globe (mais accessible ici). Le titre pose une question tout à fait d'actualité : "Combien de temps l'Amérique va-t-elle durer ?"
Arbesman a analysé les durées de vies de 41 empires qui se sont succédés au cours de l'histoire et a projeté les résultats sur une courbe. Il constate que leur longévité moyenne est de 215 ans. Rappelons que l'actuel empire américain en compte quelque 225 depuis l'adoption de sa constitution en 1787. Doit-on le considérer en fin de vie ? Non, car cette "moyenne" ne permet en aucun cas d'effectuer la moindre déduction. En effet, la courbe dessinée par Arbesman correspond à ce qu'on appelle une "distribution exponentielle" en statistique. La caractéristique de cette distribution est qu'elle est "sans mémoire". Autrement dit, les chances qu'a un empire de s'effondrer dans un avenir proche sont les mêmes, qu'ils aient persisté 80 ans, comme celui d'Attila, ou 1000, comme celui d'Elam. "C'est assez différent de la durée de vie humaine, pour laquelle plus on est vieux, plus on a de chances de mourir. La possibilité pour un empire de disparaître est la même chaque année." Imaginez une population d'individus immortels, mais dont la majorité décèderait à 80 ans des suites d'accidents divers...
"Cela perturbe notre manière de concevoir les choses - comment la force des institutions crée une puissante fondation susceptible de garantir la stabilité ; ou comment, dans le passé, la longue histoire d'une dynastie pouvait lui conférer une légitimité qui la mettait au rang des dieux".
Et ce n'est pas tout. Les empires ne sont pas les seuls à connaître cette distribution. C'est également le cas pour les espèces animales et pour les entreprises.
Quelle est la cause de cette disparition brutale ? Elle semble liée pour Arbesman au phénomène darwinien dit de la "Reine Rouge", en hommage au personnage qui, dans Alice de l'autre côté du miroir, court pour pouvoir rester à la même place. Autrement dit, ces structures s'effondrent, car elles ne savent pas s'adapter assez rapidement aux changements du milieu.
"Peu importe à quel point un empire est adapté à un environnement et aux civilisations voisines, celles-ci essaient aussi de faire plus ou moins la même chose. Au final, la probabilité de survie ne change pas. Pour citer les brochures des fonds de pension, la performance passée n'indique rien des résultats futurs".
Il est évident que de tels travaux ne sauraient être déduits des "big data" centrées sur le présent. Seul un travail comparatif portant sur plusieurs millénaires peut permettre d'arriver à ce genre de conclusions.

Un changement de perception du temps

Au-delà des possibilités prédictives de ces long data, leur usage nous permet de nous débarrasser de la maladie court-termiste propre à nos civilisations. On est tenté de mettre en rapport la thèse d'Arbesman avec l'école contemporaine de la big history, menée notamment par l'Australien David Christian, qui veut synchroniser l'ensemble de l'histoire humaine avec celle de notre planète et de l'univers. Ainsi, dans son livre Maps of Time, Christian raconte notre histoire depuis le big bang. Un autre exemple - fameux - de big history est la chronologie cosmique de Carl Sagan, qui compresse sur une seule année l’histoire de l'univers. Si le big bang s'est produit le premier janvier à minuit, alors les dinosaures ont disparu le 29 décembre l'être humain moderne apparaît à 23 h 58. Quant à Christophe Colomb, il n’a atteint les Amériques qu'une seconde avant le début de l'année suivante...
Paradoxalement le goût pour la big history n'est pas forcément incompatible avec une certaine concision, puisque David Christian a entrepris à Ted de raconter l'histoire du monde en... 18 minutes. Cela n'est finalement pas étonnant : lorsque nous envisageons d'aussi grandes périodes, les détails perdent de leur importance tandis que les patterns importants apparaissent, ce qui permet en fait au final une description "accélérée"...

Arbesman conclut son article par une référence à la Long Now Foundation (@longnow) créée par Stewart Brand, l'un des personnages les plus influents de la deuxième moitié du XXe siècle, dont la biographie a été récemment traduite en français par C&F éditions sous le titre Aux sources de l'utopie numérique.
L’expression "long maintenant" (Long now) a été forgée le musicien Brian Eno, qui avait remarqué - notamment chez les New-Yorkais - la tendance à réduire leur "ici" à l'environnement immédiat (voire les quatre murs de leur appartement) et leur "maintenant" aux dernières excitations secouant l'actualité. "Je veux vivre dans un grand ici et un long maintenant" avait alors pensé Eno. Une idée reprise par Brand, qui projette de nous rendre conscients du lent passage du temps en faisant construire une horloge qui tinterait tous les 10 000 ans. Le choix d'une telle perspective temporelle permet de relativiser notre recours à la technologie. L'horloge, conçue par Danny Hillis (inventeur multi-casquettes, et notamment pionnier du web sémantique avec Freebase), sera ainsi uniquement composée de pièces mécaniques. Pourquoi ? Parce que l'équipement électronique s'use plus vite et, à terme, s'avère plus vulnérable aux avaries. Bref, les bons vieux mécanismes d’horlogerie sont plus efficaces.
Certaines habitudes se sont développées chez les adeptes du "long maintenant", comme précéder les dates d'un chiffre. Ainsi, nous serions en 02013, et la Révolution française aurait eu lieu en 01789. Cette simple astuce sémantique permet de s'apercevoir que des dates qui semblent éloignées sont en réalité assez voisines (01789 paraît plus proche de 02013 que 1789 de 2013). Pour Brand, la vision du "long maintenant" nous libère de l'idéologie du court terme, et de croyances comme la Singularité, concept que Brand n'apprécie guère...
La Fondation Long Now propose différents séminaires et articles nous proposant une remise en question de nos habitudes mentales, comme cette intervention de Steven Pinker sur la violence, qui explique que nos sociétés n'ont jamais été aussi peu violentes qu'aujourd'hui, alors même que notre peur de la violence n'a jamais été aussi forte. Sur le blog de la fondation, on découvre de multiples recherches sur le temps long, comme par exemple (en réaction d'ailleurs à l’article de Samuel Arbesman), une analyse sur plusieurs siècles des cycles d'activité solaire, ou une histoire de la déforestation. On y apprend que cette habitude de détruire l'environnement forestier, loin d'être une nouveauté due à l’industrialisation, est présente depuis les débuts de l'histoire et pour cause. L'homme des anciennes civilisations détestait les forêts, endroits dangereux et mystérieux par excellence. Certes, notre capacité à la destruction s'est considérablement accrue aujourd'hui, mais il est intéressant de comprendre que les racines de nos comportements remontent aux origines de l'humanité...
Autre projet intéressant mentionné sur le blog de la fondation, l’expérience du journaliste Paul Salopek qui a décidé de refaire à pied et en sac à dos les 60 000 km parcourus jadis par nos ancêtres, séparant l’Éthiopie de la Patagonie, et qui se fait l’apôtre d'un "journalisme lent".
"L'énorme volume d'informations générées par les journalistes professionnels ou citoyens, des tweets aux blogs ou que sais-je encore, ne peut qu’entraîner un échec. C'est un tsunami d'informations, qu'on ne peut quasiment pas traiter. Nous n'avons pas besoin de plus d'informations, nous avons besoin de plus de sens... Il faut beaucoup ralentir pour comprendre comment les grandes histoires globales contemporaines, comme le changement climatique, les conflits, la pauvreté, ou les migrations de masse se retrouvent interconnectées", explique-t-il.
Comment entrer soi-même de plein pied dans la perception de ce temps long, ce "vaste ici et ce long maintenant" ? Le blog de la Long Now nous présente pour cela le travail d'un artiste allemand, Lorenz Potthast, qui a mis au point un système de "réalité ralentie". Il s'agit d'un simple casque en aluminium contenant des lunettes 3D reliées à une caméra qui enregistre l’environnement qui n'arrive à l'oeil du spectateur qu'une fois considérablement ralenti...
The Decelerator Helmet - A slow motion for Real Life from Lorenz Potthast on Vimeo.
Pas sûr que cela nous suffise... Mais c'est déjà ça.
Rémi Sussan
By Paulo Roberto de Almeida Paulo Roberto de Almeida at fevereiro 18, 2013 Um comentário:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Labels: Le Monde, longo prazo, Samuel Arbesman

