sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Presidente diz que tem certeza de apoio total das Forças Armadas - FSP

 O brochável se acredita invencível, e por isso vem recrudescendo a cada vez, mas será devidamente enquadrado pelo Judiciário e pelas próprias FFAA:


Presidente diz que tem certeza de apoio total das Forças Armadas

Folha de S.Paulo | Poder

13 de Agosto de 2021

Ricardo Delia Coletta, Marianna Holanda e Mateus Vargas

Brasília - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a se referir às Forças Armadas como "poder moderador" e disse ter certeza do apoio dos militares às "decisões do presidente para o bem da nação".

As falas desta quinta-feira (12) ocorrem num momento de crise como Judiciário e em meio a críticas contra o presidente por tentativa de politizar as Forças Armadas.

"Nas mãos das Forças Armadas, o poder moderador. Nas mãos das Forças Armadas a certeza da garantia da nossa liberdade, da nossa democracia, e o apoio total às decisões do presidente para o bem da nação", disse, em cerimônia de cumprimento a oficiais promovidos.

O ato ocorreu no Palácio do Planalto. Também estiveram presentes o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, e os comandantes do Exército, Paulo Sérgio, da Marinha, Almir Garnier, e da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista.

O evento inaugurou, oficialmente, o uso optativo da máscara no Planalto. A diretriz foi dada pelo locutor, que fez uma pausa antes de dizer que o item era "opcional". Na palco, Bolsonaro e os ministros Augusto Heleno (GS 1 ), Ciro Nogueira (Casa Civil) e Braga Netto ficaram sem máscara.

Apesar de o acessório ainda ser recomendado para locais fechados e aglomerações, nas cerimônias com o presidente não é indispensável. O próprio Bolsonaro não o usa em muitas ocasiões.

Mais cedo, Bolsonaro criticou o presidente do STF (Su premo Tribunal Federal), ministro Luiz Fux, por ter defendido seu colega Luís Roberto Barroso, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Em entrevista à Rádio Jovem Pande Maringá (PR), sugeriu "corporativismo" da corte. "O próprio ministro do Supremo Tribunal Federal, presidente Fux, na sua nota, disse que 'mexeu comum, mexeu com todos'. Não é assim."

"Se um militar aqui faz alguma coisa de errado, eu sou militar, o que nós fazemos? A gente investiga. Se tiver responsabilidade, vai pagar o preço. Altíssimo. Agora, não pode ter corporativismo nessas questões", acrescentou.

Na semana passada, a ameaça de Bolsonaro de usar armas "fora das quatro linhas da Constituição" irritou mi nistros do STF e levou Fux a fazer um discurso contundente. Ele disse que Bolsonaro não cumpre a própria pa lavra e cancelou reunião entre os chefes dos Três Poderes que havia convocado.

As novas declarações do presidente se somam a afirmações golpistas em que ele disse, até, que as eleições de 2022 podem não ocorrer caso não fosse instituído o voto impresso no país - na última terça-feira (10), PEC (proposta de emenda à Constituição) para obrigar a impressão do voto foi rejeitada pela Câmara.

Também na terça, antes da votação, Bolsonaro acompanhou, da rampa do Planalto, um desfile de blindados visto como uma tentativa de intimidação contra o Parlamento.

Em breve discurso, declarou que os militares têm compromisso de agir contra "ameaças externas e internas" sem detalhar sobre o que se referia.

"Obrigada por existirem [Forças Armadas], pela tradição e pelo compromisso de dar vida pela pátria, se precisofor. Quer sejam ameaças externas ou internas. Nós sabemos o que é bom e o que é justo para o nosso povo. A nossa liberdade não tem preço."

Não foi a primeira vez que Bolsonaro falou sobre um suposto papel decisório das Forças. Em janeiro, em meio ao debate sobre início da vacinação contra a Covid e as medidas de isolamento social, chegou a afirmar, em tom de ameaça que "quem decide se um povo vai viver na democracia ou na ditadura são as su as Forças Armadas".

Nesta quinta,à rádio, disse que iria reduzir a pressão pela adoção do voto impresso, mas voltou a insinuar, sem provas, que as eleições no Brasil não são seguras e ter "ouvido falar" sobre as suspeitas.

"Vou diminuíra pressão da minha parte, vou diminuir a pressão, sim, porque tem mui ta coisa para fazer pelo Brasil, mas não podemos esquecer, porque se esse pessoal conseguir, no ano que vem, não me cobrem nome do país, por favor, botar alguém sentado na minha cadeira presidencial mais simpático a outras ideologias."

O mandatário levantou ainda a possibilidade de eleições para governadores e senadores serem fraudadas no ano que vem. "Poderiam, não estou afirmando."

"Vamos conviver com essa sombra de dúvida. Não é sombra não, isso aí é tempo fechado."

Em determinado momento da entrevista, Bolsonaro também chegou a ironizar a decisão da CPI da Covid de sugerir indiciá-lo por charlatanismo e curandeirismo, por incentivar o uso de medicamentos sem eficácia comprovada. A informação foi antecipada na quarta-feira (11) pela coluna Mônica Bergamo, da Folha.

