quarta-feira, 23 de março de 2022

A derrota da China na guerra da Ucrânia - Mario Sabino (Antagonista)

Mario Sabino, excelente jornalista,  embora não sinologista ao que se saiba, faz uma excelente matéria sobre como fica a situação da China, e de Xi Jinping, a partir do atoleiro de Putin na Ucrânia.

A derrota da China na guerra da Ucrânia

Ao aliar-se a Vladimir Putin, Xi Jinping demoliu a estratégia de "multilateralismo" e o conflito na Europa deverá causar danos à economia chinesa, caso se prolongue

China também perdeu a guerra na Ucrânia. O acordo de “parceria privilegiada” que Xi Jinping assinou com Vladimir Putin (foto), no início de fevereiro, ultrapassa o aspecto comercial, como ficou evidente depois da agressão de Moscou Kiev. É um pacto com entrelinhas militares. A China apoia a Rússia nas suas pretensões territoriais no leste da Europa; a Rússia apoia a China numa eventual invasão de Taiwan. Tudo sob o manto do “multilateralismo”, que é como Xi Jinping e Vladimir Putin chamam o objetivo de enfraquecer a influência dos Estados Unidos e expandir os seus tentáculos no mundo.

Vladimir Putin vendeu a Xi Jinping a ideia de que a invasão da Ucrânia seria um passeio. Que ele ocuparia rapidamente o país vizinho, por meio de uma blitzkrieg, e que, em certas regiões ucranianas, as suas tropas seriam até mesmo recebidas como “libertadoras” de um povo oprimido por um regime “nazista”, cujo presidente, Volodymyr Zelensky, contava com baixíssima popularidade. Vladimir Putin mostraria a Xi Jinping, principalmente, que, assim como ocorreu em 2014, com a invasão da Crimeia, o Ocidente esbravejaria um pouco, mas não abriria mão dos seus interesses comerciais para defender a Ucrânia — e que, da mesma forma, permaneceria inerte se a China se arriscasse em Taiwan. O erro de cálculo foi gigantesco. O exército russo se revela incompetente para avançar sobre as linhas adversárias, a resistência da Ucrânia é não menos do que heróica, além de estrategicamente brilhante, e mesmo entre os ucranianos de língua russa, os invasores estão sendo vistos como o que realmente são: um bando de criminosos fardados que aterroriza a população civil. Quanto a Volodymyr Zelenskygraças à sua coragem e à sua capacidade de comunicação, para além da sua esperteza, ele tem hoje a admiração e a confiança de praticamente a unanimidade dos seus compatriotas e se tornou referência internacional. Por último, o Ocidente, que demorou a mostrar os dentes para Vladimir Putin, já demonstrou que não se comportará como em 2014.

A política da China para aumentar a sua influência planetária vinha sendo feita por meio de investimentos de infraestrutura no Terceiro Mundo, em especial na África, e pelo estreitamento de parcerias comerciais com os países democráticos da Europa, por meio do estabelecimento da chamada “rota da seda”. Tais iniciativas, sim, vinham incomodando os Estados Unidos, porque diversos países, independentemente do regime, começaram a ver na China, a outra superpotência econômica, dona de um mercado consumidor infinito, um polo de atração que contrabalançaria a dependência dos americanos. Em razão das vantagens oferecidas pelos chineses, esses mesmos países fecharam os olhos para os abusos do totalitarismo chinês, considerado uma peculiaridade impossível de ser exportada.

guerra na Ucrânia mudou tudo. Como confiar numa potência que firmou um pacto com a Rússia, para chancelar uma agressão militar de contornos imperialistas, e que ajuda a difundir fake news vergonhosas, como a de que os Estados Unidos se associaram à Ucrânia para desenvolver armas biológicas? E isso, enfatize-se, depois de toda a falta de transparência de Pequim na investigação promovida pela OMS, para tentar descobrir a origem do vírus da Covid-19. Como lembrou o francês Phillipe Le Corre, especialista em China e Hong Kong, o então secretário de estado adjunto americano Robert Zoellick lançou a seguinte interrogação, em 2005: “A China poderia se tornar um ator responsável na cena mundial?” A julgar pela atuação na guerra da Ucrânia, a resposta é não.

A irresponsabilidade da China demoliu o seu “multilateralismo” e, no plano imediato, deverá causar prejuízos à sua economia, se a agressão à Ucrânia se prolongar. A alta do preço do petróleo e a escassez de alimentos que se avizinha, frutos diretos do conflito, têm o potencial de afetar duramente muitos países que importam produtos chineses. Tudo bastante inteligente, como se vê, inclusive a parceria privilegiada comercial com a Rússia, em detrimento do estreitamento dos laços que estreitava com a União Europeia. Xi Jinping hoje morde e assopra quando o assunto é a guerra na Ucrânia, porque não sabe o que fazer. Perdeu, juntamente com Vladimir Putin.