O futuro da universidade, e a universidade do futuro - Tom Friedman

Aliás, não é mais futuro, já está aqui...
Paulo Roberto de Almeida

Revolução nas universidades

Avanço do ensino superior online nas melhores escolas tornará o conceito de diploma algo arcaico; e isso é bom

Thomas L. Friedman
The New York Times, 30 de janeiro de 2013

Deus sabe que há muitas más notícias no mundo atual que nos derrubam, mas está ocorrendo alguma coisa formidável que me deixa esperançoso com relação ao futuro. Trata-se da revolução, incipiente, no ensino superior online.
Nada tem mais potencial para tirar as pessoas da pobreza - oferecendo a elas um ensino acessível que vai ajudá-las a conseguir trabalho ou ter melhores condições no seu emprego. Nada tem mais potencial para libertar um bilhão de cérebros para solucionar os grandes problemas do mundo. E nada tem mais potencial para recriar o ensino superior do que as MOOC (Massive Open Online Course), plataformas desenvolvidas por especialistas de Stanford, por colegas do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e por empresas como Coursera e Udacity.
Em maio, escrevi um artigo sobre a Coursera - fundada por dois cientistas da computação de Stanford, Daphne Koller e Andrew Ng. Há duas semanas, retornei a Palo Alto para saber do seu progresso. Quando visitei a Coursera, em 2012, cerca de 300 mil pessoas participavam de 38 cursos proferidos por professores de Stanford e de outras universidades de elite. Hoje, são 2,4 milhões de alunos e 214 cursos de 33 universidades, incluindo 8 internacionais.
Anant Agarwal, ex-diretor do laboratório de inteligência artificial do MIT, hoje é presidente da edX, uma plataforma sem fins lucrativos criada em conjunto pelo MIT e pela Universidade Harvard. Anant disse que, desde maio, cerca de 155 mil alunos do mundo todo participam do primeiro curso da edX: um curso introdutório sobre circuitos do MIT. “É um número superior ao total dos alunos do MIT em sua história de 150 anos”, afirmou.
Claro que somente uma pequena porcentagem desses alunos completa o curso, mas estou convencido de que, dentro de cinco anos, essas plataformas alcançarão um público mais amplo. Imagine como isso poderá mudar a ajuda externa dos EUA.
Gastando relativamente pouco, o país poderia arrendar um espaço num vilarejo egípcio, instalar duas dezenas de computadores e dispositivos de acesso à internet de alta velocidade via satélite, contratar um professor local como coordenador e convidar todos os egípcios que desejarem ter aulas online com os melhores professores do mundo e legendas em árabe.
É preciso ouvir as histórias narradas pelos pioneiros dessa iniciativa para compreender seu potencial revolucionário. Uma das favoritas de Daphne Koller é sobre Daniel, um jovem de 17 anos com autismo que se comunica por meio do computador.
Ele fez um curso online de poesia moderna oferecido pela Universidade da Pensilvânia. Segundo Daniel e seus pais, a combinação de um currículo acadêmico rigoroso, que exige que ele se concentre na sua tarefa, e do sistema de aprendizado online, que não força sua capacidade de se relacionar, permite que ele administre melhor o autismo.
Daphne mostrou uma carta de Daniel em que ele escreveu: “Por favor, relate à Coursera e à Universidade da Pensilvânia a minha história. Sou um jovem saindo do autismo. Ainda não consigo sentar-me numa sala de aula, de modo que esse foi meu primeiro curso de verdade. Agora, sei que posso me beneficiar de um trabalho que exige muito de mim e ter o prazer de me sintonizar com o mundo.”
Um membro da equipe do Coursera, que fez um curso sobre sustentabilidade, me disse que foi muito mais interessante do que um estudo similar que ele fez na faculdade. Do curso online participaram estudantes do mundo todo e, assim, “as discussões que surgiram foram muito mais valiosas e interessantes do que os debates com pessoas iguais de uma típica faculdade americana.
Mitch Duneier, professor de sociologia de Princeton, escreveu um ensaio sobre sua experiência ao dar aula num curso da Coursera. “Há alguns meses, quando o campus de Princeton ficou quase em silêncio depois das cerimônias de graduação, 40 mil estudantes de 113 países chegaram aqui via internet para um curso grátis de introdução à sociologia. Minha aula de abertura, sobre o clássico de C. Wright Mills, de 1959, The Sociological Imagination, foi concentrada na leitura minuciosa do texto de um capítulo-chave.
Pedi aos alunos para seguirem a análise em suas cópias, como faço em sala de aula. Quando dou essa aula em Princeton, normalmente, são feitas algumas perguntas perspicazes. Nesse caso, algumas horas depois de postar a versão online, os fóruns pegaram fogo, com centenas de comentários e perguntas. Alguns dias depois, eram milhares. Num espaço de três semanas, recebi mais feedback sobre minhas ideias na área de sociologia do que em toda a minha carreira de professor, o que influenciou consideravelmente cada uma das minhas aulas e seminários seguintes.”
Anant Agarwal, da edX, fala sobre um estudante no Cairo que teve dificuldades e postou uma mensagem dizendo que pretendia abandonar o curso online.
Em resposta, outros alunos no Cairo, da mesma classe, o convidaram para um encontro numa casa de chá, onde se ofereceram para ajudá-lo. Um estudante da Mongólia, de 15 anos, que estava na mesma classe, participando de um curso semipresencial, hoje está se candidatando a uma vaga no MIT e na Universidade da Califórnia, em Berkeley.
À medida que pensamos no futuro do ensino superior, segundo o presidente do MIT, Rafael Reif, algo que hoje chamamos “diploma” será um conceito relacionado com “tijolos e argamassa” - e as tradicionais experiências no campus, que influenciarão cada vez mais a tecnologia e a internet para melhorar o trabalho em sala de aula e no laboratório.
Ao lado disso, contudo, muitas universidades oferecerão cursos online para estudantes de qualquer parte do mundo, em que eles conseguirão “credenciais” - ou seja, certificados atestando que realizaram o trabalho e passaram em todos os exames. O processo de criação de credenciais fidedignas certificando que o aluno domina adequadamente o assunto - e no qual um empregador pode confiar - ainda está sendo aperfeiçoado por todos os MOOCs. No entanto, uma vez resolvida a questão, esse fenômeno realmente se propagará muito.
Posso ver o dia em que você criará o seu diploma universitário participando dos melhores cursos online com os mais capacitados professores do mundo todo - de computação de Stanford, de empreendedorismo da Wharton, de ética da Brandeis, de literatura da Universidade de Edimburgo - pagando apenas uma taxa pelo certificado de conclusão do curso.
Isso mudará o ensino, o aprendizado e o caminho para o emprego. “Um novo mundo está se revelando”, disse Reif. “E todos terão de se adaptar”.
* É COLUNISTA
By Paulo Roberto de Almeida Paulo Roberto de Almeida at fevereiro 18, 2013 3 comentários:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Labels: Thomas Friedman, universidade maravilha

A frase que nao deveria ter sido pronunciada...

Pior do que está não fica...

