sábado, 10 de maio de 2025

Confraternização de ditadores - André Gustavo Stumpf (Correio Brasiliense)

Confraternização de ditadores

O presidente Lula foi a festa errada porque em Moscou teve a companhia de dirigentes que desprezam a democracia e perseguem dissidentes.


"Desde que Vladimir Putin invadiu a Crimeia, os representantes da democracia liberal enviam menos personalidades ao encontro de autocratas" - (crédito: Maurenilson Freire)

ANDRÉ GUSTAVO STUMPF, jornalista

Correio Braziliense, 10/05/2025 

O presidente Lula desembarcou em Moscou para a festa errada. Alguém esqueceu de explicar ao nosso apedeuta que a Força Expedicionária Brasileira (FEB) lutou na Itália contra o inimigo nazista, ao lado do Quinto Exército dos Estados Unidos, comandado pelo general Mark Clark. Há em Pistoia um cemitério com os túmulos dos brasileiros que morreram na luta pela libertação da Itália. Os brasileiros não têm nenhuma participação com a guerra no oeste da Europa.

Aliás, a Segunda Guerra Mundial teve início formal quando as tropas de Hitler invadiram a Polônia em 1º de setembro de 1939 com uma devastadora blitzkrieg. Essa invasão foi proporcionada pelo acordo de paz e não agressão assinado por representantes do Terceiro Reich e por assessores de Joseph Stalin, é o famoso tratado Molotov/Ribbentrop. Entre os itens acordados, havia a divisão da Polônia e a posterior invasão da Finlândia pela União Soviética, o que, de fato, ocorreu. A Polônia foi dividida em dois. Alemães atacaram de um lado, e os soviéticos, de outro. Os ingleses manifestaram solidariedade ao governo de Varsóvia. A guerra formalmente começou logo depois do famigerado acordo entre nazistas e comunistas.

É verdade que Hitler rompeu o tratado e comandou a operação Barbarossa de invasão da União Soviética em junho de 1941. Suas tropas chegaram a quarenta quilômetros de Moscou e conseguiram tomar quase toda a cidade de Stalingrado a caminho dos poços de petróleo do Cáucaso. Seus exércitos foram contidos pelo Marechal Jukov e pela incrível resistência nas margens do Rio Volga dentro de uma simples fábrica de tratores, sob o comando de um então desconhecido Nikita Kruschev. Ali, os nazistas colheram a maior derrota. O gigantesco 6º Exército foi derrotado, e seu comandante, Friedrich Von Paulus, feito prisioneiro, junto com 265 mil soldados em janeiro de 1943. Morreram na guerra mais de 20 milhões de russos no conflito que, em Moscou, se chama de Grande Guerra Patriótica.

Os norte-americanos colaboraram com aviões e caminhões na defesa do território soviético. Boa parte do material foi transportado através do Trampolim da Vitória, entre Natal, no Rio Grande do Norte, e os portos na África, de onde seguiram para as frentes de combate. Todos os anos, a Rússia celebra, no dia 9 de maio, a vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista com uma grande parada militar na Praça Vermelha, em Moscou.


A rendição incondicional da Alemanha Nazista foi assinada em 7 de maio de 1945, às 2h41, pelo então chefe do Estado-Maior da Wehrmacht, coronel-general Alfred Jodl, no quartel-general do general Dwight D. Eisenhower, em Reims, na França. Assim, o 8 de maio é conhecido em países europeus como o Dia da Vitória na Europa, ou Victory-in-Europe-Day (VE-Day). Mas Josef Stalin exigiu que houvesse uma repetição da assinatura de capitulação em Berlim pelos comandantes supremos da Wehrmacht. O líder comunista pretendeu, com o gesto, reclamar para a União Soviética o prestígio da vitória sobre a Alemanha nazista. Assim, na noite de 8 para 9 de maio de 1945, os comandantes supremos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica da Wehrmacht assinaram, novamente, o atestado de capitulação desta vez no quartel-general soviético em Karlshorst, em Berlim (hoje o Museu Berlim-Karlshorst). A última assinatura foi firmada em 9 de maio, às 0h16.

