sábado, 24 de janeiro de 2026

A burocracia do favoritismo e o fim do mérito na diplomacia brasileira - Marcos Degaut Gazeta do Povo

 A burocracia do favoritismo e o fim do mérito na diplomacia brasileira

Marcos Degaut
Gazeta do Povo, 23/01/2026
Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores: gestão deixou o mérito de lado.

Poucas instituições no Estado brasileiro cultivam aura de excelência tão persistente quanto o Ministério das Relações Exteriores. Durante décadas, o Itamaraty construiu para si a imagem de corpo técnico sofisticado, profissionalizado e imune às deformações mais comuns da burocracia nacional. Contudo, essa autoimagem tem contrastado de forma crescente com a realidade de seu funcionamento interno, em especial no que diz respeito ao sistema de promoções na carreira diplomática, sintoma de um problema bem mais profundo.

Na primeira parte deste artigo, analisarei a dimensão pontual da recente manipulação do já disfuncionalíssimo sistema de promoções do MRE. Na segunda, tratarei da necessidade de reforma da carreira, de modo a incorporar avanços organizacionais que países desenvolvidos adotaram há décadas em seus serviços diplomáticos e, assim, permitir que o Itamaraty funcione como instituição de Estado, e não como o clube de amigos no qual foi convertido pelos governos lulopetistas.

O Decreto nº 12.815, de janeiro de 2026, que institui o novo Regulamento de Promoções do MRE, não representa uma ruptura com as distorções históricas da instituição. Ao contrário: ele as aprofunda, sistematiza, consolida e legitima, ao lhes conferir verniz normativo, incorporando agora, de forma explícita, elementos da agenda identitária contemporânea a um arcabouço já profundamente marcado pelo personalismo e pela discricionariedade política, práticas infensas à moralidade administrativa.

O problema não é apenas técnico e moral. É político, institucional e estratégico, e ajuda a explicar por que o Brasil perdeu densidade, previsibilidade e relevância no cenário internacional. Trata-se, em essência, do mecanismo que define quem decide, quem ascende, quem formula, quem executa e, sobretudo, quem permanece relevante na política externa brasileira. Alterar esse sistema não é um detalhe administrativo: é intervir diretamente no DNA da diplomacia do país e perpetuar um processo de deformação institucional.

Da meritocracia imperfeita ao arbítrio estruturado
A Lei nº 11.440, de 2006, aprovada sob a condução do então chanceler Celso Amorim ainda no primeiro governo Lula, alterou substancialmente a lógica tradicional da carreira. Até então, o sistema de promoções, embora longe de ser ideal, baseava-se em tripé relativamente claro: antiguidade, interstícios mínimos e avaliação de desempenho funcional. Havia espaço para subjetividade, favoritismos e injustiças – mas também havia certa previsibilidade de carreira e limites relativamente claros à intervenção política.

Ao deslocar o eixo das promoções de critérios predominantemente objetivos para um espaço mais amplo de avaliação subjetiva, a lei abriu margem para uma ampliação inédita de discricionariedade política. Sob o discurso de flexibilizar a carreira e valorizar o “mérito”, desloca-se o centro de gravidade das promoções para critérios amplos, vagos e essencialmente interpretáveis. O conceito de mérito deixa de ser predominantemente funcional e passa a ser político.

O Decreto nº 12.815 não apenas regulamenta essa lógica, mas a radicaliza. Redefine o próprio conceito de mérito, reorganiza os pesos do julgamento e introduz critérios que não encontram respaldo no texto legal. O que era ambíguo torna-se explícito. O que era informal torna-se norma. O que dependia de relações pessoais passa a operar por meio de procedimentos aparentemente técnicos, mas controlados politicamente do início ao fim.

A Lei 11.440 fala em mérito funcional, pressupõe avaliação impessoal e não menciona identidade, representatividade ou correções estatísticas. O decreto, por sua vez, reinterpreta o mérito à luz de uma agenda política específica, transformando o processo de promoção em instrumento de política interna e reescrevendo a lei por via infralegal.

O mito da objetividade: planilhas a serviço do arbítrio
O novo sistema é apresentado como moderno e técnico. Metade da nota final decorre de pontuação funcional; a outra metade provém de avaliações da Câmara de Avaliação (20%) e da Comissão de Promoções (30%). A aparência de objetividade, no entanto, não resiste a uma análise mais atenta.

As instâncias responsáveis por 50% da pontuação subjetiva são compostas exclusivamente por ocupantes de cargos de confiança, assessores diretos do ministro e altos dirigentes politicamente escolhidos. O chanceler define as prioridades estratégicas, escolhe quem avalia, estabelece os parâmetros interpretativos e pode intervir diretamente no resultado final.

Como se mede, de forma objetiva, o “alinhamento estratégico” de um diplomata? Ora, a resposta não pode ser outra a não ser: pela proximidade com o comando político do momento

Em outras palavras, chamar esse arranjo de “avaliação colegiada” é mero exercício de retórica administrativa, pois o que existe de fato é verticalização do poder decisório – centralização hierárquica – com verniz procedimental travestido de governança.

A sofisticação do personalismo
As acusações históricas dirigidas ao Itamaraty – personalismo, favorecimento de grupos, proteção de castas familiares, punição silenciosa de dissidentes – nunca foram adequadamente enfrentadas. O novo regulamento tampouco o faz. Não houve redução da discricionariedade, e sim a complicação das etapas preliminares de avaliação que em nada vinculam a decisão sobre as promoções no contexto de uma definição objetiva de mérito.

Antes, a exclusão era tácita e pouco explicada. Agora, ela se reveste de linguagem tecnocrática e de jargão progressista: “alinhamento com prioridades estratégicas”, “geração de valor público”, “trabalho colaborativo”, “valorização da diversidade”. Conceitos amplos, vagos e essencialmente não verificáveis, que, ao invés de reduzir, ampliam o espaço para decisões arbitrárias, pois é flagrante a total ausência de definições operacionais.

Nesse contexto, como se mede, de forma objetiva, o “alinhamento estratégico” de um diplomata? Ora, a resposta não pode ser outra a não ser: pela proximidade com o comando político do momento.

O novo sistema não premia competência técnica isoladamente, nem capacidade analítica, nem produção intelectual relevante, nem experiência acumulada em áreas sensíveis. Ele premia comportamentos: adesão narrativa, prudência excessiva, autocensura, capacidade de ler o ambiente político interno. O diplomata deixa de perguntar “qual política é melhor para o Brasil?” e passa a perguntar “qual posição é mais segura para minha carreira?”.

Diversidade como engenharia de resultado
O ponto mais sensível, juridicamente frágil e institucionalmente mais corrosivo do novo Regulamento reside na introdução de mecanismos explícitos de correção identitária ex post, isto é, após a avaliação de desempenho e a atribuição de pontuações. Essa escolha altera a própria lógica do que significa ser promovido em uma carreira de Estado.

Em termos simples, o decreto permite que as listas finais de promoção não reflitam a ordem de classificação decorrente do desempenho, mas sejam ajustadas para atingir resultados considerados desejáveis sob o prisma identitário. Para isso, autoriza a inclusão de candidatos adicionais e a superação da ordem de pontuação, segundo parâmetros de “representatividade” definidos periodicamente pelo ministro.