"Como não tem como me acusar, vão me denunciar por charlatanismo e curandeirismo", disse e soltou uma gargalhada, em seguida.


quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Milicos são todos iguais, alguns mais iguais que outros. Vejam do que eles gostam de brincar, americanos e russos...

 Continuando a torrar o dinheiro dos contribuintes: 


Airmen of Air Force Global Strike Command launched an unarmed Minuteman 3 intercontinental ballistic missile equipped with a test re-entry vehicle from Vandenberg Space Force Base, California, at 12:53 Pacific Time Wednesday morning, the Air Force said in a release. While stripped of its nuclear payload for the launch, the ICBM contained conventional explosives aboard a Hi-Fidelity Joint Test Assembly re-entry vehicle, which successfully detonated above the water’s surface near Kwajalein Atoll, Marshall Islands, some 4,200 miles from the launch site.

JAMES R. WEBB | MILITARY TIMES

The first regiment of strategic missile systems with the Avangard boost-glide vehicle will go on combat duty by the end of this year, 13th Missile Division Commander Major General Andrei Cherevko said on Tuesday. “Measures continue in the 13th missile division to rearm it with new strategic missile systems. The task set for 2021 stipulates completing procedures to place the first missile regiment with the Avangard missile systems on combat duty,” the commander reported to Russian Defense Minister Sergei Shoigu during the single military output acceptance day.
TASS

Um summit pela democracia, para a democracia, a convite dos EUA (que está com sua democracia meio deteriorada) - WP

 Opinion 

Biden will host an international summit on ‘democratic renewal.’ He should start at home

The State Department announced in a statement on Wednesday that the Biden administration will convene a virtual summit of democracies on Dec. 9, with the goal to “bring together leaders from government, civil society, and the private sector to set forth an affirmative agenda for democratic renewal and to tackle the greatest threats faced by democracies today through collective action.”

The summit will center on defending against authoritarianism, addressing and fighting corruption, and advancing respect for human rights. “We aim to show how democracies can deliver on the issues that matter most to people: strengthening accountable governance, expanding economic opportunities, protecting human rights and fundamental freedoms, and enabling lives of dignity,” the statement reads. “We also will show how open, rights-respecting societies can work together to effectively tackle the great challenges of our time, such as the COVID-19 pandemic, the climate crisis, and growing inequality.”

The concern is that this event will be more than a dog and pony show, a conference with glossy programs but little in the way of substance. While the preview suggests this will be devoid of concrete agreements (the State Department describes it as “an opportunity to listen, learn, and engage”), there are a few things the administration can do to make the summit worthwhile.

First, Biden needs to be able to set an example and show how the United States is tackling issues such as corruption. While there are reforms contained in the For the People Act regarding “dark money” in our elections, there is much the administration can do without Congress to promote transparency and anti-corruption, such as filling all open inspectors general slots, expanding financial disclosure statements, beefing up the Office of Government Ethics and voluntarily including the president and vice president in the executive branch’s conflict of interest regulations. The administration can also speed up responses to Freedom of Information Act requests. These sort of reforms would help Biden cajole other democracies to eschew self-dealing and heighten transparency. It is always a good idea to put one’s own house in order before holding oneself as a model.

In that regard, it is essential that the United States addresses the deteriorating state of voting rights at home. Without this, the administration is in a poor position to talk about the threats to functional democracy. If by the time December rolls around and Congress has not passed significant voting reform — including protections against vote flipping and the politicization of election administration, increased access to the ballot box, and stiff penalties for threatening election workers — our defense of democracy will look hypocritical and empty.

Candidly, threats to democracies do not come solely from authoritarian regimes (although such regimes may help stir anti-democratic sentiments). Right now, the greatest threats to U.S. democracy are all internal — states that pass Jim Crow-style laws; a Supreme Court that eviscerates legal protection against voting discrimination; gerrymandering schemes that help shield incumbents from accountability; and, of course, a national party led by the former president who incited a violent insurrection.

Finally, the administration can emphasize disinformation as a topic for the summit, as it is a key tool that authoritarians employ to threaten democracy. The United States is awash in it — from anti-vaccine misinformation to ongoing attempts to incite another insurrection based on bizarre theories that the disgraced former president could somehow be “reinstated” later this month. Democratic governments that respect freedom of speech have few tools at their disposal to address this problem. However, transnational social media companies do — and they have failed to address the problem adequately and uniformly.

It may be time, if not to regulate these companies, then to apply public pressure on them to be transparent about their algorithms, to report on the full extent of disinformation spreading on their platforms and to create a body that would hold them accountable for enforcing their terms of service. In addition, there is a host of interesting ideas to improve the social media diet. The American Academy of Arts and Science has put out a detailed list of recommendations to do this, including creation of “civic media platforms”; exploring a “public-interest mandate” (as broadcast networks have) for Internet platforms protected from liability (in the United States, under Section 230); and research into the impact of social media on democracies.