A celebração da vitória em Moscou deixou uma imagem icônica da era soviética: a do marechal Gueorgui Júkov que inspecionou as tropas perfiladas do alto de um cavalo branco. Deixou também uma anedota: a de que Stalin pretendia entrar triunfalmente na praça, mas caiu do cavalo durante um ensaio e machucou o ombro. Jukov, grande herói soviético, pagou alto preço por sua vitória. O personagem que tomou Berlim foi perseguido por todos os homens fortes da Rússia. Ele era a única unanimidade política em seu país. Os líderes não perdoaram o imenso prestígio popular do militar mais condecorado da União Soviética.

O presidente Lula foi a festa errada porque em Moscou teve a companhia de nomes como Nicolas Maduro, da Venezuela, Miguel Diaz-Canel, de Cuba, Aleksandr Lukashenko, da Bieolrussia, dirigentes que desprezam a democracia e perseguem dissidentes. Confraternização de ditadores. Desde que Vladimir Putin invadiu a Crimeia, os representantes da democracia liberal enviam menos personalidades ao encontro de autocratas. A maior estrela na festa foi o presidente chinês, Xi Jiping, que tem o poder de mudar o rumo da guerra na Ucrânia. Ele, porém, está mais preocupado com seu duelo tarifário com os Estados Unidos.

Trump, aliás, não se animou a ir até Moscou. A comemoração do Dia da Vitória na Europa ocorreu, como nos anos anteriores, em Londres em 8 de maio. Representantes de todos os países aliados estavam presentes. O Brasil, não.

Glossário Silviano Santiago, organizado por Mario Cámara

Glossário Silviano Santiago

organizado por Mario Cámara

Temos a alegria de lançar hoje um novo projeto da BVPS Edições: o Glossário Silviano Santiago, organizado por Mario Cámara, professor de literatura brasileira da Universidade de Buenos Aires. Resultado de um esforço coletivo que reúne 22 verbetes assinados por pesquisadoras e pesquisadores do Brasil, Argentina, Chile e Espanha, este glossário propõe um mapeamento conceitual do pensamento de Silviano Santiago, um dos mais inventivos e influentes intelectuais brasileiros contemporâneos.

Desde os anos 1970, Silviano vem construindo um sistema de pensamento marcado pela articulação entre crítica, ficção e crônica jornalística, em diálogo permanente com as tradições culturais brasileiras, latino-americanas e ocidentais. Sua obra desafia classificações: é iconoclasta, conceitualmente ousada e em constante movimento. Inspirado no histórico Glossário de Derrida, publicado por Silviano em 1976, este novo glossário busca agora iluminar a própria obra do autor — sua vitalidade, densidade teórica e permanência como referência para a crítica cultural brasileira e latino-americana.

Os verbetes atravessam tanto sua produção ficcional quanto ensaística, incorporando temas e recorrências fundamentais como infância, infidelidade e queer, além de revisitar conceitos centrais de seu pensamento, como “entre-lugar”, “cosmopolitismo do pobre” e “inserção”, e dialogar com autores frequentados por sua crítica.

Neste post, você encontra a apresentação do Glossário Silviano Santiago, assinada por Mario Cámara. Na parte da tarde, traremos o primeiro verbete. Acompanhe, sempre às quintas-feiras pela manhã, a publicação de novos verbetes, que serão lançados em versão bilíngue, em português e espanhol.
Recebido em 10/05/2025 de: BlogBVPS <blogbvps@gmail.com>

Para conferir o post, clique aqui: https://blogbvps.com/2025/05/08/glossario-silviano-santiago-apresentacao-de-mario-camara/?fbclid=IwY2xjawKMOCxleHRuA2FlbQIxMQBicmlkETFkcTUwQTBOVUR5UktOeDNHAR5zVvR9Ul4HG6zylkx7u_iHPjPjq9UrBeN220Nvi_K7J3nnMaFXjGVEnPVkZA_aem_EjxmSE7G_UnOoYOm9Vfv_A

