quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Ucrânia: a guerra que Putin não conseguiu vencer e não consegue encerrar - Vitelio Brustolin

 Ucrânia: a guerra que Putin não conseguiu vencer e não consegue encerrar (parte 1 de 2)

Quatro anos após a invasão em larga escala lançada por Vladimir Putin em fevereiro de 2022, a guerra na Ucrânia entrou em seu quinto ano sem que a Rússia tenha alcançado seus principais objetivos políticos e estratégicos. Apesar do grande custo humano e econômico, os ganhos territoriais russos permanecem limitados, cerca de 0,8% do território ucraniano em 2025, e muitas ofensivas avançam apenas metros por dia, revelando dificuldades militares persistentes e um conflito cada vez mais estagnado. Putin subestimou a resistência ucraniana e a capacidade de mobilização do Ocidente, transformando o que deveria ser uma ‘vitória rápida’ em uma guerra prolongada de atrito.

O preço pago pela Rússia tem sido elevado. Estimativas indicam até 325 mil soldados russos mortos e um total de baixas (incluindo os feridos) de 1,2 milhão de combatentes; perdas superiores às de qualquer grande potência em conflitos recentes, enquanto sanções internacionais e gastos militares pressionam a economia do país. Mesmo assim, Moscou mantém exigências maximalistas, posições que são obstáculos a qualquer acordo de paz. A guerra tornou-se um impasse estratégico: cara demais para continuar indefinidamente, mas politicamente difícil demais para Putin admitir fracasso.

Colaborei com o Bom Dia Brasil para essa reportagem sobre o tema, que segue abaixo, dividida em duas partes. Link nos comentários. 

#Rússia #Ucrânia #EstadosUnidos #VitelioBrustolin #Otan

A invasão russa é uma derrota completa: Ukraine drones wipe out over 900 Russian soldiers in brutal 48 hours of carnage

 Ukraine drones wipe out over 900 Russian soldiers in brutal 48 hours of carnage

The elite Russian 76th Guards Air Assault Division reportedly suffered the heaviest losses as they attempted to advance on Pokrovsk. Ukrainian drone units have inflicted enormous losses on Russian troops within the last 48 hours. Most of the casualties occurred in the Donetsk region, where fierce fighting continues around Pokrovsk and Myrnohrad.

Drone operators from Ukraine's Unmanned Systems Forces (SBS) killed 976 Russians in just two days, the equivalent of two infantry battalions. Robert “Madyar” Brovdi - the SBS commander - said 471 Russian infantrymen were hit on December 10, with another 505 the next day. The elite Russian 76th Guards Air Assault Division reportedly suffered the heaviest losses as they attempted to advance on Pokrovsk. Mechanised columns belonging to the elite unit tried to exploit poor weather conditions to approach the besieged city from the south on Wednesday.

However, they met stiff resistance and came under fierce bombardment by drones, which destroyed much of the equipment, as well as the troops.

In a post to his Telegram channel, Brovdi wrote: "The main reserve of worms has been thrown to Donbas, the one that was supposed to seize Zaporizhzhia - the entire 76th division, an elite airborne assault unit. That's what we're wiping out now. We're wiping them out with an unconditional speed violation: one day = one worm battalion."

He added that SBS data showed an average of 282 Russian soldiers were hit per day in November, rising to 395 per day during the first 11 days of December. The commander said the elimination of Russian manpower is now a priority task for Ukraine’s Defence Forces.

Quatro anos de guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia - Oliver Stuenkel, Paulo Roberto de Almeida

Oliver Stuenkel faz um relato objetivo dos quatro anos de guerra na Ucrânia. Ele só falha em dizer duas coisas: trata-se de um GUERRA DE AGRESSÃO da Rússia contra a Ucrânia; a Rússia é um ESTADO TERRORISTA, que perpetra CRIMES DE GUERRA contra a população civil ucraniana. Certas coisas precisam ser ditas claramente. Paulo Roberto de Almeida

“Neste dia, 24 de fevereiro de 2022 — há quatro anos — a Rússia iniciou sua invasão em larga escala da Ucrânia. O que muitos, em Moscou e no Ocidente, imaginavam ser uma operação rápida para tomar Kiev em poucos dias transformou-se na maior guerra em solo europeu desde 1945, marcando o fim do pós-Guerra Fria: uma nova ordem multipolar mais turbulenta, marcada pela ruptura entre a Rússia e a Europa, a aproximação da Rússia e a China, e a aceleração do rearmamento europeu.