There is no reason the summit has to be an empty exercise. If Biden can use the event to encourage meaningful voting reform and anti-corruption measures at home, and if it does meaningful work on the role of social media in attacks on democracy, it might be worth the time and effort it takes to put on such a gathering.

A “toca de coelho” das teorias conspiratórias - Marcos Rolim (Extraclasse)

 Marcos Rolim se pergunta, estarrecido: como foi possível, a tanta gente, nos EUA e no Brasil, chegar a esse estado de alienação completa, de total desvinculação da realidade? Trump, lá, Bolsovirus aqui, foram os grandes arautos das teorias conspiratórias, e com isso congregaram os doidos que antes estavam dispersos pela sociedade…

Paulo Roberto de Almeida 

OPINIÃO

A toca do coelho 

Alimentados por narrativas cada vez mais descompromissadas com a realidade, há centenas de milhares de bolsonaristas radicais para quem o mundo é uma grande armadilha
Por Marcos Rolim / Extraclasse, 12 de agosto de 2021 
 
 
 
 

“QAnon é o nome de uma teoria da conspiração da extrema-direita dos EUA,
que mobiliza milhões de pessoas em todo o mundo”

Foto: Elvert Barnes/ Visualhunt.com

Alice entrou na toca atrás dele, sem ao menos pensar em como é que sairia dali depois. A toca do coelho, no começo, alongava-se como um túnel, mas, de repente, abria-se como um poço, tão de repente que Alice não teve um segundo sequer para pensar em parar, antes de se ver caindo no que parecia ser um buraco muito fundo

O maior massacre em escolas nos Estados Unidos ocorreu em 2018 na Marjory Stonemam Douglas High School, na cidade de Parkland, na Flórida. O atirador, um ex-aluno de 19 anos que havia sido expulso da escola, usou um fuzil Smith & Weston M&P15, arma com a qual disparou durante seis minutos matando 17 pessoas e ferindo com gravidade outras 15. Nas redes sociais, o jovem manifestava sua adoração por armas, se relacionava com grupos neonazistas e supremacistas brancos e defendia o assassinato de mexicanos, negros e homossexuais.

O massacre produziu a campanha Never Again MSD por uma política de controle de armas de fogo nos EUA, organizada pelos sobreviventes. A campanha chegou ao seu ápice com uma grande marcha (March for our lives), que reuniu entre 1,2 milhão a 2 milhões de pessoas, um dos maiores protestos da história do país.

Um dos meninos sobreviventes da tragédia revelou, recentemente, que uma das piores coisas que ocorreu com ele foi, depois de tudo pelo que passou, ouvir de seu pai a “avaliação” de que a história do massacre não passava de uma farsa. “O fato de meu pai achar que o inferno absoluto pelo qual passamos, onde nove das vítimas estavam em nossa classe, foi um embuste piorou muito a situação. (…) Eu sequer contei isso aos demais, porque essa é uma dor que não quero que eles sintam”, explicou.  “Acho que meu pai ficou louco. Ele sempre foi muito conservador, mas agora QAnon consumiu sua vida a ponto de despedaçar nossa família”, disse. QAnon é o nome de uma teoria da conspiração da extrema-direita dos EUA, que mobiliza milhões de pessoas em todo o mundo.

A questão é: o que pode fazer com que alguém se desvincule de forma tão radical da realidade a ponto de acusar o próprio filho, sobrevivente de um massacre, de participar de um embuste?

Muitos dos integrantes da turba que invadiu o Capitólio em janeiro deste ano para tentar impedir a proclamação dos resultados das eleições presidenciais nos EUA usavam camisetas com a marca “Q”, sinalizando sua confiança em uma das narrativas mais alucinadas já criadas. Segundo QAnon, há uma cabala secreta formada por adoradores de satanás, pedófilos e canibais, que governam o mundo. Eles matariam bebês para injetar seu sangue e rejuvenescer. Donald Trump estaria empenhado em acabar com essa turma, razão pela qual enfrentou tanta oposição do “sistema” ou daquilo que QAnon chama de Deep State  (Estado profundo). A cabala seria liderada pelos comunistas, pela ONU e pelos democratas americanos, claro. Segundo QAnon, os massacres em escolas americanas seriam fake news inventadas pela cabala com o objetivo de acabar com o direito à posse e ao porte de armas de fogo. Quem tiver interesse nessa loucura pode conferir uma série documental na HBO, chamada “Q: Into The Storm”.

As pessoas que mergulharam na narrativa QAnon se perderam. Muitas, talvez, para sempre. Para todos os efeitos, é como se elas tivessem entrado na toca do coelho criada por Lewis Carroll em Alice no País das Maravilhas. Com a diferença de que Alice nunca abdicou de pensar e que, por isso, procurou o caminho de volta ao mundo, cansada das irracionalidades do “País das Maravilhas”.