Esta era a frase-campanha do candidato a deputado federal por São Paulo Tiririca (não importa aqui seu verdadeiro nome, um analfabeto que foi eleito com o maior número de votos de todo o estado, mostrando que a idiotice se divide igualmente por todos os estados da federação, independentemente da renda per capita). 
Pois o hoje deputado, que aliás pensa em desistir da carreira parlamentar e voltar à sua profissão de palhaço, descobriu que pode, sim, ficar pior, uma vez que suas excelências sempre se esforçam para degradar ainda mais a já baixa moralidade das duas casas do Congresso.

By Paulo Roberto de Almeida Paulo Roberto de Almeida at fevereiro 18, 2013 Nenhum comentário:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Labels: a escolha do mal menor, frase idiota

domingo, 17 de fevereiro de 2013

A frase da semana, do mes, de todos os anos - Oswaldo Aranha

A frase, as frases não são de agora, mas de fevereiro de 1945, embora sirvam para todas as épocas.
Como usado para um outro homem que sustentou com o sacrifício de sua vida suas convicões políticas e pessoais, Thomas More, ela é de um homem de todas as estações (se não me engano o filme sobre a vida de Tomas More se chama A Man for All Seasons).
Ou seja, não importa o tempo, o lugar, as circunstâncias, as pessoas precisam ter a coragem de assumir responsabilidade pelo que fazem, mas precisam ter antes de mais nada a coragem moral de defender suas convicções profundas, mesmo em tempos sombrios, como por exemplo durante a ditadura do Estado Novo, quando Oswaldo Aranha serviu como ministro das relações exteriores.
Transcrevo esta frase do livro que estou lendo no momento, informado ao final:

“Entrei para o Governo, em 1938, não para servir ao Estado Novo, mas decidido a evitar a repercussão de seus malefícios internos na situação internacional do Brasil. (...) Nesse período, participando das reuniões governamentais e privando com o Chefe do Governo, não tive a menor parcela de responsabilidade na política interna do país, salvo de reserva quando ela ameaçava comprometer a conduta da política exterior. Fui, única e exclusivamente, Ministro do Exterior, exercendo a minha função fechado na sala onde viveu e morreu o grande Rio Branco, o exemplo maior e melhor de como todo brasileiro tem o dever de servir ao seu país no Itamaraty, sem que isso importe no sacrifício de suas convicções políticas e pessoais. Não renunciei às minhas ideias e nem reneguei um só daqueles princípios que foram, são e serão parte inseparável de minha vida de devoção ao Brasil.
Nessa função, defendi essas ideias e princípios e, graças à minha fidelidade a eles, evitei, com o concurso do povo, que o Brasil fosse arrastado ao erro e à derrota pelas tendências políticas consagradas pela Constituição de 1937.
(...) O curso da guerra era ameaçador e a minha intransigência parecia comprometer a posição com os então vencedores.
Eu mesmo tive dias de perplexidade e se não vacilei foi porque sempre acreditei que o homem não inventou ainda armas capazes de vencer as ideias. (...)
As vitórias da força são efêmeras, ainda que espetaculares, ante a da decisão e de coragem de uma consciência e um coração bem formados.”

Oswaldo Aranha, em discurso que deveria ter sido transmitido pela Rádio Tupi, em 23 de fevereiro de 1945, mas que acabou sendo proibido pela censura da ditadura (o DIP); ele foi publicado n'O Jornal, 24/02/1945. 
In: João Hermes Pereira de Araújo: “Oswaldo Aranha e a diplomacia”.
In: CAMARGO, Aspásia; ARAÚJO, João Hermes Pereira de; SIMONSEN, Mário Henrique. Oswaldo Aranha: a estrela da revolução (São Paulo: Mandarim, 1996), p. 105-379; cf. p. 176-178.

As palavras de Oswaldo Aranha podem se dirigir à conjuntura sombria do Estado Novo, quando as opções eram bem mais claras, e as manifestações totalitárias mais evidentes. Mas elas transcendem sua época, e podem ser aplicadas erga omnes, omnia tempora, todas as vezes em que espíritos tacanhos pretenderem reduzir a liberdade de espírito ao pensamento único dos intolerantes, sobretudo quando se trata de inimigos da liberdade e da democracia.
Paulo Roberto de Almeida
By Paulo Roberto de Almeida Paulo Roberto de Almeida at fevereiro 17, 2013 2 comentários:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Labels: convicções pessoais, moral, Oswaldo Aranha, posicões políticas

Rede: contribuicoes 'a lingua inculta e menos bela - marineiros e rediculos...

Não resisti a divulgar esta nova contribuição ao aprofundamento da propedêutica do discurso emblemático da presente conjuntura de um novo febeapá que invade novamente o país.
Salvemo-nos com três dicionários e uma gramática...
Paulo Roberto de Almeida

Mauro Pereira faz um proparoxítono desmonte da Rede de Marina Silva
Augusto Nunes, 17/02/2013
MAURO PEREIRA

Marina Silva cumpriu a ameaça e fundou um partido que não é partido. Batizado de Rede, na solenidade de lançamento da legenda Marina sobressaiu-se pela clareza de suas declarações. Indagada qual seria a atuação da Rede em relação ao governo, foi claríssima: “Não será nem situação, nem oposição. Será posição”. Mesmo não entendendo absolutamente nada da pantomima despejada por Marina, os “silváticos” deliraram.

Com o ar sorumbático que faz parte do seu semblante majestático e ampara seu perfil esquelético, Marina Silva não dispensou o tom enigmático para saudar a criação da Rede, o mais novo espaço político destinado a arrebanhar todo ser sonhático. Como sua fala anêmica, que sempre denuncia a carência de energético, não é compreendida nem mesmo pelos marineiros, eu imagino que o teor do discurso tenha sido mais ou menos assim:

Usando um palavreado patético, falou em marinês selvático destacando o comportamento ético que diferencia dos demais mortais todo marinático. “O comportamento da Rede é programático”, afirmou. “A atual crise política não permite que um redículo(*) se permita valorizar o pragmático. O combate ao sintético será sistemático, ao passo que a adesão à pauta silvícola será sintomática”. O silêncio estratégico foi preenchido pelo aplauso frenético.

Animada com o sucesso explícito, não se fez de rogada e enveredou pelos caminhos do emblemático. “Longe de mim querer me apoderar do discurso pernóstico tão comum nestes tempos de reinado lulístico. Tenha certeza, marinático, que jamais cederei ao encantamento do palavrório apoplético. Esse recurso deixo para o incompetentes entusiástico. Em tempo algum permitirei que a direita histriônica nos coloque a pecha de porciúncula. Por natureza, todo redículo é sistemático e saberá responderá à altura ao provocador maquiavélico”, profetizou.

Mais adiante, com o semblante cansado que já ostentava antes mesmo de iniciar sua arenga salvacionística, tratou dos graves problemas estruturais e políticos. “Como já falei, o compromisso da Rede é programático e não midiático. A ação no combate à miséria tem que ser lépida, pois a fome é endêmica. E o sucesso dessa empreitada tem no verde seu sustentáculo. Não desprezarei os avanços já consumados no terreno técnico, nem deixarei de usufruir das conquistas consolidadas no universo cibernético. Mas, do mesmo modo, serei uma defensora maiúscula dos recursos silvícolas. Todos sabem que esse meu posicionamento não é cíclico. Minha luta contra esse desmatamento paranóico remonta à minha atuação como ministra do meio-ambiente quando tive oportunidade de percorrer os caminhos daquela praça planáltica. Não ficarei estática, e, se for necessário, para recolocar o Brasil nos trilhos do desenvolvimento, não hesitarei em apelar para os recursos da robótica. Os problemas são explícitos e os brasileiros anseiam por solução imediática, por reposta célere e por proposta factível. E eu vim por isso. Fruto do desvario egocêntrico, o problema da grave crise econômica, acentuado com o recuo na produção automobilística, é burocrático e, obviamente, a solução não passa pela adoção de nenhum programa hermético, nem muito menos por entrave dogmático”.