A Diplomacia em um Mundo em Transformação - e-book de Paulo Fernando Pinheiro Machado - disponível na Amazon

 Centelhas de Tempestade: a Diplomacia em um Mundo em Transformação


 Esta obra oferece uma reflexão prática a respeito do atual sistema internacional e do papel do Brasil nele, a partir da experiência profissional, como diplomata e como advogado, do autor Paulo Fernando Pinheiro Machado. São apresentadas análises sobre os elementos mais profundos do sistema internacional, de caráter estrutural, dos quais depende a articulação do próprio sistema, e cuja configuração baliza a negociação dos temas da agenda internacional, que se dá sobre o pano de fundo desse sistema. A preocupação deste livro está nos elementos de longo prazo da vida internacional, seja no aspecto instrumental, diplomático, seja no aspecto de configuração de possibilidades econômico-financeiras, geopolíticas e/ou tecnológicas. 
Verificam-se quatro principais forças que estão desintegrando o atual sistema internacional e moldando o novo sistema ainda em formação, que irá substituí-lo. Essas quatro forças são a pandemia de Covid-19, a Segunda Guerra Fria, a desigualdade estrutural e as novas tecnologias. Dessa forma, esta obra proporciona uma visão geral sobre os processos estruturais pelos quais está passando o sistema internacional contemporâneo.
Recomendo vivamente.
Paulo Fernando já é o autor deste livro, que tive o privilégio de prefaciar: 
  • Publisher ‏ : ‎ Chiado Books (January 1, 2022)
  • Language ‏ : ‎ Portuguese
  • ISBN-10 ‏ : ‎ 989372189X
  • ISBN-13 ‏ : ‎ 978-9893721896

Vejam o sumário deste livro e trechos de meu prefácio neste link: 

terça-feira, 22 de março de 2022

Brasil mostra sua total indiferença ao drama da Ucrânia - Chanceler diz que não cabe ao Brasil "encontrar um culpado" - VERGONHA!

 Brasil continua DO OUTRO LADO DO MUNDO. Coloca seu conforto pessoal acima dos grandes princípios da política externa e dos valores que sempre impulsionaram a sua diplomacia. Se isso não é COVARDIA, no mínimo é INDIFERENÇA!

Paulo Roberto de Almeida

Sanções à Rússia trazem conflito para nível global, diz chanceler brasileiro
Carlos França critica bloqueios e diz não ser papel do Brasil "encontrar um culpado"
Da Redação, com Rádio Bandeirantes
22/03/2022 • 11:28 - Atualizado em 22/03/2022 • 11:55

O ministro das Relações Exteriores, Carlos França, afirmou nesta terça-feira (21) que está preocupado com as consequências comerciais da guerra entre Rússia e Ucrânia.
França disse que a produção de alimentos pode ser prejudicada. Em entrevista à rádio Bandeirantes, o chanceler também indicou ser contra novas sanções contra a Rússia, da forma como elas vem sendo adotadas.
Os novos bloqueios comerciais à Rússia serão discutidos em encontro entre representantes dos Estados Unidos e da União Europeia, marcado para esta quinta-feira (24), na Bélgica:
“Entendo as sanções neste momento. No entanto, trouxeram para nível global um conflito que era regional. Temo que sendo unilaterais, as sanções prejudiquem ou possam ferir de morte o sistema unilateral. Acho que essas sanções ficariam mais bem colocadas se fossem discutidas no seio da Organização Mundial do Comércio, da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), ouvindo outras vozes, reforçando o sistema multilateral, para encontrar uma solução para o conflito e não apenas uma sanção que pode causar consequências danosas para todo o mundo”, diz.
"Não é papel do Brasil encontrar um culpado"
Carlos França afirmou que não é papel do Brasil "encontrar um culpado" no conflito entre Rússia e Ucrânia. Em entrevista ao Jornal Gente, da rádio Bandeirantes, o ministro disse que a posição do País é de "equilíbrio", que deve “ouvir os dois lados”. Também defendeu "respeito à integridade territorial" e "imediato cessar fogo" para uma "solução pacífica".
“Uma posição de equilíbrio, que busca apontar uma saída. Nós não queremos encontrar um culpado. Nós entendemos que o mandato no Conselho de Segurança é garantir a paz e segurança mundiais. Nesse sentido, nossa posição é de buscar o imediato cessar-fogo, a defesa dos princípios do Direito Internacional, a solução pacífica de controvérsias, o respeito da integridade territorial de todos os Estados e isso envolve, claro, a Ucrânia”, disse.
Para a guerra acabar, Carlos França sugere confiança na diplomacia.
“Estive recentemente na Polônia, falei com chanceler polonês, com o assessor especial do presidente da República para Assuntos Internacionais, estive em Portugal para reunião com o presidente Marcelo de Souza. Na véspera, tive reunião com o primeiro-ministro (da Hungria) Viktor Orbán. Tenho ouvido embaixadores de países importantes como Índia e China. E, sim, acredito na diplomacia. Uma diplomacia competente e bem feita é seguramente a saída para esse conflito”, pontua.