Esse desenho institucional não corresponde ao que, tradicionalmente, se entende por ação afirmativa. Políticas afirmativas clássicas – legítimas ou não, conforme o debate – atuam no acesso (concurso), na formação ou na redução de desigualdades estruturais ao longo do percurso, criando condições para que todos disputem em bases mais equilibradas. Aqui, o mecanismo é outro: o critério não atua antes da corrida, mas no pódio.

A matriz intelectual desse modelo não é jurídica nem administrativa; é ideológica. Deriva de uma visão de mundo típica da agenda progressista identitária contemporânea, segundo a qual desigualdades de resultado são, por definição, prova de injustiça estrutural, e, portanto, devem ser corrigidas independentemente do percurso individual.

Transportada para uma carreira de Estado, essa lógica produz efeito profundamente desagregador. O desempenho concreto do servidor deixa de ser o elemento decisivo; passa a ser apenas uma variável entre outras, subordinada a um objetivo superior: ajustar a fotografia final.

Em termos práticos, isso significa que dois diplomatas podem ser avaliados de forma desigual não porque um serviu melhor ao interesse público, mas porque um deles se encaixa melhor em uma categoria estatística que a administração deseja expandir naquele momento. O mérito deixa de ser critério suficiente. Passa a ser condição necessária, mas não decisiva, e, em certos casos, sequer necessária.

Esse modelo afeta de modo particularmente severo o diplomata técnico, discreto, não militante e orientado por resultados concretos. A excelência silenciosa – aquela que se traduz em parâmetros definidos, análises sólidas, negociações bem conduzidas, conhecimento acumulado e defesa consistente do interesse nacional – torna-se invisível diante de critérios simbólicos e narrativos.

Mais grave ainda: o sistema cria incentivos perversos. Se o resultado final não depende prioritariamente do desempenho, mas de ajustes políticos e identitários, o racional passa a ser outro. O diplomata racional deixa de investir em excelência técnica e passa a investir em posicionamento, sinalização e alinhamento discursivo. O mérito funcional perde centralidade; a aderência ao espírito do tempo ganha valor. Assim, a neutralidade institucional, valor clássico do serviço público profissional, deixa de ser virtude e passa a ser risco.

Do ponto de vista jurídico-institucional, o problema é igualmente sério. O princípio constitucional da impessoalidade não exige apenas ausência de favoritismo individual; exige que critérios gerais sejam aplicados de forma previsível e verificável. Ao permitir correções discricionárias definidas semestralmente pelo ministro, o decreto amplia de maneira inédita o espaço para decisões personalizadas, ainda que justificadas por linguagem moralizante.

A agenda identitária, nesse arranjo, funciona como instrumento legitimador do arbítrio. Decisões que, em outro contexto, seriam percebidas como favoritismo ou intervenção indevida passam a ser apresentadas como “justiça social”, “inclusão” ou “correção histórica”. O conteúdo muda pouco; a narrativa muda muito.

Há ainda um efeito colateral raramente reconhecido: nem mesmo os grupos nominalmente beneficiados são fortalecidos por esse modelo. Ao promover pessoas com base em correções estatísticas, o sistema mina a legitimidade individual dos promovidos, que passam a carregar a suspeita de não terem ascendido por mérito próprio.

Em vez de inclusão real, produz-se instrumentalização simbólica. A diversidade deixa de ser consequência de um sistema justo e passa a ser objetivo administrativo a ser atingido, custe o que custar.

A “gabinetização” do Itamaraty
Ao concentrar poder decisório no topo da hierarquia, o decreto reforça um velho vício institucional: a corrida por cargos de gabinete. Por quê? Porque é ali que se constroem relações de confiança política; se ganha visibilidade junto aos avaliadores; se participa da definição das “prioridades estratégicas”.

As áreas finalísticas – divisões temáticas, departamentos técnicos, setores de análise – tornam-se periferia institucional. O trabalho substantivo da política externa passa a valer menos do que a proximidade com o centro decisório.

A criação de listas semestrais intensifica esse fenômeno, estimulando campanhas internas, intrigas e desperdício de capital humano altamente qualificado. O contribuinte financia um sistema em que diplomatas passam a dedicar tempo e energia a disputas internas de baixa relevância estratégica, em detrimento da formulação de políticas públicas. O resultado é um ministério cada vez mais cartorial, autorreferente e politizado internamente, mas paradoxalmente irrelevante externamente.

Seria um erro, contudo, atribuir ao Decreto nº 12.815 todos os males do Itamaraty. Ele é sintoma, não causa. Vítima de suas próprias fraquezas, vícios, tibieza, isolamento, comodismo e conformismo, o Itamaraty é o principal culpado pelo seu próprio esvaziamento. A instituição tem sido incapaz de se posicionar frente aos governantes e de identificar com precisão sua arena de atuação no cenário internacional, que possibilite ao Brasil detectar oportunidades para ampliar sua visibilidade e capacidade de diálogo nos grandes temas de interesse regional e mundial.

Para além da retórica oficial de reforma da governança global de alteração da geografia econômica do globo, a análise da atual política externa indica não haver identificação clara de nossos principais objetivos econômicos e políticos, tampouco a formulação de uma agenda internacional consistente e integrada. A diplomacia brasileira, que deveria traduzir nossos interesses na arena internacional, está completamente sem rumo e sem bússola.

Ao que tudo indica, pragmatismo e visão de longo prazo não mais fazem parte do repertório de nossa política externa, o qual manifesta acentuado empirismo e penosa carência de paradigmas. Adotamos apenas medidas tópicas e descoordenadas, sem perceber que um conjunto de ações dispersas não configura uma estratégia coerente. Inexistem indicadores para determinar metas, priorizar objetivos e avaliar resultados.

Isso é consequência não só de uma interpretação equivocada e ideológica da realidade internacional, mas também de uma clara inadequação institucional que fez o órgão parar no tempo. Seu desprestígio emana de sua estagnação.

Ao incorporar a agenda identitária progressista diretamente ao núcleo decisório das promoções, o MRE não se torna mais justo, moderno ou plural. Torna-se menos profissional, menos previsível e mais dependente do poder político. A promoção deixa de ser reconhecimento de excelência e passa a ser ferramenta de engenharia social e controle interno.

O mérito, que deveria ser o eixo estruturante de uma carreira de Estado, transforma-se em retórica residual – invocado nos discursos, relativizado na prática. E uma diplomacia que relativiza o mérito internamente dificilmente terá autoridade, consistência ou credibilidade para defender interesses nacionais em um sistema internacional cada vez mais competitivo e implacável.

Essas constatações não significam dizer que não existam funcionários qualificados e com vocação, o que seria uma injustiça e uma inverdade. Sim, existem. E muitos. Na maioria das vezes, entretanto, potencial e vocação são desperdiçados por uma estrutura burocrática que aprisiona, estimula o carreirismo e desincentiva o aperfeiçoamento buscado de forma individual, autônoma. Como antídoto e válvula de escape para a frustração profissional, muitos obtêm maiores êxitos se dedicando à literatura, à pintura ou a outras artes.