Despediu-se deixando uma mensagem de ânimo e de confiança. “Marineiro, jamais se esqueça, você é um sonhático”.

Acho que é melhor eu parar por aqui. Mais uma frase e terei certeza de que estou ficando lunático.

(*) redículo: substantivo que poderá identificará os filiados à Rede.
By Paulo Roberto de Almeida Paulo Roberto de Almeida at fevereiro 17, 2013 3 comentários:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Labels: Marina Silva, prolixidade, Rede

Politica Externa brasileira: alguem perdeu o rumo - Luis María Ramírez Boettner

O único problema deste artigo do ex-ministro das relações exteriores do Paraguai, e ex-embaixador no Brasil, é que ele acredita que o Itamaraty perdeu o rumo. Não parece, embora sempre seja possível que isso ocorra. O mais provável é que outras pessoas, em outros lugares, tenham perdido completamente o rumo, se é que algum dia tiveram...
Paulo Roberto de Almeida

¿Itamaraty perdió el rumbo?
Luis María Ramírez Boettner
ABC Color (Paraguai), 3 Febrero 2013

Esta pregunta surge al observar el comportamiento de Itamaraty (Ministerio de Relaciones Exteriores de la República Federativa del Brasil), desde el 29 de junio de 2012, al patrocinar junto con la República Argentina y la República Oriental del Uruguay, en la cumbre de Mendoza del Mercosur, la suspensión del Paraguay de su participación en los Foros del Mercosur. Esta medida arbitraria, ilegal, e ilegítima fue tomada a raíz del juicio político en el cual se destituyo por mal desempeño en sus funciones al expresidente Fernando Lugo.

Decimos que esta resolución tomada por los tres Presidentes del Mercosur es arbitraria, porque conforme al Tratado de Asunción, no tienen la competencia de aprobar resoluciones del Mercosur. Es ilegítima porque el juicio político, una de las figuras contempladas en la Constitución del Paraguay, no constituyó ningún golpe de Estado ni alteración de las instituciones y las libertades públicas, incluyendo la de expresión y de prensa. Y decimos que es ilegal porque el artículo cuarto del Protocolo de Ushuaia I de 1998, establece claramente que debe haber un diálogo entre los miembros del Mercosur, incluyendo el país afectado.

El Brasil tiene experiencia con los juicios políticos, como lo demuestra el que tuvo lugar en 1992, contra el expresidente Collor de Melo quien, al ver que iba a ser condenado, renunció ante la acusación por la Cámara de Diputados, siendo reemplazado, inmediatamente, por el vicepresidente Itamar Franco. Con esto se demuestra que no es una institución disparatada y ajena a los regímenes políticos democráticos vigentes, y podemos citar otro ejemplo: la renuncia de Richard Nixon, presidente de los Estados Unidos de América, en 1974, quien de esta manera evitó el impeachment, sucediéndole en el cargo Gerald Ford.
Itamaraty, que mantiene una embajada en Paraguay con gente capacitada y bien entrenada, debió comprobar “in situ” que no había una alteración del orden público, que regía una plena democracia y que no había restricción al exmandatario ni a ninguno de sus excolaboradores, en una palabra que no existía golpe de Estado, que la asunción del mando del vicepresidente de la República, Dr. Federico Franco, era el proceso normal constitucional, al ser destituido el presidente Lugo. ¿Por qué entonces este ensañamiento de Itamaraty, juntamente con la Argentina, primero en suspender al Paraguay del Mercosur y luego tratar de suspender toda actuación paraguaya en todos los foros internacionales, inclusive de Naciones Unidas? Porque en donde se va a realizar una reunión internacional, Itamaraty amenaza al país anfitrión de su no comparecencia si el Paraguay asiste, como lo ha hecho en la Cumbre Iberoamericana en Cádiz, España, o lo acaba de hacer con Chile, donde se ha celebrado la Cumbre Celac-UE. Inexplicable.

No sabemos las causas, pero sí nos demuestra que Itamaraty perdió el rumbo, perdió el liderazgo en las relaciones internacionales, perdió esa apariencia majestuosa como institución de las relaciones internacionales, que a través de los años, desde la época de José María da Silva Paranhos Junior, Barón del Río Branco, Gran Canciller (1902-1912), perdió la hegemonía que tenía en las relaciones internacionales del Brasil, que pasó a manos de Marco Aurelio Garcia, asesor de la Presidente de la República, que le hace marcar el paso, le guste o no le guste sus actuaciones a Itamaraty. ¿Dónde está el canciller del Brasil?

Mi relacionamiento con Itamaraty es de larga data. Comenzó con la magnífica visita que hiciera al Paraguay el presidente Getulio Vargas en julio de 1941. Con esa visita se inicia una nueva etapa de relacionamiento entre los dos países que estaban de espaldas desde la Guerra de la Triple Alianza.

Posteriormente fui representante de Naciones Unidas en Brasil de 1972 a 1980 y embajador de la República del Paraguay en Brasil de 1992 a 1993, en que fui trasladado a Asunción como ministro de Relaciones Exteriores; y ahí existió un estrecho relacionamiento tanto en lo bilateral y multilateral, y por eso me atrevo a hablar en esta forma franca y abierta, buscando soluciones a la situación actual.

En agosto de 1941 fui invitado para visitar Itamaraty y conocer su organización. Con estas visitas se abre un relacionamiento entre ambos países que culmina con el presidente Juscelino Kubitschek, cuando se firman los Tratados en 1956 del camino al Brasil, que la Argentina lo consideraba inamistoso para su país, los acuerdos del Puerto Franco en Paranaguá, los acuerdos para los estudios hidroeléctricos del río Paraná, que dieron lugar al nacimiento de Itaipú, los convenios comerciales, uno general y otro fronterizo, y que se inicia un entendimiento entre ambas cancillerías. Ese cordial entendimiento continuó en forma amplia durante los dos periodos (1995-2003) de la presidencia de Fernando Henrique Cardoso y sus sucesores.

Había un diálogo abierto, franco, y muy cordial y ahora de repente no hay ningún diálogo, pareciera que el Paraguay no existe para Itamaraty. Es inexplicable este comportamiento y solamente podemos pensar que todo esto ha sido fraguado para dejar de lado al Paraguay, que se oponía al ingreso de Venezuela al Mercosur, por la acción gubernamental del presidente Hugo Chávez en lo político y en lo económico y pareciera que los intereses brasileños hacia Venezuela son más fuertes, más profundos que la amistad con el Paraguay. Como lo demuestra también el comportamiento del Brasil hacia Venezuela en estos momentos, donde abiertamente se viola la Constitución venezolana e Itamaraty no ve o no quiere ver lo que sucede en Venezuela.

Abogo por un entendimiento entre ambos países, como el que se inicia en esa etapa difícil, después de la guerra de la Triple Alianza contra el Paraguay; no esta nefasta coalición que se quiere revivir en los tiempos actuales. Han dejado de lado por esos egoístas intereses comerciales y económicos la antigua recomendación del Barón del Río Branco, que patrocinaba la necesidad de tener un vecino (Paraguay) tranquilo, próspero y amistoso. Ha roto Itamaraty ese esquema y está actuando en forma agresiva, pareciera rencorosa o vengativa; de lo contrario no es posible entender su forma de actuar con Paraguay.
Si quieren rectificar la medida de suspensión del Paraguay, arbitraria, ilegal e ilegítima, los Estados Partes del Mercosur Argentina, Brasil y Uruguay, deben aplicar, en la brevedad, el artículo 7 del Protocolo de Ushuaia I sobre Compromiso Democrático en el Mercosur.
By Paulo Roberto de Almeida Paulo Roberto de Almeida at fevereiro 17, 2013 Nenhum comentário:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Labels: critica a diplomacia brasileira, Itamaraty, Luis María Ramírez Boettner, Mercosul, Paraguai

Ilusoes comerciais (e anticomerciais) brasileiras...