Apresentação
Por Mario Cámara
Quero começar esta apresentação do Glossário Silviano Santiago apropriando-me das palavras que André Botelho e Maurício Hoelz dedicaram a ele no Glossário Minas Mundo. Lá afirmam que “pensar a contribuição da crítica de Silviano Santiago não é tarefa fácil. Sua obra é original, desafiadora e vasta. Mas não só isso. Tem um sentido aberto, dialógico e está em permanente movimento”. Desejo também destacar a extraordinária compilação realizada por Ítalo Moriconi, 35 ensaios de Silviano Santiago, publicada pela Companhia das Letras, que permite reconstruir um percurso rigoroso sobre a produção crítica do nosso autor.
O verbete e a compilação funcionaram como estímulos iniciais. Nosso glossário – usarei o plural porque a tarefa foi coletiva – encontra ainda outra fonte de inspiração. Trata-se da publicação constante de dicionários e glossários dedicados a críticos e pensadores, entre os quais podemos lembrar o Dicionário Bourdieu, de Stéphane Chevalier e Christiane Chauviré, o Dicionário Deleuze, editado por Adrian Parr, ou o Dicionário Michel Foucault, organizado por Edgardo Castro, entre dezenas de outros possíveis exemplos. Embora se trate de uma prática frequente na Europa e nos Estados Unidos, há poucos exemplos na América Latina. Um deles é justamente o dicionário dedicado ao pensamento de Michel Foucault, que acabamos de mencionar; o outro é, evidentemente, o Glossário Jacques Derrida, organizado pelo próprio Silviano Santiago, publicado em 1976 pela editora Francisco Alves, traduzido para o espanhol por Raúl Rodríguez Freire e publicado na Argentina em 2015 pela editora El Hilo Rojo, sendo republicado em português em 2020 pela Papéis Selvagens.
No prefácio à edição argentina, Silviano Santiago conta que a ideia de um glossário indispensável de Jacques Derrida surgiu em 1974, ano em que retornou definitivamente ao Brasil vindo da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, onde atuava como professor no Departamento de Língua e Cultura Francesa. Foi no contexto de seus cursos na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro que aquele glossário tomou forma com a ajuda indispensável de um amplo grupo de colaboradores. Na introdução que escreve em 1976, Silviano afirma que o objetivo do glossário era contornar as dificuldades enfrentadas por quase todo leitor diante da escrita de Jacques Derrida, que define como barroca e iconoclasta. Podemos acrescentar que esse glossário não apenas contribui para esclarecer uma escrita opaca como a de Derrida, mas injeta, como um vírus, o pensamento da desconstrução no meio acadêmico brasileiro.
Nosso glossário aponta na mesma direção, embora por outros motivos. O pensamento de Silviano não é barroco, embora se mantenha iconoclasta desde o início. E, ainda que seus livros e ideias circulem no meio acadêmico brasileiro e latino-americano, a diversidade e a extensão temporal de sua produção – que ele próprio não cessa de reler, reajustar e atualizar com novos conceitos – o tornam um autor complexo. Além disso, é importante destacar que sua produção crítica integra uma obra ainda mais ampla, que abrange a ficção e a crônica jornalística. Essa espécie de anfibiologia vem se configurando como um extenso sistema, tecido por meio de diálogos e reverberações, com o objetivo de propor uma releitura das histórias e tradições culturais brasileiras, latino-americanas e ocidentais, operando efeitos performativos sobre o presente. Silviano, assim, propõe não somente a invenção de novas categorias conceituais – muitas das quais se tornaram fundamentais e amplamente utilizadas pela crítica brasileira e latino-americana –, mas também a revitalização, apropriação e rearticulação de uma maquinaria conceitual que, ao se incorporar ao seu sistema, passa a operar sob outras lógicas. Essa amplitude e complexidade nos impulsionaram a dar forma ao nosso glossário.
A origem do projeto surgiu de uma proposta que fiz a André Botelho em meados de 2024, que foi aceita com generosidade e de imediato. A partir daí, e com a colaboração indispensável de Caroline Tresoldi, começamos a pensar nos conceitos a serem abordados e elaboramos uma primeira lista curta. O objetivo sempre foi não deixar de fora a produção ficcional de Silviano, pois entendíamos que ela fazia parte do seu pensamento. O mesmo vale para alguns dos autores frequentados por sua crítica, como Mário de Andrade ou Guimarães Rosa. Desejávamos mapear conceitualmente sua produção escrita, independentemente dos gêneros, para que o glossário se transformasse em uma imagem possível do sistema Silviano. Por fim, convidamos um conjunto de colaboradores que ultrapassasse os limites do Brasil, algo que conseguimos com a participação de destacados colegas da Argentina, Chile e Espanha.
As entradas que compõem este glossário, portanto, buscam reler conceitos-chave e iluminar outros menos visitados. Entre os conceitos-chave, Wander Melo Miranda trata do conceito de “Entre-lugar”, Paloma Vidal do “Cosmopolitismo do pobre”, Maurício Hoelz desenvolve “Inserção/Formação”, enquanto somamos conceitos mais recentes, mas com destino de clássicos, como “Ferocidade”, explorado por Mary Luz Estupiñán; “Grafias de vida”, desenvolvido por Florencia Garramuño; “Forma prisão”, analisado por Diana Klinger; e “Cosmopolitismos discrepantes”, de minha autoria. São sete conceitos que compõem uma espécie de espinha dorsal do pensamento de Silviano.
Incorporamos também temas e recorrências fundamentais, como “Infância”, elaborado por Célia Pedrosa; “Infidelidade”, escrito por Raúl Rodríguez Freire; “Queer”, desenvolvido por Ítalo Moriconi; e “Alegria”, escrito por Gustavo Silveira Ribeiro. Há dois textos que se inscrevem no gênero retrato: “Impureza”, a cargo de Daniel Link, e “Silviano Santiago 1970”, assinado por Jorge Wolff. Frederico Coelho, por sua vez, examina a leitura da contracultura realizada por Silviano na entrada “Contracultura” e, como contraponto, Denilson Lopes aborda o conceito de “Pós-moderno”.
Max Hidalgo Nácher revisita Silviano a partir de Derrida e propõe a entrada “Desconstrução”. Algo semelhante faz Andre Bittencourt com “Diferença e repetição” e, a seu modo, mas resgatando um dos primeiros conceitos produzidos por Silviano, Hugo Herrera Pardo desenvolve “Semente”.
Finalmente, como já antecipamos, incluímos escritores centrais para Silviano. Assim, “Mário de Andrade” é analisado por André Botelho; “Graciliano Ramos” é trabalhado por Rodrigo Jorge; “Machado de Assis”, por Mónica Fabiola González García; e Guimarães Rosa, através da obra Grande Sertão: Veredas, por Gabriel Martins da Silva.
Este projeto coletivo, composto por 22 verbetes que serão publicados semanalmente em português e espanhol, não só presta homenagem à amplitude e profundidade do pensamento de Silviano Santiago, como também busca impulsionar novas leituras, novas interlocuções e novas possibilidades críticas a partir de sua obra, reafirmando sua importância incontestável no panorama intelectual contemporâneo do Brasil e da América Latina.
Agradeço em meu nome, em nome de André Botelho e de Caroline Tresoldi, a todos os colegas que colaboraram, com entusiasmo e dedicação, na construção deste vasto e vibrante mapa conceitual.