A ofensiva russa começou com ataques de mísseis e o avanço de tropas por múltiplas frentes. A expectativa era combinar superioridade aérea, ataques de precisão e avanço blindado rápido até a capital. O plano fracassou. O governo ucraniano não caiu, e o conflito se converteu numa guerra de atrito, com trincheiras, artilharia pesada e ganhos territoriais mínimos ao custo de perdas humanas massivas.

A linha de frente, com cerca de 1.200 quilômetros de extensão, mudou pouco desde 2023. No auge de seus ganhos, em 2022, a Rússia chegou a controlar mais de 26% do território ucraniano; hoje mantém pouco mais de 19%, incluindo a Crimeia e partes do leste ocupadas desde 2014. Os avanços recentes têm sido graduais e custosos. Estimativas independentes apontam mais de 1 milhão de baixas russas — entre mortos e feridos — desde 2022, com centenas de milhares de mortos e feridos acumulados ao longo do conflito. Do lado ucraniano, os números também são elevados. A ONU confirmou mais de 15 mil civis ucranianos mortos, número muito provavelmente subestimado. Milhões foram deslocados internamente ou deixaram o país.

O conflito mudou a própria natureza da guerra. Drones, antes instrumentos de reconhecimento, tornaram-se armas centrais — usados para atacar tanques, prédios e até soldados individualmente. Há uma corrida permanente por inovação tecnológica no campo de batalha. A automatização do combate redesenhou estratégias militares e forçou exércitos do mundo inteiro a rever prioridades.

Negociações mediadas por potências externas se sucedem sem avanços decisivos. Moscou exige reconhecimento de anexações territoriais e neutralidade ucraniana; Kiev condiciona qualquer acordo a garantias de segurança robustas.”



Quem são os assaltantes do povo brasileiro? Não são os que vc pensa! - Paulo Roberto de Almeida

Quem são os assaltantes do povo brasileiro? Não são os que vc pensa.

Eis a lista das entidades que querem continuar assaltando o povo brasileiro:

Entidades que participaram do encontro com o ministro Flavio Dino e que foram pedir a ele que reveja a sua posição contrária aos vergonhosos e indecentes penduricalhos que assaltam o povo brasileira:


- Associação Nacional dos Membros do Ministério Público

- Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

- Colégio Permanente de Presidentes dos Tribunais de Justiça

- Associação Nacional dos Procuradores da República

- Associação dos Magistrados do Maranhão

- Associação dos Magistrados Brasileiros

- Sindicato dos Servidores do Legislativo

- Conselho Nacional dos Defensores Públicos-Gerais

- Associação dos Juízes Federais do Brasil


VERGONHA ETERNA A ESSES EXPLORADORES DO POVO BRASILEIRO!

Paulo Roberto de Almeida

Brasilia, 25/02/2026

Contra a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, contra a postura absenteista do governo brasileiro na ONU - Paulo Roberto de Almeida

 Como diplomata, mas primeiramente como cidadão brasileiro, tenho total certeza de que a maioria dos cidadãos brasileiros, dos diplomatase dos parlamentares, se consultados expressamente sobre sua posição em relação à guerra de agressãoda Rússia contra a Ucrânia se manifestariam maciçamente em favor da paz, contra a agressão russa e a violação da Carta da ONU. Mas o governo brasileiro se manifestou contrário a essa posição, que conta com clara maioria na ONU (107 países a favor, 51 abstenções, entre elas a do Brasil, e apenas uma dezena contra, geralmente ditaduras).

Ou seja, o governo do Brasil se colocou contrariamenteà opinião da maioria dos brasileiros e da imensa maioria da população mundial e da comunidade dos Estados membros da ONU, constato isso com vergonha diplomática e tristeza como cidadão.