Ucrânia veta ex-militares do Brasil e diz ser por causa de Bolsonaro - Herculano Barreto Filho (UOL)

 Brasil atual é visto como aliado objetivo da Rússia:


Ucrânia veta ex-militares do Brasil e diz ser por causa de Bolsonaro
Herculano Barreto Filho
Do UOL, em São Paulo
21/03/2022 16h11

Ex-militares dispostos a se alistar dizem que a Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia está descartando o recrutamento de brasileiros devido ao posicionamento de Jair Bolsonaro (PL) em relação ao conflito. O UOL teve acesso ao áudio da declaração, atribuída ao representante da unidade de combatentes estrangeiros, que relacionou a recusa, no último sábado (19), à postura do presidente brasileiro.

Dois brasileiros que tentavam o alistamento ouvidos pela reportagem atribuem o veto ao silêncio de Bolsonaro após Sergei Lavrov, ministro de Relações Exteriores da Rússia, incluir o Brasil na lista de países que "não dançarão ao som dos Estados Unidos".

Bolsonaro tem evitado criticar a Rússia. Antes da invasão, ele visitou o presidente russo Vladimir Putin e expressou solidariedade ao país, que já fazia ações militares na fronteira com a Ucrânia. Após a deflagração da guerra, porém, o governo do Brasil votou a favor da resolução da ONU que condena o ataque da Rússia.

'Voluntários do seu país não podem se unir à legião'
"É da legião estrangeira? Estou me preparando para ir à Ucrânia, mas tive a informação de que vocês não estão mais aceitando voluntários do Brasil. Isso é verdade?", perguntou em inglês o ex-militar mineiro Fabio Júnior de Oliveira, 42, que serviu como sargento das Forças Armadas entre janeiro de 2005 e novembro de 2006.

"Sim, senhor. Infelizmente, os voluntários do Brasil e de alguns outros países não podem mais se juntar à legião", respondeu um homem que se apresentou como representante da unidade formada por estrangeiros.

"Mas eu não entendo. Eu tenho experiência militar. E eu...", continuou Fábio, interrompido em seguida: "Eu entendo, senhor. Muito obrigado. Mas [os voluntários] do seu país não podem ser aprovados para se unir à legião". Fábio, então, questionou se a recusa estaria relacionada à postura de Jair Bolsonaro. "Sim, é por isso", respondeu.

O UOL entrou em contato com a Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia, que confirmou exclusão de voluntários de "alguns países". Contudo, não confirmou se o Brasil estava nessa lista por "questões de segurança" "Podemos confirmar que voluntários de determinados países estão sendo vetados com maior frequência", afirmaram, por meio de seu perfil no Instagram.

A reportagem pediu posicionamento do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), mas não obteve resposta.

'Sentimento é de vergonha', diz brasileiro
Em entrevista ao UOL, Fábio disse ter tomado a decisão de telefonar diretamente para a legião no último sábado (19) após ter recebido a informação de que um paramédico com experiência militar e outros dois brasileiros teriam sido descartados pelas tropas ucranianas na região de Lviv, perto da divisa com a Polônia.

No dia seguinte, disse ter ligado para a Embaixada da Ucrânia na Polônia. E, nesta segunda-feira (21), informou ter entrado em contato com a Embaixada do país invadido no Brasil. Em ambos os casos, onde obteve a mesma resposta.

Eu tenho todos os emails confirmando o alistamento. Mas a situação mudou depois do pronunciamento do ministro russo e do silêncio de Bolsonaro. Fomos excluídos e não podemos mais integrar a legião estrangeira por causa da posição do presidente em relação à guerra na Ucrânia. O sentimento que a gente tem é de vergonha" Fábio Júnior de Oliveira, ex-militar

O ex-militar faz parte de um grupo de pessoas que dizem querer se voluntariar para combater pela Ucrânia e que buscavam recursos com vaquinhas virtuais para viabilizar os gastos com passagens aéreas até a fronteira com a Polônia, onde se apresentariam junto às tropas ucranianas. Pelo menos por enquanto, os planos de alistamento estão suspensos.

'Meu voto não seria mais dele'
Dono de uma empresa de vigilância e segurança privada, o capixaba Bruno Bastos, 36, que integra o mesmo grupo de Fábio, diz ter se decepcionado com Bolsonaro.

"Se o Bolsonaro apoia o Putin é porque também apoia esse genocídio que está acontecendo na Ucrânia. Como as pessoas vão olhar para os brasileiros no exterior? Me sinto humilhado com essa situação. Votei no presidente em 2018. Mas meu voto não seria mais dele até que ele dê um esclarecimento", disse Bastos, que serviu no Exército entre 2004 e 2005.