Sobre o autor

Mario Cámara é professor de literatura brasileira na Universidade de Buenos Aires, professor de teoria literária na Universidade Nacional de Artes e pesquisador independente no CONICET.

A farsa de Moscou e seus figurantes - Paulo Roberto Almeida

A farsa de Moscou e seus figurantes

Paulo Roberto Almeida

Lendo a lista nominal (abaixo) das personalidades presentes ao “show” montado por um criminoso de guerra para continuar enganando o seu próprio povo e, tentativamente, metade do mundo (menos as democracias liberais) sobre a fraude que representam as comemorações em torno da “grande guerra sobre o nazifascismo” (por parte de um outro fascismo, antes e agora), constato que o único que de fato possui alguma importância mundial é o líder chinês, que no atual contexto histórico escolheu fazer uma aliança circunstancial com o tirano de Moscou por conveniências de sua diplomacia prática em resposta às agitações agressivas do ainda grande Hegemon mundial que entretém o impossível projeto de deter a ascensão de um competidor real nos assuntos da política internacional.

Todos os demais, à exceção do pequeno líder regional do Brasil, não precisam sequer responder às críticas do seu próprio povo pelo fato de terem participado de uma farsa montada por um criminoso contra a humanidade (procurado pelo TPI pelo sequestro de milhares de crianças ucranianas) para dar a impressão de que possui qualquer credibilidade internacional pela monstruosa guerra de agressão contra a soberania de um país vizinho.