Paulo Roberto de Almeida 

Brasilia, 25/02/2026


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Fevereiro de 2026: quatro anos de guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia: o que eu andei postando em Janeiro e Fevereiro de 2022? (Diplomatizzando)

Eu e a Ucrânia 

Paulo Roberto de Almeida 

Comecei a seguir os assuntos da Ucrânia desde o início dos anos 2000, depois que o Congresso brasileiro recusou aprovação ao acordo de salvaguardas Brasil-Estados Unidos para o lançamento de satélites contendo tecnologia americana – vetores e componentes – a partir da base de Alcântara. Na época, petistas nacionalistas e outros companheiros aliados fizeram oposição ao acordo, concebido pelo ministro de Ciência e Tecnologia do governo Fernando Henrique Cardoso, embaixador Ronaldo Mota Sardenberg, a pretexto de que seria uma subordinação inaceitável ao imperialismo americano, pois preservava tecnologia restrita dos EUA, que não estaria aberta ao Brasil. Um acordo substituto entre o Brasil e a Ucrânia foi assinado pelo governo Lula, mas nunca produziu resultados práticos, um pouco pelos mesmos motivos – cuidados com segredos tecnológicos – e também por outras causas mais prosaicas. Depois de gastar centenas de milhões de dólares, e nada de lançamento brasilo-ucraniano, o acordo bilateral (que também tinha salvaguardas) foi encerrado no governo Dilma, deixando possíveis pendências financeiras e contratuais.

Mas na mesma época, minha atenção às questões ucranianas foi novamente chamada pelas revoltas políticas e reviravoltas governamentais que se processavam no país desde a revolução "laranja", uma década antes, mas, obviamente, bem mais em 2013-2014, por uma nova revolução, na qual estava em questão a possível adesão da Ucrânia à União Europeia e, possivelmente, à Otan. Foi a janela encontrada por Putin para invadir a península ucraniana da Crimeia e anexá-la ilegalmente à Rússia, em fevereiro de 2014. Lembro-me que o governo Dilma Rousseff sequer se pronunciou sobre a questão, com a alegação de que se tratava de assunto interno à Ucrânia. A realização de uma cúpula do BRICS no meio do ano de 2014, em Fortaleza, talvez explique melhor as razões do silêncio complacente do Brasil para com a Rússia ante esse gesto claramente violador da Carta da ONU, contrário, portanto, às tradições, valores e princípios da postura diplomática do Brasil. Nunca aceitamos usurpações territoriais pela forças, antes mesmo da Carta da ONU, ainda no Estado Novo varguista, suspeito de simpatias com as forças nazifascistas europeias. 

Quando Hitler invadiu a Polônia, em 1939, não reconhecemos a anexação violenta de seu território pela Alemanha nazista. O mesmo ocorreu em 1940, quando Stalin invadiu e anexou os três países bálticos, com os quais mantínhamos relações diplomáticas, desde seu surgimento como Estados independentes.

A partir de 2014, eu passei, portanto, a seguir mais de perto os assuntos ucranianos, tanto por interesse na situação em si da paz e segurança na Europa central, tendo em vista outras movimentações de Putin naquela região (Georgia, Moldova), quanto pelo fato de a diplomacia brasileira permanecer estranhamente silenciosa, em face de uma grave violação do direito internacional.

Natural, assim, que nos últimos meses de 2021 e nas primeiras semanas de 2022, eu tenha passado a seguir diariamente os anúncios de uma possível invasão russa da Ucrânia, inclusive porque o presidente americano Joe Biden não cessava de falar nisso, praticamente todos os dias desde setembro-outubro de 2021 e de modo ainda mais enfático em janeiro e fevereiro de 2022.

Apenas para demonstrar meu grau de interesse pelo assunto, transcrevo abaixo todas as postagens que efetuei em meu blog Diplomatizzando em janeiro e fevereiro de 2022, que devem ser consideradas na ordem inversa, obviamente, as mais antigas abaixo, em cima as mais recentes: 

 

  fevereiro (116)

Depois vou dar destaque a algumas dessas postagens, como aliás já nesta aqui: 

 https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/02/quatro-anos-completos-de-guerra-de.html

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 24 de fevereiro de 2026 

 

 

Chamada de Trabalhos para a II Conferência Nacional de Política Externa e Inserção Internacional do Brasil | UFABC

Chamada de Trabalhos para a II Conferência Nacional de Política Externa e Inserção Internacional do Brasil: UFABC
Estão abertas as submissões de propostas de trabalho para a II Conferência Nacional de Política Externa e Inserção Internacional do Brasil, que ocorrerá nos dias 08, 09 e 10 de junho de 2026, na UFABC (Campus São Bernardo do Campo, SP).
A submissão deve conter título, resumo (300 a 500 palavras) e 3 a 5 palavras-chave. Prazo final para envio dos resumos é dia 01/03/2026. Haverá publicação dos anais do evento e previsão de lançamento de e-book com os 10 melhores trabalhos, publicados na íntegra.
Atenção: haverá possibilidade de apoio financeiro para pessoas apresentadoras provenientes de fora do Estado de São Paulo, conforme critérios do edital.
Informações completas e formulário de submissão aqui:
Contato para dúvidas: conferenciapeb2026@gmail.com

