quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Ucrânia: a guerra que Putin não conseguiu vencer e não consegue encerrar - Vitelio Brustolin

 Ucrânia: a guerra que Putin não conseguiu vencer e não consegue encerrar (parte 1 de 2)

Quatro anos após a invasão em larga escala lançada por Vladimir Putin em fevereiro de 2022, a guerra na Ucrânia entrou em seu quinto ano sem que a Rússia tenha alcançado seus principais objetivos políticos e estratégicos. Apesar do grande custo humano e econômico, os ganhos territoriais russos permanecem limitados, cerca de 0,8% do território ucraniano em 2025, e muitas ofensivas avançam apenas metros por dia, revelando dificuldades militares persistentes e um conflito cada vez mais estagnado. Putin subestimou a resistência ucraniana e a capacidade de mobilização do Ocidente, transformando o que deveria ser uma ‘vitória rápida’ em uma guerra prolongada de atrito.

O preço pago pela Rússia tem sido elevado. Estimativas indicam até 325 mil soldados russos mortos e um total de baixas (incluindo os feridos) de 1,2 milhão de combatentes; perdas superiores às de qualquer grande potência em conflitos recentes, enquanto sanções internacionais e gastos militares pressionam a economia do país. Mesmo assim, Moscou mantém exigências maximalistas, posições que são obstáculos a qualquer acordo de paz. A guerra tornou-se um impasse estratégico: cara demais para continuar indefinidamente, mas politicamente difícil demais para Putin admitir fracasso.

Colaborei com o Bom Dia Brasil para essa reportagem sobre o tema, que segue abaixo, dividida em duas partes. Link nos comentários. 

#Rússia #Ucrânia #EstadosUnidos #VitelioBrustolin #Otan

A invasão russa é uma derrota completa: Ukraine drones wipe out over 900 Russian soldiers in brutal 48 hours of carnage

 Ukraine drones wipe out over 900 Russian soldiers in brutal 48 hours of carnage

The elite Russian 76th Guards Air Assault Division reportedly suffered the heaviest losses as they attempted to advance on Pokrovsk. Ukrainian drone units have inflicted enormous losses on Russian troops within the last 48 hours. Most of the casualties occurred in the Donetsk region, where fierce fighting continues around Pokrovsk and Myrnohrad.

Drone operators from Ukraine's Unmanned Systems Forces (SBS) killed 976 Russians in just two days, the equivalent of two infantry battalions. Robert “Madyar” Brovdi - the SBS commander - said 471 Russian infantrymen were hit on December 10, with another 505 the next day. The elite Russian 76th Guards Air Assault Division reportedly suffered the heaviest losses as they attempted to advance on Pokrovsk. Mechanised columns belonging to the elite unit tried to exploit poor weather conditions to approach the besieged city from the south on Wednesday.

However, they met stiff resistance and came under fierce bombardment by drones, which destroyed much of the equipment, as well as the troops.

In a post to his Telegram channel, Brovdi wrote: "The main reserve of worms has been thrown to Donbas, the one that was supposed to seize Zaporizhzhia - the entire 76th division, an elite airborne assault unit. That's what we're wiping out now. We're wiping them out with an unconditional speed violation: one day = one worm battalion."

He added that SBS data showed an average of 282 Russian soldiers were hit per day in November, rising to 395 per day during the first 11 days of December. The commander said the elimination of Russian manpower is now a priority task for Ukraine’s Defence Forces.

Quatro anos de guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia - Oliver Stuenkel, Paulo Roberto de Almeida

Oliver Stuenkel faz um relato objetivo dos quatro anos de guerra na Ucrânia. Ele só falha em dizer duas coisas: trata-se de um GUERRA DE AGRESSÃO da Rússia contra a Ucrânia; a Rússia é um ESTADO TERRORISTA, que perpetra CRIMES DE GUERRA contra a população civil ucraniana. Certas coisas precisam ser ditas claramente. Paulo Roberto de Almeida

“Neste dia, 24 de fevereiro de 2022 — há quatro anos — a Rússia iniciou sua invasão em larga escala da Ucrânia. O que muitos, em Moscou e no Ocidente, imaginavam ser uma operação rápida para tomar Kiev em poucos dias transformou-se na maior guerra em solo europeu desde 1945, marcando o fim do pós-Guerra Fria: uma nova ordem multipolar mais turbulenta, marcada pela ruptura entre a Rússia e a Europa, a aproximação da Rússia e a China, e a aceleração do rearmamento europeu.