No Brasil, estamos presenciando um fenômeno semelhante. Alimentados por narrativas cada vez mais descompromissadas com a realidade, há centenas de milhares de bolsonaristas radicais para quem o mundo é uma grande armadilha, em que poderosos interesses econômicos, alinhados com a “imprensa comunista”, com os políticos e o STF, impedem que o presidente governe. Para eles, a pandemia é um exagero, o coronavírus é uma estratégia da China para dominar o mundo, o aquecimento global é uma invenção da esquerda, as eleições em urna eletrônica – as mesmas que registram as eleições de Bolsonaro e de seus filhos há décadas – são fraudulentas; a ditadura militar não existiu, nem houve tortura, estupro de presas políticas, desaparecimento de cadáveres nos “anos de chumbo”. Para esses radicais, vacinas são um perigo e armas de fogo salvam vidas; a Amazônia não está em risco, racismo é “mimimi” e bandido bom é bandido do Centrão.

A partir desse lugar mágico em que confortam suas certezas, o núcleo mais duro do bolsonarismo se radicaliza crescentemente, inspirado por discursos fascistas disseminados pelas redes sociais, por aplicativos e nos “chans” (fóruns anônimos) na deep web, que estimulam a disseminação do ódio.

Uma das questões a resolver é: como desradicalizar pessoas? Temos algumas experiências internacionais, como o programa Exit Deutschland, liderado por Ingo Hasselbach, na Alemanha, inspirado em um programa sueco semelhante de desnazificação, além de metodologias que auxiliam pessoas envolvidas com violência política a deixarem suas organizações, como aquela proposta pela pesquisadora portuguesa Raquel da Silva, da Universidade de Birmingham (UK). O tema merece o estudo e, pela quantidade de pessoas que caíram “na toca do coelho”, teremos muito trabalho no Brasil.

PS – Agradeço à Sofia Rolim, minha filha, que me chamou atenção para a importância desse tema e me indicou a entrevista com o sobrevivente de Parkland.


Mini-reflexão sobre a perda de padrões civilizatórios condignos - Paulo Roberto de Almeida

 Mini-reflexão sobre a perda de padrões civilizatórios condignos

Paulo Roberto de Almeida

Certas nações, como o Afeganistão por exemplo, possuem um déficit civilizatório que é estrutural, ou seja, constitui parte componente indissociável de sua formação social e de toda a sua história. Torna-se, nesse caso, muito difícil superar tais constrangimentos derivados de suas forças profundas, para alçar-se, por seus próprios meios, a padrões civilizatórios que consideramos, de nossa perspectiva, como mais elevados no plano dos direitos humanos, das liberdades democráticas e da boa administração pública.


Outras nações, de seu lado — coloquemos aí o Brasil, apenas como exemplo —, que já alcançaram certo patamar de desenvolvimento humano e social, conseguem, por seus próprios meios e por decisões institucionais adotadas sem qualquer constrangimento externo, ou por ausência de pressões de sua própria sociedade, rebaixar e conspurcar padrões civilizatórios que elas já tinham alcançado graças a avanços conquistados por gerações anteriores. É o caso, por exemplo, quando suas próprias elites e seus círculos dirigentes se empenham em assaltar despudoradamente o seu próprio povo, arrancando dele recursos e riquezas obtidos por meio de atividades produtivas duramente amealhados por empresários e trabalhadores no plano individual e privado. 

Não se requer, como no caso histórico do Afeganistão, invasões estrangeiras ou exércitos de ocupação ilegítimos: tudo se faz na mais perfeita “legalidade” de medidas conscientemente iniciadas e adotadas pelos próprios poderes constituídos, atuando de forma refletida pelos meios institucionais disponíveis, ainda que com intenções e propósitos totalmente ilegítimos e indecentes.

Resumindo: é inaceitável o que os três poderes, com seus mandarins coligados no esforço de extorsão contínua, estão fazendo com o povo brasileiro. Em sua voracidade, elites e dirigentes estão dilapidando riquezas e recursos do povo trabalhador e rebaixando terrivelmente nossos padrões civilizatórios.

O “exército de ocupação” tem nome e endereço conhecidos: ele se chama Estado brasileiro e se apresenta sob a forma de governos democraticamente eleitos. 

Ou seja, o problema somos nós.


Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 12/08/2021

A RPC, a Lituânia e o problema de Taiwan - opinião da CGTN

 O nacionalismo chinês — aqui expresso pela CGTN — se opõe à “ideologia ocidental” que pretende separar Taiwan da integridade de sua jurisdição soberana, como pretende fazer a “política externa baseada em valores” da Lituânia. O problema de Taiwan é, provavelmente, o mais grave na agenda de política externa da RPC.

Paulo Roberto de Almeida 

Lithuania courting danger with 'values-based foreign policy'
First Voice

Editor's note: CGTN's First Voice provides instant commentary on breaking stories. The daily column clarifies emerging issues and better defines the news agenda, offering a Chinese perspective on the latest global events. 

Lithuania's provocative move to allow the opening of a "representative office" under the name of "Taiwan" threatens a permanent rift in the relationship between Lithuania and China. It also shows the insidious threat of so-called values-based diplomacy to international peace and stability.

After a shift in government in October 2020, Lithuania adopted an outspoken, hostile attitude toward China. There are several reasons behind this abrupt change in policy, driven by domestic political imperatives.