A reportagem conseguiu o contato do homem que se identificou como o paramilitar brasileiro barrado na fronteira entre a Polônia e a Ucrânia, que optou pelo anonimato e confirmou ter sido barrado. "Ficamos quatro dias em território ucraniano, mas não fomos aceitos pelo exército. Falaram que o problema era o nosso país", respondeu em mensagem pelo WhatsApp enviada por um celular do exterior.


Leituras pré-seminário: Burke e Bernardo Pereira Vasconcelos: um seminário de reflexões e debate

 Devo participar proximamente de um seminário do Liberty Fund sobre duas figuras emblemáticas da evolução política respectiva da Grã-Bretanha e do Brasil, Burke e Vasconcelos: 

Brazilian Conservatism:

Burkean or Reactionary?

Kindred Reformisms?

Similarities between the Regresso of Bernardo Pereira de Vasconcelos and Burkean Conservatism

Reformismos afins? Semelhanças entre o Regresso de Bernardo Pereira de Vasconcelos e o Conservadorismo Burkeano 

Ademais da volume de leituras já considerável fornecido pelos organizadores, como aqui abaixo resumido, também estou lendo diversos outros livros, cujas capaz vou colocando em meio às seis sessões de debate sobre o tema acima:  



I Sessão:

1. Mitchell, Leslie G. “Introduction”, in: E. Burke, Reflections on the Revolution

2. Moreira, Ivone. “Introdução, Edmund Burke – Um Percurso Biográfico-Literário”

3. Carvalho, José Murilo de. “Introdução”. In: Bernardo Pereira de Vasconcelos

4. Nabuco, Joaquim. Um Estadista do Império, VII “Reação Monárquica de 1837”. 

 

II Sessão:

1. Ricupero, Bernardo. “O Conservadorismo difícil”

2. Rodrigues, José Honório. História da História do Brasil, II, I - Linha Reacionária

3. Aurora Fluminense. Edições: 1108 (1835); 7 (1838); 38 (1838); e 80 (1838) 

 

III Sessão:

1. Sousa, Otávio Tarquínio de. História dos Fundadores, III, B. P. Vasconcelos

2. Lynch, Christian Edward Cyril. “Modulando o tempo histórico: B. P. Vasconcelos

3. Vasconcelos, Bernardo Pereira de. Discurso na Câmara, 9 de agosto de 1837

 



 IV 
Sessão

1. Burke, Edmund. “A Letter to a Member of The National Assembly”

2. Burke, Edmund. “Letter to Charles-Jean-François Depont”

3. Burke, Edmund. “An Appeal from the New to the Old Whigs”

4. Annaes do Senado do Império do Brazil, Segunda Sessão da Primeira Legislatura

5. Anais do Senado do Império do Brasil, Sessões de Julho de 1840

 

Sessão

1. Burke, Edmund. “Reflections on the Revolution in France”, Vol. 2

2. Burke, Edmund. “An Appeal from the New to the Old Whigs” 

3. Anais do Senado, 1839, Livro 2. Transcrição. Page(s): 333-334.

4. Anais do Senado, 1840, Livro 3. Transcrição. Page(s): 283-286.

5. Anais do Senado, 1840, Livro 4. Transcrição. Page(s): 58-61; 220-221. 

 


VI Sessão

1. Burke, Edmund. “Reflections on the Revolution in France”

2. Burke, Edmund. “Letter to a Noble Lord”

3. Anais do Senado, 1840, Livro 5 

4. Anais do Senado, 1844, Livro 1

5. Anais do Senado, 1848, Livro 3

6. Anais do Senado, 1848, Livro 4

 


Reparem que a capa da edição brasileira do 

livro de Burke é anacrônica, pois que reproduz

a morte pelo guilhotina do rei Louis XVI,

quando o livro de Burke foi escrito em 1790 e 1791, 

um ano antes, portanto, do regicídio.

Sobre o Regresso, existem muitos livros, mas a síntese de Bolívar Lamounier é excelente, combinando história e ciência política.



 







segunda-feira, 21 de março de 2022

Desafios do agronegócio brasileiro no contexto da economia global: entrevista para o Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio - Paulo Roberto de Almeida

Meu trabalho mais recente, na verdade, simples notas para entrevista online, mas na qual desenvolverei outros temas oralmente: 

4108. “Desafios do agronegócio brasileiro no contexto da economia global”, Brasília, 18 março 2022, 6 p. Notas para entrevista online ao Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio, organizado pelo Centro de Estudos de São Gotardo (MG), focando as temáticas da política agrícola, comercial e internacional, assim como as conexões entre agricultura e desenvolvimento; via Youtube: www.cesg.edu.br; dia 21/03/2022; 19:30hs. Disponível em formato pdf na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/81728280/4108_Desafios_do_Agronegocio_Brasileiro_em_um_contexto_de_Economia_Global_2022_). Abaixo a transcrição de meu texto em Word: 

Desafios do agronegócio brasileiro no contexto da economia global

 

 

Paulo Roberto de Almeida

Diplomata, professor

(www.pralmeida.org; diplomatizzando.blogspot.com; pralmeida@me.com)

Notas para entrevista online ao Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio, organizado pelo Centro de Estudos de São Gotardo (MG), focando as temáticas da política agrícola, comercial e internacional, assim como as conexões entre agricultura e desenvolvimento; via Youtube: www.cesg.edu.br; dia 21/03/2022; 19:30hs.