A ofensiva russa começou com ataques de mísseis e o avanço de tropas por múltiplas frentes. A expectativa era combinar superioridade aérea, ataques de precisão e avanço blindado rápido até a capital. O plano fracassou. O governo ucraniano não caiu, e o conflito se converteu numa guerra de atrito, com trincheiras, artilharia pesada e ganhos territoriais mínimos ao custo de perdas humanas massivas.

A linha de frente, com cerca de 1.200 quilômetros de extensão, mudou pouco desde 2023. No auge de seus ganhos, em 2022, a Rússia chegou a controlar mais de 26% do território ucraniano; hoje mantém pouco mais de 19%, incluindo a Crimeia e partes do leste ocupadas desde 2014. Os avanços recentes têm sido graduais e custosos. Estimativas independentes apontam mais de 1 milhão de baixas russas — entre mortos e feridos — desde 2022, com centenas de milhares de mortos e feridos acumulados ao longo do conflito. Do lado ucraniano, os números também são elevados. A ONU confirmou mais de 15 mil civis ucranianos mortos, número muito provavelmente subestimado. Milhões foram deslocados internamente ou deixaram o país.

O conflito mudou a própria natureza da guerra. Drones, antes instrumentos de reconhecimento, tornaram-se armas centrais — usados para atacar tanques, prédios e até soldados individualmente. Há uma corrida permanente por inovação tecnológica no campo de batalha. A automatização do combate redesenhou estratégias militares e forçou exércitos do mundo inteiro a rever prioridades.

Negociações mediadas por potências externas se sucedem sem avanços decisivos. Moscou exige reconhecimento de anexações territoriais e neutralidade ucraniana; Kiev condiciona qualquer acordo a garantias de segurança robustas.”



Quem são os assaltantes do povo brasileiro? Não são os que vc pensa! - Paulo Roberto de Almeida

Quem são os assaltantes do povo brasileiro? Não são os que vc pensa.

Eis a lista das entidades que querem continuar assaltando o povo brasileiro:

Entidades que participaram do encontro com o ministro Flavio Dino e que foram pedir a ele que reveja a sua posição contrária aos vergonhosos e indecentes penduricalhos que assaltam o povo brasileira:


- Associação Nacional dos Membros do Ministério Público

- Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

- Colégio Permanente de Presidentes dos Tribunais de Justiça

- Associação Nacional dos Procuradores da República

- Associação dos Magistrados do Maranhão

- Associação dos Magistrados Brasileiros

- Sindicato dos Servidores do Legislativo

- Conselho Nacional dos Defensores Públicos-Gerais

- Associação dos Juízes Federais do Brasil


VERGONHA ETERNA A ESSES EXPLORADORES DO POVO BRASILEIRO!

Paulo Roberto de Almeida

Brasilia, 25/02/2026

Contra a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, contra a postura absenteista do governo brasileiro na ONU - Paulo Roberto de Almeida

 Como diplomata, mas primeiramente como cidadão brasileiro, tenho total certeza de que a maioria dos cidadãos brasileiros, dos diplomatase dos parlamentares, se consultados expressamente sobre sua posição em relação à guerra de agressãoda Rússia contra a Ucrânia se manifestariam maciçamente em favor da paz, contra a agressão russa e a violação da Carta da ONU. Mas o governo brasileiro se manifestou contrário a essa posição, que conta com clara maioria na ONU (107 países a favor, 51 abstenções, entre elas a do Brasil, e apenas uma dezena contra, geralmente ditaduras).

Ou seja, o governo do Brasil se colocou contrariamenteà opinião da maioria dos brasileiros e da imensa maioria da população mundial e da comunidade dos Estados membros da ONU, constato isso com vergonha diplomática e tristeza como cidadão.

Paulo Roberto de Almeida 

Brasilia, 25/02/2026


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Fevereiro de 2026: quatro anos de guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia: o que eu andei postando em Janeiro e Fevereiro de 2022? (Diplomatizzando)