Somente uma profunda reforma estrutural, administrativa e de gestão de recursos humanos – só discernível em um futuro governo de corte conservador – pode salvaguardar a grandeza do Itamaraty. Seu reerguimento e valorização, com o consequente resgate da capacidade de formular uma agenda internacional pró-ativa e de articular uma grande estratégia coerente e integrada, por meio da qual possamos nos antecipar a novas circunstâncias e desafios, são fundamentais para assegurar a defesa do interesse nacional e auxiliar na missão de retomada do crescimento.

Como aduzi em artigo publicado nesta Gazeta em novembro de 2024, intitulado “Como salvar o Itamaraty das garras do lulopetismo”, os serviços diplomáticos das chancelarias mais eficientes do mundo não adotam modelo sequer vagamente próximo ao do Itamaraty, cujos competentes quadros, que perfazem um dos melhores capitais humanos disponíveis na administração pública brasileira, veem-se na contingência de se movimentar, internamente, em um ambiente de modus operandi mais similar ao de um clube de amigos que ao de uma burocracia estatal de inspiração weberiana, pois o modelo organizacional vigente é em si uma cadeia de incentivos à politicagem em detrimento do desempenho.

A defasada estrutura da carreira, contudo, serve perfeitamente ao propósito de ideologização do sistema de promoções e de remoções implementado pelas gestões lulopetistas. Como o processo de promoções não é público, não produz registros e não é informado por ferramentas formais de avaliação de desempenho, ele é um instrumento sob medida para a viabilização de favorecimentos de todo tipo, com ênfase naqueles que privilegiam laços pessoais e de afinidade ideológica.

Trata-se de uma estrutura fundamentalmente distinta de todas as demais carreiras de Estado civis, nas quais a progressão funcional ocorre com base no cumprimento de requisitos previstos em lei e regulamentados por outros atos normativos, e não a partir de preferências pessoais e de proximidade com o núcleo de poder institucional. A atual estrutura, ao não atender aos interesses nacionais e aos profissionais da ampla maioria dos diplomatas, prejudica a realização da missão constitucional do Itamaraty.

A essa luz, confio em que a reforma da carreira diplomática deverá perfazer prioridade administrativa de um futuro governo conservador cioso da importância de contar com um material humano motivado e prestigiado para a implementação de seu programa de política externa.

Sem essa reforma, continuaremos exercendo o papel de coadjuvante de luxo, aplaudindo as iniciativas de países mais arrojados, mas exercendo pouca ou nenhuma influência na elaboração das políticas globais. Que a desconstrução a que foi submetido o Itamaraty possa se converter em oportunidade para resgatar o orgulho e a dignidade da política externa brasileira.

Marcos Degaut é doutor em Segurança Internacional, pesquisador sênior na University of Central Florida (EUA), ex-secretário especial adjunto de Assuntos Estratégicos da Presidência da República e ex-secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa.

Roman Sheremeta explain how Putin lies about the Russian people in Donbas

Roman Sheremeta explain how Putin lies about the Russian people in Donbas.

It is a lie that “russian-speaking” Ukrainians want to be a part of russia.

The Kremlin has pushed a narrative that Ukraine is somehow split into a Ukrainian-speaking West and a russian-speaking East, and that people in those eastern parts should “decide for themselves” whether they want to remain part of Ukraine.

Let’s unpack why this is false on multiple levels.

1) There is no clear “russian-speaking region” with a separate identity.

The idea that Ukraine is clearly divided into Ukrainian-speaking and russian-speaking regions — and that these correspond to distinct peoples with distinct political identities — is a fabrication.

Language use in Ukraine was shaped over decades by Soviet-era policies of russification, not by some natural cultural division. Over time, russian became widely used in cities and industry due to political pressure and institutional incentives, not because people in the East suddenly became russians. Language in Ukraine has always been a gradient, not a hard border.

There is no abrupt linguistic line where one “people” ends and another begins — it’s a smooth transition from west to east that correlates with historical schooling, urbanization, and economic structures, not with an underlying “ethnic or political russian identity.”

Most importantly: speaking russian has never been equivalent to wanting to be part of russia.

2) When Ukraine became independent in 1991, people across the country overwhelmingly chose to be Ukrainian.

On December 1, 1991, Ukrainians voted in a nationwide referendum on independence. The question asked was: “Do you support the Act of Declaration of Independence of Ukraine?”

Over 90 % of those who voted said yes, affirming independence from the Soviet Union. Turnout was high — about 84 % of eligible voters participated.  

This was not just in western Ukraine — even in Donetsk and Luhansk oblasts, regions often cited by russian propaganda as “pro-russia,” the vote for independence was clear and substantial: 84% of people in Donetsk and Luhansk voted for Ukraine to be independent from russia.

Not a single region with significant populations said “no” to independence — even Crimea, the most contested region historically, voted majority for independence.  

3) There is no constitutional path for a region of Ukraine to secede by referendum.

Since independence, Ukraine’s Constitution has explicitly protected the country’s territorial integrity. It does not allow parts of Ukraine to unilaterally decide to secede, even by popular vote.

This is not unique to Ukraine — constitutions around the world generally prohibit unilateral secession to protect stable governance and rule of law. So the idea that a “referendum” in some region could legally detach that region from Ukraine is unconstitutional.

4) The so-called “95% voted to join russia” numbers are complete fabrications.

Russian propaganda often claims that “95% of people in Donetsk and Luhansk voted to join russia.” That is just a made up number.

The only votes showing such numbers were so-called referendums organized by russia in 2014 and again after 2022, conducted under occupation, without international observers, without rule of law, and often at gunpoint. These votes have no credibility or legitimacy and are fraudulent, coercive exercises used to justify territorial grabs, not genuine expressions of free will.  

So what does all this mean?

There is no natural cultural or linguistic fault line splitting Ukraine into two political nations.

The Soviet policy of russification explains why russian was widely spoken — not some inherent political division.

When given a free, fair choice in 1991, people across Ukraine — including in Donetsk and Luhansk — overwhelmingly chose to be part of an independent Ukrainian state.

Neither international law nor Ukraine’s Constitution allows parts of the country to secede just because someone calls a referendum.

The high “pro-russia” numbers peddled by Kremlin propaganda have no basis in free, unbiased democratic will.

P.S. The photo shows a Ukrainian woman voting in the russian-organized referendum on whether her Ukrainian region should join russia.

Diplomatizzando sobre Lula e os petistas, entre 2006 e 2015 - Paulo Roberto de Almeida

Airton Dirceu Lemmertz selecionou postagens minhas no Diplomatizzando sobre Lula, o PT e as aventuras petistas no poder, de 2009 até 2015. PRA

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 - No blog Diplomatizzando, relembre algumas postagens atreladas a Lula e/ou aos companheiros:


Ele era informante do governo na ditadura brasileira?