 

 

1) É fato que o agronegócio brasileiro tem, em muito, se desenvolvido e atinge, hoje, patamar de principal sustentáculo da economia nacional, também, pouco temos dúvidas sobre a capacidade produtiva do país. Infelizmente, porém, às vezes no chocamos com preocupações quanto ao abastecimento de matérias-primas e insumos à produção. Nesse sentido, gostaria de saber, pela sua experiência, como entenderia que a política agrícola brasileira poderia e deveria ser melhor direcionada para mitigarmos esses gargalos?

 

PRA: Depois de quatro séculos sendo um país essencialmente agrícola, mas com base numa agricultura bastante atrasada em seus fundamentos tecnológicos, com pouca interação com os demais setores da economia brasileira e uma ainda mais baixa integração aos mercados mundiais, a agricultura começou a deslanchar a partir dos anos 1970, a partir de um duplo movimento determinado por políticas governamentais: a capacitação do capital humano, sobretudo por parte da Embrapa, mas também nas demais escolas agrícolas, e a conquista do cerrado central, feita tanto pela iniciativa dos novos bandeirantes – em grande medida gaúchos –, como por programas de adaptação daquele bioma à grande agricultura comercial e a uma pecuária extensiva. Não obstante o enorme crescimento da oferta agrícola e dos ganhos de produtividade obtidos desde então, o peso da agricultura também diminuiu na formação do PIB e na incorporação de mão de obra, pois que a indústria também dava um enorme salto a partir dessa época, convertendo esse setor no grande sustentáculo da economia nacional, em termos de emprego, renda e emprego, inclusive no plano do comércio exterior.

A deterioração econômica dos anos 1980 e 90, com a crise da dívida externa e, depois, a aceleração inflacionária subsequente a diversos planos frustrados de estabilização, resultou em profundas mudanças nas políticas macroeconômicas – a partir do Plano Real – e em diversas políticas setoriais, entre elas a agrícola, liberalizando o setor de vários controles e constrangimentos anteriores. A essa altura já tínhamos nos transformado num grande exportador de produtos agrícolas, mas ainda muito relutante no plano das negociações comerciais multilaterais, a despeito de nossa inserção no Grupo de Cairns, dos países exportadores de produtos agrícolas competitivos e não subvencionistas, como Canadá, Austrália e os latino-americanos, ao contrário dos Estados Unidos e da União Europeia (além de diversos outros países, como Japão, Coreia do Sul, Suíça e outros, entre eles a própria Índia e a China). Os ganhos de produtividade e a nova desenvoltura no plano global tornam o Brasil um megaplayer na oferta agrícola mundial, sobretudo depois do término da Rodada Uruguai de negociações comerciais multilaterais, que também aprovou um inédito Acordo Agrícola, que deu início ao desmantelamento gradual das subvenções internas à produção (mas ainda subsistentes) e os subsídios à exportação (progressivamente reduzidos). 

A partir dos anos 2000 o agronegócio se tornou não exatamente um sustentáculo da economia brasileira – os serviços representam 70% do total, mas o peso do conjunto do agronegócio na formação do PIB cresceu de forma exemplar, chegando a mais de 27% em 2021, enquanto a indústria reduzia, sim, sua participação no valor e no emprego –, mas ele se tornou o eixo central dos superávits comerciais e um fator absolutamente essencial na manutenção do equilíbrio das transações correntes, compensando praticamente totalmente o déficit crônico nos serviços do balanço de pagamentos. Ocorreu igualmente uma transformação estrutural no próprio setor agrícola, com cadeias de valor organizadas de forma relativamente satisfatória internamente, e a formação de um complexo agrícola-industrial e de serviços que compõe, sim, um eixo central de política econômica, e até de ganhos políticos e eleitorais, que jamais havia sido tão relevante desde quando o Brasil começou a se industrializar de forma consistente 80 anos atrás. Com a diminuição relativa do peso da indústria no PIB e no comércio exterior, o Brasil voltou a ser um país essencialmente agrícola, como até os anos 1950, mas dotado de um peso, complexidade e modernidade produtiva totalmente moderna e amplamente qualificado nos mercados agrícolas internacionais, ainda que prejudicado por várias deficiências de infraestrutura, de logística adequada e carente de uma necessária e proporcional sustentação financeira (capitalização e securitização) para nossa penetração ainda maior nos grandes mercados de insumos e na oferta de produtos processados, de maior sofisticação, aos consumidores (cortes finos, por exemplo). Ou seja, o Brasil tem um brilhante futuro pela frente no agronegócio.