Sobre os 35 anos da ADB: Associação dos Diplomatas Brasileiros (agora Sindicato também) - Paulo Roberto de Almeida

Sobre os 35 anos da ADB

Paulo Roberto de Almeida
Diplomata, professor

Nunca fui um admirador incondicional do General De Gaulle, mas já li muito sobre ele, inclusive um livro sobre suas leituras que eu comprei no Memorial De Gaulle em Colombey-Les-Deux-Églises, quando fui visitar esse museu em algum momento dos anos passados. Mas sempre gostei de uma postura do General, que dizia que mantinha “une certaine idée de la France’, tanto que escolhi esse título para um dos meus quatro ou cinco livros digitais contra o bolsonarismo diplomático, uma diminuição inaceitável da credibilidade de nossa diplomacia no exterior, chamando-o de Uma certa ideia do Itamaraty (2020). Eis a ficha completa desse livreto, feito num dos momentos mais angustiosos da vida do Itamaraty, diminuído por fora, atemorizado por dentro, sob a direção alucinada de um chanceler acidental, singularmente despreparado para o cargo, pois que desprovido de poder real, já que vivia que submetido a amadores ignorantes em política internacional:
Uma certa ideia do Itamaraty: a reconstrução da política externa e a restauração da diplomacia brasileira, Brasília, 7 setembro 2020, 169 p. Livro sobre a nossa diplomacia, em tempos obscuros. Anunciado no blog Diplomatizzando (link:
https://www.academia.edu/44037693/Uma_certa_ideia_do_Itamaraty_A_reconstrucao_da_politica_externa_e_a_restauracao_da_diplomacia_brasileira_2020_), e também na plataforma Research Gate (link:

Um dia vou relatar uma tentativa que fiz, discreta e reservadamente, entre os colegas diplomatas, para tentar elaborar ideias para a reconstrução política, funcional e moral do Itamaraty, depois do desgoverno Bolsonaro, numa fase extremamente angustiante da vida da Casa de Rio Branco, já que terrivelmente diminuída pela ação irresponsável daquilo que eu chamei de “bolsolavismo diplomático”, já que várias das posturas absurdamente antidiplomáticas tinham sido sugeridas por autodenominado filósofo, alucinado e ridículo, que foi ele mesmo o responsável pela indicação do nefasto chanceler acidental para nossa Casa.
Por enquanto gostaria de comemorar condignamente os 35 anos de vida da Associação dos Diplomatas Brasileiros, tornada efetiva em 1991, mas cuja ideia já vinha de alguns anos antes, na segunda metade da década dos 80, na redemocratização. Eu havia recém voltado de minha primeira “excursão diplomática” ao exterior, uma primeira remoção para a capital da Suíça, em Berna, em 1979, seguida de um segundo posto em Belgrado, capital da então Iugoslávia, em 1982, durante a qual eu finalmente conseguiu terminar e defender minha tese de doutoramento na Universidade de Bruxelas, deixada inconclusa quando resolvi voltar ao Brasil, em 1977, depois de quase sete anos de autoexílio na Europa, nos chamados “anos de chumbo”, os mais sombrios de nossa história política do final do século passado.
Um dos motivos para minha decisão de prestar o concurso para a carreira diplomática, foi que, além de eu não ter um emprego fixo, imediatamente após meu retorno ao Brasil em marco de 1977, pois não havia concursos abertos para alguma universidade federal – e eu era um acadêmico iniciante –, eu queria testar a minha “ficha” nos registros da repressão policial depois de ter passado anos lutando contra a ditadura brasileira, escrevendo sob outros nomes artigos contra o regime militar. Eu estava aparentemente limpo, aos olhos dos aparelhos de informação do Estado autoritário, tanto que fui admitido e comecei a trabalhar. Mas, acabei sendo fichado pouco depois, como diplomata subversivo, tendo trabalhado na campanha do candidato do MDB, general Euler Bentes Monteiro, contra o candidato da ditadura, o último, o general João Figueiredo, nas últimas eleições indiretas para presidente, em 1978. Mas isso só vim a descobrir anos depois, ao consultar o diretório do SNI no Arquivo Nacional de Brasília, que eu estava fichado desde 1978, inclusive tendo tido um trabalho sobre uma política externa alternativa à da ditadura salvo pelos informantes e disponível digitalmente no referido diretório. Mas isso é uma outra história.
O fato é que conjuntamente ao trabalho de reconstrução constitucional do país, a partir de 1987, os diplomatas começaram simultaneamente a tentar construir uma representação associativa da categoria, como sinônimo de uma reconstrução funcional e política de uma instituição respeitável e respeitada, como uma das grandes corporações do Estado brasileiro, junto, aliás, das Forças Armadas e das outras tecnocracias do Estado, como as do Banco Central, da Receita, dos demais corpos do Estado. Debates se acirraram naquele período de reconstrução democrática do Brasil, e aproveitei meus conhecimentos de sociologia política (e aulas na UnB e no próprio Instituto Rio Branco) para escrever alguns trabalhos sobre a interação entre os partidos políticos, a diplomacia e a política externa do Estado brasileiro, textos que foram mais tarde também reunidos numa brochura consolidando esse material:
Estrutura Constitucional e Interface Internacional do Brasil: Relações internacionais, política externa e Constituição, Brasília, 29 janeiro 2018, 146 p. Compilação seletiva de ensaios sobre essa temática, elaborados depois de 1996, como complemento ao livro Parlamento e Política Externa (1996). Disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/35779830/Estrutura_constitucional_e_interface_internacional_do_Brasil ), em Research Gate (9/03/2018; link: https://www.researchgate.net/publication/323675789_Estrutura_Constitucional_e_Interface_Internacional_do_Brasil_Relacoes_internacionais_politica_externa_e_Constituicao_Brasilia_Edicao_do_Autor_2018), informado no Diplomatizzando (https://diplomatizzando.blogspot.com.br/2018/01/as-relacoes-constitucionais-e-estrutura.html).