Sindicalistas pagam mercenários para engrossar manifestação por greve:

"Gabinete do ódio" da esquerda. E usando estrutura pública:

O "gabinete do ódio" ataca novamente:

Crime de Estado por quem está no Estado:

Ameaças às instituições democráticas e a seus membros:

Ele chantageou um Ministro do STF?! E as instituições democráticas reagiram?
https://diplomatizzando.blogspot.com/2012/05/frase-da-semana-falta-alguem-em.html

Simpatizantes aos quadrilheiros do Mensalão ameaçam o STF e seus ministros:

Notícias deprimentes em 2015:

Lula sabia do Mensalão, diz Mujica:

As ramificações do Petrolão:

Petrolão: a refinaria de Pasadena.

Prisão de empreiteiros:

Marolinha?

A morte da economia brasileira:

Argentina x Brasil: companheiros se entendem bem.

Desconstrução do Brasil:

Em 2006, o Brasil queria retaliar a China?

As joias da Arábia Saudita? Não, essa não foi [aparentemente] a primeira vez 'disso' em Brasília. Outro mandatário "fez algo parecido"?

O governo brasileiro ajudou a Venezuela a sufocar protestos na Bolívia?

Ditadores? Se for de esquerda, tudo bem.

A Venezuela em 2014:

Mafiosos no Brasil e em Brazil:

A 'escravidão moderna' dos médicos cubanos:

A fome em Cuba - culpa de quem: do governo americano ou do cubano?

Um livro de Paulo Roberto de Almeida:

Samuel Pessoa contra André Lara Resende: quando o dogma fala mais alto que a realidade - Marco Antônio Castello Branco (CEBRI)

A prova do pudim, como dizem os ingleses, está em comê-lo. Creio que os petistas do governo que estão a favor de André Lara Resende, contra economistas como Samuel Pessoa, deveriam colocá-lo como ministro da Fazenda e controlador do Banco Central (que deixaria de ter independência, coisa que os petistas nunca toparam). Essa seria a prova: se André Lara Resende trouxesse crescimento, com equilíbrios internos e externos, sem constrangimentos fiscais, cambiais e de endividamento público, a teoria monetária moderna, da qual Lara Resende é um devoto fiel, estaria ipso facto provada como positiva, tendo se tornado o novo paradigma. PRA

Samuel Pessoa contra André Lara Resende: quando o dogma fala mais alto que a realidade

Marco Antônio Castello Branco

site do CEBRI, 1 dezembro 2025


Leio há algum tempo as críticas de Samuel Pessoa às posições recentes de André Lara Resende sobre dívida pública, juros e política fiscal. O que me impressiona não é a discordância – saudável e necessária –, mas a insistência de Samuel em defender um modelo de mundo que já não cabe na realidade que temos diante dos olhos.

Em tese, ele se apresenta como economista “empírico”, guiado por evidências, defensor da responsabilidade fiscal e da prudência. Na prática, o que vemos é alguém preso a um conjunto de dogmas – fundos emprestáveis, metáfora da família, r>g como lei da natureza – que o impedem de enxergar o óbvio: a arquitetura monetária contemporânea não funciona como o manual dos anos 80 dizia. E o Brasil de juros estratosféricos, baixo crescimento e desemprego crônico é a prova viva disso.

A metáfora da dona de casa – e o país tratado como condomínio - O primeiro pilar do discurso de Samuel é a velha metáfora da boa dona de casa: governo responsável é o que não gasta mais do que arrecada, ou, no máximo, “um pouco mais” em tempos difíceis, para depois compensar com superávits. É a ideia de que o Estado deve se portar como uma família prudente.

André Lara Resende faz exatamente o movimento contrário: lembra algo que qualquer aluno de macroeconomia aprende no primeiro capítulo – o Estado não é uma família. Famílias e empresas são usuárias da moeda; o governo federal é emissor da moeda. Uma família pode quebrar em reais; o Tesouro Nacional, não. O limite do Estado não é “acabar o dinheiro”, é bater na parede dos recursos reais (capacidade produtiva, trabalho, tecnologia) e da restrição externa.

Samuel sabe disso no plano teórico – não é ignorância. Mesmo assim, insiste na metáfora moralizante do “não se pode viver de fiado”, como se o Tesouro fosse inquilino e não proprietário da moeda. A contradição é óbvia: ele se reivindica realista, mas parte de uma analogia que só funciona justamente se abstrairmos a realidade da emissão de moeda.

Dívida pública: passivo de um, ativo de outro - Outra cegueira útil é tratar a dívida pública como se fosse um monstro externo pairando sobre “as futuras gerações”. É a narrativa do “peso insuportável” para os jovens, do “abacaxi” que estamos passando adiante.

Lara Resende, apoiado em uma tradição que vai de Keynes a Abba Lerner e hoje aparece de forma organizada na MMT, lembra o óbvio matemático: a dívida pública é passivo do governo, mas é ativo do setor privado. Cada título emitido é riqueza financeira para algum banco, fundo, família, empresa. Quando o governo faz superávit e reduz dívida, está retirando esses ativos líquidos das mãos do setor privado.

Samuel salta por cima dessa simetria como se não existisse. Ele fala do “peso da dívida” sem se perguntar: peso para quem? Para o contribuinte futuro ou para o rentista que hoje recebe juros reais de dois dígitos? Ele fala em “justiça intergeracional”, mas não discute a brutal injustiça intrageracional de um regime que transfere renda, ano após ano, dos que vivem do trabalho para os que vivem da renda financeira alimentada por juros altos.

Na prática, sua “neutralidade técnica” escolhe um lado da distribuição – e finge que é apenas matemática.

Fundos emprestáveis: o modelo que ignora o sistema bancário - No fundo da crítica de Samuel à postura de André está a velha teoria dos fundos emprestáveis: existe um estoque de poupança “dado”; quando o governo se endivida, disputa essa poupança com o setor privado; o preço de equilíbrio dessa disputa é a taxa de juros; logo, déficits pressionam juros para cima, “expulsam” o investimento privado e derrubam o crescimento.

É uma historinha elegante, facilmente desenhável em quadro de sala de aula – e profundamente incompatível com o funcionamento de um sistema de moeda-crédito moderno.

Bancos não são cofres que emprestam uma poupança pré-existente; são criadores de moeda bancária. Quando concedem um empréstimo, criam simultaneamente um ativo (crédito) e um passivo (depósito). O banco central, por sua vez, acomoda as reservas necessárias para manter a taxa de juros na meta que ele próprio define. A taxa básica, longe de ser “apenas” o preço que resolve um equilíbrio de mercado, é uma decisão de política.

Ao ignorar essa realidade monetária – que não é polêmica, está na própria literatura do BIS e em documentos de bancos centrais –, Samuel se agarra ao dogma dos fundos emprestáveis para concluir que déficit → juros altos → menos crescimento. Se a realidade não confirma essa sequência de forma robusta, pior para a realidade.

r > g: quando uma identidade contábil vira religião - A mesma operação se repete com a famosa condição r>g. Samuel a trata como uma espécie de lei de gravidade: se a taxa de juros real for maior que o crescimento, a dívida/PIB “explodirá” a menos que o governo obtenha superávits primários por longos períodos. É a fórmula para justificar, a priori, qualquer política de austeridade.

Só que r e g não caem do céu. A taxa de juros real é, em grande medida, produto de decisões do Banco Central; o crescimento é sensível ao próprio mix de política fiscal e monetária. Manter juros reais altíssimos por anos – como fizemos – e depois usar o resultado (dívida pressionada, economia anêmica) para dizer que “não há alternativa” ao superávit é transformar uma escolha política em destino inevitável.