The most obvious is that the new center-right coalition is driven by Western ideology. The main coalition partner, the Homeland Union, was a key backer of the discredited austerity measures put in place after the global financial crisis. It seeks closer economic ties with Washington and a stronger EU.

The Homeland Union was formed to challenge the Communist Party of Lithuania after the breakup of the Soviet Union and has defined itself by strongly supporting nationalism. Today's Homeland Union leaders have drawn a historically inaccurate but emotionally powerful parallel between Lithuania's decision to claim independence and separatist movements in Taiwan.

Although this false comparison falls apart when looking at the concrete specifics of the historical situations, it has emotionally resonated with the public and been a savvy political maneuver. For this reason, defending Taiwan separatism makes for good domestic politics.

But most importantly, the provocative move is designed to curry favor with the Biden administration, which Lithuania relies on for its security.

The Lithuanian coalition government has pledged to follow a "values-based foreign policy," the same language used by U.S. President Joe Biden as he attempts to form an anti-China coalition, cajoling countries into choosing between Washington and Beijing.

U.S. President Joe Biden walks to the Oval Office of the White House after arriving on Marine One in Washington, D.C., U.S., Aug. 10, 2021. /Getty

It may have a principled ring to it. But, in practice, the term "values-based foreign policy" means rejecting any political, judicial or economic system that doesn't mimic one of those in the Western countries. It comes from the assumption that there are universally applicable standards for all political, economic and social development when, in fact, every country has its own tradition and development path.

Any effort to impose an alien system of government at gunpoint is doomed to fail, as have been seen with the U.S.' futile attempts. It is arrogant and unrealistic.

Politics has made it advantageous for Lithuania's ruling coalition to lash out at China. But the decision to play domestic politics by encouraging Taiwan separatism is destabilizing and irresponsible.

For Lithuania and the rest of the "values-based" coalition against China President Biden is attempting to form, Taiwan may just be a piece in a giant chess game to contain China's rise. But this is not how China views the matter. The bedrock of China's ties with any country and the United Nations is the one-China policy, which acknowledges that Taiwan is part of China. It is the cornerstone of China's international relationships and the basis for mutual trust. Any efforts to undermine China's sovereignty on this issue are extremely dangerous. 

Supporting Taiwan separatism to obtain a domestic political advantage or pressure China will not only fail but could trigger a chain of events that could lead to wholly unnecessary conflicts.

For reasons that may have to do with nostalgic colonial arrogance or a racist tendency to consistently underestimate the Chinese people's ability and resolve, the West seems unable to process the fact China will not accept meddling in its domestic affairs and challenges to its territorial integrity. Moves such as Lithuania's are simply encouraging a downward spiral that leads to a dead end.

And the U.S.' open support of Lithuania on the Taiwan matter just shows the world how far-reaching and dangerous this "value-based foreign policy" is turning out to be.

(If you want to contribute and have specific expertise, please contact us at opinions@cgtn.com.)

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Impasses no relacionamento do “Ocidente” contra a China devem continuar - editorial do Japan Times

 A próxima década continuará a ser marcada pela atitude confrontacionista de grande parte dos países “ocidentais” — aqui incluídos Japão e Austrália — contra a China. Ou seja, o mundo vai continuar gastando mais do que o desejável em defesa e dissuasão, o que manterá as desigualdades internacionais no mesmo nível atual, em lugar de um grande esforço de cooperação em favor da redução da miséria e pobreza em vastos setores da periferia.

Paulo Roberto de Almeida

 

The Japan Times, Tóquio – 11.8.2021 - Editorial

The U.S.-China downward spiral will only get worse

 

In his meeting last week with visiting U.S. Deputy Secretary of State Wendy Sherman, Xie Feng, China’s vice foreign minister, accused the United States of treating China as an “imaginary enemy.”

He and his government are dismayed that the Biden administration has not softened Donald Trump’s hard-line policy toward China and instead continues to hold it accountable for its misdeeds. The expectation that the U.S. would reverse course was folly.

U.S. policy reflects a new consensus about China and this consensus extends to other governments as well. China needs to recognize this new normal and adjust policy accordingly. It appears to be doubling down on belligerence instead.

Xie’s characterization of U.S. policy is wrong on both counts. The U.S government does not consider China the enemy. The Biden administration has made it clear that it sees China as a competitor and a rival, but also a partner. It is eager to work with Beijing on issues of mutual concern, and there are many — climate change, the COVID-19 pandemic, the bloody situation in Myanmar and the North Korean nuclear problem top a long list.

But the U.S. also has a list of complaints about Chinese behavior that it — like other nations — rightly considers inappropriate and dangerous. Those offenses include, but are not limited to, the disregard for international law in the South China Sea, a similar indifference to its international obligations in regard to the Hong Kong Special Administrative Region, the increasing pressure on Taiwan and ongoing attacks on U.S. computer networks.

Japan too is ready to work with China on pressing issues, but it also wants Beijing to respect international law, cease the pressure on Taiwan, quit turning a blind eye to and enabling North Korea’s disregard for its nuclear obligations, end the daily incursions into waters around the Senkaku islands and provide greater transparency about its military.