Por esses acasos da vida diplomática acabei saindo novamente, para minha segunda “incursão exterior”, para o segundo e o terceiro postos que tive na carreira: primeiro Genebra – onde tive o privilégio de servir com o embaixador Ricupero em vários dos temas de desenvolvimento econômico e relações econômicas internacionais (que acabaram permanecendo como minha especialização ulterior) – logo em seguida Montevidéu-Aladi, quando assisti ao processo integracionista e ao nascimento do Mercosul (que constituiu o tema de meu primeiro livro publicado e de centenas de outros trabalhos nessa problemática). Não participei, assim, nem da promulgação de uma nova Constituição para o Brasil (a atual), nem da fundação da Associação dos Diplomatas Brasileiros, a não ser indiretamente.
Mas comecei imediatamente a trabalhar em prol da dimensão cultural da ADB, ao praticamente assumir, durante quase duas décadas, a seção Prata da Casa de seu boletim (depois revista), efetuando resenhas, algumas grandes, outras reduzidas, sobre os livros publicados pelos diplomatas. Persisti durante anos nessa porfia que sempre me foi extremamente agradável – pois o meu mundo é exatamente esse, o dos livros –, até que uma censura indevida a uma de minhas resenhas me fez desistir de continuar colaborando (não me lembro de alguém ter assumido a tarefa na minha sequência, e tanto a Prata da Casa, como a própria publicação, boletim ou revista, deixaram de existir, em face da concorrência oferecida atualmente pelas redes de comunicação social. Atualmente, o Prata da Casa é apenas uma seção eletrônica, no site da ADB, já transformada em sindicato nos últimos dez anos, em função da concorrência oferecida pelo SindItamaraty, que traduz uma influência maior, acredito, da outra categoria dos funcionários do Serviço Exterior brasileiro, os oficiais de chancelaria.
Minhas reflexões sobre a própria ADB podem ser lidas depois desta primeira parte, mais memorialística sobre as formas de expressão pública da diplomacia brasileira. Tendo ela completado 35 anos de vida, isso me fez lembrar de alguns romances do filósofo e escritor francês Jean-Paul Sartre, que dizia que essa era a idade da razão, a que ele próprio enfrentou durante a ocupação alemã de seu país, quando se dedicou mais à literatura do que à política (o que ele faria mais tarde). Coube-me lembrar também de um dos romances de Balzac, La Femme de Trente Ans, mas cujo enredo e temática não têm nada a ver com a ADB, seja pela idade, seja pelas suas preferências relacionais ou sentimentos afetivos.
A ADB sempre teve entre seus objetivos básicos, sem adentrar na definição da política externa, que é tarefa presidencial, a promoção do bom funcionamento da corporação, enquanto serviço de Estado comprometido com os altos interesses da nação, e por isso devotada a sólidos princípios institucionais de alta qualidade no desempenho das tarefas precípuas da diplomacia: a informação, a representação e a negociação. Obviamente que a condição primária para o exercício adequado dessas diversas funções radica naquilo que os alemães chamam de Bildung, isto é, formação de capital humano, constando de recrutamento rigoroso, treinamento regular e a avaliação do desempenho dos diplomatas, ao longo das várias etapas, como requerimento da ascensão funcional.
De certa forma, os diplomatas já vêm em grande medida prontos, em vista dos exigentes requerimentos de ingresso na carreira, por um dos concursos mais rigorosos entre todas as seleções para carreiras de Estado. Na fase seguinte, nossa academia diplomática, o Instituto Rio Branco, se encarrega da profissionalização complementar ao exercício das primeiras funções. A ADB não tem qualquer papel na Bildung, mas ela acompanha com interesse todas essas etapas de formação e qualificação dos diplomatas, tanto é assim que ocorreu, nos dez últimos anos, uma renovação geracional na ADB, com diplomatas jovens assumindo cargos de direção, em contraste com as administrações anteriores da Associação, em grande medida a cargo de diplomatas mais antigos ou até aposentados, como foi o caso até pouco tempo atrás.
Tendo ocupado o cargo de vice-presidente da ADB, em meados dos anos 2000, posso testemunhar de um grande ativismo no diálogo com a Administração do Itamaraty e seu engajamento em atividades paralelas à referida Bildung, chegando até a oferecer bolsas para candidatos de condição social menos favorecida. Durante minha gestão como vice-presidente procurei justamente impulsionar a parte cultural da Associação, mediante convites a personalidades da vida pública para almoços recheados de debates relevantes. O mesmo fiz quando ocupei a diretoria do Instituto de Pesquisas de Relações Internacionais, o IPRI, órgão da Fundação Alexandre de Gusmão, por sua vez vinculado ao Itamaraty, numa programação bastante rica em debates e publicações. Contei com o apoio da ADB e diversos desses empreendimentos.
Desejo ressaltar que minha colaboração com a ADB, muito mais do que executiva, foi basicamente intelectual, sobretudo nessa modalidade já descrita acima de resenhas e miniresenhas dos livros dos diplomatas nas páginas da revista: foram centenas, ao longo de duas décadas, talvez mais, pois existiram outras resenhas e matérias fora do formato estrito do Prata da Casa. A Funag demonstrou, uma vez, interesse em publicar a coleção completa, e assim procedi à montagem de um volume, aliás volumoso, de todo esse material “livresco”. Como pretenderam também censurar uma ou outra resenha minha – o que também tinha sido o motivo da interrupção do meu concurso com a revista nessa modalidade –, eu preferi não publicar pela Funag e eu mesmo montei e disponibilizei alguns volumes editados digitalmente com a coleção completa, em duas ou três modalidades editoriais, como informo abaixo:

- Prata da Casa: os livros dos diplomatas (Hartford: edição para a Funag, 2013, 667 p; não publicada; disponível em Research Gate; 2ª. edição de Autor; 16/07/2014, 663 p.;
Academia.edu; Research Gate).
- Polindo a Prata da Casa: mini-resenhas de livros de diplomatas (Kindle edition, 2014, 151 p., 484 KB; ASIN: B00OL05KYG).
- Codex Diplomaticus Brasiliensis: livros de diplomatas brasileiros (Kindle, 2014, 326 p.; ASIN: B00P6261X2; Academia.edu; ).
- Rompendo Fronteiras: a Academia pensa a Diplomacia (Kindle, 2014, 414 p.; 1324 KB; ASIN: B00P8JHT8Y).

Ao contemplar os primeiros 35 anos da ADB, agora transformada em Sindicato, quero congratular-me com seus atuais dirigentes, por manter a alta qualidade da representação dos diplomatas, uma corporação especial na tecnocracia de Estado, muito pouco corporativa, e bem mais aberta aos talentos e à dedicação de cada um dos diplomatas ao serviço do Brasil.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5228: 24 de fevereiro de 2026

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Sessão Solene em homenagem aos 35 anos da Associação dos Diplomatas Brasileiros, Deputado Federal Luiz Carlos Hauly - Câmara dos Deputados

 

A Associação dos Diplomatas Brasileiros (ADB) tem a honra de formular convite para a Sessão Solene em homenagem aos 35 anos de trajetória desta entidade, a realizar-se na Câmara dos Deputados, no Plenário Ulysses Guimarães, no próximo dia 25 de fevereiro (quarta-feira), às 9h.