Vou ser cruel, mas de vez em quando é preciso.
Os companheiros desmantelaram, implodiram, eliminaram (com muito orgulho para eles e o bando de basbaques que os sustentam) as negociações comerciais hemisféricas propostas pelos EUA sob o signo da Alca, o acordo de livre comércio das Américas.
Para eles, não se tratava de acordo de integração -- nunca foi, mas ele ignoram isso e nunca souberam distinguir um acordo comercial de um prato de abobrinhas -- mas sim de um tratado de anexação, como várias vezes repetido pelo guia genial dos povos. Ou seja, anexação de todos os coitadinhos latino-americanos pelo império malvado, hegemônico, arrogante e..., claro, imperialista.
Os companheiros nunca entenderam de comércio, menos ainda de finanças, mas isso não é o que importa: bastava se cercarem de bons expertos -- diplomatas e outros -- para ter a melhor informação possível sobre como funcionam essas coisas, o projeto do Mercosul, a proposta da Alca, seu impacto sobre a economia brasileira, as oportunidades e desafios assim criados, os custos e benefícios do processo. Mas não foi isso que ocorreu: os "especialistas" da área, seja por subserviência e sabujice aos companheiros, seja por ideologia simplificadora, anti-imperialismo primário, ignorância econômica -- provavelmente uma mistura de tudo isso -- acharam sim, que era preciso sabotar o processo da Alca e fazer uma aliança dos pobres e oprimidos, os coitadinhos da América do Sul (já que o México já tinha se "vendido" ao imperialismo), para enfrentar o dragão da maldade, o império capitalista. Conseguiram, com a ajuda dos companheiros Hugo e Nestor, implodiram a Alca, e se orgulharam disso, tanto que sairam cantando vantagem por.
Teve até um especialista que se aproveitou da recessão no México, na crise americana de 2007-2008, para alertar nós, os pobres incautos, como teria sido ruim para o Brasil se tivessemos aderido à Alca: imaginem, em lugar de um pequeno crescimento, disse ele, teríamos tido uma megarecessão. Não sei se acreditava no que dizia, ou se o fazia mesmo por desonestidade intelectual, mas o fato é que disse essa barbaridade sem tamanho, que além de tudo é uma mentira consumada.
Ao mesmo tempo que desmantelavam as malvadas pretensões imperialistas no hemisfério, os companheiros se achavam sumamente espertos, ao achar que iriam concluir um acordo muito rapidamente com os bonzinhos dos europeus, que como todos sabem não são arrogantes, nunca foram imperialistas e só querem o nosso bem, a começar porque eles também têm um baita mercado comum que só vive de fazer bondades para os seus membros e os associados simpáticos, como nós.
Os companheiros não desconfiavam -- e os especialistas se "esqueceram de avisar -- que os bonzinhos europeus só tinham embarcado nessa aventura de um acordo comercial com o Mercosul porque temiam perder vantagens para os americanos no hemisfério. Qualquer criança -- mas não os companheiros, claro -- podia adivinhar que, afastada a Alca, afastava-se ipso facto a necessidade de os bonzinhos europeus continuarem bonzinhos conosco, e assim as negociações birregionais foram se arrastando pelos últimos 17 anos...
Ao mesmo tempo os companheiros -- nisso secundados pelos especialistas malucos -- inventaram a tal de "nova geografia comercial mundial", e achavam que todos os pobrezinhos do mundo iriam se unir para transacionar entre si, sem toda aquela "dependência" dos mais ricos, que além de tudo eram arrogantes e assimétricos. E assim fomos nós, fazendo magnifícos acordos com Índia, África do Sul e um bando de outros periféricos, achando que os ricos já eram.
Deu no que deu...
Sim, ficou pior desde então, porque pelo menos, no governo companheiro anterior, ainda se acreditava na possibilidade de se concluir a Rodada Doha, assim os companheiros não exerceram todos os seus talentos protecionistas e anti-livre-cambistas. Agora que ninguém mais acredita em rodada nenhuma, vamos deitar e rolar, com os argentinos, nessa farra protecionista descarada.
Assim vai o mundo, ou melhor, o Brasil, o Mercosul e os companheiros.
Depois não digam que não avisei: posso mostrar dezenas de artigos meus, desde antes da assunção dos companheiros no poder, e especialmente no começo do seu reino maravilhoso, chamando a atenção para essas evidências evidentíssimas, mas os companheiros não acreditavam nelas, claro. Nem os especialistas, mas esses são piores do que os companheiros. Estes podem ser no máximo acusados de ignorância ou ingenuidade. Aqueles exibiram má-fé, desonestidade e sabujice, apenas isto. E já é muito, não acham?
Paulo Roberto de Almeida

Acordo comercial entre EUA e Europa divide governo brasileiro

Enquanto diplomatas querem buscar novos acordos de comércio, equipe econômica espera resolver primeiro disputas no Mercosul

15 de fevereiro de 2013 | 2h 10
LISANDRA PARAGUASSU, IURI DANTAS / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
 
A notícia de que os Estados Unidos e os 27 países da União Europeia iniciaram negociações para um acordo de livre comércio foi recebida de maneira contraditória pelo governo brasileiro. A diplomacia aposta em usar o caso como exemplo para convencer a equipe econômica sobre a importância de acordos regionais de comércio. Os responsáveis pela política comercial, no entanto, não veem chances de avanço para o Brasil sem que se resolvam questões internas do Mercosul.
A extensão, ou "ambição", do acordo EUA-UE indicará o tamanho do impacto na economia brasileira, na avaliação do Itamaraty. Se ficar limitado a bens e normas, o impacto não será tão significativo para o Brasil, na visão dos diplomatas. Mas a inclusão de serviços e compras governamentais pode reduzir a participação de empresas brasileiras nestes setores, porque companhias americanas e europeias teriam mais vantagens em competir entre si nos dois mercados.
O Itamaraty começou ontem a mapear os impactos do acordo transatlântico para o Brasil. O relatório, que será apresentado à presidente Dilma Rousseff, fica pronto em algumas semanas.
De início, as negociações entre UE e EUA vão consumir mais tempo dos negociadores europeus. Isso no momento em que o Brasil tenta retomar, de forma efetiva, as negociações de acordo de livre comércio entre o Mercosul e os europeus. O Itamaraty não vê prejuízos para essas negociações com a decisão anunciada pelo presidente dos EUA, Barack Obama, no início da semana.
Silêncio. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, evitou comentar o tema. Internamente, a equipe do ministro avalia que o Brasil tem as mãos amarradas porque só pode negociar em bloco e a Argentina resiste a acordos desse tipo. Por outro, os técnicos mais experientes da Pasta sabem que a vontade dos europeus de conseguir um pedaço do mercado brasileiro não representa vontade política suficiente para derrubar os pesados subsídios agrícolas, tema central para os brasileiros nas discussões com a UE.
Diante deste cenário, o Palácio do Planalto optou por maior cautela em relação ao diálogo Estados Unidos e UE. O governo preferiu não se comprometer com comentários públicos e escolheu o Itamaraty como porta-voz da questão. A presidente conversou com Pimentel ontem no Palácio do Alvorada. A ideia é seguir com o trabalho e apresentar, nos próximos meses, proposta de acordo aos europeus.
A Confederação Nacional de Agricultura (CNA) identifica um prejuízo claro às pretensões brasileiras. As negociações de um acordo UE-Mercosul, que se arrastam há mais de dez anos, devem ficar em segundo plano para os europeus. "Há necessidade de se repensar a política comercial brasileira", afirmou Thiago Masson, coordenador da área internacional da entidade.
Nesta conversa com a UE, interessa ao Brasil derrubar os subsídios agrícolas e obter mais acesso para produtos nacionais. A Europa, como os EUA, tenta uma saída para sua indústria manufatureira. Sob uma severa crise econômica, alto desemprego e dívidas soberanas em lento ajuste, a indústria do continente cortou preços para reduzir seus estoques. Parte do governo brasileiro teme uma invasão ainda maior destes produtos no mercado nacional, em caso de um acordo entre Mercosul e UE, Daí a importância de se obter redução nos subsídios europeus.
Outro fator de preocupação para o País em relação ao possível acordo entre americanos e europeus são as normas. Atualmente, boa parte das normas de segurança sanitária, de qualidade para produtos, entre outras, são negociadas no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). O problema é que as negociações entre EUA e União Europeia podem resultar em normativos próprios. E essas regras tenderiam, naturalmente, a ser seguidas pela OMC, FAO e até outros parceiros comerciais do País.
By Paulo Roberto de Almeida Paulo Roberto de Almeida at fevereiro 17, 2013 Nenhum comentário:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Labels: acordos comerciais, Brasil, EUA, Mercosul, ue
Postagens mais recentes Postagens mais antigas Página inicial
Assinar: Postagens (Atom)