Lula responderá pelo seu inaceitável gesto de aceitar o convite do ditador assassino perdendo mais pontos de apoio por parte dos eleitores do Brasil que valorizam o respeito à vida de civis e sobretudo o respeito ao Direito Internacional, que ele acaba de conspurcar ao participar de uma fraude histórica e de um gesto de desrespeito à Carta da ONU que o Brasil democrático sempre acatou.

Todos os demais autocratas que foram a Moscou (com a possível exceção do representante eslovaco) não precisam se preocupar em responder a críticas dos seus próprios povos, mas o brasileiro e o eslovaco certamente pagarão o preço de sua aceitação ao convite do procurado pelo TPI por crimes imprescritíveis.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 10/05/2025


Lista de líderes mundiais que aceitaram o convite de Putin:


Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil)

Xi Jinping (China)

Nicolás Maduro (Venezuela)

Miguel Díaz-Canel (Cuba)

Mahmoud Abbas (Palestina)

Masoud Pezeshkian (Irã)

Tô Lâm (Vietnã)

Thongloun Sisoulith (Laos)

Aleksandr Lukashenko (Bielorrússia)

Aleksandar Vucic (Sérvia)

Robert Fico (Eslováquia)

Milorad Dodik (Bósnia e Herzegovina)

Nikol Pashinyan (Armênia)

Ilham Aliyev (Azerbaijão)

Kasym-Yomart Tokayev (Cazaquistão)

Sadyr Zhaparov (Quirguistão)

Shavkat Mirziyoyev (Uzbequistão)

Emomali Rahmon (Tajiquistão)

Serdar Berdimuhamedov (Turcomenistão)

Ibrahim Traoré (Burkina Faso)

Denis Sassou-Nguesso (República do Congo)

Abdelmadjid Tebboune (Argélia)

Abdul Fatah al-Sisi (Egito)


A URSS foi, a Rússia é antifascista? - Paulo Roberto de Almeida, Gustavo Bezerra

A URSS foi, a Rússia é antifascista?

É correta a comemoração de uma “vitória sobre o nazifascismo”?

Totalmente errado, como discute, abaixo, meu colega diplomata e amigo historiador Gustavo Bezerra. Antes, também alinho meus argumentos sobre essa mentira histórica:


PRA: Cabe não esquecer que a guerra só começou porque Stalin se uniu a Hitler na conquista da Polônia. E sendo muito preciso historicamente, a URSS nunca combateu o nazifascismo, inclusive porque os regimes possuíam amplas similitudes. Os 20 milhões de mortes russas nunca foram comtra o nazifascismo, e sim porque o país— não importa se bolchevique ou da democracia burguesa — foi brutalmente traído EM SUA ALIANÇA com o nazifascismo e invadido de modo devastador. Foi uma guerra de pura defesa da pátria e não ideológica. E metade das vítimas russas se deve às táticas brutais de Stalin, de avançar contra as metralhadoras nazistas sem qualquer possibilidade de recuo.

Paulo Roberto de Almeida

Brasilia, 10/05/2025


Gustavo Bezerra:

“FAKE NEWS HISTÓRICA 

A URSS NUNCA lutou contra o nazifascismo. Isso é uma mentira criada por Stálin e hoje replicada pela propaganda de Putin para justificar sua guerra de agressão imperialista contra a Ucrânia. É uma mentira deslavada, uma das maiores lorotas de todos os tempos, hoje a serviço de um ditador que repete os métodos e objetivos dos nazistas. 

A URSS não lutou contra o nazifascismo, nem contra o Terceiro Reich: lutou contra os invasores alemães. Lutou porque Hitler rasgou o pacto de não-agressão firmado com Stálin em 1939 e atacou o país em 1941. 

Não foi uma luta por democracia e liberdade, mas uma luta nacionalista, por território e poder. 

Não por acaso, a II Guerra Mundial é chamada na Rússia, até hoje, de "Grande Guerra Patriótica". Não por acaso, os países "libertados" pelas forças soviéticas viraram todos ditaduras totalitárias comunistas após a guerra (a "Cortina de Ferro"), ao contrário dos países ocidentais liberados pelos Aliados, todos democracias.

Quem lutou contra o nazifascismo, pela democracia e pela liberdade na Europa não foi Stálin e os comunistas, cúmplices de Hitler até 1941, mas sim Churchill, Roosevelt, De Gaulle. Foram os combatentes da resistência nos países ocupados pelas forças do Eixo (menos os comunistas), foram os pracinhas da FEB na Itália. Não o Exército Vermelho, não os agentes da NKVD.”