A despeito desses enormes progressos na frente produtiva e na conquista de novos e prometedores mercados na frente do comércio agrícola, o setor do agronegócio, assim como o da agricultura familiar – grande parte da qual também participa das cadeias de valor do setor na oferta interna e também na grande agricultura comercial de exportação – enfrentam grandes problemas, que têm suas fontes no aprovisionamento interno inadequado de insumos (como os fertilizantes e defensivos) e também na baixa abertura econômica do setor às grandes cadeias de valor internacionais, o que está vinculado à política industrial, assim como a agrícola e comercial. Apesar de sermos um grande competidor externo – um killer como se diz, em quase todas as commodities agrícolas e nos vários ramos das proteínas animais –, somos ainda muito protecionistas internamente, em detrimento e no contexto do Mercosul, assim como em diversas interfaces da economia agrícola mundial. Nesse campo, precisamos acompanhar de forma mais próxima ainda as grandes mudanças que se processam nos mercados agrícolas, de consumo e de insumos, o que significa dispor de adidos agrícolas e de economistas e advogados especializados no setor, observar os debates que se processam na OMC (normas fitossanitárias-SPS, regulamentos aplicados ao setor), na OCDE (comércio agrícola), na FAO (segurança alimentar), Codex Alimentarius (ou seja, sanidade, ou safety), nas cadeias varejistas e nas grandes tradings de comercialização. 

 

2) Em um mercado mundialmente integrado, dificilmente conseguimos visualizar um desenvolvimento econômico de nações sem o apoio e a entrada de capital estrangeiro. Nesse sentido, como o senhor visualiza as atuais relações comerciais brasileiras e quais caminhos visualiza para uma fortificação do Brasil enquanto importante player no mercado agrícola internacional?

 

PRA: O Brasil foi, durante algum tempo, um grande exportador manufatureiro, tanto em produtos industrializados leves, quanto no setor automobilístico, por exemplo, mas, infelizmente, perdeu muito de sua competitividade externa nas manufaturas por erros grosseiros nas suas políticas macro e setoriais, o que praticamente deixou o agronegócio como o grande salvador do balanço de pagamentos. Alguns desses erros estão justamente vinculados a uma introversão no mercado interno dificilmente aceitável para qualquer economia moderna, na era da terceira onda de globalização. Mas o agronegócio apresenta igualmente uma introversão que não se justifica sob nenhum pretexto, inclusive chegando a certas medidas ridículas, como poder a limitação de terras brasileiras por estrangeiros, como se estes pudesse fazer outra coisa senão produzir no Brasil e exportar. 

O Brasil sempre foi um país extremamente protecionista, desde quando recuperamos a liberdade tarifária em 1844, e assim continuou durante o resto do Império e na República, quando uma Lei do Similar Nacional vigorou até os anos 1990. Desde essa época, nos governos Collor e FHC fizemos alguns progressos no caminho de maior abertura econômica e liberalização comercial, mas ainda insuficientes quando vistos em escala comparativa internacional, e mesmo na perspectiva do Mercosul, que se esperava fosse uma plataforma para a projeção externa do Brasil e dos seus sócios, assim como para a maior inserção do bloco na economia global. Mas, desde a era Lula, o Mercosul estagnou, foi transformado em palanque político e até retrocedeu, dadas as discordâncias entre os seus dois principais países com respeito aos acordos de livre comércio – com a União Europeia, por exemplo – ou às grandes iniciativas de liberalização ampliada, como o TPP e o RCEP. Olhando visualmente um mapa mundial das cadeias de valor – que se situam quase todas no Atlântico Norte e na Ásia Pacífico – vemos que o Brasil e o Mercosul participam muito pouco nesses eixos de produção integrada e de intercâmbios globais, e são eles que trazem crescimento econômico, prosperidade e desenvolvimento social. 

Olhando, por exemplo, a recente crise no abastecimento de fertilizantes, registramos vários apelos à conquista da autossuficiência no setor, o que além de impossível, no curto e médio prazo, seria ineficiente no plano puramente econômico. A solução está mais na busca de diversificação de provedores, quando na própria organização interna da produção agrícola, que pode tornar-se menos dependente desses insumos ao se adotar outras técnicas de gestão dos terrenos e dos modos de plantio. Os dois grandes choques do petróleo provocaram uma das revoluções tecnológicas mais relevantes do último meio século, que foi a redução do conteúdo em petróleo nos processos industriais. A agricultura, mediante pesquisas e adoção de outras técnicas, também deveria ser capaz de reduzir sua dependência do NPK; a grande agricultura comercial prefere importar, mas a pequena pode substituir esses compostos.

 

3) A União Europeia é um bloco econômico de relevante força internacional e, em muito, impacta as transações comerciais ao redor do mundo. Nesse sentido, como o senhor visualiza o impacto de restrições efetuadas – a exemplo, produtos brasileiros que utilizam fertilizantes ou agroquímicos – na economia brasileira? O senhor visualiza alguma saída para mitigação desses impactos ou utilização desses de forma favorável ao desenvolvimento econômico nacional?