A cerimônia celebra três décadas e meia de atuação da ADB na representação das diplomatas e dos diplomatas brasileiros e sua relevante contribuição para o fortalecimento da diplomacia brasileira. Ao longo de sua história, a associação tem desempenhado papel fundamental no aperfeiçoamento do Serviço Exterior Brasileiro e na promoção de uma diplomacia nacional voltada ao interesse público e ao desenvolvimento do país.
A sessão seguirá o rito regimental da Câmara dos Deputados, iniciando-se com a composição da mesa e a execução do Hino Nacional, seguidas pela exibição de um vídeo institucional e pelo pronunciamento do Deputado Federal proponente, Luiz Carlos Hauly.
Contamos com a prestigiosa participação de todos neste momento simbólico para a diplomacia brasileira e para o fortalecimento das instituições públicas e da carreira diplomática.

Zelensky: Putin “já começou” a Terceira Guerra Mundial - O Antagonista

 Mundo

Zelensky: Putin “já começou” a Terceira Guerra Mundial
Invasão russa à Ucrânia completará quatro anos na terça-feira
O Antagonista, 24 de fevereiro de 2026

Às vésperas do quarto ano da invasão russa à Ucrânia, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou o ditador russo, Vladimir Putin, de ter começado a Terceira Guerra Mundial.
Para Zelensky, a questão é “quanto território ele conseguirá tomar” e “como impedi-lo”.
“Acredito que Putin já começou. A questão é quanto território ele conseguirá tomar e como impedi-lo. A Rússia quer impor ao mundo um modo de vida diferente e mudar a vida que as pessoas escolheram para si mesmas”, disse o líder ucraniano em entrevista à BBC.
Para aceitar um cessar-fogo, Moscou exige que Kiev entregue 20% da área de Donestsk que ainda controla, além de Kherson e Zaporizhzhia.
Questionado se estaria disposto a ceder territórios em troca da paralisação dos combates, Zelensky respondeu:
“Não encaro simplesmente como terra. Vejo como abandono – enfraquecendo nossas posições, abandonando centenas de milhares de pessoas que vivem lá. É assim que eu vejo. E tenho certeza de que essa ‘retirada’ dividiria nossa sociedade”, disse.
E continuou: “Isso provavelmente o satisfaria por um tempo… ele precisa de uma pausa… mas, uma vez recuperado, nossos parceiros europeus dizem que isso pode levar de três a cinco anos. Na minha opinião, ele poderia se recuperar em no máximo dois anos. Para onde ele iria depois? Não sabemos, mas que ele queira continuar [a guerra] é um fato.”
Putin não vai parar na Ucrânia
Zelensky disse à BBC que Putin “não vai parar na Ucrânia” e detê-lo agora seria uma vitória para o mundo inteiro.
“Acredito que deter Putin hoje e impedi-lo de ocupar a Ucrânia é uma vitória para o mundo inteiro. Porque Putin não vai parar na Ucrânia.”
O presidente da Ucrânia afirmou ainda que uma vitória da justiça seria a devolução de todas as terras pertencentes ao país em 1991, ano em que Kiev declarou sua independência da União Soviética.
“Nós faremos isso. Isso é absolutamente claro. É apenas uma questão de tempo. Fazer isso hoje significaria perder um número enorme de pessoas — milhões de pessoas — porque o exército [russo] é grande, e entendemos o custo de tais medidas. Não teríamos gente suficiente, perderíamos pessoas. E o que é terra sem gente? Honestamente, nada.
E também não temos armas suficientes. Isso depende não só de nós, mas também dos nossos parceiros. Portanto, neste momento isso não é possível, mas retornar às fronteiras justas de 1991 [ano em que a Ucrânia declarou sua independência, precipitando o colapso final da União Soviética], sem dúvida, não é apenas uma vitória, é justiça. A vitória da Ucrânia é a preservação da nossa independência, e uma vitória da justiça para o mundo inteiro é a devolução de todas as nossas terras.”
Em 2014, a Rússia anexou a Crimeia, que também era parte do território ucraniano.


Postagem em destaque

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