9/05/2025


sexta-feira, 9 de maio de 2025

Ary Quintella vai lançar seu livro Geografia do Tempo em Brasília, na Travessa da Casa Park - estaremos lá, eu e Carmen Lícia

Ary Quintella, colega, amigo e distinguido intelectual diplomata, deve lançar o seu livro Geografia do Tempo, no próxima dia 28/05, na Livraria Travessa da Casa Park, Brasília, DF.


O livro tem prefácio duplo, de Cora Ronai e de Gustavo Nogy:



Um trecho da nota de Gustavo Nogy aparece na primeira orelha: 


Corai Ronai tem trechos de sua apresentação na contra capa: 


Finalmente, o autor aparece modestamente na segunda orelha, o que, aliás, é o normal:



Já postei diversas crônicas de Ary Quintella, várias constantes deste livro. Esta é uma outra postagem, sobre seu ingresso no Pen Club do Brasil, capítulo do Rio de Janeiro:

https://diplomatizzando.blogspot.com/2024/06/ry-quintella-toma-posse-no-pen-club-do.html

Reproduzo uma outra crônica, esta constante do livro, que tem 32 no total, mais os agradecimentos do autor aos seus confrades das letras e das amizades:

https://diplomatizzando.blogspot.com/2019/07/morte-e-renascimento-de-uma-biblioteca.html

Todos vão se deliciar com a escrita cativante de Ary Quintella.

Mensagem do embaixador Rubens Barbosa sobre o IRICE e portal INTERESSE NACIONAL

 Caros amigos,

Neste mês de abril, em que o IRICE (Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior) completou nove anos de existência, considero importante destacar as realizações do Instituto, bem como do portal INTERESSE NACIONAL, com o qual atua de forma articulada e complementar, como se pode verificar em seus respectivos sites: www.irice.com.br  e   www.interessenacional.com.br


As duas entidades têm contribuído, cada uma a seu modo, para o debate qualificado sobre o papel do Brasil no mundo, com foco em política externa, comércio internacional, defesa e segurança nacional. Fundadas com o objetivo de ampliar a reflexão estratégica sobre o futuro do país, vêm se consolidando como espaços apartidários, comprometidos com a democracia, o interesse nacional e o desenvolvimento sustentável.


O IRICE está, neste momento, reforçando sua direção com novos e qualificados nomes, ampliando sua atuação em meio a profundas transformações no cenário internacional. Em 2026, ano em que celebraremos o décimo aniversário do Instituto e haverá eleições nacionais, o IRICE apresentará aos partidos políticos um projeto de Brasil e de inserção internacional, fruto do trabalho coletivo desenvolvido ao longo desta trajetória.


Convidamos todos os que compartilham desses objetivos a conhecer e apoiar as atividades do IRICE, conforme indicado em nosso site. 


Com os melhores cumprimentos,

Rubens Barbosa 
Presidente do IRICE

Livro: Vanessa Kimberly Valdes; Earl E. Fitz (eds.): Machado de Assis, Blackness, and the Americas - Reviewed by Kenneth David Jackson

Greetings Paulo Roberto Almeida,
A new Review has been posted in H-LatAm.

Message from a proud sponsor of H-Net:

 

O Futuro da universidade Simon Schwartzman (O Estado de São Paulo)

O Futuro da universidade

Simon Schwartzman on May 09, 2025 06:30 am

(Publicado em O Estado de São Paulo, 9 de maio de 2025)

Não deve ter sido por acaso que,  na mesma semana, fui convidado para dois seminários sobre o mesmo tema, o futuro da universidade. A primeira coisa que digo sobre isto é que “a universidade” não existe, o que existe são milhares de instituições diferentes, desde grandes universidades com pesquisa, cursos de pós-graduação e milhares de estudantes, geralmente públicas, até gigantescas empresas com centenas de milhares de estudantes em cursos à distância, passando por um sem-número de pequenas faculdades isoladas com cursos noturnos em educação, administração ou saúde. Existem as públicas, gratuitas e financiadas pelo governo federal e alguns estados, e as privadas, algumas religiosas ou de orientação comunitária, e a grande maioria com fins de lucro.  Estamos falando de que?