André, ao criticar essa lógica, não está propondo matemática alternativa. Está apenas lembrando que não se pode usar uma identidade contábil para legitimar um dogma. A equação da dívida deve ser lida à luz da realidade institucional: quem define r? como as decisões de gasto e tributação impactam g? qual é a composição da dívida? qual é a moeda em que ela está emitida?

Samuel evita essa conversa. Prefere o conforto da fórmula abstrata. É mais seguro defender que “a experiência histórica mostra” sem enfrentar os casos incômodos – Japão, EUA pós-2008, países avançados convivendo com dívidas altas, juros baixos e ausência de crises de solvência.

A realidade brasileira que ele não quer ver - Mais grave, porém, é a incompatibilidade entre o discurso de Samuel e a realidade brasileira recente. Se a equação ortodoxa fosse tão boa quanto ele sugere, o Brasil, campeão mundial de juros reais, deveria ser um caso exemplar de estabilidade, investimento produtivo e crescimento vigoroso.

Não é.

Tivemos anos de juros reais estratosféricos, metas de superávit, teto de gastos. O resultado não foi um ciclo virtuoso de confiança, investimento e produtividade. Foi um país travado: investimento público comprimido, infraestrutura depreciada, desemprego alto, serviços públicos asfixiados, e a dívida/PIB… oscilando ao sabor do ciclo, muitas vezes piorando justamente depois de choques de austeridade em recessão.

Diante desses fatos, seria natural revisar o modelo, perguntar se a dose de juros não é parte do problema, se a meta de primário não estaria mal calibrada, se o teto de gastos não era uma camisa de força pró-cíclica. Mas isso exigiria admitir que Lara Resende – e a tradição pós-keynesiana/MMT que ele ecoa – têm um ponto.

Samuel escolhe outro caminho: preserva o dogma e culpa o “desvio” político, o “populismo”, a “falta de reformas”. A realidade econômica vira sempre um acidente de percurso; o modelo, nunca.

Ideologia sob a máscara da técnica - É aí que fica mais claro o componente ideológico. Ao se recusar a incorporar a crítica de Lara Resende – crítica que aponta a natureza política da taxa de juros, a assimetria entre Estado e família, o caráter ativo da dívida para o setor privado –, Samuel não está apenas defendendo “responsabilidade fiscal”. Ele está defendendo uma hierarquia de prioridades:

  • proteção quase sagrada do rentismo (juros altos, “credibilidade de mercado”);
  • compressão estrutural do investimento público;
  • disciplina rígida do gasto social em nome de metas numéricas.

Tudo isso pode até ser defendido como programa político, desde que com nome e sobrenome. O problema é vender essa agenda como se fosse a única leitura possível da “boa ciência econômica”, enquanto se demoniza qualquer alternativa – inclusive a de Lara Resende – como “populismo fiscal” ou “economia mágica”.

Quando confrontado com a evidência de que dívidas altas não implicam automaticamente em colapso, de que juros podem ser mantidos baixos por design, de que austeridade em recessão tende a piorar a própria dívida/PIB, Samuel não reexamina as premissas. Ele reforça o catecismo: responsabilidade = superávit; seriedade = austeridade; prudência = aceitar r>g e calar.

Entre o medo e o debate honesto - No fundo, o que está em jogo é o medo de admitir que política econômica é, sim, disputa de projetos, não aplicação neutra de um algoritmo técnico. Ao desmontar a metáfora da família e recolocar o Estado como emissor da moeda, Lara Resende abre espaço para uma discussão incômoda: se o limite não é “acabar o dinheiro”, o que nos impede de investir mais em gente, infraestrutura, transição energética?

A resposta honesta teria de falar de correlação de forças, de interesses, de conflitos distributivos – inclusive o conflito entre quem recebe juros e quem paga imposto, entre quem vive de renda e quem vive de salário. É mais simples, para alguns, esconder isso atrás de equações e palavras como “credibilidade”, “regras duras”, “âncora fiscal”.

Samuel Pessoa escolhe esse caminho. André Lara Resende, com todas as controvérsias que provoca, escolheu o oposto: expor a engrenagem, nomear o dogma, reconectar a macroeconomia à realidade do dinheiro e do poder.

É por isso que, ao observar esse embate, não vejo apenas um conflito entre dois economistas. Vejo o choque entre uma visão que prefere sacrificar a realidade em nome do modelo e outra que, com todos os riscos e incertezas, tenta reconstruir o modelo a partir da realidade.

por Marco Antônio S. C. Castello Branco
26 de novembro de 2025


Artigos mencionados no debate

 


Dica de leitura : "O Brasil Ainda Pode Ser um País Rico ?", de Mailson da Nóbrega - Felipe Erlich (Revista Veja)

Dica de leitura :

O Brasil Ainda Pode Ser um País Rico ?, de Mailson da Nóbrega


Em novo livro, Maílson da Nóbrega analisa os desafios para o Brasil se tornar um país rico. Reparar os alicerces da economia, especialmente o quadro fiscal do governo, deveria estar no topo das prioridades, observa o ex-ministro da Fazenda
Por Felipe Erlich
Felipe Erlich
Veja, 24 janeiro 2026