 

PRA: A UE, segundo maior parceiro comercial do Brasil, possui uma tradição fortemente protecionista na área agrícola, introduzindo critérios nem sempre transparentes na regulação de sua política comercial. Um exemplo é o princípio da precaução, que costuma ser invocado sem qualquer embasamento científico, ou justamente por causa de evidências suficientes quanto à incorporação de hormônio, de agroquímicos ou até de OGMs nos alimentos, para justificar restrições abusivas às compras externas. O caso mais flagrante é justamente o da identificação componentes que já fizeram parte do arsenal produtivo ou defensivo, mas que passaram a ser substituídos por outros, com efeitos pouco conclusivos sobre a saúde humana. Esta é uma batalha que precisa ser vencida pela ciência, nos foros multilaterais apropriados, mas também pela via da elevação constante dos padrões internos de produção, no sentido de evitar a maior barreira ao comércio livre, bem mais do que as tarifas. Mas isso tem a ver também com a questão ambiental, como parece evidente a todos. 

Com efeito, um dos maiores fatores que podem impactar negativamente a interação do Brasil com os europeus na área comercial agrícola é a desastrosa política ambiental do atual governo, que representa um contrassenso inacreditável na promoção do agronegócio responsável, que não tem nada a ver com a devastação amazônica, mas que pode vir a pagar um preço inaceitável se medidas restritivas – não apenas dos europeus, diga-se de passagem – forem adotadas em vista da incapacidade demonstrada até aqui para limitar e reduzir o ritmo do desmatamento e, sobretudo, a ação ilegal de grileiros, garimpeiros e invasores de terras indígenas (ao contrário, o governo Bolsonaro tem feito tudo para estimular a depredação do meio ambiente e a ofensiva contra reservas naturais e territórios indígenas). Esse elemento está na origem da paralização completa do processo de ratificação do acordo UE-Mercosul, que não deve ser retomado até que um novo governo inverta completamente o curso atual; mesmo assim deverá demorar certo tempo para que se configure na prática, não somente no discurso, a inversão da política ambiental suicidaria do governo Bolsonaro. É estranho que o próprio agronegócio brasileiro não tenho tomado iniciativas mais fortes para coibir os crimes que vêm sendo cometidos não apenas contra o meio ambiente e os indígenas, mas também contra o setor mais dinâmico da economia brasileira.

 

4) Quais seriam os novos mercados que o senhor entende deve o Brasil explorar para o desenvolvimento de relações agrícolas mercadológicas?

 

PRA: Estados Unidos e União Europeia são grandes mercados de consumo, mas são também os mais protegidos e também aqueles nos quais o fator elasticidade-renda não tornará a nossa oferta agrícola mais competitiva, uma vez que esses mercados já estão saturados nessa área. Os grandes mercados para o nosso agronegócio estão nos emergentes dinâmicos e nos países em desenvolvimento, de maneira geral, nos quais o crescimento da renda, nos próximos anos, vai requerer um consumo elevado de alimentos, com maior ênfase na proteína animal e nos lácteos. Daí o motivo do agronegócio brasileiro avançar rapidamente no seu próprio upgrade no tipo de produção, não apenas produtos brutos, mas oferta processada e devidamente apoiada em campanhas de marketing quanto à qualidade dos nossos produtos.

Por acaso, os dois grandes mercados nos quais o crescimento da oferta brasileira poderia ser o maior estão justamente nos dois sócios maiores do Brics, China e Índia, mas que são, também, grandes protecionistas e subvencionistas na área agrícola. Temos de ser duros com esses dois gigantes quanto somos como os dois grandes mercados avançados do Atlântico Norte. Por outro lado, a China – diferente da Índia, que tem enormes problemas sociais com respeito à propriedade da terra e tecnologia agrícola, assim como a África – tem avançado enormemente numa espécie de revolução agrícola, que combina capitalização, ciência e tecnologia, uma vez que ela possui pouco espaço naqueles fatores que representam nossa pujança: terra, água e sol. 

Mas, esses mercados não podem ser vistos apenas como absorvedores da oferta alimentar brasileira, pois as barreiras comerciais continuarão a existir no futuro indefinido. O Brasil possui tecnologia e conhecimento suficientes para participar do próprio processe de revolução agrícola em curso nesses países, ou seja, exportando serviços, know-how e diversos outros fatores produtivos, pois que um dos objetivos do agronegócio brasileiro deve ser o da sua internacionalização, tanto na área de grãos, quanto na pecuária. A África apresenta outros tipos de problemas que podem se situar, cronologicamente, no início do processo de modernização agrícola brasileiro, embora alguns desses problemas estejam mais vinculados à propriedade da terra e às relações contratuais do que à tecnologia propriamente produtivo no contexto da agricultura tropical, na qual o Brasil é um verdadeiro campeão.