Meeting Sherman, Chinese diplomats countered with their own demands, among them: end visa restrictions on members of the Communist Party of China, as well as their families and Chinese students; stop suppressing Chinese companies and Confucius Institutes; stop registering Chinese media as foreign missions; and halt the extradition of Meng Wanzhou, a senior Huawei executive held in Canada on U.S. charges of money laundering.

Foreign Minister Wang Yi, with whom Sherman met on her second day of meetings, provided a revealing set of principles for the bilateral relationship. He insisted that the U.S. must not challenge or attempt to subvert the system of socialism with Chinese characteristics, it must not block China’s development process and it must not infringe upon China’s sovereignty or territorial integrity.

Charges of unfair economic practices apparently violate the first and second principles, while the demand that Beijing respect the international arbitral decision that ruled illegal China’s island-building projects in the South China Sea transgresses the third.

Beijing responds to all accusations with either a flat denial or a claim that China’s behavior is of no concern to other nations. It thunders that any criticism constitutes interference in its internal affairs. It accepts no authority — not even the treaties and charters that it signed — as superior to that of its own government. Beijing is quick to attribute any charges to a desire to keep China from assuming its rightful place in the regional and global order or the belief that the U.S. is using China to “reignite a sense of national purpose.”

China’s refusal to accept that it plays a role in the downward spiral in relations with the U.S. guarantees that the deterioration will continue. No nation is above criticism. Unnamed U.S. officials reportedly said that they would “take a look at … some of the concerns that were raised with us.” China is likely to see that as validation of its complaints rather than an opening to engage in self-reflection.

The way that Xie’s remarks were released — first through Chinese language social media — reveals that China’s stiff-necked and caustic engagement is aimed as much at domestic audiences as those in Washington and other capitals. It is part of a belligerent triumphalism that has assumed still more strident tones since the ruling Chinese Communist Party marked the centennial of its founding earlier this month.

This nationalist crescendo seems to be girding the public for hardship as much as celebrating China’s strengths. The country’s leadership should worry that tidal waves of emotion are difficult to control or direct.

One of Beijing’s greatest concerns is the creation of a multinational front that takes a united stand against China on issues such as its human rights practices, its predatory economic policies or its cyber attacks. The Biden administration is committed to forging that consensus among like-minded nations and has had success with statements condemning China’s behavior in bilateral summits like that with Prime Minister Yoshihide Suga or the multilateral G7 and NATO meetings last month. That, for Beijing, is an alarming development.

China and the U.S. need to have a working relationship. The world needs China and the U.S. to have a working relationship. That will include both cooperation and competition, and both sides need to find common ground to ensure that the latter does not dominate, nor does it slide into conflict.

 

Para acessar a íntegra:

https://www.japantimes.co.jp/opinion/2021/07/30/editorials/china-downward-spiral/

EUA continuam a pressionar o Brasil contra a China - Ian Bremer

 Apesar dos desmentidos, os EUA continuam a fazer pressão para que o Brasil vete a participação da Huawei chinesa no leilão do 5G: usam do cacete e da cenoura.

Como a política externa continua a ser o que era no tempo da submissão do trumpista Bolsonaro aos interesses dos EUA, contra a “China comunista”, é possível que ela persista em prejudicar o Brasil em seus interesses nacionais.

Paulo Roberto de Almeida 


   

We don't get it: Does the US expect its allies to choose between the US and China or not? 

Just a few months ago, US Secretary of State Tony Blinken promised that, although the two countries are in a deepening rivalry over trade, technology and values, Washington "won't force allies into an 'us-or-them' choice with China." 

But as we noted yesterday, it seems that during a recent trip to Brasilia, US National Security Adviser Jake Sullivan gave the impression that if Brazil were to ban Huawei from its national 5G auctions later this year, there could be a NATO partnership in it for Brasilia. 

The US State Department denied that there was a clear quid pro quo — naturally, we shudder to hear those three words again — but Washington certainly appears to be mounting a full-court press to enlist the support of Latin America's largest economy when it comes to facing down the US' "most serious competitor." 

For background, under presidents Donald Trump and Joe Biden, the US has been making the (not entirely crazy) case to allies that it's foolish to allow their most critical communications infrastructure to be built by a company under the influence of a government that they could, one day, be in open conflict with. (The US is, of course, hoping those allies will forget credible accusations that the US has itself spied on its allies.)

But the Brazil case is trickier than most. 

Yes, far-right former army captain Bolsonaro and his supporters have an intense ideological aversion to communist China. And if a NATO partnership were on the table, it would be great to have ties to the most powerful military alliance in history— even if, as Eurasia Group Brazil expert Silvio Cascione pointed out to us, Brazil hasn't waged a war along its borders in 120 years.

Still, the downside for Brazil of cutting Huawei out of its 5G network could be immense. For one thing, all of Brazil's major telecoms companies — which have used Huawei tech for more than two decades — bitterly oppose the move. Last year, they refused to meet with a US official who showed up to talk smack about the Chinese company. That's because Brazil's telcos already use relatively inexpensive Huawei equipment in more than half of their networks, according to a study from last year, and the costs of using comparable European or US-made stuff for new 5G networks would be immense. Brazilian Vice President Hamilton Mourão, seen as a moderating force in the presidential palace, agrees.