A construção de um país é o resultado das escolhas de seus líderes e cidadãos, organizados em instituições funcionais. A trajetória de desenvolvimento — ou retrocesso — da economia não está escrita em pedra, e sempre há espaço para fazer ajustes de rota e enfrentar mazelas antes tidas como incontornáveis. Ao longo da história recente, o Brasil perdeu sucessivas oportunidades para enriquecer. Muitos fatores jogam contra o país. A baixa taxa de poupança, a insegurança jurídica, os juros altos e o protecionismo são apenas alguns dos entraves para o crescimento. Mas houve, também, muitas conquistas, entre as quais a consolidação de um Banco Central técnico e autônomo, um sistema financeiro sólido, um agronegócio protagonista e indústrias extrativas competitivas. Reparar os alicerces da economia, especialmente o quadro fiscal do governo, deveria estar no topo das prioridades para colocar o país, enfim, no clube das nações ricas.
Esse cenário está descrito em profundidade no livro O Brasil Ainda Pode Ser um País Rico?, de autoria de Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda e colunista de VEJA. A obra chega às livrarias no início de fevereiro e já está disponível em pré-venda on-line. O economista esteve à frente da pasta de 1988 a 1990 e, desde então, é um dos principais analistas econômicos do país.
Aquele período dos primeiros anos da Nova República foi marcado pela promessa de um Brasil próspero e socialmente justo, uma ambição impulsionada pela Constituição recém-promulgada. Ao longo das décadas seguintes, Maílson, hoje com 83 anos, presenciou governos de diferentes matizes políticos, com seus avanços e declínios, mas em todos identificou uma dificuldade em comum: promover ganhos de produtividade, “o principal fator de geração de riqueza de um país”.
Para compreender o impacto econômico dos fatos que marcaram a história recente do Brasil, como o Plano Real, as três vitórias eleitorais de Luiz Inácio Lula da Silva, a recessão da era Dilma Rousseff e as reformas promovidas por Michel Temer, o ex-ministro da Fazenda recorre primeiro a uma análise histórica do que os países devem ou não fazer ao buscar o desenvolvimento.
Da criação de instituições liberais resultantes da Revolução Gloriosa de 1688, na Inglaterra, até as reformas promovidas por Deng Xiaoping na China do século XX, a explanação de Maílson não poupa o leitor da erudição necessária para responder às grandes perguntas que ajudam a colocar em perspectiva também a realidade brasileira.
Para o autor, a história econômica mundial mostra uma clara trajetória de progresso. A garantia de direitos e deveres essenciais ao capitalismo, como a propriedade privada e o cumprimento de contratos, e as revoluções tecnológicas propiciaram aumento na produtividade. O que aguarda o Brasil no médio prazo, contudo, vai na direção contrária do enriquecimento. Segundo Maílson, a dinâmica político-econômica inaugurada em 1988 pode produzir, nos próximos anos, uma crise inédita, caracterizada por um arrocho puramente fiscal, em que o governo não terá dinheiro para despesas básicas, com o orçamento comprimido por despesas obrigatórias.
A análise do ex-ministro da Fazenda aponta para os dois lados do colapso iminente das contas públicas: ele pode “desaguar em uma crise financeira de graves repercussões para a economia brasileira”, mas “tende a criar o ambiente para um promissor ciclo de reformas estruturais”. A história mostra que o Brasil costuma aprender com a dor. Foi assim no período do Plano Real, quando a sociedade não podia mais suportar a inflação e encontrou uma saída.
Assim como ocorreu no passado, o país depende de lideranças para conseguir capitalizar a crise e lidar de frente com suas fragilidades. Apesar das previsões negativas no médio prazo, Maílson deposita esperança na capacidade de o Brasil aprender com seus erros.
Na avaliação de Maílson da Nóbrega, a economia brasileira não vai bem e é praticamente certo que o país vai enfrentar uma grave crise fiscal no médio prazo. Apesar disso, o ex-ministro da Fazenda não acredita que a questão fiscal vai pautar a eleição deste ano.

O BRASIL AINDA PODE SER UM PAÍS RICO?, de Maílson da Nóbrega
(Editora Matrix), 373 págs., R$ 99 e R$ 69 em e-book)

Qual será o impacto do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, assinado neste mês?
É o mais importante acordo de comércio da história mundial. A extensão e a abrangência de normas são inéditas. Ele representaria um passo gigantesco para o enriquecimento do Brasil, ajudando a superar o desafio do aumento de produtividade.

O senhor costuma dizer que o Judiciário brasileiro é um freio para a economia. Por quê?
Os juízes brasileiros não são preparados para entender o impacto de suas decisões na economia. Fico feliz em ver a disciplina análise econômica do direito sendo introduzida em faculdades. Não existe capitalismo sem Judiciário.

Seu livro cita o Banco Central e a solidez do sistema financeiro como alguns dos principais ativos do Brasil. Como isso se relaciona com o caso do Banco Master?
A liquidação do Master é prova dessa solidez. Trata-se, provavelmente, do caso mais barulhento da história, mas não gerou dano relevante ao sistema. Tudo continua funcionando. Mas crises deixam lições: acredito que veremos uma reformulação do Fundo Garantidor de Créditos, que perdeu bilhões com esse escândalo.

A inteligência artificial pode ter um papel no desenvolvimento do país?
Essa tecnologia é transformadora e vai enriquecer a sociedade, a despeito de haver uma bolha no mercado. Cada país terá que aproveitar as oportunidades criadas pela IA para não ficar para trás. É o que cabe ao Brasil.

A armadilha da renda média é um desafio enfrentado pelo Brasil há décadas. O que há de diferente hoje?

A economia brasileira está doente. Os fundamentos básicos para o desenvolvimento passam por uma crise. É o caso do regime fiscal, do endividamento e da produtividade. São problemas urgentes, por isso fiz questão de lançar o livro neste ano em que o futuro do país está em foco.

Como esse debate deve aparecer nas eleições?
Não tenho ilusão de que o ajuste fiscal vai constar nas campanhas eleitorais. Seria ingenuidade minha. O candidato que defender o fim de vinculações da saúde e da educação ou uma nova reforma da Previdência vai perder a eleição.

Como vai ficar o Brasil a partir de 2027?
Lula poderia sair da Presidência no auge, como um Pelé, mas hoje ele é favorito à reeleição e tomaria posse com as condições fiscais no limite extremo. É aritmética: a alta dos gastos obrigatórios vai levar o país a uma grande crise fiscal, e o governo pode acelerá-la. Além disso, desde o primeiro Orçamento da República, em 1989, deputados tentam inflar emendas deturpando a estimativa de receita.


The Great Rebalancing: Why Everything Feels Like It's Breaking—and Why That's the Point - Nicola Calicchio (X)

 “The Great Rebalancing: Why Everything Feels Like It's Breaking—and Why That's the Point.”

Nicola Calicchio

The Long View, on X

"You can ignore reality, but you cannot ignore the consequences of ignoring reality." Ayn Rand

This isn’t collapse. It’s correction. The post-Cold War model—cheap labor, endless credit, hollowed industry, low defense, and high-margin illusions—was always brittle. It’s only now being recognized as unsustainable.

The system buckled under its own contradictions: surging debt, industrial decline, military neglect, energy dependence, unchecked migration, domestic fragmentation, and deep reliance on geopolitical adversaries. These aren’t isolated crises—they’re the recoil from a design that optimized for efficiency and ignored resilience.

This recalibration touches nearly every domain: supply chains hardened against disruption, defense commitments finally honored, energy dependencies unwound, migration pressures finally acknowledged, and a domestic reckoning with inequality long ignored. These are not isolated crises; they are symptoms of the same system aging out of its illusions.

The Great Rebalancing is not a return to nationalism or the end of globalization. It is its maturation—an effort to align values with resilience and strategy with sustainability. What comes next may be messier and slower, but it will be more honest. And it may, in time, prove more stable.

I. From Cheap Goods to Expensive Truth

For thirty years, Western leaders sold a singular narrative: globalization was inevitable, growth was constant, and efficiency was the highest good. When jobs moved overseas, they pointed to lower prices. When manufacturing vanished, they promised retraining. When debt ballooned, they called it investment.

And for a time, the illusion held. The fall of the Soviet Union and the economic liberalization of China created a one-time shock to the global labor market. Hundreds of millions of workers—previously outside the capitalist system—entered the global supply chain almost overnight. When China joined the WTO in 2001, it turbocharged a race to the bottom in wages and labor standards. Western consumers got cheaper goods; Western workers got pink slips. It was a bargain few voted for, and even fewer understood at the time. China’s WTO accession, cheap energy from Russia, and a demographic dividend kept the gears turning. But it was borrowed momentum—and now the momentum has run out.

A $20 trillion debt binge in the U.S., capped by $5 trillion in COVID stimulus, kept the illusion alive a bit longer. Markets soared. Wages stagnated. The disconnect between headline prosperity and lived experience grew so vast that when the correction began, many mistook it for collapse. In truth, it was reality finally catching up.