Postagem em destaque

O que eu teria a dizer sobre “Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira”? - Paulo Roberto de Almeida

O que eu teria a dizer sobre “Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira”? Paulo Roberto de Almeida  Sinceramente, eu não sei, ou talvez...

  • (nenhum título)
    Minha entrevista desta sexta-feira 25/02/2022, sobre a dramática situação da Ucrânia no canal +BrasilNews.  1437. “ Entrevista sobre a Ucrân...
  • Historia do profeta Samuel: conhecimento bíblico
    Personagens Bíblicos / História do Profeta Samuel: Quem foi Samuel na Bíblia? https://estiloadoracao.com/historia-do-profeta-samuel/ Histó...
  • 673) A formacao e a carreira do diplomata
    Uma preparação de longo curso e uma vida nômade Paulo Roberto de Almeida A carreira diplomática tem atraído número crescente de jovens, em ...
  • China: its true objectives in foreign policy - David C. Kang, Jackie S. H. Wong, Zenobia T. Chan (International Security)
      What Does China Want?  Free David C. Kang ,    Jackie S. H. Wong ,    Zenobia T. Chan Author and Article Information Op International Secu...
  • Brasil teve de pagar por sua independência; como Portugal usou o dinheiro? - Rodrigo Tavares (FSP)
    Um professor catedrático convidado numa universidade portuguesa consultou-me sobre a dívida externa do Brasil na interação com Portugal na é...
  • Recorrências: a História se repete? - Paulo Roberto de Almeida ; + os comentários habituais de Madame IA
      Recorrências …  (não, não acredito que a História se repete; os homens se repetem, alguns de forma delirante): Paulo Roberto de Almeida  O...
  • 9 de maio de 2026: o "Dia da Derrota" - Paulo Roberto de Almeida
    9 de maio de 2026: o "Dia da Derrota" Todos os dias 9 de maio, a cada ano desde 1946, é reputado representar o maior feriado nacio...
  • Trump està mentalmente doente - Robert Reich
    _*A iminente derrota de Trump no Irã é uma crise pessoal e política.*_ _*"Ele está postando de forma mais descontrolada do que nunca – ...
  • Onde será que se esconde Putin? - Paulo Roberto de Almeida e Madame IA
    Onde será que se esconde Putin? Seu amigo Trump vai aparecer para o desfile da "vitória"? Creio que será, ou já está sendo, um 9 d...
  • Globalization and U.S. Foreign Relations after Trump - Frank Ninkovich (H-Diplo)
      H-Diplo/ISSF Policy Series 2021-36: Globalization and U.S. Foreign Relations after Trump by  George Fujii H- Diplo  |  ISSF  Policy Series...

Novo livro: História e historiografia das Relações Internacionais do Brasil (Editora Appris)

Novo livro: História e historiografia das Relações Internacionais do Brasil (Editora Appris)
Dos Descobrimentos ao Final do Império (em breve)

O que é este blog?

Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Meus livros podem ser vistos nas páginas da Amazon. Outras opiniões rápidas podem ser encontradas no Facebook ou no Threads. Grande parte de meus ensaios e artigos, inclusive livros inteiros, estão disponíveis em Academia.edu: https://unb.academia.edu/PauloRobertodeAlmeida

Site pessoal: www.pralmeida.net.

Pesquisar este blog

Quem sou eu: Paulo Roberto de Almeida

Minha foto
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, DF, Brazil
Ver meu perfil completo

Últimas Postagens:

  • ▼  2026 (704)
    • ▼  maio (69)
      • O que eu teria a dizer sobre “Tensões Geopolíticas...
      • Contra o voto nulo - Paulo Roberto de Almeida, co...
      • Sobre a nova guerra do Peloponeso entre uma Atenas...
      • Lançamento do livro Intelectuais na Diplomacia Bra...
      • Da arte muito pouco nobre de mentir - Paulo Robert...
      • “Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira”, ...
      • Já chegamos ao último grau do fanatismo político? ...
      • Após Lula em Washington, Trump visita a China, e e...
      • Sobre as eleições no vizinho Peru - Paulo Roberto ...
      • Brasil e México, amigos distantes: a busca de um A...
      • Dúvidas histórico-metafísicas - Paulo Roberto de A...
      • Erro histórico do governo do PT: a recusa do ingre...
      • O Atlântico Sul como zona de paz e cooperação - Ru...
      • A visita de Trump a Xi Jinping: - Paulo Roberto de...
      • Um dia que vai ficar na História - Paulo Roberto d...
      • O que pode fazer a estupidez humana? - Paulo Rober...
      • A história econômica brasileira na pena de Afonso ...
      • Stephen Kotkin: "Internal Challenge of US Global L...
      • White House Blues - Jorio Dauster (Relatório Rese...
      • PREFÁCIO DE WILSON GOMES AO LIVRO DE ANTONIO RISÉ...
      • Putin’s regime will 'end suddenly' - Why Russian v...
      • Palestra de Edmar Bacha sobre reformas na economia...
      • O relatório secreto de Nikita Khrushchev sobre os ...
      • The Iran War Is Bleeding India’s Economy Anisha D...
      • Revista Será?; número de 8 de maio de 2026
      • O lado humano de Zelensky: interview
      • O mundo segundo as regras do PT: editorial do Esta...
      • Putin says he thinks Ukraine conflict 'coming to a...
      • 9 de maio de 2026: o "Dia da Derrota" - Paulo Robe...
      • Trump està mentalmente doente - Robert Reich
      • Recorrências: a História se repete? - Paulo Robert...
      • Onde será que se esconde Putin? - Paulo Roberto de...
      • Livros Paulo Roberto de Almeida na Amazon.com.br -...
      • Parbleu! Esqueceram o Mercosul! - Paulo Roberto de...
      • Lula na Casa Branca - Rubens Barbosa (Interesse N...
      • Vida e Morte das Universidades - Simon Schwartzman...
      • 81 anos do “Dia da Vitória”: 08/05/1945 (os russos...
      • IMPORT TARIFFS - Rogerio Pinto, comentários de Mad...
      • A tendência é que Lula e Trump fechem um acordo so...
      • Intelectuais na diplomacia brasileira: a cultura a...
      • Dosimetria do bolsonarismo golpista vai ser anulad...
      • O Brasil Real e a mediocridade evitável – live com...
      • A tragédia da Nobel da Paz em Teerã - Guga Chacra ...
      • O reconhecimento internacional do Império do Brasi...
      • Câmara comemora bicentenário com sessão solene na ...
      • Lançamento do livro: Intelectuais na Diplomacia Br...
      • Multilateralismo econômico – Nascimento, crises e ...
      • “O Brasil precisa crescer” - Celso C. H. Grisi (Li...
      • A história da vida excepcional de Mikhail Bar-Yehu...
      • Novo livro de Antonio Risério: Quartzo Crescente (...
      • Madame AI comenta a personalidade de Airton Dirceu...
      • Pergunta não tão inocente - Paulo Roberto de Almei...
      • Olavo de Carvalho is a fraud | LivresCast 29 - Pau...
      • Maquiavel e o conselheiro do Príncipe em política ...
      • O Adam Smith escocês e o Adam Smith brasileiro: Jo...
      • Sobre azedumes opinativos - Paulo Roberto de Almei...
      • Fernando Novais, um historiador marxista - Naief H...
      • Acordo Mercosul-UE, finalmente em vigor depois de ...
      • O Príncipe e seu conselheiro em política externa: ...
      • Prefácio ao livro de Sergio Abreu e Lima Florencio...
      • O Adam Smith escocês e o Adam Smith brasileiro: Jo...
      • Museu da Pessoa: Projeto Memória Diplomática da AD...
      • Putin is scared - Mikhail Khodorkovsky
      • Um pouco de futurologia improvisada - Paulo Robert...
      • True Believers para todos os gostos - Bulletin of ...
      • O "amigo do amigo do meu pai" tinha milhões de mot...
      • A nação que se perdeu a si mesma - Paulo Roberto d...
      • Crônicas Históricas: a mulher que salvou dezenas d...
      • Likes and dislikes - Paulo Roberto de Almeida
    • ►  abril (151)
    • ►  março (206)
    • ►  fevereiro (120)
    • ►  janeiro (158)
  • ►  2025 (1582)
    • ►  dezembro (167)
    • ►  novembro (120)
    • ►  outubro (107)
    • ►  setembro (105)
    • ►  agosto (107)
    • ►  julho (150)
    • ►  junho (87)
    • ►  maio (144)
    • ►  abril (159)
    • ►  março (168)
    • ►  fevereiro (134)
    • ►  janeiro (134)
  • ►  2024 (1681)
    • ►  dezembro (106)
    • ►  novembro (154)
    • ►  outubro (93)
    • ►  setembro (126)
    • ►  agosto (128)
    • ►  julho (103)
    • ►  junho (178)
    • ►  maio (172)
    • ►  abril (186)
    • ►  março (184)
    • ►  fevereiro (132)
    • ►  janeiro (119)
  • ►  2023 (1268)
    • ►  dezembro (119)
    • ►  novembro (92)
    • ►  outubro (89)
    • ►  setembro (105)
    • ►  agosto (93)
    • ►  julho (92)
    • ►  junho (97)
    • ►  maio (118)
    • ►  abril (139)
    • ►  março (119)
    • ►  fevereiro (96)
    • ►  janeiro (109)
  • ►  2022 (1317)
    • ►  dezembro (107)
    • ►  novembro (104)
    • ►  outubro (121)
    • ►  setembro (94)
    • ►  agosto (119)
    • ►  julho (121)
    • ►  junho (132)
    • ►  maio (104)
    • ►  abril (100)
    • ►  março (122)
    • ►  fevereiro (116)
    • ►  janeiro (77)
  • ►  2021 (1250)
    • ►  dezembro (106)
    • ►  novembro (107)
    • ►  outubro (75)
    • ►  setembro (85)
    • ►  agosto (76)
    • ►  julho (88)
    • ►  junho (96)
    • ►  maio (134)
    • ►  abril (139)
    • ►  março (116)
    • ►  fevereiro (87)
    • ►  janeiro (141)
  • ►  2020 (1711)
    • ►  dezembro (162)
    • ►  novembro (165)
    • ►  outubro (147)
    • ►  setembro (128)
    • ►  agosto (129)
    • ►  julho (101)
    • ►  junho (141)
    • ►  maio (171)
    • ►  abril (148)
    • ►  março (138)
    • ►  fevereiro (150)
    • ►  janeiro (131)
  • ►  2019 (1624)
    • ►  dezembro (123)
    • ►  novembro (107)
    • ►  outubro (124)
    • ►  setembro (90)
    • ►  agosto (147)
    • ►  julho (129)
    • ►  junho (176)
    • ►  maio (125)
    • ►  abril (138)
    • ►  março (189)
    • ►  fevereiro (134)
    • ►  janeiro (142)
  • ►  2018 (1134)
    • ►  dezembro (126)
    • ►  novembro (111)
    • ►  outubro (101)
    • ►  setembro (104)
    • ►  agosto (91)
    • ►  julho (102)
    • ►  junho (77)
    • ►  maio (88)
    • ►  abril (80)
    • ►  março (100)
    • ►  fevereiro (89)
    • ►  janeiro (65)
  • ►  2017 (937)
    • ►  dezembro (79)
    • ►  novembro (94)
    • ►  outubro (118)
    • ►  setembro (93)
    • ►  agosto (127)
    • ►  julho (77)
    • ►  junho (52)
    • ►  maio (71)
    • ►  abril (59)
    • ►  março (58)
    • ►  fevereiro (52)
    • ►  janeiro (57)
  • ►  2016 (1203)
    • ►  dezembro (76)
    • ►  novembro (64)
    • ►  outubro (111)
    • ►  setembro (105)
    • ►  agosto (109)
    • ►  julho (88)
    • ►  junho (108)
    • ►  maio (120)
    • ►  abril (123)
    • ►  março (109)
    • ►  fevereiro (86)
    • ►  janeiro (104)
  • ►  2015 (1479)
    • ►  dezembro (118)
    • ►  novembro (93)
    • ►  outubro (132)
    • ►  setembro (114)
    • ►  agosto (107)
    • ►  julho (110)
    • ►  junho (81)
    • ►  maio (103)
    • ►  abril (136)
    • ►  março (147)
    • ►  fevereiro (194)
    • ►  janeiro (144)
  • ►  2014 (3131)
    • ►  dezembro (146)
    • ►  novembro (144)
    • ►  outubro (266)
    • ►  setembro (234)
    • ►  agosto (231)
    • ►  julho (287)
    • ►  junho (339)
    • ►  maio (337)
    • ►  abril (234)
    • ►  março (308)
    • ►  fevereiro (256)
    • ►  janeiro (349)
  • ►  2013 (3297)
    • ►  dezembro (337)
    • ►  novembro (189)
    • ►  outubro (231)
    • ►  setembro (296)
    • ►  agosto (330)
    • ►  julho (322)
    • ►  junho (351)
    • ►  maio (324)
    • ►  abril (293)
    • ►  março (204)
    • ►  fevereiro (282)
    • ►  janeiro (138)
  • ►  2012 (2221)
    • ►  dezembro (186)
    • ►  novembro (162)
    • ►  outubro (152)
    • ►  setembro (172)
    • ►  agosto (174)
    • ►  julho (183)
    • ►  junho (151)
    • ►  maio (170)
    • ►  abril (217)
    • ►  março (205)
    • ►  fevereiro (226)
    • ►  janeiro (223)
  • ►  2011 (2416)
    • ►  dezembro (232)
    • ►  novembro (195)
    • ►  outubro (250)
    • ►  setembro (261)
    • ►  agosto (212)
    • ►  julho (196)
    • ►  junho (188)
    • ►  maio (230)
    • ►  abril (181)
    • ►  março (137)
    • ►  fevereiro (168)
    • ►  janeiro (166)
  • ►  2010 (2336)
    • ►  dezembro (149)
    • ►  novembro (148)
    • ►  outubro (196)
    • ►  setembro (240)
    • ►  agosto (270)
    • ►  julho (235)
    • ►  junho (215)
    • ►  maio (262)
    • ►  abril (189)
    • ►  março (98)
    • ►  fevereiro (152)
    • ►  janeiro (182)
  • ►  2009 (648)
    • ►  dezembro (80)
    • ►  novembro (88)
    • ►  outubro (65)
    • ►  setembro (70)
    • ►  agosto (82)
    • ►  julho (69)
    • ►  junho (53)
    • ►  maio (40)
    • ►  abril (37)
    • ►  março (22)
    • ►  fevereiro (11)
    • ►  janeiro (31)
  • ►  2008 (162)
    • ►  dezembro (33)
    • ►  novembro (19)
    • ►  outubro (12)
    • ►  setembro (6)
    • ►  agosto (6)
    • ►  julho (9)
    • ►  junho (25)
    • ►  maio (11)
    • ►  abril (7)
    • ►  março (10)
    • ►  fevereiro (10)
    • ►  janeiro (14)
  • ►  2007 (146)
    • ►  dezembro (11)
    • ►  novembro (19)
    • ►  outubro (18)
    • ►  setembro (6)
    • ►  agosto (12)
    • ►  julho (8)
    • ►  junho (22)
    • ►  maio (4)
    • ►  abril (9)
    • ►  março (7)
    • ►  fevereiro (17)
    • ►  janeiro (13)
  • ►  2006 (193)
    • ►  dezembro (38)
    • ►  novembro (9)
    • ►  outubro (7)
    • ►  setembro (10)
    • ►  agosto (9)
    • ►  julho (67)
    • ►  junho (53)