More broadly, China could inflict serious harm on the Brazilian economy in response. China has been Brazil's largest trade partner for more than a decade, accounting for about a third of the country's total exports. Much of that comes from Brazil's powerful agriculture sector, which doesn't want to see any ripples in the relationship (even if their friends in the manufacturing sector are furious at Chinese companies for undercutting them on prices in recent years.) 

But the tradeoffs here aren't Brazil's alone.There's also a circle that needs to be squared on the US side, and it has to do with the Biden administration's "values agenda." This White House has made a point of putting support for democracies back into US foreign policy after the rougher realism of the Trump era. But as Sullivan surely is aware, one of the most brazen assaults on democratic institutions in the world right now is happening in… Brazil.

With polls showing that Bolsonaro — who has badly mishandled the pandemic and is now facing corruption allegations — could get trounced in next year's presidential election, he's spent weeks questioning, without evidence, the integrity of Brazil's voting system. Brazil's highest court is launching a probe into his claims, while he is calling that court's top justice a "son of a whore." This is clearly preparation for a possible Trump-style election rejection next year. And as Cascione has warned, a January 6 crisis in Brazil is absolutely possible.

Huawei worries or not, is this the right leader for a NATO partnership? And what does even floating that possibility tell us about how the US ranks "promoting democracy" alongside "challenging China"?
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terça-feira, 10 de agosto de 2021

Secretaria da Cultura anuncia edital de R$ 30 milhões para celebrar 200 anos da Independência (FSP)

Mario Frias anuncia edital de R$ 30 milhões para celebrar 200 anos da Independência

Verba selecionará obras audiovisuais; também está previsto edital para produtores locais


secretário especial da Cultura, Mario Frias, anunciou nesta terça (10) um edital no valor de R$ 30 milhões para selecionar projetos de obras audiovisuais voltados à comemoração dos 200 anos da Independência do Brasil, em setembro de 2022.

"Teremos um excelente investimento no resgate do imaginário público de todos os grandes heróis da nossa independência", disse Frias no Twitter. "A comemoração do bicentenário é um evento de todos os brasileiros, e iremos levá-la para cada um de vocês", acrescentou.

Segundo o secretário, haverá em breve o lançamento de editais específicos para produtores regionais e novos produtores, promovendo a descentralização de recursos e incentivando empresas e profissionais locais.

O dinheiro virá da pasta da cultura, mas não está claro se os editais locais serão financiados com os R$ 30 milhões ou terão subsídios separados. Frias também não especificou quem seriam os heróis a que se refere.

Este é um dos primeiros editais de fomento direto à produção artística lançado pela secretaria, e vem alguns dias após um chamamento para selecionar uma gestora para a Cinemateca Brasileira —este, contudo, só foi anunciado após um depósito da instituição, localizada em São Paulo, pegar fogo. A página de editais no site da secretaria não lista nenhum chamamento, e foi atualizada pela última vez em abril.

Cerca de 20 produções sobre a independência serão contempladas com o edital, e elas podem ser documentais, ficcionais ou animadas, em curta e longa metragem. O julgamento dos inscritos será feito por uma comissão mista, composta por servidores da Agência Nacional do Cinema, a Ancine, e da Secretaria Especial de Cultura, além de convidados do setor audiovisual. 

Cerca de 20 produções sobre a independência serão contempladas com o edital, e elas podem ser documentais, ficcionais ou animadas, em curta e longa metragem. O julgamento dos inscritos será feito por uma comissão mista, composta por servidores da Agência Nacional do Cinema, a Ancine, e da Secretaria Especial de Cultura, além de convidados do setor audiovisual.

O secretário de fomento, André Porciuncula, repercutiu o anúncio de Frias, dizendo que se trata de um resgate, no imaginário popular, dos grandes heróis da independência. Ele também afirmou que "o país não será refém dos ícones artificiais de meia dúzia de revolucionários", mas não especificou a quem se referia.

Há cerca de três semanas, o cineasta Josias Teófilo —autor do documentário “O Jardim das Aflições”, sobre o guru do bolsonarismo Olavo de Carvalho— criticou a secretaria de Cultura sobre este tema. "Estamos chegando ao mês de agosto e o governo que se diz conservador ainda não anunciou nada que fará no bicentenário da independência do Brasil”, escreveu ele, numa rede social.

Em seguida, Teófilo afirmou que, enquanto nenhum anúncio havia sido feito, Frias e Porciúncula achavam tempo para brigar nas redes sociais com o secretário de Cultura de São Paulo, Sérgio Sá Leitão. Ele também afirmou que Frias fica "lacrando" no Twitter.​

Esta não é a primeira vez que Frias faz referência aos brasileiros como um 'povo heroico'. Numa campanha patriótica lançada pelo governo às vésperaas do 7 de Setembro de 2020, o secretário estrelou um vídeo no qual afirmava que "até mesmo dentro de casa não é difícil encontrarmos um herói, que se sacrifica a cada dia em prol da sua família".