II. The Six Cracks in the Foundation

1. Trade, Debt, and the Hollow Middle

"We overdid globalization. We assumed markets could solve every strategic problem." Larry Summers, former Treasury Secretary (2022)

The U.S. economy evolved toward consumption, importing goods and exporting debt. Trade deficits averaged 4–5% of GDP for two decades. Fiscal deficits ballooned. Meanwhile, the middle class—once the ballast of the system—began to unravel.

Real wages flatlined. Manufacturing employment dropped from 19 million in 1980 to under 13 million by 2020. The wealthiest 10% now own more than two-thirds of all household net worth, while half of Americans can’t cover a $500 emergency.

Inequality doesn’t just erode trust—it weakens demand, depresses productivity, and destabilizes democracies. A consumption-based economy cannot thrive when the middle class is living month to month. Economic inequality is not a byproduct.

What made this erosion even more galling for many Americans wasn’t just offshoring. It was being told to accept it with gratitude—only to then face layoffs, stagnation, and, in the final insult, be passed over in their own country by less qualified candidates in the name of Diversity, Equity, and Inclusion. Losing a job to someone overseas willing to work for pennies was a tough pill. Being told you weren’t the right demographic for a job you were qualified for felt like betrayal. For many, DEI wasn’t just policy—it was the final straw. It is the system’s most enduring feature—and failure.

2. Defense and Strategic Dependence

"We must reduce our dependencies—not just on energy, but on all strategic materials. Europe must recover sovereignty." Emmanuel Macron, French President (2023)

Europe enjoyed a peace dividend while the U.S. bore the cost of NATO. By 2014, only three countries met the 2% defense spending target. Then came Crimea. Then came Ukraine. Germany, long allergic to military spending, reversed course—first with a €100 billion rearmament fund, then with a sweeping €1 trillion modernization plan.

What pundits called diplomatic failure—a contentious Trump-Zelensky press conference—delivered what decades of quiet diplomacy did not: European burden-sharing. The optics were ugly. The outcome was exactly what Trump wanted.

3. Energy: Naivety Meets Necessity

Germany’s decision to shutter its nuclear plants and deepen reliance on Russian gas was a masterclass in contradiction. By 2020, over half of its gas came from Russia. Then came war, and with it, crisis. Prices soared. Factories faltered. The scramble to LNG, reconsideration of nuclear, and pivot to renewables exposed a dangerous truth: Europe’s energy policy had confused aspiration for strategy.

The climate transition remains vital, but it must be built on geopolitical realism. No serious decarbonization effort can afford to be this brittle.

4. Supply Chains and the China Reckoning

"We've been naïve. China is weaponizing economic interdependence." Gina Raimondo, U.S. Commerce Secretary under President Biden (2023)

The pandemic was not just a public health emergency—it was an X-ray of systemic fragility. Essential goods vanished. Just-in-time became just-too-late. The world rediscovered that efficiency without slack is fragility by design.

But the weaknesses in global supply chains weren’t just economic—they were geopolitical. At the center of the world’s production model sat China, a state increasingly willing to use its economic power as leverage. China engaged in massive intellectual property theft, forced technology transfers, cyberattacks on U.S. infrastructure, and aggressive surveillance programs. It embedded spy chips in American hardware, launched surveillance balloons over U.S. territory, and expanded its naval footprint across the South China Sea.

These weren’t isolated incidents. They were systemic signals. And for decades, U.S. policy largely overlooked them—treating the relationship with China as a matter of market access rather than national resilience. By the 2020s, that illusion had collapsed.

Now, reshoring and friend-shoring define corporate strategy. Governments are backing domestic production in semiconductors, medicine, rare earths, and defense inputs. What began as cost optimization is ending in strategic reconstitution—driven not only by efficiency but by the recognition that national security and industrial autonomy are inseparable.

5. Migration Pressures and Cultural Strain

Mass migration defined the 21st century’s opening decades—driven by war, economics, and demographic imbalances. The U.S. saw over 20 million new arrivals between 2000 and 2024. Europe absorbed more than 30 million migrants over the same span.

In places like Sweden, foreign-born populations now exceed 20%. In the U.S., the foreign-born share is near a century-high. Initial optimism has given way to strain: on housing, integration systems, and public trust. Migration, once framed in purely economic terms, has become a litmus test for national identity and democratic stability.

6. DEI and the Turn Inward

"Equity used to mean fairness. Now it means 'we discriminate the other way.'" Bill Maher (2022)

If globalization outsourced jobs abroad, Diversity, Equity, and Inclusion (DEI) reframed competition at home. For many workers, especially those displaced by trade or automation, DEI policies felt like a second wave of dispossession—this time not by corporations chasing cheap labor, but by institutions prioritizing identity over merit.

Programs that had once focused on opportunity morphed into mandates that many viewed as arbitrary quotas. Layoffs were followed by workshops. Training sessions replaced raises. People already struggling to stay afloat were told that their experience was less relevant than their demographic profile.

The backlash was not merely political—it was personal. A system that had already asked them to accept industrial decline and wage stagnation was now telling them they were privileged and expendable. For many, this shift did not feel like progress. It felt like erasure.

What DEI revealed, in stark terms, was how deeply fractured the social compact had become—not just between classes or regions, but within workplaces, schools, and communities themselves. It marked a transition from outsourcing to internal conflict—from global dilution to domestic fragmentation.

7. The Interest Reckoning

“The first step toward wisdom is calling things by their proper names.”

 —Confucius

The U.S. national debt has surpassed $34 trillion (125% of GDP). Annual interest payments alone now exceed $1 trillion—more than the entire defense budget. And with current rates above 4%, those costs are only accelerating. This isn’t a temporary spike. It’s the compounding result of decades of fiscal neglect and politically expedient promises.

Unfunded liabilities—Social Security, Medicare, and Medicaid—add another layer of instability, with long-term obligations estimated at over $100 trillion. These programs, once sustainable, are now demographic time bombs. The math doesn’t work, and everyone knows it.

Even if interest rates fall from current levels, the damage is already baked in. The average interest rate on existing federal debt remains below 3%, meaning that as older bonds roll off, interest expenses will climb further—even in a declining rate environment. This path is now locked in. What comes next is either discipline—or crisis.

III. When the Wrong Man Got It Right

"The people have not revolted. They’ve been ignored." Peggy Noonan

For decades, Western leaders told their populations what they needed—more openness, more trade, more tolerance for disruption—while ignoring what people were actually saying: that jobs were disappearing, communities were unraveling, futures were growing less secure. The numbers looked good. The reality didn’t. When voters pushed back, they were told they didn’t understand economics. When they said they didn't recognize their communities anymore, they were called xenophobic, or worse, racist.

Trump was their response. Not because he listened carefully—he didn’t—but because he at least acknowledged the grievances others had dismissed. He wasn’t subtle, and he wasn’t surgical, but he aimed squarely at the broken parts of the system. And whether through jokes, provocation, or sheer force of will, he moved things that had long refused to budge.

Critics called it chaos. But step back, and the pattern emerges: Trump, in his bombastic and often polarizing way, pushed directly on each fault line.