 

5) Muito se diz sobre o Brasil ser um exportador de insumos e de matérias-primas com baixo valor agregado. Em sua experiência, o senhor vê isso como uma realidade? Se sim, como podemos direcionar nossa política agrícola interna para agregação de valor aos produtos? Se não, como podemos direcionar nossa política para sanar o déficit informacional?

 

PRA: Sim, isso é verdade: o Brasil é um produtor primário, e assim tem sido nos últimos 500 anos. No terreno das vantagens comparativas de David Ricardo –cuja teoria ainda é plenamente válida, independentemente da passagem do tempo – não há nada de errado em explorar plenamente essas vantagens competitivas relativas, não só na agricultura e na pecuária, mas também na mineração, nos recursos florestais e pesqueiros, por exemplo. O upgrade na oferta, ou seja, agregar valor às commodities e oferecer produtos processados e até mais sofisticados, não depende só da vontade do agronegócio, mas de todo um complexo de fatores, de políticas governamentais e da iniciativa privada, assim como da existência de condições mercadológicas externas ao domínio brasileiro. A agregação de valor à oferta agrícola brasileira deve ser um processo concomitante à internacionalização do próprio agronegócio brasileiro, ainda excessivamente introvertido e, portanto, protecionista. Esse processo deveria começar pelo Mercosul, que requer amplo exercício de reformas.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 4108: 18 março 2022, 6 p.


Quantos anos mais terá a atual Carta de San Francisco (1945)? - Paulo Roberto de Almeida

Quantos anos mais terá a atual Carta de San Francisco (1945), na verdade desenhada em Dumbarton Oaks (1944)?

  

Paulo Roberto de Almeida

Diplomata, professor

(www.pralmeida.org; diplomatizzando.blogspot.com)

  

Em vez de teorias fantasiosas sobre um alegado Direito Internacional onusiano, eu prefiro analisar criticamente a concretude do direito da força, sem qualquer ilusão.

 

Muitos cultores acadêmicos do sistema das Nações Unidas apreciam, teórica e abstratamente, o que lhes parece ser uma expressão do Direito Internacional, quando o “grand machin” (apud De Gaulle) é apenas um ajuste de forças entre os vitoriosos de 1945. 

 

A “grande geringonça” precisa mudar. Vai demorar certo tempo até que a verdadeira pressão dos “povos das Nações Unidas” — como está no preâmbulo da Carta, mas todo o resto está reservado unicamente aos Estados nacionais membros da geringonça — consiga eliminar essa excrescência do “direito de veto”, que só defende o poder arbitrário dos poderosos, a vontade exclusiva das grandes potências, mas isso será obtido algum dia.

 

Mas não aguardem para esta geração, agora dominada pelos dois novos donos do poder mundial, um mais velho de um século, o outro tinindo de novo na sua irresistível ascensão econômica. Os dois impérios da antiga Guerra Fria geopolítica de 1947 a 1991 deram lugar aos dois impérios atuais da nova Guerra Fria Econômica. 

Por enquanto a China está ganhando a competição, mas não enterrem o Tio Sam: ele ainda não deu tudo o que pode nos dar, além do iPhone e do Facebook: ele tem muito mais coisas na sua cartola que o novo Império do Meio ainda precisa copiar.

 

Resumo: o mundo dá muitas voltas e não convém fazer manuais de Relações Internacionais com validade superior a 20 anos. Como diria Heráclito, tudo flui, e é por isso que eu nunca acreditei na bobagem da tese do “congelamento do poder mundial”.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 4113: 21 março 2022, 1 p.


 

Por que Putin vai fracassar? - Paulo Roberto de Almeida

Por que Putin vai fracassar?

Paulo Roberto de Almeida 

O tirano de Moscou está ativamente empenhado em destruir os fundamentos materiais do Estado ucraniano. 

Ele não vai conseguir, contudo, destruir a espinha dorsal e a fortaleza moral da Nação ucraniana. 

Putin já foi derrotado, a despeito de todos os seus mísseis e tanques.

Aliás, desde o início, Putin já tinha sido vencido pela resistência nacional do povo ucraniano, pela solidariedade ativa de praticamente todos os europeus e pelo repúdio praticamente universal de todos os povos amantes da paz, dos direitos humanos e das liberdades democráticas.

Expresso, por fim, minha mais profunda tristeza, como diplomata, como simples brasileiro, como cidadão do mundo, pelo fato de o Brasil não estar entre as nações do mundo que se solidarizaram e vieram em ajuda à Nação ucraniana.

Ela sobreviverá, ainda mais forte, seu Estado será recomposto, na família europeia, mas o Brasil do atual desgoverno não terá estado entre as nações que vieram em socorro de um povo agredido pelo mais bárbaro dos déspotas remanescentes.

Minha solidariedade pessoal à nação ucraniana passa à frente de meu desprezo pelo atual desgoverno da nação brasileira.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 21/03/2022

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