A cenoura e a soberania (os EUA e o Brasil de Bolsonaro, um trompista) - Rubens Barbosa (OESP)

 A CENOURA E A SOBERANIA

Rubens Barbosa

O Estado de S. Paulo, 10/08/2021 

Na semana passada, o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, visitou o Brasil e “abordou uma gama de prioridades estratégicas durante as reuniões de alto escalão com o governo brasileiro”, segundo comunicado oficial do governo dos EUA.

A aproximação com o governo Bolsonaro deve ser vista como uma ação pragmática dentro do contexto mais amplo da política externa e dos interesses geopolíticos dos EUA. A vinda da missão norte-americana de alto nível teve a ver, em especial, com o interesse do governo Biden de se contrapor a China no setor tecnológico, um dos componentes da confrontação geopolítica entre os dois países.  A exclusão das empresas chinesas do 5G na Europa, África e Américas é uma das principais prioridades da diplomacia americana.

No contexto dessa visão estratégica, o governo Biden, enfrentando oposição da ala progressista do Partido, optou por fazer um gesto ao governo Bolsonaro ao oferecer a oportunidade do Brasil se tornar um sócio global da OTAN. A entrada permitiria acesso ao programa de cooperação da aliança militar. A eventual inclusão do Brasil como “sócio global” da Otan ofereceria igualmente condições especiais para a compra de armamentos de países que integram a organização e abriria espaço para a capacitação de pessoal militar nas bases da aliança ao redor do mundo. O governo Biden já havia deixado Brasília saber que a participação de empresas chinesas inviabilizaria a cooperação na área de defesa e segurança. Não é preciso muita imaginação para entender que esse oferecimento, tem de ver com o possível apoio dos militares no governo para reverter a decisão já tomada de não restringir a participação de qualquer empresa na licitação da Anatel. Como se sabe, nessa questão há uma divisão entre os militares. De um lado, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) adotou publicamente uma posição contrária a participação da Chinausando argumentos de segurança nacional, mas outros membros das Forças Armadas, junto com as teles nacionais, são favoráveis, por nunca ter havido qualquer problema nas mais de duas décadas em que a empresa chinesa atua no país. Esse oferecimento, assim, foi apresentado como contrapartida ao veto à participação da Huawei no futuro mercado de 5G nacional. A relevância do mercado brasileiro e a perspectiva de influir na decisão de outros países sul-americanos são preocupações de Washington. No referido comunicado ao final da visita, ficou registrado que, em relação ao 5G, os EUA continuam a ter fortes preocupações sobre o papel potencial da Huawei na infraestrutura de telecomunicações do Brasil, bem como em outros países ao redor do mundo. A ausência de referência à posição do Brasil é positiva no sentido de que aparentemente o Brasil não cedeu, de imediato, as pressões dos EUA.

Encontra-se em gestação a reação do governo ao oferecimento de parceria global da OTAN e à pressão de Washington no tocante ao 5G. Espera-se que o estamento militar no governo deixe de lado interesses corporativos e aceite a decisão já anunciada de permitir a participação de todos. Na tomada da decisão, devem ficar claras as consequências para o Brasil de uma concessão aos EUA nessas questões.

O Brasil tem preocupação com a expansão da OTAN no Atlântico Sul, área prioritária na estratégia nacional de Defesa. O novo status poderia colocar o Brasil como instrumento dessa expansão, contrariando a política mantida até aqui, e podendo mesmo acarretar reação da Argentina em função das Malvinas.

Aceitando a pressão norte-americana, sem considerar os impactos negativos no setor de telecomunicações e no setor produtivo (indústria e agricultura), caso a regulamentação interna sobre a licitação do 5G seja alterada (por Decreto, pois não será possível modificar as regras fixadas pela Anatel, sem recomeçar todo o processo e sem audiência do TCU) e a participação de empresas chinesas fique inviabilizada, deverá haver repercussões concretas no relacionamento com a China. A questão do 5G é de crucial importância também para a China, como se viu na forte reação contra a Austrália depois do cancelamento da participação de empresas chinesas.  O governo chinês poderia tomar medidas restritivas em relação às exportações de produtos agropecuários brasileiros, investimentos no Brasil, à exportação de vacinas e de insumos farmacêuticos e aumentar sua presença econômico-comercial na América do Sul prejudicando nossos produtos.

Além disso, o atendimento dos interesses americanos não vai diminuir a pressão dos EUA no tocante à política ambiental e de mudança de clima em relação às ações ilegais na Amazônia (desmatamento, grilagem e queimadas), à direitos humanos e democracia (eleições em 2022), como explicitado no comunicado oficial.

Em vista dos interesses concretos que poderão ser afetados, o Brasil não pode senão adotar uma posição de independência no confronto tecnológico, comercial e geopolítico entre os EUA e a China. Motivações ideológicas ou geopolíticas não podem afetar os interesses do Brasil no médio e longo prazo. O Brasil em primeiro lugar.

Rubens Barbosa, presidente do IRICE


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