Vidas Paralelas (2025)

Vidas Paralelas (2025)
Rubens Ricupero e Celso Lafer nas relações internacionais do Brasil

Intelectuais na Diplomacia Brasileira

Intelectuais na Diplomacia Brasileira
a cultura a serviço da nação

Construtores da nação

Construtores da nação
Projetos para o Brasil, de Cairu a Merquior

Apogeu e demolição da política externa

Apogeu e demolição da política externa
Itinerários da diplomacia brasileira

O Itamaraty Sequestrado

O Itamaraty Sequestrado
a destruição da diplomacia pelo bolsolavismo, 2018-2021

A ordem econômica mundial

A ordem econômica mundial
e a América Latina (2020)

Miséria da diplomacia (2019)

Miséria da diplomacia (2019)
A destruição da inteligência no Itamaraty

Contra a Corrente: ensaios contrarianistas

Contra a Corrente: ensaios contrarianistas
A grande Ilusão do BRICS e o universo paralelo da diplomacia brasileira (2022)

O Homem que Pensou o Brasil

O Homem que Pensou o Brasil
Roberto Campos: trajetória intelectual

Formação da Diplomacia Econômica no Brasil

Formação da Diplomacia Econômica no Brasil
as relações econômicas internacionais no Império

Pesquisar este blog

Obras do autor:

Manifesto Globalista
Plataforma Academia.edu
Nunca Antes na Diplomacia...
Prata da Casa: os livros dos diplomatas
Volta ao Mundo em 25 Ensaios
Paralelos com o Meridiano 47
O Panorama visto em Mundorama
Rompendo Fronteiras
Codex Diplomaticus Brasiliensis
Polindo a Prata da Casa
Livros individuais PRA
Livros editados por PRA
Colaboração a livros coletivos
Capítulos de livros publicados
Teses e dissertações
Artigos em periódicos
Resenhas de livros
Colaborações regulares
Videos no YouTube

Paulo Roberto e Carmen Lícia

Paulo Roberto e Carmen Lícia
No festival de cinema de Gramado, 2016

PRA on Academia.edu

  • PRA on Academia.edu

PRA on Research Gate

  • Paulo Roberto de Almeida on ResearchGate

Works PRA

  • Carreira na diplomacia
  • Iluminuras: minha vida com os livros
  • Manifesto Globalista
  • Sun Tzu para Diplomatas: uma estratégia
  • Entrevista ao Brasil Paralelo
  • Dez grandes derrotados da nossa história
  • Dez obras para entender o Brasil
  • O lulopetismo diplomático
  • Teoria geral do lulopetismo
  • The Great Destruction in Brazil
  • Lista de trabalhos originais
  • Lista de trabalhos publicados
  • Paulo Roberto de Almeida
  • Works in English, French, Spanish

Outros blogs do autor

  • Eleições presidenciais 2018
  • Academia
  • Blog PRA
  • Book Reviews
  • Cousas Diplomaticas
  • DiplomataZ
  • Diplomatizando
  • Diplomatizzando
  • Eleições presidenciais 2006
  • Eleições presidenciais 2010
  • Meu primeiro blog
  • Meu segundo blog
  • Meu terceiro blog
  • Shanghai Express
  • Textos selecionados
  • Vivendo com os livros

Total de visualizações de página

Inscrever-se

Postagens
Atom
Postagens
Comentários
Atom
Comentários

Détente...

Détente...
Carmen Lícia e Paulo Roberto

Links

  • O Antagonista
  • Academia.edu/PRA
  • Mercado Popular
  • Mão Visivel
  • De Gustibus Non Est Disputandum
  • Mansueto Almeida
  • Orlando Tambosi - SC
  • Carmen Lícia Palazzo - Site
  • Carmen Licia Blogspot
  • Foreign Policy
  • Instituto Millenium
  • O Estado de Sao Paulo

Uma reflexão...

Recomendações aos cientistas, Karl Popper:
Extratos (adaptados) de Ciência: problemas, objetivos e responsabilidades (Popper falando a biólogos, em 1963, em plena Guerra Fria):
"A tarefa mais importante de um cientista é certamente contribuir para o avanço de sua área de conhecimento. A segunda tarefa mais importante é escapar da visão estreita de uma especialização excessiva, interessando-se ativamente por outros campos em busca do aperfeiçoamento pelo saber que é a missão cultural da ciência. A terceira tarefa é estender aos demais a compreensão de seus conhecimentos, reduzindo ao mínimo o jargão científico, do qual muitos de nós temos orgulho. Um orgulho desse tipo é compreensível. Mas ele é um erro. Deveria ser nosso orgulho ensinar a nós mesmos, da melhor forma possível, a sempre falar tão simplesmente, claramente e despretensiosamente quanto possível, evitando como uma praga a sugestão de que estamos de posse de um conhecimento que é muito profundo para ser expresso de maneira clara e simples.
Esta, é, eu acredito, uma das maiores e mais urgentes responsabilidades sociais dos cientistas. Talvez a maior. Porque esta tarefa está intimamente ligada à sobrevivência da sociedade aberta e da democracia.
Uma sociedade aberta (isto é, uma sociedade baseada na idéia de não apenas tolerar opiniões dissidentes mas de respeitá-las) e uma democracia (isto é, uma forma de governo devotado à proteção de uma sociedade aberta) não podem florescer se a ciência torna-se a propriedade exclusiva de um conjunto fechado de cientistas.
Eu acredito que o hábito de sempre declarar tão claramente quanto possível nosso problema, assim como o estado atual de discussão desse problema, faria muito em favor da tarefa importante de fazer a ciência -- isto é, as idéias científicas -- ser melhor e mais amplamente compreendida."

Karl R. Popper: The Myth of the Framework (in defence of science and rationality). Edited by M. A. Notturno. (London: Routledge, 1994), p. 109.

Uma recomendação...

Hayek recomenda aos mais jovens:
“Por favor, não se tornem hayekianos, pois cheguei à conclusão que os keynesianos são muito piores que Keynes e os marxistas bem piores que Marx”.
(Recomendação feita a jovens estudantes de economia, admiradores de sua obra, num jantar em Londres, em 1985)

ShareThis

Livros, livros e mais livros

Livros, livros e mais livros
My favorite hobby...

Academia.edu

Follow me on Academia.edu
Powered By Blogger
Paulo Roberto de Almeida. Tema Simples. Tecnologia do Blogger.