“There are decades where nothing happens, and weeks where decades happen.”

Vladimir Lenin

The speed of disruption caught many off guard. Popular media has misinterpreted much of it—because they were still trying to fit new outcomes into old frameworks. There is a lot to discuss. Popular media has largely misinterpreted a good bit of what has happened.

On defense, the infamous Trump-Zelensky press conference was cast as a diplomatic disaster. Yet within weeks, Germany passed a €1 trillion defense and infrastructure package—the most significant military investment in Europe in generations and precisely the kind of burden-sharing Trump had demanded for years.

On migration, Trump took executive action, deployed over 10,000 troops to the border, and effectively slowed illegal entry to the lowest level in years. He also negotiated directly with Mexico, leveraging tariff threats to secure unprecedented cooperation. Within days, Mexico deployed over 15,000 troops to its southern border and agreed to hold asylum seekers under the 'Remain in Mexico' policy—a significant shift in regional enforcement that helped blunt cross-border flows. By contrast, the Biden administration oversaw more than 2 million border encounters annually and, in some cases, flew in over 300,000 migrants via parole programs, bypassing traditional immigration channels.

On great power competition, Trump aimed to decouple from China economically while preventing a full strategic alliance between Beijing and Moscow. Under Biden, that separation collapsed—culminating in a growing axis between China and Russia (though he did keep pressure on China banning everything from chips to TikTok). While Trump's overtures to Russia drew criticism, they reflected a clear strategic priority: keep America’s top adversaries from forming a unified bloc.

Critics often missed the point on Chinese tariffs. This wasn’t about trade policy. Trump saw China not just as a competitor but as a geopolitical adversary. The tariffs, export controls, and industrial reshoring weren’t separate efforts; they were part of a broader strategy to reduce leverage and reassert autonomy. They were not economic tweaks—they were political signals, designed to realign strategic relationships and re-anchor national sovereignty.

On tariffs broadly, the goal isn’t just protection—it’s revenue. As Scott Bessent has noted, a well-structured tariff regime could generate $300–600 billion annually—roughly 1–2% of GDP. That alone wouldn’t close a 6% deficit, but it would be a meaningful down payment. It’s unconventional, yes. But in a system addicted to debt and allergic to discipline, it may be worth the experiment—especially if paired with broader spending restraint and tax reform. Achieving that kind of revenue would likely require an average tariff of 10–20% on total imports—lower for allies like Mexico and Canada, moderate for most trading partners, and sharply higher for strategic rivals like China.

Some of Trump’s most unconventional gestures—talks of buying Greenland, pressuring Panama over the Canal, and renaming the Gulf of Mexico—were mocked as absurd. But each pointed to a larger strategic message: the U.S. must reassert control over its hemisphere. Melting Arctic routes will become vital shipping lanes. China’s presence in Panama is a geopolitical liability. And the Americas, in Trump’s view, should remain a U.S. sphere of influence—not an open field for rivals.

On trade and industrial policy, Trump was mocked for demanding the return of American manufacturing—but that’s exactly what Biden’s Inflation Reduction Act and CHIPS Act have attempted to deliver. Tariffs that were initially derided as economic folly generated billions in revenue and signaled that American industrial decline was not a law of nature. What began as populist disruption has become bipartisan industrial strategy: both parties now converge on the idea that globalization’s costs need to be managed, not ignored. The rhetoric differs. The policy outcomes, less so.

On DEI and cultural fragmentation, Trump moved beyond rhetoric. He ended Obama-era diversity training programs in federal agencies, barred transgender individuals from military service, and slashed USAID funding for international gender and identity initiatives. His administration promoted merit-based hiring and reframed federal policy around neutrality over identity. While critics saw these as regressive, they resonated with voters who felt sidelined by institutional overcorrection. It wasn’t just culture war. It was policy.

This wasn’t 4D chess. But people forget—Trump is playing a game, and he has a plan. His delivery is intentionally provocative because it forces engagement. No one is reading a 40-page CFR white paper. But an inflammatory tweet? That dominates the national conversation for days. In a fractured media ecosystem, disruption is the message.

And so the question becomes: can disruption yield direction?

IV. Where Do We Go From Here

“No society ever thrives because it had a visionary plan. It thrives because it corrected its mistakes.”

 —David Brooks

Trump’s economic agenda isn't just about tariffs. It emphasized energy independence, domestic manufacturing, deregulation, meritocracy, and tax reform—all aimed at reshaping the underlying conditions that hollowed out the middle class. While critics debated his delivery, the through-line was unmistakable: put the western world on a more sustainable path.

The Great Rebalancing is not reactionary. It is corrective. It is what happens when the scaffolding of denial collapses. Debt has limits. Dependence has costs. A system built on abstraction must eventually account for the physical, social, and strategic realities it ignored.

This is not a rejection of global integration. It is a shift toward global realism. Supply chains will still stretch across borders—but they will be shorter, more redundant, and politically aligned. Alliances will persist—but the costs will be shared. Economies will still pursue growth—but not at the expense of durability or legitimacy.

If the 1990s promised a frictionless world, the 2020s are delivering its reckoning. What comes next will be slower, more complicated, and demand harder choices. People won’t like it. And politicians will likely delay—because the very actions required to fix the system are the ones that lose elections.

Ultimately, this isn’t collapse. It’s correction. And we’re only just getting started.

Ateliê de Humanidades: Guerra ou Paz? - André Magnelli, Paulo Roberto de Almeida

 Ateliê de Humanidades: Guerra ou Paz?

No início de dezembro tivemos o quarto e último encontro do Ciclo de Humanidades 2025, "Guerra ou paz!?". Tratamos do tema A paz como projeto e potência, com a presença de Paulo Roberto de Almeida (autor de Vidas paralelas: Rubens Ricupero e Celso Lafer nas relações internacionais do Brasil, do Ateliê de Humanidades) e André Magnelli.

1610. “A Paz como Projeto e Potência”, Brasília, 8 dezembro 2025, 1 p. Nota para o 4º seminário do Ciclo de debates do Ateliê de Humanidades, sobre “Paz como projeto e potência”, com André Magnelli. Evento realizado em 18 de dezembro de 2025 (link: https://youtu.be/g2xfS4cngpI ; intervenções PRA a partir de 20:52 até 43:40, novamente de 55:23 a 1:10:19, e finalmente, de 1:20:54 a 1:32:18; encerramento de 1:34:29 a 1:41:12. Principal texto de referência para este evento: “Uma paz não-kantiana? Sobre a paz e a guerra no contexto da globalização” (Originais n. 1910 in: Revista Brasileira de Estudos Estratégicos (Niterói: Universidade Federal Fluminense, Núcleo de Estudos Estratégicos (ano 1, n. 1, março 2009, p. 74-87; ISSN: 1984-5642; link: http://www.rest.uff.br/index.php/rest/article/view/165); publicados n. 896). Disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/145681415/1910_Uma_paz_nao_kantiana_Sobre_a_paz_e_a_guerra_no_contexto_da_globalizacao

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Uma nota sobre mais uma violação do Direito Internacional pelos EUA, ao atacar o Irã, que seguiu a da Rússia contra a Ucrânia...