Mas existe também, na cabeça das pessoas, uma ideia difusa de “universidade” como um lugar para onde os jovens vão no início da vida adulta, aprofundam seus conhecimentos, vivem a cultura da juventude,  criam redes de relacionamento que vão levar para toda a vida, e adquirem uma profissão que vai lhes dar um lugar seguro e muito mais rentável do que o de seus pais, se de famílias mais pobres, ou semelhante aos deles, se de famílias mais ricas e educadas. Quando milhões de jovens, todo ano, se inscrevem no ENEM, é esta ideia que estão perseguindo, embora saibam que poucos conseguirão a nota necessária para entrar em uma carreira de prestígio em uma boa universidade. Quando, depois, muitos dos que sobraram se inscrevem em cursos  baratos à distância, onde é mais fácil conseguir um diploma, é ainda a ilusão das carreiras universitárias que perseguem, embora  a maioria acabe abandonando os cursos ou só consiga um trabalho precário e mal pago.

A incerteza sobre o futuro da universidade é a incerteza  crescente sobre esta ideia difusa, que reflete a incerteza sobre o futuro do país. Apesar das imensas desigualdades, predominava no Brasil até recentemente a sensação de que as coisas iam melhorar para todos, que amanhã seria melhor do que hoje, que a vida de nossos filhos seria melhor do que a nossa.  Esta sensação vinha da grande mobilidade econômica que social durou, com altos e baixos, até dez anos atrás, e que se interrompeu com a crise econômica e a desilusão com  governos, partidos políticos e instituições. Investir a longo prazo em uma carreira, esquentar a cadeira aprofundando conhecimentos, construir uma reputação profissional pelo trabalho sério e responsável, tudo isto perde sentido quando comparado com a fascinação do estrelismo prometido pelos meios de comunicação, o enriquecimento pela tacada de um grande negócio ou os números corretos na Mega Sena, e as certezas simples de entender disseminadas pelos influenciadores da Internet.

O que mais se ouve, conversando com professores universitários, é como os estudantes de hoje são apáticos, mal cumprem as obrigações escolares, e são muito mais ligados a suas redes de Internet do que ao que dizem seus professores. Pesquisas mostram que um terço dos jovens, no Brasil, gostariam de mudar para outro  país. Existem hoje mais de 4 milhões de brasileiros no exterior, comparado com 3 milhões dez anos atrás e menos de um milhão no ano 2000.

A incerteza, no entanto, vai além da estagnação do país e da apatia da juventude. A ideia de que as universidades, primeiro as públicas, depois as privadas, se aproximariam ao modelo tradicional, e que seriam acessíveis a todos, está cada vez mais distante, com 80% das matrículas em instituições privadas e mais da metade em cursos à distância.  Instituições públicas mal conseguem recursos para pagar salários a seus professores e manter os prédios que ocupam.  Poucas conseguem manter pesquisa e programas de pós-graduação de qualidade, e a distância entre a pesquisa brasileira e a dos países de ponta só aumenta. No setor privado, o espaço das instituições comunitárias e religiosas, criadas com a intenção de influenciar a sociedade com seus valores, vem diminuindo, na concorrência com os grandes conglomerados de ensino que dificilmente vão além de cursos empacotados nas profissões sociais mais simples e baratas de ministrar. E, com os novíssimos recursos da inteligência artificial, ninguém sabe mais o que, como e para quê ensinar.

As instituições de ensino superior, em suas diversas formas e com todas as suas dificuldades, não vão desaparecer, porque o mundo depende cada vez mais de conhecimentos e competências, e a capacitação intelectual e profissional continuará sendo a grande porta de entrada para a vida dos países, instituições e pessoas. Elas precisam, no entanto, se reinventar. Esta reinvenção passa por novos tipos e cursos e carreiras, novas formas de ensinar, novas maneiras de buscar recursos, e novos e mais relevantes temas para pesquisar. Para isto, elas contam com um recurso precioso, que é o capital intelectual de seus professores e a tradição de autonomia e audácia intelectual que muitas vezes acabaram perdendo, pelo peso da rotina, da burocracia ou dos resultados de curto prazo. É por aí que passa o futuro, se ele não trouxer mais desilusões.


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