Eu e a Ucrânia 

Paulo Roberto de Almeida 

Comecei a seguir os assuntos da Ucrânia desde o início dos anos 2000, depois que o Congresso brasileiro recusou aprovação ao acordo de salvaguardas Brasil-Estados Unidos para o lançamento de satélites contendo tecnologia americana – vetores e componentes – a partir da base de Alcântara. Na época, petistas nacionalistas e outros companheiros aliados fizeram oposição ao acordo, concebido pelo ministro de Ciência e Tecnologia do governo Fernando Henrique Cardoso, embaixador Ronaldo Mota Sardenberg, a pretexto de que seria uma subordinação inaceitável ao imperialismo americano, pois preservava tecnologia restrita dos EUA, que não estaria aberta ao Brasil. Um acordo substituto entre o Brasil e a Ucrânia foi assinado pelo governo Lula, mas nunca produziu resultados práticos, um pouco pelos mesmos motivos – cuidados com segredos tecnológicos – e também por outras causas mais prosaicas. Depois de gastar centenas de milhões de dólares, e nada de lançamento brasilo-ucraniano, o acordo bilateral (que também tinha salvaguardas) foi encerrado no governo Dilma, deixando possíveis pendências financeiras e contratuais.

Mas na mesma época, minha atenção às questões ucranianas foi novamente chamada pelas revoltas políticas e reviravoltas governamentais que se processavam no país desde a revolução "laranja", uma década antes, mas, obviamente, bem mais em 2013-2014, por uma nova revolução, na qual estava em questão a possível adesão da Ucrânia à União Europeia e, possivelmente, à Otan. Foi a janela encontrada por Putin para invadir a península ucraniana da Crimeia e anexá-la ilegalmente à Rússia, em fevereiro de 2014. Lembro-me que o governo Dilma Rousseff sequer se pronunciou sobre a questão, com a alegação de que se tratava de assunto interno à Ucrânia. A realização de uma cúpula do BRICS no meio do ano de 2014, em Fortaleza, talvez explique melhor as razões do silêncio complacente do Brasil para com a Rússia ante esse gesto claramente violador da Carta da ONU, contrário, portanto, às tradições, valores e princípios da postura diplomática do Brasil. Nunca aceitamos usurpações territoriais pela forças, antes mesmo da Carta da ONU, ainda no Estado Novo varguista, suspeito de simpatias com as forças nazifascistas europeias. 

Quando Hitler invadiu a Polônia, em 1939, não reconhecemos a anexação violenta de seu território pela Alemanha nazista. O mesmo ocorreu em 1940, quando Stalin invadiu e anexou os três países bálticos, com os quais mantínhamos relações diplomáticas, desde seu surgimento como Estados independentes.

A partir de 2014, eu passei, portanto, a seguir mais de perto os assuntos ucranianos, tanto por interesse na situação em si da paz e segurança na Europa central, tendo em vista outras movimentações de Putin naquela região (Georgia, Moldova), quanto pelo fato de a diplomacia brasileira permanecer estranhamente silenciosa, em face de uma grave violação do direito internacional.

Natural, assim, que nos últimos meses de 2021 e nas primeiras semanas de 2022, eu tenha passado a seguir diariamente os anúncios de uma possível invasão russa da Ucrânia, inclusive porque o presidente americano Joe Biden não cessava de falar nisso, praticamente todos os dias desde setembro-outubro de 2021 e de modo ainda mais enfático em janeiro e fevereiro de 2022.

Apenas para demonstrar meu grau de interesse pelo assunto, transcrevo abaixo todas as postagens que efetuei em meu blog Diplomatizzando em janeiro e fevereiro de 2022, que devem ser consideradas na ordem inversa, obviamente, as mais antigas abaixo, em cima as mais recentes: 

 

  fevereiro (116)

Depois vou dar destaque a algumas dessas postagens, como aliás já nesta aqui: 

 https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/02/quatro-anos-completos-de-guerra-de.html

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 24 de fevereiro de 2026 

 

 

Chamada de Trabalhos para a II Conferência Nacional de Política Externa e Inserção Internacional do Brasil | UFABC

Chamada de Trabalhos para a II Conferência Nacional de Política Externa e Inserção Internacional do Brasil: UFABC
Estão abertas as submissões de propostas de trabalho para a II Conferência Nacional de Política Externa e Inserção Internacional do Brasil, que ocorrerá nos dias 08, 09 e 10 de junho de 2026, na UFABC (Campus São Bernardo do Campo, SP).
A submissão deve conter título, resumo (300 a 500 palavras) e 3 a 5 palavras-chave. Prazo final para envio dos resumos é dia 01/03/2026. Haverá publicação dos anais do evento e previsão de lançamento de e-book com os 10 melhores trabalhos, publicados na íntegra.
Atenção: haverá possibilidade de apoio financeiro para pessoas apresentadoras provenientes de fora do Estado de São Paulo, conforme critérios do edital.
Informações completas e formulário de submissão aqui:
Contato para dúvidas: conferenciapeb2026@gmail.com

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